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Full text of "Diccionario de botanica brasileira; ou, Compendio dos vegetaes do Brasil, tanto indigenas como acclimados;"

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'"^-,. 



DICOIO]SrA.RIO 



DE 



iaiam iM^aiii. 



DICCIONARIO 



BOTNICA BMSILEmA 

ou 

COMPENDIO 

DOS VEGETAES DO BRASIL, TANTO INDGENAS COMO ACCLIMADOS 

REVISTA POR UMA COMMISSO DA SOCIEDADE VELLOSIANA, E APPROVADA PELA FACULDADE 

DE MEDICINA DA CORTE. 



CONTENDO : 

uma descripo scientifica de cada fanailia a que pertencem, 

e outra vulgar ao alcance de qualquer intelligencia, seu emprego e 

differentes denominaes nas diversas provincias do Imprio, 

as propriedades medicas e venenosas, 

sua utilidade nas artes, industrias, economia domestica 

e na veterinria 

COORDENADO E REDIGIDO 

em grande parte sobre os manuscriptos do Dr. Arruda Camar 

POR 



de odlmud 



lodamni m ^meiaa (o/tnfo 

Pharmaceutico pela Escola especial de Pharmacia de Paris. 

e mandado imprimir por seu irmo 

O BACHAREL ZEFERINO D'ALMEIDA PINTO. 



RIO DE JANEIRO. 

Typographia Pekseveuanoa. rua do Hospcio u. 91. 
1873. 



LIBRARY 
NEW YORK 
^OTANICAL 

GARDEN 



/M t- 



DIAS PALAVRAS AO LEITOR. 



3>iO*- 



Tomando o encargo de mandar imprimir o Diccionario de Botnica. 
Brasileira, que em manuscripto deixou o seu compendiador, tivemos em vista, 
alm da considerao de ser elle um irmo que muito prezvamos, prestar ao 
paiz um pequeno mas importante servio, tornando conhecida uma parte dos 
trabalhos do fallecido Dr. Arruda Camar. 

sabido o quanto esse illustre finado escreveu sobre diversos ramos 
da sciencia natural, assim como qual o destino que teve a maior parte de 
seus escriptos. Aquella, porm, que tinha relao com a botnica foi, talvez 
que reservada pela Providencia, longos annos depois de sua morte, objecto de 
uma transaco efectuada por um de seus herdeiros; e d'alii que vem o 
Diccionario de Botnica Brasileira. 

Empregando os maiores esforos para sua impresso, lutando com mui- 
tas e srias diRculdades, que constantemente surgiam por espao de mais de 
um anno, -nos summamente agradvel o dever de declararmos que encon- 
tramos apoio tanto da parte do Governo Imperial, como de vrios cidados, 
e mais ainda d'essa congregao, respeitvel pelas illustraes que contm, 
conhecida n'esta cidade com a denominao de Sociedade Vellosiana. 

D'ella obtivemos o auxilio mais importante que podamos esperar. A 
i'eviso d'esse trabalho, que einbora procedente de outro de incontestvel m- 
rito, soffrendo alterao na f(5rma e no fundo por mos que no eram de 
mestre, tornava-se uma necessidade indeclinvel, como foi desde logo reco- 
nhecida. 

O desempenho de to rdua, como enfadonha tarefa, com a dedicao 
e desinteresse>que s o amor sciencia podia inspirar, encontramos na So- 
ciedade Vellosiana. Uma commisso de cinco membros, que a nosso pedido 

A 



VI 



ella nomeioii, tomou a si esse encargo que desempenhou com promptido 
tanto mais louvvel, quanto c certo, que vrios e importantes trabalhos pe- 
savam sobre cada um de seus membros, sendo para notar-se que dous, 
d'entre elles, levaram a sua dedicao ainda alm da nossa espeetativa, 
porquanto obsequiosamente acceitaram a incumbncia de rever as provas, e 
corrigir os erros tjpographicos. 

Os Srs. Drs. Agostinho Jos de Souza Lima e Joaquim Monteiro Ca- 
minho, este lente da cadeira de botnica da Escola de Medicina d'esta 
corte, e aquelle lente oppositor da mesma escola, prestaram sciencia, a cujo 
estudo se dedicaram, com as suas luzes e vastos conhecimentos, um servio 
valiosssimo. 

Publicando em seguida o attestado que passou a commisso da Socie- 
dade Vellosiana, e as cartas que aquelles illustrados lentes da nossa escola de 
medicina nos dirigiram, pedimos-lhes para que acceitem os votos sinceros da 
nossa profunda gratido. 



Liai travamos estas linhas, quando um novo e imprevisto incidente 
veio ainda, e por ultimo, augmentar a serie das difficuldades com que lutamos. 

Para a commisso que tem de representar o paiz na prxima exposio 
internacional de Vienna d' ustria, foi nomeado o Dr. Joaquim Monteiro Ca- 
minlio, que, partindo no vapor de 27 do mez passado, no poude por isso 
concluir a colleco dos erros typographicos. 

No estado adiantado da impresso, no nos permittindo circumstancias 
de ordens diversas, o addiamento, por semelhanta motivo, de sua concluso, 
tomamos a deliberao de encerral-a com as corrigendas que se notam no fim, 
pedindo ao leitor intelligente a necessria desculpa. 

Rio de Janeiro, 2 de Abril de 1873. 



%^mo d' (yhndda kPinm. 



DECLARAC] DA COliiSSlO DA SOCIEDADE lELLCSlAfA. 



-o-o>^00- 



Ns, abaixo assignados, meoibros da commisso encarrega- 
da pela Sociedade Yellosiana de corrigir o maniiscriplo intitula- 
do Diccionaro de Botnica Brasileira, compendiado pelo pharmaceu- 
tico Almeida Pinto, declaramos que se acha quasi terminada a 
tarefa que nos foi commettida, e qae muito no sero de extra- 
nhar as imperfeies de que se houver por ventura de resentir, 
ao saliir do prelo a obra do Sr. Almeida Pinto, visto ser esta a 
sua primeira edico. 

Sala etc, 23 de Novembro de 1872. 



Ladislau Neto. 
Dr. J. J. Pizarro. 
Dr. a. J de Souza Lima. 
Dr. J. M. Caminho. 
Dr. Rasiiz Galvo. 



CARTA DO SR. M. J. M. 



ooi^oo- 



Illm. Sr. Dr. Pinto. Sendo de ha muito reclamado um diccio- 
nario de plantas brasileiras, que ao mesmo tempo servisse para os 
estudantes consultarem, e para esclarecer principalmente os botnicos 
sobre a infinidade de nomes communs ou vulgares dos vegetaes do 
paiz, coube no Brasil, n'estes ltimos tempos, ao incansvel e distin- 
cto Dr. Nicolo Moreira a g-loria de comear essa patritica tareia. 

Seu Diccionario das plantas medicinaes brasileiras ^que, como 
elle faz ver, apenas um ensaio, ou melhor a publicao de seus 
apontamentos particulures, tem prestado valiosssimos servios ; e ainda 
mais til seria, se elle tivesse podido por si prprio verificar tudo, 
e expurg-al-o de faltas alheias sua vontade. 

O Dr. Peckolt emprehendeu um bello trabalho sobre as plantas 
alimentares brasileiras , que ser de grande valor quando terminado. 

O Diccionario de plantas brasileiras^ (que tambm se occupa das 
estrangeiras cultivadas entre ns), e que acaba de ser publicado 
por V. S., , sem duvida, uma obra digna de encmios; porque n'ella 
se acham principalmente os trabalhos, que eram julgados perdidos, 
do Dr. Arruda Camar, nome venerado pelos poucos botnicos bra- 
sileiros que temos. 

Alm d'isso v-se quanto tempo e trabalhos custou ao seu auctor, 
para colleccionar t3,o grande numero de nomes e propriedades de ve- 
getaes teis, principalmente das provncias septentrionaes do Imprio, 
alm dos citados por Arruda Camar. 



Como Q SLicceder nas primeiras edies, esta no poude ser 
completamente purificada de erros, que entretanto, podero ser cor- 
rectos pouco a pouco. 

Muitos nomes scientificos que dera aquelle illustre pernambuca- 
no no so conhecidos pelos clssicos, e, portanto, no esto acceitos; 
o que devido falta de publicidade. 

Alg-uns eng-anos ha tambm acerca de nomes vulgares e outros, 
porm que no tiram o mrito da obra. 

Bera avisado andou V. S. quando recorreu Sociedade Vellosia- 
na, oriente das sciencias naturaes no Brasil, afim de nomear uma 
commisso revisora para este trabalho, porque, elle merece muitissi- 
mo do publico. 

Para que se podesse conseg'uir mais do que isso, era mister que 
aquella commisso fosse, com tempo bastante, percorrer as diversas 
provincias. 

Apraza Deus que, como V. S., outros mais procurem archivar 
os poucos e esparsos trabalhos de nossos sbios, que no existem 
mais. 

Seja-me licito aqui render um culto de admirao e respeito em 
nome da Botnica brasileira memoria do venerando naturalista 
Dr. Custodio Alves Serro, que acaba de fallecer, e quem teria 
V. S. certamente de ouvir a sentena d'este diccionario, com aquella 
singeleza, verdade, independncia e profundeza que eram o apanag"io 
d'aquelle vulto, que morreu quasi esquecido em sua pobre cabana 
na Gvea. 

Espe)'o fazer publicar o que for encontrado, e me for confiado, 
das produces filhas dos estudos seus. Continue V. S. pesquizar, 
e poderemos talvez encontrar mais trabalhos do Dr. Arruda Camar; 
com o que, V. S. eng-randece tambm a nossa ptria. 

A g-randeza de um paiz no consiste perante a moderna civili- 
zao na extensa rea de que formado, nem nos milhes de homens 
que a povoam ; porm no numero de seus sbios nos diFerentes ramos 
de conhecimentos humanos. 

Rio de Janeiro, 26 de Maro de 1873. 



f. (sil. ^aminko. 



CAUTA BC SL BR. MLk LISiA. 



-oOj=S:Jo-o- 



lilm. Sr. cheio do maior prazer que tenho occasio de feli' 
citar-lhe em publico, pelo louvvel empenho, com que V. S., affrontando 
tantas difficuldades, conseg-uio realizar a publicao do Diccionario 
DE Botnica Brasileira ; obra confeccionada pelo finado pharmaceutico 
Joaquim de Almeida Pinto, de Pernambuco, com o auxilio dos impor- 
tantes manuscriptos do illustre phytolog-ista brasileiro Dr. Arruda 
Camar, cujos trabalhos at agora inditos, e por assim dizer igno- 
rados ou esquecidos, so uma verdadeira preciosidade, julg-ada per- 
dida para a sciencia. A parte notvel que tem os escriptos d'aquelle 
venerando naturalista n'este Diccionario. constitue o seu maior titulo 
de merecimento, e pelo qual mais se recommenda a sua leitura a 
todos quantos prezam e cultivam o estudo de botnica. 

A utilidade e importncia pois d'esta obra, no pde ser posta 
em duvida, nem precisa ser demonstrada, bastando para isso dizer-se 
que ella n'este g-enero o livro mais completo que ora possuimo s 
apezar de alg-umas ligeiras faltas e lacunas, que ainda ahi se no^ 
tam, mas que podero ser correctas e preenchidas em edies ulte- 
riores. 

Os esforos por V. S. empregados para levar a efeito a impresso 
d'esta obra esto acima de todo o elogio, e o tornam credor da 
estima publica. 

Acceite portanto V. S. os parabns de quem se assigna, 

Seu attento venerador e amigo. 



Rio de Janeiro, 31 de Marco de 1873. 



MUI HERICA 



l>^i^la^ ii ^EMIWIili 



o. D. C. 



SiMtw ^ SUwtieiia ^intio. 



AOS MEUS COMPROVINGIANOS. 



O desejo, que sempre tive, e j por mais de unaa vez tenho manifestado, 
de tornar-me til nossa sempre esforada e bella provincia, me impellio 
a emprahender o diflicil e espinhoso trabalho, que hoje tenho a honra d 
offerecer-vos. 

Aproveitando a ideia e algum material deixado pelo nosso finado com- 
provinciano o muito illustrado Dr. Arruda Gamara, organizei o presente 
DICCIONARIO DE BOTNICA BRASILEIRA - que vos dedico; esperando a coadjuvao, com 
que seiTCipre soubestes animar aquelles que se aadigam pelo engrandecimento 
da ptria coinvum. 



|on(iuim bc %\mth\ |1into; 



INTRODUCO. 



Dando luz o presente Diccionario de Botnica Brasileira, 
temos por fim vulgarisar quanto for possvel o conhecimento das 
plantas medicinaes indgenas e acclimadas no Brasil , despertar o 
amor pelas cousas ptrias, e commemorar o nome de um dos per- 
nambucanos que mais trabalharam n'esse sentido o illustre finado 
Dr. Arruda Camar. 

A vegetao no Brasil das mais admirveis. Nos campos, 
nas montanhas, nas mais elevadas serras, nos areies das prprias 
costas, nas ilhas, por entre rochedos alcantilados, por toda a parte 
emfim ostenta-se ella vigorosa e em quasi constante primavera. 

A Flora Brasileira talvez a mais rica do mundo pela abun- 
dncia e variedade de espcies muito importantes , das quaes mais 
de doze mil j sao conhecidas. 

Para a construco naval e civil acham-se nas mattas do Brasil 
as melhores madeiras ; para a marceneria as mais finas e bellas que 
conhece a industria. 

Para a construco naval temos : Peroba , Genipapo , Oiticica , 
Cicopira-ass, Po d'arco, Maaranduba, Cedro, Louro de cheiro, Po- 
ferro, Jaqueira, etc, etc. 

Para a construco civil ; Guararba, Gerimum, Genipapinlio, 
Oiticica, Po-carga, Po-pombo, etc. 

Para a marceneria : Vinhatico, Po-setim, Jacarand, Gonalo 
Alves, Condur, etc. 

Para a tinturaria: Po-Brasil, Tatajuba, Campeche, Po terras 
grandes, Po terras pequenos, Anil, Uruc, etc. 



XVIII 

Quanto aos fios e fibras, que substituam o linho, .levemos ao 
distincto Dr. Arruda Camar uma memoria, em que mostrou que, com 
as folhas dos Ananazeiros manso e bravo, Coroat, Aning-a, Carra- 
picho, com as Palmeiras e com a estopa extrahida da Embira, assim 
como com outras plantas, se podia perfeitamente substituir o linho. 

Alm d'isto nascem expontaneamente nas nossas mattas, e em 
grande abundncia, arvores que distillam precioso leite, por meio de 
incises feitas nos troncos ou hastes; por exemplo: as seringnieiras, 
de que se tira a borracha, as mang-abeiras, a maarandubeira, de 
que se extrahe a g-utta-percha : arvore prodig"iosa, que viria a ser 
uma das principaes riquezas d'este Imprio, se o g-overno a mandasse 
desde j cultivar em nossos vastos terrenos. 

A Carnaba a arvore maravilhosa ! A arvore para tudo ! Pode 
o homem somente com ella fazer a sua habitao, mobilial a, illu- 
minal-a ; extrahir delia assucar, lcool e sal ; com ella ainda 
alimentar seu gado e creaes midas. Nenhuma outra producao 
vegetal foi dotada pela natureza de tantas e to apreciveis qua- 
lidades ! A Carnab . tem j hoje mais de quarenta usos e appli" 
caes diSferentes, e pode dizer-se que ainda no se acha explorada 
e applicada a tudo o que possivel prestar-se. ils Myristicas que pro- 
duzem sebo vegetal ; o caco, a baunilha e outros muitos vegeaes, cujos 
productos so de reconhecida e vasta utilidade para os usos da vida, 
formam objecto de extenso e importante commercio. 

O Brasil possua uma immensa e variada riqueza de plantas 
medicinaes nas paragens mais remotas dos seus sertes. No se em- 
pregam geralmente contra os effeitos das dentadas dos reptis seno 
veg-etaes indgenas. 

D' entre os mais estimados e de que o povo faz uso frequente, 
em numerosas applicaes, apontaremos os seguintes : Batata, (gomma e 
resina), Caferana, Carba, Fedegoso, Guaran, Ipecacuanha branca e 
preta, Jurubeba, Mata-pasto, Mulung, Paracary, Salsaparrilha, Vel- 
lame e diversas qualidades de Quina. Os mais preciosos blsamos, 
uma grande variedade de plantas resinosas, oleosas e leitosas, como 
o Angico, Andirba, Copahiba, etc. 

Ha tambm nas mattas virgens, nas capoeiras, nos campos e 
nas costas abundncia de arvores e plantas, que do variados e sa- 
borosos fructos. 

Mas para que tamanhos e to numerosos thesouros sejam conve- 
nientemente conhecidos e aproveitados, seno arrancados a uma pr- 
xima e inevitvel destruio, convm quanto antes que se providencie 
a respeito do aniquilamento das mattas, onde se consomem tantos ve- 



XIX 

g-etaes destinados sem duvida a uma profcua applicao na industria 
futura do paiz, assim como no menos urgente attender desde j 
creaao de escolas agricolas, nas principaes provincias, devendo 
n'essas escolas ensinar-se a agricultura theorica e pratica, afim de 
que os agricultores percam a pssima rotina, a que esto acostu- 
mados, e que se habilitem a tirar maiores vantag-ens d'esta to rica 
e prodigiosa vegetao. 

E' necessrio todo o cuidado na conservao das mattas do 
Po Brasil, e estender a sua plantao a uma grande escala. 

E' mister repetirem-se constantemente os plantios; escolherem-se 
sementes de algodo, de canna, ch, caf e quina, e de muitas outras 
arvores, como se praticava nos tempos em que ramos colonos, e de 
que ainda hoje to bons resultados colhemos. Facilmente se faria hoje 
este servio por meio dos navios de guerra, que nas suas viagens 
de instruco podiam trazer excellentes mudas de sementes ; pois 
o nosso solo abraa qualquer planta extica. 

Na compilao d'esta obra tivemos de consultar as dos Srs. 
Martins, St. Hilaire, Dr. Moreira, Chernoviz, Dr. Ladislo Netto e outros. 

Terminando esta breve e incorrecta introduco, declaramos, 
para evitar duvidas, que todo o nosso trabalho consiste simplesmente 
na ampliao e, em muitos pontos, correco da obra indita, deixada 
pelo finado e illusfcre Dr. Arruda Camar, na qual trabalhamos ha 
bastantes annos. 

A obra do Dr. Arruda Camar precisava de uma melhor re- 
daco, os seus artigos eram incompletos, deficientes, obscuros e sem 
ordem. D'ahi sahio o presente Diccionario ; e julgue-se por elle da 
difi!culdade e esforos da nossa empreza. 

No vai esta obra illustrada com maior numero de desenhos, 
representando mais algumas arvores e arbustos, em razo das diffi- 
culdades que encontramos para photographal-os, sendo devidos os 
originaes das poucas estampas, que illustram o Diccionario de 
Botnica Brasileira, ao talento e actividade do nosso distincto pho- 
tographo o Illm. Sr. Joo Ferreira Villela, bem como ao Illm. Sr. Joa- 
quim Francisco Bastos, que graciosamenta se presto l a dar-nos um 
grande numero de cpias, habilmente desenhadas a lpis. 

A ambos damos publico testemunho de nossa gratido. 



DA 



BOT^NIOi^ BRA.SILEIE^. 



ABA 



ABA 



AlweacSjii $aBaaas'<5SI<>, Bromclia 
Anans Z., Ananassa sativa^ Lind. Var. 
fyramidalis urea ^ Dony. Fam. das Bro- 
Meliaccas. Esta variedade de ahacaclii 
tem o frueto pyramidal e de cr ama- 
rella; eneontram-se matizes vermellios. 
A parte carnosa do frueto no to boa, 
e o eixo central tem mais resistncia. 

AJaeae3tti Sriaaco. Var. pyrami- 
alis alba, 3IiU. Fam. idem. A p- 
tria do ahacachi , sem duvida, a mesma 
do Anauaz., isto , as regies quentes do 
globo, como a sia, Africa e America 
Meredional. Em todo o Brasil conhe- 
cido debaixo do mesmo nome. 

uma planta herbcea, de cultura de- 
licada e de forma particular; folhas 



serriadas, mucronadas, radicass, lanceo- 
ladas e coriaceas. Do centro delias brota 
uma haste, e apresenta uma reunio de 
flores, agg-regadas em verticillio, de or-: 
gos bem desenvolvidos e cores purpu- 
rinas e bellas, e cuja associao d nas- 
cimento ao frueto, o qual varia de 2 a 
3 Vi decimetros de extenso. 

O ahacacJn de uma frma pyramidal, 
coroado de um ramalhete de folhas, o 
qual a haste, que o sustinha no estado 
de lr; sua cr varia de branco, roxo, es- 
vcrdinhado, amarello, amarcUado e ver- 
melho. A sua superfcie tuberculosa, 
acompanhando symetricamente umas es- 
camas palheosas, signaes das flores pre- 
tritas ; o frueto forma uma baga carnosa, 
de substancia branca, macia e aquosa, 

3 



ABA 



ABA 



de Riilor doce acidulado, muitissiino 
agradvel, de aroma activo c delicioso: 
cortada a casca, deixa ver umas ves- 
culas, i^ue so 03 fragmentos dos rgos 
floraes. 

Esta planta semelhante ao ananaz, 
da qual variedade, ditferc na forma do 
fructo e no sabor, que melhor; quanto 
ao mais ha pouca diterenca. Depois de 
descascado o abacachi, parte-se ein ro- 
dellas, e ha (|uem lhe ajunte vinho. 

Segundo o botnico Richard, o aa- 
cachi a melhor fructa conhecida. 

Depois da provncia do Amazonas, Per- 
nambuco a que mais a cultiva, espe- 
cialmente na cidade de Goyanna, o pri- 
meiro lugar que a adquirio, pelos esforos 
do nosso fallecido naturalista Dr. Arruda 
Camar. 

Na Europa cultivam quatro variedades 
d'esta fructa. 

Caracteres da famlia. As brome- 
liaceas so plantas das regies quentes 
do globo, cujas folhas, muitas vezes reu- 
nidas na base do caule, alongadas, es- 
treitas, espessas, inteiriadas, dentiadas 
e espinhosas nas margens, fazem lem- 
brar at certo ponto as Liliaceas. 

As flores formam espigas escamosas, 
cachos ramosos, que terminam em glo- 
bos juntos, em cujos cachos ellas se 
acham as vezes de tal sorte juntas, que 
acabam por adherir umas s outras. 

O seu clice tubuloso, adherente ao 
ovrio, repartido em cima em seis di- 
vises dispostas em duas ordens, trs 
das quaes interiores so maiores e em 
forma de ptalas. 

O ovrio tem trs lojas , provido 
de um estylete e de um estigma de trs 
divises agudas. 

O fructo geralmente uma baga tri- 
locular, coroado pelos lobos do clice. 

A planta mais til d'esta familia o 
Ananaz^ cujas bagas unidas formam um 
syncarpo, ovoide-agudo , elegantemente 
imbricado na superfcie, cheio de uma 
substancia carnosa acidula , aromtica 
e doce , que o colloca no numero dos 
fruetos de mesa mais estimados. 



Aliaeachi roxo. Yar. 'pyramida' 
lis violada macrocariia, Doinj. Fairis 
idem. A fructa mais volumosa, tem 
s vezes 4 Vi decimetros de comprimento, 
cercada de muitos gamos ('olhos) ; o 
eixo central to tenro quanto a parte 
carnosa da fructa. 

Aliacaclii Ic tingir. Bilhergia 
tinctoria, Marl. Fam. idem. uma 
planta da ordem dos caroats, que for- 
nece uma tinta amarella, empregada na 
tinturaria. 

Altaeacli vePBiscllto. Yar. py- 
ramidalis rubra., Dony. Fam. idem. 
Esta outra variedade cujos fruetos tem- 
se modificado. Todos elles so comes- 
tveis, sendo o branco o mais estimado 
pela sua doura e delicadeza da polpa. 
Come- se em talhadas no estado natural 
com assucar ou com vinho , fazendo-se 
tambm d'elle um doce de muito apreo. 

Com o sueco faz-se uma limonada agra- 
dvel , e que pela fermentao produz 
um vinho fortificante e agradabilssimo. 

As folhas fornecem fios txteis que no 
commercio europeu matria de algum 
consummo; entre ns j foi ensaiada essa 
industria pelo fallecido naturalista Dr. 
Arruda Camar. 

Abacate. Laiinis fersea^ Linn. 
Persea gratissif/ia., Gaertner. Fam. das 
Laiirineas. Planta cultivada de ha muito 
no Par, Maranho, e hoje em varias pro- 
vncias do Imprio. Alguns escriptores 
do-n'a como oriunda da America Me- 
ridional ; sua ptria porm, a Prsia. 

um arbusto de mediana altura, ra- 
moso, casca parda, folhas oblongas, al- 
ternas, luzidias, e um tanto estreitas, 
de cr verde pallida ; suas flores nascem 
em feixes nas axilhas das folhas : so 
amarelladas e quasi sem cheiro ; o fructo 
abacate de 1 a Yy^ decimetro de compri- 
mento mais ou menos, de figura py- 
riforme, e de cr verde amarellada, na 
maturidade. 

O tegumento externo membranoso; 
tnue e luzente ; a massa um pouco 
espessa, macia, aquosa, esverdinhada, 



ABA 



ABA 



3 



de pouco sabor. Tem uma semente grande 
no centro e coberto por uma membrana 
parda, contendo uma amndoa carnosa e 
compacta. 

A massa, desfeita com assucar, ad- 
quire um excellente sabor, e o mesmo 
succede quando se lhe ajunta limo , 
vinho ou sal. O lenho branco e molle. 
A casca pode dar fios prprios para a 
cordoaria. 

Propriedades medicas. Pode ser em- 
pregada com vantagem contra a dj^sen- 
teria em clvsteres : ;4 de um caroo 
sufficiente para dois pequenos clysteres. 

A amndoa diz-se ter propriedades 
aphrodisiacas tomada na dose de 4 grani- 
mos trs vezes por dia : no prudente 
porm usar-se d'estes meios, que so 
prejudiciaes em virtude da grande quan- 
tidade de tanino que contm. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia, posto que pouco avultada, uma 
das mais interessantes por causa do 
grande numero de productos aromticos 
que fornece pharmacia, economia do- 
mestica e s artes. 

Ella comprehende arvores ou arbustos, 
de folhas alternas, algumas vezes appa- 
rentemente oppostas, de ordinrio espes- 
sas, firmes, persistentes, aromticas e 
pontuadas; estipulas nullas; flores her- 
maphroditas, monoicas, pertencentes a 
dicia, ou polygamas ; periantho cali- 
cinal gamosepalo de quatro ou seis divi- 
ses imbricadas; disco carnoso unido 
no fundo doperianthio; persistente, aug- 
mentando muitas vezes com o fructo ; 
estamesperigynicos, inseridos em varias 
ordens na margem do disco, em numero 
qudruplo, triplo, duplo ou igual as di- 
vises do envoltrio; os filetes so livres, 
os interiores providos na base de duas 
glndulas pedicelladas, que so estames 
rudimentares; as antheras so unidas, 
de duas a quatro lojas que se abrem 
debaixo para cima por meio de vlvulas ; 
ovrio livre, formado de trs foliolos 
soldados, unilocular, no contendo mais 
que um ovulo pendente. 

O fructo uma baga monospermica 



acompanhada na base pela parte interna 
do perianthio que persiste. 

A semente invertida, coberta por um 
perisperma, de liilo transversal, de raphe 
dirigindo-se obliquamente para o tubr- 
culo situado na extremidade opposta. 
Ella encerra um embryo sem peris- 
perma, orthotropo ; composto de duas 
grandes cotyledones carnosas e oleosas ; 
a radicula muito curta, retrahida, e 
sobreposta ao germe. 

A familia das Laurineas comprehende 
hoje mais de quarenta gneros, a maior 
parte dos quaes foi primitivamente com- 
prehendidas no gnero laiirus: taes so, 
por exemplo , os gneros Sassafras , 
Ocotea^ Nectandra, Persea^ Cimiamoraum^ 
Camjora. 

A!$a:erck. V. Giiager. 

Alfarento-teitio. Mimosa cochlia- 
carfus, Goiies. Fam. das Leguminosas. 
Esta arvore vegeta no Rio de Janeiro, 
oriunda do paiz ; seu porte semelhante 
ao de um Ingazeiro., suas propriedades 
anlogas as do Barhatimo. A dose de 8 
grammas para 450 grammas d'agua fer- 
vendo. 

Caracteres da famlia. Familia 
muito natural, na qual esto reunidas 
plantas herbceas , arbustos e arvores 
muitas vezes de dimenses collossaes. 

Suas folhas so alternas, compostas, 
algumas vezes compostas, e n'este caso 
raras vezes os foliolos se mostram, e s 
fica o peciolo que se dilata, e forma uma 
espcie de folha simples. Na base de 
cada uma d'ellas, existem duas estipulas 
muitas vezes persistentes. 

As flores ofterecem uma inflorescencia 
muito variada : geralmente so herma- 
phroditas. 

O seu clice muitas vezes um pouco 
tubuloso, de cinco dentes desiguaes, ou- 
tras vezes de cinco divises mais ou me- 
nos profundas e desiguaes. Mo exterior 
do clice encontra-se uma ou mais brac- 
teas^ou as vezes um invlucro em forma 
de clice. 

A corolla, que algumas vezes falta, com- 



ABI 



ABO 



pe-se de cinco ptalas, {roralmcntc dos- 
igfuaes, das quaes uma superior, maior, 
que involve as outras e que se denomiua 
estandarte, duas lateraes, cliamadas azas, 
e duas inferiores, mais ou menos solda- 
das, formando a caroui; outras vezes 
a coroUa formada de cinco ptalas 
iguaes. 

Os estamos so p^eralmente em numero 
de dez, algumas vezes mais numerosos. 
As mais das vezes seus filetes so diadel- 
phos, raras vezes monadelplios ou inteira- 
mente livres, perigynicos ou hypog-inicos. 

O ovrio mais ou menos agudo na 
baze : em geral alongado inequilatero, 
de uma s loja, contendo um ou mais 
vulos unidos na sutura interna. 

O estylete um pouco lateral, muitas 
vezes recurvado, terminado por um es- 
tigma simples. 

O fructo vagem ou legume. 

As sementes so geralmente desprovi- 
das d'endo3perma. 

Aliil J-SiaaajASay. V. Jataliy. 

Alie^iSi. Licor oleoso que, segundo 
Pison, exsuda de uma Cecropia, perten- 
cente tribu das Artocarpeas , (fructa de 
po.) Goza da propriedade de apressar a 
cicatrisao das feridas. 

A<!}io, p3aa'ysop3iiy53iaaii. Caimi- 
to, Linn. Acras Caind^Ruiz. Fam. das 
Sapoaceas. Arbusto do paiz, das Anti- 
lhas e de Cayena, onde recebe este nome; 
o fructo de G centmetros de compri- 
mento; de ordinrio arredondado, oblon- 
go, amarello e ponteagudo ; a casca fina, 
dura e viscosa, contem uma massa vis- 
cosa e branca, e caroos arredondados, 
que so escuros e lisos; come-se a fructa 
que de gosto agradvel. Os Abios cul- 
tivados so melhores o maiores do que 
os silvestres. Segundo Mart. Lncuna, 
Caimilo Lahatia reticulala. 

Os fructos dizem ser empregados nas 
afeces pulmonares. 

Caracteres da famlia. Clice in- 
ferior, no adherente ao ovrio, dividido 
superiormente em quatro, cinco ou oito 



lobos imbricados, persistentes; algumas 
vezes acompanhado de escamas excerio- 
res; corolla hypoginica, gamopetala regu- 
lar, dividida em tantos li3bos quantos 
tem o clice. 

Estames de filamentos desiguaes, in- 
clusos no tubo da corolla, umas vezes 
em numero duplo dos lobos frteis ; ou- 
tras vezes em numero igual e oppostos 
aos lobos, porm separados por linguetas 
alternas que representam outros tantos 
filetes de estames estreis. 

O ovrio supero com varias lojas, 
contendo cada um a um ovulo fixo na 
parte superior ou inferior do angulo 
central. 

As sementes so cobertas de um tegu- 
mento quasi sseo, excepto no hylo ou 
umbigo que inferior ou lateral; as vezes 
muito grandes. 

O perisperma carnoso ou oleoso, al- 
gumas vezes nullo. As Sapotaceas so 
arvores ou arbustos de sueco lcteo, cujas 
folhas so alternas, inteiras, coriaceas, 
penninerviadas, curtamente pecioladas, 
privadas de estipulas. 

Existem e so cultivadas muitas d'ellas 
nos paizes intertropicaes, quer pela ma- 
deira, que em geral muito dura, quer 
pelos fructos succulentos, que so muito 
estimados, ou pelas sementes oleosas, ou 
pelo sueco lcteo, que fornece uma es- 
pcie de borracha. 

A1Ojoa'a I'sas-ia4. Lagenaria. 
Fam. das Cucurhitaceas . Planta origi- 
naria da Azia, cultivada em todo o Brasil, 
herbcea e o fructo varia em compri- 
mento de K a 1 metro. 

uma planta de caule regoado, pellos 
hispidos, folhas quasi redondas, paten- 
tes, de um verde claro , cobertas de pellos 
speros ; flores de', pednculos longos, 
sem cheiro, corolla campanulada, com 
cinco lobos ; monoicas ou dioicas ; o 
fructo de er verde, ainda quando ma- 
duro. Seu tegumento externo crus- 
tceo, mas no rigido; tem internamente 
uma massa branca, aquosa, inspida e 
frouxa, deixando um espao no centro 
do fructo, o qual occupado por muitas 
sementes mais ou menos brancas. 



ABO 



ABO 



Este fnicto usado para doce e para 
cozinhar-?e com a carne, como verdura. 

Quanto s suas propriedades medici- 
naes, refrigerante e antiphlogistica : 
applica-se em talhadas a polpa sobre a 
parte inflammada. 

Caracteres da famlia. Grandes 
plantas herbceas, muitas vezes volveis, 
cobertas de pellos curtos e muito speros. 

Suas folhas so alternas, pecioladas, 
com divises mais ou menos em forma de 
lobos. Suas estipulas que so simplices 
ou ramosas, nascem ao lado dos peciolos. 

As flores so em geral uni-sexuaes e 
monoicas ; mui raramente hermaphrodi- 
tas. 

O clice gamosepalo : as flores fmeas 
of'erecem um tubo globuloso adherente 
ao ovrio infero. Sua extremidade, mais 
ou menos campanulada e de cinco lobos, 
c confundida e intimamente soldada com 
a corolla, e d'ella s se distingue no 
pice dos lobos. 

A corolla formada de cinco ptalas 
reunidas entre si no meio da extremi- 
dade calicinal, representando assim uma 
corolla gamopetala. 

Os estamos, em numero de cinco, teem 
seus filetes monadelphos ou reunidos em 
trs feixes, dous formados cada um de 
dous estames, e o terceiro de um s. 

As antheras so uniloculares, lineares, 
atravessadas em forma de zn collocado 
horisontalmente , cujos ramos fossem 
muito approximados. Nas flores fmeas, 
a extremidade do ovrio, que supero 
acha-se coroado por um disco epigynico. 

O estylete espesso, curto , terminado 
por trs estigmas espessos e muitas ve- 
zes bilobados : este ovrio de uma s 
loja nos dous gneros ^cyo e Gronovia; 
contm um s ovulo pendente ; mas em 
geral oierece trs trophospermas parie- 
taes, triangulares, muito densos, con- 
tguos uns aos outros por seus lados ; 
preenchendo assim toda a cavidade do 
ovrio, e dando inverso aos vulos no 
seu ponto de origem sobre as membranas 
do ovrio. 

O fructo carnoso e umbilicado no pice, 
uma peponide (abbora). 



As sementes no fructo maduro pare- 
cem espalhadas no meio de um tecido 
cellular filamentoso ou carnoso. 

O tegumento prprio assas denso e 
cobre iramediatamente um grande em- 
bryo homotropo desprovido de end es- 
perma. 

As propriedades dafamilia das Cucur- 
hetaceas so alimentares e purgativas. 

Altobora amarella. V. Gerim. 

A$tofioi'a carEieira. V. Cabao 
amargoso. 

Ab oliora eliil a . Variedade da aho- 
hora Mciiina. 



Aisobora Gerni. 



V. Gerim. 



Abbora do ntato. Nome com 
que geralmente so conhecidas muitas 
Cucurbitaceas, bem como Taiuya, Guar- 
dio, etc. 

Abbora do wxsktn . Trianosi^er- 
ma fcifolia^ Mari. Fam. das Cucurbi- 
taceas. A raiz um poderoso drstico 
empregado nas hydropesias e derrama- 
mentos. 

D-se em p na dose de 6 decigrammos 
a 1 % gramma e em cozimento na de 4 
grammas d' agua. 

Sendo a raiz fresca, duplica-se a dose. 

Abbora do mato de Goyaz. 

Racemosa, Mamo. Fam. idem. Esta 
planta, pequena e rasteira, tem as pro- 
priedades purgativas da Trianosperma. 
Synon Trianosperraa glandulosa (Mart.) e 
Bryonia glandulosa (Poepig.) 

Abbora do inato Se UliMas. 

Wilbrandia drstica, Mart. Fam. idem. 
Esta espcie tambm goza das mesmas 
propriedades. 

Abbora ntenicia. Cucurbita 
pefo, Linn. Cucurbita mxima, Duch. 
o mesmo Gerim ; mas uma variedade 
monstruosa. Tem os mesmos usos, porm 
mais insipida. 



G 



ABR 



ABR 



Abobor iii08:Maij|^M. Variedade 
da abbora menina. 

Abbora porqueira. outra 
variedade nas mesmas condies. 

Aboboreira. Segundo Persotme 
Cucurita 2)otiro ^ Cucurh. maxiraa^ Ducli. 
As folhas frescas, pisadas e applicadas 
sobre as queimaduras so um excellente 
remdio. 

As flores do um sueco vantajoso nas 
otites (inflammao de ouvido) , sobre- 
tudo das crianas ; o fructo comes- 
tvel, quer cozido com a carne , quer 
em doce. 

As sementes de algumas espcies, prin- 
cipalmente do Gerim , torradas, so an- 
thelminticas, e feitas em emulso so 
Titeis na ischuria (retenso de urinas). 

Abrie. Armeniaca vulgaris, La- 
marTi . Prunus armeniaca^ Linn . Fam . 
das Rosceas. Planta natural da Ar- 
mnia; arvore mdia, de flores brancas, 
os fructos so carnosos indeliiscentes de 
9 a 12 centmetros de dimetro, redondos, 
amarellos, comestveis quando maduros, 
aromticos, mas no de agradvel cheiro; 
o epicarpo pouco espesso, um tanto 
pelludo e com um sulco lateral ; a massa 
um tanto secca e amarella, envolve uma 
noz. 

Cultiva-se esta planta nas provncias 
do Sul do Imprio. 

Caracteres da famlia. Grande fa- 
mlia composta de vegetaes herbceos, 
de arbustos, ou arvores, attingindo gran- 
des dimenses. 

Suas folhas so alternas, simplices ou 
compostas, acompanhadas na baze de 
duas estipulas persistentes, algumas ve- 
zes soldadas com o peciolo. 

As flores offerecem dife rentes modos 
de inflorescencia; compem-se de um 
clice gamosepalo, de quatro ou cinco di- 
vises, algumas vezes acompanhado ex- 
teriormente de uma espcie de invlucro 
ou caliculo, que faz corpo com o clice, 
de modo que este parece ter oito ou dez 
lobos . 



A coroUa, que algumas vezes falta, 
composta de quatro ou cinco ptalas re- 
gularmente dispostas. 

Os estames em geral so em grande 
numero e distinctos. 

O pistillo apresenta varias modiflca- 
es ; umas vezes formado de uma ou 
de mais carpellas inteiramente livres e 
distinctos, collocadas num clice tubu- 
loso ; outras vezes essas carpellas esto 
reunidas pelo lado exterior com o clice; 
ora esto assim soldadas, no s com o 
clice, mas entre si; ora esto reunidas 
n'uma espcie de capitulo dentro de um 
receptculo ou gynophoro. Cada iima 
d'essas carpellas unilocular e contem 
um, dous ou maior numero de vulos, 
cuja posio muito varivel. 

O estylete sempre mais ou menos la- 
teral, e o estigma simples. 

O fructo extremamente polymorpho : 
umas vezes uma verdadeira noz; ou- 
tras vezes um pomo ; ora constitudo 
por um ou mais akenos, ora por uma ou 
mais capsulas dehiscentes, ora formando 
um capitulo sobre um gynophoro que 
torna-se carnudo. 

As sementes teem seu embryo homo- 
tropo, desprovido de endosperma. 

Abrie do Par. Mammea ame- 
ricana, Linn. Fam. das QuUiferas. Ar- 
vore natural do Amazonas, das Antilhas 
e do Mxico. 

uma arvore de folhas oppostas e 
grandes, com os peciolos vermelhos e 
nervuras transversaes ; suas flores so 
solitrias ou oppostas 2 a 2; so um 
tanto grandes, e as ptalas tm muitas 
nervuras principalmente no centro ; o 
fructo carnoso e drupaceo interna- 
mente, com quatro sementes : come-se 
e ha trs espcies d'este gnero. 

O sueco leitoso do caule e do fructo, 
misturado com agua e sal, til nas 
picadas de insectos e nas ulceras. 

O fructo bem maduro agradvel, e 
a amndoa anthelmintica. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia compe-se de arvores ou arbustos, 
algumas vezes parasitas, e cheios de 



ACA 



ACA 



suecos prprios, amarellos e resinosos. 

Suas folhas, oppostas, so coriaceas e 
persistentes. 

Suas flores dispostas em cachos axi- 
lares, ou em paniculos terminaes, so 
hermaphroditas ou unisexuaes e poly- 



gamicas. 

Seu clice persistente, formado de 
duas a seis sepalas redondas, muitas ve- 
zes coloridas. 

A corolla composta de quatro a dez 
ptalas: os estames muito numerosos, 
raras vezes em numero definido, livres : 
o ovrio simples terminado por um es- 
tjlete curto, que falta algumas vezes e 
que traz um estigma discoide e raiado ou 
de vrios lobos. 

O fructo ora capsular, ora carnoso 
ou drupaceo, abrindo-se algumas vezes 
em vlvulas , cujas extremidades, ge- 
ralmente reintrantes, se fixam em uma 
placenta nica, ou em varias placentas 
espessas. 

As sementes compe-se de um embryo 
homotropo sem endosperma. 

Absutliio. Y. Losna. 

Aliiitiia. V. Butim. 

Aeajaiba. V. Cajueiro. 

Acaju-ciea. aresina do Cajueiro, 
empregada no Norte pelos encadernado- 
res, como excel lente preservativo contra 
os insectos. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
contra a hemoptysis e mais afeces que 
reclamam substancias gommosas e leve- 
mente adstringentes. 

Acajiirania. Fam. das Legumi- 
nosas. E' uma planta do Par, por este 
nome conhecida. 

A casca amarga e de cheiro nau- 
seante. 

Acap. Andira Auhlciii. uma 
arvore sylvestre do Par, cujo lenho 
negro mas algumas vezes com veios 
brancos ; essa madeira muito dura ; 



comparam-na em rigidez ao Po-ferro , 
tanto na marcineria como na construc- 
o; empregada em vigas para casas e 
em outros misteres. 

Applicaes jiedicinaes. A casca 
adstringente, segundo informaes que 
temos. 

Acai*i^o1>a . Hydrocohjle umlellata., 
Linn. Hydr. honariensis ., Lamark. 
Fam. das Omhelli feras . O sueco desta 
planta quando fresco em dose forte 
emtico , e em pequena aperitivo e 
diurtico. 

O seu cheiro agradvel e o sabor um 
tanto acre : a raiz um poderoso desobs- 
truente das vsceras abdominaes ; a agua 
destillada d'esta planta empregada 
contra as sardas. 

Aeataya. V. Herxa de Mcho. 

Acay ou CJ!. Spondias venu- 
losas, Mar. Fam. das Terebinhaceas . 
A casca de seus ramos novos empre- 
gada contra as ulceras da garganta, e 
contra as diarrhas e blenorrhas ure- 
traes e palpebraes. 

Os caroos pisados, na dose de 4 gram- 
mas para 400 grammas de agua, em cozi- 
mento, so teis leucorrha. 

A|'aiVo. Crocus., saicus, Linn. 
Fam. das Iredaceas. Esta planta natu- 
ral das ndias Orientaes e do Meio-dia da 
Europa. Arbusto de quasi um metro de 
altura, folhas roixeadas e compridas; a 
flor e seus tegumentos so amarellos, 
purpurinos, e avermelhados. Quando 
secca tem grande consummo na Europa 
para a tinturaria ; desprende de seus r- 
fos uma tinta amarella e um leo vo- 
latil. Pode cultivar-se no Brasil, 

Na arte culinria e nas confeitarias 
costuma-se empregar o aafro para dar 
uma cor agradvel a muitas iguarias e 
confeies. 

Propriedades medicas. O aafro 
empregado com muito proveito nas 
epilepsias e ainda como emmenogogo e 



8 



ACA 



ACA 



anti-spasmodico. A rniz bom diurtico 
e diprestivo. Em dse forte ]>rodu7, em- 
briaguez, somnolcncia c dclirio. D-so 
em infuso na dsc de uma prramma para 
450 rramrnas d'ap-ua, e em p de uma a 
duas crrauimas; em tintura de uma a 
quatro fyrammas e cm xarope de 15 a ;10 
frrammas. 

Caracteres da famlia . Vetretacs 
herbceos de bulbo carnoso , providos 
de folhas alternas, planas, eusiformes, 
muitas vezes disticas ; flores envoltas em 
espathas; periantliio tubuloso de seis di- 
vises profundas , dispostas em duas 
ordens ; tros estamos livres ou monadel- 



soluvel tanto n'a,rua como no lcool ; 
mas solvel nos alcalis donde o precipi- 
tam os atidos. 

A semente oleosa e violentamente 
purf^ativa, convindo notar-se que no 
exerce esta aco sobre os papa^raios, e 
esta a razo porque lhe chamam gro 
d( papagaio. Sua ptria o Oriente e 
Meio-dia da luiropa. 



vege- 



Caracteres da famlia . Os 
taes comprehendidos n'esta familia apre- 
sentam mui grandes relaes com as 
Labiadas. Assim, o caule e os ramos, 
quando so herbceos, so geralmente 
quadrangulares ; suas folhas oppostas. 



phos; oppostos s divises externas do I algumas vezes verticilladas, raras vezes 



perianthio e ligados na base ; ovrio in- 
fero com trs lojas multiovuladas; stylete 
simijles terminado por trs estigmas em 
forma de cornetas chatas, de margens 
franjadas, tomando muitas vezes uma 
apparencia petaloide ; fructo capsular de 
trs lojas, com trs vlvulas septiferas. 

Melasantlms tiuctorms. Fam. das Ver- 
lenaceas. Arbusto de tronco esbranqui- 
ado, ramoso e quadrangular nas partes 
superiores ; folhas oppostas, pequenas, 
ovaes e speras ; flores brancas, laci- 
niadas nos bordos da corolla ; arom- 
ticas, 

O fructo uma capsula com duas se- 
mentes chatas. Seccam-se os tubos das 
corollas, e depois de reduzidos a p, 
serve este para dar a cr amarella aos 
guisados. 

Esta planta extica, e cultiva.se ha 
muito no Brasil. 

.Sobre esta aafroeira havia-se crido 
entre ns que fosse o Carthamus tinctorius^ 
que o aafro haHardo do Egypto, mas 
nem ha semelhana nos caracteres da 
nossa planta com o gnero Carthamus, 
que pertence familia das Compostas, 
nem na fcies da planta. 

O Aafro ho.stardo planta herbcea; 
a flor tem com efteito o tubo da corolla 
avermelhado ou alaranjado. Dous prin- 
cpios immediatos compe esta cr, o 
amarello solvel n'agua , e o vermelho 



alternas, umas vezes simples e inteiras 
ou talhadas, outras vezes compostas. 

Suas flores so completas, muitas vezes 
irregulares; o clice tubuloso, persis- 
tente, de divises iguaes ou desiguaes; 
a corolla inserida no receptculo tu- 
buloso, de extremidade quadri ou quin- 
quefida, as mais das vezes bilabiada. 

Os estames acham-se inseridos no tu- 
bo da corolla, as mais das vezes em nu- 
mero de quatro didynamos. 

Ovrio livre contendo ordinariamente 
quatro vulos, em uma, duas ou trs lo- 
jas; estylete nico terminado por um 
estigma simples ou bifido , obliquo ou 
unilateral de duas lojas uni-ovuladas. 

O fructo uma baga coberta de polpa 
succulenta, contendo um caroo de duas 
ou quatro lojas muitas vezes monos- 
permas . 

A semente compe-se, alm do tegu- 
mento prprio, de um endosperma muito 
delicado que encobre um em^bryo recto 
de radicula infera. 

AeafiVofira ela \^\^\Jt. Curama 
longa, L7in. Fam. das Amomaceas. 
Planta da ndia, de raiz bolbosa, esse 
bolbo grande, oblongo palmado, de cr 
alaranjado no interior; folhas longas, 
flores brancas com mesclas amarelladas. 

Caracteres da famlia. As Amo- 
maceas so plantas vivazes, de um as- 



ACO 



ACO 



9 



pecto inteiramente particular, que as 
approxima um pouco das Orchidaceas : a 
raiz muitas vezes tuberosa e carnosa ; 
as folhas simples so terminadas na sua 
base por uma bainlia inteira ou fendida, 
algumas vezes munida de ligula. 

As flores raramente solitrias , so 
acompanhadas de bracteas bastante lar- 
gas, e formam em geral espigas espessas 
ou paniculas. 

O clice duplo ; o exterior, algumas 
vezes tubuloso e mais curto, de trs 
divises iguaes; o interior tem seu limbo 
duplo, as trs divises externas so em 
geral iguaes; das trs internas, uma 
maior e dissemelhante e forma uma es- 
pcie de labello ; as duas lateraes so 
mais pequenas, e muitas vezes quasi 
abortadas. 

Ha um s estame, cujo filete muitas 
vezes dilatado e como ptaloide. A an- 
thera de duas lojas, algumas vezes 
separadas e distinctas ; o ovrio de trs 
lojas polvspermicas, o estylete simples 
terminado por um estigma concavo e em 
forma de taa. 

Na base do estylete acha-se um tubr- 
culo bilobado, que pode ser considerado 
como formado de dois estames abortados. 

O fructo uma capsula de trs lojas, 
abrindo-se em trs vlvulas, cada uma 
das quaes traz uma diviso no meio da 
face interna. 

As sementes algumas vezes acompa- 
nhadas de um arillo, se compem de 
um embrvo cylindrico situado em um 
endosperina farinceo, e tendo a radicula 
voltada para o hilo. 

A*5B*3'oem dst lecris iti ibIb- 
geesift. V. Uriic. E por aquelle nome 
conhecida na Bahia. 

Apite. V. Ca Tigu. 

Aoisi ettvalloa. Lv.hea grandi- 
flora^ Mart. e Zucc. Fam. das Tiliaceas. 
Arvore agreste. conhecida em Minas 
Geraes e noRio de Janeiro por este nome, 
tem grande altura, follias um tanto gran- 
des, obovaes e claras: flores grandes, 
brancas ou rosadas. 



O fructo lenhoso, redondo, oblongo, 
compartido em cinco lojas, com sementes 
aladas. 

A madeira d'esta arvore empregada 
no Rio de Janeiro para fazer coronhas 
de espingardas e palmilha para calado. 
Florece em Fevereiro. 

Propriedades medicas. empregada 
em frices contra os tumores arthriticos, 
e em clysteres combate a diarrha. 

Caracteres da famlia. So arvores 
ou arbustos, um pequeno numero, plan- 
tas herbceas. Tem folhas alternas, sim- 
ples , acompanhadas na base de duas 
estipulas frngeis. 

As flores so axiliares, pedunculadas, 
solitrias, ou diversamente grupadas. 

O clice formado de quatro a cinco 
sepalas, approximadas, de preflorescen- 
cia valvular; a corolla tem igual nume- 
ro de ptalas, que faltam raramente, e 
so muitas vezes glandulosas em sua 
base. 

Os estames so em grande numero, 
soltos e com antheras biloculares. Acha- 
se muitas vezes em frente de cada ptala 
uma glndula pedicellada. 

O ovrio apresenta de duas a dez lojas, 
contendo cada uma diversos vulos li- 
gados por duas ordens seu angulo 
interno. 

O estylete simples, terminado por 
um estigma lobuloso. 

O fructo uma capsula de varias lo- 
jas, contendo diversas sementes, e al- 
gumas vezes indehiscente, ou um ncleo 
carnoso monospermico por aborto. 

As sementes contm um embryo ver- 
tical, ou algum tanto curvo em um en- 
dosperme carnoso. 

Ai ftvallos. Luheo. panicu- 
laU. Mart. c Zucc Fam. Idem. Arvore 
silvestre de Minas-Geraes e das margens 
do Rio de S. Francisco. de mediana al- 
tura , com a folhagem aloirada, folhas 
ovaes; as flores em cachos, menores que 
as da precedente, so de cr rosada, ou 
branca. 

A casca d'esta espcie empregada 

4 



IO 



AGR 



AGR 



nos sertes para cortir couros. Florcce 
em Fevereiro. 

Propkied.vdes medicas. adstrin- 
gente e emprejjado nas liemorrliagias cm 
banhos, injeces e em clysteres contra 
a dysenteria. 

A^'ola ea%'ilIos brancos. V. 

Ivatingi. 

Aucena. Amarjjllis princeps, Yel. 
Farn. das Amarillidaceas . umair 
graciosa, originaria do Brasil. 

Caracteres da famlia. Planta de 
raiz bulbifera ou fibrosa, de folhas radi- 
caes, de flores solitrias, as mais das 
vezes mui grandes ou dispostas em ser- 
tulas, ou nmbrellas simplices envolvidas 
antes da anthese em espalhas membra- 
nosas. 

O invlucro gamosepalo tubuloso, 
adherente pela base ao ovrio, com seis 
divises iguaes ou desiguaes. 

Os estames em numero de seis, tem os 
filetes soltos ou reunidos por meio de 
uma membrana. 

O ovrio de trs lojas ; o estylete 
simples, e o estigma de trs lbulos. 

O fructo uma capsula de trs lojas 
e de trs vlvulas septiferas ; algumas 
vezes uma baga que por aborto s con- 
tm de uma a trs sementes. Estas, que 
off'erecem com bastante frequncia um 
apndice carnoso ou caruncula cellulosa, 
contm em um endosperma carnoso um 
embryo cylindrico e homotropo. 

Agoniada. Plumeria lancifolia ^ 
Willd. Fam.das Afocynaceas . uma 
arvore importante das provncias do sul, 
muito usada, principalmente como em- 
menagogo e anti-febril. 



As;oiiteg;9ie|e. 



V. Araruta. 



Airio. Sisymbriur. Nasturtium, 
Linn. Ofjicinale^ Duch. Fam. das Cru- 
ciferas. Herva cultivada, natural da 
Europa, geralmente conhecida por tal 
nome no Brasil ; d em terrenos hmidos. 



V\ uma pequena e ihdicada planta, cujo 
caule se estende flor da terra, as folhas 
so serriadas, e na parte superior mais 
largas. Tem nas summidades floresinhas 
brancas, midas, que do em resultado 
umas pequenas siliquas; desprende na- 
turalmente suas sementes miudissimas 
de cr castanha. Usa-se em salada. 

Propriedades medicas. E' estimu- 
lante e aconselhado nas aff'eces scor- 
buticas e molstias de pelle em tisana, 
(8 grammas para 450 grammas d'agua, 
trs vezes ao dia) , e o xarope sobretudo 
usado pela medicina popular; nas afec- 
es do figado e pulmonares ehronicas, e 
ainda contra a prpria phtysica; na dose 
de quatro a seis colheres por dia. Contm 
notvel proporo de iodo. 

Caracteres da famlia. uma das 
mais naturaes do reino vegetal, composta 
de plantas herbceas ou algumas vezes 
subfructescentes, e que pela maior parte 
so oriundas da Europa. 

As folhas so alternas, simples ou 
mais ou menos profundamente cortadas. 

As flores dispostas em espigas ou ca- 
chos simplices ou paniculados. 

O clice formado de quatro sepalas 
frgeis, duas das quaes so algumas 
vezes concavas em sua base. 

A corolla se compe de quatro ptalas 
unguiculadas oppostas em cruz, d'onde 
lhe vem o nome de Cruciferas. 

Os estames em numero de seis so 
tetradynamos, isto , quatro maiores , 
approximados dois a dois, e dois mais 
curtos e oppostos. Na base dos estames 
existem duas ou quatro glndulas. 

O ovrio mais ou menos alongado, 
com duas lojas separadas por uma falsa 
diviso. Cada loja contm um ou diver- 
sos vulos unidos ao bordo da diviso 
membranosa, que no mais que um 
prolongamento dos dois trophospermas 
suturaes. 

O estylete curto ou quasi nulio, e 
parece uma continuao da separao; 
elle termina em um estigma bilobado. 

O fructo uma siliqua ou uma silicula 



AGR 



AGU 



11 



de forma varivel, indeliiscente, ou que 
se abre por duas vlvulas. 

As sementes esto pegadas em cada 
lado da separao. O embryo imme- 
diatamente coberto pelo te(?umento pr- 
prio, e mais ou menos curvo sobre si 
mesmo. 

Ag-rio tio P**p;. Spilantlies ole- 
racea, Linn. Fam. das Comi^ostas. Esta 
planta, indigena do Par, cultivada na 
Europa de ha muito, debaixo do nome de 
Agrio do Par ou do Brasil. Elle her- 
bceo de folhas oppostas, flores em pe- 
quenos captulos, amarellas e muito 
midas. 

Propriedades medicas. excitante, 
antiscorbutico, (infuso, 8 grammas para 
450 grammas d'ag-ua). No Par emprega- 
se como alimento, cozinhado e mesmo 
cr. (Fig. 1.) 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, jpor excepo, arbreas; flores em 
captulos; receptculo plano ou cnico, 
ou mais ou menos espherico, sempre 
carnoso, guarnecido de diverso modo 
pela sua parte externa. 

Clice gamosepalo, adherente: o limbo 
do clice, chamado papus, umas vezes 
nu lio ou reduzido a um bordo marginal, 
outras vezes escarioso, dentiado ou loba- 
do, outras, e muito mais frequentemente, 
transformado em sedas ou pellos quer 
simples quer ramosos, ou plumosos, 
dispostos n'uma ou mais series. 

Corolla inserida na parte superior do 
tubo do clice, gamopetala, dividida em 
cinco e menos vezes em trs, quatro ou 
dois lbulos ; mas cada lbulo com duas 
nervuras quasi marginaes que parecem 
augmentar o numero das divises da 
corolla: cinco estames, raras vezes abor- 
tados nas flores femeninas; filetes alter- 
nando com os lobos da corolla, soldados 
com ella na base, ordinariamente livres 
entre si, articulados comtudo na parte 
superior por uma espcie de connectivo; 
antheras soldadas entre si fazendo uma 
espcie de tubo dentro do qual passa o 
estigma, ovrio com um s ovulo, es- 



tilete simples nas flores masculinas, di" 
vidido em dous lbulos ; nas flores fe- 
mininas e nas hermaphrod itas glndulas 
estigmaticas (verdadeiros estigmas) si- 
tuadas em duas series na parte superior 
dos lbulos dos estyletes; pellos collecto- 
res em vrios sentidos no alto do esty- 
lete das flores hermaphroditas. 

O fructo um akenio terminado pelo 
papus. 

A^iiai. uma arvore, da qual se 
acredita provir o blsamo chamado Ca- 
boreira, Caboreiba ou Cabureiciba. 

As:ua|i. Villarsia nympheoides . 
Fam. das Ni/mpheaceas. Herva que nada 
sobre as aguas; folhas redondas e o fructo 
capsular. 

As flores d'esta planta so brancas e 
aromticas. 

Os fructos so comestveis. 

Propriedades medicas. Os banhos 
feitos com o cosimento d'esta planta so 
anti-hemorrhoidaros. E' tambm ana- 
phrodisiaca. 

Caracteres da famlia. Hervas com 
folhas oppostas, inteiras e sem estipulas; 
corolla regular, ordinariamente com cin- 
co divises como o clice: preflorao im- 
bricada; estames cinco, alternos com as 
divises da corolla; ovrio livre, estilete 
inteiro ou fendido em dois; estigma sim- 
ples ou bilobado ; fructo capsular, unilo- 
cular, parecendo algumas vezes bilocular 
pela approximao dos bordos das vlvu- 
las que se dobram. 

Agruap. Nijmphea Nehimbo., Spl. 
Nelumhium speciosum., WiUd. Fam. 
das Nymieaceas . uma espcie aqu- 
tica, vegeta em Santa Cruz e nos pn- 
tanos de seus arrabaldes ; suas flores 
brancas, seu fructo uma noz. 

Propriedades medicas. As folhas sSo 
mui empregadas nas erysipelas e no 
chamado formigueiro. 

Caracteres da famlia. Grandes c 



IS 



AGU 



AHO 



bellas plantas que fluctuam superfcie 
(las afTuas, c cuja haste forma uma raiz 
rastpjanto subterrnea. 

As folhas alternas inteiras so cordi- 
formes ou orbiculares, sustentadas por 
mui compridos peciolos. 

As flores so muito crandes, solitrias 
e sustentadas por cojnpridissimos pe- 
dnculos cylindricos. 

O clice formado de um numero va- 
rivel, e alpuiias vezes frrandissimo de 
sepalas dispostas em varias ordens, de 
maneira a representar de algrum modo 
xim clice e uma corolla polypetalos. 

Os estames so numerosissimos, in- 
sertos em diversas ordens abaixo do 
ovrio, ou sobre a membrana externa, 
que se acha assim coberta pelos estames 
e pelas sepalas interiores, que no so 
provavelmente mais que estames trans- 
formados, o que prova a dilatao gra- 
dual dos filamentos, medida que se 
observam mais exteriormente. 

As antheras so introrsas e de duas 
lojas lineares. 

O ovrio livre e sessil, dividido in- 
teriormente em varias lojas por separa- 
es membranosas, sobre as pelliculas 
das quaes esto inseridos numerosos 
vulos pendentes. O pice do ovrio 
cercado de tantos estigmas radiados 
quantas lojas tem o ovrio. A reunio 
d'estes estigmas forma uma espcie de 
disco que circumda o ovrio. 

O fructo indehiscente e carnoso in- 
teriormente, com varias lojas polysper- 
micas. 

As sementes tem um tegumento espes- 
so algumas vezes desenvolvido em forma 
de retculo, contendo iim grosso endos- 
perma farinceo ; embryo irregular- 
mente globuloso ou napiforme, cuja ra- 
dicula est voltada para o hilo. 

As BB a,2tfts i 8B aaB a-ss . Tiaridium 
medicumi Pison. Hdcotropium indicumi 
Linn. Fam. das Borragitieas. Esta 
herva, do porte da Crista de gallo, na- 
tural da ndia e congnere do Fedegoso 
de Pernambuco. 

Propriedades medicas. E' um bom 



abstergente e modilicntivo das ulceras; 
tambm 6 applicada nas queimaduras. 

Ag:iiara|toiiila. V. Gervo ou 
Orffevo. 

\^uva f|iiia. Solaniim olerarcum, 
Diviial. Fam. das Solanacras. Tambm 
conhecida esta planta por Jeqiiirioba. 
Podemos confrontar, mais ou menos, 
esta planta com a Juniheha. 

Propriedades medicas. E' calmante, 
applicada sobre as feridas das pernas 
e as radias do bico do seio. 

Ai^ias^i <iiBiya-H'u, Solamim 
pterocauhim, Dun. Fam. Idem. Planta 
congnere da precedente. 

Propriedades medicas. E' emoliente, 
anodyna e diurtica, applicada em ca- 
taplasmas til nas retenes de uri- 
nas ; os fructos so teis contra as dores 
de dentes. 

A^siaiLma. V. Periparoha. 

Agr^Kllia do BsmSlo. CUtoria linea- 
ris. Fam. das Leguminosas. E' conhe- 
cida por este nome nas Alagoas, uma 
planta herbcea, trepadeira que alas- 
tra ; vegeta pelas capoeiras ; tem o caule 
cylindrico, delgado, as folhas em trinos, 
ovaes ; as flores brancas, com macula 
roixa, imitando uma borboleta ; d uma 
vagem estreita e recta, de cr escura, 
e que termina em ponta aguada 

At-ssig;ssc|i)0 li. Tlialla genicu- 
tata, Linn. Fam. dos Amomaceas. Esta 
planta do porte do Mer e outras de 
igual gnero. A raiz come-se assada. 

Propriedades medicas. Pisada em- 
prega-se em emplastro, como modifica- 
tiva das ulceras. 

Ai oia ai. C-rJ-m Ahouai, Linn. 
Fam. das Aporgnaceas.Av\ove do Brasil, 
de folhas leitosas, fructos redondos ou 
trigonos : as nozes d"esta planta servem 



AHO 



ALC 



13 



de ornar os cintures que os nossos in- 
dgenas trazem, e agitadas fazem gran- 
de ruido. 

Propriedades medicas. O sueco lei- 
toso d'esta planta um forte veneno, 
como tambm o de sua congnere Cer- 
iera Tkecetia [Linn.) Em dose pequena 
produz vmitos ; deitando-se no rio 
envenena os peixes. 

Caracteres da famlia. As Apocj- 
naceas apresentam um aspecto muito 
variado. So plantas herbceas, arbusti- 
vas ou arvores muito altas, e geral- 
mente leitosas. 

As follias so simples, oppostas, e 
inteiras ; as ires axilares ou termi- 
naes, solitrias ou diversamente reu- 
nidas. Em cada uma acha-se um clice 
gamosepalo, da cinco divises ; uma co- 
rolla gamopetala, regular, de uma forma 
muito variada, oferecendo s vezes cinco 
appendices petaloides , cncavos, que 
nascem da garganta da crolla, e se 
unem em parte com os estames. 

Estes, em numero de cinco, so ora 
livres, ora reunidos pelos filetes e pelas 
antheras, e formam uma espcie de tubo 
que cobre o pistillo e se pega muitas 
vezes no pice com o estigma. 

As antheras so de duas lojas e o 
pollen que encerram pulverulento 
n'aquellas cujos estames so livres, e 
de massas solidas n'aquellas em que os 
estames so unidos; cada massa poUinica 
terminada em sua extremidade, por uma 
glndula, que se liga com a da massa 
pollinica ao lado da qual est collocada. 

Dois ovrios livres, applicados sobre 
um disco hypogynico, presos pelo lado in- 
terno ou somente pelo cimo ; cada um 
oferece uma loja que contm um grande 
numero de vulos situados em sua su- 
tura interna. 

Os dois estyletes se soldam s vezes 
em um s, e terminam em um estigma 
mais ou menos descoide, outras vezes 
cylindrico e truncado. 

O fructo um foUiculo simples ou 
duplo ; raramente 6 carnoso e indes- 
hiscente. 



As sementes, unidas a um trophos- 
perma suturai, so nuas ou cercadas 
de um penacho sedoso; ellas contm em 
um endosperma carnoso ou crneo ura 
embryo recto. 

A|i9ii. V. 3Iachaxera. 

Ajuilsapla. V. Jahetaint. 

AI3:^a*a. Cauna ai/fficslifolia, Zvm. 
Fcon. dos Amomaceas. Planta que 
tem rhysoma ; seu caule se eleva a uns 
2 metros, as folhas largas, como as da 
bananeiras so amplexi-caides, flores em 
cachos grandes e bonitas; o fructo de 
trs gomos, eriado de pontas speras; 
sementes pretas esphericas. 

As folhas so empregadas como vul- 
nerarias, d'onde lhe vem o nome de 
Herva dos feridos^ pelo qual vulgar- 
mente conhecida. 

Os pretos comem a raiz d'esta planta, 
diz-se ser maturativa que faz suppurar 
tumores. Segundo Pison o nome de 
Aliara pertence ao Imheri. 

AScifiz SJi*iva>. V. Boi gordo. 

Aleaiaa di E9ia"0]jB:-4. Glycir- 
rliiza (jlabra^ Linn. e S})1. Fam. das Le- 
guminosas E' um arbusto europeo, 
cujas folhas so dispostas em palmas 
ovaes, d flores que so cr de rosa 
roixeada, em cachos; seu fructo uma 
baga oblonga comprimida, contendo trs 
ou seis sementes: deita uma raiz cylin- 
drica, ennegrecida e amarella por den- 
tro, tem sabor adocicado. 

Propriedades medicas. E' emoli iente 
e diurtico, empregado nas molstias 
inflammatorias. Internamente em in- 
fuso, (10 grammas para 1030 ditas 
d'agua. 

Aleaiiz Se S. Paulo e Mi- 

BS&s. PirioadriOj diilsis., Mart. Fam. 
idem. Tem as virtudes do Alcauz 
vulgar. 

Alcaaz lii terra. QUjcirrMza 



14 



ALE 



ALE 



americana. Fam. icm. Esta ospccie 
do paiz, mas s ve^rcta espontaneamente 
nas Catingas ou nos sertes. 

E' um arbusto de 2 a 3 metros de 
elevario, mais ou menos ; o tronco en- 
grrossa at 12 centmetros mais ou 
menos de dimetro, a casca esbran- 
quiada, os ramos como articulados de 
distancia em distancia, as folhas em 
palmas pequenas, o fructo uma 
vagem. A raiz c semelhante ao da 
Europa no aspecto, cr e gosto. (Fig. 2j. 

Propriedades medicas. Idem. 

Aleasiforeirt. Croi07t jjericipes, 
Si. Hilairc. Croton antysyphiliicus., 
Mart. Fam. das Eiqjhorbiaceas. Arvore 
de Minas Geraes. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada como diurtica, antisyphilitica, e 
contra as mordeduras de cobra. 

As folhas seccas e pulverisadas pocm- 
se nas feridas e as fazem cicatrizar, e 
a cataplasma feita das folhas frescas 
de proveito nos bubes e tumores bran- 
cos. 

Alcofiioco. Bowdichia major., 
Mart. Fam. das Legumitiosas. Ar- 
vore do paiz, de folhagem mida e de 
flores azuladas, tem por fructo um le- 
gume com duas ou mais sementes. 

Propriedades medicas. A casca 
d'esta arvore um pouco amarga e 
adstringente, empregada no rheuma- 
tismo syphilitico e nas hydropesias. 

Alecrint lim^vo.Jlgpericum la- 
xiisculum, St. Hil. Fam. das Hyperi- 
caceas. Planta agreste do Brasil, co- 
nhecida em S. Paulo, Minas Geraes e 
Eio Grande do Sul pelo mesmo nome. 

E' uma planta de flores em cachos 
dispostos nas summidades dos ramos, 
de folhas ensiformes. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
contra as mordeduras das cobras, o 
cosimento d'estas folhas. 



Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas, arbustos ou arvores muitas 
vezes resinosas cheios de glndulas 
transparentes, tendo folhas oppostas, 
rarssimas vezes alternas, simples, flores 
axillares outerminaes, diversamente gru- 
padas. 

O clice de quatro ou cinco divises 
mui profundas, um pouco desiguaes ; 
a corolla se compe de quatro a cinco 
ptalas, enroladas cm espiral antes de 
sua evoluo. 

Os estames so muito numerosos, 
reunidos em vrios feixes pela base 
dos filetes, algumas vezes monadelphos 
ou livres. 

O ovrio livre, globuloso, sobreposto 
por diversos estyletes, s vezes unidos 
e soldados em um s : oferece tantas 
lojas polyspermicas quantos estyletes. 

O fructo uma capsula, ou uma baga 
de lojas polyspermicas. No primeiro caso, 
ella se abre em tantas vlvulas, adhe- 
rentes por suas extremidades dos re- 
partimentos, quantas lojas tem. 

As sementes numerosssimas e mui 
pequenas, contm um embryo homo- 
tropo sem endosperma. 

Alcfrian lo CttBjio, Lantana 
microjihglla, Mart. Fam. das Verhcna- 
cias. Esta planta, do porte do Camar, 
empregada nos mesmos casos em que 
empregado o Ch de Frade. 

Alcerint tle jarflBat. Rosmari- 
nus officinalis Linii. Fam. das Lahiadas. 
Planta indgena da Europa, acclimada 
ha muito no Brasil; cresce de 1 a 2 
metros em terreno apropriado ; suas 
hastes so lenhosas, as folhas estreitas, 
com as bordas voltadas para dentro, 
verde-escuras e approximadas. 

As flores axillares e pequenas, cr de 
lyrio, e labiadas : os fructos so peque- 
nas capsulas. 

Esta planta aromtica medicinal. 
Ella presta-se a perfurmar roupas , 
quartos e habitaes empestadas de 
miasmas malficos ; serve nos defuma- 
dores domsticos, e como ornamento dos 
altares, etc, etc. 



ALE 



ALE 



IS 



Propriedades medicas. E' excitante, 
aromtico e applicado em frices; o 
seu leo empreg-ado em varias prepa- 
raes pharmaceuticas : entra na com- 
posio do vinagre dos sete ladres, 
da agua da Rainha da Hungria e da 
Agua de Colnia, etc. 

Caracteres da famlia. As Lahiaas 
formam uma das famlias mais na- 
turaes do reino vegetal ; so plantas 
herbceas ou arbustivas, cujo caule 
quadrangular, com folhas simples e op- 
postas. 

As flores so grupadas nas axillas das 
folhas, em espigas ou cachos ramosos. 

O clice gamospalo, tubuloso, de 
cinco dentes desiguaes. 

A corolla gamopetala, tubulosa e ir- 
regular, bilabiada. 

Os estames so em numero de quatro 
e didynamos ; s vezes os dois mais 
curtos abortam. 

O ovrio, applicado sobre um disco 
hypogynico, profundamente quadrilo- 
bado, muito deprimido no centro, d'onde 
nasce um estylete simples ao qual se so- 
brepe um estigma bifldo; cortado trans- 
versalmente, o ovrio oferece quatro 
lojas contendo cada uma d'ellas um 
ovulo erecto. 

O fructo se compe de quatro akenios 
monospermicos encerrados no interior 
do clice que persistente. 

A semente contm um endosperma 
carnoso, algumas vezes muito delgado. 

Alecrim lo matto. Baccharis 
sylveslris. Fam. das Compostas. 

Propriedades medicas. Esta planta 
aromtica e uzada em banhos como 
excitante, nos rheumatismos, e nos 
catarrhos, em infuso. 

Alecrin la praia le Pernam- 
buco. ScMnus arenaria. Fam. das 
Cyperaceas . Pequena planta que vegeta 
nas areias da praia, eleva seu caule 
a 2 K decimetros : muito ornada de 
folhas estreitas, luzentes, em cujas 
pontas tem um aculeo picante ; d 



as flores em uma espiga densa e branca' 
seus fructos so pequeas caryopses. Flo- 
rece no vero e conserva-se sempre vi- 
oso. 

Propriedades medicas. E' recom- 
mendada a infuso em banhos contra 
as aff'eces rheumaticas. 

Caracteres da famlia. Vegetaes 
herbceos crescendo em geral nos lu- 
gares hmidos, e margem das aguas. 

O caule ordinariamente triangular, 
com alguns ns ou sem elles. 

As folhas so invaginantes, e a bainha 
inteira e no fendida, as mais das 
vezes guarnecidas no orifcio de uma 
orlazinha membranosa chamada ligula. 

As flores formam espiguetas escamo- 
sas, compostas de um numero varivel 
de flores ; cada flor consta de uma 
s escama, na axilla da qual geral- 
mente se acham trs estames, um pis- 
tillo formado de um ovrio unilocular 
e monospermico, terminado por um es- 
tylete simples em sua base, trazendo 
em geral trs estigmas filiformes e 
felpudos. 

Os estames tem o filete capillar ; a 
anthera terminada em ponta no pice 
cume, bifido somente na base. 

O fructo um akenio globuloso com- 
primido ou triangular. 

O embryo pequeno, collocado em 
direco base d'um endosperma fari- 
nceo que o cobre por uma membrana 
muito delgada. 

Alecrim da praia ( de Santa Ca- 
tharina). Polygala. Fam. das Poly- 
galaceas. Esta planta diff'ere da de 
Pernambuco, porm a mesma do Rio 
de Janeiro. 

Herva de 3 a 6 decimetros de altura, 
folhas estreitas, carnosas, de cor verde 
azulado ; a inflorescencia se faz no fas- 
tgio do caule. 

Vegeta beira mar ; o fructo tem a 
forma de um corao. 

Propriedades medicas. Raizes e fo- 
lhas amargas, tnicas e adstringentes. 



16 



ALE 



ALE 



Caracteres da famlia. Plnntas 
herbceas, ou arbustivas, de foUius al- 
ternas, simples e inteiras, de flores soli- 
trias, axillares ou em espip^as. Cada 
uma se compe de um clice de qua- 
tro a cinco spalas, imbricadas lateral- 
mente antes do desabrochar da lr, e 
duas das quaes, algumas vezes mais 
internas, so petaloides e coloridas. 

A corolla formada de duas a cinco 
ptalas, umas vezes distinctas outras 
vezes reunidas por meio dos filetes esta- 
minaes, que formam um tubo fendido 
de um lado. 

Os estames, greralmente em numero de 
oito, so monadelphos ; seu androphoro 
dividido superiormente em duas pha- 
langes, cada uma com quatro antheras 
unilocalares, e abrindo-se em geral pelo 
pice. Mui raras vezes os estames so 
em numero de dois a quatro, e livres. 

O ovrio as vezes acompanhado em 
sua base de um disco hypogynico e uni- 
lateral, ou formado de dois appendices 
lateraes e laminosos ; oferece dois, mui 
raramente um s ovulo. 

O estylete comprido, ordinariamente 
curvo, com estigma concavo, bilobado 
ou unilateral. 

O fructo uma capsula ou uma drupa. 
No primeiro caso, de duas lojas 
monospermicas, e se abre em duas vl- 
vulas septifras ; no segundo caso, 
unilocular, monospermico e indehiscente. 

As sementes so pendentes, geral- 
mente acompanhadas de uma espcie de 
caruncula ou de arillo de forma variada. 

O embryo ora collocado em um 
endosperma carnoso , e ora desprovido 
de endosperma. 

AleerBBi ele S. Jts. Portulaca 
lanuginosa. Faw. das Portulacaceas. 
Herva pequena, conhecida por este nome 
em Alagoas. 

E' rasteira, com folhas midas, carno- 
sas, dispostas em cruz ; as flores so 
rixas, pequenas e caducas. 

O fructo uma capsula polysfermica 
e a planta serve de ornamento nos jar- 
dins. 

Foi achada no telhado da igreja de 



S. Jos da Coroa Grande de Pernam- 
buco, d'onde se origina seu nome segun- 
do a voz popular. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, raras vezes arbustivas , tendo 
folhas oppostas, algumas vezes alter- 
nas, espessas e carnosas, sem estipulas; 
flores geralmente terminaes. 

O clice em geral formado de duas 
sepalas mais ou menos soldadas tor- 
nando-se elle por isso tubulado na base. 

A corolla se compe de cinco ptalas 
livres, ou ligeiramente unidas entre si. 

Os estames so do mesmo numero que 
as ptalas inseridos em sua base, e lhes 
so oppostos ; raramente so mais nu- 
merosos. 

O ovrio livre ou quasi semi-in- 
fero, com uma s loja, contendo um 
numero varivel de vulos, nascendo 
immediatamente do fundo da loja, ou 
presos a um trophosperma central. 

O estylete simples terminado por 
trs ou cinco estigmas filiformes. 

O fructo uma capsula unilocular, 
encerrando trs ou varias sementes, e 
abrindo-se quer em trs, quer em duas 
vlvulas sobrepostas. 

As sementes debaixo de seu tegu- 
mento prprio, incluem um embryo 
cylindrico que enrolado em um en- 
dosperma farinceo. 

Aleepiai dsi epa'i ou Se Ta- 
! 3c a*o. DicMptera, aromtica. Fam. 
das Aca^htliaceas . E' um arbustosinho 
que vegeta nos taboleiros e nas Ca- 
tingas. 

E' de pouca elevao, tem o caule 
delgado , cylindrico ; folhas pequenas, 
crespas, aromticas, ovaes, em feixes e 
pelludas ; flores axillares; folhas , pe- 
quenas semelhana das do alecrim 
de jardim; o fructo uma pequena 
capsula. 

Propriedades medicas. E' aromti- 
ca ; applicada no rheumatismo, em ba- 
nhos. 

Caracteres de famlia. So hervas 



ALF 



ALF 



17 



ou arbustos, de olhas oppostas, de 
flores dispostas em espigas, acompanha- 
das de bracteas em sua base. 

O clice gamospalo, de quatro ou 
cinco divises, regulares ou irregulares. 

A corolla gamopetala, irregular, 
ordinariamente bilabiada, os estames 
em numero de dois ou quatro, so di- 
dynamos. 

O ovrio de duas lojas que contem 
dois ou maior numero de vulos ; elle 
applicado sobre um disco liypogynico 
annullar. 

O estylete simples, terminado em 
estigma bilobado. 

O fructo uma capsula de duas 
lojas, algumas vezes monospermicos, 
abrindo-se com elasticidade em duas 
vlvulas, que levam comsigo cada uma 
metade do septo. 

As sementes so em gjral sustenta- 
das por um podosperma filiforme e 
seu embryo, collocado immediatamente 
debaixo do tegumento prprio, des- 
provido de endosperma e tem geral- 
mente a radicula voltada para o lado 
do hiio. 

AX^-Aec . Lactuca sativa ^ Linn . 
Fam. das Co/rti;ote.y. Planta herbcea, 
annual, cuja caule ergue-se com folhas 
grandes de verde claro obovaes e oblon- 
gas ; as fli-es so amarelladas e em 
cachos, e formo um capitulo de pel- 
los macios e brancos, que voo com o 
vento . 

Esta planta, cuja ptria ignoro, cul- 
tivada em todas as hortas, sendo do 
mais trivial conhecimento entre ns. 

Propriedades medicas. A agua da 
alface frequentemente usadar na me- 
dicina como antispasmodico. 

Alfaee le eortSeipo. Herva 
Benta. 



AIfx'aca rava. 

110 Par. 



-E' a Jahorani 



Al&avaca cio eaiinjio.- OmKM?i 
incatmecens, Mart.Fam. das LaUadas. 



Propriedades medicas. E' sudorifica, 
aromtica e empregada nos mesmos ca- 
sos do Jaborandi. Faz-se com ella um 
xarope bom para o tratamento da coque- 
luche na dose de 30 a 40 grammas por 
dia. 

As folhas fritas em leo e postas nas 
verilhas e sobre o pbis, so teis na is- 
churia. (Fig. 3.) 

Alfavaca e ettelvo. Occinmn 
incanum. Occimim fluminense. Vell. Fam. 
das LaUadas. Esta planta por este 
nome conhecida em Pernambuco, e na 
Bahia por Santa Maria. Sua altura re- 
gula de 6 a 8 decimetros ; folhas oppos- 
tas ovaes e serriadas ; flores em espigas 
densas, pequenas, brancas, tocadas de 
roixo ; o fructo uma pequena capsula 
preta. 

Applicam-n'a raramente como adubo. 

Propriedades medicas. E' arom- 
tica, emprega-se em banhos nos rheu- 
matismos. 

As sementes applicadas aos olhos, que 
tem argueiros, attrahem-nos a si, e faci- 
litam a extraco. 

Alfavaca de cobra. Monnieria 
iri folia AuU. Fam. das Ruaceas. 
Esta herva em Pernambuco conhecida 
por este nome, mas em outras partes do 
Brasil por Jaborandi. 

Pequena herva ramosa, suas folhas 
trifolioladas, florinhas brancas, midas, 
formam um froco de folhinhas no cimo, 
um tanto pelludas, e tem aroma, quando 
submettidas a compresso. 

O fructo uma capsulasinha palheosa. 

Propriedaees medicas. A raiz alm 
de outros prstimos muito til, na dia- 
betis; emprega-se o decocto como sudo- 
rfico e diurtico. Tambm aproveita 
nas inflamaes de olhos. 

Caracteres da famlia. Grande 
familia composta de arvores," de ar- 
bustos ou de plantas herbceas tendo 
folhas oppostas ou alternas commum- 
mente cheias de pontos translcidos, 
com ou sem estipulas ; flores geral- 

5 



IS 



ALF 



ALG 



mente hermnpliroditas; mui raras vezes 
unisexuaes ; xim clice de, trs a cinco 
spnla?, unidas pela base ; corolla de 
cinco ptalas, algumas vezes soldadas, 
raramente nulla. 

Cinco ou dez estames, alguns dos 
quaes abortam s vezes c oferecem for- 
mas variadas. 

O ovrio compe-se de trs a cinco 
carpellas, e formando outras tantas ares- 
tas mais ou menos salientes. 

Cada loja contm quasi sempre dois, 
raramente um s, ou grande numero de 
vulos inseridos em seu angulo inter- 
no, e n'elle formando duas ordens. 

Os estyletes so livres ou soldados. 
Essas carpellas acham-se em geral ap- 
plicadas sobre um disco hypoginico 
mais ou menos saliente, e algumas 
vezes formam por sua reunio, um 
ovrio gynobasico, cujo estylete parece 
nascer de uma depresso muito pro- 
funda e central. 

O fructo ora simples, formando 
uma capsula, que se abre em tantas 
vlvulas septiferas, quantas lojas tem, 
ora, e as mais das vezes, separa-se 
em outras tantas cocas ou carpellas, 
quasi constantemente monospermicas , 
indehiscentes e as vezes ligeiramente 
carnosas ou seccas, e abrindo-se em 
duas vlvulas incompletas. 

As sementes cujo tegumento prprio 
muitas vezes crustceo, se compem 
de um endosperma carnoso ou de con- 
sistncia crnea, contando um embryo 
de radicula superior, raras vezes virada 
para o liilo que lateral ; em alguns 
casos o embryo desprovido de 
endosperma. 



Propriedades medicas. Com o sueco 
d'ella curam-sc bclidas da crnea; a de- 
coo das folhas serve para modificar as 
dores de dentes. 

AHazeita tia Kiipopa. Zrttvm- 
ida spicata. Linn.Fam. 2Vto/i. Planta 
cultivada no Brasil, natural do Meio Dia 
da Europa, mas conhecida geralmente 
entre ns. 

E' uma herva de caule estriado, mui 
esgalhado ; as flores arrumadas em cir- 
cules, e violceas amarellas ; toda a plan- 
ta 6 aromtica ; a folhagem mida e os 
frutinhos so a semelhana do cuminho 
com o qual tem affinidade familiar. 

Ella contm um leo voltil, muito 
usado nas perfumarias. 

Propriedades medicas. E' excitan- 
te, empregada principalmente em ba- 
nhos. 



azestiss. cia teps* oii do 

Biatto. HosluTidia Alfazema. Far. 
das Lahiadas. E' um sub arbustosinho 
esgalhado, de caule quadrado; vegeta 
no s nos mattos, como tambm nos ta- 
boleiros e nas vargeas ; folhas aromti- 
cas, midas e oppostas; flores em ca- 
chos formando uma espiga pyramidal, 
abastecida de pevides palheosas e miu- 
dissimas, de cr roixo violeta; o fructo 
excessivamente pequeno. 

Propriedades medicas. Serve para 
banhos aromticos. 



Alfavaca syl%'esi*e. Occimum 
sylvestre. Fani. das Lahiadas. V. Al- 
favaca de cheiro. 

Aliazcina le ea^toclo. Hys- 
sojnis crijspainjlla. Fam. das Lahiadas. 
E' um dos nomes porque no norte das 
Alagoas esta planta conhecida. Tam- 
bm a chamam Samhait. 

E' um arbusto que cresce at 2 metros, 
pouco mais ou '.nenos. 



Alga. Algoe. Fam. das nyro])liytas. 
As algas so plantas que crescem 
ordinariamente nos lugares hmidos, 
sobre tudo nas aguas doce e salgada. 

Algumas so compostas de vesiculas 
isoladas, constituindo cada uma um in- 
dividuo isolado e completo. Outras apre- 
sentam-se debaixo da forma de utriculos 
reunidos, enfiados como as contas de um 
rosrio, e encerradas n'uma espcie de 
membrana gelatiniforme amorpha. 

Outras ainda so filamentos simples 
ou ramosos, contnuos ou articulados, 
ltegos variados na forma, consistncia 



ALG 



ALG 



19 



e cr ou expanses membranosas j 
simples, jlobadas. 

Algumas tm na base uma espcie de 
p ramificado como uma raiz, outras 
apresentam rgos repartidos por imi 
caule simples ou ramificado, com folhas 
alternas. Todas as algas so formadas 
de utriculos. 

Os rgos da reproduco so varia- 
dos ; oi'a so pouco distinctos e consti- 
tudos por corpsculos reproductores, 
ora os esporulos so contidos nos espo- 
ridios, espcies de utriculos reunidos em 
grande numero em conceptaculos ocos ou 
salientes . 

Os esporulos de certas algas quando 
sahem dos esporidios, executam movi- 
mentos rpidos e variados ; a transi- 
o da serie animal que acaba nos infu- 
sorios, em que se observam movimen- 
tos anlogos, para a serie vegetal, que 
comea com estas plantas. 

A ordem das algas era antigamente 
dividida em duas tribus ; uma d'ellas 
formada pelas algas, que crescem na 
agua salgada e que se denominam fu- 
cus, ou varechs : a outra formada pelas 
que vegetam n'agua doce e chamadas 
confervas. 

A alga vesiculosa, bodelha, sargao ou 
botilho vesiculoso ou carvalinho do 
mar [Fucus vesimlosus.) Esta planta adhe- 
re aos rochedos por um curto pedculo, 
que se alarga em uma fronde plana, for- 
quilhosa com nervuras dorsaes, provida 
de vesculas distribudas por par. 

Todas as algas contem em seus tecidos 
soda e iodo; aproveitam-se por isso para 
d'ellas extrahir estas substancias. As 
que o mar arroja em abundncia so- 
bre a terra, empregam-se em adubar 
as terras. 

Algumas espcies so vermfugas, ou- 
tras so applicadas nas escrophulas, ou- 
tras em que existe vim principio nu- 
tritivo, servem de alimento. As confer- 
vas que vegetam n'aguadce no tm 
applicao conhecida. 

Algodo. Qossyphim, Linn. Fam. 
das Malcaceas. As folhas so alter- 
nas, pecioladas , cordiformes , palmati- 



nerviadas, tri ou quinquelobadas, sendo 
os lobos gvfflos. 

As flores so grandes, vistosas em 
forma de taa de cinco lbulos, e no- 
tveis por sua corolla de bella cr 
amarella ou avermelhada. 

Os fructos que vulgarmente so cha- 
mados mas , tem a forma de uma 
capsula ovide de vrtice ponteagudo, 
abrindo-se ao termo de seu amadure- 
cimento em 3 ou 4 valvas ( depis- 
cencia loculicida) ; cada fructo divi- 
dido interiormente em 3 ou 4 compar- 
timentos (lojas) por outras tantas fo- 
lhetas fseptos), e cada compartimento 
ou loja contem 3 a 7 sementes pretas, 
ovides, envolvidas por um froco de 
filamentos, mais ou menos longos, mui 
finos, de cr branca ou arruivascada. 
Estes frocos de filamentos tm por 
origem uma formao de pellos, ema- 
nados do episperma ou tegumento pr- 
prio da semente, e constituem a sub- 
stancia txtil conhecida pelo nome de 
algodo. 

O algodo esta poro filamentosa 
da semente do algodoeiro ; de todas as 
substancias vegetaes de utilidade para 
a industria, o algodo incontesta- 
velmente o que occupa primeiro lugar. 
Se o trigo faz a base da alimen- 
tao dos animaes, o algodo faz a 
base do trajar. 

O algodoeiro c cultivado em todo o 
Brasil ; o de Pernambuco era o mais 
estimado nas fabricas de Inglaterra, e 
mais paizes manufactureiros, no s 
pela sua qualidade, finura e tenaci- 
dade dos fios, como principalmente pelo 
lustre e brilho que possua. 

Estes predicados lhe davam muito 
merecimento, e valor superior a todos 
os algodes importados. 

Concorreram para o descrdito d'este 
nosso producto os agricultores, pois s 
attenderam quantidade na produco 
e desprezaram a principal condio : a 
qualidade. D'isto resultou o deixar de 
ser procurado nos mercados de seu con- 
sumo e ser vendido por inferior preo. 
Outras occurrencias se deram para 
que o algodo do Brasil degenerasse: 



o 



ALG 



ALG 



a exportao annunl dos Estados Uni- 
dos, que foi enorme em consequncia 
de vender-se alli o algodo por preo 
muito mais haixo do que o do Brasil, 
que chegou a vender-se a 5;9000 IG 
kilgr. 

Os ltimos acontecimentos dos Es- 
tados Unidos paralysaram por alguns 
annos as considerveis remessas que 
d'alli se faziam de algodo para os 
mercados d'Europa ; o do Brasil encon- 
trou, pois, novamente um preo extra- 
ordinrio, visto como chegou a vender- 
se por 32^000 16 kilgr. 

O algodo de Pernambuco tem sido 
apreciado por sua boa qualidade e 
de esperar que brevemente tenhamos de 
concorrer sem desvantagem de espcie 
alguma nos mercados d'Europa, e isto 
porque os nossos agricultores tratam 
de aperfeioar todos os dias a cultura e 
os processos de preparao e o acondi- 
cionamento de seu producto. 

Cumpre ao nosso governo concorrer 
quanto estiver a seu alcance para a 
abertura de boas estradas que facilitem 
03 transportes d'este producto, porque 
os terrenos apropriados ao plantio do 
algodo de Pernambuco distam muitas 
dezenas de lguas da cidade do Recife. 

Os algodoeiros so geralmente ar- 
bustos mais ou menos altos e podem 
distinguir-se em duas classes extremas 
quanto altura, isto em algodoeiros 
arborescentes e em algodoeiros her- 
bceos. 

A historia botnica dos algodoeiros 
apezar dos excellentes trabalhos de Par- 
latore ainda no completamente co- 
nhecida, podendo fazer-se em geral a 
mesma observao relativamente aos 
outros vegetaes iiteis submettidos a uma 
longa e cuidadosa cultura. 

No se conhecem com toda a preciso 
as diferentes espcies de algodoeiros 
actualmente cultivados em muitos pai- 
zes, nem to pouco de modo exacto o 
paiz natal de cada espcie ou varie- 
dade; pde-se dizer em geral que este 
vegetal cresce naturalmente nos paizes 
quentes ; mas conseguiram acclima-lo 
em muitos paizes temperados, de modo 



que a distribuio geographica do algo- 
doeiro hoje muito extensa. 

No somente elle cresce nos paizes 
tropicacs de ambos os hemispherios, 
como tambm em regies onde a tem- 
peratura desce abaixo de 13 a U". Reau- 
mur ou GO a 84" Ealir. 

Todavia ha certos paizes onde as cir- 
cumstancias climticas temperando os 
rigores do inverno, permittem a cultura 
do algodoeiro, como acontece naCrima. 

O limite da vegetao do algodoeiro 
na Europa o 45 de latitude norte, 
e como se sabe, elle cultivado em 
alguns pontos da Hespanha, e da Si- 
clia, etc. 

Na sia cultivam-no at Astracam, 
na China, e no Japo at 41 de la- 
titude norte ; na America do Norte 
at uma latitude norte igvial, e na 
parte meridional do continente ameri- 
cano at 30 de latitude sul no lito- 
ral oriental, e at 33 nas costas 
occidentaes. 

As diversas espcies de algodoeiros 
esto distribudas em toda a sia, no 
Cabo da Boa-Esperana no Senegal, 
nas costas de Guin, na Abyssinia, nas 
margens do Niger, do Gambia e do 
Zembere, em Serra Leoa e nas Ilhas 
do Cabo Verde, na Syria, no Egypto, 
em torno do Mediterrneo, na Hespa- 
nha, na Siclia, no Brasil, na Colum- 
bia, nas Guyannas, Antilhas, em muitos 
Estados da Unio Norte Americana, 
taes como Virgnia, Luisiana, Ger- 
gia, as Carolinas, Alabama, Mariland, 
Delaware, e finalmente nas ilhas do 
Oceano Indico, 

O continente e as ilhas da sia 
podem ser considerados como a ptria 
do maior numero de espcies e va- 
riedades do gnero Gossypium. 

A China, as Grandes ndias, o im- 
prio do Mogol, os reinos de Siam e 
Pegu, Bengala, etc, ainda produzem 
hoje immensas quantidades de algodo. 

O algodoeiro cresce igualmente na 
Prsia, Arbia, Syria, Palestina , sia 
menor, Anatlia, Alepo, Smyrna, etc. 

Sabe-se com toda a certeza que o 
algodoeiro foi cultivado desde tempos 



ALG 



ALG 



SI 



immemoriaes na Prsia, na Arbia e 
no Egypto. 

Herdoto diz que os habitantes da 
ndia j de muitos sculos faziam uso 
dos tecidos de algodo. 

Arriano confirma a narrao do pae 
da historia e menciona o nome indico 
do algodoeiro, que Taka. 

No tempo de Strabo, isto , quatro 
sculos e meio depois de Herdoto, o 
algodoeiro j era cultivado na entrada 
do Golpho Prsico. 

Meio sculo mais tarde, Plinio nos 
diz que esta planta, denominada gossy- 
pion ou xylon, era conhecida no alto 
Egypto e na Arbia; Theophrasto 
citava entre as produces da ilha de 
Taylor, no Golpho Prsico, uma planta 
que pela sua descripo o prprio 
algodoeiro. 

Se os gregos e os romanos no se 
apropriaram de uma planta preciosa 
que encontraram nos paizes conquis- 
tados pelas suas armas, isso foi de- 
vido a que esses povos pouco indus- 
triosos e pouco versados nas sciencias 
naturaes, desdenharam enriquecer os 
seus respectivos paizes com uma pro- 
duco que lhes oferecia a via do 
commercio, ou por pensarem que o 
algodoeiro sendo uma planta extica, 
no era susceptvel de ser cultivado 
em climas menos quentes do que aque- 
les onde o acharam. 

Os rabes, pelo contrario, com menos 
gosto da litteratura e das bellas artes, 
excederam aos gregos na arte agricola, 
e pelo menos, igualaram aos romanos. 

Como quer que seja, os monumentos 
da historia, os factos e as provas ainda 
existentes attestam que esses povos , 
hoje to atrazados, melhoraram a cul- 
tura na Europa, e introduziram em toda 
a parte, aonde chegaram, muitas pro- 
duces exticas at ento desconhe- 
cidas. 

O commercio dos tecidos de algodo 
remonta igualmente a epocha mui an- 
tiga. 

Arriano no seu 'priplo do marxle Ery- 
thra, refere que os rabes traziam al- 
godo da ndia at Adulea no mar Ver- 



melho ; que Baygara (hoje Baroche) era 
o centro desse commercio. 

Masalia (Masulipatum) possuia ento, 
segundo esse autor, as mais afamadas 
fabricas e as casas de Bengala goza- 
vam ento da mesma reputao que hoje. 

Foi somente no principio da ra 
christ que o commercio dos tecidos de 
algodo se estendeu do Oriente para a 
Grcia e o Imprio Romano. 

No decimo terceiro sculo o Turkes- 
tan, fazia com a Crima e a Rssia um 
commercio activo em tecidos d'algodo, 
e na Armnia se fabricaram esses te- 
cidos , cuja matria prima vinha da 
Prsia. 

O algodoeiro foi introduzido na China 
pouco mais ou menos em 1368, epocha 
da invaso trtara, no obstante a viva 
opposio dos operrios da l e da seda. 

Deve-se invaso musulmana a cul- 
tura do algodoeiro na Africa, e a fa- 
bricao dos tecidos de algodo. 

Sabe-se que no decimo terceiro sculo 
existiam florescentes fabricas de tecidos 
de algodo em Fez e Marrocos , e que 
no fim do decimo sexto se importaram 
em Londres vrios artefactos de algo- 
do fabricados em Benin. 

Finalmente as fazendas de algodo 
que servem para vestir as naes da 
Africa central so fabricadas alli mesmo. 

No obstante as asseres contrarias, 
se dermos credito ao historiador Solis, 
os habitantes da America j usavam de 
fazendas de algodo antes da conquista, 
e elle cita os presentes enviados ao Rei 
de Hespanha, mantos, lenos, tape- 
tes, etc, de algodo. 

Parece que em alguns pontos do Brasil, 
essa industria j era conhecida muito 
anteriormente descoberta. 

A introduco do algodoeiro na Eu- 
ropa remonta ao nono sculo , e sua 
cultura foi devida invaso dos sarra- 
cenos na Hespanha. Os primeiros al- 
godoeiros que se viram na Europa, fo- 
ram cultivados nas planicies de Valn- 
cia. Crdova, Sevilha e Granada foram 
celebres pelas suas fabricas de algodo 
no decimo quarto sculo, e Barcelona 
j era conhecida no commercio como 



ALG 



ALG 



exportadora de fazendas de algodo 
desde o decimo terceiro. 

Os mouros no somente introduzi- 
ram a cultura d'cssa iitil planta, como 
ensinaram os meios de fabricar os 
seus diversos prod netos entre os quaes 
o do papel de algodo, cuja fabrica- 
o elles haviam aprendido em Samar- 
canda na stimo sculo. 

No decimo quarto j se fabricavam 
tecidos de algodo na Itlia, e pen- 
sa-se que foi na mesma epocha que 
os turcos importaram essa arte na 
Albimia e na Macednia. 

Veneza e Milo exerceram essa in- 
dustria e foram celebres pela fabrica- 
o de fazendas mui solidas com o 
algodo importado da Syria e da sia 
Menor. 

Um pouco mais tarde a industria 
da fabricao dos tecidos do algodo se 
introduzio na Blgica, que em breve se 
tornou o emprio d'essa industria e 
manteve durante quasi trs sculos a 
supremacia commercial. 

No comeo do decimo quarto sculo 
os venezianos e os genovezes levaram 
para Inglaterra alguns fardos de algo- 
do, cujo nico emprego no principio 
foi o de fazer tecidos. Em 1430 alguns 
teceles dos condados de Chester e de 
Lancaster comearam a fabricar fus- 
toes imitao dos de Flandres e de 
Bristol e comearam a importar algo- 
do do Levante. 

Henrique VIII e Eduardo VI favore- 
ceram essa industria, e no meado do 
decimo stimo sculo havia em todas 
as parochias teares de algodo afim de 
occuparem os agricultores durante o 
inverno. 

No reinado de George III, a indus- 
tria do algodo j occupava quarenta 
mil pessoas e produzia quinze milhes 
de crusados. 

A fabricao dos tecidos de algodo 
sempre altamente favorecida pelo go- 
verno, e sempre em progressivo aper- 
feioamento, e que apresentava em 1701 
uma exportao de fazendas apenas no 
valor de pouco mais ou menos milho 
e meio, trs annos depois elevada a mais 



de cinco milhes, subio em 1833 a qua- 
si 500 millies e occupava os braos 
de perto de dois milhes de indiv- 
duos. 

Em 1786 os Estados Unidos recebe- 
ram pela primeira vez e cultivaram 
na Gergia o algodoeiro de Bahama 
de longas sedas, a que deram o nome 
de algodoeiro de ilhas [Sea Island.) 

A nova planta prosperou de tal modo 
em diversos estados da Unio Americana 
que de 170,600 libras exportadas para 
Inglaterra em 1791, se elevou em 1839 
a 300 milhes de libras. Os tecidos de 
algodo fabricados nos Estados da Unio 
produziram em 1833 mais de doze mi- 
lhes de cruzados. 

Tem-se feito muitos ensaios na Eu- 
ropa para introduzir a cultura do al- 
godo, mas, si exceptuarmos a Hespanha 
e a Sicilia, esses ensaios no surtiram 
efeito, pelo menos em ponto grande. 

No aconteceu o mesmo com a fabrica- 
o dos tecidos de algodo, porque essa 
industria commum, e mais ou menos 
prospera em todas as naes do velho 
mundo. 

A Frana o segundo paiz da Europa 
na ordem da produco do algodo. 

Ena 1668 Marseille importou do Le- 
vante 400,000 libras de algodo em rama, 
e 1,400,000 libras de algodo fiado. Em 
1750 a importao foi sete vezes maior. 
Muitas cidades so manufactureiras de 
tecidos de algodo ; suas fabricas oc- 
cupam de 800 a 900,000 pessoas, subindo 
o seu valor a mais de 170,000 milhes 
de francos. 

A industria do algodo hoje se pra- 
tica em todas as naes europas, prin- 
cipalmente na Blgica, Suissa AUemanha 
e Inglaterra. 

Os botnicos consideram os diversos 
algodoeiros , cultivados ou silvestres , 
como simples variedades de pequeno 
numero de espcies ; nem todos esto 
porm de accordo quanto ao numero 
certo das espcies. 

Assim Linneo menciona 5 espcies. 
Lamarck 8; de Candolle 13; ao passo 
que Rohr admitte 29 , e o Dr. Royle s- 



ALG 



ALG 



SS3 



mente 4. Citaremos aqui, unicamente, 
as espcies mais importantes: 

1." o algodoeiro herbceo ou de Malta 
{Gossypium lierhacewm). 

2." o algodoeiro arbreo ou arborescente 
(Gossypium arboreum). 

3. o algodoeiro da ndia [Gossypium in- 
dicum). 

4." o algodoeiro felpudo (Gossypium Mr- 
sutum] . 

5. o algodoeiro religioso ou de trs pon- 
tas (Gossypiim religiosum) . 

6. o algodoeiro folha de videira (Gos- 
Sjfimn vitifoliuni) . 

Algodo manufacturado. Seria pa- 
ra desejar que se encontrassem em 
nossa provincia fabricas de tecidos de 
algodo, de todos os estabelecimentos 
fabris os de maior utilidade e vanta- 
gem para o eommercio e agricultura. 
J houve aqui uma que infelizmente suc- 
cumbio por ter fallecido o seu proprie- 
trio ; tentou-se ainda levar a efifeito 
outra fabrica de tecidos, mas aterraram 
por tal forma os poucos espiritos em- 
preliendores, que no teve lugar a asso- 
ciao nem de um seitil, de sorte que 
nenhuma fabrica temos de fiao ; cons- 
ta, porm, que nos sertes da provincia 
existem alguns pequenos teares que fa- 
bricam diminuta quantidade de tecidos, 
os quaes alli mesmo so consumidos, pois 
que s exportam d'essas localidades redes 
lisas e lavradas. 

Em Alagoas e Bahia fabricam o tecido 
do algodo, que exportam para as de 
mais provncias do Imprio. 

O caroo do algodo excessivamente 
oleoso, e a industria tem-se aproveitado 
d'elle para obter um leo muito prprio 
para luz, fabrico de sabes e uso de ma- 
chinas, e que tambm empregado na 
medicina. O processo de extraco d'este 
leo anlogo ao que se pratica com a 
mamona. 

Propriedades e usos do algodo. 
Nas imm.ensas produces do reino ve- 
getal, talvez no se encontre uma s que 
se possa comparar com o algodoeiro 
quanto utilidade. 



O homem tem apropriado s suas ne- 
cessidades um grande numero de arvo- 
res, de arbustos, de plantas alimenticias 
ou de ornamento ; existe porm um nu- 
mero mui limitado de vegetaes que lhe 
forneam matrias para cobrir a sua 
nudez. Entre estes, o algodoeiro sem 
contestao, o primeiro. 

O cnhamo, o linho e outras plantas 
txteis lhe fornecem na verdade grandes 
recursos para vestir-se e para o exerc- 
cio de muitas artes. Mas a casca gom- 
mosa d'estas plantas exige, para se trans- 
formar em fios teciveis, muitas e diversas 
preparaes longas e penosas. 

A cultura da seda reclama grandes 
cuidados, e muitas manipulaes, para 
se converter o seu producto em matria 
tecivel. Entretanto o algodo offerece 
ao homem uma matria j preparada 
pelas mos da natureza e prompta a 
transformar-se em tecidos finssimos ou 
grosseiros, vontade. 

quasi ocioso enumerar a variedade 
de tecidos que se fabricam com o algo- 
do, porque todos sabem o que so 
cassas , fils , morins , panninhos, chi- 
tas, madapoles, fustes, veludos, bel- 
butinas, pannos ordinrios ou gros- 
seiros , linhas , rendas, meias, bons, 
etc, etc. 

Misturando-o com cnhamo, linho, 
l e mesmo pellos dos animaes, fabri- 
ca-se uma grande variedade de teci- 
dos. Os fabricantes de vellas de sebo, 
cera, spermacete, stearina, etc, empre- 
gam-no em forma de pavio. 

Nas lmpadas domesticas o algodo 
empregado tecido de um modo particular 
e sem costuras; os alfaiates usam d'elle 
em forma de pastas, etc. Admira-se a 
finura e a belleza dos pannos e tecidos de 
algodo que o eommercio traz da ndia. 

Todos conhecem as soberbas chitas, 
com as quaes as da Europa no podem 
competir. A excellencia d'esses tecidos 
attesta a excellencia das preparaes, 
quaesquer que ellas sejam, que os fa- 
bricantes indianos do ao algodo, e que 
ainda no poderam ser imitados pelos 
fabricantes dos paizes os mais indus- 
triosos. 



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As fimosns cassas do Dccara so te- 
cidas com ios to delicados, que sete 
dobras ou sete pannos no so suffi- 
cientes para cobrir a nudez de uma mu- 
lher. 

De que prrossura devem ser os fios 
d'essa cassa, quando at na Europa, 
onde no se trabalha n'este gnero com 
tanta perfeio, consep:ue-se reduzir os 
fios grossura do cabello o mais fino, 
de maneira que 500 grammas de algodo 
podem dar 162,500 varas de compri- 
mento, quasi 21 lguas?! 

Do algodo amarello, que se cultiva 
principalmente na China e em Siam, 
que se fabrica a verdadeira ganga da 
ndia. 

Da synopse que acima fizemos se con- 
clue, quanto os mercados Europeus, que 
os Estados Unidos produzem os mais 
estimados algodes de longa e curta 
seda; segue-se o Egypto, aGuyanaeo 
Brasil, comeando por Pernambuco e Pa- 
rahyba. 

Os algodes de longa seda servem para 
confeccionar os tecidos mais finos ; os 
de seda curta para os tecidos de finura 
mediana ou grosseiros. 

O Brasil fornece algodo de longa 
seda mui estimado, que se emprega de 
ordinrio nos tecidos de valor medocre 
que exigem solidez e boas cores. 

Os algodes de longa seda da ndia 
so prprios para a fabricao dos te- 
cidos mais finos; e servem-se dos de 
curta seda estes paizes para fabricar 
tecidos grosseiros e obras de sirgueiros. 

Os algodes de longa seda do Le- 
vante tem iguaes empregos, assim como 
os de curta seda. 

O algodo exportado no anno finan- 
ceiro de 1869 a 1870 foi de 639 fardos 
e 101,734 saccas com 7,901:298 kilo- 
grammos, pagando 362;834P18 de im- 
postos. 

A importao dos tecidos e outras 
manufacturas de algodes pagou de di- 
reitos na alfandega d'esta provncia no 
mesmo anno financeiro a importncia 
de 10,154:927$731 pela forma seguinte : 

Gr-Bretanha, 9,461 :783jS!731. 

Franca, 631:765?520. 



Blgica, 575^(994. 
Cidades Hansoaticas, 20:7995434. 
Portugal, 4080g884. 
Estados-Unidos, 27:115)?167. 
Portos do Imprio, 8:807j?00l. 
Total 10,154: 927 j?731. 

Propriedades medicas. O algodo 
emprega-se no curativo das queima- 
duras, feridas e erysipelas. 

A decoco das folhas e das flores 
procurada para dores de dentes, e nas 
inflammaes por ellascausadas,na razo 
de 16 grammas para 500 grammas 
d'agua. 

As sementes contuzas so com van- 
tagem applicadas sobre os tumores, e 
nos abscessos como maturativo, na dose 
de 8 grammas. 

A infuso das sementes em 500 
grammas d'agua, tomada trs vezes ao 
dia, muito usada na dysmenorrha. 

A raiz diurtica; 16 grammas para 
500 grammas d'agua, trs vezes ao dia. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia encerra ao mesmo tempo plantas 
herbceas, arbustos e mesmo arvores 
de folhas simples, alternas; munidas 
de duas estipulas na base. 

As flores so solitrias ou diversa- 
mente unidas, formando espcies de 
espigas. 

O clice muitas vezes acompa- 
nhado exteriormente de um caliculo 
formado de folhinhas variveis em nu- 
mero, e diversamente unidas. O clice 
gamosepalo com trs ou cinco den- 
tes approximados em forma de valvas 
antes de desabrochar. 

A corolla se compe geralmente de 
cinco ptalas alternas com os dentes 
do clice, contorneadas em forma de 
espiral antes de sua produco, mui- 
tas vezes soldadas na base por meio 
dos filetes estaminaes, de maneira, que 
a corolla cahe como uma s pea e 
simula uma corolla gamopetala. 

Os estames so geralmente mui nu- 
merosos, raramente no mesmo numero 
ou em numero duplo das ptalas. 

Seus filetes so monadelphos, as an- 



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theras reniformes e constantemente 
nniloculares. 

O pistillo se compe de varias car- 
pellas, ora verticilladas roda d'um 
eixo central e mais ou menos soldadas, 
ora reunidas numa espcie de capi- 
tulo ; essas carpellas so uniloculares, 
contendo um, dois ou maior numero 
das sementes presas ao seu angulo 
interno. 

Os estyletes so distinctos ou mais 
ou menos unidos, terminados cada um 
por um estigma simples. 

O fructo apresenta as mesmas mo- 
dificaes que os rgos elementares, 
quero dizer, que estes esto ora reuni- 
dos circularmente roda de um eixo 
material, ora agrupados em capitulo, 
ora formando por sua solda uma 
capsula plurilocular, que se abre em 
tantas valvas quantas lojas mono ou 
polyspermicas encerra; outras vezes as 
carpellas se abrem somente pelo seu 
lado interno. 

Os gros cujo tegumento prprio 
algumas vezes coberto de pellos fel- 
pudos, compem-se de um embryo 
recto geralmente sem endosperma, ten- 
do os cotyledones membranosos do- 
brados sobre si mesmos. 

AIrolo fios Baixos Suas se- 
mentes tm um lado plano, e outro 
convexo, e so pretas; ^ l de ba 
qualidade, fina e de fio comprido. 

Als:o1o s!Pvo. HiUscis iifur- 
catus, Will. e Cavan. Fam. as 3Ialva- 
ceas. Planta brasileira, do Par, com 
o aspecto de quiabeiro, de folhas al- 
ternas recortadas; tem espinhos e 
flores um tanto grandes, o fructo 
uma capsula polyspermica. 

Algodo do Brasil. Difere do 
algodo felpudo por formarem as se- 
mentes uma pyramide mais curta e 
mais larga. 

Esta espcie cultivada no Brasil, no 
ha nem na Guiana, e nem nas Anti- 
lhas. 



Aljcoilo de Car<lia^eiia. 

Distinguem-se duas espcies, de pequenos 
frocos, e de grandes ou grossos frocos. 

Alg;odo de corao. A semen- 
te pequena, coberta de pello curto ; a 
l muito fina e muito alva. 

Algodo feli^vk.o.Gossyjdum hir- 
sutum, Linn. e Cavan.Fam. das Mal- 
m-m. Este algodo procede de uma 
planta herbcea de % a 1 metro , oriunda 
da America Meridional. 

Esta espcie se distingue das outras 
por seu caule herbceo annuo ou bisan- 
nuo ; ramoso, semelhante ao do outro; 
as flores amarellas e o fructo d um 
capulho que sahe fora da capsula pen- 
dendo com um comprimento de 24 cen- 
tmetros. 

Algodo de folha vermelha. 

As sementes so bem cobertas de l, 
tem as folhas, os peciolos e as nervuras 
das folhas de um vivo vermelho ; a l 
muitssimo fina. 

Algodo indiano. Sementes 
pretas lisas e venosas. 

E muito fina a l d'esta espcie, mais 
ainda que a da Guyana ; tambm muito 
alva. 

Algodo da UIartiniea. co- 
roado de verde. D o pello, que se acha 
sobre a ponta do gro, fresco e verde; o 
fio fino, alvo e estimado. 

Algodo do mato. Cochlosper- 
mum strigoswn. Fani. das Terns tremia- 
ceas. um arbusto agreste e indgena, 
conhecido por este nome em Pernam- 
buco. 

E de 2 a 4 % metros de alto, e no porte 
assemelha-se ao algodoeiro manso. 

Seu caule pouco ramoso e mui ver- 
tical ; nodoso e castanho. 

As folhas longamente pecioladas so 
palmadas, recortadas em cinco pontas, 
de verde paleaeco e duras. 

As flores em pequenos feixes, so gran- 
des, de um bonito amarello cr degemma 

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6 



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d'ovo com forma circular, com um feixe 
de tletes amarellos no meio, sem cheiro. 
O fructo uma capsula ovide, pa- 
leacea, dividida por dentro, c contendo 
uma iioro de sementes envoltas em 
uma l loura, macia, imitando a seda. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas, sem estipu- 
las, muitas vezes coriaceas e persistentes; 
de flores algumas vezes grandissimas, 
axillares ou terminaes, tendo um clice 
formado de cinco sepalas concavas 
desiguaes e imbricadas ; uma corolla 
composta de cinco ptalas s vezes 
soldadas em sua base, e formando uma 
corolla gamopetala ; estames numero- 
sos muitas vezes reunidos pela base 
de seus filetes e ligados com a co- 
rolla . 

O ovrio livre, sessil, muito ge- 
ralmente applicado em um disco hy- 
pogynico ; elle dividido em duas 
a cinco lojas, contendo cada uma dois 
ou maior numero de vulos pendentes 
no angulo interno de cada septo. 

O numero dos estyletes o mesmo 
que o das lojas ; termina cada um por 
um estigma simples. 

O fructo offerece de duas a cinco 
lojas; elle ora coriceo , indehis- 
cente, um tanto carnoso interiormente, 
outras vezes capsular, abrindo-se por 
meio de outras tantas valvas. 

As sementes, muitas vezes em nu- 
mero de duas somente em cada loja, 
tem seu embryo n ou coberto de 
um endosperma carnoso frequentes 
vezes muito delgado. 

Algodo iMussuliua. Ha qua- 
tro variedades. 

Alliotio niussiilina de Re- 
mire. A l grossa e de branco 
sujo ou trigueiro. 

Algodo ntui^siilioia de semen- 
tes grossas ou grandes ; o fio duro 
e branco. 

Algodo niiissuliiia verane- 
llio. O fio fino e encarnado. 



Al|odo iiiiissailina da Trin- 
daide. O fio c extramente fino, e 



de grande alvura. 



Algodo de Porto Kieo. A 

semente 6 disposta em pyramide , 
alongada e estreita, como a da Guya- 
na, tendo demais ser toda coberta de 
pello . 

Algodo deS. DoBitiiigoii, Co- 
roado. A semente oblonga, pouco 
densa de pello, l muito fina e muito 
alva. 

Algodo de S. Tlioinax. Tem a 

semente semelhante aos precedentes; 
muito estimado, porque sua l muito 
fina, alva e mui compridos os fios. 

D uma s colheita no anno e cerca de 
90 a lO grammas de l. 

Algodo de iSaio lranco. Se- 
mente lisa, preta, quasi globosa. Rene 
de mais as seguintes qualidades : alvu- 
ra brilhante, finura, comprimento de fio 
e elasticidade. extremamente procu- 
rado. 

D duas colheitas por anuo, e cerca de 
180 grammas de l em cada colheita. 

Algodo de !iani e^eiaro e co- 
roado. de cr de nankim pallida, 
seu fio fino e elstico ; a cultura no 
extensa, porque fornece apenas por anno 
90 grammas de l por colheita. 

Ha outro d'esta mesma espcie, cuja 
l amarellada, fina, forte e elstica. 

Algodo de Siai li^o, tri- 
gueiro. A l muito fina, de cr de 
nankin. D por colheita, de l limpa, 
cerca de 90 grammas. 

Algodo Sorcl vertle. O gro 
duro, preto e spero, a l tem partes 
verdes, e alguns fios claros semeados se 
prolongam do casulo. boa variedade. 

D por colheita, de l limpa, cerca de 
120 grammas. 

Algodo Sorcl ^ersnellio. 



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S7 



Confundem-no nas Antilhas como outro; 
mas elle distingue-se do precedente pela 
cr do caule e por serem as folhas verme- 
lhas. 

D duas colheitas j)or anno ; a hl 
fina e alva, produz em terreno secco e 
saibronoso cerca de 210 a 240 grammas. 

Allao. Allium sathwn, Linn. Fam. 
das Liliaceas. Herva cultivada natural 
do meio dia da Europa; cresce natural- 
mente na Itlia e na Siclia ; conhecida 
por todo o Brasil, e talvez por todo o 
Orbe; de pequeno porte, suas folhas 
estreitas e planas arrumam-se em molho 
na face da terra, deita um caule, na 
summidade da qual brotam as flrinhas 
"brancas quasi sem cheiro, reunidas em 
umbrella; tem no centro o rudimento de 
casulosinhos em que se contm as se- 
mentinhas pretas ; a raiz d'essa planta 
um bulbo, isto , um corpo ovide 
composto de partes, (gomos) cuja reu- 
nio compe a esphera dita; cada parte 
dividida naturalmente por uma tnica 
peliculosa e roixa, e a massa do centro 
compacta, aquosa, de imi cheiro acti- 
vssimo ; revestem-lhe geralmente o ex- 
terior uma ou duas membranas delgadas, 
finas e brancas. 

O alho na economia domestica tem 
emprego commum como adubo. 

Propriedades medicas. Appl iado 
externamente produz uma nflammao 
na pelle seguida de ampolas e ulce- 
raes ; mstura-se s vezes com cata- 
plasmas maturitvas e com sinapismos 
para tornal-os mais fortes. 

Internamente empregado como ver- 
mfugo, recommendado na febre n- 
termittente, aras e pedras na bexiga, 
escorbuto, cholera e hydropsas. 

D-se internamente em dose de duas 
a oito grammas em ch, caldos ou 
comido cru com po, etc. Externa- 
mente administra-se em clysteres co- 
sido com leite ou s com agua, contra 
as ascardes. 

Caracteres da famlia. Plantas de 
raiz bulbfera ou fibrosa. 



As folhas algumas vezes todas ra- 
diosas, so lisas, ou cylindricas e con- 
cavas, ou espessas e carnosas. O caule 
em geral n; raras vezes tem fo- 
lhas. 

As flores so ora solitrias e term- 
naes, ora em forma de espigas sim- 
ples ou cachos ramosos ou sertulas; 
so as vezes acompanhadas de uma 
espatha que as envolve ' antes do seu 
desabotoamento. 

O clice colorido e petalide, cons- 
titudo por seis spalas distinctas ou 
unidas pela sua base, e formando s 
vezes um clice tubuloso. 

Estas seis sepalas so dispostas em 
duas ordens, sendo trs interiores e 
trs exteriores. 

Os estames em numero de seis, in- 
seridos na base das spalas quando 
estas so distinctas, ou no alto do 
tubo quando ellas so soldadas. 

O ovrio de trs lojas, e offerece 
trs lados salientes; cada uma d'ellas 
contm um numero varivel de vulos 
apegados ao angulo interno e dis- 
postos em duas sries. 

O estylete simples ou nuUo, ter- 
minado em um estigma trilobado. 

O fructo uma capsula de trs lojas 
que se abre em trs valvas septi- 
feras no meio de sua face interna. 

As sementes so cobertas de um te- 
gumento ora preto e crustceo, ora 
simplesmente membranoso. 

O endosperma carnoso, e encerra 
um embryo cylindrico, cuja radicula 
est voltada para o hilo ; raramente 
este embryo curvo sobre si mesmo. 

Aaito grosso die Hcsiiassla. 

Allium Scorooprasiim , Linn. Fam. 
2^(?w. Planta de Hespanha, cultivada 
no paiz ; parece-se com o alho maior ; 
as folhas planas, o bulbo maior tam- 
bm. 

Allio do mato tio eainio. 

Maric paludosa., Wild. Cijmra palu- 
dosa, Aubl. Familia das Iridaceas. 
Tambm chamam Coqueirinho ou alho de 
Camjnna em Pernambuco e Alagoas. 



28 



ALM 



ALM 



agreste ; nasce com mais frequncia 
nos higares charcosos e liumidos. 

Herva de 2 % dccimetros de altura 
pouco mais ou menos ; sahe da terra 
em molho de trs ou quatro folhas as- 
cendentes, sulcadas longitudinalmente 
e estreitas ; do meio d'essas folhas 
sahem uns pequenos caules ou pe- 
dnculos, dos quaes brota uma flor 
azul, em frn>a de globos, com trs 
azas, tendo no fundo um casulo follia- 
ceo contendo gros pardos ou pretos ; 
no tem aroma ; a raiz como uma 
cebolinha, de casca parda, e o miolo 
compacto, aromtico, amarello. 

Propriedades medicas. Esta planta 
empregada contra as escrophulas in- 
terna e externamente e tambm contra 
as gonorrhas. 

Alleluia. 3IiMnia drstica. Fam. 
das Compostas. Herva agreste conhe- 
cida em Pernambuco por este nome e 
nas Alagoas por Camar. 

herbcea, cresce de '/ a 1 me- 
tro mais ou menos ; suas folhas oppos- 
tas, ovaes, crespas, bonitas e aromti- 
cas ; as flores em cachos nas pontas 
dos ramos so como pequenas belotas 
de roixo lyrio ; so muitas florinhas 
reunidas em um receptculo commum. 

O fructo uma pequena baga co- 
berta de pellos palheosos. 

Ptopriedades medicas. purgativa 
e emmenagoga : sua aco sobre o tero 
muito violenta, na dose de 16 gram- 
mas para 500 grammas d'agua. 

Alntecej^o. a resina da Id- 
ear ih a. 

Alniece|E:ueiro. Hedwigea balsa- 
mifera , Swartz Bursera gumifera , 
Linn,. Fam, das Terehinthaceas . Esta 
arvore cresce at a altura de 10 a 14 
metros ; vegeta no interior das provn- 
cias de Minas Geraes, Bahia, Pernam- 
buco, Par e Amazonas. 

Pelas incises que se praticam na 
sua casca deixa emanar uma substan- 



cia resinosa, liquida, transparente, 
acre, amarellada, a qual quando se 
expe ao ar, se solidifica sob a forma 
de stalactitcs de uma cr branco-ama- 
rellada, a que do o nome de Incenso 
brasileiro. 

Esta preciosa resina, diz o professor 
Martins, muitas vezes empregada nas 
igrejas, em lugar de incenso. 

Tambm costumam servir-se d'ella na 
preparao de emplastros, como acon- 
tece na Europa com o elemi. 

Damos a esta resina o nome de In- 
censo brasileiro, por ter ella as mesmas 
applicaes, que o verdadeiro incenso ou 
olibano^ o qual pode ser por ella subs- 
titudo em relao ao Brasil. 

Propriedades medicas . Emprega-se 
interiormente, em emulso ou pilulas, 
no tractamento das molstias dos r- 
gos da respirao, em que o uso dos 
medicamentos balsmicos pode apro- 
veitar. 

Caracteres da famlia . Arvores 
ou arbustos muitas vezes lactescentes 
ou resinosos, tendo folhas alternas ge- 
ralmente compostas , sem estipulas ; 
flores hermaphroditas ou unisexuaes, 
pequenas , e em geral dispostas em 
cachos ; cada uma d'ella3 apresenta um 
clice de trs a cinco sepalas, algu- 
mas vezes soldadas pela base, e com o 
ovrio, que infero. 

A corolla, que falta s vezes, com- 
pe-se de um numero de ptalas igual, 
aos lobos do clice, regular. 

Os estames so commummente de 
numero igual, rarissimas vezes duplo 
ou qudruplo do das ptalas ; no pri- 
meiro caso, elles alternam com as p- 
talas. 

O pistillo se compe de trs a cinco 
carpellas, ora distinctas, ora mais ou 
menos unidas entre si, cercadas em sua 
base de um disco perigynico e annular; 
algumas vezes varias carpellas abortam, 
e d'ellas s resta uma, da qual nascem 
diversos estyletes- cada carpella de 
uma s loja contendo ora um ovulo 
situado no pice d'um podosperma fi- 



ALM 



AMA 







S9 



liforme, que nasce no fundo da loja, 
ora um ovulo deitado, ora dois vulos 
deitados ou collateraes. 

Os fructos so seccos ou drupaeeos, 
contendo ordinariamente uma s se- 
mente : esta encerra um embryo des- 
provido de endosperma. 

AlBBteee^ueiro da beira cl 

rio. uma planta que tem virtudes 
anti-rheumaticas, e 6 applicada contra 
as ulceras. 

AlBiieee||:iieiro liravo. Amyris 
silvaticus. Fam. das Terehmthaceas. 
Arvore resinosa ; folhas alternas, pin- 
nadas, impares ; difere essa espcie da 
subsequente, em serem menores as fo- 
lhas, e o fructo no ser vermelho. 

AltiBec?j,-eiro Bititaiso tias Ala- 
g:oas. Elaphrium Alagoense. Fam. 
idem. Arvore selvtica do Brasil e co- 
nhecida nas Alagoas pelo nome acima. 

ramosa, folhas distribudas em pal- 
mas oppostas e lustrosas, de verde fixo, 
flores midas de cr verde esbranquia- 
da; a flor estrellada, o fructo pequeno, 
rolio subtriangular, com dois caroos 
dentro, envoltos em uma massa que se 
come. 

Esta arvore verte de todas as suas 
partes um sueco resinoso, de cheiro 
activo ; o sueco do lenho coagula-se e 
torna-se resina aromtica. 

Propriedades medicas. empregada 
no curativo das ulceras, e applicada em 
pachos s fontes contra a cephalalgia. 

ASsBcecieiro iB&angio tie Per- 
iiaitBl)]BCo . Amyris ariibrosijaca , 
WilL Amyris pernamhiicensis , Arr. C. 
Fmn. Idem. uma arvore muito se- 
melhante precedente; suas folhas em 
palmas ovaes e pequenas , tem pouco 
brilho ; as flores em cachos e esverdi- 
nhadas ; o fructo uma capsula oval, 
vermelha, com uma s semente. 

Nas Alagoas chamada Almecegiieiro 
vermeUio. 



AltlBea do Brasil. V. Malvaisco 
das Malvaceas. 

Alvaeaiia. Planta herbcea de 
caule roxeado, de pouca altura, at % 
metro, formando um circulo ; as folhas 
cordiformes, quasi de 24 centmetros, 
repicadas, sem lustre, e de peciolos ma- 
culados, alternas; as flores so em feixes 
quasi sesseis ; semelham bogaris, na 
forma e no cheiro, -porm so menores 
e de aroma desagradvel. 

A corolla de lobos redondos e im- 
bricados , tem um pequeno tubo, branca 
com matizes de cr de carne, e zonas 
rosadas ; nunca vimos os fructos. 

AB!iBuaisa-1>esta. Eucalyptus fer- 
mginosa. Fam. das Myrtaceas. Arbusto 
agreste por este nome conhecido nas 
Alagoas. 

um vegetal ramoso desde a base, 
de folhagem densa, e altura mediana; 
suas folhas so quasi redondas, espes- 
sas, oppostas e cobertas de uma lanugem 
vermelha no extremo dos ramos, as flo- 
res brancas, pequenas como rosinhas, e 
em cachos, com algum cheiro ; seus 
fructos abortam quasi todos. 

Este arbusto primeira vista parece 
coberto de ferrugem. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos com folhas pontuadas ou glan- 
dulosas; flores amarellas ou brancas. 

Clice tubuloso com quatro ou cinco 
lbulos ; ptalas em numero igual s di- 
vises do clice, raras vezes nullas. 

Estames em numero duplo, ou ml- 
tiplo do das ptalas, inseridos na parte 
superior do tubo. 

Filetes livres, ou monadelphos, recur- 
vados para o centro : carpellas cinco, 
raras vezes seis ou quatro, ou menos 
ainda, soldadas entre si e com o clice : 
estyletes e estigmas soldados : fructo va- 
rivel. 

Abbbuis.b. Fam. das Afocynaceas . 
Planta do paiz c que das incises do 
caule e ramos exsuda um sueco leitoso 
e branco; a casca levemente amarga, 



30 



AMA 



AME 



as folhas cansam prurido no corpo, quan- 
do se lhos toca. 

Aniai*(^IIo. Omphalobium liUuosuni. 
Fam. das Legiiuinosas. Arvore das 
mais importantes do Imprio, c natural 
das provncias do Norte, especialmente 
do Par at Alag-as. 

um vegetal bonito, colossal, folha- 
gem mida disposta em palmas ; flores 
aromticas, em graijdes cachos verticil- 
lados, so como pequenos jasmins de um 
branco amarellado; d um fructo que 
uma vagem pequena, rolia, parda, com 
dois ou trs gros vermelhos de cr viva. 

Esta arvore uma das mais ricas pro- 
duces do solo brasileiro. 

Como madeira de construco naval , 
pelo governo do Brasil prohibido o 
seu corte sem prvia licena da authori- 
dade competente ; e tambm madeira 
de construco urbana, e ptima para 
marceneria. 

de muita durao, no sofre com a 
aco do ar ; perde a cr amarella com 
o tempo, mas aplainada revive; a ma- 
deira da raiz ainda mais bella que 
a do tronco, porque oferece o traado 
dos mais bonitos veios, e substituo 
completamente o mogno. 

Aii&arelEo flr fie lgo(9il. 

Fam. idem. outra espcie de ama- 
rello, cuja madeira de uma cr clara, 
mas que facilmente desbota, conhe- 
cido dos marceneiros por este nome- 

AiBtarello o vBBlaatico. F. 

Viatico. 

AntarySIis. Amaryllis formosissi- 
ma, Liun. Fam. das AmarylUdaceas . 
Esta planta natural da America Aus- 
tral, mas cultiva-se no Brasil. 

Herva de bulbo na raiz, folhas ras- 
teiras planas; a flor labiada, de cr 
vermelha purpurina aveludada. 

Chamam na Europa Lis ou Croix de 
Saint Jacqtes^ Lyrio ou Cruz de S. Ja- 
come. 

Ha o Lyrio de Guernesey Amaryllis 
sarmiemis., Linn. e o Lyrio da China 



amarollo Amar. aiirca., ctc. O fructo 
uma capsula. 

Aiitliaiiva iiiRii$<a. Potiroiima ce- 
cropice folia., Marl. Fam. das Urti- 
caceas. E uma arvore que vegeta no 
Amazonas. O seu fructo acido, doce 
e mucilaginoso, de sabor aprecivel. 

Ha d'olla duas espcies: Poiiroima acii- 
mhiala., Mart. e Poiirouma licolor. 

Aanliaiiva de vinlto. T'. Am- 

batcva mansa. 

Aeii. uma parasita do Par 
e supponho que o mesmo Tmb de 
Pernambuco. 

Diz-se que essa planta d as cordas 
com que se amarram os feixes de sal- 
saparrilha ; suas folhas e o cip pro- 
duzem um prurido extraordinrio nos 
lbios, quando se pe em contacto com 
elles. 

Aeaaltira. V. Pindaliiha ou Emhira. 

Abss!s9i. F. Imhiseiro ott Imb. 

AsaStaia-esaaljo. Aristolochia la- 
biosa, Mart. Fam. das AristolocMaceas. 
Planta do aspecto do milhomens. Trs 
espcies d'ella encontrou Martins : Aris- 
tolocJiea rur/teci folia, Aris. theriaca e 
Arist. antiliysterica. 

Assieixa prea. Prunus paranaen- 
sis. Farii. das ftosaceas. uma plan- 
ta semelhante Ameixeira da Europa. 
Prunus domestica. O fructo preto, 
acido e refrigerante. 

Anaeixeira ti era*. Ximenia 
america?ia, Linn. Fam. das Olacineas. 
Esta planta indgena, mas cresce 
tambm nas Antilhas ; nas provncias 
do Sul conhecida por este mesmo 
nome. O fructo de um aroma muito 
agradvel. 

Arbusto espinhoso de folhas pequenas, 
quas redondas, com espinhos na base ; 
as flores em forma de roseta, pelludas 
e amarelladas ; seu fructo, quando ma-- 



AME 



AME 



31 



duro de 3 a 6 centmetros de com- 
primento, mais ou menos redondo e 
cylindrico ; o exterior pelliculoso, ama- 
rello, lustroso, e dentro a massa 
molle e tem um s caroo. 

A de Minas Geraes difere um pouco 
nas folhas e na florao. Come-se a 
amndoa do caroo. 

Caracteres da famlia. Esta pe- 
quena familia, formada a custa das 
Auranciaceas. 

Compe-se de vegetaes lenhosos de 
folhas simples, alternas, pecioladas, 
6 sem estipulas ; flores pequeninas, 
axillares ou terminaes. 

Estas oferecem um clice pequeno, 
famospalo, persistente, inteiro ou 
denteado, tendo muitas vezes muito 
crescimento e tornando-se carnoso. 

A corolla formada de trs a cinco 
ptalas coriaceas, sesseis, valvulares, 
soltas ou soldadas pela base. 

Estas ptalas so reunidas muitas ve- 
zes duas a duas, s separadas no pice. 

Os estames geralmente em numero 
de dez, alguns dos quaes abortam s 
vezes e tem a forma de filamentos 
estreis. 

Estes estames so immcdiatamente hy- 
pogynicos ou sustentados pelas ptalas. 

O ovrio livre, imilocular, con- 
tendo em geral trez vulos pendentes 
do pice de um trophospherma cen- 
tral e levantado. 

O estylete simples, terminado em 
um estigma pequeno e tribolado. 

O fructo drupceo, indehiscente, 
frequentes vezes coberto pelo clice car- 
noso, e contendo uma s semente. 



ternas lanceoladas com flores solitrias 
ou oppostas, seu fructo uma noz 
oval carnosa por fora ; dentro ha outra 
nz porosa, deprimida, com uma amn- 
doa de cr loura, de casca pellicu- 
losa ; branca, oleosa, saborosa, e as 
suas amndoas vo s nossas mesas 
como boa fructa. 

Elias tem um gosto agradvel, doce, 
mas no tem cheiro. 

O leo contido n'ellas extrahe-se por 
meio de expresso. 

Propriedades medicas. So nutrien- 
tes, emollientes e calmantes, empre- 
gadas nas afeces do tubo digestivo, 
vias urinarias e rgos respiratrios, nas 
inflammaes , espasmos, hemoirtyses , 
gonorrhas , pedras , e catarrhos da 
bexiga, etc. 

Ordinariamente como amendoada ou 
emulso, serve de vehiculo a outros 
remdios. 

ABBBeaadoa. (da Iiadia). Termi- 
nalia [catappa?) Linn. Fam. das Com- 
hretaceas. A amendoeira uma ar- 
vore oriunda das ndias Orientaes, 
elevada e elegante ; tronco vertical, 
ramos ou galhos dispostos em vrios 
verticillos em umbrella de distancia 
em distancia; as folhas ovaes, s ve- 
zes obvaes, reflexas, coriaceas, e um 
tanto grandes ; as flores em espigas 
longas, so midas, maneira de es- 
trelinhas; o fructo uma noz, no in- 
terior de 3 a 6 centmetros, em forma 
de corao por fora tem um tegu- 
mento carnoso, roixo, e um pouco 
molle ; dentro quasi lenhosa, divi- 



Esta se compe de um grosso en- dindo-se em quatro ou cinco loculos 



dosperma, carnoso, no qual est con 
tido um embryosinho bazilar e homo- 
tropo . 

Ameiiloia (<laEtii*0|ia). Amy- 
(jdalus commmiis^ Linn. Fam. das Ro- 
sceas. A fructa que o Brasil importa 
com o nome de Amndoa da Europa, 
originada de Argel, Mauritnia, c do 
meio-dia da Europa. 

A planta uma arvore de folhas al- 



ou lojas, aonde encerra as sementes. 
No boa ao paladar. 

Pernambuco talvez fosse a primeira 
provncia que a adquirio. Na capital 
serve de ornamento nas praas e ruas 
da cidade. 

Caracteres da famlia. So arvo- 
res , arbustos ou fructices , de folhas 
oppostas ou alternas, inteiras e sem 
estipulas, e com flores hermaphroditas 



3S 



AMO 



AMO 



ou polypramns, diversamente dispostas 
em espifas axillares ou terminaes. 

O clice adlierente pela base com 
O ovrio, que infero. Seu limbo, 
muitas vezes tubuloso, de quatro ou 
cinco divises, e articulado com o pice 
do ovrio. 

A corolla falta em vrios gneros, 
ou se compe de quatro a cinco pta- 
las inseridas entre os dentes do clice. 

O numero dos estames em geral 
duplo das divises calicinaes : entre- 
tanto este numero no rigorosa- 
mente determinado. 

O ovrio de uma s loja contendo 
de dois a quatro vulos pendentes de 
seu pice. 

O estylete mais ou menos compri- 
do, terminado em estigma simples. 

O fructo constantemente unilocu- 
lar, monospermico (por aborto) e inde- 
hiscente. 

A semente, que pendente, se com- 
pe de um episperma que cobre imme- 
diatamente o embrjo, e de ordin- 
rio uma samara. 

AiBteiBdoim. F. Mendohi ou Man- 
oU. 

AiiiiBfiiiiu. F. Algodoeiro. 

AinoiB^el)i. Panicim sincatum^ 
Linn. Fariudas Graminapeas. Esta plan- 
ta das chamadas Capins e congnere 
do Capim de planta. Panicum maximum. 

Propriedades medicas. emoliente 
til contra dores e tenesmos. empre- 
gada em banhos, e em decocto inter- 
namente. 



Amor crescido. Portulacca pi- 
losa, Linn. Fam. das Portulacacceas . 
uma plantasinha do Par, de caule 
molle e torta; as folhas alternas e 
finas ; flores purpurinas e pequenas. 

O fructo uma capsula pequena. 

Propriedades medicas. O sueco 
empregado nas inflammaes erysipe- 
latosas. Contem muita mucilagem. 



Anuor tio Iioaiacns. Hihiscus 
mutahilis, Linn. Fam. das Malvaceas. 
E originaria da ndia esta planta, 
cultivada no Brasil como ornamento. 

um arbustosinho, cujo caule sobe 
at 2 ou 3 centimetros ; esgalha pouco, 
nodoso, e o tronco esbranquiado ; 
folhas alternas, sub-cordiformes, an- 
gulosas e de um verde desmaiado ; 
flores grandes, sem cheiro, de corolla 
roscea simples, com os estames for- 
mando uma columna no centro. 

Depois de meio dia esta flor de cr 
de rosa passa a ficar vermelha, sendo 
de manh branca; ao meio dia torna 
a cr de rosa, e a tarde vermelha ; 
d'esta volubilidade que lhe deram o 
nome que tem ; mas no sabe-se de 
que sexo foi quem a baptisou. 

Amor perfeito. Viola incolor, 
Linn. Fam. das Violariaceas. uma 
planta das mais elegantes da Europa, 
em cujo solo nasce espontaneamente; 
tambm cultivada nos jardins , apezar 
de ser prpria d'aquella regio ; alguma 
espcie entre ellas occupa um distincto 
lugar nos nossos jardins pela belleza 
da flor. 

So flores um tanto grandes de cr 
violeta , (purpurina) roixa e no centro 
amarella e bordada de branco ; tem por 
fructo uma capsula pequena. 

A principio as folhas so redondas 
e depois crescendo ficam compridas , 
com as bordas repicadas. 

Esta planta conhecida por violeta 
de trs cores ou Herva da Trindade. 

Propriedades medicas. usado 
como depurativo; a raiz emtica na dose 
de duas grammas para 180 grammas de 
agua. E' peitoral. 



Caracteres da famlia. Hervas ou 
fructices de folhas alternas, mui raras 
vezes oppostas , munidas de duas es- 
tipulas persistentes. 

As flores so axillares, pedunculadas. 

O clice compe-se de cinco spalas 
livres, ou ligeiramente unidas entre si 
na base, que se prolonga algumas vezes 



AMO 



AMO 



33 



abaixo do ponto de unio, e que so 
iguaes ou desiguaes. 

A corolla se compe de cinco ptalas 
desiguaes, das quaes a inferior se pro- 
longa na base em um esporo mais ou 
menos alongado; mui raramente a co- 
rolla formada de cinco ptalas regu- 
lares. 

Os estames, em numero de cinco, so 
quasi sesseis, approximados ou cont- 
guos lateralmente entre si, de dois 
loculos, introrsos ; os dois que so col- 
locados em direco da ptala inferior 
oflferecem bem frequentes vezes um ap- 
pendice curvo que nasce de sua parte 
dorsal, e se prolonga pelo esporo. 

O ovrio globuloso, unilocular, con- 
tendo grande numero de vulos ligados 
a trs trophospermas parietaes. 

O estylete simples, um tanto ge- 
niculado na base, entumecido para a 
parte superior, que se termina em um 
estigma um pouco lateral, e offerecen- 
do uma pequena depresso semi-eir- 
cular. 

O fructo uma capsula unilocular, 
abrindo-se em trs valvas, das quaes 
cada uma tem um tiopliosperma no 
meio da face interna. 

As sementes contm um embryo erecto 
em um endosperma carnoso. 

A.Bura. Morus rubra^ Lmn. 
Fam. das XJrticaceas. Fructo ao-reste 
indgena do paiz , proveniente da amo- 
reira ; arvore media, copada, folhas 
oblongas, escuras nas extremidades dos 
ramos, reunidas e cotonosas ; flores de 
aspecto irregular, em cachos ou em es- 
pigas, que se compem de muitas flori- 
nhas, com visos de sementes, e dahi 
desenvolve-se o fructo ; sendo cada um 
composto de uma pellicula roixa (exter- 
namente) e flna; dentro uma massa 
aquosa, com um ou mais gros; sua 
peripheria apresenta algumas proemi- 
nncias escamosas, cada uma corres- 
pondente a uma semente que envolve 
um carocinho f fructo aggregado) cuja 
superfcie exterior roixa. 

Ha outra branca, por consequncia duas 
espcies. Seu sabor acre-doce. v.Vt 



Esta arvore uma das que alimentam 
o bicho da seda. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, arbustos ou grandes arvores al- 
gumas vezes lactescentes, de folhas al- 
ternas, em geral munidas de estipulas, 
tendo flores unisexuaes, mui raras vezes 
hermaphroditas, solitrias ou diversa- 
mente grupadas, e formando amentilhos 
ou reunidas em um invlucro carnoso, 
plano ou pyriforme e fechado. 

Nas flores masculinas acha-se um c- 
lice formado de quatro a cinco sepalas, 
ou uma simples escama, no fundo da 
qual ellas esto collocadas. 

O ovrio livre, de uma s loja, com 
um s ovulo pendente, e tendo por cima 
quer dois longos estigmas sesseis, quer 
um s estigma sustentado por um estylete 
mais ou menos longo. 

O fructo se compe sempre de um ak- 
nio crustceo envolvido pelo clice que 
algumas vezes torna-se carnoso ; outras 
vezes, o invlucro que encerrava as flores 
fmeas, cresce e se desenvolve como na 
figueira, na dorstenia, etc. 

A semente alm de seu tegumento 
prprio, consta de um embryo geral- 
mente curvo, muitas vezes encerrado no 
interior de um endosperma carnoso, mais 
ou menos delgado. 

Amoreira la silva. Ruhis bra- 
siUensis, MaH. Fam. das Rosceas. 
Os fructos gozam das mesmas proprie- 
dades que as amoras. 

Propriedader medicas. Tomado em 
jejum diz-se que aproveita nas dysente- 
rias. 

Amores. Smithia dormiens ; Smi- 
thia sensitiva., AU. Fam. das Legumi- 
7iosas. Sub-arbustosinho, ou mesmo 
lierva agreste, indgena, e por este 
nome conhecida nas Alagoas. 

Tem o caule fraco, e to fraco que 
ordinariamente se deita sobre outras 
plantas ; folhas compostas de pequenos 
bliolos . 

Flores pequenas quasi solitrias, e 
amarellas, de corolla papilionacea. 

7 



4 



ANA 



AND 



O fructo 6 nma vapem pequena, es- 
treita, de bordas onduladas ; as semen- 
tes so como as de feijo ; escura 
a vagem, e pega-se roupa como car- 
rapicho. 

Analii. Potalea rcsinifera, Marl. 
Fam. das Gentianaceas. E' oriunda 
do Par e Rio Negro ; planta resinosa 
e amargosa. 

Propriedades medicas. O cosimento 
das folhas um anti-ophtalmico e re- 
solutivo. 

Anaiiaz de a^eillta. Bromelia 
miiricata, Arr. Cam. Bromelia araias, 
Linn. Fam. das Bromeliaceas . Esta 
planta indigena semelhante ao Ananaz. 

Differe porm ; em lugar das bracteas 
em forma de escamas , que tem o 
Ananaz manso e o fructo dividido em 
bagas distinctas como aquelle, este 
tem espinhos pungentes de 6 a 12 cen- 
timetros de comprimento, de forma que 
preciso muito geito para pegal-o. 

Ananaz niaiB^eo. Ananassa sa- 
liva., Marl. Bromelia., Ananaz., Lnm. 
Fam. idem. Planta indigena do Brasil 
e tambm dos paizes quentes da sia, 
segundo alguns naturalistas. 

Os caracteres d'esta bella planta, mui 
semelhante ao AbacacM., que acima fi- 
cou descripto vulgar e botanicamente, 
no necessitam ser apresentados aqui. 

Mostraremos somente as" differenas 
mais sensveis que por ventura exis- 
tam entre as duas plantas. 

O Ananaz differe do AbacacM em ser 
um pouco cylindrico, de extremidades 
iguaes, sem forma cnica; a cr varia 
nas espcies ; a parte carnosa da 
fructa mais spera, menos doce, e no 
centro o eixo fibroso ; produz menos 
renovos que o AbacacM. 

Na Europa cultiva-se em grande 
escala nas estufas. 

Propriedades medicas. O Ananaz 
quando maduro empregado como 
diurtico e emmenagogo ; e quando 
verde como desobstruente e epispasti- 



co; pde promover o aborto; segundo 
Tvabat o sueco do Ananaz, unido ao leo 
de amndoas doces, um bom car- 
minativo. 

XwAvk-vkfiH- . Anda Gomesii, Anda 
brasiliensis , Joahmesia princeps., Vell. 
Alenluriles brasiliensis.[?)Fam. das Eu- 
phorbiaceas. A esta arvore tambm 
chamam Purga do Gentio. 

E' arvore agreste, alta, de folhas em 
palmas reunidas na ponta dos ramos; 
flores em cachos, umas quasi roixas e 
outras amarelladas. 

O fructo uma capsula de 9 a 12 cen- 
timetros de dimetro, redonda, muito 
dura, com duas fossetas no pice e uma 
na base ; off"erece duas cavidades, dentro 
de cada uma das quaes se aloja uma 
semente ovide, de 3 centmetros ou 
mais : a amndoa oleosa ; tem um te- 
gumento pouco espesso semi-corneo ; a 
casca venenosa. 

Os pescadores indios embebedam com 
este fructo os peixes dos rios e tan- 
ques. 

Propriedades medicas . Internamen- 
te se emprega como purgante ; para isto 
do-se duas a trs- amndoas, ou com 
ellas se prepara uma amendoada; do 
leo, oito a vinte e quatro gottas. 

Caracteres da famlia. As Euphor- 
biaceas so hervas, fructices ou arvores 
grandssimas que crescem em geral em 
todas as regies do globo; a maior 
parte contm um sueco lcteo e muito 
irritante. 

As folhas commummente alternas, al- 
gumas vezes so oppostas, acompanhadas 
de estipulas ou no. 

As flores so unisexuaes, geralmente 
mui pequenas, e oferecem uma inflores- 
cencia muito variada. 

O clice gamosepalo, de trs, quatro, 
cinco ou seis divises profundas, muni- 
das interiormente de appendices esca- 
mosos e glandulosos. 

A corolla falta no maior numero dos 
gneros, ou se compe de ptalas ora 
distinctas, ora reunidas ; mas esta corolla 



AND 



AND 



3S 



no parece formada seno de estames 
abortados e estreis. 

Nas flores masculinas conta-se um nu- 
mero bastante grande de estames. 

Mais raramente este numero limi- 
tado, ou mesmo cada estame por ser con- 
siderado como uma flor masculina (como 
se admitte para o gnero Euphorbia) ; 
estes estames so livres ou monadelplios. 

As flores femininas se compem de um 
ovrio livre, sessil ou estipitado, s vezes 
acompanhado de um disco hvpoginico. 

O ovrio em geral de trs lojas, cada 
uma contendo um ou dois vulos sus- 
pensos. 

Do pice do ovrio nascem trs estyg- 
mas, s vezes sesseis e alongados. 

O fructo secco ou ligeiramente car- 
noso; compe-se de tantas coccas con- 
tendo uma ou duas -sementes, quantas 
lojas ha no fructo : estas coccas que so 
sseas interiormente, se abrem pelo seu 
angulo interno e so elsticas ; ellas se 
apoiam por seu angulo interno sobre uma 
columella central, que muitas vezes per- 
siste depois da disperso das sementes. 

Estas que so crustceas exteriormen- 
te, e apresentam uma pequena caruncula 
carnosa na visinhana do ponto de in- 
sero, offerecem um endosperma car- 
noso no qual est encerrado um embryo 
axil e homotropo. 

Aiiclaea. V. Capim anaca. 

ABtlya-ajBst ou Iiilayia-ass. 

Attalea compacta, Mart., Hiimh.^e Bomp. 
Fam das Palmeiras . PaJmeira doNorte 
do Brasil, conhecida dos habitantes das 
regies Amasonicas por Palma almendron, 
que quer dizer Amendoeira. 

uma palmeira pequena, de folhas se- 
melhantes s de mais suas congneres. 

O fructo, que d em cachos, fibroso, 
com trs ncleos dentro. 

Dizem ser semelhante ao Dend; os 
indigenas fazem muito uso tambm do 
caroo, e at o comem. 

Caracteres da famlia. Grande e 
bella familia, to notvel pelo porte dos 
vegetaes que a compem, como pela or- 



ganisao interior de suas diversas par 
tes 

As palmeiras so de ordinrio grandes 
arvores de estipite (espique) cylindrico e 
n, coroado em seu pice de um pena- 
cho de folhas grandssimas, pecioladas, 
persistentes, pinnadas ou compostas de 
um numero mais ou menos considervel 
de foliolos de forma variada. As flores 
so hermaphroditas ou frequentssimas 
vezes unisexuaes, dioicas ou polygamas, 
formando amentilho, ou um grande ca- 
cho, envolvido antes do seu desabrochar 
em uma espatha coriacea e s vezes le- 
nhosa. 

O periantho de seis divises, trs 
das quaes internas e trs externas, de 
maneira a simular clice e corolla. 

Os estames so em numero de seis, 
raramente de trs. 

O pistillo simples ou formado pela 
reunio de trs carpellas distinctas ou 
unidas. 

Cada carpella off'erece uma s semente. 

Tem um estylete terminado por um 
estigma mais ou menos alongado. 

O fructo as mais das vezes uma 
drupa carnosa ou fibrosa, contendo um 
caroo sseo muito duro, de uma ou 
trs lojas monospermicas. 

A semente, alm do seu tegumento 
prprio, se compe de um endosperma 
carnoso ou cartilaginoso, of'erecendo 
algumas vezes uma cavidade central 
ou lateral. 

O embryo pequenino, cylindrico, 
posto horisontalmente em uma pequena 
depresso lateral do endosperma. 

Aiidira ailsaiarilta. F. Umari. 

Antlirababajari. F. Angelim. 

Andirolia. Carapa guyanensis, 
A%)l. Persoonia, giiareoides, Willd. 
Fam. das Meliaceas. Arvores silves- 
tres do Brasil, especialmente do Par, 
hoje cultivadas em todo o Imprio. 

Seu porte o elevado e gracioso ; a 
madeira molle. 

Folhas compostas de preciolo longo. 

As flores so terminaes nos ramos, 



G 



AND 



ANG 



(sete ou dez) engastadas em um pe- 
dnculo commum : so como angli- 
cas amarellas ; de mo cheiro ; outras 
so vermelhas e algumas esverdinha- 
das. 

O fructo d em caixos pequenos ; 
uma nz de 15 a 18 centmetros, ro- 
lia, renibrme, no pice aguda, e tendo 
uma sutura de metade de seu tamanho 
na parte convexa ; o tegumento com- 
ponente espesso, crneo, de cr ru- 
bra viva quando o fructo est maduro, 
dentro de uma pellicula purpurina e 
rugosa ; d quatro a cinco sementes 
ellipticas quasi rolias cinzentas, pre- 
sas a essa sutura ; ellas tm um corpo 
esbranquiado e frouxo, e aps uma 
massa dura, e castanha ; no centro 
est a amndoa, branca, e muito oleosa; 
esta amndoa comem-n'a mas pur- 
gativa quando se excede a conta. 

No Par fazem azeite d'esta amn- 
doa, que passa por um dos melhores 
combustveis, e lhe do muito uso. 

Propriedades medicas. Sua casca 
muito amarga, e emprega-se em co- 
simento como febrfugo e anthelmin- 
tico, foito grammas para duzentas 
grammas d'agua) . 

Externamente o mesmo cosimento 
serve para loes nas ulceras. 

O leo muito usado quando fresco 
em frices contra as inchaes cau- 
sadas pelas erysipelas. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas sem estipu- 
las, simplices ou compostas ; de flores 
quer solitrias e axillares, quer diver- 
samente grupadas em espigas ou em 
cachos, tendo um clice gamospalo, de 
quatro ou cinco divises mais ou menos 
profundas. 

Uma corolla de quatro a cinco ptalas 
valvares. 

Estames geralmente em numero du- 
plo do das ptalas, raras vezes do mes- 
mo numero ou de numero mais consi- 
dervel. 

Estes estames so sempre monadel- 
phos, e seus filetes formam um tubo que 



traz as antheras ora no pice, ora na 
face interna. 

O ovrio insere-se n'um disco hypogy - 
nico e annular ; ofterece quatro a cinco 
lojas, contendo geralmente dois vulos 
collateraes e sobrepostos. 

O estylete simples, terminado em um 
estigma mais ou menos profundamente 
dividido em quatro a cinco lobos. 

O fructo , ora secco, ora capsular, c 
abre-se em quatro a cinco valvas septi- 
feras ; umas vezes carnoso e polposo, 
e outras vezes unilocular por aborto. 

A semente contm um embryo, al- 
gumas vezes envolvido por um endos- 
perma delgado ou carnoso, que falta em 
outros gneros. 

Anloi*ilia. V. TongaTonga. 

Aiidreiiiie. V. Camar de cavallo 
ou Malmequer grande. 

Angrelica [de jardim). Anglica Ar- 
changelica^ Litm. e Spl. Fam. das Um- 
helliferas. Bella planta da Europa accli- 
mada no nosso solo desde tempos im- 
memoriaes; herbcea, folhas compridas, 
decompostas e estreitas. 

As flores desabrocham em um caule 
tubuloso, d'onde saem em grupos, as 
flores so brancas, corpulentas, de bordos 
lancinados e cheiro agradabilssimo. 

O seu fructo uma capsula ordinria. 

Propriedades medicas. A raiz de 
sabor amargo e acre ; usada como t- 
nico, sudorfico^ estomachico ; tambm 
anti-scorbutica e anti-scrophulosa. 

Como excitante, se administra em in- 
fuso na dose de 16 grammas para 500 
grammas d' agua. 

Caracteres da famlia. Uma das 
famlias mais naturaes do reino vegetal. 

As Umhelliferas so vegetaes herb- 
ceos, raras vezes subfructescentes, cujo 
caule frequentemente co. 

As folhas alternas, invaginantes na 
base , geralmente compostas , de um 
grandssimo numero de segmentos ou 
de foliolos. 



ANG 



ANG 



37 



As flores, sempre pequenssimas, bran- 
cas ou amarellas, so dispostas em um- 
brellas; s vezes acliam-se na base da 
umbrella foliolosinhos cuja reunio cons- 
tltue o invlucro, e chamam-se invo- 
lucellos quando so collocados na base 
das umbellulas. 

Cada flor se compe de um clice 
adherente ao ovrio, que infero, e 
cujo limbo inteiro ou apenas den- 
teado ; de uma corolla formada de cinco 
ptalas mais ou. menos patentes ; de 
cinco estames epigynicos alternos com 
as ptalas; de um ovrio de duas lojas 
contendo cada uma um ovulto deitado, 
coroado no pice por um disco epygi- 
nico e bilobado ; de dois estjletes, ter- 
minado cada um d'elles em um es- 
tigmasinho simples. 

O fructo um diakenio de forma va- 
riadissima, separando-se quando araa- 
duresce em dois akenios monospermicos 
reunidos entre si por uma columella- 
sinlia filiforme. 

A semente deitada e contm dentro 
de um endosperma bastante grosso um 
pequenssimo embryo axil. 

Angreliea aiiansa. Guettarda 
Anglica^ Mart. Canthium fehrifugtim . 
Fam. das Ruhiaceas. Arbusto agreste, 
indgena do paiz, habitante do litoral. 

de mediana altura, ramoso, po duro, 
casca escura, folhas oppostas ovaes e 
duras. 

Flores em cachos, como anglicas pe- 
quenas, amarellas, com algum cheiro. 

O fructo uma drupa globosa, pe- 
quena, coroada por uma cristasinha cir- 
cular no pice, e branca quando madura; 
dentro tem duas sementes ; o corpo do 
fructo molle, doce, aquoso, e come- 
se. 

A raiz muito dura e acastanhada. 

Propriedades medicas. A raiz um 
dos melhores tnicos e febrfugos da 
nossa matria medica ; por occasies da 
epidemia da febre amarella, a medicina 
popular lanou mo d'ella com muita 
vantagem, na dose de 10 grammas para 
500 grammas d'agua. 



Caracteres da famlia. Acham-se 
n'esta familia plantas herbceas arbus- 
tos e arvores de grandssima altura. 
As folhas so oppostas ou verticil- 
ladas ; no primeiro caso, ellas ofere- 
cem de cada lado uma estypula intra- 
peciolar, que muitas vezes se une com 
os lados do peciolo, e forma uma 
espcie de bainha. 

As flores so axillares ou terminaes, 
algumas reunidas em capitulo. 

O clice adherente pela base com o 
ovrio infero, tem o limbo inteiro ou 
dividido em quatro ou cinco lobos 
mais ou menos profundos e persisten- 
tes. 

A corolla gamoptala, regular, e 
pigynica, de quatro ou cinco lobos. 

Os estames so em numero igual ao 
dos lobos da corolla e alternos com 
elles. 

O ovrio infero, terminado por um 
estylete simples ou bifido. 

Este ovrio apresenta duas, quatro, 
cinco ou maior numero de lojas, cada 
uma das quaes contm um ou vrios 
vulos erectos ou presos ao angulo 
interno das lojas. 

O fructo muito varivel. Ora com- 
pe-se de duas pequenas capsulas mo- 
nospermicas e indehiscentes ; ora 
carnoso, e encerra dois ncleos mo- 
nospermicos ; em certos gneros, uma 
capsula de duas, ou mais lojas que 
se abrem por outras tantas valvas, ou 
um fructo carnoso e indehiscente. Este 
fructo sempre coroado no pice pelo 
limbo calicinal. 

As sementes algumas vezes aladas e 
membranosas na beira, contm em um 
endosperma duro e carnoso, um em- 
bryo axil e recto, ou s vezes collo- 
cado de travs relativamente do hilo. 

Aisg:elica lo mato. Gentiana 
rubra. Fam. das Gentianaceas. Esta 
planta natural do paiz, conhecida 
em Minas Geraes por este nome. 

A raiz mui amarga e um tanto 
aromtica. 

No Brasil pde substituir a Genciana, 
da Europa. 



38 



ANG 



ANG 



Aii$;'*^l'i<^**- Aristolochia glandulosa. 
AristolocMa trilohata, Willd. Fam. das 
ristolochiaceas. Esta planta tem rece- 
bido diversos nomes botnicos, e co- 
nhecida em Pernambuco pelo nome 
dado acima. 

uma planta silvestre e trepadeira. 

Tem o caule rolio e escuro. 

Folhas trilobadas, tambm escuras. 

As flores exquisitas, parecem um 
jarrinho. 

O fructo uma capsula que tem seis 
faces ou ngulos, f vulgo gommosj e 
dentro muitas sementes. 

A raiz tuberosa, rugosa, escura e 
de cheiro um tanto activo. 

Quasi todas as plantas d'este g- 
nero tm mais ou menos as mesmas 
propriedades. 

Propriedades medicas. A raiz 
um poderoso antidoto contra as mor- 
deduras das cobras, e muito empre- 
gada pela medicina popular contras as 
febres intermittentes e perniciosas, na 
dose de 16 grammas para 500 gram- 
mas d'agua. 

Caracteres da famlia. Familia 
composta dos dois gneros : Aristolo- 
cMa e Azarum. 

So plantas herbceas ou fructescen- 
tes volveis de folhas alternas e in- 
teiras, flores axillares. 

O clice regular, de trs divises 
valvares, ou irregular, tubuloso, e for- 
mando uma linguta ou lbio de for- 
mas muito variadas. 

Os estames so, em numero de dez 
ou doze, inseridos no ovrio, ora livres 
6 distinctos, ora unidos intimamente 
com o estylete e o estigma, e for- 
mando assim uma espcie de mamillo 
posto no ajDice do ovrio. 

Na partes lateraes, este mamillo 
traz as seis antheras que so bilocu- 
lares, e no cimo termina em seis l- 
bulos que podem ser considerados como 
estigmas. 

O fructo uma capsula, ou uma 
baga de trs ou seis lojas, contendo 
.cada uma d'ellas um grandssimo nu- 



mero de sementes, encerrando um pe- 
queno embryo collocado em um endos- 
perma carnoso, 

ABa|;;eliiii siiiiiar^foso. Geofjroea 
vermfuga, St. Hil. Andira anthetmin- 
tica, Marl. Fam. das Legimiinosas. 
Arvore oriunda do paiz ; vegeta nas pro- 
ximidades do litoral. 

copada, de folhagem bonita e lus- 
trosa. 

As flores em densos cachos, so roi- 
xas, de quasi nenhum aroma ; parecem 
borboletinhas. 

O fructo que um legume drupaceo 
verde, ainda quando maduro, asseme- 
Iha-se a uma manguinha ; tem um ca- 
roo grande relativamente ao fructo ; 
a amndoa branca e amarga: o caroo 
viscoso. 

A madeira d'esta arvore procurada 
para as obras internas de construco 
urbana e especialmente para assoalhos 
e portas; bastante porosa, amarga, 
e absorve muita tinta. (Sald. da Gama). 

Propriedades medicas. O p do An- 
gelim tomado na dose de 5 decigrammas 
a 1 Ki gramma com leite considerado 
como um excellente vermfugo, em maior 
dose obra como drstico enrgico. 

Ang-eliiift coco. V. Urarema. 

Aiagreliiit tloce. Skolemora per- 
namhtcensis .1 Arr. C. Andira vermifuga, 
Mart . Fam . das Leguminosas . Arvore 
indgena do paiz, a qual no fcil 
achar-se nas proximidades do litoral 
como a outra, que at se encontra nas ca- 
poeiras. Esta espcie s se encontra 
nas mattas virgens. 

O tronco d'esta arvore inerme, ra- 
mos com casca grossa, folhas oppostas. 
foliolos ellipticos ; glabros por cima. 

As nervuras da face inferior dos fo- 
liolos so cr de ferrugem e avelludadas. 

As flores paniculadas, e os clices roi- 
xos escuros e lanuginosos. 

O fructo uma drupa oval com uma 
amndoa quasi de 3 centmetros de com- 
primento, branco quando fresco, e ama- 



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39 



rellado quando scco, de sabor amargo e 
acre. 

Propriedades medicas. As sementes 
so anthelminticas, e teis no curativo 
das ulceras ; mas devem ser empregadas 
com cautela e com muita prudncia, por 
que dadas em alta dose podem causar a 
morte, 

Internamente 3 decigrammas ?l l % 
gramma do p para os menores de trs 
a dez annos, em meia chicara de leite, 
adoado com assucar. 

AnieIiBi pedra. Andira s^ecta- 
Mlis^ Sala. Fam. idem. Arvore do 
paiz, vegeta nas provncias do sul do 
Imprio. 

As folhas so compostas, imparipe- 
nadas, o peciolo commum um tanto 
convexo, expesso, flexvel, coberto de 
pellos de pouco mais de 15 centme- 
tros de comprimento, poucas vezes 
glabro e canaliculado. 

Os peciolos parciaes so rgidos e 
extremamente curtos. 

Os foliolos em numero de onze ou 
treze para cada folha so sempre op- 
postos com um terminal no maior nu- 
mero de casos. 

A forma dominante a elliptica, 
raras vezes so obovaes, mas sempre 
coriaceos, lustrosos e speros no dorso ; 
pelludos e de um verde menos intenso ; 
a manifesta salincia das nervuras na 
pagina inferior de cada foliolo contri- 
bue eficazmente para que esta super- 
fcie seja rude ao tacto. 

Flores rosadas, de cinco dentes, dos 
quaes trs so iguaes e mais distinctos, 
e dois menores agudos e apenas per- 
ceptveis ; a superfcie externa d'este 
rgo semeada de pellos inclinados 
e deitados longitudinalmente, que com- 
municam-lhe um brilho assetinado. 

O fructo uma vagem ou drupa, 
indehiscente emconospermica ; encerra 
uma polpa branca no comestvel. 

No interior d'esta massa existe uma 
semente (amndoa) que luzidia e 
carnosa. 

A madeira emprega-se em algumas 



obras externas e em todas as internas. 
(Fig. 4). 

Aitg:eliiii Rosa. Peraltea Ery- 
tliryyiofoUu, Sald. Fam. idem. 
Esta arvore habita nas provncias do 
sul do Imprio : conhecida nos mu- 
nicpios de Campos e S. Fidelis por 
Folha larga, no municpio neutro por 
Mangol e Angelim o-osa, e na Parahyba 
do Sul por Catago. 

Eleva-se a prumo, depois decresce 
tornando-se um pouco curvo. 

As folhas so compostas, tiifolioladas 
e imparipennadas, os foliolos em nu- 
mero de trs cada folha, so vistosos; 
dois oppostos e um terminal, de forma 
oval e cr verde pouco intensa, so 
esbranquiados no dorso onde as nervu- 
ras so mais salientes, e pde-se observar 
a disposio regular das nervuras 
px*incipaes. 

As flores so arroxeadas, em panicula 
pouco regular. 

Clice escuro, amarellado, irregular, 
um pouco bojudo na base com cinco 
divises desiguaes ; dois dentes so re- 
flexos e correspondem maior ptala 
da corolla. 

Corolla arroxeada e papilionacea, o 
estandarte reflexo, ligeiramente un- 
guiculado, dobrado transversalmente, 
emarginado, inteiro, branco do meio 
para a base, esverdinhado no centro, 
e violceo em dois teros, da sua su- 
perfcie ; o angulo reintrante do pice 
tem o seu vrtice no ponto em que 
comea a mancha esverdinhada do 
limbo da ptala. 

As duas azas so igualmente colo- 
ridas, obovaes e sustentadas por um 
pequeno unguiculo, de alguma consis- 
tncia, curvo e lateral. 

Pistyllo simples, ovrio livre, depri- 
mido um tanto luzidio ; estyllete curvo 
e em estigma linear; uma loja e qua- 
tro vulos . 

O fructo um legume de 24 cent- 
metros de comprimento, e de 4 cent- 
metros de largura. 

As sementes so em numero de trs, 
unidas placenta, cada uma por um 



40 



ANG 



ANI 



curto podosperma, so curvas, anatro- 
pas, e a micropyla corresponde ao lado 
concavo. 

A amndoa carnosa, adocicada e 
comestivel ; e encerra um embryo epis- 
permico, cujas cotyledones so planas 
e feculentas . 

A madeira vermelha, leve, visivel- 
mente porosa, de tecido pouco con- 
sistente e de um aroma agradvel. E 
empregada nas obras internas. (Fig. 5.) 

ABig:ieo. Piptadenia colubrina, Bth. 
Accia virginalis^ Pohl. Accia An- 
ffico, Mart, Fam. idem. Arvore syl- 
vestre, originaria do paiz, e habitante 
das proximidades das catingas. 

Indubitavelmente uma dasbellas ar- 
vores que ornam as selvas brasileiras ; 
seu porte elevado, tem uma casca par- 
da, e folhagem mida, em palminhas ; 
ramagem bem disposta, com innume- 
ras flores brancas, globosas, pequenas, 
e com algum cheiro. 

Seus fructos so pequenas vagens 
chatas, pardas, de sementes pequeninas. 

O Angico do numero das arvores 
que perdem as folhas, quasi sempre 
entre o outono e o inverno ; os ramos 
ficam em completa nudez. 

considerada como uma das ma- 
deiras melhores de construcco, em- 
prega-se ordinariamente para esteios 
no s nas obras expostas ao ar, mas 
tambm nas internas, na confeco de 
navios, e moveis, etc, etc. 

Propriedades medicas. A casca do 
Angico amarga e adstringente, o 
seu cosimento empregado em banhos 
contra as leucorrhas, inchaes das 
pernas, ulceras, etc. 

A tintura feita com as folhas um re- 
mdio enrgico nas contuses, talhos, e 
dizem que nas commoes cerebraes. 

A gomma muito usada e applica-se 
nos casos em que costuma-se empre- 
gar a gomma arbica, j fazendo-se 
solues analepticas, e j trazendo-se 
na boca, nas molstias de peito e em 
geral contra todos os soffrimentos das 
vias respiratrias. (Fig. 6.) 



Aiigieo tle Minas. PithecolloUim 
gummiferum. Fam. idem. 

Propriedades medicas. As mesmas 
acima mencionadas. 

Angirolva. V. Andiroha ou Gen- 
diroha. 

Angiiay. Mirospermum, guarani- 
cicum. Fam. idem. V. Cahoreha. 

Ait@:iiria. F. Melancia. 

An ^ ti atura. Evodia febrfuga. 
a Larangeira do mato da Bahia e de Ser- 
gipe. 

Anlan;aBia. V. Aninga-jpari. 

Anal fresador. Cissus iinctoria. 
Mart. Fam. das Ampelidaceas . usado 
na tinturaria; resiste aco dos al- 
calis. 

Acha-se nas montanhas e plancies 
dos sertes. 

Anilera cia Inaia. Indigofera 
Anil., Li.m.., Sf. e Lamcli. Fam. das Legu- 
minosas. Planta originaria das ndias 
Orientaes, naturalisada nas Antilhas e 
no Brasil. 

uma planta herbcea s^iblenhosa, 
ramosa, de cr verde esbranquiada e 
pelluda. 

As folhas so em palmas, de figura 
elliptica e compridas. 

As flores em cachinhos, midas, ver- 
melhas, misturadas de verde. 

Os fructos so vagens um tanto cylin- 
dricas, curvadas; acabam por uma ponta 
aguda ; semente como a do feijo. 

Esta planta tem o principio corante 
azul, do qual se extrahe o anil do com- 
mercio. 

Anilei psift le Pmanalmo. 
Indigofera pernamlucensis. Fam. idem. 
Contam-se 27 espcies de arbustos que 
do imia substancia vulgarmente conhe- 
cida com o nome de Anil. 

A maior parte indgena e prpria dos 
climas intertropicaes. 



ANI 



ANI 



41 



A situao topograpliica do Brasil 
tal que o Anil d natural e espontanea- 
mente. 

Foi o Anil j um ramo importante de 
exportao no Brasil ; a plantao e fa- 
brico d'esta substancia corante fez gran- 
dssimos progressos em varias provn- 
cias, e com especialidade na de Pernam- 
buco, no lugar de Beberibe, e na do Rio 
de Janeiro, e nas visinhancas de Cabo- 
Frio ; e se este ramo de industria to pro- 
veitoso e til veio a decair, no deu a 
isso occasio nem a m qualidade das 
anileiras indgenas do Brasil, nem a des- 
peza proveniente da colheita das folhas 
e fabrico do Anil em pasta; mas sim a 
desgraada e mal entendida cobia dos 
lavradores e fabricantes, que, para lhe 
augmentarem o pezo lhe juntavam subs- 
tancias estranhas diversas, falsificao 
que redundou em detrimento d'elles e em 
menoscabo do Anil do Brasil, 

Conhecem-se em Pernambuco duas es- 
pcies d'esta planta que passamos a des- 
crever. 

Subarbustosinho de 1 % a 2 K. metros, 
no mximo; folhas em palmas de um 
verde desbotado e embaciado ; flores dis- 
postas em cachinhos pyramidaes, pe- 
quenas, de cr amarella ou encarnada. 

Os fructos pegados em feixes peque- 
nos, so vagens de 3 centmetros, ro- 
lias curvadas, ponteagudas, com se- 
mentes como o feijo. 

Eis-aqui a primeira espcie; porm 
na segunda d-se o seguinte : baixa, 
os ramos so angulosos em sua sum- 
midade. 

As folhas alternas pinnadns de qua- 
tro a seis pares, impares, subovaes, 
mucronadas. 

Estipulas na base dos pednculos 
communs . 

Flores de clice campanulado, de 
cinco dentes pouco pelludos, estan- 
darte revirado para cima, oval, oblongo, 
estirado, de cr encarnada do pice 
para o centro, azas oblongas auricu- 
ladas, vermelhas, carinas de duas p- 
talas na base, fendidas no pice, uni- 
das em capuz, de bordas vermelhas. 



Nove estamos em duas phalanges, 
antheras com duas lojas, de 1 a 8. 

Estylete recto, e estigma subcapitado. 

Estas plantas tem o principio co- 
rante azul, nos seus tecidos, que desen- 
volve na macerao com ou sem tri- 
turao. 



Anal dos iiofires. 

matto. 



V. Amida do 



Anima ntenilseca. Maranla aqu- 
tica. Fam. das Marantaceas. um.a 
planta paraense, do porte das peque- 
nas bananeiras, quasi sempre de flores 
brilhantes. 

AniBig:a. Arum Lenifenm^ Arr. 
Cam. Fam. das Araceas. Arbusto 
de 2 a 3 metros de comprimento de 6 
a 9 centmetros de dimetro, direito 
cylindrico, de cr verde acinzentado, 
marcado de cicatrizes deixadas pelas 
folhas que tem cabido, a substancia 
esponjosa, sumarenta, molle. 

]S"esta substancia se acham nume- 
rosas fibras longitudinaes, compridas, 
grossas como a crina da cauda dos 
cavallos brancos. 

As folhas tem um pouco mais de 36 
centmetros de comprimento, e a mesma 
largura na base. 

Peciolos amplexicaules de % metro 
de comprimento, accumulados desde a 
base at o meio onde o canal acaba 
em um appendice de 6 a 9 centme- 
tros; o resto cylindrico. 

Flores axillares e solitrias. 

Clice e a espatha mais longa, que o 
espadice, tem quasi 36 centmetros de 
comprimento. 

Estames numerosos. 

Pericarpo, vrios bagos na base do 
espadice. 

Esta planta encontra-se em Pernam- 
buco abundantemente nos pntanos , 
dos quaes muitos esto quasi cobertos 
d'ella. 

A substancia do caule da planta 
esponjosa e cheia de um tecido acido 
que reage sobre os metaes; os cam- 
ponezes se servem d'elle para limpar 

8 



48 



ANl 



APE 



facas, canos de espingardas, e qualquer 
metal em estado de oxidao. 

O nosso illustrado comprovinciano , 
Dr. Arruda Camar, extraliio d'ellc bom 
cordame que o dotado de uma gran- 
dssima forca ; as fibras teciveis esto 
postas longitudinalmente na polpa, e 
n'ella no esto fortementes pegadas ; 
separam-se com facilidade pelas opera- 
es do debulho e da lavagem. 

PROPmEDADES MEDICAS. O succo d'esta 
planta acre e empregado como mon- 
dificativo das ulceras atonicas. 

Usa-se em cataplasmas macliucando- 
se as folhas. 

O cosimento feito com 30 grammas 
de folhas para 500 grammas d'agua em 
banhos ou fomentaes til nas dores 
rheumaticas ; 3 decigrammas a 1 1/2 
gramma de raiz de Atiinga secca tem 
dado bons resultados no hydrothorax. 

AsBBiga l'a|::ua. Calattim Sfi- 
nescens. Fam. idem. Planta de aspe- 
cto semelhante ao Tmhoro, ou Taioba. 

Propriedades medicas. As folhas 
d'esta planta so com proveito appli- 
cadas nas ulceras grangrenosas ; as 
sementes cosidas ou assadas, comem-se. 

Aiiis;a-il>a. V. Aninga. 

AniiiM:a-|>ag*i. Melastoma parvi- 
flora, Lamck. Couciuea. (?) Fam.das Me- 
lastomaceas. Arbustosinho de folhas op- 
postas, ellipticas, flores cr de rosa e 
que tem por fructo uma capsula de 
muitas sementes midas. 

Propriedades medicas, As folhas 
seccas e pulverisadas so teis no cu- 
rativo das ulceras ; tambm frescas e 
pisadas applicam-se para o mesmo 
fim. 

Caracteres da famlia. As Melas- 
tomaceas so grandes arvores, arbus- 
tos , fructices ou plantas herbceas , 
tendo folhas oppostas, simples, muni- 
das geralmente de trs a cinco, e mesmo 



at de onze nervuras basilares, donde 
parte um grandssimo numero de outras 
nervuras transversaes e parallelas muito 
approximadas. 

As flores, algumas vezes mui grandes, 
oferecem de alguma maneira todos os 
modos de inflorescencia. 

O clice gamosepalo, mais ou menos 
adherente ao ovrio, que infero ou 
semi-infero. 

Seu limbo as vezes inteiro ou den- 
teado, ou emflm de quatro ou cinco di- 
vises mais ou menos profundas; rars- 
simas vezes elle forma uma espcie de 
capsula ou operculo. 

A corolla se compe de quatro a cinco 
ptalas. 

Os estames so em numero duplo das 
ptalas. 

Suas antheras apresentam as formas 
mais variadas e mais singulares, e se 
abrem no pice por um orifcio ou poro 
commun s duas lojas. 

O ovrio algumas vezes livre, fre- 
quentssimas vezes adherente ao clice; 
elle of'erece de trs a oito lojas cada 
uma contendo um grandssimo numero 
de ovulas. 

O pice do ovrio muitas vezes co- 
berto de um disco epigynico. 

O estylete e o estigma so simples. 

O fructo ora secco, ora carnoso, ofe- 
recendo o mesmo numero de lojas que 
o ovrio ; fica indehiscente, ou se abre 
em outras tantas valvas septiferas no 
meio da face interna. 

As sementes so reniformes e contm 
um embryo levantado ou ligeiramente 
curvo ; mas sem endosperma. 

Aiin^a-iiva. PMloenrou arho- 
recens. Fam. das Araceas. 

Propriedades medicas. As mesmas 
que as da Aninga. 

Anua VitvUx. Cayaponea globoza. 
em Minas a purga de Carij. 

Aperta Ruo. Pifer aduncum, 
Vell.Fam. das Piperaceas. 



AKA 



ARA 



43 



Propriedades MEDICAS, Como ads- 
tringente muito empregado em banhos. 

Internamente obra tambm como 
desobstruente. 

Apog-itag:oai*a. EsemhecMa in- 
ter media ^ Mart. Fam. das Rutaceas. 
S. Paulo. 

Propriedades medicas. A casca 
d'esta planta anti-febril- 

Aposteineira. Furnera fostida. 
Fam. das Tumeraceas. Esta espcie 
do Maranho. 

Propriedades medicas. empre- 
gada para apressar a suppurao dos 
tumores. 

Apotiacoraoa Fam. das Eu^phor- 
biaceas. uma planta do Par. 
Ha duas espcies. 

Propriedades medicas. Uma em- 
pregada na tosse aecca, outra nas in- 
flammaes de olhos. 

Apoya ? a PsycTiotria emtica no 
Espirito Santo. 

Apuy. FicHs. Fam,. das Urticaceas. 
Planta do Par. 

Propriedades medicas. O sueco lei- 
toso e as folhas so empregadas como 
calmante. 

Arai. Psidmm Ara, Psydium po- 
miferum, Linn. Fam. das Myrtaceas. 
Na Bahia este ara chamado Ara- 
mirim. 

E em todo o Imprio conhecida esta 
fructa, e existe em todo o seu terreno 
com este mesmo nome. 

Provm de um arbusto mdio, de 
casca liza, esbranquiada, folhas oppos- 
tas ovaes, quasi redondas, grossas, um 
tanto pelludas, com cheiro quando com- 
primidas. 

As flores so reunidas em pequeno 
numero brancas, com algum cheiro ; 



e como uma rosap equenasingela com 

um feixe de filetes, brancos no centro 

no p da flor ha um engrossamento; 

verde com o cimo dividido em cinco 

1 aminas ; ahi se desenvolve o fructo 

que oval, amarello quando maduro, 

coroado de cinco palhetinhas, contendo 

muitos gros reniformes, envoltos em 

uma polpa acre-doee. 

O Ara til nas artes, onde os 
grelos servem para a preparao de 
tintas. Com elle faz-se gela , doce , 
aguardente e licores. 

Propriedades medicas. Na medicina 
popular empregam-se as cascas, as 
summidades e tambm as folhas como 
poderoso adstringente na dose de 16 
grammas para 500 grammas d' agua. 

Ara bravo. Angofora pseiido- 
carpa. Fam. idem. um arbusto de 
nosso paiz, de caule liso esbranquiado, 
folhas oppostas ; flores em espigas ; 
corolla branca de quatro ptalas ; es- 
tames numerosos ; antheras de duas 
lojas redondas ; estyletes simplices. 

O fructo, baga ovide trilocular, mo- 
nospermica, contm muitos gros re- 
niformes com polpa doce. 

A madeira d'esse arbusto procurada 
para encaibramento de nossas casas, e 
para estacas de cercas; eilas so do- 
tadas de uma durao enorme. 

As variedades de Aras produzem 
fructos comestveis, insignes pela sua 
matria saccharina e pela unio da 
mucilagem com o principio adstrin- 
gente, o que os torna nutritivos e 
corroborantes dos intestinos. 

Ara do rasn|io. Psydiim me- 
diterraneufii. Far. idem. um ara- 
aseiro que em Sergipe tem este nome, 
e nas Alagoas o de Ara do mato e tam- 
bm Cumati, designao porque tambm 
o conhecem em Pernambuco. Para o 
sul de Sergipe do-lhe o mesmo no- 
me. 

O arbusto mais elevado que o Ara 
mirim ; no mais o mesmo excepto a 
fructa, que menor, mais doce e de cr 



44 



ARA 



ARA 



pallida; verde amarellada; suas flores 
so brancas e cheirosas ; folhas midas. 

Ara cago. Psydmm. Fam. 
idem. Fructo agreste e tambm culti- 
vado na Bahia por tal nome, e em Per- 
nambuco comprehendido na espcie de 
Ara ass, porque elle semelhante a 
este, diferindo somente em ter a base 
mais despontada e ser menor. 

Todos os Aras possuem a propriedade 
de ser mais ou menos adstringentes. 

Ara dasai Catinga. Psyium^ 

Fam. idem. Esta espcie, indgena, 
tambm semelhante precedente, mas 
distingue-se porque o fructo quando ma- 
duro, torna-se amarello cr de gemma 
d'ovo; as folhas midas e lanceoladas, 
o fructo muito doce. 

Ara Coiigonlia do campo. 

Psydiuu suaveolens^ St. Hil. Fam. idem. 

outra espcie de Ara que d nas 
mattas de Minas Geraes, com o nome de 
Congonha do campo f?) ; differena-se em 
ter as folhas mais longas que o ordinrio. 

As flores so solitrias e cheirosas. 
O fructo pequeno, como o do Ara 
mirim., at menor. 

Tem unicamente trs sementes dentro. 
A cr do fructo amarella. 

Ara gtia. F. Goiala. 

Ara lo iiiatto. F. Ara do 
Campo. 

Ara mirim. F. Ara. 

Ara de Alanas Geraes. 

Psydium alhidurn.. St. Hil. Fam. idem. 

C. idem. Esta espcie nasce em 
S. Joo d'El-Rei, em Minas; tem as 
folhas mais pelludas, ellipticas ovaes, 
e reviradas. 

As flores so solitrias, e os fructos 
ovaes, esbranquiados, pelludos. 
Fructifica em Maro e Junho. 

Ara de Illnas Geraes. Psy- 
dium, incanescens , Mart. Fam. idem. 



esfoutra espcie do mesmo lugar 
S. Joo d'El-Rei. 

um arbusto de folhas oppostas 
como as outras, ovaes, reviradas, quasi 
sem peciolo. 

O fructo quando novo obovoide. 

Flores no vimos. 

Ara de Alinas Geraes. Py- 
dium microcarpum., St. Hil. Fam. idem. 
Esfoutra espcie do mesmo lugar 
acima dito, um arbusto mui seme- 
lhante ao precedente. 

O fructo globoso, de gosto agrad- 
vel ; de cr verde, ainda quando ma- 
duro. 

Segundo St. Hilaire maior que os 
outros. 

Ara de Minas Geraes. Psy- 
dium cuneatum., St. Hil. Fam. idem. 
Este Ara do mesmo lugar que os 
outros, e d'elles pouco differe ; suas 
folhas porm so mais oblongas, e o 
fructo pyriforme, liso e de gosto agra- 
dvel . 

Ara de pedra. Psydium oli- 
gospermum, Mart. Fam. idem. Este 
Ara., assim chamado na Bahia, 
semelhantssimo no arbusto do Ara- 
mirim ou ordinrio ; mas o fructo ordi- 
nariamente mais redondo, e com a 
superfcie ondulada, muitas vezes com 
um ponto lateral preto, indicando putre- 
faco ; tem um caroo grande, ondu- 
lado ; oferece pouca polpa, mas essa 
mais doce que a do ordinrio. 

Ara da praia. Psydium litto- 
rale., Raddi. Fam. idem. Arbusto de 
Minas. 

Este Ara muito semelhante ao 
Ara ordinrio. 

Vegeta na cidade de Mariana, em 
Minas Geraes, e S. Paulo. 

Ara de S. Vsknlo. Psydium, 
multiflorum. St. Hil. Fam. idem. 
Esta espcie cresce na provncia de 
S. Paulo. 

um arbusto de folhas ellipticas, 



ARA 



ARA 



4S 



pubescentes ; flores em cachos ; fructo 
no examinado. 

Ara-rania. arvore que nasce 
pelas margens dos rios, no Par; suas 
raizes servem de alimento s tarta- 
rugas. 

AraziMlio do mato. Dama 
fragrans. Fam. das Melastomaceas. 
um arbusto elegante, e indgena do 
paiz, conhecido nas Alagoas por este 
nome. 

ramoso, casca fina, folhas ovaes, 
lisas e oppostas. 

Flores em feixes, por todas as par- 
tes da planta, as quaes so brancas e 
mui cheirosas. 

O fructo uma baga globosa, coberta 
de uma pellicula e contm dentro 
uma polpa aquosa, com muitos grosi- 
nhos na parte central. 

Come-se esta polpa, que boa. 

Quando est florida, esta planta 
derrama pelas suas visinhanas um 
bello aroma. 

AraitziiEio ou\.va^\ tio anato. 

Psydium. Fam. idem. um ar- 
busto, ou arvoreta, conhecida em Per- 
nambuco por tal nome. 

A sua casca cinzenta lisa, a fo- 
lhagem mida, as flores pequenas e 
brancas . 

A madeira dura, excellente para 
estacas, esteios, carvo, e lenha. 

Aracui. V. Arari. E o nome 
que se d ao Angelim em varias pro- 
vncias. 

AraraiiiBi. F. Curatatina. 

Arapabaca. F. Lomhrigueira. 

Arapiraca. uma arvore de 
Sergipe, de lenho indestructivel . 

Arapoca aiiiarella ou Giira- 

taiapoca. Gali-^ea dicioma. Fam. 
das Rutaceas. Arvore que vegeta nas 
provncias do sul do Imprio. 



Suas folhas so simples e alternas, 
vistosas e de forma varivel ou inde- 
terminada, oblongas, algumas obovaes 
oblongas, e um tanto coriaceas. 

As flores de grandeza regular. 

O fructo uma pequena capsula co- 
riacea, com cinco depresses e cinco 
lojas. 

A madeira branca, com um ligeiro 
brilho assetinado, e o tecido frouxo, 
o seu emprego muito limitado ; 
apenas procurado como elemento as- 
sas secundrio em algumas obras in- 
ternas, que no exigem maior solidez, 
ou que so creadas para satisfazer ne- 
cessidades de momento. (Fig. 1.) 

Arariba. F. Raivinha. 

Araroba. Fam. das Leguminosas. 
O p d'esta planta muito usado 
na arte de tinturaria, e o mesmo p 
empregado nas molstias herpeticas, 
friccionando-se a pelle. 

Araruta. Maranta arundinacea , 
Li/m. e Willd. Fam. das Maraiitaceas . 
uma herva oriunda do paiz, conhecida 
em todo o Imprio por tal nome. 

A Araruta (farinha) uma fcula extra- 
hida das raizes d'esta planta. 

As folhas da planta so estreitas, 
oblongas , engastadas n'um pequeno 
caule. 

As flores brancas, semelhana de 
borboletinhas. 

O fructo uma capsula com alguns 
gros. 

, como j dissemos, da raiz, que se 
extrahe a fcula, a Araruta do commer- 
cio prpria para uso dos doentes, conva- 
lescentes, etc. 

Tambm presta-se para engommar a 
roupa. 

Araticiaiit ap ou do mato. 

Anona silvatica, St. Hil. Fam. das Ano- 
naceas. Arvoreta silvestre; seu nome 
quasi geral. 

Tem o po branco e a casca escura, 
folhas alternas grandes e ellipticas. 

Flores carnosas, desmaiadas, como a 
flor do Araticmn j}anan e outros. 



46 



ARA 



ARA 



O fructo lima baga globulosa, cuja 
superfcie composta de escamas acha- 
tadas, molles, de cr verde, amarellado 
na maturidade ; dentro composto de 
bagos de massa branca, com um caroo 
cada uma ; muito boa ao paladar. 

A casca d excellente corda, cuja du- 
rao admirvel. 

Propriedades medicas. As folhas e 
fructos do Aratzcum so bechicos: 2gram- 
mas do fructo fervido em 250 grammas 
d'agua tomado s chicaras, um excel- 
lente remdio na diarrhae dysenteria. 
Usam-se tambm em clysteres, e ap- 
plicam-se as folhas sobre o ventre. 

As folhas pisadas e misturadas com 
leo so maturativas. 

Dos fructos se pode extrahir vinho. 

Caracteres da famlia. As Anona- 
ceas so arvores ou arbustos de folhas 
alternas simples, desprovidas ' de esti- 
pulas, caracter que as distingue sobre 
tudo das Magnoliaceas. 

As flores ordinariamente axillares, so 
algumas vezes terminaes. 

O clice persistente de trs divises 
profvmdas. A corolla formada de seis 
ptalas dispostas em duas ordens. 

Os estames so muito numerosos, for- 
mando varias fileiras. 

Os filetes curtos, e as antheras quasi 
sesseis. 

As carpellas, em geral, em grande nu- 
mero reunidas no centro da flor, so ora 
distinctas, ora soldadas entre si ; cada 
uma d'ellas oferece somente uma loja 
que contem um, ou diversos vulos li- 
gados sua sutura interna e formando 
muitas vezes duas fileiras longitudi- 
naes. 

Estas carpellas constituem outros 
tantos fructos distinctos (raras vezes 
um s em consequncia de abortarem 
os outros ; s vezes elles se pegam 
todos entre si, e formam uma espcie 
de cone carnoso e escamoso. 

As sementes tm seu tegumento for- 
mado de duas laminas. 

O endosperma, em forma de chifre 
profundamente sulcado, contendo um 



pequeno embryo recto, collocado na 
base do perisperma. 

Araticunt l'ara. Anona are- 
naria. Fam. idem. E uma espcie 
semelhante s outras ; arbusto ramo- 
so ; casca lisa, esbranquiada, folhas 
grossas oblongas : d flores caulinares 
como as das outras espcies j des- 
criptas. 

O fructo tem as proeminncias da 
casca, pouco sensveis. 

As sementes so pretas, o eixo cen- 
tral occupa grande espao. 

Do po fazem-se arcos de barril, e 
da casca cordas. 

Araticiiiii do lirejo. V. Ara- 
ticwm panan ou do rio. 

AratieiB lo canapo. Anona 
cornifolia., St. Hil. Fam. idem. Esta 
espcie vegeta nos sertes do Rio de 
S. Francisco, S. Paulo, Minas Ge- 
raes, etc. 

Semelhante s suas congneres, tem 
comtudo, as flores um tanto pelludas. 

O fructo escamoso, globoso ou 
oval. 

Tambm conhecida esta espcie por 
Araticum das Caatingas. 

Ars^tieiBiii cag;o. Anona furfu- 
racea, St. Hil. Fam. idem. O tronco 
d'esta espcie esgalha quasi sempre, 
desde a base formando uma touceira. 

As folhas oblongas, cobrem-se mui- 
tas vezes de uma poeira esbranquiada 
e tem mo cheiro. 

A flor e o fucto nas mesmas con- 
dies ; mas as sementes so amarei- 
las. 

A amndoa, pisada com aguardente, 
mata os piolhos da cabea ; o cheiro 
da fructa bom. 

Tambm d corda e madeira para 
arcos de barril. 

Araiieiiii iiaisan. Anona paliS' 
ris, Linn. Fam. Idem. Esta esp- 
cie cresce nos paes e brejos. E' ra- 
mosa ; as folhas menores do que as j 
citadas ; e as flores tambm. 



ARC 



ARG 



4f 



O fructo uma baga ; tem sementes 
de um vermelho escuro, e no se come. 

A raiz tem o lenho frouxo, serve de 
cortia, muito porosa, ptima para 
afiadores de navalhas, para rolhas, etc. 

Araticiini ponli. Anona Marc- 
gravii, Mart. Fam. Idem. Este Arati- 
cvm tem as mesmas qualidades do 
Araticum do mato^ cultivado. 

i%rafticiiii& cio rio. Anona syi- 
nescens, Mart Fam. Idem. Tem as 
mesmas propriedades dos outros ; mas 
seu fructo mais empregado em cata- 
plasmas para limpar as ilceras, e ama- 
durecer os abscessos. 

As sementes em. p, combatem a 
ptiriasis infantilis, isto , o Mclio su- 
Xierficial., polvilhando-se a parte afec- 
tada. 

Araticiiiit (le Santa Catlaari- 

na. RoUinia salicifolia. Fam. Idem. 
Tem os caractersticos das outras 
espcies. 

ArcaiBaan. Bigno7iia ecMnata., Jacq. 
e Swart. Fam. das Bignoniaceas. Ar- 
busto natural do paiz, por este nome 
nas Alagoas conhecido, e tambm por 
Arraia do mato. 

uma planta trepadeira, que sobe 
galgando as mais altas arvores. 

Os caules so lenhosos ; seus ramos 
so cruzados ; folhas brilhantes e ovaes. 

As flores de cr rsea viva. 

O fructo uma capsula lenhosa de 
quasi 24 centmetros de comprimento, 
e 10 centmetros de largura, de cr 
parda, ssea ; a sua superflcie eriada, 
de protuberncias cnicas agudas ; den- 
tro forma uma pellicula branca asse- 
tinada, com uma diviso no centro e 
cheia de muitas sementes cercadas de 
azas membranosas. 

uma das bellezas do campo este 
arbusto ; porque do alto dos cimos das- 
arvores pendem seus festes de flores 
cr de rosa com seus exquisitos fructos. 

Caracteres da famlia. So arvo- 



res, arbustos, ou rarssimas vezes plan- 
tas herbceas, cujo caule muitas 
\ezes sarmentoso; guarnecido de ga- 
vinhas. 

As folhas ordinariamente oppostas 
ou ternadas, so raramente alternas, 
as mais das vezes compostas. 

As flores, que so terminaes ou axil- 
lares, diversamente grupadas. 

Tem um clice gamosepalo, frequen- 
tes vezes persistente e de cinco lobos. 

Uma corolla gamopetala, mais ou 
menos irregular e de cinco divises. 

Frequentssimas vezes quatro esta- 
mes didynamos, acompanhados de um 
filete estril, que o indicio de um 
quinto estame abortado ; em alguns g- 
neros, os cinco estames so iguaes ou 
dois somente so frteis. 

O ovrio sustentado por um disco 
hypoginico apresenta uma ou duas lojas 
contendo ordinariamente vrios vu- 
los. 

O estylete simples termina por um 
estigma bfido. 

O fructo uma capsula de uma 
duas lojas, que se abre por duas val- 
vas oppostas ou parallelas ao caule; 
raras vezes o fructo carnoso, ou duro 
e indehiscente. 

As sementes, muitas vezes cercadas 
de uma aza membranosa em todo o 
seu contorno, encerram debaixo do te- 
gumento prprio um embryo erecto, 
desprovido de endosperma. 

Argemouia. Argemotie mexicana. 
Linn. Fam. das Pa^paveraceas. uma 
planta herbcea, natural do Mxico e 
do Brasil, cujo porte semelhantssimo 
ao nosso Cardo-Santo de Pernambuco. 

Propriedades medicas. Os nossos 
indgenas, empregam as folhas da Ar- 
gemonia no curativo das ulceras, sobre- 
tudo syphiliticas. 

O leo considerado purgativo como 
o de rcino, bastando trinta gottas 
para o efeito cathartico, que se ma- 
nifesta cinco horas depois da ingesto 
do remdio. 

O sueco antiherpetico, e o cosi- 



48 



ARG 



ARO 



meuto das sementes c empregado con- 
tra a queda dos cabellos. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas ou ainda raras vezes subarbus- 
tos, de folhas alternas, simples, mais 
ou menos profundamente recortadas, 
cheias em geral de um sueco lcteo 
branco ou amarellado. 

As lres so solitrias ou dispostas 
em cimas, ou em cachos ramosos. 

O clice formado de duas, rars- 
simas vezes de trs, sepalas concavas 
e fragilissimas. 

A corolla, que falta algumas vezes, 
se compe de quatro, mui raramente 
de seis ptalas singelas, comprimidas 
e enrugadas antes do seu desabrochar. 

Os estames, em grandssimo nume- 
ro, so livres. 

O ovrio ovide ou globuloso, ou 
estreito e tambm linear, d'uma s 
loja, contendo grandssimo numero de 
vulos unidos trophospermos salien- 
tes sobre a forma de ptalas ou falsas 
divises. 

O estylete, curtssimo ou pouco dis- 
tincto , termina em tantos estigmas 
quantos trophospermas. 

O fructo uma capsula ovide co- 
roada pelo estigma, ou abrindo-se em 
poros simples abaixo do estigma; s 
vezes alongada em forma de siliqua 
abrindo-se por duas valvas, ou rasgan- 
do-se transversalmente por articulaes. 

As sementes, ordinariamente peque- 
nssimas, se compem de um tegumento 
prprio, trazendo s vezes uma espcie 
de carunculasinha carnosa , de endos- 
perma igualmente carnoso, no qual est 
collocado um pequenino embryo cy- 
lindrico. 

Argueiro. Arvore da altura de 
uma oliveira, c uma das mais lindas 
do Brasil. 

espinhosa ; seu fructo uma vagem 
contendo umas sementes escarlates, ou 
manchadas, empregados pelos indgenas 
em objectos de ornato como braceletes, 
etc. 



Arlcor oii roqueiro dicort. 

Cocos coroiala, Marl. Fam. das Pal- 
meiras. uma palmeira indgena do 
paiz, muito frequente nas provncias 
da Bahia e Alagoas : tem tambm o 
nome de Dicori e Nicori. 

E' de porte mdio, o tronco eriado 
de fragmentos das velhas folhas, no 
alto com o molho de folhas de eixo 
comprido, e os foliolos dispostos em 
dois sentidos e azulados ; as flores em 
cachos, como o geral das palmeiras ; 
os fructos so de 3 a 6 centmetros, 
ovides, com escamas na base, cr 
amarella, quando maduro ; no centro 
um caroo duro; a polpa saborosa, 
e sua amndoa d bom azeite. 

Arnacasi. F. Junta de cara. 

Ariiolta. F. Uruc. 

Aroeira. Schinus aroeira, Vell. 
Fam. das Terehentaceas . 

Propriedades medicas . A casca 
d'esta arvore adstringente e empre- 
gada pelos pescadores para fortalecer 
os fios das redes. 

O estracto pode supprir o cato. 

D-se o extracto em plulas, e a 
casca em cosimento (4 grammas para 
500 grammas d'agua.) 

De suas folhas frescas se pde pre- 
parar uma agua distillada prpria para 
o toucador. 

Tambm tida esta planta por anti- 
febril. 

Arocii'it lo cas|fio. Astronium 
graveolens, Jacq. Fam. das Terebentha- 
ceas. uma arvore resinosa, de fo- 
lhas compostas: vegeta no Alto-Ama- 
zonas: suas flores encarnadas e seus 
fructos redondos, formando uma es- 
trella. 

Derrama um sueco glutinoso, incolor, 
anlogo ao da Terebenthina. 

A madeira pesadssima e industruc- 
tivel. 

Propriedades medicas. Tem as mes- 
mas virtude da Aroeira acima descripta. 



ARO 



ARR 



49 



Aroeira d Capoeira. Schinus 
meleoides, VelLFam. das Tereiuthaceas. 
A casca serve para tingir. 

Os fructos e folhas so muito arom- 
ticos. 

Aroeira da mata. ScJmms Ar- 
oira, Limi. Fam. das Terehinthaceas. 
Arvore colossal e importantssima, na- 
tural do paiz ; seu tronco resinoso e 
aromtico, engrossa e cresce muito ; 
folhas distribudas em palmas ; as fl- 
Ihas em cachos midos, de sexos se- 
parados. 

O fructo pequeno, globoso e mo- 
nospermico. 

O lenho d'esta arvore de uma ri- 
gidez frrea; enterrada tem uma dura- 
o admirvel, empregada nas cons- 
truces e edificaes campestres; tem-se 
achado em edifcios seculares a Aroeira 
ainda perfeitssima. 

Propriedades medidas. A entrecasca 
empregada nas diarrhas. 



Aroeira de Miiwk^. ScMtiiis mu. 
crouulatus. Mari. Fam. Idem. Esta 
planta de Minas Geraes est nas con- 
dies das mencionadas. 



Propriedades medicas. O cosimento 
das folhas tambm serve para usos do- 
msticos medicinaes, e da entrecasca 
faz-se applicao nas hrnias ingui- 
naes, com proveito, mormente se so 
recentes. 

Aroeira do Rio de Janeiro. 

Schinus terehenhifolius, Raddi. Fam. 
Idem. Diocia Decandria., Linn. Arvore 
mediana, do Rio, semelhante s j 
descriptas, e provavelmente com as 
mesmas propriedades. 

Arraia do mato. V. Arcuiian. 

Arrebenta caiallo.- F. Melan- 
cia da "praia. 

Arrependido. i^w. das Rham- 
naceas. Por este nome conhecido 
em Alagoas um arbusto agreste, na- 
tural do paiz ; inclinam-se uns sobre 
outros e so iexiveis. 

O lenho esbranquiado e sulcado 
longitudinalmente ; tem o uso do sip- 
po, e muito semelhante a este. 



Aroeira da praia. Pistacia Len- 
ticus, Linn. Fam. das Terehinthaceas. 
Esta arvore, to aclimada entre ns, to- 
davia natural da Barbaria e das proxi- 
midades do Mediterrneo. 

uma arvore de porte pequeno, sem- 
pre verde e revestida de sua folhagem, 
que disposta em palmetas. 

Todas as suas partes so resinosas, 
principalmente a casca ; flores em ca- 
chos, miudinhas, esverdinhadas. 

Os fructos so como gros de chumbo 
grosso, vermelhos e como machucados: 
dentro tem uma semente. 
Habita no litoral do Brasil. 
resina, que escorre do tronco, entre 
ns nenhum uso damos, pelo pequeno 
apreo que se d em nosso paiz s ri- 
quezas naturaes d'este abenoado solo ; 
mas na Europa o producto de suas con- 
gneres o mstique, o terebintho do 
commercio, muito empregado. 



Arringa-ila. Caladium arboreS' 
cens, Linn. Fam. das Aroideas. Esta 
planta semelhante ao Tinhoro., porm 
mais elevada. 

' natural da ndia. 

Propriedades medicas . Arbusto 
muito acre. Suas folhas so emprega- 
das em cataplasmas resolutivas. 

Sua raiz fornece uma substancia amyg- 
lacea. 

O cosimento d'este vegatal feito em 
ourina empregado nas dores articu- 
lares. 

Arroz. Oryza sativa., Linn. Fam. 
das Gramiueas. O gnero Onjza com- 
prehende s quatro espcies, mas sub- 
divididas em grande numero de varie- 
dades. 

I D'e3tas quatro espcies somente uma 

e que se cultiva para alimentao do 

homem ; mas que comprehende muitas 

variedades. 

Descaux classifica o Arroz., cultivado 

9 



so 



ARR 



ARR 



em dilicrcutcs regies do globo, cm 
seis variedades botnicas, que podem 
ser consideradas como outras tantas ra- 
as, nas quaes se incluem natural- 
mente todas as subvaricdadcs distinctas 
na cultura, e cujo numero tal, que 
Lechenault de Latourt menciona trinta 
cultivadas nas visinlianas de Pondi- 
cliery; Qlleme^ cita vinte e uma, cul- 
tivadas em Mysore. 

As variedades, por structura externa, 
podem dividir-se em duas classes : 
Arroz harhado [oryza sativa)^ q Arroz sem 
barha [oryza mutica). 

Entre as variedades barbadas Des- 
vaiix menciona como mais notveis a 
Oryza, scUica imhcscens, cultivada na 
Itlia, a Oryza rulribarlis ^ cultivada na 
America Septentrional ; a Oryza S. 3ar- 
giiaia, cultivada na ndia , e a Oryza 
elongaa, cultivada no Brasil. 

Entre as no barbadas distinguem- se 
a Oryza muiica enuata, cultivada na 
Itlia e a Oryza sargJioiea, cultivada 
na ndia. 

Quanto s cores, em ambas as classes 
se encontram o Arroz branco, amarello, 
cr de rosa, vermelho, trigueiro, etc. 

O celebre Poivre introduzio na liba de 
Frana a cultura de uma variedade de 
Arroz iranco da Coehincliina, cultivvel 
nos terrenos seccos, a que se deu o nome 
de Arroz 'perenue ou de Arroz da monlanlia. 
Mas esta espcie, que requer, como as 
outras, um terreno liumido, no exige 
todavia a submerso, como as esjiecies 
geralmente conhecidas; basta que na 
localidade as chuvas sejam regulares, ou 
que se possam irrigar artificialmente os 
arrozaes, no exigindo a sua cultura seno 
terrenos anlogos aos dos outros cereaes. 
Esta espcie divide-se em duas varie- 
dades : uma longa e outra redonda. 

A primeira tem imia pellicula verme- 
lha, que communica uma parte de sua 
cr ao gro, sem todavia communicar-lhe 
mo gosto. 

A segunda produz sobre as montanhas 
e collinas, mas somente nos paizes onde 
as chuvas so regulares e abundantes . 
Fallaremos adiante d'esta variedade. 
As variedades mais estimveis da n- 



dia so as denominadas heuapcli e yuti- 
dali. 

O Arroz imperiat, cultivado na China, 
parece ser o mais tcmporo de todos, 
porque exige para amadurecer menos a 
tera parte do tempo do que as outras 
variedades de Arroz. 

No Japo existe uma variedade de gro 
mui pequeno e mui branco, que dizem 
ser a melhor espcie conhecida. 

O trigo por excellencia, o trigo Sarra- 
ceno, o centeio, a aveia, o milho, a man- 
dioca, o Arroz^ e pde-se accrescentar, as 
batatas, so as principaes plantas ali- 
mentares o po do gnero humano. 

O Arroz sustenta talvez mais das duas 
teras partes das raa humana aisse- 
minadas em todos os pontos do globo, e 
povos ha que quasi exclusivamente se 
nutrem com Arroz, ou pelo menos que 
com elle formam a base principal da 
alimentao, taes como os Chins, a maior 
parte dos habitantes da ndia, do Ja- 
po, etc. 

Durante muito tempo considerou-se o 
Arroz como planta originaria da ndia ou 
da China, mas sabe-se agora que em di- 
versos pontos da America e da Africa 
existem variedades de Arroz indigona, no 
estado selvagem, susceptvel de melho- 
rar muito pela cultura. 

Pouco a pouco a cultura d'este cei"eal 
se propagou no somente nas regies 
tropicaes, como tambm em muitos paizes 
temperados, na Hespanha, na Itlia, em 
Frana e ultimamente em Portugal e at 
em algumas partes da Allemanha ; pde- 
se dizer que ella prospera nas regies 
do Sul das quatro partes do mundo. 

Sabe-se que a cultura do Arroz na Ame- 
rica Septentrional, que apenas comeou 
no fim do decimo stimo sculo, tomou 
um immenso desenvolvimento. 

Os estados da Carolina do Sul e do 
Norte, da Unio Americana cultivam par- 
ticularmente uma variedade considerada 
como de qualidade superior a todas as 
outras, excepto a do Japo que acima 
mencionamos. 

O Arroz uma planta annual, cujo 
caule uma vergontea fina, de quatro 
decimetros a um metro, revestidas de fo- 



ARR 



A RR 



lhas longas abarcantes e estreitinha^, 
de verde mui lindo ; na epocha prpria 
sahe um cacho, com ilres nas summida- 
des,que parecem umas pevides; formam- 
se os fructos que so cariopses, cobertos 
de um envoltrio paleaceo, de forma ellyp- 
tica, sulcado longitudinalmente ; dentro 
ha uma semente branca, rica de uma 
substancia amjlacsn, que a parte usada 
como comestvel em todo o mundo. 

No Imprio do Brasil, nos terrenos 
baixos, nas margens dos seus rios, e na 
costa maritiQa e sobretudo nas provn- 
cias do Maranho e Amazonas, cultivam 
o Arroz, e exportam em grande quanti- 
dade. 

O Arroz cada dia se torna mais impor- 
tante como artigo de consumo, tanto por 
seu uso alimentcio, como por erapregar- 
se na produceo da gomma, usado ou 
para alimento ou outros fins domsticos. 

Usa-se na Europa o Arroz para d'elle se 
extrahir o amido. A gomma muiio usa- 
da para imbuir fazendas de linho e de 
algodo, e preparal-as para servir depois 
de lavadas. 

Para este fim se faz immenso consumo 
de amido, e o Arroz uma das substan- 
cias mais extensamente empregadas para 
d'elle se extrahir este principio. 

Propriedades medicas. emolliente, 
frequentemente empregado nas inlam- 
maes do tubo digestivo, e em cata- 
plasmas, contra as inflammaes, abces- 
sos, etc. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, annuaes ou vivazes, raras ve- 
zes subfructescentes, de apparencia toda 
particular e muito earacteristica, tendo 
um caule geralmente istuloso, oFere- 
cendo de distancia em distancia ns 
cheios, d'onde partem folhas alternas 
e invaginantes. 

Esta bainha que pode ser conside- 
rada como um peciolo alargado, fen- 
dida em todo o seu comprimento, e 
apresenta em seu ponto de junco 
com a folha uma espcie de collo mem- 
branoso, ou formado de pellos, que se 
chama collura ou ligula. 



As flores so dispostas em espigas 
ou em paniculas mais ou menos ra- 
mosas. Estas flores so ou solitrias, 
ou reunidas, varias juntamente, for- 
mando gruposinhos que tem o nome 
de espiguetas. 

Na base das espiguetas ou das flores 
solitrias, acham-se duas escamas : uma 
externa, outra interna formando a le- 
picena; raramente a escama interna 
falta e a lepicena univalvular. 

Cada flor se compe de duas outras 
escamas formando a gluma, de esta- 
mes geralmente em numero de trs, 
s vezes menos, raras vezes mais. 

Os filetes so capillares. 

As antheras bifldas em suas duas 
extremidades. 

Pistillo formado por um ovrio uniflo- 
cular, monospermico, marcado por um 
sulco longitudinal em um dos seus 
lados, por dois estjletes, e dois es- 
tigmas pillosos e glandulosos; rars- 
simas vezes o estylete simples ou 
bifurcado na parte superior. 

Fora do ovrio na face opposta ao 
sulco observa-se em um grande nu- 
mero de gneros duas pequenas pa- 
lhetas de forma variada que consti- 
tuem a glumella. 

O fructo uma cariopse, mui pou- 
cas vezes um akenio liso ou envol- 
vido nas valvas da gluma, que se des- 
prende e cahe com elle. 

O embryo tem uma forma discoide, 
e applicado na parte inferior d'um 
endosperma farinceo. 

Aa*POz <Bo laiato. Oryza subulata, 
Mart. Fam. idem. uma espcie de 
Arroz, que vegeta expontaneamente no 
Par e nas Alagoas; d um gro mais 
grado e menos saboroso, porm tem as 
mesmas propriedades, do Arroz commum. 

Arroz tio mato las Alaj^as. 

V. Taquari de cavallo. 

Arroz Sjlvcstre. F. A7'roz do 

raatto. 

Arr^ita rte Campina . ndigo- 



ss 



ARR 



ART 



fero campinaria. Fam. das Leguminosas. 
Esta espcie indgena, que nasce no 
solo pernambucano e em outras provn- 
cias, a que tem o nome em Pernam- 
buco de Arnila da Campina; pois ha 
xmui confuso n'este nome : a de S. Paulo 
no esta; a do Rio de Janeiro, tam- 
bm no, segundo a classificao da 
Flora do Brasil. 

Quanto de Pernambuco uma herva 
rasteira; ergue as pontas dos ramos, 
vestidas de folhas dispostas em palmi- 
nhas, iguaes s da Arruda da Europa, 
de cr verde- azulada, e cobertas de la- 
nugem, flrinhas rouxas em cachos abas- 
tecidos ; d fructos em cachinhos ; so 
vagens rolias, pequeninas, com duas 
valvas e com duas ou trs sementes 
semelhana do feijo. 

Propriedades medicas. muito aza- 
da na dose de 30 grammas para 500 
grammas d'agua trs vezes ao dia nas 
gonorrheas e retenes de ourinas, e em 
banhos nos ataques hemorrhoidaes e 
nas inflammaes das vias urinarias. 

Ai*!t*siftr: 1e Ci>at3>ini' do Rio 
de tjaiiearo. V. Carrapicho de beio 
de hoi. 

Arruda 1 Casnpo, ou de 
S. PaBlo. Hypericum teretiusculum, 
St. Hil. Fam. das Hypericaceas . Esta 
planta herbcea nasce naturalmente no 
Brasil e recebe o nome acima em 
S. Paulo. 

de ramos ascendentes; nas partes 
superiores de quatro goramos ou faces, 
folhas pequenas, compridas ; flores em 
cachos. 

O fructo uma capsula de forma al- 
longada. 

ArrutSa da Europa. Rua gra- 
veolens, Linn. e Sp. Fam. das Rutaceas. 
Vegetal cultivado no Brasil. natural 
da Europa; se bem que acclimada ha 
muitos annos esta planta entre ns, 
com tudo nos nega a sua florescncia, 
que raras vezes se observa. 

nm subarbustosinho elegante, at 



1 metro e 12 centmetros de altura, 
pouco mais, ramoso, suas folhas dis- 
postas em palmas, midas; todas as 
suas partes so de um verde azulado. 

As flores que se renem om cachos, 
so amarellas e pequenas; todas as 
partes da planta derramam um cheiro 
mui activo mas pouco agradvel. 

Os fructos so pequenas bagas de 
cinco cocas ou lojas. 

Propriedades medicas. estimu- 
lante, anthelmintico, emmenagogo, em- 
pregado na amenhorrea , chlorose , e 
hysterismo. 

Internamente 4 grammas para 400 
grammas d'agua, para infuso. 

Arruda do mato. Pelocarpus 
officinalis, Ahl. Fam. idem. uma 
planta que recebe este nome no Ma- 
ranho. 

Propriedades medicas. emprega- 
da como excitante em banhos. 

Arruda do aitato ou Anil dos 
S>o1)re@. Indigofera similerula. Fam. 
das Leguminosas. um arbusto peque- 
no de Pernambuco ; seu compxnmento 
de 1 K a 2 metros, esgalha pouco; 
de cr acinzentada ; folhas dispostas em 
palmas, midas, de verde azulado, mui 
semelhantes primeira vista com a 
Arruda extica ; as flores em cachos miu- 
dinhos. 

O fructo uma pequena vagem de 
poucos centmetros de extenso, rolia, 
curva, com poucas sementes, seme- 
lhana do feijo. 

O principio corante d'esta em maior 
proporo. 

Propriedades medicas. O cosimento 
feito do sueco d'esta planta empre- 
gado contra o veneno das cobras , e 
aproveita nas dores de dentes. 

Artlkeiiiia. Artemizia viilgaris. 
Linn. e Lamch. Fam. das Compostas. 
Herva natural da Europa e acclimada 
nos nossos jardins; uma planta quasi 



AEV 



ARV 



S3 



rasteira entre ns, pois no eleva seus 
ramos a mais de 12 ou 24 centmetros 
do cho. 

Ornada de folhas recortadas, e ele- 
gantes ; a parte inferior esbranquiada 
e pubescente. 

As flores em cachos, que s vezes 
so grandes ; botesinhos amarellos, co- 
roados de palhetinhasfoliaceas, brancas, 
com cheiro activo. 

Os fructos so pequenas bagas pretas. 

Esta planta serve de ornamento de 
jardins, e como tal a apreciam. 

Propriedades medicas. emmena- 
gogo e anti-hysterico. 

Internamente 10 grammas para 1000 
grammas d'agua, em infuso. 

Arvore lo Allio. Ccrdana al- 
liodora^ R. Fam . das Borragineas. 
uma arvore alta, oriunda do Peru, 
Chile e do Brasil ; suas folhas alter- 
nas oblongas e ovaes ; as flores em 
cachos. 

Esta planta exhala um cheiro de 
alho mui pronunciado ; as formigas 
gostam de comer suas folhas, princi- 
palmente uma certa espcie de formiga 
mida. 

Propriedades medicas. usada 
em banhos como estimulantes. 

Arvore fie Cera. Myrica ceri- 
fera^ Linn. Fam. das Marantaceas. 
Esta arvore vegeta nos Estados Unidos 
da America em abundncia. 

de pequena altura, tem a casca 
acinzentada, as folhas alternas e lan- 
ceoladas. 

As flores em espigas cobertas de 
escamas, so de sexos separados 

O fructo ^ redondo, do tamanho de 
uma pimenta do reino (pimenta da 
ndia) . 

Fervem em agua os fructos, e com 
uma espumadeira tiram a cera d 
agua ; coagula-se essa cera que fica 
de cr esverdeada, depois torna-se 
consistente e amarella, e com ella 
fabricam-se vellas, que exhalam um 



cheiro mui agradvel durante a com- 
busto . 

Ai^vore Ia l. V. Barriguda. 

Arvore le Pralna. Choriziaspe- 
cosa, Si. Hil. Farti. das Bombaceas. 
uma arvore agreste, conhecida no 
Eio de Janeiro, Minas Geraes e suas 
visinhanas. 

de porte alto ; folhas digitadas. 

Suas flores so um tanto grandes, 
brancas, com muitos filetes no centro. 

O fructo uma capsula, cujas se- 
mentes so envoltas em uma espcie de 
l, da qual se usa para encher col- 
ches e travesseiros. 

Caracteres da faiilia. So arvo- 
res ou arbustos, originrios dos paizes 
intertropicaes, de folhas alternas, sim- 
ples ou digitadas, munidas na base 
de duas estipulas persistentes. 

O clice algumas vezes acompanhado 
exteriormente de algumas bracteas, 
gamosepalo, de cinco divises imbri- 
cadas antes do seu desabrochar, outras 
vezes inteiro. 

A corolla, que falta s vezes, se 
compe de cinco ptalas regulares. 

Os estamos, em numero de cinco, 
dez, quinze ou mais, so monadelphos 
e formam superiormente cineo feixes, 
que trazem, cada um d'elles, uma ou 
varias antheras, uniloculares. 

O ovrio formado de cinco carpel- 
las, ora distinctas, ora ligadas entre 
si, e terminadas cnda uma em um es- 
tylete e um estigma ; algumas vezes 
se soldam em um s. 

Os fructos so em geral capsulas de 
cinco cocas polyspermicas, abrindo-se 
em cinco valvas, ou so coriaceas, 
carnosas interiormente, e ficam inde- 
hiscentes. 

As sementes, muitas vezes cercadas 
de pellos ou de penugem, tem algu- 
mas vezes um endosperma carnoso, 
cobrindo um embryo cujos lobulcs so 
lisos ou com asperesas. 

O endosperma falta s vezes. 



ASS 



AVA 



- Arvore lo iiajiel. V. Po faixei. 
Arvore tSe gio. F. Friicla po. 

Arvore ia pureza. Yucca glo- 
riosa., Linn. Fan. das Liliaceas. Ar- 
busto extico, aeclimado no Brasil. das 
Amricas Meridional e Septentrional. 
Cresce no Canad e no Peru. Assim 
a chamam em Pernambuco. 

E' ornamento de jardins, tem o aspecto 
do npsso Coroat., folhas radicaes grossas 
e grandes, em forma de espadas agudas ; 
eleva-se no centro um caule escamoso 
e verde, lanando do meio d'essa tou- 
ceira, uma haste que termina em ponta, 
e d inflorescencia em forma de espiga, 
sendo as flores de cr branca e ele- 
gantes. 

Arvore triste. F. Aafroeira., 

Asss4'w. Hiira crcpitans, Linn. e 
Lamli. Hura brasilietisis . Fam. das 
Eu])]i07']jiaceas . Esta planta natural 
do paiz ; vegeta espontaneamente pelas 
Cayennas, Mxico e Antilhas, no Par 
e Amazonas. 

uma arvore collossal, de folhas 
subcordiformes, ovaes, igual e miuda- 
mente denteadas. 

Flores masculinas, dispostas em 
amento oblongo, femininas e solitrias. 

O fructo uma capsula, lenhosa, 
multicocca, com uma s semente em 
cada loja. 

Do tronco d'esta arvore escorre por 
incises um sueco leitoso, branco e 
acre. 

este leite que se acredita ser um 
remdio cfflcaz, para a cura da ele- 
phantiasis dos gregos ; mas das expe- 
rincias e observaes feitas tanto no 
Par como nas demais provncias, e 
ainda na Europa, o leite do Assac per- 
deu esta reputao ; oxal que assim 
no acontecesse. 

Os ndios empregam este leite como 
vermfugo, e tambm serve para em- 
briagar os peixes. (Fig. 8.) 

Astaliy. Euterpe ediis, Mart. 



Fam. das Palmeiras. Hexanria Tri- 
gijnia, Linn . Monadelphia . Esta pal- 
meira^ a que no Maranho chamo Jus- 
sara., natural do paiz especialmente 
das provncias do Norte. 

de mediana altura ; seu tronco (stipej 
fino e erecto sustenta no pice o leque 
de suas folhas como as demais palmeiras. 

Deita para os lados uns cachos, dos 
quaes pendem pequenos fructos, ma- 
neira de azeitonas. 

So de 3 centmetros ou pouco mais ; 
ovaes ou redondos, de cr roixa escura 
quando maduros, com uma pellcula fina 
exterior ligada a uma massa pouco es- 
pessa da mesma cr, e um caroo no 
centro, duro ; logo depois da polpa ha 
um tegumento fibroso antes do caroo. 

No Par os Caboclos fazem um vinho 
d'este fructo e reputam-no bom. 

Havia esta palmeira no Jardim Bot- 
nico de Olinda. 

Assa-2>eixe Boliemeria caudata. 
Fam. das Urticaceas. uma herva de 
folhas oppostas e ovaes. 

Flores em longas espigas. 

oriunda da America Meridional. 

Propriedades medicas. emprega- 
da em banhos contra as hemorrhoidas, 
e como diurtica na dose de 2 grammas 
para 500 grammas d'agua, em cozimento. 

Assa-gieixe. V. Piti caf. 

Assueewa . V. Aicena. 

At*!i. Begnia, Eyncs. Arnm, 
St. Hil Fam. das Begoniaceas . D'esta 
planta os Botocudos apreciam muito as 
razes assadas, porque tem o gosto da 
Machaxera. 

AvariSBo. Mimosa tmgniscati ., 
Linn. e Pison. Fan. das Leguminosas. 

Propriedades medicas. A casca 
amarga e dessecativa; empregam-na 
contra as ulceras antigas, cancro, e 
internamente nas affecces febris, na 
dose de 8 grammas para 500 grammas 
d'agua, em infuso. 



AVE 



AYA 



o 



A.\sity. V. Milho grosso. 

Avessea lrasilieise. Adiantlmm 
Hsoionim, Willd. Fam.dos Fetos ^trih 
das Polypodeaceas. Este vegetal do 
Eio de Janeiro; tem as mesmas vir- 
tudes da Cainllaria. 

Ha d'elle muitas espcies. Na Bahia 
se empregam as espcies dos gneros 
Acrosticum. Acros. Calornelamis^ Acros^ 
aureitn; hoje chamadas pelos botan- 
nieos Gynogrmmm calomelatios., e Gy- 
nogrmmim stfit^rea. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas e vivazes, tornando-se algumas 
vezes arborescentes nas regies tropi- 
caes, e elevando-se ento maneira 
das palmeiras. 

As folhas (frondes) so ora simples, 
ora mais ou menos profundamente re- 
cortadas, pinnatifidas ou recompostas. 
Estas frondes oierecem um caracter 
commum; o de serem enroladas ou 
envolutadas, no momento em que co- 
meam a desenvolver-se. 

Os rgos da fructiicao esto or- 
dinariamente situados na pagina infe- 
rior das folhas, ao longo das nervu- 
ras ou na sua extremidade. 

Os esporulos so contidos em espcies 
de capsulasinhas ovides ou deprimi- 
das, sesseis ou estipitadas, cercadas 
algumas vezes de um burlete em forma 
de annel elstico ; outras vezes, ellas 
se abrem por uma fenda longitudinal, 
ou se despedaando irregularmente. 

Estas capsulas, grupando-se, formam 
montesinhos que se chamam soros, e 
que so cobertos ou de escamas, cuja 
forma muito variada, ou pela mesma 
beira da fronde, diversamente enros- 
cada em forma de escamas orbiculares, 
reniformes, sesseis ou estipuladas. 

No gnero Peris^ as capsulas esto 
postas debaixo da beira retorcida das 
folhas, a qual forma uma linha no 
interrompida. 

Nas espcies de Adianto ellas cons- 
tituem placasinhas salientes e isoladas, 
por causa da extremidade dobrada das 
folhas. 



Em certos gneros, so isoladas ; em 
outros, grupam-se e formam linhas 
mais ou menos allongadas. 

Os soros comeam a desenvolver-se 
debaixo da epiderme, a qual levantam 
de maneira a ficarem cobertas por ella. 

Chama-se induzio poro de epider- 
me que serve assim de invlucro aos 
soros. 

Em alguns fetos como as Osmondeas, 
e as OpMoglcsseas., etc, os rgos da fru- 
ctiicao so dispostos em cachos ou em 
espigas . 

AvesBca la terra. Polypodiim 
aurezcm, Willd. Fam. idem. Do este 
nome em Alagoas e em Pernambuco a 
uma planta trepadeira, cujo caule 
coberto de pellos densos, macios, casta- 
nhos ou louros esbranquiados. 

AvenquiilGa. AcJirosiicum calo- 
melanus. Fmn. idem. peitoral esta 
planta. 

AyaiiaBia. Ex'i[)atoriii,m. Ayapana. 
Veut. c Linn. Fam. das Comjjostas. 
Planta do Brasil de caule ascendente, 
quasi lenhosa na base, ramos rolios, fo- 
lhas oppostas, quasi rentes, lanceoladas, 
trinerviadas e accuminadas, quasi in- 
teiras e glabras ; flores em capitules, for- 
mando corymbos. 

Propriedades medicas. A planta 
amarga, aromtica e diaphoretica; con- 
siderada na medicina popular como bom 
remdio contra a mordedura de cobra. 

Na ndia, para onde foi levada, em- 
pregada contra a cholera-morbus. 

Internamente, o sueco expresso recente 
da planta, tomado s colheres, como 
sudorfico; usa-se a infuso na dose de 8 
a 16 grammas para 500 grammas d'agua, 
e bebe-se s chicaras. 

Externamente a planta contuza pe-se 
sobre a mordedura da cobra; o sueco ex- 
presso empregado para limpar feridas 
antigas. 

Ayaiiaiaa cotoisosa. Eupliorlia 
cotinifolea, Linn. Fam. das Euphorhia- 



S6 



AZA 



AZE 



ceas. Subarbusto do Brasil ; suas folhas 
so oppostas. 

Propriedades MEDICAS. usada em 
cataplasmas contra os condylomas sy- 
philiticos. 

O sueco um forte veneno com que os 
ndios do Rio Negro embebem as settas. 

Tambm serve para embriagar os 
peixes. 

Aypiii. V. Mandioca. 

Ayri ou Coqueiro. Ayri, Astro- 
caryum Ayri^ Mart. e Mayer. Fam. das 
Palmeiras. uma palmeira do norte 
do Brasil , cujo tronco eriado de 
muitos espinhos. 

D fructos que so bagas orbiculares 
carnosas, com o coco (vulgarmente cha- 
mado) sseo, como o de quasi todas as 
palmeiras. 

Os indgenas usam dos espinhos d'essa 
palmeira como de pregos. 

Aza (le morce:o , de follia 
grande . Bossiaca unijugata. Fam. 
das Leguminosas. Monadelphia. Decan- 
dria., Linn. Arbusto agreste por este 
nome conhecido nas Alagoas, 

Suas vergonteas frgeis inclinam-se 
sobre os outros vegetaes. 

Flores em cachos, pequenas. 

O fructo uma vagem de quasi 24 
centmetros de comprimento, lisa, po- 
lyspermica. 

As sementes acham-se unidas a um 
corpo glanduloso. 

Aza de inoreeg:o de folha 

mi 11 da. Fam. das Rubiaceas. E' 
um arbusto do paiz, (trepadeira ou por 
outra cip). 

O caule quadrangular , as folhas 
oppostas, ellipticas, luzidias, pequenas 
e coriaceas. 

As flores so reunidas em feixes es- 
phericos ou hemisphericos, com um p 
tubuloso campanulado. 

O fructo uma baga vermelha, oval, 
coroada de fragmentos da lr. 

Sementes achatadas. 



Azeda. Rumex aceloza, Limi. 
Fam. das Polygonaceas. Esta herva 
cultivada nas provncias do Sul. 

Suas folhas so umas radicaes outras 
caulinares e abarcantes. 

Flores pequenas. 

As folhas comem-se. 

Propriedades medicas. As folhas 
empregam-se em medicina para facili- 
tar a aco dos medicamentos purga- 
tivos; neutralisa o efifeito das substan- 
cias acres. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas, raras vezes subfructescentes, 
de folhas alternas, nvaginantes na base 
ou adherentes a uma bainha membra- 
nosa e estipular, enroladas pela parte 
inferior sobre a sua nervura mediana 
quando novas. 

Flores algumas vezes unsexuaes, dis- 
postas em espigas cylindricas ou em 
cachos termnaes. 

Clice gamosepalo, offerecendo de qua- 
tro a seis segmentos, s vezes dispostos 
em duas ordens e imbricados antes de 
sua evoluo. 

Estames de quatro a nove, livres e com 
antheras abrindo-se longitudinalmente. 

Ovrio livre , unilocular, oferecendo 
um s ovulo erecto. 

O fructo frequentes vezes triangular, 
secco e indehiscente, algumas vezes 
coberto pelo clice que persiste. 

A semente contm, em um endosperma 
farinceo, s vezes mui delgado, um em- 
bryo deitado e outras vezes unilateral. 

Aze1iiilia do brejo, Bignonia 

acida.; Yell. Bignonia ulme folia., Linn. 
Fam das Bignoniaceas . Esta planta 
da famlia e do mesmo gnero da Caroha 
e Carobinha de Pernambuco. 

Ha ainda as espcies seguintes: Big- 
nonia bidenada, Raddi. Beg. sangunea., 
idem. Big. cucullata, Willd. Big. hir- 
tella, Link. Big. undulata, Otto. Big. 
platatii folia. 

Propriedades medicas O sueco 
acidulo refrigerante e antiscorbutico ; e 



AZE 



AZO 



57 



empregado nos catarrhos da bexiga e nas 
dysenterias. 
Tambm a planta fresca cozida co- 

mestivel. 

Azeitona da lerra. Cuphea n- 
tida. Fam. das Zythrareas. ^sU es- 
pcie vegeta no nosso solo, d'onde 
indigena ; conhecem-na em Pernambuco 
e Alagoas por este nome. 

um pequeno arbusto que cresce at 
2 metros, pouco ramoso; ramos erectos, 
casca parda-escura. 

Folhas alternas, ovaes, ura tanto alon- 
gadas e coriaceas. 

Flores em espigas, quasi sem cheiro, 
de cr de rosa viva, so como rosinhas 
simples, com ura p tubuloso; do meio 
d'ellas sahem seis filetes longos. 

O fructo parece-se com uraa azeitona ; 
uraa baga de 3 centiraetros, oval, cuja 
pellicula externa fina ; liga-se a uraa 
massa aquosa, roixa-escura como a pel- 
licula, e no centro tem ura caroo unido 
a esta raassa, a qual se come, posto que 
no seja muito saborosa. 

Ha outra espcie a que chamara brava ; 
differe apenas pela fructa que mais 
oval, oblonga ; e por ter coberta a sua pe- 
riferia de pello curto e spero, que ao 
menor contacto solta-se; tambm se 
come. 

Ambas tingem os lbios de roixo; seu 
sabor acidulo e pouco doce. 

Caracteres da famlia. Hervas ou 
arbustos de folhas oppostas ou alternas, 
de fires axillares ou terminaes. 

Um clice garaosepalo, tubuloso ou 
urceolado, denteado no pice. 

A corolla de quatro a seis ptalas, alter- 
nas com as divises do clice, e inseridas 
na parte superior do tubo. 

A corolla falta em alguns gneros. 

Os estames so em numero igual ou 



duplo do das ptalas, rarissimas vezes 
em nuraero indefinido. 

O ovrio livre, siraples, de varias 
lojas, contendo cada uraa d'ellas grande 
nuraero de vulos. 

O estylete siraples, terrainado em um 
estigma ordinariamente capitoso. 

O fructo uma capsula, coberta pelo 
clice, que persistente, de uma ou va- 
rias lojas, contendo sementes unidas ao 
angulo interno. 

Estas sementes se compem de um em- 
bryo desprovido de endosperraa. 

AzouiTue dos pobre. Panax 
quinquefolium, Linn.Fam.das Araliaceas. 
Esta planta tambm do territrio do 
Brasil, bera corao da America do Norte. 

de caule herbceo cora cinco folhas 
era palmas, inseridas nas pontas de pe- 
ciolos comrauns. 

Suas flores pequenas, era cachos um- 
bellados, so de sexos diversos. 

O fructo redondo e achatado, com dois 
caroos dentro. 



Caracteres da famlia. As Aralia- 
ceas constituem um grupo pouco dis- 
tincto das Urabelliferas. 

So vegetaes herbceos, ou algumas 
vezes arvores elevadissiraas. 

As flores, igualmente pequeninas, so 
.dispostas em urabrellas simplices ou em 
umbrellas paniculadas. 

O clice do mesrao raodo adherente e 
denteado. 

A corolla, forraada de cinco a seis p- 
talas. 

O ovrio apresenta de duas a seis lojas 
monospermicas, e tera outros tantos es- 
tyletes, que terrainam em estigmas sim- 
plices. 

O fructo ora carnoso e indehiscente, 
ora secco, e separando-se em tantas 
cocas ou lojas monosperraicas quantas 
lojas ha no ovrio. 



10 



BAB 



BAC 



Buii. T'. Coqidnho. 

Baba l Itoi Sc CaM8|iia. 

Acharia hahaa, Fam. das Mahaceas. 
Herva agreste .que vegeta pelas cam- 
pinas, reptante, de caule fino, roixo, 
pelludo. 

Folhas alternas, obliquamente cor- 
diformes, pubescentes, nos bordos re- 
cortadas. 

Flores solitrias, amarellas, grandes 
como rosas simples, com o centro 
purpurino escuro, e sem cheiro. 

O fructo uma capsula cnica e 
coberta de pellos, que se divide em 
cinco compartimentos, cada um com 
uma semente. 

Esta planta tem este nome em Ala- 
goas ; tambm do-lhe em Pernambuco 
o de Coraosinlio . 

Propriedades medicas. muits- 
simo mucilaginosa, e empregada nas 
diarrhas de sangue e hemorrhoidas. 

Balia de boi (coqidnjw) . Cocos 
gommosa, Mart. Fam. das Palmeiras- 
E uma palmeira baixa, do paiz. 

_ Seu espique pequeno e cheio de 
cicatrizes que indicam o ponto d'in- 
sero das folhas. 

O vwcto Baia ?e 02 uma baga 
de seis centmetros, oval, com esca- 
mas na base, de cr amarella, coberta 
de uma granulao preta; a polpa 
amarella, mucilaginosa ; tem bom sabor. 

A amndoa do caroo come-se. 
mucilaginosa e gommosa. 



Seu caule coberto de espinhos, e 
a madeira negra. 

Os fructos so bagas, de polpa doce, 
de muito bom sabor, e passa por 
um dos melhores cocos ; mesmo scccos 
so mui apreciados. 

Baeaba. Ocnocar^us hacaha, Mart. 
Fam. das Palmeiras. Esta palmeira 
do Par, elegante; seu tronco ele- 
va-se a vinte e tantos metros. 

As folhas reunidas em um feixe 
terminal. 
As palmas so rectas. 
Os fructos so em cachos, de trs 
centmetros de grandeza, ellipticos, 
roixos quando maduros, e listrados de 
branco. 

A massa tambm roixa, e adhere 
aos veios brancos. 

O caroo coberto de fibras lisas, 
flexveis, come-se, e os indgenas fazem 
com elle uma bebida. 

O fructo da Bacaha mucilagnoso, 
e, quando maduro, os indos usam 
d'elle como seu nico alimento. 

Quando se cosnha este fructo elle 
deixa um sedimento que secco ao sol 
torna-se durssimo. 

Este sedimento serve de recurso aos 
indos para o tempo de fome, porque 
amollecido com agua, forma um ali- 
mento nutritivo. 
Ha duas espcies d'esta palmeira. 



Babor. F. Bamhor. 

Baliosa. F. Herva babosa. 

Babuailta ou Cocf^Befo Babai- 
nlta. Guilielma insignis, Mart. 
Fam. das Palmeiras. i. uma paJ- 
meira da Bahia. 



Baeaisiare. uma planta ape- 
ritiva, desobstruente ; tambm appli- 
ca-se externamente. 

Baeac. F. Abacate. 

Baccliarstla ou Baccbanfa. 

BaccJiars brasiliana, LinneSpl- Fam> 
das Compostas. Falamos de uma das 
espcies do Brasil. 

Planta herbcea, de caule quadrado, 
folhas ovaes, obtusas, um pouco ve- 
nenosas, speras e sesseis. 



BAC 



BAC 



Flores em cachos, alternas, grandes 
e de dois sexos. 

A fructinlia coroada por uma es- 
pcie de penacho simples. 

ISaef3anris;a3i]ie]iii(Eiaiia. 

Tem as mesmas propriedades da ante- 
cedente. 

BaccltariH aB*t enlata. Bac- 
charis articulado. Ba ccMris articutatn. 
Fam. das Coupostas. uma erva amar- 
gosa, resinosa e aromtica : ella suc- 
cedanea da Los7ia. 

Propriedades medicas. empre- 
gada contra a dyspepsia, debilidade 
intestinal, ou mesmo geral,- e anemia 
consecutiva perda de sangue. 

Administra-se em plulas com o ama- 
rello da casca de laranja. 

Baco]>ari do Campo. Cahjpso 
campestris, St. Hil. Gijnandria ononan- 
ria, Linn. Fam. das Hippocraticeas. 
-^Arbusto que vegeta nas plagas de 
S. Paulo e Goyaz. 

ramoso, de casca lisa, folhas m- 
dias e oblongas. 

Flores em cachos. 

Fructo carnoso, globoso, com um ca- 
roo dentro; raramente dois ou trs. 

Floresce em Agosto, e d as fructas 
em Setembro e Fevereiro. 

Caracteres da famlia. Fructices 
ou arbustos geralmente glabros e sar- 
mentosos, trazendo folhas oppostas, 
simplices coriaceas, inteiras ou den- 
teadas. 

Flores pequenas, axillares, fascicu- 
ladas, ou em forma de corymbos. 

O clice persistente, de cinco di- 
vises. 

A corolla se compe de cinco pta- 
las iguaes. 

Os estames so em geral em numero 
de trs, raramente de quatro ou cinco, 
tendo os filetes reunidos pela base; e 
formando um androphoro tubuloso. 

O ovrio trigono de trs lojas, 
contendo cada uma quatro vulos in- 
seridos no seu angulo interno. 



O estylete simples terminado em 
um ou trs estigmas. 

O fructo ora capsular de trs n- 
gulos membranosos, ora carnoso. 

Cada loja contm commumente quatro 
sementes. 

Estas tm um embryo erecto, des- 
provido de endosperma. 

Bacopari cie d\\ioe\vs. Fam. 
das Gutti feras. Arbusto romano; ve- 
geta nas Alagoas, onde lhe do este 
nome. 

Folhas oppostas, oblongas. 

Flores de cr branca. 

D um fructo semelhana de um 
ovo de galinha ; uma parte coroada 
pelos restos do antigo tegumento floral, 
tornando-se a outra parte baa, de cr 
amarella barrenta. 

O pericarpo spero, grosso, coriaceo, 
de espessura de % centmetro; dentro 
branco e com duas lojas contendo uma 
poro de sementes redondas, com uma 
parte convexa e outra plana, de subs- 
tancia crnea semi-transparente pare- 
cendo cera branca; ellas so envoltas 
em polpa amarella, doce e comestvel, 
porm um pouco enjoativa. 

Baeoparl la iiiatta. Fam. 
idem. Fructa agreste conhecida nas 
provncias de S. Paulo , Rio de Ja- 
neiro, Minas, Pernambuco, Par e Ala- 
goas. 

proveniente de uma arvore Baco- 
pariseiro; tem folhas regulares, e flores 
brancas. 

O fructo do tamanho de 3 a 12 
centmetros, de forma oblonga arredon- 
dada, cr amarella de gemma d'ovo^ na 
maturidade, compe-se de um corpo car- 
noso no interior, esbranquiado, com 
trs caroos pretos, cobertos de uma 
substancia albuminosa e doce. 

Come-se uma e outra cousa. 

Tem um sueco leitoso, que queima os 
lbios. 

Os de Capoeira, dferem pouco, so- 
mente em ser menores , e menos abun- 
dante de sueco leto.-o. 



f;o 



BAG 



BAM 



Kaeoro. V. Apoiiacoa. 

Bacnry. MoronoMa coccocmea, Auhh 
Syflinonia glohuUfera^ Linn. filho. 
Fam. das Guttiferas. Arvore alta, lac- 
tifera, das mattas do Maranho e Par, 
aonde conhecida por este nome. 

O tronco grosso, de folhas regulares. 

As flores brancas ou vermelhas, no 
pequenas, semelhana de um copo. 

O fructo de 12 centmetros de grandeza, 
redondo oval, de casca amarellada, grossa 
e spera; os caroos dentro em numero 
de trs a cinco, que so propriamente 
convexos de um lado e plano de outro ; 
so de um amarello fusco. 

Esses caroos esto entre pevides 
molles e brancas, que no fazem parte 
d'elles. 

A massa de sabor acre-doce; d 
excellente doce, que passa n'aquellas 
provncias por um dos melhores; do 
caroo extrahe-se um bom azeite para 
luz. 

Ha outra espcie que differe da supra 
por ter o fructo mais oblongo, porm 
menor. 

Baeory nteinbeca. Arvore que 
cresce nas margens dos rios e nos 
lugares hmidos. 

Os fructos so azedos, mas os ndios 
no os regeitam. 

Baeuri. Plaionia insignis^ Mart. 
O mesmo Bacuri. 

Bariiripari. V. Bacuripari ou 

Bacuri. 

B afta rei ra. V. Carrapateira. 

Ba{s;a da praia. Coccoloia iivi- 
fera, Linn. e Spl. Fam. dasPolygalaceas. 
Arvore alta da America Meridional, de 
folhas grandes cordiformes, e flores em 
cachos grandes, pendentes, pequenas, 
e avermelhadas. 

Os fructos ovaes e vermelhos, cidos, 
comestveis, e carnosos ; comem-se com 
assucar ; tambm se pde preparar com 
elles um vinho. 



Propriedades medicas. Os fructos 
fornecem um extracto adstringente que 
p(3de empregar-se nas diarrheas e leu- 
corrheas. 

Bafiiflha. F. Baunilha. 

Blsamo ou coral. Curcas mul- 
tifida, Endl. Fam. das Ewphorhiaceas . 
A seiva da arvore passa por vulne- 
raria; as sementes, descascadas e seccas, 
fornecem um leo purgativo, que em- 
prega-se na dose de 4 at 8 gottas, 
sem possuir a qualidade corrosiva do 
leo de croton. 

BalsantOy p de perdiz. V. 

Herva mular. 

Bambo. 7. Melancia da praia. 

Bambor. Solanurii papilosum. 
Fam. das Solaneas. Chamam-lhe tam- 
bm Bamhor ou Laranginha do matto^ 
nas Alagoas e Pernambuco. 

uma fructinha agreste e indgena 
proveniente de um arbusto elegante, de 
casca alvadia e lisa. 

Folhas grandes, luzidas, ovaes e ob- 
longas. 

Flores como estrellas esverdinhadas. 

O fructo de 3 a 6 centmetros de 
grandeza, e de forma cnica ; o peri- 
carpo amarello-esverdeado , eriado 
de protuberncias flexveis ; dentro ha 
uma polpa aquosa, amarella, semeada 
de muitos gros renformes, como que 
dividida em quatro alojamentos ; essa 
polpa se come, e muito boa ao pa- 
ladar. 

Baseiib. Guada angustifolia^ Kaunt. 
Bambusa gtiada., fftimb. e Bonp. Fam. 
das Gramneas. Os Bambus so plantas 
das regies quentes : sua ptria mais 
lata a sia ; mas nem por isso deixa 
de possuil-os a regio equatorial ; o 
nosso Amazonas, e algumas das pro- 
vncias do sul possuem-nos ; entre essas 
espcies que ornam aquelle abenoado 
terreno ha tambm os Bambus (Guada.) 



BAM 



BAN 



61 



de um porte arbreo, e pode cha- 
mar-se o Gigante das Gramneas. 

Seu caule toma as propores de um 
tronco de altura immensa, com um di- 
metro de mais de 12 centmetros, apre- 
sentando ns de distancia em distan- 
cia, maneira de taboca; co ou tu - 
buloso e ramoso. 

As folhas, grandes em proporo, 
so palmas. 

As flores em cachos grandes, cujos 
fructos so carnosos segundo a orga- 
nisao das Gramneas. 

Dos ns que existem no tronco d'estas 
Gramneas se extrae um licor gommoso 
e doce, que se acha concretado na cavi- 
dade do tubo e que conhecido pelo 
nome de Tahaxr. 

Mas s na sia aonde este licor 
celebre por lhe attribuirem maravi- 
lhosas propriedades. 

Os nossos indigenas no Par servem- 
se dos gommos do Bamh para guardar 
lquidos, pondo-lhes uma tampa, servin- 
do-lhes de potes para agua e outros mis- 
teres. 

No Rio de Janeiro as escadas de mo 
para as armaes dos templos so feitas 
do Bamh porque ficam muito altas e 
pesam menos do que as de outra qual- 
quer madeira. 

Bainb Ia lutlia. Bambusa arun- 
diiiacea., Rhecd. e Bump. Fam. idem. 
Ha Bar/ibs cultivados entre ns que so 
adquiridos da ndia, sua origem, d'onde 
passaram ao nosso paiz. 

E' um arbusto de caules em touceira 
com o porte do Taquari; mas sua fo- 
lhagem no de um verde claro como 
o d'este, sim de um verde escuro no 
embaciado, porm com a superfcie 
lisa. 

Cada planta de per si forma um grupo 
tal, que parece uma reunio de muitas 
plantadas no mesmo lugar. 

O caule como est descripto no 
Guada. 

As folhas oblongas e lanceoladas, abra- 
am o caule. 

As flores dispostas em ramos esga- 
lhados, parecem sementinhas, como so 



as de todas as Gramneas., em que con- 
fundem-se as flores com os fructos. 

Na sia, ptria por excellencia dos 
Bamhs, vem-se grandes extenses de 
terrenos cobertos de Bambus., que com 
os ventos se agitam uns sobre outros 
de tal maneira, e cujo estrpito to 
forte, que muitas vezes assusta aos vian- 
dantes ; at asseveram pessoas de cri- 
trio que j tem pegado fogo pelo des- 
envolvimento do calor, quando a frico 
chega a certo gro. 

E' d'estes caules que os chins e 
outros asiticos fabricam tantos objectos 
d'arte, curiosos e de valor. 

Da pellicula da casca fabrica-se o 
papel da China. 

As folhas envolvem as caixas que nos 
conduz o ch da ndia. 

Os gommos servem de vasos, benga- 
las, conductores, lanas, flechas, pennas 
de escrever e para construco de casas 
e moveis. 

Entre os chinezes as venezianas so 
feitas de Bambus. 

Os caadores apoderam-se de um pe- 
dao que tenha o n no centro, de um 
lado introduzem a plvora, e do outro o 
chumbo. 

Finalmente presta-se a ser fendida em 
tiras para fazer-se esteiras, balaios, ces- 
tos, etc, e nos navios utilisa-se para 
vergas, cabos, etc. 

Com as fibras fazem-se mechas para 
vellas . 

A dureza do Bambu tal que os indios 
quando querem fogo, batem dois peda- 
os de bambus um no outro, immediata- 
mente produz innumeras faiscas,e appro- 
ximando-se um pedao de papel este 
incendeia-se immediatamente. 

Do n de seu caule tira-se um assucar 
branco chamado tabaxir ; pela fermenta- 
o d um licor conhecido por Am^. 

Bananeira an. Hexandra mo- 
uoecia., Lnn. Mnsa [Nana). Fam. das 
Musaceas. D'esta espcie de vegetaes 
alguns so originrios da ndia, e cre- 
mos que outros so do Equador, e por 
consequncia do Par. 

So plantas reconhecidas pelos natu- 



tS 



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ralistas como os fjigantes das plantas 
herbceas ; cora effeito, cilas tem um 
bolbo maior ou menor, como raiz ; v-sc 
elevar-se d'elle um caule de dois a quatro 
metros pouco mais ou menos de altura, 
e de dimetro proporcional ; seu tecido 
de fibras do malhas largas, composto de 
cellulas, e todo aquoso ; no pice abre- se 
um feixe, de folhas longas, de dois 
metros pouco mais ou menos, ellipti- 
cas, oblongas, no centro percorridas 
por um corpo da natureza do caule, 
que a elle se prende, e que a ner- 
vura mediana, continuao do peciolo ; 
o limbo da folha membranoso; rom- 
pe-se em tiras pelos ventos, e de um 
verde bonito; sua parte inferior reves- 
tida de um p cinzento esbranquiado. 

No tempo da fructificao, deita uma 
vergontea do centro das folhas, da qual 
sahe um cacho com os rudimentos das 
fructinhas em grupos distinctos ; na 
parte superior cada fructinha tem no 
seu pice uma flor, que fecundada pe- 
las outras, vai-se desenvolvendo pro- 
gressivamente; o mesmo acontece a 
todas as fructas do cacho. 

Na parte superior do cacho prolon- 
ga-se o eixo n, formando um aggre- 
gado de membranas carnosas, roixas, 
compondo um corpo cnico, liso. 

Cada dia levanta-se um envoltrio 
d'ess8S, e deixa ver um grupo deflo- 
res a que chamam favos, e que vo 
operando as importantes funces da 
fecundao . 

, Estas flores tm um nctar io, que 
produz uma substancia liquida, albu- 
minosa, doce e agradvel. 

Acabada a serie d'essa funco, esto 
os fructos desenvolvidos com vrios 
tamanhos, como havemos de notar. 

Este de que falamos tem de com- 
primento 24 centmetros, e de forma 
subtriangular ; apresenta um pequeno 
umbigo no pice, e uma cr amarella 
na maturidade ; aromtica. 

A casca um tanto grossa, flexvel, 
internamente cheia de fibras longitu- 
dinaes, que desprendem-se ; une-se a 
uma massa compacta, tenra, doce e 
agradvel. 



No centro d'essa existem trcs divi- 
ses distinctas, mas adherentes mesma 
massa, na qual se divisa sementes miu- 
dissimas, inseridas nos ngulos d'essa 
cruzeta. 

Esta espcie de bananeira, porm, 
a de estatura mais pequena, que cresce 
at dois metros de alto. As folhas 
novas arroixadas, e as fructas quasi 
vermelhas quando novas, so depois 
avermelhadas ; o sabor no dos me- 
lhores. 

As bananeiras so espcies ou exem- 
plos gigantes das plantas herbceas, 
de um porte elegante, inteiramente 
particular, que lhes do as largas fo- 
lhas de um bello verde-claro. 

Todas as bananeiras habitam os pai- 
zes tropicaes dos dois mundos, ellas 
gostam dos lugares baixos e hmidos 
e das margens dos regatos ; tambm 
ordinariamente em semelhantes lo- 
calidades que se plantam bananeiras. 

A importncia das bananeiras as tem 
feito notar em todas as idades, e ellas 
parecem ter sido cultivadas desde a 
origem das sociedades. 

Assim ns as vemos dar lugar a 
uma serie de fabulas e de conjectu- 
ras. 

Certos escri^tores professaram que era 
a bananeira um d'esses vegetaes que for- 
mava a arvore com a qual o primeiro 
homem se cobrio de sua nudez, e que 
esse enorme cacho (de uvas) trazido a 
Moyss, da terra promettida, no era 
outra cousa mais que o cacho de uma 
bananeira. 

O Olans e Celsius designam os fructos 
d'est3 vegetal como sendo a famosa Dou- 
claim da Escriptura Santa. 

Theophrasto e Plnio faliam das bana- 
neiras. 

Avicense^ Seripio e Phages fazem d'ella 
um grande elogio; singulares supersti- 
es reinaram e existem ainda a respeito 
do seu fructo. 

Bernanlvii de St. Pirre diz: que os 
portuguezes que chegaram primeiro s 
ndias Orientaes, no a cortavam jamais 
pelo meio, porque julgavam vr no in- 
terior uma espcie de cruz, no lugar que 



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occupam os restos das cavidades ova- 
ricas. 

Refere-se que na Grcia o povo supers- 
ticioso est persuadido de que a bana- 
neira se abate sobre aquelle que lhe ar- 
rebatar o fructo antes da maturidade. 

As bananeiras so cultivadas em abun- 
dncia nas trs partes do globo, por onde 
passam as linlias tropicaes; e no Brasil 
pde-se dizer que no ha lugar nenhum 
que no as produza, e com muita abun- 
dncia as differentes qualidades. 

Os seus caules encerram mucilagem 
e amido. 

Os egypcios do-nas aos elephantes 
nas ndias, assim como aos carneiros e 
s vaccas. 

As ibras que ellas contm servem 
para fazer tecidos ou cordagem. 

Os naturaes de certas ilhas, princi- 
palmente das Philippinas, e os habi- 
tantes das ndias Orientaes, d'ella fazem 
diversos estojos que elles tem debaixo 
d'agua. 

As folhas das bananeiras so empre- 
gadas para cobrir as cabanas ; alguns 
selvagens se vestem d' ellas, outros se 
servem d'ellas como espcie de esteiras 
para descanarem. 

Suas nervuras fornecem tambm fios 
de que se fazem tecidos, assim como 
cordagem e redes. 

Os fructos da bananeira come-se de 
mil maneiras ; na America, na Africa 
e nas ndias elles alimentam certas 
classes da populao. 

Em algumas Antilhas os habitantes 
nutrem-se com elles, e realmente por 
todo o Brasil a fructa da sobremesa. 

Pisando-as obtem-se uma espcie de 
po muito nutritivo, e que se conserva 
por muito tempo. 

Na Granada reduz-se esses fructas a 
farinha, que se embarca como proviso 
nos navios ; pde-se obter d'ellas uma 
bebida agradvel. 

. Em summa, as bananeiras prestam 
immensos servios ao homem. 

Humberto^ sbio agricultor de Mas- 
careigne, e Hmiholdt apreciaram as 
vantagens que pode oferecer a cultura 
d'estas plantas. 



Este ultimo calculou que um terreno 
de 100 metros quadrados pode for- 
necer mais de 4,000 bananeiras, e que 
a produco da bananeira est para a 
do trigo como 133 est para 1, e para 
a da batata como 44 est para 1. 

Na Europa um meio hectare de ter- 
reno no basta para alimentao de 
dois indivduos, ao passo que esse 
mesmo terreno sustenta cincoenta, sendo 
plantado de bananeiras. 

Propriedades medicas. A seiva das 
baneiras empregada como adstrin- 
gente. 

O seu fructo, quando maduro, pei- 
toral, emolliente e nutritivo. 

Misturado com azeite de dend 
supurativo para os tumores. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas ou vivaces , despi'ovidas de 
caules, ou algumas vezes munidas de 
um bulbo em forma de caule. 

Folhas longamente pecioladas, abar- 
cantes pela base, muito inteiras. 

Flores grandssimas , muitas vezes 
matizadas das cores mais vivas , reu- 
nidas em grande numero, e encerradas 
em espathas. 

"O clice irregular, colorido, peta- 
loide, adherente pela base com o ovrio. 

O limbo de seis divises, trs das 
quaes exteriores e trs interiores. (No 
gnero Musa, cinco das divises so 
externas e formam de alguma sorte um 
lbio superior; uma s interna e 
constituo o lbio inferior). 

Os estames, em numero de seis, so 
inseridos na parte interna das divises 
calicinaes. 

As antheras so lineares, introrsas, 
de duas lojas, e sobrepostas em geral 
um appendice membranoso, colorido, 
petaloide, que a terminao do filete. 

O ovrio infero de trs lojas, con- 
tendo cada uma d'ellas um grande nu- 
mero de vulos inseridos no angulo 
interno. 

No gnero Heliconia., no ha mais 
que um s ovulo em cada loja. 

O estylete simples se termina em um 



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estigma algumas vezes concavo , mas 
rarssimas vezes de trs lobos. 

O fructo uma capsula de trs lojas 
polyspermicas, de trs valvas, trazendo 
cada uma um septo no meio da sua 
face interna; ou um fructo carnoso e in- 
dehiscente. 

As sementes, algumas vezes colloca- 
das em um podosperma, e cercadas d e 
pellos dispostos circularmente, se com- 
pi5em de um tegumento s vezes crust- 
ceo, e de um endosperma farinceo, con- 
tendo um embryo axillo, allongado e 
direito. 

Bananeira de bico verde. 

Musa bicolor. Fam. idem. Esta quali- 
dade de bananeira s difere da prece- 
dente no cacho ser menor, e os fructos 
tambm menores : mas o arbusto como 
o ordinrio d'ellas ; semelhantssima a 
de S. Thom., com a differena de ser 
menor 8 centmetros, e ter o umbigo 
verde, e o corpo do fructo amarello ; 
o que lhe d um realce encantador. 

O gosto como o da de S. Thom. 

A estructura e descripo botnica das 
diferentes espcies de bananeiras so 
como as j feitas da bananeira ana, 
com as diferenas que as narraes 
vulgares exprimem. 



fastidiosa, de cr amarella alaranjada 
forte. 

Cumpre dizer que no caule das ba- 
naneiras, os tegumentos mais exterio- 
res seccam e rompem-se longitudinal- 
mente, e servem de corda ; bem como 
as folhas seccas servem de enchimento 
de cochins, almofadas, etc, e para 
calar vidros e impedir de se quebrarem 
no transporte, etc. 

Bananeira comprida. V. Ba- 
naneira da terra. 

Bananeira ciira. F. Bananeira 
de S. Thom. 

Bananeira ma. Musa. Fam. 
Iderii. esta bananeira semelhants- 
sima a de ,S'. Thom., mas o fructo 
mais rolio, de 24 centmetros de com- 
primento ; no mostra quasi as ares- 
tas dos trs ngulos. 

A casca mais fina e lisa, e a massa 
mais macia e de bello -paladar; mesmo 
mais saudvel e agradvel que as do- 
mais. 



Bananeira brava . Heliconia 
bravia. Fam. Idem. uma bananei- 
rinha indgena, chamada assim nas 
Alagoas e Pernambuco. 
* Esta espcie, semelhante bananeira 
do matto, differe em suas folhas serem 
mais agglomeradas nas divises, no 
fructo ser em forma de pra ou oval, 
e ter mais sementes. 



Bananes^a de Madagscar. 

Urania Ravenalia. Madagascarienses. 
Foir. Musacea U. Urania. A copiosa 
seiva que escorre, quando se corta as 
nervuras das folhas d'esta bella bana- 
neira, fornece aos viajantes uma ex- 
cellente bebida; por isso tem-se-lhe 
dado o nome Arvore dos viajantes. 
As sementes so nutritivas e fari- 
nceas. 

O invlucro (massa) da semente d 
um excellente sebo vegetal. 

A planta cresce muito bem no 
Brasil, e merece ser cultivada em 
grande escala, por causa de sua utili- 
Baaaaueira de Cayenna. ilf^o; 1 dade. Chamamos para isso a atteno 
Fam. Idem. Nas mesmas condies dos nossos agricultores, 
das outras plantas acha-se esta ; o ve- 
getod 



e mui semelhante ao da bana- 
neira comprida, em virtude dos pecio- 
los e folhas serem mais luzidas, o ca- 
cho grande, os fructos do tamanho de 
21 centmetros, ora mais ora menos. 
A polpa da fructa mais dura e mais 



Bananeira do Maranltao. 

Musa. Fam. Idem. O fructo d'esta 
bananeira de casca roxa, e grande. 

Bananeira do mato. Heliconia 
sijlvestris. Fam. 7/. Esta bananeira 



BAN 



BAN 



6; 



brava indgena, conhecida em Alagoas 
e Pernambuco por este nome. 

Tem um caule quasi rente , com 
folhas semelhantes das espcies acima 
mencionadas, porm menores que todo 
o vegetal. 

Ter de um a dois metros de alto ; do 
centro das folhas sahe uma haste ou pe- 
dnculo, composto de escamas vermeUias, 
chatas, de figura elliptica, abrindo nas 
bordas, successivamente, flores quasi da 
mesma estructura. 

O fructo uma bagasinha carnosa, 
oval, trigona com trs gros dentro. No 
se come. 

Bastaueira do mato. Camia 
brasiliensis, Limi. Fam. das Amoma- 
ceas. Planta que indgena, com bulbo 
na raiz, folhas grandes, flores em ca- 
chos amarellos e vermelhos ; parece uma 
bananelrinha. 

Esta planta d tinta vermelha; das 
sementes fazem-se contas para rosrios. 

Propriedades medicas. A raiz diu- 
rtica e antiblennorhagica. 

Das folhas pisadas e cozinhadas faz-se 
uma cataplasma emolliente. 

Bananeira meia pataca. 

Musa. Fam. idem. E' uma bana- 
neira rara hoje em Pernambuco, onde 
lhe do este nome. 

E' alta, e seu cacho tem 1 metro e 12 
centmetros de comprido; preciso o 
esforo de dois homens para o carre- 
gar. 

O fructo grande. 



Bananeira de morcg;o. In- 
dgena e silvestre ; conhecida no Rio de 
Janeiro e S. Paulo por este nome. 

E' producto de um arbusto, que d 
uma espiga estreita, mas de 18 cent- 
metros de comprimento; amarellada, 
com um eixo no centro, e tem periferia 
cheia de fructinhas semelhana de 
grosinhos, que estando maduros, in- 
cham. 

Produz uma espcie de gelatina, que 
boa de chupar-se. 



Os morcegos gosto muito d'essa fruta 
d'onde lhe vem o nome. 

Bananeira de oiro. Musa. 
Fam. Id^m. Cls. Idem. E' uma ba- 
naneira que cresce multo como a bana- 
neira prata ; o fructo liso e cheio, de 
21 centmetros de comprimento. 

A casca por fora roixa com man- 
chas rosadas. 

A massa ou polpa por dentro de 
um amarello cr de gemma d'vo ; solta 
os filamentos no descascar. 

O sabor assemelha-se ao da banana 
da terra ou comprida. 

Bananeira de i)a|iag,-aio. Ca- 

meraria Jasminifora. Fam. das Ai^ocy-' 
neas. Arvore agreste, natural do paiz, 
chamada assim em Alagoas. 

E' de bello porte ; tronco esbranquia- 
do, leitoso e de grandes dimenses. 

Suas folhas obovaes, oblongas, gros- 
sas, grandes e lustrosas. 

Suas flores so brancas, em cachos nas 
pontas dos ramos, tendo cheiro activo, 
e suave ; seus frutos, de 1 a 2 deci- 
metros, so em forma de fuso capsular, 
cheios de sementes dentro, envoltas em 
uma camada de fios sedosos, brilhantes; 
tudo isto lhe d realce. 

leitosa em todas as suas partes. 

Do peciolo da folha exsuda um leite 
copioso. 

Bananeira girata. Musa ar- 
gntea. Fam. Idem. Esta bananeira 
tem o porte da bananeira da terra, ou 
comprida, mas o fructo muito mais pe- 
queno que a da terra ; regula com a de 
S. Thom. 

A sua polpa alva, d'onde parece vir- 
Ihe o nome que recebeu ; o seu formato 
triangular e bem distincto. 

O seu sabor agradvel ; tem a casca 



grossa. 

mui susceptvel de degenerar, 
junto eom outras espcies de seu g- 
nero. 

Bananeira sanibur. Musa 
Angulosa., Fam. Idem. Esta espe- 

11 



66 



BAN 



BAR 



cie de bananeira semelhante a An, 
sendo mais elevada. 

Seus frutos so de 24 centmetros e 
mais; a mais grossa das de seu gnero, 
tendo os ngulos mui salient9s. 

A cr da polpa de um amarello es- 
curo , no muito saborosa. 

curti. Musa paraisiaca^ Linn. Fcim. 
idem. Esta banana ha tempos passa- 
dos, assim como a comprida ou da terra 
era uma das mais communs, ou para 
melhor dizer, a mais conhecida e vulgar 
em Pernambuco, porque a de Cayenna 
pouco apparecia no mercado,- entretanto 
hoje est um pouco escassa, tomando o 
seu antigo lugar a banana prata. Ella 
quasi lisa, um pouco grossa, cheirosa e 
saborosa ; tem as folhas mais agudas, e 
o fructo mais macio que a da terra ou 
cor/iprida. 

Esta banana, como todas, nem s se 
come crua, como cozida, verde ou de vez, 
isto , quasi madura, com peixe salgado, 
com mel, em doce secco, ou de calda, ou 
mesmo secca ao sol. 

Ella contribue muito como alimento 
nas fabricas ou engenhos de assucar e 
outras fazendas ruraes. 

O cacho d'esta bananeira s d trs 
pencas de bananas. 

Propriedades medicas . As folhas 
so empregadas em banhos na urticaria, 
nos engorgitamentos dos testculos e in- 
chaes chronicas das pernas. 

A seiva misturada com agua til nas 
aphtas das crianas. 

BasaaaEes* &!> Taii. Fam. das 
3Iiisaceas, Lvrm. Esta bananeira tem o 
dorso das folhas cr de violeta, e a casca 
da fructa quasi preta. 

l>a'B9lt. Mnsa sapientium., Linn. Fa^n. 
idem. Esta a que se chama na Bahia 
bananeira da terra impropriamente. 

Tem os caracteres da precedente, ele- 
vando porm o seu porte a maior altura. 

Rompem-se muito as suas folhas. 



I O cacho grande, o fructo cresce at 
36 centmetros, tem os ngulos salien- 
tes; curva-se mais e mancha-se muito 
de preto, na maturidade. 

A casca a mais grossa; a massa 
mais compacta que na de S. Thom, mais 
resistente ao tacto, e a que melhor se 
torna quando assada ou cozida : tem 
todos os mais usos das outras. 

Esta a espcie que os povos antigos 
julgavam ser o pomo do Paraizo, que 
Ado comeu. 

ISas-aSMB. Arvore do Brasil, cuja 
madeira estimvel, para construco e 
vrios prstimos. 

lls5E*sfet?aBaa ou GisairawiBsa.-r-il/- 
lanoxilon Brana. Fam. das Legumino- 
sas. uma das arvores que ennobrecem 
a vegetao do Brasil ; a Baraliuna co- 
nhesida nas diversas provncias do Im- 
prio como tal ou Guaraima. 

Nas Alagoas mais conhecida por 
Maria Preta da Matta. 

E' arvore colossal, muito copada, sua 
folhagem, mida e lusida, destribui- 
da por palmas. 

Suas flores, em cachos, so amarel- 
las, e d uma vagem comprida como a 
de feijo. 

Esta arvore tem o interior (cerne) roxo 
escuro, e durssimo, e tanto serve para 
utenslios de marceneria , como para 
quaesquer outras obras de machinas de 
engenho, vehiculos e construco ur- 
bana. 

A importncia da Baraliuna notvel 
pela durao secular que tem, mesmo 
embebida na humidade da terra. 

Fornece uma tinta rubra-fusca. 

ISaa^lis fite ftode. Cactaria pallens. 
Fam. das Qramineas. E' uma esp- 
cie de capim cujas hastes so sulcadas 
longitudinalmente , as folhas mui es- 
treitas em feixes, e as flores em grupos. 

Propriedades medicas. E' aperiente 
e diluente; usa-se tanto interna como 
externamente, e neste caso applica-se 
em cataplasmas sobre a regio do fgado. 



BAR 



BAR 



67 



Ba risa tle bode le PernaBi- 
liiteo. Fam. das Cyperaceas. E' uma 
espcie de capim indigena, cuja vergon- 
tea recta, sem ns e sem folhas, cheia 
de uma matria esponjosa. 

E' muito elstica : tem no pice do 
caule um feixe de folhas, onde ha um 
aggregado de palhetinhas que envolvem 
as flores. 

E' mui procurada para gaiolas de 
pssaros. 

Nas Alagoas a Barha de Bode outra 
espcie ; no cresce tanto e serve de 
pasto. 

Bapfia le Boi. Remirca mariti- 
rm^ AiM. Fam. das Cyperaceas. E' 
uma espcie de capim de caule ras- 
teiro, nodoso, com ramos que elevam- 
se, nos quaes tem feixes de folhas mui 
estreitinhas e duras. 

As flores tem a estructura da dos 
capins; vegeta nas praias. 

Ella foi achada pela primeira vez na 
Guyenna por Aullet. 

Propriedades medicas. E' sudorfica 
e diurtica. 

Bai!*ba ele VelSao. Tillandsia us- 
neoides^ Linn. Fam. das Bromeliaceas. 
E' uma plalita do paiz, parasita. 

Cresce sobre troncos, e d filamentos. 

E' mui aproveitada para ninhos de 
aves, e pode servir para confeco de 
cordas. 

Propriedades medicas. Esta planta 
pisada e misturada com um pouco de 
banha fresca, constitue um bom un- 
guento anti-hemorrhoidal, topicamente 
applicado. 

Como adstringente o povo emprega a 
planta em saquinhos nas hrnias, col- 
locando-os e mantendo-os sobre o an- 
nel inguinal. 

Bar1as de barata. {Jsjo Bio de 

Janeiro chagas.) 

Propriedades medicas. No Norte se 
faz uso d'esta planta em cosimento 



contra as anginas tonsillares, e dores 
de dentes. 

A infuso das fiores purgativa. 

A raiz anti-febril, prpria para 
combater as febres ters. 

I5?B*Iiasco. Budleja hrasiliensis, 
Swart. Buddleia australis.^ Tell. Fam. 
das Escrophulareas. um arbusto da 
America Meridional ou somente do 
Brasil ; de caules erectos, folhas peque- 
nas, ovaes, oppostas, flores em cachos, 
amarellas, em forma de angelicasinhas, 
tendo por fructo uma capsula, com va- 
rias sementes dentro. 

Propriedades medicas . Mucilagi- 
nosa e levemente amarga, esta planta 
empregada nas affeces peitoraes. 

Os clysteres de Barhasco ou os banhos 
feitos de seu cosimento so anti-he- 
morrhoidaes. 

Raiz ou folhas, 4 grammas para 500 
grammas, de infuso. 

Bi^s>batBio. Mimosa virginaUs, 
Arr. Cam. Stryplmoeudroi. Barhati- 
mo., Mart. Accia virgimdis, Phol. 
Fam. das Leguminosas. uma das 
mais bellas arvores indgenas. 

elevada, de casca spera, folhagem 
em palminhas midas ; as flores dis- 
persas pelos ramos, nas axillas e pon- 
tos terminaes, so reunies de flori- 
nhas delicadas, formando frocos que pa- 
recem bolotas ; o fructo uma vagem 
deprimida; sementes semelhana de 
gros de feijo. (Fig. 9.) 

Propriedades medicas. Esta planta 
gosa de uma grande reputao. 

frequentemente usada nos casos 
que exigem os tnicos ou adstringentes ; 
taes como gonorrhas, hemoptisis, ato- 
nia, ophtalmias chronicas, e af^eces 
scorbuticas. 

Barrigrsida . Bombax ventricosa, 
Arr. Cam. Fam. das Bomlaceas. 
Arvore agreste do paiz, vegeta no cen- 
tro, raramente no littoral ; hoje porem 
raro encontrar-se em qualquer matta. 



8 



BA.T 



BAT 



A arvore grande ; seu tronco tem 
no meio um bojo similhanto ao da 
Macaibeira. 

Suas folhas em forma de palmas, so 
cinco a sete foUietns dispostas no pice 
do peciolo commum. 

As iores so brancas, no pequenas ; 
o fructo um casulo membranoso. 

Do tronco d'c3ta arvore se fazem pi- 
rogas, e d'ellas se servem os Botocu- 
dos para preparar pedaos de po, que 
introduzem nos beios e nas orelhas. 

O fructo uma espcie de pepino, 
que quando se abre deixa ver uma como 
que bellissima l de cr branca, que 
se emprega em enchimento de traves- 
seiros e colches. 

I>iirrig,-U8li% lo serCo. V. Em- 

hiraanha. 

Barck. Dipterix pteropiis, Mart. 
Fam. das Leguminosas. uma arvore 
das provncias centraes do Brazil, do 
gnero do Cumaru. 

uma espcie cujas sementes tem 
muita anologia e tem os mesmos usos 
quasi como o Cumaru. 

Ba8soi*ia.. Buddlcja connoAa., Mart. 
ePisson. Fam. das Escrophularitieas. 
uma planta herbcea com as mesmas 
propriedades do Barhasco. 

iiUa . Tipeiava. Buddleja australis. 
Fam. Idem. Herva semelhante prece- 
dente, cujas flores e folhas costumam-se 
empregar em cosimentos, e em clysteres 
nos sofrimentos hemorrhoidarios. 

Bitttiat-.s oii Coffueiro Batan. 

Oenocarpus Batayi, Mart. Fam. das 
Palmeiras. indigena esta planta das 
regies do Alto Amazonas, entretanto o 
Par a sua especial ptria. 

Ella semelhante Bacaba, com as 
mesmas dimenses, d um fructo tam- 
bm semelhante, pouco mais ou menos, 
de cr avermelhada na maturidade. 

Come-se, e faz-se uma bebida a que 
do o nome de vinho. 



Batata. Convolridus Batata, Linn. 
Fam. das Convolmdaceas. Esta serve 
como typo das batatas. 

Planta indigena da America Meridio- 
nal, e da ndia, vivaz ; isto , que vai 
sempre reproduzindo-se por ficarem ra- 
zes na terra. 

E herbcea, e alastra-se pelo solo ; 
lactifera. 

Tem folhas alternas, e os caules, que 
so rasteiros, enrazam no cho em di- 
versos pontos, e ahi brotam tuberas, 
que so as batatas. 

As folhas so cordiformes. 

A flor como uma campana roxa. 

O fructo uma capsula ovide, com 
quatro sementes. 

As tuberas so de todos os tamanhos 
e fi-mas ; sua casca uma membrana 
fina, da cr da prpria massa interna, 
que frouxa, um tanto leitosa, fresca, 
doce, e de bom sabor. 

Come-se cosida, e assada ; d'ella 
tambm se faz doce. 

A casca as vezes arroxeiada, e a 
massa branca. 

Caracteres de famlia. Plantas her- 
bceas ou subfructescentes, muitas vezes 
volveis e trepadeiras, tendo folhas al- 
ternas, simplices, ou mais ou menos 
profundamente lobadas. 

Flores axillares ou terminaes. 

O clice gamospalo, persistente, de 
cinco divises. 

A corolla gamopetala, regular, igual- 
mente de cinco lobos crespos, ou cinco 
estames inseridos no tubo da corolla. 

O ovrio simples e livre, sustentado 
por um disco hypogynico ; elle ofe- 
rece de duas a quatro lojas, contendo 
pequeno numero de vulos. 

O estylete simples ou duplo. 

O fructo uma capsula, oflTei^ecendo 
de uma a quatro lojas, contendo ordi- 
nariamente uma ou duas sementes, in- 
seridas na base dos septos ; ella se 
abre em duas ou quatro valvas, cujas 
bordas so applicadas sobre as divises 
que ficam no seu lugar; mui raras 
vezes a capsula conserva-se fechada, 



BAT 



BAT 



50 



ou abre-se em duas valvas sobre- 
postas. 

O embryo, cujos cotyledones ou lo- 
bxilos so machucados, enrolado sobre 
si mesmo, e collocado no centro de 
um endosperma molle e como que 
mucilaginoso. 

Bi(al aaiiarella o(t GeriBcti. 

Convolvtihis. Fam. das Convolvula- 
ceas. Espcie semelhante preceden- 
te; porm seu tecido ou substancia 
amarello, com as mesmas propriedades. 
Tambm a chamam Batata, Gerimum. 

lR'AttAti\ porao magoado. 

Convolvulus. Fam. Idem. seme- 
lhante outra, mas a pellicula exte- 
rior roixa, a massa branca, e no 
centro forma uma substancia roixa. 
. Por este nome conhecida nas Ala- 
goas. 

Batata isig-Seza. Solammi txero- 
sum, Linu. Fam. das Solanaceas. Esta 
planta, originaria da America Septen- 
trional, o vegetal mais precioso que 
a Europa tem tirado do novo mundo ; 
e l muito cultivado. 

o producto de uma erva, de porte 
pequeno, esgalhada, ramos erectos, fo- 
lhas lobadas, e flores esbranquiadas. 

Na raiz formam-se fibras, que se tor- 
nam em tuberas redondas, de cr aloi- 
rada, pellicula fina e superficie lisa, 
contendo algumas depresses redondas ; 
a massa loira e de bom sabor. 

Os pontos deprimidos ou cicatrizes 
da superficie, so os pontos por onde 
rebentam os grelos. 

Suas tuberas, extremamente ricas de 
amido, so o alimento do rico e do 
pobre ; ella tambm cultivada em 
todo o Brasil. 

O amido extrahido das batatas, a 
que do o nome de fcula, mistu- 
rado em grande escala com a farinha 
de trigo. 

Batata Bo aar. Ipomcea mar- 
tima. Fam. das Co7icolvulaceas. o 
mesmo que a Salsa da praia. 



Propriedades medicas. As folhas, 
as flores, e as bagas so sedativas, 
narcticas, teis nas nevralgias e rheu- 
matismos. 

Emprega-se tambm nos cntarrhos 
chronicos, 

O tubrculo emolliente e analep- 
tico; raspado ou triturado serve para 
cataplasma, que se applica sobre as 
queimaduras. 

O p bem secco applica-se sobre as 
ligeiras escoriaes, e no intertrigo das 
crianas. 

A batata um poderoso antiscorbu- 
tico, quer crua quer cosinhada ; sendo 
crua, melhor. 

Bttata le |>iBi*;a. Convolvuhis 
operculalus, Gom. Piptostegia Gomesii 
Mart. Fam. das Convolvulaceas. Planta 
herbcea do Brasil, caule trepador sem 
gavinhas, quadrangular, de ngulos 
membranosos. 

Folhas ovaes, um pouco angulosas, 
inteiras, um pouco acuminadas, obtu- 
sas, mucronadas, molles, quintipenni- 
nerveas, na base formando um angulo re- 
intrante, verde escuras na face superior, 
e esbranquiadas na inferior. 

Flores solitrias, pedunculadas, de 
pednculos axillares. 

Corolla infundibuliforme e amarel- 
la. 

Fructo capsular, raiz tuberosa fusi- 
forme, de 36 centimetros mais ou me- 
nos de comprimento, laetescente, con- 
tendo na raiz uma resina que bastante 
purgativa, conhecida pelo nome de 
Resina de Batata. 

A fcula, que contm a raiz conhe- 
cida pelo nome de Gomma de Batata., 
tem a cr branca acinzentada. 

ordinariamente um medicamento 
incerto, pelo que sempre convm usar-se 
da resina purificada. 

Propriedades medicas. Essa batata 
conhecida no Rio de Janeiro pelo nome 
de Raiz de Jetiaic, usada como 
purgativa. 

Internamente a gomma,de2decigram- 
mas a 1 grammae7 decigrammas,e a re- 



O 



BAT 



BAT 



sina de 1 gramma a 2 grammas e 2 deci- 
fframmas. 



ISittfat 2;iiii9i;it. Convolvulus edi- 
lis, Linn e Tumh. Fam. das Convol- 
vulaceas. Esta planta, introdnzida ha 
poucos annos no Brasil, 6 natural do 
Japo . 

uma lierva de %. metro de altura, 
estendendo o seu caule com folhas 
divididas em trs lobos ou lacinias, 
e peciolos compridos. 

As flores so roixas, como as das 
outras batatas. 

O fructo uma pequena capsula, a 
tubera tem semelhana com a da ba- 
tata propriamente dita ; a casca porm 
mais amarellada, e a massa mais en- 
xuta e saborosa. alimentcia. 



Bat;atii Se a^aa&aa ou Iia^saii&v 
fai'iaa!asa. Fam. Dioscoraceas . Nas 
Alagoas conhecida esta batata por 
este nome. 

uma planta trepadeira de folhas 
ovaes, coriaceas, de trs lobos. 

As flires no observadas; oferece 
pelos ramos uns tubrculos escuros, de 
12 centmetros de comprimento, de 
forma angulosa, com a superflcie um 
pouco cheia de protuberncias. 

Se bem que a casca seja lisa , ofe- 
rece tambm na raiz umas tuberas de 
casca grossa, cheia de radiculas ca- 
pillares, que tem chegado a 4 ^ kilo- 
grammos de peso ; acha-se uma massa 
branca, e farincea ; depois de cosi- 
da , enxuto, doce e muito boa para 
comei'-se. 

D esses tubrculos acima referidos, 
que representam bolbos reniformes , 
de cr parda-acinzentada, verrugosos, e 
que x-ei^roduzem a espcie. 

S:-:ita4n. 5*o-X3a. Co7ivolmilus. 
Fam. das Couvoloidaceas. Esta espcie 
como a primeira batata, a branca. 

A difterena consiste em no crescer 
muito ou tanto, e em que a casca e a 
massa so roixas. 

das melhores ao paladar, e excel- 



lente para doce, mas muito rara, e diz-se 
que a que mais flatulncia produz. 

Itid^utiiBlB. V. Contra-herva. 

ISatc-testa. V. Camap. 

BafJBij^-it. Eugenia durssima . -r- 
Fam. das Mijrtaceas. Arbusto de me- 
diana proporo ; tronco liso e madeira 
mui dura; do paiz, conhecido em 
Pernambuco e Alagoas por este nome. 

As folhas so midas, oppostas. 

As flores de cr branca e com cheiro. 

O fructo pequeno, ovide de cr 
roixa na maturidade, coroado por qua- 
tro palhetinhas foliaceas no pice. 

Depois da pellicula externa tem uma 
polpa aquosa, acredoce, agradvel, da 
mesma cr do fructo ; e um caroo, no 
centro, esbranquiado. 

A madeira d'este arbusto presti- 
mosa, muito dura e avermelhada, muito 
apropriada para esteios e outras obras 
d'esta natureza. 

Os fructos so temperantes, segundo 
aflirmam. 



BaBpuat i^isivo. GompMa ca- 
duca. Fam. das Ochiaceas. Arbusto 
mdio, de porte bonito, mormente na 
epocha da florao ; vegeta no littoral. 

ramoso, de folhas meio compri- 
das, luzentes. 

As flores so, em cachos grandes^ 
amarellas e fragrantes. 

Os fructos so uma espcie de tu- 
brculos vermelhos, reunidos por gru- 
pos, de cinco vulos, erectos, como 
encravados em um disco, cujo corpo 
tambm vermelho e suculento. 

Dentro de cada coca d'estas ha uma 
semente que muito oleosa. 

Este leo tem usos medicinaes, assim 
como tem o BatiptU manso. 

Caracteres da famlia. Vegetaes 
ligneos, mui glabros em todas as suas 
partes, tendo folhas alternas, munidas 
de duas estipulas na base; flores pe- 
dunculadas, rarssimas vezes solit- 
rias, as mais das vezes dispostas em 
cachos ramosos. 



BAU 



BAU 



Os pednculos so articulados no 
meio de sua extenso. 

Elias tem um clice de cinco divi- 
ses profundas, imbricadas lateralmente 
antes de seu desenvolvimento. 

Uma corolla de cinco a dez ptalas 
patentes, e imbricadas na epocha da 
jSporao. 

Os estames variam de cinco a dez e 
mesmo mais, tendo os filetes livres, 
inseridos, assim como as ptalas, abaixo 
de um disco liypofyynico salientissimo, 
onde est implantado o ovrio. 

Este deprimido no centro, e pa- 
rece formado de vrios pistillos dis- 
tinctos, collocados em redor de um 
estylete central, que parece nascer im- 
mediatamente do disco. O estylete 
simples, e sustenta no pice um nu- 
mero varivel de lobos stigmatiferos. 

O fructo se compe das lojas do ovrio, 
que se separam umas das outras e que 
formam outras tantas carpellas dru- 
paceas, sustentadas pelo disco ou gy- 
nobasio, que cresceu. 

Estas carpellas, algumas das quaes 
abortam s vezes, so unilocullares, mo- 
nospermicas e indeliiscentes; ellas pare- 
cem, de algum modo, articuladas sobre 
o gynobasio do qual se separam facil- 
mente. 

A semente encerra um grosso embryo 
erecto desprovido de endosperma. 

Btft tpM iBistfiB^o . Gomphia Jabo- 
tainlA^ Limi. e Will. Fam. idem. 
um arbusto semelhante ao precedente, e 
com o qual quasi se confunde. 

Propriedades medicas. O seu leo 
applicado nas dores rheumaticas, ery- 
sipelas, feridas do tero e outras ulceras. 

usado tambm na arte culinria. 

BuaaBBuliBa , Yanilla aromtica , 
Swart. Fam. das Orchidaceas . Efi- 
endron vanilla, Linn. Planta herbcea 
das ndias Orientaes. 

Cresce tambm no Mxico, no Pcr, na 
Colmbia, na Guyenna e nas provncias 
do Norte do Brasil ; mas no Par onde 
mais abunda. 



Ella sarmentosa e trepadeira, tem os 
caules verdes, cylindricos, nodosos, da 
grossura de um dedo, munidos de ga- 
vinhas ou antes raizes adventcias, que 
se implantam na casca das arvores vi- 
sinhas, e servem tanto para alimental-a 
como para sustental-a, visto que a planta 
continua a vegetar depois de separada 
da terra. 

Folhas rentes , alternas , distantes , 
ovaes-oblongas, agudas, lisas, um pouco 
espessas, com nervuras longitudinaes. 

Flores dispostas, no pice dos ramos, 
em cachos axillares pedunculados ; o pe- 
riantho ou envoltrio dos rgos sexuaes, 
de um verde amarellado por fora, bran- 
co interiormente,' formado de seis se- 
palas. 

O fructo uma capsula carnosa, verde 
a principio e depois de cr roixa escura, 
comprida e siliquosa. 

Sementes numerosas, pretas, globu- 
losas, repletas de um sueco roixo, espes- 
so e balsmico. 

Colhe-se o fructo antes de estar ma- 
duro, para evitar que se rache, e deixe 
escorrer o sueco que contm ; faz-se sec- 
car sombra, cobi-e-se com uma camada 
de azeite ; emflm fazem-se molhos com 
50 ou 100 capsulas, e mettem-se em cai- 
xinhas de folhas. 

No commercio ha trs espcies : 

1.* Bannillia legitima^ do compri- 
mento de 16 a 20 centmetros, da gros- 
sura de 7 a 9 milmetros, enrugada e 
sulcada no sentido do seu comprimento, 
mais estreita nas extremidades, e cur- 
vada na base; um pouco molle e viscosa, 
de cr roixa escura; cheiro forte, agra- 
dvel. 

Conservada n'um lugar secco, e n'um 
vaso que no seja hermeticamente fe- 
chada, esta baunilha se cobre de cris- 
taes de acido benzico;- a mais esti- 
mada. 

2.=^ Baunilha bastarda^ mais curta, 
mais delgada, mais secca, de cr me- 
nos carregada ; c menos aromtica e 
no effloroce. 

A ^.^ espcie, chamada Baunilho, tem 
vagens de 14 a 19 centmetros de com- 
primento, ede 11 a 21 millimetros de lar- 



9 



BAU 



BAX 



gura ; mui escura, quasi preta, molle, 
viscosa, de cheiro forte e menos agra- 
dvel que a das duas primeiras esp- 
cies, e parece ter ultrapassado o seu 
ponto de maduresa ; julgam alguns que 
no fornecida pelo mesmo vegetal. 

Propriedades medicas. um dos 
excitantes mais agradveis da matria 
medica. 

aphrodisiaca, emmenagoga, e diu- 
rtica. 

muito usada, sobre tudo pelo seu 
aroma na composio do chocolate. 

Internamente d-se o p na dose de 
15 gros at 1 oitava. 

Tintura de 4 a 8 grammas, em uma 
poo. 

Xarope, 16 a 32 grammas. 

Caracteres da famlia. Plantas vi- 
vazes, algumas vezes parasitas, tendo 
lima raiz composta de fibras simples e cy- 
lindricas, muitas vezes acompanhada de 
iim ou de dois tubrculos carnosos, ovi- 
des ou globulosos, inteiros ou digitados. 

As folhas so sempre simples, alternas, 
invaginantes. 

As flores muitas vezes grandssimas e 
de uma forma particular, so solitrias, 
fasciculadas, maneira de espigas ou pa- 
nicula. 

O clice de seis divises profundas, 
trs das quaes interiores e trs exteriores. 

Estas, frequentissiinas vezes seme- 
lhantes entre si, esto vista ou aproxi- 
madas umas das outras na parte supe- 
rior da flor, onde formam uma espcie de 
capacete (clix galeatus). 

Das trs divises internas duas so la- 
teraes, superiores, e semelhantes entre si: 
uma inferior, d'uma figura toda parti- 
cular, e traz o nome de labello ou aven- 
tal. 

Elle apresenta s vezes em sua base um 
prolongamento concavo chamado esporo 
(labellum calcaratum). 

Do centro da flor se eleva no pice do 
ovrio uma espcie de columella deno- 
minada gymnostemio, que formada pelo 
estylete e pelos filetes estaminaes solda- 
dos, e que traz na face anterior e supe- 



rior uma depresso glandulosa que o 
estigma, e no pice uma anthera de duas 
lojas, abrindo-se quer por uma sutura 
longitudinal, quer por um operculo que 
forma toda a parte superior d'clla. 

O pollen contido em cada loja est 
reunido em uma ou varias massas, tendo 
a mesma f(5rma que a cavidade que as en- 
cerra. 

No pice do gymnostemio sobre as 
partes lateraes da anthera, acham-se dois 
tuberculosinlios, que so dois estames 
abortados , e que se chamam estami- 
nodios. 

Estes dois estames so pelo contrario, 
desenvolvidos no gnero Cypripenm; 
ao passo que o do meio aborta. 

O fructo uma capsula unilocular, con- 
tendo grande numero de sementes pe- 
queninas, inseridas em trez trophosper- 
mas parietaes, salientes e bifurcados do 
lado interno. 

Estas sementes tem o tegumento ex- 
terior formado de uma redezinha ligeira, 
e se compem de um endosperma, no qual 
existe um pequenino embryo axillar e 
homotropo. 



BaiinilSBit (Ia Blta. 

palmarnm. Fam. idem. 



Vanilla 



Propriedades medicas. Applica-se 
nas febres adynamicas e nas nevrozes. 

BiQiinlIia. l9va\s,.GijmMium Va- 
nilla. Fam. idem. Hervaou pequeno 
subarbusto, parasita, volvel, de caule 
cylindrico; vegeta exclusivamtnte sobre 
as palmeiras de Aricory. 

uma planta verde sempre, de fo- 
lhas carnosas, duras e lanceoladas. 

As flores amarellas e grandes, sem 
cheiro, em pencas. 

O fructo uma espcie de vagem, 
tendo dentro uma substancia branca, 
esponjosa ; contendo muitas sementes 
pequenas e pretas, cuja substancia in- 
terna se emprega contra os pannos ou 
ephelides da ctis, com feliz resultado. 

Bi^xiutia ou Coiieiro Ba- 
xiiff)a. Sriartea ventricosa., Mart. 



BEI 



BEI 



"73 



Fam. das Palmaceas. O friicto co- 
mestvel. 

Ha mais trs espcies : Iriartea exor- 
rJieza^ Iriartea eltoidea, Iriartea seli- 
gera. 

Bayuciir. E uma planta her- 
bcea do Rio Grande do Sul, que tem 
um bulbo, que passa por especifico 
contra as hydropesias. 

Beijo lo anato. PMseolus ruiriis. 
Fam. das Leguminosas. Herva indi- 
gena, conhecida por este nome nas 
Alagoas. 

E uma trepadeira, de caule fino, 
folhas ternadas, de figura elliptica e 
estreitas. 

Flores como a do feijo, porm de 
cr vermelho-rubra. 

O fructo uma vagem estreitssima, 
cujas sementes assemelham-se s do 
feijo; so rajadas de cinzento. 

Beijo de ina. Cosmos hipina- 
tns^ Cav. Fam. das Compostas. Flor 
de jardim, extica, natural do Mxico. 

Herva que chega at 1 %. metro de 
altura. 

Folhas em forma de palmas, com 
as flores no cimo dos ramos ; formam 
um circulo de laminazinhas rosadas, 
que tem no centro o aggregado de 
florinhas amarellas. 

D um fructo preto, de fignra pyri- 
forme, tendo por cima dois aguilhesi- 
nhos. 

Propriedades medicas. Usado con- 
tra a ictercia, e aflfeces biliosas. 

Beijo de palma. F. Velhdo. 

Beijoeiro. V. Estoraque. 

BeijoBiu. Laurus Benzoin., L7in. 
StyraB Benzoin., Rich. Farii. das Styra- 
caceas. E uma arvore que d com 
abundncia na parte Meridional de 
Sumatra, de Java e no reino de Syo ; 
tambm se encontra nos sertes do 
Brasil. 



Suas folhas so alternas, ovaes, chei- 
rosas, como tambm a madeira. 

Flores amarellas. 

Os fructos so bagas vermelhas, que 
se tornam escuras com o tempo ; o 
sueco resinoso e balsmico corre por 
incises, que praticam n'arvore. 

Este sueco branco, mas pelo con- 
tacto do ar se solidifica e se torna es- 
curo. 

O Beijoim que nos trazem os serta- 
nejos muito mal preparado, e por 
essa razo se vende por preo muito 
inferior ao que nos fornece o estran- 
geiro. 

O Beijoim queima-se nas igrejas, lan- 
ado nas brasas, misturado com o in- 
censo. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
como estimulante nas bronchites, as- 
thma, atonia de rgos digestivos. 

O Beijoim entra na composio do 
Blsamo catliolico muito usado nas con- 
tuzes, quedas e cortaduras. 

Na preparao do leite virginal, em- 
pregado como objecto de toucador. 

Em loes nas manchas da pelle, 
sardas, etc. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia encerra arvores ou arbustos de 
folhas alternas, sem estipulas, de flores 
axillares, algumas vezes terminaes. 

O clice livre ou adherente ao ov- 
rio infero. 

O limbo inteiro ou dividido. 

A corolla gamopelata, regular. Os 
estames, cujo numero varia de 6 a 10, 
so livres, ou monadelphos pela base. 

O ovrio, ora supero, ora infero, tem 
ordinariamente quatro lojas, separadas 
por divises membranosas e delgads- 
simas ; cada uma d'estas lojas contm 
commumente quatro vulos inseridos 
no angulo interno da loja, dois erectos 
e dois deitados. 

O estylete simples, terminado em 
um estygma pequeno e singelo. 

O fructo ligeiramente carnoso ; con- 
tm d'um a quatro caroos sseos, e 
mais ou menos irregulares. 

12 



*94 



BEL 



BEQ 



A semente formada, alm do tegu- 
mento prprio, d'um endosperina car- 
noso, que encerra um embrvo cyliu- 
drico; tendo a mesma direco que a 
semente- 

ISelcBroeia. Portnlacca oleracea^ 
Linn. Fam. das Portulacaceas . Esta 
herva originaria de ambos os liemis- 
pherios, e conhecida em todo o Imprio 
do Brasil. 

de pequeno porte, quasi rasteira; 
ergue seus ramos de 24 a 48 centme- 
tros, seus caules so carnosos e succu- 
lentos. 

As folhas oppostas, ovaes e tambm 
succulentas. 

As flores, reunidas nas axillas das fo- 
lhas e no pice dos ramos, so ama- 
rellas. 

O fructo uma capsula pequena, c- 
nica, que se abre por uma espcie de 
tampa, cheia de sementes mui pequenas, 
pretas e luzidias. 

A Beldroega, planta muito til ; serve 
de sallada, etc, e faz parte dos ca- 
rurus, etc. Ha duas espcies : Portulaca 
radicans, Mart. e Portulaca jiatens, Vell. 

Propriedades medicas. Suas folhas, 
applicadas sobre as ulceras, obram como 
detersivas ; cosidas formam um appo- 
sito ante-hemorrhoidal. 

Seu decocto diurtico e lactifero. 

O sueco anti-ophtalmico, e as se- 
mentes anthelminticas ; administra-se 
em forma de xarope, para este fim. 

BeSota da ioISaa decotada. 
Liairis inciza. Fam. das Compostas. 
Delicada plantinha herbcea e sylves- 
tre; do-lhe este nome nas Alagoas. 

uma erva de 4 a 6 % decime- 
tros, de caules sulcados e roixeados. 

As folhas fendidas em lacineas. 

As flores em cachos no pice dos 

ramos, formando como um jarrinho 

foliaceo, e tendo no seu centro uma 

reunio de florinhas quasi imperceptveis 

e roixas. 

Bclota da l'iaa iaateira. Lia- 



tris spatuUfoUa. Fam. Idem. uma 
espcie semelhante precedente. 

Esta porm tem as foUias em figura 
de esptula, e a face inferior da folha 
esbranquiada ; em tudo o mais 
como a precedente. 

It'?BiiE9tefiiiei[*. Caletidula officina- 
lis, Linn. e Si). Fam. das Comj^ostas. 
Erva cultivada entre ns e oriunda da 
Europa, que em alguns lugares cha- 
mam Malmequer e em outros Saudade. 

uma planta quasi rasteira ; ergue 
porm a summidade dos ramos, e tem as 
folhas um tanto grossas nas pontas 
dos ramos. 

As flores so constitudas pela reu- 
nio de muitas linguetinhas estreitas 
reguadas, dispostas em um recept- 
culo commum, formando como que uma 
rosa branca ou amarella. 

D'esta cr so as mais lindas ; tem 
um cheiro um tanto pronunciado se- 
melhante ao da Macella. 

Propriedades medicas. usada nas 
afeces nervosas e hystericas. 

Beaao le Deus. Ahutilon escu- 
lenum, St. Hil. Fam. das Malvaceas. 
Subarbusto das provncias do Sul do 
Imprio, por este nome conhecido. 

agreste ; suas folhas so um tanto 
pelludas e cordiformes. 

As flores como rosas purpreas. 

As flores so colhidas pelos habitantes 
d'esses lugares, e at os fructos ainda 
verdes, porque se prestam a ser comidos 
com carne. 

BeiJie eSaea-oso. Pii)er aroma- 
ticum. Fam. das Piperaceas. Esta 
planta indgena e conhecida em Per- 
nambuco por este nome. 

um subarbustinho pouco esgalhado; 
seu caule de distancia em distancia of- 
ferece um n. 

As folhas conservam-se sempre verdes 
em todo o tempo ; so ovaes e tem um 
pequeno prolongamento, semelhana 
de um esporo, na base. 

As flores so engastadas em uns cor- 



BER 



BER 



VS 



pos semelhantes ao sabugo do milho, 
rolios e esbranquiados. 
A planta aromtica. 

Propriedades medicas. sedativa, 
e por isso sua decoco empregada em 
banhos contra o rheumatismo. 

Ber^asaiot. Citrus Limetta. 
Farn. das Airanciaceas . A arvore tem 
os ramos espinhosos, folhas grandes , 
ovaes, arredondadas, sustentadas porpe- 
ciolos longos e alados. 

Os fructos so pequenos, arredonda- 
dos, um tanto mamillosos no pice ; a 
casca dos fructos delgada, de um ama- 
rello dourado, lisa, cheia de um leo 
essencial suave e picante, que muito 
procurado na arte da perfumaria. 

Ber^usnoa Se JsiimIb. Li- 

oietta vidgaris. Fam. das Auranliaceas. 
Chama-se assim em Pernambuco a 
uma herva extica, cultivada em jardins, 
delicada, quasi rasteira, de folhas op- 
postas, pequenas, semi-redondas, leve- 
mente serreadas ; de cheiro activo e agra- 
dvel ; nunca floresce em Pernambuco. 
Serve de ornamento de jardins. 

Berijeaa. Solanum melongenw , 
Linn. Solau. macrocarpimi , Maeg . 
Fau. das Solanaceas. Esta planta 
originaria da America Meridional. 
herbcea, sobe a 1 ou 1 % metro de al- 
tura ; succulenta, de folhas alternas 
roxeadas, oblongas e pendentes. 

Flores esverdinhadas a maneira de es- 
trellas. 

O fructo oblongo, arroixeado, de su- 
perfcie lisa e brilhante. 

A substancia interna aquosa, com 
quatro reparties cheias de sementes 
chatas ; so pouco distinctos os septos. 

A Beringela come-sc preparada de toda 
a maneira. 

Tambm faz activar a secreo uri- 
naria, e til contra as aras da be- 
xiga. 

Bea'iri. V. Marin. 



Berfallia. Bazelta rtibra. Fam. 
das AtriMceas. Esta planta origi- 
naria de Malabar, introduzida em nosso 
paiz, e conhecida por este nome at 
as provncias do Sul. 

um vegetal herbceo, trepador, 
enlaa-se nas cercas e latadas ; seus 
ramos so molles succullentos ; as fo- 
lhas ovaes. 

Suas flores parecem antes botes. 

As fructinhas so esphericas, roxas, 
molles ao tacto, com uma pellicula fina, 
cheias de um sueco aquoso, colorido em 
roixo forte. 

Este sueco combinado com o acido de 
limo fica rubro, mas a cr no per- 
siste. 

comestvel ; ha duas espcies, branca 
e amarella. 

Applica-se como emollente e refri- 
gerante. 

Caracteres da famlia . Plantas 
herbceas ou ligneas, de folhas alter- 
nas ou oppostas, sem estipulas. 

Suas flores so pequenas, algumas 
vezes unisexuaes, dispostas quer em 
cachos ramosos , quer grupados no 
fundo das folhas. 

O clice gamospalo, s vezes tubu- 
loso na base, de trs, quatro ou cinco 
lobos mais ou menos profundos, per- 
sistentes. 

Os estames variam de um a cinco ; 
so inseridos, ou na base do clice, 
ou debaixo do ovrio; estes estames so 
oppostos aos lbulos do clice. 

O ovrio livre, unilocular, monos- 
permico, contem um s ovulo erecto e 
sustentado algumas vezes por um po- 
dosperma mais ou menos comprido e 
tnue. 

O estylete, que raramente simples, 
de duas, trs ou quatro divises, termi- 
nadas cada uma em um estigma sovelado. 

O fructo um akenio ou umabagasi- 
nha. 

A semente se compe, alm do tegu- 
mento prprio, d'um embryo cylindrico, 
tnue e curvo sobre um endosperma fa- 
rinceo ou enrolado em espiral, e varias 
vezes sem endosperma. 



'76 



BIC 



BIC 



ISotoiira. Belonica hrasiliensis 
Fam. das Lahiadas. Pequeno siiliarhusto 
conhecido no sertuo por este nomo, donde 
sem duvida, parece ser natural. 

E' semelhante, com pouca diferena, 
ao gnero Betonica, da Europa, [Betonica 
officmalis^ Litm). 

Seu caule traz de ordinrio poucas fo- 
lhas, e estas ovaes, denteadas, com cheiro; 
munidas de peciolos longos c finos. 

As flores reunidas em capitulo globu- 
loso, sustentado por um pednculo com- 
prido, so tubulosas, abrem-se em dois 
lbios recortados, de cr piirpurea, roixa. 

Ofructo hispido, e n'elle acham-se as 
sementinhas pardas , Insidias , pyrifor- 
mes. 

Bef re. V. Betys. 

Beys. Piper encalyptifolium. Fam. 
das Piperaceas. Arbustinho de ramos 
nodosos e folhas lanceoladas, largas. 

Flores em espcies de espigas, como o 
Malvaisco. 

Vegeta no Amazonas. 

Propriedades medicas. O cosimento 
d'esta planta, isto das suas folhas e da 
raiz, um excellente calmante contra as 
clicas flatulentas. 

Bico de Pa|>ag:aio. EupTiorhiain- 
cartiata. Fam. das Euplwrhiaceas. Plan- 
ta extica, conhecida em Pernambuco e 
Bahia por este nome. 

Este arbusto de uma elegncia not- 
vel pelo brilho de suas bracteas purpu- 
rinas. 

Serve de ornamento dejardim. 

Bicorii Fructo agreste do Par, 
de 6 centimetros de dimetro, redondo, 
de cr alaranj ada ; casca tnue e frgil. 

Dentro encerra uma massa branca, 
aquosa , muito doce, na qual existem 
muitos caroos redondos e vermelhos. 

Bieuilta. Myristica officinalis. 
Fam. das Myrsticaceas. Arvore que ve- 
geta nas provncias do Sul do Imprio. 

Suas folhas so simples, alternas, lan- 



ceoladas, oblongas e inseridas com toda 
a regularidade nas duas faces oppostas 
dos ramos. 

As flores so unisexuaes, dioicas. 

A organisao do fructo 6 to cu- 
riosa, que merece uma dcscripo mi- 
nuciosa. 

Assemelha-sc a uma drup;^., indehis- 
cente, bivalve, e de forma ellyptica ; o 
periearpo torna-se coriaceo, e encerra 
na sua nica cavidade vima semente 
envolvida por um arillo, (massa car- 
nosa contendo uma substancia oleosa 
conhecida por leo de Bicuiha}^ e cuja 
superfcie acha-se revestida de uma 
membrana vermelha assetinada, toda 
recortada, e, em alguns fructos, divi- 
dida em lacinias. 

O episperma mais coriaceo do que 
membranoso, e o embryo endosper- 
mico. 

Segundo o sbio botnico Martins., 
se a Myristica officinalis., que faz objecto 
d'esta descripo, fosse cultivada con- 
venientemente, o seu fructo poderia ser 
equiparado ao da Myristica moscTiata ou 
aroraatca., originaria das Molucas. 

A madeira da Bicuiba branca, em- 
pregada em vigamentos e assoalhos ; 
a frouxido do seu tecido torna-a im- 
prpria para certas obras. 

Dando-se golpes sobre seu tronco, 
escorre um liquido extremamente fluido, 
cr de sangue. 

A trasformao da cr vermelha que 
se observa logo que se expe ao con- 
tacto do ar, pode ser explicada pela 
aco oxidante do mesmo ar. (Fig. 10.) 

Propriedades medicas. applicada 
contra as dores rheumaticas, e os tu- 
mores arthriticos, e considerado como 
efficaz nas clicas e dyspepsias. 

Caracteres da famlia. Arvores to- 
das exticas e crescendo debaixo dos 
trpicos, tendo folhas alternas, no 
ponctuadas, inteiras. 

Flores dioicas, axillares ou terminaes, 
diversamente dispostas. 

O clice, gamospalo, de trez divi- 
ses valvares. 



BIC 



BOA 



t7 



Nas flores machos, se acham de trs 
a doze estames monadelphos, cujas 
antheras approximadas, e muitas vezes 
soldadas, se abrem por um sulco lon- 
gitudinal. 

Nas fli'es fmeas, o ovrio livre, 
de uma s loja, contendo um s ovulo 
erecto, e anatropo ; mui poucas vezes 
ha duas. 

O estylete curtissimo, terminado 
em um estigma lobado. 

O fructo uma espcie de baga cap- 
sular, abrindo-se por duas valvas. 

A semente coberta por um falso 
arillo carnoso, dividido em grande nu- 
mero de filamentos. 

O endosperma crneo e durssimo, 
marmreo, contendo na sua base um 
pequenino embryo erecto. 

Esta familia tem por typo a Mosca- 
deira (Myristica). 

distincta das Lauraceas pelo clice 
de trs divises ; pelos estames mo- 
nadelphos, abrindo-se por um sulco 
longitudinal ; pela semente erecta, ari- 
Ihada, pelo embryo pequenino, encer- 
rado n'um endosperma duro e mar- 
mreo. 

Alguns authores approximam esta 
familia das Anonaceas ^ entre as Pohj- 
fetaleas. Mas uma affinidade que 
parece pouco real; s existe a se- 
mente que oferece, com efeito, alguma 
analogia entre estas duas famlias, no 
mais to diferentes. 

Biciiiba ou Bequba. Myns- 
tica seUfera, Larnck. Fam. das Lau- 
raceas. E uma arvore alta natural 
dos terrenos do Equador ; tambm d 
na Bahia. 

Suas folhas so alternas, oblongas e 
cobertas inferiormente de um pello 
avermelhado. 

As flores em cachos, miudissimas e 
avermelhadas . 

O fructo globuloso, de 4 a G centi- 
mstros, quasi secco, de duas valvas 
com uma ou duas sementes, que so 
envoltas em uma matria sebacea. 

Serve para fazer velas esta matria, 
que se colhe do tronco por incises. 



Biliiubi. Averrhoa Bilimhi^ Linn. 

Fam. das Oxalidaceas. Bonito ar- 
busto originrio da ndia. 

Seu tronco tem a grossura de 12 cen- 
tmetros de dimetro. 

Suas folhas, de verde gaio, dispos- 
tas em palmas. 

As flores em cachos ou feixes dis- 
tribudas, so cr de rosa ; nascem 
nas axillas e continuidade dos ramos. 

Tem por fructo uma baga de 9 a 
12 centmetros, de figura oval-oblonga, 
afinando para as extremidades, de cr 
verde pallida, mesmo na maturidade, 
e coberta por uma pellicula fina ; o 
interior occupado por uma polpa 
aquosa, bastante acida, quasi trans- 
parente ; contem duas sementes elly- 
pticas, deprimidas e esbranquiadas. 

O fructo acido agradvel, refri- 
gerante e usado em limonadas. 

E tambm applicada para tirar n- 
doas de fazendas, nas tinturarias. 

Bilfos. Cartoleta speciota^ Arr. C. 

Fam. das Liliaceas. uma planta 
do serto, classificada pelo Dr. Arruda 
Camar. 

Tem um bolbo que se come no 
serto. 

Suas flores so vermelhas e mui 
bellas. 

Ha outras dififerentes espcies. 

Bribi. Anona. Fam. das Ano- 
naceas. Fructo do Par e do Mara- 
nho onde tem este nome. 

uma espcie de Pinha ; provm de 
um arbusto ; que pela structura de seu 
fructo se assemelha muito s Anonas. 

Esse fructo de 12 centmetros mais 
ou menos, figura cnica, superficie com- 
posta de escamas bem como a Piiha. 

Internamente a massa branca, re- 
sultado da reunio de muitos bagos, 
cada qual com um caroo preto, el- 
lyptico, luzidio. 

Diz-se que no tem mo gosto ; e 
bem anloga Pviha ou a fructa da 
Conde a. 

Boas iBoites. Vinca rsea, Linn. 



58 



BOG 



BOM 



Fam. us A^pocynaceas . A Boas noites 
c oriunda do Malabar c Madagscar. 

Nas Alagoas assim como em Per- 
nambuco conhecida por este nomo. 

uma herva to aclimada no pai/, 
que j no se cultiva ; nasce por toda 
a parte, nas proximidades das habi- 
taes, etc. 

E ramosa, o caule e os pcciolos das 
folhas purpurinos. 

As folhas oppostas, obovaes, lustrosas. 

As flores oferecem um tubo verde, 
e o limbo de cr roixa ou branca, 
dividido em cinco lacinias planas ; seu 
cheiro desagradvel, 

O fructo representa duas capsulasinhas. 

Ha outra espcie que de flor branca, 
e que chamam Bons Dias; tem o caule 
tambm branco. 

O decocto applicado nas dores de 
dentes, 

do SiS. V. Bonina de Pernambuco. 

Bo^tri. Mogorinm samhax^ Humh. 
e Bomp. Ny dantes samhax, Linn Jas- 
minium samhaxj Spl. Fam. das Jas- 
minaccas. planta originaria da ndia, 
cultivada e muito conhecida no nosso 
paiz, como uma das flores mais bellas e 
de mais delicado aroma. 

O Bogari um subarbustinho muito 
esgalhado , de folhas sempre verdes , 
crespas, ternadas. 

A flor semelhante a uma rosa pe- 
quenina e branca, de excellente cheiro. 

O fructo ordinariamente aborta. 

ornamento dos jardins; mas seu 
decocto empregado contra a ictericia. 

Caracteres da famlia. Esta familia 
se compe de arbustos ou mesmo de 
grandes arvores, de folhas oppostas, ra- 
ramente alternas, simplices ou pinnu- 
ladas. 

As flores so hermaphroditas, exce- 
pto no gnero Ornus (freixo) onde ellas 
so polygamas. 

O clice gamospalo, turbinado 
na parte inferior. 

A corolla gamoptala, muitas ve- 



zes tubulosa, de quatro ou cinco l- 
bulos, algumas vezes assas profundos 
para que a corolla parea polyptela, 
[Omm CUomanthiis) ; falta s vezes de 
todo . 

Os cstames so em numero de dois. 

O ovrio de duas lojas, contendo 
cada uma dois vulos suspensos, 

O cstyletc simples termina em um 
estygma bilobado. 

O fructo ora uma capsula de uma 
ou duas lojas, indehiscentes, ou abrin- 
do-se em duas valvas, ora carnoso 
e encerra um ncleo sseo, 

O tegumento prprio da semente 
delgado ou carnoso ; o endosperma 
carnoso ou duro ; contem um embryo, 
tendo a mesma direco que a semente. 

Boi g:orlo. Cssia rugosa, Vogel. 
Cssia friicticosa., 3Ians. Fam. das 
Leguminosas. Esta planta de Minas 
Geraes e tem as mesmas virtudes da 
Mangerioha de Pernambuco. 

Segundo Manso purga na dose de 
16 grammas, e d boa tinta amarella. 

Herva de folhas ovaes, lanceoladas, 
acuminadas, oblongas, em quatro pa- 
res, ramos glabros, glndula aguda e 
oblonga entre os foliolos. 

Flores como nas outras espcies do 
mesmo gnero. 

Fructo tambm legume. 

Existem duas espcies : Cssia splen- 
dida., Vogel. Cssia loivigata., Vogel e 
Will. Decandria Monogynta., Linn. 



Bolsa, de pastos*. 

Preguia. 



V. Brao de 



Bosni iiosne liravo. Batiput bra- 
vo. E' a planta que nas Alagoas chamam 
Batiput bravo., e a que em Pernambuco 
do este nome. 

Foi j descri pt a. 

BoBBfi stOBBte veP65eii'o. Eloso-, 
dendron cauliflorum. Farii. das Rliamna- 
ceas. Arvore silvestre do Brazil, conhe- 
cida nas Alagoas e em Pernambuco. 

E' alta ; a casca avermelhada interna- 
mente. 



BON 



BOR 



^9 



As folhas quasi redondas, succulentas. 

As flores em cachinhos, no s brotam 
nos lugares ordinrios, como nas expan- 
ses dos ramos; so como estrellinlias 
amarellas. 

O fructo uma capsula em forma de 
pio, tendo um ncleo no centro, coberto 
de polpa branca. 

A madeira d'esta arvore applicada 
em diversos usos. 

BoEBiMsa. 'Nyctago Jiortensis^ Juss. 
Mirabilis^ dicliotoma^ Litm. Fam. das 
Nyctagaceas. E' planta natural do Peru, 
do Mxico e da ndia. 

Tem diversos nomes pelas provncias 
do Imprio. 

Em Pernambuco e Bahia tem o nome 
de Bonina ; no Par e no Maranho o de 
Boas noites^ em S. Paulo, Rio de Janeiro 
e Minas o de Maravilha. 

E' uma planta herbcea, seu caule apre 
senta ns de distancia em distancia. 

Folhas oppostas, lanceoladas, molles- 

Flores associadas em receptculo fo- 
liaceo, tendo no centro uma semente oval 
angulosa, e no pice uma flor de tubo 
longo, que abre como um funil ; sahem 
do tubo filetes. Esta flor abre-se de noite, 
e fecha-se pela nianh. 

Raiz de 24 a 30 centmetros de compri- 
mento, e 6 de dimetro, irregularmente 
arredondada, fuziforme, roixa escura por 
fora, branca por dentro ; gosto acre, sem 
cheiro. 

O fructo torna-se preto, rugoso, angu- 
loso ; dentro a amndoa farincea. 

Propriedades medicas . Adminis- 
trada internamente a raiz purgativa 
na dose de 2 a 4 grammas em p; em 
extracto bastam 30 a 60 centigrammas. 

Caracteres da famlia. As Nycta- 
gaceas so plantas herbceas, arbustos ou 
mesmo arvores, cujas folhas so simples, 
as mais das vezes oppostas, s vezes al- 
ternas. 

As flores axillares ou terminaes, mui- 
tas vezes reunidas em certo numero em 
um invlucro commum, ou tendo cada 
uma um invlucro prprio e caliciforme. 



Seu clice gamosepalo , colorido? 
muitas vezes tubuloso, intumescido na 
parte inferior, que frequentes vezes 
mais espessa, e persistente depois da 
queda da parte superior. 

O limbo mais ou menos dividido 
em lbulos enrugados. 

Os estames variam de 5 a 10, e so 
inseridos na borda superior d'uma es- 
pcie de disco hypogynico, muitas vezes 
em forma de cpula. 

O ovrio de uma s loja, contendo 
um ovulo erecto. 

O estylete e o estigma so simples. 

O fructo uma cariopse, coberta em 
parte pelo disco e base do clice, que 
so crustceos, e formam uma espcie 
de pericarpo accessorio. 

O verdadeiro pericarpo delgado 
adherente ao tegumento prprio da se- 
mente ; esta se compe de um embryo 
inclinado sobre si mesmo, tendo a ra- 
dicula curva sobre a face de um dos 
cotyledones, e abraando assim o en- 
dosperma que fica central. 

Bo'l5ffiaetsa. uma flor a que em 
Pernambuco se d este nome. 

Ha branca e amarella, e i^roducto de 
uma planta, cujo caule cresce de 46 
centmetros a 1 metro, contendo as 
folhas cm ordem symetrica, alternada- 
mente. 

Os peciolos d'essas folhas so como 
bainhas, que abraam o caule ; ellas 
so de 2 % decimetros, lanceoladas, 
oblongas, membranosas, de cr verde 
pallida. 

ISofsS 1 vellais. Mimosa vaga 
Linn . Fam . das Leg mninosas . Arvo- 
reta do paiz ; seu tronco tem uma es- 
pcie de casca, que um corpo espon- 
joso, branco e rugoso, que se desprende 
em certo tempo. 

As folhas so em palmas distribudas 
nos ramos. 

As flores em pequenos feixes ou ca- 
chos, que parecem molhos de retrz 
formando bolotas, cujos fios so em 
parte brancos e em partes roixos. 

O fructo uma vagem chata de 12 



so 



BOR 



BOR 



centmetros e mais, com poucas sementes, 
e essas como as do feijo. 

O lenho d'esta arvore fraco e branco. 

Ha outra espcie, e c a que se segue. 

Bordo tie \'ellfta. Mimosa^ Linn. 
Polygamia monoecia, Linn. Fam. das 
Leguminosas. Arvore indigena do paiz ; 
de altura mediana, tronco pardo, sem 
cortie. 

Folhas alternas. 

Flores grandes, porm em pequenos 
cachos, formando um tubo pequeno, com 
um molho de filetes aloirados ou es- 
verdinhados. 

O fructo uma vagem de % deci- 
nietro de comprimento, larga, mem- 
branosa, com os lugares das sementes 
salientes ; estas so ellipticas e alva- 
dias. A vagem parece pergaminho. 

Borclosiiilio. Fam. das Apocg- 
naceas. um sip que em Sergipe 
tem este nome, e em Pernambuco 
conhecido por Stimauma. 

Planta ti'epadeira, lactifera; seu caule 
coberto de uma substancia, esponjosa, 
branca, e os ramos de pellos curtos. 

As folhas cordiformes, grossas, pellu- 
das, pecioladas e ojipostas. 

As flores, reunidas em feixe nas axil- 
las das folhas, so maneira de es- 
trellas, resinosas ao tacto. 

O fructo germinado, irrigado de 
aculeos molles herbceos, e muito lei- 
toso ; dentro existem muitas sementes 
cobertas de pello branco, macio e alvo. 
este pello serve para encher colches, 
travesseiros, etc. 

BoiMlosiiiSfio 9Bs Ala^us. 
Oiticica de Pernambneo. 

Boror. Veneno com que os ind- 
genas do Brasil hervam suas frechas. 
extrahido de razes de certas plantas, que 
nascem em lagos e pntanos. 

Sua preparao mui perigosa, e por 
este motivo sempre uma velha quem 
d'ella se encarrega. 

Alguns authores acreditam ser o Boror 
o Curare hoje conhecido, e que Humholdt 
suppz sor um Strgcknos. 



O sal e o assucar so tomados como 
nicos, posto que fracos, antdotos do 
Boror. 

Boi*riis*aia. Gomma elstica , ou 
seringa em rama. Siphonia elstica. 
Fam. das Eiphorhiaceas . Os vegetaes 
que produzem a Borracha so bastante 
numerosos, e pertencem s famlias das 
Eu2)horiaceas ^ Arocarpaceas , Aptocyna- 
ceas^ e Loheliaceas . 

De todos os vegetaes o que fornece 
maior quantidade de Borracha a Se- 
ring%ieira , que cresce abundantemente 
em estado silvestre nas provncias do 
Amazonas e Par. 

Encontra-se em menor escala no Ma- 
ranho, e apparece em pequena quanti- 
dade no Cear e Rio Grande do Norte. 

Chega a ter n'essas provncias 9 a 18 
metros de altura, de 2 a 2 */^ de grossura; 
acha-se com preferencia nos lugares ala- 
gadios. 

As outras arvores da mesma famlia, 
que fornecem a borracha so : Siphonia, 
rhytidocarpa, Mart. Siphonia hrasilien- 
sis, Wlld. Siphonia luea, Spruce. 
Sii^honia hrevifolia, Spruce. 

Todas habitam nas provncias do Ama- 
zonas e Par. 

Na famlia das Artomr^mcmacham-se : 
Ficus anthelmintica, Mar. ; vulgo Coa- 
jinguva- (Rio Negro do Brasil) ; Ficus 
doliaria., Mart. ; vulgo Gamelleira ou 
Figueira branca ou Irava (Rio, S. Paulo, 
Minas.) 

Na famlia das Apocynaceas encon- 
tra-se a SeMuva, Plumeria phagedenica^ 
Mart. (Amazonas) ; a Tiborna Plumeria 
drstica., Mart. (Minas, Bahia Pernam- 
buco) ; a Sorveira^ Collojjhoi^a utilis, 
Mart. (Par, Rio Negro) ; a Mangabeira, 
Hancornia speciosa, (Pernambuco, Rio 
Grande do Norte). 

Na famlia das Loheliaceas a Lobelia., 
Kunt. Nova Granada. fV. Seringueira) . 

Borraiceift cliiiitaroiia. Echi- 
um flantaginewn. Fa^n. das Borragaceas. 
Planta do Rio Grande do Sul e de 
Montevideo. 



BOT 



BRE 



81 



Propriedades medicas. As folhas 
so emollientes ; sua infuso emprega-se 
internamente ou em banhos, 8 grammas 
para 500 grammas d'agua fervendo, 
em certos casos. 

Caracteres da famlia. As Borraga- 
ceas so em geral hervas, arbustos ou 
mesmo algumas vezes arvores elevadas, 
de folhas alternas, geminadas, cobertas, 
assim como o caule, de pellos mui 
speros. 

As flores formam espigas unilateraes, 
voltadas ou curvas em forma de cajado, 
muitas vezes reunidas e formando uma 
espcie de panicula. 

O clice gamosepalo, regular, per- 
sistente e de cinco lobos. 

A corolla gamoptala, regular, de 
cinco lobos, ella offerece, em certo nu- 
mero de gneros, perto da fauce, cinco 
appendices salientes, que so ocos no 
interior, e que se abrem exteriormente 
em sua base. 

Os cinco estames so inseridos no alto 
do tubo da corolla, e alternam com os 
appendices, quando elles existem. 

O ovrio, assentado sobre um disco 
hypogynico, annular e sinuoso, pro- 
fundamente quadrilobado, de quatro lojas 
monospermicas , muito deprimidas no 
centro. 

O estylete nasce d'esta depi-esso, e 
termina em um estigma de dois lobos. 

O fructo se compe de quatro carpellas 
monospermicas ; mui raramente estas 
carpellas se soldam, e formam um fructo 
carnoso ou secco,deduas ou quatro lojas; 
s vezes sseo, ou unilocular, por 
aborto. 

As sementes tem o embryo voltado, 
em um endosperma carnoso mui del- 
gado, e que mesmo algumas vezes no 
existe. 

ISorsiIeo. Fam. das Urticeas. 
uma planta, cujo fructo vermelho. 

VSoto le oiB*o. Fam. das Com- 
postas. uma flor amarella, imi- 
tao de ui ,'' malmequer, porm muito 
menor e mais regular. 



Suas ptalas , sobre o receptculo 
verde, formam na parte superior um 
circulo de palhetas, amarellas, tendo 
no centro como um acolchoado de flo- 
rinhas, tambm amarellas ; no tem 
cheiro. 

planta de 24 a 48 centmetros de 
altura, de folhas ovaes, e prpria dos 
jardins. 

Boto le prata. Fam. das Com- 
postas. outra planta igual ao boto 
de oiro ; mas a flor d'esta branca. 



Brao de Preguia. Solanum 
cermmm, Vell. Fam. das Solanaceas. 
uma planta do Sul que vegeta no 
Rio de Janeiro, na Parahyba e em Mi- 
nas-Geraes. 

Propriedades medicas. empre- 
gada como sudorfica e diurtica nas 
sarnas, syphilis, gonorrhas, etc. ; em- 
prega-se para isso o cosimento das fo- 
lhas e flores. 

Externamente se applica em banhos 
contra as ulceras. 

Braslleto. V. Po Brasil. 



Brelo caruru. V. 

melho. 



Bredo ver- 



Brdo maeto ou raltaa. 

Amaranthus viridis, Willd. e Sp. Fam. 
das Amaranthaceas . Herva do paiz, que 
conhecida em Pernambuco por este 
nome. 

de pouca altura, caule herbceo, 
folhas ovaes, embaadas, oferecendo no 
pice dos ramos, um prolongamento fo- 
liaceo semelhana de pluma, que so 
as florinhas imperceptveis, ahi encra- 
vadas, com sementinhas Insidias e pre- 
tas. 

Este Brdo tem o uso dos demais Br- 
dos, mas no to estimado como os 
outros. 

Tambm o chamam Caruru e Brdo 
rabaa. 

Propriedades medicas. empregado 

13 



8S 



BRE 



BRI 



contra a anazarca, internamente, e em 
banhos. 
Serve de alimento. 

Brilo niajrjfoiics. Talinum 
Jam, Gomes, Talinum crenatum , Ruiz 
etPav. Fam. das PortiUacaceas . Herva 
natural da America Austral, recebe di- 
versos nomes, segundo as provindas. 

No Par Caruru; na Bahia, Serg-ipe 
e no norte do Espirito-Santo, Lngua de 
Vacca; no Rio de Janeiro, Maria Gomes ; 
e Beno de Deus no Maranho, S. Paulo 
6 Minas-Geraes. 

uma herva de % a 1 metro de altura; 
ramos succulentos, e folhas carnosas, 
oppostas. 

Flores em pequenos cachos, de um 
vivo e elegante roixo, como uma peque- 
na rosa. 

Seu frueto como uma pequena ca- 
psula, cheia de grosinhos pretos, lus- 
trosos. 

Come-se esta herva de diversas ma- 
neiras. 

E' refrigerante e mucilaginosa. 

BreSo tic iiieiro. V. Lngua de 
Sapo. 

Brlo itanaoraefio. V. Veludo. 

Brtlo Etirrixi. Far,i. das Ama- 
ranthaceas. E' em Alagoas que lhe do 
este nome ; em Pernambuco chamam 
Mandah. 

E' uma herva do paiz, rasteira ; caule 
verde, manchado de roixo, succulento, 
com folhas oppostas, quasi redondas. 

Flores pequenas, e reunidas em forma 
de cone paleaceo ; sementinhas pre- 
tas. 

E' refrigerante, e serve de pasto ao 
gado vaccum. 

Brdo le porco ou Uerva tos- 
to. Boerliama hirsuta, Lnn. Fam. 
das Nyciagaceas. Esta planta a Herva 
tosto do Rio de Janeiro ; tambm a 
chamam nas Alagoas e Bahia Pega 
pinto, em Sergipe Papo de peru, e assim 
por diante. 



Herva que alastra e ergue os ramos 
bifurcados, cheios de ns. 

Folhas oppostas, quasi redondas e 
succul lentas. 

As florinhas, umas roixas, outras 
brancas, em forma de coifa. 

A raiz tem uma tuberasinha, que 
antdoto do veneno das cobras. 

Propriedades medicas. empregada 
como diurtica e desobstruente nas mo- 
lstias do fgado. 

Internamente 8 grammas para HOO 
graminas d'agoa, em cosimento. 

Brslo vcraaiellao. Phytolacca 
caruru. Fam. das Phytolaccas. Her- 
va silvestre que se acha nas mattas 
e nas capoeiras. 

tambm chamada Brdo caruru nas 
Alagoas e em Pernambuco. 

Cresce de 1 a 1 X> metro e esgalha ; 
vergonteas roixas, elegantes ; folhas 
tambm roixeadas e pespontadas. 

Flores em espigas, semelhantes ro- 
sinhas, com um corpo arredondado, no 
centro achatado. 

N'este rgo central esto as sementes. 
Esta herva come-se de diversas ma- 
neiras. 

BriBo de veado. V. Bucho de 

veado. 

Briasco tle Saltoiau. Pitheco- 
lohium avaremotemo, Mart. Fam. das 
Leguminosas. Tem esta arvore do Bra- 
sil os mesmos prstimos do Angico. 

Brinco de visETa. V. Tange- 
tange. 

Brjalia ow Coqueiro Bri- 
jaba. Astrocarium Ajri, Mart. 
Far . das Palmaceas. uma palmeira 
da Bahia, conhecida pelo nome de 
Ayri. 

Os fructos apodrecem aos milhares 
no matto, e poderiam ser aproveitados 
para a preparao] de um excellente 
sebo vegetal. 



BRO 



BUC 



83 



Brio de eituilanfe. V. Barbas 
de Barata. (Robinia). 

Brocos. Brassica Botrytis cymosa^ 
Dotiy. Far/i. das Crxiciferas. Espcie 
de couve flor da Europa. 

Cultiva-se no Rio de Janeiro, em S. 
Paulo e mais provincias do Sul, onde 
quasi toda a hortalia europea d 
abundantemente . 

uma couve como a que todos co- 
nhecem. 

Differe porm nas folhas, que so 
maiores e crespas, isto , como machu- 
cadas ; e mesmo nas cores, pois que 
d'estas conhecem-se muitas variedades ; 
ha brancas, roixas, de cr mais ou 
menos carregada, avermelhadas, ama- 
relladas e verdes, etc. 

Alm do uso que se faz d'esta hor- 
talia, ella presta-se a conservas, o 
que lhe d ainda mais apreo. 

Broma lirasiea oti Mata eane- 

iia. Yerhascwiii. Fam. das Serophula- 
viaceas. Herva pequena delicada que 
chamam em Pernambuco Mata canna 
e nas Alagoas Broma. 

um pouco rasteira; de caule qua- 
drangular. 

Folhas quasi redondas e pequeninas. 

Flor branca, abrindo-se em dois l- 
bios. 

Propriedades medicas. um em- 
tico e drstico forte; e tambm serve 
como emmenagogo. 

Caracteres da famlia. Hervas ou 
arbustos, de folhas muitas vezes op- 
postas, algumas vezes alternas, simples, 
de flores dispostas em espigas ou em 
cachos terminaes. 

O clice gamospalo, persistente, 
de quatro ou cinco divises desiguaes : 
a corolla gamoptala, irregular, de 
dois lbios e muitas vezes personada. 

Os estames, em numero de dois a 
quatro, so didynamos. 

O ovrio, applicado sobre um disco 
l^ypogyiiico, de duas lojas polys- 
permicas. 



O estylete simples, terminado em 
um estigma bilobado. 

O fructo uma capsula bilocular, 
cujo modo de dehiscencia muito 
varivel. 

Ora ella se abre por meio de orif- 
cios no pice, ora por meio de placas 
irregulares, ora por meio de duas ou 
quatro valvas, cada uma das quaes 
traz comsigo metade do septo no meio 
da face interna, ora por valvas oppos- 
tas ao septo que fica inteiro. 

As sementes contem sob o tegumento 
prprio uma amndoa composta de um 
endosperma carnoso, que encerra um 
embryo erecto cylindrico, tendo a 
radicula voltada para o hilo, ou op- 
posta este ponto de insero. 

Broaiia roixa. Verbascimi. Fam. 
das SeropMlariaceas. outra espcie 
que habita nas Alagoas e em Pernam- 
buco . 

Sua diferena no sensvel aos 
olhos vulgares ; differe por ter as folhas 
cordiformes, as flores roixas e caule 
percorrido nos quatro lados por uma 
espcie de babado ; o fructo abre-se 
em quatro cocas recortadas. 



Biiclia. 



V. Cabaeznho. 



Buclia. Luffapiirgans, Mart. Fam. 
das CtcrctiMtaceas. Esta planta uma 
espcie de Cabacinho ; seu extracto pde 
substitutir ao da Coloqtiintda. 

Propriedades medicas. empre- 
gada nas hydropisias, e ophtalmias. 

Na dose de 12 grammas cathar- 
tica; em dose mais elevada em- 
tica. 

Ha ainda a Mormodica Lv.-jfa., Vell. 

Biielia los pauli^tas. Bucha, 
tle caador. Momordica o^erculata, 
Lin^ii. Fam. das Cnrcubtaceas. esta, 
que pelo seu nome mostra ser de 
S. Paulo ; uma espcie de Melo de 
S. Caetano mas dif"ere d'elle em algu- 
mas cousas. 



84 



BUG 



BUR 



Propriedades MEDICAS. O fructo 
empregado contra a anazarca, chlo- 
rose, amenorrlia, e afeces hepticas. 

Submette-se o fructo a decoco por 
espao de doze horas, e agita-se at 
fazer espuma. 

A dose de uma colher, de meia 
em meia hora, at fazer vomitar ou 
evacuar. 

O extracto d-sc na dose de 15 
centigrammas. 

Bueliin&ita. Momordica fnrgans, 
Mart. Fam. das Cucurhitaces. Esta 
planta congnere da Bucha dos pau- 
listas. 

Tem o fructo muito menor que ella; 
tem mais acrimonia, e obra em menor 
dose ; 15 centigrammas do extracto j 
uma forte dose. 

83ut'3io de veilo. Amaioua cryp- 
iocarpa. Faju. das Buhiaceas. Arvore 
silvestre, conhecida nas Alagoas por 
este nome. 

de porte mediano, folhas um tanto 
compridas, oppostas, e lustrosas. 

Flores semelhana de Angelicasi- 
nlias amarellas. 

O fructo tem sido pouco estudado. 

B:a|2;i'9 ou Iliba ele SSit^o. 
Comreim Bugio, Si. Hil. Fam. das 
Comhreiaceas . Arbusto conhecido nas 
Alagoas por este nome. 

agreste, trepador, vegeta prximo 
s margens do rio, mui frondoso. 

Suas folhas so ovaes um pouco 
grandes e lustrosas. 

As flores diXo em grandes cachos, 
miudinhas, brancas e mui cheirosas. 

O fructo parece uma azeitona pe- 
quena; mui abortiva. 

A pellicula externa, que a casca, 
um pouco spera ; e a polpa, que 
acinzentada, acidula e no tem bom 
sabor. 

Propriedades medicas. um po- 
deroso anti-syphilitico, mas princi- 
palmente usado para as sarnas, e afec- 
es cutneas chronicas. 



Burareiia. Arvore do paiz, 
prpria para construco. 

B ur iiliciit ou Giiaraitlaein 
utoieisitt. Chrysoiyllum Buranhem, 
Riedel. Fam. das Sapotaceas . uma 
arvore alta, indgena do Brasil, de casca 
lisa, de folhas oblongas, e tamanho re- 
gular, 

O fructo pequeno, semelhana de 
uma azeitona. 

Sua madeira d boas traves e outros 
objectos d'arte. 

A casca de cr vermelha escura ; tem 
sabor doce a principio, e depois amargo 
e um pouco adstringente ; quando fresca 
contm um sueco leitoso. 

O extracto se offerece em pedaos de 
tamanho varivel, de cr roixa escura 
quasi preta, e fractura luzente ; solvel 
em agua, de sabor adocicado a prin- 
cpio, e depois amargo e algum tanto 
acre. (Fig. 11.) 

Propriedades medicas. aconse- 
lhado como adstringente e tnico- in- 
ternamente, nos catarrhos chronicos, he- 
moptyse, diarrha e blenorrhagias; e 
externamente nas ulceras cutneas, ra- 
chas do anus, ophtalmias purulentas, 
etc. 

A decoco se prepara com 32 gram- 
mas da casca e 500 grammas d'agua. 

empregada em banhos, e pde ser- 
vir com vantagem contra as inchaes 
consecutivas s erisypellas. 

Bitvit. Manritia vinifera, Mart. 
Fam. das Palmaceas. natural do paiz 
esta insigne palmeira , conhecida nas 
provncias do Norte por Buriti, e na 
Bahia tambm por Bury. 

a mais alta das palmeiras do paiz. 

O tronco sem espinhos, tem um 
bello leque de folhas no pice. 

O lacho do fructo tem a forma de 
um cone escamoso, como o do pinheiro 
da Europa. 

O fructo mede at 12 centmetros de 
comprimento, de forma redonda, cr 
amarella de gemma d'ovo, tegumento 
membranoso com a superfcie ouriada 



BUR 



BUT 



ss 



como que de escamas unidas umas s 
outras . 

Depois d'esta parte externa ha uma 
polpa amarella, oleosa e doce; depois 
d'esta um corpo mais duro, pouco es- 
pesso, amarello; e, unido este, um 
caroo que no seu seio contm uma 
amndoa comestivel. 

Esta palmeira abundante no Par, 
Maranho, Cear e Bahia. 

Em tempos de calamidade o povo 
erra pelas mattas procura destes 
fructos para mitigar a fome; mas o 
uso quotidiano e muito prolongado 
d'elles, determina uma amarellido na 
ctis. 

O grelo come -se como o do Palmito 
{Areca oleracea.) 

Ha entretanto mais duas palmeiras nas 
Guyanas e no Amazonas : uma, MauHtia 
flexuosa, Litm., queda um sueco extra- 
hido dos seus tecidos, que embebeda, e 
de que faz-se vinho. 

Uma segunda espcie d'este gnero 
de que Mli Humboldt, [Mauritia aculeata), 
Kunt, differe por ter espinhos, sendo na- 
tural do mesmo paiz. 

As folhas do Bimii tm muitas appli- 
caes. 

O fructo comicstivel ; e o tronco 
fornece pela inciso um sueco vinhoso 
excellente. 

Buriti bravo. Mauritia armata. 
Cocos amleata^ Willd. Fam. das Pal- 
maceas. Esta ps^lmeira, semelhante 
antecedente, differe d'ella em que seu 
tronco e as folhas so armadas de 
espinhos. 

Tambm a chamam Coqueiro Bw'iti 
bravo. 

Btirr leiteira. T^am. das Eu- 
phoriaceas. Arbusto que vegeta na Ilha 
de Fernando de Noronha, em todas 
as localidades d'ella. de porte re- 
gular. 

Seus ramos tem um desenvolvimento 
extraordinrio. 

As folhas so verde-escuras, lustro- 
sas, alternas, com peciolos purpurinos, 
estreitos e succulentos. 



Durante o vero, e antes de sua m- 
xima intensidade, esta arvore despe-se 
inteiramente, e s por occasio das 
primeiras aguas do inverno comea 
sua rebentao, tornando-rse novamente 
verde e viosa como d'antes. 

Esta arvore destingue-se particular- 
mente por sua originalidade. 

A passagem de um viandante a sota- 
vento, diz-se, ainda que com poucos 
visos de verdade, sufficiente para 
produzir nelle assaduras nos ante-braos 
e pernas, ainda mesmos cobertos. 

Os pobres animaes que se approxi- 
mam da dita arvore, queimam-se a 
tal ponto, que as partes atacadas ja- 
mais criam cabello. 

Uma gota de sua seiva basta para 
determinar uma ferida semelhante 
que produziria o fogo. 

A madeira nem para lenha serve, 
visto que seu fumo ataca a vista d'a- 
quelles, que a empregam como com- 
bustvel. 

Bur seteira. V. Po de leite ou 
Ti. 

^^' Butiin. '!'Coccilus cuieracens , St. 
Hil. Fam. das Menis^ermaceas. Ar- 
busto natural do paiz ; sua ptria 
porm S. Paulo e Minas Geraes. 

ramoso ; as folhas abrem-se como 
palmas, e os peciolos so compridos. 

Propriedades medicas. A raiz 
desobstruente, diurtica, emmenagoga e 
febrfuga. 

Emprega-se principalmente nas hy- 
dropisias, suppresso de lochios, mens- 
truao difficil e acompanhada de dores, 
clicas uterinas depois do parto, e febres 
intermitentes. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia se compe de arbustos sarmentosos 
e trepadores, cujas folhas, alternas, so 
geralmente simples, raras vezes com- 
postas. 

As flores so pequenas, unisexuaes e 
as mais das vezes dioicas. 

O clice compe-se de varias spalas 



86 



CAA 



CAA 



dispostas em trs, e formando diversas 
ordens. 

Succede o mesmo com a corolla, que 
falta algumas vezes. 

Os estames so monadelphos ou livres, 
do mesmo numero, duplo, ou triplo. 
O ovrio de uma s loja, contendo 
um ou mais vulos ; muitas vezes estes 
so em g-rande numero, soltos ou sol- 
dados polo lado interno. 

Os fructos so espcies de drupas mo- 
nospermicas, obliquas, e como que re- 
niformes, e eompi-idas. 

A semente que elles contm se compe 
de um embryo curvo sobre si mesmo, 
e geralmente desprovido de endosperma. 

Butiaa. CocaUus flati'pliylla , St. 
RU. Fam. das Menispermaceas. Esta 
outra espcie vegeta no paiz , e cresce 
nas mesmas provncias acima ditas. 

DiFere nas folhas, que so grandes e 
cordiformes, e tem as mesmas virtudes 
medicinaes da antecedente. 

Buliia lo cufvo. Maximiliana 
regia., Mart. e Willd. Bacchiaimignis., 
Mart. e Luce. Fam. Idem. Cochlos- 
permmi insigne. St. Hil. Arvore agres- 



te, natural de Minas-Geraes, cujas flores 
so coriaceas, em forma de palma, e 
alternas. 

Suas flores em cachos so grandes, 
e amarellas , e o fructo capsular. 

Propriedades medicas. A raiz d'esta 
arvore applicada em cosimento contra 
as dores internas, com especialidade as 
que so resultantes de quedas e outros 
accidentes. 

Tambm til contra os abcessos j 
formados. 

Butaia BisBKa. Coccuhis filipen- 
dula, Mart. Fam. das Menispermaceas . 
Vegeta como a precedente congnere; 
tem as mesmas propriedades d'ella. 

Ha duas qualidades de Butua ; uma 
tem a raiz grossa na base e dura ; 
a que acabamos de indicar ; a outra 
delgada, lisa e branda , conhecida em 
Minas-Geraes e no Espirito-Santo por 
Cijaroho e Parreira hrava. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada a raiz contra as mordeduras de 
cobras, na dose de 3 grammas para 500 
grammas d'agLia. 



G. 



Caa. Palavra que na lingua de 
nossos indgenas signiflca Herva, mas 
que se applica particularmente ao Matte 
do Paraguay. 

Vegetal que n'aquelles lugares da 
America tem o mesmo uso que o ch 
da ndia entre ns. 

Caa. Polanum tabaciforme ^ Vell. 
Fam. das Solanaccas. Nome de uma 
planta indgena do paiz. Caa entra na 
composio de varias outras palavras, 
com que designam os indgenas outras 
plantas, como se ver adiante. 



Caa-apia. F. Contra-hcrva. 

Caa-ass. MalpigMa rsea, La- 
cerd. Fam. das Malpigliiaceas. Planta 
que serve para tingir os fios das re- 
des dos pescadores. 

!;kix-'Atsysk,. Vandellia diffusa, Linn. 
e Lamcli. Fam. das Scrophulariaceas. 
Herva pequena, delicada, de folhas 
ovaes, oppostas, tendo por fructo uma 
pequena capsula, com muitas sementes. 

Propriedades medicas. EUa amar- 



CAA 



CAA 



89 



ga, e empregada como purgativo, e 
diurtico. til nas febres intermit- 
tentes, e inflammaes chrouicas do 



fgado. 



taja. uma planta brasileira, que 
mereceu a attenco das academias eu- 
-ropas, por se achar n'ella a proprie- 
<iade de, misturada com o senne em 
partes iguaes, tirar-lhe o mo gosto, 
sem destruir a sua aco purgativa. 
Reinou essa ideia por muito tempo 
desde o principio ou fins do sculo 
XVIII, mas depois acharam a mesma 
propriedade em uma planta europa. 
Scroplmlaria aqutica, que substituio a 
Qaa-cua. 

Perdeu portanto o Brasil um bom 
ramo de commercio. 

Cait-cliira. Oldenlatidia corym- 
bosa, Linn. Fam,. das Ruhiaceas. Esta 
planta conhecida nas provncias do 
Sul, como oriunda do paiz. 

O caule herbceo e quadrangular. 

As folhas oppostas, lanceoladas, du- 
ras e esbranquiadas por baixo. 

Suas flores em feixes, so como pe- 
quenas Anglicas^ tendo por fructo uma 
capsula pequena, que se assemelha com 
a da Vassourinha . 

E planta de tinturaria. 

Caa-cliir. Indigofera domingen- 
sis, S'P'eng. Indig^ hrasiliensis . Fam. 
das Leguminosas. Planta herbcea, 
semelhante ^?z7^w'a j descripta, com 
quatro pares de foliolos nas folhas. 

Vegeta em S. Domingos e no Brasil. 

Ciia-eica oit Caa tia. Eu- 

fhorhia caintata., Lamack. Eupliorhia 
fihifera., Linn. Fam. das Ewphor- 
iaceas. Planta herbcea de clix erecto. 
Folhas serreadas, ovaes, oblongas, e 
flores agglomeradas. 

Propriedades MEDICAS. muito pre- 
conisada como antdoto do veneno das 
cobras, e das viboras sobre tudo. 

Pisada e applicada fresca sobre a 



ferida da mordedura no s suavisa 
as dores, como, diz-se, neutralisa o 
veneno. 

Internamente se d em p, suspenso 
em qualquer liquido. 

Caa-co. V. Sensitiva. 

Caa*cua. V. Yqueiaga. 

Caa-cuis a folha do atte 
ainda na prefoliao. 

Caa-etintay. uma Syngeriesia 
cujas folhas cosinhadas so emprega- 
das contra as sarnas. 

Caa-|li tiara. So as folhas per- 
feitamente abertas do ch do Paraguay 

(Matt). 

Caa-guiguye. V. Aninga i)ari. 

Caaguiyuyo-to. uma Melas- 
toma ou Rhexia da qual se come o 
fructo . 



Caa-jaiidinap. 



V. Loco. 



Caa-menibeca . Pohjgata faraen- 
sis, Castro. Fam. das Polygalaceas. 
Planta oriunda do Par. 

Propriedades medicas . E' refrige- 
rante e anti-hemorrhoidal. D-se em in- 
fuso na dose de 8 grammas para 500 
grammas d'agua. 

Cta-niena e Caa-Bueiii. E' a 

mesma planta em boto . 

Caa-opia. Vismia giijanensis., Pers. 
Hy-pericum gujane^ise., Aubl. Fam. das 
Hypericaceas .Est?i arvore sem duvida 
a mesma descripta, n'este dicciona- 
rio sob o nome de Lacre. 

E' um arbusto elegante, de folhas 
oppostas, ovaes, aloiradas. 

Flores em cachos de cr branca ama- 

rellado. 

O fructo espherico, e abandona por 
incises nelle praticadas, um sueco 



88 



CAA 



CAB 



avermelhado, {jommoso ; drstico na 
dose de 1 a2 deciprrammas. 

D-se cm uma emulso de amndoas. 

Ha diversas espcies. 

Can-peba. Ha trs ou quatro es- 
pcies que recebem o nome Caa 'peha, e 
que entretanto so plantas bem dife- 
rentes entre si. 

Uma d'ellas a Parreira do matto; 
outra t o Malvaisco ; outra uma es- 
pcie do gnero Anglica, e outra final- 
mente um sip semelhante ao Raho 
de Rato. Vejam-se estas plantas. 

Caa-pefia. V. tambm Malvaisco 
de Pernambuco. 

Caa-peba, tio l\orte. Cissam- 
felos Caapba, Linn. Fam. das Menis- 
permaceas. Planta que vegeta nas re- 
gies do Norte, como em S. Domingos 
e nas regies Amazonicas. 

uma trepadeira, de folhas alter- 
nas suborbiculares, cordiformes, meio 
pelludas , com os peciolos dispostos 
em sete linhas ou divises longitudi- 
naes. 

As flores femininas so longamente 
pedunculadas. 

O fructo e a flor como os da pre- 
cedente. 

Caa-peba, do Sul ou Herva de 
niossa Seiltora, ou Cip de co- 
bra. Cissar/ipelos glaberrima, St. ffil. 
Fam. das Menispermaceas . Esta planta 
do Rio de Janeiro, Minas-Geraes, e 
de outras provindas do Imprio. 

uma trepadeira, de folhas redon- 
das, quasi sesseis. 

As flores em cachos so maneira 
de campana, recortadas na margem. 

Propriedades medicas. EUa sudo- 
rifica, aromtica e estomactica. 

A infuso da raiz bebida pela ma- 
nh antiasthmatica. 

Caa-poinanga. V. Loco ou Quei- 
madeira. 
Tambm com este nome os indios 



designam duas plantas : uma d'ellas 
semelhante na apparencia a nossa Ar^ 
ruda de campina; a outra ainda inde- 
terminada. 

Caa-pon^^a. Debaixo d'este nome 
existem trs plantas do paiz, que se 
come maneira da Beldroega. 

Uma parece a Gomphrena vermicU' 
lata as outras, variedades de uma es- 
pcie de Mimosa. 

Caa-poij^a. PMloxerus vermicu- 
latus., Smart. [Cremos). E a mesma 
Gotiiphrena., Fam. das Amaranthaceas. 

Caa-ro!ioa. 7. Jatob. 
Caa-taia. F. Herva de bicho. 
Caa-tin^ua. V. Catigua. 

Caa-vourana. Solanum arbores- 
cens, Vell. Fa)n. das Solanaceas. Esta 
planta vegeta no Cabo-Frio e em Piauhy. 

Produz uma qualidade de anil supe- 
rior. 

Propriedades medicas. empre- 
gada em banhos, na morpha. 

Cabaeiibo. Momordica bucha. 
Dermofhylla pendallina. Mans. e S. Paio. 
Fam. das Cticurbiaceas. Esta planta 
indgena tem o nome de Cabacinko, 
nas provncias do Cear e Pernambuco ; 
na das Alagoas chama-se Cabao de 
bucha., e na de Sergipe e Minas-Geraes 
conhecida por Bucha. 

Raiz ramosa e fibrosa. 

Caule herbceo, prostrado e fistuloso, 
de comprimento varivel, e grossura 
de uma penna. 

Folhas cordiformes, guarnecidas de 
speros pellos. 

Flores pequenas, de cr amarella. 

Fructo ovide ou oblongo, secco, 
envolvido em uma s pea ou car- 
pella, formada pelo tubo que na ma- 
dureza passa do verde ao amarello 
escuro, guarnecido de grossos espi- 
nhos; esta parte que constitue o 
epicarpo. 



CAB 



CB 



S 



O mesocarpo, immediato a este, 
composto de xim tecido fibroso, reti- 
forme, que se estende at o interior, 
onde termina por uma camada mais 
compacta (endocarpo), que forma as 
paredes de trs cavidades, contendo 
cada uma no seu centro iim trophos- 
perma, e sendo o centro dos trs tro- 
phospermas occupado pelas sementes. 

PROPRIEDADAS MEDICAS. O fructo do 

cabacinho aconselhado nas hydro- 
pisias. 

Applica-se vulprarmente esta planta 
em forma de clysteres ; para isso faz-se 
um macerado da quarta parte de um 
fructo, em agua, por espao de dez 
horas, coa-se, e depois bate-se com um 
rodzio at fazer espuma, separa-se 
esta, e repete-se a mesma operao 
por mais duas vezes; esta dose para 
adulto. 

Para uso interno prepara-se um licor 
com quatro fructos privadtfs de se- 
mentes, e lanados em uma garrafa 
de aguardente de 21. 

Pe-se em digesto por espao de 24 
48 horas, e depois faz-se o doente 
tomar, na dose de 90 120 grammas 
por dia. 

O clyster obra como violento drs- 
tico, cujo eeito acompanhado de 
muitas djes. 

O licor occasiona as mesmas dores, 
com vomitDS e dejeces alvinas. 

um medicamento que exige muita 
cautela err. sua applicao. 

Ca?)aeiiBlto do Par/i. Colocyn- 
ihis 'paraer.sis. Fam. das Cucurbitaceas . 
Semelhinte em quasi tudo aos ou- 
tros e con as mesmas propriedades. 

Coloc(Kiint1iit1a! la!;! illias do 
Arcli pelado do Oriente. o Cu- 

cimis colocyntMs^ Lhm. 

Prcriedades medicas. O Cahac7iho 
depirativo, empregado contra os dar- 
thros. 

As coses so, da raiz secca 4 gram- 
mas; tas sementes de duas at quatro. 



Usa-se tambm da infuso da polpa, 
feita com a metade de um fructo. 

Caliao OH Cabao de collo. 

Cucurhita lagenaria^ Lt?m. Cucurb. leu- 
cantTies, Duch. Fam. Idem. Espcie 
originaria do piz, bem conhecida de 
todos. 

O Cabao proveniente de uma planta, 
que se estende ao nivel do cho, e 
agarra-se aos corpos visinhos, ou na 
falta alastra pelo cho. 

O caule cylindrico, coberto de pellos 
duros, que ferem a mo de quem os toca. 

As folhas, de peciolos longos e tu- 
bulosos, so quasi redondas, ou for- 
mam chanfraduras, e dividem-se em 
trs ou cinco lobos ; so quasi sempre 
de um verde esbranquiado, manchadas 
e baas. 

As flores so ordinariamente brancas 
sem cheiro e grandes ; so de sexos 
separados ; umas como simplesmente 
uma campana, outras na base d'essa 
campana. 

Tem o fructo em estado rudimental, 
espherico, de grandeza varivel ; na 
parte inferior do bojo oferece um 
collo pelo qual sustentado. 

O exterior do fructo verde claro, 
espesso e de natureza crustcea ; den- 
tro encontra-se uma massa aquosa, 
quasi frouxa, mui amarga e branca, 
cheia de gros chatos, ellipticos e in- 
seridos em filamentos. 

Os habitantes do centro excavam o 
interior d'este fructo, para fazer uso 
d'elle como vaso de guardar lquidos, 
fa rinha ou gros (cuias) , 

Nas Alagoas chamam Cabao marimba. 

Elle muitas vezes no apresenta 
collo, e tem uma forma arredondada 
semelhana- de uma abbora ; justa- 
mente este que cultivam. 

Tambm tem virtudes medicas, e 
quasi todas as espcies tem um cheiro 
enjoativo, e um pouco almscarado. 

Cabao grrogroj. Cucurbita ovi- 
de Fam- idem. E do paiz e agreste. 

Tem este nome nas Alagoas e em 
Pernambuco. 

14 



9U 



CAB 



CAB 



E uma planta como os outros Ca- 
baceiros. 

As folhas so quasi redondas. 

As flores amarellas. 
. O fructo, porm, de 6 a 12 cen- 
tmetros ; sua configurao exacta- 
mente ovide, e no seu interior como 
se observam nas congneres. 

Propriedades medicas. A medicina 
vulgar emprega o fructo e as folhas nas 
hydropisias, em clysteres. E' um pur- 
gante violento. 

CitbA^'o Biii*iiiil>a. V. Cabao 
de CO lio . 

Ca9>ao de iiolvora. CucnrhUa 
pulvis. Fam. Idem. Semelhante 
espcie precedente ; mas a flor branca, 
e o fructo anlogo ao do Cabao 
grogoj. 

O d'este i^orm apresenta um collo 
estreitado abaixo do bojo ou engrossa- 
mento, e muitas vezes esse collo faz 
outro menor que fica sobreposto. 

Costumam extrahir-lhe o miolo para 
servirem-se d'elle como polvarinho. 

Ca^ia^** ** serto. Ciicurbita. 
Fam. Idem. Vegeta nos nossos ser- 
tes uma espcie de Cabao monstro, 
cujos caracteres so os mesmos que 
os dos precedentes, tendo porm um 
fructo monstruoso, cuja casca for- 
mada de um tecido crneo, espesso, 
quasi sseo. 

Quando preparado serve de vaso para 
diversos misteres domsticos. 

Os caadores costumam fazer uns bu- 
racos n'estes cabaos, e usam d'elles 
maneira de mascara para observarem 
as caas do rio ; mas para isso deitam- 
nos sobre a agua por muito tempo at 
ellas se acostumarem primeiro, e alcan- 
ado isto, entram ento no rio , enfiam 
n'ellas a cabea, vo-se chegando a ellas 
e agarram-nas pelos ps. Apanham-as 
assim vivas , e sem emprego de arma 
de fogo. 

Os vasos chamados combucas podem 
conter muitas vezes 12 a 15 litros d'agua. 



Cabc^*. de Frade. Villarsianym- 
flmoides., Brow c D. C. Fam. das Qen- 
cianaceas. V,' uma planta bonita que 
fluctua nas aguas. 

Suas folhas so redondas, de peciolos 
compridos. 

As flores, de um bello amarello cr 
de enxofre. 

O fructo d'esta planta, que comes- 
tvel, amylaceo. 

Ella uma espcie da que chamam 
Gol])lio ou Gigoga. 

Cabea de ne|;;rOy ou de niole- 
<|ie. Fam. das Ciicurbitaceas. E' uma 
planta trepadeira agreste do Brasil , 
conhecida como tal em Pernambuco e 
Parahyba. 

Ella abunda no serto. 

E' um arbusto trepador , de folhas 
e flores tricortadas. 

Na extremidade da raiz brota um bolbo 
mais ou menos desenvolvido., de aspecto 
rugoso, pardo claro, de forma varivel. 

Quando partido v-se que compe-se 
de uma substancia compacta , rgida , 
hmida, da qual se extrahe uma f- 
cula mu.i amargosa. 

Esta batata desconhecida na me- 
dicina; apenas alguns curiosos conhe- 
cem as virtudes medicas que ella possue, 
e fazem uso internamente e en clysteres. 

Seu ef'eito vomitivo e purgativo em 
certa dose. 

Podemos asseverar que im impor- 
tante vegetal, que o paiz ]X)ssue. 

Tambm lhe do o nome de Tejuco 
e Cabea de moleqite. 

Ha duas espcies, uma preta e outra 
I branca; a preta distingue-se pelo caule 
escuro. 

Propriedades MEDICAS. E um po- 
deroso anti-syphilitico , anti-scropliu- 
loso, anti-dyarrheico, e anti-febr.l. 

No tempo da afflictiva epidemia do 
cholera morbus, raro foi o doente tra- 
tado com este remdio que succumbisse. 

A dose do p uma colher de sopa 
toda,s as manhs. 

A tinctura tambm muito usada 
nos casos da menstruao difcil. 



CAB 



CAB 



91 



Caheudo ou Coqueiro cabe- 
udo. Cocos capitata. Fam. das Pal- 
maceas. E' uma palmeira de Minas- 
Geraes. 

Cabea de Cutia. Myriaspora 
fubescens. Fam. das Melastomaceas. 
Arvore mediana do paiz que nas Ala- 
goas tem este nome. 

A casca esbranquiada. 

As folhas oppostas, grandes, ellypti- 
cas, pelludas na face inferior, e aver- 
melhadas ou roixeadas, bem como as 
pontas dos ramos. 

As lres, em cachos cruzados, so pel- 
ludas. 

Os frnctos so redondinhos, de 1 % 
centmetros, coroados de pellos sedosos 
fe roixos. 

Quando maduros, o tegumento ex- 
terno membranoso ; interiormente a 
massa aquosa, trigueira, e cheia de 
miudissimos gros. 

O lenho no dos melhores, porm 
serve para estacas, e combustvel. 

Calbello de iiegi^ro. Eritroxylon 
camies Ire, St. Ilill. Fam. das Erytro- 
xyleas. um arbusto de Minas Ge- 
raes. 

Suas flores, em feixes ou em cachos, 
acham-se agglomeradas nas axillas das 
folhas e dos ramos. 

O seu lenho e a casca da raiz, fer- 
vidos em agua, constituem um pur- 
gante. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas, ou oppos- 
tas, geralmente glabras, munidas de 
estipulas axillares. 

As flores so pequenas, pediculladas, 
tendo um clice persistente de 5 divi- 
ses profundas. 

Uma corolla de cinco ptalas sesseis, 
e munidas interiormente de uma esca- 
masinha. 

Os estames em numero de dez, tem 
os filetes dilatados na base, unidos 
entre si e monadelphos interiormente, 
de ordinrio persistentes. O ovrio 
unilocular, contendo um s ovulo pen- 



dente ; ou ento elle de trs lojas, das 
quaes duas so vazias. 

Do ovrio nascem trs estyletes, ora 
distinctos, ora unidos quasi at ao 
pice. 

O fructo uma drupa monosper- 
mica, indehiscente, ou dehiscente. 

A semente em um endosperma duro 
e crneo, encerra um embryo axillar 
e homotropo. 

Calielluda. Eugenia tomentosa. 
Fam. das Myrlaceas. Arbusto cujos 
fructos so assucarados e refrigerantes. 

Caliiiia. F. Jacarand cahiuna. 

Cabo de aeo. Myricaria va- 
siliensis. Farn. das Tamaricineas . 
Esta arvore, conhecida nas Alagoas por 
este nome, de um lenho muito duro ; 
ramosa, de casca parda, e folhagem 
mida, como a dos espinheiros. 

As flores, em espigas ramosas, so 
de estructura ordinria, esverdinhadas 
e no grandes. 

O fructo como uma pequena vagem. 

A madeira empregada na marcine- 
ria, por ser de longa durao ; prefe- 
rem-na para cabos de instrumentos 
agrcolas. 

Caracteres da famlia. Sub arbus- 
tos ou arbustos, tendo folhas em geral 
pequeninas, e invaginantes. 

Flores igualmente pequenas, munidas 
de bracteas, e dispostas em espigas 
simples, cuja reunio constitue algumas 
vezes uma panicula. 

O clice de quatro ou cinco di- 
vises profundas, raramente forma um 
tubo na parte inferior ; suas divises 
so imbricadas lateralmente. 

A corolla se compe de 4 ou 5 p- 
talas persistentes. 

Os estames em numero de 5 a 10, 
raras vezes de 4, so monadelphos pela 
base . 

O ovrio triangular, algumas vezes 
cercado na base de um disco perigy- 
nico. 

Elle unilocular, oferecendo trs tro- 



93 



CAB 



CAB 



phospermas parietaes, com grande nu- 
mero de vulos ascendentes. 

O estylete simples ou tripartido. 

O fructo uma capsula triangular, 
de uma s(3 loja, contendo um grande 
niimcro de sementes, inseridas no meio 
da face interna das trs valvas, que for- 
mam a capsula. 

O embryo erecto, orthotropo, des- 
provido de endosperma. 

Cabo de inacItHclo. uma ar- 
vore agreste que recebe este nome em 
Pernambuco, e que parece ser o Caho de 
faco das Alagoas. 

Caltoafan de capoeira. Cupa- 
nia vernaUs, St. Hil. Fam. das Sa- 
findaceas. Arbusto indgena, que cresce 
nas capoeiras. 

Seu caule reguado, e quadrangular. 

As folhas impares, compostas, alter- 
nas, oblongas, grandes, ovaes, brilhan- 
tes, e revestidas de pello macio infe- 
riormente. 

As flores em pequenos cachos, de for- 
ma ordinria e de cr branca escura. 

O fructo uma noz coriacea, em forma 
de pio, que abre em trs valvas. 

Contm trs sementes pretas, envoltas 
em uma substancia, que cobre metade 
do seu corpo. 

Floresce em Setembro. 

Propriedades medicas. A casca em- 
prega-se na asthma e na tosse convulsa. 

Caracteres da famlia. Familia 
composta de grandes arvores ou ar- 
bustos, algumas vezes de plantas herb- 
ceas e volveis. 

Folhas alternas e geralmente impari- 
pinnuladas, munidas as vezes de ga- 
vinhas e de estipulas frgeis. 

O clice, de 4 a 5 sepalas livres ou 
ligeiramente soldadas pela base, um 
pouco obliquo e desigual na base. 

A coroUa, que falta algumas vezes, 
formada em geral de 4 a 5 ptalas, 
ora lisas, ora glandulosas, para a parte 
mdia, onde ellas oferecem varias vezes 
uma lamina petaloide. 



Os cstames, cm numero duplo do das 
ptalas, so livres e applicados sobro 
um disco hypogynico, plano, lobulado, 
que guarnece todo o fundo da flor. 

O ovrio, algumas vezes excntrico, 
ae trs lojas, contendo em geral dois 
vulos sobre postos, e inseridos no an- 
gulo interno de cada loja. 

O estylete, simples na base, tri- 
fido no pice, e termina em trs es- 
tigmas. 

O fructo uma capsula, s vezes 
vesiculosa de 1, 2 ou 3 lojas, contendo 
cada uma d'ellas uma s semente, e 
abrindo-se em trs valvas. 

As sementes se compe de um grande 
embryo, tendo a radicula curva sobre 
os cotyledones ; desprovido de endos- 
perma, e s vezes enrolado em forma 
de hlice. 

Cahoatan de leite. Mauria lac- 
lifera. Fam. das TereMnthaceas. Ar- 
vore ou arbusto leitoso, conhecido nas 
Alagoas por este nome : natural do 
paiz. 

Bello arbusto de aspecto aloirado; 
casca parda, acastanhada. 

Folhas dispostas em palmas, ovaes, 
oblongas e aloiradas. 

Flores, em cachos pyramidaes, mi- 
das, brancas, tintas de amarello. 

Fructo pequeno, de 3 centmetros, e 
ovide. 

Sua parte extrema coriacea, e parda; 
a interna, viscosa e contendo uma se- 
mente parda. 

No comestvel. 

Cattgreraiia cabralea. Cange- 
rana. Fam. das Meliaceas. Foi em 
memoria de Pedro Alves Cabral que 
se deu tal nome a esta arvore. 

A madeira notvel pela sua bel- 
leza, de cr vermelha arroxeada, e ad- 
quada s obras internas e ao ar. 

Cabuj^t. o Caroa de rede em 
alguns lugares da America Meridio- 
nal. 

Cab^iraia. V. Caiuraia cabureiha. 



CAC 



CAC 



93 



Cabui'eil>a . Myrocarpus fastigia- 
ttis, Fr. Aliem. Fam. das Legumi- 
nosas. uma das nossas importantes 
arvores. 

excellente madeira de construco ; 
exsuda uma resina, de activissimo 
aroma, mui empregada, e conhecida pelo 
nome de Cahiireicica, . 

Cit^xireiciea. a resina forne- 
cida pela madeira acima. 

Cac.o ou Cac-.oseiro. Theo- 
hroma caceio.^ Linn. Fam. das Byttne- 
riaceas. Arvore indgena das pro- 
vindas do norte do Brasil, sobretudo 
do Par e Amazonas, e tambm da 
Nova Granada. 

Tronco erecto, de 3 % metros de al- 
tura. 

Flores alternas, grandes, oblongas, 
com a base cordiforme e ligeiramente 
obliqua, tendo a face superior de uma 
bella cr verde, e a inferior esbran- 
quiada, apresentando sete nervuras, 
partindo todas da base. 

Flores, em pednculos solitrios, si- 
tuados um pouco acima da axilla das 
folhas, formando cachos. 

Corollas de 5 ptalas de cr verme- 
lha escura. 

Fructo, noz oval, de 18 a 24 cent- 
metros de comprimento, com 5 sulcos, 
superfcie desigual, sericea, e 5 lojas 
contendo grande numero de sementes. 

Alm d'estas espcies de cacoseiros, 
ha outros que mais ou menos se asse- 
melham, e cujas sementes tem o mes- 
mo emprego. 

O caco serve especialmente para o 
fabrico do chocolate, que sendo um bom 
alimento, ajuntando-se certas substan- 
cias medicinaes, toma o nome de cho- 
colate de musgo, de ferro, de salepo, 
de araruta, etc. 

Tambm entra na composio de pre- 
parados analepticos, como so o Raca- 
hout, Palamud, Thehroma. 

Tambm se extrahe d'elle uma mat- 
ria, a que do o nome de manteiga de 
caco . 

emolliente ; emprega-se interna- 



mente nas bronchites, e externamente 
para curar as rachas dos beios, e do 
bico dos peitos e do anus. (Fig. 12.) 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos, de folhas alternas, simples, 
munidas de duas estipulas oppostas. 

Flores dispostas em cachos mais ou 
menos ramosos, axillares, ou oppostos 
s folhas. 

O clice n, ou acompanhado de um 
caliculo, e formado de 5 sepalas mais 
ou menos ligadas pela base, e valvulares. 

A corolla de 5 ptalas lisas, enrola- 
das em espiral antes de seu desabro- 
char, mais ou menos concavas e irre- 
gulares ; estas ptalas faltam algumas 
vezes. 

Os estames , do mesmo numero , de 
numero duplo ou mltiplo do das p- 
talas, so em geral monadelphos, e o 
tubo que elles formam por sua reunio 
apresenta muitas vezes appendices pe- 
taloides, collocados entre os estames an- 
theriferos; estes appendices so outros 
tantos estames abortados. 

As antheras so constantemente de 2 
lojas. 

As carpellas em numero de 3 5 s j 
mais ou menos completamente unidas. 

Cada loja encerra dois ou trs vulos 
ascendentes, ou um maior numei'o, in- 
seridos no angulo interno da loja. 

Os estyletes ficam livres, ou so mais 
ou menos adherentes entre si. 

O fructo em geral uma capsula 
globulosa, acompanhada pelo clice, de 
3 ou 5 lojas , abrindo-se em outras 
tantas valvas, que frequentes vezes apre- 
sentam o septo no meio de sua face 
interna. 

As sementes offerecem , em um en~ 
dosperma carnoso, um embryo erecto. 

Cucoseiro Stravo. Theolroma 



gnianensis, 



Wild. Fam. Idem. Este 



arbusto habita nos lugares charcosos da 
Guyana. 

Difere do precedente em ter a folha 
recortada em de redor, e em ser o fructo 
aloirado e piloso. Segundo Aubl. Caco 
silvestris . 



94 



CAF 



CAF 



Ca<*1ia1>. uma espcie de Cardo 
que alguns tomam i>ov Jaracali. 

CcIbI>oii. E' a resina fornecida 
pelo Po de ])orco. 

Caeliiiii. Tambm em alguns lu- 
gares significa Borracha. 

CacliiBii. Sapium iUcifolmm., Willd. 
Fam. das Eioplioj-Maceas. E' uma ar- 
vore leitosa da America, com fructos 
pequenos. 

Trs amndoas bastam para um pur- 
gante. 

Capl&i iibIio . Trichofiliorum , Cachim- 
ho. Fam. das Cyperaceas. Esta planta 
tem o aspecto de um capim. 

E' natural do paiz, e conhecida por 
este nome nas provncias das Alagoas 
e Pernambuco. 

Ella forma uma touceira como o 
capim, de folhas estreitas, dispostas 
na superfcie da terra. 

Do centro ergue-se imi pendo trian- 
gular, e nasce um aggregado de flores 
brancas, cheirosas, pequenas, verticil- 
ladas. 

Esta espcie cresce beira dos ca- 
minhos. 

Caeulage. 7. Quitoco. 

Cate oti Cafezeir. Coffea ara- 
hica, Linn. Fam. das Rubiaceas. Ar- 
busto originrio da Arbia, cultivado 
em todo o Brasil, e em outros paizes 
intertropicaes. 

Elle de 2 a 3 metros de altura, 
frondoso. 

Folhas verde-escuras, oppostas, lus- 
trosas, de forma ellyptica, e pon- 
tudas. 

Flores em feixes nas axillas das fo- 
lhas, e pelos ramos, brancas como o 
jasmim, e com cheiro. 

O fructo de 1 %. centmetro, oval, 
vermelho, com uma casca coriacea, 
tendo na parte interior uma substan- 
cia albumnosa branca e doce ; envolve 
um caroo, que se divide em dois he- 



misphcrios ; este caroo o crneo, c 
tem um sulco na parte plana. 

E' esta semente que d toda a im- 
portncia ao Cafezeiro. 

O gnero Co/fea encerra mais de 23 
variedades ou espcies, das quaes uma 
faz hoje a base da riqueza do Brasil, 
que o Cafezeiro arahico. 

As primeiras provncias que o cul- 
tivaram, foram o Maranho e Par ; 
passou ao depois ser cultivado no 
Rio de Janeiro, d'onde exportam-o em 
grande escala para os mercados da 
Europa e Estados-Unidos da America 
do Norte. 

O nosso caf occupa um dos pri- 
meiros lugares em muitos d'esses mer- 
cados, porm se se empregasse no 
Brasil maior cuidado, na sua prepa- 
rao e cultura, o consumo do caf 
seria muito maior. 

O mais bem tratado muito procu- 
rado, e vende-se por maior preo como 
acontece com os cafs dos outros pai- 
zes, por exemplo o de Moka e o de 
Bourbon. 

Propriedades medicas. E' til con- 
tra a debilidabe do estmago, dando- 
Ihe fora e augmentando a energia 
prpria ; ajuda a digesto, accelera a 
circulao do sangue, faz allvar ou 
desapparecer as clicas flatulentas. 

E' um poderoso tnico e febrifugoJ 

O uso do caf dissipa a preguia e 
a languidez, proveniente do excesso de 
trabalho, ou do abuso de prazeres ve- 
nreos e de bebidas alcolicas. 

A medicina popular o emprega con- 
tra as dores violentas de cabea. 

A medicina ofRcial o emprega na 
asthma, na coqueluche, catarrhos chro- 
nicos, gotta, amenorrha, tosse con- 
vulsa. 

E' tido como um poderoso remdio 
para combater os effeitos do envene- 
namento pelo pio e pelos outros nar- 
cticos. 

Internamente : Infuso de caf tor- 
rado, 30 grammas para 250 grammas 
d'agua fervendo. 

Caf verde] no torrado [em. p, uma 



CAG 



CAI 



9! 



duas grammas, de hora em hora, 
durante a apyrexia. 

Decoco : 30 grammas em 3T5 gram- 
mas d'agua. Meio clix de meia em 
meia hora. 

Caf do Biintto. Gxmnera simi- 
lia coffea. Fam. das Araliaceas. Ar- 
busto agreste e indigena, por este 
nome conhecido nas Alagoas. 

E' pouco esgalhado ; o tronco esbran- 
quiado. 

As folhas pallidas e oblongas. 

As flores, reunidas em feixes espi- 
gados, parecem pevides brancas. 

O fructo vermelho e d pelo caule; 
oval obconico. 

Caiei*an Jacar-ar , Jacamar. 
Qnassia do Par. Tacliia giiyatiensis^ 
AuM. Fam. das Gendanaceas. Arbusto 
do Brasil (Amazonas), de 2 metros de 
altura, caule quadrangular. 

Folhas oppostas, oblongas, acumina- 
das na base, e flores amarellas. 

Raiz lenhosa, coberta de uma casca 
delgada e branca, semelhante no exte- 
rior a da quassia. 

O lenho tenro , esbranquiado e 
radiado, de sabor muito amargo. 

Propriedades medicas. A raiz e o 
lenho so muito empregados como tnicos 
e febrfugos nas febres intermittentes. 

P, 130 centigrammas. 

Infuso, 4 grammas para 250 grammas 
d'agua. 

Tintura, 4 a 8 grammas. 

Ca^aiteiva. Eugenia dysenterica.^ 
D. C.Fam. das Myrlaceas.MyrUis 
dyse^iterica., Mart. Planta conhecida em 
Minas-Geraes por este nome. 

E' um arbusto de ramos tortuosos; 
casca lisa; folhas ovaes e lustrosas. 

Flores um pouco grandes e brancas, 
como as flores da goiabeira. 

Fructo globoso , coroado dos restos 
floraes, e amarello quando maduro. 

A substancia externa uma massa 
compacta, espessa e aquosa, envolven- 
do um caroo pardo no centro. 



Propriedades medicas. Os fructos 
so assucarados, adstringentes , e ap- 
plicados como anti-dysentericos. 

CaleatiBis^a. V. Piassava. 

Caiaeia. V. Caacica. 

Caiais ou Cociiieiro eaiaii. 

Elaiis melanococca , Gcetr. Fam. das 
Palmaceas. E' uma palmeira do Par 
e do Rio Negro , que mais ou menos 
apresenta o typo do Dendeseiro, 
Ella fornece bom leo. 

Caiaiana. V. Cainca do Brasil. 

CaiBca do Braj^il. CMococca an- 
guifiiga , Mart. CMococca racemosa , 
Htimb. , Bomp. e Kimt. Fam. das Rw- 
hiaceas. Esta planta , conhecida em 
alguns pontos do Imprio por Cainca, 
indigena, e muita semelhana tem com 
a de Raiz preta. 

Tem suas folhas oppostas e as flores 
em cachos. 

O fructo uma capsula um tanto 
comprida , com um ncleo sseo for- 
mado por dois caroos (F. 13.) 

Propriedades medicas. Esta planta 
goza da virtude de ser muito diur- 
tica; emprega-se a sua raiz. 

A casca amarga, um tanto adstrin- 
gente ; o impulso da raiz tem um cheiro 
nauseante; diurtico e purgativo, e 
d-se em doses pequenas; em doses 
maiores produz vmitos contnuos. 

E' empregada nas hydropisias, apo- 
plexias, demncia, rheumatismo, sy- 
philis, e tambm contra amenorrha' 

Caireissik. Hydrocotyle Iriflora. 
Fam. das Umhelliferas. Planta herb- 
cea (da famlia que pertence o Coentro). 

Ella aperitiva. 

Cait. Canna aurantiaca, Rose. 
Fam. das Amomaceas . Planta do Bra- 
sil semelhante ao Merit,. 

Propriedades medicas. O cosimento 



96 



CAI 



CAI 



da raiz calmante e empregado nas 
gonorrheas ; pisada a raiz, serve para 
cataplasma sobre os abcessos. 
Ha varias espcies d'este gnero. 

Caiiiia-a. Lobelia viscosa. 
Fam. das Loheliaceas. Herva conhe- 
cida por este nome nas Alagoas. 

agreste e de altura media. 

Seu caule apresenta ns de distan- 
cia em distancia, e pllos no pice 
dos ramos. 

viscosa, de folhas oblongas e 
grandes. 

A flor cnica com dois lbios, de 
cr encarnada carmesim. 

O fructo uma capsula comprimida. 



Caracteres da famlia. As Lohelia- 
ceas so ordinariamente plantas her- 
bceas eu subfructescentes, cheias cm 
geral de um sueco branco e amargo. 
As folhas so alternas, raras vezes 
oppostas. 

As flores formam espigas, (thjrsos,) 
ou so approximadas em forma de ca- 
ptulos. 

Elias oferecem um clice gamos- 
palo, de 4, 5 ou 8 divises persisten- 
tes, e uma corolla gamopetala regular 
ou irregular, tendo o limbo dividido 
em tantos lbulos quantas divises 
existem no clice, algumas vezes como 
que bilabiada, de preflorao valvar. 
Os estames, em numero de cinco, 
so alternos com os lobos da corol- 
la. 

Suas antheras so livres ou appro- 
ximadas semelhana de um tubo. 

O ovrio infero ou semi-infero, de 
duas ou mais lojas polyspermicas. 

O estylete simples, terminado em 
estigma lobulado, s vezes revestido de 
pellos. 

O fructo uma capsula coroada 
pelo limbo do clice, de duas ou mais 
lojas, abrindo-se ou por meio de ori- 
fcios que se formam na parte supe- 
rior ; ou por meio de valvas incom- 
pletas, e que trazem comsigo uma 
parte dos septos. 
As sementes, pequeninas e numero- 



sssimas, encerram n'um endosperma 
carnoso um embrio axillo e erecto. 

Caiiila lirava. Ce7iironia crispa- 
phylla. Fam. das Melastomaceas . 
Esta planta conhecida na Bahia pelo 
nome de Cayuia. 

de porte elegante, pequena, e de 
caule pilloso, assim como as folhas ; 
porm estas so macias. 

Os pellos so roixos, e cobrem a 
planta de tal maneira, que ella toma 
um aspecto arroixeado. 

As folhas um pouco grandes, e as 
flores brancas. 

O fructo oval , e roixo de 1 % cen- 
tmetros ; contendo no interior uma 
polpa aquosa, acre, e pequenos gros. 



Caiuiu mansa. Centronia tinc- 
toria . Fam . das Melatomaceas . E um 
arbusto elegante, natural do paiz, que, 
tanto em Alagoas como em Pernambuco, 
conhecido por este nome; primeira 
vista representa a ortiga. 

Apresenta caules, folhas, e os rgos 
da fructificao cobertas de pellos ; esses 
pellos so alguma cousa arroxeados. 

As folhas ovaes, meio grandes. 

As florinhas em cachos, brancas e como 
que postas sobre umas jarrinhas, que so 
os clices. 

O fructo de 1 % centmetros, redon- 
do, roixo, com uma casca fina : contem 
uma pequena polpa aquosa, escura, e 
semeada de sementinhas ; chupa-se esta 
polpa, que acre-doce. 

Esta planta empregada na tinturaria, 
porque produz uma tinta roixa ou preta. 

CaiiBa la laiaa. Gra/fenriedia 
macrophylla. Fam. das Melastomaceas. 
Tambm agreste esta espcie, e s 
se acha nas mattas ; do-lhe este nome 
nas Alagoas. 

um arbusto de casca parda clara. 

Folhas grandes, no brilhantes, com 
as divises parallelas. 

Flores em cachos pequenos e brancas. 

Todos os rgos da fructificao so 
cobertos de pellos e arroxeados. 

O fructo globoso, com a dimenso de 



CAI 



CAI 



99 



3 centmetros, semelhante ao precedente, 
de massa aquosa. 

Caiuia vermelha ou s:raiitle. 

Calycogonium punctatum . Fam. das Me- 
lastomaceas . uma arvore semi-lenho- 
sa, que em Pernambuco tem este nome. 

Seu caule cylindrico, e pelludo. 

As folhas oppostas, muito cobertas 
de pellos vermelhos e macios. 

Flores em cachos, brancas, com todos 
os seus rgos pelludos. 

O fructo uma pequena baga, de menos 
de 1 %. centmetros, globosa, com muitas 
sementes. 

Esta planta, indgena do Brasil, de 
porte elegante, parece a Caiuia, hrava das 
Alagoas, mas notam-se-lhe algumas dif- 
ferenas. 

Propriedades medicas. um pode- 
roso ant-syphilitico, applcado nas ul- 
ceras e cancros venreos. 

Cai ui iilia . Dic}iorisand7'ii elegans. 
Fam. das Commelinaceas Planta agres- 
te, natural do paiz, assim chamada nas 
Alagoas. 

um arbusto elegante que merece ser 
cultivado nos jardins. 

Seu porte de 1 a 2 metros. 

O caule e ramos so herbceos ; as fo- 
lhas carnosas, em figura de esptula, e 
abarcantes. 

As flores em cachos so de um roixo 
purpurino vivo, formando trs azas azues 
de cr intensa. 

O fructo uma capsula trigona, com 
alguns caroos pretos, redondos, dispos- 
tos em duas ordens em cada comparti- 
mento, e por consequncia formando seis 
ordens. 

Caracteres da faaiilia. Famlia 
formada dos gneros Commelina e Trades- 
caritia, antes collocadas nas Juncaceas^ e 
de alguns outros novos que lhes foram 
reunidos. 

As flores tm um clice de seis divi- 
.ses profundas, dispostas em duas or- 
dens : trs exteriores que so verdes e 
calcinaes, trs interiores coloridas e pe- 
taloides. 



Os estames em numero de seis, rara- 
mente menos, so livres e hypogynicos. 

A anthera tem suas duas lojas apar- 
tadas por um connectivo muito desen- 
volvido. 

O ovrio oflferece trs lojas oppostas 
s trs sepalas externas, cada uma con- 
tendo pequeno numero de vulos ortho- 
tropos, inseridos no angulo interno ; elle 
tem por cima um estylete que termina 
em um estigma simples. 

O fructo uma capsula globulosa, 
de trs ngulos, comprimida, e de trs 
lojas , abrindo-se por trs valvas , que 
trazem cada uma um septo no meio da 
face interna. 

As sementes taras vezes so mais de 
duas em cada loja. 

O embryo, em forma de pio, op- 
posto ao hilo, por consequncia anti- 
tropo, e situado em uma cavidadesinha, 
de um endosperma duro e carnoso. 

As plantas que compem esta familia 
so herbceas, annuaes ou vivazes. 

A raiz fibrosa ou formada de tubr- 
culos carnosos. 

As folhas alternas, simples ou invagi- 
nantes. 

As flores lisas ou envolvidas em uma 
espatha foliacea. 

Esta familia se distingue: 1., das 
Juncaceas pelo porte, pelo clice, cujas 
trs spalas interiores so coloridas ; pela 
forma do embryo ; 2., das Restiaceas, 
igualmente pelo clice, pela structura 
da capsula de lojas dispermicas, e sobre- 
tudo pelo porte que bem diferente. 

Caixa eolpp oii caixa cobre. 

Cactus. Fam. das Nopaleas oa Cac- 
taceas. Arbusto de serto do Brasil. 

E uma arvore mediana de 2 a 3 me- 
tros de altura pouco mais ou menos, 
esgalhada na summidade dos ramos, 
formando umbrellas de distancia em 
distancia ; sem folhas. 

As flores so brancas, semelhana 
de Anglicas. 

O fructo mede 9 centmetros pouco 
mais ou menos, globuloso, achatado, 
de cr roixa, casca grossa, por dentro 
escarnada, contendo uma massa mUe 

15 



8 



CAJ 



CAJ 



e doce, cheia de sementinhas pretas. 
Come-se essa massa, que passa por 
boa. 

Cajairo oii Cwjjaseiro. Spon- 
(lias lutea, Linn. Fam. das Anacar 
iaceas. Em Pernambuco e varias pro- 
vncias do Brasil conhecida por este 
nome, no Par por Tapiriha^ e por 
Acaj em outras provncias. 

O Cajaeiro uma arvore oriunda do 
paiz, elegante por seu porte gigan- 
tesco e sua folhagem disposta syme- 
tricamente. 

Precede epiderme do seu tronco 
uma casca de um tecido fibroso, ru- 
goso, saliente, de natureza meio cor- 
tiosa, que mui procurada para 
pequenas obras de esculptura. 

Suas flores, em cachos, so pequenas 
e brancas, e nada tm de notvel. 

O fructo uma baga amarella de 
6 centmetros de comprimento, arre- 
dondada, achatada na base ; tem uma 
pellicula externa fina e lisa, uma polpa 
pouco espessa, molle, acida e pouco 
doce, e interiormente um caroo que 
grande, branco, suberoso, e enru- 
gado. 

Come-se essa massa, que no to 
boa ao paladar como ao olfacto, pelo 
aroma que tem. 

Costumam fazer do caj um xaroj^e 
prprio para limonadas, gelas e doce. 

Poucos annos ha que foram desco- 
bertas nas razes d'essa bella arvore 
tuberas de vrios tamanhos, cuja subs- 
tancia comestvel, porm ainda no 
se tem feito experincias a respeito. 

Propriedades medicas. O caroo do 
caj um enrgico diurtico, e deve 
ser tomado em doses moderadas. 

A casca adstringente. 

O fructo acido e refrigerante muito 
empregado na hypertrophia do cora- 
o, contra as diarrhas, blenorrhas, 
anginas atonicas, e ulceras do collo 
do tero e vagina. 

Cajaniur. Solanura saponaceum, 
Dun. Fam. das Solanaceas. uma 



planta e congnere da Junibeba. Passa 
por desobstruente e depurativa. 

Cajnty. E um arbusto de casca 
grossa, com as folhas semelhantes s 
do Louro. 

D um fructo amarello, de sabor e 
cheiro agradveis, e que preso 
extremidade do ramo por um pedn- 
culo comprido. 

Cajeraitu. Cabralia cajerana, Mart. 
TrirJiilia cajerana, Vell. Fam. das 
Meliaceas. Arvore indgena e vegeta 
no littoral. 

conhecida no Rio Grande do Norte 
por Cajerana., de casca jjarda, e ramos 
pelludos nas pontas. 

As folhas dispostas em palmas, so 
duras e sem brilho, e parecem-se pri- 
meira vista com as da Aroeira da praia. 

Suas flores em cachos so como pe- 
quenas Anglicas , esverdnhadas, co- 
bertas de lanugem, e de agradvel 
cheiro. 

A fructa muda depois que cresce, e 
parece uma jacasinha*de 6 9 cent- 
metros; oval; a superfcie cheia de 
proeminncias, como na jaca, emquanto 
verde ; dentro ha uma massa amarella 
pegajosa, e varias sementes achatadas e 
angulosas dispostas transversalmente. 

Come-se, mas no de sabor delicado. 

Ca| 031 CajieiB*. Anacardim 
occidentale^ Linn. Cassuvim por/imife- 
rum, Lamck. Fam. das Anacardiaceas . 
uma arvore importante das Antilhas e 
do Brasil, que vegeta no littoral. 

copada, no se eleva muito, mas 
estende bem seus ramos; a folhagem 
pouco densa. 

Suas folhas so simples, ovaes, co- 
riaceas, de cr verds amarellada. 

As flores em cachos pyramidaes. 

Clice campanulado, com cinco di- 
vises. 

Corolla de cinco ptalas, grandes ; 
5 ou 6 estames., antheras oblongas, ou 
arredondadas. 

Tem cheiro ; umas so cr de rosa, 
outras amarelladas. 



CAJ 



CAJ 



99 



O fructo uma noz, reniforme, que o 
vulgo chama castanha; coberta por dois 
invlucros, de consistncia crustcea, 
de cr acinzentada; d um sueco oleoso, 
muito custico, que se usa na medi- 
cina popular, em applicaes externas, 
para abrir fontes. 

A amndoa assada saborosa ; e o- 
berta com assucar se prepara em con- 
feitos, que tem melhor sabor do que 
as amndoas doces. 

Attribue-se-lhe a singular proprie- 
dade de exaltar as faculdades intel- 
lectuaes, e de desenvolver a memoria; 
aphrodisiaca. 

O receptculo carnoso, e no outra 
cousa seno o desenvolvimento do pe- 
dnculo floral, ao que o vulgo chama 
cajiti. 

oval ou redondo, de cr branca, 
amarella ou vermelha; de consistncia 
molle, formado por um tecido carnoso 
e fibroso, cheio de um sueco adstrin- 
gente, que saboreado com praser na 
estao calmosa, em limonadas refri- 
gerantes. 

Do sueco prepara-se vinho e vinagre, 
e do tecido excellente doce. 

A madeira usada na arte de mar- 
cinaria. 

Fructifica uma s vez no anno, no 
ver,o. 

Propriedades medicas . O sueco do 
caju excitante, adstringente e diu- 
rtico, usado como anti-syphilitico. 

A mesma arvore d uma resina muito 
abundante, que se pde empregar em 
vez da gomma arbica. 

A casca do tronco adstringente, e 
usa-se em banhos nas inchaes das 
pernas. 

Cftjsk le Angola. Fam. das Eu- 
phorhiaceas . uma arvore cultivada 
no Brasil, e assim chamada em Per- 
nambuco . 

Com eflfeito, primeira vista sup- 
pe-se um Cajueiro. 

Ella copada, de folhas ovaes, a 
semelhana das do nosso cajueiro, e 
tambm coriaceas. 



As flores so pequenas. 

O fructo uma capsula com a forma 
de um figo, carnoso, com 4 sementes 
cr de rosa, apresentando manchas 
mais escuras, e quatro lojas, contendo 
cada loja uma d'estas sementes ; s 
vezes aborta. 

A semente coberta de um corpo 
cartilaginoso amarellado. 

E' drstica, e at venenosa quando 
se administra em alta dose. 

C'.a38B Saiitasis%. Anacardmm occi- 
dentale. Fam. das Anacardiaceas . E' 
uma espcie que se assemelha muito 
precedente. 

Seus fructos regulam a dimenso de 
24 centmetros ; encontram-se em pe- 
queno numero, e so em geral muito 
doces. 

Em Pernambuco estes fructos so 
bons, mas em algumas provncias so 
de m qualidade, como na do Rio 
Grande do Norte. 

O fructo do Cajueiro., na primeira 
phase de seu desenvolvimento, recebe 
vulgarmente o nome de Maturi., e 6om 
elle preparam um guizado mui agra- 
dvel. 

Cajaiciro lipavo. TridiosjiermuM 
liclien. Fam. das Flacurtianeas . Ar- 
vore media, oriunda dos lugares agres- 
tes, isto , vegeta nos taboleiros e 
terras ridas do Brasil. 

E' uma pequena arvore, de ramos mui 
tortuosos, casca escura fendida, esta- 
ladia, spera, mui parecida com a do 
Cajueiro manso ; porm to spera que 
serve de lixa aos marcineiros e tarta- 
rugueiros. 

As folhas so seccas, onduladas e 
baas . 

As flores em cachos, so cheirosas. 

Os fructos SO capsulasinhas speras, 
de forma navicular, contendo 4 semen- 
tes cobertas por um arillo branco na 
sua metade, e envoltas em uma subs- 
tancia vermelha, um pouco viscosa. 

Na Bahia e em Sergipe conhecida 
por Samhaia; em Pernambuco e Ala- 
goas por Cajueiro Iravo. 



1(0 



CAJ 



CAL 



Caracteres da famlia. So plantas 
de folhas alternas, simplices, inteiras, 
algumas vezes coriaceas, persistentes e 
desprovidas de estipulas, muitas vezes 
marcadas de pontos ou linlias trans- 
parentes. 

Suas flores so pedunculadas e- axil- 
lares, frequentemente unixesuaes e di- 
oicas, outras vezes liermaphroditas. 

O clice formado de 3 a 7 se- 
palas distinctas, ou ligeiramente sol- 
dadas pela base. 

A corolla, que falta s vezes, se 
compe de 5 ou 7 ptalas, alternando 
com as sepalas. 

Os estames, em numero definido ou 
indefinido, tem os filetes livres ; as an- 
theras so de 2 lojas. 

Estes estames so, assim como a co- 
rolla, inseridos no mbito de um disco 
annullar, que falta raramente. 

O ovrio sessil ou estipitado, glo- 
buloso, ora de uma s loja, encerrando 
grande numero de vulos, inseridos em 
trophospermas parietaes, cujo numero 
o mesmo que o dos estigmas, ou 
dos lobos de estigma, ora de numero 
varivel de lojas, pelo prolongamento 
dos trophospermas e sua reunio no 
centro do ovrio. 

O fructo unilocular ou plurilocular, 
indehiscente ou dehiscente. 

As valvas trazem cada uma d'ellas 
um trophosperma, ou um septo no meio 
da face interna. 

Em geral o tegumento exterior da 
semente carnoso e arilliiforme. 

O embryo, homotropo e erecto, est 
coUocado no centro de um endosperma 
carnoso. 

Caju Io caaupo. F. CajuU ou 
Cajuim. 

CaJ la aitata. Fam. Idem. 
uma fructa agreste, de 3 a 6 centme- 
tros ; redonda, oval, tendo exteriormente 
na parte inferior um envoltrio carnoso, 
da forma de um copo. 

EUa uma noz parda, ovide, que 
assemelha-se a um vaso com tampa; 
tem cheiro nauseante. 



Os veados comem -a muito. 

Cremos que pertence propriamente 
ao gnero Cassuciim e no ao mesmo 
gnero Anacardium. 

CajiiSt. Anacardium humile, Mart. 
Fam. das Anacardiaceas. Este cajueiro 
natural do paiz agreste e vegeta em 
algumas provncias, especialmente em 
Sergipe, aonde abunda nas mattas e 
pelas catingas ; no arvore nem pro- 
priamente arbusto ; subarbusto de 3 
4 metros de altura, no mais semelhante 
ao cajueiro ordinrio. 

D, porm, um caju muito pequeno, 
de 3 a 6 centmetros, que raramente 
se come, por ter um azedume intole- 
rvel. 

Cajuliy ou Cajjiia oii Ca| 
lo alto. E' um cajueiro pequeno, 
como pequeno arbusto agreste que ve- 
geta no Maranho e no Par, onde o 
chamam Qaj do matto. 

E' semelhante ao outro Cajuhij; dif- 
fere, porm, em ter a fructa mais re- 
donda e pequena, com a castanha 
encravada no pice. 

E* muito doce. 



Calanio aromtico. E' 

S. Paulo o Junco de cohra. 



em 



CaEas le velha. F. Verbasco. 

CaluBiiba brasileira. Simaba 
colmnba, Ried. Fam,. das Butaceas. 
Esta planta um arbusto que vegeta nos 
nossos sertes e no Amazonas at o Pa- 
raguay. 

EUa apresenta folhas alternas, pin- 
nadas ou digitadas, e at simplices. 

Suas flores so brancas, em cachos. 

Seus ramos esverdinhados, amarellos 
ou rosados, exhalam algum cheiro. 

Ha mais uma espcie, Sirnaha humi- 
lis, Ried. 

Propriedades medicas. tnica e 
febrfuga. 

Calumiil ou Alalieia le Ito- 



CAM 



CAM 



fOt 



niein. Mimosa. Fam. das Legumino- 
sas. E' subarbusto indgena que tem 
a mesma propriedade da Sensitiva ou 
MaKcia e mulher: de contrahir suas fo- 
lhas pelo contacto dos corpos estranhos. 

Em Pernarmbuco do-lhe o nome de 
Malicia de homem., e nas Alagoas de Ca- 
lumbi. ' 

Cresce pelas vrzeas, e eleva-se al- 
tura de 1 K metro pouco mais ou me- 
nos ; tem o caule cylindrico, com espi- 
nhos. 

Folhas em palmas e miudinhas como 
na outra; as flores tambm, mas a fruta 
uma vagem recta, e no enroscada 
como na Sensitiva ou Malicia de mulher. 

Calii9ig:a. Simaha ferrugitiosa., St. 
Hil. Fam. das Leguminosas. E' uma 
arvore de folhas imparipinnadas, e fo- 
liolos ellypticos. 

Flores em panicula composta, sub- 
sesseis, com bractcas curtas. 

A casca e a raiz d'esta planta contem 
principio extractivo amargo. 

Propriedades Medicas. E' empre- 
gada em p ou em cosimento interna- 
mente nas dyspepsias, febres ters, hy- 
dropisias ; e tambm contra o prolapso 
do recto, em clysteres. 

Cantarias*! verinellio oie tte ea- 

runelto. Caraipa pjramidata. Fam. 
das Ternstroemiaceas . O Camaari uma 
madeira conhecida em Pernambuco e 
outras provncias por este nome. 

E' uma das mais bellas arvores do 
paiz. 

E' alta, de forma pyramidal, folha- 
gem densa, folhas ovaes e regulares. 

As flores em cachos so como jas- 
mins, brancas, e com as pontas tor- 
cidas. 

O fructo uma capsula de trs 
valvas, com algumas sementes. 

O Camaari vermelho uma madeira 
de construco ; seu cerne pardo ou 
castanho, mas muda de cr. 

Empi-ega-se em traves, frexaes, por-j 
t^es, e serve para taboado. 

D uma resina combustvel, quej 



produz boa luz. Esta resina, esfregada 
nos ps, preserva dos bichos chamados 
de p. 
Ha outra espcie que o Camaari 

branco. 

Canta|iti. Physallis eduUs. Fam. 
das Polanaceas. Esta planta tambm 
em Pernambuco conhecida por a- 
tetesta . 

E' indgena, e d em quasi todas as 
provncias do Imprio. 

E' esgolhada, de cr verde palha, 
folhas ovaes, arredondadas e de mar- 
gens sinuosas. 

As flores cinzentas, franzidas, 

O fructo , depois de desenvolvido, 
offerece o envoltrio da base da antiga 
flor, que forma como que um casulo 
cnico anguloso, onde aquelle se acha 
encerrado . 

Os meninos brincam com essa fruc- 
tnha, batendo, depois de sopral-a, na 
testa ; d um estalo, se arrebentar o 
envoltrio que est cheio de ar. 

Come-se, mas inspida. 

Propriedades medicas. E' diurtico 
e calmante, empregado na dysuria; seu 
cosimento utl nos catarrhos, seus 
caules so depurativos, e os fructos 
desobstruentes. 

O cosimento applicado internamente 
tambm utl nos rheumatsmos chro- 
nicos e nas afeces da pelle, assim 
como empingens etc. 

O sueco applica-se na dose de GO a 
90 grammas. 

O extracto na de 50 a 100 cent- 
grammas e o p na de 4 grammas. 

Caiar. V. Camar de chumbo. 

Cainar-|eS>a . V. Mentrasto. 

Cantar-^lfo. V. Po Pereira. 

CaBtttai*-. de loi. Chrysocoma pa- 
rallelinervia. Fam. das Compostas. E' 
um arbusto sem-herbaceo, e por tal 
nome conhecido ein Alagoas. 

Suas folhas lanceoladas, oppostas e 



urz 



CAM 



CAM 



de verde desmaiado ; esmagadas desen- 
volvem cheiro ; so baas, tem flores 
brancas, em cachinhos. 

Os fruetos so pequenos, contendo 
sementes coroadas de um feixe de 
penugem branca. 

O gado vaccum gosta muito d'este 
vegetal. 

CainttriV branco. 

de campina. 



V. Cravi?iho 



Camar de Capoeira. Verbena 
quarialata. Fam,- das Comjwsias. Tam- 
bm chamam a esta planta nas Ala- 
goas Mucamba. 

um arbustosinho agreste e natural 
do paiz, cujo caule alado nos quatro 
ngulos, como um babadinho foliaceo. 

As folhas, o caule e os ramos so 
de cr verde azulada eu esbranquiada. 

As flores so brancas e midas. 

D um fructo, cujas sementinhas so 
pretas e ornadas de duas pontas. 

Propriedades medicas. Usa-se seu 
cosimento, internamente e em clysteres, 
em pequenas doses, na cura dos catarrhos 
com tendncia a asthma. 

Caiuar de Cavallo. V. Mal- 
mequer gratide. 

Camar te eliumTio. Lantana 
spiuosa, Linn Fam. das Verhenaceas. 
Pelo nome de Camar esta planta co- 
nhecida em todas as provncias, e por 
Camar de chnmo no serto. 

E' um arbustosinho engraado, a que 
no se d a importncia devida, por- 
que muito commum. 

Seu caule ramifica-se desde a raiz, 
formando muitos galhos cruzados, que 
formam mouta; tem pequenos espinhos 
nos ramos. 

Suas folhas ovaes, recortadas em roda 
so baas, speras, e com cheiro an- 
logo ao da Herva cidreira. 

As flores, dispostas em capitulo, ora 
vermelhas, ora amarelladas. 

D um fructo globuloso, do tamanho e 
da cr de um bago ou gro de chumbo 
de espingarda. 



Tem uma pellicula flna, que cobre uma 
massa moUe quasi liquida cr de chumbo, 
com uma semente no centro, que tem 
toda a analogia com o chumbo bastardo. 

Esta planta, segundo um autor euro- 
po, tem as propriedades da Herva ci- 
dreira. 

Entre ns uma das plantas que go- 
so de virtudes therapeutieas, e presta- 
se varias applicaes medicas. 

Martins apresentou sete espcies de 
Lantana Camar aculeata, involucrata., 
Linn. Brasiliensis ., Sellowiana ., Link. 
Pseudothea, St. Hil. Microphyla 
Mart. 

Camar do Rio G3*anle do 
Sul. Lantana zelloniana., Link. - Di- 
dijnamia Angyospermia^ Linn. Fam. das 
Verhenaceas. E' planta congnere do 
Camar de chumbo. 

Mais ou menos suas virtudes so 
iguaes s do precedente. 

Camar-tiiiifa. Lantatia iuvolu- 
crata^Linn. Fam. das Verhenaceas. E' 
uma planta mais ou menos igual ao 
Camar de chumbo. 

Tem, porem, as folhasternadas,e aro- 
mtica. 

Propriedades medicas. Sua infuso 
proveitosa nos catarrhos. O sueco 
das folhas misturado com assucar branco 
empregado mui frequentemente em 
Pernambuco nas molstias dos pulmes. 

Cam ar am baia. Jussicea scahra., 
Willd. Fam. das Onagrariaceas. 
u ma planta herbcea, muito coberta 
de pellos. 

Usa-se na tinturaria. 

Camaras nlio. Lantana camar., 
Linn. Fam. das Verhenaceas. um 
subarbusto, conhecido por este nome em 
Pernambuco. 

Seus caules fo rmam soqueira, e as ver- 
gonteas cruzadas inclinam-se sobre os 
outros vegetaes. 

No mais semelhantissima ao Camar 
de chumbo, com excepo das flores que 



CAM 



CAM 



loa 



so de cr de lyrio ou violeta ; no tem 
espinhos. 

Goza das mesmas propriedades do 
outro. 

Tambm o chamam Camar branco. 

Caariii1tas. Eupathormm l- 
bum^ WilM e Zm. Fam. das Compostas. 

uma planta da America Meridional, 
de caule erecto, folhas lanceola, das flo- 
res alvas em cachos. 

As sementes so febrfugas. 

Cambu. Schums rhoifolhis ., Mart. 
Fam. dasTerehinthaceas. uma esp- 
cie de Aroeira., e tem os mesmos usos 
que ella. 

Cainlioini ou Caiiiliui. Euge- 
nia tenella., D.C. Myrtus tenella, Mart. 

Far. das Myrtaceas. Fructinha do 
paiz, conhecida por este nome em Per- 
nambuco, Bahia, Alagoas, S. Paulo e 
Minas Geraes. 

Provem de um arbusto, de tronco ra- 
moso e liso, ramos verticaes, folhas pe- 
quenas, estreitas e lustrosas. 

As flores, em feixes, abundantssimas, 
occupam todos os pontos da axilla das 
folhas e ramos ; so brancas e chei- 
rosas. 

O fructo globuloso, de 1 1/2 3 
centmetros de dimetro, coroado pelos 
fragmentos do clice, de cr roixa, ou 
vermelha escura, quando maduro. 

Seu tegumento externo membranoso, 
lusente, unido uma polpa escura, 
aquosa com pouco tecido fibroso. 

E' doce, com um resaibo adstringente. 

Tem no centro uma semente esphe- 
rica, dividida em duas partes. 

Floresce no Sul, em Janeiro e Feve- 
reiro, e em Pernambuco, em Abril e 
Maio. 

Cambraia ou IIIeI|it*es. Mal- 
figkia ilicifolia.1 Mil. Fam. das Mal- 
fighiaceas. Arbusto da America Meri- 
dional, que serve de ornamento de 
jardim. 

Sua altura regula de 2 metros e 64 
centmetros 4 metros e 40 centmetros. 



Caule fraco, cr de castanha. 

Folhas alternas, de cr verde pal- 
lida, fuscas e ovaes. 

Flores em cachos, nas extremidades 
dos ramos, de linda cr de rosa. 

O fructo redondo, e contem seis 
sementes, dispostas circularmente. 

No tem cheiro esta flor. 

Cambuc. Exigenia edulis Cam- 

huc . Fam . das Myrtaceas . Fructa 
dos sertes de Pernambuco, do Rio de 
Janeiro e de Minas Geraes. 

O Cambuc o fructo do Cambucaseiro. 

Tem seis a nove centmetros mais ou 
menos, de forma redonda, e amarello 
cr de gemma de ovo . 

Tem a superfcie lisa e lustrosa, casca 
fina, ligada a uma massa gelatinosa, es- 
pessa e molle, encerrando um ncleo ou 
semente redonda, oblonga de cr roixa, 
um pouco oleosa. 

O cambuc doce e agradvel. 

O caroo que encerra adstringente, 
e a polpa to salutar e innocente, que 
se d aos enfermos. 

Usa-se como refrigerante. 

Cambuliy. Eugenia crenata. 
Fam. das Myrtaceas. No ser a Eu- 
genia cremdata de Willd e o Myrtus 
cremilatns de Swart ? 

Camelo. V. Capim coco. 

CsintitainUsS.Convallariamajalis, 
Linn.Fam. das Asparagaceas ouBorra- 
gaceas.Vlfini- da Europa aclimada em 
nosso solo para jardins. 

Herva vivaz, e que tem raiz bulbi- 
fera. 

Suas folhas so radicaes, seme- 
lhana do Ananazeiro e dos Capins-aihs. 

Nasce do centro das folhas um pe- 
dnculo n, onde se desenvolvem as 
flores de cr branca, reunidas em uma 
espiga ; occupando um s lado da in- 
sero, so brancas ou rosadas, e com 
cheiro. 

Ha trs espcies que florescem em 
Maio, e so mui cultivadas nos jardins 



lO-l 



CAM 



CAN 



Caiiis>aaiilla. Coutaria^caMfanilla^ 
D. C.Fam. das Ruhiaceas.kx\ovQ que 
vegeta no Amazonas. 

Tem as folhas ovaes, as flores brancas, 
e um fructo oval, comprimido. 

Caiipcflieiro. Eematoxylum^cam- 
pecManum^ Linn. Fam. das Leguminosas. 
Esta arvore do Mxico, mas tratamos 
d'ella aqui, por ser crivei que tambm 
exista nas regies do norte do Brasil. 

O Campecheiro uma arvore de boa 
altura. 

Sua folhagem brilhante disposta 
em palminhas symetricas dispostas. 

Suas flores^ em cachos, so amarellas, 
e fragrantes. 

O fructo uma vagem comprimida, 
contendo dois ou trs gros. 

A madeira do Campecheiro 6 ama- 
rella externamente, e no mago roixa 
ou escura. 

Todos sabemos que o Campeche 
empregado na tinturaria, para tingir 
de preto os tecidos ; mas elle tambm 
usado na medicina, como adstringente, 
contra as diarrhas chronicas, e he- 
morrhagias . 

Caiiipli o rei r . Zaurus camphora, 
Linn. Rich. Fam. das Lauraceas. 
Arvore indgena da China e do Japo. 

Aclimada no Brasil, no extincto Jar- 
dim Botnico da cidade de Olinda, e 
tambm nos jardins do Rio de Janeiro. 

Arvore bastante alta, tronco recto, 
dividido na parte superior. 

Ramos glabros, de um verde amarel- 
lado , c frequentemente avermelhados. 

Folhas alternas, com peciolo curto, 
ellypticas ou ovaes, acuminadas, in- 
teiras, glabras, um pouco luzentes por 
cima, e coriaceas. 

Flores em corymbos longamente pe- 
dunculados. 

Fructo do tamanho de uma hervi- 
Iha, ovide, luzente, de cr purprea 
denegrida quando maduro. 

Extraco da camphora. Dividem-se 
em achas o tronco, a raiz e os ramos 
da Camphoreira, e distillam-se a brando 
calor n'um alambique, cujo capitel 



atravessado por cordes de palha de 
arroz. 

A Camphora adhere palha de arroz, 
ahi se deposita com uma cr cin- 
zenta, e assim transportada para 
a Europa com o nome de Camphora 
brtita . 

Para a purificar, sublima-se banho 
d'areia em um matraz, cuja abobada 
tem uma abertura; porisso que a 
Camphora se apresenta com a forma 
de pes concavo-convexos, furados no 
centro . 

Propriedades medicas. A Camphora, 
goza de aco excitante, e anti-pas- 
modica. 

E' aconselhada internamente em 
grande numero de molstias, taes como 
o typho, as erysipelas, a febre puer- 
peral, a pneumonia, a bronchite, as 
aff'eces rheumaticas, gotosas, e ner- 
vosas, as convulses, etc. 

Externamente nas torcedeiras, con- 
tuses, etc. ; finalmente a Camphora 
empregada contra os envenenamentos 
pelos narcticos . 

E' reputada anti-septica. Serve para 
preservar os objectos da economia do- 
mestica, taes como roupas, moveis, 
etc, da aco destruidora dos insectos 
damninhos ; em virtude de sua pro- 
priedade anti-septica que usa-se nas 
febres ptridas, etc. 

CaiiauBtbaya. Cactus phyllanthns, 
Vetl. Fam. das Cactaceas. Arbusto 
congnere dos Mandacarus, cujo fructo 
tem o sueco doce, mucilaginoso e re- 
frigerante. 

Propriedades medicas. Emprega.se 
nas febres gstricas e biliosas. 

Canapoaiga. V. Mangue branco. 

Candeia. Vernonia 7iora;boracensis ., 
Wild. Fam. das Compostas. Planta 
da America do Norte, cultivada nos 
jardins do Brasil. 

herbcea, de l a 2 metros ; de 
altura. 



CAN 



CAN 



105 



Suas folhas so lanceoladas e com- 
pridas. 

As flores, em cachos, purpurinas e bo- 
nitas. 

Ha muitas espcies. 

ir 

Candeia. Lychonophora, Mart. 
Fam. Idem. Arbusto natural do paiz, 
de caule tortuoso. 

Seu lenho, quando secco, queimando- 
se d uma luz clara, sem fumaa, e 
dispensa o azeite no serto. 

Um tio de fogo d'esta madeira, preso 
parede, allumia como um archote. 

Can1ei das Alagoas. CJiryso- 
holanus ardentis. Fam. das Chrysohola- 
neas. Arvore conhecida nas Alagoas, e 
indgena do paiz. 

Suas folhas ovaes so quasi redondas 
no pice, e coriaceas. 

As flores, excessivamente midas em 
cachos difuzos, e de cor branca. 

O fructo mui pequeno. 

Esta arvore d tambm nas regies do 
Sul. 

O lenho quando queimado arde como 
um facho sem se apagar: 

CandiciB-o. V. Candeia. 

Catideia. Cladonia sangunea, Mart. 
Fam. das Liche?iaceas . E' uma planta 
das mais importantes do reino vegetal. 

Umas arrojadas pelo mar vm dar s 
costas martimas ; outras desenvolvem- 
se em terra com diferentes caracteres, 
6, quasi sempre parasitas, tem cores vi- 
vas e brilhantes. 

O Candeia triturado com agua e assu- 
car ptimo contra as aphtas das crean- 
as. 

Em S. Paulo e Minas tingem-se os 
cestos e as esteiras com o sueco d'esta 
planta. 

Ha varias espcies. 

Nos lugares arenosos e nas restingas 
do Rio de Janeiro encontram-se as esp- 
cies Cladonia pixidata e Clad. perfoliata. 

Caiiella &\\ CaneSIeira. Lau- 
rus cinnamomum, Linn. e Spl. Fam. das 



Lauraceas. E* uma arvore do Ceylo, 
porm acclimada nas Antilhas, na Guy- 
anna, no Brasil (sobretudo nas provn- 
cias do Norte), de 6 a 7 metros de al- 
tura, medindo o tronco 30 a 40 cent- 
metros de dimetro. 

Folhas irregularmente oppostas, cur- 
tamente pecioladas, ellypticas ou ovaes, 
lanceoladas, inteiras, pontudas, lisas, 
verdes por cima, acinzentadas por baixo, 
coriaceas, com trs nervuras, raras ve- 
zes cinco, longitudinaes, bem marcadas 
com um grande numero de veios trans- 
versaes. 

Flores amarelladas, pequenas, dispos- 
tas em paniculas terminaes. 

A Canella de Ceylo apresenta-se em 
cascas delgadas papyraceas, enroladas 
em tubos da grossura de um dedo, e do 
comprimento de 50 centmetros ; s 
vezes estes tubos so m-ais pequenos, li- 
sos, de cor amarella avermelhada ou 
fulva. 

Sua fractura irregular. 

A Canella tem cheiro e sabor agrad- 
veis ; a principio doce, depois acre e 
urente. 

Extrahe-se a Canella das arvores que 
tenham pelo menos cinco annos. 

Cortam-se os ramos, tira-se a epider- 
me, separa-se a cascado ramo, e pe-se 
seccar ; ento que as cascas se enro- 
lam sobre si mesmas como apparecem no 
commercio. 

O leo essencial de Canella ordinaria- 
mente nos vem da ndia. (Fig. 14.) 

Propriedades medicas. Estimulante 
e tnica, empregada nas digestes len- 
tas, vmitos nervosos, febres adynami- 
cas, escorbuto, escrophulas e leucorrhea. 

Internamente : P, 6 12decigrammas 
4 grammas para 400 grammas d'agua 
fervendo. 

Agoa distilladn, 30 60 grammas em 
uma poo, 

Tintura, 2 4 grammas. 

leo essencial, 3 6 gottr.s. 

Canella liatallia. Grande arvore 
que vegeta nas provncias do sul do Im- 
prio. 

16 



lOt 



CAN 



CAN 



O sen tronco de grossura maior do 
que o de qualquer das outras Catiellas. 

Os falqueij adores lutam com grande 
difficuldade para derribal-a. 

A madeira de inferior qualidade, de 
aspecto ligeiramente assetinado, e cr 
branca suja, 

Caiiell branca. Winfneriana 
canella, Linn. Canella alha, Swart. 
Fam. das Meliaceas. Arvore que cresce 
no Amasonas e nas Antilhas. 

Suas folhas so obovaes e coriaceas. 

Suas flores azues. 

O fructo uma baga. 

Sua madeira, com quanto seja prpria 
para construco, de qualidade inferior. 

Propriedades medicas. Pode ser ap- 
plicada como tnica e ebrifuga. 

Canella de cltero. Oreodaphie 
0'pifera, Mart. Fam. das Lauraceas. 
Planta qne cresce no Rio Negro, 

Propriedades medicas. Distilla esta 
arvore um leo aromtico, que se em- 
prega nas contracturas dos membros,nos 
rheumatismos,etc.,emfrices ou em for- 
ma de unguento. 

Canella de ema. Yellosia mar- 
tima. Fam. das Hoemodoraceas ., Polya- 
delfliia icosandria., Linn. Esta planta 
serve para tapamento das paredes das 
casas, nos lugares aonde no se encontra 
barro para tijolo, e tambm serve para 
combustvel em razo de ser muito oleosa 
ou resinosa. 

E' do porte mais u menos de algumas 
Yuccas., como tambm a Arvore ou Vella 
de pureza., etc. 

Suas folhas so longas e largas. 

O caule elevado. 

As flores, no pice dos ramos, so soli- 
trias, bonitas, grandes, brancas, ama- 
rellas e cr de lyrio. 

O fructo escamoso ou coberto de as- 
peresas. 

Vegeta no paiz. 

Canella de ema do Rio de 



J ane iro. Barhacenia . Fam . Idem 
Este gnero muito prximo do Vel- 
losia. 

Seus caracteres so os seguintes : 

Clice gamospalo, quinquelobado, 
inchado, coberto de pllos glandulosos. 

Seis ptalas e seis estames ; de file- 
tes largos, superiormente denteados, e 
apoiando as antheras lateralmente. 

O ovrio com um estylete e um es- 
tigma. 

O fructo uma capsula alongada trival- 
ve, e polysmermica. 

pouco conhecida ainda esta planta. 

Canella de ema do aerto. 

Costtis. Fam. das Amomoceas. Arbusto 
agreste, natural do paiz, vegeta nos 
terrenos ridos, pedregulhosos, ete. 

Sua altura regula de 110 a 132 cen- 
tmetros. 

O caule pouco esgalhado, com arti- 
culaes. 

As folhas grandes, reunidas na su- 
midade dos ramos. 

As flores em espigas, de escamas 
imbricadas, e vermelhas. 

O fructo uma bagasinha. 

O caule desta planta semi-herbaceo 
e fibroso. 

Os sertanejos preparam e fazem d'ella 
esteiras, e coxins prprios para can- 
galhas. 

Canella limo. Bella arvore; o 
lenho de um amarello pallido, um 
tanto ondeado, assetinado, e de um 
tecido frouxo. 

E' aproveitado, se bem que em algu- 
mas obras internas. 

Na medicina domestica cosinha-se a 
casca, d-se a beber para combater 
dores de peito. 

Canella do matto. Linaria aro- 
mtica., Arr. Cam.Fam. das Scrophula- 
riaceas. Ests. planta oriunda de Per- 
nambuco. 

aromtica, e d boa madeira. 

Canella do matto . C>*o/o macu- 
latum. Fam. das Euphorbiaceas.^ Esta 



CAN 



CAN 



lO^S 



arvore agreste conhecida no serto 
das Alagoas por este nome. 

Tem ura aspecto particular e engra- 
ado. 

A casca maculada de branco. 

Os raraos so frgeis, as pontas 
louras. 

As folhas tem a pagina inferior co- 
berta de uma penugem esbranqu^iada; 
so ovaes. 

As flores so em cachos, e' pubes- 
centes. 

O frueto uma capsula de seis coc- 
cas orbicular, coriacea, tomentosa, con- 
tendo trs sementes; de trs valvas que 
se abrem, apresentando as trs semen- 
tes ovides, envoltas no arillo; a amn- 
doa oleosa. 

O lenho d'esta arvore branco e 
fraco. 

Floresce uma s vez no anno: em 
Fevereiro e Maro. 

Caiiella preta. Agatliophijllum 
aromaticum^ Linn. Fam. das Laura- 
ceas. Arvore cuja madeira serve para 
construco. 

Caiiella preta. NectandramolUs, 
Nies. Laurus atra, Vell. Fam. das 
Lauraceas. 

Propriedades medicas. As folhas 
d'esta planta passam por diurticas, car- 
minativas e emmenagogas. 

Caiiella fedorenta ou tetiila. 

uma bella arvore, que seria muito 
estimada se no exhalasse um cheiro 
to desagradvel e repugnante. 

Todavia este inconveniente desappa- 
rece ou diminue com o tempo, e a ma- 
deira pode ser empregada em taboas de 
forro e soalho. 

Sua cr mais clara, e no possue 
o brilho particular das outras canellas. 

em geral imprpria para as obras 
expostas ao ar. 

Canella e veado. Fam. das 
Euphorhiaceas Arvore pouco elevada, 
copada, pouco espessa. 



As extremidades dos ramos corres- 
pondem metade da altura da arvore. 

Folhas terminaes, agglomeradas nas 
partes extremas dos seus peciolos. 

As flores so unisexuaes, monoicas, 
imperfeitas, e pequenas. 

As flores masculinas occupam as par- 
tes mais elevadas, e maior extenso 
dos pednculos. 

As do sexo feminino so constante- 
mente em numero de trs, e esto si- 
tuadas inferiormente. 

O frueto uma capsula tricoca, re- 
sultante da unio feita na tera parte 
do dorso das folhas carpellares, de 
sorte que a sua superfcie apresenta 
trs ngulos fortemente reintrantes. 

As linhas que representam as sutu- 
ras dorsaes, que so as nervuras prin- 
cipaes das primitivas folhas, so bem 
visveis; estas so triloculares. 

Cada loja contm uma semente, cujo 
episperma membranoso, e de aspecto 
vitreo. 

A amndoa, cujo embryo est en- 
volvido por um endosperma, branca. 

t 

Canella de veado brava ou 
Piti eate. Casearia similia coffea. 
Far. das Samidaceas . 

Arbusto agreste e natural do paiz, 
que vegeta no littoral, e conhecido em 
Pernambuco por esses nomes. 

baixo e bem esgalhado. 

Folhas ovaes, lanceoladas, oblongas 
e lustrosas. 

Flores brancas, midas, em feixes, 
nas axillas das folhas, e na extenso 
do caule. 

O frueto uma bagasinha, como 
uma azeitona, que abre-se por si, mos- 
trando trs sementes vermelhas ; roixo 
por fora. 

Algumas pessoas comem-n'o. 

Esta planta floresce em Janeiro e 
Fevereiro. 

Tambm chamam-n'a Assa-peixe., em 
Sergipe. 

Canella de veado mansa dasi 
Ala^as. Eugenia muUcauUs. Fam. 
das Myrtaceas. Este arbusto, que ve- 



fOS 



CAN 



CAN 



geta pelas capoeiras do Brasil, co- 
uhecido nas AJagas e em Pernam- 
buco por este nome. 

Cresce mais ou menos at 4 metros. 

Seus caies se multiplicam da base 
da planta, formando touceiras. 

A casca fina, lisa e desprende-se 
naturalmente em laminas. E' de cr de 
canella avermelhada. 

As folhas so oppostas, ovaes, pe- 
quenas e lustrosas. 

As flores brancas, em cachos, com 
algum cheiro. 

O fructo uma bagaoval, arredondada, 
de 2 centmetros de dimetro o com 
fragmentos dos envoltrios floraes no 
pice, tendo quando maduro a cr 
roixa avermelhada, e a casca mem- 
branosa, unida a uma polpa trigueira, 
aquosa e acre-doce. 

Tem um e algumas vezes dois ca- 
roos no centro, e da mesma cr. 

O lenho d'este arbusto tem muita 
flexibilidade ; porisso os meninos tiram 
d'elle vergonteas para apanhar pssaros. 

Caitelllnlia. V. Casca preciosa. 

Caninana le Minas. CMococca 
densifoUa^ Mart. Fam. das RuMaceas. 
Planta oriunda de Minas Geraes. 

uma trepadeira, de folhas ovaes 
e flores brancas e aromticas. 

Propriedades medicas. A raiz d'esta 
planta drstica, e diurtica ; empre- 
gada nas hydropisias e opilaes. 

D-se na dose de 1 a 2 grammas do 
extracto, e de 4 grammas do p. 

Sua infuso feita na proporo de 
15 a 20 grammas para 225 grammas d'a- 
gua. 

Caniia tle a^^siicar. Saccliarum 
officinarum^ Liuti. Aruno saccUarifera^ 
Pison. Fam. das Graninaceas . A Camia 
de assucar, Saccharum officinarum de 
Linno, Saccharopharum de Necker, per- 
tence familia das Graminaceas de 
Kunt, e a Triandra digynea de Linn. 

O seu caule cylindrico e articulado. 

As folhas nascem da circumferencia 



dos ns, formando uma bainha, que en- 
volve ou todo ou parte do merithalo su- 
perior. 

As flores se agrupam em uma florescn- 
cia composta sobre um caule, a que cha- 
mamos flexa, da qual procedem gradu- 
almente outros caules, em roda dos quaes 
ficam dispostas em paniculas, simulando 
uma espiga. 

O fructo contem uma semente oblonga, 
envolta pelas valvas, ou invlucros flo- 
raes. 

Da raiz fibrosa se elevam os caules ar- 
ticulados, guarnecidos de 40 ou 50 ns, 
mais ou menos approximados, conforme 
o desenvolvimento da planta. 

Folhas abarcantes na sua base, com o 
comprimento de 1 K metro e largura de 
de 3 a 6 centmetros, com suas nervu- 
ras longitudinaes. 

Esta planta importante, pois d'ella 
se extrahe a substancia to conhecida 
com o nome de assucar, hoje matria 
de primeira necessidade para quasi 
todos os povos da terra. 

A canna de assucar passa por ser 
originaria das ndias Orientaes ; pelo 
menos at agora no se tem provado 
de modo evidente que esta planta se 
tenha encontrado ab origene em outros 
pontos do globo. 

Os antigos conheciam o assucar? 
Esta questo pde ser resolvida facil- 
mente, consultando-se os auctores gre- 
gos e latinos, onde se acharo consi- 
gnados os nomes de Mel de canna, Sal 
de canna e tambm algumas vezes de 
Saccliarum . 

Mas, pela maneira porque estes auc- 
tores se exprimem, v-se que conheceram 
o assucar, no crystalisado nem refi- 
nado, mas em xarope ou no estado a 
que entre' ns se d o nome de rapa- 
dura . 

O illustre Humboldt presume que 
desde mui remota antiguidade, os Chins 
cultivavam a Canna, e conheciam o 
modo de purificar o seu sueco, e de 
crystalisal-o . 

Os etymologistas querem que a pa- 
lavra Saccharum ou assucar venha do 
termo Sanscrito Scharkara, cousa doce. 



CAN 



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109 



Os persas chamam ao assucar Sckaka, 
e os ndios Suckur. 

Os egypcios, em eras remotas, se- 
nhores do commercio da ndia, foram 
substituidos pelos habitantes de Tyro e 
de Sidon ; mas depois da conquista 
de Alexandre, e da creao da cidade 
que tem seu nome (Alexandria), que 
abrio nova via de commercio pelo mar 
Vermelho e pelo Nilo, os egypcios e 
gregos se apoderaram de novo do com- 
mercio do Oriente. 

O Egypto continuou a ser o emprio do 
commercio do Oriente, durante o imp- 
rio grego deBysancio, assim como depois 
que Constantinopla se converteu em ca- 
pital do Imprio musulmano ; esta a 
razo porque o mar Vermelho continuou 
a ser o caminho ordinrio d'esse com- 
mercio. 

Sabe-se que durante muitos sculos, 
os italianos, principalmentie os venezia- 
nos fizeram o commercio quasi exclusivo 
de Alexandria, e ero os monopolistas 
dos gneros da ndia, consumidos em 
toda a Europa. 

Este estado de cousas durou at a 
descoberta da passagem pelo Cabo da 
Boa Esperana. 

Esta resenha era necessria para in- 
dicar o modo porque se fazia o com- 
mercio do assucar com a Europa, como 
tambm a maneira pela qual a cul- 
tura da Canna foi conhecida, e mais 
tarde transportada para outros lugares. 
O primeiro nome que teve o assucar 
foi o de Sal indiano^ entretanto esse 
nome d uma falsa ida de sua origem 
porque no era a ndia, propriamente 
tal, que o produzia n'aquella epocha, 
mas sim o Arthipelago indico, isto , 
o que hoje se chama Indo-China. 

Foi somente no fim do XIII sculo 
que a Canna passou para a Arbia. 

Os prprios habitantes d'alm Gan- 
ges no a conheciam, mas sabendo 
que o assucar se extrahia de uma es- 
pcie de junco, procuraram extrahil-o 
de uma espcie de bambu, chamado 
Mambi^Q denominaram ao sueco d'esse 
bambu Sacchar-mamb, e mais tarde 
Taaxir. 



Os rabes deram o nome de Zuccar athes- 
ser ao sueco concreto de uma nova planta 
da familia das Apocynaceas^ cujas quali- 
dades eram anlogas s do Sal indiano. 

Avicennes faz meno de trs quali- 
dades de assucar: o Z%icar arundinenm 
ou sal indiano; o Zuccar mamb ou assu- 
car da Prsia ; o Zucar athesser ou assu- 
car arbico. 

Marco Paulo, que em 1250 percorreu a 
Tartaria, a parte meridional da China 
e a pennsula do Ganges, menciona o 
assucar entre os productos de Bengala. 

Ormuz era, n'aquella poca emprio 
do commercio do assucar, e parece ter 
sido d'essa cidade que partiram as plan- 
tas de Canna, que em breve tempo se 
propagaram na Arbia, no Egypto, na 
Nbia e na Ethiopia. 

Em 1497, Vasco da Gama faz meno 
do grande commercio de assucar e de do- 
ces, que ento se fazia no reino de Cali- 
cut. 

Pedro Alves Cabral nota a mesma cou- 
sa em Cambaya em 1500. 

Eduardo Barbosa, que escreveu em 1515, 
diz que em Bathecala, na costa de Co- 
romandel, se fabricava mnito assucar, 
branco e bom, mas em p, porque os ha- 
bitantes o no sabiam reduzir a pes. 

Sabe-se com certeza que em 1805 as ci- 
dades de Danar e de Zibir, na Arbia Fe- 
liz, faziam considervel commercio de 
assucar, e que Dangola, cidade impor- 
tante da Nbia, servia igualmente de 
emprio a todo o commercio de assu- 
car do paiz. 

N'aquella poca Thebas fabricava muito 
assucar, assim como Marrocos. 

Giovani Lioni diz ter examinado em 
Darotte, no Egypto, uma immensa fa- 
brica de assucar, semelhante a um cas- 
tello, onde haviam prensas, grandes cal- 
deiras e numeroso pessoal de traba- 
lhadores. 

Nos ltimos annos do XII sculo os 
cruzados encontraram cannaviaes nas 
plancies da Phenica, e foram elles os 
primeiros que introduziram a Canna 
na Europa, porm o assucar j era 
desde muito tempo antes ahi usado 
nas casas dos prncipes, dos ricos. 



lio 



CAN 



CAN 



Entre os manuscriptos da bibliotheca 
imperial de Paris, existem : uma conta 
datada de 1333, onde figura uma par- 
cella do custo de certa poro de as- 
sucar branco para uso do Delpliim 
Umbert ; um Decreto real de 1353, re- 
giilarisando o commercio do assucar ; 
e finalmente poesias de Eustquio 
Deschamps, morto em 1428, em que o 
poeta menciona o assucar como um dos 
mais caros artigos de despezas das 
famlias . 

Legrand d'Assissi, diz que no XV 
sculo, a cultura da Canna tornou- se 
uma espcie de mania geral. 

Beaujeu, que escreveu em 1550, diz 
que ella era mui cultivada na Provena 
e no Languedoc. 

Alguns auctores querem que a Camia 
fosse introduzida na Syria, em Chipre, 
e na Sicilia no XIV sculo ; mas o 
Sr. Dr. Freire Allemo apoiando-se em 
um diploma ou acto de doao feito 
por Guilherme II rei da Sicilia a um 
mosteiro de Benedictinos, diz que, no 
ultimo quartel do XII sculo, j exis- 
tiam engenhos de moer Canna na Si- 
cilia, 

Como quer que seja parece certo, 
como conclue o mesmo Dr. Freire Al- 
lemo, que ao fechar do XIV sculo 
era conhecida esta planta em todo o 
mbito do Mediterrneo, desde as praias 
da sia at Tanger na Africa, e Gra- 
nada na Europa. 

Descoberta a ilha da Madeira em 
1420, o celebre infante D. Henrique 
promoveu de todos os modos a cultura 
da Canna, que ahi prosperou, assim 
como nas Canrias. 

A opinio geralmente adoptada 
que esse prncipe mandara vir da Si- 
cilia as primeiras mudas de Canna 
que se plantaram na ilha da Madeira, 
assim como mestres e apparelhos de 
fabricar assucar. 

Esta opinio unicamente fundada 
no que escreveu o historiador Joo de 
Barros. O Sr. Dr. Freire Allemo hesita 
em adoptal-a. 

Que o infante mandou buscar Si- 
cilia mestres de moendas e de assucar 



nada mais natural, diz elle, por ser 
um dos lugares onde, n'aquelle tempo, 
melhor se entendia d'aquelle mister; 
as cannas^ porm, elle tinha quasi em 
casa, visto que, at o estreito de Gi- 
braltar (e quem sabe se fora d'elle) j 
eram conhecidas e cultivadas. 

A Hespanha seguio o exemplo de 
Portugal, introduzindo essa preciosa 
cultura nas Canrias, e depois na pr- 
pria Hespanha. 

A Canna de assucar naturalisou-se 
nos reinos de Andaluzia, de Valena, 
de Granada, Murcia, etc, e a Hespa- 
nha hoje o nico paiz da Europa, 
onde se cultiva a Canna de assucar. 

No XVII sculo, Alexandria, Chypre, 
Rhodes, etc, j no forneciam assucar 
ao commercio ; porm, em 1815 ainda 
estes paizes abasteciam a vrios mer- 
cados da Europa, e a respeito da 
Fi-ana escrevia n'este mesma anno 
Charles Etienne : 

Os assucares mais estimados so 
os que nos fornecem a Hespanha, 
Alexandria, as ilhas de Malta, de 
Rhodes, de Chypre e de Cnndia. 

Elles nos chegam d'esses diversos 
paizes molhados em forma de pes gran- 
des, mas os que nos vem de Valena 
so menores. 

O assucar de Malta mais duro, 
porm no to branco, ainda que elle 
seja brilhante e transparente. 

Finalmente o assucar no outra 
cousa mais do que o sueco de um can- 
nio, que se espreme por meio de uma 
pedra ou de um moinho, que depois 
se embranquece fazendo-o cosinhar por 
trs ou quatro vezes, e se deita em 
moldes onde elle endurece. 

Parece que em 1520 os portuguezes 
introduziram a cultura da Canna nas 
ilhas do Cabo Verde. 

A pequena ilha de S. Tliom poucos 
annos depois j contava sessenta en- 
genhos, e os auctores contemporneos 
avaliavam a sua produco em quatro 
milhes de libras. 

Em 1506 Pedro de Etiena ou de 
Atiena levou plantas de Canna para 
Hespaniola (depois S. Domingos, hoje 



CAN 



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11 



Haiti) que Christovo Colombo acabava 
de descobrir. 

Miguel Balestro foi o primeiro que 
conseguio inventar um apparellio para 
espremer-lhe o sueco por meio de moen 
das, e Gonalo de Vellosa tambm foi 
O primeiro qne conseguio fabricar as- 
sucar. 

A industria da fabricao do assucar 
prosperou de modo, que os palcios de 
Madrid e Toledo, fundados por Carlos V, 
foram construdos com o producto dos 
direitos de entrada do assucar de S. Do- 



mingos. 



Esta cultura, propagada em diferen- 
tes pontos do continente americano, 
adquirio muita importncia no Brasil. 

Foi em consequncia d'essa impor- 
tncia, que os portuguezes exerceram 
uma espcie de monoplio no abaste- 
cimento da Europa, durante o fim do 
XVI sculo. 

Lisboa deveu a esse trafico, reunido 
ao commercio da ndia, a epoclia de 
seu maior explendor. ^ 

Diversas causas concorreram para 
remover este manancial de riqueza. 

Portugal cabio sob o dominio da 
Hespanha, e os estabelecimentos das 
outras naes da Europa, faltando-lhes 
consumidores para o tabaco e outros 
productos, comearam a fabricar assu- 
car em grande escala, e fizeram to 
terrvel concurrencia, que o preo bai- 
xou de modo a diminuir considera- 
velmente a produco. 

At ento na verdade a cultura da 
Canna se tinha conservado nas grandes 
Antilhas sujeita aos hespanhoes, porm 
com to pouca importncia que, quando 
em 1656 os inglezes se assenhorearam 
da Jamaica, no encontraram alli mais 
de trs engenhos. 

Em Barbadas principiou-se a expor- 
tar assucar em 1646, e os habitantes 
se mostraram to activos, que trinta 
annos depois elles exportaram perto 
de sessenta mil toneladas. 

A exportao da Jamaica cresceu 
proporcionalmente , 

Entretanto em ambas estas ilhas,] 



at 1641, apenas se cultivava tabaco, 
gengibre e algodo . 

Algumas plantas de Canna, que seus 
habitantes mandaram buscar ao Brasil 
n'esse anno, foram cultivadas com to fe- 
lizes resultados, que o assucar exportado 
excedia em 1770 s necessidades do con- 
sumo da Gr Bretanha. 

O commercio das Antilhas foi nos pri- 
meiros tempos franco para todas as na- 
es. 

Essas paragens ero principalmente 
visitadas pelos hollandezes, cuja mara- 
vilhosa actividade os faz correr para 
qualquer parte, onde ha algum lucro 
aproveitar. 

Em consequncia da barateza de seus 
fretes, de sua probidade e pontualidade, 
os hollandezes obtinham a preferencia 
dos transportes, mesmo dos negociantes 
inglezes. 

O commercio passava insensivelmente 
para as suas mos, com excluso das ou- 
tras potencias martimas. 

A declinao da sua navegao e com- 
mercio, e certas questes politicas irri- 
tantes, deram origem na Inglaterra ao 
famoso acto de navegao, posto em vigor 
no 1." de dezembro de 1651, cujas estipu- 
laes geraes ero inteiramente dirigidas 
contra a nao hollandeza. 

Em 1654 Cromwel terminou os actos 
de hostilidade, a que deu origem o acto 
de navegao, por meio de um tratado, 
sem todavia o derogar. 

Em 1660 esse acto foi renovado e con- 
firmado por Carlos II. Muitos publicistas 
o consiaeraram como a causa principal 
do augmento do poderio inglez, politica 
e commercialmente. 

No aqui lugar de discutir essa ques- 
to, que alis parece decidida pela mo- 
derna derogao d'esse famoso acto de 
navegao, e da promulgao do trafico 
livre. 

Esse systema prohibitivo, que durou 
por to longos annos , foi imitado 
por todas as naes da Europa ; porm 
no obstante uma legislao severa, 
que assegurava a cada metrpole o 
commercio de suas colnias, a pro- 



lis 



CAN 



CAN 



duco do assucar se desenvolveu 
cada vez mais. 

As colnias seguiram a fortuna de 
suas respectivas mes ptrias, e foram 
successivamente chamadas a tomar 
uma parte mais ou menos conside- 
rvel no abastecimento geral. 

Faltam documentos a respeito do es- 
tado do commercio em diversas epoclias. 

Sabe-se em geral que a produco 
da ilha da Madeira, das Canrias e 
de S. Thom fez aFrouxar o da Si- 
clia, do Egypto e da Arbia. 

Mais tarde a cultura das colnias 
hespanholas, das ilhas, e da terra firme, 
reduzio a da Andaluzia. 

O Brasil, finalmente, tornou-se o 
centro principal da produco do as- 
sucar, e at ao meado do XVII sculo, 
esteve de posse do abastecimento, por 
intermdio de Lisboa, de todos os 
mercados da Europa, at que a con- 
currencia das outras colnias produc- 
toras conseguisse rivalisar com elle 
nos paizes consumidores. 

Porem, por meio de suas diversas 
fortunas o Brasil ficou sempre sendo 
um dos pontos mais importantes de 
produco. 

O preo do assucar do Brasil em 
160 era muito alto, e regulava de 240 
a 280 rs. a libra, o que equivale hoje 
a 640 ou 100 rs., a sua exportao 
orava n'essa epocha entre 120 a 150 
milhes de libras. 

A concurrencia das Antilhas produ- 
zio uma baixa gradual nos preos. 

Em 1728 a prosperidade das colnias 
inglezas havia reduzido a 32 ou 33 
schillings o preo do quintal do as- 
sucar, quando anteriormente os mer- 
cados inglezes s o obtinham dos 
portuguezes a 4 ou 5 libras esterlinas. 

No obstante esta concurrencia o 
Brasil ainda exportou, em 1736, 80 mi- 
lhes de libras, contra 170 milhes de 
libras de todas as outras possesses 
europas, nas ilhas e no continente da 
America. 

N'essa epocha as colnias hollande- 
zas eram as rivaes do Brasil, na pro- 
duco do assucar. 



De 1726 a 1727 S Domingos co- 
meou a fazer peso nos mercados do 
mundo, exportando, por exemplo, em 
1767, 114 milhes de libras tanto 
branco como mascavo, quantidade que 
se elevou em 179-), anno em que teve 
lugar a desastrosa revoluo, que poz 
essa ilha debaixo da dominao da 
raa negra, a 164 milhes de libras. 

Em 1775, a Martinica, Bourbon, Gua- 
delupe e Cayenna elevaram a sua pro- 
duco a 44 milhes de libras. As trs 
ilhas augmentaram constantemente em 
produco, mesmo custa do caf. 

A cu.ltura nas Barbadas e na Jamaica 
augmentou consideravelmente depois 
da introduco dos escravos africanos, 
que comeou em 1641. 

A importncia crescente da produco 
do assucar foi tal que, em 1685, pri- 
meiro anno do reinado de Jacques II, 
o parlamento estabeleceu um imposto 
especial sobre o assucar e o tabaco 
d'essas ilhas, e esse imposto rendeu 
mais de 200 milhes de cruzados. 

Foi somente no anno de 1760 que 
as colnias de Cuba e de Porto Eico 
deram grande extenso cultura e 
fabricao do assucar. 

At ento as colnias hespanholas 
no forneciam assucar, seno o neces- 
srio para o consummo dos paizes su- 
jeitos ao mesmo dominio na Europa 
e America. 

No triennio de 1775 a 1778 calcu- 
lava-se o movimento commercial em 
590 milhes de libras de assucar, no 
fallando no consumo local, nem no com- 
mercio estabelecido entre as colnias 
da mesma nao. 

Na epocha da revoluo franceza este 
estado de cousas experimentou algumas 
mudanas . 

A guerra da independncia dos Es- 
tados Unidos perturbou no principio a 
produco em diversos pontos ; mas os 
annos de paz decorridos depois dos 
tratados de 1783 deram novo impulso 
produco, principalmente nas pos- 
sesses francezas, de sorte que em 
1783 a Franca se achava em attitude 
de dominar os mercados da Europa ; 



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calcula-se em 210 milhes de libras o 
assucar branco e mascavo introduzido 
nos diversos mercados pelas colnias 
francezas . 

Durante o longo periodo de guerra 
entre as naes europas, de 1'792 
1815, a produco, o consumo e o com- 
mercio do assucar soffreram alternati- 
vas extraordinrias. 

A sorte da guerra fez cahir em po- 
der dos inglezes uma grande parte das 
colnias francezas productoras de as- 
sucar, e em razo da situao e estado 
do continente europeu, as outras col- 
nias no tinham seno os seus pr- 
prios mercados para consumirem a sua 
produco. 

A nica nao que ento podia com- 
merciar livremente eram os Estados- 
Unidos; de 1801 1802 os seus nego- 
ciantes importaram 108 milhes de li- 
bras de assucar, dos quaes 46 milhes 
ficaram para consumo e 62 milhes 
foram exportados . 

Mas este commereio quasi que se 
limitava s colnias francezas fora do 
jugo da Inglaterra, e accidentalmente 
era prohibido aos americanos expor- 
tarem em troca de suas madeiras e 
peixes salgados mais de 6,000 barricas 
de assucar , pouco mais ou menos 7 
milhes de libras. 

Essa concesso to restricta e to fa- 
vorvel para os prprios colonos foi 
derogada em 1806, e desde ento todos 
os assucares foram mandados directa- 
mente para a Inglaterra. 

Em 1807 o abarrotamento dos merca- 
dos inglezes deu origem a uma terrvel 
crise ; os preos do assucar desceram 
muito, e isso no meio de uma guerra 
que encarecia os fretes, os seguros, e 
diminua muito o numero dos merca- 
dos. 

Entre 1813 e 1814 a subida dos preos 
se manifestou em consequncia, das vi- 
etorias dos alliados, e da esperana de 
uma paz prxima. 

Na paz de 1815 a restituio de uma 
parte das colnias conquistadas, a baixa 
dos fretes e seguros, causaram novas 
reduces nos preos dos assucares ; 



reduces que se elevaram ao mximo 
de 1830 1831. 

Dessa epocha em diante os preos 
tem soffrido diversas oscillaes depen- 
dentes das circumstancias ordinrias. 
As ultimas guerras da Crima e Itlia 
pouco mfluiram sobre o commereio d'este 
gnero; todavia nota-se um augmento 
de preos, que certamente devido 
escassez de produco ou a um grande 
augmento no consumo, no obstante o 
augmento da cultura da beterraba. 

Os primeiros que refinaram o assu- 
car na Europa foram os venezianos. 

Primeiramente elles empregaram o 
methodo chinez, e venderam o assucar 
no estado de Candi; mais tarde elles 
adoptaram o methodo dos rabes, que 
foram os descobridores do processo de 
clarificar, por meio de cal e de potassa, 
e os inventores das formas cnicas. 

Desde ento se estabeleceram refina- 
rias em toda a Europa, e a arte de refi- 
nar assucar foi em progresso crescente 
em quanto que os preos diminuram. 
O assucar comeou a ser um artigo de 
geral consumo. 

A profisso de refinador foi ennobre- 
cida em muitos pontos da Europa, prin- 
cipalmente em Frana ; e as fabricas se 
constituram e se substituram como es- 
pcies de feudos. 

A opinio mais geral e a que parece 
melhor motivada, , como j se disse, 
de que a Canna indgena das regies 
d'alm Ganges, d'onde sahio e se es- 
palhou por todos os lugares onde hoje 
cultivada. 

Todavia alguns auctores pretendem 
que ella foi encontrada indgena no 
Haiti , em Madagscar, nas costas do 
Coromandel e do Malabar, em Ceylo, 
em Bengala, no Peru, em Sio, em Ma- 
nilha, Japo, Java, Costa Oriental da 
Africa e mesmo em vrios pontos do 
Continente americano. 

Sabe-se que Cook encontrou grandes 
cannaviaes em Otahiti ou Taiti na epocha 
de sua primeira viagem. 

D'onde veio a Canna para essa ilha? 
Pode perguntar-se. Mas d'onde veio a 
raa humana que a povoa? 

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Se por emigrao da sia, como se 
deve crer, os emifrr-mtes deveriam tor 
trazido comsigo alg:ii^j:ias plantas teis, 
e entre ellas a Canna de assucar, que 
de fcil transporte. O Sr. Dr. Freire Al- 
lemo discute na memoria citada a 
questo : 

Se a Canna foi encontrada indgena no 
Brasil, na epoclia de sua descoberta. 

Para isso elle consultou todos os do- 
cumentos histricos, que pde encontrar, 
comparou-o, e de todo esse exame ti- 
rou as seguintes concluses, que logi- 
camente se podem adoptar. 

Para o Brasil o mais provvel que 
ella viesse de So Thom, onde geral- 
mente se refaziam os navios que nave- 
gavam para a ndia e para o Brasil, e 
onde a industria assucareira havia to- 
mado to grande desenvolvimento que 
o professor Domingos Vandelli assevera 
haver alli sessenta engenhos em 1492. 

O facto que por toda a parte a se- 
mente da Canna chegou muito antes de 
cuidar-se em preparar o assucar, e por 
quasi toda a parte teve tambm sorte 
igual a dos outros vegetaes, que, condu- 
zidos por particulares descuidosos , no 
deixo documentos nem de si nem de 
seus introductores. 

No o mesmo com o estabelecimento 
de fabricas ou engenhos ; so factos no- 
tveis, que, com os nomes de seus fun- 
dadores gravam-se na memoria do povo 
e se perpetuam em escripturas publicas. 
Bougainville, na sua viagem roda 
do mundo, em 1768, trouxe mudas de 
Canna indgena de Otahiti ou Taiti, que 
depois foram enviadas para as ilhas de 
Frana e Bourbon, e d'esta ultima para 
a Guyanna Franceza, onde ella conhe- 
cida com o nome de Canna de Botirhon. 
De Cayenna ella foi transportada para 
o Brasil, onde se lhe deu o nome de 
Camia de Cayetma. A primeira provncia 
que a recebeu foi a do Par, no tempo 
do Governador Francisco de Souza Cou- 
tinho., entre os annos de 1790 e 1793. 

O navegante inglez Bligh introduzio 
esta espcie nas colnias de sua nao. 
Segundo as informaes colhidas pelo 
Dr. Freire Allemo, ella chegou 



Bahia cm 1810, e foi primeiramente 
plantada no engenho da praia perten- 
cente Manoel de Lima 1'ereira. 

Da Bahia passou para o Rio de Ja- 
neiro, trazida ou mandada buscar pelo 
fallceidd Marquez de Barbacena, e os 
primeiros engenhos que a cultivaram 
foram os do Bang e Gericin, na 
freguezia do Campo-grande, dos quaes 
era proprietria ento a fallccida D. 
Anna de Castro. Isto teve lugar em 
1811. 

No obstante estas informaes repu- 
tadas fidedignas o autor cita as me- 
morias do padre Luiz Gonalves dos 
Santos, onde se diz que em 1810 o 
brigadeiro Manoel Marques, governador 
interino da colnia de Guyanna, ento 
occupada pelos portuguezes, enviara 
para a Corte, Par e Pernambuco 
grande numero de plantas de Canna 
de Otahiti cultivada n'aquella colnia, 
e que essas cannas cultivadas no jardim 
botnico de Pernambuco, foram depois 
distribudas pelos lavradores. 

Esta variedade fez desapparecer dos 
cannaviaes e dos engenhos a Canna 
denominada creoula ; todavia esta con- 
tinuou a cultivar-se para alimentao 
do gado e para vender-se nas cidades, 
por ser prefervel para estes mysteres 
Cayenna. 

A cultura d'esta ultima variedade 
comeou ha cerca de setenta annos 
nas colnias francezas, e a pouco mais 
de quarenta no Brasil. A espcie verde, 
que a geralmente cultivada entre 
ns, comeou a alguns annos a tor- 
nar-se dura, render pouco assucar, e 
finalmente foi accommettida de uma 
enfermidade, de tal modo grave, que 
em muitos lugares, sobretudo na pro- 
vncia do Rio de Janeiro foi foroso 
recorrer outra vez j desJDrezada 
Catma creoula. 

Prestando a devida atteno a este 
deplorvel estado de cousas o governo 
imperial resolveu mandar uma expe- 
dio Ilha de Bourbon ou da Reu- 
nio, buscar novas plantas afim de re- 
generar a cultura em' decadncia. 
N'essa ilha, assim como na de Mau- 



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ricia, a degenerao da Canna de Ota- 
hiti seguio a mesma marcha que aqui, 
e o governo colonial, logo que a pre- 
sentio, mandou buscar plantas vrios 
lugares da sia e da Oceania. 

Hermann Herbot, intelligente jardi- 
neiro allemo, foi o encarregado da 
misso de ir buscar as novas plantas 
Bourbon. 

Elle partio do porto do Rio de Ja- 
neiro em Setembro de 1857, e voltou em 
Maio de 1858, trazendo, alem de varias 
outras plantas, inclusive mudas e se- 
mentes do excellente caf de Bourbon, 
trs variedades de Canna, saber : uma 
verde de Penang ; uma cr de rosa 
com o nome de Canna Diard ou de 
Batavia, e finalmente uma vermelha 
arroxeada. 

Tendo vindo essas mudas no poro 
de um navio, como lastro, chegaram 
em tal estado, depois de um embarque 
de mais de setenta dias, que foi ne- 
cessrio plantal-as immediatamento ; o 
que se fez na chcara da rua da Lapa 
n. 88, e no supradito Jardim Botnico 
afim de se distriburem quando tives- 
sem tomado o devido crescimento. 

A primeira foi feita em 1859 no mez 
de Abril, e a segunda em Maro de 1860. 

A degenerao das duas espcies de 
Canna de assucar at agora cultivadas 
no Brasil demonstra ainda uma vez a 
necessidade de renovar em certos pe- 
rodos as sementes das plantas exticas; 
porque parece provado que da cultura 
prolongada da mesma espcie nascem 
as degeneraes e as molstias que ata- 
cam os vegetaes. 

Todo o systema agrcola nacional deve 
ter em vista colher tudo quanto existe 
de melhor em todas as partes do mundo, 
tanto do que novo como do que 
vulgar. 

No primeiro caso augmentar-se-ha a 
riqueza vegetal do paiz e talvez a ri- 
queza publica; no segundo, pde-se obter 
variedades, que melhor prosperem no 
paiz ou ao menos em certas localidades. 

Caracteres da espcie. uma planta 
que prostra pelo solo parte de seu cau- 



le, que representa um colmo, como nas 
outras Graminaceas ; o caule tem de 
altura trs a quatro metros, e no so 
igualmente doces em toda sua extenso; 
a parte culminante o muito menos 
que o resto, e por esta razo que o 
costumam cortar antes da colheita, para 
servir de estaca. 

Espiguetas bifloraes, pelludas at a 
base. 

A flor inferior unicamente uma pa- 
lheta; a superior hermaphrodita. 

Trs estames ; ovrio sessil, liso ; dois 
estyletes terminaes, compridos; estigmas 
plumosos. 

a planta mais bella da familia das 
Graminaceas. 

At nos ltimos tempos forneceu o 
assucar consumido no mundo inteiro, 
bem que hoje esta produco seja par- 
tilhada com a da Beterraba. 

At a epocha da revoluo franceza 
o assucar de Canna no tinha rivaes 
nos mercados consumidores. 

A guerra martima, os bloqueios, a 
ala enorme de todas as mercadorias 
eoloniaes, a perda para a Frana de 
quasi todas as suas colnias fizeram pro- 
curar os meios de supprir a falta quasi 
absoluta de um gnero de consumo geral 
como o assucar. 

Fizeram-se ento muitas tentativas e 
ensaios sobre todas as matrias capazes 
de dar assucar abundante e barato. 

Tentou-se de novo a cultura da Canna, 
na Provena, porm nunca se pde obter 
assucar cristallizado ; recorreu-se ento 
uva, ao gro de milho e ao seu caule, 
ao shorgo, castanha, cenoura, etc, 
porm debalde. 

Em 1747 Margraff, chimico de Ber- 
lim, tinha feito conhecer a possibili- 
dade de obter verdadeiro assucar do 
sueco da beterraba; mas elle se con- 
tentou em demonstrar que se podia 
ajuntar um novo producto analyse 
vegetal, e que o assucar no perten- 
cia exclusivamente Canna. 

Em 1797 Achard, outro chimico prus- 
siano, annunciou ter descoberto pro- 
cessos, por meio dos quaes se podia 
tirar da beterraba branca uma quan- 



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tidude de assucur bastante consider- 
vel, para pagar as despezas da cul- 
tura c do fabrico, vrndeudo-sc o novo 
assucar por preo mdico. 

Estabcleceram-se ento algumas fa- 
bricas, mas que no poderam susten- 
tar-se ; c como o preo do assucar ia 
augmentando consideravelmente ponto 
de vender-se por trs francos ou 1$200 
ris cada libra, considerou-se ento a 
beterraba como incapaz de produzir 
nenhum resultado til, e a atteno 
se dirigio para o assacar da uva. 

O governo de Napole,o, em luta con- 
tra 'quasi toda a Europa, por assim 
dizer, bloqueado pelas esquadras in- 
glezas, multiplicou as promessas e as 
recompensas, aim de crear a indus- 
tria saccharina. 

Os chimicos Proust e Fugues foram 
largamente premiados por haverem des- 
coberto o assucar da uva; mas esse 
assucar no tendo apresentado as van- 
tagens que se esperavam, por decreto 
de 15 de Janeiro de 1812, foram esta- 
belecidas cinco escolas de cliimica, para 
ensinarem a fabricao do assucar de 
beterraba, alm de quatro fabricas nor- 
maes d'esse assucar, 

Chaptal, a quem a industria deve 
tanto, conseguio melhorar um pouco 
os processos de fabricao, e, fora 
de favores de todo o gnero, a cul- 
tura da beterraba e a extraco do 
seu assucar tomaram em breve not- 
vel desenvolvimento. 

Porm os desastres da Rssia, a in- 
vaso dos alliados, e a suspenso do 
bloqueio continental, no obstante os 
favores anteriormente concedidos e em 
concurrencia com os assacares das co- 
lnias, que ento innundaram os mer- 
cados francezes, fizeram o de beterraba 
no sustentar-se , e quasi todas as 
fabricas succumbiram. 

Em 1822 esta industria pareceu rea- 
nimar-se, mas a difficuldade de reunir 
os conhecimentos do agricultor e do 
fabricante, que igualmente o grande 
embarao da industria do assucar de 
Canna^ causou a ruina de grande pai"te 
dos novos estabelecimentos. 



Em 182) operaram-se grandes mu- 
danas nos diversos metliodos de fa- 
bricao; o modo de cristalisao lenta 
e regular foi quasi geralmente aban- 
donado i)elo processo de cristalisao 
confusa e rpida, e o uso do vapor 
foi adoptado pela evaporao e o co- 
si mento. 

Os filtros Taylor e Dumont foram 
inventados, assim como o emprego do 
carvo animal. 

Desde ento o desenvolvimento foi 
to rpido que em 1836 j se contavam 
em Frana trezentas e setenta e uma 
fabricas, e o governo julgando a in- 
dustria bem firmada tratou de impor- 
Ihe um tributo, alliviando ao mesmo 
tempo o do assucar colonial. 

Em 1837 existiam seiscentas fabricas 
em actividade, que extrahiam mais de 
noventa milhes de libras de assucar. 

Na Allemanha, a primeira fabrica 
de assucar de beterraba foi estabele- 
cida pelo chimico Achard, de que acima 
falamos, debaixo da proteco do rei 
da Prssia. 

Esta fabrica no apresentou resul- 
tados notveis, porque os apparelhos 
eram to imperfeitos, e a purificao 
do assucar to incompleta que apenas 
se obtinha de 2 a 3 por cento de 
assucar cristaljsavel. 

Mais tarde, por meio dos aperfeioa- 
mentos j mencionados conseguio-se 
elevar essa porcentagem de quatro at 
cinco, o que, junto aos favores de que 
os governos allemes foram prdigos, 
como os de Frana, fez com que essa 
industria comeasse a prosperar e a 
vulgarisar-se em toda a Allemanha. 

Os aperfeioamentos introduzidos por 
Weinreich, Kodneios e sobretudo por 
Zier, a possibilidade de extrahir-se de 
seis a oito por cento de assucar, isto 
, de obter-se, de cem quintaes de 
beterrabas seis a oito quintaes de as- 
sucar, ainda mais concorreu para isso. 

Se a beterraba contem, como se pre- 
tende, de dez a doze por cento de 
assucar, e conseguir-se extrahir toda 
esta quantidade, segando o calculo do 
Dr. Schmidt, bastar uma superfcie 



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quadrada de uma lgua de lado para 
fornecer beterrabas em quantidade 
suRciente para dar todo o assucar, que 
requer o consumo da Allemanba. 

A cultura da beterraba ganha ter- 
reno todos os dias, e se propaga por 
toda parte. 

A Frana, a Allemanha, a Rssia, 
a Itlia, e os Estados Unidos fazem 
os maiores esforos para fixar esta 
industria. 

N'estes ltimos annos tm-se inven- 
tado numerosas machinas, descoberto 
novos processos, e at novas inaterias 
saccharinas. 

O assucar de Canna tem a temer um 
novo rival, assim como o da prpria 
beterraba. Referimo-nos ao assucar de 
fcula, descoberta devida ao chimico 
Kirchoff, e que j se explora em grande 
escala nas fabricas de Mr. Mollerat. 
No entraramos n'estes pormenores 
sobre a beterraba se, em primeiro lu- 
gar, no quizessemos chamar a atten- 
o dos agricultores e da adminis- 
trao para esse terrvel rival de uma 
das nossas mais importantes industrias 
e fontes de riqueza; e, em segundo 
lugar, para fazer sentir a necessidade 
urgentssima de adoptar-se quanto an- 
tes methodos mais racionaes de cultura, 
e todos os apparelhos e processos 
usados na fabricao do assucar de 
beterraba. 

Quando pensamos que a beterraba. 
que se acha em condies menos fa- 
vorveis do que a Canna, e que contem 
quasi metade do assucar encerrado 
n'esta, d, pelos melhoramentos intro- 
duzidos na Europa n'esta industria, 
mais assucar (quasi o dobro) do que 
a Canna , estamos certos que tudo que 
concorrer para augmento final d'esta 
industria entre ns, merecer a pena 
ser tida em considerao. 

A provncia de Pernambuco possue 
mais de mil fazendas de assucar ou 
fabricas de fazer assucar. A industria 
aSsucareira devia achar-se em estado 
de prosperidade ; mas infelizmente assim 
no acontece. 
No Brasil inteiro, e sobre tudo em 



Pernambuco, a agricultura sente um 
grande embarao em seu desenvolvi- 
mento, que a falta de viao e de 
boas estradas. 

Ha poucos annos a linha frrea de 
S. Francisco atravessava mattas vir- 
gens, hoje esses lugares esto occu- 
pados por excellentes engenhos, e os 
habitantes vo lucrando os benficos 
efeitos d'esta grandiosa obra do pro- 
gresso. 

Ordinariamente os nossos lavradores 
luctam com os maiores embaraos fi- 
nanceiros, e muitas vezes para evital-os 
lanam mo de sacrifcios muito pe- 
sados, e dos quaes difficilmente conse- 
guem o resultado que desejam; visto 
como s encontram capites com a 
usura de 18 a 24 %, e esses capita- 
lisados. 

Parece-nos que o nosso governo de- 
via compenetrar-se d'estas verdades, e 
tratar de melhorar a sorte dos nossos 
agricultores e sobre tudo dos fabri- 
cantes de assucar ; porque esses con- 
correm muito para a riqueza do paiz. 
Com a creao de estabelecimentos 
de credito se remediariam muitos males, 
que presentemente afliigem a agricul- 
tura. 

D'este modo muitos dos nossos agri- 
cultores deixariam de esgotar suas for- 
as vitaes, de ver aniquilar todos os 
seus recursos absorvidos pelos fabu- 
losos juros capitalisados de trs em 
trs mezes. 

Estamos vendo constantemente os ef- 
feitos desastrosos d'essa negligencia dos 
nossos governos, que, embebidos na po- 
litica official, vem com indiferena o 
numero de fabricantes de assucar q\ie 
todos os dias desapparecem, que per- 
dem seus escravos, as suas terras, os 
seus utenslios, tudo vendendo emfim em 
praa publica; e isso no basta para pa- 
gar ao usurrio desoito vinte e quatro 
por cento dos juros capitalizados de trs 
em trs mezes, do emprstimo feito ao 
pobre agricultor. 

De todos os agricultores do Brasil os 
que se entregam a industria assucareira 
so os que mais soffrem estes males. 



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N'esta provncia, o ein todas as mais 
do Impo ri o, o fabrico do assucar est 
geralinciitc cm atiazo. 

Desde o plantio da Canna at a cla- 
rificao do assucar os processos so im- 
perfeitos. 

Existe nas provncias uma ou outra 
fazenda de assucar, a que chamamos 
engenho, e que apresenta alguns me- 
lhoramentos, quer quanto construeo 
de suas moendas mais aperfeioadas, 
quer quanto ao fabrico do assucar, parte 
essencial; mas so ainda em numero 
to insignificante e to limitado que 
no exercem influencia alguma sobre a 
grande massa da produco. 

A mecnica agrcola entre ns no 
passa de uma novidade ; preciso vul- 
garisar-se os seus apparelhos na cul- 
tura da Canna e nas plantaes. 

A fora motriz do vapor apenas 
conhecida em algumas fazendas de 
assucar ; devem ser destribuidos esses 
aparelhos pelos agricultores, afim de 
realizarem-se os prodgios de sua 
applicao. 

A sciencia da engenharia, que entre 
ns no actua nos limites das obras 
publicas sob o mando offical, deve ser 
convertida em poderoso instrumento 
de dessecao de pntanos, abrimento 
de valias, encanamento de rios, collo- 
cao de apparelhos etc. 

Devem crear-se estabelecimentos de 
nstruco agrcola pelas provncias, 
e ser abandonadas as enxadas e os an- 
tigos arados, para darem lugar char- 
rua typica do immortal Dombasle e 
6 suas congneres ; introduzam-se nas 
nossas fazendas outros instrumentos 
prestadios, como so o rolo do Hoos- 
kill, as grades de Valcour, os sacha- 
dores cavallo etc. Alargar-se-ho as 
plantaes e melhoraro os processos 
da cultura. 

No admira que sem os melhora- 
mentos reclamados, a produco do 
assucar na provncia no seja em quan- 
tidade correspondente ao elemento 
saccharino de que dispe no fabrico e 
a sua qualidade seja inferior a que se 
devia esperar. 



Isto explica a pequena poro de as-* 
sucar de primeira ({ualidade que ex- 
porta esta provncia. 

E de admirar que, sendo o Brasil 
todo agrcola, no exista ainda em todo 
o imprio uma s ecola do agricul- 
tura que ensine e habilite os agricul- 
tores influencia do nosso clima, em 
relao s leis da vegetao e aos prin- 
cpios da theoria e pratica da agri- 
cultura. 

A creao de uma escola seria de im- 
mensa utilidade. 

Os conhecimentos da veterinria tam- 
bm seriam de grande vantagem para o 
engrandecimento da agricultura do 
nosso paiz. 

Por tradico histrica, por gratido 
nacional, tanto como por interesse, de- 
vemos empregar todos os esforos para 
salvar uma industria em que se achara 
empregados to considerveis capites. 

A cultura da Canna o mais antigo 
ramo da agricultura do paiz, e a ella 
que devemos os primeiros elementos de 
prosperidade material e de civilisao. 

Os senhores de engenho constituram 
sempre o corpo da nobreza, a verdadeira 
aristocracia do Brasil; e at ha poucos 
annos elles eram os nicos que procu- 
raram dar boa educao a seus descen- 
dentes. 

A esse illustrado procedimento, apoia- 
do por suas riquezas que devemos todas 
as notabilidades que temos tido na ad- 
ministrao, na magistratura, nas ar- 
mas e nas letras. 

Nossas cidades foram fundadas com 
os lucros do assucar, em uma palavra, 
tudo quanto possumos de melhor de- 
vido cultura da Canna, a esse doce 
princpio que para ns tem sido to ma- 
ravilhoso como a lmpada de Aladino. 

Lance o nosso governo vistas patri- 
ticas para a classe agrcola, que entre 
ns definha de dia para dia, e ter uma 
gloriosa parte no futuro engrandecimen- 
to d'estas abenoadas plagas brasileiras. 

No exigimos para ns desde j os 
immensos melhoramentos que n'este 
mais importante ramo da riqueza dos 
Estados tm alcanado a velha Europa. 



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No se passa, num dia, do mais 
completo atrazo ao mais elevado gro 
de perfeio; mas, ao menos, que se 
no d lugar a que nos possam dizer, 
que fechamos systematicamente os olhos 
do espirito s grandiosas idas de 
progresso, que l por fora circulam. 

Depois das breves reflexes que aca- 
bamos de fazer, no deixaremos de 
tocar na grande, na magna questo, 
que actualmente se agita em nosso 
paiz. 

Queremos fallar da substituio do 
escravo pelo trabalhador livre; da subs- 
tituio d'aquelle, que, sem gosto e s 
obrigado pelo agitar do ltego, revolve 
a teri-a, que amaldioa, pelo colono 
feliz, que v das bagas do suor, que 
cahem no solo, brotar a sua felicidade 
no futuro. 

A emancipafo da escravatura, sem 
o desenvolvimento agrcola, sem grande 
augmento de colonisao, uma ver- 
dadeira calamidade. 

O escravo hoje, livre amanh, jul- 
ga-se dispensado do trabalho, que 
elle havia-se acostumado a considerar 
como um mal resultante do seu penoso 
estado. 

D'ahi a perturbao da ordem social, 
o latro*cinio, o assassinato etc. , como 
no ha muito tempo se observou nos 
Estados Unidos, assombrosa nacionali- 
dade que, graas enorme affluencia 
do estrangeiro s suas plagas, pde 
resistir ao tremendo abalo de uma me- 
dida to violenta, como a de alforriar 
de uma s vez doze milhes de escravos! 

Attenda pois o governo colonisao, 
concedendo. amplas garantias ao estran- 
geiro que entre ns vier domiciliar-se, fa- 
cultando-lhe o livre e desembaraado 
desenvolvimento de sua actividade , 
protegendo a industria, animando todas 
as tentativas do engenho inspirado no 
progresso humano. 

Feito isto, no duvidamos augurar ao 
nosso Brasil um futuro, no mui re- 
moto, de grandeza e explendor. 

Reformem-se as instituies, que de 
reforma necessitam, e seremos um povo 
soberano. 



Variedades da canna de assucar : 
A palavra Canna d-se vulgarmente 
a todas as plantas, cujo caule nodoso, 
com intervallos chamados gommos , 
cujas folhas gramiueadas formo uma 
espcie de bainha na sua base, como 
a Canna de Cayenna. E' a mesma des- 
cripta anteriormente. 

A Canna creoula no cresce nem en- 
grossa tanto como a de Cayenna, mas 
mais doce ; seu principio saccharino 
mais abundante, isto , de sabor 
mais franco ; a cr externa mais 
verde; cobre-se de um p acinzentado 
ao redor dos ns, donde nascem raizes 
muitas vezes. 

Productos do sueco da canna de 
ASsuCAR. De todos os vegetaes, ne- 
nhum ha, que seja to rico em pro- 
ductos, os quaes tenham maior numero 
de usos e mais vasto consumo, do que 
a Canna e assucar. 

Produz o assucar branco e masca- 
vado ; esta substancia tempera muitas 
das nossas bebidas, e tem grande im- 
portncia na confeitaria ; o prprio sue- 
co da Canna fcaldo) uma bebida deli- 
ciosa. 

Produz melaos de um gosto agra- 
dvel . 

O sueco da Canna, e o residuo da fa- 
bricao do assucar, fermentado e sub- 
mettido distillao, produz aguarden- 
te, cachaa, lcool, rhum, vinho e vina- 
gre, productos que tem grande emprego 
no uso domestico e na industria. 

Propriedades medicas. O assucar 
crystaliza em prismas de 6 faces, com 
as extremidades diedricas ; n'este estado 
chamam-lhe assucar candi, e usado 
como peitoral. 

Em p usa-se como coUyrio secco, 
s ou unido a outros corpos 

O assucar uma substancia de uso 
muito vulgar na medicina contra as 
irritaes, sobretudo do apparelho res- 
piratrio; um emoUicnte agradvel, 
de que nos servimos todos os dias. 

Com o assucar prepara-se um grande 
numero de medicamentos ; taes so as 



io 



CAN 



CAN 



conservas , geleas , pastilhas e os xa- 
ropes. 

O bajj;aoo da canna considerado como 
um poderoso desinfectante : basta para 
isso collocar-se em diversos pontos, vi- 
ciados por miasmas, urna poro d'este 
bagao ; dentro de poucas horas neutra- 
liza-se o principio mrbido, e torna-se o 
lugar saudvel, exhalando o cheiro par- 
ticular do bagao. 

O assucar exportado no anno finan- 
ceiro de 1869 a 1870 foi 743,969 saccos e 
229,051 barricas, pesando tudo 79.010,903 
kilogrammas, e tendo pago de direitos a 
quantia de 483,546^30. 

CaiBiia frava. Anthoxanthium 
gigans. Fam. das Graminaceas. uma 
planta indgena mui parecida com a 
Canna de assucar ; mas esta estende ou 
prostra uma parte de seu caule para er- 
guer-se depois ; e aquella toda vertical, 
pouco mais ou menos de 2 metros e 64 
centmetros. 

No forma touceira como a outra; tem 
o colmo cheio de ns, de distancia em 
distancia, mais ino e menos compri- 
do. 

A casca mais dura e verde, e o te- 
cido interior mais compacto e seco. 

As folhas so semelhantes s da Canna 
de assucar. 

Brota da sumidade uma vergontea da 
mesma natureza do caule, mas sem ns, 
e que traz em cima um cacho pendente, 
de muitos ramos cheios de florinhas, 
maneira de palhetinhas; umas so es- 
branquiadas, e outras de um cinzento 
rouxeado, parecendo-se com uma coma 
pendente. 

Cortam esta parte da planta, levam-na 
em feixes ao mercado, onde vendida 
para difPerentes usos, sendo mui pro- 
curada pelos meninos, que enfeitam 
esses filamentos com fitas , deitam-lhe 
rdeas, e chamam-lhe cavallo de flexa. 
Cavalgam e brincam, montando sobre 
a parte nua da flexa. 

Esta flexa serve de rgua aos pin- 
tores ; mui usada no Rio de Janeiro 
para esse fim; serve para bater l, e 
tem outros misteres. 



Canna do brejo. Costus spicatust 
Swart. Alpifda spicata, Jacq. Fam. 
das Amomaceas . V\'Ani'. herbcea do 
paiz e da ndia. 

Tem a raiz tuberosa, c, nos paizes 
estrangeiros, cultivada nos jardins. 

O seu caule herbceo. 

As folhas alternas oblongas. 

As flores so em espigas terminaes 

Propriedades medicas. A raiz da 
Canna do brejo empregada em cosi- 
mento nas gonorrhas e leucorrhas ; 
mastigando-se passa por bom anti-sy- 
philitico ; d-se uma duas colheres 
do sueco por dia, ou o cosimento das 
folhas, s chicaras. 

Canna tio lirejo roixa. Cosus 
spiralis ou Alpinia spiralis. Fam,. das 
Amomaceas. outra espcie do mesmo 
gnero. 

Canna fijattila Io irejo. Cfl-WM 
nana. Fam. das leguminosas. E' um 
arbusto ramoso, e de forma achapada. 

Tem as folhas em palmas, com quasi 
24 centmetros de extenso, semiovaes, 
sem brilho. 

As flores formam como uma espiga 
pyramidal ; so amarellas, reuifidas em 
grande numero, e sem cheiro. 

O fructo uma vagem, de mais de 
24 centmetros, chata, parda, foleacea, 
dividida em muitas lojas ou loculos 
transversaes, contendo sementes. 

Vegeta nos brejos ou nas suas visi- 
nhanas. {Fig. 15.) 

Ci^nna fistula, Ia matta. Cs- 
sia falcaa brasiliana. Fam. Idem. Ar- 
vore alta. 

As folhas so compostas, paripenna- 
das; o peciolo primrio longo, del- 
gado, curvo, pubescente e canaliculado. 

Os peciolos secundrios so rudimen- 
tarios ; os foliolos numerosos, dispostos 
por pares e membranosos. 

Inflorescencia em racimo, flores com- 
pletas, vistosas, acompanhadas na sua 
base de trs ou quatro pequenas brac- 
te as. 



CAN 



CAP 



131 



O fructo uma enorme vagem. 

As sementes so pequenas, e acham- 
se envolvidas por uma massa polposa 
cuja aco purgativa. 

A sua madeira pouco usada em 
consequncia de sua manifesta poro- 
sidade, e da frouxido do tecido. 

Cstniia de niapaco. Costus Pi- 
sonis. Lynd. Fam. das momaceas, Lmn. 
O sueco do seu caule mucilagi- 
noso, acidulo e refrigerante. 

empregado nas dores nephriticas, 
e nas gonorrhas. 

Os indgenas comem as folhas novas. 

CiisaaB tar osaiA . Caladimn segui- 
nem., Linn. Fam. das Aroideas. Planta 
do gnero da Aninga. 

O sueco d'esta espcie to cus- 
tico, que 8 grammas bastam para en- 
venenar. 

Forma sobre a roupa manchas inde- 
lveis. 

Caracteres da famlia. Plantas vi- 
vazes, de raiz ordinariamente tube- 
rosa. 

Folhas quasi sempre radicaes, e 
alternas. 

As flores dispostas em espadices, 
cercadas em geral de uma espatha de 
forma varivel ; unisexuaes, monoicas, 
desprovidas de invlucros floraes, ou 
hermaphrodtas e rodeadas de um c- 
lice de quatro, cinco ou seis divi- 
ses. 

No primeiro caso os pistillos occu- 
pam geralmente a parte inferior do 
espadice ; deve ser considerado cada 
um como uma flor fmea, e os esta- 
mos como outras tantas flores mascu- 
linas; raras vezes os estames e os 
pistillos so misturados. 

No segundo caso as flores, em vez 
de serem consideradas como flores her- 
maphrodtas, podem serdescriptas como 
uma reunio de flores unisexuaes ; 
assim cada estame e sua escama cons- 
tituem uma flor masculina, e o pistillo 
central uma flor fmea. 
O ovrio tem em geral uma s loja 



ou compartimento, contendo alguns 
vulos inseridos na sua parede inferior, 
ou ento trs lojas. 

O estigma algumas vezes sessil 
mas raramente sustentado por um es- 
tylete curto. 

O fructo uma baga ou mais rara- 
mente uma capsula, que algumas ve- 
zes monospermica por aborto das 
outras sementes. 

Estas se compem alm de um te- 
gumento prprio, d'um endosperma 
carnoso, no qual est collocado um 
embryo cylindrico e erecto. 

Cifiiopy. {Arvore do Canopy.) 
MelUcocca Mjuga^ Jacq. Fam,. das Sa- 
pindaceas. Arvore cujo fructo re- 
commendavel pelo bom sabor acido e 
vinhoso, e por sua amndoa agradvel. 

Canudo amargoso. V. Vo Pe- 
reira. 



Caiiido de eaelRfiit!!(o. 

de cachimho. 



V. Pao 



Caniidi de |iiri;a. Rauwolvia 
canescens . Fam . das Apocynaceas . Ar- 
busto de folhas oppostas e flores em 
cachos. I 

E' emtico. 

CaiBKenze. V. Vassoureiro. 



Caaopitiigra. 

Bahia. 



E a Coerana da 



Caoiiin. E uma bebida feita de 
milho cozido, posto na agua, deixando 
fermentar por trs ou mais dias. 

Caparoa. Jussiema caparosa., St. 
Hil. Fam. das Onagrariaceas . Esta 
planta, oriunda do paiz, conhecida nas 
provncias do Sul e no Rio de S, Fran- 
cisco por Caparosa. 

um arbusto elegante, de folhas al- 
longadas e flores de mediano tamanho, 
corolla cruciforme, amarella, sem chei- 
ro, clice pyriforme. 

O fructo uma espcie de capsula em 

18 






CAP 



CAP 



forma de peo, com uma coroasinha no 
pice, e quasi angulosa; contm muitas 
sementinhas. 

Os habitantes do interior do paiz fa- 
zem tinta de escrever d'esta fructinha. 

Floresce em Maio. 

Caracteres da famlia. Vef^etaes 
herbceos, raramente fructescentefe, tra- 
zendo folhas simples, oppostas ou dis- 
persas, e flores terminaes ou axillares, 

O clice adherente ao ovrio infero. 

O limbo de quatro ou cinco lbulos, 
de preflorao valvar. 

A corolla formada de quatro a cinco 
ptalas incumbentes lateralmente, e tor- 
cidas em espiral antes do completo 
desabrochar; esta corolla falta raras 
vezes. 

Os estames so em numero igual ou 
duplo , algumas vezes menor do das 
ptalas; e inseridos no tubo do clice. 

O ovrio infero oferece de quatro a 
cinco lojas , contendo grande numero 
de vulos inseridos no angulo interno. 

O estylete simples, e o estigma 
ora simples, ora de quatro a cinco l- 
bulos. 

O fructo uma baga indehiscente, 
ou uma capsula de quatro ou cinco 
lojas, no contendo cada uma d'ellas 
muitas vezes seno um pequeno numero 
de sementes , e abrindo-se por outras 
tantas ..valvas, cada uma das quaes traz 
um dos septos no meio da face interna. 

As sementes oferecem um tegumento 
prprio, em geral formado de duas fo- 
lhinhas, e cobrindo immediatamente um 
embryo homotropo, e desprovido de 
endosperma. 

Capba. Pper macrophyllum, Swartz. 
Fam. das Piperaceas . uma planta 
do paiz, conhecida por tal em Alagoas, 
Pernambuco e Bahia. 

um arbusto semi-lenhoso, cujo caule 
apresenta ns de distancia em distan- 
cia. 

As folhas so cordiformes, grandes, 

e cheirosas quando so comprimidas. 

As flores so encravadas n'uma es- 



piguinha rolia, similhante a uma pe- 
quena espiga de milho, ou um pequeno 
sabugo; parece-se muito com o Mal- 
vaisco de Pernambuco, difterindo na 
grandeza das folhas, e em ter consis- 
tncia mais branda. 

Propriedades medicas. O decocto 
da raiz d'esta planta empregado em 
banhos contra opilaes, hydropisias, e 
molstias uterinas; as folhas so deso- 
bstruentes, e a casca peitoral. 

Caperioba branca. Chcenoi)0- 
dium Jiircinum. Fam. das Chenopodiaceas . 

Esta planta usada como um an- 
thelmintico. 

Capicliiaii^ui. Crolon. Fam. das 
Enphorbiaceas . V\-VL^ de S. Paulo. 
cathartica. 

Cafiioba. V. Pimenta d' agua. 

Capina au (das Alagoas). Cyrto- 
fogon alperrimum. Fam. das Qramineas. 
Esta espcie de Capim-au conhe- 
cida naa Alagoas por este nome ; forma 
touceira, tem folhas radicaes, em forma 
de espadas, estreitas, bordas enrosca- 
das e armadas de serrilhas escariosas. 

O caule que parte do centro fino, 
alto, meio achatado, sem ns ; flores 
em cachos nas extremidades d'este. 

como as demais Gramneas, mas 
torna-se bem visvel por suas sementes 
ou seus fructos. 

Os cavallos no o comem, havendo 
outros capins. 

Floresce em Maro e Abril. 

Capim aM (de Pernambuco). Ca- 
ladium irasiliense. Fam. das Cyperaceas. 

Em Pernambuco do este nome a 
uma espcie de capim de folhas estrei- 
tas e radicaes, com serrilha em redor 
formando bainha. 

Suas folhas so de cr verde azula- 
da; deita uma vergontea trigona, a qual 
floi'esce no pice, formando um aggre- 
gado de bracteas bastante foleaceas , 
que encerram as florinhas to peque- 



CAP 



CAP 



1S3 



nas que quasi no se observam ; so 
de cr amarella esverdinhada. 

As vergonteas, batidas e preparadas, 
do um fio, de que os caiadores fazem 
brochas para caiar. 

Estes caules parecem junco, e cres- 
cem em todo o terreno. 

Propriedades medicas. A raiz em- 
pregada contra a tosse e o catarrho pul- 
monar. 

Capiit d'as:ua ou Taquary 
d'a^a. Panicum acuum. Fam. das 
Gramneas. E' um capim aqutico, 
conhecido nas Alagoas por este nome ; 
vegeta nas bordas dos rios e brejos. 

Eleva pouco suas vergonteas, que, 
semelhantes s dos capins, so finas 
e nodosas. 

As folhas so como as das ou- 
tras Gramneas., perm menores e lan- 
ceoladas, de 12 centmetros de com- 
primento, macias, escuras, sem pllos, 
excepto na bainha da folha, (parte que 
abraa o caule). 

As flores so em cachinhos, no 
muito densos, com raminhos articula- 
dos, erectos, ascendentes. 

Grosinhos redondos, de amarello 
cr de gemma d'ovo, com um ponto 
roixo no pice. 

bom alimento para os cavallos, 
porem mui prejudicial ao sangue, 
quando fazem uso quotidiano d'elle. 

Chamam-no tambm Capim d'agua 
em Pernambuco. 

Ha um capim que alastra nos lugares 
em que se queima ou se limpa. 

D tambm uma espcie de folhas 
em touceira, estreitas, de verde bonito, 
luzente, e as flores sulcadas longitudi- 
nalmente. 

Capin aniarg:oso. Pappojjho- 
rum amargoswm. Fam. das Gramtieas. 
Por este nome conhece-se nas Ala- 
goas um capim de vergonteas, como o 
Capim de planta^ porm sendo ellas 
mais lisas e finas, e tendo as folhas tam- 
bm mais lisas e um pouco sulcadas. 

A florao se faz em um caule cuja 



summidade fornece espigas de 9 12 
centmetros de comprimento, mui rec- 
tas e verticaes; no se curvam, e ahi 
se encontram as espiguetas encaixa- 
das. 
O gado gosta d'elle. 

Caiiini aiidac. uma espcie 
de capim. 

Capim de Ansrola. Panicum 
spectabile., Nec. Panicum guineense., Mart. 
Fam. das Gramneas. Este capim 
natural de Angola, e foi transportado 
para o Brasil ha muito tempo ; hoje 
j to raro, que em poucos lugares 
visto. 

Cresce de 1 metro e 22 centmetros 
at 1 metro e 62 centmetros. 

O caule nodoso, liso e mesmo lus- 
troso, e maculado. 

As flores so em cachos que se cur- 
vam no cimo do caule com graa. 

As sementinhas luzentes parecem 
gros de arroz, e so manchadas de 
vermelho na cr amarellada de seus 
tecidos. 

D em pequenas touceiras. 

Os cavallos no o comem pelo amar- 



gor. 



Em Sergipe chamam-no MaraMra. 

Capim atana. Gastridium verti- 
cllatum. Fam. . das Grartiineas. um 
capim cujos caules crescem alguma 
cousa, com as folhas semelhantes as do 
Capim de 'planta., lisas, e com pellos nos 
peciolos. 

A florao em espigas vertieilladas, 
isto , circulando o eixo da florao ; 
ellas so como as demais de seu gnero, 
tanto nos fructos como nas sementes. 

este o nome porque este capim 
conhecido nas Alagoas. 

Capim balida. Paspalam aquati- 
ctim. Fam. das Gramneas. um 
capim que vegeta na superfcie das 
aguas doces e misturadas, e que em 
Alagoas tem este nome. 

Tem o aspecto do Capim de planta; 
mas seus caules so reptantes, deitam 



1S4 



CAP 



CAP 



razes dos ns, que existem em toda 
sua extenso. 

As bainhas das folhas so roixas e 

ventricosas,miudas, espontadas, roacias. 

As flores so midas e em cachinhos 

pouco salientes nas axillas das folhas ; 

so achatadas e esverdinhadas. 

O gado gosta muito d'esta planta, 
que mui nutriente. 

Capini licti^ml. Hordeii7n bra- 
siliens^. Fam. das Gramneas. Co- 
nhecem nas Alagoas por este nome 
um capim mui semelhante ao de planla, 
porm mais pilloso nas bainhas das fo- 
lhas ; apezar d'isso macio. 

Vegeta formando soqueira pouco 
densa ; as folhas so lanceoladas e 
moUes. 

As flores no caule, que articulado 
e nodoso. 

As flores, em espigas caudadas,em ver- 
ticillo, compostas de pevides redondas, 
com longos prolongamentos, que se pe- 
gani roupa pela aspereza que tem. 

Os cavallos no o comem. 

Ci%|)ii! de bncl (verdadeiro). 
Avena sponjosa. Fam. das Gramneas. 
E' uma espcie que forma moita pouco 
densa, conhecida em Alagoas por tal 
nome ; os caules so um pouco grossos, 
succulentos e articulados. 

Na summidade d um pendo roixo 
acinzentado, cheio de ramificaes co- 
bertas de pevidinhas redondas, armadas 
de espinhos, porm macios; como so 
todas as partes d'esta planta. 

No interior do caule acha-se um corpo 
esponjoso desenvolvido ebranco,que ser- 
ve de bucha de espingarda aos caadores. 

O gado gosta d'este capim. 

Ha outra espcie maior e esbranqui- 
ada. 

A florao no pice do caule ; ha, em 
um eixo, um froco circular composto de 
botesinhos, armados de finas agulhas 
macias, de cr verde esbranquiada. 

Tambm serve de alimento ao gado. 

Capins ealielludo. V. Capim de 
pico. 



Caiiini OMinelIo. V Loco. 

Capni caiiella ile ema. Saccha- 
rum dssusum. Fam. das Gramneas. 
Este capim, que recebe este nome nas 
Alagoas, tem seu caule nodoso, com- 
pacto, liso, e maculado de roixo. 

As folhas so como no geral das Gra- 
mneas; tem dentilaos. 

As flores so como um froco de pello 
macio em redor do caxile, branco e 
longo. 

E' excellente para enchimento de tra- 
vesseiros, colches, etc. 

CagsBfti eatins;. Gramen odora- 
um.Fam. das Gramneas. E' uma es- 
pcie de capim que vegeta no Eio do 
Janeiro e Rio de S. Francisco. 

Capim le cSteifO. Perotis fra- 
gans. Fam. das Gramneas. Este capim 
mui parecido com o de planta, porm 
mais amarellado, e com o caule me- 
nor. 

A florao em cacho, de cr roixa. 

E' conhecido nas Alagoas por este 
noiue ; e com eff'eito, passando-se pelo 
lugar em que houver alguma;,leira d'elle, 
sente -se logo o seu aroma, que um 
pouco agradvel. 

O gado come-o, mas s quando no 
encontra outro. 

Capim lie coco ou cantello. 

Anthoxanhnm palmeira. Fam. das Gra- 
mneas. E' este o nome pelo qual 
conhecido nas Alagoas ; tem o porte de 
uma palmeira pequena, de um talhe en- 
graado. 

Apresenta suas folhas (com peciolos 
roixos) em feixes; e, de certa distan- 
cia para cima, a lamina das folhas so 
ovaes, oblongas, de pregas longitudi- 
naes. 

Sahem do centro pendes, nos quaes 
brotam as flores, com muitas pevides. 

Os animaes no comem este capim. 

Csupim etTfl\.Melacrans strel- 
latur. Fam. das Cyperaceas. t. por 
tal nome conhecido nas Alagoas e Per- 
nambuco : rasteiro. 



CAP 



CAP 



IS 



c 



o caule pequenino eleva-se apenas 
a 24 centmetros mais ou menos, tendo 
na superfcie da terra um feixe de fo- 
lhas cruzadas e estreitas, e no vrtice 
um pendo. 

Tem umas folhetas cruzadas, em cuja 
base existe uma pinta branca que forma 
uma estrella perfeita ; no centro d'esta 
estrella esto as flores em uma es- 
piga, formando um cone de cr parda- 

Esta plantinha que s tem vida no 
litoral, e nunca nos sertes, cr-se que 
mata o gado, que de l vem. 

Ci>iii lf-a.. Saccharum glarum. 
Fam. dm Gramneas. Esta espcie, 
de porte pequeno, meio lisa, tem este 
nome nas Alagoas. 

Suas folhas so em touceiras pe- 
quenas. 

Os caules, articulados e compactos, 
e os eixos das flores so finos. 

As flores esto no pice dispostas em 
cachos, so cobertas de pellos macios, 
brancos e louros, e entremeadas de se- 
mentinhas ; curvam-se para a terra como 
pendo. 

Este capim excellente para enchi- 
mento de colches, travesseiros, etc. 

Ca|iiiei de to^o. Cinna castanea. 
Fam. das Gramneas. E' uma espcie 
que vegeta mais pelas catingas, conhe- 
cida nas Alagoas por este nome. 

O caule fino, e de juntas nodosas. 

As folhas so macias, e sem armas. 

Deita do caule um penacho delgado, 
com pequenas varetinhas um pouco 
vermelhas e articuladas, semelhan ^ 
de um pincel louro nas pontas. 

As flrinhas so engastadas em uns 
estojos occultos. 

CaiiMiii e Fp. Lui. V. Capim 

mellado . 

Capian geiglPe de lJiaTO. 

Paspalum faciculatum. Fam. das Gra- 
mneas. E' uma espcie semelhante 
abaixo descripta. 

As raizes so embastecidas seme- 
lhana de tuberas. 



As folhas brotam feixes eni diverros 
pontos ; o nome que aqui lhe damos 
o mesmo pelo qual conhecido nas 



Alagoas. 



Ca|iiaii geigiSre rasteiro. 

Paspalum pastum. Fam. das Gramneas. 

Este capim, que o pasto mais geral 
dos animaes herbvoros, conhecido nas 
Alagoas e Pernambuco por este nome. 

Alastra seus caules pelo cho, os 
quaes s vezes esto enterrados, emit- 
tindo, de distancia em distancia, ra- 
minhos revestidos de folhas, como as 
demais Gramneas. 

As d'este so lanceoladas, de um 
verde gaio, com suas flores em cachi- 
nhos pequenos e agglomerados. 

E' estimado como um dos melhores 
pastos. 

Caiiiiii svstmm. Paspalum com- 
pressim, Linn. Fam. das Gramneas. 

E' conhecido este capim em toda a 
parte como o mais geral ; invade todos 
os terrenos, no deixando vegetar quasi 
outra espcie. 

EUe acha-se nas ruas, mesmo das 
cidades populosas ; rasteiro e alastra 
com seus caules deitados. 

Tem as floresinhas em cachos cruza- 
dos, e as folhas semelhana do Ale- 
crim. 

E' difficil extinguil-o. O gado come-o. 

Capin iwo de sagio. Paspa- 
lum cruciflorimi. Fam. das Gramneas. 
Este capimzinho assim denominado 
em Pernambuco. 

Sua altura de 22 centmetros pouco 
mais ou menos, vegeta em touceiri- 
nhas ; suas folhas estreitinhas , e 
semelhana das dos outros capins ; lana 
um caule' fino at 22 centmetros ; no 
pice forma uma cruzeta, e de um 
s lado agglomerada de flrinhas, 
dispostas em duas ou mais ordens. 

Torna-se mui distincto por esta par- 
ticularidade. 

E' um dos bons alimentos dos her- 
bvoros . 



f6 



CAP 



CA 



Capim titilhan braneo. Pa- 

nicum vcrticillatuM^ Linn. Fam. das 
Gramneas. Este capim conhecido 
em Alagoas e Pernambuco por este 
nome. 

E' composto de folhas largas, relati- 
vamente aos outros capins. 

Tem as vergonteas finas, articuladas; 
deita um cachinho semelhana do 
arroz, em ponto diminuto ; as flrinhas 
so s de um lado. 

E' um dos melhores pastos. 

Ha outra espcie semelhantissima, que 
difere por ter o caule e os cachos arroi- 
xeados; chamam-se milhaft vermelha. 

Ambos estes capins fazem dar o san- 
gue nos cavallos , porm o segundo 
na opinio dos sertanejos, mais effi- 
caz. 

Em Sergipe conhecido por Capitinga. 

Capim mimoso. Fam. Iderji. 
E' uma espcie de capim que vegeta 
nos sertes ; elle que forma a base 
da alimentao dos animaes de todas 
as classes no centro, mormente do 
Norte. 

Elle como as outras Gramneas^ tendo 
muita semelhana com o Arroz. 

Deita porm um cacho delgado e 
menor; cresce at quasi a altura de 
um e meio metro. 

Suas folhas so estreitas e articu- 
ladas, e o caule fino, quasi formando 
zig-zag. 

Capii orvtelho. Paniciim rosa- 
linum. Fam. idem. Este capim co- 
nhecido em Alagoas e Pernambuco por 
este nome, e em Sergipe por Guarda- 
sereno. 

Elle forma touceira pouco densa ; tem 
o caule cheio de pellos. 

As folhas lanceoladas, estreitas e um 
pouco speras. 

A vergontea da florao forma como 
uma pyramide, cuja ramificao cheia 
de botes verdes e ovides, que lhe do 
muita graa. 

Este capim recebe o orvalho da noite, 
e pela manh seus rgos esto gotte- 
jando agua (ou cheios d' agua), de sorte 



que sendo agitado abandona um liqui- 
do, que s vezes molha um homem. 
O gado no lhe d importncia. 

Capim papuaii. Oropetium trans- 
versale. Fam. idem. Euma grammaou 
capiai, conhecido por tal nome nas Ala- 
goas. 

Tem vergonteas pequenas e esgalha- 
das; folhas ordinrias, como as das suas 
congneres, as quaes so lisas e macias. 

O caule mais delgado, e chato no 
pice, e ahi oferece duas espigas hori- 
sontalmente dispostas, cheias de semen- 
tinhas redondas e chatas. 

O gado de todas as classes o come. 

Capim peita. segundo uns o 
Sap e segundo outros um Andropogon. 

Capim p le ^allinha. Senele- 
ria galUnacea. Fam. Idem. Este capim 
parece geral no Brasil. 

Forma pequena soqueira; e tem caule 
fino, nodoso e lustroso. 

As folhas so estreitinhas; o pendo 
das flores divide- se no pice em quatro 
ramos. 

Um pouco abaixo apresentam elles 
as flrinhas, que so dispostas de um 
s lado. 

Com eff'eito tem grande semelhana 
com o p de gallinha. 

Este capim no um bom pasto; s 
tem virtudes medicas : elle diurtico, e 
empregado contra os catarrhos; suspende 
os fluxos de sangue, e das ourinas. 

Capim le pico ou cabellndo. 

Tnariaptmgens. Fam. Idem. Esta es- 
pcie de capim forma moita ou tou- 
ceira. 

conhecido nas Alagoas por tal nome. 

D poucas vergonteas, e estas articu- 
ladas. 

As folhas so lisas, e as bainhas eri- 
adas de pellos duros e horisontaes, que 
espetam. 

As flores se acham nas gummidades 
do caule ; este uma vergontea de dois 
pal4tnos, intermeiado de folhas raiadas, 
de vergontinhas, e de pevides foleaceas 



CAP 



GAP 



tS- 



que lhe do um engraado aspecto, for- 
mando como uma cauda grossa. 

E' regeitado dos herbvoros, talvez 
pela aspereza. 

Capim fie jilaaita. Panicum ma- 
ximum^ Jacq. Fam. Idem. Esta espcie 
de capim, a que chamam Capim de planta., 
entre ns, natural de Guin ; passa 
pela forragem melhor, por que a sua 
propagao a mais abundante. 

EUe cultivado em toda a America. 

Na Europa procuraram todos os meios 
de cultival-o, e o conseguiram ; entre ns 
tambm elle objecto de grande cultura, 
e quasi que forma a base do sustento dos 
nossos cavallos, mormente os de estri- 
baria. 

E' um capim de caule nodoso, de 1 a 2 
metros de altura ; deita parte do caule 
no cho. 

As folhas so lanceoladas, estreitas e 
macias, com pellos brandos. 

D cachos de fiorinhas arroxeadas no 
pice. 

Planta-se de estaca, e cresce admira- 
velmente. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gado como antispasmodico, na dose de 8 
grammas para 250 grammas d'agua fer- 
vendo. 

Capim pulsa. Sacchanmi plumo- 
sum. Parti. idem. E' conhecido por 
este nome nas Alagoas e Pernambuco. 

E' um capim de folhas estreitinhas, 
em feixes, sobre o rez do cho, emittin- 
do umas vergonteas finas, das quaes 
se um cacho de flores em frocos, de 
pellos macios, maneira de l, entre os 
quaes se notam as sementinhas. 

Este capim mui susceptvel de seccar. 

Fazem grande uso de seu pello como 
i para enchimento de travesseiros, col- 
ches, etc 

Capnt piiba (de Pernambuco). 
E' outra espcie. 

Capim piiia (do Sul). V. P de 

galUnha. 



Cfipim rei. V. Maririo. 

Capim c ro|*a. Spartina hos- 
tensis. Fam. idem. Este capim co- 
nhecido nas Alagoas e em Pernam- 
buco, , pelo interior ou serto, o que 
abastece as estribarias. 

Seus caules so finos e delgados. 

As folhas estreitas, pelludas e um 
tanto speras. 

A vergontea das flores mui delgada 
e rolia. 

As flores agglomeradas em cachi- 
nhos. 

Este capim nasce com abundncia 
pelas roadas : muito procu.rado, no 
s para no desfalcar nas estrebarias 
o de planta, como porque do que 
se servem mais os almocreves para 
seus animaes. 

Capim ta<iiiaB*iHinlBO. naihe- 
rum xhmhrale. Fam. idem. Esta Qra- 
minacea., assim conhecida nas Alagoas, 
tem o caule tambm nodoso, liso e 
fino. 

Folhas pequenas, lanceoladas e ho- 
risontaes. 

Os peciolos em bainhas. 

As flores em cachos pyramidaes, mui 
pequenas. 

Os ramos delgadssimos. 

Ha outras espcies parecidas com 
esta. 

Vegeta nas mattas e capoeiras de- 
baixo de arvores, sempre sombra. 

O gado come-o. 

Capito. Hydrocotyle timlellata , 
Linn. Fam. das Umbelli feras. Tam- 
bm conhecida esta planta por Ca- 
pito de cavallo comer., porque serve de 
pasto aos animaes. 

E' uma herva rasteira com raizes de 
distancia em distancia, peciolos suc- 
culentos e compridos, sendo as folhas 
redondas, fendidas na base, e molles. 

As flores tem um pednculo com- 
prido, e formam no pice um cacho 
como umbrella, de florinhas midas, 
de cr roxa pallida, com sementinhas 
verdes, achatadas e redondas. 



13S 



CAP 



CAR 



Propriedades medicas. E' um excel- 
lente remdio contra a elephantiasis 
dos rabes, erysipellas, elephantiasis 
dos Gregos, aTeces tuberculosas da 
pelle, afeces sylphiliticas, e escro- 
fulosas ; rheumatismos etc. 

Capito tio itttto. Cayaponia 
glohoza. Fam. idem. Esta planta em 
Minas Geraes e no districto dos dia- 
mantes denominada Ch de pedestre. 
Acha-se nos rochedos quartzozos da 
serra de Cadonga. 

E' um arbusto muito uzado, em lu- 
gar do verdadeiro ch. 

As folhas d'este arbusto exhalam um 
cheiro agradvel, e, postas de infuso, 
formam uma bebida ligeiramente esti- 
mulante, mas de sabor muito agra- 
dvel. 

pois um vegetal sobre que o nosso 
governo devia dirigir sua atteno, a 
fim de ser melhor conhecido. 

Citpito (le PefiiitBubiico. 

Hydrocotyle pernamhucensis . Fam. idem. 
Esta herva, conhecida em Pernam- 
buco por tal nome, vegeta ao p das 
aguas . 

Seu caule, que subterrneo, apre- 
senta peciolos longos, que vem acima 
da superfcie d'agua ou da terra. 

Tem as folhas em figura de rim, 
redondas e lisas. 

As flores em cachos, como armao 
de chapo de sol, brancas amarelladas. 

O fructo uma pequena capsula 
achatada, com dois carocinhos tambm 
chatos. 

Propriedades medicas. Usa-se in- 
ternamente no rheumatismo chronico, 
8 grammas para 50J grammas (ragua, 
e externamente em banhos, feitos com 
este cosimento. 

Capto-^uallao. Ximenia penfmi- 
dra. Fam. das Olacineas. Arbusto 
conhecido por este nome em Pernam- 
buco; vegeta nas mattas ou capoeiras. 

D em mouta, e cahe sobre os ou- 



tros vegetaes, porque seus galhos so 
finos. 

Sua casca esbranquiada, com 
folhas oppostas, ellipticas e pequenas ; 
tem prolongamentos no tronco em cru- 
zeta, formando espinhos. 

As flores tem pednculo curto, e re- 
presentam uma espcie de capitulo ; so 
miudinhas e esverdinhadas. 

O fructo ovide, e menor que uma 
azeitona; contem uma semente. 

Esta planta foi uma das que fizeram 
parte da medicina domestica no tracta- 
mento do cholera em 1856, em Per- 
nambuco. 

Ca^i^^^**- V. Capim milham. 

Ca|i%ara. Aristolochia fastidiosa. 
Fam. das Aristolochias. Pequeno ar- 
busto trepador, conhecido nas Alagoas 
por este nome. 

E' uma planta que alastra com o as- 
pecto do maracuj, de folhas ellipticas, 
lustrosas e coriaceas. 

As flores, em cachos e irregulares, 
tem um aspecto estranho ; so carno- 
sas, de cr amarella barrenta, ou de 
gemma de ovo, e cheiro nauseabundo; 
so semi-giaudulosas. 

D este pequeno arbusto um fructo 
com trs azas; este fructo capsular, 
e encerra em si algumas sementes. 

Capoeipat Srauca. V. Brao de 

Preguia. 

Ca|>K*eiva. V. Cabureiba. 

Car. Doscorea hrasiliensis, Willd. 
Fam. das Dioscoraceas . O Car 
uma tubera geral no paiz, natural do 
Par. 

Ella provem de uma planta trepa- 
deira, cujas folhas so cordiformes, 
lizas, de um verde roixeado. 

Suas flores so em cachos, midas 
e esverdinhadas. 

O fructo uma capsula. 

A raiz produz uma batata, ora maior 
ora menor, de forma oblonga, arre- 
dondada e rolia. 



CAR 

Sua casca membranosa, parda, s- 
pera, com pequenos prolongamentos dis- 
seminados. 

A massa compacta, branca, aquosa, 
de sabor um tanto acre-adocicado, e 
macia. 

Come-se o car cozido, mas presta-se 
a outros misteres, bem como extrac- 
o de fcula; pde substituir a fari- 
nha ou o po. 

Tambm cliama-se Inhame da terra 
Ha outra espcie. Dioscorea triloba. 
Vell. 

Caracteres da famlia. As Diosco- 
raceas quasi sempre so plantas sar- 
mentosas e trepadeiras. 

Suas folhas so alternas ou algumas 
vezes oppostas, de nervuras irregular- 
mente ramificadas. 

As flores so hermaphroditas ou uni- 
sexuaes. 

Tem ovrio infero, e adherente a um 
clice, cujo limbo dividido em seis 
lbulos. 

Os estames, em numero de seis, so 
livres ou raras vezes monadelphos, de 
antheras introrsas. 

O ovrio de trs lojas, contendo cada 
uma dois ou mais vulos, ora ascenden- 
tes, ora voltados. 

O fructo uma capsula delgada e com- 
primida, ou uma baga globulosa, al- 
gumas vezes alongada , coroada pelo 
limbo calicinal, e apresentando de uma 
a trs lojas. 

As sementes contm um embryo col- 
locado perto do hilo, no centro de um 
endosperma, quasi crneo. 

Esta pequena familia foi estabelecida 
pelo Sr. Roberto Brown para cbllocar os 
gneros da famlia das Asparagaceas de 
Jussieu, que tem ovrio infero. Taes so 
as Dioscoraceas: Tamus, Rajama, Flug- 
gea^ etc, ete. 

iai'4cla<?a'a. V. Herva 3Ionra. 

CrtPwg-aajitn. V. Gravata. 

um arbusto de Ser- 



CAR 



1S|> 



gipe. 



Caraip ou Carip-earaip. 

Fam. das Legmi7iosas. k.vvoTQ silvestre 
do Par. 

E' de porte grande. 

Sua madeira presta-se s obras de 
carpintaria. 

A cinza desta arvore indispensvel 
n aquella provncia para o fabrico do 
objectos ou utensis de barro. 

Misturam-n'a com o barro, porque d 
a este a necessria consistncia para 
no rachar no fogo. 

Carajurtk do Par/. Alstrcemeria 

peregrina, Willd. Fam. das LUiaceas. 
Planta herbcea de caule recto, e fo- 
lhas deitadas. 
Suas flores so muito elegantes. 
Vegeta no Peru; e seu nome significa 
soberba pela sua formosura. 

Caramfola. itvn-^Oj! Carambola, 
Linn.Fam. das TereUnthaceas. ^^i^ 
arbusto, natural da ndia, no muito 
vulgar no paiz. 

Uma das primeiras provncias que o 
adquerio foi a de Pernambuco, que o 
teve no extincto Jardim Botnico de 
Olinda. 

E' uma elegante planta, ramalhuda, 
de folhagem em palmas. 

As folhas de forma oval oblonga. 

Suas flores, em cachos de um elegante 
colorido purpurino, so em forma de 
Anglica, e midas. 

O fructo de 9 a 12 centmetros, 
de figura oval, terminado, em ponta 
em ambas as extremidades. 

Sua superficie angulosa, tendo as 
arestas dos ngulos salientes; o seu 
exterior coberto de uma pellicula 
fina e diaphana, encerrando uma polpa 
aquosa, esverdinhada, acida, com se- 
mentes ellipticas, de cheiro activo. 

O fructo da cr da polpa; as se- 
mentes so esbranquiadas, e no ex- 
cedem de trs. 

Propriedades medicas. excellente 
refrigerante, calmante e febrfugo. Serve 
para xaropes, limonadas, etc. 



[ Cssasiss. Amgris Carana, Hvmi. 

19 



flSO 



CAR 



CAR 



Fam. idem. uma arvore do porte 
mais ou menos da Almecegueira. 

das regies Amazonicas, e do M- 
xico. 



Propriedades medicas. A resina, que 
negra, leve e luzida, empregada 
nos catarrhos pulmonares, e substitue 
perfeitamente ao Elemi. 

zracGcBaEay. Copernica cerifera., Mart. 
Fam. das Palmaceas. Palmeira do 
paiz, que s cresce nos lugares pan- 
tanosos, e tem um lenho muito duro. 

Cafsap. Xtjlocarpis Crap, Scli- 
rb. Fam. das Meliaccas. E' uma ar- 
vore que vegeta no Amazonas e na 
Guyanna. 

Tem a casca amarella e muito amar- 
gosa. 

As folhas dispostas em palmas ; fo- 
liolos lanceolados. 

As flores em cachos, e de sexos se- 
parados. 

O fructo grande, globuloso como 
um coco descascado, oferecendo quatro 
resaltos , que devidem- se em quatro 
valvas. 

Seu tegumento externo coriaceo ; 
depois d'elle ha um corpo lenhoso, em 
cujo seio se encontra uma poro de 
caroos semi-osseos, angulosos e uni- 
dos uns aos outros, tendo a amndoa 
muito oleosa , da qual se extrahe um 
quinto de leo. 

; E' empregado em diversos usos do- 
.mesticos, e tem a preciosa qualidade 
de afugentar os insectos. 

A casca do Carap empregada pelos 
ndios para combater as febres , com 
bom resultado. 

Cts*sBteB*atBt. Licania timisia. 
Fam. das Chrysohalaneas ou Romceas. 
E' uma planta dos territrios do Ama- 
zonas e da Guyana. Tem os mesmos 
usos do Gajer. 

Ci*a)|tia. Dorstenia arilifolia .^ 
Lamk. Fam . das Urticaceas. Esta J 



planta semelhante a Conra-herta.) e 
tem os mesmos uzos que ella. 

Cai*apitaitt. Alstroemei'ia pulchel- 
la, Liiin. Carlotea., formosssima, Arr. 
Cam. Fan. das Liliaceas. E' uma 
planta herbcea do paiz, que nasce no 
Pianc na serra do Jabre ; semelhante 
ao p .W%cena. 

Suas flores so em pendes como 
Anglicas vermelhas ; d espcies de 
tuberas na raiz, que se comem, e 
passam por boas. 

Carclstsnonto. Amomum Carda- 
momim, Linn. Fam. das Amomaceas. 
Planta da ndia Oriental cultivada em 
nossos jardins, conhecida em Pernam- 
buco pelo nome de Agua de Colnia., 
pela analogia do cheiro. 

E' um arbusto herbceo, cujos cau- 
les so nodosos, cobertos das bainhas 
das folhas, que os abraam, e formam 
como touceira. 

Lana um talo que. floresce, apre- 
sentando uma espiga pyramidal, com- 
posta de botes ovaes, sobrepostos a 
um tecido brilhante, rosado, rubro nas 
extremidades ; cada um d'es3es botes, 
uma futura flor que, abrindo -se, 
de uma s pea, amarella, riscada e 
bonita, com um prolongamento no 
centro. 

Estas flores abrem-se successiva- 
mente. 

O fructo uma vagem de trs lojas. 

Todas as partes d'esta lilanta so 
cheirosas. 

Propriedades medicas. Excitante 
empregado nas clicas flatulentas, em 
p, na dose de 3 decigrammas at 1 
gramma. 

Cardo. Cactus triangularis, L7m. 
Fam. das Cactaceas. Recebem o 
nome de Cardo muitas plantas ; esta 
vegeta beira-mar, quasi rasteira. 

Sua ramificao esgalhada at 48 cen- 
tmetros de altura ; de um porte 
particular. 
verde, succulenta, e guarnecida 



CAR 



CAR 



13 



de espinhos, que fazem as vezes de 
folhas . 

Seu caule herbceo e de forma 
angulosa. 

As flores, que brotam pelo caule, 
so grandes como rosas de muitas 
ptalas estreitas, e de cores muito 
lindas. 

Cardo santo. Argemone mexi- 
cana^ Linn. Fam. das Papaveraceas. 
Este vegetal, que parece ser natural 
do paiz, indgena do Mxico ; no 
obstante acclima-se em nosso solo. 

uma planta de Kj a 1 metro de 
altura . 

As folhas so rentes, com o limbo re- 
cortado, todas cheias de espinhos agudos, 
e maculados de branco. 

Suas flores so amarellas como uma 
rosa simples, sem cheiro, tendo no cen- 
tro uma columna verde, foliacea, coroada 
por uma glndula avermelhada, e cer- 
cada de filetes. 

O seu fructo uma capsula que se 
rompe superiormente, e lana uma por- 
o de sementinhas pretas e redondas, 
que parecem gros de plvora. 

As mais partes d'esta planta exsudam 
um sueco amarello e nauseabundo. 

Propriedades medicas. O decocto 
d'esta planta empregado com proveito 
nas dores de dentes, fluxes de rosto, e 
pleurisias ; as sementes, mui oleosas, 
teem propriedade emtica; so applica- 
das aos asthrnaticos, com bom resultado. 
Seu sueco, amarello e nauseante, nar- 
ctico, e usado sobre os bubes e ulceras 
syphiliticas para acalmar as dores. Tam- 
bm sedativo, e til nas obstrues das 
vsceras abdominaes. 

As flores so somniferas, e as sementes 
anti-asthmaticas. 

CariiaaiViei pa. Arrudaria cerifera. 
Fam. das Palmaceas. O primeiro na- 
turalista que fez a descripo da Car- 
naubeira foi o distincto e celebre bot- 
nico Dr. Arruda Camar, e por esta razo 
tem sido dado a essa palmeira o nome 
de. Arrudaria Cerifera. 



Dez annos depois, e s ento, que 
outro distincto e celebre botnico Mr. 
Martins tambm creou um nome para 
a Carnaubeira, a que chamou Copernica 
cerifera. 

Tendo sido o Dr. Arruda Camar o 
primeiro que descreveu essa palmeira, 
deve-se-lhe conservar o nome de Arru- 
daria. 

E' natural do norte do Brasil, e prin- 
cipalmente das provncias do Rio Grande 
do Norte e Cear. 

Flores monoicas, numerosssimas, ex- 
tremamente pequenas, hermaphroditas, 
sustentadas por um appendice collo- 
cado nas axillas das folhas, e envol- 
vido n'uma espatha delgada. 

Espadice de 1 metro e 30 centme- 
tros a 1 metro e 50 centmetros de 
comprimento, repartindo-se em 3 rami- 
flcacs, das quaes cada diviso e sub- 
diviso munida d'uma espatha par- 
cial cylindrica, que as encerra, 

Espatha da forma de um cartucho, 
secca e membranosa, d'onde partem as 
divises para formar uma panicula. 

A terceira subdiviso se ramifica em 
varias espigas flexveis, alternas, e com- 
posta de diversos ramalhetes de quatro 
flores cada um. 

A flor consta de dois clices: um 
exterior, verde, formado por trs fo- 
liolos de pouca extenso ; outro inte- 
rior, de cr varivel, em forma de co- 
rolla, contendo um tubo curto infundi- 
buliforme (em forma de funil), com trs 
divises na extremidade, e alternando 
com as do clice exterior. 

A corolla, membranosa e secca, des- 
viando-se facilmente do clice exterior, 
traz os rgos da reproduco, que 
contm seis estames muito frgeis e 
curtssimos, ligados dois a dois. 

No fundo d'este tubo ha um ovrio re- 
dondo, terminado por um estyletetenuis- 
simo e muito curto, e acaba em um es- 
tigma nico e ligeiramente entumecido. 

O fructo d'esta palmeira redondo 
e do tamanho de uma avel. cr de 
azeitona no comeo de sua maturidade, 
e azul violeta, quasi preto, quando est 
maduro. 



1355 



CAE 



CAR 



rodea lo d'uma polpa doce pouco 
abundante, e coberto de um epiearpio 
vtreo muito lustroso . 

O caroo contm no interior uma 
amndoa, que lhe 6 adherente. 

O caroo assim como a polpa for- 
nece um alimento muito sadio, procu- 
rado pelos naturaes do paiz. 

Quando os fructos chefiam a certo 
gro de maturidade, torram-se e pi- 
sam-se ; o p que assim se obtm 
da cr do caf, tem um cheiro agra- 
dvel, e lembra o da fava do cafeseiro. 

N'este estado, o caroo da Caruattba 
produz uma bebida que, misturada 
com o leite, saudvel e nutritiva, 
sem ser muito agTadavel ao paladar. 

O espique, completamente cylindrico 
e direito, attinge at IG metros de 
altura, e uma grossura que varia 
entre 30 a 50 centmetros de circum- 
ferencia. 

EUe finaliza por uma touca de folhas 
dispostas de maneira que formam uma 
figura oval perfeita, o que torna esta 
palmeira uma das mais bellas arvores 
de sua espcie. 

Os restos dos peciolos das folhas 
que cahem, guarnecem o tero infe- 
rior do caule, no qual formam seis ou 
oito espores regulares. 

O resto do tronco, desembaraado 
de todo o peciolo, naturalmente liso, 
conservando apenas as marcas de in- 
sero dos peciolos. 

A parte su.perior do espique contem 
uma substancia medular, parenchyma- 
tosa d'onde nascem as folhas. 

Esta parte terminal (palmito, ou couve 
palmito) produz um alimento delicado 
e muito substancial. 

Ao destacarem-se da extremidade do 
espique as folhas, em numero de seis 
a oito, crescem perpendicularmente 
unidas todas por uma resina, que as 
conserva apertadssima. 

Os peciolos ficam separados, mas as 
folhas reunem-se no alto , e formam 
assim um corpo oblongo delicado, em 
seguimento ao caule. 

Estas folhas abrem e se expandem 
debaixo da presso de um novo grupo 



cnico central que ser por sua vex 
alargado por terceiro grupo e a&sim por 
diante. 

Estes grupos de folhas abrindo-se 
formam ao redor da palmeira uma serie 
continuada de leques, dos quaes os mais 
velhos se abatem em direco ao tronco. 

O interior dos novos grupos de folhas 
amarello claro, n'este ponto de seu 
desenvolvimento. 

D'e3tas folhas retira-se uma matria 
secca, pulverulenta, cor de cinza, qu 
cobre sua pagina interior, e exliala uni 
cheiro particular, delicado e agradvel. 

Esta matria a cera vegetal. Ella 
se destaca das folhas ao menor abalo, 
quando estas comeam a abrir; mas 
logo que o leque est estendido, o mesmo 
movimento produzido pelo vento suf- 
ficiente para fazer desapparecer este p. 

As folhas que tem atingido todo o 
seu desenvolvimento pendem em roda 
do caule em forma de chapo de sol ; 
ellas so ento de um verde claro , e 
seccam antes de cahir : depois so cr 
de palha. 

Os peciolos, ordinariamente de 1 me- 
tro e 30 centmetros, sofrem as mesmas 
mudanas de cr que as folhas ; mas 
a parte que se liga ao tronco de cr 
vermelha, e apresenta o aspecto pouco 
mais ou menos da extremidade larga 
de um antigo taco de bilhar; na ex- 
tremidade livre, a partir dos 2 teros 
de sua altui"a, elles so guarnecidos 
de duas ordens de espinhos negros, 
fortssimos, achatados, e encurvados a 
maneira de arpo afiado, semelhante 
a essa espcie de lana chata , guar- 
necida de pontas de ambos os lados, 
que se estende alm da bocca do peixe 
chamado serra. 

Como todas as palmeiras, a Car- 
naueira no tem raiz mestra para fi- 
xar-se na terra ; prende-se a esta por 
meio de raizes numerosssimas, dis- 
postas horisontalmeute em roda da ex- 
tremidade inferior do tronco. 

Estas raizes se estendem a grandes 
distancias, porm penetram pouco pro- 
fundamente na terra; tem a cr e 
grossura da raiz da salsaparrilha. 



CAR 



CAR 



1S 



Esta palmeira cresce algumas vezes 
nos terrenos areientos ; mais geralmente 
nos terrenos salinos denegridos, de se- 
dimento, completamente nivelados pela 
oecupao das aguas, em epoclia mais 
ou menos afastada. 

Os valles, as margens dos rios e das 
lagoas so os lugares que lhe con- 
vm. 

Nunca se encontra a Carnaubeira nas 
alturas, nem ainda nas ondulaes ca- 
suaes de terrenos. 

Ella evita igualmente a visinliana de 
outros vegetaes de grande altura; pelo 
que no se v, em planices de Carnau- 
beira^ alm d'esta palmeira, mais do que 
grupos de arbustos dispostos em de- 
(dives naturaes. 

As aguas da chuva, em consequncia 
da disposio do terreno em superfcie 
plana, amontoam camadas de caroos de 
carnaba de distancia em distancia, e 
rom elles cobrem s vezes grandes ex- 
tenses de terreno. 

As tenras plantas brotam assim to 
juntas que formam um bosque impe- 
netrvel. 

Assim, esta maneira de crescer em 
phalange, como os dardos de que os 
peciolos so guarnecidos, parecem ter 
por fim a proteco mutua das plantas 
novas contra os ataques das numerosas 
espcies de animaes to vidos do pal- 
mito, e que as destruiriam infallivel- 
inente sem esta solicitude da natureza. 

Este modo de crescimento das tenras 
Carnaubeira tem comtudo o inconve- 
niente de impedir o prompto desenvol- 
vimento da planta. 

Esta palmeira gosta dos lugares seccos 
ou ao menos dos terrenos que ficam em 
secco na maior parte do anno, posto 
que sugeitos a serem regados por inun- 
daes peridicas; ella resiste perfei- 
tamente s invases prolongadas das 
aguas, com tanto que no cubram in- 
teiramente a parte inferior do tronco. 

Ento forma-se em roda do p uma 
espcie de orla produzida pelas raizes, 
e destinada a elevar o terreno, e a ga- 
rantir assim o caule d'uma demasiada 
infiltrao da humidade. 



E' o que se observa nos lugares que 
experimentam grandes inundaes, taes 
como certas partes do lugar chamado 
Carit^ da comarca do Crato no Cear, 
e principalmente nas margens do lago 
Parnagu, no Piauhy. 

Este lago, d'uma extenso de 25 
kilometros pouco mais ou menos, foi 
formado por uma depresso de terreno 
em fins do ultimo sculo. 

Antes do abalo que deu nascimento 
a esta colleco d'aguas, o valle de 
Parnagu estava coberto de uma flo- 
resta de Carnaxibeiras. 

Via-se ainda, ha alguns annos, em 
certas partes pouco profundas, alguns 
troncos do mesmo vegetal cercados de 
raizes. 

As palmeiras, cujo tronco no foi 
totalmente coberto pelas aguas, pu- 
deram resistir com o soccorro da orla 
de que acabo de fallar. 

A Carnaiibeira apresenta outro phe- 
nomeno ainda mais digno d'observao : 
que a secca a mais prolongada, con- 
vm perfeitamente ao seu crescimento, 
e desenvolvimento no Cear, e lugares 
circumvisinhos, onde no chove nunca 
durante seis mezes no anno, isto 
durante a estao chamada vero pelos 
naturaes do paiz : a Carnaubeira exhibe 
um poder vegetativo dos mais vigoro- 
sos, justamente n'esta estao quente 
e privada d'agua. 

No tempo da secca a maior parte das 
arvores, arbustos e sub-arbustos despo- 
jam-se das folhas ; as Gramineas seco 
e so levadas pelo vento; a terra das 
plancies argilosas, perdendo a humi- 
dade, abre fendas de perto de 20 cent- 
metros de profundidade. 

No meio d'esta scena tristonha, seme- 
lhante que oflferecem os invernos nas 
zonas temperadas, vm-se florestas im- 
mensas de Carnauheras em prospera ve- 
getao. 

A extraco da cera da Carnaba est 
calculada , nas duas provncias , em 
3.560,000 kilogrammas ; parte d'esta cera 
consome-se na fabricao das vellas, e 
outra parte exportada para as demais 
provncias do Imprio. 



i:i4 



CAR 



CAR 



No nos consta que esta cera tenha 
grande extraco na Europa ; porem no 
Imprio geralmente usada na illumi- 
nao domestica. 

Depois da extraco da cera aprovei- 
tara-se as palhas para fabricao de cha- 
pos, esteiras, vassouras, capachos, e 
cordas, conhecidas pelos indgenas por 
iicum ou tucum de Carnaba. 

As mesmas folhas prestam-se ao fa- 
brico do papel, e seria uma grande fonte 
de riqueza se se aproveitassem esses 
montes de folhas , que ordinarimente 
so queimadas depois da extraco 
da cera. 

A madeira conservando-se sombra, 
ou empregada em esteios, duradoura 
e incorruptvel. 

Na maior parte das construces do 
Rio Grande do Norte e Cear, no se 
emprega outra madeira seno a da 
Carnauieira. Tambm se presta para 
certas obras de marceneria, para ben- 
galas, etc, etc, 

muito dura, e d'um amarello ver- 
melho, com veios pretos, susceptvel 
d'um bello polido ; oferece manchas 
pretas, que produzem bello efeito. 

Propriedades medicas. As raizes 
so usadas nas afeces cutneas, e 
nos accidentes syphiliticos, na dose de 
30 grammas para 500 grammas d'agua, 
em cosimento. 

CarBiiiiciila. Gnilandina spitio- 
sissima. Fam. das Leguminosas. 
um arbusto do paiz, que no tem mais 
de 1 metro de elevao, conhecido era 
Pernambuco por este nome. 

Seus caules formam touceira. 

Todas as suas partes so eriadas 
de espinhos cerrados, tornando quasi 
impenetrvel a entrada na sua tou- 
ceira. 

As folhas so ellipticas, dispostas em 
palmas, e cheias de espinhos. 

As flores, em cachos pequenos, tam- 
bm com espinhos, so amarellas, com 
cheiro suave, e de cr desbotada. 

O fructo uma vagem quasi re- 
donda, um pouco deprimida, de cr 



de castanha, e to eriada de espinhos, 
que custa pegar-se n'ella ; abre-se na- 
turalmente em duas valvas coriaceas, 
contendo duas sementes lisas, arredon- 
dadas, ovaes, um tanto deprimidas, de 
cr cinzenta esverdinhada , e muito 
duras. 

So empregadas como desobstruentes 
das vsceras abdominaes. 

Esta espcie vegeta no littoral, e 
gosta da beira-mar. 

Caro ou Caroat. Bromelia 
vanegata., Arr. Cam. Fam. das Bro- 
meliaceas. planta herbcea, habi- 
tante dos sertes das provncias do 
Norte, e por esse nome conhecida. 

No tem caule ; um molho de fo- 
lhas ensiformes, de 1 a 2 metros de 
comprimento, bordas reviradas, cilia- 
das, lanando do centro uma vergon- 
tea de 66 a 88 centmetros, da qual 
brotam flores em cachos, de um azul 
purpurino ; tendo por fructo uma baga 
oval, medindo 27 e % millimetros, a 
qual encerra algumas sementes. 

A ptria d'esta planta o valle de 
S. Francisco at o Cear, onde espe- 
cialmente floresce. 

Fornece bom linho, segundo o Dr. Ar- 
ruda Camar. 

Car oba. Bignonia brasiliana, Lamk. 
Jacarand brasiliana., Personn. Hor- 
delestris syphilitica^ Arr. Cam. Bigno- 
nia Copaia , Auble Fam. das Bigno- 
niaceas. Arbusto trepador, de folhas 
ou galhos oppostos. 

As folhas so em palmas oblongas. 

As flores em cachos, amarellas, e cam- 
panuladas, simulando cornetas. 

O fructo uma vagem pequena, con- 
tendo gros achatados. 

A casca d'este vegetal , e de outros 
da mesma famlia, contem um princpio 
amargo, e adstringente. 

Propriedades medicas. As folhas 
da Caroba empregam-se contra as bou- 
bas, a syphils, as escrophulas, quer se 
manifestem por hereditariedade , quer 
sejam adquiridas, especialmente contra 
as aff'ecces cutneas chronicas. 



CAR 



CAR 



13S 



Faz parte da celebre massa antibou- 
batica de Joo Alves Carneiro. 

Internamente 8 grammas para 875 
grammas d'agua, em decoco. 

. Caro9>a lraiica. Sparratosperma 
lithontriplimm, Mart. Bignonia leucan- 
ta , Vell. Fam. idem. Esta planta , 
congnere das carobas , tem a mesma 
virtude depurativa, diurtica e lithon- 
triptica. 

Propriedades medicas. E' um re- 
mdio prodigioso, usado desde remotas 
eras pelos ndios do Brasil como o ver- 
dadeiro purificador do sangue, nas af- 
feces diathesicas. 

Caroba de lr verde. Cy- 

histax anti-syphilijica, Mart. Bignonia 
qninquefolia, Vell. Fam. idem. 

Propriedades medicas. Esta Caroba 
um anti-syphilitico ; mas empre- 
gada tambm na reteno das ourinas, 
e nas hydropisias. 

Fazem-se loes, nas ulceras syplii- 
liticas, com o cosimento de suas folhas. 

O infuso se prepara na proporo de 
4 grammas para 500 grammas d'agua. 

Caroba guyra. Bignonia pur- 
gans. Fam. idem. Esta espcie de 
Caroba, segundo Eidel, tem a raiz 
purgativa, e muito usada no alto 
Amazonas. 

Caroba da niiiida. Hordelestris 
undulata., Arr. Cam. Fam. idem. 
A este arbusto tambm chamam Caro- 
binha, oa Casco de cavallo. 

Caroba (outra espcie). Jacarand 
p'0cera, Spreng. Fam. idem. 

Propriedades medicas. Esfoutra 
espcie de Caroba tambm anti- 
syphilitica. 

Suas folhas so empregadas contra 
a syphilis, em cosimento. 

Applica-se tambm sobre as ulceras 
syphiliticas, polvilhando-as cora o seu 
p. 



Caroba paiilistaii. Jacarand 
exiphylla. Fam. idem. Tem os mes- 
mos usos do Jacarand procera; todas 
estas Carobas tem mais ou menos as 
mesmas virtudes, e so, alm de anti- 
syphiliticas, diurticas e purgativas. 

Carola aia. Andenanhera pavonia, 
Linn. Fam. das Leguminosas. Arvore 
da ndia cultivada no Brasil. 

uma frondosa arvore, de folhas em 
palmas midas. 

Flores brancas e pequeninas. 

O fructo uma vagem comprida, 
contendo sementes redondas e verme- 
lha.s, que parecem vidradas. 

As folhas so antirheumaticas, e as 
sementes comem-se cosidas. 

Os chins ou os ndios das Mololucas 
fazem com elles enfeites e ornamentos 
de pescoo. 

Esta planta tambm tem o nome de 
Conors. 

Carqueja aiiiarg:osa. Baccharis 
triptera., D. CCacalia amara, e C. decur- 
rens, Vell. Fam. das Compostas. Esta 
espcie de planta vegeta no Rio de Ja- 
neiro, em b. Paulo, no Rio-Grande do 
Sul, e em Minas. 

Propriedades medicas. um tnico 
e anti-febril muito empregado; d-se 
nas dyspepsias e diarrhas, em cosi- 
mento adoado com o xarope de casca 
de laranja. 

O infuso se prepara com 12 grammas 
da planta para 459 grammas d'agua. 

O extracto d-se na dose de 2 grammas. 

E' tambm til nas obstruces do 
fgado. 

Carcfiieja loee. Baccharis Gav- 
dichaudiana, D. C. Cacalia , sessilis, 
Vell. Fam. idem. Estti espcie vi- 
sinha da outra, e torna-se recommen- 
davel pelas suas propriedades tnicas 
e anti-febris. 

E' muito usada na arte veterinria 
contra as molstias chronicas. 

Cnvrupato. Carrapateiro , ou 



ff36 



CAR 



CAR 



flainnxta. Richms communis, Linn. e 
Spl. Fam. das EupJiorbiaceas. E' um 
arbusto agreste, originrio da ndia e 
da Africa, segundo dizem os autores. 

Cultivam-no no Brasil , onde co- 
nhecido por um e outro nome, dos quaes 
o primeiro o de um insecto do paiz, 
que se agarra aos animaes e aos ho- 
mens, causando grande incommodo. 

O Carrapato cresce at 4, 5 metros e 
mais; esgalhado, seu tronco no- 
doso e oco. 

O lenho brando e alvo. 

As folhas em forma de palmas , ou 
circulo dividido em lacinas, e com pe- 
ciolo fistuloso. 

As flores, em cachos rolios, so ou 
parecem feixes de filetes reunidos. 

O fructo uma noz redonda achatada, 
de gommos, apresentando um tegumento 
herbceo exterior, e trs lojas cnicas, 
em cada uma das quaes se aloja uma 
semente quasi oval, brilhante, cinzenta 
6 coroada por um corpo carnoso. 

A amndoa d'esta semente mui oleosa. 

Os fructos estalam quando maduros, e 
lanam as sementes por terra. 

donde se extrahe o leo de rcino 
da Pharmacia. 

Ha quatro espcies de sementes de 
rcino, a saber: pequena, grande, ver- 
melha e branca; da pequena que se 
extrahe maior quantidade de leo. 

Propriedades medicas. As folhas do 
Carrapateiro so tidas como emollentes, 
e seu cozimento empregado contra os 
tumores, em banhos. O leo, que d'elle 
se extrahe, o leo de rcino, muito usado 
internamente na dose de 30 a 60 gram- 
mas, como purgativo. 

Cpri|eiro uiolle. Ricimis. 
Fam. idem uma espcie seme- 
lhante ao Carrapateiro grande, tendo s 
a differena de ser o tecido exterior da 
semente tnue, de sorte que facilmente 
com um palito se atravessa a sua amn- 
doa; por isso que a populao pobre 
do serto enfia uma poro de sementes 
successivamente em um ponteiro, e ac- 
cendendo-o serve-se d'elle como vella. 



conhecido em Pernambuco por esse 
mesmo nome. 

CnrrKpieliiiilao. Urena sinuata, 
Linn. Fam. das Mahaceas. Monadel- 
pMa Polyandria, Linn. Esta espcie 
oriunda do paiz um arbustinho que 
vegeta francamente pelas bordas dos 
caminhos, ruas mais desertas e qun- 
taes. 

esgalhado, cresce pouco, at 1 a 2 
metros, ou pouco mais. 

As folhas so meio lobadas,e mui ba- 
as. 

As flores so de cr de rosa viva, e bo- 
nitas, mas sem cheiro. 

O fructo secco, quasi como o quiabo, 
porm menor, e abre-se da mesma forma; 
tem sementes verdes, redondas, acha- 
tadas. 

Tambm o chamam Quiabo bravo, e nas 
Alagoas Carrapicho. 

uma das espcies que do matria 
prima para cordoaria. 

As folhas usam-se contra tosse, em 
infuso. 

CaB*Fai>ifIto. Urena sinuaa, Arr. 
Cam. Fam. das Mahaceas. E' conhe- 
cida em Pernambuco por este nome ; no 
Rio de Janeiro, Minas e S. Paulo, pelo 
de Guaxima. 

A casca dessa planta separa-se facil- 
mente, deixando-amacerar durante quin- 
ze dias. 

D'ella se faz corda, que emprega-se 
em diversos uzos. 

CarrapieSto d'aiullia. Coreo- 
psis tricornea. Fam das Compostas. 
Esta espcie, conhecida por este nome 
em Pernambuco, no Par, e talvez nas 
mais provncias do Norte, uma ele- 
gante herva que cresce nos quintaes e 
matos adjacentes. 

Sua altura chega at 8S centmetros 
pouco mais ou menos. 

Seu caule, ora esverdinhado, ora ro- 
xeado, esgalhado, com folhas recor- 
tadas em forma de pequenas palmas. 

As flores, amarellas e midas, tero 
um pequeno clice verde, bordado de 



CAR 



CAR 



137 



Iblhinas amarcllas em redor, com um 
aggregado de outras folhinhas no centro. 

Tem pouco cheiro. 

O fructo uma pequena capsula 
comprimida e preta, tendo no pice 
trs aguilhes, que se apegam roupa. 

E' dolorosa a sua picada. 

Propriedades medicas Esta planta 
passa por um infallivel remdio para a 
ictercia; usa-se interna e externamente. 

Carrapiclio beio tie boi. 

Desmodium diureticum. Fain. das Legu- 
minosas. Herva agreste oriunda do 
paiz, e conhecida em Pernambuco por 
tal nome. 

Alastra levantando a parte superior 
dos ramos, que so castanhos ; com fo- 
lhas compostas de 3 foliolos ovaes. 

As flores so roixas, e em caixinhos, 
que parecem pequenas borboletas. 

O fructo uma vagem pequena com- 
prida, recta d'um lado, e d'outro for- 
mando salincias e depresses. 

Em cada diviso encerram-se uns 
grosinhos. 

Toda a planta tem um pello mui 
curto. 

O fructo adhere roupa, e mesmo 
ao corpo dos animaes ; agarra-se por 
exemplo, aos bois, mormente nos beios, 
quando aquelles pastam. 

Esta herva applicada domestica- 
mente nas gonorrhas. 

Na Bahia conhecida por Papo de 
Peru. 

Cetri*apiebo de eaSt*ala. Tri- 

%mfeta semitriloba. Fam. das Tiliaceas. 
Planta do paiz de folhas alternas, de 
base oval, trilobada, e flores amarellas. 

O fructo uma capsula redonda, es- 
quinada, com espcies de espinhos. 

O decoto empregado em injeces 
contra as gonorrhas. 

Dos ramos tira-se uma filaa, de que 
se fazem cestinhas, etc. 

Ha ainda : Triumfeta eriocarpa, St. 
Hil. Triumfeta lappua, Vill Triwm- 
feta sepitim, St. Hil. Triumfea hete- 
rophi/lla., Lamk. 



Carrasco. Cambessederia, umbeli- 
cata. Fam. das Melastomaceas. Ar- 
busto agreste, que abunda nas provn- 
cias do norte do Brasil, e borda as 
estradas. 

por- este nome conhecido nas Ala- 
goas, e no interior. 

uma planta de porte mediano, 
ramosa. 

Caule coberto de pennugem esbran- 
quiada. 

Folhas ovaes, lustrosas, de verde es- 
curo por cima, e esbranquiadas na 
parte inferior. 

Os pednculos regulares. 

Flores brancas e pequenas. 

Os fructos como pequenos glbulos 
arroxeados, com uma polpa, envol- 
vendo sementes midas. 

Toda a planta cobre-se de um pello 
macio e louro, que esconde s vezes 
os rgos da fructificao. 

Caruru. V, Bredo Ca^-ur, e tam- 
bm Bredo macUo. 



Caruru azedo. 



V. V7iagreira. 



Cariirti da matta o^i verine- 
llao. Amaranthus melanchoUcus ., Linn. 
Fam. das Amaranthaceas . Herva 
conhecida nas Alagoas por este nome. 

agreste, de folhas oblongas, inse- 
ridas em um caule pequeno, suecu- 
lenta, com os peciolos longos, e in- 
feriormente roxos 

Brota sobre o pednculo um boto 
herbceo quadrangular, alado, que tem 
no centro uma reunio de muitas flo- 
res miudissimas, como tambm so as 
sementinhas. 

Caruto. Genipa caruto, Kunth. 
Fam. das Rubiaceas. O Caruto como 
um Jenipapeiro ordinrio, que d no ter- 
ritrio de Cayenna e no Rio Negro. 

indgena do paiz; suas folhas so 
grandes, ovaes, obtusas, Insidias por 
cima, um tanto speras por baixo. 

O fructo d uma tinta, com que os 
ndios tingem o corpo, principalmente 
o rosto. 





flSH 



CAS 



CAS 



O poyo de Carthagena chama-lhe Estas sementes teem o embryo erecto 



Xagu. 

Ca^ira aniai^jL^osa do Alwra- 
iilio. V. Guereroha de remo. 

Caset d' Anta. Drymis Winteri. 
Fam. das MagnoUaceas. Arvore silves- 
tre de Minas Geraes, e S. Paulo. 

Suas folhas so grandes, ovaes, suc- 
culentas, e aggregadas nos ramos. 

As flores so igualmente grandes. 

EUa floresce em Fevereiro e Setembro. 

Os habitantes d'aquenas provncias 
empregam a sua casca como estimu- 
lante e tnico. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia composta de grandes e bellas 
arvores, ou de arbustos elegantes, ador- 
nados de lindas folhas alternas, quasi 
sempre coriaceas e persistentes , pro- 
vidas na base de estipulas foliaceas. 

As flores espalham um suave perfu- 
me; so quasi sempre muito grandes 
e geralmente axillares. 

O clice se compe de trs a seis 
sepalas frgeis. 

As ptalas variam de trs a vinte e 
sete, formando alguns verticillos. 

Os estames, mui numerosos e livres, 
so dispostos em diversas ordens e li- 
gados ao receptculo , que sustem as 
ptalas. 

Os pistillos numerosos, ora reunidos 
circularmente, e sobre uma nica ordem 
no centro da flor , ora formando um 
capitulo mais ou menos dilatado. 

Esses pistillos so compostos de um 
ovrio unilocular, contendo um ou mais 
vulos, de um estylete apenas distincto 
e de um estigma simples. 

Os fructos so carpellas seccas ou 
carnosas, reunidas circularmente sob a 
forma de uma estrella, ou dispostas em 
captulos, e algumas vezes todas ligadas 
entre si. 

Cada carpella indehiscente, ou se 
abre por uma sutura longitudinal ; e 
as sementes so algumas vezes sus- 
tentadas por um trophosperma suturai 
e filiforme, que pende para fora quando 
o fructo se abre. 



em um endosperma carnoso. 

Casca doc*e. Andradea dulcis. 
Fam. idem. Planta do Par. 

Caea de laraiajeiru da terra 

Evoia febrfuga. Fam. das Rutaceas. 
Esta arvore natural de Minas-Geraes. 

E' amarga, tnica, febrfuga. 

Aconselha-se como succedanea da 
Quina. 

Casca para tudo. Cinamoden- 
dron axillare, Mart. Fam. das Laura- 
ceas. A casca d'esta planta, amarga, 
natural do Brasil, onde existem duas 
espcies, que passamos a descrever. 

Al.'* espcie do Para-tudo tem a casca 
larga pouco arqueada, da grossura de 5 
millimetros, no comprehendendo a ca- 
mada cortiosa. 

Ella leve, quebradia e granulosa, 
de um amarello cr de laranja ; a parte 
interior coberta de uma pellcula fina 
e esbranquiada. 

A camada cortosa da grossura de 
2 a 3 millimetros, profundamente gre- 
tada, e facilmente se separa do lber, 
exteriormente cinzenta, e interiormente 
de cr verde amarellada ; parece for- 
mada de camadas concntricas, nume- 
rosas e mui ligadas. 

A casca de um sabor amargo. 

A segunda espcie do Para-tudo tem 
a casca larga, mais composta que a 
da precedente, da grossura de 1 mil- 
limetros quando muito, quebradia ; 
um pouco avermelhada e granulosa, 
excepto a parte interna que formada 
de algumas laminas finas, muito fibro- 
sas e de uma cr cinzenta escura. 

A camada cortiosa da grossura 
de 2 millimetros, adherente ao lber, 
rugosa e gretada, de textura seme- 
lhante da cortia, e tendo como ella 
as fibras perpendiculares s do lber. 

Esta casca de sabor extremamente 
amargo . 

Propriedades medicas. E' empre- 
gado o Para-tudo contra o fastio, de- 



CAS 



CAS 



13S 



bilidade geral, diarrha, febres inter- 
mittentes, mordeduras de cobras, etc. 
Internamente, 8 grammas para 90 
grammas d'agua, em cosimento. 

Casca gireciosa. Mespilodaplme 
fretiosa^ Mart. Cryptocarea fretiosa. 
Fam. das La%raceas. Esta planta 
abundantssima no Rio-lNegro. 

Sua casca aromtica e excitante. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada na asthenia nervosa por abuso 
dos prazeres venreos, nas dores sy- 
philiticas das articulaes, e nos ca- 
tar rhos chronicos. 

D-se em infuso, e cosimento, inter- 
namente e em banhos. 

Ca^carrilSia. Croton Cascarrilla^ 
Linn. Fam. das Euphorbiaceas. E' um 
arbusto oriundo do Peru, do Paraguay 
e do Brasil ; tem pequeno porte, 
muito esgalhado e esbranquiado. 

Seus ramos e folhas so cobertos de 
pello macio e estrellado, sendo as folhas 
lanceoladas e pequenas. 

As flores, em espigas, midas e es- 
verdinhadas. O fructo de trs quinas, 
e trez caroos. 

A casca d'este vegetal objecto de 
commercio para a Europa : ella tem 
cheiro activo e resinosa : d'ella se 
extrahe um leo voltil de cheiro suave. 

Suas propriedades so comparadas s 
da Quina ; tnica e obra como esti- 
mulante enrgico. 

Casca cri III a falsa. V. Qvna do 
Rio de Janeiro. 

Casaco de eavallo . Barharier 
ondulatus. Planta de Pernambuco em- 
pregada contra as bobas. 

Ca9i<|iiiii3io. uma planta in- 
dgena, que d uma fructa redonda de 
55 millimetros de comprimento, de cr 
amarella, quando madura, e semeada 
de pontinhos translcidos. 

tenaz, tem cheiro activo, e contem 
dentro uma massa amarella, esponjosa 
e aquosa, com um caroo oval no centro. 



Cassatiii^a de esplnlio. Y. 

Catota de esi^inlio. 

Cassatin;a niania. Solanum 
anilatum. Fam . das Solanaceas. Ar- 
busto silvestre conhecido nas Alagoas 
por este nome. 

Suas folhas so em forma de mouta, 
e cahem umas sobre as outras; ellas 
so cobertas de um pello macio e branco 
de cr verde azulada, estreitas e midas. 

As flores em cachinhos e de cr 
roxa clara. 

D um fructo de 27 a 28 millime- 
tros de comprimento, redondo, esver- 
dinhado, coberto de pello, e que con- 
tem muitas sementes pequenas envoltas 
em uma massa aquosa. 

No se come, 

Castanha do Par ou do Ma- 
ranho. Bertholletia excelsa., Eumh. 
e Bomi). Fam. das Myrtaceas. Arvore 
gigantesca e habitante do Par e do 
Maranho, de tronco erecto, cylindrico, 
elevando-se a mais de 32 metros de al- 
tura, alcanando um dimetro de '/4 a 1 
metro e mais. 

Ramos muito compridos, com as ex- 
tremidades vergadas para baixo, muito 
foliosos. 

Folhas alternas, grandes, curtamente 
pecioladas, oblongas e quasi coriaceas, 
inteiras; face superior de bella cr ver- 
de, e inferior esbranquiada, e apresen- 
tando nervuras ou veios transversaes. 

O fructo uma noz espherica, do tama- 
nho da cabea de uma criana, e ainda 
maior; verde, lisa e quadrilocular, con- 
tendo muitas sementes. 

Sarcocarpo fino; peri carpo muito so- 
lido cheio de sulcos ram osos, e com seis 
linhas de espessura. 

Sementes fixas a um trophosperma 
central pela extremida de inferior, sendo- 
cada uma envolvida por dois perisper- 
mas: um exterior rugoso, cr de ca- 
nella clara, formado de duas laminas 
de consistncia lenhosa, e outro inte- 
rior, mais fino que o precedente, e tam- 
bm formado de duas laminas tran.spa- 
rentes, estreitamente unidas. 



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CAT 



CAT 



Amndoa oblong:a, trianp:ular, de an- 
^ulos obtusos ; 6 branca tendo muita 
analogia com as amndoas da Europa. 

Estas amndoas s-Sg excellentes para 
comer-se, e de sabor exquisito; podem 
perfeitamente substituir as amndoas 
loces. 

Ca^ra cia iiiatta. Arvore do paiz. 

Catiiij^^a tic iiiaeatM l>i*Mva. 

Stizolohium pungens. Fam. das Legnrai- 
nosas. Arbusto trepador, aggreste, co- 
nhecido por este nome em Alagoas e Per- 
nambuco. 

Seus caules trepam sobre outras plan- 
tas. 

As folhas trifolioladas,subangulosas e 
pillosas. 

As flores em feixes, de roxo escuro azu- 
lado, como a flor do feijo, e sem cheiro. 

O fructo uma vagem rolia, e achata- 
da de um lado, coberta de pellos longos, 
bastos e picantes, que produzem dr 
como a de queimadura, na pelle ; encerra 
sementes como gros do feijo, mas com 
o ponto de insero mais dilatado. 

CatSiig:a Siraiiea. Senharia iin- 
ctorium, Arr. Cam. Fam. das legumi- 
nosas. Arbusto que abunda em Per- 
nambuco, na Parahyba e no Cear. 

As folhas e a casca tm um cheiro 
agradvel, que se assemelha ao do Cravo 
da ndia. 

Ella se acha com abundncia nos ser- 
tes. 

Produz pela ebuUio uma tinta de 
cr amarella, muito usada na arte da 
tinturaria. 

Propriedades medicas. O decocto 
empregam-no para curar as sarnas, em 
loes. 

Calina de iiiaeac Buasisa. 

Dyphisa flava. Fam. idem. - Arbusto 
trepador natural do paiz, que em qual- 
quer matto se encontra. 

E' conhecido em Alagoas, Pernam- 
buco e Sergipe por este nome; tam- 
bm o chamam Fava brava. 



Caule delgado ; folhas trifolioladas, 
e semi-angulosas na forma, cobertas 
do lima espcie de coto. 

Flores, reunidas em espigas, so quasi 
azues, midas, e tm algum aroma. 

O fructo uma vagem cliata, de 66 
a 88 centimetros de comprimento, es- 
treita e vinculosa ; as bordas so semi- 
recortadas, de cr parda, e as sementes 
so castanhas como as do feijo. 

Esta planta trepa pelas outras ; u 
cosimento d'ella applicado em ba- 
nhos aos animaes atacados de piolhos. 

Catiitj^a de iiiiilatu. Lxicas 
martinicensis., Bentli. Stachys fluminensis, 
Vell. Stachys recta. Fam. das Labiadas. 
E' um arbusto de folhas cordiformes, e 
flores amarellas. 

Propriedades medicas. Elle em- 
pregado como anti-hysterico, e nas dores 
arthriticas. 

O cozimento applica-se em banhos 
como anti-rheumatico. 

As flores so carminativas ; d-se em 
infuso. 

dtints^\ 5 laea. Elosagnus ca- 
tinga. Fa7n. das Tliymeleaceas . Arvore 
silvestre conhecida por este nome nas 
Alagoas. 

Suas folhas so oppostas no ponto de 
insero; tem um aroma enjoativo. 

Suas flores so semelhantes a pequenos 
botes, cujo fructo menor que um ara 
ordinrio, encerrando 2 ou 3 sementes 
de tamanho regular. 

Caracteres da famlia. Arbustos, 
raramente plantas herbceas, de folhas 
alternas ou oppostas, inteiras, tendo as- 
flores terminaes ou axillares em forma 
de sertulas, de espigas solitrias, ou reu- 
nidas no centro das folhas. 

O clice geralmente colorido e petn- 
loide, mais ou menos tubuloso, de quatro 
ou cinco sepalas embricadas antes de 
desabrochar. 

Os estames geralmente em numero de 
oito, dispostos em duas ordens, ou de 
quatro, ou simplesmente de dois, so in- 



CAT 



CAT 



144 



seridos, e em geral sesseis, nu parede 
interna do clice. 

O ovrio unilocular, e contm um 
s ovulo pendente. 

O estylete simples, terminado em 
um estigma igualmente simples. 

O fructo uma espcie de no/ ligeira- 
mente carnosa por fora. 

O embrj^o, que voltado como a se- 
mente, est contido em um endosperma 
carnoso e delgado, e tem a radicula su- 
perior. 

Os gneros principaes d'estH famlia 
so Daphne, Stellera, Passerina, Pimelea, 
etc . As Daphnaceas formam um pequeno 
grupo muito natural . que differe das 
Eleagneas pelo ovulo pendente, e no 
erecto, e, das Santalaceas, pelo ovrio 
livre e uniovulado. 

Catiiag: tle jioreo. V. Cip ca- 
tiiiga de porco. 

Catiii^iaa ou CatiiKsia. Tri- 
chilia catigua., St. Hil. Fam. das Me- 
liaceas. E' uma arvore silves-tre que 
cresce em Minas Geraes. 

E' de grande altura. 

Suas folhas so dispostas em palmas. 

As flores, amarellas, em cachos. 

O fructo capsular. 

O lenho d'esta arvore avermelha- 
do. 

Ha trs espcies : florescem em Abril. 

Cat n; a ei i*a . Coesalpinia . Fam. 
das Leguminosas. E' uma planta do 
paiz, da qual se extrahe uma bella tinta 
amarella. 

Catiiig;iieit*a I>a*av. Croton. 
Fam. das Euphorbiaceas. Esta espcie 
tambm d uma tinta amarella, digna 
de ser utilisada na tinturaria. 

Crttoj. V. Herva de Santa Maria 
ou, Caapeba. 

Catol Rhapis paramidata. Farn. 
das Palmoxeas. E' uma palmeira, de 
altura mediana, de 31 a 33 metros 
pouco mais ou menos. 

Seu caule quasi lizo, de 2 a 3 



centmetros de dimetro, mais fino na 
base e mais grosso no alto. 

O ramalhete das folhas toma direc- 
o vertical, e estas so de cr azu- 
lada. 

D cachos de flores, compridos, as 
vezes de mais de um metro. 

E' como grande numero de palmei- 
ras, de cr amarella barrenta, com 
aspecto de flor de cera. 

O fructo de (50 millimetros de 
dimetro, ovide, de casca parda, tendo 
no pice um ponto agudo. 

Na base ha uma roseta de escamas. 

Essa casca do fructo de cr ama- 
rella no interior, e encerra uma massa 
da mesma cr, polposa , um tanto 
aquosa e oleosa ; a parte que se 
come, 

Encontra-se dentro um caroo sseo, 
contendo uma amndoa branca, muito 
oleosa e de gosto agradvel. 

O leo d'esta amndoa no s ex- 
cellente para usos culinrios como 
para luz. 

Na provncia das Alagoas, onde mais 
abunda esta palmeira, a pobreza no 
tempo da fructa faz excurses nas mattas 
para colhel-a. 

Catota. Solanum calota. Fam. da^s 
Solanaceas. Esta planta sylvestre co- 
nhecida nas Alagoas e em Pernambuco 
por este nome. 

um arbusto baixo, de 2 a 2 '/^ me- 
tros de altura pouco mais ou menos, 
de poucas folhas, marchetadas no seu 
limbo, aloiradas, e com a orla cavada. 

As flores, semelhana das da Juru- 
beba, porm mais escuras e maiores. 

O fructo, tambm como o da Junibeba^ 
mas do tamanho de um limo grande. 

Caota l es|iiHho. Solammi pi- 
per. Fam. /</??/2. Esta outra espcie 
muito semelhante precedente, dife- 
riudo apenas em que esta se enrola sobre 
os outros vegetaes, e todas as partes da 
planta esto cobertas de pellos hispi- 
dos, longos e loiros, pelo que custa a 
pegar-se n'ella; produz na pelle sensa- 
o de queimadura. 



i4 



CEB 



CEB 



Caiiassi. Threkelia hracleata. 
Fam. (las Chcnopoeaceas. Esta arvore 
oriunda do paiz de porte pequeno. 

Seus ramos, como formados de arti- 
culaes nas pontas, so acinzentados 
e. fistulosos. 

As folhas em figura de lana, e al- 
ternas. 

A-S flores do em espigas intermeadas 
de escamas membranosas. 

O fructo uma pequena noz, com 
uma ou outra semente dentro. 

Caxaporr lo g,-eiito. Termi- 
iialia argetitea^ Mart. Fam. das Cotnbre- 
taceas. Arvore do Brasil ; vegeta em 
Minas-Geraes. 

Tem um porte muito bonito, e flores 
pm pequeninos cachos. 

D um fructo semelhana de uma 
noz. 

Esta arvore produz tambm uma gom- 
ma resina, semelhante a gomma gutta ; 
purgativa na dose de 6 decigrammas, 
dada em emulso ou em plulas. 

Caxiin. Sapium ilicifoUum, Willd. 
Fam. das EuphorMaceas. O Caxim 
uma arvore do paiz, que tem espinhos 
e folhas ovaes. ' 

Suas flores, em cachos, ou em espi- 
gas, so de sexos separados, e midas. 

A fructa uma capsula de 3 gom- 
mos e 3 lojas com sementes redondas. 

Cayaponia. V. Purga do gentio. 

CebiBBira l>ranea. V. Secupira. 



Cebigtsra lo campo. 

pira. 



V. Secv,- 



Apresenta-se como um feixe de folhas 
estreitas, compridas, flstulosas, na su- 
perflcie da terra. 

D um pendo, em que se notam flo- 
res brancas e pequenas. 

O fructo muito pequeno. 

Na base da reunio das folhas existe 
um bolbo, que a cebola, de que fa- 
zemos uso. 

Este bolbo redondo compe-se de 
duas membranas de cr de castanha 
avermelhada, delgadssimas e friveis, 
seguindo-se depois uma substancia 
branca, aquosa, espessa e transparente, 
disposta em varias camadas concn- 
tricas, que se separam com facilidade. 

de sabor acido, doce e picante. 

Celola eeeft. AmaryUs hella- 
dona., Linn. Fam. das Amaryllidaceas . 
Esta planta, indgena do Brasil agreste 
e cultivada, conhecida nas Alagoas 
por Celola do matto. 

herbcea; suas folhas, nascidas da 
superfcie da terra, so de um verde 
desmaiado, em figura de lamina de es- 
pada, porm longas e reviradas. 

Deita um pendo do centro, que d 
flores grandes, em forma de funil, com 
seis recortes ou pontas, de cr vermelha 
pallida, sem cheiro. 

No centro existem seis estames longos. 

O fructo uma capsula com trs 
cotnpartimentos, nos quaes se acha 
uma poro de sementinhas. 

Esta planta como a Aucena na 
forma da flor e porte ; tem na base uma 
raiz semelhante cebola, porm mais 
allongada ; a tnica esbranquiada, 
o sabor pouco picante. (Fig. 16.) 



Cr?>i|ira Ia niatta. V. Secupira. 

CelsoJa. Allium cepa, Linn. Fam. 
das Liliaceas . Esta planta, cuja verda- 
deira ptria se ignora, muito culti- 
vada, e usada em toda parte. 

Veio-nos da Europa e um dos pri- 
meiros ingredientes da arte culinria, 

Tambm no Brasil se cultiva, nas pro- 
vncias do Sul. 



Propriedades medicas. Usa-se o 
bulbo em xarope nas afeces pulmo- 
nares, na bronehite, e sobretudo na 
asthma. 

vomitiva e expectorante. 

Caracteres de famlia. Plantas de 
raiz bulbifera ou fibrosa, de folhas ra- 
dicaes, de flores muitas vezes gran- 
dssimas, solitrias, ou dispostas era 
sertulas ou umbrellas simples, envol- 



CEB 



CEG 



f43 



vidas, antes, do seu desabrochar, em 
espathas scariosas. 

O calise gamosepalo , tubuloso, 
adherente pela base ao ovrio, de seis 
divises iguaes ou desiguaes. 

Os estames, em numero de seis, tm 
seus filetes livres, ou reunidos por 
meio de uma membrana. '' 

O ovrio de trs lojas, contendo 
cada uma grande numero de vulos 
anatropos . 

O estylete simples, e o estigma 
trilobado. 

O fructo uma capsula de trs lojas, 
e de trs valvas septiferas ; algumas 
vezes uma baga que, por aborto, s 
encerra uma ou trs sementes. 

Estas, que offerecem frequentes vezes 
uma caruncula cellulosa , apresentam 
em um endosperma carnoso um embryo 
cylindrico e homotropo, mais curto que 
a semente. 

Roberto Brown dividiu a familia das 
^arciseas de Jussieu em duas orden^ 
naturaes : as Hemerocallideas, onde elle 
collocou os gneros de ovrio livre, e 
as AmarylUeas, que so as verdadei- 
ras Nardsseas de ovrio infero. 

O mesmo celebre botnico tambm 
retirou das Narcisseas de Jussieu os g- 
neros Eypoxis e Ctirculigo, dos quaes fez 
um grupo sob o nome de Hypoxideas, 
que nos parece pouco diferente, das 
verdadeiras Amaryllideas. 

Richard reunio s HemerocalUdeas 
3 familia das Liliaceas. 

CeFsoSa cio EnsaStc. Veja-se Ce- 
lol cecera. 

CcboEisilio o CebolBBtIia. 

Allivm scJioenoprasum^ Linn. Fam. das 
Liliaceas. Esta planta oriunda da 
sia na Sibria, cultivada desde mul- 
os annos em nossas hortas, e de usos 
geral. 

Cresce de 4 a 6 e )4 decimetros. 

Tem um bolbo na base das folhas, 
pequeno como o do Alho; d'ahi sahem 
as folhas estreitas, istulosas, dirigid-as 
verticalmente; formam um pendo seme- 
lhante ao Alho^ onde se notam fiorinha; 



brancas reunidas; d'estas geram-se as 
fructinhas, que contm sementes pretas 
muito midas. 

O bolbo como o da Cebola^ em 
ponto pequeno; as tnicas que o re- 
vestem so brancas , ou roixas em 
outra variedade da mesma espcie ; 
as camadas que o compe so for- 
madas de membranas finas. 

Ambas as qualidades so desobs- 
truentes, porm prefere-se a branca. 

Cebolinlo do Cainito. V. Alho 

de campina. 

Cetlpo. Cedrela brasiliensis. Adr. 
Jus. e St. Hil. Fam. das Meliaceas. 
Entra na ordem das plantas impor- 
tantes do Brasil. 

Esta arvore, muito aromtica, foi 
observada por St. Hil. e Adr. Jus. 

E' de folhas distribudas em palmas, 
oblongas, com flores em cachos pvra- 
midaes, brancas e grandes. 

Os fructos parecem primeira vista 
pitombas. 

O lenho do Cedro exhala muito cheiro, 
e quando se corta uma d'estas arvores, 

aroma se espalha a alguma distan- 
cia. 

A madeira parda, no offerece veios, 
e porosa. 

Ella presta-se marcenaria, escul- 
ptura , construco naval, etc, etc. 

E' uma das madeiras de corte prohi- 
bido pelo governo. 

Propriedades medicas. A casca 
adstringente e emtica. 

Cejfa ollao. Asclepias umbellata , 
Flor. Fliim. Fam. das Asclepiadaceas. 
Esta herva conhecida nas Alagoas 
por este nome, e por Saudade ou Ca- 
mar bravo em Pernambuco. 

E' uma herva elegante, de altura at 

1 metro pouco mais ou menos, leitosa 
em todas as suas partes. 

As folhas so lanceoladas, agudas e 
molles. 

As flores reunidas, formando como 
uma umbrella ou chapo de sol : umas 



144 



CEN 



CEV 



vermelhas , outras amarellas , c sem 
cheiro. 

Seu fructo uma capsula fusiforme, 
paliacea e geminada, contendo muitas 
sementes involtas em um feixe de pellos 
macios e brilhantes , como seda , ou 
sementes coroadas de plumas ; d'esta 
maneira , estas sementes voam com 
muita facilidade, logo que o fructo se 
abre. 

O leite empregado contra as dores 
de dentes. 

E' venenosa. 

Ci?iitaiiiri iimiiilea*,. Callo- 
fismoj perfoliatum^ Mart. Fam. das Gen- 
cianaceas. Esta planta vegeta em Minas ; 
herbcea. 

A raiz amarga, e empregada como 
tnica e estomachica. 

Ha outra espcie : Callopisma amplexi- 
folium, com as mesmas propriedades. 

CeBSieio. Secale cereale, Linn. e 
Bichr. Fam. das Gramnaceas. Planta 
herbcea, que cresce naturalmente na 
sia Menor, cultivada na Europa, e j 
hoje no Brasil. 

E' uma espcie de capim, cujas es- 
pigas so densas, com uns espores nas 
espiguetas. 

Do gro faz-se farinha , porm que 
um pouco pesada, e por isso s pro- 
. pria para estmagos robustos. 

Propriedades medicas. A cataplas- 
ma da farinha de centeio emoUiente 
e resolutiva. ., 

Cfsati-i egaoa'3o. Secale cor- 
nutum, Linn. Fam. tem. Esta espcie 
da Europa, e cliama-se assim porque 
atacada de cravagem, de uma subs- 
tancia que se desenvolve entre as valvas, 
no lugar da semente. 

E' um corpo comprido e arqueado, cy- 
lindrico e bojudo, violceo, de sabor ar- 
dente e cheiro particular desagradvel. 

Pro>rii;dades medicas. O centeio 
esporado um agente podei"oso para pro- 
mover as contraces uterinas, e um dos 



mais poderosos hemostaticos vegetaes 
que se conhecem ; usado interna ou 
externamente. 

D'elle se extrahe uma substancia, que 
se emprega muitas vezes de preferencia 
nos mesmos casos : a ergotina. 

Cereibft. V. Mangue branco. 

Ce5*e^>sina. V. Mangue amarello. 

Cei*eitiii|a. V. Mangue amarello. 

Cereja le SoESaas^ le gBeeeg,'0. 

Cerasus fersici folia., Loisel. Fam. .dax 
Rosceas. Arvore pequena da America, 
de folhas oblongas ; flores em cachos e 
brancas. 

Cultiva-se no paiz. 

Seu fructo globuloso, vermelho, liso, 
com um caroo dentro (espcie de noz), 
carnoso e acido. 

Cerejeira Se isiia^ii'. Melothria 
pe)idtila, Linn. Fam. das CuciirbiSaceas. 
Planta herbcea, trepadeira e de folhas 
recortadas. 

As flores so solitrias. 

Os fructos pequenos, so bagas alon- 
gadas com muitas sementes. 

Propriedades medicas. Esses fruc- 
tos so purgativos ; a dose para um adulto 
a metade de um d'elles ; e para ani- 
maes, como cavallos, etc, do-se trs a 
quatro fructos. 

Ceri. Avicennia servida. Fam. das 
Verhenaceas . E' uma arvore ou arbusto 
que vegeta nos pntanos e beira mar. 

As folhas so oppostas, com flores for- 
mando uma espcie de corneta. 

O fructo uma capsula. 

As folhas so adstringentes, e empre- 
gadas para tingir e curtir couros. 

Cevada. Hordeum mgare., Linn. e 
Richr. Fam. das Graminaceas , Esta 
espcie a mais abundantemente culti- 
vada. 

At hoje no se sabe positivamente a 
ptria da Cevada. 

A farinha nutritiva como todos sa- 



CHA 



CHA 



4S 



bem, o cozimento dos gros refrigerante; 
ella que constitue a base da cerveja. 

Cevada !nt. Hordeum dixti- 
cho?i, Nees. Fava idem. Tem as mes- 
mas propriedades da precedente. 

Ciit le IVaIe. Lantana fseudo- 
Ihea., St. Hil. Fam. das Verbeuaceas. 
Esta espcie vegeta em Minas Geraes. 

Pde-se fazer uma ida d'esta planta 
pouco mais ou menos pela planta Ca- 
mar. 

Propriedades medicas. empregada 
como excitante nas affeces catarrhaes, 
e nos rlieumatismos. 

liik. Casea)'ea Ungua., St. Hil. Fam. 
das Samydaceas. Arbusto do Brasil, 
conhecido por este nome na provncia 
de S. Paulo e por Lngua de fi^ na de 
Minas Geraes. 

Tem folhas lanceoladas. 

Flores pequenas em feixes nas axillas 
das folhas. 

O fructo pequeno, carnoso com um 
caroo. 

Floresce em Agosto e Setembro. 

Propriedades medicas. empregada 
em cosimento contra as febres malignas, 
e molstias inflammatorias. 

Caracteres da famlia. Arbustos 
todos exticos, que crescem nas re- 
gies mais quentes do globo, apresen- 
tando folhas alternas, dsticas, simples, 
presistentes, o mais das vezes com duas 
estipulas na base. 

As flores so axillares, solitrias ou 
em grupos. 

Tem um clix formado por cinco, e, 
mais raras vezes, trs a sete sepalas, 
reunidas todas em sua base, e formando 
algumas vezes um tubo mais ou menos 



-o 

longo 



divises mais ou 
coloridas em sua 



O limbo oferece 
menos profundas e 
face interna. 

A coroUa falta constantemente. 



Os estames so em numero igual, 
duplo, triplo ou qudruplo do das di- 
vises calicinaes, na base das quaes 
so inseridos ; so monadelphos, com 
quanto alguns d'entre elles sejam as 
vezes estreis e reduzidos a seu filete 
que se torna plano e felpudo. 

O ovrio livre, de uma s loja, 
contendo um grande numero de vulos, 
inseridos em trs ou cinco trophos- 
permas parietaes. 

O estylete simples, terminado por 
estigma capitulado ou lobulado. 

O fructo uma capsula unilocular, 
abrindo-se em trs ou cinco valvas, que 
trazem no meio de sua face interna, 
as sementes, envolvidas em uma polpa 
mais ou menos abundante, e colorida. 

Estas sementes oferecem um endos- 
perma carnoso, no qual existe um em- 
bryo mui pequeno heterotropo; isto , 
tendo sua radicula opposta ao hilo, ou 
ponto de insero da semente. 

Cla tia It^iUn.Thea suiensis, Noh. 
Fam. das Ternstrmmiaceas.E oriunda 
da China e.sta excel lente planta, cujo 
apreo e importncia geral nos paizes 
cultos, onde o Ch da hidia tem-se tor- 
nado uma bebida quasi commum. 

Elle um pequeno arbusto, e.sgalha- 
do, de caule escuro. 

Folhas oblongas, de verde escuro, e 
alternas. 

As flores so brancas, semelhana 
de rosas e com leve cheiro, sendo dis- 
postas em trinos, ou binadas. 

O fructo uma capsula de trs cocas 
redondas, cada uma com um caroo. 

O Ch, na sua terra natal, cresce at 
a altura de 9 metros, entretanto entre 
ns um arbustinho de 1 >^ a 2 metros 
quando muito. 

Propriedades medicas. E' excitante 
poderoso, sudorfico, diurtico, adstrin- 
gente e estomachico; activa as faculda- 
des intellectuaes. 

CI2 ssiate. llex. Ihesatia., Mart. 
Fam. das Celastrineas. Arbusto das pro- 
vncias do Sul, como Rio Grande e seus 
arredores. 



31 



146 



CHA 



CHA 



As folhas usam-sc como o Ch da 
Jndia ; so iim tanto excitantes e dia- 
phoreticas. 

C5iAlc j9ee8estfi*e. V. Ch de frade 
em Minas. 

Cts d trR*a. Fam. das Portula- 
caceas. Esta planta nasce no Maranho. 

E' uma espcie de Beldroega, mais ou 
menos. 

Propriedades medicas. E' emprega- 
da nas molstias nervosas, debilidade 
de estmago e dysmenorrha. 

Buddleja quinqiienaria. Fam. das Scro- 
fhulariaceas . Esta espcie conhecida 
nas Alagoas e em Pernambuco por este 
nome, persuadido o povo que o ver- 
dadeiro Ch da ndia; por isso tanto 
n'aquella provncia como n'esta, fazem 
uso das folhas como ch, nfhaiulo-o 
bom ao paladar. 

E' uma herva que f3rma moutas, de 
caule herbceo, e de cr de purpura. 

As folhas estreitas lustrosas, recor- 
tadas, de cr escura. 

As flores pequenas, brancas, seme- 
lhana da flor do Cafezeiro. 

O fructo uma capsula oval, oblonga, 
contendo grosinhos, que por si mesmo 
se espalham na terra. 

Resiste todo o vero sempre em ver- 
dura. 

Propriedades medicas. Faz-se uso 
em medicina como anodyno (calmante) . 

CltagsiS aaaisiSas. Trojyccolmn fen- 
taphyllmn, Lamh. Fam. das Tropoeola- 
ceas. E' uma planta trepadeira cresce 
em Montevideo, e no Rio-Grande do 
Sul. 

E' planta prpria para jardim. 

Propriedades medicas. Esta bella 
trepadeira gosa de virtudes anti-scorbu- 
ticas. 

ClBa;ueipa. V. Barhas de ba- 
rata. 

Cbaisalisia^. Carica digitata, Auhl. 



Fam. das rapayaccas. Esta arvore, 
que tem pouco mais ou menos o porte 
do Mamociro, vegeta s bordas do 
Amazonas. 

Consta que suas emanaes so to 
mortaes como d'aquella arvore da Ame- 
rica Equinoxial, conhecida por 3an- 
cenilla javanesis ? 

Drosera tuherosa. Fam. das Drosera- 
ceas. E' uma erva agreste do Brasil, 
que invade todos os teiTenos, geral- 
mente conhecida por Chanana em Per- 
nambuco, Parahyba e Cear. 

E' de 22 centmetros de altura pouco 
mais ou menos. 

Esgalha quasi rasteiramente, tendo 
umas tuberasinhas na raiz. 

As flores grandes, amarelladas, apre- 
sentando umas manchas roixas na 
base e meio das ptalas, em cujo cen- 
tro se v um froco de filetes. 

O fructo uma capsula pequena, c- 
nica, contendo muitos gros em forma 
de pequenas castanhas. 

Propridades medica. A Chanana 
muito medicinal ; sua batata se applica 
contra a dysenteria. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas, annuaes ou viraces, rara- 
mente subfructescentes, tendo folhas 
alternas, muitas vezes munidas de pel- 
los glandulosos, pedicellados, dispostas 
em cruz antes d seu desenvolvimento. 

O clice gamosepalo, de cinco di- 
vises profundas, ou de cinco sepalas 
distinctas, e de estivao imbricada. 

A corolla de cinco ptalas planas e 
regulares . 

Os estames, em numero de cinco 
algumas vezes de dez ou de vinte, al- 
ternam com as ptalas, quando ellas 
so do mesmo numero que estes l- 
timos. 

Antheras extrorsas, e livres; s ve- 
zes se acham, em face de cada ptala, 
appendices de forma variada. 

Estes estames so geralmente peri- 
gynicos e no hypogynieos, como se tem 
dito at o presente. 



CHI 



CHU 



t^^S 



O ovrio de uma s loja, raras vezes 
de duas ou trs ; no primeiro caso con- 
tem grande numero de vulos anatro- 
pos ou orthotropos, unidos a trs 
ou cinco trophospermas parietaes, sim- 
plices ou bifidos ; no segundo caso, os 
septos parecem formados pelos tro- 
phospermas salientes em forma de la- 
minas, e que si encontram e se unem 
no centro do ovrio. 

Os estigmas, geralmente do mesmo 
numero dos trophospermas ou das lojas, 
so sesseis e radiosos, ou sustentados 
por estyletes muitas vezes bipartidos. 

O fructo uma capsula de uma ou 
varias lojas abrindo-se somente pela 
metade superior em trs , quatro ou 
cinco vlvulas no meio da face interna 
de um dos trophospermas. 

As sementes, muitas vezes cobertas 
de um tecido cellular frouxo, contem 
um embryo erecto, quasi cjdindrico, 
no interior de um endosperma del- 
gado,'que falta algumas vezes. 

Cltero. V. Salsa. 

ClticSft. Stercvia cMch^ Si. Hl. 

Mo7ietia curiosa , Vell. Fam. das 
Bytineriaceas. Arbusto indgena, co- 
nhecido por este nome no Rio de Ja- 
neiro e Goyaz. 

Suas folhas so cordiformes. 

As flores em cachos, e arruivadas. 

O fructo d uma amndoa, que os 
habitantes d'estes lugares comem, e 
passa por boa. 

As folhas so resolventes de tumo- 
res, etc. 

ClbieSt^i 8o I\oi*te. StercuUa 
laseantha, Mart. Fam. idem. E' uma 
planta que se assemelha ao Chich do 
Sul; habita o Piauhy e Maranho. 

Clfticoa'ia. Soichis oleraceis., Linn. 

Fam. das Compostas. Herva culti- 
vada na Europa, d'onde oriunda ; 
tambm cultivada no Brasil. 

Sua cultura antiqussima , porm 
pouco conhecida, principalmente nas 
provncias do Norte. 



E' uma herva cujas folhas nascem 
do collo da raiz, imitando a couve, e as 
quaes fecham as folhas no centro se- 
melhana do repolho. 

Essas folhas, que se fecham so es- 
branquiadas. 

As flores amarellas. 

Fornece um sueco leitoso toda a planta. 

Come-se cosida com carne de vacca 
as folhas e as razes. 

No Par ha uma herva aromtica que 
tem este nome. 

Como medicinal aperitiva ; mas hoje 
est desusada. 

CEiicoa-ia, brava. V. Serralha. 

Claieora Paa^. E' uma her- 
va aromtica. 

Cliida. E' uma bebida de caboclos, 
extrahida da mandioca. 

CSailesase o Cof|ieia*o Clt- 

IcEasc /(5(? spectabilis, Kimt. Fam. 
das Palmaceas. E' uma palmeira do 
Amazonas e do Chile. 

Os fructos so drupas ; e com elles fa- 
zem aguardente. 

CBaB<|?8ex.ifisae. Cacftts ijeruvianus , 
Ztnti. Fo/ii. das Kopaleas. E' um ar- 
busto natural da America Meridional, 
cujo tronco verde, herbceo, anguloso 
de alto a abaixo, succulento, e cheio de 
espinhos que parecem ser as folhas ; 
estas so fasciculadas. 

Nascem as flores pelo tronco ; sc gran- 
des, brancas, misturadas de rseo, com 
uma coma no centro, amarella. 

O fructo oval ou redondo, de cr ru- 
bra, succulento, tendo dentro uma massa 
da mesma cr, succulenta, acida, cheia 
de sementes pretas e midas. 

O sueco extrahido de seu tronco en- 
rouquece a quem o bebe, e mui diu- 
rtico. 

Clieipa . Gustavia speciosa. Piri- 
gara spiciosa, Humh. e Bomp. Fam. das 
Myrtaceas. Arbusto das rsgies ama- 
I zonicas, onde lhe do este nome. 



148 



CID 



CIN 



Suas folhas so oblongas, lanceoladas, 
membranosas e coriaceas. 

As flores p-randes. 

O Vucto d'este arbusto, quem o come, 
fica com a pelle alourada; mas, sem 
nenhum remdio, depois de 24 ou 28 
horas, torna ao seu natural. 

Citlri*a oii Citl*;. Citrus li- 
monium cUratiim, Rss. Fam. das Au~ 
rautiaceas. Arbusto indigeno da sia, 
cultivado no Brasil. 

A Cidra a fructa da Cidreira, que no 
Maranho chamam Turanja. 

E' um arbusto do porte de uma limeira, 
com espinhos nos galhos, folhas elljp- 
ticas, com pouco aroma. 

As flores so brancas, e com cheiro as- 
semelhando-se ao da flor da Larangeira. 

O fructo um pomo de grandeza de ;") 
a 10 millimetros de dimetro, redondo 
com a configurao de uma laranja, mas 
com uma superfieie tuberculosa, e as ve- 
sculas grossas. 

Dentro acha- se uma substancia branca, 
vosiculosa, compacta, contendo semen- 
tes como os da laranja; a massa muito 
secca. 

Da fructa preparam-se bellos doces , 
empregados como peitoral, refrigerante 
e tnico. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos muito glabros, algumas vezes 
espinhosos, com folhas alternas e arti- 
culadas, simplices, ou mais frequente- 
mente pinnuladas, munidas de glndulas 
vesiculosas, cheias de um leo voltil 
transparente. 

Flores odorferas, geralmente termi- 
uaes. 

Seu clice gamosepalo, persistente, 
de trs ou cinco divises mais ou menos 
profundas. 

Sua corolla, de trs a cinco ptalas 
sesseis, livres ou ligeiramente soldadas 
entre si. 

Os estames, algumas vezes em numero 
igual ao das ptalas, outras vezes duplo 
ou mltiplo d'este, so livres, ou di- 
versamente reunidos entre si por seus 
filetes, e reunidos abaixo de um disco 



''JPOgynico, sobre que est coUocado o 
ovrio. 

Este globuloso, de varias lojas, 
contendo um s ovulo suspenso, ou 
maior numero, ligados ao angulo in- 
terno da loja. 

O estylete, algumas vezes muito curto 
e muito espesso, sempre simples, 
terminado por um estigma, simples ou 
lobulado. 

O fructo em geral carnoso, inte- 
riormente separado em diversas lojas 
por divises muito delgadas, contendo 
uma ou mais sementes inseridas em 
seu angulo interno, e geralmente pen- 
dentes. 

Exteriormente o pericarpo espesso ; 
indehiscente, cheio de vesculas, con- 
tendo leo voltil. 

As sementes encerram ujn ou algu- 
mas vezes mais embryes sem endos- 
perma. 

Cida'i!l2i. Verbena triphjlla. Fam. 
das verhenaceas. Pequeno arbusto na- 
tural do Rio de Janeiro. 

Folhas verticilladas, ternas ou qua- 
ternas, lanceoladas, agudas nas duas 
extremidades, exhalando cheiro de li- 
mo quando esfregada. 

Flores dispostas em espigas axilla- 
res, ou em pannicula terminal. 

Propriedades medicas. E' estimu- 
lante, empregado em infuso contra 
as indigestes, 3 a 4 folhas para uma 
chicara d'agua fervendo. 

Cisiass&osto. F. Jasmiiieiro de Ca- 
yanna. 

Cisiee) iullans. D-se este nome 
tambm ao Taruman. 

Propriedades MEDICAS. As folhas so 
diurticas, e empregadas em cozimento 
ou em infuso, em banhos, nas dores 
rheumaticas e osteocopas. 

Ciiid;;' capei:. VaUesia ti/ictorial, 
Brnnet. Far. das A;pocynaceas. Esta 
planta da serra do Araripe; d 
uma tinta cr de rosa mui bella se- 
gundo Mr. Brunet. 



CIP 



CIP 



149 



Das sementes se extrahe sofrvel sa- 
bo. 

Ciparabo E' uma espcie de Bu- 
iua de raiz delgada, lisa e branda, qne 
se encontra nas provncias do Espirito- 
Santo e Minas Geraes. 

Ci|i d' ai li o. Bignonia alUacea^ 
Swart. Fam. das Bignoneaceas E' nni 
arbusto indgena do paiz, conhecido 
por este nome nas Alagoas e em Per- 
nambuco. 

E' uma planta trepadeira, de folhas 
opposta.s, unidas entre si,e luzidias. 

O caule da planta quebradio. 

As flores, em pequenos grupos, so 
como trombetas, cr de rosa roxeada. 

O fructo uma vagem. 

Cip tfallo. Seguiera alliacea ^ 
Mart. Fam.. das Phyolacaceas. Tem as 
mesmas propriedades do Ibirarema. 

Cip amarra de ;^'i{fanfe. Do- 

lichos odorifenis. Fain. das Legumino- 
sas. Nas provncias de Pernambuco e 
Alagoas tambm conhecido por Ca- 
nella de Urih. 

E' um arbusto trepador, mui frequente 
nas bordas dos caminhos e das vrzeas. 

E' um pouco elegante pelas suas flores 
em cachos, de um roixo vivo, que torna 
os campos de aspecto agradvel 

Elle estende-se sobre os arbustos as- 
cendentes, e relvas. 

Suas folhas so ternadas ( seme- 
lhana das do feijo). 

As flores, em cachos , roixas, e com 
suave cheiro. 

O fructo uma vagem de 1 a 2 mil- 
limetros de largura , com bordas le- 
vantadas, gros poucos redondos, com- 
pridos, e acinzentados. 

Cip aauarra de ^Iqig. Argi- 
pkila corymlosa. Fam. das Verhenaceas . 
Arbusto silvestre, conhecido nas Ala- 
goas por este nome ; em Pernambuco 
tem o de Mofxmho de Capoeira. 

Planta trepadeira de caule esbranqui- 
ado, folhas ovaes, grossas, oppostas e 
luzidias. 



Flores midas, amarelladas, em ca- 
chos. 

O fructo redondo, de 1 millimetro, 
amarello na maturidade, adherente ao 
clice, internamente sseo, dividido em 
quatro compartimentos, e em cada um 
uma semente. 

Este cip em perfeita maturidade 
muito forte para amarrar. 

Cip arco <l'Bfsipcsa oii ur- 
pentba. Galphima officinalis. Fam. 
das Maljnghiaceas . Este arbusto sil- 
vestre, e conhecem-no por este nome mas 
Alagoas. 

Seu caule um pouco flexvel. 

E' uma trepadeira de folhas oppostas, 
lustrosas, ovaes e pequ.enas. 

Flores em densos cachos, amarellas, 
sem cheiro. 

Fructo de 1 millimetro, redondo,, com 
trs caroos dentro; come-se, e con- 
siderado como bom. 

Do caule d'esta planta fazem arco da^ 
urupemas, donde lhe vem o nome. 

Cip branco d'areo. CoUeia 
sarmeutO,a alba. Fam. das Rliamnaceas. 

Arbustinho trepador, agreste e do 
paiz; vegeta e tem este nome nas 
Alagoas. 

Seus ramos tem os espinhos oppo*-'- 
tos. 

As folhas so lanceoladas e oppos- 
tas. 

A casca esbranquiada. 

As fli-es reunidas em pequenos gru- 
pos e brancas. 

Os fructos no se desenvolvem na 
maior parte. 

Ci|'^ EcraEseo Ee cerea. CoUetia 
sarmentosa Mea.Fam. das Rhamnaceas. 

Esta espcie semelhantssima pre- 
cedente ; difl'ere d'ella pelo caule pardo- 
castanho, e pelas flores amarellas. 

Cip branco de Pc'5*>aBbfico. 

Coccoloba litioralis. Fam. das Poly- 
gonaceas. agreste e indjgena ; ve- 
geta nas proximidades da beira-mar, 
e recebe este nome em Pernambuco. 



iO 



CIP 



CIP 



uma trepadeira de folhas regula- 
res, ovaes, chanfradas na base. 

Flores grandes em cachos, como es- 
pigas esbranquiadas, no regulares. 

Os fructos so glbulos pequenos, que 
encerram sementes. 

Cip IIji*i4mco ile rcio. Bignonia 
vulgoA'is. Fam. das Bignoneaceas. Ar- 
busto do paiz, que se encontra em 
qualquer parte do matto, conhecido por 
este nome nas Alagoas e tambm em 
Pernambuco . 

trepador ; tem o caule um pouco 
esbranquiado, com regos bem dis- 
tinctos, que lhe do muito realce. 

As folhas se cruzam, e so oppostas, 
ovaes e luzidias. 

As flores, como cornetas, com as 
bordas recortadas, so roxas, claras ou 
rosadas. 

O fructo uma vagem de 2 '/> de- 
cimetros, larga, com sementes dispostas 
symetricamente e aladas. 

Do caule fazem-se chibatas e at 
bengalas. 



Tem .0 uso dos cips. 

CyiJ> Sc cRUoelo. Telracera vo- 
luhilis, Linn. Fam. das Dilleniaceas. 
Planta conhecida por este nome no 
Rio de Janeiro e em Minas Geraes. 

uma trepadeira. 

Propried.vdes medicas. Suas folhas 
so purgativas, tomadas em infuzo ; 
e resolutivas, empregadas em banhos. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos todos exticos, sarmentosos, 
tendo folhas alternas, rarssimas vezes 
oppostas, sem estipulas, muitas vezes 
abarcantes na base. 

Flores solitrias ou em cachos, algu- 
mas vezes oppostas s folhas. 

O clice gamosepalo, persistente, 
de cinco divises profundas, e imbri- 
cadas lateralmente. 

A coroUa ordinariamente de cinco 
ptalas. 

Os estames, numerosissimos, dispos- 
tos em varias ordens, so livres, algu- 



mas vezes unilateraes ou disposto.s em 
diversos feixes. 

As carpellas variam de duas a doze, 
geralmente distinctas ; so s vezes 
soldadas em vima s. 

O ovrio unilocular, contendo dois 
ou vrios vulos anatropos, unidos 
parte inferior do angulo interno, e 
erectos. 

Os estyletes so simplices, e termi- 
nados cada um em um estigma igual- 
mente simples. 

Os fructos so distinctos e soldados, 
carnosos ou seccos, e indehiscentes. 

As sementes, muitssimas vezes acom- 
panhadas de um arilho carnoso e cu- 
puliforme, tem um tegumento crust- 
ceo, cobrindo um endosperma carnoso, 
no qual est um embryo pequenino, 
erecto, homotropo, collocado na base. 

Cig Be ealoelo fa^s^Dis* ou 
le regs, . eaiocfSo. Bignonia 
prolixa. Far. das Bignoniaccas . Esta 
espcie mui anloga Bignonia allia- 
cea., differindo apenas mui jouco na 
forma das folhas; porem tem as laminas 
salpicadas nos dois lados. 

Tem os mesmos uzos. 

Cg!* CiaEaaiclIsa cSc Jaensi. SaUi- 
cia coriimhosa Fam . das Hij^iwcrati- 
ceas. Arbusto silvestre, que nas Alagoas 
tem este nome. 

E trepador ; seu caule avermelhado 
e spero. 

As folhas so oppostas, speras, es- 
curas e ovaes . 

As flores, em cachos mui grandes, so 
esverdinhadas, sem cheiro. 

O fructo mnimo, trigono, e com se- 
mentes. 

Este cip muito frgil, e porisso 
no fazem uzo delle. 



Cigi Se Casoeira. Fam. das 
Bignoniaccas. Este cip assim co- 
nhecido nas Alagoas. 

Tem a propriedade de enrolar-se so- 
bre as outras plantas de sua classe. 

Seu caule cylindrico, e tem gavinhas. 

Os peciolos das folhas se cruzam, e 



CIP 



CIP 



ISl 



em cada extremidade tem duas folhas, 
cada xima sobre um peciolo prprio. 

As folhas so lustrosas e carnosas. 

As flores roixas, brilhantes, em fei- 
xes, t em forma de corneta. 

D um fructo como vagem, tendo se- 
mentes membranosas, com azas. 

Este Cip quebradio. 

Cip'^ te csiPkio.Davilla nigoza, 
Roiz. Dav. BrasiliMia^ D. C. Fam. 
das Dilleniaceas. EstB. planta, que 
indgena, tem tambm o nome de Cip 
de Caboclo, e em S. Paulo, Minas Ge- 
raes e Rio de Janeiro o de Samhaihi- 
nlia. 

E' um Cip, cujos ramos so guar- 
necidos de pellos speros. 

Folhas grandes, oblongas, serreadas 
superiormente, lisas e speras, com pel- 
los pelo meio. 

Flores em cachos. 

O fructo capsular. 

Propriedades medicas. As folhas 
so empregadas nas orchites blennor- 
rhagicas, ou devidas a outra qualquer 
causa. 

Applica-se em fomentaas e fumi- 
gaes. 

" Elle purgativo na dose de 2 grara- 
mas da raiz em p. 

C|y> te esAvil . Fam. das Ros- 
ceas. Sob este nome, e sob o de 
cip de SamhaiUnlia, designam-se em 
varias provncias do Brasil dois cips 
sarmentosos, um dos quaes o Da- 
villa rujosa de Pairei, ou Davilla bra- 
siliana de DecandoUe, outra o Da- 
villa elliptica d'Aug: Saint Hilaire. 



Propriedades medicas. Estas duas 
plantas se tornam notveis pelo seu 
sabor adstringente muito pronunciado ; 
ellas so por consequncia, tnicas, 
muito usadas em fomentaes e em 
lavagens nas ulceras atonicas. 

Cip.J Qi\vi\z\r9. Edites suherosa. 
Far. das Apocynaceas. Planta tre- 
padeira, quasi sempre de flores gran- 



des e brilhantes, tendo por fructo uma 
ou duas capsulas, cujas sementes esto 
envolvidas em pellos macios. 

Propriedades medicas. E' hemosta- 
tico til nas hemoptyses, e sobretudo 
nas hemorrhagias uterinas. 

Cip catiiig le Paea. Eleag- 
mis Mspermum. Fam. das EUagineas. 
Arbusto silvestre, trepador, de folhas 
oppostas, oblongas, luzentes, sem re- 
cortes. 

As flores so em feixes, nas axillas 
das folhas. 

O fructo, no bem observado, pe- 
queno; parece ter duas cavidades in- 
ternas, com uma ou duas sementes. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas, ou oppos- 
tas, sem estipulas e inteiras. 

Suas flores so dioicas ou hermaphro- 
ditas ; as masculinas algumas vezes 
dispostas em forma de casulos. 

O clice gamosepalo, tubuloso ; 
seu limbo inteiro, ou de duas ou 
quatro divises. 

Os estames, em numero de trs a 
oito, so introrsos, quasi sesseis so- 
bre a separao interna do clice. 

Nas flores fmeas, o tubo do clice 
cobre immediatamente o ovrio, mas 
sem a elle adherir. 

A entrada do tubo as vezes em 
parte tapada por um disco diversa- 
mente lobulado. 

O ovrio livre, unilocular, contendo 
um s ovulo ascendente, pedicellado e 
anatropo. 

O estylete curto. 

O estigma simples e allongado. 

O fructo um akenio crustceo, 
coberto pelo clice, que se torna car- 
noso. 

A semente contem, em um endos- 
perma delgadssimo, um embryo que 
tem a mesma direco que esta. 



Cii C44tsa|i;a rtc Porco. Fam. 
idem. Este vegetal indgena assim 
chamado nas Alagoas, mas pouco co- 
nhecido. 



159 



CIP 



CIP 



xim arbusto que forma touceiras, de 
caule flexvel. 

As folhas, so grandes, oblongas, ver- 
de-escuras. 

As flores, brancas, miudinhas, seme- 
lhana de pequenos botes 

O fructo pequeno, e com duas pon- 
tas no pice ; achatado de um lado, 
branco, e com uma semente. 

Cifi clBiimlio. Cuscuta ameri- 
cana. Linn. Cuscuta umhellata., Knnt 
Fam. das Cotivolvulaceas . Herva do 
Brasil descripta por Linno, e at en- 
to desconhecida. 

Mais tarde outros naturalistas acha- 
ram outras espcies : Ctisciita oorata^ 
Raiz e Pavon: Cusc. corymhosa., etc. 

Todas so oriundas do Brasil. 

uma planta que vive a custa de ou- 
tra. 

Seus caules finos e volveis ganham 
qualquer vegetal visinho, separam-se da 
raiz e ficam vivendo custa d'aquelle 
de que se apoderaram. 

Compe-se de vergonteas lisas, finas, 
esverdinhadas ou amarellas, sem fo- 
lhas, com feixes de flores pequenas e 
arredondadas, brancas ou trigueiras. 

O fructo uma pequena capsula. 

Propriedades medicas. Esta planta 
parasita applicada secca e pu,lverisada 
sobre as feridas para abreviar a cica- 
trisao, o sueco appreciado como 
anti-catarrhal e anti-hemoptoico; tam- 
bm se d em gargarejos nas anginas. 

Ci|> te co!>a'. V. Caapea. 

Cip; leeo?>*a. V. de N. Senhora. 

Cip corrells*. WFlor de Veado. 

Cp: eciap ?a*iBco. Paulli- 
nia curiirif,^ Linn. Fam. das Sapindaceas. 
Arbustinho trepador, de caule esverdi- 
nhado, conhecido nas Alagoas e em 
Pernambuco por tal nome. 

As folhas so em palmas. 

As flores, em cachos, peqn^nas e 
brancas. 



Elle tem prolongamentos, com que se 
agarra s outras plantas. 

O fructo uma capsula obconica, sub- 
trigona, vermelha rubra, com trs val- 
vas, que se abrem e deixam apparecer 
trs sementes ovaes, metade cobertas de 
um corpo branco e fofo. 

Algumas pessoas comem este fructo. 

Cip erieap vermelho. Paul- 
linia pinnata., Linn Fam. idem. Este 
cip, conhecido nas Alagoas e em 
Pernambuco. 

E' um cip como o precedente. 

Encontra-se em qualquer capoeira 
perto das cidades. 

As folhas so em cachos, brancas e 
midas. 

Tem a mesma organisao do pre- 
cedente. 

Serve para amarrar cercas. 

Cip eria. Chiococca anffuicida, 
Mart. Fam. das Rubiaceas. Esta planta 
oriunda de S. Paulo, trepadeira e 
tem as mesmas propriedades da Raiz 
preta . 

Propriedades medicas. Macsram-se 
dois pugillos em uma msdida de aguar- 
dente, adoa-se, e d-se uma chicara 
trs vezes por dia, nos envenenamentos 
por mordeduras de cobras. 

Cipt cie etiaittanai. Eupliorhia 
pTOSfliorea., Mart. Fam. das Enpliorlia- 
ceas. Este interessante arbusto vegeta 
na Bahia. 

E' mui espinhoso, e por isso serve 
para cercas. 

Seus ramos entrelaados no deixam 
penetrar animaes nas plantaes. 

Cortando-se um galho exsuda um 
sueco branco, que na obscuridade reluz 
como fogo ; sacodindo-se com elle faz 
rastilho luminoso. Este sueco sobre a 
pelle causa grande prurido. 

A picada dos espinhos produz botes 
vesiculosos na pelle dos animaas. 

Propriedades medicas. Seu-, ramos 
novos so applicalo^ nas ulceras e 
ca'"bunculos. 



CIP 



CIp 



53 



Cip fururii. EcUtes^ Mart. 
Fam. das Apocynaceas. Esta planta 
do Par. 

Differe da de Pernambuco, que de 
outra famlia. 

Uns a chamam Curuap^ mas o de 
Pernambuco Cruap. 

Propriedades medicas. excellente 
aperitivo, usado nas obstruces das 
vsceras abdominaes. 

O sueco leitoso empregado topica- 
mente sobre os tumores. 

Cigi eiu. Smilax papyracea^ Roiz. 
Fam. das Smilaceas. Esta planta 
congnere da Salsaparrillia., e tem as 
mesmas virtudes d'ella. 

CipT tSe es-atla. Cattlotref.iis ma- 
crostacliyus., Raddi. Baiimia radiata. 
Vell. Fam. das. Leguminosas. Esta 
planta trepadeira, possue propriedades 
adstringentes e mucilnginosas. 

Ha outra espcie, Bauliinici microsta- 
cliyiis., Raddi, e Bauliinia tomentosa., Vell. 
do Rio de Janeiro. 

Ci| cSe g:ota. Cissiis pidcTierrima, 
Vell. Fatn. das mpelideas. Tambm 
esta planta trepadeira, e cresce no 
Rio de Janeiro. 

E' anti-rheumatica. 

Cip jKiiyp. Bi(jno7iia guyra.^ 
Ried. Fam. das Bujnoniaceas. Esta 
planta quasi como as Carohas., etc. 

D'ella porm frequentemente appli- 
cada a raiz como purgativa. 

Cip aeica. Cacalia qxiadri([.ora., 
Vell. Fam. das Compostas. Herva mais 
011 menos do aspecto do 3IetUrusto. 

Vegeta no Rio de Janeiro, onde re- 
cebe este nome. 

E' aromtica. 

Cip<; de BBii. Philodeidron Imh, 
Mart. Fam. das Aroideas. 

Propriedades medica. As folhas 
frescas so empregadas nas ulceras; a 



decoco do caule e das folhas ap- 
plicada no rheumatismo c nfi orchite, 
em banhos. 
Da raiz se tiram fios teciveis, 

Cip de inipigreiu. Stadinania 
depressa. Fam. das Sapindaceas. 
Arbusto silvestre, que por este nome 
conhecido nas Alagoas. 

Tem o caule flexvel, que se enlaa 
sobre os outros vegetaes. 

Suas folhas so ovaes oblongas. 

As flores em cachos, brancas trigueiras. 

O fructo obconico, cor de barro, 
em forma de pio, de consistncia cr- 
nea ; o pericapo tem um caroo pardo 
centro, envolto em uma substancia es- 
pessa e branca. 

Propriedades medicas. Este fru- 
cto empregado na cura de impigens ; 
para isto pisam-n'a e a applicam sobre 
a parte doente ; tambm empregam a 
decoco nos mesmos casos. 

Cip de fabot-.i. E^ a Fava de 
Santo Ignacio do Par e da BaMa. 

Cip japicfig:a de eerea. 

Fam. das Sapindaceas. E um arbusto 
indgena e trepador, com filetes que 
se agarram s plantas prximas. 

As folhas so lustrosas, semelhana 
de palmas recortadas. 

As flores brancas, em cachos. 

Os fructos vermelhos na. maturidade, 
abrem-se e deixam apparecer uma fse- 
semente envolta em substancia branca, 
mas que despida d'esse envoltrio, 
verde. 

Cip de jtiBita. D uma fructa 
que faz ngulos de um e outro lado, 
como contas de rosrio. 

Cip tie iiiaiBBibtk. Esta planta 
rastei-a ; vegeta nas praias. 

Tem as mesmas propriedades da Ca- 
rola. 

Cip ManaeB ASves. Axantes 
fasciciilata. Fam. das Rtihiaceas. Esta 

22 



154 



CIP 



CIP 



planta indgena; do-llie este nome 
nas Alagoas. 

\\m arbustinlio trepador, de caule 
delgado, com as summidades revesti- 
das de pellos. 

Folhas ovaes, oppostas, esbranquia- 
das na parte inferior e macias. 

Flores nas axillas das folhas, que 
so como estrellas brancas, com seus 
pequenos tubos. 

O fructo uma baga cnica, pe- 
quena e coberta, de pellos macios e 
brancos. 

Cig ES&o le Sa^i*. Cissus co- 
ralinus. Fam. das Ampehaceas. 
Planta trepadeira que tem este nome 
nas Alagoas. 

Ella elegante e prpria para jar- 
dim. 

Seu caule herbceo e molle. 

Suas folhas so como palmas, lu- 
zentes . 

As flores, reunidas em forma de pal- 
mas, inseridas de um s lado, de cr 
rubra brilhante. 

Todos os rgos da fructificao do- 
Ihe vim bello realce. 

Os fructos so bagas redondas, roixas 
com um ou dois caroos no centro; 
assemelham-se uvas . 

Caracteres da famlia. Sub-arbus- 
tos ou arbustos enroscantes, sarmen- 
tosos, e munidos de gavinhas oppostas 
s folhas. 

Estas so alternas, pecioladas, sim- 
ples ou digitadas, munidas na base 
de duas estipulas. 

As flores so dispostas em cachos, 
oppostos s folhas. 

O clice curtssimo, muitas vezes in- 
teiro, qunsi plano. 

A corolla de cinco ptalas valvula- 
res, algumas vezes coherentes entre si 
pela parte superior, e erguendo-se to- 
das imidas em forma de coma. 

Os estames, em numero de cinco, 
so direitos, livres e oj)postos s p- 
talas . 

O ovrio applicado sobre um disco 
hypogynico, annular e lobulado no con- 



torno ; elle ofterece constantemente duas 
lojas, contendo cada uma dois vulos 
erectos e anatropos. 

O estylete, que 6 espesso e curts- 
simo, termina em um estigma apenas 
bilobulado. 

O fructo uma baga globulosa, en- 
cerrando d'uma a quatro sementes ere- 
ctas, tendo seu episperma espesso, o . 
endosperma crneo, mais ou menos pro- 
fundamente sulcado, e contendo na sua 
base um embryosinho erecto e ortho- 
tropo. 

Esta pequena familia composta dos 
gneros Vitex, Cissus, Ampelojisis e Lea, 
muito distincta por suas folhas mu- 
nidas d'estipulas, pelas gavinhas oppos- 
tas s folhas, pelos estames oppostos 
s ptalas, e pela estructura do fructo 
e da semente. 

A opposio dos estames s ptalas 
um dos seus caracteres mais salientes. 

No gnero Zeca estes estames so 
monadelphos, e entre cada um d'elles 
se acha um appendice representando 
um estame abortado. Ha pois nas Ait- 
2)eUdaceas dez estames, cinco dos quaes 
normaes ; isto , os que so alternos 
com as ptalas, abortam, sendo so- 
mente representados pelo disco, etc, 
subsistem apenas os que so oppostos s 
ptalas. 

Ci|p> BSiiBljiBEaBao. Tetracera aspe- 
rosa. Fam. das Dilleniaceas. Esta 
planta, de Alagoas e Pernambuco, 
trepadeira. 

Tem o caule castanho, e com articu- 
laes. 

As folhas so um tanto grandes, lu- 
zidias e um pouco speras. 

As flores brancas e quasi sem cheiro; 
umas deitam fructos, outras no. 

Os fructos so capsulas reunidas 
em rosetas, contendo uma semente ver- 
melha cada uma. 

Tem o mesmo uso dos cips, em 
geral- 

C|i: liko. Fam. das Sapmdaceas. 
Arl)usto indgena do paiz, conhecido 
nas provncias do Norte por este nome. 



CIP 



CIP 



le><e> 



E' trepador. 
|?As folhas so um tanto grandes. 

As flores no observadas. 

O fructo, em forma de pio, de pe- 
ricarpo crneo. 

Ciji* rali o Be TiBasUj. Cardios- 
permium fragile. Fam. idem. Este cip, 
conhecido nas Alagoas por tal nome, 
tem caule trepador, como os outros. 

As folhas formam palmas. 

As flores so em feixes, brancas, com 
suave cheiro. 

Os fructos representam trs cocas, com 
azas, isto , tendo em cada loja uma 
aza. 

As sementes so trs, envoltas em um 
corpo branco. 

Este cip fraco, e por isto no fa- 
zem uso d'elle. 

O fructo vermelho de cor viva. 

Ci|93 de E*ft;g-o (do Rio de Janeiro) . 
Bignonia rego., Vell. Fani. idem. 
Tem os mesmos usos da Caroba. 

a^t ac rego vcniaellio. Ar- 

gylia appUcala. Fam. das Biguonia- 
ceas. Esta espcie tambm trepa- 
deira. 

Seu nome confunde-se com o de 
outras espcies bem semelhantes, mas 
das quaes se distinguem por caracte- 
res pouco sensveis. 

Esta cruza os seus ramos, e tem 
duas folhas em cada extremidade, 
quasi unidas. 

Suas flores so reunidas em grupos, 
de cr rubra, o que faz um bello 
efeito ; tem a forma de Anglicas. 

Os fructos so vagens, contendo se- 
mentes membranosas, que s mais das 
vezes no se acham. 

CiB'^ saasy^Be. Paulinia sangunea. 

Fam. das Sa'pindaceas. conhecido 
nas Alagoas este cip, que tem seme- 
lhana mui estreita com o precedente : 

Raho de Timb. 

O caule regoado, e cr de castanha. 
_ Suas flores muito semelhantes s 
d'aquelle. 



O fructo tambm rubro, sem a 
membrana, que forma azas, com se- 
mentes tambm adherentes substancia 
branca, 

Cisi tle cesto. Argylia plchra. 
Fam. das Bignoniaceas. Arbusto tre- 
pador, conhecido por este nome nas 
Alagoas . 

Suas vergonteas so finas ; com fo- 
lhas ovaes, oblongas, oppostas e co- 
riaceas. 

As flores agrupadas so como cor- 
netinhas, de cr vermelha brilhante. 

O fructo uma vagem comprida, com 
sementes simetricamente dispostas e 
aladas. 

Ha outra espcie bem anloga esta, 
e tambm chamada em Pernambuco 
Qif de cesto ; suas folhas porm so 
ternadas. 

Csp eift ceso fra'aMSe. Pote- 
rium sarmentosum. Fam. das Rosceas. 
Este cip arbreo, e tem nas Alagoas 
este nome. 

E' alto, de tronco escuro. 

As folhas so oppostas ellipticas. 

As flores em grandes cachos, porm 
pequenas, umas como bolotas e outras 
como penachos, em cuja base esto 
umas drupas ou bagas, que so as 
fructas, com sementes. 

Estas esto agglomeradas em grupos 
de dezoito a vinte. 

Ceste cip fazem cestos e cassuaes. 

Cg sifiM:s. Ancliietea saliitaris. 
St. Hil. Fam. das Jimcaceas. Subar- 
busto volvel, de folhas alternas, flores 
solitrias, e fructos grandes. 

Propriedades medicas. Sua raiz 
emtica, purgativa, e applica-se nas 
molstias exanthematicas. 

E' til tambm nas tos.ses convulsas 
das crianas, em dose pequena. 

A raiz d-se na dose de 4 a 8 
grammas, como purgante ; em p, ou 
melhor em infuso. 

Esta planta vegeta em S. Paulo e 
Minas Geraes. 



i rf.fi 



CIP 



cir 



Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas vivazes, raramente anniiaes, 
tendo o caule cylindrico, ni ou foliado, 
6 simples . 

Suas folhas, invaginantes na baze ; 
com uma bainha ora inteira, ora fen- 
dida em todo o seu comprimento. 

As flores so hermapliroditas, ter- 
minaes, dispostas em paiiicula ou em 
cimeira, encerradas, antes de seu desa- 
brochar, na bainha da ultima folha, 
que lhes forma uma espcie de espatha. 

O clice formado de seis sepalas 
glumaceas, dispostas em duas ordens. 

Os estames, em numero de seis ou 
somente de trs, esto inseridos na 
baze das sepalas internas. 

Quando no ha mais que trs esta- 
mes, elles correspondem s sepalas ex- 
teriores. 

O ovrio uni ou trilocular, mais 
ou menos triangular, contendo s ve- 
zes trs vulos anatropos, erectos, ou 
vrios vulos ligados ao angulo interno 
de cada loja. 

O estylete simples, terminado por 
trs estigmas. 

O fructo uma capsula, de uma ou 
trs lojas incompletas, contendo trs 
ou maior numero de sementes, e 
abrindo-se em trs valvas, trazendo 
cada uma um septo no meio da sua 
face interna. 

As sementes so ascendentes ; seu 
tegumento duplo, o endosperma duro 
e farinceo, comprehendendo para sua 
baze um embryosinho arredondado e 
homotropo. 

C|i <Ie tayiiy. V. Tayuy ou 
Tayoy 

Cigi <i*iiia ! ;s:a!!ftt. V. 
Urtiga cIq cip. 

Ci|939 veB*BMll80 lo IVaco. 

CandoUea fragilis. Fam. das DiUeniaceas. 
Nas Alagoas e em Pernambuco do- 
Ihe este nome. 

E uma trepadeira de folhas obconi- 
cas, lustrosas e coriaccas. 

As flores so brancas, cheirosas e em 
cachos. 



Os fructos so capsulas dispostas 
em cruzetas, e que encerram em cada 
alojamento uma semente. 

No usado como corda pela sua 



fragilidade. 



Cian'etc nincrieano. PimS 
alies, Lamk. Fam. das Goniferas. Esta 
planta admirvel, e cujo tronco chega 
a medir 35 e 36 metros de circumfe- 
rencia, pouco empregada em medi- 
cina. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia se compe de todos esses arbustos 
e grandes arvores, que tem semelhana 
com o Pitilieiro., e que se designam 
commummente sob o nome de arvo- 
res verdes e resinosas. 

As folhas coriaceas e rijas, persis- 
tem em todas as espcies, excepto no 
Mleze e Gingxo. (fr) : 

Estas folhas so umas vezes largas, 
outras vezes lineares, solitrias ou reu- 
nidas em feixes em numero de duas 
a cinco, acompanhadas na base de 
uma pequena bainha escariosa ; ou 
ento so em forma de escamas iiu- 
bricadas, ou lanceoladas, etc. 

As flores so constantemente uni- 
sexuaes, e em geral dispostas em co- 
nes ou casulos. 

As flores masculinas consistem es- 
sencialmente cada uma em ura es- 
tame, ora n, ora acompanhado de 
uma escama, na axilla ou na face in- 
terna da qual elle est coUocado. 

Muitas vezes vrios estames se en- 
trelaam pelos filetes e pelas antheras, 
os quaes so uni ou biloculares, ficam 
distinctas ou se soldam. 

A inflorescencia das flores femininas 
variadssima, posto que geralmente 
formem cones ou casulos escamosos. 

Assim, ellas so s vezes solitrias, 
terminaes ou axillares , ou ento va- 
riadas em um invlucro carnoso ou 
secco. 

Cada uma d'estas flores apresenta um 
clice gamosepalo, adherente ao ovrio, 
que em parte ou totalmente infero. 

Seu limbo, algumas vezes tubuloso, 



COA 



coe 



iZ^S 



ora inteiro, ora de dois lbulos diva- 
ricados, glandulosos na face interna, 
e que geralmente se consideram como 
dois estigmas. 

O ovrio de uma s loja, e contm 
um s ovulo. 

Em seu pice elle apresenta com- 
mummente uma pequena cicatriz, que 
o verdadeiro estigma. 

Ora estas flores femininas esto em 
p no fundo das escamas, ou no inv- 
lucro em que se acliam collocadas, ora 
esto deitadas e unidas duas duas 
por um de seus lados face interna, na 
base das escamas que formam o cone. 

O fructo geralmente um cone es- 
camoso, ou ento um galbulo, cujas es- 
camas, s vezes carnosas , se soldam, 
e representam uma espcie de baga, 
como nos Zimbros, por exemplo. 

Cada fructo em particular, isto , 
cada pistillo fecundado tem um peri- 
carpo muitas vezes crustceo, sseo ou 
membranoso ; outras vezes munido de 
uma aza membranosa e marginal, de 
uma s loja, contendo s uma semente, 
6 ficando perfeitamente deliiscente. 

O tegumento prprio da semente 
adherente ao pericarpo, e cobre uma 
amndoa composta de um endosperma 
carnoso, encerrando um embrio axil- 
lar e cylindrico, cuja radicula acaba 
por soldar-se com o endosperma, e 
cuja extremidade cotyledonar se divide 
em dois, trs, quatro at dez cotyle- 
dones. 

Coajiaagriiv. Ficus antlielmintica, 
Mart. Fam. das Artocarpeas. Esta 
planta cresce no Amasonas e no Rio- 
Negro. 

cougenere das Gamelleiras, 

Propriedades medicas. Esta arvore 
d um sueco leitoso, que enrgico 
remdio contra a tenia (solitria), na 
dose de 1 a 2 grammas, e continuada 
por alguns dias. 

A amndoa que ella produz alva 
e doce ; come-se assada. 

Goza de virtudes aplirodisiacas, e 
julga-.3e que activa a memoria. 



Co9>ii> do Par. Solanum sessi- 
leflorum. Fam. das Solanaccas . As 
bagas d'esta planta so.polposas, e ser- 
vem para doces e conservas. 

Coca. V. Ipad, 

CoealSera. V. Camphoreira. 

Coco asaiarello. Arbusto ind- 
gena, que em Pernambuco por tal 
nome conhecido. 

E' empregado na construco civil, 
etc. 

Seu lenho amarello claro e bonito, 
e por isso torna-se uma madeira mui 
procurada; porm perde facilmente a cr. 

Elle resiste aco do caruncho, e 
por isso mui procurado para caibros. 

As flores so tambm amarellas. 

Ha outra espcie, a que chamam Coco 
hratico ; mas a madeira d'este no tem 
os predicados da do amarello. 

Coco Sa'iiBo V. Coco ama- 
rello. 

Coco tSa Italaia. V. Coco da 

ndia . 

Coco Se caSiaiTO. V. Maca- 
hiba. 

Coco OU Co(i<es'o 3a Insia. 

Cocos nucifera, Linn e Spl. Fam. das 
Palmaceas. Esta excellente palmeira 
oriunda dos paizes intertropicaes, da 
Azia, da Austrlia, da America e da 
Africa. 

E' conhecido este vegetal na Bahia 
por Coco da Bahia, e em Pernambuco 
simplesmente por Coco. 

Acclimado no Novo Mundo, desde 
epochas remotas, vegeta no littoral so- 
bre as ardentes aras, aonde a mr 
parte dos vegetaes perecem. 

O coqueiro, elegante e distincto em 
seu porte, eleva-se altura de 25 a 
2 metros pouco mais ou menos. 

Seu tronco, fino em proporo a sua 
altura, de 20 a 40 mellimetros de dia 
metro, com um feixe de raizes curtas 



flo8 



coe 



coe 



e bastas, formando um corpo volumoso 
e cnico na base. 

A cor da casca cinzenta clara, tendo 
a superfcie marcada de cicatrizes cir- 
culares, signaes das folhas que cahi- 
ram, durante o crescimento da planta. 

As folhas formam um bello ramalhete 
na summidade do tronco, que se agita 
com as lufadas do vento. 

Elias so dispostas em verticillo, 
como palmas, que offerecem um eixo 
amarello e fibroso, chamado vulgar- 
mente, palha de coqueiro, cuja baze 
de 10 millimetros, e muito progressi- 
vamente se estreita para a ponta, tendo 
nos lados inseridas as folhas estreitas 
luzentes. 

Cada folha d'essas tem seu peciolo 
prprio, fibroso e amarello, a que cha- 
mam ponteiro de coqueiro. 

E' mui flexvel ; fazem com elle gaio- 
las de pssaros, e tambm d'elles se 
servem para enfiar peixe, etc. 

Ao gommo novo que brota do cen- 
tro das folhas chamam olho ou fal- 
mito ; no estado rudimentar como uma 
massa filamentosa, esbranquiada, a 
qual adubada, um dos apreciveis 
pratos nas cosinhas. 

As flores so de sexos separados ; 
inseridas em um grande numero de 
varetinhas fibrosas; so como rosetas, 
carnosas, que parecem feitas de cera 
branca. 

As fecundas (que so as fires f- 
meas) vem com o rudimento do fructo. 

A' este cacho filamentoso chamam 
Vassoii,ra de coqi(,eiro. 

Elle off'erece um rgo, que lhe sr- 
vio de capa ou do estojo, contendo as 
flores ; assim permanece at a matu- 
ridade dos fructos, e conhecido por 
Canoa de Coqueiro. 

O fructo cresce, e toma dimenses 
diversas, isto attinge s dimenses 
de uma cabea humana, e contm 
n'um invlucro exteriormente liso, in- 
teriormente esponjoso, quasi inteira- 
mente composto de fibras, uma noz le- 
nhosa, dura, de cr parda, ao princi- 
pio cheia de um liquido lcteo, mais 
tarde de um miolo oleaginoso, branco 



e bastante consistente, de que se ex- 
trahe um leo mui fino ei; saboroso. 

Klle tem a forma oval e semitrigona 
para a ponta, de cr verde ou acasta- 
nhada, e tem na base umas escamas co- 
riaceas, sobrepostas, (fragmentos dos 
rgos floraes). 

O esterior do fructo um espesso 
tecido de fibras cerradas, de cr es- 
cura; sob essa camada ha um corpo 
espherico, muito duro, com uma cavi- 
dade no centro, occupada por um licor 
branco, doce, emulsivo e refrigerante; 
sendo a parte interior d'este rgo for- 
rada de uma substancia branca, espessa 
de 2 a 4 millimetros, doce e oleosa. 

Ao corpo sseo, chamam vulgarmente 
qtenga, ao liquido agiM de Coco. 

Este corpo duro tem na sua base trs 
cicatrizes (pontos pretos), a que chamam 
olhos : uma d'ellas encerra o germem 
de uma futura planta. 

Este corpo que forra as paredes do 
Coco por dentro quando verde ou para 
melhor dizer, inchado (*), cartilagi- 
noso e muito bom, e n'este estado 
semi-transparente, meio oleoso e agra- 
dvel. 

No foi sem razo que Mr. Richard 
distincto naturalista chamou ao Co- 
queiro da ndia, Bei dos vegetaes. 

Com ef^eito, notvel esta planta no 
s pelo seu bello porte, como por suas 
extensas applicaes e sua grande uti- 
lidade. 

Ha vegetaes que se prestam a di- 
versos misteres, mas sempre dentro 
de uma esphera limitada; ao passo que 
o Coqueiro se presta a usos variads- 
simos. 

Assim o seu tronco serve de rolo 
para sobre elle se rodar as jangadas ; 
serve de moures de cerca ; d por 
distillaeo uma agua, com a qual se 
prepara uma bebida ; tambm serve de 
lenha. 

Com as palhas se cobrem casas e 
choupanas dos mattos e do littoral, 
etc. etc. 

(*) Termo vulgar que quer dizer quasi 
maduro, de vez. 



coe 



COE 



159 



Do peciolo principal das folhas ti- 
ram-se palhetinhas para balaios. 

O gommo terminal, quando novo, 
o palmito, que constituo uma excel- 
lente iguaria. 

As palhas tambm servem para se 
fazer vassouras. 

O periearpo secco do fructo excel- 
lente para esfregar o assoalho. 

Em outros paizes fazem-se boas e 



emprega do mesmo modo que o do 
Coco. 

Ella coberta de uma polpa faiina- 
cea e muito nutritiva, que tem sido 
de grande utilidade em tempos de fome. 

D'esta fcula faz-se uma sopa ou 
angu, como se chama no lugar. 

O miolo do pice do caule desta pal- 
meira heuma substancia branca, tenra, 
um pouco doce, e de gosto agradvel ; 



durabilissimas amarras, e certos uten- ella no faz mal, inda mesmo quando 

se come crua. 

Cozida com a carne, o gosto no dif- 
fere muito do da couve. 

Depois de se lhe ter tirado o princi- 
pio saccharino, cozinhando-a, ella tor- 
na-se prpria para ser adubada, e assim 
^izem d'ella excellentes pratos, (igua- 
rias.) 



silios de navios, das fibras 

Da qimiga fazem-se vasos, como coco 
para beber agua, uma espcie de ti- 
jella (cuia), e diFerentes objectos. 

A agua serve de refresco: agrad- 
vel e de muito valor. 

A amndoa a parte mais impor- 
tante, porque tem innumeras applica- 



oes. 
O leite que se extrahe d'essa amen-) Cwcoeoes*. Aulotmjrcea lauruetania . 



doa medicinal, e muito agradvel ao 
paladar ; usa-se adubar com elle certas 
iguarias. 

Na arte da confeitaria serve para 
diversos doces. 

Da amndoa faz-se delicioso doce, e 
afinal o bagao ptimo alimento para 
as aves gallinaceas, e para os porcos. 

E' a mais importante de todas as pal- 
meiras. 

J aos seis annos principia, a dar 
fructos , que ammadurecem em todas 
as estaes. 

Segundo o seu gro de madureza 
proporcionam uma bebida agradvel 
diurtica e refrigerante. 

Externamente applicam a agua de 
coco nas sardas e espinhas do rosto. 

O miolo utilisa-se como alimento sa- 
boroso e nutritivo, e d'elle se extrahe 
tambm leo muito fino e saboroso , 
usado nas artes para o fabrico de sabo; 
sua seiva d vinho, vinagre, e i-ack ou 
arak, liquido alcolico fermentado. 

Coco > e3j|teipo. Naid-cocos. 
Fam. idem. Arr. Cam. Grande pal- 
meira que se acha em muita abun- 
dncia em Cariris-novos e no Piauhy, 

A nz contem trs ou quatro semen- 
tes, das quaes se extrahe leo, que se 



Fam. das Myrcineas. E uma planta 
aromtica. 

Cosc Se lUBrga.. V. Anda-a. 

Cocosatsa*. V. Cabaceiro amargoso. 

Coesaa^lSfio. Xanthoxylum hyemale^ 
Si. Hil. Fam. das Rutaceas. E' uma 
arvore das provncias do Sul, aonde 
conhecida por tal nome. 

Cresce nas mattas de Santa Cathari- 
na. Rio Grande do Sul e Estado Orien- 
tal. 

Tem as folhas midas, em forma de 
palmas. 

Flores em cachos, e um fructosinho 
redondo solitrio ou duplo. 

E' uma excellente madeira de cons- 
truco. 

Sua casca, reduzida a p, empregada 
pelos habitantes d'esses lugares contra 
as molstias do ouvido. 

Coentro Coriaudrum saiivum, Linn. 
Fam. das Umlelliferas . Estaherva 
aromtica natural dos paizes do Le, 
vante, acclimada ha muitos annos no 
Brasil, especialmente em Pernambuco, 
onde se faz quotidiano uso d'ellc com 
indispensvel tempero. 



lOO 



COE 



COE 



Tem o Ciiule articuliido e rolio. 

Folhas em palmas recortadas. 

Flores em cachos, formando umbrella, 
como chapo de sol, brancas e midas. 

O frueto um globosinho que se di- 
vide em duas partes ; coroado por 
duas pontas, e encerra dois carocinhos 
dentro. 

Todas as partes so aromticas. 

Gosa de propriedades carminativas 
(anti-flatulentas) e estomachicas. 

No empregam no Rio de Janeiro 
est planta como adubo. 

Ha duas espcies: roixa e branca ; a 
primeira a medicinal preferida. 

Os fructinhos applicam-se para re- 
solver tumores. 

i^&entvo ii C!oaaia. Eri/ti- 
ffium fcediim, Swart. Fam. idem. 
Esta planta da mesma familia do 
coentro . 

Propriedades medicas. E' sedativa, 
febrfuga e antihysterica. 

E' tambm til nas mordeduras de 
cobras . 

C3eaaa'. ErijngiiiM cam])i)iarum. 
Fam. idem. Esta lierva indigena, e 
vegeta pelas campinas. 

E' conhecida nas Alagoas, aonde lhe 
do este nome; mas o Coentro do Ma- 
ranMo., em Pernambuco, uma espcie 
de outro gnero. 

Tambm nas Alagoas chamam-n'o En- 
dro do Maranho. 

O que queremos descrever quasi sem 
caule, e semi-rasteiro. 

As folhas espatuladas, com as bordas 
recortadas, so luzentes. 

As flores formam uma espiga, que 
sahe do centro, so brancas, deprimi- 
das, contendo no interior o frueto. 

Tem cheiro anlogo ao do ooentro 
extico; porm mais enjoativo. 

Algamis pessoas temperam com elle 
as comidas s no inverno. 

C3ea4saaia ou Casessass. Cestrvm 
nocturnwn, Linn.Fam. das Solanaceas. 



Arbusto de 2 % a 3 metros de al- 
tura, natural do Chile e da Jamaica. 

Suas folhas so ovaes subcordiformes, 
alternas, lisas, pecioladas e de cheiro 
nauzeante. 

Flores amarellas-es verd i nh adas , 
abrem-se de noite, e tm a forma de jas- 
mim. 

O frueto uma baga oval com uma 
polpa dentro e muitas sementes. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada como emolliente ; e til contra as 
febres iiitermittentes. 

Coes*aita. das Alagoas. Came- 
naria caulflora. Fam. das Afocynaceas. 

Arbusto conhecido nas Alagoas por 
este nome. 

E' de mediana altura. 

Suas folhas so alternas, lanceoladas, 
e coriaceas. 

As flores fasciculadas, apegadas aos 
ramos e ao caule. 

So brancas, semelhanade jasmins. 

Os fructos so invisveis. 

Coei*i3Ba ila ISaIb, S. iPaitlo, 

e Mio eSe ManserM. Ceslrum lae- 
xigatwn., Schlechtendal. Fam. das So- 
lanaceas. Planta que pertence fami- 
lia da Herva Aloura. 

Esta espcie vegeta nas provincias 
acima citadas. 

Cia^mui> de Miaiis c alo R.io 

tBc elsimieiii'. Cestrum Corpnlosuni, 
Schlechhidit. Fam . idem. Os mesrnos 
attributos das congneres. 

Coca'isaa de S.*ea*aaiSBJil3a?o. 
Coti/ledon hrasilica, VelL Fam. das Cras- 
sulaccas. A herva que recebe este nome 
em Pernambuco, varia nas outras pro- 
vincias. 

Ella ramosa, seu caule no cresce 
muito . 

As folhas so grossas, cheias de sueco 
amarello aquoso. 

As flores formam uma espiga na ex- 
tremidade livre de uma longa haste ; so 
de cr amarella carregada, semelhana 
de Anglicas, pendentes, e sem cheiro. 



COE 



COI 



flCl 



Os fructos so capsulas pequenas, con- 
tendo muitas seraentinhas. 

Propriedades medicas. Applicam as 
folhas sobre as partes queimadas, tiran- 
do-lhes uma pellicula delgada que ha 
no limbo, e passando depois lentamente 
sobre fogo para aquecel-as e amoUe- 
cel-as. (Fig. 17.) 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia se compe de plantas herbceas 
ou de arbustos, cujas folhas, caule, 
ramos e em geral todas as partes her- 
bceas, so espessas e carnosas; estas 
folhas so alternas ou oppostas. 

As flores, que apresentam algumas 
vezes cores vivssimas, oflFerecem diffe- 
rentes modos de inflorescencia. 

O clice profundamente dividido em 
um grande numero de segmentos. 

A corolla se compe de um numero 
variadssimo de ptalas regulares, de 
estivao imbricada, distinctas ou sol- 
dadas em uma corolla gamopetala. 

O numei"o dos estames o mesmo, 
ou ainda raramente duplo do das p- 
talas, ou do dos lbulos da corolla ga- 
mopetala. 

Estes estames so entremeados de es- 
camas de forma diversa, que no so 
evidentemente outra cousa mais que 
estames abortados. 

No fundo da flor acham-se constan- 
temente varias carpellas distinctas, e 
cujo numero varia de trs a dose, e at 
mais; cada uma d'ellas se compe de um 
ovrio mais ou menos alongado, de uma 
s loja, contendo muitos vulos, ligados 
a um trophosperma suturai e interno. 

Rarssimas vezes estas carpellas se 
soldam em um ovrio plurilocular. 

O estylete e o estigma so simplices. 

Os fructos so folliculos uniloculares, 
polyspermicos, abrindo-se por uma su- 
tura longitudinal e interna ; ou s vezes 
o fructo uma capsula plurilocular e 
plurivalve. 

As sementes offerecem um embryo 
cylindrico, orthotropo, collocado em um 
endosperma carnoso e delgado, faltando 
algumas vezes. 



Coerana lo Rio Grande do 
Siil. Cestrum parqui, Willd. Fam. 
das Solanaceas. Todas estas espcies 
de Coera?ia, so ernollientes, anodynas, 
e diurticas. 

Em banhos so antihemorrhoidaes. 

As suas folhas servem para clarear 
a roupa. 

Os fructos do uma matria corante, 
roxa azulada, empregada na tincturaria. 

Coit. Crescentia cujete, Limi. Fam. 
das Bignoniaceas . Arbusto oriundo de 
Novo Continente, e mui commum nas 
Antilhas. 

E' uma arvore media, de casca es- 
branquiada, (espcie de cortia.) 

As folhas, em verticillos de trs, so 
estreitas ; a flor d pelo tronco e ramos. 

No pequena, de aspecto de um 
bzio ou corneta, esverdinhada e sem 
cheiro. 

O fructo, porm, uma espcie de 
cabaa de 10 millimetros pouco mais ou 
menos, oval e espherica; pericarpo es- 
verdinhado, crneo semi-lenhoso ; den- 
tro ha uma polpa, branca succulenta, 
cheia de sementes chatas aloiradas. 

Do fructo d'esta planta fazem-se cuias^ 
para o que elle cortado em dois he- 
mispherios ; torna-se oco depois de ter 
sido passado pelo fogo ; a cuia serve 
de vaso para diversos misteres. 

Propriedades medicas. O sueco da 
polpa da fructa empregado nos teta- 
nos, e nos spasmos, na dose de 16 gram- 
mas. 

Coit ti utata. Gonolohus ma- 
crocarpa. Fam. das Apocynaceas E' 
uma planta indgena, que recebe este 
nome nas Alagoas. 

E' uma trepadeira, ou por outra um 
cip, que entrelaa-se sobre as outras 
plantas. 

E' uma planta lactifera, de folhas 
cordiformes e grossas. 

As flores no so pequenas, e tm a 
forma de estrellas esverdinhadas. 

O fructo parece o do Coit perfeita- 
mente no exterior, porm maior, de 

23 



16% 



COM 



CON 



de 10a 15 millimeti'os de comprimento, 
e muito elstico. 

Seu tegumento externo verde e co- 
riaceo. 

Dentro occupado por uma substan- 
cia filamentosa e branca, formando 
como dois tubos, os quaes estam cheios 
de i caroos dispostos symetricamente ; 
so amarellos pallidos, chatos com um 
froco de pellos. 

Todas estas partes so cheias de abun- 
dante sueco viscoso e lcteo. 

Colo(igtBda. Cucumis. Colocyn- 
this, Linii. Fam. das Cucurhitaceas . 
Planta trepadeira do Cabo da Boa Es- 
perana. 

Suas folhas cordiformes, recortadas 
em sua base. 

As flores solitrias, de dois sexos, de 
cr amarella. 

O fructo globuloso e amarello na ma- 
turidade, com uma polpa dentro, e va- 
rias sementes. 

Propriedades medicas. Quasi todos 
as reconhecem como um irritante de 
aco drstica mui enrgica, e tambm 
emtica. 

CoBBasBBStlaSaylsa : Sopliora acci- 
dentalis^ Swa?-i. Fam. das Leguminosas. 
Planta natural da America Meridional. 

Suas folhas so palmadas. 

As flores amarellas, em cachos. 

O fructo um legume moniliforme. 

um veneno para a raa canina ; 
comtudo pode ser empregado com cri- 
trio contra as febres intermittentes. 

Esta planta tem muita analogia com 
o Feijo de Boi de Pernambuco. 

CoBasa?so. Cttminum cyminwn, 
Fam. das Umbelliferas . Herva muito 
cultivada na Europa e pouco cultivada 
no Brazil; natural, do Oriente, e oriun- 
da do Egypto e da Ethiopia. 

Ella herbcea ; seu caule chega at 
altura de 1 1/2 metro, lizo e ligei- 
ramente pubescente na summidade. 

As folhas muito estreitas, e cortadas 
cm palminhas. 



Flores em cachos, brancas e tintas 
de vermelho. 

Os fructos so obconicos, pardos, com 
cheiro activssimo. 

Ningum ignora o uso do Cominho 
na arte culinria. 

alm disto medicinal por possuir 
virtudes carminativas, estimulantes e 
emmenagogas. 

Caii&I) ou Cona.aau. Phyllan- 
tiis conami,VeU.,e Swart. Ph.Braziliensis., 
Lamli., Fam. das Eihiiliorhiaccas. Ha- 
bitante do Rio Negro e do Par, tem 
esse arbustinho folhas ovaes, alternas, 
e muito ramoso. * 

As folhas so em feixes pelas axil- 
las das folhas, e o fructo semelhante 
ao Pinho. 

Os caboclos entorpecem os peixes 
nos rios com esta planta. 

E' considerada diurtica no Rio Negro 

CoBSiisfiai. V. Conahi. 

CosaaasB. V. Conami hrasiliensis . 

Coaad. a planta que em Per- 
nambuco chamam Qordio oti Guardio. 

Cffisaclei^'^ SB fiVsaeajB ti CoaaaSe. 
Ationa otusiflora^ Mart. Fam. das 
Anonaceas . Tem recebido a Condessa 
o nome de Fructa do Conde em Per 
nambuco. 

oriunda dos paizes intertropicaes. 

Esta espcie um arbusto esgalhado,'; 
tronco escuro, folhas oblongas e ramos 
flexveis. 

Flores carnosas, como estrellas de 
trs pontas, e esverdinhadas. 

O fructo cnico ; tendo na sua su- 
perfcie externa, que liza e lustroza, 
pontos salientes. 

Dentro a substancia branca, um 
pouco filamentosa, aquosa e doce, for- 
mando bagos, nos quaes contm um 
caroo preto lustroso no meio, de forma 
elliptica, e com leve aroma. 

A semente d'essas espcies passa por 
venenosa. 

Caas^^^ssa-a Io fl?iBBa|B3 ib aasate 



CON 



CON 



163 



lo ean>io. Liixemhurgia polyandria, 
St.-Hil.Fam. das Franlieniaceas, E' 
um subarbusto que vegeta nos campos 
de Minas Geraes. 

Suas folhas so oblongas ; ellipticas, e 
suas flores em cachos. 

O fructo uma capsula trivalve. . 

Esta planta, que tambm o mate do 
rampo , no comtudo to genera- 
lisado como o de Coritiba, que tem 
a mesma importncia e consumo que 
o CM da ndia. 

Caracteres da famlia. As Fra?i- 
keniaceas so herbceas ou fructescen- 
tes. 

As folhas so alternas ou verticilla- 
das, inteiras ou denteadas e serriadas, 
tendo nervuras lateraes muito appro- 
ximadas, e, na base, duas estipulas, 
que faltam somente no gnero Fran- 
kenia. 

As flx'es so axillares, dispostas em 
cachos simplices, ou compostos, ou em 
paniculas : estas flores so hermaphro- 
ditas. 

O clice formado de cinco sepalas, 
ligeiramente soldadas na base. 

Acorollade cinco ptalas, iguaes ou 
desiguaes. 

No gnero Sauvagesia., observa-se de 
mais um verticillio de filamentos intu- 
mescidos, e uma coroUaque existe tam- 
bm no gnero Luxemburgia. 

Os estames, em numero de cinco, de 
oito, ou indefinido, so livres. 

As antheras so de duas lojas extror- 
sas, que se abrem por uma fenda lon- 
gitudinal ou por um poro.. 

O ovrio ovide, alongado, ou tri- 
gono, muitas vezes collocado sobre um 
disco hypogynico ; elle ofterece uma s 
loja, contendo trs trophospermas pa- 
rietaes, trazendo cada um d'elles um 
grande numero de vulos. 

O estylete frgil, terminado em um 
estigma extremamente pequeno. 

O fructo uma capsula, coberta pelo 
clice ou pela corolla, de uma s loja 
que se abre em trs valvas, trazendo 
sementes unidas a podospermas assaz 
compridos no meio da face interna. 



Estas, no centro de um endosperma 
carnoso, contm um embryo axillar, 
cylindrico e homotropo. 

Conyza. Alopecuroies., LamTi, 
Fam. das Compostas. E' uma planta 
quasi herbcea. 

Suas raizes so diurticas e lithon- 
tripticas. 

Consai6iB8te. Betonia orientalis ., 
Linn. Fam. das Lahiadas. Flor culti- 
vada, de um subarbustinho a que do 
este nome em Pernambuco ; sua ptria 
o Oriente. 

Attinge altura de 1 metro, pouco 
mais ou menos. 

Tem os ramos novos, nodosos e 
brancos. 

As folhas irregulares na cor ; so 
tinctas de amarello umas, e de branco 
outras. 

As flores so em cachos, axillares, 
pequenas e membranosas, oflFerecendo 
na parte superior dous lbios. 

ornamento de jardim. 

Coattt% le eafsa^ai. Dorsternia oplii- 
diana. Fam. das Urticaceas. Esta 
planta herbcea conhecida nas Ala- 
goas por este nome. 

quasi rasteira ; suas folhas, com 
peciolos compridos, so ovaes, agudas, 
de cr verde roxeada, sendo tambm 
da mesma cr o limbo das folhas. 

As flores esquisitas, representam um 
vaso ou uma taa, sustentada por um 
pednculo que sae do centro da planta, 
encerrando muitas floriuhas de sexos 
separados ; estas, engastadas n'uma es- 
pcie de polpa, no tem aspecto de 
flores : so miudinhas e de cr parda. 

Esta planta empregada nas mor- 
deduras das cobras : tambm do-lhe 
o nome de Chupa-cJmpa. 

CoiBta'a-leH*v. Dorstenia contra- 
Jierva^ Linn. Dorstenia hrasiliensis^ Mart. 
Fam. idem. uma herva indigena 
quasi rasteira ; suas raizes so flbrosas, 
rugosas, nodosas, cylindricas, e de gosto 
adstringente e acre. 



1414 



COP 



COQ 



As folhas, quasi sobre a superfcie 
da terra, so ovaes-oblongas, baas, as- 
prrimas. 

Peciolos longos, e carnosos. 

A flor forma um pendo como na 
planta acima, sua congnere ; sendo 
porm o envoltrio da flor acinzentado. 

Nas provindas limitrophes do Sul, 
esta planta chamada pelos indgenas 
Caa-Apia. 

Propriedades MEDICAS. Applicam-na 
contra as febres de qualquer gnero ; 
summamente diaphoretica, anodyna, 
anti-catarrhal, peitoral e finalmente an- 
ti-herpetica. 

Passa por especifica contra a morde- 
dura das cobras. 

O povo tanto reconhece suas virtu- 
des, que para qualquer affeco ella 
aconselhada. 

Existem diff^erentes espcies, a saber : 
DoTstenia Irijoni folia. Dorstcnia opifera, 
Mart. A Dorstenia pernambucana e a 
Dorstenia rotundi folia., Arr. Cam. So 
prprias de Pernambuco. 

Segundo o professor Serpa esta planta 
a que o Tijua&s come quando mor- 
dido das cobras. 

Na Bahia se conhece a Contrayerha 
pelo nome de Ti., derivado de Tijuass. 

Segundo Moreira, drstica, adstrin- 
gente, e applicada na chlorose e nas 
leucorrheas. 

Em p d-se de 1 a 4 grammas; e 
em infuso, feita com l grammas para 
1000 d'agua, d-se aos clices. 

Coiitral!aeiivi Se fol9&s. eont- 

liricl. outra espcie. 

CoivaSilteir^a. ou Po <l'o9eo. 

Copaifera officinalis., Lian Fam. das 
Leguminosas , 

Propriedades medicas. A copahiha 
applicada nos catarrhos chronicos, na 
dose de C decigrammas, que vai-se 
depois augmentando progressivamente. 

Externamente uza-se nas dores ute- 
rinas em fomentaes, e como deter- 
sivo nas ulceras. 



Coiialaibei' fie CiiialtiV e de 
Uliiaas. Copaifera nitida., Mart. Par- 
tindo-se da Copaifera oficinalis pde-se 
fazer ida das mais espcies. 

Coptal&iljvirift lo Maraailto e 

do l8.a*. Copaifera., Mart. e Hayne. 

Fam. idem. 

Copaleilseira do Rio de Ja- 

ME. Copaifera deyrichu ou ofici- 
nalis., Well. Fam. idem. 

Cog^iaStileira de S. Paulo e 

Misias. Copaifera Langsdorfl., Desf. 

Fa77i. idem. Esta espcie tem os fo- 
liolos em cinco pares, e ellipticos, ob- 
tusos, diminutos, luzentes, ponctuados 
e glabros; os peciolos pubescentes. 

o|itiSa3}eBE'a (9o Rio I\es:ro e 

So 3*46 B*. Copaifera Giiyanensis., Desf. 

Fam. idem. Esta planta tem trs e 
quatro pares de foliolos, ovaes, ellip- 
ticos, glabros, ponctuados, agudos e 
mucronados. 

Cofta uva. 7. Copahiheira. 

Coqueiro. Segundo os auctores 
65 gneros e 273 espcies tem-se co- 
nhecido de palmeiras, das quaes apre- 
senta o Brasil 24 gneros e 112 esp- 
cies at hoje. 

Apontaremos aquellas de que temos 
conhecimento ; fazendo ver que todas 
ellas gozam mais ou menos de proprie- 
dades muito importantes. 

CoiJaeiro Aaiiargoso. V. Qua- 
rioba. 

Coineiro Apicairy. V. Ariciri. 

Coq^seia* Assaty. F. Assaliy. 

Coqiaaia* Ayri. F. Ayri. 

Co(|ucis*o SiiSra de Boi. W 
Baba de Boi. 

Coqueiro BalLnnaS:. V. Ba- 

binha. 



COQ 



COQ 



I6S 



& 



Coqueiro laeal. V. Bacaha. 

Colieiro ela ISi%liii. V. Coco 

da ndia. 

Cocfseiro leBatait. V. Baiana. 
Coqvieivo Ba^iLiiiltia. V.Baxiuha. 

Cocfueiro BrijaMV. V. Bri- 

jauha. 

o<iueii*o Buriti- F. Buriti. 

CoBueiB*o Burii iravo. T . 

Buriti liravo, 

Coiuero Caeutlo. F. Ca- 

letido. 

Cocjiisc-iro Caiaii. F. Caian. 

Coqueiro CaraMtlaley. F Ca- 

randahy. 

Coquei re Cariataba. F. Car- 
uala. 

Coqueiro t!e Catarrlto. F. 

Macaila. 



ueiro e CoI. F. Ca- 



tol. 



Coqueir o Cli ienee. Y.CMlense. 

CoqlfiiQriro Curu. F. Cuauass. 

Coqueiro Deisd. F. Dende. 

Coqueiro Guag;uEB^'. F. Gua- 
gnaM. 

Coqueiro Guavrobie. V. Gua- 
mroha. 

Coqueiro Gurery. F, Gurery. 
Coqueiro Gury. F. Gwy. 
Coqueiro Isufsjupy. F. Imhury. 



Coqueiro lBScIya-as8<BH. V. 

Indaya-ass. 

Coqueir Iwdaya-guaei-itai. 

F. Coco da ndia. 

Coqueiro Jaraiuva. F. Jara- 

iiwa. 

CoSueiro fafaulta. F. Jatauba. 

CocjiBeiro Jissara. F. Jissara. 
Coqueiro efau?ri. F. .laxiari. 

Coqtseiro MarajuPa. F. Ma- 

caiha . 

Coqueiro IWaraj;?. F. Maraj. 

Coqueiro lIorpEas. F. Marfim 
mdgar. 

Coeg ueiro HIsBrsEiMur. F. Mm- 
rumtr . 

Co|ueiro Oauass. F. Oauasm. 

Coqueiro PaioSa. F. Patioha. 

Coqueiro Pia^i^iifa. F, Pm- 
saia. 

Coqueiro PiuC F. Pindoha. 

CofgBeiro PisBflotoa. F. Pin- 

doba. 

Coqueiro PissauloS. F. Co- 
queiro da Praia. 

Coqueiro PopuBslfieirO. V. 

Pof unheiro. 

Coqueiro laPraia. F. omesr/io. 

Coqueiro t fjuaresiuia F. 

o mesmo. 

Coqueiro Tieussafra-iva. F. 

Tacumha-iva. 



166 



COQ 



COR 



Coqueiro TaPiftaDifalo. F. Ta- 

rarufalo. 

Coqueiro Tiieuiii. F. Tucum. 

Coiasieiro TsaeBBuay. F. Ttccu- 
may. 

Cofiiieiro Uyao. F. Uvao. 

Coqaeiro UBBftSsiUEitba. F. Um- 

bamha. 

Coqueiro Uricaua hrai'. 

F. Uricana brava. 



Coqueiro Urucuri-iSsa. 

Uruciiri-iba. 



Y 



Coqueiro Urucari. F. Urucari. 

Cosfueiro Visia. F. Vi7ia. 

Coqueiro Yatay. F. Yatay. 

Coqiiiailao. Phjllantlms pendulus. 
Fam. das Euphorbiaceas. Pequena plan- 
ta herbcea, de caule delicado no pouco 
ramosa. 

As follias palmadas accumuladas nas 
partes superiores da planta, miudinhas 
e ellipticas. 

As flores ao longo dos peciolos das fo- 
lhas, de dois sexos separados, penden- 
tes. 

O fructinho uma capsula trigona, 
com trs sementes, e angulosa. 

Propriebades medicas Esta planta 
tem virtudes hemostaticas ; suspende 
as hemorrhagias promptamente. 

CoffiaiaaSao I>a2;3. Desmononcus 
radicantis. Fam. das Palmaceas. Pal- 
meirinha agreste, e por conseguinte na- 
tural do paiz, conhecida por este mes- 
mo nome em Pernambuco e Alagoas. 

E' do porte das demais palmeiras. 

Suas folhas tm de comprimento ape- 
nas 1 % a 2 metros. 

Seu cacho de flores regular, na pro- 
poro do tamanho da planta. 



Estas so como as das demais pal- 
meiras, em forma de rosetinhas crneas, 
de cr amarella barrenta. 

O fructo redondo, de 15 millime- 
tros de dimetro, com escamas sobre- 
postas na base. 

Tem pouca aspereza na superfcie ; 
compe-se de um corpo polposo, molle, 
amarello, que cobre um caroo , em 
cujo centro ha uma amndoa branca, 
dura e amarga. 

Come-se a massa amarella, ficando a 
parte fibrosa, que envolve o caroo. 

A massa no de sabor desagra- 
dvel. 

Corao tia Iiadia ou Cnrasol. 

Anona. Fam. das Anonaceas. Esta 
espcie, que tem sua ptria na America 
do Norte, cultivada no Brasil. 

E' um arbusto do porte dos Arati- 
cuns^ na estatura, na apparencia das 
folhas, flores e fructo ; sendo entretan- 
to o fructo d'este de forma oblonga, 
cnica, de cores mescladas, e pe- 
queno . 

O pericarpo luzente ; o fructo dentro 
mais filamentoso que o das congne- 
res. 

E' acido e doce, mas um tanto en- 
joativo ; a semente preta. 

Corao eie fesusi. 3ikama of- 
ficinalis, 31art. Fain. das Compostas. 
Cresce esta planta em S. Paulo e em 
Minas-Geraes. 

Ella herbcea, ou lenhosa, e vo- 
lvel. 

Folhas oppostas. 

Flores brancas ou roxas, dispostas 
em corymbo ; invlucro composto de 
poucos foliolos iguaes. 

Receptculo n. 

Calathide de poucos flosculos tubu- 
losos, hermaphroditos. 

Antheras salientes. 

Stigma comprido, bifido, divaricado. 

Fructo akenio de cinco ngulos com 
arilho pilloso. 

Propriedades medicas. Esta planta 
suceedanea da Quina., e possue prin- 



COR 



COR 



167 



cipios amargos e aromticos; em- 
pregada na febre intermittente, e na 
dyspepsia. 

Corao le iieg^ro. Fam.das Le- 
guminosas. Arvore elevada, que em 
Pernambuco conhecida por tal nome. 

E' importante madeira de construc- 
o urbana e nutica. 
\ Seu lenho duro, e o mago roxo 
cr de vinho tinto, e tambm duro. 

Coraes. Chamam assim em Per- 
nambuco uma flor extica, prove- 
niente de um arbustinho de 20 a 40 
eentiraetros de elevao, porm lenhoso. 

Tem o caule muito duro. 

As folhas oppostas, redondas peque- 
nas, e unidas umas s outras. 

O caule tem espinhos aguados e 
grandes em proporo. 

Produz uma flor pequena, que consta 
de duas ptalas rubras, redondas, appli- 
cadas na base uma outra; no tem 
cheiro. 

E' objecto de ornamento de jardins. 

Coral. Jatropha mitifida^Limi. 
Fam. das Euphorhiaceas. Esta planta 
da America Meridional, serve de orna- 
mento de jardins. 

E' com effeito bonita, de 2 e K a 3 me- 
tros de altura. 

Caule verde e nodoso, folhas recor- 
tadas com symetria, e de cr verde 
escuro, em forma de palmas bem dese- 
nhadas, apresentando um todo elegante. 

As flores midas e rubras. 

O fructo uma noz como o fructo 
do PinMo. 

Tem propriedades catharticas. 

Cordo le S. ItencaSieto. Fam. 
das Composlas. E' uma flor extica, 
que em Pernambuco recebeu este nome, 
sem grande razo de ser. 

E' proveniente de uma' herva de 1 
metro de altura, pouco esgalhada. 

Caule fistuloso. 

Folhas oppostas, rentes (sesseis), lan- 
ceoladas e baas. 

A flor, em captulos pequenos, seme- 



lhante do Cravo de defunto ; mas o 
tubo verde, que faz a base, composto 
de escamas sobrepostas. 

As folhetas em cima, que o circulam, 
so de cr verde, e vermelha. 

No centro aS florinhas amarellas e em 
grupos ; no tem cheiro. 

Corlo tie Frade. Y. Miictm 
ou Olho de Boi. 

Cordo de Frade oia le S. 
Fraiieispo. Phlomis nepetifolia. Linn. 
Leonotis nepctifoUa. Benth. Far. das 
Lahiadas. Alguns chamam esta planta 
Cordo de Frade. 

E natural do paiz, e exquisita. 

Ella tem o caule quadrangular. 

As folhas oppostas, lanceoladas, mol- 
les, e de uma cr verde-escura. 

As flores so reunidas em um grande 
capitulo que abraa o caule, quasi sem- 
pre em trs pontos quasi equidistantes 
de sua altura, e por conseguinte ha trs 
captulos floraes. 

O clice mui espinhoso, e por isso 
torna-se difficil de se agarrar. 

Cada flor formada como de dois 
lbios avermelhados, encerrando no 
fundo um nctar doce, agradvel ao 
paladar. 

Os fructos so como quatro gros em 
figura de trapesio, e pretos. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
em banhos nas crianas dbeis, como 
tnico e excitante. Tambm se applica 
contra a dysuria e o rheumatismo. 

Cordo de S. Fragirisfo V. 

Cordo de Frade. 

Cornei?>a. V. Aroeira. 

Coroa le Frade lo Serto. 

Cactus Melocactus^ Swartz. Fam. das 
Nopaleas. Esta exquisita planta mais 
parece uma fructa, que um inteiro ve- 
getal. 

E' arredondado um tanto oval, an- 
guloso (formando gomos) de cr verde, 
cheio de espinhos, em forma de estrellas. 



168 



COR 



COR 



No pice forma \\m collo, onde est 
semeada uma poro de florinhas mi- 
das, de er rsea, mui bonitinhas, com 
fructosinhos, como uns pequenos ma- 
millos. 

O corpo d'esta ])lanta composto de 
um tecido esponjoso e branco. 

Ella vegeta no serto, sobre os ter- 
renos ridos, e tambm em outros 
lugares. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia se compe essencialmente do g- 
nero Cactus de Linneo, e das divises 
que n'ella se estabeleceram, e que se 
consideram muitas vezes como gneros. 
So plantas vivazes, muitas vezes 
arborescentes, de uma apparencia in- 
teiramente particular, que s tem ana- 
logia com algumas EuphorMaceas. 

O caule ou cylindrico, ramoso, ca- 
nellado, anguloso, ou composto de peas 
articuladas, espessas, comprimidas; tem 
sido considerado sem razo como folha. 

As folhas faltam quasi constante- 
mente, e so substitudas por espinhos 
reunidos em feixes. 

As flores, que so algumas vezes 
muito grandes e brilham vivamente, so 
em geral solitrias, e collocadas no 
fundo d'estes feixes de espinhos. 

O clice gamosepalo, adherente ao 
ovrio infero, as vezes escamoso exte- 
riormente, terminado no pice, em um 
grande numero de lbulos desiguaes, 
que se confundem com as ptalas. 

Estas ordinariamente so numeross- 
simas, e dispostas em varias ordens. 

Os estames, igualmente numerosssi- 
mos, tm os filetes delgados e capil- 
lares. 

O ovrio infero, de uma s loja, 
contendo um grande numero de vulos 
unidos trophospermas parietaes, cujo 
numero varivel, e ordinariamente em 
relao com o dos stigmas. 

O estylete simples, terminado em 
trs, ou maior numero de estigmas raia- 
dos. 

O fructo carnoso, umbilicado no 
pice. 

As sementes tm um duplo tegumento 



e encerram um embryo erecto ou cur- 
vado, eommummente desprovido de en- 
dosperma. 

Coromaeliria. Mimosa farnesiana 
Linn. Fam. das Leguminosas. Em 
muitas provncias do Imprio tanto do 
Sul como do Norte chamam a esta 
planta Esponjeira. 

Ella oriunda da ndia, onde a cha- 
mam Cssia do Levante. 

E' um arbusto mediano, de tronco 
escuro, espinhoso, e de folhas miudi- 
nhas em palmas. 

As flores so amarellas, e dispostas 
pelas axillas dos ramos, semelhana 
de um froco redondo, como feito de re- 
troz amarello, com um cheiro agra- 
dvel. 

Tem por fructo uma vagem parda, 
chata, contendo gros escuros, como os 
de feijo. 

A fava de cheiro activo e cr de cas- 
tanha. 

A raiz, pisada e misturada com agua, 
antdoto das mordeduras das co- 
bras. 

Propriedades medicas . As folhas 
so antipasmodicas e excitantes ; a de- 
coco da casca antiarthritica, em- 
pregado em banhes, e a das folhas 
contra as dores de dentes. 

CosT^eio la taySe. Ipomcea, 
Fam. das Convolvtdaceas. Chamam em 
Pernambuco assim a uma flor de jar- 
dim, introduzida recentemente, producto 
de uma trepadeira de caule fino. 

Folhas cordiformes, e grandes. 

Flor de pouco cheiro, afunilada e 
branca, com o tubo mui delgado e de 
cinco divises, que se expandem como 
estrellas, e com um feixe de filetes no 
centro. 

O fructo uma capsula, que se abre 
em trs valvas, deixando sahir trs 
sementes. 

Em Alagoas cresce nas margens do 
rio Camaragibe; abre pelas quatro s 
cinco horas da tarde, e fecha-se s oito 
J para s nove horas da manh. 



coe 



cou 



S69 



Corrente. Achyrantes. Fam. das 
AmarantJiaceas . E' uma planta das 
provncias do Norte. 

Cortia lirasiSeira. Bignonia 
xiginoso.^ Gom. Fan. das Bignoneaceas. 
. Planta do Brasil, que tem a pro- 
priedade da cortia verdadeira. 

Coa-Coa brava. Solanum 
urens. Fam. das Solanaceas. Sub ar- 
busto agreste, conhecido nas Alagoas 
por este nome, em Pernambuco por 
Jussara^ e em Sergipe por Quiri de ca- 
poeira. 

Esta planta de altura de 2 metros 
pouco mais ou menos. 

Tem o caule coberto de uma subs- 
tancia pulverulenta. 

As folhas estreitas, lanceoladas, tam- 
bm cobertas de um inducto pulveru- 
lento, e esbranquiadas por baixo. 

As flores so em cachos, brancas, 
mesmo como as da Jtirubea, sendo 
porm menores. 

O fructo tambm semelhante ao da 
Jurubeba, mas redondo, e no forma 
o quadriltero perfeito, como o da Jti- 
rubeba, e no tem o marchetado que 
aquella tem; dentro do mesmo modo 
que esta. 

Esfregada esta planta na pelle produz 
prurido, donde o nome porque co- 
nhecida. 

Coea-eoa lisa. Sohnum leviga- 
tum. Fam. idem. Esta espcie muito 
anloga precedente. 

menos revestida pela camada branca 
pulverulenta ; e no occasiona tanto 
prurido . 

A flor tem um trao verde no centro 
dos lobos. 

Quanto ao mais o mesmo que a 
precedente. 

Coa-eo4*a inaaiiisa . Solanum 
coa. Fam. idem. Arbustinho como 
os seus congneres acima. 

Este, entretanto, trepador. 

As folhas so impares e alternas. 

As flores o mesmo. 



O fructo, rolio, unido a um recep- 
tculo de muitas divises, seme- 
lhante ao das precedentes. 

Co4s6 cots. Palicurea densi folia., 
Mart. Fam. das Rubiaceas. Planta do 
Rio de Janeiro, S. Paulo e Minas: 

Arbusto, cujo porte semelhante ao 
da Herva de raio, com pequena diffe- 
rena. 

Propriedades medicas. Suas folhas 
so empregadas contra as dores rheu- 
maticas. 

Sua infuso d-se em pequena dose, 
nas dyspepsias, e na asthenia geral. 

Em dose elevada vomitiva e ca- 
thartica. 

Emprega-se tambm na tincturaria. 

Co(ie:iierecoii. F. Ibira. 

CoviBiiarourana. Dipterix oppo- 
sitifolia. D. C. Paralea oppositifolia. 
Aubl. Fam. das Leguminosas. Ar- 
vore da Goyana e de alguns lugares 
do Brazil. 

Suas folhas so cheirosas, e seus 
frustos tem as mesmas virtudes do 
Cumaru. 

CoBive. Brassica oleracea.^ Linn. 
Fam. das Cruci feras. Ningum ha, 
que deixe de conhecer, o que seja a 
Couve; no porque ella seja oriunda 
do paiz, mas pelo antigo uso que d'ella 
se faz em nossas mesas, e pela tradi- 
o de todos os tempos. 

E' uma herva, que no eleva seu 
caule seno de 70 a 90 centmetros. 

Suas folhas so grandes, de verde 
azulado, coberto de um p cinzento, 
quasi arredondadas onduladas, grossas 
e approximadas. 

Formam por sua reunio um circulo 
imbricado ; de seu centro brota uma 
vergontea, que no pice se cobre de 
florinhas amarellas, em espigas ; e 
d'ahi apparece o fructo, que uma 
silicula delicada, pequena e estreita. 

E' to sabido o prstimo domestico 
da Couve^ que escusado dizel-o. 



170 



CRA 



CRA 



Propriedades medicas. anti-scor- 
butica. 

A sua mueilafrom, em cosimento ou 
xarope, einprega-se nas inflammaues 
chronicas dos rgos respiratrios e 
na phtisica pulmonar. 

Todas possuem um principio acre, 
oleoso e estimulante, e tem aco an- 
telminthica. 

O sueco til contra os vermes in- 
testinaes, o cosimento das folhas bom 
para os membros paralysados e para 
a surdez. 

Comida crua, serve para favorecer a 
secreo do leite. 

Ha varias espcies de Couve, mas 
apontaremos somente as seguintes: 

Couve branea. Brassica. Fam. 
idem. Uma espcie, de cr mais des- 
botada. 

Coavo ilr. Brassica hohrylis. 
Li/m. Fam. idem- Apresenta-se com 
uma inflorescencia excessivamente de- 
senvolvida; cultiva-se nas provncias 
do Sul. 

A couve flor de uma cr verde 
amarellada ; muito macia e depressa 
se cozinha. 

Ha crespa e vermelha. 

CouTe ls*. Brassiea cauliflora. 

Couve batrytis. Brassica oleracea 
batrytis. Couve de lilo ou Bidles. 

Brass. oleracea hullata. Couve re- 
folMida. Brass. oleracea capitata. 

Couve regDoIEsufla. Brassica. 
Fam. 2?f;2. Naquetemeste nome, as fo- 
lhas do centro adherem umas s outi'as 
formando um bolbo, quasi como o re- 
polho ; muito saborosa esta couve. 

Crava na. Diantlms prolifer, Linn. 

Fam. das Caryo;phyJladas. Os cravos 
so oriundos da America e da Africa, 
e as cravinas so da Europa. 

Flor cultivada em Pernambuco nos 
jardins. 

E' de 50 centmetros. 

Folhas estreitinhas, de cr verde es- 
cura, acinzentada. 



O caule nodoso. 

A flor como um cravo, mas com um 
s circulo de ptalas, de cr ordina- 
riamente roxa avcUudada, s vezes 
com listras brancas. 

Ha de dff'crentes qualidades. 

CARACTERES DA FAMLIA. As CavyO- 

phy liadas so herbceas, raramente sub- 
fructescentes na base. 

Os caules muitas vezes nodosos, e 
articulados. 

As folhas, oppostas ou verticilladas, 
so simplices. 

As flores geralmente hermaphrodtas, 
terminaes ou axillares. 

O clice compe-se de quatro a cinco 
sepalas, distinctas ou soldadas entre 
si, e formando um tubo cylindrco ou 
vesiculoso, simplesmente dentado no 
apce, de preflorao imbricada. 

A corolla, de cinco ptalas, ordinaria- 
mente unguladas na base, falta mui 
raras vezes. 

O numero dos estames , em geral, 
igual ou duplo do das ptalas, e cinco 
lhes so oppostos, e algumas vezes se 
soldam inferiormente com os unguculos; 
a eorolla e os estames so inseridos 
em um disco hypogynico, que sustenta 
o ovrio. 

Este apresenta depois uma at cinco 
lojas. 

Os vulos, que so numerosos, esto 
unidos a um trophosperma central ; 
quando elle plurilocular, os vulos 
so ligados ao angulo interno de cada 
loja. 

Os estyletes variam de dois cinco, 
e terminam cada um em um estygma 
subulado. 

O fructo uma capsula, rarssimas 
vezes uma baga, tendo de uma a cinco 
lojas polyspermicas ; esta capsula abre- 
se, quer no apce por meio de dente- 
snhos que se desviam ims dos outros, 
quer por meio de valvas completas. 

As sementes so ora planas e mem- 
branosas, ora arredondadas; ellas contm 
um embryo curvo, ou como que en- 
rolado ao redor de um endosperma 
farinceo. 



CRA 



CRA 



1"J1 



Cravinlio tlc campina. Pyc- 
nan/mmim alternum. Fa^m. das Lahia- 
das. Esta planta indgena, e conhecida 
por este nomen as Alagoas, vegeta pelas 
campinas. 

Seu caule roxo escuro e quadran- 
gular; trepador e estende-se pelo 
cho. 

As folhas so oppostas, crespas, lus- 
trosas e ova es. 

As flores em grupos, de forma arre- 
dondada, em um pednculo que se 
insere nas axillas ; ellas so brancas 
e de dois lbios. 

Os fructos so pequenos, arredonda- 
dos e se acham dentro de uma capsula, 
com quatro sementes pretas. 

Chamam-lhe tambm Camar branco. 

applicado em decoco nas tosses. 

CraviBBSBO Se Bagurixa. Jns- 
sicea linifolia. Far. das Onagrarias. 
uma planta herbcea, agreste, de 
porte bonito e frequente nos lugares 
frescos e hmidos. 

Seu caule roxo, e quadrangular. 

As folhas oppostas, estreitinhas e ro- 
xeadas. 

As flores amarellas, com as ptalas 
em forma de cruz, tem o seu pedn- 
culo tambm quadrangular ; 

Ovrio infero. 

Curam-se feridas com suas folhas. 

Chamam-lhe Pimenta d'agua. 

CravBsIco do Biaao. no 

Maranho a Herva de Santa Maria. 

Cravo !e S. Bc*ae5ico. Far. 
das Compostas. E' uma flor extica, 
conhecida por este nome em Pernam- 
buco. 

Herbcea, cresce de 80 a 100 cent- 
metros, com folhas lanceoladas, sesseis. 

A flor como a do Cravo de Defunto., 
porm maior, e as ptalas de uma 
cor vermelha alaranjada, e no centro 
do mesmo modo que o Cravo de De- 
funto, mas no tem cheiro. 

Serve de ornamento de jardim. 

Cravo (!e IcfiiBito (Sol>i*alo. 



Tagetes erecta. Fam idem. Esta 
planta natural do Mxico. 

E' herbcea de 1 metro e pouco mais ; 
esgalhado. 

O caule anguloso. 

As folhas palmadas, recortadas, e 
bonitas. 

A flor grande, na ponta dos ra- 
mos; forma um tubo sulcado, verde, e 
no cimo muitas camadas de laminas 
amarellas, sobrepostas, formando iim 
corpo hemispherico. 

No tem cheiro activo. 

Dentro d'esse tubo esto as semen- 
tes, que so como pevides pretas, oblon- 
gas de 5 millimetros. 

Tambm chamada Roza de Defun- 
to. 

Cultivam-na nos jardins, e de mui- 
tos annos acclimada no paiz. 

Propriedades medicas. Applica-se 
com grande proveito no rheumatismo; 
em banhos ; e em forma de emplastro 
com mostarda e vinagre. 

Emprega-se em xarope nos casos de 
defluxo. 

Cravo de Defiasteto ^iBB^eHo. 

Tagetes patula, Wild. Tagetes glan- 
duhfera Fam. idem. E' uma flor na- 
tural do Mxico, cultivada e conheci- 
da eni Pernambuco por este nome. 

A planta pequena e herbcea. 

O caule sulcado esverdinhado. 

As folhas palmadas e escuras. 

As flores em um pednculo co, d'onde 
nasce um clice tubuloso e gommillosd, 
de dentro do qual sahem as palhetas 
floridas, que formam um circulo. 

Ellas so de uma cr amarella um 
pouco vermelha e aveiludada ; no centro 
das quaes ha um feixe de pequenas 
anglicas amarellas. 

O cheiro desta flor no mo. Serve 
de ornamento de jardim. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada nas fluxes, tosses, etc, em cosi- 
mento. 

Este cravo aromtico, estimulante, 
e sudorfico, empregado na hysteria e 



fS 



CRA 



CRA 



em al<uinas afeccs uterinas, e contra 
os vermes intestinaes. 

Crwvo girofe ou tSa laBSa. 

Caryofhillus aromaticus, Linn. Fam. 
das Myrtaceas. E' natural da ndia esta 
planta, cujas fructinhas todos conhe- 
cem. 

E' uma arvore cultivada no Brasil, 
mas pouco generalisada, de porte me- 
diano, e aspecto elcp;ante; se bem que 
sua folhagem no seja densa, tem um 
tronco elevado e um tanto fino em 
toda a extenso. 

Suas folhas lanceoladas e oppostas; 
so rseas as das extremidades. 

As flores midas, sobre um pedn- 
culo prismtico, quadrangular de 5 mil- 
limetros de comprimento, tendo no 
pice quatro salincias ou pontas dis- 
postas em cruz, no centro das quaes 
esto as flores, representando como 
uma bolinha. 

Os pequenos fructos so o cravo, de 
que se faz uso no Brasil, na arte 
culinria, perfumarias e mais misteres. 

Seu cheiro agradvel, activo e 
picante; elle ^poderoso estimulante e 
tnico. 

O Cravo da ndia veio pela primeira 
vez de Cayena para o Par, aonde foi 
acclimado ; hoje cultivado em mui- 
tas provncias do Brasil. 



Cravo <la la^elia. 
girofe. 



V. Cravo 



Cravo de jurdian. Dianthis 
caryophyllus^ Linn. e Well. Fam. das 
C ar yophy liadas. Esta flor mimosa, do 
maior apreo entre ns, oriunda da 
Africa e Itlia. 

E' o producto de uma herva delicada, 
de caule delgado, nodoso de espao a 
espao. 

Folhas estreitinhas, corpulentas, de 
um verde azulado, compridas. 

Flores na sumidade dos ramos ; cada 
uma representa um tubo verde, de cujo 
centro sabem muitas laminas peque- 
nas, que se espalham ficando imbrica- 
das. 



Essas folhetinhas (ptalas) denteadas 
no bordo livro da lamina, so de um 
aroma dolieach). que rivalisa com os 
melhores cheiros conhecidos, si que 
no tem a primazia entre os demais 
aromas deliciosos. 

As espcies cultivadas no paiz, so : 
o cravo branco., o cr de carne., o cr 
de roza., o vermelho., o roixo e um cr 
de purpura avelludado. 

Sua cultura exige cuidado; o Cra.vo 
branco d'entre todos o inais arom- 
tico. 

O cravo a principal flor nos actos 
mais notveis da sociedade. 

Serve de off"erenda para o altar ; a 
flor muitas vezes exclusiva do rama- 
lhete (bouquet) nas npcias ; elle o 
symbolo da unio conjugal, nos sales, 
nas grandes reunies, nos festins mais 
sumptuosos. 

A cultura do Cravo., que nas pro- 
vncias do Sul de to fcil realisa- 
o, nas provncias do Norte muito 
difficil. 

A chuva demasiada o mata, o sol 
demasiado o prejudica, a terra muito 
hmida ou muito secca, portanto, s 
causas de destruio. 

Cmvo madre. V. Madre cravo. 

Cravo oci s^ravero <Io Ma- 
raailuo. Laiirus Burbonia., Lin?i. 
Pcrsea Caryophyllata., Mart. Fam. das 
Lauraceas . Arvore semelhana da 
Canelleira. 

A raiz de cr violeta, mui bonita ; 
a casca, fina e liza, exhala um agradvel 
cheiro, e de sabor quente. 

Extrahe-se d'ella um leo essencial . 

Cravo do Maranlco. V. Po 

Cravo. 

Cravo Bitsi1a!iiei?o. Fam. das 
Compostas. E' uma flor extica, que 
em Pernambuco recebe este nome. 

E' herbcea, cresce de 50 a 10 cen- 
tmetros, semelhante ao Cordo de S. 
Benedicto, porm de cr mais viva, e 
tem duas ordens de ptalas. 



CRI 



CRI 



ita 



No tem aroma. 

ornamento de jardim. 

Cravo OM craveiro da ferra 
de Uliiias. Etgeuia, i)seudocaryO'phyl- 
hs. Fam. das Myrtaceas. 

Cravo da tea*ra do Rio cSe 
lasBcirOy Maaas e S. Paulo. 

Myrtus caryophyllata, Sicart. Myrtus 
pseudo caryophyllus, Mart. Fam. idem. 

Esta arvore cresce nos mattos das 
provncias de S. Paulo, Minas e Rio de 
Janeiro. 

Cultiva-se pelos arredores d'este. 

E' uma arvore de folhas ovaes re- 
viradas, e flores em cachos, como as 
suas congneres. 

O fructo uma baga. 

Cravo osfl. Craveiro da terra 
lo Rio le tJaBaeiro. Calyptrau- 
thiis aromtica. St. Hil. Fam. idem. 

E' uma arvore ou arbusto do Rio de 
Janeiro. 

Seu lenho lizo. 

As folhas grandes, oppostas e oblon- 
gas. 

As flores em cachos maneira de 
botes, mui aromtica ; estas flores ou 
botes substituem ao Cravo da ndia. 

Tem as mesmas propriedades que o 
referido cravo, aromtico, excitante ; 
antisj)asmodico. 

Crista le jsaSSo. V. Fedegoso 
de Pernambuco. 

Crista de galSo lr. Gelo- 
sia cristata., Linn. Fam. das Amaran- 
thaceas. Flor de jardim, natural da 
ndia, acelimada de ha muito no Bra- 
sil, onde se cultiva nos jardins. 

Cresce at altura de 1 metro e 50 
centmetros pouco mais ou menos e 
esgalhado. 

O caule, listrado de roxo, assim como 
tambm as folhas que so ovaes e op- 
postas ; d a sua inflrescencia nas 
pontas dos ramos, que exquisita. 

Forma um eixo, que da parte media 
para cima se dilata, apresentando uma 



expanso membranosa, compacta de 
densas escarninhas, entre tecidos de 
florinhas nimiamente pequenas ; o que 
parece um acolchoado de velludo, de 
cr purpurina viva ; dobra-se sobre si 
mesma, fazendo pregas, toda a palma 
das flores, que esto engastadas n'esse 
froco como rosetinhas. 

D'ellas sabe um grosinho redondo, 
preto e luzente ; no tem cheiro. 

Ha outra espcie de cr amarella, 
mas no tem a belleza d'esta. 

Na Europa cultivam desenove esp- 
cies. 

Nas Alagoas chamam-na Velludo e 
tambm Beijo de Palma. Em Pernam- 
buco Bredo namorado. 

Caracteres da famlia. As Ama- 
ranthaceas so plantas herbceas ou 
subfructescentes, trazendo folhas al- 
ternas ou oppostas, algumas vezes mu- 
nidas de estipulas escariosas. 

As flores so pequenas, muitas vezes 
hermaphroditas, as vezes unisexuaes, 
dispostas em espigas, em paniculas ou 
em captulos, e providas d'escamas que 
as separam. 

O clice gamosepalo, frequentes ve- 
zes persistente, de quatro ou cinco di- 
vises profundssimas. 

Os estames variam de trs a cinco. 

Os filetes ora soltos e ora monadel- 
phos, formando as vezes um tubo men- 
branoso, lobulado no pice, e trazendo 
as antheras na face interna. 

O ovrio solto, unilocular, encer- 
rando um s ovulo erecto, e susten- 
tado algumas vezes por um podosper- 
ma compridssimo, curvo, no pice do 
qual elle est pendente. 

O estylete simples ou nullo, termi- 
nado em dois ou trs estigmas. 

O fructo, em geral cercado pelo c- 
lice, um akenio ou um pyxidio. 

O embryo cylindrico , alongado, 
curvo ao redor de um endosperma fa- 
rinceo. 

Crista de Negra. CUtoria line- 
aris.Fam das leguminosas. .sti 
planta , que nas Alagoas assim cha- 



194 



CRU 



CRU 



mam, no Par 6 [conhecido por Miicur ; 
ella indi2:ena do paiz^ e trepadeira; 
alastra-sc pelo cho : 

Seu caule c fino, [.delgado, coin folhas 
ternadas e despontadas ; d uina lr 
roxa, cuja structura esquisita por ter 
semelhana com os rgos sexuaes fe- 
meninos. 

E' roxa, com uma lamina elliptica 
estendida, que tem uma mancha ama- 
rella, tendo dois rgos no centro, e 
por fora outras duas membranas tam- 
bm roxas lateralmente. 

O fructo uma vagem, de quasi 25 
centmetros, mui fina com quatro la- 
dos, terminando em ponta fina, com 
muitas sementes lizas e quadradas. 

Esta planta envenena as cabras. 

Cristtt le Pecii Za.s Al^groasi . 

Acali/pha alagoana.. Fam. das Eu- 
fhorhiaceas., Linn. E' um arbustinho 
agreste, natural do paiz, que nas Ala- 
goas recebe este nome. 

Tem um tronco pardo e poroso. 

As folhas so alternas, ovaes e ser- 
rilhadas em redor. 

As flores so dispostas em pequenas 
espigas, formando um feixe esverdi- 
nhado com as femininas, que apre- 
sentam um fructo trigono, e com trs 
caroos, semelhando-se ao fructo do 
Pinho. 

Criu-va. Cltisia Criuva, St. Hil. 
Fam. das GiMtiferas. Arvore indgena 
do Brazil, agreste, e conhecida em Mi- 
nas e S. Paulo por este nome, aonde 
cresce expontaneamente. 

E' arbrea, um pouco molle, corn 
folhas oppostas, ovaes, grossas e re- 
viradas. 

As flores, em cachos, so em forma 
de rosas singellas e bonitas. 

O fructo uma baga ovide, cujas 
sementes na tenra idade so occidtas. 

Floresce em Janeiro e Fevereiro. 

Esta planta parece ser uma espcie 
eomo a Orelha de hurra de Pernambuco, 
e provncias adjacentes. 

Crii ou Mello cSe calioeSo. 



Cuciirhia odcrata, Vcll. Cuciirhtla ce- 
raloereas. Fam. das Cucurhilaceas. 
Esta fruta, bclla na f(3rma e no cheiro, 
conhecida em Pernambuco jjor este 
nome, producto de uma planta oriunda 
do paiz, mas que apezar d'isso pouco 
commum. 

E' uma planta anloga s suas con- 
gneres, como a melancia, a abbora, etc. 

O caule o mesmo como o das que 
apontamos. 

As folhas palmadas, todas de pellos 
speros. 

As flores so brancas ou amarelladas, 
e rosetadas. 

O fructo, do comprimento de 50 cen- 
tmetros pouco mais ou menos, rolio 
formando elio, de cr de almagre ou 
preto lustroso. 

Dentro a massa amarella, com a 
structura do Gcrimum, de um cheiro 
mui activo. 

A massa de um acredoce um pouco 
enjoativo, semeada de sementes ellip- 
ticas, amarellas, 

O gosto acompanha o cheiro. 

Ha duas espcies ; de casca cabocla, 
e de casca preta. 

As sementes so emmenagogas enr- 
gicas; tambm so antifebris. 

CraBaBttlsa. Arvore agreste do paiz, 
conhecida nas Alagoas por tal nome. 

E' arvore grande. 

Suas folhas tambm o so. 

As flores invisveis. 

O fructo de 5 millimetros de gran- 
deza, redondos uns, e outros oblongos, 
de cr parda escura, cobertos de mui- 
to pello, encerrando uma massa ama- 
rella espessa, doce e agradvel, com 
duas a trs sementes redondas, chatas 
e brancas. 

CruaB. V, Cip Crmp oti Cu- 
rur. 

Criieiaaaa. Espcie de Bamh cujo 
caule no flstuloso. 

CPMM6a*M. V. Xiqueque do Ser- 
to . 



CUI 



CUM 



fii 



Crsizeriilta. V. Cainca. 

Ciiusitli. Bidens adJierescens^ Vell. 
Fam. das Compostas. Planta herb- 
cea do paiz, e tem os mesmos uzos do 
Crrapicho. 

Segundo Linno os caracteres d'este 
gnero Bidens so : receptculo paleaceo 
plano, clice subigual, com caliculo. 

A corolla, raramente flosculosa, la- 
teralmente radiada, e a semente tetra- 
gona. 

Caiarssri iviiassai. V. Tinctu- 
reira vulgar. 

Cubyo. Fam. das Sapotaceas. E' 
uma fructa natural do Par, produzida 
por um arbusto. 

O fructo tem 20 millimetros de com- 
primento e 10 millimetros de dimetro ; 
de forma oval, achatada ; e tem na 
base uma cliapeletinha unida ao ponto 
de insero do fructo. 

Sua cr amarolla nw maturidade, 
e o tegumento externo membranoso. 

Offerece no seu interior uma polpa 
branca e espessa ; apresenta uma cavi- 
dade central na qual alojam-se muitas 
sementes ellipticas, chatas e brancas, 
envoltas n'aquella mesma polpa, do que 
se faz doce. 

CBca. V. Ypad Passa Cuhyo. 
Csiclsery. V. Cujumanj. 

CsBCStta'. Ecltes Ciicur, Mart. 
Fam. das Apocynaceas. E' uma planta, 
que pertence a mesma familia que a 
Mang abeira. 

Sua raiz emtica. 

CngiaatireBiiia. V. Aypim. 

CtilBiia^aqiiasn. V. Po Brasil. 

Cuie. Coit. 

Caieezespa. E' o Cabaceiro 
amargoso. 



Ciiipana. Mgr cia tingens. Farn. 
das Myrtaceas. Arvore do paiz, seu 
sueco misturado com agua empre- 
gado para lavar ulceras. 

Serve tambm para a tincturaria. 

Ctiipu na. Leptospermum tinctorium. 
Fam. idem. E' um arbusto de altura 
mediana, conhecido nas Alagoas e em 
Pernambuco por este nome. 

E' silvestre, de tronco esgalhado, 
castanho, liso, e casca flna. 

Folhas oppostas, quasi redondas e 
lustrosas. 

As flores so brancas, miudissimas, 
em cachos esbranquiados. 

Os fructos midos, redondos, com 
muitas sementinhas dentro, aonde se 
acha uma substancia molle. 

A casca d'este arbusto, pizada com 
agua, d excellente tinta preta. 

Caii -as^aa . Alpinia aromtica^ 
Jacq. c Vell. Alpinia racemosa. Fam. 
das Amomaceas. Raiz aromtica, em- 
pregada como carminativa, na dose de 
10 a. 20 gros. 

E' um succedaneo do cardamomo. 

Tambm se tira vantagem d'ella con- 
tra as ulceras. 

Cijaisias-iffiba. V. Fedegoso. 

CiijiEB&tary. Aydendron cujumary , 
Nces. Ocotea cujumary., Mart. Fam. 
das Lauraceas. E' uma arvore do Rio 
Negro, uma espcie de Cannelleira. 

A amndoa da semente d'esta planta 
no menos apreciada, do que a da 
fava Pixurim., contra a atonia do tubo 
digestivo, e molstias intestinaes, pr- 
prias das regies clidas. 

CuBaaiaery. V. Sorveira. 

CiBBitaBBiialia. Lahbah vidgaris. 
Fam. das Leguminosas. Planta trepa- 
deira. 

Seus fructos so comestveis ; pro- 
movem 03 menstrues e a diurese, 

Applicam-se tambm nas afeces dos 
bronchios e pulmes. 



fTG 



CUM 



CuaMa"l""s <^ fructo d'csta 
arvore empregado e tido por cfficaz 
contra as empigens ; o cosimcnto do 
fructo para as de data recente, c a in- 
fuso das sementes raladas para as que 
forem antigas. 



CUM 

O Bar^ Cumaru e Cnmlar so em 
nossa opinio uma nica espcie do 
gnero Di])tcrix. 



Cumaru. Dipterix odor ata ^ D. C' 

Fam. das Legimi7iosas. Este vegetal 

em todo o Imprio conhecido por 
este mesmo nome. 

E' uma das bellas arvores do Brasil; 
produz nas mattas das provncias do 
Norte oomo Par e Amazonas, e com 
especialidade no Amazonas. 
E' uma arvore elevada e copada. 
Suas folhas, grandes, dispostas em 
palmas, com as flores em cachos de cr 
escarlate. 

Seu fructo, quasi redondo, uma va- 
o-em, por fora meio moUe, um tanto 
pubescente. 

Dentro ha uma massa trigueira, e 
no centro uma semente como uma fava 
cinzenta mesclada. 

Esta arvore importante pelo aroma 
de suas favas, e mesmo da casca; 
quando est florida, e bastante alta, 
sente-se distancia este aroma; per- 
fuma os ares, suave e agradvel. 

Esta fava constitue objecto de um 
ramo de commercio do paiz, hoje em 
pequena escala; empregada na Eu- 
ropa nas perfumarias, e para aroma- 
tisar o rap (como entre ns), conhe- 
cida l por Fve de Tonla , os nossos 
indgenas fazem d'ella collares, e da 
madeira o mesmo uso que fazem do 

Guayaco. 

Serve tambm para afugentar traa 
No Cear chamam a uma espcie, 
que tem alguma semelhana com esta 
Emburana brava, na Parahiba Embu- 
rana de cheiro. Emburana da Bahia e 
de Minas outra espcie, que suppo- 
mos ser Po Cumaru. 

Propriedades medicas. Tem virtu- 
des diaphoreticas e emmenagogas. 

CmilJ>iaa4i. Dipterex fterocarims, 
^art. Fm. ^VZm. Planta do Eio 
Negro e do "Par. 



Ciiaiiaiy oii apa; lo iiiatto. 

Psidijm albidum, S. Hil Fam das Myr- 
laceas. Esta fructa conhecida no 
Rio Grande do Norte e em Pernambuco 
por este nome. 

E' proveniente de um pequeno ar- 
busto de folhagem mida. 

As flores so brancas, e o fructo 
de 5 millimetros de dimetro, menor 
que um Ara mirim, verde por fora, 
na mtauridade branco. 



O Cimiaiy tem a massa interior molle," 
cheia de carocinhs, e forma uma pol- 
pa doce e saborosa. 

Esta espcie de Araa sempre est 
doce. 

Nas Alagoas Ara do Matto. 

Em Sergipe Ara do campo. Em 
Minas Geraes, simplesmente Ara; e 
ahi floresce em Marco. 



CinaaSeBia. Cereis variabilis. 
Fam. das Nopaleas. E' planta da mes- 
ma familia dos Cardos. 

O fructo d'esta comestvel, acidulo, 
doce, e mucilaginoso 

F' empregado como refrigerante nas 
febres inflammatorias ; tinge a ourina 
de vermelho. 

O fructo verde applicado s ulce- 
ras sordias.^ 

i^vtiLwliirvt.Fam. das Myraceas. 
E' um arbusto agreste, de pouca ele- 
vao. 

' lactifero, conhecido nas Alagoas 

por este nome. 

Suas folhas so alternas, lanceoladas. 

Suas flores so brancas. 

O fructo de 10 millimetros de com- 
primento, redondo, amarello barrento, 
de pericarpo espesso; separa-se em 

duas partes. 

Dentro ha uma espcie de massa 
doce, e agradvel, na qual acham-se 
um ou dous caroos. 

Chupa-se essa massa. 



CUN 



CUP 



1^7 



Ella tem alguma semelhana com a 
Ameixa da terra. 

CimaBcla^a o CuBaaueliiti das 

Alag'9- Enjthroxylon miliporum. 
Fam. das Erijthroxylens. Nas Alagoas 
conhecido por Cnmich ou Cumuch. 

E' um arbusto ramoso, de caule pardo- 
escuro, e abastecido de pontos brancos 
no tronco. 

Tem a casca escamosa. 

As folhas ovaes, molles, de cr verde- 
amarellada. 

As flores amarellas, pequenas, de 
cheiro quasi imperceptvel. 

O fructo oval, de cinco millimetros, 
vermelho na maturidade, e carnoso. 

Abre-se por si, deixando ver as se- 
mentes. 

Come-se, porm insipido. 

Ce>iiiiQ.*Efi le Pernaiubuco. 

Psonia coralina. Fam das Nyctagineas. 
E' um arbusto que d um fructi- 
nho vermelho, a que em Pernambuco 
do este nome. 

No aspecto exterior esta planta parece- 
se com o Martgue. 

Tem seus ramos cruzados. 

As folhas oppostas, ovaes, carnosas, 
quebradias, s vezes lizas. 

As flores em cachos, e cujos pednculos 
so vermelhos. 

Do um fructinho oval, vermelho, do 
tamanho de um gro de milho, com 
uma semente dentro. 

No se come. 

O das Alagoas outra planta: Ju- 
mud. 



tadas no eixo globuloso, nas quaes esto 
os sexos separados. 

O fructo este corpo florifero, que 
desenvolvendo-se apresenta um todo 
comestvel, e que se diz agradvel. 

So leitosas todas as partes d'esta 
arvore. 

O lenho tem o cerne vermelho, bonito, 
muito duro, e bom de polir-se. 

E' empregado na marceneria para 
moblias, e de muita durao, porm 
perde o merecimento ou belleza com 
o tempo, porque escurece muito. 

Nas provncias do Norte onde mais 
vegeta, entretanto j tem caliido em 
desuso. 

Ctip ay . V. Copahibeira. 

Cu|>if>a. Si^ondia nigra. Fam. 
das Terehinthaceas. Arvore a que nas 
Alagoas do este nome. 

E' de mediana altura, isto , de 15 
a 30 metros, pouco mais ou menos. 

Tem folhas dispostas em palmas, e 
copada. 

As flores so em cachos, brancas- 
trgueiras, e de pouco aroma. 

O fructo semelhana de uma 
azeitona, mede 5 millimetros de com- 
prido, oval, lustroso, com um pello rente 
que cobre sua superflcie exterior, de 
cor roxa quasi preta. 

Dentro ha uma substancia cartila- 
ginosa trigueira, de sabor acre-doce, 
que envolve um caroo. 

A madeira tem o cerne vermelho, e 
empregada para coronhas de espin- 
gardas ; durssima para as obras im- 



Ciiii(iuB. Brosimum condiio-. 
Fam. das Urticaceas. Arvore copada, 
agreste, que vegeta nas mattas do 
Brasil. 

Seu tronco tem a casca escura. 

Sua folhagem densa e escura. 

As folhas ovaes, e embaciadas. 

As flores so em cachos redondos, 
pequeninos, de 5 millimetros de di- 
metro, nas axillas das folhas nas su- 
midades dos ramos ; compe-se de 
quasi imperceptveis flornhas engas- 



mersas como para esteios, etc. 

Cuitualty. Fam. das Leguminosas. 
E' uma arvore agreste do Par, do 
comprimento de 25 centmetros pouco 
mais ou menos, oval, afinando-se para 
ambas as extremidades. 

A casca amarella, quebradia, dura 
e grossa. 

Dentro encontra-se uma massa branca 
succulenta, ligada a muitos caroos 
redondos, achatados, de 5 millimetros 
de dimetro, de cor castanha, com o 
perisperma membranoso. 

25 



1'S 



CUR 



CUR 



Separando-se os caroos, sahe cada 
iim com uma poro do massa, que 
se come. 

Esta frueta tem muita scmclliana 
com o Cupuass, mas menor, sua 
cor de fora amarella, e sua massa 
no SC pode beber como aquella. 

Ctipti-asssk. Deltonea luctea. 
Fam. das Malvaceas. Fructo oriundo 
do paiz anlogo ao procedente do Par. 

E' cultivado. 

Elle tem de comprimento 25 a 50 
centmetros, redondo, adelgaando- 
se para as pontas, de cor castanha 
externamente ; o pericarpo duro, que- 
bradio, grosso e branco internamente. 

Occupa a cavidade interna uma 
massa branca, aquosa, e acre-doce, 
ligada a muitas sementes chatas, arre- 
dondadas, de 50 millimetros de dime- 
tro e de cor castanha clara. 

Seu tegumento membranoso; se- 
param-se as sementes trazendo parte 
da massa comsigo. 

Esta massa comestvel e boa. 

Fazem da polpa uma bebida refri- 
gerante. 

CiipuBiai. V. Tingid de Peixe. 

Ctiratteira. V. Velame em S. 
Paulo. 

Cupi&iri. Fam. das Sapindaceas. 
Arvore do Brazil, cujo fructo uma 
baga umbilicada, amarella, contendo 
uma ou duas sementes, de sabor ads- 
tringente, porm agradvel ao paladar. 

Suppe-se ser a Pitombeira de Per- 
nambuco e da Bahia, Marcgravil. 

Na Bahia antigamente no havia a 
Pitombeira ; foi somente depois que os 
estudantes do curso jurdico levaram 
as sementes de Pernambuco, que ali 
foi conhecida. 

Curare. Veneno vegetal terrvel , 
preparado pelos caboclos, que se sup- 
pe extrahido de uma planta do gne- 
ro Strychios., da famlia das Loganiaceas. 



quantidade pelos indgenas, conforme 
o desejo de matar, ou somente de en- 
torpecer o animal. 

Uma flexa impregnada d'cste veneno 
depois mesmo de quinze annos mata. 

O cfoito nocivo s tem lugar quan- 
do s introduz o veneno na circulao, 
pois que se pde ingerir o Cware sem 
inconveniente, e segundo Humboldt, os 
selvagens o tem por muito cstomachico. 

O Curare obra somente sobre o sys- 
tema nervoso motor, e sobre os nervos 
sensitivos ; sobre os msculos indepen- 
dentes da vontade elle no actua. 

Nos casos de envenenamento pelo 
Curare as tnicas intestinaes e o cora- 
o continuam a mover-se ; basta uma 
quantidade equivalente a trs cabeas 
de alfinete para matar um homem. 

Acaba-se de tentar sua applcao nos 
casos de tetanos, no tratamento da 
epilepsia, c como antdoto da Srgch- 
iina; mas em nenhum d'estes casos 
sua applcao tem dado por emquanto 
resultados satisfac trios. 

Ciratclla SaBSRJaylsaoHaSaan- 
bauva. Curatella sambayba. Arvore 
que vegeta nas provncias do Sul do 
Imprio. 

Folhas ovaes, oblongas. 

Flores em paniculos. 

A segunda casca d'esta arvore tem 
um sabor fortemente adstringente. 

Os habitantes d'essas provncias tem 
o costume de lavar com sua decoco 
as ulceras chronicas, ameaadas de 
atonia ; tambm empregada para o 
cortume. 

Curiuva. Y. Pinheiro do Brasil. 

Ciiri-y. y. Pinlieiro do Brasil. 

Ctirralleira. 7. a Alcampliora em 
S. Paulo. 

Clima oii Coiiweiro Citrsi.'. 

V. Ouaou-ass. 

Curba. E' um arbustinho mui 



E' empregada em maior ou menor | esgalhado. 



DAM 



DED 



l'? 



CMPwtai-Mi***>- V- SeUpira. 

Ciifiicti F' uma arvore do paiz, 
cujo sueco anti-hemoptoico, isto , 
contra os escarros de sangue. 

Curiia*ii. V. Cip Ctmir, 

Ctariarnaa^. V. Cip Cururuap. 

CutipiB'i!t. Fam. das GiMiferas. 
Arvore indgena do paiz e frequente 
no Par, aonde recebeu este nome. 

Seu fructo de grandeza de 25 mil- 
limetros, e globoso. 

O pericarpo membranoso, liso, ama- 



rello, unido a uma massa amarella, 
compacta e pegajosa nos dentes; tendo 
um caroo no centro pouco menor do 
que o fructo, duro, de cr parda, lus- 
troso de um s lado. 

Esta espcie bem parece ser o Tu- 
iirib de Pernambuco. 

Ctitiibea . Couloiidea densi flora , 3art 

Fam. das Gencianaceas. Plantadas 
regies amazonicas. 

Tem as virtudes da Genciana. 

Eis aqui os caracteres genricos d'essas 
plantas, a saber : CuMea, CotUuhea den- 
siflo7'a, Mart. Fam. das Gencianaceas . 

Triandria Monogyuia., Linn. 



JD. 



Dalalia. Georgina variahilis, Hunt 

Georg. suiperpM., D C . DaMia 
prpiiren, Poiret. Fam. das comjostas. 

Syngenesia frustrata^ Linn. Her- 
vas, raras vezes arbustos, de folhas op- 
postas e decompostas. 

Captulos mui grandes, sustentados 
por um pednculo muito comprido, e 
compostos no typo, de flores tubulosas 
hermaphroditas no centro. 

De uma a trs ordens de flores ligu- 
ladas e fmeas ou neutras, na circum- 
ferencia. 

Nas variedades cultivadas, estas flo- 
res liguladas do muitas vezes ao ca- 
pitulo a apparencia de uma flor com- 
pleta. 

Invlucro duplo, composto ordinaria- 
mente no exterior, de cinco escamas 
foleaceas descobertas, tendo o interior 
formado de duas ordens de longas 
escamas, membranosas no pice. 

Receptculo plano, carregado de pa- 
lhetas escamosas. 

Raizes tuberosas. 

Damasco. Pnmus armnia., Linn. 

Fam. das Rosceas. O Damasco 



um arbusto cultivado nas provncias 
do sul do Imprio. 

oriundo da Syra, de Damasco. 

uma arvore de mediano porte e 
folhas alternas. 

Suas flores so brancas, e desabro- 
cham antes de tomar folhas. 

O fructo arredondado, com polpa 
um tanto fibrosa, assucarada, arom- 
tica, no acida. 

Come-se cr ou em doces. 

uma das boas fructas. 

O caroo contm uma amndoa de 
gosto amargo, devido presena do 
acido prussico ; e seria imprudncia 
comer-se-a. 

Ha varias espcies. 

Dedaes Ic Dama. Allamandaca- 
thartica., Linn. Fam. das Apocynaceas. 
Arbusto cultivado, natural do Mxico 
e da Guyana, de porte de 1 a 2 metros 
e mais, em verticillos de 3. 

Folhas lanceoladas, e de cr verde 
escuro. 

Flores em cachos, so como cam- 
painhas, de um amarello dourado e bo- 
nito, com cheiro muito leve. 



180 



DEN 



DID 



Tcai o limbo dividido em cinco la- 
cineas redondas ; na base um tubo es- 
trcUado. 

A fructa uma capsula. 

ornamento de jardim. 

Tem propriedades purgativas ; em do- 
ses elevadas toxica. 

Deiitl. Elais guineensis^ Linn. 
Fam. das Palmaceas. Grande palmeira 
originaria da Guyana eda Africa, e culti- 
vada nas provncias do norte doBrazil. 

de porte alto, semelhana dos co- 
queiros. 

Seu tronco todo eriado dos frag- 
mentos das velhas folhas. 

Estas folhas so pinnadas, com pe- 
eiolos espinhosos ; o cacho das flores 
menor que o do coqueiro da ndia. 

As flores machos e fmeas so sepa- 
radas debaixo de ordem. 

O clice e a corolla so de trs di- 
vises. 

Os estames em numero de seis ; o 
ovrio de trs estigmas, e/le trs lojas, 
duas das quaes so obliteradas. 

O fructo uma drupa do tamanho 
de uma noz, e quando maduro de um 
amarello dourado e lustroso, de 2 a 5 
centmetros de comprimento, de forma 
oblonga, formando vrios planos na 
superfcie, tendo sempre o pice de 
cr preta. 

O fructo contm dois leos diff'eren- 
tes, que se extrahem separadamente. 

O leo tirado do sarcocarpo ama- 
rello, cheira violeta, e sempre li- 
quido na Guyana, na Africa c no Bra- 
sil. 

O que se tira da amndoa branco, 
solido, e serve para substituir a man- 
teiga. 

Este raro no commercio, porm 
o que conhecido por azeite de palma 
importado em quantidade conside- 
rvel na Inglaterra e Frana, onde 
serve sobretudo para a fabricao de 
sabo . 

No Brasil uzado para adubar le- 
gumes, carurus, etc. 

Emprega-se em medicina, contra o 
rheumatismo, em frices. 



Da palha se fabricam balaios, muito 
conhecidos em Pernambuco por Pana- 
cuns 

Ueiiil tlc |itagia|;;^-aio. Fam. Idem. 
Este tem a summidade verde e preta. 

como o antecedente, com a diffe- 
rena de ser mais pequeno. 

Deatte de Gato. V. Unha de galo. 

Uesatc ttSe Leo. Fam. das Dios- 
coreas. Arbusto agreste, conhecido em 
Alagoas por este nome. 

E' uma espcie de Jaiecanga., esbran- 
quiada, mais grossa que as outras 
trepadeiras. 

Suas folhas so luzidas e ovaes, e 
nrmada de espinhos maiores. 

A fructa uma baga amarella, em 
pequenos cachos de dois centmetros 
de tamanho, e redonda. 

Dentro contem uma substancia amarel- 
la aquosa, e duas sementes liemispheri- 
cas. 

No se come. 

Derbata cascinlo. E' uma ar- 
vore que recebe este nome em Pernam- 
buco. 

D madeira de construco. V. 
Cega machado. 

Diconroque ou feijo dos Ca- 
boclos. Trofhis. Fam. das Ar- 
tocarpaceas. Esta arvore importante 
das florestas virgens fornece aos ndios 
Puris um meio de nutrio sem traba- 
lho. 

Quando o fructo est maduro, elles 
se renem junto das arvores para pro- 
ceder a sua colheta, e saboreal-o. 

Cosinham-n'o como feijo preto. 

Diciiry em Sergipe. V. Ari- 
cory. 

Didy da porteira. Tradescan- 
tia epiphyta.Fam. das Commelyneas. 
Esta planta engraada digna de 
jardim ; selvtica, e do Paiz. 

Do-lhe este nome em Pernambuco. 



eba 



EBA 



81 



E^ semelhante um p de ananz, 
mas sem armadura de espinho nas 
folhas, e muito mais pequeno. 

Suas folhas, de cr roixa por baixo 
e na base, do-lhe um bonito aspecto. 

As flores so brancas; saem do cen- 
tro da folhag-em em uns pendesinhos. 

D uma capsula, por fructo, con- 
tendo um carocinho envolto em uma 
espcie de cartillagem branca. 

Vegeta sobre muros e porteiras, 

D o 111 Be ! II I* (I o . Pa Ucourea, e- 
trafhylla. Fam. das Ruliaceas. Ar- 
bustinho de Minas, aonde tem este 
nome. 

E' de ramas quadradas no cimo. 

As folhas ovaes, lanceoladas, empa- 
relhadas em quatro, com flores em cachos 
pyramidaes e grandes. 

Dotiradinlia. Waltheria Doura- 
dinha^ St. Hil Fam. das Bytlinerina- 
ceas. A Douradinha uma planta 
quasi arbusto, que vegeta no Rio Gran- 
de do Sul, S. Paulo, Minus e Estado 
Oriental. 

E' ramosa, com folhas cordiformes e 
ovaes, quasi redondas, e um tanto 
pelludas no peciolo. 

Flores reunidas em captulos nas 
pontas dos ramos. 

O pednculo da flor pelludo. 

Floresce em Dezembro e Fevereiro. 

Propriedades medicas. Empregam- 



na contra molstias de peito ; ella 
mucilaginosa. 

Usa-se contra a tosse (4 grammas 
para 27 grammas d'agua). 

Doiipailiiils lio paiii]o. Pa- 

licourea rigida. Hiint e Remf. Fam. 
das Ruliaceas. Arbusto que vegeta em 
S. Paulo, Minas e Matto Grosso; de 
folhas ellipticas, um pouco agudas, 
grandes, coriaceas e quasi rentes. 

Flores em paniculas longamente pe- 
dunculadas. 

Corolla gamopetala, tubulosa, um 
pouco curva com a base gibosa. 

Fructo uma baga roxa-negra um 
pouco comprimida, contendo dois n- 
cleos. 

Propriedades medicas. As folhas 
e as cascas dos ramos so excellen- 
tes diurticos; usada em infuso nos 
rheumatismos, na proporo de 2 gram- 
mas para 190 grammas d'agua fer- 
vendo. 

Drai^o Fedorento. Monstera. 
Adansonil^ Scliots. Fam. das Aroideas. 
E' uma planta trepadeira da ordem 
dos Imbs etc. 

Propriedades medicas. Esta planta 
confusa, applicada face, til nas 
inflammaes de ouvido. Sua raiz acre, 
empregada como cautrio nas feridas 
produsidas por mordeduras de cobras 



Elfaiio. Teco caia leucoxylon.. 
Mar. Far. das Bignoniaceas. Arvore 
do Brazil, da Guyana e das Antilhas ; 
cujo tronco formado de um alburno 
branco, espessssimo, e de uma me- 
dulla amarella esverdeada, pouco densa, 
formada de fibras embaraadas umas 
nas outras. 



Esta madeira exhala, quando se 
raspa, um cheiro agradvel porm 
fraco ; ella deixa n'agua um pouco de 
matria corante amarella ; de uma 
textura finssima e muito liza, e pode 
adquirir um bello polido. 

E' incorruptvel ao tempo, e usada 
nas obras de marceneria. 



182 



EMB 



EMB 



Eiero. Narturtinm puniilmi, Si- 
Hil. Fam. das Cruciferas. Tetraijna- 
mia Motiogynia^ Linn. E' uma herva 
silvestre do Rio de Janeiro e demais 
provincias, quasi sem caulo, que pa- 
rece ser o Agrio de Pernambuco. 

As folhas rebentam da superfcie da 
terra, e so como uma lamina sinuosa, 
isto oflForeccndo lateralmente, recor- 
tes irregulares ; deita uns caules nos 
quaes se notam miudissimas flores 
brancas, d'onde resultam pequenas sili- 
culas, de 3 centmetros, rolias e palea. 
ceas, com grosinhos castanhos d'entro. 

As raizes so logo na base das fo- 
lhas. 

Usam d'ella como salada, e em me- 
dicina usado como antiphologistico. 

Propriedades medicas. Segundo Mr. 
St. Hilaire esta planta tem grande re- 
putao em Corytiba contra os catar- 
rhos pulmonares, e como antispasmo- 
dico, np, dose de 8 grammas para 375 
grammas d'agua fervendo. 

Elenii . Amirys, TiecteopMlla. Ami- 
rys Etemifera. Fam. das Terehmtha- 
ceas. E' uma rezina produzida pela 
Icica icicariha familia das Terehinthaceas 
e tambm pela Amirys elemifera., fami- 
lia idem. 

Estas arvores habitam no Brasil. 

Fazendo-se incises na sua casca es- 
corre uma rezina, que principio 
molle, mas torna-se secca e quebra- 
dia com o tempo. 

E' semi-transparente, de um branco 
amarellado, com pontas esverdeadas e 
sem cheiro agradvel. 

Entra na composio de algumas pre- 
paraes extei"nas, taes como o Bl- 
samo de Arcetis., Blsamo Fioravanti, e 
de muitos emplastros. 

Onljeg-iiiseb. Planta do Brasil 
de numerosas raizes longas, e de casca 
dura, que serve para cordas. 

Diz-se que a fumaa produzida por 
esta planta, quando queimada, boa 
para fazer desapparecer os fluxos de 
sangue, sobre tudo os das mulheres. 



Eiiihira liranea. V. Jangadeira 
oi, j)o de jangada- 

Eiu1>i*a livstftvv . Temifera utilis. 

Ei8>ira jaiaiar. V. Jangadeira. 

Eciilira Ic eaailor. Gualthe- 
ria villosissima., St. Hil. Fam. das 
Anonaceas. Polyandria Volygijnia., Linn. 
Arbusto oriundo do paiz, conhecido 
em Alagoas e Pernambuco por tal nome, 
e por PindaJiyha em S. Paulo e em 
Minas. 

E' de casca escura, tendo umas es- 
camas pela superfcie do tronco ; so 
flexveis seus ramos. 

As folhas grandes, oblongas. 

As flores no observadas. 

O fructo capsular, oval e chato, d 
pelo tronco em feixes, e tem uma se- 
mente dentro. 

A casca d'este arbusto d um excel- 
lente fio, branco, de que se fazem ex- 
cellentes cordas a melhor bucha de 
espingarda. 

Esnlira tia iiiafa liraMca. 

Helicteres haruensis., Linn. e Arr. C 
Fam. das Bomhaceas. Arvore do paiz 
que vegeta no centro das grandes mattas, 
de folhas ovaes e cordiformes. 

Flores brancas. 

Fructo capsular, com cinco valvas em 
espiral, (em forma de sacca-rolhas) 
contendo muitas sementes. 

A casca d boa embira branca. 

Esta arvore foi achada pelos primei- 
ros naturalistas no Paran. 

Emitira em Persaassijuco. 

V. Pindaltyha. 

EsBalsra vermellia. V. Semen- 
te de Emhira ou Pindaliyla. 

Eiailiirataiilia. F. Pindaliyha. 

Eeia9)ii'atanlia. F. Barriguda do 

Serto. 

Em!>ii*a iraiaca. Courataria ar- 



EMB 



EMB 



1S3 



dentis alho. Fam. das Myrtaccas Ico- 
sandrya Monogynia, Linn. Arvore se- 
melhantissima subsequente. 

As follias so mais lisas, e um pouco 
lustrosas. 

O fructo tem de duas a trs sementes . 

BfiiC(ii*if$ vcrnaelliaoti |}Q*et. 

Courataria ardentis. Fam. das Myr- 
taceas. E' uma arvore do paiz, agres- 
te e utilssima , conhecida por este 
nome em Pernambuco e Alagoas. 

Tem porte mdio; esgalhada, ra- 
mosa e vertical. 

Folhas um pouco coriaceas, ellipti- 
cas e baas. 

Flores de um amarello desbotado, de 
bom cheiro, e de uma estructura par- 
ticular. 

Tem um clice campanulado, e com 
seis lacinias no pice. 

Apresenta uma corolla, de seis divi- 
ses, circulares com uma lamina con- 
cava, que lhe serve de capsula. 

O fructo uma noz trapeziforme, 
quasi lenhosa, no pice convexa, com 
uma pequena proeminncia no meio e 
circulado em a metade superior pelos 
fragmentos do clice. 

Abre por uma tampa quasi natural 
deixando apparecer dentro algumas se- 
mentes rolias e grandes. 

Os caroos do fructo d'esta planta, 
so chamarizes dos quadrpedes, no 
tempo da fructificao (pelo vero). 

O seu lenho, lascado em tiras, o 
que se emprega em Pernambuco para 
ripas de tecer as cobertas dos edifcios 
urbanos. 

Essas achas finas preparadas formam 
feixes, que no campo so o archote na- 
tural d'aquelle povo. 

Na verdade, essa arvore o maior 
combustvel que se pode imaginar : 
ganha fogo sem jamais apagar-se, e 
quando se apaga, agitando-se o facho 
torna a incendiar-se. 

o melhor esteio para o cho ; 
indestructivel. Nos terrenos movedios 
costuma-se fazer com esta madeira a 
base dos alicerces, porque os solidifi- 
ca. 



Propriedades medicas. A casca 
passa pelo melhor dos remdios para 
feridas, golpes ou cortaduras, etc. 

E mb 111* a 11 a brava. Dipterix 
peieropa. Fam. da Legiiminosas. Ar- 
vore do paiz, que no Cear conhecida 
por este nome, apezar de ser conhecida 
em outras partes por Cnmhar, Cumaru e 
Bar. 

como a Fava de cheiro ou Cumur. 

Cremos mesmo que a Bmburana o 
po Cumaru. 

Eiaabsirana do Cear. F. Cu- 
maru, Cuma7'. 

Biibitrata Se clieiro e Ca- 
neart. Conhecida por tal nome na 
Parahyba do Norte. 

Floresce em Janeiro e Agosto. 

Entlssirasaa de rhcro da Va- 

raaayba. F. Cumaru. 

Eiiiburaiaa iitaBasa elo Cear. 

F. Imh. 

EiiibsirereBBabo. Convolviilus fm 
tida. Fam. das Convolvulaceas . E' 
uma planta do Par, a qual empre- 
gada contra as mordeduras de cobras. 

EB5BbsaB*y oui laaabtiry. Fam. 
das Palmaceas. E' uma palmeira ind- 
gena e especial de Sergipe e seus arre- 
dores. 

No forma tronco. 

Suas folhas em palmas, como as demais 
palmeiras, formam aquelle verticillo, 
que commum em todas ellas. 

Logo embaixo, na superficie da terra, 
estende suas folhas para cima. 

Seus cachos de flores so de sexos 
distinctos : um de flores masculinas, 
e outro de flores fmeas, em que se 
desenvolvem os fructos. 

Este cacho, mettido nas axillas das 
palmas, forma um capitulo ovide, com- 
posto de rgos escamosos, circulares, 
em cuja escama alojam um fructo, que 
de duas pollegadas de comprimento. 



184 



E^F 



ENX 



rolios!, ovoLrles que tem, como o do 
Dend, a superfcie angulosa. 

Depois da casca exterior existe outra 
interior, fina, esbranquiada, adherente 
a uma massa muito secca, de uma a 
duas linhas de espessura. 

Segue-se um caroo no centro, duro, 
com trs fossetas na base, semelhante 
ao do Den^ porm maior. 

Paracomer-se esta fructa, rala-se em 
um pedao de telha, para tirar a pel- 
licula, que envolve a massa; porque 
do contrario ningum supporta o amar- 
go da pcllicula, que excessivo, mes- 
mo com assucar. 

O sabor da massa no bom ; ella de- 
termina uma ndoa, indelvel sobre as 
roupas. 

EnafyayeaatE. V. Pi'pi. 

Eiieaca,. Arvore cuja casca 
mui grossa, e um pouco amarga e ads- 
tringente. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada como antdoto do veneno dos 
animaes ophidianos, (cobras). 

Endro. Anclhiim graveolens^ Linn e 
Sp. Fam. das UmbelUferas . Esta herva 
cultivada oriunda dos paizes do meio 
dia da Europa. 

E' mui delicada, seus caules so 
finos, com folhas recortadas e estreiti- 
nhas, como fios de retroz. 

No floresce entre ns como algumas 
outras. 

Serve de ornamento de jardim. 

Como planta medicinal pouco uzada 
no paiz. 

E ts t o a* Cia di ii la o . Epietirum iva- 
rigatum. Fam. das OrcMdaceas. Planta 
silvestre, a que nas Alagoas do este 
nome. 

Ella tem os caules succulentos for- 
mando touceira. 

As folhas tambm sueculentas, sem 
as filamentos que as demais tem ; so 
lanceoladas e alternas. 

As flores so exquisitas, formando 



um grupo de laminas potaloides, colo- 
ridas, umas em forma de Anglicas^ e 
outras tendo uma protuberncia e es- 
pores, dando nascimento a um fructo 
semelhana de uma vagem, que 
rolia ou triangular, pouco mais ou 
menos de 3 decimetros, contendo se- 
mentes mui midas. 
E' parasita. 

En^cfto de paamariUo. Lo- 

ranthus brasiliensis ., Lam\. Lorantlms 
divaricaius. Fam. das Loranthaceas 
O Enxerto de Passarinho., cremos que 
invade todos os lugares do Brasil ; por 
conseguinte natural do paiz, sendo 
por este nome conhecido em Pernam- 
buco. 

E' um arbustinho que nasce sobre 
as arvores, tecendo-as de tal forma que 
as mata, ou as inguica ; e forma uma 
espcie de moita, tranando seus ga- 
lhos delgados. 

Tem as folhas carnosas, sem fila- 
mentos fibrosos pelo meio, como ge- 
ral; so estaladias. 

Suas flores, em feixes, so como tu- 
bos fendidos d'alto a baixo, brancas e 
oppostas. 

O fructo que rudimentar, um 
bota ovide, pequeno, com caroo den- 
tro, sendo viscosas todas as suas 
partes. 

Os pssaros comem muito essa fruc- 
tinha. 

Caracteres da famlia. k^ Loran- 
thaceas so pela maior parte sub-arbus- 
tos, commummente parasitas. 

O caule lenhoso e ramificado. 

As folhas simples e oppostas, intei- 
ras ou denteadas, coriaceas, persisten- 
tes, sem estipulas. 

As flores so diversamente dispostas, 
quer solitrias, quer em espigas, em 
cachos ou em paniculos axillares ou 
terminaes. 

Elias so ordinariamente hermaphro- 
ditas, as vezes dioicas. 

O clice adherente ao ovrio infero. 

O limbo inteiro ou ligeiramente 
denteado. 



ENX 



ESF 



is: 



Este clice acompanhado exterior- 
mente de duas bracteas, ou d'um se- 
gundo clice cupuliforme, envolvendo s 
vezes inteiramente o verdadeiro clice. 

A eorolla se compe de quatro a oito 
ptalas, inseridas ao redor d'um disco 
epigynico, queoccupa o pice do ovrio. 

Estas ptalas, cuja estivao val- 
var, so algumas vezes soldadas, e re- 
presentam uma eorolla gamopetala. 

Os estamos so do mesmo numero 
das ptalas, e lhes so oppostos, ses- 
seis, ou sobre filamentos mais ou me- 
nos compridos. 

Suas antheras so introrsas. 

O ovrio de uma s loja, que con- 
tm um ovulo anatropo, voltado ; este 
cercado de um disco epigynico e 
annullar. 

O estylete frequentes vezes com- 
prido e delgado, as vezes faltando com- 
pletamente. 

O estigma muitas vezes simples. 

O fructo em geral carnoso, com- 
prehendendo uma s semente voltada, 
adherente polpa do pericarpo, que 
espessa e viscosa. 

Esta semente encerra um endosper- 
ma carnoso, em que est coUocado um 
embryo cylindrico, tendo a radicula 
voltada para o hilo. 

Eii:qLCB*to de p^e^^saiafiiilBo i8c 

Perii^iiihiieo. Loranms Z. ame- 
Hcanus^ Swart. Ternatus. Fam. idem. 
E' outra espcie de parasita que ve- 
geta sobre as arvores. 

Forma grupos, mas no se estende 
tanto como a precedente, que forma 
capa como um caramancho. 

Esta apresenta na base tubrculos, e 
as folhas so em verticillos de trs, 
ovaes, reviradas, carnosas; as flores, 
emcachos,so avermelhadas e compridas 
como tubo. 

Por fructo tem uma baga oval, verde, 
curvada, com uma cicatriz no pice, 
e uma semente d'entro; viscoso. 

Os pssaros gostam de comel-o. 

Propriedades medicas. O sueco 
recente d'esta parasita resolutivo. 



A medicina popular usa-o nas doen- 
as chronicas do peito, tomado inter- 
namente em cosimentos. 

Eoaratc-seu. Propriedades me- 
dicas. E' uma planta cuja raiz, fer- 
vida em vinagre, serve em frices na 
regio lombar e nas extremidades con- 
tra as febres intermitentes. A raiz ras- 
pada, pela expresso d um sueco que, 
misturado com vinho branco anti- 
febril. 

EspaslBEaft. Erytliroxylum oli- 
lyeum. Fam. das ErytliroxTjleas. Nas 
Alagoas por este nome conhecida 
uma arvore de porte pequeno e agreste, 
em cujo tronco e galhos se nota umas 
escamas foliaceas. 

As folhas so alternadas, grandes e 
lanceoladas. 

As flores brancas, tinctas de amarello, 
em feixes inseridos no tronco. 

A frutinha pequena, ovide, e fica 
amarella na maturidade. 

No se come. 

Parece-se com azeitona, excepto na 
cr. 

EspoBirte-iogo- C/zrte02?5m enjf- 
tofoais. Fam. das Melastomaceas. 
Chamam nas Alagoas Escondc-fogo a 
uma arvore de pequeno porte e silves- 
tre, que tem casca esbranquiada, folhas 
ovaes, lustrosas concavas, oppostas. 

As flores so brancas, em cachos, 
pequenas, e de pouco cheiro. 

O fructo pequeno, redondo, unido ao 
clice, de que traz os fragmentos. 

Dentro contem muitos carocinhos mi- 
dos, distribudos em quatro alojamen- 
tos. 

Ignoramos que se coma. 

O lenho d'esta planta oculta o fogo 
de tal maneira, que no se diz que ha 
signaes d'elle, mas soprando-se appa- 
rece promptamente. 

Esfola baiialta oii PacliinUos. 

Xilopia aromtica. Fam. das Anonas 
ceas. Este arbusto de caule escuro 
e folhas oblongas e um tanto grandes, 

26 



186 



ESP 



ESP 



conhecida nas Alagoas por este nome, 
e tambm cm Pernambuco. 

D suas flores em feixes pelo tronco ; 
Cilas so muito cheirosas; so carno- 
sas, representando como estrellas, do 
cr amarolla barrenta. 

O fructo toma a forma de ura bilro 
curvado ; de maneira que acham-se 
aquelles feixes de bilros, dentro com 
duas sementes pretas, lustrosas, con- 
vexas de um lado e planas de outros. 

Esta planta produz fibras para cor- 
da, porm fraca. 

Esgieilina PerianiTiopodus tomba. 
Fam. das CucurMaceas . Planta de 
S. Paulo. 

Propriedades medicas. Seu empre- 
go como drstico, na dose de uma 
gramma para 500 grammas de agua, 
tomado s chicaras. 

Tambm se emprega em clysteres, nos 
casos de envenenamento (segundo Man- 
soj. 

Esta planta um antdoto contra os 
venenos, de qualquer natureza que 
sejam. 

Es|ea'a pelas outras. Aster. 
Fam. das Compostas. Vlov de jardim, 
extica , conhecida em Pernambuco por 
tal nome. 

E' uma herva quasi rasteira, com 
folhas recortadas, cujas flores so com- 
postas de muitas palhetinhas, como 
Saudades^ com xim boto no meio ; 
roxa. 

Aquellas flores abertas no murcham, 
emquanto no abre alguma das outras 
ainda em boto. 

EsfJa aittsaBlao. V. Herva mi- 
jona. 

EspiKa le sasaij-ae. Helosis hra- 
siliensis. Esta parasita do fel da ter- 
ra, acha-se nos lugares sombrios do 
matto virgem; apparece em forma de 
espiga cr de srngue, e sustenta-se de 
preferencia sobre as raizes da urtiga 
branca. 



Propriedades medicas. Tanto a flor 
como a batata tem aco adstringen- 
te, e uza-se contra as hemorrhagias e 
diarrhas. 

Es|>inlia <le Carneiro. Xan- 

thium macrocarpum. Fam. das Com- 
postas. Herva do Rio Grande do Sul. 

E' uma planta herbcea. 

Acha-se uma espcie d'este gnero no 
Peru, nas visinhanas de Quito., que 
talvez seja esta mesma espcie do Rio 
Grande do Sul. 

Propriedades medicas. Ella e suas 
congneres so resolutivas, applicadas 
em banhos contra os tumores frios. 

Es|)iBBl$eiro tle Astieisa. V. 

Ameixa da terra. 

E<^|eBBlaciro (ias liordas do 
eaiaaiiSeo . (de Pernambuco. ) Mi- 
mosa strata. Fam. das Leguminosas. 
E' oriunda do paiz; esgalha, e tem es- 
pinhos, mas poucos. 

Folhas muito midas, dispostas em 
palmas. 

As flores so em cachos, como globos 
de frocos brancos; do um p. 

O fructo de 9 centmetros de compri- 
mento, muito chato ; e as sementes do 
mesmo modo. Abre-se pelas juntas das 
divises das sementes. 

A madeira rosada. 

Ar folhas tem a mesma propriedade 
da Sensitiva., de contrahirem-se, porm 
brandamente, pelo contacto de um corpo 
estranho. 

Espisalciro braaseo. V. Tata- 
juba. 



Espialaeiro >t*avo. 
juba. 



V. Tata- 



Esjiiaalaeia*/* Se Caycaaa. Mi- 
mosa cerca. Fam. das Leguminosas. 
Este arbusto, de espinhos cnicos, 
indgena, e superabunda nas beiras das 
estradas de Pernambuco, principal- 
mente nas cercas. 



ESP 



EST 



18*? 



Elle regula a altura de uma arvore 
de 4 a 5 metros. 

Folhagem miudissima. 

A casca parda, o tronco cheio de 
espinhos at os ramos. 

Flores em pequeno numero, em ca- 
chos, formando espigas grandes; ellas 
parecem um froco de retroz amarel- 
lado ou branco, e outras vezes formam 
penachos . 

Os fructos so bagens pardas, pe- 
quenas, chatas e membranosas, con- 
tendo poucas sementes, porm arti- 
culadas. 

E' uma excellente lenha. 

E^|titit1iero corno Se Itode oii 
veado. Mimosa. Fam. das Legu- 
minosas. E' um espinheiro que recebe 
este nome emPernambuco porque mesmo 
tem a catinga de bode, quando se move 
ou se agita sua folhagem. 

Ei3iiii9teBro oaa EsgtisEio de 
Santo Aiatonso. [Sergipe.) Fam. 
das Leguminosas. Espinheiro ou Espinho 
de Jacv, ; um arbusto indgena, a que 
do este nome em Sergipe. 

Vegeta nos taboleiros. 

Seus caules formam moitas. 

Pouco engrossam, e so armadas de 
espinhos, que se crusam em direces 
oppostas. 

Tem as folhas ovaes. 

Os caules cahem sobre as outras 
plantas, e vo apodrecendo logo. 

As flores so em cachos. 

Os fructos, legumes amarellos. 

Es39i rr adei ra . Nerimi Oleander., 
Linn. e Sp. Fam das Apocynaceas. 
A Espirradeira uma flor j bem co- 
nhecida em nossos jardins. 

Ella oriunda do Oriente. 

E' um arbusto que esgalha desde a 
base; suas folhas so lanceoladas, es- 
treitas e dispostas nos ramos em ver- 
licillos de 3. 

As flores so em cachos, formando 
um pednculo cheio de articulaes, e 
triangular. 

O clice pequeno e colorido. A co- 



rolla maneira de funil, fendida em 
cinco ou mais divises, que se vo do- 
brando por camadas concntricas. 

Do centro sae um pequeno feixe de 
filetes, como frocos de l, com cheiro 
que suave, mas pouco activo; de 
uma linda cr de rosa. 

Os fructos, nunca vingam ; d'ahi vem 
ser ella reproduzida por meio dos ga- 
lhos. 

Ha de cr de rosa, amarellas, brancas, 
e cr de purpura viva ; porm esta ul- 
tima variedade rara entre ns ; a de 
cr rosada tem umas listras brancas. 

Este arbusto sempre se conserva 
verde. 

E|ioleta. [Nas Alagoas) V. Je- 
nipapo bravo. 

Espoleta. V. Jenipa'po bravo. 

Esponja. F. Corona-Cris. [con- 
traco de Christi., porque dizem que a 
coroa ds espinhos foi feita de seus ra- 
mos.) 

Esporo. F. Maravilha (em Per- 
nambuco)., Beijo [no Rio de Janeiro.) 

Estaca cavalBo. Gratiola. Fam. 
das Scrophulariaceas. Planta herbcea 
da maior parte das regies norte 
americanas. 

E' purgativa. 

E' a mesma Gratiola officinal., que gosa 
de propriedades deletrias. 

Esi*ladof. Murraya Stloppa. 
Fam. das Auranciaceas . Nas Alagoas 
do este nome a uma arvore silvestre, 
cujas folhas so dispostas em palmas. 

Suas flores, midas, brancas, triguei- 
ras, cahem com muita facilidade. 

O fructo redondo, encerrando uma 
a quatro sementes. 

Estaaac: san^tie. Qhrysocoma 
sanguiiea. Fam. das Compostas. Por 
este nome conhecido um arbustinho, 
ou antes um cip nas Alagoas. 

Descana sobre outras plantas. 



flSS 



EST 



ERV 



Os caules, cm touceiras fracas ou 
flexveis. 

Folhas speras, medianas, lanceoladas. 

As flores em cachos, nas pontas dos 
ramos, enroscados e de nm s lado, 
lo reunidas em feixes sobre um rece- 
ptculo commum, composto de palhe- 
tnhas. 

As flores so brancas, pintadas de 
roixo, com algum cheiro. 

Os fructos so como agulhetas pretas, 
com um feixe de pellos, que os faz 
voar com muita facilidade, pela aco 
do vento, por mais brando que seja. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gado nas hemorrhagias internamente, 
e externamente, nos ferimentos e gol- 
pes. 

E'Storaqiie. Styrax ferrugineum ; 
Mart. Fam. das Siyraeeas. Esta 
planta habita as Provncias da Bahia e 
Minas Geraes. 

pRRPRiEDADES MEDICAS. E' estimu- 
lante, aromtico ; o] blsamo, que se 
extrahe d'esta planta, emprega-se no 
curativo das ulceras chronicas, e in- 
ternamente , nas leucorrheas e gonor- 
rheas, em plulas, na dose diria de 
2 a 4 grammas. Este blsamo entra na 
composio de diversos emplastos por 
ser muito cheiroso ; costumo queima- 
lo nas Igrejas, em lugar de incenso. 

Esfranaoaiie. DaturaStramonium, 
Liu. e Sp. Fam. das Solanaceas. 
Esta planta natural da America e 
do Egypto. 

E' de pouca altura e esgalhada. 

Sua cr verde desmaiada. 

As folhas alternas, formando, sinu- 
osidades nas pontas agudas, isto ter- 
minando por um aculeo. 

As flores so um pouco grandes, afu- 
niladas, simples, ou dobradas, brancas 
e quasi sem cheiro. 

O fructo ovide, semelhana de 
Maxixe, eriado de espinhos molles ; 
dentro existem muitas sementes par- 
das. 

Esta planta narctica, perigosa de 



uzar-se sem muita cautella. O cheiro 
6 fastidioso. 

Propriedades medicas. Empregam- 
na contra as aff'eces asthmatcas, e 
nos rheumatismos, apenas 3 4 fu- 
macinhas das folhas murchas e seccas 
em forma de cigarro. 

Administrada em alta dose, produz 
vertigens, somnolencia, vista turva, di- 
latao das pupilas, ardor na gargan- 
ta, agitao, vmitos e delrio ; inter- 
namente na dose de 5 centigrammas 
a 3 decigrammas e progressivamente 
at 10 decigrammas, em xarope ou p- 
lulas. ( Fg.' 18. ) 

Ervaca. Fam. das Leguminosas. 
E' um arbusto mediano e silvestre, ha- 
bitante dos terrenos paludosos e char- 
casos, ou brejos. 

Cresce at 3 metros, pouco mais ou 
menos. 

Folhas miudissimas, dispostas em 
palmas. 

Flores amarellas, pequenas, seme- 
lhana da flor do feijo. 

O fructo uma pequena vagem, chata 
e articulada, isto , como recortada : 
tem gros como os de feijo. 

N'esta planta, quando adquire mais 
desenvolvimento, o tecido da casca 
off'erece uma textura semelhante da 
cortia verdadeira. 

Fazem d'ella ptimos afiadores para 
navalhas e mais objectos ; muito 
macia. 

Ervillia. Pisim saiivum, Linn. 
Fam. das Leguminosas. Arbustinho na- 
tural do Meio-Dia da Europa; culti- 

va-se no Brazl. 

E' uma espcie de feijo, redondo pro- 
duzido por uma planta de ramos es- 
galhados, de porte pequeno. 

Folhas unijugadas, e um tanto baas. 

Flores esbranquiadas, ou de um ver- 
Iho arroxeado, assemelhando-se a uma 
borboletinha. 

O fructo uma vagem de 9 a 12 
centmetros, que no seu interior con- 
tm 3 a 4 gros redondos, esbranqui- 



FAV 



FAV 



189 



ados, com um pequeno umbigo, por 
onde elles se inserem no fructo. 
Seu uso conhecido em nossas mezas, 



porque a ervilha constitue um legume 
com que se preparam diversos pratos. 
Ha muitas variedades. 



r-. 



FaeSiiaaa. Cauthium elongatiim. 
Fam. das RuUaceas. Arbusto agreste 
a que do este nome em Pernambuco. 

Seus caules ramificam formando tou- 
ceira, armada de espinhos em cruz. 

As folhas so oppostas, ovaes, lus- 
trosas e pequenas. 

As flores so como uns Jasmins^ del- 
gados, com o tubo fino, de um ama- 
rello cr :de palha; esto em grupos 
nas axillas das folhas, em 'pequeno 
numero. 

O fructo uma vagem achatada e 
um pouco comprida; negro quando 
maduro, branco por dentro, e contm 
uma massa branca, aquosa, um pouco 
acida. 

Empregam os caules d'este vegetal 
para fazer os tapumes (*) e cercas; d'ondc 
vem chamarem -no FacMna. 

Fava. Vicia sativa,^ Lvm. Fam. 
das Legxmiinosas. A Fava., que foi assim 
classificada por Linno, um vegetal 
oriundo da Europa, dos arredores do 
mar Caspio. 

E' a nica espcie d'este gnero. 

Seu caule de um metro pouco mais 
ou menos. 

As folhas, em palmas, so de 4 a G, 
dispostas de 2 em 2, oblongas, e com 
uma membrana que lhes adhere (asas), 
um tanto espessas. 

E' de verde desbotado ; no tem ga- 
vinhas. 
Suas flores so cheirosas, e brancas, 
e sua vagem d uma semente, que 
suppomos ser branca. 

C*) Tapagens. 



Da immensidade de favas ou feijes 
cultivados no paiz, tem-se perdido o 
tjpo original, isto , no existe um 
documento, que precisamente nos mostre 
qual a fava ou feijo primitivo que 
appareceu no Brasil ; e por isso acha- 
mos conveniente trazer a descripo 
botnica da Fava principal, para os 
nossos botnicos se guiarem, ou mesmo 
conhecerem melhor este gnero de 
Fava. 

Entre essa profuso de variedades 
nota-se a Fava de Africa Fivenaine : 
esta espcie de pouca altura, ramo- 
sa e mui productiva. 

Fava de Aui^ola: Fam. das Le- 
gimiinosas. Arbusto trepador e ex- 
tico, que pelo nome indica sua ptria. 

Suas fructas so vagens de 3 Vi de- 
cimetros, pardas, grossas, com trs su- 
turas de lado, contendo gros brancos 
lisos de 3 centmetros de compri- 
mento ; o ponto que se pega a vagem 
pardo, e no pequeno. 

Diz-se que serve contra as morde- 
duras de cobras. 

Tambm se come, porm, fervidas 
em muitas aguas; pois que so vene- 
nosas 

Tambm chamam Fava de cohra. 

Fava ico de iiapag^aio. PAa- 
seolus. Fam. Idem. Esta fava, que se 
cultiva aqui e nas Alagoas, tem este 

nome. 

E' trepadeira. 

Suas folhas so ternadas, em peciolos 
communs, de forma rhomboidal. 

As flores so brancas. 



190 



FAV 



FAV 



D lima vag:ein em fig^ura de casco 
de navio, de 13 centmetros de com- 
primento, no pice revirada, contendo 
trez sementes grandes, brancas c ra- 
jadas. 

Come-se. 

Fava lica Jle iiftO^'a. Pliaseo- 
liis saponaceus^ Savi. Fam . Idem . 
E' uma fava cultivada no Brasil, 
qual do este nome em Alagoas. 

Seu porte como o das demais con- 
gneres ; mas suas folhas sendo como 
das outras, so unidas, de 4 % cent- 
metros. 

A vagem de 1 pollegada de com- 
primento, achatada, tendo o dorso roixo 
circularmente at 2/3 de sua largura. 

Come-se tambm. 

Esta espcie parece a de D.C. Pror. 
T. 2, f. 393. Phaseolus saponaceus ., 
Savi. 

Fava toraiBea. Phas. compressus, 
D. C. Fam. Idem. Esta fava se cul- 
tiva geralmente, e conhecida em 
Alagoas e Pernambuco por tal nome. 

E' proveniente de um arbustinho 
trepador, de caules que se enrolam nos 
corpos vizinhos. 

Suas folhas so rhomboidaes, ter- 
nadas. 

Suas flores, em espigas pequenas, so 
brancas, tendo a mesma estructura que 
a do feijo. 

Sua vagem de forma navicular, os 
gros, que so de 2 a 3, so brancos e 
muitos maiores que os do feijo. 

Come-se esta fava, e boa. 

Fructifica em pouco tempo. 

Differe da Fava de sete semanas 
na cor, que aquella tem roixa. 

Fava cahrociio. Cajanus. 
Fam. Idem. E' uma fava que nas 
Alagoas chamam assim. 

EUa tem o mesmo porte das outras, 
tendo as folhas maiores. 

As flores iguaes, tambm, so bran- 
cas como que tinctas de amarello. A 
vagem maior, mais lisa, com uma 
espcie de umbigo comprido na semente. 



A' primeira vista parece agreste, mas 
boa de comer-se. 
Cxiltivam-na. 
Ha outra espcie, cuja fava preta. 

Fava ele roSira. Bignonia Ophi- 
diana. Fam. das Bignonaceas. Esta 
planta, que tem este nome em Alagoas, 
parece indgena. 

E' um arbusto trepador, semelhante 
ao Cip de cesto. 

Tem o tronco, nas partes inferiores, 
anguloso ou sulcado. 

As folhas em verticillos de 2, e os 
ramos' cruzados. 

As flores so brancas como trom- 
betas, com a parte tubulosa amarella. 

A fructa uma capsula um pouco 
grande, de 2 % decimetros, chata, com 
muitas sementes dentro. 

Propriedades medicas. Empregam- 
na nas mordeduras de cobra. 

Fava ig:alo (Ec gaSlinlia, oii 
Seijo figasio eBe ^alSsalaa. 
Phaseolus. Fam. das Legimiinosas . 
Esta fava, que tambm nas Alagoas 
recebe este nome, tem o p como as 
outras. 

O gro, porm, meio redondo, de 
cr amarella de oca, e lustrosa. 

Come-se, mas glutinosa. 

Em Pernambuco Feijo figao de 
gallinlia. 

Fava oSlto cie peixe. Phaseo- 
lus. Fam. das Leguminosas . Esta 
planta semelhante s precedentes. 

Tem as folhas compostas trifoliola- 
das, e trepadeira. 

As flores so brancas amarelladas. 

A vagem como das outras, tendo os 
gros redondos, com o hilo roxo. 

Cultivam-na nas Alagoas, onde lhe 
do este nome. 

Serve para comer-se. 

Fava rajada ou pintala. 

Phaseolus. Fam., idem. semelhante 
precedente nas suas partes vegetativas, 
conheccida nas Alagoas por este nome. 



FAV 



FED 



191 



Ella branca pintada de roxo. 
Come-se, e tem os mesmos usos. 

Fava de a*ap. V. Cumaru. 

Fava r HM tle 21a ca. Phaseoliis- 
Fam. idem. Esta fava da condio 
de suas congneres, e conhecida em Ala- 
goas por este nome. 

E' menos cultivada que a Boca de 
moa. E' menor que ella ; a cr de 
um roxo escuro, e verde; e no lugar do 
hilo tem uma orla circular rosada, que 
guarnece o ponto da insero do gro. 

Come-se, e tem a mesma applicao. 

Fava Piscada. PJiaseolus. Fam. 
idem. Esta outra espcie, a que nas 
Alagoas do este nome, quasi a 
mesma cousa que as outras, excepto 
na fava, que um tanto grande, 
branca, riscada de roxo, e circulada 
no hilo de uma zona rosada. 

Come-se, e cultivada. 

Fava sasfig-aie ele Boi. Pliaseo- 
lus. Fam. Idem. Conhecida nas Ala- 
goas, e cultivada. 

Suas condies vegetativas so seme- 
lhantes s precedentes ; porm a fava 
cr de carne viva, com veios rosados 
em redor do hilo. 

Come-se. 

Fava de S. \^t\%eio. Favillea 
trilohata. Fam. das EtplwrUa.eas . 
E' tambm chamada Nhandiroba. 

O leo expresso das sementes amar- 
go, e empregado nas dores prevenientes 
da impresso do frio. 

Guapeva em S. Paulo a Fava de S. 
Ignacio, em Minas Hypanthera gua- 
peva. 

Propriedades medicas. As sem en- 
tes d'este arbusto trepador so amar- 
go-oleosas, e de grande proveito na 
Ictercia , em dose de uma a duas 
sementes; s vezes repetidas tornam-se 
um purgante violento. 

Fava de sele Semanas. PTia- 



seolus. Fam. Idem. Esta mais ge- 
ralmente espalhada, porque por todo o 
paiz se encontra. 

E' como as de mais congneres ; tem 
as flores brancas, as vagens da mes- 
ma forma, as sementes roixas, bonitas. 

Esta planta igual Fava Bran- 
ca difterindo s na cr. 

Ella germina ou fructifica em sete 
semanas, por isto tem este nome. 

E' mui ba de comer-se. 

Favsa de louco. V. Cumaru. 

FaviBiBea. Fam. das Leguminosas. 
E' um arbusto vergonteado, que pou- 
co esgalha, conhecido em Pernambuco 
por este nome. 

Suas folhas so dispostas em palmas, 
e miudinhas. 

As flores lisas. 

Os fructos so vagens. 

O lenho d'esa planta mui leve e 
branco ; no d m lenha. 

Faz-cfttoa*ar. V. Caha-xio 

Fedegoso lpavo ow Cir^ta 
de :allo Bravo. II eliotropimn hor- 
tense. Fam. das Borragineas. Este 
herva, que abunda em Pernambuco, re- 
cebe o nome de Crista de gallo em 
outras provindas. 

Vegeta pelas hortas e qualquer lugar. 

E' de caules ascendentes, mas um 
pouco rasteiras, formando pequenas 
moutas. 

Suas folhas so um tanto estreitas, 
crespas, porm pouco speras : tem 
alguns pellos ; de um verde commum, 
com algum brilho. 

As flores do nas extremidades dos 
ramos somente; formam espigas enros- 
cada na ponta, com as fleres engas- 
tadas de um s lado, e no tem pellos. 

Estas flores so como pequenos fu- 
niszinhos, roxas, manchadas de branco, 
off'erecendo ndoas amarellas no tubo. 

O fructo uma nz pequena, redonda, 
cingidapelo calice,terminando em ponta, 
contendo quatro sementes pardas, quasi 
redondas. 



193 



FED 



FED 



Chainam-n'a tamboiu Ch de Bra- 
gana. 

Esta planta pela denominao do 
geral das provncias deve ser Crista 
de gallo bravo. 

Fctlesso. (l) [outro, hra,vo) Heliotro- 
pium verauicum, Fam. idem. E, uma 
espcie tambm brava, agreste, que se 
distingue em ter todos os seus rgos 
mais pequenos; a sua cr verde e 
muito azulada. 

Vigora e floresce no vero. 

Tratamos d'esta espcie, posto que 
no saibamos o verdadeiro nome po- 
pular, para mais esclarecer a questo 
da distinco do Fedegoso e Crista 
de gallo ; por quanto implica confu- 
so a diversidades de nomes arbitr- 
rios, para uma mesma planta, nas dif- 
ferentes provncias. 

Convm, dizer que do verdadeiro mes- 
mo, ha duas espcies, como aqui adiante 
mostraremos. 

FecSe^-so do Pny. Helioro- 
pium indiciim, Mille, e Swatz. Fam. 
daz Borragineas. Planta herbcea do 
Par. 

Suas folhas so cordiformes e speras. 

As flores em cachos, pequeninas, 
azuladas e unilateraes. 

FeilegHo verflla89csn*o, os 
Crista de i^alio. Tiaridim uti- 
lissifiinm: Tiaridium elongatum., 
Fam. iderd.K planta conhecida em 
Pernambuco sob a denominao de 

Fedegoso, nas Alagoas sob a de 

Crista de peru, e no Rie de Ja- 
neiro e provncias do Sul do Imprio 
pela de Crista de gallo. 

E' o Tiaridium utilissimum ou Tia- 
ridium elongatum de Swatz, e o Helio- 
tropium carossodiim de Mart. 
f^Herva oriunda do paiz; tem seus 
caules cylindricos, ramosos e ascen- 
dentes. 

Pllos speros em seus rgos. 

(1) Fedegoso na Bahia, Espirito Santo, 
Rio <le Janeiro etc, a Cssia Occiisn- 
lalis. 



As foUias, quasi rhomboidaes, e. enru- 
gadas, so dispersas nos caules ou ra- 
mos. 

As flores n'ama espiga que se enrosca 
no pice, so tubulosas ; engastadas 
em duas fileiras de um s lado do eixo, 
e so cr de lirio ou de violeta. 

O fructo uma espcie de noz, tendo 
semelhana com uma pequena mitra da 
cr verde, contendo quatro caroos re- 
dondos. 

Propriedades medicas. E' consi- 
derada na therapentica pernambucana 
como uma das plantas mais rocommen- 
daveis por suas virtudes curativas, e 
applicada, interna e externamente, 
como calmante do systema nervoso, na 
paralysia, asthma, tosse convulsa cu 
coqueluche, tosses recentes e antigas, 
suff'ocao, catarrhos pulmonares, etc ; 
e em geral contra todos os sofrimen- 
tos da vias respiratrias ; sendo um 
excellente lenitivo para aquelles que 
padecem de tsica pulmonar. 

Sua efficacia contra o ttano ou espas- 
mo assegurado por grande numero 
de pessoas. 

No ignorando ns o que acabamos 
de dizer e esforando-nos por ser til 
humanidade sofredora preparamos 
com essa planta plulas, tintura xa- 
rope e vinho ; achando-se pois os refe- 
ridos medicamentos promptos para sa- 
tisfazer as precripes dos Srs. facul- 
tativos, e acudir s necessidades de to- 
dos os emfermos. 

Todos os dias se nos apresentam no- 
vos testemunhos da efficacia d'esta im- . 
portante planta. 

Doses as plulas so applicadas de 
trez a quatro por dia, aos doentes de 
7 a 15 annos ; e uma a duas, aos meni- 
nos de 2 a 5 annos de idade. 

A tintura, internamente applicada 
na dose de vinta a trinta gotas, em 
um copo d'agua, daudo-se d'essa agoa 
duas colheres das grandes, de 2 em 2 
horas aos adultos, uma aos adolecen- 
tes, e uma das pequenas aos meni- 
nos. 

Internamente applicada em fri.Ses 



FED 



FEI 



193 



por todo o corpo, contra o ttano, ou 
espasmos e convulses, trez vezes por 
dia, por meio de escovas ou de lanella 
embebida d'essa substancia. 

O Xarope applicado na dose de uma 
colher de sopa , trez ou quatro vezes 
por dia aos adultos ; duas a trez por 
dia aos adolescentes, e duas a trez co- 
lheres de ch aos meninos. 

Este Xarope tomado puro, ou di- 
luido na quarta parte de um copo 
d'agua, ou em alguma tisana apropria- 
da, como infuso de tilia ou de althea. 

O vinho applicado do mesmo modo 
que o xarope, com preferencia no t- 
tano ou espamo. (Fig. 19.) 



Fedegoso vea*iiiidej.*o [oiitro] ,oim. 

Ci*isti de gaBio. Tiaridiwn ani- 
latiim Fam. idem. O vulgo no tem 
distinguido entre o Fedegoso verdadeiro 
e o falso, qual a que pertence esta 
espcie ; porque ella realmente se con- 
funde com a antecedente. 

Cresce menos, alastrando mais. 

Suas folhas so mais ovaes, e me- 
nos pelludas. 

As flores so em espigas semelhan- 
tes, porem mais curtas ; no tem man- 
cha amarella nas florinhas, e so mais 
estreitas. 

O fructinho igual. 

Por no conhecerem essa differena, 
applicam-nas sem distinco uma da 
outra; e talvez disto nasa a impro- 
flcuidade no remdio muitas vezes, 
attribuindo-se volubilidade do me- 
dicamento. 

Fedea'al ou AiBioi* los velStos. 

SU])kium anti-dysenterica. Fam. das 
Composlas. Herva silvestre conhecida 
em Alagoas por este nome. 

E' de 4 a 6 centmetros de altura, 
com pellos brancos em todas as partes. 

Folhas moUes, de verde amarellado, 
oppostas e desmaiadas. 

Florinhas amarellas, em um feixe de 
folhetinhas verdes, com pequenas la- 
minas amarellas em redor, e tubosinhos 
no centro. 

Os fructos, de 4 a5 linhas, so como 



sementes pardas, de figura obconica, 
com dois espinhos no pice ; em tudo 
o mais armado de espinhos. 

Esses espinhos so agudos, e agar- 
ram-se roupa. 

Tambm o chamam Amor dos ve- 
lhos nas Alagoas ; Federal no 
Cear ; e em Pernambuco Espinho gua- 
bir. 

Propriedades medicas. Empregam- 
no em cosimento para dores de dentes 
acompanhadas de inflammao do rosto. 

E' de proveito nas diarrheas, mesmo 
chronicas, segundo affirma pessoa 
fidedigna. 

Feijo. Phaseolus vulgaris, Lhmeo, 
Fam, das Leguminosas, E' planta le- 
nhosa ou herbcea, que mui frequen- 
temente trepa e se enrosca ao redor 
das outras arvores. 

Folhas pinnuladas, tendo trs foliolos. 

Flores brancas, amarellas ou ver- 
melhas. 

O fructo sempre uma vagem oblonga, 
bivalve, encerrando grande numero de 
sementes reniformes, e farinceas, que 
of'erecem um alimento simples, agra- 
dvel e nutriente. 

O feijo contem muitos princpios 
nutrientes. 

Convm principalmente aos estma- 
gos robustos; as espcies de feijo so 
muito numerosas. 

Ha 1,016 variedades ; os mais usuaes 
no Brasil so feijo branco^ fradinho, 
mulatinho e freto. 

Feijo viitxo . Phaseolus nanus, 
Linn. Fam. Idem. E' um feijo in- 
troduzido na Europa desde remota anti- 
guidade, como o de que falamos acima. 

Foi levado das ndias Orientaes. 

Este de pouca altura, e no se es- 
tende ; o chamado Feijo mulatinho. 

Os demais d'esta qualidade, de que 
ha de todas as cores, mesmo na Eu- 
ropa, fazem nm grande ramo de com- 
mercio. 

D'esses feijes do commercio notam-se 

os seguintes. 

87 



94 



FEI 



FEI 



Feijo bacacsarte. V. Feijo 
GruguiMba. 

Feijo (Ic'l20i de caiocira. 

Cappars ol7idcii$is. Fani. das Cappa- 
ridaceas. Esta planta, que agreste, 
engrossa seu tronco at quasi um pal- 
mo de dimetro. 

Com casca escura, que forma o in- 
voltorio de seus ramos, densos, e tre- 
padores. 

Folhas, que so disposta em palmas 
alternadamente. 

So ellipticas, um pouco carnosas e 
duras. 

As flores, em caclios, so brancas com 
partes rosadas. 

Sae do seu centro um feixe de file- 
tes torcidos e longos. 

Tem o fructo como vagem rolia e 
pendente, demonstrando os lugares das 
sementes, envoltas em polpa branca, 
sendo estas pardas e reniformes. 

Feijo le Feo, [outra). V. Fei- 
jo da Praia. 

Feijo bravo. V. Matta-pasto. 

Feijo CaboeEo. E' como o bran- 
co., porm menor e de cor vermelha. 

Feijo eas*rapao. Phaseolus 
ivmidiis e Sphacricus. Fam. Idem. 
Planta, rasteira volvel e glabra. 

Folhas ovaes, acuminadas. 

Flores brancas, em pequenos caclios. 

O fructo recto, mucronado, de 9 a 
12 centmetros, semi-cylindrico. 

Semente espherica ou oval, inchada, 
e toda alva. 

Ignora-se sua ptria. 

Feijo ea^taiilio. E' de cr 

cinzenta ; na forma se parece com o 
feijo miUatviho, mas marchetado de 
branco, que o torna lindo. 

Feijo coco. F. Bar. 

Feijo de eorda. V. Macassa. 



tanho na forma, mas a cr amarella 
bonita. 

Feijo fi^a<lo de jsafliiBaba. 

Semelhante ao feijo enxofre.^ mas a cr 
de um amarello barrento. 

Depois de cosinhado fica glutinoso 
e escorregadio. 

Feijo fiViadinilao. Dolychos mo- 
7iaclialis., Brot. Fam. idem. Caule her- 
bceo semi-rasteiro. 

As folhas ovaes agudas e lisas. 

Flores em pequenos cachos; legume 
meio rolio. 

Semente branca, com uma mancha 
negra no hilo. 

E' natural da Lusitnia. 

Feijo g:ifE*aiia. Zornia crypto- 
seraina. Fam. das Leguminosas. E' 
conhecida esta planta por este nome 
na provncia das Alagoas. 

E' agreste, trepadeira e tem os caules 
flnos. 

Suas folhas so bifoliadas. 

As flores amarellas. 

A vagem deprimida, chata ; sendo 
notvel que nunca se acham as se- 
mentes. 

Feijo gs*iignifa. Fam. idem. 
E' uma espcie de feijo, cujo gro 
de quasi trez centmetros de com- 
primento, rolio e vermelho, deixando 
ver-se um marchetado da mesma cr, 
mas escuro, quasi invisvel. 

E' bom de comer-se ; porm, dizem 
que mais indigesto que as outras es- 
pcies. 

Ha outra espcie que tem a cr 
amarella. 

Feijo da ndia. Dolichos si- 
tiensis. Li7in. Fam. idem. Caules 
alastrados, herbceos e lisos. 

Folhas ovaes agudas. 

Pednculo com duas flores pallidas. 

O legume rolio pendente. 

O gro alvo ou rubro. 

E' natural da ndia ou China. 



Feijo esixtre. E' como o cas- \ Feijo anacassar os de co&*da. 



'.'K 



FEI 



FEL 



1; 



Cajanus. Fam. idem. Este feijo, 
que suppomos ser conhecido de todo 
o paiz por um d'estes nomes, o pro- 
ducto de uma planta alastrada. 

Folhas compostas, trifolioladas, meio 
triangulares . 

As flores so pouco juntas, e s vezes 
solitrias, e de cr amarella descorada 
e roxa ; d ento a vagem estreita e 
rolia, formando ondulaes. 

Dentro acham-se de 8 a 10 sementes 
brancas, trigueiras, reniformes. 

Este, com quanto usado nas mezas, 
no goza do apreo dos outros ; mas 
comtudo tem os seus afeioados. 

Esta planta possue virtudes enrgi- 
cas, como antiscorbutica. Ella mui 
productiva, e prematura na frutificao. 

Feijo cnaiste^a. Cajanus. 
Far. idem. Herva cultivada ; de caules 
em touceira, sem alastrar. 

Folhas em palmas trifolioladas. 

Flores um tanto grandes e arroxeadas; 
a vagem se confunde com a do Feijo 
macassar ; mas mais rolia e pequena, 
o feijo roxo amarellado, com ponto 
branco, um tanto mais redondo que o 
macassar . 

Este feijo mui saboroso ; d de 
dois mezes, e sempre tem matria para 
colheita. 

Feijo do iii;stt.o. Cssia liep- 
tandra. Fam. idem. Nas Alagoas 
do o nome de Feijo do matto a este 
arbustinho, de pequeno porte, esga- 
lhado, com folhas dispostas em palmas 
de sete. 

As flores amarellas,em grandes caches, 
dispostas maneira de rosa singella, 
.sem cheiro e com os filetes no centro. 

O fructo uma vagem longa de 24 
48 centimetros, e rolia ; mas a su- 
perfcie sulcada, de 3 centimetros de 
largura, e meio chata, verde, penden- 
te, contendo no seu interior muitas 
sementes pardas claras ; donde exsuda 
um sueco leitoso, que applicam contra 
empigens, com proveito. 

As folhas so empregadas pelas la- 
vadeiras. 



Feijo mija ena |. Fam. 
idem. E' um feijo semelhante ao 
precedente; mas sua vagem cresce 
mais, e mais larga alguma cousa. 

O gro tambm maior e branco, 
reniforme, e o hilo preto. 

E' bom de comer-se. 

Ha outra cr de rosa. 

Em Sergype chamam-no Sete se- 
manas. 

Feijo iniilafiEilio. O gro 
reniforme, cr de ganga ; sendo muito 
novo cr de canna. 

Feijo la praia o de Ztoi. 
Sopliora littoralis. Fam. idem. Esta 
planta conhecida em Pernambuco por 
esses nomes, agreste, e vegeta pelas 
praias. 

E' um arbustinho de 1 metro. 

Seus caules esverdinhados quasi sem- 
pre em touceira. 

As folhas de um verde azulado, em 
palmas symetricas. 

As flores, em espigas, so amarellas, 
no off'erecendo nada de notvel. 

A vagem parda, articulada, isto 
, moniliforme (a semelhana de ros- 
rio) ; os gros de cr de castanha, 
ovides, e duros. 

Feijo gireto. PTiaseolus Derasus. 
Scliran. Fam. idem. Os gros tem 
a forma dos do precedente, mas so de 
cr preta, com o hilo branco. 

Dizem ser o menos flatulento, e por 
isso procurado para alimento dos con- 
valescentes. 

Feijo vepinellio. F. Macassar. 

Fel da terra. Lopliopliytum mi' 
raUle, Mart. Esta parasita singular 
poderia considerar-se como a primo- 
gnita de um vegetal fungoso e pha- 
neroganico. 

A tubera contem substancias seme- 
lhantes ao cogumelo. 

A planta, em vez de folhas, est 
revestida de escamas, e offerece ver- 
dadeiros estames e pistillos. 



19 



FIA 



FIG 



As tiiberas e:n floral so pequenas, 
porm podem chej^ar s vezes a um 
tamanho gigantesco ; crescem de pre- 
fer^.ncia sobre as razes das Legumi- 
nosas^ principalmente sobre as da ar- 
vore Ing mido: mimosa semialala. 

Feto ^raiiiGe. Pteris caiidatiim, 
Will. Fam. dos Fetos. Cryptogamia, 
Linn. E' uma planta da ordem dos 
vegetaes imperfeitos. 

Feto aaiaclio Io Bra.^il. S- 

mamhaya. Polypodiim incomem ? Fam . 
idem. Planta do Brasil. 

Tem as folhas pennadas, de lacineas 
oppostas, lineares, e obtusas, convexas 
na face inferior. 

Caule e face inferior das folhas co- 
bertas de uma camada de pequenas 
escamas. 

Ha outras espcies, segundo Martins. 
Polypodium percussum (Cavanilles), Poly- 
fodium sepuUwm^ Hoif ; todas estas es- 
pcies contm um leo acre, e gosam 
de propriedades vermfugas. 

FiiiBiiSciro. Stalagmites officinale. 
Fam. das Gutliferas. Nas Alagoas 
esta arvore assim conhecida. 

Tem a casca cr de castanha. 

Folhas dispostas em pares exsudam 
um sueco leitoso. 

Suas flores so brancas, constitudas 
por quatro palhetas obovaes, dispostas 
em cruz, tendo grande numero de fi- 
lamentos no centro . 

O fructo carnoso, redondo, com 
quatro ou trez gros dentro. 

No se come. 

Esta arvore d traves para construc- 
o urbana, e bons esteios. 

Fiiiiileia*o fiaflso. Mappa semina- 
rosa. Fam. das Eupliorhiaceas. Esta 
arvore conhecida em Alagoas por tal 
nome, de porte elegante, e copada. 

Suas folhas dispostas alternadamente 
so ellipticas. 

D um fructo semelhante ao car- 
rapato., (rcino). 

Capsula com trez gomos, e trez se- 
mentes dentro. 



Finfo. Ficus carica., Linn. Fan. 
das Urlicaceas. Sendo a figueira in- 
troduzida no Brasil desde epocha im- 
memorial , apenas contamos quatro 
ou seis espcies, ao passo que na Eu- 
ropa existem muitas. 

A figueira originaria do Oriente 
e da Africa. 

Cultivam-na nos paizes da Europa 
em profuso, pois que ella faz um ramo 
de commercio. 

E' de um arbusto leitoso, de caule 
acinzentado, apresentando ns ou arti- 
culaes. 

Folhas palmatinerviadas com cinco 
lobos; so speras e sem brilho. 

As flores so dentro de uma espcie 
de casulo pyriforme, tendo na, parte 
superior uma pequena abertura, cercada 
de escaminhas rubras. 

Dentro esto as paredes d'este rgo, 
ornadas de florinhas, que so como 
que um aggregado de pevides, hori- 
sontalmente situadas. 

Vingando, esse casulo verde toma a 
er de sua espcie, fica molle, doce, 
saboroso. 

Come-se ento todo este rgo, que 
constituo o que chamam fructo da Fi- 
gueira ou figo. 

As espcies que temos visto no paiz 
so : 

O Fi^o roxo. Uma espcie cuja 
fructa cresce pouco. 

E' de um roxo escuro, muito doce, 
e dentro vermelho. 

O Fij;;o lirasico. Cresce bastante 
e engrossa ; sua cr verde amarel- 
lada por fora e dentro branco. 

O Figo rajatlo. Na sua forma 
e volume semelhante ao branco. 

O Fijo i*x.o g-rasiile. Que 

como o primeiro, porm maior. 

No s estimado como excellente 
fructa, tambm possue qualidades me- 
dicas. 

Os grelos da figueira pisados serve m 
de remdio contra bronchites, em xa- 



FLO 



FLO 



19* 



rope, e para curar feridas ; no fal- 
lando de outras propriedades da planta 
porque com o figo secco, por exemplo, 
preparam nas pliarmacias tisanas, muito 
usadas como emollientes e peitoraes. 

Fi^o le Gaonelleira. V. Ga- 
me tleir a. 

Fig^o fio luatto. V. Gamelleira. 

Figueira la Bafl*ftaria. Cactus 
opuntia^ Knigkt. Fam. das Caciaceas. 
E' um arbusto do paiz. 

Seu caule ramificado, moniliforme, 
i., offerecendo constrices de distancia 
em distancia. 

Suas flores so rseas, inseridas no 
caule, que cheio de espinhos longos 
em feixes. 

O fructo uma baga rubra, cheia 
de muitos grosinhos pretos, mergu- 
lhados em uma polpa. 

Propriedades medicas. O fructo 
antiscorcutico, e tinge de vermelho as 
ourinas ; emprega-se como refrigerante 
nas febres gstricas, biliosas. Verde e 
pisada til nas ulceras srdidas. 

FigHelB*a liranca. V. Gamellei- 
ra de fwga. D no norte de Minas 
Geraes. Bahia e Sergipe. 

Figueira la IiBlia. V. Ja- 

macar. 

Figueira lo iiifersto V. Es- 

r amnio. 

Fl4^r l'agua ou L.entillta le 
agua. Pisia occidenalis, P. S. 
Tratiotes, Linn. Fam. das Araceas. 
Planta que vegeta no Brasil, nas An- 
tilhas, e ndias Orientaes. 

E' aqutica ; uma pequena herva 
fl actuante sobre as aguas, formando um 
feixe de folhas ovaes, em cujas bases 
ha um feixe de raigotas, que inseridas 
um caulesinho deitado, de distan- 
cia em distancia brota novas folhas e 
raizes. 



As flores em um estojo, como cor- 
tina, encerram uns grosinhos 

EUa fluctua nas aguas de todo o 
paiz. 

Propriedades medicas. Contusa, 
mucilaginosa e acre ; serve por isso 
para curar postemas, ou abcessos ; e 
antigamente era usada internamente 
de infuso contra as urinas sans-ui- 
neas, diabetis inspida, tumores dos 
membros, erysipelas, molstias herpe- 
ticas e hemoptysis. 

Contam os pretos que as fontes que 
as tem ficam empregnadas de matrias 
acres, o que produz como uma esp- 
cie de envenenamento clicas e d^-sen- 
terias. Isso no est averiguado. 

Flr (le liabatlo ou le Ba- 
lueiro. Ecliitcs longijlora., Def. Fam. 
das A'pocynaceas. Este arbusto co- 
nhecido por este nome em S. Paulo, 
Rio de Janeiro e Minas Geraes. 

E' um arbusto cujas raizes so na- 
piformes ; colhidas de fresco contem 
um sueco lcteo, e quando sccas do 
muitas rezinas, cuja aco drstica. 

Os tropeiros (1) a empregam, em infu- 
so ou em cosimento, contra as febres 
ptridas dos cavallos e mullas, como 
remdio de summa efficacia. 

Flr le easanteiilo. Echites. 
Fam. idem. Esta planta cong- 
nere da precedente, seu sueco lcteo 
resolutivo. 

Com esta flr os indgenas do norte 
se adornam. 

Flr le janeiro. V. Cebola 
ses em. 

Flr le utaeaeo. V. Corona- 
Cliris. 

Flr lo }:ra^o. F, Flr de 
Pavo. 

Flr le pavo. V. Brio de 
estudante. 

(1) Conductores da tropas ou caravanas, 
cavallos, etc. 



198 



FOL 



FOL 



Fli* lc Quaresma. V. lia- 

nacan, ou Santa 31 ria de Pernambuco. 

Flor de Qiiare^ana. [do Sul] 

Lasiandra onaaimiliana, D. C. Fam. 
das Melastomaceas. Ai^lbusto das .pro- 
vncias do Sul, conhecido por tal nome. 
esgalhado. 

Suas folhas so ovaes, com pellos 
speros em uma parte de seus r- 
gos. 

As flores roxas. 

A fructa uma capsula seeca. 

A casca d'esta planta serve para 
tingir de negro. 

Ha mais outras congneres, que tm 
os mesmos usos. 

Fla* tle S. I}liji:ue1. Ptrea. 
Fam. das Verhenaceas. Planta do Rio 
de Janeiro e de Minas. 

Esta planta tem o uso geral das 
Verhenaceas . 

Flor le veado. Cryptolepis e- 
diiUflora. Farii. das Apocynaceas. 
Planta conhecida em Alagoas por este 
nome, e em Pernambuco por Cip 
correia. 

E' um arbustinho trepador. 

E' arroxeado ; deita um sueco leitoso 
de todas as suas partes. 

Suas folhas, inseridas por pares, 
so ovaes, com veios roxos. 

As flores so em cachos, amarellas, 
afuniladas, com manchas rseas no 
centro, divididas em cinco laminas 
obliquas, e com o tubo vermelho. 

As fructas so duas capsulas gemi- 
nadas; porque cada flor produz um 
fructo gmeo, que pardo, de 2 % de- 
cimetros de comprimento, e muito es- 
treito ; a semente coroada por um 
feixe de pellos louros, que parecem 
seda. 

O decocto d'esta planta applica-se 
contra as dores de dentes ; e as flores 
servem de alimento para os veados. 

Cip correlhas outro nome vulgar 
pelo qual se conhece esta planta. 

FolSaa 2e Uivado. Blechum sem- 



perflornm. Fam. das Acanthaceas . 
Herva natural do paiz, que recebe este 
nome em Alagoas. 

E' uma plantasinha de quatro deci- 
metros de altura, de caule quadran- 
gular inferiormente lanceolado e li- 
zo. 

As folhas so sempre poucas. 

As flores, de 1 a 3, afuniladas e de 
um roxo azulado, grandes em propor- 
o da planta, e quasi sem cheiro. 

Corolla recortada em cinco dentes. 

O fructo uma capsulasinha em forma 
de pio, allongada, de meia pollegada 
de comprimento ; abre por si e lana 
quatro sementes, onde existem umas 
espcies de dentes. 

Esta herva applica-se nas af^eces 
de fgado. 

Ella sempre est florida, tanto pelo 
vero como pelo inverno ; vegeta em 
Pernambuco. 

Follaa le ioiite ou Fonte. 

Arum. Fam. das Araceas. Por este 
nome conhecida em Pernambuco uma 
trepadeira, ou para melhor dizer, um 
cip parasita. 

Seu caule, como cip, entrana-se 
nas arvores das mattas e capoeiras, 
ainda junto s cidades, e muito gosta 
das palmeiras ; emitte prolongamentos, 
pelos quaes se agarra. 

As folhas so lisas e lustrosas, de 
3 a 4 decimetros de comprimento, e 
em forma de corao alongado. 

As flores so em espiga, de 1 a 2 
decimetros, aonde esto inseridos os 
rgos floraes dos dois sexos, separa- 
dos em um estojo membranoso e ven- 
tricoso, que os guarnece na base. 

Os fructos desenvolvem-se n'esta es- 
piga; so bagas, que no se come. 

Esta planta applicam os alveitares 
do interior na cura de molstias cu- 
tneas dos cavallos ; ella um pode- 
roso abstergente. 

As pretas vendedeiras de mangabas 
forram os taboleiros com as folhas d'esta 
planta. 

FolSi di4 toriiBa. Verea in- 



FOL 



FOL 



199 



vohicrata. Fam. das Crassulaceas . 
Em Pernambuco chamam assim a uma 
herva de caule ascendente, e mancha- 
da de roixo, esgalhada ; formando for- 
quilhas, com os ramos oppostos. 

As folhas ovaes, grossas, carnosas, 
denticuladas, com as bordas roxeadas. 

Sua florao em cachos oppostos, 
ternados. 

As flores so tubulozas, divididas 
inferiormente em quatro lobos ; so de 
cr verde. 

Seu tegumento com quatro carpellas 
trigonas no centro. 

Estas folhas brotam nas extremidades 
rebentos, que so novos vegetaes, logo 
que so tiradas e postas em casa, 
penduradas na parede. 

FS!ia s-i*osa. F. Sayo. 

FofiSaa ie li^na. Helconia lari- 
ceolati folia Fam. das Musaceas. 
uma planta selvtica, assim chamada 
em Pernambuco; tambm recebe o 
nome de Pacavira 

E' herbcea, do aspecto de uma ba- 
naneirinha, e cujas folhas tm pciolos 
compridos e rolios. 

As folhas tem cerca de 4 1/2 deci- 
metros a mais ; so lanceoladas e lisas. 

As flores nascem de um caule, que 
se prolonga do centro ; so formadas 
por um involtorio commum, vermelho, 
em cujo centro se acha um cacho de 
flores, dividido em grupos alternados, 
os quaes envolvem outras interna- 
mente, tudo com involtorios parciaes 
6 vermelhos, com as extremidades su- 
periores verdes. 

Cada flor tem seu tegumento diapha- 
no, vermelho. 

Tem os filetes maneira de peque- 
nas fitas, e um fructo triangular com 
trs sementes, cada uma em seu com- 
partimento. 

O fructo semelhana da banana 
pequena, com um umbigo verde. 

FoISaa Sarga. Elacococea macro- 
fliylla. Fam. das Eti^TiorUaceas. Y, 
uma arvore silvestre, assim denomi- 



nada nas Alagoas e tambm em Per- 
nambuco. 

Seu tronco alourado. 

As folhas de verde amarellado, s- 
peras, de pellos louros, da grandeza 
de 3 a 5 decimetros, em forma de 
corao ablongado. 

As flores, em cachos, so brancas, 
mui cheias de filetes. 

O fructo uma baga redonda roxa 
escura; seu tegumento externo mem- 
branoso. 

Ha internamente uma massa ama- 
rei lada, aquosa, envolvendo um caroo. 

O lenho d'esta arvore usado na 
carpintaria, duradouro ; se bem que 
esbranquiado resiste aco dos in- 
sectos destruidores. 

Empregam-o em construco de ca- 
sas. 

FolStii @i%i&s^, Ic P;E'Biiiifiu!}u- 

co. Anim maculaiiim Fam. das Ara- 
ceas. E' natural do paiz conhecida 
em Pernambuco por este nome, e se- 
melhante ao Tinlwrao., bem conhecido. 

Suas raizes so bulbosas. 

Suas folhas, nascidas do alto da raiz 
na superfcie da terra, tem pciolos lon- 
gos, e so compridas, em forma de cora- 
o ; tem uma mancha rubra no cen- 
tro. 

As flores so como um estojo, em 
cujo meio existe u.ma espiga engas- 
tada de flores, que parecem pequenas 
granulaes esbranquiadas 

Empregam as flores contra feridas. 

FoISia tle tiruSi. Potlios qua- 
drangidaris Fam. das Araceas. Cha- 
mam em Pernambuco a esta folha ou 
planta Folha de uruMi. 

E' rasteira. 

Suas folhas so reunidas em feixes 
ao rez do cho, de 1 metro entre a 
limbo da folha e seu peciolo ; tem os 
ps quasi que angulosos, rolios e verdes. 

As folhas oblongas; lisas e lance- 
oladas. 

As flores so como as da Folha 
santa., pouco mais ou menos com 
um fructo igual. 



soo 



FRU 



FRU 



Propriedades medicas . Esta her- 
va empregada pelo povo em cosi- 
mento, como excellente remdio contra 
os rlieumatismos em banhos ; passa por 
efficaz. 

Follft Ic cra\'o do iiiatto. 

Psetio-CarTjopMllis. Arvore impor- 
tante da serra dos rgos. 

A cultura d'esta arvore seria de mui- 
ta importncia para o paiz. 

E' de um aroma muito agradvel, 
igual ao do Cravo da ndia. 

E' ^empregada como condimento , e 
carminativa ; as folhas so aromtica s . 

Frei tfocge. V. Qiiiri. 

Friirta l'Aras*a. V. Anda. 
( Minas ). 

Friicta de eacltorro. V Mamma 
de cachorro^ de S. Paulo e Minas. 

Fphcju do CoBde. V. Condessa. 

Friicta de g^eeitio. E' agreste 
esta planta de S. Paulo e Minas, ond e 
por este nome conhecida. 

E' arbusto trepador, de folhas re- 
gulares e despontadas. 

Flores como as das Cucurlitaceas . 

Fructos em cachos encarnados na 
maturidade ; so redondos, de 3 cen- 
timetros de dimetro, com casca fina, e 
o interior esbranquiado; a semente re- 
donda e chata. 

E' um drstico, que se emprega em 
gente, e nos animaes. 

E' pouco commum. 

Fpsietst de fae. S'pi7iacia Ja- 
cumina. Fam. das Chenopodiaceas . 
Este arbusto, que tem este nome nas 
Alagoas, agreste, de porte mdio, 
folhas grandes, isto , maiores que de 
ordinrio, tendo quasi 2 % decimetros 
de comprimento, e lustrosas. 

Flores em cachos, com os sexos se- 
parados; so esbranquiadas. 

D uma fructinha de menos de 3 
centimetros, meio ovide, amarella, por 



fora pintada de pontos vermelhos 
semelhana de uma pequena manga- 
ha. 

Friicta tle macaco. V. Mwta, 

Fructfa le macaco. V. Mnrta 
maior. 

Friiefa fliao de caroo. Ar- 

tocarims, Linn. Fam. das Urticaceas. 
Bella e elegante arvore da ndia e du 
Costa de Malabar. 

E' alta, de 10 metros, e de casca cin- 
zenta. 

Deita sueco rezinoso de todas as suas 
partes, e revestida de bonitas folhas 
de dois palmos pouco mais ou menos, 
como palmas e lustrosas. 

Nas flores esto os sexos distinctos ; 
uma espiga semelhante do milho, 
menor e mais fina, compe-se das flores 
masculinas, e uma, globulosa, compe- 
se das femininas. 

Estas, ganhando desenvolvimento, tor- 
nam-se do tamanho da cabea de um 
menino; sua superfcie verde, amarella, 
spera, sem lustro, formando figuras 
pentgonas ou hexgonas. 

Sua casca fina, e tem um pequeno 
ponto proeminente ; encontra-se dentro 
uma massa branca amarellada, e um 
tanto viscosa, dividida em*aloj amentos, 
que occupam o interior da fructa. 

Cada um d'esses alojamentos tem um 
caroo ovide, esbranquiado, de 3 cen- 
timetros. 

Um caule penetra em seguimento ao 
pednculo at o interior da fructa. 

Este caroo come-se, e serve de sus- 
tento ao povo entre ns ; assa-se, co- 
zinha-se, piza-se e faz-se uma espcie 
de feijo ; mas no to aprecivel 
esta fructa, como a de massa. 

FrHcta Bso. O fructo encerra 
uma grande quantidad e de amido. 

As sementes tambm se comem as- 
sadas ou cozidas. 

A casca da arvore batida, e' prepa- 
rada, serve para fazer tecidos. 

Faz-se das amndoas uma emulso, 



FRU 



FRU 



ro 



que se adoa, e empregada nas go- 
norrhas- 

Fructa po le massa. Ar- 

ocarptis incisa, Linn. Fam. idem. 
Esta outra em tudo semelhante 
precedente, diferindo em que o fructo 
cresce quasi sempre mais alguma cousa, 
e chega s vezes a 2 % decimetros de 
dimetro; mas a principal differena 
est em no ter esses caroos dentro, 
compe-se de massa espessa, tenaz, 
um tanto secca, doce e mui agrad- 
vel. 

Entre ella alojam-se umas sementi- 
nhas pardas, como umas pevides, de 
duas a trs linhas de comprido ; essas 
fructas assam-se, cozinham-se, e fazem 
as vezes do po; tem muito bom sabor, 
melhormente assada e comida com 
manteiga. 

E' mui substancial, e na arte cu- 
linria muito estimada ; d'ella se 
fazem excellentes podins, etc. 

Tem virtudes medicinaes; goza de 
propriedades laxantes, e suas folhas 
so empregadas como ramedio contra 
rheumatismo . 

Esta s se planta de estaca. 

Foi no extincto Jardim Botnico de 
Olinda que se plantaram viveiros d'esta 
arvore, e d' ali se espalhou por todas 
as provncias do Imprio, principal- 
mente de Pernambuco para o sul. 

Propriedades medicas. A decoco 
das folhas usuda em banhos nas dores 
rheumaticas. 

Frjipfa lie pavo. Schnidelio 
ednlis, St. Hil. Fam. das Sapindaceas. 
Esta fructa de S. Paulo e Minas Ge- 
raes passa por muito boa. 

E' de uma arvore do paiz, cujas 
folhas so compostas , trifolioladas , 
oblongas e lanceoladas. 

As flores so brancas, e de sexos se- 
parados. 

O fructo uma drupa de trs gomos, 
com trs sementes, cobertas de subs- 
tancia doce. 

Floresce em Outubro, e o povo ac- 



code procura d'esta fructa no tempo 
de sua colheita. 

Fructa de ponilia (tle Ulioias). 

Erytliroxijliim Pelleterianum., St. Hil. 

Fam. das Erythroxylaceas . Esta 
planta vegeta em Minas Geraes. 

E' um arbusto de folhas oblongas, 
que parecem enferrujadas, isto , alou- 
radas. 

Floresce pelo caule e ramos. 

O fructo pequeno, um pouco longo, 
trigono, sulcado, e crustceo ; um 
tanto vermelho. 

Pelo seu nome d logo a entender 
que serve de alimento s pombas. 

Fraieta cie poiiii1}a(i1e Cuyaij). 

Erytliroxytnm angiiifiigtim . Fam. das 
Erythroxylaceas. E' um arbusto, que 
em Cuyab vegeta e recebe este nome. 

Propriedades medicas. A casca da 
raiz d'este arbusto preconisadacomo 
efficaz remdio para as mordeduras de 
cobras. 

Fructa de poBnba (do Rio de 
fasBero) . Erytliroxylum subrotimdxim., 
St. Hil. Fam. idem.'?.' um arbusto 
que vegeta do Rio de Janeiro para o 
Cabo-Frio. 

Suas folhas so quasi redondas. 

As flores solitrias e poucas. 

O fructo ovide, pequeno e molle, 
que depois se torna coriaceo. 

Floresce esta planta em Setembro, e 
cremos ser pasto das pombas. 

Fructa le gerinj^a. F. Qimlo 
de Cayenna. 

Fructa de tucano do caiupo. 

Erythroxylum cotinifoUxmi., St. Hil. 
Farii. idem,. E' um arbustinho que 
cresce em S. Paulo e Minas Geraes, e 
que tem os caractersticos seguintes : 

Folhas obovaes. 

Flores algum tanto reunidas, com 
escamas nos ramos, e caule ramoso. 

Deita uma frutinha insignificante, 

que pelo nome indica o prstimo que 

tem . 

28 






FUM 



FUM 



Floresce em Abril na provncia de 
S. Paulo. 

Frwctei* de t&r&'a. V. Ana- 
au. 

Frecia*44 Se ituvi'<ii. Uvaria fe- 
hrifuga. Fam. das Anonaceas. E' uma 
planta anti-febril. 

F*en?tcii'a 3o e&ntle. F. Con- 
dessa. Foi importada na Bahia pelo 
Conde Diogo Luiz de Oliveira em 1626. 

E' frueta doce, mucilaginosa e prpria 
para os convalescentes. 

Ffiiceifl'! le lobo. Solanum 
Lycocarpum, ou Solanum aiiriaaium, 
Fam. das Solanaccas. Planta do 
Ouro Preto e do Rio de Janeiro. 

FE!Bff*tesB4 Io ga^vo. F. Fruta 
do Pavo. 

Fa-saeers Sejjerlia. F. 3hi- 
fici. 

Fficeipa le loaMls. F. Ffucta 
de fomha. 

Fau. Tabaco. Nicotiana taha- 
cum, Linn. e Will, Fam. das Solana- 
ceas. Planta herbcea ou sub arbus- 
tiva, de caule recto e cylindrico. 

Folhas muito amplas, niolles, de 
um verde escuro. 

Flores i'oseas, ou purpurinas, de uma 
s pea, em forma de funil, de cinco lo- 
bos e cinco rugas. 

Sementes muito pequenas e nume- 
rosas. 

Conta-se cerca de 24 espcies de 
Nicotiatias; o maior numero d'e3tas existe 
n'America Meridional. 

Na Nova Hollanda ha somente uma 
espcie. 

As flores d'estas so quasi sempre 
esverdinhadas, com tudo apparecem 
algumas brancas ou de uma bella cr 
de rosa. 

Seus estames apresentam muitas 
variedades. 

Um de seus filetes oflferece sempre 
algumas anomalias. 



Ordinariamente nas espcies brasi- 
leiras adquire menos altura do que 
nas outras. 

Os primeiros que conheceram o Taba- 
co foram os Hespanhes da Ilha do Taba- 
go, que por este nome o designaram. 

Esta planta, j propalada em Portu- 
gal, dizem que ento foi trazida pelo 
embaixador Nicot, o qual em sua vol- 
ta Frana o ofereceu Catharina 
de Medicis. 

D'ahi vm os nomes de Nicotiana ou 
Hena da Rainha^ que se deu a 
esta Sola?iacea ; mas s no reinado de 
Luiz XIII, durante o ministrio do Du- 
que de Richelieu, foi que o Tabaco se 
espalhou geralmente, e o seu uso se 
desenvolveu. 

Esta planta estava destinada a experi- 
mentar toda espcie de vicissitudes. 

Ora eram suas qualidades altamente 
gabadas, e no duvidaram chamal-a 
Herva Sanita, Herva Sagrada Pa- 
naca aromtica, prestando j as mila- 
grosas propriedades que lhe attribuiam 
os habitantes da Florida e os brazilyiros. 

Um jesuita chegou a escrever um 
poema elogiando o Tabaco. 

Outras vezes o ridculo e as perse- 
guies procuraram restringir ou abo- 
lir seu uzo, e os Reis pareceram ligar-se 
para aniquila-la inteiramente. 

Jacques I declarou Inglaterra que 
o Tabaco devia ser abolido como herva 
suspeita, escrevendo esse mesmo Rei 
uma satyra contra os fumantes. 

Os Papas Urbano VIII e Clemente XI 
no trepidaram em lanar bulias, e ful- 
minar com a excommunho aquelles 
que tomassem Tabaco nas Igrejas. 

Izabel de Inglaterra mandou alem 
disto que as authoridades confiscassem 
as caixas de tabaco. 

Uma ordenao de Transylvania ame- 
aou com a perda de bens os que cul- 
tivassem esta planta. 

A crueldade foi ainda mais longe 
na Prsia, na Turquia e na Rssia, 
onde Amaret IV e o gro Duque de 
Moscovia prohibiram o uso do Tabaco 
sob pena da perda do nariz; e na re- 
incidncia da perda da vida; entre tan- 



FUM 



FUM 



SOS 



to nem o ridiculo nem os decretos dos 
Eeis rigorosos poderam oppr bices a 
sua propagao. 

O Fumo um veneno narctico acre ; 
produz vertigens e tremores continua- 
dos, acompanhados de dejeces exces- 
sivas, e contraco da pupilla. 

O Fumo cultivado em todas as pro- 
vincias do Norte e Sul do Imprio do 
Brasil, e promette tornar-se este g- 
nero um dos mais valiosos productos 
de exportao nacional. 

E' oFerecido ao mercado debaixo de 
diversas formas, como em follias, pasta, 
rolo, picado e preparado em cliarutos e 
cigarros. 

Propriedades medicas. E' um nar- 
ctico acre , empregado nas ne- 
vralgias, epilepsia, coqueluche, ttano, 
asthma, e tambm na hydropisia nos 
catarrhos chronicos, paralysia da be- 
xiga, etc. 

O p do Fumo aspirado pelo nariz, 
produz um agradvel prurido; o uso 
moderado de rap til s pessoas 
estudiosas. 

Internamente 2 grammas de folhas 
para infuso em 250 grammas d'agua 
fervendo. 

Externamente 60 grammas de folhas 
para 750 grammas d'agua fervendo. 

Faaitio 5)3avo ou lo Bsaatto 

( das A lagoas ) Corotnlla siijmladissi- 
ma. Fam. das Legiimitiosas. E' um 
arbustinho mui elegante na epochada 
florao, natural de Alagoas. 

E' esguio, de I a 1 1/2 metro de al- 
tura ; quasi no esgalha. 

O caule avermelhado, e coberto de 
prolongamentos foliaceos , transver- 
salmente situados. 

No pice que tem as folhas com- 
postas trifolioladas ; os foliolos obtusan- 
gulos. 

As flores so em cachos, de uma cor 
de rosa bonita e viva ; o que lhe d 
muita graa. 

Os fructos so vagens em forma de 
contas de rezar, divididas por articula- 
es ; so de cr de castanha. 



As sementes so oblongas. 
Este o Fumo do matto das Alagoas. 
O de Pernambuco o seguinte : 

Fiia^io liravo. Achjranthes corym- 
hosa^ Wil. Fam^ das Amarantliaceas. 
Planta herbcea, natural da ndia. 

O cosimento da planta, temperado com 
sal, empregado internamente, ou em 
clysteres, contra sezes. 

Fucno Itriavo. Solanum tahacifor- 
me^ Vell. Fam das Solanaceas. E' uma 
espcie assim baptisada. (Velloso) 

Fcaaaao ravo le Msisas. E' a 

Eerva collcgio^ no Rio de Janeiro. 

F^aasBO 9o i5i4to, le Periiasn- 

1>3ico. ElepUanto])US, Mart. E. sca- 
ber, Linn. Fam. das Compostas. Esta 
planta indgena do Brasil tem recebido 
diversos nomes nas diflferentes pro- 
vncias, como mostraremos. 

E' um subarbustinho que cresce em 
nossos campos, e quasi nunca d nas 
cidades, a no ser cultivado. 

Cresce seu caule at 1 metro e 2 cen- 
tmetros pouco mais. 

So obovaes e agudas as suas fo- 
lhas, cuja cr acinzentada ; ellas so 
speras, por causa dos pellos curtos 
que tem e abraam o caule. 

As flores, no pice dos ramos, em 
cachos, compem-se de um invlucro 
foliaceo, no qual apresentam-se poucas 
florinhas, como jasminsinhos. 

O fructo como que uma pevide que 
nunca attrahe a curiosidade do obser- 
vador pela sua insigniflcancia. 

Chamam-na tambm Lngua de vacca, 
apezar de ser a Lngua de vacca outra 
espcie do gnero. 

D-se em cosimento nas febres as- 
thenicas, quando vem com grande aba- 
timento. 

A raiz abunda em extracto amargo 
e princpios adstringentes ; precipita 
o ferro em verde, contm uma rezina 
balsmica, e alcalina. 

Ftmo do matto em lngua tupnica 
Sucuaya. 



S04 



GAL 



GAM 



Or. 



Gafaiilito. E' a Raiz de cobra, 
chamada assim no Maranho e no Par. 

Gajev ou Guajer. Multi- 
canlis icaco, Linn. Fam. das Rosceas. 
E' iim arbusto que cresce espon- 
taneamente no littoral do Brasil ; elle 
forma moita, chegando seus caules at 
de 1 a 2 metros de altura. 

As folhas so quasi redondas, de cr 
verde, lustrosas, grossas e estaladias. 

As flores em cachos so brancas e 
com cheiro suave. 

O fructo uma espcie de perasi- 
nha espherica, de 3 centmetros pouco 
mais ou menos de dimetro, com umas 
salincias na superfcie. 

Quando maduro liso, de pello fino, 
e cr escura-viva. 

No seu interior encontra-se uma 
massa branca, de duas a trs linhas 
de espessura, elstica e doce, com um 
resaibo adstringente, a qual envolve 
um caroo que occupa o centro ; ella 
agarra nos dentes, quando se come ; 
no m, mas no fructa de estima. 

D no vero. 

Nas Alagoas chamam-na Giiagir^no 
Maranho e no Par Gnajuri. 

Propriedades medicas. A raiz, a 
casca e as folhas so applicadas nas 
diarrhas chronicas, fluxo da urethra, 
leucorrha e nas caimbras de sangue. 

OalBinlaa cltea, oii Hlerpiirio 
do ea>io. Erijthroxylmn siberosum, 
Si. nu. Fam. das Erythroxyleas. Este 
arbustinho, que cresce no solo de Minas 
Geraes, tem as folhas ellipticas, co- 
riaceas. 

As flores em feixes. 

O fructo redondo e pouco observado. 

A casca fornece uma tinta cr de 
rosa empregada na tinturaria. 



Elle floresce em Maio e Setembro. 
E' adstringente e corroborante. 



Gaiuelleira bra-wa. Ficiis gla- 
hra. Fam. das Urticaccas. E' tambm 
chamada Figo do matto. 

Esta arvore do paiz, e recebe este 
nome por todo lugar. 

Afasta-se pouco do aspecto da outra 
Gamelleira. 

E' uma arvore lactifera, collossal, 
frequente no littoral, copada e de folha- 
gem densa. 

O tronco algumas vezes forma grandes 
cavidades angulosas de alto a baixo, 
com capacidade sufciente muitas vezes 
para occultar um homem. 

Seus caules e ramos finos tem umas 
excrescncias foliaceas ; as folhas so 
obovaes, quasi redondas, lustrosas, gros- 
sas e grandes. 

As flores e fructos, como os da fi- 
gueira mansa ou cultivada, porm com 
a difi^erena que so menores, e ama- 
rellados, mesmo quando verdes ; so 
brancos por dentro, e pouco rosados. 

Os pssaros os comem. 

O leite que escorre das incises, que 
se fazem no seu tronco, em maior 
abundncia que o leite da Figueira, 
hranca, mas o d'aquella conserva-se 
liquido e muito viscoso, e serve para 
apanhar pssaros ; este coagula-se de 
maneira que no se presta bem para 
esse fim. 

A arvore d boa sombra. 

No Rio de Janeiro chamam a fructa 
Figo do matto. 

Ha outra espcie, cujas folhas so 
menores. 

O fructo da Qamelle ra semelhante 
ao figo, porm mais redondo na base^ 
e no to perfeitamente piriforme. 



GAM 



GAR 



SOf 



Tem duas escamas grandes e duas 
pequenas na base. 

No pice tem duas aspas levantadas. 

A cr da fructa parda clara ; mas 
no interior como no figo. 

Tem um cheiro semelhante ao dos 
morcegos. 

No se come, e s estes animaes lhe 
fazem festa. 

Gaiiaelleira Itranea tias es- 
tiniaves, ou ie |UB*g;a. Ficus 
doliaria, Mart. Fam. idem. E' uma 
arvore do Brasil, que pelo seu prs- 
timo medicinal, da estima do povo. 

E' ramalhuda e lactifera. 

As folhas tem os peciolos um tanto 
compridos, e so ovaes, lisas e mesmo 
lustrosas. 

As flores esto encerradas em uma 
espcie de casulo obconico e pequeno. 

Seu fructo igual ao da Figueira., 
com a diFerena de ter 1 % centmetro de 
comprimento, e no prestar para co- 
mer-se. 

Fazendo-se incises no tronco escor- 
re um sueco leitoso (leite de gamel- 
leira), que applicam aos doentes de 
hydropisia e opilao, com uma dieta 
rigorosssima, prescrevendo-se-lhes um 
anno de privaes de certos alimentos. 

Do abuso d'esta dieta podem resul- 
tar ao doente graves inconvenientes, e 
at a morte. 

PROPRIEDA.DES MEDICAS. O SUCCO 

acre e tido por anthelmintico, usado 
contra as hydropisias. 

O Dr. Lino Coutinho professor da 
faculdade de medicina da Bahia, o em- 
pregava nas opilaes. 

E' um bom remdio para as boubas 
dos ps, vulgarmente chamadas cravos . 

A madeira serve para gamellas. 

Oaiuelleifa trepadeira, ou 
trepatlcira j^asiitellcira. Sy- 

pJi07iia volubilis. Fam. das Guttiferas . 
Esta arvore indgena cresce natu- 
ralmente nas Alagoas, onde recebe este 
nome. 
E' celebre, porque, com propores 



arbreas, enrola-se sobre outras arvo- 
res, at as matar. 

Tem o seu tronco de 2 M decime- 
tros, pouco mais ou menos, de di- 
metro. 

As folhas so alternas, grandes, de 
um. verde vivo, ovaes, grossas, e lus- 
trosas. 

Gang:onc. Attalea speciosa., Mart. 
Fam. das Palmaceas. Palmeira da 
America Meridional e do Brasil, cujos 
fructos so comestveis. 

As folhas so de 3 6 metros de 
comprimento, e servem para cobrir 
casas. 

Ganlia-saia. Luhelia edulis. 
Fam. das Loheliaceas. E' tambm co- 
nhecida esta planta por Crista de Peru., 
e tem ambos estes nomes nas Alagoas. 

E' uma herva cujos caules so ver- 
des e angulosos, com uma espcie de 
babadinho em todo seu comprimento. 

Folhas lanceoladas na base, em 
forma de corao, um tanto speras e 
de verde desmaiado. 

Flores rubras, com o tubo que, 
abrindo dois lbios, deixa vr dentro 
uns filetes reunidos em um corpo 
allongado. 

O fructo uma capsula com muitas 
sementes ; deita um sueco de todos os 
seus rgos. 

Applicam-na contra as dores de den- 
tes : tambm se comem as folhas de- 
pois de bem cosidas em duas ou trs 
aguas. 

Garab ou Guarab ou Ga- 
rab preto. Astroiiium cocioieum. 
A. fraxinifoUum. Fam. das TereUn- 
thaceas. E' uma arvore do paiz, muito 
conhecida em Pernambuco e mais pro- 
vncias do Norte, da qual transuda, 
por incises na casca, um sueco resi- 
noso, que um excellente blsamo, 
de cheiro terebintaceo, de que os m- 
dicos usam como da mesma terebentina. 

A madeira serve para constraco 
civil e naval. 

E' reputada entre as melhores. 



20<* 



GEN 



GEN 



Gai*a|Birea. E' uma arvore do 
paiz. 

Garar?in. E' tambm uma ar- 
vore indgena. 

Garaiiita. F. Barana. O mesmo 
qxie Maria-preta. 

Arvore do Eio de Janeiro, cuja ma- 
deira preta. 

Garfiiana. Cilonis tinctoria. E' 
tima planta de tinturaria. 

Gavirba. E' uma palmeira de S. 
Paulo que descobrio-se ha poucos annos 

Diz-se que com o seu palmito se 
cura a diabetis. 

Genpiana flira^sileipa. Lisian- 
tMs pendulus, Mart. Fam. das Genciatia- 
ceas.On LisiantMs so plantas herb- 
ceas, raramente subarbustos. 

So todas naturaes da America M e- 
ridional, com poucas excepes. 

A raiz amarga, tnica, e estomachica. 

Ha diversas espcies. LisiantJitis ala- 
tus., Lis. furpurascensLis. grauiflo- 
ns, etc. 

Tem as mesmas propriedades. 

Gendiro^a ou Giitdirolia e 
IVltantliroba. Feuillea nliandiroba, 
Linn . Fam. da cuciirhitaceas Mss. 
E' uma fruta que nasce spontanea- 
mente, e tambm se cultiva. 

E' do Par, e conhecida em Pernam- 
buco, Maranho e Alagoas por este 
nome. 

Provem de um arbustinho trepador, 
de caule esverdinhado. 

Folhas cordiformes e lustrosas. 

D flores muito pequenas e amarel- 
ladas, em cachos grandes. 

O fructo, de 1 a 2 decimetros de di- 
metro, redondo, achatado, tendo na 
parte superior um circulo formado por 
uma sutura. 

S quando maduro quasi amarella. 

O pericarpo fino e unido a um corpo 
interior, branco, carnoso, tenaz e um 
pouco molle, de cr parda clara. 



A cavidade central dividida em 
trez compartimentos por uma membrana 
branca, onde se encontram trez a quatro 
sementes redondas, de 3 centmetros, 
chatas, cujo episperma rugoso com 
pequenas protuberncias e de cr parda 
clara; esta semente dura e quebra- 
dia ; contem uma amndoa branca, 
d'onde se extrahe, por expresso, um 
leo excellente para illuminao. 

No commum seu fabrico. 

Propriedades medicas. Este leo 
uzado externamente na cura das ery- 
sipelas, impigens e mordeduras de co- 
bras, segundo asseguram alguns. 

Gesigilsre, osa g-eaagivre. Zin- 
ziler officinale.. Rose. e Linn. Amomum 
Zimgiber, Linn. Fam. das momaceas. 
O Gengibre natural das Goyannas, 
das Antilhas, o tambm do Brasil ; 
foi tambm chamado Mangarati por 
Pison. 

E' uma planta herbcea, cujos cau- 
les 'se elevam pouco. 

As folhas lanceoladas, de cr verde 
gaio, invaginantes. 

As flores, em espigas escamosas, 
abrem-se successivamente ; so amarel- 
las, com um labello manchado de rubro. 

O fructo uma capsula com trez 
lojas, e sementes em cada uma d'ellas. 

O rhisoma d'esta planta constituo 
um gnero de commercio ; appresenta 
a configurao de dedos reunidos, ru- 
gosos, articulados, cobertos de uma 
casca tnue, parda, amarella, cuja subs- 
tancia interna compacta, aquosa^ 
picante fortemente, de cheiro activo, 
e agradvel. 

E' extremamente quente, na lingua- 
gem vulgar ; tem muito leo voltil, e 
amido ; irrita fortemente a membrana- 
mucosa. 

O povo se serve muito d'esta raiz 
como carminativo, e tambm como 
adubo . 

Propriedades medicas. E' um ex- 
citante iitil administrado nas dyspe- 
psias, por atonia do estmago, nas 



GEO 



GES 



S07 



elicas flatulentas, e no cliolera mor- 
bus; mas cumpre haver discernimento 
no seu emprego, e mormente na dose. 

GeES-ii*c elojirado. Amorfiwn 
zingiber clirysantlmm^ Rose. v Sperg. 
Fam. Idem. E' outra espcie que 
varia de nome conforme as provncias; 
em Pernambuco e Alagoas Getigibre 
dourado, em Sergipe e na Baliia Assa- 
fro. 

A planta tem os mesmos caracters- 
ticos que o outro Gengibre 

A raiz semelhante a do Gengibre 
ordinrio, com a diferena de no ter 
o seu aroma, nem ser to rugosa. 

O cheiro desagradava, a cr ama- 
rella alaranjada, ou cr de ouro. 

Empregam-na em tinturaria. 

Em alguns lugares serve para dar 
cr comida, assim como em Sergipe, 
onde tem o nome de Assafro. 

E' usada na tinturaria. 

Geog-g'a|itB& liotiteBese^ lra- 

siEeiri Dos paizes do Qlobo, o 
Brasil aquelle cuja vegetao se 
apresenta mais rica e mais variada. 

E' a regio das bellas florestas vir- 
gens, to bem descriptas pelos via- 
jantes que a tem percorrido, particu- 
larmente pelos Srs. Saint-Hilaire e 
Martins. 

O Brasil de algum modo a terra 
promettida dos naturalistas, ainda que 
todas as partes d'este vasto Imprio 
s estejam imperfeitamente conheci- 
das, e no tenham sido exploradas, 
seno de corrida, por pequeno numero 
de naturalistas ; entretanto pensamos 
que no menos de dezeseis mil o 
numero das espcies de plantas, que 
tem ido para a Europa. 

E, talvez mais para diante, este nu- 
mero possa ser quasi duplo, se os 
homens de sciencia estabelecidos nas 
diversas provncias d'este paiz, to 
digno de interesse, procurarem com 
cuidado estudar as produces natu- 
raes d'elle. 

Bem bons servios j nos vai pres- 
tando o distincto naturalista o Sr. j 



Bacharel Jos de Saldanha da Gama 
Filho. 

A vegetao do Brasil extrema- 
mente variada, porque a situao, e 
sobre tudo a altura das provncias 
d'este vasto paiz, oFerece por si mesma 
disposies excessivamente notveis. 

Altas cadeias de montanhas estabe- 
lecem muitas vezes mudanas consi- 
derveis nos paizes que ellas percorrem. 

Formam tambm vastas chapadas, 
frequentes vezes elevadssimas, e que 
offerecem uma vegetao inteiramente 
diferente da das regies menos ele- 
vadas, situadas nas margens do oceano, 
sob o mesmo nivel. 

Gef|tiitilja posit otB verniellia. 

Couratari legahs. Fam. das Legu- 
minosas. Grande arvore, de vasta copa. 

E' ella um verdadeiro typo de ele- 
gncia e magestade de nossas florestas. 

A sua madeira vermelha rosada, 
e empregada em obras internas, prin- 
cipalmente em assoalho e forros. 

Propriedades medicas. E' um ads- 
tringente muito usado em gargarejos 
contra as anginas. 

Ger^eSiii. Sesamnm indictim., Will. 

Sesamum orientale, Linn. Fam. das 
Bignoniaceas . Herva natural da ndia, 
cultivada em Pernambuco e nas Alagoas. 

Tambm conhecida por Gingilim. 

Tem 1 metro de altura, caule simples . 

Folhas medianas e molles. 

Flores em espigas longas, em forma 
de cornetas, de cr branca roxeada. 

O fructo uma capsula pelluda, da 
qual se extrahe iima fcula, proveitosa 
contra as hydropisias, segundo affir- 
mam alguns. 

Gepici. Planta que vegeta sobre 
as pedras junto dos rios. 

Uza-se contra a asthma e em geral 
qualquer tosse, em infuso que se pre- 
para com 8 grammas para 500 grammas 
d'agua. 

Ges^i*9 Jussra. V. Assahy. 



SOS 



GIN 



GIN 



Giro. Ser]}(xa Cearensis. Far/i. 
das Cruciferas. Herva delicada do 
Cear e Par. 

E' uma planta que se cultiva, pouco 
vulgar em Pernambuco. 

Parece-se com o Coetdro, com as folhas 
mais profundamente divididas. 

As flores saem de um pendo ver- 
tical ramificado e espigado ; ellas so 
to pequenas, que parecem estar sempre 
em estado de botes ; exlialam aroma 
sendo esfregadas entre os dedos ; so 
inseridas nas espigas alternadamente. 

A sua tintura cheirosa; passa por 
ser ptimo medicamento, nas afeces 
do tliorax, nas fluxes, etc. 

O fructo uma silicula comprimida, 
de duas lojas ; as lojas so monos- 
permicas. 

As sementes, inseridas no septo, so 
louras, chanfradas de um lado no hilo ; 
tem os cotilydones curvados sobre si 
mesmo ; a radicula cnica desenvolve 
ua semente uma espcie de mucilagem. 

Gilbardeira. Riiscus aculeatus. 
Linn. Fam. das Aspar agaceas. E' um 
arbusto extico. 

Sua raiz diurtica, empregada nas 
hydropisias, e affeces das vsceras 
urinarias. 

As sementes torrefactas so consi- 
deradas como succedaneas do caf. 

Chamam-no Houx azedinho. 

Gil. Solanum melongena. S. ovi- 
gerum. Solauum racemiflorwm, Dim. 
Fam. das Solanaeeas. Esta planta 
amarga, e por isso tnica. 

O fructo usado como condimento, 
ou antes alimento. 

E' das Antilhas, e cultivada no Brasil. 

Giiiji'ii*a tia laiiiaca. Malpi- 
gMa glahra^ Will Fam. das Malpiglda- 
ceas. Planta herbcea do Brasil e de 
outros lugares d'America. 

E' elegante, e seus fructos so co- 
mestveis. 

Vegeta no Par. 

Gii^era brava ou Cerejei- 



ra do Itraiiil. Cham. Prunus. 
sphcerocarpa, Sicarlz.r- Fam. das Ros- 
ceas. Arvore que vegeta em S. Paulo, 
Minas e Matto Grosso, e que de al- 
gum modo representa as Cerejeiras de 
Europa, caracterisadas como estas pelo 
cheiro de acido hydrocyanico. 

E' conhecida em lingua tupinica por 
Ju-a, Jn-uva. 

Tem as mesmas propriedades do Louro 
Cereja da Europa. 

Ha outras espcies. 



GiBig;:eira 

brava. 



brava. V. Cerejeira 



GBBg-eira la terra. Solanum 
fsendo-capsicum.) Limi. Fam. das So- 
lanaceaes. E' um arbustinho natural 
da Madeira, que entre ns se cbama 
Ginja da terra; cresce at um e meio 
metro, mais ou menos. 

Suas folhas so lanceoladas e persis- 
tentes. 

As flores brancas. 

O fructo uma baga semelhante 
da pequena Cereja amarellaou vermelha. 

Floresce em Junho e Setembro. 

Sem duvida esta espcie cultivada 
nas provncias do sul do Imprio. 

Ginja o Cereja. PrMWCm- 
?w, Linn. Cerasus viilgaris^ Mill. 
Farn. das Rosceas. Arvore originaria 
da sia Menor, e que se cultiva de 
ha muito na Europa. 

Tambm desde muitos annos no Bra- 
sil, nas provncias do sul do Imprio ; 
e cremos que tambm no Par. 

E' uma arvore de porte mediano. 

Seu fructo vermelho e amarello, 
em forma de corao, tendo uma pol- 
legada de dimetro; seu tegumento 
membranoso . 

A massa aquosa, acida, doce e 
agradvel. 

Alem da espcie d' Azia ha mais duas 
espcies cultivadas. 

A casca da Ginja ou Cereja tem sido 
apregoada como succedaneao da Quina. 

O fructo sendo bom de comer-se, 
ao mesmo tempo ligeiramente laxativo, 
diurtico. 



GIR 



GIR 



S09 



Giiiso. Panax quinqiiefolium. 
Linn. Aureliana CoMadensis. Fam. 
das Aiiraliaceas. Planta originaria do 
Norte da America e da China. 

Arbusto de raiz fusiforme, verme- 
lha por fora, amarella por dentro. 

As folhas so em verticillos. 

As flores em cachos, pequenas. 

O frueto uma baga redonda e ver- 
melha. 

Passa por aphrodisiaca. 



Giqu^e. 



bom para luz ; o bagao que provem 
das sementes, depois da expresso do 
leo, serve de alimentao para o gado. 

Gira-sol le balatas ou Togii- 
iianibor. Helianihxis tuherosus, Linn 
e SiH. Fam. Idem. Esta planta outra 
espcie de Gira-sol oriunda do paiz, se- 
melhante a outra, mas tendo a flor 
muito menor. 

E' cultivada na Europa pela utilidade 
de sua batata, que faz a base da sus- 
tentao dos animaes. 

Chamam-n'o em Europa Toinnamhour. 

E' mui apreciado, porquej suas tuberas 
se conservam em bom estado debaixo 
da terra, tirando-se a poro que se 
precisa ; 

A flor no acompanha o giro do sol 
como a outra. 

A batata do Topinamhor oblonga, 
ZT/mwMM a?^M2,y, Zm. I carnosa, avermelhada por fora; cosida 

tambm alimento do homem, pois 
semelhante, na massa, s outras ba- 
tatas. 



V. Imhiizeiro. 



Giquiril. Abrus frecatorins^ Linn. 
Fo/rii. das Leguminosas. Planta, cu- 
jas sementes pulverisadas e postas em 
infuso n'agua fria, so usadas como 
collyrio nas ophtalmias. 

Passa por toxica. 



Gfa-sol 

Fam. das Compostas. E' natural do 
Peru, cultivado ha muitos annos no 
Brasil em nossos jardins. 

E' herbcea, de 1 a 2 metros de 
altura- 

Caule verde, pouco esgalhado ; folhas 
verdes esbranquiadas, cordiformes, lan- 
ceoladas, speras, alternas. 

Flores vistosas, sobre um largo disco, 
e de cr amarella ; ellas acompanham 
o sol em seu gyro, e d'ahi que lhe 
vem o nome que tem de Gira-sol. 

Cada flor um aggregado de pe- 
quenas flores (flosculos), inseridas sobre 
um disco amplo. 

E' uma planta que tem certas qua- 
lidades que podem ser aproveitadas com 
muita vantagem. 

Os caules e os discos, que formam 
os captulos floraes, fornecem boa ma- 
tria combustvel. 

As cinzas, provenientes da combusto 
d'aquelles rgos , encerram grande 
quantidade de potassa, e podem servir 
para a preparao d'es3a substancia, 
que a base de varias industrias e 
sobretudo da fabricao do sabo. 

Finalmente das sementes, que servem 
directamente para a nutrio das aves 
domesticas, pode extrahir-se um leo 



GiriCi ou Geric, Em Pernam- 
buco recebe este nome um arbustinho 
que se enrosca sobre outras plantas por 
meio de gavinhas. 

Folhas cordiformes ou sagittadas. 

Suas flores em cachos, e palmadas, 
so "midas, esverdinhadas e estrelladas. 

Os fructos so menores do que uvas, 
e raras vezes appar entes. 

A raiz d'esta planta applicada nos 
estupores ; tem forte amargo. 

Geri mato. Vitex gardneriana. 
Fam. das Verhenaceas. Planta que ve- 
geta no Eio de Janeiro, e que talvez 
seja a Maria Preta de campista das Ala- 
goas, ou Po Cavallo de Pernambuco. 
Vitex cam-pinaria. 

E' desobstruente, aperitivo, e exci- 
tante. 

Girini. Cticurhita major rotwida. 
Dalech. Fam. das Cv.curbitaceas . Es- 
te estimado frueto bem commum em 
nossa nieza. 

Nem todas as provncias do Imprio 

29 



SflO 



GIR 



filR 



do-lhc este nome, na Bahia c Rio de 
Janeiro o chamam Abbora amarei h, ou 
sini])lesmcnte Abbora; originrio da 
ndia, mas pode ser que algumas das 
espcies que gyram entre ns sejam ori- 
ginarias do paiz. 

O Gtrm ordinrio fructo de uma 
planta rasteira e trepadeira, de pellos 
hispidos. 

Folhas de longos peciolos, quasi re- 
dondas, grandes, speras. 

As fires grandes, como campanas, 
de um amarello alaranjado, de dois 
sexos ; a masculina estril, a outra 
traz o rudimento do futuro fructo, que 
uma peponide de vrios tamanhos, 
de figura ou redonda ou oblonga ; 
lactifera, liza ou com ngulos : de uma 
s cr, ou marchetada de verde e ama- 
rello, etc. 

E' de casca coriacea, tendo dentro 
um espao vasio ou cavidade ; as pa- 
redes do fructo so espessas, de seis 
a nove centmetros, de cr amarella- 
avermelhada . 

No centro da cavidade existem muitas 
sementes ellipsoides, chatas, crustceas, 
entremeadas de filamentos da mesma cr. 

O Girim bom alimento ; come-se 
com carne, e substancial , mistura-se 
muitas vezes com leite no serto ; faz-se 
d'elle doce. 

Propriedades medicas. As flores, 
em frices sobre as partes erysipela- 
tosas, passam por ser de muito pro- 
veito, e dissipam a inchao, devendo- 
se repetir esta pratica por alguns dias. 

As folhas, sendo antes passadas nas 
brasas, e assim amollecidas, so tam- 
bm applicadas com algum proveito, 

Girnt le ealoe!o. Cucnrbita. 
Fam. idem. Este Girim parece a 
mesma espcie de Fernando de Noronha. 

E' de casca esbranquiada, lustrosa e 
cheia de gommos ; a massa muito 
boa e enxuta. 

Ha de casca verde nas mesmas con- 
dies, mas so redondos e achatados. 

Grint cr le rosa. E' uma 

espcie que diz ser de Fernando. 



A casca lisa, lustrosa c branca, de 
gommos ; dentro a massa cr de 
rosa, e de muito bom gosto. 

So raras. 

Giriti le Fes*siSo Cu- 

curhia. Fam. idem. \\ uma espcie 
muito semelhante precedente. 

A massa, porm, amarclla clara, 
muito enxuta e saborosa ; tambm 
branca por fora e por dentro. 

Parece-nos ser originaria da Hes- 
panha. 

Nas Alagoas ha um Girim cylindrico, 
de casca branca, com a cr por dentro 
amarella mais ou menos carregada, 
porm no mais o mesmo que a pre- 
cedente. 

GcE*iiaac{i de groasao. o mesmo 
de Fernando de Noronha. 

Gritui jacar. Cuciirbita. 
Fam. idem,. 



Gsa*iBii (le Lislia. 

-Fam. idem- 



Cucurbita. 



GiriKstQA {o o(i |ti30 Gicim 
lEe Persi65lJBeo. Elacodendron 
giririt. Fam. das Rliamnaccas. A 
arvore a que em Pernambuco se d 
este nome silvestre. 

Nas Alagoas tambm ha uma ar- 
vore d'este nome, porm difere at 
na familia, como se v pelos nomes 
botnicos. 

Esta alta, de mais de 13 metros; 
casca grossa, um pouco rugosa; por 
dentro de um amarello cr de gemma 
d'ovo. 

As folhas so ellipticas regulares, 

grossas. 

As flores, que so midas, reunidas 
em feixes nas axillas das folhas e dos 
ramos, so amarelladas. 

O fructo como uma azeitona pe- 
quena ; tem um caroo, e s vezes ne- 
nhum . 

Girim le pescoo. Cucurbi- 

1(1 Fam. Idem. 



GIT 



GIT 



Sll 



Griit tio serlo. Cuciirita 
Fam. Idem Semelhante no porte. 

O fructo chega apesar arrobas, muitas 
vezes. 

A casca to dura e espessa que d'ella 
se fazem cuias. 

Gitalty niiarcllo ialso. llio- 
mazia, fse%do-lxitea Fam. das Bijttne- 
riaceas. Arvore das mattas do Brasil, 
conhecida nas Alagoas e em Pernam- 
buco por este nome. 

Suas folhas so um tanto grandes, 
dispostas em palmas. 

As flores, em pequenos cachos, brancas 
como anglicas, e midas. 

O fructo no examinado. 

Oitalii verdatleiro. E' huma 
arvore de Alagoas e de Pernambuco. 

GitiraiBa cie lor ftranea pe- 
quena Argyreia alagoo/aa. Fam. 
das Convolviilaceas. E' uma planta que 
conhecida por este nome, ainda que 
em geral as plantas trepadeiras cha- 
mam-se indistinctamente Gitiranas. 

Tem o caule e folhas mui pelludas. 

As flores so como campainhas bran- 
cas, e sem cheiro. 

O fructo nma capsula cnica, com 
quatro caroos redondos. 

Giticaiia de leite os Sauda- 
des de Periiaiubueo. Cynan- 
chum gauglinosxim. Vell. Fam., das Apo- 
cynaceas. E' um arbusto a que cha- 
mam em Sergipe Bordo de Velha 
V. Bordo de Velha., cip, o qual tem 
recebido muitos nomes. 

Git. Guarea furgans. Fam. das 
Meliaceas. Arvore do paiz, frequente 
no littoral. 

Folhas alternas, pinnadas, de trez ou 
quatro pares ; de foliolos um tanto 
grandes. 

Flores em cachos, pequenas, brancas 
trigueiras ; tem pouco cheiro. 

O fructo parece uma fitomha., porm 
com forma de pio, e tendo o peri- 
carpo fendido ; contm duas ou trs 
sementes pretas, luzentes. 



A raiz e a casca d'essa arvore so 
enrgicos drsticos. 
Ha uma espcie em que o cacho das 



flores muito grande. 



Git iituaf>a. Guarea trichilioi- 
des., Lamarck. Fam. idem. 

Ha tambm Marinheiro de folha larga. 
Turiass uttiapoca. Gtiarea spica flora., 
cujas flores so em forma de espigas. 

Este o nome por que chamado 
em Minas, Bahia e Pernambuco pelo 
serto. Moschoxylon catharticicm . 

Propriedades medicas. A casca 
amarga, um tanto acre, adstringente, 
purgativa, abstergente, e anthelmintica 
usa-se em banhos contra os tumores 
arthriticos dos membros. O extracto 
em pequenas doses recommendado 
em clysteres contra as ascarides. 

Tem aco violenta sobre o ntero ; 
em dose maior produz aborto. 

Do Git., a casca e raiz d-se em 
decoco internamente, e em clysteres 
nas hydropisias, e nas febres ters; 
amargo e tnico. 

Git de Peroamlmco. Guarea 
purgans., St. Hil. Farn. idem. Arvore 
do IBrasil, revestida de folhas em palmas, 
oblongas, agudas e lustrosas. 

Suas flores em cachos, nas axillas 
das folhas e no cimo dos ramos ; so 
brancas-trigueiras, com o aspecto de 
anglicas. 

Seu tubo duplicado, tem um aro- 
ma suave. 

Os fructos so em cachos, e pri- 
meira vista assemelham-se 'pitombas . 

Elles tem a forma obconica, e o pe- 
ricarpo bronzeado ; contm trez caroos 
e trez valvas. 

O caroo, que preto e lustroso, 
coberto de uma substancia branca, pouco 
espessa, e um tanto furfuracea, (aril- 
lo). 

Propriedades medicas. O Git tem 
a casca amarga, acre e adstringente ,- 
purgativa eanthelmentica, empregada 
nas arthrites chronieas. 






GOI 



GOI 



Km doses olevadas promove o abort >, 
e pur}?a violentamente. 

Tambm applicam-no em clysteres, 
que so de bastante utilidade no caso 
de ascarides, (oxyurus vermicularis). 
Alm d"issa quasi sempre aproveita 
nas molstias syphiliticas, ete. 

Giiajur. V. Gajir. 

Goiaba ou CjiMia!). Psidim 
pommiferum^ Linn. Fam. das Myrtaceas. 
Fruto cultivado, e silvestre do Brasil. 

producto de um arbusto de tronco 
mui liso, cr um pouco avermelhada, 
e esgalhado. 

Folhas oppostas, rosadas, ellipticas, 
coriaceas, um tanto speras. 

As flores so como pequenas rosas 
brancas, e um pouco cheirosas. 

O frueto de figura pyriforme ou 
oval, e s vezes redondo, tendo no 
cimo umas escamas herbceas dispos- 
tas em circulo ou coroa ; o pericarpo 
na maturidade rugoso e Insidio ; 
dentro est adherente a uma substan- 
cia de menos de 1 y^ centmetro de 
espessura, que forma a parede do frueto; 
vermelha e compacta. 

O interior do frueto occupado por 
uma polpa, tenra, da mesma cr, cri- 
vada em toda a extenso de sementes 
reniformes, lisas, e muito duras : esta 
polpa tem sabor agradvel. 

A Goiaba fructa de muita estima. 

EUa no s por si boa ao paladar, 
como tambm serve para fazer-se um 
dos melhores doces at hoje conhe- 
cidos. 

D'ella se faz a celebre goiabada, to 
estimada tanto nas sumptuosas mesas 
como nas enfermarias, como doce de 
dieta para os enfermos. 

Tem-se observado que as- Goiabas sel- 
vagens so de ordinrio mais doces que 
as cultivadas. 

Na Bahia, e norte de Minas chamam- 
na ra-goiaba. 

Ha entre ns trez variedades : a Goiaba 
encarnada, a mais vulgar, a branca, uin 
pouco escassa, e a amai-ella que 
muito abundante. 



Goiaba c3e oiitia ou Pllailipi- 

*i ra. MijrLus quadrilocular .Fam . das 
Myrtaceas. E' uma arvore mediana co- 
nhecida nas Alagoas por este nome, 
e pelo de Madi])ucira. 

E' uma arvore ramosa, de casca lisa. 

Folhas oppostas, oblonga.?, coriaceas 
e grandes. 

Flores em feixes, e inseridas nos 
ramos e pelo tronco, so grandes, bran- 
cas ou cr de rosa, e simples. 

Ficam com o clice adherente ao 
frueto ; este como uma ma redon- 
da, de cr parda clara ; amarellada, 
epicarpo fino, coroado pelos fragmen- 
tos calicinaes ; dentro acha-se uma 
polpa aquosa e doce, com muitos ca- 
roos pequenos. 

Come-se ; e as cutias do-lhe grande 
apreo. 

Commummente estes fructos caem da 
arvore, por si mesmos. 

Goialia tie macaco. Fam. das 
GnUiferas. Fructa sylvestre de uma 
arvore das Alagoas, que tem este nome ; 
seus ramos so oppo.stos. 

As folhas sempre mui verdes, e de 
forma oblonga. 

As flores brancas. 

O frueto de 6 a 9 centmetros de 
dimetro ; amarello na maturidade, pe- 
ricarpo espesso ; elle redondo e apre- 
senta no pice os restos dos involto- 
rios floraes ; dentro dividido em 4 
compartimentos, tendo em cada um 
duas sementes sobrepostas e grandes ; 
a substancia crnea, e semi-trans- 
parente ; forma uma pellicula que en- 
volve as sementes. 

Esta substancia doce, e muitos gos- 
tam de chupal-a. 

Goiaba lo >iiat4o. Myrtns sil- 
vestris. Fam. das Myrtaceas. Arvore 
agreste elevada, conhecida por este 
nome nas Alagoas. 

A casca lisa, e vermelha. 

As folhas midas. 

O pednculo com duas escamas. 

As flores cremos que brancas. 

O frueto redondo, de 1 %. centime- 



GOI 



GOL 



S13 



tro de dimetro, com pericarpo spero, 
de cor parda, e espesso, oferecendo 
quatro compartimentos e, em cada um 
d'elles, iim caroo, lizo, oval e grande. 

Goiaba cie {saca. Myrtns ala- 
goensis. Fam. idem. E' um fructo 
proveniente da arvore que tem este nome 
nas Alagoas. 

Esta arvore tem a casca lisa e es- 
branquiada. 

Folhas oppostas, um tanto redondas. 

As flores so brancas, como as da 
goiabeira. 

O fructo como um Ara. 

Comem-na, principalmente as pacas. 

Goiaba de Periianibiieo. 

Psydmu imhesccns^ Mart. Far. Idem. 

E' uma planta sylvestre. 

Goa??a ( de S. Parslo ). Psy- 
dium incanescens., Mart. Fam. Idem. 

Arbusto que vegeta nos campos de 
S Paulo. 

Goia^^eiraiia. Psydium acutan- 
gulum. D. C. e Mart. Fam. Idem. 
E' semelhante quasi precedente, 

Folhas ovaes ou ellipticas, oblongas. 

Flores solitrias, de peciolos meio 
engrossados. 

O clice, antes da estivao, oblon- 
go e recurvado. 

GoiaVinlta. Fam. Idem. Arvo- 
re semelhante ao Araazeiro., de folhas 
mais midas e de porte arbreo 

Sua madeira muito procurada para 
estacas. 

GoitUiir<iS. Arvore do Brazil 
conhecida por este nome no Rio Gran- 
de do Norte. 

Tronco elevado. 

Folhas estreitas e regulares. 

Flores amarellas. 

Fructo redondo, de 12 centimetros de 
dimetro, cheiroso, e amarello na ma- 
turidade. 

O tegumento externo uma casca 
fina, encerrando uma massa branca, es- 



pessa, cm dois ou trs caroos ver- 
melhos, de sabor adstringente. 

Em tempos de carestia o povo come 
esta fructa, ralando a massa que ella 
tem dentro. 

Golio (de Ala)a). Mcnyan- 
tes hrasiliensis . Fam. das Gencianeas. 

Herva que habita ou sobre as agoas 
doces ou nas suas bordas, e por tal 
nome conhecida nas Alagoas. 

E' de menos de palmo, com as folhas 
reniformes. 

Os caules aonde florece so de 2 e 
1|2 decimetros, mais ou menos. 

As flores brancas, afuniladas. 

O fructo uma capsula ovide ; con- 
tem muitas sementes. 

GoHo luaioi*. NympJioea alba., Linn 
Fam. das NympJieaceas. Em Pernam- 
buco tambm o chamam Pasta. 

Planta natural de ambos os hemis- 
pherios; que fluctua nas aguas doces 
dos rios, riachos, at pntanos, e la- 
goas, etc. 

Seus caules esto submergidos na 
agua. 

As folhas vem superfcie, susten- 
tadas por um peciolo longo ; ellas so 
redondas, com uma fenda na base, 
de cr verde bronzeada. 

O pednculo traz tambm a flor 
superfcie, e ahi ella se abre ; mas, ter- 
minada a funco da gerao, reeo- 
Ihe-se, e vai desenvolver o fruto den- 
tro d'agua. 

A flor bonita e branca, e o fructo 
uma capsula. 

Propriedades medicas. As folhas 
so empregadas contra as fluxes do 
rosto, acompanhadas de inchao, con- 
tra elephantiasis dos gregos, contra 
dores de dentes, e dizem que tambm 
contra os formigueiros. 

No Par chamam-no Murur; 
Em Sergipe Orelha de burro ; nas 
Alagoas o povo conhece por Golfo. 

Cremos que para o Sul do-lhe o 
nome de Gigoga. 

calmante ; seu cosimento, interna. 



tS14 



GON 



GON 



c externamente usado, til na Elc- 
lantiasis dos gregos^ como ficou dicto. 

Caolto iiu'!!!*. NijuioRa lutca. 
Linn. Far. idem. Esta outra es- 
pcie de Golfo ou Golfo, que tambm 
vegeta nos dois continentes, menor ; 
isto , suas folhas e flores so menores. 

As folhas reniformos. 

As flores de amarello cr de enxo- 
fre, com lacinias dispostas cm uma s 
ordem em circulo. 

Os demais caracteres so os mesmos 
sendo porem o fructo d'esta, cnico, e 
o clice com cinco lbulos. 

iiloiB^'silo Alves. Astronium fraxi- 
nifoUum. Fau. das Anacardiaceas. 
E' uma arvore de tronco elevado, e 
de uma copa notvel por suas dimen- 
ses avultadas ; de casca lisa, resinosa 
e com aspecto ferruginoso. 

O cerne mui pesado, com veios 
uns claros, outros escuros e averme- 
lhados. 

E' muito usado para a confeco de 
moveis, no s pela sua belleza, como 
tambm por conservar bem o brilho 
do verniz. 

Emprega-se em taboado, portas, etc. 

Abunda nas provncias do Sul, e na 
Bahia : rara em Pernambuco. 

Goatcla. Resed tuteola. Fam. das 
Resedaceas. Planta da Europa, que tem 
raiz bulbosa e as flores amarellas. 

Serve na tinturaria, e cultivada no 
Brasil. 

Caracteres da famlia. Plantas 
geralmente herbceas, raramente sub- 
frutescentes, de folhas alternas, sem es- 
tipulas, muitas vezes munidas de duas 
glndulas na base. 

As flores formam espigas simples e 
terminaes. 

O clice apresenta de quatro a seis 
sepalas, s vezes persistentes. 

A corolla se compe d'um igual nu- 
mero de ptalas, alternas com os se- 
palas do clice. 

Estas ptalas so em geral formadas 



de duas partes : uma inferior inteira, 
outra superior, dividida em um numero 
mais ou menos considervel de lami- 
nas ; raras vezes falta a corolla. 

Os estamos so commummentc em 
numero indeterminado fde 14 26). 

Seus filamentos so livres e hypo- 
gynicos. 

Suas antheras de duas lojas, abrin- 
do-se cada uma por um sulco longi- 
tudinal. 

No exterior dos estames, isto , entre 
as ptalas e os filetes, acha-se um pe- 
queno corpo annular, glanduloso, mais 
elevado do lado superior, e formando 
assim um disco hypogynico d'uma na- 
tureza particular. 

O pistillo, ligeiramente estipitado na 
hase, parece formado da reunio de 
trs carpellas, soldadas pelas extremi- 
dades nos dois teros de sua altura, 
e termina superiormente emtrez pontas, 
trazendo cada uma d'ellas um estigma 
no pice. 

Este ovrio tem uma s loja aberta 
no cimo, entre as trs pontas estigma- 
tiferas, de que acabamos de fallar, con- 
tendo grande numero de vulos amphi- 
tropos ou campylotropos, unidos a trs 
trophospermas parietaes. 

O fructo, mui raras vezes carnoso, 
ordinariamente uma capsula mais ou 
menos allongada, aberta naturalmente 
nas extremidades, que finalisa em trs 
ngulos, de uma s loja, e cujas se- 
mentes esto sustentadas por trs tro- 
phospermas parietaes. 

Estas sementes, pouqussimas vezes 
reniformes, so compostas de um tegu- 
mento assaz espesso, de um endosper- 
ma carnoso delgadssimo, e de um 
embryo curvo, maneira de ferra- 
dura . 

Esta famlia se compe dos gneros .- 
Resed, Oehradcno , OUgomcris, Astro- 
carpo, e Caylusca. O gQVLQvo Resed tinha 
sido collocado por Jussieu na familia 
das Capparidaceas, e deve-se concordar 
com eieito, que elle tem muitos pon- 
tos de contacto com esta familia, e 
particularmente com o gnero Cleome. 
M. de Tristan formou d'ella o typo 



GRA 



GRA 



SIS 



de uma famlia distincta, adoptada por 
de Candolle, e classificada pelo pri- 
meiro d'e5tes botnicos entre as Pas- 
si flreas e as Cistas, porm, comtudo 
mais perto d'estas ultimas. 

Em sua Collectanea lotanica, tab. XII, 
M. J. Lindley deu uma explicao in- 
teiramente diversa da fir do Resed. 

Para este botnico notvel, o clice 
um invlucro vulgar ; cada ptala 
uma flor estril, e o nectario ou disco 
um clice prprio que cerca uma 
flor herraaphrodita, composta dos esta- 
mes e do pistillo. 

Segundo este modo de ver M. Lin- 
dley approxima as Reseaceas das Eu- 
fliorMaceas ^ que oferecem uma dispo- 
sio pouco mais ou menos anloga ; 
mas todavia julgamos que esta fam- 
lia no poderia estar afastada das Qap- 
paridaceas e das Cistas. 

Ooss. a Tatajuha de quiaho em 
Minas. 

GraiBiHfta <o Miaraaalio. F. 

Tahoqmuha . 

Grasiain da fira ia. Tritimm 
repelis, Linn. Fam. das Gramneas. 
Planta do Brasil e da Europa , conlie- 
cida por este nome em Pernambuco. 

Vegeta nas areias das praias; seus 
caules so subterrneos fazendo de dis- 
tancia em distancia raigotas na terra, 
tendo tambm raminhos verticaes de 
folhas estreitas em feixes. 

Ella ca, apresentando ns ; de 
cr branca amarellada, e lustrosa, e 
tem alguma semelhana com o ca- 
pim. 

Estes caules subterrneos so pro- 
curados para o mesmo uso da Gramma 
que nos vem da Europa. 

Como diurtica, aperiente, o povo 
applica-a nas inchaes (hydropisia). 

Graimaaia tia {}a'uia, da BaEia. 

StenotapMum (jlabrum. Fam. Idem. 

Planta vivaz a que na Bahia do este 
nome, e talvez seja a mesma de Per- 
nambuco. 



Graiuiiia da ferra. F. Talo- 
qumha. 

Graiiioisd &:raiile. s ironia 
jmrpiirina. Fam. das Melastomaceas. 
Arvore oriunda do paiz, que recebeu este 
nome nas Alagoas e em Pernambuco. 

de porte ordinrio. 

Folhas oppostas, um tanto pequenas, 
de cor verde-escura, luzidias e ovaes ; 
ellas so ornadas de pellos rubros. 

As flores so brancas, pequenas e 
em cachos; e as fructinhas, de meio 
centmetro, roxas quando maduras, tem 
uma polpa cheia de gros pequeninos. 

Esta planta tem o lenho branco e 
um pouco molle, e, exposto ao sol, fen- 
de-se muito ; porm n'agua tem muita 
durao. 

bom combustvel. 

Grasiioaade pe(|ie5i(9. Astronia 
menicarfa. Fam. Idem. uma outra 
arvore do paiz, cujo nome este nas 
Alagoas. 

Tem as folhas menos lustrosas que 
as do precedente ; as divises nervosas 
so parallelas. 

As flores tambm brancas, em gran- 
des cachos pyramidaes. 

As fructinhas mui midas, seme- 
lhana de glbulos roxos e molles. 

Dentro acha-se uma massa aquosa, 
com muitas sementes, nimiamente pe- 
quenas. 

D madeira prpria para marcenaria. 

Gr de fiico. Fam. das Legu- 
minosas. E' uma planta do Melo- 
dia da Europa; d um legume seme- 
lhante ervilha ; mas o gro tem um 
pequeno prolongamento agudo de um 
lado ; redondo, com as propores de 
ervilha e tem a mesma cor esverdi- 
nhada. 

Tem os mesmos usos. 

Gr tle $;allo. Cordea imhes- 
cens. Fam. das Borragineas. E' uma 
fructinha que ha nas provncias das 
Alagoas de Pernambuco e de Maranho. 

A planta um subarbustinho de I 



216 



GRA 



GRA 



a 2 motros se tanto, de poucos ga- 
lhos 

Folhas ellipticas e oblongas, sempre 
sobertas de pellos louros, achatados e 
speros. 

As folhas so situadas nas pontas 
dos ramos; estes apresentam alii um 
engrossamento. 

As flores so como jasmins brancos. 

O fructo uma baga de 1% centmetro 
ao mais, oval, toda eriada de pellos 
compridos, assim como as flores. 

O fructo tem uma pellicula transpa- 
rente, amarella, e dentro uma polpa 
assucarada de muito bom paladar, qne 
envolve um gro redondo. 

No muito commum esta frutinha. 

Gro Se ^alEo. (' do Par. ) Cin- 
chona capri folia, Lacer. Fam das Rti- 
biaceas. E' outra planta de familia 
diversa com o mesmo nome de Gro 
de gallo. 

So trs as citadas n'este Diccio- 
nario, todos de familias diferentes. 

Esta do Par tnica- 

Gro cie g;allo. Rliamnus igua- 
neus. Will. Fam. das Rhamnaceas. 
E' uma arvore do Brazil, cujos fructos 
so pequenas bagas adocicadas e cos- 
mestiveis. 

Parece que esta planta o Jo de 
Pernambuco e Bahia. 

GrasBssa F. Braima. 

Gri^va^ ou AitaiBt&K ! ttji^ti- 
lltu Bromelia muricata, Arr. C. 
Fam. das Bromeliaceas. Este Gravata 
tem o fructo do feitio do do nanaz 
manso, com differena, porm, de sr 
eriado, de aculeos longos, de 1 deci- 
metro de comprimento ; de maneira que 
no se pde pegar se no com muito 
geito. 

Gpvt;-,R assssi ob CwE*oti?i ssei 
ou Piepa. Agrave vivipara Linn. 
Fam. Idem,. Arbusto herbceo, ori- 
undo dos paizes quentes dos dois con- 
tinentes. 



E' uma planta que vegeta por toda 
parte. 

Suas folhas so raiz da terra, em 
feixes grandes, de 1 metro e mais de 
comprimento, grossas, lanceoladas, o- 
blongas, com um aguilho na ponta. 

Brota um alto pednculo verde, de 
a 6 metros de altura, no qual nas- 
cem as flores formando uma espiga. 

Estas so de um branco amarellado, 
e so caducas, mas deixam um bolbo- 
sinho, que reproduz a espcie. 

O fructo uma capsula triangular 
oblonga, contendo muitssimas semen- 
tes em duas ordens, e em trs grupos. 

S floresce de anno em anno. 

Os Hollandezes apreciavam mais as 
nossas produces, do que os Portu- 
guezes, e, durante o tempo em que esti- 
vemos debaixo do seu dominio, elles 
preparavam das folhas d'esta planta 
um ptimo tecido, que excedia ao 
panno de linho. 

Das mesmas folhas faziam estopa, 
e filaas, com que os pescadores te- 
ciam suas redes. 

Essa planta tem a propriedade de 
arder continua e suavemente, sem se 
apagar; he por isso que os habitantes 
do interior servem-se d'ella para o 
fogo. 

O modo de extrahir-se a fibra 
muito simples: primeiramente se ma- 
chucam as folhas, e depois humede- 
cem-se. 

GraratV sravo. Bromelia mu- 
cilaginea. Fam. idem. E' um Gra- 
vata que abunda nas mattas, e recebe 
este nome nas Alagoas. 

E' como o Ananz na conformao 
de suas folhas ; mas estas so macu- 
ladas de vermelho. 

Um caule de 4 a 6 decimetros er- 
gue-se do centro d'esse feixe de fo- 
lhas, formando um funil no cimo do 
caule, de folhetas sobrepostas e coria- 
ceas ; compe-se de escamas vermelhas 
e amarellas, tendo as camadas mais 
internas diaphanas, e esbranquiadas. 

O fructo, que d'ahi resulta, tem me- 
nos de 3 centmetros, e contem muitas 



GRA 



GRA 



217 



sementinhas em trs ordens, todas 
ellas envoltas n'uma substancia muci- 
laginosa. 

Esta planta parasita, e frequen- 
tem ente se acha vegetando sobre tron- 
cos e arvores. 

Oravit da Iiidia. Ophrys mul- 
ticantis. Fam. das Orchiaceas. 
uma herva, que nas Alagoas assim 
conhecida. 

Seus caules so carnosos, com folhas 
oblongas e duas bainhas. 

Tem um pednculo, aonde se v as 
flores. 

Estas so amarelladas, e sua estru- 
ctura se afasta da do ordinrio das 
flores. 

O fructo de um prisma pentago- 
nal com 3 reparties, cheio de se- 
mentinhas pretas mui midas ; exhalam 
cheiro estas flores. 

Gravat nietlciBal. Bromdia 
medicinalis, Lamk. Fam. Idem. Brom. 
karaas., Linn. Outra espcie de ana- 
nazeiro , porm quasi sempre muitissi- 
mo maior na agglomerao de suas 
folhas, que se faz em dois feixes reu- 
nidos. 

Na sua parte concava ajunta-se em 
algumas espcies bastante agua, com 
que os viandantes saciam a sede mui- 
tas vezes. 

Quasi todos do matrias prima 
para tecidos ; mas esta espcie foi a 
que o Dr. Arruda Camar achou de 
qualidade inferior. 

CrPavati d rede ou Caroat 
de rede. Bromelia lagenaria. Arr. 
Cam. Fam. Idem. Esta planta se acha 
nas costas de Pernambuco, Parahyba e 
Rio Grande do Norte ; no se estende 
pelo interior mais de 10 a 12 lguas ; 
chama-se vulgarmente Craut ou Crauata 
de rede ou Craut d filetes, porque os 
pescadores dos lugares onde elle cresce 
fazem redes de suas fibras. 

Floresce em Julho e Agosto. 

O fructo igual ao dos Ananazcs; 
porm um pouco menor, as bagas 



menos succulentas, e tem um gosto 
desagradvel. 

As bracteas, que tm 9 centimetros 
de comprimento so direitas e dispos- 
tas uma sobre as outras, como telhas, 
de modo que cobrem toda a superf- 
cie do fructo. 

A fibra da planta varia em compri- 
mento de 3 a 8 ps, conforme a maior 
ou menor fertilidade da terra. 

Nos terrenos seccos ella curta, fina 
e branda ; nas boas terras, mais 
comprida, porm mais espessa e muito 
mais forte. 

Na pequena industria e manufactura 
que temos, as suas fibras so usadas 
pelos pescadores, que a preferem para 
as redes, e linhas de pescar por causa 
da sua tenacidade. 

O nosso illustrado Dr. Arruda Ca- 
mar, mostrou possibilidade de fazer- 
se no s cabos, cordames e mesmo 
vellas para os navios, como tambm 
pannos mais finos, se se empregar 
melhores processos para preparar o te- 
cido ; mas at esta data nada se tem 
feito. 

Modo de extrahir-se as fibras. As 
folhas d'esta planta so compostas de 
2 placas ligneas : uma convexa, e outra 
concava, e entre ellas uma quantidade 
de fibras longitudinaes, unidas por 
algum principio mucilaginoso, e bas- 
tante apertadas umas s outras, para no 
se poder separar s com a mo ; por 
isso no se consegue este resultado se 
no pela macerao. 

Arranca-se a planta, e destacam-se os 
espinhos, o que se faz cortando as bor- 
das nas quaes elles existem, as folhas 
assim preparadas so abandonadas 
n'agua quasi por quinze dias 

Percebe-se que a macerao com- 
pleta quando a pellicula e a epiderme 
lignea das folhas so assaz molles para 
se deixarem romper pela unha ; ento 
tiram-se as folhas d' agua uma a uma, 
e abrem-se ellas pela base, at que as 
fibras appaream. 

preciso sustentar a casca de cada 
lado com uma das mos, afim de se 

poderem tirar as fibras d'agua, e, ape- 

30 



SIS 



GRO 



GRO 



zar d'csta precauo, cilas arrastam 
comsigo outras substancias que lhes 
ficam unidas. 

Para limpal-as necessrio entran- 
al-as, e tornal-as a macerar n'agua 
durante um dia inteiro ; depois se 
pe n'um banco e batem -se com um 
malho ; preciso repetir a macerao 
e contuso, at que as fibras fiquem 
limpas e claras. 

Gravata ou Aliacaelai (8c tiai- 
ffii*. Bilhergia tiuctoria. Fam. das 
Broriieliaceas . Planta como o Ananaz^ 
differindo em ter o fructo coberto de 
aculeos. 

D'ella se extrahe uma tinta roxa, pr- 
pria para tincturaria. 

Gritadeira So campo. Pali- 
curea slrejjeus, Si. Hil. Fam. das Ru- 
Maceas. Esta a Herva de rato de 
Pernambuco, e Minas. 

Gritadeira o Iloiiraelinlta 
lo caiiafto. Palicurearigida, Humh. 
e Bomi). Fam. Idem. Em S. Paulo, 
Minas, Goyaz e Matto Grosso. 

Grojs;oj. OucurUta ovides. 
Fam. das GncnrUtaceas . E' um ca- 
bacinho, por este nome conhecido nas 
Alagoas e tambm em Pernambuco. 

Planta herbcea, volvel e agreste, 
que estende seus ramos pelo cho. 

Tem as vergonteas speras. 

As folhas meio redondas, e todas as 
partes speras, como nas plantas d'este 
gnero quasi sempre se v. 

As flores solitrias, como a florao 
do Gerim, e amarellas. 

Os fructos so peponides com a forma 
e volume de um ovo de Ema ; porm 
alguns menores parecem antes um ovo 
de gallinha. 

D'entro so como os outros fructos 
da mesma familia. 

Propriedades jiedicas. O Grogoj 
gosa de propriedades abstergentes, e 
ao mesmo tempo drsticas ; no serto 
empregada contra a hydropisia, com 
bom resultado. 



Grosellia. Ribes grossularia., Linn. 
Fam. das Rihesiaceas. A Grose- 
lheira uma planta natural dos dois 
mundos. 

Em Pernambuco eultiva-se a espcie 
de que vamos fallar, que foi espalhada 
do extincto Jardim Botnico de Olinda. 

E' um arbusto de 3 a 4 metros de 
altura ; casca de cr parda, ramosa. 

Suas folhas, de cr verde gaio, so 
regularmente dispostas em palmas. 

As flores, nascidas directamente em 
toda a extenso dos ramos em feixes, 
so brancas, com listras ou manchas 
rosadas. 

O fructo tal qual uma pitanga 
branca ; tem quasi de 3 a 4 centme- 
tros de dimetro ; redonda, achatada, 
apresentando gommos ; tem a cr de 
cera branca : dentro encerra um caroo, 
que tambm anguloso. 

Este fructo encontra-se nas pharma- 
cias, porque a therapeutica o emprega ; 
preparam com elle xaropes, que ser- 
vem para limonadas, muito agradveis 
e teis no tempo de calor. 

O povo cbama-a Pitanga Iranca. 

Caracteres da famlia. Arbustos 
s vezes espinhosos, tendo folhas al- 
ternas, sem estipulas. 

Flores axillares, solitrias, dispostas 
em espigas ou em caclios simples. 

O clice gamosepalo, tubuloso in- 
feriormente, onde adhere ao ovrio, 
tendo o limbo aberto, e como que 
campanuliforme, de cinco divises di- 
reitas ou inclinadas. 

A corolla formada de cinco p- 
talas, s vezes pequenissimas. 

Estames, do mesmo numero das p- 
talas e alternos com ellas, so inseri- 
dos no meio do limbo calicinal. 

O ovrio infero, de uma s loja 
contendo grande numero d'ovulos ana- 
tropos, ligados em diversas series 
dois tropliospermas parietaes. 

Os dois estyletes so mais ou menos 
reunidos entre si, e Analisam cada 
um em um estigma simples. 

O fructo uma baga globulosa 
umbilicada, polyspermica, e as se- 



GUA 



GUA 



SI 



mentes se compem d'um endosperma 
carnoso, assas denso, encerrando um 
embryosinlio, coUocado no interior da 
extremidade inferior. 

Grtiaitiicliaitta Eugenia hrasili- 
ensis^ Lamk. Fam. das Myrtaceas. 
Fructo silvestre, e cultivado nas pro- 
vncias do sul do Imprio. 

E' um dos melhores fructos agrestes 
do paiz. 

A planta um arbusto, de ramos 
erectos desde a base. 

A casca escamosa e parda. 

As folhas oppostas e obovaes. 

As lres brancas, como as do Ara- 
aseiro, com algum aroma. 

A fructa redonda, com 3 1/2 cen- 
tmetros de tamanho ou menos al- 
guma cousa. 

A casca lisa e brilhante, de um 
roxo escuro com manchas averme- 
lhadas. 

Tem algum pello, e curvado de 
quatro aspasinhas verdes no pice. 

A massa dentro uma polpa aquosa 
acinzentada, e de muito bom sabor, 
levemente acidulo ; encerra duas se- 
mentes escuras. 

Cultiva-se no extincto Jardim Bo- 
tnico de Olinda, vinda do Rio de 
Janeiro. 

Giiabij. T'. GuaMra-gua. 

Gua9>iraia. CorcHa rotundifoUa, 
Ru. Fam. das Borragineas. Quasi 
sempre esta planta forma arbusto e 
subarbusto. 

Suas flores distilladas so ptimas 
contra as ophtalmias. 

Seus fructos so excellentes. 

As folhas, que so aromticas, ser- 
vem para banhos ; o p do carvo de 
sua madeira se applica contra beli- 
des. 

Gual>ii*ai>M lo HlarauSiuo. 

Fam. Idem. E' uma frutinha de 
menos de 3 centmetros de dimetro, 
coroada pelos restos do clice. 

E' amarella cr de gemma d'ovo. 



cheia de um sueco aquoso, e de se- 
mentinhas. 
E' saborosa. 

GualiiraSta, de Pcs*iiaiit1uco. 

Camimnanesia gnahiraT)a. Fam. das 
Mijrtaceas. O vegetal, que d este 
fructo, adquire propores arbreas. 

A casca lisa, e com manchas esbran- 
quiadas e avermelhadas. 

As folhas so oppostas ou mesmo 
dispersas, ellipticas, enrugadas, e aro- 
mticas. 

As flores brancas, um tanto grandes, 
e aromticas. 

O fructo uma baga um tanto grande, 
regulando o tamanho de imia goiaba, 
porm achatado, coroado no pice do 
mesmo modo que n'esta ultima. 

Interiormente a massa branco-tri- 
gueira com as sementes maiores do que 
as da goiaba e quasi da mesma cr. 

O sabor doce e acido, na varie- 
dade roixa. 

Existe outra variedade de cr ama- 
rella, que adstringente. 

taaaSiirSia, de Misias <Greraes. 

Psidium mitiflormn. Fam. idem. 
Arbustinho de folhas oppostas, oblon- 
gas, mucronadas, pubescentes, e de 
peciolos curtos. 

Flores em cachos semelhantes, e com 
a mesma organisao das congneres, 
com pouca diferena. 

Giaabiroba, de Dlinas Gerae^. 

Psidmm corymhosum., St. Hil. Fam. 
idem. E' outra espcie de Guahiraha, 
que nas provncias do sul chamam 
(xuahiroha. 

Esta proveniente de um arbusto 
de casca lisa, 'folhas oblongas, de cr 
verde-amare liada buscando cinzento, e 
pillosas. 

Flores em cachos. 

Fructo redondo e amarei lo, quando 
maduro. 

Tem bom cheiro. 

Floresce cm Abril. 

Ci(iiuliiB*o3a do Parii. Ev,ge- 



S20 



GUA 



GUA 



nia mTjrohalana^ D. C. 3fyrtus myro- 
lalana, Mart. Fam. idem Esta espc- 
cio, conhecida no Par e no Alto Ama- 
zonas, iim arbusto de folhas ovaes 
oppostas. 

As flores so brancas. 

O fructo oblongo, afinando para am- 
bas as extremidades, coroado pelo c- 
lice, e contendo nm s caroo. 

Giiabirolia do Rio GcnEiidc 
tio Stil. Myrus miicronatus, S(. Hil. 
Fam . idem. 

Propriedades medicas. As folhas 
d'esta so empregadas contra diarrhas 
mucosas, o catarrho vesical, e leucor- 
rheas. Usa-se exteriormente em loces, 
fomentaes e em clysteres. 

Gulipol, fio Rio dsi Prata. 

Myrtusmucronata^ St. Hil. Fam. idem. 
Esta Guahiroha vegeta nas margens 
do Rio da Prata e Uruguay. 

E' um arbusto ou pequena arvore 
ramosa, de tronco liso. 

Folhas lanceolada?. 

As flores so em cachos, mesmo como 
as congneres. 

O fructo do tamanho de um Ara 
grande, de cor amarella. 

A semente oval, e comprimida. 

E' de sabor agradvel. 

Floresce em Dezembro e Janeiro. 

Gitabroba, Ee S. Panlo. 

Psidiim guasimifolnm., St. Hil. Fam. 
idem. Esta arvore conhecida por 
este nome em S. Paulo. 

E' de porte mediano, e ramosa. 

A casca fina e lisa. 

As folhas oblongas. 

As flores so brancas, aromticas e 
solitrias. 

O fructo globuloso, um pouco pel- 
ludo, e de cor amarella de gemma d'ovo; 
contem muitas sementes, e saboroso. 

Floresce em Novembro. 

Guahi'a^as. Eugenia giia- 
bij., Mart. Fam. Idem. E' um ar- 
busto semelhante ao Araazeiro. 



Seus fructos so doces; ellc ads- 
tringente. 

GiiHco. Mikania giiaco, Humb. 
Fam. das Compostas. Planta que ha- 
bita na Nova Granada e no Brasil. 

Seu caule trepador e ramoso. 

Folhas pecioladas, oppostas, ovaes 
agudas, com pellos speros na face su- 
perior. 

Sabor amargo, cheiro forte e desa- 
gradvel. 

Propriedades medicas. E' sudor- 
fico enrgico, peitoral, e antysiphilico; 
da-se em infuso, que se prepara com 
8 grammas da planta para 375 gram- 
mas d'agua. 

Atribuem-lhe propriedades especfi- 
cos nas mordeduras de cobras, e no 
rheumatismo. 



Giiaalii^. 



V. Goiaha. 



GiBaaile-aaiibe. Psidium aroma- 
ticum., Auhl Fam. das Ihjrtaceas., Juss. 

Planta do Par. 

E' um arbusto do Par e do Ama- 
zonas. 
E' adstringente. 

Gtiaiaitb. Caladium acerum., Willd. 

Fam. das Araceas., Juss. Esta planta 
suppomos sr uma das especi es do 

Imh. 

Propriedades medicas. A raiz se 
d, na dose de 5 20 gros, nas hy- 
dropesias ; externamente usam as folhas 
em banhos nas aff'eces rheumaticas. 

GsiaBtib oii Iiatli oii CiB> 
tfie Iisil . Philodendron Imh. Arum 
arlorescens. Fam. idem. Esta arvo- 
resinha certamente no o Imb de 
Pernambuco, e nem o das Alagoas. 

E' um arbusto de 4 a .5 metros, de 
folhas oppostas, ovaes, luzentes e de 
cr escura. 

As flores com os dois sexos divididos. 

O fructo uma baga um tanto re- 
donda, com um caroo. 



GUA 



GUA 



2S1 



Em lingua tupiuica Tracuans. 
E' das regies amazonicas. 

GuajAr tiiiib. V. Anileira 
Caachira do Norte. 

Guajar tiauh. V. Anil. 

Guajur. Viceitia acuminata. Fr. 
AU. Fani das Comhreaceas. 

Guajer. V. Goajur. 

GiiMiiaiitly. No Maranho o 
Anani., no Par Planta. 

Guando. Cajanus flavus, D. C 
Cytisiis. Cajanus., Linn., e Spll. Fa)n. 
das Legiminosas . Assim se chama um 
legume cultivado no Brasil, originrio 
dos orientaes. 

E' um arbusto de pouca elevao, 
quando muito at 1 e ^ a 2 metros ; 
suas folhas trifolioladas sode cr verde 
acinzentada, pubescentes e ellipticas. 

As flores so em cachos, e de cr 
amarella, parecendo umas pequenas 
borboletas. 

O fructo uma vagem rolia de 3 
a 9 centmetros, fazendo algumas sali- 
ncias nos pontos onde existem sementes, 
que so de forma redonda e cor de 
carne. 

Estas sementes constituem a bem co- 
nhecida e muito estimada hervilha 
do coniiuercio e do uso das cosinhas. 

Em Pernambuco no abundante 
este legume, nem se cultiva em grande 
escala a planta. 

Nas provncias do Sul, especialmente 
no Rio de Janeiro, que do valor ao 
seu merecimento. 

No Rio chamam-lhe Guandos., e em 
Pernambuco Guandus., em outras par- 
tes Ervilha de Angolla. 

Diz-se que as flores mais prximas 
dos ramos so teis contra as mo- 
lstias do peito, e tambm contra as 
dores de dentes. 

As folhas em cosimento curam as 
chagas; e as pontas dos ramos pisa- 
das so boas para sustar hemorrhagias. 



A cinza do lenho d uma decoada, (') 
que limpa as ulceras, e anti-bleu- 



norrhagica. 



Guaparuiba. V. Mangue verrae- 
Iho., verdadeiro ou amarello em tupi- 
nico de S. Paulo. 

Gua|iaron;^a. Marliera tomen- 
tosa, St. Hil. Fatn. das Myrtaceas. 
o fructo de um arbusto fraco, de 
folhas oppostas, ellipticas, aloiradas. 

EUe oval, com a pellicula externa 
roxa, escura e de sabor agradvel. 

Giiapba. Fam. das Leguminosas. 
E' uma arvore conhecida nas Ala- 
goas por este nome. 

E' uma das mais elevadas. 

Sua casca muito grossa e esbran- 
quiada. 

As folhas um tanto pequenas. 

As flores brancas, semelhana de 
jarrinhos. 

O fructo ainda no observado. 

A madeira d'esta arvore branca 
cr de palha ; no tem cerne distin- 
cto ou dif"erente ; d boas taboas que 
se prestam para diversas obras. 

Guapelieira. Guai^ela laurifolia. 
Gora. Fam. idem. Planta do paiz cu- 
jos fructos tem a forma e sabor da 
ma, e so comestveis. 

Giiaiievade S. Paailo. Hiji)an. 
tliera guapeoa., Mans. [Fam das Nhan- 
diroheas. Esta planta em Minas cha- 
mada Fava de S. Ignacio. 

E' um arbusto trepador, com os ca- 
racteres pouco mais ou menos da An~ 
diroha. 

Propriedades medicas. Suas se- 
mentes so amargas e oleosas. 

E' de um grande eflfeito na ictercia, 
na dose de uma a duas sementes, 
cinco a seis vezes repetidas ; sendo 
maior a dose, torna-se um purgante 
drstico. 

(*) Phraso vulgar que significa a soluo 
da potassa. e outras priticipios contidos 
nas cinzas. 



GUA 



GUA 



Ciiaiiieoltailia. Cssia Irasili- 
ensis. Fam. das Leguminosas. Lamli. 
Arvore do Brasil, com folhas dispostas 
em palmas compostiis. 

As flores em cachos. 

Os fructos so vagens compridas e 
achatadas. 

Ella synonima de Cssia mollis de 
"Wild. Cssia granais de Linn. 

Tem as mesmas virtudes da Cssia 
orin . 

G2ea|iic!>aihta. Cssia brasili- 
ana. Cssia mollis. eValil. Linn. Fam. 
idem. Arvore ou arbusto de folhas 
alternas, compostas de 10 a 20 pares, 
com foliolos oblongos. 

pice semimucronado, na face supe- 
rior pubescente, um tanto molle. 

Peciolos longos. 

Flores em cachos axillares, peque- 
nos, como as do mesmo gnero. 

Legume achatado, rugso,e comprido. 

Para Linno. Cssia grandis. 

Guapironga. V. Guaporonga. 

Guaporon^a. Marliera tomei- 
tosa. Fam. das legiominosas. Planta 
de S. Paulo, cujos fructos so comes- 
tveis e saborosos. 

Gua|iuy ou Guaifiliy. Lon- 
gisiliculo. Fam. das Bignoniaceas. 
Planta do paiz, empregada em diversas 
molstias syphiliticas ; a raiz cosida 
n'agua boa contra as molstias de 
olhos. 

Guarajuba. Fam. das Comhrc- 
taceas. Arvore que vegeta nas pro- 
. vincias do sul do Imprio. 

As folhas so simples e alternas. 

Os merithallos so desiguaes: alguns 
de forma elliptica, outros ovaes ou 
regulares. 

As flores so pequenas, e dispostas 
em racimo ; o pednculo primrio del- 
gado, anguloso e pubescente ; cada flor 
acompanhada por umabractea linear. 

O fructo uma samara coriaceoe, 
indehiscente, monospermica pelo abor- 



tamento presumvel de um dos vulos, 
e com trs azas longitudinaes e estri- 
adas. 

A semente est suspensa por hum 
longo podosperma ; o episperma mem- 
branoso ; no existe o endosperma, e o 
embryo tem os seus cotyledcnes fol- 
aceos, e embolados em espiral. 

A sua madeira procurada para canos 
de conduzir agua para os engenhos de 
caf e assucar, ou para os moinhos ; 
tambm applicada nas obras internas. 

GnaraiBifi. Paidlinia sorUlis^ Mart. 
Fam. das Sapindaceas. O Guaran 
um producto brasileiro, extrahido de 
um arbusto do mesmo nome, que ha- 
bita nas provncias do Par e Amazonas. 

Os fructos que ella produz apresen- 
tam-se em cachos, como os da parreira, 
e, quando esto maduros, tem umabella 
cor vermelha rutilante ; as amndoas 
so escuras, quasi do tamanho de 
avels. 

No seu fabrico seguem os indgenas 
da provncia do Amazonas o seguinte 
processo, que entretanto no tem sido 
averiguado com preciso. 

Colhem os fructos ainda no bem 
maduros, e os tratara com agua para 
tirar-lhes a parte carnosa. 

Torram as sementes, trituram-nas 
em piles at reduzil-as a p; por 
meio d'agua transformam este p em 
uma massa sufficientemente consistente 
para ser moldada, sendo finalmente 
esta cosida em fornos prprios. 

Alguns asseguram, que alm d'isso 
levam um pouco da substancia do arroz 
e farinha de mandioca peneirada. 

Assim preparado, o Guaran se apre- 
senta no commercio em massas cylin- 
dricas, ellipticos, ou ovaes , multo 
compactas difRceis de se reduzir a p, 
de cr roixa ou vermelha escura, de 
cheiro suave e particular, sabor amargo 
agradvel, e mui pouco adstringente; 
pesa cada j)o 8 onas mais ou menos 

Propriedades medicas. E' um ex- 
cellente remdio para a cura das ble- 
norrhagias recentes e chronicas ; em 



GUA 



GUA 






limonadas toma-se para saciar a sede ; 
tambm muito usada com proveito 
nas diarrhas e dysenterias. 

Internamente 8 grammas do p para 
375 grammas d'agua. 

Os ndios de Maiihe, das margens 
do Madeira inferior, so os que mais 
se applicam preparao do GiMran^ 
que fazem da semente da planta, for- 
mando massa cj^lindrica ou redonda, 
D' ali levada ao commercio de muitos 
paizes, e se considera como panaca 
dos pobres. 

Martins foi o primeiro que em 1826 
estudou chimicamente este remdio ; 
e achou diflerentes principies ele- 
mentares. 

A massa do Qiiaran rala-se, e, com 
agua e assucar, passa por grande re- 
frigeraate, estomacal, antifebril, apliro- 
disiaca. 

Excita o systema nervoso gastro-in- 
testinal, impede a evacuao supera- 
bundante de muco, desperta o movi- 
mento do corao e das artrias, e 
augmenta a diaphorese (transpirao) . 
E', por conseguinte, excellente remdio. 
Serve para combater as afeces 
febris, as clicas flatulentas, as enxa- 
quecas, engurgitamento das viceras 
abdominaes, predisposies de conges- 
to para a cabea, etc, excita o appe- 
tite carnal, diminuindo as funces 
espermaticas. 



Guapa Ei uva. 



F. Guaran. 



Guarapar ela iiiiuda. Wcim- 
nannia Mrta^ Mart. Fam. diis Saxi- 
fragaceas. Arvore media, de ramos 
eriados de pellos hirtos. 

Folhas oppostas, oblongas, sobre 
peciolos alados. 

As flores em cachos abundantes. 

Os fructos so capsulas oblongas ou 
globulosas, terminando em pontas aloi- 
radas. Contem duas sementes. 

Caracters da famlia. As Saxi- 
fragaceas so plantas herbceas, rara- 
mente arbustos ou arvores, cujas fo- 
lhas so alternas ou oppostas, sim- 



ples, e, algumas vezes compostas, com 
ou sem estipulas. 

As flores ora solitrias, ora diver- 
samente agrupadas em espigas, em 
cachos, etc. ; offerecem um clice ga- 
mosepalo, plano ou tubuloso inferior- 
mente, onde elle se une s vezes com 
o ovrio, terminado superiormente em 
trez ou cinco divises. 

A corolla, que falta rarssimas vezes 
formada de quatro ou cinco ptalas 
s vezes soldadas pela base. 

Os estames so commumente em nu- 
mero duplo do das ptalas, algumas 
vezes em numero indeflnido. 

O pistillo se compe de duas carpel- 
las, em parte soldadas todas, e adhe- 
rindo mais ou m.enos intimamente ao 
tubo calicinal ; rarssimas vezes acha- 
se trs ou cinco carpellas. 

O ovrio, cercado de um disco peri- 
gynico mais ou menos saliente , contm 
ordinariamente muitos e mui raras vezes 
um s ovulo ; estes vulos estam inse- 
ridos em um trophosperma collocado 
ao longo do septo. 

O fructo, que raramente carnoso, 
em geral uma capsula terminada pela 
parte superior em duas pontas mais 
ou menos alongadas, abrindos-se muitas 
vezes por duas vlvulas septiferas. 

As sementes ofi^e recm sob o tegu- 
mento prprio um endosperma carno- 
so que encerra um embryo axillo, ho- 
motropo algumas vezes um pouco curvo. 

Guaraqtiini. V. Herva Moura. 

Guaraquyinia. E' um arbusto 
do paiz, que vermifugo, e semelhante 
ao Myrto. 

Guararema. F. llerarema. 



Guarda sereno. 

guarda sereno. 



F. Capim 



Guardio. Melothria offlcinalis. 
Fam. das Cuciirbilaceas. Herva vol- 
vel, indgena de Pernambuco. 

Vegeta s nas mattas e ganha as 
maiores alturas, acompanhando as ar- 
vores mais elevadas. 



5SS4 



GUA 



GUI 



E* de caule pardo claro. 

Folhas recortadas. 

Flores amarellas, com dois sexos. 

O fructo uma baga allongaua e 
pequena. 

Esta planta, da medicina domestica 
em Pernambuco, empregada em clj^s- 
teres em ditferentes enfermidades. 

Giiar. Giarea IricMlioideSy Linn^ 

Fam. das MeliaceaS' E' uma planta 
semelhante ao Git. 

O sueco leitoso que possue, em- 
tico, e cathartico poderoso. 

A infuso da planta menos enr- 
gica. 

Guary. Fam. das Palmeiras. 
E' uma palmeira da America Meridio- 
nal, at estes ltimos tempos desco- 
nhecida. 

Oiiafiib ou Boxinlio. Pel~ 
toginea-giarui. Fam. dvs Leguminosas . 

Arvore do Brasil ; sua madeira de 
cr roxa, no se confunde com a de 
nenhuma outra arvore. 

E' muito procurado para os raios das 
rodas dos carros. 
E' excellente madeira de construeo. 

Giiaxiua. V. Carrapichimho. 
Corresponde ao malvaisco do Sul. 
Em lingua tupinica Guaxima. 

GuaiKiiiia branca. Helicteres 
pemamhucensis , Arr. C. Fam. dvs Mal- 
vaceas. E' emoliente, succedanea da 
malva. 

Guaxima brauea. V. Sacarro- 
Iha. 

Giiaxiiiia do Eaaaujsue. Hibis- 
cns i^ernambiicensis ^ Arr C. Fam. das 
Malvaceas. Tem as propriedades da 
Meira lahata das outras Guaximas. 



Guax^iiaia la inaita. 

xima b.anca de Pertiambiico. 



V. Gica- 



Guaxiiikba preta. Ficus radile. 
-Fam. das Uricaceas. O sueco leito- 



so antelmintico na dose do 2 4 co- 
lheres. 

Giiaxuma lo luaiijsue. Hi~ 

biscus 'pernambucetisis . Fam. idem. 
Esta planta cresce em Pernambuco nos 
lugares' vizinhos ao mar, e principal- 
mente nas margens dos rios Goianna 
e Parahyba. 

Do lber poder-se-hia fazer boa cor- 
dagem para o uso ordinrio. 

Guazunia. Giiazuma ulmi folia. 
Fam. das Bythneriaceas. Os fructos 
d'este arbusto tem uma substancia mu- 
cilaginosa, doce e agradvel, que se 
come. 

Guela le pato. V. Rabo de 
yorco. 

Guercroba le reiuo. Aspidos- 
permum muricalmn. Fam. das A'pocy- 
naceas. E' uma planta do Maranho. 

Guiabava. V. Braga da Praia. 

Guiiina. PoTtlandia, hexandra, Jacq. 
Couarea speciosa, Atiblet. Fam. das 
Rubiaceas. Arvore que vegeta na Guy- 
anua e nos Amasonas. 

Suas flores so lindas, e bastante 
aromticas. 

Seus fructos so capsulas. 

Propriedades medicas. A casca 
de um sabor amargo e desagradvel, 
tendo tambm a propriedade de ser 
um pouco adstringente. 

Guira. Struthantlius citricola. 
Fam. das Loranthaceas. Este vegetal 
tambm commummente conhecido na 
lingua tupinica por telypote-iba., ou 
verarepoty. 

E' uma planta, espcie de encherto 
ou herva de passarinhos. 

Com esta herva contusa e fervida 
com azeite faz-se um unguento til 
contra os tumores provenientes de frio. 

Os grelos so amargos como a chi- 
I coria, e constituem um bom palmito. 



GUfi 



GUT 



SSi 



Ouii*y ou Coqueiro guri- 

ly. V. Guriry. 

Guiti. V. Oiti. 
^uiU-su-A^^V.oiti-coria^oiti-cor. 

Guiti-ibM. oiti-coria^ oiti-cor. 
Guiiti-torobat. Pisou. 
Guiti-MiiriMi. F. Oiti da Praia. 
Guity. F. Sabonete. 

GuktyoroSa. Luciima rivicoas^ 
PS071, Fam. das Sapotaceas.- Arvore 
mui semelhante ao Sa^oti, at mesmo 
nos seus fructos ; estes so gommosos, 
saccharinos, empregados nos fluxos 
do ventre, e catarrlios pulmonares. 

E' uma espcie de Ahio. 



GulaiatliBU. Moronohia coccinea 
AubL Fam. das Gutiferas. Arvore do 
paiz, elegante, lactifera, de folhas op- 
postas, oblongas, coriaceas, ovaes e gla- 
lras e pontudas. 

Flores em cachos nas extremidades 
dos ramos. 

Pednculos vermelhos. 

Clice de cinco sepalas. 

Flores rubras e pequenas. 

Fructo, baga espessa, de um a dois 
caroos. 

A madeira d'esta arvore um tanto 
fraca, porm boa para estivas de es- 
tribarias. 

A fructa come-se : acre-doce ; mas 
s os animaes lhe do apreo. 

GuluBtilasa. Moroiohia grandiflora , 
Chvi. Fant. Idem. E' uma arvore 
do Amasonas, 

Suas folhas so ellipticas e maiores 
que as da precedente. Notvel pela 
sua grande flor em cacho. 

Gai3'ijia!lfla oi I*iM*iiiiita*ia. 

Traga/ium scanosus. Far. das Chenojyo- 
diaceas. Nas Alagoas e em Pernam- 



buco do este nome a uma arvore, 
a que pelo serto chamam Piriquiteira. 

EUa tem a casca parda. 

As folhas maneira de ferro de 
lana. 

As flores, em cachos pequenos, es- 
branquiadas e miutiissimas. 

Os fructos pequeninos, globulosos, e 
com um carocinho dentro. 

O liber d'esta arvore d ba mat- 
ria para cordas. 

Gutti |>ercla. honandra giitta 
ou Jsonaidra percheira. E' uma arvore 
do Amazonas e dos lugares adjacen- 
tes, que fornece um sueco leitoso, igual- 
mente como o da Maaranduheira. 

Este sueco solidiflca-se com o tempo 
pela aco do ar; serve para o fabrico 
de vrios instrumentos de cirurgia. 

Suas applicaes nas artes so in- 
numeraveis. 

A Gutta-percha no to elstica 
como a Gomriia elstica., mas adquire 
maior rigidez e resistncia do que esta. 

E' uma substancia que se presta ao 
fabrico de talas para fracturas, pes- 
sarios, suppositorios, sondas e alga- 
lias. 

Para dar-lhe a configurao que se 
quer, basta immergil-a em agua quente, 
e trabalhal-a com os dedos. 

Quando torna temperatura ordin- 
ria recupera sua consistncia primitiva, 
que a do couro. 

Exposta ao fogo inflamma-se como 
todas as resinas, e arde desenvolvendo 
uma fumaa muito expessa. Electrisa-se 
facilmente. 

O tecido electro-magnetico, empre- 
gado contra as dores, no outra cousa 
seno umas laminas muito delgadas 
de Guita fcrcha. 



Propriedades medicas. O Dr. Sim- 
psom servia-se da dissoluo da Gutta 
percha em chloroformio para fazer ci- 
catrisar as ulceras, o chloroformio vo- 
latilisa-se, e a GiUia-percha fica con- 
stituindo uma capa resistente sobre a 
ulcera, o que favorece a sua cicatri- 

saco. 

31 






HER 



HER 



KC. 



Heliotropio. Heliotropinm co- 
rymhosum^ Bomp. Hei. grandiflormn . 
Jammc, Don. Fam. das Borragineas^ 
Linn. E' uma flor, natural do Peri, 
importada, e que se cultiva em nossos 
jardins ; de tamanho regular, de 1 
metro . 

E' ramosa, e um tanto pelluda ; de 
uma cr verde desmaiada. 

As folhas so ovaes, e crespas. 

As flores, de suave cheiro, apresentam- 
se em cachos, nas pontas dos ramos, e 
so inseridas em um s lado, enroscan- 
do-se na ponta. 

Sua cr de lirio misturada com o 
branco; ellas so afuniladas. 

O fructo uma pequena baga verde, 
contendo um carocinho. 

IIei*Vi% itBBtloiMtilta.. Eupliorhia 
ccecorum, Mart. Euplwrh. linear is, Retz. 
Fam, das Eitphorhiaceas. 

Propriedades medicas. Esta herva 
contundida applicada com proveito 
nas ulceras syphiliticas inveteradas. 

Em Pernambuco o seu cosimento 
tambm applicado em clysteres; ntil 
nas diarrheas, nas dysenterias, hemor- 
rhoidas e pleurizes. 



Herva. Anil. 

fera tinctoria. 



V. Anil. Indigo- 



Todas as suas congneres, que so nu- 
merosas, so oriundas dos paizes do 
Trpico. 

A Herva babosa c d'Africa e d'Ame- 
rica ; ella assemelha-se em estructura 
ao Ananaz; porm menor, tendo as 
folhas quasi triangulares, grossas, cheias 
de um sueco amarello, de cheiro acti- 
vo e enfadonho, bordadas de espinhos 
em serrilha. 

Emitte do centro uma vergontea, a 
qual se cobre na parte superior de 
flores amarellas, como anglicas; don- 
de resultam uns fructos ovides, cheios 
de sementinhas. 

A raiz forma um grande numero de 
fibras fortes, e que sahem alm da su- 
perfcie da terra. 

O sueco expresso das folhas, depois 
de seccas, forma o medicamento cha- 
mado Ales^ que se apresenta como 
uma massa dura, parda escura, quasi 
negra, reluzente, frgil, de sabor ex- 
tremamente amargo desagradvel, so- 
lvel em agua quente, e no alchool. 

Este remdio faz parte do grande 
numero de formulas pharmaceuticas, 
e que so applicadas com vantagem 
internamente como purgativas na dose 
de 1 a 3 decigrammas ; d-se mesmo 
em p ou melhor em pilulas. 



Herva tios 

Barba de velho. 



Bartonos. V. 



Herva le Anil. ndigo fera don- 
niguensis ; Spreug . Fam . das Legumi- 
nosas. Em lingua indgena, Caachira ; 

Esta planta como o Anil de Per- 
nambuco, j acima descripto. 



Herva lo anir. 



V. Trevo. 



Herva habsa. Alos htimilis. 
Flumb. Alos perfoliaa. Linn. e Spl. 
Farii. das Liliaceas. Esta planta 



Herv; benta. Genm tirbanum, 
Linn. Fam. das Rosceas. Esta 
planta natural da Europa. 

Suas folhas, frescas, podem ser usa- 
das como salada. 

E' considerada como anti-febril ; 
usa-se em infuso, que se prepara com 
2 a 4 grammas para 375 d' agua. 

Herva lo bicUo. Polijgonum 



pelo seu uso familiar bem conhecida. J anti-hemorrhoidale^ Mart. Fam. das Po- 



HER 



HER 






lygonaceas. E' diurtica e temperante, 
usada, quer interna quer externamente, 
em banhos e clysteres, nas gronorrheas, 
retenes de urinas, e liemorrhoides. 

Tambm empregam-na contra a gotta. 

Seu sueco serve para clarificar os 
xaropes na fabricao do assucar. 

Ha ainda duas espcies, Polygonum 
acre^ Hunt. Polygonnm sipticum^ Cham., 
empregadas nos mesmos casos. 

Estas so congneres da Pimenta 
d/agua de Pernambuco. Polygonim 
hydropiper. 

Hepva lo liiclio. Nome dado 
em alguns lugares Herva, moihra. 

Herva do liiclio. F. Pimenta 
d' agua. 

Herva do liiclio. No Rio de 

Janei-o, S. Paulo, e Minas. F. Pi- 
menta d'agua. 

Herva de calira. Euphorhia 
licolor. Fam. das Ev/phorhiaceas. 
Esta espcie semelhantssima 
Herva de S. Luzia, apenas com a diffe- 
rena de que cresce muito mais. 

As flores, porm, umas so rubras, 
outras brancas. 

O fructinho semelhante. 

Os Alagoanos do-lhe este nome por- 
que as cabras gostam muito d'ellas. 

Applicam-n'a para destruir bellidas. 

Herva de cabra ou S. L,uzia. 

^ EufJorUa unicolor. Fam. Idem. ^ 
Hervinha agreste delicada, que em 
Pernambuco tambm conhecida por 
Maria Leite, nas Alagoas por Herva 
de cabra. 

E' de 24 a 48 centmetros, de caule 
fino, leitoza, colorida de verde e ver- 
melho. 

Folhas oppostas, ellipticas, e lacti- 
f eras . 

Flores em cachinhos, roixeadas, e 
brancas. 

O fructo um caroo rolio, de trez 
cocasinhas, como o do pinho. 

Applicam o sueco d'esta planta nas 



doenas dos olhos dos animaes, mes- 
mo dos que acarretam alterao ou des- 
truio dos tecidos d'estes rgos. Vimos 
applicarem-n'o s galinhas. 

E' esta talvez a principal Herva de 
S. Luzia das provindas do Sul. 

Herva do^ eacltos. Y. Tintu- 
reira vulgar. 

Herva dos cachos tia In]ia. 

Phytolacca decandra. Linn. Farti. 
das Chenopodiaceas . E' uma planta de 
raiz espessa e carnosa, que d nas 
cercas ; tem um caule ramoso, e cy- 
lindrico, espesso e de cr purprea, 
de 1 a 2 metros de altura. 

As folhas so de peciolos curtos, 
oves, e oblongas. 

As flores so vermelhas. 

Dizem sr originaria da America Sep- 
tentrional; conhecida pelos diversos 
nomes de Raisiu des trofiques, Epinard 
des Indes. Herhe la laque, Morelle e^i 
grafites, etc. 

As folhas novas so inspidas ; en- 
tretanto comem-n'as na America, como 
salada. 

Do fructo d'esta planta estrahe-se uma 
tinta vermelha; mas que no firme. 

Herva canudo. V. Alfavaca 
silvestre. 

Herva tio Capito. Eydroco- 
tyle honariensis . Lamk. Fam. das Ur- 
belliferas. Planta rasteira, que vegeta 
nas proximidades das aguas ; origi- 
naria de Buenos-Ayres, mas tambm 
existe no Brasil. 

Suas folhas so em forma de rim, 
arredondadas. 

As flores, em cachos pequenos, .so 
esbranquiadas. 

Seus fructos so pequeninos, formando 
capsula chata, com duas sementes 
dentro. 

Cremos que esta planta a mesma 
espcie da de Pernambuco. 

A rama e o caule so acres e aro- 
mticos. 






HI',R 



IIER 



Propriedades medicas. Quanto s 
suas virtudes e iicco sobre a eco- 
nomia, semelhante (i salsa cultivada, 
e, como cila, diurtica ; em doses gran- 
des emtica. 

Ella applicada nas obstruces do 
fgado e outras vsceras abdominaes. 

Hei'via arjiaatero. F" Mil em 
rama. 

Il^j-va 3ais;ail!. Aviceunia al- 
veolaa^ Lacer. Fam. das Leguminosas. 
Planta do Par 

casca tem um sabor salgado, e 
applicada contra as dores de dentes. 

liT^-js <?Eiiia!!34>. F. Cipo de 
chumbo. 

lierva eils*efla*a. Melissa offl- 
cinalis., Litm.. Fam. das Lahiadas. 
E' uma planta accliraada no Brasil, 
de Vi a 1 metro de altura. 

Caules em moita. 

Folhas oppostas, pecioladas, bastante 
grandes, ovaes, um tanto cordiformes 
na base, de cr verde clara, acinzen- 
tada, e superfcie spera, nas margens. 

Flores brancas, com cheiro seme- 
lhante ao do limo, e de sabor aro- 
mtico. 

Propriedades medicas. Excitante, 
antispasmodico ; emprega-se nas diges- 
tes laboriosas, affeces nervosas, e 
como emmenagogo. D-se em infuso, 
e se prepara com 8 grammas da herva 
para 500 d'agua fervendo, 

Hervii cSaas iia*. Euphorbia 
capiata., Lamk. Fam. das EupJior- 
hiaceas. Passa por um grande ant- 
doto do veneno das cobras. Na lingua 
dos indgenas Caa-cica ou Caa-tia. 

Ilervii S fo^ja'. Miliania opi- 
fera., Mart. E^ipatorimi crenaium., 
Gom. Fam. das Compostas. Esta 
planta vegeta no Kio de Janeiro, S. 
Paulo e Minas. 



piana (Herva anta) ; pode ser til nas 
febres adynamicas, e substituir a ser- 
pentria. 

Ilervii oo33cy,-j. Elcphanlopus 
lomefiosus^ Ifart. Fam. idem. Esta 
planta empregada como tnico e su- 
dorifco nos catarrhos pulmonares. 

O sueco fresco d'esta espcie, e prin- 
cipalmente da variedade chamada Fumo 
bravo, lithontriptico ( contra as pe- 
dras das urinas). 



brigucira. 
collegio. 



V. Herva lom- 



V. Herva 



Mfi'Via See. Anisum vulgares, 
Linn. Fam. das Umbelliferas. A 
herva doce natural do meio-dia da 
Europa ; mas d'esde muito tempo se 
cultiva no Brasil. 

Entre ns porm escassa, rara 
mesmo de encontrar-se em Pernam- 
buco, onde j foi cultivada. 

E' uma herva delicada, que chega a 
1 metro de altura, 

Seus caules e toda a planta so 
aromticos. 

As folhas estreitinhas. 

As flores amarellas, pequeninas, em 
cachos maneira de umbrella, cuja 
fructinha tem apenas trs linhas de 
extenso, de forma cnica, e cr parda. 

E' angulosa, terminada na parte su- 
perior por um esporosinho ; dentro 
existem as sementes. 

Estas so empregadas nos misteres 
de cosinha especialmente em certas 
comidas. 

So usadas tambm na pharmacia, 
como medicinal ; gosa de propriedades 
carminativas. 

IIei''is. dfc Jirava. Erylroxy- 
lon sUimlosum. Fam. das Erytroxilcas. 
Tambm a chamam Po herva doce 
brava. 

Por ambos os nomes conhecida 



Ella diurtica e substitua a Aya- \ esta planta. 



HER 



HER 



SS9 



E' um arbusto de pouca elevao, 
pouco mais ou menos de -i metros. 

Os ramos, nas pontas, apresentam 
como que pequenos ns, cheios de es- 
camas paleaceas. 

As folhas so ovaes, e allongadas; 
as flores amarelladas ou esbranquia- 
das, com cheiro agradvel. 

O fructo pequeno, oval, com um 
carocinho dentro. 

Herva Epe zstuiia. Erytliro- 
xylon. Fam. idem. E' um arbusto sil- 
vestre, conhecido nas Alagoas por este 
nome. 

Seus caules so de muita flexibilidade. 

Suas folhas oppostas, lanceoladas, 
pequenas. 

As flores so brancas e cheirosas ; 
do mesmo pelo tronco. 

O fructo de 3 eontimetros de di- 
metro, redondo, semelhante ao da 
murta, com um ou dois caroos dentro. 

Vegeta muito no littoral. 

Come"Se,e as vergonteas servem para 
aoitar cavallos. 

IIcs*va diti'. Mikania martiu- 
siana. Fam. das Melastomaceas. Ar- 
busto do Brasil, muito commum na 
provincia de S. Paulo, de 3 a 4 
metros de altura. 

Ramos cylindricos, erectos, de cr 
parda acinzentada na parte inferior. 

Folhas erectas, oppostas, cruzadas, 
com a face superior de cr verde 
clara. 

As folhas tem sabor um pouco ads- 
tringente e adocicado. 

Propridades medicas. E' empregada 
contra as diarrheas chronicas, em clys- 
teres, que devem ser repetidos por nl- 
guns dias. 

Hcrvia foioeisra. F. Icicariha. 



Hcrva das reviclagi. 
e Imhcri. 



V. Alhara 



llepva d< gvMBo. V. Lingua de 
tacca. 



Horva tie jota. Cephalanthvs 
striffostis Fam. das RuUaceas Assim 
chamam em Pernambuco a um sub- 
arbusto de 1 metro para menos de 
altura. 

O caule meio nodoso, cr de cas- 
tanha, escamoso, e quadrangular. 

O pice formado como que de pe- 
quenos ns. 

As folhas oppostas e estretinhas. 

As flores abraam o caule circular- 
mente, formando captulos de distancia 
em distancia ; so brancas, como an- 
glicas, e mui pequenas. 

Cada fructo uma pequena capsula 
molle ; elles se acham reunidos for- 
mando aggregados. 

Esta planta semelhante Vas- 
sourinha de hoto ; sua congnere dif- 
fere em ser de porte grande. 

Diz-se que tem virtudes, pelas quaes 
applicada contra a gotta. 

Ilerva lomlirigiBera. V. Lom- 
brigiieira. 

Hepva sitijjoBia oii csjia ei- 

tttltilto. CUtoria urinaria Fam. das 
Leguminosas- Herva alastrada, de caule 
roixo. 

Folhas compostas de trs foliolos, e 
ellipticas. 

As flores, em cachos pequenos, so 
brancas, com manchas roixas. 

O fructo um legume, estreito, de 
menos de 24 centmetros; os gros 
so como os de feijo. 

Esta planta muito diurtica. 

Encontra-se frequentemente nas bei- 
ras das estradas, donde lhe vem o 
nome de Espia caminho., pelo qual 
conhecido na Parahyba do Norte. 

He!*va Btimiaso. Oenotliera 
affinis, St. EU e Mar t. Fam.. das (Eno- 
thoreas. E' planta vulneraria. 

II'1'^a i\\nui'i\. Solauum nigrvM^ 
Linn. Fam. das Solanaceas. Esta 
planta vegeta no Brasil. 

Suas folhas so ovaes, sinuosas ou 
denteadas. 



*Z30 



HER 



HER 



As flores so brancas, em umbrella 
pequena. 

Os fruetos, em forma de bagas, 
principio verdes, depois vermelhas, e em 
fim quasi negras quando maduras. 

Propriedades medicas. Uma cata- 
plasma feita com as folhas frescas, e 
applicada sobre o hypogastro ( baixo 
ventre ) so de grande utilidade nas 
retenes espasmdicas da urina. 

Sua decocco usa-se como emolliente 
no eczema, em banhos, e internamente. 

Os fruetos (bagas) so venenosos. 

Herva iitoira do serto. Y. 

Parattio do Serto . 

Herva aaiollc ialsa. Achyran- 
tes fratensis. Fam das Amarantliaceas. 

Esta herva tem este nome nas Alagoas. 

E' planta que alastra pelo cho, 
com caules apresentando ns. 

As folhas oppostas, ovaes, e molles. 

As flores em pequenos aggregados 
nas axillas das folhas, parecendo uns 
carrapichos ; ellas so formadas por pe- 
quenos tubosinhos paleaceos, brancos. 

Resulta d'ellas um fructinho preto. 

Serve de pasto dos animaes. 

Herva niolle TexMladeira. 

Cissns mollis. Fam. das Ampelidaceas. 
Em Alagoas do este nome a uma 
trepadeira. 

Herva que tambm alastra ; de caule 
sulcado, nodoso, molle, com apndices 
para se agarrar as outras. 

Folhas ovaes, lustrosas. 

Flores umbelladas, de um amarello 
esverdinhado. 

Fructo redondo, pequeno, com dois 
caroos dentro. 

E' procurada pelo gado. 

Herva inullar. V. Alcamphr 
de S. Paulo ou, Alcamioreira . 

Herva dos ftUE*os. V. Pu. 

Herva dos uaiuorados. Y. 

Pu. 



Herva de IVos^a Seiliora. 

\. Ca-pcha ou Cip de cobra. 

Herva do paiitano. Sagiltaria 
hrasiliensis ., Mart. Sagiltaria sagittm- 
folia^ Well. Fam. das Alismaceas. 
Planta de raiz subterrnea. 

Propriedades medicas. Sua raiz 
preparada como cataplasma, e mistu- 
rada com outras substancias adstrin- 
gente e aromticas, empregada contra 
as hrnias. 

Esta raiz d uma espcie de fcula 
semelhante de araruta. 

Ha mais trs espcies. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas annuas ou vivaces, crescendo 
principalmente nos lugares hmidos, 
e margem das lagoas ou dos regatos. 
As folhas so pecioladas, invagi- 
nantes na base. 

As flores, hermaphroditas, raras vezes 
unisexuaes, so dispostas em espigas, 
em paniculas ou em sertula. 

O clice que falta no nico gnero 
Liaa, formado de seis sepalos, de 
preflorao imbricada ; as trs mais 
internas so geralmente coloridas e pe- 
taloides- 

Os estames variam em numero de 
seis a trinta, de insero hypogynica. 
As carpellas so reunidas, algumas 
juntamente em cada flor, e se conser- 
vam distinctas, ou se soldam mais ou 
menos entre si. 

O ovrio, que unilocular, contm 
um, dois, ou maior numero d'ovulos 
erectos, pendentes, fixos ao lado in- 
terno, ou espalhados de algum modo 
por toda a face interna do ovrio 

Os fruetos so pequenas capsulas 
geralmente indehiscentes, ou abrindo- 
se por uma sutuia longitudinal e 
inferior. 

As sementes ascendentes ou voltadas 
se compem de um tegumento prprio, 
que cobre immediatamente um grosso 

Iembryo recto ou curvo, em forma de 
ferradura de cavallo. 



HER 



HER 



S31 



Horv tio iii Caelwno. Ver- 
bena liltoralis. Fam. das Verhenaceas . 
E' uma espcie que empregada em 
banhos como excitante, e em cosi- 
mento, internamente, nas affeces ca- 
tarrhaes. 

flerva de parida. Declieuxia 
aristotochia, Mari. Aspenila ajanea^ 
Well. Fam. das Rubiaceas. E' uma 
planta de Minas, onde ella recebe este 
nome. 

Sua raiz acre, e um pouco amarga ; 
emprega-se na suppresso dos lochios. 

Herva de passariiilio. V. E71- 
xerto da fassarinlio. 

Herva le Paulo. Em tupinico 
Caa-inirim vem a ser a Congonlia ver- 
dadeira ou Matie. 

Veja-se os artigos Matte e Congonlua. 

X 

llerva iiipi ou raiz de Guin. 

V. Pin. 

Propriedades medicas. No Rio de 

Janeiro a raiz d'esta planta, pizada e 

em forma de cataplasma , applicada 

com~ proveito contra o enfraquecimento 

dos membros e contra as paralysias. 

llerva iioiiibinlia. PliyUanthis 
niniri, Linn. Fam. das Etifilwrliaceas . 

E' uma lierva que vegeta na Azia, 
Africa, e no Brasil. 

Caule, de meio metro no mximo, mui- 
to fino. 

Folhas ovaes, alternas, mui pequenas. 

Flores amarellas esverdinhadas. 

Fructo com trs lojas, e duas se- 
mentes em cada loja. 

Riiz fusca por fora, esverdinhada por 
dentro. 

Toda a planta diurtica. 

llerva jrei Clmjsocoma repanda 
Vell. Fam. das Compostas. So plan- 
tas quasi sempre trepadeiras. Esta es- 
pcie vegeta no Rio de Janeiro, em- 
pregada em banhos nas erysipelas bran- 
cas, e rheumatismo. 



llerva de rato da ainarella e 
verdadeira. Palicoiirea strepens., 
Mart. Fam. das Rubiaceas. Arbus- 
tinho do paiz, de caules verdes, escu- 
ros. 

Ramos com folhas oppostas, ovaes, 
compridas e duras. 

Flores em cachos, amarellas cr de 
gemma d'ovo ; todo o cacho amarello 
bem como o caule e a flor. 

Esta como um tubo, abrindo em cima 
em lacinias. 

O fructo uma baga reniforme, de- 
primida, preta, do tamanho de 1 e meio 
centimetro, com dois caroos dentro. 

Esta a herva que mata os ratos ; 
dizem que s mata os animaes que 
nascem de olhos fechados, mas j foi 
feita uma experincia em um porco, 
e ede morreu. 

As folhas tem a mesma propriedade 
das flores. 

Ha uma variedade de flor branca, 
outra de flor roxa, e outra de flor quasi 
vermelha ; mas cremos que no encer- 
ram ellas o principio deletrio em to 
forte proporo como a amarella. 
(Fig. 20.) 

Herva de rato tle Goyaz. 

Palicurea noxia., Mart. Fam. Idem., 

Planta semelhante as outras Fali- 
cureas; porm, das quatro espcies que 
so venenosas, s esta pode envenenar 
o homem. 

Ella d uma tinta vermelha. 

llerva aEe rato de Minas. 

Palicurea nicotiatioe folia., Cham. etc. Schle. 

Fam. Idem. Arbustinho que vegeta 
em Minas. 

Tem as folhas oppostas, ovaes, com- 
pridas. 

As flores em cachos, e as fructinhas 
como a das outras. 

Dizem que todas estas espcies de 
plantas (Palicureas) so diurticas, po- 
rm perigosas, em virtude de sua aco 
toxica. 

So consideradas pelos indigenas 
como verdadeiros venenos; empregados 
na medicina veterinria, em cosimento 



S3S 



HER 



HER 



ou em infuso, contra a reteno de 
urina dos cavallos e mnllas. 

Applicam-sc tambm os fructos, pi- 
sados e incorporados banha, para 
matar ratos. Esta espcie encontra-se 
no Rio de Janeiro. 

Ilorva tic vrtfo de S. Piilrt. 

Palicurea Marcgravii, St. Hil. 
Fam. Idem. Arbustinho que nasce 
em S. Paulo e Rio de Janeiro, e por 
este nome conhecido. 

Seus ramos so meio quadrangulares. 

As folhas oppostas, oblongas. 

As flores em cachos, de cr assa- 
froada e vermelha. 

Herva sang:ue. V. Lmgua de 
vacca. 

Hcpva ^aaiita F. Fumo do matto., 
em alguns lugares do Brasil. 

Herva santa. F. Ayapana. 

Ilervrt santa. Bacharis ochnacea.; 
Mart Fam. das Compostas. Planta do 
Rio grande do Sul. 

E' herbcea, de sabor amargo, e 
reputada vulneraria. 

E' empregada nos mesmos casos da 
Carqueja. 



Na sua base o caule prostrado, mas 
depois levanta-se 
E' aromtica e excitante. 

Slcpva de S. lono ifla Itaflta 

Planta de raiz filiforme, de 1 metro 
de comprimento. 

Folhas cordiformes , verde-escuras 
por cima, e claras por baixo ; cobertas 
de pellos por ambos os lados, e com 
aroma. 

A flor azul clara. 

E' usada como excitante. 

Em Pernambuco chama-se Fedegoso. 

llerva le S. Joo cm S. Paulo. 

V. Mentrasto. 

Mer^a de S. Fosto en\ Minas. 

V. o mesmo acima. 

Herva de S. Joo no Par. 

'V. Fedegoso de Pernambuco. 

Herva de S. L,iizia. V. 3Iaria 

Leite. 



Herva cBe iSanta Anna. Kuh- 
nia arguta., Humh. e Bomp Fam. das 
Compostas. Planta natural d'America 
meridional. 

E' muito empregada nas mordeduras 
de cobras. 

Herva de S. Caetano. V. 

Melo de S. Caeteno. 

Herva le Santa Helena. E' 

uma planta, que se applica em banhos 
contra os resfriamentos fconstipao no 
vulgo), como sudorfico. 

Herva de S. Joo. Glccoma 
lkederacea.1 Linn. Fam das Labiadas. 
Planta europa. 



Herva eS Saota Hlaria. Cheno- 
podium amhrosioides. Linn. Fam. dasChe- 
nopodiaceas. Planta originaria do M- 
xico, e que expontaneamente habita 
no Brasil e Portugal. 

Vulgarmente chamam-na Herva for- 
migueira em Lisboa, e nas ilhas dos 
Aores. 

Uzam d'ella nas Alagoas e na Bahia, 
onde chamam Matriiz ou Mentruz. 

No Mxico chamam-na CM do Mxico. 

Suas folhas alternas, um tanto com- 
pridas, agudas, fortemente denteadas. 

Caule de 1 a 2 metros de altura, 
da grossura de uma caneta de es- 
crever. 

Raiz oblonga, amarellada por fora, 
branca por dentro. 

Flor mida, esverdinhada. 

Fructo inteiramente envolto pelo c- 
lice. 

Sementes muito pequenas, cobertas 
de um episperma amarello escuro. 

Propriedades medicas. A planta 



HER 



HER 



233 



toda aromtica, e emprep:ada como 
vermfugo. Internamente d-sc em in- 
fuso, que se prepara com 4 a 8 gram- 
mas da planta em 250 d'ag:ua. 

Hcrva tBe S. Pt'fls*o. Hiptis 
melepoefoUa. Fam. das Labiaas. Esta 
planta cresce no Par, e arcmiitiea. 

Herva lo SaE 05a Aze?ts?sa 
do lPoo. Herva saracura (Rio). 
Begnia acida. Far. das Bcgoniaceas. 
E' uma planta de caule succulento e 
herbceo. 
As folhas alternas ovaes. 
O fructo lima capsula triangular, 
com trs azas, abrindo- se por trs 
fendas, contendo muitas sementes. 

Existem muitas variedades d'esta 
herva, conhecida por Azedinha do Brejo 
ou Herva do Sapo nas provindas do 
sul, e que possuem as mesmas pro- 
priedades. 

O sueco expresso d'esta herva en- 
cerra acido oxalico ; ella porisso 
diluente, e costuma-se empregar nos 
catarrhos vesicaes. 

No uso domestico serve para tirar 
as ndoas de tinta de escrever, das 
roupas. 

Her^^a sepea. Parmellia rocella 
Fam. das Liclienaeeas. E' uma planta 
uzada na ti?turaria. 

Herva sepcfio. Conyza lanugi- 
nca. Fam., das Compostas. Esta ex- 
quisita hervinha tem este nome nas 
Alagoas. 

Ella no passa de 24 a 26 centme- 
tros de altura; de um verde esbran- 
quiado. 

Seus rgos so envolvidos por uma 
espcie de ta branca, que torna pal- 
lida a planta. 

As folhas so alternas e espatuladas. 

As flrinhas so quasi microscopeas. 

Os fructos como pequenas pevides. 

E' applicada internamente contra as 
aphtas das crianas ; tambm usam 
pendura-la no pescoo, para o mes- 
mo m. 



H4?rva os<o. Boerhavia hirsuta., 
Will. Bocrh. pelhula., Linn., Farii. 
das Nyctagaceas. Esta herva, que em 
Pernambuco chamam Brdo de porco., 
encontra-se pelas ruas, muros, cala- 
das e quintaes ; bem prestimosa. 

E' uma herva que parece alastrada 
pelo cho, mas levanta seus ramos, 
que sobem at 72 centmetros. 

Elles so articulados, com folhas 
quasi redondas, um tanto succulentas ; 
so oppostas. 

As flores, dispostas em pequenos ca- 
chos, so rubras e brancas, maneira 
de campainhas. 

Os fructinhos, (que se parecem com 
os da Herva doce), so pequenas bagas 
pyriformes, angulosas, verdes, pegajo- 
sas, do tamanho de 1 centmetro. 

Propriedades medicas. Esta herva, 
alm das virtudes peitoraes que se lhe 
attribuem, ha poucos annos reconhe- 
ceu-se tambm ser contra veneno dag- 
serpentes, comendo-se um ou mais 
dos tubrculos, que se encontram nas 
suas razes. 

E' empregada como diurtica e des- 
obstruente nas molstias do fgado ; 
internamente d-se em cosimento, que 
se prepara com 8 grammas para 375 
d'agua fervendo. 

Serva ts-osfiiJea. (variedade roxa.) 
Datiira fastuosa, MUI. Fam. das 
Solanacaas . TieQVi^iTi em Pernambuco 
por este nome uma flor, que oriunda 
do Egypto, e procedente de uma planta 
herbcea, esgalhada, dd folhas oblon- 
gas, siunosas, manchadas de roxo. 

Suas flores so grandes como trom- 
betas simples ou duplas, e triplas, 
mescladas de roxo e branco, com cheiro, 
para alguns, suave ? 

O fructo semelhante um grande 
maxixe, oval, eriado de aculeos. 

Dentro ha uma polpa aquosa, branca, 
crivada de sementes reniformes. 

Ella venenosa comendo-se o fructo 
ou as folhas. 



II'i*va troB!c4a Iiraifa 

tura arbrea. 

3S 



Da- 



s:4 



IBA 



IBI 



llcrvu venenosa. Echiles vene- 
nosa, Mart. Fam. das Apocynaceas. 
E'. uma herva conhecida no interior 
das provincias por tal nome. 

Ella mata o gado, assim como as 
suas congneres: por exemplo a Cerrera 
Thevetia, Linn., Thevetia Ahovai Will. 

Herva le vidro. V. Lingim 
de sapo. 

Herva le vinlean. Planta do 
Maranho . 

E' de sabor amargo, e applicada como 
tnico contra os catarrhos. 

Hervinlia. RocccUa iinctoria. D. 
C. Fam. das Zzchenaceas, Tambm 
a chamam he'>'vi?iha secca. 



E' uma planta epiphyta que se en- 
contra s vezes nos rochedos. 

So plantas que se compem de caules 
ou filamentos laciniados, de cores 
muitas vezes brilhantes, 

D'ella se prepara a lacca musci, ou 
lacca mucsica : matria corante do com- 
mercio. 



Hiva-liai. Grande arvore, ainda 
no determinada, que cresce nas mar- 
gens do Paran. 

Hnniiri. Humirium florihunum, 
Mart. Fam. das EupTiorhiaceas . E' 
uma arvore do paiz, cuja casca ads- 
tringente. 



lapan, ou Hia|iani. V. Herva 

Santa. 

larivsi. Fam. das Palmeiras. E' 
uma palmeira de S. Paulo, descoberta 
a poucos annos, cujo palmito re- 
mdio i^ara os diabticos. 

lariinii. V. Amhaitinga. 

Iliafiiraba. Myrtxf,s arborescens, 
Britoa trifolia, Marcg. Fam- das Myr- 
taceas. Arvore do Par ; seu porte 
semelhante ao dos Araaseiros. 

As folhas e as flores, fervidas com 
o Camar^ constituem um bom revul- 
sivo applicado em pediluvios. 

O fructo come-se. 

Ihaciirtk fiari, ou Bacopary. 

V. Bacori ou Pacory. 

Ibaiariba. Andira rsea, Mart. 
Fam. das Leguminosas. Arvore do Par 



E' uma espcie de Angelim ; tem as 
mesmas propriedades. 

lia iiurinjrst- Fam. das Rham- 
neas., Marcg. Arvore, cujos fructos 
contm trs amndoas brancas, comes- 
tveis. 

Ililtitansa. V. Pitangueira. 

Ibira. Xylopia frutescens, Aub. 
Fam. das Anonaceas., E' um arbusto 
do aspecto dos Araticuns. 

Seus fructos cheirosos soestomacaes, 
e aperitivos : e , segundo Pison, se appli- 
cam contra as mordeduras de cobras. 

Ibiraeen. Liquiritis silvestris. 
Fam. das Solanaceas. Arbusto, que os 
nossos ndios empregam nos mesmos 
casos que o Alcaus. 

Ibira-obi. E' uma espcie de 
po ferro, Marcg. 



ICO 



IMB 






I1)rapitang;a. Cesalpinia ecliinata, 
Lamk. Fam. das Legxirainosas . E' 
esta arvore o Po Brasil de Pernam- 
buco. V. Peio Brasil. 

Ibirareita. Seguiera americana, 
Linu. e Vell. Seg . floribunda. Cer- 
donia, lldef. Fam. das Phytolaceas. 
E' empregado este arbusto nas molstias 
rbeumaticas, berpeticas (empigensj ete., 
e tambm nas bydropisias. 

A sua cinza e lixvia serve para a 
purificao do assucar, e para o fabrico 
do sabo. 

II>ii'i|)fau^iass. V. Ihirajii- 

tanga . 

Ibirub. V. Pitangueira do mato. 

Ibiriibe. V. Jaracati. 

IbixuBiia. V. Mutamho segundo 
Pson. 

Ieca-Iie|>ta|iliilla. Auhl. 

Iciea guyaiieMsis. Idem. 

Icica altissinia. Idem. 

Icieariba. Icica icicariha., D. C 
Amyris amhrosiaca, Linn. Fam. Te- 
relintiaceas Arvore do Paiz. 

Em lingua tupinica Almecegueiro., 
TJMrasiqv, e Icicariba., e emguarany Teij. 

No Alto Amazonas tambm cbamam- 
na Resina Icica. 

Escorre d'esta arvore o Elemi Occi- 
dental, que, entre as resinas do Brasil, 
leva a palma s outras. 

Icip. Tetracera oblongata., Marcg. 
Fam. das Dilleniaceas . E' planta 
congnere do Cip mulatinho de Per- 
nambuco. 



Ic OH Iiiej. Colicodendron Ic 
Fam. das Cap])aridaceas . Fructa 
agreste das catingas, conhecida no 
centro de Pernambuco, Minas Geraes 
e Bahia, por este nome. 



Nasce em lugares baixos. 
E' produzida por um arbusto de pouca 
elevao, mas que esgalha muito, e 
forma touceiras. 

Tem a casca escura, e as folhas com- 
pridas e estreitas. 

As flores so brancas, de tamanho 
regular, e aromticas. 

O fructo, de 2i a 30 centmetros, 
de forma oval, comprido, rolio, pon- 
tudo, e de cr verde mesmo na ma- 
turidade. 

O pericarpo grosso, lenhoso, lus- 
troso, e amarello por dentro ; contm 
uma massa amarella molle, polposa, 
com 4 a 6 caroos, ligados uns aos 
outros longitudinalmente , e envoltos 
na polpa : abre-se em duas conchas. 
As sementes so amarelladas, oblon- 
gas e comprimidas, de mais de 3 cen- 
tmetros. 

As folhas do Ic produzem , nos ca- 
vallos e mulas, clicas, retenes de 
ourina, tympanites, e at inflammaes 
dos intestinos e dos rins, que accar- 
retam a morte d'esses animaes. 

J se tem empregado, contra o en- 
venenamento por estas sementes, o sal 
de cozinha com leo de ricino. 

Os tropeiros costumam dar aos ani- 
maes n'estes casos poro grande de 
milho, para neutralizar a aco do ve- 
neno. 



Ijfliueaini. Nome de ura vege- 
tal ainda no classificado, cujo fructo, 
semelhante ao marmello, um ptimo 
remdio contra as dysenterias. 



Iibaniit%i*a. 

Vell.) 



V. Imhuseiro (de 



Iittb. V. Ci]) de Imh. 

Iiiftb ( de amarrar) Aruntisun. Fam 
das Araceas. Esta espcie seme- 
lhante seguinte, porm seu caule 
no leitoso, e o fructo no se come, 
porque no adquire o desenvolvimento 
da segunda. 

As vergonteas tm o mesmo uso dos 
cips em geral. 



IMB 



IMB 



Iinli c ronnT oii fiViict le 
IiiiSit'. Arnm echde. Fam. idem. 
Planta indiprcna, qiio cresce uns 
mattas de Alagoas c de Pernambuco, 
semelhante ao Imh bravo. 

E' trepadeira, leitosa, e parasita. 

Apresenta seus caules entranhados 
sobre o vegetal onde cresce ; elles so 
escamosos. 

As folhas grandes, tendo mais de 4 
centimetros, cordiformes, oblongas, lisas 
e coriaceas 

As flores nascem nas axillas das 
folhas, sobre pednculos mais ou menos 
longos 

O fructo de 12 a 15 centimetros, c- 
nico e encerrando uma reunio de gro- 
zinhos redondos, amarellos, e adhe- 
rentes entre si, envoltos em uma subs- 
tancia, que no deixa que elles se des- 
prendo ; so todos inseridos em um eixo 
commum. 

Esse receptculo, que forma o eixo 
da fructa, cylindrico, de natureza 
frouxa e de cr branca ; muito boa de 
comer-se; a calda parece um xarope, 
quando concontrada pelo calor. 

Fazem cestas dos caules. 

Propriedades medicas. As raizes 
so drsticas, e aconselhadas contra as 
hydropisias, na dose de 25 centigram- 
mas a 1 gramma. 

lEtil!firti. V. Pindaliiha. 

IinHiiri. Camia mifftisdfoUa, Will. 
Canna glauca., Linn. Fam ias Amoma- 
ceas. Esta planta, que se diz originaria 
dos Estados-Unidos, parece tambm 
sel-o do Amazonas. 

E uma herva de caule delgado. 

Folhas estreitas. 

As flores, com duas cores, so ver- 
melhas em parte, e em parte amarel- 
ladas. 

Esta planta semelhante ao nosso 
Pirithi ou Piriquiti. 

Seus fructos so capsulas trigo nas, 
speras, de protuberncias no pericar- 
po ; e cheios de sementes redondas, 
pardas, com a figura de contas de rozario. 



Esta espcie cremos sr conhecida 
no Rio de .Janeiro por este nome de 
Imhcri., do qual fez acquisio a Ho- 
mneopathia. 

Imhiri ou Hcrva dos feridos., ou Al- 
hara parecc-nos ser a mesma planta. 

O parenchyma amylaceo da raiz de 
todas estas espcies tem partes ethero- 
anilaceas e resinosas. 

Propriedades medicas. O cosimcnto 
das raizes, frescas e contundidas, usa- 
das em banhos, augmentam a diurese 
e a diaphorese. 

Applicam-se contra as dores rheu- 
maticas, e o torpor dos membros. 

Diz-se que o mesmo sueco util 
contra o mercurialismo, e contra as 
dores de ouvido. 

leti^irteiiifs. Bomlax Tiexapliylhim.i 
Vell. Fam. das Bomhaceas E' uma 
arvore do Rio de Janeiro; espcie de 
Barriguda de Pernambuco. 

IiBibatBeB. E' um fructo do Rio 
de Janeiro, agreste, proveniente de uma 
arvore (Imbuinseiro). 

Este fructo de 3 centimetros mais 
ou menos de dimetro, redondo. 

O pericarpo membranoso, fino e roxo, 
com polpa cartilaginosa; cremos que 
com um caroo dentro. 

Serve de alimento aos pssaros. 

losib. Amb, Umhu, Umh. 

Spondias tuherosa Fam. das Tere- 
hinthaceas, O Imh o fructo do 
Imbuzeiro, arvore indigena, e habi- 
tante exclusiva dos sertes ; co- 
nhecida em quasi todo o Imprio. 

E' uma arvore propriamente dita. 

Suas raizes so tuberosas. 

As folhas dispostas em palmas. 

Flores midas, em cachos. 

O fructo do tamanho de 12 a 15 
centimetros, redondo, oblongo, tendo 
na base trs a quatro aculeos molles ; 
amarellado quando maduro. 

Seu pericarpo membranoso ; por den- 
tro ha uma massa branca esverdi- 
nhada e aquosa ; e um caroo grande 
no centro, com os mesmos aculeos. 



IMY 



ING 



5537 



Chupa-se esta massa, que faz passar 
a fructa por uma das melhores do 
serto. 

sueco do frueto espremido, e mis- 
turado com assucar e leite (imbuzada), 
constitua as sobremesas nos sertes 
da Bahia e mais provindas. 

As batatas, que do nas raizes, em 
tempo de carestia e fome nos sertes 
do Norte, o povo as procura e come ; 
ellas so acidas, assim como a fructa. 

Tambm se applica este sueco nas 
febres. 

EUa serve de alimentao a certos 
animaes, e principalmente aos reptis. 

1 iitli . V . Imhiseiro . 

Inili. Caj. Spondias. Fam. 
Idem. E' um Imbuseiro semelhante 
ao outro, mas a fructa como Caj 
de cr desbotada, e o gosto differente 
do do outro Imb: tem mais travo. 

IiBtlturana. Bussera lepopMocos . 
Fam. Idem. E' uma arvore do 
Brasil, e mesmo de quasi toda a Ame- 
rica Meridional, conhecida por tal nome 
na Bahia, em Minas, etc. 

Fornece, por incises, um blsamo 
verde alourado, parecido com a Tere- 
ew/'a, que preenche os mesmos fins. 

Tambm ha nos sertes de Pernam- 
buco, Parahyba, Cear, etc. 

Inilitiri oti Coti<ii'a*o. Cocos 
caudensis. Fam. das Palmeiras. Os 
fructos so comestveis. 

Iiiihiisciro ou Aciij-a. Spondias 
venulosa Ar7\ Cam. Spondias myrobo- 
lanus., Jacq. Spondias purprea, Linn. 
E' uma arvore do Brasil, que vegeta 
no Amazonas. 

Seu frueto vermelho, conhecido 
n'aquella regio por Momhin e por 
Ameixa d' Espanha. 

E' semelhante ao Caj. 

l3aByE>a9|iiiy!ia3a oa Ki^iija. 

Isto Po de Cxpsico, oit, Pimenteira 
Em lingua tupinica no Par e no Rio 



Negro Po de rosa., em Cayenna Lecari- 
kanali., em linga caraiba Craveiro da 
terra. 

laiu,v<'i-;;iaiiii iba. F. o Coco da 
ndia. Este name nos parece dos in- 
dgenas ou da ndia. 

Ii3daij-a^.'9tli . Attalea compta, Mart 

Fam das Palmeiras. E' uma bella 
arvore, a qual fornece uma gomma 
(bassorina), e pode como tal ser apro- 
veitada para dierentes fins. 

laialaja >ii cotitieiro Iiaiiaj-<t. 

Attalea compta, enfeitada Fam. idem. 
E' uma palmeira da America Meridi- 
onal, que recebeu de Hiimb e Bomp., o 
nome genrico de Attalea, vulgarment- 

Piiidova ou Pindoha. 

Is8s2,'|eBiIencia. Fam. das Eu~ 
pJiorbiaceas. E' um arbu.sto de % a l 
metro ; cultiva-se em todos os jardins 
do Imprio do Brasil. 

Suas folhas so lanceoladas, de cr 
verde e amarella, ponctuadas e lus- 
trosas. 

Ellas serviram de symbolo na epocha 
da nossa independncia, e ainda hoje 
a sua presena uma lembrana d'esse 
facto em todas as festas nacionaes ; 
por isto todos a cultivam. ' 

In&ij,o fSo Brasil. Solanum 
indigoferum., St. Hil. Fam. das So- 
lanaceas. V. Anileira. 

ln'^-A das a2*eia. E' uma es- 
pcie, que vegeta sobre os terrenos 
arenosos. 

A vagem menor ; a cr verde mais 
pallida. 

Iis^ bravo, oti Caii|&-aI32a eii- 
Gitusa. Fam. das Leguminosas . Ar- 
vore agreste, conhecida nas Alagoas e 
em Pernambuco por este nome. 

So frequentes as arvores d'este g- 
nero nas margens dos rios. 

Esta uma arvore esgalhada, fazen- 
do muitas bifurcaes. 



S38 



ING 



ING 



Suas folhas oppostas sao nnp:uloRas. 

As flores, reunidas em grande numero 
pelos ramos, so como tubosinlios, dos 
quaes sae um feixe de delgados fila- 
mentos, cr de purpura, que parecem 
uma coma ou borla. 

O fructo uma vagem, de quasi 24 
centmetros de comprimento e 5 de 
largura, chata, liza, esverdinhada ; den- 
tro existe uma substancia branca e 
secca. 

As sementes chatas se acham envol- 
tas n'esta substancia, que no presta 
para comer-se. 

A razo por que esta planta se chama 
Canffalha porque costumam aproveitar 
a sua madeira para fazerem cangalhas, 
em razo de oflferecer ella os seus ramos 
naturalmente em forma de ganchos. 

Propriedades medicas. L"tilisam-se 
as cascas d'essa planta nos cazos que 
reclamam uso de tnicos e de astrin- 
gentes, para combater as diarrhas, 
gonorrheas, hemoptises, relachamento 
geral nos tecidos, etc. 

Seu p preconisado como antisep- 
tico. 

Usa-se tambm em xarope, tomado as 
colheres, nos mesmos casos. 

Ing: cabelliitlo. Mimosa. 
Fam. Idem. E' uma arvore pouco 
mais ou menos como a que fica des- 
cripta ; chamam assim em Pernambuco 
esta espcie. 

Tambm cultivam-a, mas no muito 
commum. 

D uma baga quadrangular, acha- 
tada e estreita, coberta na superficie 
de pellos macios, luzidos e erverdi- 
nhados, de 12 centmetros de compri- 
mento. 

Offerece dentro a mesma estructura 
da outra espcie^; mas no tem secca 
a massa; que doce e agradvel. 

Ing: eaixo. Mimosa Fam. 
xdem. Esta espcie chamada assim 
em Pernambuco. 

Seu fructo tem 24 centmetros. 

E' espesso, de cr verde canna avel- 



ludado, com pellos macios ; por dentro 
branca, com uns caroos semelhantes aos 
das outras espcies, cobertos tambm de 
uma substancia comestvel ; cada caroo 
est em uma loja. 
A vagem um tanto curva. 

Iiijl^ eaiij^allBa. F. Ing bravo. 

Iiiju: vipw. Mimosa. Fam. idem. 
Esta espcie tambm recebe este 
nome no Par, e em Pernambuco. 

Ella frequente nas margens dos 
rios. 

Seu fructo chega a ter at 36 centme- 
tros de comprimento, no Par ainda 
mais, e menos de 3 centmetros de 
largura. 

Apresenta sulcos e resaltos ao longo 
do pericarpo. 

Este de cr verde pallida, mem- 
branoso, porm tenaz, coberto de la- 
nugem . 

Contm no seu interior muitos caro- 
os, envoltos em uma substancia es- 
ponjosa, branca, semelhana de algo- 
do, escorregadia, porm hmida, doce 
e agradvel . 

Os caroos, quando ns, so erver- 
dinhados. 

As folhas d'esta arvore so dispostas 
em um peciolo, por pares, com as es- 
panses aladas. 

Ing: cortli$ati|iu1a. Mimosa 
plana. Fam. idem. Este dos ter- 
renos Amazonicos ; tem os fructos em 
forma de corao. 

I^ lce. hig dulcls. Fam. 
idem. Tambm se chama hig opeapiiha, 

Vi\'^\ fava ou taboa. Mimosa 
Fam. idem. Parece geral em todo o 
Brasil este hig., conhecido em Per- 
nambuco por este nome. 

O comprimento do fructo de 24 
centmetros, e de 5 centmetros a gros- 
sura. 

Tem a forma de vagem chata, de cr 
parda, coberta de um pello muito curto, 
que cahe. 

O pericarpo grosso, esbranquiado. 



INH 



INH 



S39 



Dentro dividido por lojas membra- 
nosas, transversaes, contendo em cada 
diviso um caroo, coberto de massa, 
como na precedente. 

Iii^:a-li. Mimosa. Fam. Idem. 
Esta espcie tem este nome tambm 
na Bahia, Alagoas e Pernambuco. 

O fructo de a 9 centmetros de 
comprimento , cylindrico, oferecendo 
constrices de dist-mcia em distancia ; 
achatado irregularmente, de cr ama- 
rella-esverdinhada, superfcie lisa sem 
brilho. 

Periearpo grosso internamente como 
dos precedentes. 

E' agradvel o seu sabor. 

I;- mimoso. Ing tetraphjlla . 
Fam. idem. O fructo bom, porm 
melhor o do Ing cabelhido. 

lii|Si% o|eo|iiIa. Ing diUcis^ 
Will. Fam. idem. O mesmo que os 
precedentes. 

Seus fructos so comestveis. 

Ing: de niatro folftas. Mi- 
mosa tetrapliylla. E' o Ing-M de Per- 
nambuco e Alagoas. 

Elle de sabor agradvel. 

In^ do rio. Mimosa. Fom. 
idem. E' conhecido em Pernambuco 
por tal. 

Seu nome indica sua condio de 
existncia, por ser prpria das bordas 
dos rios, riachos, etc. 

E' semelhante ao Ing-M., e difere por 
ter vagem menor, e a parte comest- 
vel mais desenvolvida. 

Iiil^ de Suia. V. Ing do rio. 

Iiiliame oii Iiiliame daeosta 
ou de S. Tliom. Dioscorca saliva., 
Linn. Fam. das Dioscoraceas. O Inhame 
uma tubera natural d'Africa, conhe- 
cida no Brasil, mormente em Pernam- 
buco, por Inhame da costa ; na Bahia, de 
S. Thom., para distinguir da espcie 
da terra, isto , natural do paiz ; ver- j 



dade que esta no tem o sabor e 
mais propriedades d'aquelle. 

E' uma herva trepadeira, de vergon- 
tea fina. 

Folhas alternas, lustrosas, e cordi- 
formes , oblongas , de cr verde e 
amarella. 

As flores so mui pequenas. 

Os fructos insiguiflcantes. 

O seu merecimento est na tubera 
que se encontra, pelo que tem recebido 
uma cultura mui cuidadosa. 

E' uma batata, que chega s vezes 
mais de 48 centmetros de dimetro ; 
coberta de uma casca delgada, la- 
minosa, de cr parda clara, crivada 
de poros na parte inferior, e pelos 
seus contornos, lana raigotas delga- 
das. 

Dentro acha-se uma substancia com- 
pacta, hmida, macia, de uma textura 
pulverulenta, doce, succulenta e um 
tanto resinosa. 

Come-se cosinhada, e constituo um 
alimento sadio, saboroso, nutriente e 
de fcil digesto; d'ella se fazem podins, 
bollos, etc. 

Da tubera extrahe-se uma fcula, 
que serve de nutrio ao povo. 

Nas Alagoas chamam hihame de S. 
Thom., Car. 

Tem o peso de 2 a 3 kilogrammos. 

(Fig. 21.) 

Iiiliaiite bravo. Dioscorea Fam 
idem. E' uma planta trepadeira, co- 
nhecida por este nome nas Alagoas ; 
tem as folhas redondas. 

A batata tem a massa branca. 

Depois que deita vergonteas e folhas, 
a tubera torna-se amarga. 

Iiiliame cigarra. Dioscorea. 
Fam. idem. Por tal nome nas Alagoas 
conhecida uma planta selvtica, de 
caule com espinhos, e folhas ovaes. 

A tubera tem a massa branca, e a 
pellicula da mesma cr. 

Iiiltame iiiailioca. Dioscorea. 
Fam. idem. Trepadeira conhecida 
por este nome nas Alagoas. 



S40 



IPE 



IPE 



Tem as folhas pequenas ; a massa 
da tubera branca, e a casca es- 
branquiada. 

Tambm natural do paiz. 

Iialnuiate iBusialttk. Dioscorea. 
Fam. idem. Herva conhecida nas 
Alagoas por este nome ; e em Pernam- 
buco simplesmente por Namh. 

E' uma trepadeira, de folhas com trs 
divises, cuja tubera de cr acinzen- 
tada, aroixeada, de casca ina, massa 
branca, semi-transparente, doce e mais 
alva de todas. 

Isiliiaciiie 1'oiK.o. Dioscorea. 
Fam. idem. E' portal nome conhe- 
cido nas Alagoas esta tubera, de uma 
trepadeira, de folhas trilobadas e re- 
sistentes. 

EUa roixa por fora e por dentro. 

Iii]!ia|ccin^a. V. Japecanga. 

Ia)iiiiiii$oJit,oii Sii%'&a. dia praiiu. 

Guilandina bonduc, Ait. Fam. das Le- 
guminosas. Esta planta sem duvida 
a Carnicula de Pernambuco. ^ . Car- 
nictila. 

A raiz d'esta planta contem na en- 
trecasca uma resina amarga, unida ao 
stryphno. 

Em doses grandes produz vmitos; 
o p da semente confortativo. 

I|, Tecoma Ip. Fam. das Bi- 
gnoneaceas . O Ip no Rio Grande do 
Sul o nosso Po d'arco de Pernam- 
buco. 



Propuiedades medicas. Elle ads- 
tringente ; da-se o cosimento da casca, 
que tem muita mucilagem, em gar- 
garejos, para as ulceras syphiliticas 
da garganta ; tambm applica-se con- 
tra as empigens em fomentao ; pode- 
se uzar para estes fins das folhas, 
porm so de menos efficacia. 

Passa por til na ophtalmia blen- 
norrhagica ; unta-se o sueco, recente- 
mente expresso, nas plpebras no caso 
de certas affecces. 



63o >iiii!l. Palagonula vulnera?-ia. 
Fam. das Borragineas. As folhas desta 
arvore so apreciadas pelos habitantes 
das regies centraes, principalmente 
por serem reputadas efficazes contra 
os bubes syphiliticos. 

Tecoma impetigiuosa. Fam. idem. 
E' do Piauhy esta planta ; contm na 
casca tambm um principio amargo 
mucilaginoso, adstringente. 

Propriedades medicas. Uza-se o 
seu cosimento em banhos contra as 
empingens, inflammaes arthriticas, 
acompanhadas de debilidade, leucor- 
rha, e catarrhos da uretra. 

Ij I j6i>sa ia . Piuca. Tecoma spe- 
ciosa. P. Bigmiiia lougiflora., Vell. 
A entrecasca d'esta arvore amarga e 
acre. 

Propriedades medicas. Em infu- 
so e cosimento, receita-se como diu- 
rtico e catarthico , na dose de 4 
grammas. 

\p i|i*lo Silj roixo. Te- 
coma curialis. Fam. das Bignoniaceas. 
Arvore de grande elevao, elegante e 
vistosa pela ramificao de seus galhos. 

A madeira escurece consideravel- 
mente com o tempo. 

As folhas o de um verde esbran- 
quiado, e a casca um pouco falhada. 

A madeira dura muito em esteios, 
e muito procurada para construco 
civil e naval. 



Sp iti4fii(r. Tecoma sp. Fam. 
idem. Arvore das provindas do Sul 
das mais importantes, assim chamada 
pelo p, cr de rap, que d, quando 
serrado . 

E' de pouca elevao, de grande 
ramagem formando uma copa vistosa. 

No inverno despe-se completamente 
das suas folhas ; estas so digitadas , 
e destitudas de estipulas. 



IPE 



IPE 



S41 



Os foliolos so pouco mais ou menos 
em numero de cinco e desiguaes, mem- 
branosos, pela maior parte obovaes ; 
agudos no pice, e redondos na base, 
onde o dimetro de cada folioio pe- 
quenssimo. 

As folhas avelludadas, de um verde 
escuro, xDenni-nervias. 

A casca um pouco falhada. 

A madeira escurece consideravelmen- 
te com o tempo, e empregada com 
grande vantagem nas construces civis 
e navaes. 

Propiiedades medicas. O cosimento 
das cascas applicado contra as an- 
ginas, dartros, e algumas molstias dos 
olhos , o seu sueco applica-se contra a 
paralysia das plpebras. 

Ilpeci%;iii%aa2st& Sii^hsbc 03S cio 
csaspt. Solea campestres. Fam. 
idem. Esta espcie de Ipecacuanha 
acha-se pelo matto, mesmo borda 
dos caminhos, e em todos os lugares 
incultos. 

E' uma herva um tanto pelluda, de 24 
centmetros ou pouco mais de altura. 

Folhas lanceoladas e denteadas, al- 
ternadamente dispostas. 

As flores so brancas, e nas axillas 
das folhas ; ellas trazem uma membrana 
pendente, que parece uma bandeirola. 

A fructa uma capsula trigona, 
foliacea, contendo muitas sementes. 

A raiz, da grossura de uma penna de 
escrever, ora cylindroide, ora pouco 
irregular, e sinuosa, ofiferecendo marcas 
annulares ; raizes mais espessas que 
as da Ipecacuanha iweta, e annelladas. 

Sua cr exterior parda suja, mas 
pouco intensa. 

O interior quasi branco, com- 
posto igualmente de um eixo ligneo, 
e de uma parte cortical mui pouco 
resinosa. 

Esta raiz um pouco enjoativa, 
de cheiro quasi nullo ; amylacea. 

Propriedades medicas. E' purga- 
tiva e depurativa, usada sobre tudo 
nos casos de menstruaes difficeis. 



Na dose de 8 grammas para 375 
grammas d'agua fervendo, se prepara 
sua infuso. 

E' vomitiva n'esta dose, e d-se 
nos casos de dysenterias, no serto 
das Alagoas. 

I^seenramaaSaa li s* n aa e i da 

j**4. \iola littoralis. Fam. das 
Violceas Esta espcie muito espa- 
lhada nas costas e lugares arenosos do 
Brasil. 

E' de menos de 12 centmetros de al- 
tura. 

Suas folhas so ovaes, e desbotadas. 

A horva pillosa. 

As flores so brancas, com manchas, 
estendendo uma lamina, que se entorta 
revirando. 

O fructo uma capsula que contm, 
muitas sementes pretas, inseridas nas 
paredes internas do fructo. 

A raiz, da grossura pouco mais ou 
menos de uma penna de escrever, e 
um pouco tortuosa, mui ligeiramente 
estriada ou enrugada, por efteito da 
secca, de cr branca suja no exterior, 
oflerecendo sobretudo nas extremidades 
grande numero de fibras assaz grossas. 

Foi esta espcie que mencionou Pison 
sob o nome de Ipecacuanha branca^ e que 
o povo chama Poaia hranca. 

Propriedade medicas. A medicina 
popular encara esta raiz como o melhor 
remdio que se pde applicar dysen- 
teria ; nos ataques epilpticos, nos ca- 
tarrhos da bexiga, e nos casos de dia- 
betes tem-se dito que vantajosa : 

Em infuso na dose de 8 grammas 
para 3D5 grammas d'agua fervendo, que 
se toma trs vezes no dia. 



edtCjiiaBBfiaa ^reta ou Po- 
ayst. Ceph(lis Ipecacuanha., Rich. 
Fam^ das Rubiaceas. E' um arbusto 
que vegeta nas mattas, principalmente 
nas provncias de Matto Grosso, Ama- 
zonas e Goyaz. 

Tem 86 centmetros de elevao. 

Folhas oppostas, ovaes, ou lanceo- 
ladas, e verdes. 

33 






JAB 



JAB 



As flores so brancas. 

O fructo ovide, aiinegrado. 

A raiz fibrosa, flewiosa, offereceudo 
depresses circulares muito approxi- 
madas. 

A plauta habita sombra dos 
grandes arvoredos, e nos lugares vi- 
zinhos dos pntanos. 

A raiz de 24 centi metros de com- 
primento pouco mais ou menos, re- 
torcida, tendo a grossura de uma 
pequena penna de gano, simples ou 
ramosa, formada de uma serie de pe- 
quenos anneis salientes, separados por 
fendas circulares, externamente cinzen- 
ta escura, cheiro fraco, mas desagra- 
dvel, sabor amargo e nauseabundo. 

E' formada de uma parte cor- 
tical, cuja fractura esbranquiada 
ou cinzenta, resinosa ; e de uma parte 
mediana, fibrosa, amarellada. Do Brasil 
exportam-se para Europa centenares de 
kilogrammas annualmente ; e l se 
vende por preos elevados. 

Propriedades medicas. Vomitiva, 
tnica e expectorante em pequena dose 
uzado com vantagem nas dysen- 
terias, febres de mau caracter, gar- 
rotilho. coqueluche, e bronchite. 

E' um dos medicamentos mais re- 
comendveis da therapeutica brasileira. 

Internamente como vomitrio, 1 
gramma 2, em 183 Q'agua fervendo. 
( para infuso ) ( Fig. 22. ) 



IttPIIVA. V. 

folhas. 



Ip c Piuva^ cinco 



I|ia'i-1itata Ic g>iii*^n oii Ja-. 
Iu|9a. Piptoslegia Pisouis. Em S. 
Paulo e em Minas chamam-n'a Purga 
de Amaro Leite. 



IriiciirasBa. V. 

Ayri. 



Coqueiro Iry ou 



Ttanlta ilo PavB. Madeira de 
construco naval, cuja venda ou corte 
prohibida pelo governo. 

Arvore do Paiz. 



li. 



V. Po Ferro. 



IvastuB^. Icainffi ou Aoia ca- 
vallos branco., Luliea divaricata.^ St. 
Hil e Mart. e zuce Favii. das Telia- 
cea^. E' uma arvore de Minas Geraes 
frondosa, de altura mediana. 

Folhas ovaes. 

Flores em cachos, e brancas. 

Fructo em estado rudimentario, 
longo, ovide, com muitas lojas. 

Floresce em Janeiro. 



ob- 



va-MEBaf5s, Marcg. E' um ve- 
getal, comestvel. 

Ssus fructos contem uma amndoa, 
semelhana da amndoa doce. 



J. 



J[al>oc*aa&ili s*avo. Piper jaho- 
randi, Well. Ottonia. Piper etectri- 
cum. Fam. das Piperaceas. Esta 
planta conhecida nas Alagoas por 
tal nome. 

E' um arbusto de 14 a 1 metro, ha- 
bitante das mattas. 

Seu caule verde, apresentando ns* 



ovaes, escuras , e op- 



As folhas 
postas. 

As flores nuas, muito pequenas, e 
verdes, so em pequenas espigas, do 
comprimento de 3 centmetros, e acham- 
se reunidas em grande numero, umas de 
um sexo e outras de outro. 

Pela vista mal se distinguem as 



JAB 



JAB 



243 



flores , mas apenas uma supericie 
spera. 

O friicto redondo, e em tudo se- 
melhante ao de sua congnere, dife- 
rindo pela organisao. 

Esta planta possue a propriedade de 
produzir tremor na lingua, quando so- 
bre ella se colloca o caule contuso do 
Jaborandi, 

Propriedades medicas. E' um dos 
maiores aplirodisiacos, e um sudoriieo 
dos mais enrgicos. 

A tintura estimulante, e emprega-se 
em frices sobre os membros para- 
lysados. 

E' poderoso anti-odontalgico. 

faboraiBiIi sitaiiso. Oltonia, ani- 
suu^ Spl. Ottonia jahorandi. Fam idem. 
E' uma planta de folhas alternas, 
oblongas, lanceoladas. 

As flores em espiga, como as da 
precedente. 

O fructo uma nosinha quadran- 
gular. 

Esta planta exhala cheiro de Aniz. 

Propriedades medicas. A tintura 
estimulante, uzada em frices sobre 
as dores rheumaticas, e os membros 
paralysados. 

9a1>oritn(!i, cio Parw. F. Al- 
favaca de cobra. 

cfaSiot. Anisosperma passiflora., 
Mans.FeviUea fassiflora., Vell.Fam. 
das Nhandiroheas oic Cucurbitaceas . 
As sementes d'esta planta, ou castanha 
de Jabot^ d um leo graxo amargoso, 
resinoso, tido como estomachico. 

A dose 3 ou 4 sementes. 

Ha ainda a espcie Feuill. monos- 
ferma., Vell. 

Esta espcie parece a Nhandiroba ou 
Gendiroba de Pernambuco. 

Esta planta conhecida no Rio de 
Janeiro, e em Minas Geraes pel o mesmo 
nome ; e no a Fava de S. Iguacio 
Jgnatia araara., mas uma espcie per- 
tencente outra familia de plantas. 



As sementes de Jabot do bugre 
Fava de S. Ignacio, contm um leo 
amargo, e uma matria suave e resi- 
nosa, que se reputa como o mais po- 
deroso dos antdotos, e tambm esto- 
machico. 

Propriedades medicas. Administra- 
se na dose de 4 a 8 grammas contra as 
indigestes e as flatulncias, constipa- 
es do ventre, e espasmos intestinaes. 

E' purgativa em dose maior. 

A outra planta do mesmo gnero, 
Feuilla monospermica., tem os mesmos 
uzos. 

Jal}otaiit. Ochna jabotapit, Vell 

Fam. das Ochnaceas. Arvore do 
Brasil, cujo porte tem muita analogia 
com a Cerejeira da Europa. 

Suas folhas, alternadas, inteiras, e 
s vezes denteadas, so muito incons- 
tantes, porque cahem muito. 

As folhas em cachos, sobre os ramos 
do anno antecedente. 

Os fructos compe-se de diversas 
carpellas. 

fialsotafii cEe Mina^. Gora- 
phia hexasperma, Si. Hil, Fam. idem. 

Esta tambm parecida com o 
Batiput de Pernambuco. 

Emprega-se o cosimento de sua casca 
no curativo de picadas de insectos. 

FabotieaSia de caEiiiiiKa. 

Mgr tus jaboticaha. Mgrt. canlijlora , 
Mart. Engenia caidiflora, D. C- Fam. 
das Mgrtaceas. Esta fructinha de 
uma bella arvore do Brasil que nasce 
nos bosques ; muito conhecida no 
Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, 
Bahia e Rio Grande do Norte. 

E' um arbusto, s vezes arvore, de 
casca cor de castanha e lisa. 

Suas folhas so oppostas. 

As flores so brancas e cheirosas, e 
nascem do tronco e ramos, em feixes. 

O fructo de 2 a 3 centmetros, 
redondo, de cr roxa escura, e averme- 
lhada, tendo na parte superior vest- 
gios da flor. 



S41 



JAB 



JAC 



;"'. Seu periearpo fino, coriaceo ; e 
doutro encerra uma massa aquosa, 
branca acinsentada, do sabor doce e 
acidulo, mui agradvel, com dois caro- 
os, de 3 centiinetros, alvadios, acha- 
tados. 

Este fructo s se come no mesmo 
dia, em que se colhe, porque corrom- 
pe-se muito facilmente. 

Propriedades medicas. A entre- 
casca em cosimento, applicada inter- 
namente, ba para asthma. 

Na dose de 8 gramraas para 500 gram- 
mas d' agua fervendo, prepara-se a in- 
fuso. 

JiSjoieisSji dia sBaiaa. Eugenia 
Fam. idem. E uma jaboticabeira 
arbrea, que tem os fructos como os 
da campina. 

Tem dimenses arbreas. 

A casca lisa, de cr castanha. 

As folhas so midas, oppostas, ovaes 
oblongas. 

As flores so brancas, iguaes supra- 
dita. ' 

O fructo, o mesmo ; desenvolve-se por 
todo tronco at o cimo da arvore. 

Seu sabor semelhante ao da outra. 

luiSu. Eugenia tomentosa. Fam. 
idem. Esta outra espcie, rara, nunca 
apparece no mercado, e passa pela me- 
lhor das jaboticabas. 

Ella parece ser especialmente natu- 
ral de Pernambuco. 

E' semelhante a arbrea, porm a 
fructa coberta de pellos macios. 

No sabor a melhor das trs espcies. 



de campina. 



V. Jaboticaba 



tIttSiotiBuatn. DelUlea grandiflora. 
Fam. das Leguminosas. E' esta 
planta do Norte. 

Propriedades medicas. Suas folhas 
em cosimento so de proveito nas 
queimaduras. 



A planta adstringente. 

9$';. Artocarpus inegrifoUa., Linn 
Silodium cauliflorum., Gcertn. Fain. 
das Urticaceas. Fructo proveniente de 
uma arvore originaria das ndias 
Orientaes. 

Cultiva-se cm diversos lugares do 
globo. 

E' uma arvore elevada e copada, 
cujo tronco tem a casca grossa e 
fendida ; transuda um sueco leitoso, 
viscoso. 

As folhas so ovaes de 12 cent- 
metros e mais, grossas, duras de um 
verde-negro lustroso. 

As flores so nascidas directamente 
do tronco e ramos, e de dois sexos. 

As masculinas estam em um eixo 
commum, maneira de uma pequena 
espiga, em forma de massa ; as fmeas 
em outro eixo cobertas de protube- 
rncias, que crescem e desenvolvem 
um fructo (a Jaca), tendo de extenso 
mais de 48 centmetros, ovide ou 
redondo. 

Sua suqerficie composta de sali- 
ncias cnicas, de cr verde-amarel- 
lada; interiormente compe-se de um 
corpo filamentoso, amarellado, viscoso, 
molle, que se divide em conparti- 
mentos, em cada um dos quaes aloja- 
se uma baga de 6 centmetros, de 
natureza gelatinosa, viscosa, e de sa- 
bor doce e agradvel ; tendo no 
centro um caroo, que oval, alvacento. 

Come-se a massa, assim como o 
caroo assado ; uzani at d'elle como 
feijo ; mas presta-se a outras diversas 
applicaes. 

O seu sueco leitoso serve para luz, 
e muito viscoso. 

A madeira emprega-se nas cons- 
truces navaes e eiveis. 

Na provncia das Alagoas, princi- 
palmente na antiga Capital, cidades 
das Alagoas, com tal profuso existe 
esta fructa, que at da-se ao gado, e 
compra-se cada uma por dois vintns. 

Conhece -se entre ns trs variedades : 
a Jaca dura, a Jaca molle, e a Jaca 
manteiga. , 



JAC 



JAC 






A primeira tem maior acceitao; 
a p-pg-unda couta tambm alp-uns apai- 
xonados; a terceira rivaliza com a 
primeira, porm passa por mais in- 
digesta. 

Uma excellentc propriedade tem-se 
ultimamente reconhecido n'ella, que 
combater a tosse, de qualquer na- 
tureza, e mesmo dissipar uma fluxo 
para o peito. 

lapa. iiaBitn<c^a. Artocarims. 
Fam idem. Esta espcie uma das 
madeiras que servem na construco 
naval, e por isso prohibido pelo go- 
verno o seu corte. 

O fructo tem 12 centmetros e mais 
de comprimento, contendo sementes fa- 
rinceas, cobertas de polpa doce, meli- 
fua, agradvel, e de cheiro muito activo. 

FsscamBtpi&a. Commelina serra- 
ta. Fam. das Commeliuaceas . Planta 
herbcea do Par e do Amazonas. 

Tem propriedades anthelminticas. 

N'este gnero de plantas ha algumas 
que tm o aspecto do ananazeiro*. 

OH Caa-jSBEs (Plseipo^o. Fam. das 
Cyperaceas. E' uma planta herbcea, 
de caules pequenos. 

Folhas em feixes. 

Flores em capitules e escamosas, no 
pice do caule triangular, com um feixe 
de folhas na base. 

E' mui aromtica. Esta planta de 
Pison e no de Marcgrave . 

flaeas. V. Sap. 

Jaet-apsaeKi. V. Sapucaia. 

Jipas*ain|;-a. Fam. das Myrla- 
ceas. Fructo agreste, conhecido no 
Maranho por este nome. 

E' proveniente de um arbusto de bo- 
nito porte. 

Tem 1 Vi centmetro de dimetro; 
de cor roxa-escura, quasi preta, e re- 
donda, j 

Compe-se de uma massa moUe, com ! 



um ou dois carocinhos redondos, envol- 
tos n'essa massa, que dizem ser doce 
e de bom paladar ; ella tinge os lbios 
de roxo. 

tFac*ai*im!;> . Bignonia ccenea. 
Will. Bignonia , Jacarand., Linn. 
Fam. das Bignoncaceas. E' do Brasil 
e das Antilhas. 

Esta um.a das arvores importantes 
do paiz; cresce com abundncia no 
Far, Alagoas, e Bahia. 

E' arvore commum e ramosa. 

Suas folhas so compostas. 

As flores, em pequenos grupos, so 
como trombetas meio curvadas, roixas. 

O fructo uma vagem allo.ngada, 
comprimida e de consistncia lenhosa. 

As sementes so estriadas, isto , 
riscadas, e com expanses (aliadas.) 

A madeira d'esta bella arvore cr 
de castanha no cerne, com veias mais 
escuras, ou mais claras, conforme a 
qualidade. 

E' mui compacta; presta-se bem ao- 
polimento, e de muita durao. 

E' uma das principaes madeiras em- 
pregadas nas construces civis e na- 
vaes, e na marcenaria. 

As obras antigas de marcenaria e 
de tornearia dos Templos so todas 
d'esta madeira ; ella exhala um cheiro 
agradvel. 

Ha diversas espcies de Jacarand, 
peculiares certas provncias, entre 
ellas aeha-se o Maclicerimi scliororislum. 

clrteapoBseSn js-aaae. V. Jaca- 
rand campina 

acaa'aacl5. eafsBsa. V. Bl- 
samo. 

c9ac*iCB'asB(l',c de eanagcma sii 
!E*iisB?*o. Swartzia jacarand. Swar- 
tzia graridiflora. Redd. Fam. das Le- 
guminosas. Arvore pequena do paiz, 
que nas Alagoas recebe este nome. 

Sua casca alva. 

As folhas, oppostas e dispostas em 
palmas, so ovaes, speras e de cr 
verde. 



S46 



JAC 



JAL 



As flores em espigas pequenas, bran- 
cas, tendo um stygma em forma de 
lamina, rodeado de feixes de filetes 
a mure 11 03. 

O fructo uma vagem, presa por 
um pednculo, que a suspende. 

As sementes so como os gros de 
feijo. 

Cliamam-na t-mhem Ralo decavaUo. 

Esta planta cremos ser o Jacarand 
branco de Redd.: Swartzia gr andi flora. 

faearttntl Ta. Dalhergia. 
Fam. das Leguminosas. 

lacarand giaralo. NissoUa. 
Fam. idem. E' uma arvore de folhas 
em palmas, no em cachos. 

O fructo, vagem em forma navicu- 
lar, com expanses membranosas na 
base, semelhana de azas. 

Contm poucas sementes. 

IacaK*an<l iiuiiSis^laiio. Ja- 
carand oxypMlla. Fam . das Bigno- 
?iiaceas. Esta arvore tem suas folhas 
muito fortes. 

Com esta e com outras espcies 
fazem-se as mesmas obras, que com o 
Jacarand granai. 

D-se maneira de ch o seu co- 
simento , o extracto d-se em pilulas, 
e com o p polvilha-se as feridas. 

laearear. V. Caferana. 

Jacar-iva. F. Lantim. 

lacarey-ataiia. Gonania apen- 
diculaia Fam. das Rhamnaceas. E' 
planta trepadeira, com o aspecto da 
Parreira hrava., Mata-fome., etc. 

O seu cosimento em banhos appli- 
cado contra a caspa da cabea. 

faeatiagi. PachyrrMzos angulata, 
Fam. das Leguminosas. E' uma 
planta muito til, que d uma batata 
deliciosa, a qual poderia servir para 
sustento dos animaes. 

Emprega-se a fcula que d'ahi se tira 
em certas afecces das viasourinarias. 



Jac. T'. Melancia. 

Jaeiitlio. Hyacinihus orientalis, 
Linu. Fam das Liliaceas. Esta flor, 
natural do Oriente, cultivada em 
abundncia na luropa, o-nde ha mais 
de mil variedades. 

E' planta de raizes bolbosas. 

As folhas nascem ao rez do cho; 
so mais ou menos allongadas e es- 
treitas. 

Suas flores tambm variam em cores. 

Esta espcie, de que falamos, oferece 
do seu centro uma espiga de flores em 
frmaf de campana, de cr azul, e 
branca ; so clieirosas. 

O Brasil, que de poucos annos para 
c tem adquirido immensidade de es- 
pcies de flores estrangeiras, ha-de sem 
duvida ter, nos jardins, de suas gran- 
des cidades, esta flor; e por isso que 
a indicamos aqui. 

faeitara. V. Titara. 

faciia-acan^a ou A^uaraciu- 
ulta-att. Tiaridium indicum. Fam, 
das Borraqineas. Planta das provin- 
das limitrophes do Imprio. 

Propriedades medicas. Reputa-se 
desobstruente. 

E' empregada nas ulceras, e pro- 
veitosa nas affeces inflammatorias do 
anus. 

fagoiraia ou Juciuarasia. 

Accia Fam. das Leguminosas. Tam- 
bm chamada Juerana, e conhecida 
em Pernambuco por estes nomes. 

E' indgena. 

Arvore de folhas midas, distri- 
biiidas em palmas. 

D um fructo pequeno. 

O lenho d'esta arvore frouxo e 
amarellado. 

Constitue a madeira com que em 
Pernambuco fazem-se gamellas. 

Cremos que todos esses nomes qua 
lhe do exprimem uma mesma planta 

faiaiia. Convolvidus ojficinalis, 



JAL 



JAM 



S^' 



Pellet. Convolvulus Jalappa^ Ziuu. 
Fam. das Convolvulaceas. A Jalappa (t 
uma planta trepadeira do Mxico. 

Tem as folhas cordiformes, e as 
flores como trombetas cor de rosa. 

O fructo capsular. 

A raiz tuberosa, arredondada, mais 
ou menos irregular, branca, carnosa; 
impregnada de um sueco lactescente 
e resinoso. 

Apparece no commercio em pedaos 
irregularmente arredondados, ou em 
rodellas, cuja superflcie cinzenta-es- 
cura; o interior mais branco, com li- 
nlias concntricas escuras ; sua fractura 
apresenta alguns pontos brilhantes ; 
e seu p amarello acinzentado. 

Propriedades medicas. A Jalai)a 
um drstico forte, que obra com 
promptido, 

E' empregada" nas obstruces das 
vsceras abdomiiiaes, contra vermes de 
toda qualidade, hydropisias, aFeces 
cerebraes etc. 

A dose em p de 1 4 grammas 
para os adultos. 

E' quasi sempre prefervel empregar 
a resina, que se d em dose de 5 a 
9 decigrammas. 

Convolvulus puuiceus, Mans. Fam. idem. 
Em Matto Grosso existem outras 
espcies, como Convolo, polyrrhizts . 
Convolv. giganteus^ e com as mesmas 
propriedades da Batata, de imrga. 

faE|t|)t, Se S. Psagalo. Piptos- 
tegia Pisonis, Mart. Fam. idem. Ve- 
geta esta planta em S. Paulo. 

Ella mais ou menos deve ser como 
a JalapiM do Mxico. Suas virtudes 
medicas so as mesmas das da Batata de 
purga, devendo ser applicada nas 
mesmas doses. 

Ha ainda a espcie seguinte : Con- 
volvuhs ^Mulis tamis, Mans. 

Jitlagitio. F. Ti. 

Iala|iiaiaa. Convolvtlus piendulus, 



Mans. Fam. Idem. Os mesmos at- 
tributos da Batata de. purga. 

tTaBiiarar. Cereus geometricans, 
Mart. Cercis jaiiiacar, D. C. Fam. 
das Cactaceas. Este vegetal um dos 
cardos, sem duvida, um dos mandacarus, 
que vegetam em Pernambuco c espe- 
cialmente pelos sertes. 

Tem as virtudes da Jvmleha e do 
seguinte : 

fanaaear ou figueira da 
In lia. Cernis triangiUaris. Fam. 
das Cactaceas. Arbusto do Brasil. 

Propriedades medicas. Toda planta 
anti-scorbutica, refrigerante, e pei- 
toral. 

Exteriormente applica-se, em cata- 
plasmas, nas ulceras e tumores glan- 
dulosos. 

Jaiiti^rapa. E' uma espcie de 
Mandacaru, cuja fructa comestvel, e 
suppc-se ser dos Jaraacars . 

tfasiiljo 8a Incla. Euge7iia ma~ 
laccensis, Linn. e Well. Fam. das Mgr- 
taceas. Este fructo originrio de Ma- 
laca, na sia, proveniente de uma 
arvore que se cultiva no Brasil, e ha- 
via no extincto jardim botnico de 
Olinda. 

Esta arvore tem as folhas oppostas, 
lizas e lanceoladas. 

As flores so brancas, um tanto ' 
grandes. 

O fructo d em cachos mais ou me- 
nos grandes ; de 3 centmetros e % 
de dimetro, redondo com uma cham- 
fradura no pice, cercada de quatro 
folhetinhas do mesmo fructo. 

A sua parte externa uma delica- 
dssima e lustrosa pellicula, uniaa a 
uma massa aquosa, frouxa, de % ou 1 
centmetro de espessura, de cr bran- 
ca, quasi transparente, que parece 
esmalte. 

No centro aclia-se um ou dois ca- 
roos redondos o pardos. 

O fructo inspido, acido e sem 



2^S 



JAN 



JAP 



quasi principio doce alerum, todavia 
tem seus apaixonados. 

Ella tem mais de formosa que de 
boa ao paladar. 

Tambm chamam-na Jamho hranco. 

5i2E2":f> da iTTW. Eiigcnid jau- 
hosa^ Litm. Fam. Idem. O jambo 
lima fructa mui aromtica; tanto oriunda 
da ndia como do Brasil. 

E' proveniente de uma arvore de 
tronco lizo. 

Folhas oppostas, lanceoladas agudas, 
escuras, parecendo-se bem com as de 
sua congnere. 

As flores em cachos so brancas como 
as da precedente. 

O fructo porm redondo e oval, 
coroado por quatro palhetas esverdi- 
nhadas. 

Elle amarello na maturidade e mui 
cheiroso, contendo dentro um caroo, 
raramente dois, que desprende-se dos 
tecidos, e chocalha agitando-se o fructo. 

As folhas do Jambeiro tem proprie- 
dades venenosas ; porm seu antidoto 
est na raiz da mesma, segundo se diz. 

Comtudo, fazem d'esta3 folhas um 
xarope, levemente laxativo. 

J6!5a25o ve*B2BeISac. Eugenia. 
Fam. idem. Arvore mediana ou ar- 
busto, natural da ndia; semelhante ao 
jambeiro vu*lgar no tronco. 

Entretanto, suas folhas so menos 
lustrosas, e mais largas. 

As flores so mui parecidas. 

O fructo d pelos galhos, tronco, e 
axillas das folhas, em cachos. 

Elle tem a mesma estructura do 
Jamho hranco ; de cr de rosa bo- 
nita, mas, quanto ao sabor, inspido. 

SfiaigssBei'?. V. Pu. 

JasaSijBaa-ssss. V. Janiparandiha. 

F i. 5!s ir it 3 e r 5?. o : e nia 2j i' a 
P>Eai:iiei. Apeiba cimhalanea, Ar. Cam. 
Fard. das Tiliaceas. Arvore que ve- 
geta nas mattas das provncias do 
Norte do Imprio. 



E' indgena, el(>vada, por tal nome 
conhecida n'essas provncias. 

Seu tronco sobe a grande altura 
sem ramificar-S8 seno no topo. 

A casca escura. 

As folhas so grandes, fazendo copa 
no cimo, e speras. 

As flores, amarellas, grandes e com 
pellos. 

Os fructos so globulosos, tem o ta- 
manho d'uma pequena laranja, cheia 
de espinhos ; so de cr parda, por 
dentro repartido em compartimentos, 
nos quaes contm as sementes, que 
so pequenas e pardas. 

A madeira d'esta arvore de uma 
textura to frouxa, que sustenta- se 
sobre as aguas, comportando grande 
peso sobre si. 

Por esta razo, faz-se com ella a 
singular embarcao, de que os pesca- 
dores se servem em Pernambuco para 
pescarias; e que se chama jangada 
com a qual elles transpem o oceano, 
distancias bem longnquas. 

Fazem outras maiores, que servem 
de paquetes. 

Estas tem uma casinhola no seu las- 
tro, que acommoda famlias; navegando 
beira mar na costa, vo de Pernam- 
buco at Bahia, e at o Cear. 

As canoas, a que chamam barcaa, 
e que navegam pela costa de Pernam- 
buco e das provncias adjacentes do 
Sul e Norte, tem dois pos d'esta ar- 
vore, para formarem equilbrio ; cha- 
mam-os -embonos. 

Ainda da casca d'esta arvore tiram- 
se excellentes cordas, que fazem um 
ramo de commercio. 

Ha uma espcie de jangadeira, cha- 
mada Grijan., que a primeira madeira 
carnais estimvel para o mesmo fim. 

ft3isi|9aK'icc2iJi>a. V. Janiparan- 
duba . 

I a 1% V j EB c2 5sS l . Janiparandiba., ja~ 
foarandiba c jaudiparana. So as mes- 
mas plantas. 

tI;|5E*5'Eis!5a. Gustavia hrasili- 



JAP 



JAR 



:49 



ensis, D. C. Fam. das Myrtaceas 
Arbusto silvestre, conliecido quasi em 
todo o Brasil por este nome. 

Apresenta-se em forma de touceira. 

Seus ramos mui flexives, de casca 
escura. 

Follias alternas, errandes , obovaes , 
oblongas, semelhantes s do J eni^ajieiro . 

Flores, em grupos de 3 a 4, so 
grandes, maiores do que uma rosa 
araelia, mas com uma s ordem de 
ptalas. 

Estas so de cr de carne, com li- 
geiras manchas rosadas, cheias de fi- 
letes no meio, tendo rao cheiro. (*) 

O fructo uma capsula semi-lenhosa, 
obconica, tendo interiormente algumas 
sementes (no pequenas), collocadas 
horisontalmente . 

Estas sementes matam os ces. 

A folhagem, mergulhada nos tanques 
e rios, desenvolvem um cheiro insup- 
portavel. 

A madeira mui flexvel, por isso 
fazem cestos, arcos e outros utensilios. 

Japceaaa.a*:*. Smilax japecanga. 
Fam. das Asparagaceas. Esta planta 
conhecida por este nome em Pernam- 
buco, Alagoas, Rio, etc. 

Em algumas provindas conhecida 
por Salsaparrilha. 

E' uma trepadeira, que vegeta nas 
margens dos rios e em lugares frescos. 

As raizes se compem de um ou de 
vrios tubrculos arredondados, assas 
volumosos, brancos no interior, com 
vestgios de um princpio corante ver- 
melho na epiderme. 

O caule perfeitamente cylindrico, 
da grossura de uma penna, ofiferecendo 
em sua superfcie alguns raros espi- 
nhos, de uma cr verde princpio, 
depois amarella. 

As raizes so todas fendidas pelo 
meio, no sentido de sua extenso, e 
so formadas por uma casca, de uma 
cr cinzenta um tanto avermelhada, 
delgadssima e muito enrugada, e de 
um medithulio lenhoso e volumoso, 

(*) Este (jenero distingua-se pelo cheiro 
de ca laver em decomposio. 



mas completamente vasio no interior, 
de modo que este medithulio deve 
formar um verdadeiro tubo de uma 
extremidade outra da raix. 

Esta toda apresenta um sabor um 
pouco salgado e mucilagnoso, e um 
tanto amargo depois. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada nas molstias syphiliticas, cut- 
neas, rheumaticas, e gotosas. 

Na dose de 30 a 60 grammas para 
1000 d'agua prepara-se o cosimento, que 
se toma trs vezes ao dia. 

(JseiBOiiPiSeSsIg. V. Ja7nporandil)a. 

Js^CEaiera. V. Jaca. 

ef9 5*a'/i Oa MiasBuo lo 

BBtao. Carica spinosa., Will. Carica 
dodecapliglla, Yell. Far. das Papaya- 
ceas. Esta arvore tambm recebe o 
nome de Mamola. 

E' natural do paiz, e s vegeta nas 
mattas. 

E' alta, apresenta o tronco cheio de 
espinhos, recto, ramificando-se supe- 
riormente, estendendo os ramos ho- 
risontalmente, com sua folhagem mida 
e lactifera. 

Tem a apparencia do Mamoeiro., e 
sua fructiflcao semelhante ; isto 
, tem aggrupados os fructos no cima 
da arvore, e pendentes. 

A Mamota da mesma forma do 
Mamo^ sendo menor e mais esguia ; 
no mais igual, e internamente tem 
tambm a mesma structura ; muita 
leitosa. 

A massa semelhante, e tambm 
mui saborosa, talvez melhor que a do 
Marao. 

O leite d'este fructo serve de rem- 
dio para as hydropisias ; e nos anmaes 
externamente applica-se como excellente 
abstergente. 

Por este nome de Jaracatia conhe- 
cido em Pernambuco, Alagoas, Bahia, 
Rio de Janeiro, S. Paulo e ^linas. 

Tambm chamam-lhe na Bahia Ma- 
\rno do matto., Marao bravo e Mamota. 

34 



SoO 



JAR 



JAS 



O fructo come-se cr, assado, ou co- 
sinhado ; comparado ao Melo. 

Cura as feridas e ulceras usado em 
forma de cataplasma. 

O sueco leitoso concreto, que corre 
naturalmente das incises feitas na 
Mamota, ns conservamos sob a forma 
de pilulas, e d'este modo temos con- 
seguido ter sempre mo, para uso 
dos doentes, o leite de Jaracaii 

Modo de iizar. D-se pela manh 
cedo, em jejum, -i a 6 pilulas aos 
adultos, para os menores bastam 3 
pilulas ; e immediatamente por cima 
uma cliicara de ch da ndia. 

Trs dias depois repete -se outra dose, 
at conseguir o resultado desejado. 

laracati. D-se tambm o nome 
de Jaracati a uma espcie de Cacto, 
cujos fructos, segundo Pison, so co- 
mestveis, e mui empregados nas febres 
intermittentes. 

fiimiiiBva ou cofiueiro Ja- 

raiuva. Leoiwldina pulchra. Fam. 
das Palmeiras. E' uma elegante pal- 
meira do Brasil. 

JavmnxtAtsti-A. Fam. das Legumi- 
nosas. E' uma arvore que tem este 
nome no Rio Grande. 

Vegeta pelas margens dos rios- 

D um fructo redondo, com um ca- 
roo no centro. 

Os animaes inferiores o comem. 

larafstea. Arum dracimcuhmi, 
Linn.,e., Will. Fam. dasAraceas. Esta 
planta natural da Europa, mas cul- 
tiva-se no Brasil, onde tem recebido' 
este nome. 

Julgam muitos mesmo ser ella in- 
dgena do paiz. 

Ella tem na Europa o nome vulgar 
de Serperitaria. 

E' quasi rasteira, isto , sem caule ; 
forma um bolho sobre a terra, das 
b ainhas das folhas, que se abraam. 

Das folhas, que tem 50 e mais 
centmetros de comprimento, pendem 
dois lobos grandes na parte inferior. 



As flfes so como as do Arum, 
contidas em um estojo, e com a mesma 
estructura ; mas so muito maiores, 
de um roixo purpreo interiormente, 
e verdes por fora; exhalando mo 
cheiro. 

O fructo uma baga encarnada. 

A raiz tuberosa. 

Esta espcie, e a subsequente, pa- 
recem ser a mesma planta. 

Jararaca. Dracontimn folifliyl. 
um. FafJi. idem. E' um vegetal do 
Par. 

Propriedades medicas. Suas raizes 
so amylaceas ; contundidas, e appli- 
cadas sobre as ulceras, as modificam. 

Empregada internamente, til con- 
tra a asthma, chlorose, amenorrhea, e 
mordedviras de cobras. 

Iai*l)n ou Js*se%-. Agiiara- 
ponda Gereho, gervo. V. Orgevo 

faroir oia Msi5Sai|i9i. E' 
uma planta, cuja semente oleosa, e 
farincea, com virtudes medicinaes. 

arola. Tancecivm jaroha, Swartz. 
e Marcg. Fam. das Solanaceas. 
Planta das regies Amazonicas, tre- 
padeii*a, em forma de touceira. 

Seus fructos so bagas cascudas, 
com polpa dentro, e varias sementes . 

O fructo emolliente e peitoral. 

JarrJBlao. V. Anglico. 
larro HBaasa*SK5. V. Jararaca. 

f a SBia i I a B a a*el 1 9 . Jasmimim 
fruiicans, Linn. Fam. das Jasminaceas. 
Este jasmim, a que do este nome 
em Pernambuco, natural da Itlia. 

E' de uma planta semelhante ao do 
Jasmirji da ndia, mas as folhas so 
trifolioladas, e no quinquefolioladas, 
como as do outro. 

A flor, em seu contorno, igual, po- 
rm muito menor, e de cr ama- 
rella-viva, e de quasi nenhum cheiro. 



JAS 



JAS 






O fmcto uma baga redonda, roixa, 
com um caroo dentro, mas que nunca 
se v. 

Cultivam este jasmim nos jardins. 

O Jasmim da Itlia que ha de servir 
de typo ao gnero. 

lasuiiita asio. Amsonia lati folia, 
Micli. Fam. das Ajmcyneas. E' oriunda 
da America esta flor, e provm de um 
pequeno arbusto, de 1 metro e pouco 
mais de altura. 

As folhas, oppostas, ovaes, e meio 
crespas. 

As flores em cachos, pequenas, ftomo 
jasmins propriamente ditos ; so bran- 
cas, de um tecido espesso, e um annel 
amarello na face do tubo. 

lasmtBtt l>o^i)a>i. Jasmimmi vo- 
luMle. Fam. das Jasmineas. Este 
jasmim, natural do Cabo da Boa Espe- 
rana, recebe este nome em Pernam- 
buco. 

E' resultado de um subarbustinho, que 
trepa sobre outros corpos. 

Seus ramos e folhas so oppostos; 
estas so ovaes, onduladas, e lustrosas. 

As flores so brancas, como jasmins 
communs, mas de um tecido succulento; 
e cheiro parecendo-se com o da flor 
Bogari. 

E' ornamento de jardim. 

taisuim Bia'aBBeo. Fam. Idem. 
Em Pernambuco do este nome a um 
jasmim branco, produzido por uma 
planta. 

As folhas oppostas, ovaes, e molles, 
de cheiro agradvel, no tem as zonas 
rosadas como o Jasmim commum. 

O seu tecido no to carnoso como 
o d'aquelle. 

E' ornato de jardim. 

9asieiis 9 o CaSo. Gardnia 
florida., Lhin. Fam. das Rubiaceas. 
A flor que chamam Jasmim do Cabo 
em Pernambuco, e mesmo na Europa, 
oriunda d'essa parte do globo. 

E' um subarbustinho ramoso, de 1 a 
2 metros de altura. 



Folhas oppostas, ovaes, lanceoladas 
e lustrosas. 

As flores so brancas, com o tecido 
quasi transparente. 

As bordas das ptalas dobram-se 
umas sobre as outras. 

Exhalam um excellente cheiro. 

Toda a planta contm um sueco 
leitoso. 

E' uma planta de jardim muito es- 
timada e rara. 

lift^iiiim eitniba*aia. Nerimi 
ocJiroleucum, Horteil. Fam. das Apocy- 
neas. Recebe este nome em Pernam- 
buco, e oriundo da ndia. 

E' um arbiistinho pouco esgalhado, 
com as folhas compridas, lusidas e 
pequenas. 

A flor, em pequenos pednculos, como 
fios oblongos, amarellados. 

Um grupo de ptalas brancas., sub- 
transparonte, circula a face do tubo, 
e um annel amarello. 

Tem cheiro suave. 

JasBiiig le CayeBBSBa. (*) Melia 
azedar adi., Linn., Fam. das Mcliaceas. 
Esta planta, a que em Pernambuco 
do este nome, no Rio Grande do Sul 
chamam Cinamomo. 

E' natural da ndia e da Cicilia, 
conhecida na Europa por Jasmim azul. 

Ella no seu paiz natal grande ar- 
vore ; mas entre ns uma arvore pe- 
quena, ou um arbusto. 

Suas folhas so encrenadas. 

As flores em cachos grandes, fazendo 
pyramide. 

So formadas por um tubo purpreo, 
e a lamina em cima dividida em cinco 
lobos revirados, com cheiro um tanto 
activo, mas um pouco fastidioso. 

O fructo, que parece uma azeitona, 
tambm rixo escuro, e tem uma 
semente dentro. 

No se come. 

Acredita-se que suas folhas, fructos 
e flores so venenosas. 

(') Na Bailia est- o nome do Jasmin 
manga ; e a Melia azedarack chama-se 
iasmin de soldado. 



^0 Vj> 1)^ 



JAS 



.TAS 



Al<-uns auctores contestam cssaida; 
mas sem hastanto prova paru g-arantira 
innocuidatle da planta. 

Propriedades medicas. E' empre- 
frada, externamente, para apressar o 
amadurecimento dos bubues. Interna- 
mente, estimulante, aperiente, c an- 
thelmintica; cm doso alta c abortiva. 

^saauEBSB le ccrpi jsn 8o 

BtsSo. Jasminum fluminense^ Vell. 
Fam. das Jasmineas Arbusto tre- 
pador, que cresce em touceiras, e que 
faz grande entrelaamento sobre as 
arvores adjacentes. 

E' conhecida em Pernambuco por este 
nome, e tambm impropriamente por 
Jasmim da ndia. 

Suas folhas so compostas, e de uma 
cr verde azulada. 

As flores, como o jasmiii dos jar- 
dins, porm muito menores e de seis 
divises estreitas ; tem cheiro agra- 
dvel e do em pequenos cachos. 

O fructo uma baga redonda, do 
tamanho de uma ervilha; roixo de- 
negrido ; encerra uma polpa aquosa, de 
cr roixa viva, porm que desmerece 
em pouco tempo. 

Contm uma semente dentro. 

As vergonteas so lisas, mui flexveis. 

Fazem-se d'ellas cestas, balaios etc. 

Esta planta digna de ser intro- 
duzida nos jardins, para caramanches. 

Das flores pde-se obter por distillao 
uma essncia, de cheiro agradvel. 

JiiSBBsiaa poninauiit. Jasminum 
officinale, Linn e WiH.Fam. das Jas- 
mineas. Em todo o Brasil conhe- 
cida esta flor por Jasmim ; alguns a 
chamam Jasmim da Itlia., mas ella no 
oriunda da Itlia, e sim da ndia. 

E' sem duvida uma flor dos nossos 
jardins, acclimada entre ns d'esde 
epocha desconliecida. 

Sua fragrncia suavssima, disputa a 
primasia entre as mais flores aroma- 
tica-. 

Ella proveniente de um arbuto es- 
galhado, em touceira. 



Suas folhas, em palmas, de cinco a 
sote foliolos, so brancas, dispostas em 
pequenos grupos. 

Formam um tubo, que na parte su- 
perior abre em cinco laminas, como 
estrellas brancas, e com uma capa ro- 
sada de um lado, e um tubo verde 
na sua base. 

O fructo quasi nunca se desenvolve. 

Todos sabem que os Jasmins servem 
para aromatizar banhos, formar ra- 
malhetes e preparar cheiros (essncias), 
para UtO de toucador. 

Sua agua distillada applicada aos 
olho,^, c pde ser dada internamente 
como antispasmodica. 

eIf%S2BBiBsa Jacrsi Fam. das La- 
biadas . Esta flor extica, a que do 
este nome em Pernambuco, prove- 
niente de um arbustosinho, de folhas 
ovaes. 

Flores vermelhas, em espigas, como 
cornetinhas oblongas , com a borda 
livre dividida em cinco lacinias, for- 
mando como dois lbios. 

O clice verde, e pequeno ; sahem 
de dentro os filetes. A flor ng d 
cheiro. 

aSissiiifiiiaa larisssjm. Mnrraya ex- 
tica., Linn. Fam. das Aurantiaceas . 
Planta natural das ndias Orientaes, 
por este nome conhecida em Pernam- 
buco. 

O arbusto uma planta parecida 
com uma larangeira pequena ; porm 
com as folhas compostas, midas e es- 
pessas, glandulosas e sempreverdes. 

As flores apresentam-se em cachos, 
da mesma estructura das da laran- 
geira, sendo porm pequenas, e com 
aljum cheiro. 

o fructo que produz ovide, e 
quasi confunde-se com um limo pe- 
queno ; quando maduro torna-se ver- 
melho. 

Dentro ha dois compartimentos, 
cada um contendo uma semente, 

E' conhecida na Europa esta planta 
por Bois de la Chine ( madeira da 
China). 



JAS 



JAT 



^^ JO 



Coma-se a friictinlia, e faz-se d'ella 



limonadas refrigerautos. 



la^aiiiiia sssMiyra. Ccrhera man- 
gas ^ Linn. e Wll. Fam. das Apo- 
cyneas. Arvore leitosa da ndia, cujo 
sueco leitoso emtico, e venenoso. 

daSDiaissi do Eaao. Y. Jasmim 
de cerca. 

Ia!^iiiiss> flSo BBiaSt elo P;iir:'s. 
TaJjeriaimoHlana citrifolia., Linn. Fam. 
das Apocyneas. E' um arbusto, que ve- 
geta no Par e nas Antilhas. 

E' lactifero, e o seu sueco leitoso 
empregado como anti-gastralgico. 

la^misH Btts MsaTCBas. Plmn- 
hago auriciata, Liin., Pliimb. coerulca^ 
Hortut. Fam. das Plimbagincas . Em 
Pernambuco conhecida esta flor por 
tal nome. 

Ella d'America, proveniente de 
uma herva quasi rasteira; de folhas 
pequenas, lanceoladas, lisas, dispostas 
em feixes. 

As flores, em pequenos cachos, so 
azues, e em forma de uma anglica ou 
jasmim. 

O pednculo tem pellos pegajosos. 

Iso tem cheiro. 

O fructo uma capsulasinha insi- 
gnificante. 

Caracteres da famlia. Familia 
natural, por uns coUocada entre as 
Apctalias.! e por outros entre as Monopc- 
t alias. 

So vegetaes herbceos ou subfru- 
ctescentes, de folhas alternas, algumas 
vezes unidas na base do caule, e inva- 
ginantes. 

As flores so dispostas em espigas, 
ou cachos ramosos, e terminaes. 

Seu clice gamosepalo, tubuloso, 
crespo, e persistente, ordinariamente 
de cinco divises. 

A corolla ora gamopetala, ora for- 
mada de cinco ptalas iguaes, que 
quasi sempre so ligeiramente ligadas 
entre si pela base. 



Estames, geralmente em numero de 
cinco, e oppostos s divises da corolla, 
so eppetalios, quando esta poly- 
petala. 

So immediatamente hypogynicos, 
quando a corolla gamopetala (o que 
contrario disposio geral). 

O ovrio livre, muitas vezes de 
cinco ngulos, de uma s loja, con- 
tendo um ovulo pendente do alto por 
meio de um podosperma filiforme basilar. 

Os estyletes so em numero de trs 
a cinco, e terminam por outros tantos 
estigmas agudos . 

O fructo um akenio envolvido pelo 
clice. 

A semente se compe, alm de seu 
tegumento prprio, de um endosperma 
farinceo, no centro do qual existe um 
embryo, que tem a mesma direco 
da semente. 

FtiSija vitpoB* oia l S. eJ. 
Plumeria ribra, Linn. Fa^n. das Apo- 
cynaccas. Este arbusto natural do 
continente americano, chamam-lhe assim 
em Pernambuco, e tambm alguns o 
chamam Vapor. 

E' uma flor procedente de um arbusto 
de 2 a 3 metros de altura, de tronco 
liso, cinzento, lactifero em todas as 
suas partes. 

As folhas aggrupadas nas extremi- 
dades dos ramos, so ovaes e grossas. 

As flores, reunidas em cachos, so 
como jasmins grandes; apresentam trs 
cores, isto , sobre um fundo cr de 
carne, zonas vermelhas, e amarellas, 
formando um todo engraado; tem cheiro 
suave . 

O fructo, que raramente se v, como 
uma vagem comprida. 

Esta planta despe-se de sua folha- 
gem em certo tempo do anno, conser- 
vando unicamente as flores. 

E' ornamento de jardins. 

JassiaSti. V. Jatob. 
JaHiia. r. Tatajuba. 
lataulit ou eoc|iieii*o ef tttau- 



S54 



JAU 



JEN 



ba. Sz/apies cocoides. Fam. das 
Palmeiras. Palmeira do i)aiz. 

luttfty. V. Jetay. 

latobit. Hymenosa courharil., hinn. 
Fam. das Leguminosas. Arvore do 
Brasil, Minas, Bahia, e Pernambuco. 

E' copada, revestida de folhas alter- 
nas, peeioladas, compostas de dois fo- 
liolos approximados, ovaes lanceola- 
dos, 6 luzentes. 

Inflrescencia em paniculas. 

Flores pequeninas. 

O frueto uma vagem lenhosa, de 
24 centmetros de comprimento, e de 
(3 a 9 centmetros de largura, contendo 
quatro ou cinco sementes, envoltas 
n'uma polpa amarellada, e doce. 

Come-se a polpa, mas enjoativa. 

Do tronco e dos ramos d'esta arvore 
exsuda uma resina conhecida pelo nome 
de Resina animada. 

Nas provncias do Maranho e Par 
chamam-lhe Jatahi ; tambm lhe do 
o nome de Resina ou gomma copal. 

E' em pedaos de cr amarellada, 
fractura luzente, e cheiro aromtico. 

Emprega-se para fazer verniz. 

A madeira muito forte, e procurada 
para moendas de engenho, arados e 
eixos de carros, e outras muitas appli- 
caes. 

Propriedades medicas. A resina 
remdio popular contra a hemoptysis, 
na dose de 10 centigrammas, mistu- 
rada n'uma gemma d'ovos, trs vezes 
ao dia. 

As sementes so usadas contra a 
asthma, na dose de 4 grammas para 
200 grammas d"agua, em infuso, que 
se d trs vezes ao dia. 

lisoliit. Hymetma silbocarpa., 
Hayne., e Mart. Fam. das Legumino- 
sas Esta espcie tem as mesmas 
api)lica8S da precedente, e das seguin- 
tes. Jatahy tambm o nome do Ja- 
ioM nas provncias do Sul. 

JatiEta. Solamim jaima. Fam. 



das Solanaceas. E' planta do Par, 
que tem virtudes diurticas, e anti- 
scorbuticas. 

tlatiari oii coctuciro lasiar. 

Asirocarium janari Fam. das Pal- 
meiras. Arvore do Par e Amazonas. 

E' uma palmeira alta, de tronco cy- 
lindrico, cheio de espinhos. 

Os fructos so drupaceos, como co- 
quinhos, carnosos por fora, e sseos 
por dentro, como so em geral todos. 

(eiaia|eo o feiBipabo. Ge- 

nipa americana. Linn. Fam. das Ru- 
hiaceas. O Jenipapo um frueto 
agreste do paiz, proveniente do Jen- 
papeiro, que uma arvore elevada, 
de IG a 20 metros, de casca cinzenta 
e liza. 

Folhas oppostas, espatuladas, oblon- 
gas, e luzidias, 

Flores amarellas, um tanto grandes, 
formando um tubo, cuja parte superior 
dividida em lacinias, que so re- 
torcidns. 

Abaixo da flor est o frueto rud- 
mentaro, que, depois de desenvolvido, 
tem 12 a 15 centmetros de dimetro, 
redondo, com um rudimento de tubo 
no cimo. 

Tem o pericarpo fino, cr de barro, 
que se desprende facilmente ; coberto 
de uma substancia pulverulenta, que 
tambm se desprende facilmente. 

Compe-se de nma massa, de 1 e % 
centmetros de espessura, muito els- 
tica, cr de oca; clara e aquosa, 
de sabor acre e doce ; e a cavidade 
central cheia de uma polpa jnuito 
aquosa, cr de barro, envolvendo 
muitas sementes chatas, de mais de 
3 centmetros, quas redondas. 

O frueto, quando maduro, cahe da 
arvore ; ento esborracha-se quasi sem- 
pre. 

No passa este frueto por bom de 
comer-se ; sendo porm partido e mis- 
turado com assucar, torna-se agradvel; 
possue um principio excitante forte, 
que estimula o estmago. 

A madeira do Jenipapero branca. 



JEN 



JER 



SS 



muito solida, com os poros mui unidos ; 
i susceptvel de polir-se ; tem tanta 
elasticidade, que no se pode quebrar 
um ramo. 

E' delia que quasi exchisivamente 
fazem-se formas de sapatos, e outros 
utenslios, como coronhas de espin- 
garda, etc. 

O sueco da fructa, quando verde, d 
uma matria adstringente, applica-se 
em banhos nas ulceras syphiliticas. 

Possue uma matria corante roixa 
azulada, de que se faz tinta. 

A raiz purgativa. 

Propriedades medicas. A planta 
empregada contra as diarrhas, e 
em loes nas ulceras syphiliticas. 

Os grelos, pisados com azeite, so 
desobstruentes, segundo muitos me- 
sinheiros, e at alguns prticos. 

FeBBSpapo ls*4tvo. Ge^iipa agres- 
tis Fau. das RuMaceas. Este ar- 
busto agreste, em Pernambuco, tam- 
bm impropriamente conhecido por 
Laranginha. 

Tem 4 a G metros de altura. 

Esgalha pouco ; seu tronco e suas 
folhas so parecidas com as do Jeni- 
papeiro manso. 

As flores, porm, tem o tubo mais 
longo, e so de cr amarella mais 
viva. 

O fructo differe na cr e consis- 
tncia, mas na forma semelhante. 

Seu dimetro de 6 a 8 centme- 
tros. 

A casca dura, e mui adherente ; 
de cr verde, e lustrosa. 

Eis aqui as differenas mais notveis 
entre um e outro. 

No se come. 

A madeira tem a mesma flexibilidade, 
e tambm empregada. 

Nas Alagoas o chamam Espoletas, 
e em Sergipe Jenipapinho . 

Feii i I 2 B salto . Genipa verticulan- 
iis. Farn. idem. Esta espcie dif- 
ferente da precedente, ainda que se 
parea muito com ella. 



E' de pequeno porte, mui parecido 
com o Jenipaipo ; estende seus ramos 
quasi horisontalmente em derredor do 
tronco, formindo de distancia em dis- 
tancia uma umbrella. 

As folhas tem quasi a mesma forma, 
assim como a flor. 

O fructo de 6 a 9 centmetros de 
dimetro, com a mesma forma do 
antecedente ; amarello na maturidade, 
e lustroso ; tegumento crneo ; dentro 
como o precedente : a substancia in- 
terna aquosa e doce. 

Come-se esta fructa chupando-se por 
uma abertura que se faz. 

A madeira como a do que ficou 
descripto, e serve para os utenslios 
agrcolas. 

Ic(|KiB'io9>s. Solarmm jequiriola . 
Fam. das Solanaceas. Esta planta 
um excellente remdio contra as 
anginas. 

E' pelo Dr. Silva empregada contra 
a morpha. Julga-se que o Aguara- 
quid fiolauum oleracemi. 

9era$upa,3lftiiac. Manac, Ge- 
raiacaca. Cangamhd. Franciscea uiiiflora. 
Fam. das Scrojiilariaceas. As plan- 
tas que recebem tantos nomes pelas 
demais provncias, no so todas o 
Manac de Pernambuco. 

Ha varias plantas de differentes fa- 
mlias, segundo creio, com este nome.^ 

Dizem que esta planta Jerataca, em. 
todas as suas partes, especialmente a 
raiz, um excitante enrgico do sys- 
tema lymphatico ; expelle os vrus 
pelo suor e pela ourna ; muito utl 
contra a sj-philis, d'onde vem chama- 
rem Mercrio vegetal. 

A entrecasca bastante amarga e 
enjoativa ; estimula a garganta. 

Em dose pequena resolutiva, e em 
dose grande laxa o ventre, desafia as 
ournas, e promove mesmo o aborto. 

E' antdoto do veneno das cobras, e 
em dose muito elevada produz o efi"eito 
de um veneno acre (consulte-se a 
Martins em Buchner). 

Os ndios do Par envenenam suas 



SSt 



JQ 



JO 



settas com estas plantas , segundo 
consta. 

e i ii Sa y . Hymenoea mariana , Hayn e . 

Fam. das Zeponviosas. Vegeta em 
Minas, Bailia e Pernambuco. 

Stfalaj". Il/ni olfersiana^ Hayne. 

Fam. idem. Nas mesmas provncias. 

Feiaiay. Hym Stigonocarpa^ Mart, 

Fam., idem. Vegeta no Piauliy. 

PetrtSy. Hyhi Selloniana, Mar i 

Fam. idem. Vegeta no Piauliy. 



JetaSij". Frachylohium martiamm 
Hayne. Fam. idem. 
sonas. 



Bahia e outras provincias, cujo lenho 
mui rigido e de boa qualidade. 

E' prpria para os misteres da car- 
pintaria ; fazcm-se com ella muitos 
objectos raraes, etc. 

Euterpe oleracea, Mart. Fam. das 
Palmeiras. Palmeira que vegeta em 
todo o Brasil septentrional. 

,Ji. V. Gii. 

S& iBaaiai'ia3. Solanum am- 
hrosici0n. Fam. das Solanaceas. Ve- 
geta em Santa Cruz, e tem as mesmas 
propriedades do Jo. 



Vegeta no Ama- 



tleiaiEa. 



F. Jetahy. 



Jiti&ifica. Segundo ]\Iarcgrave, 
So as diversas resinas das difleren- 
tes Hyrfienosas., oferecidas ao commer- 
cio com o nome de copal. 

E' com esta resina que os indgenas 
vidram a loua. 

JeisisBva. V. Jetahy. 

leticu. V. Balata doce. 

Teticuc. Convolvulus hederaceus^ 
Qodoy. c Spl. Opercidina tm'pethum.i 
Maus. Fam, das Convolvidaceas. 
Planta herbcea de Minas. 

Suas folhas so cordiformes, lobadas, 
e suas flores purpurinas. 

A raiz tuberosa e purgativa. 

Jeticiie. 7. Mechoacan. 
letuca. F. Batata doce. 

liquilib. Pyxidaria macrocarim., 
Schott. Fam. das Licheneaceas. A casca 
d'esta planta empregada nas hermor- 
ragias e leucorrheas. 

A madeira utilisada em vrios 
artefactos. 

tSiaiiiil'. Arvore de Sergipe, 



9l aa !feas(L'a*>. ZizifMis joa- 
seiro, Mart. Fam. das Rliamneas. 
/oa, que por corrupo o povo chama 
Enju, uma bonita arvore regular do 
paiz, e com espinhos x)elo3 ramos. 

Folhas ellipticas, lustrosas, coreaceas. 

As flores do nas axillas das folhas 
em pequenos feixes, que parecem es- 
trellinhas amarellas, esverdinhadas. 

O fructo como uma Pitomba, quatro 
vezes menor ; tem 1 e '/4 centmetro 
de comprimento, globulosa e acha- 
tada, e com uma orla no pednculo. 

E' cr de barro, spera e tenaz; por 
dentro branca, e tem uma substancia 
mucilaginosa, branca e doce, que enche 
o espao onde se acha uma semente 
muito dura, que reparte-se em dois 
caroos. 

A entrecasca d'esta arvore diz-se que 
goza da propriedade de destruir a caspa 
da cabea ; lavando-se esta com a 
decoco ; mas quasi sempre um 
meio improfcuo. 

O sueco da casca applicam para as 
contuses, pancadas, e ferimentos, com 
feliz resultado. 

No serto, faz-se d'esta casca uma 
beberagem, que depois de passar por 
certa preparao, applicam phtisica 
pulmonar; admiram emfim os prod- 
gios do Jo pelo interior. 

Alm d'isto encerra um principio 
saponaceo, com o qual as lavadeiras 
podem lavar roupa. 



JUA 



JUM 



S5*S 



Cremos que todas as provncias do 
Imprio conhecem esta arvore pelo nome 
de Jo; porm no Par do este nome 
uma outra espcie. 

Dizem que o fructo tem a mesma ap- 
plicao da Jujuha. 

Jo ou Jii. Juripeha oi Jwe- 
peba. Solanu7ii paniadatum. A raiz 
da Jtiniheha que por demais amarga 
juntamente com as folhas, e os fructos 
mucilaginosos; obra com propriedades 
resolutivas nos enfartes das visceras 
abdominaes ; externamente applica-se 
tambm nas ulceras, e feridas. 

Joo Goutes. V. Bredo Major 
Gomes. 

doo lo Pti. E' umfructinho 
agreste do Maranho, produzido por 
um arbusto. 

Seu tamanho de menos de 3 cen- 
tmetros, de forma redonda e oblonga, 
com signal de uma coroa no pice, 
e de cr amarella. 

A casca tenaz, unida uma 
massa pouco compacta, amarella, acre- 
doce e um pouco pegajosa, que produz 
sequido na bocca. 

Tem dois ou trs caroos, ou apenas 
um, comprido e branco. 

fosApiann^a. Planta rasteira; es- 
tende-se em vergonteas. 

E' muito empregada em cosimento, 
como sudorfica e anti-venerea. 

Joaseiro. V. Jo. 

Joaiiesia. V. Anda-ass. 

Jii-ass ou lua 3iiva. E' 
em Tupinico a Cerejeira. 

Ju q!o I\orc. V. Melancia da 

Praia. 

Ju fiiea. F. Camap. 

lu do Sul. Frtca do Joaseiro, 

fu uva. Gengibre branco. 



Jubai. 



V. TamaHneiro. 



Jubeba. F. Juripeba. 

Fuc. Fam das Legurainosas. Ve- 
geta nos sertes das provncias do 
Norte, e principalmente nos de Per- 
nambuco e Cear. 

E' uma arvore elevada, de uma 
madeira durssima, ptima para as 
obras de construco civil. 

Suas folhas, dispostas em palmas e 
de cr verde, so ovaes. 

As flores so em cachos pyramidaes. 

O lenho roixo, ou castanho. 

Propriedades medicas. As cascas 
d'essa arvore, postas de infuso, na 
dose de 4 grammas para 500 gram- 
mas d'agua, empregam-se nas a Afeces 
dos pulmes, isto , contra asthma, 
tosse convulsa, e em geral qualquer 
tosse antiga ou recente. 

E' remdio uzado nos sertes pelo 
povo nas contuses. 

Conhecendo ns essas virtudes temos 
preparado o xarope, e atinctura de/wc. 

eJueafi. F. Sap. 

Jussara ou coqueiro Jus- 
sara. Euterpe liuicaulea. Fam. das 
Palmeiras. Esta planta, que tem este 
nome nas Alagoas, indgena. 

Seu caule, extremamente fino, lizo 
na extremidade superior, n e glabro. 

E' de cr amarellada. 

O ramalhete das flores pouco denso. 

As folhas, pinnadas, so proporcio- 
nalmente pequenas ; deitam um cacho 
pendente, como em muitas palmeiras; 
o cacho muito ramificado. 

Os fructinhos so de 3 centmetros, 
ovides e roixos, quando maduros ; a 
massa dentro amarellada, com um 
caroo no centro, que se torna roixo. 

Esta palmeira tem o nome de AssaTiy 
em outros lugares. 

Jujsibeira. F. Ma de Anafega. 

Jsiaubbii. Cactus ojnmtia, Linn. 
Far. das Cacaceas. 

35 



SS8 



JUN 



JUN 



Propriedades medicas. Esta planta 
acalma as dores sciaticas, applicada 
em cataplasmas ; misturada com extrac- 
to de Saturno til na elepliantiasis 
dos rabes. 

O xarope dos fructos e folhas em- 
pregado na phtysica, e julga-se pro- 
veitoso tambm na lepra. 

Seu sueco, misturado com leite, 
vantajoso nas ophthalmias simples. 

O uso d'este fructo torna a urina 
vermelha. 

ditiieu. Cl/perus esculentus, Limi. 
Fam. das Cyperaceas. Herva' que 
vegeta nas proximidades dos rios e 
mesmo n'elles, e que tem este nome 
nas Alagoas e Pernambuco. 

E' uma espcie de capim. 

Compe-se de uma vergontea verde, 
cylindrica, elevando-se verticalmente 
sobre o solo, lustrosa, flstulosa, tendo 
at 1 metro de alto, e na raiz pequenas 
tuberas, (batatinhas), de cheiro activo, e 
que no desagradvel ; tem uma cor 
escura. 

E' rugosa, e contm um principio 
rezinoso ; dentro amarellada e escu- 
ra. 

No pice v-se uma reunio de esca- 
rninhas sobrepostas, formando uma pe- 
quena espiga, nas axillas das quaes 
esto umas florinhas quasi invisveis. 

Esta Ju7ia empregada pelos cu- 
randeiros para muitos misteres. 

Eila tem propriedade carminativa 
bem enrgica, e anodyna. 

O cheiro muito agradvel, e por 
isso empregado na perfumaria. 

J0I2BCO le cwBS|alB. Lepidos- 
perma officinalis. Fam. Idem. Tanto 
em Pernambuco como em Alagoas co- 
nhece se esta espcie de capim, que 
empregam para fazer esteiras, que ser- 
vem para cobrir cangalhas. 

E' uma herva aqutica, e s d'agua 
doce, semelhante a uma, chibata e do 
mesmo tamanho. 

Os caules so verdes, foliaceos , lus- 
trosos, ocos, com uma s folhinha abra- 
ada na base. 



Ho pice v-se umas espiguinhas pa- 
leaceas, que so as flores. 

Seccam estas vergonteas, e fabricam 
as taes esteiras, que so muito pro- 
curadas. 

cloiieo ele eo1t*M. Hijpopurum 
nutans., Nees. Fam. das Urliceas. Esta 
espcie nasce em S. Paulo. 

A infuso de suas raizes diapho- 
retica e diurtica, segundo Martins. 

JiiintliiK ou nBelikdiBsBua ialgia. 

Fam. das Lahiadas. E' uma herva 
a que do este nome nas Alagoas. 

Os caules e folhas, cobertos de pellos, 
e regulares, so pegajosos. 

As flores so em rosetas de cor azul- 
escura. 

O fructo uma baga transparente, 
contendo muitas sementes, mergulha- 
das em substancia aquosa. 

Vegeta s bordas de regatos, e em 
terrenos paludosos. 

|iBiaueiii'. Cr essa anti-sypliiU- 
tica. Fam. das Convolviaceas. E' 
conhecida por este nome em Pernam- 
buco uma iierva delicada, de caule 
muito fino, e pilloso. 

Alastra-se pelo cho, lanando pe- 
quenas raigotas de distancia em dis- 
tancia, nas vergontinhas rasteiras e 
prostradas. 

As flores so brancas, e infundibuli- 
formes. 

O fructo uma capsula ovide, con- 
tendo quatro pequenas sementes. 

Propriedades medicas. Esta planta 
empregada, em cosiuiento, contra as 
gonorrheas e outras affeces ven- 
reas. 

tliiitifiiilEio. Narcisus junquilla, 
Linn. Fam. das Narciseas. E' uma 
flor de jardim, cultivada no paiz, e na- 
tural da Europa. 

O Jimqwilho no tem caule. 

Suas folhas so em grupos circula- 
res, maneira do junco, e lisas. 

Sae do centro um pendo, no qual 



JUP 



jri 



5 



brotam flores amarellas, como peque- 
nas aucenas, de bella fragrncia. 
A raiz bulbosa. 

Jiiiiti de CalaiB^ro. Blechiu 
artiaUaUim. Fani. das Acauthaceas . 
E' um arbustosinlio, a que nas Alagoas 
do este nome. 

Vegeta nas mattas. 

Seu .porte pequeno, de caules del- 
gados, e pouco ramosos. 

Folhas verde-escuras, ovaes, oblongas 
e oppostas. 

As flores, como cornetas, so brancas, 
rajadas de roixo. 

O fruetinho oval, de 1 e y. deci- 
metro, fuziforme, contendo quatro se- 
mentes chatas e longas. 

Junta de coSirit. ou ariiaeaB. 

Ruellia nodosa. Fam. idem. Sub 
arbusto de 1 metro de elevao. 

Seu caule bem esgalhado, of"erecendo 
ns ; pilloso e um pouco pegajoso. 

As folhas oppostas, oblongas, ovaes. 

As flores midas, em forma de cor- 
netas, e cor de h-rio. 

O fruetinho uma capsula de duas 
vlvulas, contendo sementes pequenas. 

lusita uiolle. AmaraufJius sar- 
mciitosus. Fiii. das Amarantliaceas . 
Chamam nas Alagoas uma herva tre- 
padeira por este nome. 

E' de caule fino. 

Folhas pequenas. 

Flores, em cachos pyramidaes, mui 
pequenas e esbranquiadas ; a semente 
como a da perpetua. 

(luiitera. Cartonema anmala. 
Fam. das Commelmaceas. Do em Ala- 
goas este nome a uma herva, de caule 
alastrado, e que ao mesmo tempo er- 
gue as pontas dos ramos. 

E' cheia de articulaes. 

As folhas, ovaes, oblongas, ponteagu- 
das em ambas as extremidades. 

As flores so em cachos, na base do 
caule, e azuladas. 

O fructo uma capsula, com trs 
caroos. 



lupaty. V. Jethy. 

Jupiede. Xiris indica., Linn. 
Fam. das Resedaceas. Planta da ndia 
Oriental. 

Propriedades medicas. Seu sueco 
applica-se contra os dartros, e outras 
molstias de pelle. 

As folhas e a raiz, fervidas em leo 
e associadas ao cosimento do Phasoeohis 
mimgo, Linn. (planta do Orientej, em- 
pregada contra a elephantiasis dos 
Gregos. 

Ju(|ueBfi*a-ass. Adenanthera 
thyrsosa. Fam. das Leguminosas. E' 
uma arvore, de folhas compostas de 
pequenos foliolos. 

Seus fructos so vagens compridas. 

Vegeta no Par, e empregada nos 
corrimentos. 

lufiuiri. Mimosa brasiliensis., Spl. 
Fam. idem. Arbusto semelhante 
Esponjeira. 

Nasce junto aos rios, e alagadios. 

Sua folhagem mida. 

As folhas, pisadas e applicadas so- 
bre as hrnias, as resolvem, dizem. 

f u(|UBft*oitaBBO. Gxdlandina Boi- 
diic, Linn. Fam. idem. Arvore que 
cresce nas provncias martimas, no 
archipelago indiano. 

Tem o nome de (Eil de Bourique. 

Ella empregada como tnica, e 
febrfuga. 

Propriedades medicas. Em cata- 
plasmas, feitas com as folhas frescas 
e contusas, usada nas orchites. 

O cosimento da raiz antdoto do 
veneno das cobras, segundo affirmam 
alguns. 

Jurati. V. Pepefe^ia. 

Jurema branca. Mimosa ju- 
rema alba. Fam. idem. Arbusto de 
porte mediano. 

Cresce nas visinhanas do litoral, co- 
nhecido por tal nome, talvez, em todo 
o paiz. 



JUR 



JUR 



Tem os caules escuros, armados de 
rgidos espinhos. 

As folhas, so compostas de foliolos 
midos. 

As flores so brancas, agglomeradas 
em capitulo globoso. 

Os fructos so empencados ; elles 
representam vagens, formando espiral, 
como sacarrolha. 

As sementes so poucas. 

E' tambm conhecida n'es3es luga- 
res do Sul por Jerema-Jerema. 

A madeira empregada nas cons- 
trucces civis e navaes. 

Propriedades medicas. As cascas 
extrahidas d'esta arvore so amargas 
e adstringentes, e applica-se como 
narctico. 

f ureatia anits*:iiia1it. Mimosa 
hurgonia^ Auhel. Fmi. idem. Arvore 
do Norte, cuja casca acre e adstrin- 
gente; emprega-se o seu sueco, mis- 
turado com fuligem ou picumam da 
chamin, para marcar roupa e tingir 
madeira. 

fiirestia preta. Accia jurema, 
Mart. Fam. idem. Esta Jurema s 
das catingas ou dos sertes. 

Ella semelhante espcie descripta 

E' esta a grande planta, de que os 
caboclos faziam a beberagem, com que, 
dizem elles, se encantam e se trans- 
portam ao co. 

Entretanto bem medicinal ; asse- 
verou-nos um sertanejo a sua efficacia, 
para extirpar os cancros, s com a 
entre-casca, usada em emplastro. 

Nada podemos assegurar. 

tf iirieira. E' uma planta cujas 
folhas, pisadas e postas sobre as ulce- 
ras malignas ou venreas, so de grande 
proveito. 

Suas raizes, seccas contundidas e in- 
fundidas no sueco -Juruhehaj e em leite 
de coco, curam a blenorrhagia (Pisonj. 

lurulielia, luribcila ou Tii- 
fieba iiill. Solammi 2'aiiiciilatum^ 



Liun. Fam. das Solanaceas. Planta que 
habita os lugares arenosos do norte do 
Brasil, e outras partes d'America me- 
ridional. 
Caule espinhoso. 

Folhas cordiformes, sinuosas e an- 
gulosas, glabras na face superior, to- 
mentosas na inferior. 

Flores terminaes, dispostas em pa- 
niculas. 

Fructo, baga espherica, de cr verde 
clara. 

As rai/cs tem de comprimento 10 a 
50 centimetros; as mais grossas no 
attingem a 12 centimetros de circum- 
ferencia, e so guarnecidas de pequenas 
raizes, mais ou menos delgadas, e em 
grande numero. 

Sua textura muito dura, e nervosa; 
as suas fibras so to midas, que, 
cortadas transversalmente, offerecem uma 
superfcie lisa, e como impenetrvel, 
de cr anloga da Canna de Provena. 
A casca que a cobre um tanto 
escura, e tem espessura varivel, se- 
gundo a idade da planta. 

Ella rugosa, cavada em alguns lu- 
gares; separa-se em laminas, e reduz-se 
facilmente a p ; tem pouco cheiro, 
mesmo por meio da frico. 

Toda a planta contem um principio 
amargo, e uma mucilagem ; ha di- 
versas variedades de Jurubela. 

Pison, e Marcgrave distinguiram a 
Jurihbeha em macho, e fmea; ambas 
crescem nos mesmos terrenos, e pro- 
duzem os mesmos fructos. 

A Jurubela macho pouco menor 
que a fmea; tem as folhas menores, 
no muito sinuosas. 

A fmea mais alta , bastante es- 
pinhosa; tem as folhas maiores, co- 
bertas de pello, pela parte inferior; as 
flores so iguaes, porm mais n- 
tidas. 

Propriedades medicas. A Juruheha 
talvez superior a todos os tnicos 
at hoje conhecidos; empregada con- 
tra a anemia, chlorose, febres inter- 
mitentes, hydropisias, obstruco do 
fgado ebao; tambm empregada nos 



JUR 



JUT 



casos de menstruao difRcil, nos ca- 
tarrhos da bexiga. 

O cosimento de suas folhas frescas 
uzado, em loces, nos ferimentos e 
ulceras, para a cicatrisao das mes- 
mas. 

Parecendo-nos conveniente facilitar 
o uso d'essa planta, proposemos e con- 
seguimos preparar no s o extracto, 
como pilulas, xarope e vinho, para 
uzar-se internamente. 

Para o uso externo, preparamos em- 
plastro, leo, tintura ; persuadido que 
prestamos assim um servio hu- 
manidade, fazendo conhecidas as vir- 
tudes d'esta planta. 

Modo de empregar-se. O extracto 
alcolico de Jiruheha^ como febrfugo, 
na dose de 6 a 8 decigrammas, 
como desobstruente, 4 decigrammas 
por dia. 

Tintura alcolica de Jnrnbela^ in- 
ternamente de 10 a 30 gottas em 
192 grammas d'agua, para tomar s co- 
lheres. 

Externamente em frices : 

Emplastro de Juruheia. Estendido 
em encerados ou pedaos de pellica ; 
emprega-se contra os engorgitamentos 
do fgado e bao. 

leo de Jurnbeha. Externamente em 
frices nos engorgitamentos do fgado 
e bao 

Pilulas de Jurubeha. Toma-se uma 
pilula de trs em trs horas. 

Pomada de Jurubeha. Para frices 
nos engorgitamentos do fgado e do 
bao. 

X arope de Jtirubeba. A dose para 
os adultos de duas quatro colheres 
por dia, as quaes devem ser tomadas 
uma de trs em trs horas. 

Vinho de Jiriibeho,. A dose , para 
adultos, de duas a quatro colheres 
<le sopa por dia, as quaes devem ser 



tomadas uma de trs em trs horas. 
(Fig. 23.) 

Tiifiifielia !o Par. Solanuu 
maumosum., Linu. Fam. idem. Ar- 
bustinho do Par, semelhante .Jurvr- 
beba ordinria, porm tendo mais es- 
pinhos, e esses mais compridos, e 
mais espalhados nas folhas, do que pe- 
los peciolos. 

Estas folhas so as vezes palmadas. 

As flores semelhantemente tambm. 

O fructo com efeito curioso ; uma 
cabacinha, como de plvora, menor, cer- 
cada na base de cinco mamillos como 
bicos de peito, de um amarello vivo, 
exteriormente coriaceo. 

Dentro, ha nma massa espessa, de 
quasi 3 centmetros, branca, de cheiro 
acido, com muitas sementes pardas, re- 
dondas e achatadas. 

E' o Solanum cornicidatum de Glaziou. 

Iiiruiietiii^a OH liifialieba 
brava. Solanum bravia. Fam. idem. 
Em Pernambuco conhece-se por Ju- 
nibeba brava esta espcie, que nas Ala- 
goas chamam Jurubetinga. 

E' um arbusto bem semelhante a 
Juruheba., com a diferena de ter as 
folhas de cr verde amarellado, e com 
manchas. 

A flor maior, bem estrellada, de cr 
roixa viva. 

O fructo maior, e os espiniios curvos 
como anzoes, e maiores. 

Tiatalay. V. Tamarineiro. 

J u 4a y . V . .Jitaly . 

luetia-iiba. Guarea pndula. 
Fam. das Aeliaceas. K uma arvore 
congnere do Gio. 

Tambm purga como elle. 



iH* 



LAC 



LAC 



Kl. 



K(i}%i*lia-iiv. Vochysia acida. 
Fam. das Vochjsiaceas . Arvore in- 
di^ena, cujas folhas so oppostas, ou 
cm verticillo. 

Suas flores so em cachos. 

As folhas dos ramos novos so acidas 
e adstringentes. 

A seiva ( sueco do tronco) branca, e 
torna-se escarlate em contacto com o ar. 

Caracteres da famlia. Arvores 
ou arbustos originrios, principalmente, 
da America meridional. 

Tem folhas oppostas ou verticilladas, 
raras vezes alternas, inteirissimas, mu- 
nidas de duas estipulas na base. 

Flores acompanhadas de bracteas, 
dispostas em cachos, em paniculas, ou 
em thyrsos. 

O clice composto de quatro a 
cinco sepalas, soldadas pela base, im- 
bricadas, ou desiguaes ; a superior ter- 
minada por um esporo. 



O numero das ptalas variadissimo ; 
acha- se algumas vezes uma s, duas, 
trs, ou mesmo cinco, que so desi- 
guaes ; e alternam com as sepalas. 

Acontece o mesmo com os estames, 
que variam d'um a cinco, oppostos ou 
mais raramente alternos com as p- 
talas, inseridos na base do clice ; 
quando o numero abaixo de cinco, 
os que faltam existem no estado ru- 
dimentario. 

O ovrio livre ou adherente, de 
trs lojas, contendo cada um dois ou 
um pequeno numero d'ovulos axilla- 
res. 

O estylete e o stigma so simples. 

O fructo uma capsula tricellular, 
abrindo-se em trs vlvulas septiferas. 

As sementes, desprovidas d'endos- 
perma, offerecem um embryo direito, 
tendo a radicula curta e superior, e 
seus cotyledones foleaceos, dobrados ou 
enrolados. 



L,Ma?re I>ritc4>. Depoetiton odo- 
TOCk. Fam. das Melastomaceas. Este 
arbusto ou arvore, que nas Alagoas 
tem este nome, esgalhado desde a 
base do tronco, quasi formando moita. 

Seus ramos so flexveis e fracos. 

As folhas so grandes, de 24 cen- 
tmetros, ellipticas, inferiormente co- 
bertas de pellos rentes, que as tornam 
acinzentadas. 

As flores so brancas, um tanto 
grandes, com veios roixos no meio ; 
so fragrantes. 



O fructo ovide crespo, e contm 
interiormente sementinhas ellipticas : 
de 1 % centmetros ou mais de di- 
metro. 

E' empregado na construcco civil. 

Laere vcnnellio ou sniiilest- 
istei^le Lacre. Vismia antiscro- 
fhylla. Fam. das Hypericineas Ar- 
busto esgalhado ou arvore mediana, 
conhecida em Pernambuco por Lacre ; 
indgena. 

A casca parda-claru, as ramas su- 



LAN 



LAR 



S6 



pcriores so cobertas de pellos rentes, 
avermelhados. 

As folhas ovaes, alouradas, com a 
parte inferior avermelhada. 

As flores, em cachos, so bonitas, e 
todas as suas dependncias revestidas 
de uma espcie de coto vermelho, im- 
perceptivel ; so de um branco amarel- 
lado, com cinco feixes de filetes reuni- 
dos no centro, dando desenvolvimento 
a um fructo redondo, de 1 % centme- 
tros de dimetro, um pouco anguloso. 

Todas as partes d'esta- planta, e prin- 
palmente a fructa, vertem um sueco 
resinoso, vermelho, ou amarello aver- 
melhado. 

Est3 fructo liso, internamente di- 
vidido em cinco lojas, cheias de mui- 
tas sementinhas immersas no sueco. 

O povo usa do fructo d'esta planta, 
depois de secca, como a Assafra, para 
dar cr s comidas. 

Ella, entretanto, goza de excellente 
virtude contra as escrophulas, o que 
podemos asseverar. 

Pode tambm ser empregada na tin- 
cturaria. 

Ha tempos em que no verte o sueco. 

O tronco e a casca contm gomma- 
lacca fina, que ainda no se extrahe 
na provincia. 

L.a^G*jiia de I\ossa !eiiltora. 

Coix lacrima. Fam. das Gramneas. 

E' uma planta cuja aco medici- 
nal excitante. 

Applica-se em banhos. 

L.n|j;B*iBiBusi le Venusi. Lacrima 
Yeneris. Far. das Narciseas. Planta 
de cebola na raiz, e cuja flor tem este 
nome em Pernambuco. 

E' semelhante Aucena ; porm toda 
branca, com as lacineas ligadas entre 
si, na parte prxima do tubo, por uma 
membrana. 

E' planta de jardim. 

L.aiirta. Soldago vulneraria, 
Mart. Fam. das Cor,iposas. Planta 
herbcea do Rio Grande do Sul. 

Passa por ter virtudes vulnerarias. 



Laiitly. V. Lanlim. 

L.ai>tini. Collophyllnrii brasiliensis , 
St. Hil. e Mart. Fam. das Gutliferas. 
E' uma arvore elevada, que vegeta 
na provincia do Espirito-Santo. 

Tem folhas oppostas e ellipticas. 

As flores, em cachos abundantes, 
so brancas. 

Seus fructos no so apreciados. 

E' resinosa. 

Tambm vegeta em Manos. 

A resina empregada em emplas- 
tros abstergentes, e nas molstias da 
rara cavallar. 

Laranja do luatto. O fructo, 
que assim denominam em Pernambuco, 
de 12 centmetros de grandeza, de 
forma redonda e achatada, cr ama- 
rella, e superfcie desigual, protube- 
rante, e espessa. 

Contem internamente uma substancia 
esbranquiada, que no centro acolhe 
um carco grande, avermelhado, quando 
j no se encontra uma substancia 
gelatinosa, branca, doce e enjoativa. 

No pertence ao gnero da Laranja; 
do-lhe este nome em alluso forma 
da Laranja verdadeira. 

Laranja scca. Cilruz. Fam. 
das Aurantiaceas. E' mui semelhante 
Laranja de tmiMgo, e at as vezes 
encontram-se algumas com elle ; no 
entanto estas crescem as vezes tanto 
que se tornam do tamanho duplo das 
verdadeiras de umbigo, e os bagos, 
em vez de cheios de liquido, so con- 
cretos, de maneira que se tornam 
inspidos. 

Laranja seleeta. Citnis. Fam. 
idem. Esta laranja conhecida em 
todo o Brasil ; sobretudo as do Rio 
de Janeiro so recommendaveis, por 
serem as mais bellas e as mais agra- 
dveis. 

So globulosas, um pouco achatadas; 
tem a cr afogueiada amarella e ver- 
melha; o sabor muito doce, e agra- 
dvel; e, quando esto maduras, quasi 



ZG4 



LAR 



LAR 



que se no sente o acido ; n'este esta- 
do a ci" da fructa amarella do\irada. 

E' o resultado de enchertia. 

As folhas e as flores da laranjeira 
servem para fazer agua distillada. 

Das cascas extralie-se o leo essen- 
cial de laranjas. 

Laranja taiig;eriiia ou de 
Tanger. Citrus. Fam. idem. 
Esta espcie de Laranja ba ; a 
arvore semelhante s outras, com 
diflferena pouco sensvel, mas o fructo 
do tamanho de uma laranja grande, 
de casca grossa e mais porosa. 

No amarellece perfeitamente, fica 
de lima cr amarella esverdinhada, e, 
n'este estado, est muito madura. 

E' achatada em ambas as extremi- 
dades. 

A parte branca do pericarpo, por d'entvo 
milita desenvolvida, mais frouxa, 
e a membrana, que divide os gomos 
ou compartimentos, amarga, de ma- 
neira que, sendo os bagos muito doces 
e saborosos, mas ligando-se mem- 
brana, esta modifica o paladar. 

Sua origem (ptria) no est bem 
conhecida; no se sabe se da sia, 
da Africa ou mesmo da America. 

Laranja <la terra. Citrus vul- 
garis^ Risso. Farii. idem. Esta lar!,nja, 
que dizem ser indigena, tem as fo- 
lhas e espinhos quasi sempre maiores 
que as das outras. 

O fructo semelhante ao precedente, 
porm menos poroso. 

O pericarpo a parte que se presta 
fabricao de um doce, que ptimo. 

O sueco ou caldo azedo e amargo, 
e serve para limonadas. 

Encontram-se comtudo algumas la- 
ranjas da terra doces. 

A semente mais rugosa. 

Do sueco, misturado com agoa e as- 
sucar, se fazem bebidas refrigerantes ; 
e da casca, alem do doce, de que aci- 
ma se trata, faz-se tambm um licor 
de mesa muito estimado, chamado cu- 
rao, e um liquido espirituoso cha- 
mado Genebra de laranja. 



Propriedades jedicas. As folhas 
e a casca so estimulantes, e tnicas, e as 
flores antispasmodicas. 

Empregam-se nas digestes lentas, e 
molstias nervosas : como na hysteria, 
convulses, palpitaes do corao, etc. 

Internamente 4 grammas de folhas 
ou de cascas para 225 gammas d'agua 
fervendo, como tnico excitante. 

Laranja tiiranja . V. Cidra. 

Laranja le untl>ig:o. Citns 
(ecimiana). Fam. idem. Esta a 
espcie que prima na Bahia, onde so 
melhores. 

E' sem resultado de enxertia. 

E' redonda ou oblonga, tem na par- 
te inferior uma proeminncia verrucosa. 

De ordinrio maior (}ue a da China, 
e a cr no amarella intenso. 

O pericarpo mais grosso que na da 
China. 

Apresenta dentro uma proeminncia, 
que o rudimento de uma outra laran- 
jinha, engastada ahi. 

No criam sementes, e so mui do- 
ces e boas. 

Laranjeira trava. Zanhoxi- 
lum monoffptum, St. Hil. Fam. das 
Rtitaceas. Esta espcie, que nada tem 
de semelhante com as laranjeiras ver- 
dadeiras, conhecida por este nome na 
provncia do Espirito Santo. 

E' um arbusto, de folhas distribu- 
das em palmas, 'e trinadas. 

As flores, em cachos nas pontas dos 
ramos. 

Os fructos, como nozes, ovides e 
pequenos. 

Floresce em Setembro. 

No parece ser a mesma Larangeira 
Irava de Penedo, que se descobrio ser 
grande remdio para as diarrhas cho- 
leriformes. 

Laranjeira da Cliina. Citrus 
aurantiiwi., Linn. Fam. das uraniaceas. 
Arvore originaria da sia, d'onde 
passou para a Africa, Europa e America. 

E' cultivada em todo o Brasil e cons- 



LAR 



LA"R, 



S6S 



titue uma das maiores riquezas agri- 
colas das ilhas dos Aores. 

A Larangeira da China uma arvore 
mdia no territrio brasileiro, excepto 
na provncia do Cear, onde toma pro- 
pores taes, que chega a crescer tanto 
como uma mangueira, sendo apenas 
menos copada. 

Tem espinhos duros nos galhos, prin- 
cipalmente nos mais novos. 

Folhas ellipticas, de 9 centmetros, 
e no peciolo como que outras folhi- 
nhas ou azas, alternadamente distribu- 
das nos ramos. 

Essas folhinhas so lizas, e semeadas 
de pontinhos translcidos. 

As flores, em cachos, so brancas no 
pice dos ramos e axilla das folhas; 
so mui caducas. 

Seu cheiro agradvel, tm a forma 
de pequenas Anglicas, de tecido es- 
camoso, com pontas iguaes. 

As folhas no centro formam iim cir- 
culo de filetes, de pontas amarellas. 

O fructo tem, quando maduro, o 
tamanho de G, 9, 12 e 15 centmetros 
de dimetro ; espherico. 

Tem o psricarpo exterior amarello, 
na maturidade, crivado de pontos ve- 
siculares, que contm leo voltil. 

O interior formado de 8 10 aloja- 
mentos, que se separam uns dos outros. 

Contm um sueco amarellado, doce, 
um tanto acidulo e de sabor muito 
agradave 1; no centro tem uma columna 
de substancia frouxa e branca, e, nos 
ngulos de cada uma cavidade, trs ou 
quatro sementes ovoide.s,brancas, reves- 
tidas de uma membrana coriacea e fina. 

Existem numerosas variedades, de que 
trataremos especialmente. 

Ls%raH{^eii'a do iws^tto.Mtmdia 
spinosa, Kimth.Pohjgola^ Linn. Fam. 
das Polygalaceas.E' x\m arbusto mui 
ramoso, e de espinhos. 

Folhas regulares e coriaceas. 

Flores nas axillas das folhas, e re- 
viradas ; ellas so um tanto esquisitas. 

O fructo uma baga elliptica, con- 
tendo um ou dois caroos. 

Chamam-na tambm Limosinho. 



Laraiijnlia (cm Pernambuco). 
V. Jenipapo bravo. 

Laranjtas de Quito. Solanum 
qxdtoense, LaraTi. Fau. das Solanaceas. 
Planta do Alto Amazonas. 

E' comestvel. 

I^ascadiilio. Arvoredo paiz, que 
d madeira para obras internas e ex- 
ternas. 

L.ava-]SB>ato. Cssia medica, Vell. 
Fam, das Legitmitiosas. Conhece-se 
em Pernambuco e em Sergipe este ar- 
bustinho, com o nome de Lava-pra- 
to. 

E' de 1 a 1 e !4 metro de altura, com 
folhaso blongas, ponteagudas, e tem um 
cheiro desagradvel. 

O caule esverdinhado, e semi-le- 
nhoso. 

As flores, em cachos, so amarellas 
douradas, e dispostas em rosas, com 
prolongamentos no centro. 

Os fructos so vagens compridas, de 
24: 36 centmetros, angulosas, finas, e 
de cor verde. 

Contm maitas sementes angulosas, 
e de cr parda. 

Propriedades medicas. Esta planta 
medicinal, e empregada em cosimento 
como calmante nas dores. 

O sueco applica-se nas mordeduras 
de cobras. 

Emprega-se tambm como emme- 
nagogo. 

O Lava-prato das provncias do Sul 
a Mangerioba de Pernambuco, e Fedegoso 
do Rio de Janeiro e Bahia. 

As folhas d'esta planta, collocadas 
sobre as ulceras esponjosas, destroem 
a carnosidade. 

Para o rheumatismo, applica-se em 
banhos e cosimento, feito com toda a 
planta, e que abandona-se por trs 
dias, at experimentar alterao, ou 
fermentao. 

Serve-se, porm, do cosimento da raiz 
para uso interno. 

36 



S60 



LIC 



LOI 



L.avu-|)i*Hl4 dw Sul. r. Mati' 
(jerioha . 

L.erlielrex. V. Maleileira. 

L.ecytlii9. Sapucaia. Planta da 
famlia das^ Myvlaceas., que fornece ura 
leo apbrodisiaco. 

Emprega-se ena emulso noscatarrhos. 

L.ei tarifa. V. Maleiteira. 
Leiteira. F. Ma leiteira . 

Leiteiro g:s'o *le gnllo. Wil- 
highheia geminaia. Fam. das Apocyna- 
eeas. Nas Alagoas chamam por este 
nome um arbusto leitoso, de ramos del- 
gados, finos. 

Folhas oppostas, em quatro, ao redor 
do caule. 

Flores em cachos, em forma de jasmins 
com o limbo branco ; o annel amarel- 
lo. 

O fructo uma baga de 2 cent- 
metros, amarella dourada, e oval. 

O pericarpo tnue, contendo uma polpa 
aquosa, esbranquiada, com um caroo 
no centro. 

Esta substancia nauseabunda, e 
capaz de provocar A-omitos. 

A madeira usada em traves para 
soalhos, e portadas de edifcios- 

Lcntillaa <ra;iia, ou lr l'a- 
IKua .Pisiia orcidentalis. Pistia stra- 
liotes., Linn. Fam. das Aroideas. E' 
mucilaginosa. 

Propriedades medic.\s. Contusa 
serve para se appicar sobre postemas. 

Applicavam-na antigamente para uso 
interno contra as ourinas sanguneas, e 
contra a diabetes inspida, os tumores 
erysipelatosos, as molstias herpeticas e 
hemoptyses . 

Dizem os pretos, que a agua das 
fontes onde ella existe, envenena, occa- 
sionando clicas e dysenterias. 



Lieari Ikaaaali. V 

Imyra quiynha. 



Po cravo ou 



iJjuradeia*. Planta do Minas Ge- 
raes, que goza da propriedade preciosa 
de curar as feridas recentes. 

Li jfa-I lg:a . V . Liga-osso . 

Lg;a-o$iNo ou Lija-lla.a. Z>or/(?- 

nia acidcata. Fam. das Urticaceas. 
Herva agreste, conhecida em Pernam- 
buco por este nome. 

E' quasi rasteira, o caule curtssimo 
cheio de salincias, como espinhos molles. 

Folhas ovaes, um tanto oblongas, de 
peciolos compridos, e cor verde roi- 
xeada. 

Flores em um pendo, que se ergue 
do centro, e no qual, como na Contra- 
herva., existem as flores dentro de um 
corpo semelhante a coifa ; ellas so de 
dois sexos, e de cor parda. 

Propriedades medicas Esta planta 

empregada nas fracturas, como tendo 
a propriedade de accelerar a consoli- 
dao dos ossos, d'onde lhe vem seu 
nome. 

Applicam-na tambm nas afeces 
do peito recentes. 

Onde ha com mais abundncia d'esta 
planta na villa do Cabo em Per- 
nambuco. 

Lima ou Limeira da Prsia. 

Ciiris limei ta atiraria, Riss. Fam. 
das Aurantiaceas . Se bem que o nome 
da Prsia nos indique a ptria d'esta 
planta, que no duvidamos sr a sia, 
todavia ella est muito aeclimada nas 
regies littoraes do Mediterrneo ; de- 
baixo d'este nome que a conhecemos, 
e que cultiva-se em Pernambuco e mais 
provindas. 

E' um arbusto como a Laranjeira, 
com espinhos. 

As folhas, porm, so menores, 
mais pallidas', e enrolam-se. 

As flores so maiores. 

O fructo do tamanho de uma pe- 
quena Laranja da China, com o peri- 
carpo lustroso, de um verde amarel- 
lado. 

E' redondo, tendo apenas no pice 



LIM 



LIM 



SG- 



um pontosinho mais elevado; os te- 
cidos dentro so menos espessos. 

No mais como o limo-doce ; 
elle doce, porm pouco saboroso, e a 
parte interna do pericarpo branca- 
amarg^a. 

Pelo cheiro parece que encerra um 
principio almiscaroso. 

Do pericarpo se extrahe um leo 
voltil. 

Lima o II L.ikiei*a tle int- 
hi^o. Ciirus Umetta vulgaris, Risso. 
Fam. idem. E' fructo bem conhecido 
e estimado. 

E' tambm do mesmo paiz que a 
precedente, e est debaixo das mesmas 
condies territoriaes. 

Cultiva-se no Brasil. 

Hoje tem infelizmente escasseado 
sua cultura, propagando-se mais a da 
precedente. 

Esta espcie cresce mais, toma 
propores arbreas, de mediano porte. 

Suas folhas so maiores, e de cr 
mais escura ; tem tambm espinhos, 
6 suas partes todas so mais arom- 
ticas. 

A flor igual a da precedente. 

O fructo menor que uma Laranja 
da China, menor mesmo do que a Lima 
da Prsia ; globuloso, e achatado 
no pice, onde se eleva um umbigo 
cnico. 

O pericarpo rugoso e mais chei- 
roso, de um verde amarellado. 

O tecido semelhante ao da prece- 
dente, porm mais espesso. 

L.IIIUU azelo. Oiris Umonnm 
vvgarii. Fam. idem. Este fructo to 
necessrio ao homem em todos os 
paizes, natural da sia, alem do 
Ganges ; e desde a invaso dos Califas, 
segundo Risso, na sia meridional, 
data a sua primeira appario na 
Europa, sendo mais tarde levado 
outras partes do globo. 

O limoeiro no cresce entre ns 
como em seu paiz natal, onde toma 
dimenses arbreas ; entretanto, entre 
ns um arbusto esgalhado, frondoso 



espinhoso, de folhas pequenas, e com 
as mais apparencias de uma larangeira, 
porm com folhas menores. 

Flores tambm menos aromticas, e 
o porte mais acanhado. 

O fructo globuloso, de 3 6 cen- 
timetros de dimetro, uni is ou menos, 
oblongo. 

Pericarpo fino, de cr amarella clara 
com a mesma ostructura interna da 
laranja, sendo porm o sueco branco 
esverdinhado e muito azedo ; ma; 
communica s preparaes, em que 
elle entra, um excellente sabor. 

Tem muitas applicapps nos labora- 
trios chimicos. 

Extrahe-se d'elle o acido citrico, 
em grande quantidade, o qual em- 
pregado em medicina para a prepa- 
rao de limonadas. 

Nas artes, como a tincturaria e ou- 
tros muitos ramos de industria, o utili- 
sam como matria prima. 

Na confeitaria serve para doces ; dos 
pericarpos extrahe-se um leo essen- 
cial voltil. 

Com o limoeiro fazem-se cercas dos 
sitios e quintaes, formando pitorescas 
muralhas. 

Limo flce. Citnis bergamina 
vulgaris, Riss e Et Poit. Far. idem. 
E' uma das bellas fructas cultiva- 
das no Brasil, conhecida por este nome 
em Pernambuco, e talvez em todo o 
Imprio. 

Infelizmente j raro vr-se no mer- 
cado um limo-doce, o que devido 
incria da nossa horticultura. 

E' o resultado de um arbusto con- 
gnere da limeira. 

Tem o tronco mais fino. 

As folhas maiores e mais claras. 

As flores tambm maiores e cheirosas. 

O fructo, porm, de forma oblonga 
ou oval, tendo uma salincia cnica 
no pice, como a lima d'umbigo. 

Sua cr mais clara do que a d'esta, 
e os gommos interiores mais volumo- 
sos, e de um sabor doce, agradvel. 

No amarellece como a Zma, pois 
raro que algum tome esta cr. 



S6S 



LIM 



LIN 



Applica-se nas ebres inflammatorias. | St. Hil.Fam. das Pobj ff alaccas. lista, 

planta, conhecida cm So Paulo, sil- 



Liiiiio francez. Ciris limo 
num. Fam. idem. Esta espcie de 
limo, cultivada tambm no paiz, 
oriunda da sia, como os outros. 

Confunde-se muito com o limo doce, 
ao qual muito semelhante, havendo 
apenas diferenas insignificantes. 

O fructo igual, diferindo somente 
no gosto, porque o d'esta planta tem 
quasi tanto acido como o limo azedo. 

Limo cSo niatto das A1a|ca^. 

Citnis viscosum. Fam. idem. E' um 
fructo agreste, que nas Alagoas do 
este nome. 

E' de uma arvore elevada; de casca 
escura. 

Folhas oblongas. 

Flores no observadas. 

O fructo semelhante ao limo doce, 
porm sem o umbigo que este tem ; 
ao contrario achatado n'esta parte. 

Dentro dividido em cinco lojas, 
com um caroo liso, mesmo como o do 
Limo., e cheio de bagos, que contm 
um sueco esverdinhado. 

E' um pouco viscoso. 



vestre. 

E' um arbusto espinhoso, de ramos 
estendidos nas pontas superiores. 

Folhas lanceoladas. 

Flores solitrias nas axillas das fo- 
lhas, que so semelhana de uma 
borboleta. 

O fructo redondo. 

Floresce em Outubro. 

Limo. Debaixo d'esta palavra com- 
prehende o povo todos esses corpos 
de natureza e aspecto diversos, que 
se acham sobre rochedos, muros e 
outros quaesquer corpos, agarrados 
formando uma expanso verde. 

Muitos d'elles macios ao tacto, e es- 
corregadios, so aquelles que, formando 
crostas redondas e ii*regulares, inva- 
dem os telhados, os corpos vegetantes 
disformes, etc. 

Outros porm de formas mais bizar- 
ras, e cores mais brilhantes, bordejam 
as fontes, rios, e fluctuam sobre a 
superfcie das aguas. 

Falamos de uma d'estas espcies. 



Limosinho fa^ancez. Limo- 
nia, trifoliala., Linn. Fam. idem. 
. Arbusto originrio da ndia, cultivado, 
e por este nome conhecido em Per- 
nambuco. 

E' de porte pequeno, caules verdes, 
6 trepadeiros ; deitam-se sobre outras 
plantas. 

As folhas, com um ou dois espinhos 
na base dos peciolos, de cr verde es- 
cura, so ovaes, crivadas de pontinhos 
transparentes, como as da laranjeira. 

As flores tambm brancas, como as d'es- 
ta, porm menores, e com cheiro suave. 

O fructo uma baga oval, de Fk. cen- 
timetros, vermelha na maturidade, com 
trs caroos dentro e uma polpa vis- 
cosa, acida, que serve para bebidas 
refrigerantes. 

E' tambm ornamento de jardim. 

Limo4ss9lio . Mundia Irasilietisis ., 



Liiiao lo rio. Fucus communis. 
Fam das Hydrophjtas (Algas). Este 
limo uma herva, que se encontra pe- 
gada s bordas dos rios, riachos e 
tanques . 

E' um caule delgadssimo, ou uma 
ramificao filamentosa, orlada de fo- 
lhinhas delicadas membranosas, mi- 
croscpicas, que representam uma coma 
de cabellos verdes, reunidos por um 
ponto fixo. 

Algumas vezes essa cabelleira desliga- 
se d'esse ponto de insero, por qualquer 
aco physica, e segue por consequn- 
cia o movimento do curso das aguas, 
quando no fluctua no mesmo lugar. 

Esta herva estimada por que a 
melhor matria para encher colches ; 
alem de ser fresca, muito macia. 

Linda fls.*. Fam. das Compostas. 
Esta floresta, ha muito, naturalisada 
no Brasil, 



LIN 



LIN 



S69 



O nome indica a estima em que tida. 

E' uma planta rasteira. 

As folhas um tanto carnosas, em 
igura de palmas, lisas e sem lustro. 

A flor assemellia-se a um Mal-me-qxiei\ 
porm com as ptalas, que a formam 
na circumfereucia, em uma s ordem 
6 de cor avelludada, com uma mancha 
roixa na base ; o que, pela reunio 
das folhetas, faz um circulo roixo no 
centro, e lhe d muita graa. 

Tem o pednculo longo. 

Liiii^uit de loi. V. Cip de es- 
cada. 

Lngua le eoellto. Elephantoptis 
Uttoralis. Fam. das Compostas. Herva 
que cresce at % metro de altura, for- 
mando soqueirinhas. 

As folhas so compridas, de cor verde 
clara suja. 

E' conhecida por tal nome em Per- 
nambuco, e vegeta pelas areias da 
praia. 

E' mui pilJosa e macia. 

As flores so como jasmins brancos, 
delicados. 

Deita uma sementinha volante, que 
a fructa. 

Tem applicaes medicinaes. 

LisB^sia tie cn&ia. Sida lingui 
cotia. Fam. das 3Ialvaceas. Tem nas 
Alagoas este nome . 

E' uma herva espigada, e quasi sem 
ramos. 

O caule tem a casca roixa escura. 

As folhas alternadas, estreitas e lan- 
ceoladas, de pellos. 

As flores, com pednculos longos, 
em cachos, so de cor de ganga, com 
manchas roixas no centro, em forma 
simples de rosa. 

A fructinha uma capsula, que di- 
vide-se em cinco lojas, contendo as 
sementes. 

E' applicada como suppurante de 
tumores. 

Em Sergipe chamam-na Sacca-estrepe. 

Em Pernambuco Sacca-estrepe outra 
planta. 



Lingiia de fiik. V. Ck de frade 

Liliana de sapo. Piper trans- 
farens. Fam. das Urticaceas. Pequena 
herva, quasi rasteira, que eleva seus 
raminhos 12 centmetros. 

O caule succulento, e transparente. 

As folhas, tambm transparentes, teem 
a forma de um corao. 

D flores em uma espiga, crivada 
de corpsculos nimiamente pequenos, 
que no parecera ser as flores. 

Esta planta vegeta pelos telhados, 
muros, e em todo o terreno. 

E' empregada contra as fluxes, tosses 
e catarrhos. 

Come-se como brdo, em salada. 

Recebe tambm o nome de Brdo de 
muro^ e de Herva de vidro. 

L.iiig:ua de tucano. Enjngiiim 
lngua tiicani, Mart. Fam. das Omhel- 
liferas. Planta mucilaginosa, ligeira- 
mente amarga, aconselhada como diu- 
rtica, e empregada tambm nas ulceras 
de garganta. 

Lifiinua le vacca, no Sul. 

Tussilago nutans., Lnn. e Well. Fam. 
das Compostas. Esta herva mesinheira, 
natural do paiz, tem diversos nomes, 
o que causa algum embarao para co- 
nhecel-a. 

Chamam-na tambm Fumo do matto ; 
mas o Fii,mo do matto outra espcie. 

Esta uma herva quasi rasteira, 
cujos ramos ou caules pouco se erguem. 

As folhas so grandes, ovaes, oblon- 
gas, speras, azuladas, e um tanto 
pillosas. 

Lana uma espiga, na qual nascem 
as flores que so brancas, como pequenos 
jasmins. 

Os fructos so insigniflcantes. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada nas molstias de pelle, sypliili- 
ticas de qualquer espcie, nas fortes 
fluxes, nas constipaes, como anti- 
febril, e na cura das blenorrhas. 

A raiz tem um principio acre, aro- 
mtico. 



70 



LIR 



LIT 



Em Sergipe chamam-na Sangidneira 
e Rabasse, cm outros lugares fferva de 
sai/ffue. 

Applica-se na clse de 8 grammas 
para 500 grammas d'agua, trs vezes 
ao dia. 

LiigIIbo. Linum iisitatissimum^ Linn. 
Fmi. das Caryophylladas. Planta her- 
bcea, originaria dos campos da alta 
Aia, cultivada desde remota antigui- 
tiade na Europa e no Brasil , e, lia 
poucos annos, nas provincias do Sul. 

Para as provincias do Norte ensaiou- 
se sua cultura, mas no prosperou. 

Propriedades medicas. As sementes 
de linhaa so empregadas pelos me 
dicos, em infuso, para uso interno, e 
externameiite em cataplasmas. 

So empregadas contra as gonorrheas, 
e outras inflammaes das membranas 
mucosas. 

Os seus cauliulos fornecem fios, que 
servem para tecer os pannos de linho. 

L,iE'io. Liliumcandidura^Linn. e Red. 
Fam. das Liliaceas. E' uma flor de 
estima, originaria do Levante da Europa, 
e de outras partes. 

Cultiva-se no Brasil, nos jardins. 

E' planta herbcea, de raiz, como 
bulbosa. 

As folhas, na superfcie da terra, mui 
longas e estreitas. 

Do seu centro nasce um pendo de 
50 a 100 centimetros, que se apresenta 
cheio de folhinhas. 

As flores formam uma espiga ; so 
brancas e grandes, pendentes e fra- 
grantes. 

Florescem em Junho e Julho. 

No sabemos informar as espcies 
(|ue o Brasil cultiva. 

Com o nome de Lirio tem alguns 
jardins uma flor bojuda, alada, de cor 
roixo-violeta, com manchas amarellas, 
e marchetada de purpura. 

Tem bulbo na raiz. 

Ha uma espcie da familia das Iri- 
daceas^ a que chamam Lirio . 

Lrio. V. Cebola sem-sem. 



I.ti'o sii Ticajr. Tukprama- 
ryllis. Fam. das Amaryllidaceas. E' na 
lngua tupinica Lirio. 

I.irio i&iti*ll< lo catniio 

Moreas. Fam. idem. Planta que vegeta 
nos campos de Minas, Matto- Grosso e 
Govaz. 

Ivirio esB*GiBio. Irii xiphtm, Linn. 
Fam das Iridaceas. Esta espcie de 
Lirio natural da America, e tambm da 
Europa. 

I^srio Bo mwtto. Par danthis tri- 
color. Fam. idem. E' uma bella flor 
prpria para jardim, que vegeta nas 
mattas de Alagoas, onde lhe do este 
nome. 

E' uma planta, de folhas seme- 
lhana da precedente. 

Sahe do centro um caule foliaceo 
e membranoso, o qual apresenta flores 
meio bojudas, estendendo trs lami- 
nasinhas; so brancas com as pontas 
amarellas. 

A fructinha uma capsula hexa- 
gonal, contendo muitas sementes re- 
dondas, 

Liro E*OBXo. Morea nortMana ., 
Audr. e Person. Morea sincaa, Her . 
Fam. idem. Planta que tambm cresce 
na America meridional. 

E' curiosa, porque as flores sahem 
de uma bainha, que as folhas formam. 

Diz-se ser purgativa. 

L-tcBii. Eih-plioria litchi., Desf. 
Fam. das Sainndaceas. Este fructo 
oriundo da China e da ndia ; passa por 
muito bom, e cultivado da Europa. 

Elle proveniente de uma arvore, 
de folhas dispostas em palmas. 

Flores pequenas, em cachos. 

Fructo do tamanho da Longana., ou 
um tanto maior. 

E' verrucoso por fora, e contm dois 
caroos adherentes a uma substancia 
apreciada. 

Cultiva-se na ilha de Frana, d'onde 
passou America. 



LAN 



LOU 



ss:^! 



I.toEy. 7. LilcM. 

Loi^oloba. Couohoria loboloba, Si. 
Hl. Fam. das Violceas. Arbusto 
das provncias do Sul. 

Suas folhas cruas tem sabor her- 
bceo, mas cosinhadas so mucllagi- 
nosas e comestveis. 

LoiiaE9s*g:(iG*a. Spigelia anthel- 
uintica^ Linu. Far. das Spigeliaceas. 
Esta herva, a que tambm chamam 
Herva de Santa Maria e Herva Cruz, 
julgamos ser conhecida em muitas 
provncias. 

Ella indgena; cresce at 50 cen- 
tmetros. 

O caule nodoso e liso. 

As folhas, se cruzam no topo do 
caule ; so ovaes. 

As flores, em uma espiga inserida 
de um s lado, so de um roixo des- 
botado ou cr de rosa sujo, de forma 
de um funil. 

O fructo como duas bolas unidas, 
de cr verde, contendo uma ou mais 
sementes. 

Propriedades medicas. E' um espe- 
cifico contra os vermes intestnaes. Em- 
prega-se a planta toda, porm de prefe- 
rencia as folhas. 

Administra-se em p, em cosimento, 
em xarope e em gela ; mas neces- 
srio alguma cautela na applicao. 

I^Oii|"^aan,. Euplioria longana, Limi. 
Fam. das Sapindaceas. E' um fructo 
natural da China, mui estimado e cul- 
tivado no seu paiz natal, na ilha de 
Frana e no Brasil. 

E' proveniente de uma arvore, ds 
folhas distribudas em palmas. 

Flores pequenas, em cachos. 

O fructo uma baga alguma cou s,a 
pequena, com um caroo, que envol- 
vido por uma polpa que se come ; 
mui agradvel e de sabor especial. 

Este fructo congnere do Litchi, 
ambas pati*icias, congneres e apreci- 
veis, sendo, porm, o fructo d'esta menos 
saboroso que o d'aquella. 



Losinaoa Abyiithio. Ariemisia 
absyntJiium. Fam. das Sy^ianthereas . 
Planta que habita em toda a Europa. 

E' muito cultivada no Brasil. 

E' de 1 metro e 12 centmetros de 
altura. 

Folhas esbranquiadas de ambos os 
lados, que parecem prateadas, so tam- 
bm pinnadas em ambos os lados. 

Flores compostas, mucosas, de cr 
amarella. 

Fructo akenio, com cheiro forte, desa- 
gradvel, e sabor muito amargo. 

Propriedades medicas. E' tnico, 
excitante, e usado como vermfugo, 
estomachico e febrfugo, tambm em- 
menagogo. 

Isa dose de 16 grammas para 500 
grammas de agua, prepara-se a sua 
infuso. 

L.onEiB o Mi6*aii!ko. Artemsia 
ambrosiaca. Fam. idem. E' uma plan- 
tinha mais ou menos como a Macella 
e a Artimisia. 

E' excitante, e gosa das mesmas 
propriedades que a precedente. 

Loco. F. Qimmadeira. 

Louro aSiicafe. Fam. das Lau- 
rineas. Vegeta nas provncias do Par 
e Amazonas. 

E' empregado na construco naval, 
civil, e na marcineria. 

Loura asuarello. Cryptocarya 
liiteola. Fam. idem. Esta espcie 
abunda nas provncias do norte do 
Imprio, principalmente em Alagoas, 
Pernambuco e Par. 

Parece ser escassa em outras pro- 
vncias do paiz ; pelo menos no ofe- 
rece tantas espcies como nas Alagoas. 

Esta arvore e suas congneres so 
altas ; sendo esta de casca grossa e 
spera. 

Folhas alternas, regulares, esbran- 
quiadas por baixo. 

As flores, em cachos, parecem sempre 
em botes. 



s 



LOU 



LOU 



O fructo escuro e parecido com o 
do Louro de tempero, j descripto. 

Tem o p vermelho. 

A madeira d'esta arvore d muito 
bom taboado; amarella clara, pole- 
se muito bem, e tem diversas appli- 
caes. 

Em Pernambuco do-llie o nome de 
Louro haitiano ou da mata. 

Emprega-se na construco civil, na- 
val, e na marcineria. 

Louro a.iarello tie olheiro. 

Persea fragrans. Fam. idem. Esta 
outra espcie, conhecida nas Alagoas 
por este nome, passa por uma das 
melhores, e chamam-na Loiro de cheiro. 
Com effeito, quando se derruba a ar- 
vore, emana d'ella activssimo cheiro. 

Estas arvores so mui parecidas umas 
com outras; os caracteres d'esta so 
os seguintes : 

Folhas ellipticas, um pouco maiores, 
cobertas de pello branco aloirado por 
cima. 

As flores so brancas, em cachos, e 
cheirosas. 

O fructo uma baga parecida com 
uma pimenta de cheiro roixa, com um 
caroo ; sustentado por um pedn- 
culo grosso na parte superior. 

A madeira amarella mui cheirosa. 

Suppomos ser o Louro verdadeiro de 
Pernambuco. 

D bellas taboas de soalho ; serve 
para construco civil e naval, e sobre 
tudo i^ara todas as obras de edifcios, 
por ser incorruptvel ao cupim. 



IL.oiii*o aaikitrgo^o. 

hesunto. 



V. Louro 



L.ous*o liahano. V. Louro ama- 
rello. 

Louro besusao ou tiia&af- 

go^o. Cryptocarya amara. Fam. idem. 
Este Louro conhecido nas Alagoas 
e Pernambuco. 

Chamam-no t;imbem Louro cago. 

Com effeito quando se trabalha n'elle^ 
ou quando se descasca, exhala um cheiro 
semelhante ao do escremento humano. 



E' uma arvore ramosa, de folhas re- 
gulares, ovaes, oblongas, que, submet- 
tidas presso, deitam cheiro. 

As flores so mui pequenas, c ama- 
relladas. 

O fructo como o dos outros lou- 
ros mais ou menos. 

Esta madeira serve para soalho, 
portasse caixilhos de edifcios. 

Emprega-se tambm na marcineria 
para mezas, bancos, etc. 

Louro ^raBico ou eaiijs; de 
porco. Persea laurea. Fam. idem. 
Qlas. idem. Esta espcie de Louro^ 
a que nas Alagoas chamam Louro 
canga de porco^ o mais fcil de se 
achar, porque em qualquer capoeira, se 
o est encontrando. 

E' arvore esgalhada, formando mui- 
tas forquilhas. 

As folhas so ovaes, regulares e 
lustrosas. 

As flores, em cachos pequenos, so 
amarelladas. 

O fructo, como o das outras, ficando 
com o pednculo agarrado semente. 
A madeira d'este louro de pouco 
valor; mais porosa, e branca, e de 
quasi nenhum cheiro. 

Suppomos ser a espcie que em Per- 
nambuco chamam Louro Iranco. 

Presta-se muitos usos ; fazem 
d'ella caixesinhos para doce, bem 
como taboado. 

Louro canella. Fam. idem. 
Esta espcie, dizem, semelhante s 
outras conhecidas ; tem este nome em 
Pernambuco. 

A madeira parda e tambm cheirosa. 

Presta-se a certos usos nas artes. 

Louro eaaisa le porco. 

Fam. das La%iriaceas . Este arbusto, 
assim denominado nas Alagoas, tem 
os ramos flexveis, que se inclinam 
sobre outros vegetaes. 

Tem a casca roixa escura. 

As folhas medianas. 

As flores, em cachos, pequenas, ama- 
relladas, com cheiro, e mui infrueti- 
feras. 



LOU 



LUZ 



7 



O fructo 6 como uma azeitona ; e 
quando secca fica branco, parecendo 
ter sido pintado de alvaiade. 

E' empregado nas obras internas. 

Este Louro tem toda analogia com 
a planta de Pernambuco Abraa-mindo 
ou Maongo (Thesium fructualbiim) . 
Fam. das Smtalaceas. 

Louro cereja. Priimis laiiro cera- 

sus, Linn. Fam. das Rosceas. Arvore 

originaria das margens do Mar Negro. 

Tem as folhas grandes, ovaes, al- 
longadas, agudas, denticuladas nas 
margens, duras e mui luzidias. 

As flores brancas, s quaes succe- 
dem fructos arredondados, denegridos, 
que contm um caroo ; dentro do 
qual se acha uma amndoa muito amar- 
ga, com cheiro de amndoas amargas, 
ou de acido prussico. 

A agua destillada e o leo essencial 
das folhas contm acido prussico. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gado como calmante nas tosses ner- 
vosas, asthma e na phtisica ; na dose 
de 8 grammas at 30 em 250 gram- 
mas d'agua distillada em 21 horas. 

Externamente usa-se em loes con- 
tra dores rheumaticas. 

L.ou2*o de clieiro. V. Amarel- 
lo de cheiro. 



Louro, ou L.ouro eoiuinuni. 

Laurus noMlis. Fam. das Lauraceas. 

Arvore da Europa meridional ; ha- 
bita espontaneamente em Portugal, e 
cultiva-se em Pernambuco e no Rio 
de Janeiro. 

Tronco liso. 

Folhas pecioladas, sempre verdes, 
ovides, lanceoladas, agudas, glabras, 
um tanto luzidias, de textura scca, de 
cheiro agradvel e sabor acre-aroma- 
tico. 

Estas folhas so estimulantes, c em- 
pregam-se como tempero nas comidas. 

Os fructos ovides contm dois leos. 

Louro fresco. Fau. idem 



E' um outro louro, que nas Alagoas 
do este nome. 

arvore alta. 

Quando se lhe levanta a casca, ou 
mesmo se derruba, a arvore derrama 
uma tal frescura que se sente, mesmo 
sem o seu contacto. 

tambm til para todas as obras 
de edifcios. 

Louro tUi. Cryptocarya thi. 
Fam. idem. Esta espcie, que tem este 
nome nas Alagoas, tambm conhecida 
em Pernambuco. 

Tem a casca parda. 

As folhas ellipticas, grandes e sem 
pellos. 

As flores, de um branco esverdi- 
nliado, dispostas em cachos. 

O fructo, como os do seu gnero, 
cheio de pontos vesiculosos, e mais 
cheiroso que o de outro qualquer louro. 

A madeira de tanta importncia 
como as melhores ; a cr do lenho 
amarella clara, assemelhando-se cr 
da ganga amarella. 

usada em todas as obras de mar- 
ceneria. 



Lpulo. Humulus lujmlus, Zinn. 
Fam. das Uricaceas. Esta planta eu- 
ropea cultiva-se no Brasil. 

E' de caules herbceos e trepa- 
deira. 

As folhas assemelham-se s da par- 
reira, e so duras. 

As flores, se separam em sexos, e 
formam capitulos. 

Cultivam-n'a em grande escala, por 
ser objecto de grande commercio. 

O emprego das flores d'esta planta 
mais geral na industria do fabrico 
da cerveja, do que nas applicaes da 
medicina. 

Hoje, com o fabrico e consumo da 
cerveja nacional, a colnia de S. Leo- 
poldo, da provncia do Rio Grande do 
Sul, iniciou o cultivo d'essa planta, 
que pelo clima e qualidades agron- 
micas das terras, muito promette. 

I^iizetro. F. Maleiteira. 







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L.3'CO})0(lo iti!i;;-ena. Liicopo- 
dimii certmim, Swart. Far. das Ly- 
copodiareas. F/ uma bonita planta mui 
ramiticada. 

Seu p semelhante ao do L//co- 
podi da Eiiropa. 



Propriedades medicas. Nas Anti- 
lhas se emprega esta espcie como 
diurtica; til nos tumores arthritieos 
em fomentaces. 



]VE. 



MaSiosii. Moriso7iia americana, 
Linn. Fam. das Capparidaccas. E' uma 
arvore da America meridional. 

Na Martinica chamam-na Arvore do 
diabo. 

Tem as virtudes da Parreira Irava. 

MaPiaiaiBfs. Fam. das Legurai- 
nosas. E' uma arvore agreste das 
mattas do Par. 

Sua madeira, vermelha, com veios 
larg-os e marchetados de cr mais escura, 
assemelha-s3 tartaruga. 

E' muito estimada na marceneria, e 
applica-se para construco naval e 
civil. 

Mael>i% ob reo iSe <<>itti%t*i*lio. 

Cocos ventricosa, Arr. Cam. Acro- 
coniia sclero-carpa., Mart. Fam. das 
Palmeiras. A Macaiha o fructo de 
uma palmeira Macaiheira., que em 
lingua tupinica Macaiba. 

Cresce expontaneamente de Pernam- 
buco para o Norte. 

J nas Alagoas dizem que raro en- 
contrar-se algum individuo d'esta es- 
pcie. 

A palmeira de 6 8 metros de 
altura, e s vezes mais. 

O tronco cinzento da cr do co- 
queiro, tem um bojo no meio e eri- 
ado de espinhos longos, finos e acha- 
tados, cujo ponto de insero fraco. 

O pice coroado de um ramalhete 
de palmas foliaceas, como nas demais 
palmeiras cujas folhas so dispostas de 
maneira que parecem crespas. 



D dois cachos, um deflores femininas 
outro de masculinas, so pendentes , o 
primeiro de 50 centmetros para cima. 

O fructo redondo, de 5 centme- 
tros de dimetro, tem na base peque- 
nas escamas sobrepostas; o pericarpo 
de cr parda escura e manchado , 
formado por uma substancia crnea, 
quebradia de 2 millimetros de es- 
pessura. 

Elle separado da outra parte in- 
terna, quando maduro ; e esta parte 
um corpo amarello-esverdinhado, com- 
pacto, mucillaginoso, viscoso, e doce, 
unido a um caroo grande. 

Este corpo a parte comestvel, al- 
guns o assam para comer. 

O caroo, que duro e sseo, porque 
o envoltrio um pouco grosso, tem 
uma amndoa gostosa. 

Dos peciolos e mais partes d'esta 
palmeira faz-se balaios, e fabrica-se 
um excellente flo, que mui procu- 
rado pela sua tenacidade; empregado 
na confeco de redes de pescar. 

O lugar em que o costumam fiar em 
maior quantidade em Pernambuco, 
na praia denominada Itapissima. 

Fazem da Macaiha uma beberagem 
no Par ; ahi chamam a este coco 
Mticaj, no Maranho Macajba, nas 
Alagoas e Pernambuco Macaiha e no 
Rio de Janeiro Coco de catarrho. 

Maesajera, V. Macliaxera. 

niaeajtiliss. V. Macaba ou Co- 
queiro fiiacajiiba ou de catarrho. 



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llaeaBBibica de baatco. Fam. 
das Cactaceas. Vegetal dos nossos ser- 
tes, que cresce nas catingas. 

E' de porte herbceo de 1 a 1 Y. 
metros pouco mais ou menos de 
elevao. 

Tem as folhas sobre a superfcie da 
terra ; ellas so grossas, succulentas 
e largas, como geralmente os Cardos^ 
terminando em esporo agudo, or- 
lado de espinhos curvos. 

Deita um caule de pouca altura, 
com flores vermelhas aroixeadas, e 
em cachos. 

Os fructos so bagas, espcies de 
bananas de 6 centmetros de compri- 
mento, angulosas e sem cheiro ; cer- 
tos bichos as comem. 

Nas grandes sccas o povo do ser- 
tes come a polpa da base das folhas. 

Hlaeaiatbira ele caeSOvro. 

Fam. idem. E' igual precedente, 
pouco mais ou menos ; espalha-se 
mais, fornrando touceiras, oferecendo 
aculeos. 

Maca III l>i*a de lexas. Fam. 

idem. EstM, espcie cresce ncs pe- 
dregulhos e nas pedreiras. 

E' semelhante s primeiras, com as 
folhas menores e a cr acinzentada. 

As flores e os fructos so seme- 
lhantes. 

Os espinhos d'esta planta so to 
agudos, que no ha animal que penetre 
por entre elles. 

nia. Pijriis malus., Linn. Ma- 
his commtinis., D. C. Fam. das Ros- 
ceas. A ma uma fructa natural 
d Europa, cultivada entre ns. 

Da Bahia para o Sul d excellen- 
temente, e em particular em S. Paulo 
e na provncia do Rio Grande do Sul . 

E' produeto de uma arvore de me- 
diano porte de folhas luzentes. 

Flores rosceas em cachos. 

Os fructos so iguaes aos que aqui 
apparecem importadas da Europa. 

So do tamanho de uma laranja pe- 
quena, com as extremidades achatadas, 



formando um umbigo emcima e outro 
embaixo; isto , duas cavidades circu- 
lares ; a casca de fora flna, lisa e 
lustrosa, de cr amarella esverdinhada 
com uma zona purpurina. 

Dentro acha-se uma substancia com- 
pacta, branca, semi-transparente, gra- 
nulosa, de um sabor doce e acido 
muito agradvel, contendo dois caro- 
os. 

Ha na Europa umas dez variedades 
d'esta espcie pelo menos. 

Ma^' de AisaiV^a ou Jdjit- 

lieira. Rhamnus zizyphus. Zysiphiis 
Jujuha., Lamli. Fam. das Rliamnaceas. 
A jijiheira uma arvore mediana e 
bonita. 

Seu tronco no engrossa, e tem de 
dimetro cerca de 36 centmetros. 

E' ramosa, com espinhos nos ramos. 

Tem as folhas pequenas, lustrosas, 
com as divises medianas em trs 
pontas longitudinaes. 

As flores, em pequenos grupos, so 
amarelladas e pequeninas; parecem es- 
trellinhas. 

O fructo uma semelhana da Ma 
porm de 3 4 e meio centmetros de 
tamanho, oval, achatado, com dois ca- 
roos dentro. 

A massa polposa, doce e boa. 

O fructo amarello esverdinhado. 

E' d'elle que os pharmaceuticos prepa- 
ram a pasta de jujuba que se usa 
como peitoral. 

A planta existio no Jardim botnico 
de Olinda. 

Hla Io mattfo. Sorbus hrasilien- 
sis. Fam das Rosceas. Toda a arvore, 
tanto o fructo como a casca e folhas 
abundam em acido prussico, mas as 
sementes no contem o referido acido. 

A casca tem aco tnica, e usa-se 
como antifebril. 

Hlaarauflitlia 1t rana. Mi- 

musops. Fam. das Sai)otaceas. E um 
fructo do norte do Brasil, proveniente 
de uma arvore elevada, que sem du- 
vida pertence a este gnero. 



"Jfi 



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MM' 



Cort;i-se a arvore par-, se colherem 
os fruetos. (!j 

Elles so de 9 12 centimetros de 
comprimento, redondos, ovae.s, de cor 
amare 11 a. 

Contm no interior uma massa mui 
leitosa branca e doce, com dois caroos 
pretos fusiformes e chatos no centro. 

Come-se, mas to acre esta substan- 
cia, que no se pode comer mais de 
dois fruetos s^m que se fique com a 
lingua ferida. 

Destroe-se, porm, esta propriedade 
cosinhando os fruetos e pondo-os so- 
bre uma urupema ou peneira grossa, 
para resfriarem e deixarem correr a 
agua. 

Ento converte-se toda a mas.sa lei- 
tosa n'um licor doce e mui agradvel, 
de gosto semelhante ao do Sapoti. 

IYIa^'ai*tiiil3i9)a de leiUe ou lei- 
tosa. Mimnsops florihunda. Fam. 
idem. E' um fructinho conhecido em 
Pejrnambuco, Alagoas, Bahia e Par por 
este nome. 

Provm de uma arvore copada e lacti- 
fera em todas as suas partes. 

As folhas dispostas em grupos, nas 
extremidades dos ramos. 

As flores, em feixes nas axillas dos 
ramos, so brancas esverdinhadas. 

Os fruetos, semelhantes aos da pre- 
cedente, apresenta por fora trs cores 
em zonas-amarella, vermelha e esver- 
(iinhada. 

So de 3 centimetros de dimetro, e 
saborosas ; mas o sueco leitoso e vis- 
coso que tem faz desmerecer o seu 
sabor agradvel ; deixa os lbios to 
pegajosos, que preciso, para desem- 
baraeal-os, untal-os com azeite doce. 

A madeira d'esta arvore empregada 
em certas obras : como esteios, fre- 
chaes, etc. 

Apanhando fumaa torna-se durvel. 

niaaraiKliib ou Mafaraii- 
tlubeira lo Par. Mimnsops ex- 
celsa. Fr. Aliem. Fam. Idem. E' uma 
arvore elevada do Par, de 20 a 24 metros 
de altura. 



Tem a casca rugosa, lactifera e man- 
chada, de ramos copados. 

Folhas oblongas. 

Flores naturalmente brancas. 

O fructo a Maaranduha, como as 
demais descriptas. 

Segundo um relatrio apresentado no 
Par em 18G, a madeira d'esta arvo- 
re uma das mais procuradas para a 
construco civil e naval ; resiste mais 
que as outras aco do tempo e da 
agua ; dura e presta-se muito ao 
polimento. 

Fazendo-se uma inciso na madeira, 
exsuda grande quantidade de sueco lei- 
toso, que tem diversas applicaes. 

Uns o empregam na preparao de 
mingos, outros usam mistural-o no 
ch ou no caf, no que substitue per- 
feitamente o leite de vacca. 

Ha individues gulosos que o bebem 
simples ; mas d'esta imprudncia tm 
resultado accidentes fataes, pela coa- 
gulao do leite no estmago. 

Este sueco tem um importante uso, 
que servir para fazer a colla pr- 
pria para grudar qualquer vasilha de 
barro, loua ou utenslio de madeira 
que se quebra. 

Solda-se com este adhesivo, ficando 
mais solido do que era d'antes. 

Podem os marceneiros empregal-o com 
preferencia outra qualquer colla, na 
unio das peas de moblias. 

As canoas e barcos que so cala- 
fetados com elle embebido em algodo 
ou em sma-ma so os mais bem 
calafetados. 

E' tambm empregado nos pannos 
que forram os toldos de canoas e esca- 
leres, os quaes, sendo pintados com elle, 
tornam-se perfeitamente impermeveis 
agua, dispensando breu, leos e ou- 
tras preparaes. 

O leite da Ma.aranduha o melhor 
succedaneo da gutta-percha., na cons- 
truco de cabos e em outras applica- 
es em que substitue a esse pro- 
ducto, e borracha. 

Para mostrar de quanto valor e quo 
precioso o sueco de que se trata, 
basta dizer que combinado com a bor- 



MAC 



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^tH 



racha presta-se ao fabrico de cadeias 
de relgios anneis, pulseiras, brincos e 
outros ornatos de luto, bocetas, pen- 
tes, tinteiros, canetas, cliicaras, copos 
para agua, bengalas, frascos, garfos, 
colheres, facas para cortar papel, potes, 
canecos, porta - relgios, caixinhas de 
jias, e de costuras, armaduras de bin- 
culos e outros muitos instrumentos. 

O leite da llaaranduba exposto ao 
ar livre converte-se por coagulao 
lenta em uma substancia de cr branca, 
um pouco acinzentada, muito solida, 
compacta e quasi perfeitamente idn- 
tica ffutla percha, tendo sobre este 
producto a vantagem de ser mais 
elstica. 

Depois de perfeitamente coagulado 
impermevel agua, onde torna-se 
cada vez mais endurecido ; mas, im- 
merso em agua quente, amollece e tor- 
na-se elstico tomando todas as for- 
mas que se queira dar-lhe. 

Est hoje evidentemente provado que 
o leite da Maarancliiha da verdadeira 
gutta-percha . 

A Maaranduba abunda no Par, nas 
provncias do Norte, e sobretudo , em 
Pernambuco e at em Minas-Geraes e 
Matto-Grosso ; convm por tanto ex- 
plorai -a. 

Propriedades medicas. Possue este 
leite propriedades medicas ; peitoral 
analeptico, usado internamente, e re- 
solvente externamente. Produz consti- 
pao do ventre. (Fig. 24.) 

Maaranduba vernieSa. Mi- 

musops brasiliensis. FoAn. idem. Esta 
espcie, que suppomos ser a mesma 
Maaranduba do Par, semelhante a 
precedente, e a verdadeira de Pernam- 
buco ; difere por caracteres especiaes. 

E' mais gigantesca que a precedente, 
fornece tambm muito sueco leitoso do 
tronco e de todas as outras partes. 

Os fructos so semelhantes. 

A madeira empregada como boa. 

Aproveitam o leite do tronco para 
visgo, e a madeira para obras de con- 
strucco, e de marceneria. 



Modernamente descobriram-se outras 
excellentes propriedades do leite da 
Maaranduba. 

Segundo um relatrio apresentado no 
Par em 1865 inserido no Dirio de 
Pernambuco n. 33 do mesmo anno em 
10 de fevereiro, elle presta-se a to- 
mar-se misturado ao caf, como o 
leite de vacca, e coagula-se sendo til 
a outros misteres. 

Hlacella do campo, de S. 

Paulo. E' uma planta mediana que 
cresce nos campos, cujas flores so 
amarellas, entretecidas de pellos ma- 
cios, que se colhe para encher traves- 
seiros e colches. 
Talvez seja a Macella de Alagoas. 

HlaeeBla de S. Paulo. V. Ma- 
cella do campo. 

^Ilacella de taboleiro, das 
Alagras. Conyza rida. Farn. das 
Compostas. Nas Alagoas chamam Ma- 
cella dos taboleiros a vima herva deli- 
cada que nasce nos terrenos duros e 
seccos, elevando-se at 50 centmetros 
de altura; encontram-se em canteiros. 

Seus caules e folhas estreitinhas 
so to cobertos de pello macio e branco, 
que tornam-se esbranquiados. 

As flores so como uns botesinhos 
amarellos ; contendo os fructinhos co- 
roados por um feixe de pellos macios. 

Com estas flores e seu involtorio, 
que tambm macio, enche-se col- 
ches e travesseiros ; porm m essa 
pratica, porque ellas tom um cheiro, 
se bem que suave, todavia nocivo para 
quem o respirar. 

MaeeSla d ferra. Matricaria 
americo/na. Fam. idem. Herva ind- 
gena, ramosa e aromtica. Esfregando- 
se nos dedos qualquer de suas partes 
exhala o mesmo cheiro da Macella das 
boticas. 

E' de 25 a 50 centmetros de altu- 
ra. 

Folhas pequenas e estreitas, for- 
mando orelhasinhas em derredor. 



^8 



MAC 



MAC 



Flores isoladas ou em pequenos 
cachos. 

Todas as partes da planta, caule, 
folhas e flores, so cobertas de pellos 
glandulosos. 

A flor espherica na base. 

O involtorio formado por folhetas 
verdes, sobrepostas, e a parte superior 
radiada de linguetas estreitinhas bran- 
cas e filiformes, no centro existem 
muitas sementinhas oblongas. 

Empregara-na quasi nos mesmos 
casos da Macella^ como emmenagoga 
e anodyna. 

Abunda nas margens do Rio de S. 
Francisco. 

Maeaxr ou Ai|>iii. ManiJiot 
aipi. Fam. das EupliorMaceas. A 
Macaxera ou Aipim, em tupinico Cer- 
guauremic uma raiz tuberosa se- 
melhante a Mandioca.^ a ponto de se 
confundirem. 

E' um arbustosinho que muito cul- 
tivado, sendo indgena do paiz ; de 
1 a 2 metros de altura, e esgalha 
muito pouco. 

O troncosinho castanho ou cinzento 
cheio de ns. 

Tem as folhas direitas, longas, brancas 
ou vermelhas ; o limbo recortado em 
lacineas, formando uma palma redonda, 
tem muitas vezes uns corposihhos glan- 
dulosos sobre as folhas, em diversos 
pontos. 

Offerece, cachos de flores que so como 
rosinhas esverdinhadas, as quaes do 
por fructo uma espcie de nz rolia 
de trs gommos, tendo dentro trs 
caroos oleosos. 

A parte importante d'esta planta 
a raiz, que toma ordinariamente di- 
versas dimenses, de 21 a 36 cent- 
metros. 

E' rolia afinando para a extremi- 
dade inferior. 

A casca fina, parda, e spera ; 
encerra uma substancia compacta , 
branca, nquosa e adocicada, tendo no 
centro um eixo fibroso. 

Antes d'este corpo, logo depois da 
cascn fina, ha uma camada branca co- 



riacea de 1 a 1 e */i milmetro de 
espessura. 

Faz-se uso da Macaxera cosinhada 
ou assada, para comer-se ; assim ella 
constituo um bello po para o almoo ; 
d, sendo ralada, uma boa fcula de 
que se faz a melhor farinha, muito 
usual no Rio de Janeiro e Bahia, aonde 
conhecido pelo nome de Aipim ou 
Ai'pi este vegetal. 

Da fcula fazem-se bolos, podins, 
filhos, etc. 

Ha duas espcies em Pernambuco e 
Alagoas. 

A Macaxera hranca tem o caule acinzen- 
tado, os peciolos das folhas so bran- 
cos esverdinhados, e nas extremidades 
roixas. 

As razes tem as cascas finas e 
a massa branca. 

A Macaxera preta tem o caule pardo 
03 peciolos vermelhos e o gommo ter- 
minal branco ; d boa farinha e 
d'esta que nas provncias do Sul se 
faz uso. 

A casca parda e a massa branca. 

Estabelecem como regra os nossos 
camponezes, que toda a maniva que 
tem o olho branco pde-se comer. 

Ulueliixe. Cucumis anguria^ Linn. 
Fam. das Cucurhitaceas . O 3achixe 
uma das nossas verduras quotidianas 

E' oriundo da sia. 

O vegetal que o produz uma herva 
reptante,que alastra-se com seus caules 
verdes, e revestidos de pellos hispidos 
como as folhas, que tem peciolos com- 
pridos e so em forma de palmas ; 
todas estas partes espinham. 

As flores so de dois sexos, mas- 
culinas e femininas, formando como 
rosinhas amarellas, e tendo o fecundo 
fructinho na base. 

Desenvolve-se este, apresentando 3 
a 6 centmetros de comprimento ; ovide 
verde marchetado, eriado de sa- 
lincias longas como espinhos molles. 

Dentro ha uma polpa aquosa esver- 
dinhada com sementes ellipticas, pe- 
qvienas, brancas, comprimidas em trs 
pontos e distribudas em duas ordens. 



MAD 



MAL 



29 



O Maehixe uma boa verdura; tambm 
servem-se d'elle como medicinal ; por- 
que empregam o fructo ainda tenro em 
talhadas no anus, contra os ataques 
hemorrlioidaes. 

Elle no cresce na fora do inver- 
no, nem to pouco no rigor do vero. 

Torna-se amarello esbranquiado quan- 
do maduro mas n'este estado no presta 
para comer-se ; porque torna-se asedo. 

Serve para salada, 

MacokiiiA enka. Hysmenia glmtca. 
(?) Fau. idem. E' uma planta de vir- 
tude adstringente. 

niaciic. Ilex macoucoua^ AtiU. 
Fam. das Celastrincas. O fructo d'esta 
planta, que vegeta no Par e Amazonas, 
d uma bella tinta preta com a qual 
os caboclos tingem o algodo. 

O lenlio serve para archotes Mace 
de fogo. 

O sueco, que cr de vinho, ads- 
tringente e doce. 

IIIadie])ue a* \ erdasleira. Graf 
fenrieia cryptocarpa . Fam. das Me- 
lastomaceas. Arbusto de 3 a 4 metros 
de altura e agreste. 

E' conhecido nas Alagoas por este 
nome. 

Seu tronco tem casca parda sem as- 
peresa. 

As folhas grandes, louras pela parte 
de baixo e nas pontas dos ramos, co- 
bertas de coto louro, assim como as 
flores, que so brancas e em cachos- 

O fructo globuloso, de semente 
mida, o ovrio ovide, adherente ao 
clice, de cinco lojas, e de sementes 
midas. 

Madre-eravo. Sph(erantlms ano- 
dinus. Pluchia quitoc, D. C. Fam. 
das Compostas. Esta herva conhecida 
por este nome em Pernambuco e por 
Cravo-madre nas Alagoas. 

E' aromtica, de 50 a 70 centmetros 
de altura com o caule ofFerecendo de 
alto a baixo, nos ngulos, uma mem- 
brana foliacea. 



As folhas so recortadas em lami- 
nas estreitas. 

As flores em botes semi-esphericos 
to pequenos que mal se percebem ; 
so brancas. 

E' um dos bons ingredientes das 
varrellas das lavadeiras, no s por 
aromatizar, como por clarear a roupa. 

Em Sergipe Bahia e Rio de Janeiro 
chamam-no Qtiioco nome tupinico. 

N'outros lugares do Brasil, por exem- 
plo em Minas, tem o nome de Ca- 
cuhucage (?) 

Madae-SBJva. Alsroemcna i^ele- 
grina., Liun., Fam. das AmarylUaceas. 
E' uma planta da America meri- 
dional. 

Tem tubera na raiz. 

Flores bonitas e um tanto aromticas. 

Ha difierentes outras no Brasil, Chile, 
Mxico, etc. 

Hla faliu. Espcie de Cajueiro do 

Norte. 

Maiiiilii. Herva rasteira que nasce 
nas praias do mar, e que gosa das 
propriedades da Caroba. 

Hlaiorano. V. Algodo bravo. 

Mi de sajatei'. Palicourea 
argntea. Fard. das Rubiaceo.s. Nas 
Alagoas chamam por este nome umu 
arvore mediana, agreste, de folhas op- 
postas. 

Os renovos parecem flores ; so l)rau- 
cos com o pice rosado. 

Estas so em cachos com os pedn- 
culos to brancos que parecem pra- 
teados, assemelham-se ^jasmins brancos. 

O fructinho redondo de um cen- 
tmetro, e apresentando no pice uma 
coroasinha. 

O pericarpo fino e vermelho. 

A massa interna aquosa, da mesma 
cr e com dois caroos chatos de um 
lado e convexos de outro, 

Malaleuea. Malaleuca leucoden- 
dron. Fam. das Myrtaceas. E' um 



uso 



MAL 



MAL 



arbusto adstringfente, que tem usos 
mdicos que no conhecemos. 

Malanilio. V. Melamho. 

]llaleiteii*a. Eaphorhia papilosa, 
Si. Hil. Fam . das EupJiorMaceas. 

Propriedades medicas. O sueco lei- 
toso das folhas d'esta planta dado na 
dose de duas colheres de sopa mistu- 
rado com mel, iitil contra as dores 
osteocopas. 

A raiz purgativa. 

Hlaleiteifa. Eiqorhia papilosa. 
Fam. idem. Planta conhecida nas 
provncias do Sul no s por este 
Borne, como pelos de LecTieirez., Leiteira., 
Leitarga e Luzeiro. 

Propriedares medicas. Emprega-se 
no engorgitamento dos intestinos, como 
resolutiva e purgativa. 

Malliado. Pittos fortim dispersum. 
Fam. das Pittoporaceas . Arbusto 
silvestre de porte regular, conhecido 
por este nome nas Alagoas. 

Tem as folhas oblongas um pouco 
grandes. 

Caule flexvel. 

As flores so brancas, como anglicas 
e com algum cheiro. 

O fructo uma capsula de trs val- 
vas sccas, contendo alguns gros. 

A casca serva para cordoaria. 

Caracteres da famlia. Arbusto s 
vezes sarmentosos e volveis de folhas 
simples e alternas, sem estipulas. 

De flores solitrias, fasciculadas ou 
dispostas em cachos terminaes. 

O clice formado de cinco spa- 
las pouco adherentes na base. 

A corolla, consta de cinco ptalas 
iguaes, reunidas e soldadas na base, 
de modo que forma uma corolla ga- 
mopetala, tubulosa e regular, ou ex- 
posta e como que rotacea. 

Os cinco estames so direitos, hypo- 
gynicos alternos com a corolla. 



O ovrio livre, elevadr n'uma es- 
pcie de disco hypogynico, apresentando 
uma ou duas lojas separadas por di- 
vises incompletas, que muitas vezes 
no se encontram no centro do ovrio ; 
e d'ahi resulta a existncia de uma s 
loja n'este rgo. 

Os vulos so numerosos, inseridos 
em duas ordens longitudinaes e dis- 
tinctas no meio do septo. 

O estylete s vezes curtssimo e 
termina n'um pequeno estigma bilo- 
bado. 

O fructo uma capsula de uma ou 
duas lojas polyspermicas abrindo-se por 
duas valvas ou um fructo carnoso 
indehiscente. 

As sementes constam de um tegu- 
mento prprio, um pouco crustceo, 
de um endosperma branco, de em- 
bryo pequenssimo, em frente ao hilo, 
e tendo a radicula voltada para este 
ponto. 

nialica le naiiIlBCi*. F. Sen- 
sitiva. 

AIaS-nie-f|ue9* <le caBttpiBia. 

Wedelia trilohata. Fam. das Compos- 
tas. Herva rasteira que em Pernam- 
buco e Alagoas recebe este nome. 

Sua flor se chama Mal-me-quer. 

Esta herva alastrada e um pouco 
pillosa ; emitte raizes pelos pontos da 
parte nodosa. 

As folhas dispostas em pares, tribo- 
ladas, e com algum lustro; tudo porm 
spero. 

As flores so solitrias, axillares, 
amarellas, semelhantes a um gira-sol^ 
de 3 centmetros de dimetro ; forma 
um receptculo de folhetas inferior- 
mente verdes, tendo na parte superior 
um circulo de laminas amarellas, e no 
meio um boto da mesma cr, composto 
de uma reunio de florinhas. 

Os fructos encerram sementes pretas 
que d'ahi sahem, o que quasi no tem 
cheiro. 

Esta herva denota aos agricultores 
a qualidade ba das terras para a 
plantao da canna onde ella cresce. 



MAL 



MAL 



S81 



Tira ndoas da roupa ; para o que 
basta esfregal-a na parte nodoada, e 
em seguida lavar essa mesma parte 



com agua e sabo. 



Hlal-nt e-qticr irrnntle. Helio- 
psis Seabra. Fam. idem Esta planta 
tem este nome em Pernambuco. 

Nas Alagoas chamam-n'a Camar de 
cavallo., Malmequer zinho, e tambm Mal- 
me-quer. 

Em Sergipe tem tambm estes 
trs ltimos nomes. 

E' um arbustinho bem esgalhado, 
de casca esbranquiada, folhas op- 
postas ovaes e speras. 

As flores como as do outro Mal-me- 
quer , porm maiores, e de roda mais 
frouxas. 

A fructa encerra uma semente parda 
quadrangular. 

A terra onde cresce esta hcrva 
denota ser ba para a plantao da 
canna, e mesmo para toda lavoura. 

9IalitteciiBersiBi1io de rantpi- 

iia . Epipactis campiuaria ? Fam. das 
OrcMdaceas . E' uma plantinha parasita. 

Vegeta sobre outras plantas, com 
raizes bulbiferas que se agarram aos 
corpos visinhos. 

Tem as folhas dispostas symetricamen- 
te alternas sobre seu caule herbceo, 

Suas flores, de cr de palha, for- 
mam um labello e 2h sepalas peta- 
loides. 

O fructo uma capsula curva di- 
vidida em dois gommos, e contendo 
muitas sementes. 

IiIaST4. Malva rotundifolia ., Linn. 
Fam. das Malvaceas. Esta planta 
da Europa. 

Vegeta nos campos em abundncia; 
do que pode fazer-se ideia, pela quan- 
tidade que vem s boticas. 

Propriedades medicas. As folhas 
so emollientes e mucilaginosas. 
As flores so peitoraes. 

Malva ftranea tEe cinB{iisa. 



Sida decu7'reiitifolia, Linn e Sp. Fam. 
idem. Esta planta conhecida por 
este nome nas Alagoas. 

E' um arbustosinho que quasi no 
esgalha. 

Tem o caule esbranquiado 

Folhas cordiformes e pendentes, 
accummuladas na summidade do caule. 

As flores so brancas e com a 
forma de uma rosa, sem cheiro. 

Os fructos, so, semelhana de 
nozes, dispostos em circulo e prezos 
um eixo central, que abrindo-se em 
duas pores, deixa sahir trs sementes 
ae cada uma. 

E' empregada como emolliente. 

Malva em lingua tupitcha e em tu- 
pinico. 

No Rio Grande do Sul temos a Vas- 
soura., Sidaa carpinifolia. 

Hlalva liranea ntacia. Sida 
velliita. Fam. idem. Esta outra 
planta, que nas Alagoas recebe este 
nome herbcea. 

Suas folhas so da figura da outra, 
porm macias . 

Em todas as suas partes coberta 
de pellos brancos , flexveis que a 
tornam macia. 

As flores so amarellas, pallidas. 

O fructo' semelhante ao precedente; 
mas em vez de cinco dentes circula- 
res, tem dez ou onze, encerrando uma 
semente em cada dente. 

illalva lirava. Sida divaricata. 
Fam. idem. E' uma planta mui co- 
nhecida que encontra-se em toda a 
parte . 

E' uma espcie de Relgio 

O caule e os ramos so muito di- 
reitos, formando forquilhas ou dicho- 
tomias. 

As folhas, se bem que pillosas, so 
macias, ovaes e com os bordos recor- 
tadas. 

As flores so sempre em espigas 
densas unidas umas s outras, como 
as do Relgio., amarellas e pequenas, 
sem cheiro. 

O fructo o mesmo ; uma capsula 

38 



S5 



MAL 



MAL 



uniforme que divide-se em quatro den- 
tes. 

Esta planta abre s trs horas da 
tarde as suas folhas, e fecha s 
seis. 

S tem trs horas de vida ou vigor, 
e s uma abre em cada cacho por sua 
vez ; tem quinze carpellas filiformes 
quasi em circulo. 

Malva tio aiwiio, Follia san- 
ta ow Pi Bilio. Kielmeyeria s^eciosa. 
St. Hil. Fam. das Ternstrmniaceas . 
E' uma arvore de Minas Geraes, onde 
lhe do estes trs nomes. 

E' ramosa com folhas oblongas, ellip- 
ticas. 

Flores em cachos. 

Fructos que so cocas capsulares. 

Vegeta nos taboleiros, e floresce em 
Abril. 

O povo emprega em banhos o cosi- 
mento das folhas, como emolientes. 

Malva diiipelica. Pavonia diu- 
rtica, St. Hil. Fam. idem E' uma 
planta da apparencia do Algodoeiro. 

Propriedades medicas. Empregam- 
ii'a contra as dysurias em cosimento 
adoado com mel. As folhas consinha- 
das so applicadas como emollientes. 

Malva iaiolha j^raudc. Va- 
io onia viscosa., St. Hil Fam. idem. 
E' um arbusto de tamanho regular, 
conhecido por este nome nas Ala- 
goas. 

Tem os ramos inferiores castanhos 
e os superiores esverdinhados, cobertos 
de pllos macios e compridos, com 
glndulas melifluas nas pontas, alter- 
nadas, cordiformes, redondas e pega- 
josas, flores rosadas, esparsas nas ra- 
mas, no pequenas, cinco ptalas dis- 
postas em forma de rosa, e esta em 
um clice A'erde. 

O frueto uma capsula, globulosa, 
denteada, preta e viscosa, tendo em cada 
uma semente. 

Esta malva tem a propriedade das 
outras ; O mucilaginosa. 



Ella pega os insectos depostos na 
peripheria, pelo visgo que tem. 

Mal%a da follia larica. So- 

fimia fendulus. (?) Fam. idem. Nas 
Alagoas chamo-n'a por este nome. 

E' semelhante precedente, porm o 
caule d'aquella castanho na parte 
inferior. 

As flores so cr de rosa, roixeadas. 

A fructa que mui semelhante 
precedente, pillosa e com viscosidade. 

Serve para fazer-se cordas da casca. 

Malva grisaele. Hihiscis ala- 
goensis. Fam. idem. Esta malva^ co- 
nhecido, por este nome nas Alagoas. 

E' um elegante vegetal, e prprio 
para jardim pela belleza de sua flor ; 
se bem que no tenha cheiro. 

Cresce de 150 a 200 centmetros quasi 
sem esgalhar. 

Tem folhas cordiformes, de cr des- 
maiada. 

As flores so como rosas e da cr 
das folhas, com uma mancha escura 
e um prolongamento no centro. 

O frueto como um quiabo secco. 

D boa fibra para cordoaria. 

Malva rosa. Herva extica de 
caule roixeado recto, e semi-transpa- 
rente. 

E' pillosa em todas as suas partes. 

Tem folhas alternas, duas estipulas 
palmadas, peciolos desenvolvidos, ca- 
naliculados, palmados pillosos na face. 

E' viscosa em todas as suas partes, e 
nunca floresce no clima de Pernambuco. 

3Ialva da terra. Sida susii- 
vanclro. f?) Fo/m. idem. Herva semi- 
lenhosa que se acha em quasi todo o 
continente brasileiro. 

E' chamada da terra como distinco 
da da Europa chega at 112 centime- 
tros de altura, esgalha, e as vezes no 

E' esbranquiada. 

As follias so cordiformes, macias 
cobertas de pellos, assim como as pon- 
tas dos ramos. 

As flores tem a estructura das esp- 
cies descriptas, porm menores de B 



MAL 



MAM 



28S 



centmetros de dimetro, er de granga 
amarella. 

O fructinlio semelhante ao das suas 
congneres. 

esta Malva que o povo recorre 
incessantemente, j para clysteres, ba- 
nhos emollientes, calmantes de dores, 
j para lavar ulceras, e at s 
vezes sem indicaes de suas verda- 
deiras propriedades. 

Ella possue em pequeno gro o prin- 
cipio mucilaginoso. 

nialvaiseo. E' conhecido impro- 
priamente por este nome uma Piperacea. 

Esta planta, conhecida em Pernam- 
buco por Malvaisco um sub-arbusti- 
nho que cresce at 2 metros. 

Seu caule, que raramente esgalha, 
pouco ramoso, apresenta ns de dis- 
tancia em distancia, tem cheiro activo 
quando se quebram os galhos ou es- 
fregam. 

As folhas so aromticas, ellas so 
cordiformes, arredondadas, de 22 cen- 
tmetros, membranosas, com peciolos. 

Oferecem nas axillas e no pice uma 
reunio, maior ou menor, de espigas 
semelhantes a uma espiguinha de 9 a 
12 centmetros de comprimento e 7 a 
9 milmetros de dimetro ; sendo cr 
de palha e pulverulenta; a espiga 
das flores ; ahi desenvolvem- se umas 
sementinhas pardas. 

Propriedades medicas. Esta planta 
empregada, pelo vulgo, em banhos, 
como anodyna e emolliente. 

Segundo affirmam alguns facultati- 
vos, prticos tm empregado a raiz como 
emolliente e diurtica com bom pro- 
veito. 

Tem as propriedades da Aliha. 

IIIl'ai!ico o:i Mulvaliseo So 
Rio Grande do Sul. S^phceralcea 
eis f latina. ^Ht. RU. Fam. das Maha- 
ceas. E' um arbusto conhecido na 
provinda do Rio Grande do Sul, por 
este nome. 

Tem os caules longos, de poucos 
ramos. 



Folhas como que ovaes mas divi- 
dindo-se em trs lobos. 

Flores em cachos. 

Floresce em Dezembro. 

Empregam-na em cosimento contra 
as affeces do peito e mesmo do 
pulmo. 

JUalvaiseo o nialvalisco de 
S. SeSiastio. Urena lohata. Carv. 
St.Hil. Fam. idem. E' um arbusto- 
sinho silvestre e abundante no sul do 
paiz. 

De folhas ovaes, com lobos e um 
pouco speras. 

Floresce em Maio. 

O povo do lugar onde elle vegeta 
emprega-o nas tosses fazendo cosi- 
mento da planta e da raiz. 

a Guaxima. 

]YIaSval$stro. Sida micrantha., St. 
RU. Fam. idem. Esta espcie de 
Malva., conhecida por tal nome em Mi- 
nas Geraes, um arbusto que se eleva 
um pouco. 

Tem folhas quasi cordiformes, e um 
pouco pillosas. 

Flores grandes, reunidas densamente. 

Fructo semelhana de dentes d' alho, 
reunidos em um eixo offerecendo pontas. 

Dos caules d'esta planta fazem-se 
bastes, bengalas e fuzos de fiar al- 
godo. 

Hlaiiia le eaclaoa^ra. Eugenia 
formosa. Fam. das Myrtaceas. E' um 
fructinho agreste que em Minas Geraes 
tem este nome. 

E' proveniente de um arbusto esga- 
lhado, com os ramos novos escuros e 
pubescentes. 

As flores lustrosas, ovaes, alongadas 
e oppostas, so brancas, reunidas ou 
ss. 

O fructo uma bagasinha pequena 
de 2 centmetros, oval, oblonga, de pe- 
ricarpo fino, roixo-escuro com dois ca- 
roos dentro, contendo uma substan- 
cia aquosa, doce e adstringente. 

Em Pernambuco tambm ehamam-nn 
Maminha, de cachorra. 



284 



MAM 



MAM 



Hlaiiian^n, oii Inva-priito dos 
autores. E' o Fedegoso tio Rio de 
Janeiro, Bahia e Maranho, e que pa- 
rece ser a Mangerioba de Pernambuco. 

As folhas so elog:iadas por Pison, 
por suas qualidades abstergentes e 
muitas vezes so applicadas nas ulce- 
ras e feridas. 

Possue ao mesmo tempo aco pur- 
gativa ; applica-se em decocto. 

Hlantang. Cssia medica, Vell. 
Fam. das Leguminosas. Julgamos ser 
esta planta a Mangerioba de Pernam- 
buco. 

Ella tem os mesmos usos do Fedegoso. 

Em alguns lugares applicam suas 
folhas sobre as ulceras par^i cicatri- 
zal-as ; e das vagens se extrahe um 
leo , que , posto sobre os tumores, 
apressa a suppurao. 

Se no a mesma Mangerioba., con- 
funde- se com ella. 

niaiiio OM HIuBiBoelro. Carica 
papaga^ Linn. Far. das Papayaceas. 

O Mamoeiro hoje quasi geralmente 
cultivado. 

Sua ptria no bem conhecida ; 
julga-se todavia que originrio das 
ndias orientaes. 

Assim como seus congneres da Ame- 
rica, o Mamoeiro no cultivado eleva-se 
de 26 30 metros e o cultivado de 
8 12. 

Tem flores dioicas, raramente mo- 
noicas. 

Clice de cinco dentes. 

As flores masculinas tem a corolla 
hypoginica de limbo quinquepartido. 

Tem dez estames, cinco dos quaes 
alternos com os lbulos da corolla 
mais compridos, e os outros cinco 
subsesseis. 

O ovrio rudimentario. 

As flores fmeas tm a corolla de 
cinco ptalas livres, ovrio com placen- 
tas farietaes multioviUadas . 

Estigma subsessil, de cinco lbulos 
raiados e franjados. 

Fructo carnoso, polposo, ovide, dis- 
tincto com cinco faces. 



Sementes numerosas. 

Os Mamociros so arvores cujo por- 
te recorda o das palmeiras pelo tronco 
simples cercado por um penacho de 
folhas no pice. 

Eleva-se muito em poucos annos. 

A raiz exhala um cheiro de couve 
podre. 

O tronco cylindrico, coberto de 
uma casca cinzenta, e lisa ; terminado 
por folhas largas, partidas em sete 
lbulos oblongos, sinuosos ou laci- 
niados, e glabros. 

As flores fmeas, so de cr ama- 
rella, entretanto que as masculinas so 
brancas, cahem pouco a pouco, 
medida que o ovrio engrossa e se 
desenvolve; de modo que na maturi- 
dade o fructo pendente n'uma parte 
do tronco liso. 

Este fructo assucarado e agra- 
dvel do gosto. Come-se como melo. 

O sueco lcteo, dissolvido n'agua 
tem a propriedade de amollecer a 
carne que se immerge n'esta mistura 
e at decompe em pouco tempo, si 
se descuidam de retiral-a depois de 
alguns minutos. 

Hoje applica-se muitssimas vezes 
este processo na economia domestica, 
O Mamoeiro cultivado em todo o 
Brasil. 

Os indgenas chamam-n'o Chambur. 

Propriedades medicas. O sueco 
lcteo extrahido dos fructos anti- 
helmintico ; e applicado sobre a pelle, 
dizem ser excellente para tornal-a 
macia, e aconselhada contra as sardas 
ou manchas do rosto. 

As sementes tambm passam por um 
bom vermfugo. 

O fru.cto refrigerante, peitoral e li- 
geiramente laxativo. 

Caracteres da famlia. So arvo- 
res exticas ; de folhas oppostas, sim- 
ples, com estipulas interpeciolares, como 
nas Rtibiaceas. 

Seu clice, adherente ao ovrio, of- 
ferece quatro ou cinco divises valvares. 

O limbo persistente. 



MAM 



MAM 



S8S 



A coroUa compe-se de 4 ou 5 ptalas. 

Os estames variam de 8 15. 

O ovrio, que alg^umas vezes semi- 
infero, oFerece sempre duas lojas, cada 
uma das quaes contem dois ou grande 
numero de vulos pendentes. 

O estylete simples e o estigma bipar- 
tido. 

O fructo, coroado pelo clice, uni- 
locular polyspermico e indishesente. 

As sementes que elle encerra compe- 
se de um grosso embryo privado de 
endosperma. 

Este embryo germina e desenvolve-se 
algumas vezes no interior do fructo, que 
elle perfura no pice. 

llanioeiro de Caycuata ou da 
Inlia. Carica faimya. Yar. Farii. 
idem. Esta qualidade de Mamoeiro vive 
na America meridional e nas Antilhas. 

A sua seiva mais abundante e 
lctea, que a do antecedente. 

As folhas so pecioladas, alternas 
e lobadas. 

As flores dispostas em cachos axil- 
lares. 

Os fructos so peponides. 

O Mamoeiro cultivado em quasi to- 
dos os paizes tropicaes ; seu tronco 
simples n, e coberto de cicatrizes das 
folhas cabidas. 

No interior inteiramente co e divi- 
dido por uma espcie de paredes lateraes 
em muitos compartimentos ; raras ve- 
zes offerece na extremidade um ou dois 
ramos ; no Brasil porm ramifica-se 
mais. 

As flores so esbranquiadas, odor- 
feras e desenvolvem-se nas axillas de 
todas as folhas, as masculinas tm pe- 
dnculos de 12 centmetros 1 metro 
de comprimento, e formam um cacho 
composto de maneira que parecem ses- 
seis sobre o tronco. 

Come-se o fruto cr ou cosido, ma- 
duro ou verde. 

As folhas servem para clarear a roupa. 

O leite misturado com agua tem a 
virtude extraordinria de tornar tenra 
a carne : basta mesmo envolvl-a nas 
folhas por alguns minutos. 



Propriedades medicas. Emprega-se 
vulgarmente na provinda de S. Paulo 
como sedativo e expectorante, em xa- 
rope, na dose de uma colher de sopa 
de 2 em 2 horas. 

Mamoeiro la ndia. V. Ma- 
moeiro de Cayenna. 

Mamoeiro m a clt o . Carica m i- 
crocarpa^ Linn. Fam. idem. Este 
Mamoeiro assim chamado em Pernam- 
buco semelhante ao precedente, mas 
suas flores nascem em uns pednculos 
de 50 a 100 centmetros que ramifl- 
cam-se e ahi produzem a fructo. 

Estes pednculos longos e lisos, da 
grossura de um dedo minimo, esto 
situados entre peciolos das folhas ho- 
risontalmente ; com o desenvolvimento 
o fructo abaixa-se e torna-se pendente. 

Elle de ordinrio mais pequeno 
que o precedente, mais esguio, e no 
to bom. 

Ha duas qualidades, roixa e branca ; 
a primeira tem os peciolos das folhas 
roixos (talo roixo) a segunda teir.-n'os 
verdes (talo verde). 

Mamoeiro do maUo. Y.Jara- 

cati. 

illamo prineipe. Carica. Var. 
Fam. idem,. No sabemos qual a 
ptria d'este Mamo recentemente tra- 
zido ao Brazil, mas asseveramos, que 
a melhor espcie que temos. 

E', na forma, semelhante ao ordin- 
rio ; porm com os ngulos em vez 
de salientes na parte superior, como 
de ordinrio so ao contrario na paate 
inferior. 

No tem a cr amajella na matu- 
ridade, apenas apresenta cinco man- 
chas nos ngulos. 

Dentro todo co. 

Tem de ordinrio um s caroo, ra- 
ramente dois ou trs, a massa ama- 
rella-alaranjada, compacta, macia e 
mui saborosa. 

Manimlnlta de cacliorra. 



S8e 



MAN 



MAN 



Eugenia mami flor a. (?) Fam. das Myrta- 
ceas. Fructo que em Pernambuco, 
Alag^as e Serjipe tem este nome ; 
assim como a planta o de Mulato. 

E' um arbusto de caule castanho 
e liso. 

Folhas palmadas, ovaes e lisas. 

As flores so brancas e pequeninas. 

O fructo oval de 2 centimetros com 
quatro folhinhas no pice, de cor roixa- 
tscura, lustrosa, de casca fina e coriacea. 

Une-se uma massa branca, trigueira, 
aquosa, doce, com principio adstringente, 
contendo no centro um caroo grande, 
esbranquiado. 

A madeira boa para estacas. 

Esta planta difere da Mamna de 
cachorra de Minas Geraes. 

HlaiiBoatt. F. Carrapato. 

Masfiaossa. (So Uso Crusade 43o 

]\sSE*ee. E' um fructo que tem este 
nome na provncia do Rio Grande do 
Norte. 

Provm de uma arvore regular e 
agreste, de folhas midas e flores 
brancas. 

O fructo amarello na maturidade 
com o tegumento externo rugoso, es- 
pesso, ligado uma substancia aquosa 
avermelhada com um caroo grande, 
preto e lustroso no centro. 

Come-se a massa que doce, sem 
nenhum principio acido. 



Masiiota. 



Y. Jaracati. 



Manac Aiiacon, on. Fli* ele 
quare^ataa ou iSaitta Maria. (*) 

Duranta bicolor. Fam. das Verhena- 
ceas. Este arbustosiuho silvestre co- 
nhecido por estes nomes e pelo de 
Flor de Natal em Pernanbuco, forma 
touceira. 

Tem os caules verticaes e duros. 

As folhas ellipticas, sem lustro e 
um pouco molles. 

As flores de duas cores, brancas 
puras ou tintas de roixo, ou todas de 

(*) Na Bahia e em todo o Sul do Im- 
prio Manac aFranciscea unflora, e F. 
acuminnta. 



cr roixa purpurina ; tem as pontas 
redondas e parecem jasmins. 

Tem no centro da fauce do tubo um 
annel ; e so grupadas em pequena 
quantidade. 

O fructo uma baga pequena de 2 a 
3 centimetros, redonda envolvida pelo 
clix que se lhe adhere: tem dentro 
uma noz ssea com 4 caroos. 

Pela belleza das flores de duas co- 
res no mesmo p, pelo cheiro suave 
que ellas derramam e pelas virtudes 
medicinaes que possue, podia esta 
planta ser ornato de nossos jardins, 
como o de alguns nas Alagoas e outros 
legares. 

Propriedades medicas. O cosimento 
de suas raizes serve para as dores 
rheumaticas ; anti-syphilitica, til 
nas gonorrheas. 

Applica-se em p na dose de uma 
colher como purgativa, e tambm nas 
molstias uterinas. 

Denomina-se nas Alagoas Flor de 
quaresma. 

Em Pernambuco Flor de Natal, Ma- 
nac e Santa Maria. 

E' conhecida nos nossos sertes por 
este ultimo nome. 

IVlaisae;* ou Mauaeaia do 

Basao. Adraosma sujierflua. Far. 
das Acanthaceas. Esta planta habita 
nos mattos das Alagoas, onde assim 
a denominam. 

Tem o caule vertical e no alto as 
folhas que so ovaes e allongadas. 

As flores nas axillas das folhas e 
nas pontas dos ramos tem a forma 
de trombetas roixas rajadas de branco 
e sem cheiro. 

Por fructo d uma capsula quasi 
redonda, contendo duas sementes de- 
primidas. 

A raiz usada como forte diurtico. 

Manac Maaiacaii. ^ Gcrata- 
caca, Tcratacaca, Cangruiib. 

Franciscea xmiflora. Besleria., Cr. e Vell. 
Fam. das Serojduilarinaceas. Esta 
planta confunde-se com o Manac de 
Pernambuco, 



MAN 



MAN 



S^S 



E' um arbustosinho cie folhas ovaes 

oppostas. 

Flores avermelhadas no primeiro en- 
voltrio e com as laminas amarelladas. 

Tem por fructo uma capsula molle 
com duas vlvulas e muitas sementes 
dentro. 

Propriedades medicas. Toda ella, 
especialmente a raiz, excita energica- 
mente o systema lymphatico, elimina 
o principio morbifico pelo suor e ou- 

rinas. 

E' antisyphilitica ; a casca interior 
muito amarga, enjoativa, estimula a 
garganta. 

Em pequena dose resolutiva, em 
maior desenvolve as evacuaes e a 
ourina ; promove o aborto ; passa por 
antdoto do veneno das cobras e em 
ffrande dose um veneno acre. 

MaiacesiiaSaa. Hippomane manci- 
nella, Limi. Fam. das EiqorUaceas. 
E' uma arvore das Antilhas e do 

Brasil. 

Suas folhas so denteadas, com longos 
peciolos, luzentes e cheias de veios. 

As ires so exquisitas, de dois 
sexos . 

O fructo uma nz, de superfcie esca- 
brosa com lima polpa fofa, e interior- 
mente dividida em vrios comparti- 
mentos, cada um com uma semente 
que transuda um sueco leitoso que 
venenoso, e que, dizem estar n'um 
principio voltil que possue. 

Com o sueco d'esta planta os ca- 
boclos envenenam suas settas. 

Serve entre elles para o curativo dos 
cancros. 

Lavam com agua fria a ferida cobrem 
a circumferencia com uma massa de 
Umc e barro^ deitam sobre a ferida 
algumas gottas do sueco que faz des- 
pegar-se a parte enferma ; esta fica ne- 
gra e destaca-se da parte s. 

miaitdak. Ach]jranihes cavpestris . 
Fam. das AmarantJiaceas. Chamam 
assim nas Alagoas uma herva alas- 



trada que tem o caule reptante 'e ar- 

roixeado. 
As folhas um tanto succulentas ovaes 

so oppostas. 

As lres, como formadas por um pe- 
queno grupo paleaceo, a semelhana de 
uma perpetua branca. 

O fructo como uma sementinha 

preta. 
O uso d'eta planta servir de pasto 

do gado. 
Haairt rtl4ca|i M. V. Capim mandai. 

^lnnilii. Arim usim.Fam. das 
Araceas. E' um arbusto trepador , e 
mesmo parasito, 

Seu caule fibroso, tendo folhas gran- 
des, lanceoladas alternas e lisas. 

As flores em um estojo folia- 
ceo , bojudo na ponta , cupulado e 
branco. 

Tem uma espiga em que esto en- 
gastadas as flores de dois sexos, que 
no so outra cousa mais do que pe- 
quenas excrescncias angulares , das 
quaes as inferiores desenvolvem as 
fructas. 

Estas so bagas no comestiveis com 
uma ou mais sementes. 

Esta planta conhecida por este 
nome nas Alagoas. 

applicada no fabrico de balaios. 

MaBidibi de jiiiitas. A/m ar- 

ticulatum. Fam. VZm. Planta agreste 
parasita e trepadeira, cujo caule verde 
apresenta ns . 

Tem as folhas grandes, ovaes, lisas 
e lanceoladas. 

As flores como as da precedente; sendo 
o estojo menor. 

O fructo ainda no foi observado. 

Mandioca. Oxalis mandioccana 
Raddi, Nees et Mart. Fam. das Oxali- 
(leas. Pequena planta do Rio de Ja- 
neiro conhecida por Mandioca (?) 

Raiz lenhosa e volumosa. 

Folhas ovaes. 

Flores amarellas, em cachos. 

Fructo com cinco gommos pequenos. 



9HS 



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MAN 



Cresce nos montes, e floresce nos 
mezes de Marco e Outubro. 

illaiiiliopa ou IYIagii%'a. Jalro- 

fha maniliot. Fain . das Eniorbiaceas. 
Tocamos planta indigena que cons- 
titue a principal alimentao dos bra- 
sileiros. 

Ella para ns o jnesmo que o 
trigo para os europeos e norte-ame- 
ricanos. 

Sua cultura se faz em grande escala, 
mas no ainda como deveria ser; 
porque os agricultores, fascinados pelo 
alto preo a que tem chegado o assu- 
car, entregam-se inteiramente cultura 
da canna, desprezando a da mandioca; 
accrescendo ainda a irregularidade que 
de annos para c tem affectado o nosso 
clima ; o que tudo tem contribudo para 
a escassez da nossa farinha. 

So arbustos caracterisados pela pre- 
sena de um sueco lcteo abundante 
em todas as suas partes ; de folhas 
alternas e palmadas. 

Flores quasi sempre de uma cor verde 
amarellenta, em cachos panniculados, 
axillares ou terminaes, monoicas, de 
perianthio companulado. 

As masculinas tem dez estames in- 
seridos n'um disco carnoso festonado. 
Filetes livres, distinctos, cinco dos 
quaes alternadamente mais compridos. 

Nas flores fmeas estylete curto, trs 
estigmas multilobulados e capsula de 
trs coccas bivalvas. 

A mandioca a raiz ou a parte tu- 
berosa das raizes d'esta planta. 

E' um arbustinho que cresce quando 
em boas condies de 150 200 cen- 
tmetros , e muito mais em certas 
espcies. 

Esgalha, e seu caule e ramos so 
nodosos, de um pardo castanho aver- 
melhado ou esbranquiado ; deixa cica- 
trises salientes, vestgios das antigas 
folhas. 

Estas so em forma de palmas cir- 
culares com digitaes, cujos pecio- 
los so finos, tubulosos, de cr verde 
ou vermelha roixeados; essas partes, 



que so leitosas, acham-se reunidas 
nas partes superiores dos ramos. 

As flores so em cachos esverdinha- 
dos com a disposio de uma rosa, 
com filetes no centro. 

So de dois sexos, trazendo as f- 
meas o germem do fructo futuro, que 
uma noz, de trs gomos, verde, com 
raios no pice, tendo dentro trs caro- 
os bem semelhantes aos da mamona. 

Na raiz da planta encontra-se logo 
em derredor da base no caule sub- 
terrneo, umas tuheras oblongas, de 
diversos tamanhos, lisas, de casca fina 
membranosa, de cr parda mais ou 
menos carregada, destacando-se por 
escamas membranosas. 

Sob esta casca ha outra coriacea, 
brancacenta amai'ellada, de pouca es- 
pessura. 

Segue-se ento um corpo solido, 
branco, compacto e doce, tendo no 
centro um prolongamento fibroso que 
acompanha toda a raiz de alto a baixo. 

Eis-ahi toda a parte interessante 
d'este vegetal : esta substancia contm 
o amido ou fcula. 

Triturada e esprimida ella fornece 
um liquido, que um violento veneno 
a maepxieira^ ou onanipuera . 

A parte solida a farinha, que pas- 
sando pela aco do fogo perde seu 
principio toxico. 

Agitando-se com agua pura, a mas- 
sa vae abandonando a parte amy- 
lacea, que se precipita e , constitue o 
polvilho, de que se faz uso quotidiano 
em algumas comidas ; e sobretudo para 
engommados. 

E' saudvel, saborosa e substancial. 

D'agua de mandioca levada ao fogo 
com outros ingredientes, faz-se muito 
bom molho para comidas. 

Os indgenas do Par servem-se 
d'elle para fazerem o tucop, vatap., etc. 

A mesma tubera, lanada dentro 
d'agua em macerao, at soffrer prin- 
cipio de fermentao, perde tambm 
o principio venenoso ; e, sendo lavada 
em diversas aguas, serve para fazer- 
se bolos. (') 

(') E' a madioca puba. 



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MAN 



S89 



A maniva apresenta algumas varie- 
dades das quaes apontamos algumas. 

Elias se distinguem no s pela 
qualidade da raiz, como mesmo por 
certos caracteres orgnicos. 

O nome de mandioca dado raiz, 
e o de maniva em geral ao vegetal ; tra- 
taremos depois da maniva. 

A fcula da mandioca, que se obtm du- 
rante a lavagem sob a forma de sedi- 
mento esbranquiado afamada por 
suas qualidades nutritivas; secca em cha- 
pas quentes, constitue a farinha de tapioca 
do Maranho, alimento muito sadio que o 
estmago digere com muita facilidade, 
e da qual a provinda do Maranho 
exporta milhes de kilogrammas. 

Mandiocaba. E' n. mandioca que 
serve para o fabrico do Caum. 

9Iando1)i. V. Mendobi. 

Slaiidobi gua. V. Pinho de 
furga. 

illaiidupitisi. V. Jarer. 

nian^a ou Illaii^ueira. Man- 
gifera indica, Linn. Fam. das Terehin- 
taceas. 

Fructo e arvore que todo o Brasil 
conhece. 

E' uma arvore originaria da ndia, 
transportada ao Brasil em epocha bem 
remota. 

Hoje, porm, est acclimada de tal 
modo, que bem parece ser natural do 
paiz. 

E' a mangueira uma arvore, que ne- 
nhuma outra se lhe assemelha. 

Ella cresce de 8 10 metros de al- 
tura. 

Seu tronco de 1 2 metros de 
dimetro, de casca regoada: adquire 
uma circumferencia de 16 25 metros. 

A copa convexa e de folhagem densa. 

As folhas so lanceoladas e coriaceas, 
e tm em todas as suas partes um sueco 
resinoso. 

As flores, em cachos pyramidaes, so 
de sexos distinctos; isto , separados. 



e em forma de rosinhas ou estrellas 
de cor esverdinhada e vermelha, tendo 
algumas o botosinho, rudimento do 
futuro fructo. 

E', finalmente, uma arvore bonita; 
nenhuma outra do paiz oSerece a som- 
bra agradvel que ella d. 

O fructo de variados tamanhos, 
d'onde resulta grande variedade de 
espcies ou grande numero de varie- 
dades. 

Oscilla de 6 12 centmetros ; tem 
a forma de corao, sendo a base a 
parte mais larga e tendo n'ella a ci- 
catriz do pednculo que verte sueco 
resinoso. 

Uns so exteriormente de cr verde, 
inda mesmo quando maduros, outros 
de cr amarella pallida, amarella cr 
de gemma d'ovo, outros amarellos com 
uma parte vermelha, e finalmente al- 
guns com uma parte verde o outra 
vermelha. 

E' um fructo no s bonito na 
forma, como excellente no gosto, 
quando de boa qualidade. 

O pericarpo coriaceo, e tem cheiro 
muito agradvel. 

E' de cinco millimetros de espes- 
sura, e liga-se a uma massa tenra 
entremeada de fibras espessas que 
no centro encerra um caroo reni- 
forme, mais espesso no meio, acha- 
tado, maior ou menor, coberto de 
fibras, que so as que se ramificam 
na polpa do fructo. 

Esta massa doce, succulenta com 
um principio resinoso. 

As boas mangas tm o pericarpo 
fino, a massa pouco fibrosa, macia, 
com um sabor doce, particular e aro- 
mtico. 

O caroo, pequeno e quasi chato, 
tem um principio resinoso quasi im- 
perceptvel. 

As Mangas pendem das arvores por 
pednculos um tanto longos; e as 
que so boas quando cahem, batendo 
em corpo solido, criam uma espcie de 
calosidadade que asda a polpa, e 
que denominam corao. 

As que so ruins, independente d'esta 

39 



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circiimstancia sempre apresentam esta 
parte dura. 

Fructificam no vero nos mezes de 
Novembro, Dezembro, Janeiro, Fevereiro 
e Maro, e no inverno em Abril, Maio 
e Junho no Norte. 

A manga uma excellente fructa, 
talvez a melhor que existe ; passa por 
nociva a sade; no emtanto exageram 
muito esta qualidade; porque, depois 
de sasonada, torna-se ella livre do prin- 
cipio prejudicial que contm. 

MasagaS. Apoicymim hancornia 
Linn. Hancornia speciosa , Mart. 
Fam. (las Afocy^iaceas . Este estim- 
vel fructo est no numero das bellas 
fructas do Brasil, d'onde indgena . 

Nasce nos lugares incultos e nos 
taboleiros. 

E' proveniente de um arbusto deli- 
cado que se eleva at 4 V metros. 

Esgalha logo de pouca altura do 
tronco e tem os ramos finos. 

As folhas, oppostas, so lanceoladas 
estreitas, pequenas e no fazem densa 
a folhagem (copa). 

Tem um porte agradvel ; fornece 
um sueco leitoso do tronco, folhas, 
flores e fructos. 

As flores so como jasmins brancos 
quasi sem cheiro. 

O fructo aromtico de 1 ^^ 3 cen- 
tmetros e mais, redondo, ou oval for- 
mando ura bico quasi insensvel ; na 
maturidade verde amarellado ou mes - 
mo amarello, sendo todo salpicado de 
ndoas vermelhas que occupam toda 
a superfcie externa ou um s lado. 

O pericarpo uma membrana del- 
gada. 

O fructo molle quando maduro, e 
esmaga-se menor presso ; compe-se 
de uma polpa branca, ligada ao peri- 
carpo, um tanto fibrosa, cheia de sue- 
co leitoso que se converte em licor 
doce, acido de excellente gosto. 

Este fructo cheio de sementes reni- 
formes e chatas. 

O sueco leitoso, quando o fructo est 
verde, venenoso ; produz embriaguez 
que pde produzir a morte; basta 'co- 



mer o fructo de vez^ (quasi maduro) 
para que o sueco fique preso aos l- 
bios, a ponto de sei preciso um grande 
trabalho para desgrudal-os. 

A mangaba um fructo delicado ; 
quando cahe da planta no deve ficar su- 
jeito aco do sol ; porque corrompe- 
se; apanha-se n'um dia para ser comido 
no outro ; estomacal, substancial, e 
no faz mal aos doentes ; de forma que 
em Sergipe chamam-n'a fructo de do- 
ente ; entretanto convm cautel a , 

Faz-se com elle bom doce. 

No tecido cortical da arvore encon- 
tra-se um leite viscoso, que em medi- 
cina emprega-se nas phtisicas pulmo- 
nares : pela coagulao d'esta seiva ob- 
tem-se uma borracha de superior quali- 
dade, mas que no quasi explorada. 

A madeira empregada no fabrico 
de diversos artefactos de marceneria, 
(Fig. 25.) 

MaaQ^?i%l)2 fti*ravs% ou ]flaiiy:a- 

3sHBBl6tft ilits easa^^ws. Hancornia 
pubescens, Mart. Fam. idem. E' uma 
fructa agreste proveniente de um ar- 
busto das catingas dos nossos sertes 
do Norte, especialmente de Pernambuco 
e Bahia. 

E' um arbusto mui frondoso e copado, 
de tronco esbranquiado, de folhas re- 
gulares e grossas. 

Flores no observadas por ns. 

O fructo de 6 centmetros, cylin- 
drico, amarello quando maduro, com 
pouco cheiro. 

O pericarpo encerra uma polpa molle, 
elstica e branca, com um caroo re- 
dondo no centro, branco e de pequeno 
tamanho. 

Este fructo alimento dos veados e 
outros animaes, e por isto os caado- 
res os esperam nas mangabeiras bravas. 

A entrecasca e a raiz so emprega- 
das pelo vulgo, como purgantes, nas 
molstias uterinas, e para provocar o 
fluxo menstrual. 

Assemelha-se Mangaba mansa, mas 
com as differenas indicadas. 

Ha outra Mangaba agreste, com a 
massa em tudo semelhante precedente, 



MAN 

sendo porm o fructo mais pequeno; 
o qual, por asdo, no se pde comer. 

Existe n'alguns lugares das Alagoas, 
Sergipe, etc. 

O extracto da casca amargo e em- 
pregado em pequenas doses na obs- 
truco do fgado, na ictercia e nas 
molstias cutneas clironicas. 

O sueco leitoso tem os uzos da gomma 
elstica. 

Maii:aiba V. Mangaia. 

ItIang:arit-niiriBu . F. Mangarito. 

Klasi^ap peciiia. V. Mcmgaraz. 
Caladiuu violaceum^ Desf. 

HlaBigarataia . F. Gengibre. 

Manga raz. Crt^a^wm, Schott. 
Fau. das Araceas. Planta congnere 
da Taioba, da qual comem os tubrculos. 

Mangar a z. F. Taioba. 

Maiagarfo, ou 3Iangar;a-3ui . 

> -4 H? sagittoefoUum, SpL Ca- 
ladim sagitloefolium, Yent. Fam. das 
Araceas. 

Planta herbcea, indgena, cujas fo- 
lhas nascem immediatamente de sobre 
a terra, em peciolos longos sagitefor- 
mes. 

Tem as flores dentro de um estojo 
ovide semelhana do Tinhoro, 

Os fructos d'essas espcies so cap- 
sulares, molles ou secos. 

E' conhecido por este nome no Ma- 
ranho. 

Maiigapito tias Alagoas. E' 

uma herva semelhante Araruta, q ue 
d uma batata cor de ouro, de vario s 
tamanhos, e que talvez seja o Qengib re 
dourado . 

Mangarito do Maranlio. E 

uma herva que produz na raiz es umas 
batatinhas de vrios tamanhos, me- 
nores que as communs, de formas 
variadas, casca fina massa compacta 
e doce, de cr branca ou roixa. 



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Comem-se cosidas. 
A raiz exuda um sueco leitoso da 
superfcie. 

Mangarito tie Sergipe. i^af/z. 
das Araceas. E' uma planta herbcea, 
cuja raiz uma batata comestvel. 

As folhas expandem-se, estendendo-se 
sobre o cho, tendo peciolos longos; 
so cordiformes, oblongas e membra- 
nosas de 24 centmetros. 

As fres nascem n'um pendo, e for- 
mam uma espcie de espgunha em 
volta n'um cartuxo foliaceo; emfm 
como a Taioba, porm menor. 

Comem-se as folhas, e a batata. 

Mangavi. F. Comanati 

Mangerico da oHaa enifsa- 

s^i^i\.Oajmim. Fam. das Labiadas. 
Este matigerico difere do ordinrio 
por ter as folhas mais laas ; mas 
pouco mais ou menos do mesmo ta- 
manho e forma. 

As flores so de cr rsea mais car- 
regada. 

Mangar iro da lollaa larga. 

Ocymim basilicum, Lvm.Fam. idem. 

Planta natural da ndia, de 50 cen- 
tmetros de altura, com caule quadrado 
e ramoso. 

Folhas oppostas, ovaes. 

As flores, em espigas verticaes, so 
brancas, como busiosinhos. (1) 

O fructinho uma capsula de qua- 
tro palhetas, ou mesmo de duas, con- 
tendo umas sementinhas pretas. 

E' muito aromtica, e serve para tem- 
perar-se a comida. 

^ Serve tambm para banhos excitantes, 
cultivado como ornamento de jardins. 

Na Bahia chamam-na Catinga de 
mulata. 

Mangerico niiudo. Ocymum 
minimum, Linn. Fam. idem. Esta 
espcie oriunda do Ceylo, e culti- 
va-se nos nossos jardins. 

(1) Nome que se d aos caramujos nas pro. 
vmicas do norte. 






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Diflfre das antecedentes por ter a 
follia mais mida, e crescer menos. 
Tem os mesmos usos. 

Ulitiij^crico das ntoas. V. 

Ma i Mas . 

MaujEcrico ordinrio. Oci/- 
mum hasilium, Litm. Var.l Zeucas mar- 
tinicensis, Bartfi. Stachijorecta^ Linii. 
Fam. idem. Este mangerico commum 
em nossos jardins natural do Ceylo, e 
muito cheiroso. 

Esgalha bastante ; e o caule quasi 
quadrado. 

As folhas oppostas, ovaes e bem 
verdes. 

As flores, em espigas, so brancas 
e roixas ; e os fructos iguaes aos da 
precedente ; tendo o mesmo prstimo. 

E' empregado nos espasmos hyste- 
ricos, e dores articulares. 

]IIiii^eri!>a. Cssia occidentalis, 
Linn. Cssia sericea, Swart. Fam. 
das Leguminosas. E' uma das plantas 
teis do Brasil ; nasce em todos os 
terrenos- 

Seu nome popular geralmente Fe- 
degoso- parece que s varia em Per- 
nambuco, pois no Rio de Janeiro e 
Bahia, chamada Fedegoso. 

O caule um tanto lenhoso ; cresce 
de 100 a lO centmetros ; esgalhado, 
de folhas lanceoladas, no pequenas, 
dispostas em pares por palmas. 

Flores em cachos pequenos, amarellas 
e dispostas como rosas. 

O fructo uma vagem de 12 cen- 
tmetros, estreita, parda, comprimida, 
com ondulaes, mostrando os lugares 
das sementes, as quaes existem em 
lojas divididas, de forma ovide, e cor 
de castanha. 

Propriedades medicas. Esta planta 
tem muitas applicaes medicas ; o 
cosimento das folhas e caules, feito 
com cevada, excellente contra as 
tosses antigas e recentes, dores rheu- 
maticas, erysipelas, e clicas. 

A infuso do lenho em agua com- 



mum tomada diariamente contra 
as edemacas. 

O caf feito das sementes util 
contra o flato. 

Na primeira invaso do cholera no 
Brasil, 1856, no Brejo d' Areia foi 
empregada a raiz d'esta planta ras- 
pada, em infuso, misturada com um 
pouco de aguardente : era um espe- 
cifico contra as diarrhas cholericas. 

Tambm chamam-n'a Paja-mariba. 

niauM^eroiia. Origanum majorana , 
Limi. Majoranoidis (?) Willd. Fam. das 
Labiadas. E' uma planta herbcea, 
aromtica, natural da Europa. 

E' delicada na cultura. 

Seu caule forma touceira, e esten- 
de-se elevando as pontas dos ramos, 
que so finos. 

Tem as folhas oppostas, pequenas, 
ovaes, e esbranquiadas, por causa dos 
muitos pellos macios, que as tornam 
tambm macias. 

As flores so brancas e pequeninas. 

O fructo como o do Mangerico. 

Empregam-n'a como tempero nas 
cosinhas, e tem as propriedades esti- 
mulante e tnica. 

Hlaujferona do campo. Gle- 
dion spatulatus. Fam. idem. Planta 
do paiz conhecida por este nome no 
Rio Grande do Sul. 

Esta herva, tomada em infuso, 
um excellente diaphoretico para as 
affecces catarrhaes. 

Illang:iie aniarello. Avicencia. 
ntida, Linn. Fam. das Myoporaceas. 
E' uma arvore pequena e indgena 
que habita nos pntanos. 

Tem folhas bonitas, lanceoladas. 

As flores so brancas. 

O fructo capsular e oblongo. 

Com a casca d'esta planta se curte 
couros ; adstringente. 

E' tambm conhecido por Cerubuna 
e Cerutinga. 

Haiij^ue braneo ou Cereba. 

Laguncularia racemosa, Gaertn.Fam. 



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93 



das Comlretaceas. A este mangue tam- 
bm chamam em Pernambuco Mangue 
branco e rasteiro. 

E' um arbusto que vegeta nas aguas 
salgadas, muito ramoso, sendo os 
ramos oppostos ; tem as sumidades e 
o peciolo das folhas vermelhos. 

Estas so oppostas quasi redondas, 
carnosas, quebradias. Satura-se do 
sal das aguas marinhas. 

As flores em cachos so pequeninas 
e brancas. 

O fructo uma capsula cnica, sul- 
cada. 

A semente germina dentro do fructo, 
que depois torna- se escuro. 

Este arbusto fornece boa lenha. 

As folhas so applicadas, em cosi- 
mento, nas dores de dentes. 

niaiigrue do brejo. Eugenia 
ntida. Eugenia nitens , B . C. 
Fam. das Myrtaceas. Arbusto de tron- 
co liso. 

De folhas oppostas, ellipticas e lus- 
trosas. 

Flores e fructo iguaes aos de suas con- 
gneres. 

]IIan:ue cano oii de boto. 

Termi7ialia aggregata. Fam. das Com- 
lretaceas. Arbusto em mouta. 

Cresce de 150 a 200 centimetros. 

Vegeta nas areias da praia. 

Suas folhas so lanceoladas, lisas, 
carnosas, quebradias, e com o peciolo 
curto, tendo duas glndulas umbeli- 
cadas na base que, e se apresentam como 
glbulos esverdinhados e sub-escamosos, 
contendo muitos feixes de pequenos 
filetes. 

O fructo um aggregado de fructi- 
nhos globulosos, oblongos, com eixo cen- 
tral, cuja superfcie offerece ngulos em 
alto relevo com pequenas escarninhas. 

Do tronco d'este mangue tiram-se 
cavernas para canoas. 



Hlan^iie de espeto. Stalagmites 
mini folia. Fam. das Gutti feras. 
uma arvore do paiz de porte mediano 
conhecida por este nome em Alagoas. 



Tem a casca escura. 

As folhas midas, oppostas, lanceo- 
ladas e lisas. 

As flores so brancas, em cachos, 
pequenas e um pouco resinosas. 

O fructo rudimentario, ovide e in- 
ternamente dividido em quatro aloja- 
mentos. 

Maiig:iie do Par. Cassipourea 
guiafiensis, Aubl. Zignotis, elliptica, 
Swart. Fam. das Salicariaceas. 
um mangue que vegeta em terrenos 
paludosos no Par e seus contornos. 

E' arvore mediana, de folhas op- 
postas e ovaes. 

As flores so braneas em cachos. 

O fructo semelhante uma baga es- 
pherica com trs vlvulas e trs lojas, 
contm uma ou trs sementes. 

niangue do Par. Cassipourea 
macropliylla, D. C. e Mart. Lignotis 
macropiliylla. Fam,. das Risoplioraceas . 
Esta espcie dif'ere pouco da outra. 

As folhas so maiores, assim como 
as flores. 

]IIan:ue de pendo. Rhizo- 
fhora mangle., Linn. Fam. idem,. 
Este mangue nasce e vegeta nas bordas 
e mesmo dentro dos pntanos salobros 
e salgados. 

Tem em Pernambuco este nome e o 
de Mangue verdadeiro. 

E' um arbusto frondoso, de tronco 
liso e escuro ; de ramos quasi hori- 
sontaes, avermelhados nas pontas e no 
peciolo das folhas. 

Estas so arredondadas, carnosas e 
quebradias. 

Flores em cachinhos brancos. 

O fructo uma capsula pyriforme, 
deprimida, coroada por um pequeno 
tubo, cuja superfcie verde reguada 
longitudinalmente, e contm uma se- 
mente foliacea. 

A lenha que fornece boa ; e con- 
serva o fogo. 

Pde dar-se na dose de 8 grammas 
como anti-febril a casca. 

O p d-se nas picadas dos insectos 
e mordeduras de peixes. 



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MAN 



Catiacteres da famlia, Plantas 
herbceas ou arbustos de caules sar- 
mentosos, de folhas alternas, simplices 
recortadas e acompanhadas de duas 
estipulas na base. 

Poucas vezes so arvores desprovi- 
das de elos. 

Suas flores so em geral grandes e 
solitrias ; muitas raras vezes formam 
uma espcie de cacho. 

Essas flores so hermaphroditas, tendo 
um clice gamosepalo, turbinado, ou 
longamente tubuloso, com cinco di- 
vises mais ou menos profundas, al- 
gumas vezes coloridas. 

Uma corolla de cinco ptalas, in- 
seridas no alto do tubo do clice. 

Cinco estames monadelphos , for- 
mando um tubo que cobre o pice do 
ovrio e se une com elle. 

As antheras so versteis de duas 
lojas. 

Por fora dos estames ha appendices 
mui variados, ora filamentosos, ora 
sob a forma de escamas ou de gln- 
dulas pedicelladas, reunidas circular- 
mente, e formando de uma a trs 
coroas, que nascem no orifcio nas 
paredes do tubo calicinal. 

Algumas vezes esses appendices e 
mesmo a corolla faltam completamen- 
te. 

O ovrio livre, de uma s loja, 
offerecendo de trs a cinco trophos- 
permas longitudinaes, que algumas 
vezes so salientes, em forma de falsos 
septos, e que se ligam a um grande 
numero de vulos. 

Tem superiormente trs ou quatro es- 
tyletes, terminados por outros tantos 
estigmas simples ; raras vezes os estig- 
mas so sesseis. 

O fructo carnoso, interiormente, 
contendo um grande numero de se- 
mentes ; poucas vezes secco, mas 
sempre indehiscente. 

As sementes tem x\m endosperma 
carnoso, no qual existe um embryo 
homotropo e axil. 

]!IIaisiu,-uc 1 prai. Scoevola plu- 
mierii, Lamh. Fam. das Gampanulaceas 



roustosii 



Aroustosinho conhecido por este 
nome em Cabo-Frio. 

E' esgalhado, com folhas alternas e 
ovaes. 

Flores amarellas ou brancas. 

O fructo uma capsula, ou espcie 
de nz. 

Serve para os mesmos usos que o 
Mangue^ e fornece ba matria para 
a tinturaria. 

Ufaiigue preto. V. Mangue de 
'pendo. 

Nanj;^iie de sapateiro. Sta- 
lagmites mangle. Fam. das Guttiferas. 

E' uma arvore que vegeta nasmattas 
das Alagoas, onde lhe do este nome. 

Tem o lenho avermelhado dentro ; 
fornece um sueco resinoso. 

As folhas so oppostas, um pouco 
grandes, obovaes, viscosas, e grossas ; 
exsudam leite viscoso. 

As flores, so brancas, em cachos. 

Os frutos, de 3 centmetros, ovaes, 
verdes por tora e brancos por dentro, 
tendo varias sementes nos comparti- 
mentos; viscoso. 

A madeira, prpria para certas 
obras, e d bons caibros. 

I}Iaiig:iie veriellio. V. Man- 
gue de 'pendo. 

Manba. V. Ma^iiva. 

IManic . liutilia fertilis.Manic (?) 
Fam. das Acanthaceas. Herva agreste 
conhecida por este nome em Pernam- 
buco. 

Tem o caule em moita, de cerca de 
50 centimetros. 

Asfolhas lanceoladas e oppostas, algu- 
mas pequenas que lhe so associadas. 

As flores, como trombetinhas, de cr 
roixa azulada, em cachos que rodeiam 
os ramos cheios de aspasinhas follia- 
ceas. 

Todas essas partes so cobertas de 
pellos, com glndulas nas pontas, que 
parecem orvalho, pelo que a planta 
pegajosa. 



MAN 



MAN 



995 



O fructo uma capsula foUacea, em 
forma de fuso, com duas vlvulas e 
algumas sementes compridas dentro. 

Empregam seu cosimento contra as 
fluxes de peito, tosses, etc. 

llauioba brava. Jatropha. 
Fam. das Eiipliorhiaceas. Arbusto que 
cresce de 2 a 4 metros, quando favorece 
o terreno. 

E' lactifero, de caule nodoso em vir- 
tude das cicatrises das folhas velhas. 

Estas so palmadas, de peciolos lon- 
gos, de cinco lobos ovaes oblongos, 
agudos, lisos e quasi lustrosos. 

Flores, em pequenos cachos, nas 
pontas dos ramos. 

So de dois sexos, e como pequenas 
anglicas de cinco pontas esverdinhadas, 
e na base manchadas de cr de purpura. 

A flor fmea produz uma noz oval, 
de 3 centmetros, dividida em oito 
septos por meio de seces e quatro 
vlvulas ; oFerece quatro lojas conten- 
do quatro sementes. 

Esta planta uma Maniva brava que 
no se come. 

D raizes tuberosas, que, em vez da 
forma comprida que tem as que se co- 
mem, so redondas, e seu interior no 
formado por substancia compacta, 
como n'aquellas ; porm mais frouxa, e 
aquosa; no d fcula. 

Entretanto todo o gado gosta d'esta 
planta. 

A Maniva do serto uma espcie 
semelhante esta, porm apresenta 
na raiz um prolongamento, as vezes 
de 150 centmetros, na extremidade do 
qual forma-se uma tubera, cuja massa 
mais venenosa. 

Em tempos de carestia e fome o 
povo d'esses lugares serve-se d'ella 
para fazer farinha ; mas preciso ex- 
trahir bem a parte aquosa, e prolongar 
ou demorar por mais tempo a torre- 
faco, isto a aco do calor. 

MmbibiiIi. Espcie de Jiina que 
nasce nos paues da Parahyba. 

Manilha. J mostramos qvie o vo- 



cbulo Maniva significa a planta in- 
teira que produz as tuberas, donde se 
extrahe a farinha usada como alimento 
entre os brasileiros, que tambm se 
chama Farinha de ])o. 

O nome, porm, de Mandioca appli- 
ca-se em particular a raiz tuberoza. 

Eis aqui as espcies que se cultivam 
em Pernambuco. 

Maniva aipim. Jatroia 'pseudo 
aipi.{l) Fcm. das Eujorbiaceas. O 
caule d'esta branco, os peciolos das 
folhas esverdinhados no pice e arroi- 
xeados na base junto ao caule. 

As folhas so de cinco ou sete divi- 
ses. 

Parece-se com a 3achaxra branca. 

Hlaniva aipisai. Jatropha. Fam. 
idem. Machaxra. 

Maniva antarella. Joiropha. 
Fam. idem. Conhece-se enl Pernambuco 
e Alagoas por este nome a Maniva de 
tronco esbranquiado. 

A estructura da planta est des- 
cripta na Mandioca Jatropha. 

A raiz de tamanho ordinrio, de 
cerca de 36 centmetros, casca fina e 
branca em relao s outras. 

A massa no compacta; tem a cr 
amarella e d boa farinha. 

nianva atan do calado. Ja- 

ropha. Fam. idem. conhecida em 
Pernambuco e Alagoas por^este nome 
uma Maniva de caule branco e gom- 
mos arroixeados. 

Tem a raiz curta, grossa e cascuda; 
sua massa enxuta. 

D farinha de boa qualidade, e em 
abundncia. 

Maniva Barroso. Jatropha. 
Fam. idem. de Alagoas esta espcie 
de Maniva. 

Tem os gommos e os talos roixos. 

O lenho acinzentado. 

A raiz cresce muito, tem a casca 
grossa. 

D boa farinha. 



296 



MAN 



MAN 



niaiiivn bPBiiniiitlia. Jatro- 
pha. Fam.idem. Esta espcie , que 
existe em Pernambuco e Alagoas, tem o 
caule e os peciolos esbranquiados. 

A mandioca tem a casca parda. 

A massa grossa e compacta. 

D boa farinha. 

Ha outra do mesmo nome que difere 
por esgalhar muito e produzir uma 
raiz tuberosa de casca grossa. 

Tambm d boa farinha. 

Maniva caboc'linilia. Jatropha. 

Fam. idem. Esta vegeta tambm 
em ambas as provncias acima men- 
cionadas, onde recebe este nome. 

O caule e os peciolos aproximam-se 
cr de castanha. 

A Mandioca curta e grossa, de 
massa enxuta. 

D boa farinha. 

nianivn eaboe'linha. Jatropha. 

Fam. idem. tambm de Pernam- 
buco e Alagoas 

O caule e os peciolos so averme- 
lhados. 

A raiz cresce bastante , e d boa 
farinha; mas como d'ella se usa de 
preferencia para comer cosida, depois 
de lavada em duas aguas , pouca fa- 
rinha se faz d'esta espcie. 

nianiva caiiella de iiriifitk. 

Jatropha. Fam. idem. Esta espcie 
tem o caule com manchas cr de 
purpura. 

Os peciolos das folhas so purpreos ; 
e estas de cinco divises. 

As flores e fructos como os da 
Mandioca. 

Maniva carrlry de logo. Ja- 
tropha. Fam. idem Esta espcie tem 
o caule branco, manchado de rubro. 

Os peciolos das folhas rubros, e 
estas de sete divises. 

Os gommos so purpurinos. 

Maiitva criivella, lia mo. 

Jatropha. Fam. idem. Assim chamam 
em Pernambuco a esta espcie que cresce 
muito sem esgalhar. 



Os peciolos das folhas so vermelhos 
inferiormente e brancos por cima. 

As razes pouco crescem ; mas engros- 
sam e so muito succulentas. 



Do uma farinha regular. 



Illaiaiva criivellinlia. Jatropha. 

Fam. idem. E' uma espcie conhe- 
cida nas Alagoas. 

O peciolo das folhas branco. 

As flores amarellas riscadas de cr de 
rosa. 

Abunda em raizes, que engrossam 
muito. 

D bem em quasi todos os terrenos, e 
produz boa farinha. 

nianiva eng:aiia-Iadro. Ja- 
tropha. Fam. idem. E' conhecida em 
Alagoas e Pernambuco. 

Tem peciolos vermelhos. 

Caule azinzentado e gomos brancos. 

A Mandioca engrossa, compacta, d 
boa farinha; e estando em terra en- 
xuta conserva-se por muito tempo. 

niaiiiva freira. V. Maniva mi- 
lagrona. 

niasiiva fria, ila inatta. Ja- 
tropha. Fam idem. Em Alagoas e Per- 
nambuco se conhece esta Maniva que 
esgalhada, e de peciolos brancos. 

Raizes pequenas, grossas, quasi esphe- 
ricas e succulentas. 

D excellente farinha. 

nianiva fria, da mvttet. Jatropha. 

Fam. idem. Subarbusto que es- 
galha muito, com caule esbranquiado. 

Peciolos brancos, com manchas rosa- 
das ou rubras. 

Folhas de cinco lbulos, sendo as 
dos gommos, ou olhos arroixeadas. 

Flores amarelladas, com veios cr de 
rosa ; e as glndulas amarellas. 

O fructo 6 as estipulas iguaes aos 
da precedente. 

A raiz , pequena quasi redonda , 
succulenta. 

nianiva Iiii manai Jatropha. 



MAN 



MAN 



297 



Fam. idem. Tambm esta conhecida 
nas mesmas duas provncias, 

O caule escuro, o peciolo roixo ; 
esgalha abundantemente. 

A raiz grande, succulenta e 
muito enxuta. 

D boa farinha, e em grande quan- 
tidade. 

Hlaiiiva Iiuinana branea.. 

Jatropha. Fam. idem. Esta Maniva 
tem o caule branco, a Mandioca esbran- 
quiada. 

A casca fina. 

As folhas com trs divises, o pe- 
ciolo branco. 

A flor esverdinhada. 

O fructo como o da outra. 

Maniva liiiinana fria. Jatrop. 
Fam. idem. Esta tambm conhecida 
em Pernambuco e Alagoas, onde tem 
este nome. 

um pouco esgalhada. 

Tem o caule acinzentado, o peciolo 
branco. 

A Mandioca cresce e engrossa. 

compacta, e d excellente e abun- 
dante farinha. 

Tambm chamam-n'a Humana fria da 
matta. 

niaiiiva liuniana vernielha. 

Jatropha. Fam. idem. ,Esta espcie 
conhecida por este nome em Pernam- 
buco. 

Tem o caule manchado de cr de 
rosa. 

Quasi todos os peciolos das folhas 
so vermelhos. 

Estas tm cinco divises. 

As flores so amarelladas. 

O fructo igual aos precedentes. 

As raizes grandes e succulenta s. 

lUaiiiva Isabel de Souza. 

Jatropha. Far. idem. Esta espcie, as- 
sim denominada em Sergipe, no cresce 
muito . 

D raizes que madurecem em seis 
mezes n'aquella provncia, mas em todas 
as outras s no fim de um anno e mais. 



Esta raiz no tem o principio vene- 
noso das outras, e at come-se crua 
sem que produza nenhum accidente. 

usada como a Machaxera. 

nianiva landin, Jatropha. Fam. 
idem. Conhecida em Pernambuco e 
Alagoas. 

E' um tanto esgalhada, tem o caule 
pardo, e o peciolo esverdinhado. 

A raiz tem a casca parda e grossa, e 
a massa enxuta. 

D boa farinha, mas tambm co- 
mem-n'a ; no sendo porm boa para 
este fim. 

niani va inanipeba. Jatropha. 
Fam. idem. De Pernambuco e Alagoas. 

E' do caule acinzentado, de peciolo 
esverdinhado, esgalha to rasteiramente 
que os galhos se introduzem na terra. 

A Mandioca cresce muito , tem a 
casca fina, a massa muito enxuta, e 
entranha-se tanto na terra, que a mo 
desarmada de instrumento no a pode 
arrancar. 

E' a que, n'este estado, mais tempo 
dura, pois chega a dois annos sem cor- 
romper-se. 

D uma farinha, to venenosa, que 
nem as formigas a comem. 

nianiva nianipeba. uma qua- 
lidade, cujas raizes so bulbiferas no 
seu prolongamento. 

Nasce de distancia em distancia uma 
batata, e por este modo se encrava 
muito pela terra, dando muito traba- 
lho para colher-se. 

D'esta batata estrahe-se farinha e 
to venenosa que nenhum animal d'ella 
come. 

Pde-se conservar o tempo que se 
quizer ; visto que o vegetal chega 
grandes alturas acompanhando o matto, 
se no for arrancado. 

nianiva inaiiivinlia. Jatropha 
Fam. idem. Tem o caule branco, e 
fende-se na parte inferior em laminas 

As folhas de cinco lobos, tm peciolos, 
brancos no meio e purpurinos em cima. 

40 



S9S 



MAN 



MAN 



Esta Mandioca desconhecida por 
ns. 

Alaiiivu iiiilaj^rona. Jatro^ka. 
Fam. idem. Esta Maniva., conhecida 
nas Alagoas por tal nome, em Per- 
nambuco chamada Maniva freira. 

No esgalha . 

Tem o caule castanho e o peciolo 
branco. 

As raizes tuberosas engrossam e se 
alongam. 

So muito compactas. 

Do ba farinha em quantidade. 

Come-se. 

Hlaniva mulatinha. Jatropha. 

Fam. idem. Em Pernambuco e Ala- 
goas conhecem por este nome a Ma- 
niva de caule castanho com peciolo 
quasi da mesma cr. 

A raiz curta e grossa. 
A massa enxuta. 
Produz boa farinha. 

llaniva de jsoimiio branco. 

Jatropha. Fam. idem. Tambm 
em Pernambuco e Alagoas conhecem 
por este nome Mandioca de caule acin- 
zentada peciolo e gommo branco. 

A raiz de casca parda, e a massa 
produz excellente e abundante farinha. 

IHaniva lo g:onimo roixo. 

Jatrofha. Fam. idem. O povo das 
Alagoas conhece esta espcie por tal 
nome. 

Tem ella um n roixo junto ao olho, 
e o peciolo arroixeado na insero das 
folhas. 

A raiz cresse e engrossa. 

E' muito cascuda e redonda. 

No d m farinha. 

Maniva paeor. Jatropha. 
Fam. idem. E' de Pernambuco esta 
espcie, e tem o caule e o peciolo es- 
branquiados. 

A raiz parda escura. 

A massa amarella. 

Quasi se no faz d'ella farinha, por 
usarem muito comel-a de preferencia. 



Maniva Paraliylia. Jatropha. 
Fam. idem. Esta espcie tem o caule 
e os peciolos das folhas brancos- 

As folhas de cinco divises. 

As flores como as congneres. 

O fructo com arestas verdes. 

A raiz desconhecida para ns. 

lYIaniva p de pombo. V. 

Maniva cabocolinha. 

Hlani va periciiiito. Jatropha. 
Fam. idem. E' assim denominada esta 
espcie nas Alagoas. 

O caule branco e no esgalha. 

O peciolo incarnado. 

A raiz bastante grossa, apresenta 
boa massa, que produz excellente fa- 
rinha. 

Maniva pipea. Jatropha. Fam. 
idem. Esta Maniva conhecida nas 
Alagoas . 

Tem o caule acinzentado. 

O peciolo branco com os pontos de 
insero avermelhados. 

A raiz tem a casca preta. 

Come-se, d tambm boa farinha. 

Hlaniva reffoz. Jatropha. Fam. 
idem. Esta espcie de Maniva conhe- 
cida nas Alagoas esgalha e desenvol- 
ve-se muito. 

Tem o caule castanho e o peciolo 
vermelho. 

As raizes longas e grossas. 

A massa muito compacta. 

A farinha que d um pouco fi- 
brosa, sendo porm velha, no m. 

Maniva do Rio Grande. Esta 
Maniva tem o tronco branco. 

Os peciolos das folhas mui compri- 
dos e brancos e as extremidades ro- 
sadas. 

As folhas de sete divises. 

Maniva lapicima. Jatropha. 
Fam. idem. Em Pernambuco e Alagoas 
conhecem esta variedade. 

Tem o caule pardo. 

Cresce sem esgalhar. 



MAP 



MAP 



S9;f 



O peciolo esverdinliado. 
A raiz parda ou castanha, de massa 
enxuta, e se come. 
D boa farinha. 

nianiva tio Pedro. Jatrojiha. 
Fam. idem. Esta conhecida em Per- 
nambuco. 

Tem o caule e peciolo arroixeados 

A raiz grossa. 

D boa farinha. 

E' desconhecida no norte das Alagoas. 

Slaiiiva verniellti. Jatro'plia,. 
Fam. idem. E' de Pernambuco e Ala 
gas. 

Tem o caule escuro e no esgalha. 

O peciolo vermelho arroixeado. 

A raiz comprida e carnosa. 

Sendo nova, d boa farinha. 

niaiiobi. V. Munduhi. 

Hlaittiniesito tie araponga. 

Eugenia adstringens. St. Hil. Fam. das 
Myrtaceas. Arbusto, oriundo do paiz, 
conhecido no Rio de Janeiro por este 
nome. 

Cresce nas capoeiras d'essa provncia. 

Tem o tronco e os ramos lisos. 

As folhas so oppostas e ellipticas 

As flores ou solitrias ou em pares 
so brancas e distinctas. 

O fructo oval, liso, bonito, coroado 
pelas sepalas da flor, de um roixo es- 
curo, de sabor adstringente, com um 
caroo dentro. 

Fructiflca em setembro. 

O nome indica o uso que tem. 

nio visiiilto. Mimosa malvasi- 
iiTia. (?) Fam. das Leguminosas. Tem 
este nome nas Alagoas um espinheiro 
esgalhado e alto, de folhas palmadas 
ou compostas e muito midas. 

Flores em capitules, como frocos de 
retroz. 

So vagens os fructos. 

Quando chega a certo gro de idade 
esta planta perde os espinhos. 

Mapareyba. V. Mangue de pendo 
ou Mangue vermelho. 



Maii i cUi . Myrcia lanceolata. Fam . 
das Myrtaceas. E' um arbusto conhe- 
cido por este nome em Minas Geraes. 

Esgalha. 

Tem folhas oppostas e lanceoladas. 

As flores so brancas, em cachos 
pequenos. 

O fructo no foi ainda observado. 

Tem cheiro terebinthaceo. 

Hlapiriiiiga ou Piruiig:a. Fam. 
das Mijrtaceas. E' um fructinho sil- 
vestre, de pouco apreo, conhecido em 
Pernambuco por Mapirunga e em Ser- 
gipe por Pirunga. 

Nasce de um arbusto pequeno esga - 
Ihado. 

De folhas pequenas oppostas. 

De flores em cachinhos, ou feixes 
nos ramos. 

Os fructos so pequenos, globulosos, 
de cerca de 1 a 2 centmetros off'e- 
recendo umas palhetinhas verdes no 
pice. 

O tegumento externo uma pelli- 
cula fina semi-transparente, de ci" 
roixa avermelhada, brilhante, contendo 
uma polpa aquosa, roixa, doce, acida e 
com um principio adstringente. 

Encerra duas sementes pardas, es- 
verdinhadas, ou uma espherica. 

Comendo-se poro d'esta fructa fica- 
se com os dentes embotados. 

Passa por ser bom adstringente. 

Hlapiruai^a brava. Eugenia 
tinctoria. Fam. idem. Este fructi- 
nho, que vegeta nas Alagoas, seme- 
lhantssimo ao precedente. 

A planta que o produz tem os caules 
esbranquiadas. 

As folhas lanceoladas e oblongas. 

As flores, so brancas, pequenas e 
em feixes. 

O fructinho s diff'ere do da preceden- 
te, pela maior adstringncia e por dar 
muita matria corante. 

Ma |> i> a 111 . Hifpomarie brasiliensis . (?) 
Fam. das Euphorbiaceas. Segundo 
Emilio Germon, os indgenas curam os 
cancros, cercando-os de uma massa 



soo 



MAR 



MAR 



feita de Uruc, e derramando sobre a 
eha<;a o sueco d'aquella planta. 

Este sueco se coag^ula e faz o doente 
transpirar e urinar copiosamente ; e 
quando a escara cahe, a ferida est 
cicatrizada. 

Quando applicam este tratamento tm 
cuidado que o sueco do Mappam s 
caia em cima dos tecidos ulcerados ou 
alterados ; pois, do contrario, haveria 
absorpo e ficaria em risco a vida do 
doente, attenta a propriedade venenosa 
d'esta espcie de Mancenilha. 

E' tambm til nas boubas seccas. 

Esta arvore brasileira lactifera e 
venenosa. 

Suas flores so de sexos diferentes, e 
do por fructo uma baga que tem dentro 
uma noz leitosa, contendo muitos ca- 
roos. 

Alarariij. Passiflora maliformis, 
Linn. e Will. Fam. das Passifloraceas. 
E' um fructo indgena, cujas folhas 
ovaes so como que cordiformes, lus- 
trosas com duas glndulas no peciolo 
das folhas. 

As flores so muito conhecidas. 

O fructo acido e doce refrigerante. 

Propriedades medicas. Applicam-se 
as folhas externamente contra as afec- 
es da pelle, o cosimento do pericarpo 
do fructo contra as inflammaes dos 
olhos, e o de toda a planta passa por ter 
as mesmas virtudes da Salsaparrilha. 

lUaraeujii-ass. Passiflora qua- 
dra7igularis, Linn. Passiflora alata, 
Art. e Hort. Fam. idem. No Par 
chamam- no Maracuj de Cayenna. 

E' oriunda do Brasil e das Antilhas, 
cultivam-se, e encontram-se tambm 
nas mattas. 

E' um arbusto trepador que esten- 
de-se sobre outras plantas, e faz la- 
tada. 

Seus caules so na parte inferior 
cobertos de escamas brancas e corti- 
centas. 

Suas folhas ellipticas, coriaceas e al- 
ternas. 



As flores grandes, solitrias de clice 
verde por fora, estrellado, branco por 
dentro e sobre elle um circulo de p- 
talas lanceoladas, contendo em cima 
uma orla de fmbrias circulares. 

Do centro ergue-se uma columna com 
cinco appendices, nos qnaes tem cada 
um sua anthera, e mais acima trs fi- 
letes em forma de massa. 

O povo chama a isto as cinco cha- 
gas com os trs cravos. 

O fructo um grande pomo oval, 
de 12 contimetros pouco mais ou 
menos. 

O pericarpo amarello pallido, fino e 
mui delgado envolvendo o corpo com- 
ponente da fructa, que branco, cr- 
neo, e ao mesmo tempo succulento tem 
trs membranas speras na parede in- 
terna da cavidade. 

A' essa parede se prende uma grande 
quantidade de sementes reniformes, 
acinzentadas, cobertas de uma carti- 
lagem cinzenta, doce, levemente aci- 
da e mui saborosa, alm de uma 
polpa igualmente diffundida em todo 
o espao. 

E' uma das boas fructas do Brasil. 

Propriedades medicas. Uma s fo- 
lha do Maracuj ass cosinhada e 
bebida eRcaz nas tosses convulsas, 
conforme somos informados. 

MaracuJ de eobra. Passiflora. 
Fam. idem. E' um Maracuj no 
cultivado que nas Alagoas tem este 
nome. 

E' procedente de uma planta tre- 
padeira de caule fino com palhetinhas. 

Folhas delicadas, oferecendo trs 
divises. 

A flor toda branca, e do tamanho 
de metade da precedente. 

O fructo, de 3 4 % centmetros, 
redondo; sua estructura externa, 
semelhante aos outros. 

A substancia interna igual a do 
Maracuj-ass e com a mesma cr. 

Come-se. 

maracuj de coruja. Pawt- 



MAR 



MAR 



301 



flora. Fam. idem. E' um Maracuj 
conhecido por este nome nas Alagoas. 

E' resultado de um arbustinho sil- 
vestre e trepador. 

As folhas representam dois pro- 
longamentos com um dente no meio. 

As flores, como as das outras esp- 
cies, so pequenas e brancas. 

O fructo como uma cabacinha 
fuziforme, tendo os gomos ou ngulos 
pouco salientes; roixo. 

A semente e a polpa so cinzen- 
tas. 

Esta come-se, ba e de sabor 
doce. 

As corujas comem-n'a muito. 

Esta deve ser a Passiflora hicornis 
provalvemente. 

Maracuj de estallo ou ittu- 
xila. Passiflora mvolucrata. Fam. 
idem. Esta espcie de Maracuj agreste 
conhecida na Bahia, Alagoas, Per- 
nambuco e talvez em todas as 
provncias do Brasil por este nome. 

E' herbceo, delgado e trepador. 

O caule e os ramos so arroixeados, 
assim como as divises das folhas, 
que formam duas pontas na base. 

Todas as partes do vegetal so vi- 
osas e cobertas de pellos ; tem umas 
glandulasinhas nas pontas ; e gavi- 
nhas para agarrar-se aos outros. 

As flores so brancas como as dos 
Maracujs descriptos ; mas tem um in- 
vlucro em que esto contidas. 

O fructinho de 3 6 centmetros, 
ovide, quasi eonico, verde, com trs 
salincias suturaes. 

Dentro branco, tendo muitas se- 
mentes apegadas s paredes, e de forma 
de trapesio ; so alouradas, cobertas de 
uma substancia branca^ transparente 
e acida. 

Este fructo est envolto em trs fo- 
lhetas, que so filamentos ramificados, 
cobertos de pellos viscosos. 

Fazem poucas vezes doce d'este Ma- 
racuj; porque prefere-se para este mis - 
ter outros mais succulentos. 

Hlaraeuj.t le i;;arapa ou nie- 



rini. Passiflora edulis., (Sabin. e Her.?) 
Passiflora 7icarata^ Linn. Fam. 
idem. Esta espcie de Maracuj 
indgena do paiz e geralmente conhe- 
cida por este nome, na Bahia, porm 
chamam-no, segundo sou informado, 
Maracuj de trs pernas. 

Foi a primeira espcie d'este gnero 
de fructa que appareceu na Europa, 
onde cultivada. 

E' proveniente de um arbustinho 
trepador, cujo caule tem de distancia 
em distancia gavinhas. 

Folhas em trs lacinias, lisas e 
lustrosas. 

As flores, um tanto grandes como 
as precedentes, so brancas, tendo in- 
teriormente coroas purpurinas e arroi- 
xeadas. 

O fructo muito aromtico, redondo 
ou oval, de 6 9 centmetros de dime- 
tro, amarello-claro ; enruga-se quando 
muito maduro. 

Internamente a polpa amarella-aver- 
melhada, bastante acida. 

Fazem-se d'elle limonadas, e doce. 

Ha nas Alagoas uma espcie seme- 
lhante denominada Maracuj peroba. 

Maracuj mamo. V. Mara- 
cuj-assi. 

Maracuj da matta. Passiflora. 
Fam. idem. E' uma espcie a que 
nas Alagoas do este nome. 

E' arbusto trepador. 

De caule enrugado. 

Fructo de 9 centmetros de dimetro, 
com o pericarpo fino, e a substancia in- 
terna cinzenta, como a do Maracuj-ass. 

Come-se. 

Maracuj merim. V. Mara- 
cuj de garapa. 

Maracuj perluelio. (?) Esta 
espcie d uma fructinha, de que fazem 
em Pernambuco um bello doce. 

Vegeta nas mattas. 

Maraj oti Coqueiro Maraj. 

Fam. das Palmeiras. E' do Par. 
Os fructos no se comem. 



:t03 



MAR 



MAR 



Murajj OH Tiipiibii <I Per- 
iiaiiibiieo. Baciris maraj^ Mart. 
Fam. das Palmeiras. Palmeira co- 
nhecida por este nome no Par, Ma- 
ranho e Alagoas. 

E' baixa; seu ramalhete nasce logo 
acima da raiz, com as folhas espar- 
sas. 

Tem espinhos, porm molles e fle- 
xveis. 

O cacho pequeno, e os fructos 
so dispostos verticalmente. 

Cada um tem 1 % centmetros, 
e forma oval ; apresenta escamas em 
forma, de roseta na base, e um ponto 
saliente no pice. 

A cr externa roixa, quasi preta, 
na maturidade ; o pericarpo um tanto fi- 
broso. Internamente liso e tenaz, unido 
a uma substancia mucilaginosa entre- 
tecida de fibras molles que cobrem 
um caroo redondo, chato de um lado 
e convexo de outro , cujo tegumento 
duro e contm uma amndoa branca 
e durssima. 

O gosto da fructa acre doce. 

niaraiig^Sia. 7. Yatoy. 

Mao>aiiiy:alia. Psidmm figmeim., 
Arr. Cam. Fam. das Myrtaceas. 
E' uma planta de Pernambuco. 

niarasalia grande. F. Mara- 
cuj-ass. 

HlaraiteiiiBiia. uma arvore do 
Par, onde tem este nome. 

E' colossal. 

Seu lenho durssimo, amarellado 
marchetado de veias pardas, que o 
tornam muito bonito. 

Ella excellente para marceneria, 
e mui estimada por fingir tartaruga. 

niar afluam a. V. 3tiira'puama. 
Maravaia. V. Capim coco. 

AlaravilBia. Impatiens balsamina., 
Linn. Fam. das Balsdminaceas. 
originaria da ndia. 

Em todas as provncias do Brasil 



chamam a esta flor Beijos ou Beijos de 
frade., excepto em Pernambuco onde 
conhecida por Maravilha. 

E uma planta de jardim, cujas flo- 
res so mui elegantes, de cores mui 
vivas e brilhantes. 

Parece que o Auctor da natureza 
reservou para a sia a primasia na 
produco das cores mais bellas do 
mundo, quer naturaes quer artificiaes. 

Est ha muitos annos acclimada en- 
tre ns. 

E' uma lierva de 50 a 100 cent- 
metros de altura. 

Tem o caule herbceo e succulento. 

As folhas lanceoladas, molles e den- 
teadas ; enchem-se de flores suas axl- 
las. 

Estas tem um pednculo maneira 
de uma viseira, com um jjequeno pro- 
longamento ; e mais interiormente uma 
corolla em forma de cartucho, que ora 
simples e ora dobrada, isto , tem 
uma ordem de ptalas iguaes e sobre 
postas outra. 

So de diflferentes cores, conforme a 
espcie ; brancas, roixas, encarnadas e 
cr de rosa, ou cada flor matisada de 
varias cores ; finalmente uma flor 
linda, mas de fraco aroma. 

Tem por fructo uma capsula foliacea, 
ovide, cheia de sementes castanhas ; 
menor presso abrem-se as vlvulas 
da capsula, torcendo-se sobre si mes- 
mas e derramam os sementes. 

Cultivam na Europa vinte e trs es- 
pcies. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas ou subfructescentes, de fo- 
lhas simplices ou compostas, altern.as 
ou algumas vezes oppostas, munidas 
de estipulas na base. 

As flores so axillares ou termi- 
naes. 

O clice formado de cinco sepa- 
las, muitas vezes desiguaes, e solda- 
das juntamente pela base, as vezes pro- 
longadas em forma de esporas. 

A corolla se compe de cinco ptalas 
iguaes ou desiguaes, livres ou ligeira- 
mei^te coherentes entre si pela base. 



MAR 



MAR 



303 



Estas ptalas so em geral torcidas 

em espiral antes de seu desabrochar. 

Os estames so em numero de cinco 

a dez, raramente sete, so livres ou 

as mais das vezes monadelplios pela 

base de seus filetes. 

As antheras so de duas lojas. 

As carpellas em numero de trs 

cinco mais ou menos intimamente 

unidas entre si ; cada uma d'ellas of- 

ferece uma s loja, contendo vim ou 

dois vulos inseridos no angulo interno. 

Os estyletes que nascem do pice 
de cada ovrio se soldam entre si ; 
e cada um d'elles termina em um es- 
tigma simples. 

O fructo se compe de cinco cocas, 
contendo uma ou duas sementes, fi- 
cando indehiscente e separando-se da 
base para o pice do eixo que as sus- 
tenta, arrastando cada uma comsigo 
o estjlete que se torce em espiral e 
fica adherente ao eixo pelo pice. 

As sementes se compem de um em- 
bryo mais ou menos curvo, imme- 
diatamente coberto pelo tegumento 
prprio. 

Esta familia constitue um grupo 
assaz natural para se reconhecer fa- 
cilmente as plantas que lhe pertencem. 

Alguns auctores, Mr. Aug. de Sainte 
Hilaire entre outros, tinham restabele- 
cido a familia das Geraniaceas tal, 
pouco mais ou menos, como ella tinha 
sido a principio fundada por Jussieu, 
reunindo os diferentes grupos que d'ella 
tinham sido retirados, as Oxalideas e 
as Balsamiueas. 

Ach. Richard tinha partilhado esta 
opinio. Comtudo um exame mais at- 
tento levou aquelle botnico a separar 
de novo estes grupos ; indicando a res- 
peito de cada uma d'estas famlias os 
caracteres que as distinguem entre si. 

Os gneros principaes que compem 
esta familia so : Erodio, Gernio^ 3fon- 
sonia^ e Pelargonio. 

Ser preciso reunir as Geraniaceas o 
gnero Tropalmn, ou fazer d'elle o typo 
de uma familia distincta? 

Foi elle antes levado a admittir a 
primeira d'estas opinies , e as Tro- 



peoladas lhe parecem poder ser reuni- 
das aqui como simples tribu, distincta 
pelas carpellas em numero de trs, 
contendo cada uma um s ovulo. 

Hlarciia. E' uma flor a que na 
Bahia do este nome. 

O arbusto de 100 150 centmetros 
de altura. 

Tem as folhas lanceoladas, oppostas e 
apegadas ao caule. 

A flor forma tubo esverdinhado, cir- 
culado de palhetas cr de velludo ver- 
melho, com o centro amarello cr de 
gemma d'ovo, sem tegumento folia- 
ceo. 

E' ornamento de jardim. 

Nas Alagoas chamam-n'a Mal-me-qier 
de Cat/ema. 

Hlarfiaift faso. MelocMa ntida. 
Fam. das Bythieriaceas. E' um ar- 
bustinho agreste e bonito conhecido nas 
Alagoas por este nome. 

Seu caule verde, de folhas alternas 
cordiformes e allongadas. 

Flores roixas em pequeninos grupos. 

Os fructos so capsulas, abrindo-se 
em valvas, e contendo uma semente 
cada um. 

HlarSini <3 ioHaa ^c>asiile. 
MelocMa xwtibelata. Fam. idem. Ax- 
busto silvestre do Brasil, e que vegeta 
sombra das outras arvores. 
Tem a casca rugosa e escura. 
As folhas grandes, espatuladas e 
duras . 

As flores so brancas, com fraco 
aroma, e em espigas, como j)equenas 
anglicas. 

O fructo redondo contendo, semen- 
tes dispostas em circulo. 

A madeira branca e durssima ; pelo 
que fazem d'ella cabo de instrumentos 
agrrios, e presta-se outros fins. 

Conhem-n'a por este nome nas Ala- 
goas. 

Marfiui xes^tnl.riiytelephas r,ia- 
crocarpa, Riiiz e Pac.l Fam. das Pal- 
meizas. Arvore elegante \ do Peru e 



304 



MAC 



MAC 



do Brasil ; porque habita os limites do 
Imprio com aquella Republica. 

Tem o porte elcfante. 

As flores so de dois sexos distinctos. 

O fructo, grande, encerra uma subs- 
tancia liquida e transparente, porm 
inspida ; prprio para estancar a sede 
dos viandantes. 

Este liquido torna-se branco como 
o leite, e doce ; adquire pouco a pouco 
uma consistncia tal, que se compara 
com a do marfim, 

Sendo extraliido da fructa apenas 
de vez (quasi madura), e guardado por 
muito tempo, azeda, e endurece facil- 
mente. 

N'este estado fazem d'elle vrios ar- 
tefactos no Peru. 



Alari. 



V. Umari. 



niari-inar. Cathartocarpus Ira-, 
silianus, Pers. Fam. das Leguminosas 

E' uma arvore indgena, alta, co- 
nhecida na Bahia pelo nome de Joa- 
seiro segundo nos informaram. 

E' uma semelhana da Cssia fistula. 

Tem folhas grandes, amarellas, e por 
fructo uma vagem lenhosa com polpa 
semelhante do Tamarindo . 

E' levemente purgativa. 

Maria Ooines. V. Joo Gomes. 
E' Lingua de vacca na Bahia. 

Alaria L.eite. V. Herva de cobra., 
ou Herva de Santa Luzia. 

lUara Pires. V. Raho de timb. 

Maria preta. ConocUnium [fra- 
syfolium^i) D. C. Fam. das Compostas. 

Esta planta conhecida na Bahia 
por este nome, aromtica e empre- 
gada como excitante. 

Maria preta, da eanipina, 
das Alagoas. V. Po cavallo , 

Maria preta da inatta. V. 

Barana. 

Maria preta de PernaiuSiueo. 



Cordialichem (?) Fam. das Cordiaceas. 
Este arbustinho, de caule pardo e es- 
branquiado, fnna moita, e conheci- 
da por Maria preta de capoeira^ o\i Rompe 
gibo nas Alagoas, e Lingua de sapo 
em Sergipe. 

Suas folhas so pequenas, ovaes, 
pallidas, mui speras, e crespas. 

As flores em cachos, como espigas 
densas so pequenas e brancas. 

O fructinho redondo, como bago de 
chumbo grosso ; vermelho, com um ou 
mais caroos dentro. 

O pericarpo fino membranoso lu- 
zente ; tem um liquido avermelhado 
dentro. 

So procurados pelos pssaros. 

Marianna. [Ancotinus (?) cauliflorus. 
Fam.das Solanaceas (?) Esta planta do 
paiz succedanea da Saponaria., tanto 
no uso medicinal como no industrial. 

MariaiiniiBlia, ou ollio de St. 

Luzia. Commelina deficiens. Fam. 
das Commelinaceas. Esta herva graciosa 
conhecida por Marianninha em Ser- 
gipe, na Bahia e no Maranho por 
Traporabo-ra^ia., em Minas e tambm na 
Bahia (?) por Ollio de Santa Luzia., na Pa- 
rahyba, Alagoas e sertes do Norte por 
TaquarasinJia d'agia. 

E' uma planta rasteira, de caule no- 
doso que se ergue, com folhas lanceo- 
ladas amplexicaules. 

Tem as flores azues parecendo umas 
borboletinhas, e por fructo uma cap- 
sula de trs coccas e trs sementes. 



Propriedades medicas. Tem no pe- 
ricarpo um liquido albuminoso, que no 
serto applicado contra as inflamma- 
es dos olhos com feliz resultado se- 
gundo consta. Applicam-n'o tambm na 
bronchite asthmatica , e em clysteres, 
constipaes do ventre; em banhos contra 
o rheumatismo, e finalmente nas reten- 
es espasmdicas de urinas , em in- 
jeces. 

Marinheiro. F. Git. 



MAR 



MAR 



30i 



]}IaB*iiiltcii*o tle follia lar{;:a. 

Guarech spicceflo7'a^ St. EU. Fam. das 

Meliaceas. Esta arvore vegeta nas mat- 

tas do Rio de Janeiro; mui semelhante 

ao nosso Git. 

Tem a casca, e principalmente a raiz, 



Propriedades medicas. Obra espe- 
cialmente sobre o systema lymphatico ; 
empregada nas hydropisias , e obs- 
truces das vsceras abdominaes. 

Deve usar-se d'ella com precauo. 

Marinliero de follia luiutla. 

Moschoxiloi calhar ticum., Mart. Fam. 
idem. uma espcie semelhante 
precedente, conhecida por este nome 
na Bahia e Minas Geraes. 

Propriedades medicas. Applicam 
a decoco d'esta planta, em clysteres, 
nas febres ters, na dose de 15 
grammas da raiz fresca. 

Marifi. SisyrincMum galaxioi- 
des, Gom. Fam. das Irideaceas. 
uma herva semelhante a um capim, 
com bulbo na raiz, e flores em pendo. 

Propriedades medicas. A raiz 
doce e sem cheiro ; reduzida a p, 
um brando laxante, muitas vezes em- 
pregado, e til nas molstias dartrosas. 
Em clysteres mui usado nas crian- 
as, e como anti-hemorrhoidal nos 
adultos. 

Alargiiajuda brava. Bixa ala- 
goana. Fam. das Bixaceas. E' uma 
arvore indgena colossal, que nas Ala- 
goas tem este nome. 

Seu fructo uma capsula de 15 mil- 
limetros, subcordiforme, eriado de 
pontas molles e flexveis, de cr de 
castanlia, vermelha por fora, e por 
dentro cr de velludo encarnado ; con- 
tem algumas sementes avermelhadas ; 
abre-se em valvas. 

lUacaiB ajuda mansa. Bixa. 
Fam. idem. Arvore silvestre, nas Ala- 



gas e Pernambuco conhecida por este 
nome. 

E colossal, copada, de folhagem 
raiuda, flores invisveis. 

Fructiflca no inverno. 

Seus fructos so nozes pequenas, de 
15 millimetros de comprimento, ovi- 
des, verdes palldas exteriormente. 

Seu tegumento espesso e amarello 
por dentro ; contem no interior um 
caroo, envolto em uma polpa vermelha ; 
abre-se esse fructo em duas valvas. 

A madeira d'esta arvore d taboas 
para obras de pouca importncia, como 
caixes, portas para tugrios, etc. 

E' branca por fora, e fraca. 

Hlamaellada de Sergipe. Do 

este nome em Sergipe ao fructo de 
um arbusto agreste, que redondo, 
de 30 millimetros de dimetro, pare- 
cendo-se com um Jenipapo^ de cr roixa 
escura. 

E' comestvel. 

Parece ser uma espcie do Marmello 
das Alagoas. 

IVIaranelleiro da Cliina. Cy- 

donia sinensis, Thonim. Fam. das Ros- 
ceas. Como d Bahia para o Rio de 
Janeiro j existe este fructo, convm 
dar noticia d'elle. 

Este Marmelleiro natural da China, 
e cultivado nos jardins da Europa. 

E' uma bella planta, que sobe a 9 
metros de altura pouco mais ou me- 
nos, revestida de folhas ovaes, ob- 
longas, de cor verde clara, e lisas. 

As flores so grandes e bellas; nas- 
cem na extremidade dos ramos, com 
o aspecto de rosas ; so brancas, 
rajadas de cr de rosa; tem por fora 
um clice bojudo, e no centro um feixe 
de filetes. 

O fructo, em forma de pio, 
amarello na maturidade, e ofterece den- 
tro cinco alojamentos, nos quaes contem 
varias sementes mui pequenas, e uma 
substancia mucilaginosa, da qual se 
faz um xarope adstringente, applicado 
nas diarrhas. 

41 



306 



MAR 



MAR 



A polpa do fnicto 6 compacta, o 
mui spera; este do tamanho pouco 
mais ou menos de uma laranja pe- 
qiiena. 

E' aromtico, e precisa estar bem 
maduro para se poder apreciar. 

]Wai*iii*'IU'iro do maito.Casca-- 
rea tdmifolia, Valil. Fam. das Samy- 
(leas. Este Marmelleiro, oriundo do 
Brasil, um arbusto que em Minas 
Geraes tem este nome. 

Tem as folhas oblongas. 

As flores pequenas, em cachos, e 
parece-nos que brancas. 

Os fructos pequenos, ovaes, abrem- 
se em trs valvas, com muitas semen- 
tinhas dentro. 

Propriedades medicas. Esta planta 
poderoso antdoto contra a mor- 
dedura das cobras as mais venenosas. 

O seu emprego consiste em beber o 
sueco das folhas pisadas, e collocar 
a folha sobre a ferida; o que, dizem, 
produz resultados favorveis, e um 
efeito seguro. 

Floresce em Janeiro. 

Mariiielleiro do sea-to. Elaco- 
coca aromtica. Fam. das Ewpliorhia- 
ceas. Este arbustinho conhecido no 
littoral de Pernambuco e seus sertes, 
nas margens do Rio de S. Francisco, 
na Parahyba, Alagoas, Sergipe e Cea- 
r, e tratado por Marmelleiro. 

Tem trs metros de altura. 

Caule esbranquiado. 

Folhas um tanto pequenas, com os 
peciolos louros, ovaes, allongados, de 
verde claro e molles. 

As flores, em espigas, formando ca- 
chos brancos, donde ellas cahem com 
muita facilidade. 

So de dois sexos ; as frteis de- 
senvolvera um fructinho, oval, trigono 
com 3 corocinhos dentro. 

E' este o Marmelleiro, com que os 
nossos sertanejos, no charqueamento 
das carnes, cobrem as mantas de 
carne, e com cujos ramos lhes im- 
primem um aroma agradvel ; notan- 



do-se que o Marmelleiro, que cresce no 
litoral, no to aromtico como o 
que cresce no centro, talvez por in- 
fluencia do clima. 

]>ltriii4'I]o <1;t<!t Ala|;:s. Cha- 
mam assim nas Alagoas a uma fructa 
redonda, semelhana de um Genipapo., 
porm menor. 

E' proveniente de uma arvore de fo- 
lhas grandes, de casca parda, e que 
d bons caibros. 

Tem este fructo.o pericarpo pardo, 
esponjoso, e dentro muitas sementes, 
envoltas em uma espcie de mel. 

niifiPBt&vllo eo9BBatBa. Cydonia 
vulgaris, Lamk. ; e Pyrus cydonia, Linn. 
Fam. das Rosceas. Esta espcie, ori- 
ginaria da sia menor, muito accli- 
mada em Portugal e em todo o Meio- 
Dia da Europa. 

E' cultivada nas provncias do Sul, 
como S. Paulo, Santa Catharina, Rio 
Grande do Sul, e no serto da Bahia. 

E' uma arvore regular, de cinco me- 
tros de altura, pouco mais ou menos. 

Esgalhada, com folhas alternas, ovaes 
e cobertas de pellos, principalmente na 
parte inferior, c macias ao tacto. 

As flores so mui grandes, brancas 
e rajadas de cr de rosa ; nascem nos 
extremos dos ramos novos. 

O fructo pyriforme, do volume de 
um limo doce, tem a polpa dura e 
spera, mesmo na sua completa matu- 
ridade, e um cheiro activssimo. 

Amadurece em Outubro. 

Este marmello tem-se espalhado por 
toda a Europa. 

Ha muitas espcies em Portugal, e 
princiialmente em Garona, onde ha 
muitas fabricas de marmellada Cotignac 
ou Codognac : esse bello doce, que tanto 
se encontra nos banquetes, como, para 
uso de doentes, nos hospitaes. 

O fructo doce, ligeiramente acido 
e adstringente. 

Assado , com assucar em seu interior, 
peitoral. 

As sementes so mucilaginosas, de 
um uso medico frequente. 



MAS 



MAT 



307 



Marroo do Brasil. 3/arruMum 
ainericamwi. Fam. das Labiadas. E' 
uma planta herbcea, de porte pequeno , 
aromtica, como uma espcie de Mwt,- 
gerico. 

Empregam-na como desobstruente. 

Hlartello. F. Rasteiro. 
Maruariiua. V. Algodoeiro bravo. 

HI;ir!;5. Simaruha officinalis. 
Far. das Rutaceas. Esta planta vegeta 
no Par e Amazonas. 

E' bastante amarga. 

Propriedades medicas. Empregada 
como tnica, anti-febril, e aconselhada 
nas dysenterias e leucorrhas. 

lliipy ou M-Avi.Geoffroya.Fam. 
das Leguminosas. Fructo agreste, de 
uma arvore , a que em Pernambuco do 
este nome. 

Esta arvore copada, mediana, de 
folhas midas, compostas. 

Flores, em cachos, brancas e chei- 
rosas. 

O fructo tem o aspecto de uma pe- 
quena manga, pendente de um pednculo 
longo, e filiforme. 

Tem dez millimetros de dimetro, 
ovide, ou em cone obliquo, de cr 
verde amarellada. 

Pericarpo grosso, unido parte in- 
terna, que branca, viscosa e compacta, 
com uma semente oval, muito agarrada 
no centro ; a superflcie externa pubes- 
cente. 

Este caroo, e mesmo o fructo, passa 
por adstringente. 

Em tempo de fome o povo do serto 
come esses fructos cosidos ; algumas 
pessoas comem mesmo crus. 

Confunde-se quasi com o fructo do 
ngelii. 

Nas grandes secas, quando esta ar- 
vore comea a transpirar pela casca a 
ponto de verter gottas de liquido, 
signal de chuva prxima. 



Itlassanilmni. Tracliypayon ate- Mata-canafia. V. Caa-ataya 



iaceus, Mart. Fam. das Gramneas. 
E' uma espcie de capim, cuja virtude 
medicinal ser diurtico. 

.llassarandiba. Eugenia., Pison. 

Fam. das Myrtaceas. E' uma arvore 
indgena, cujos fructos so agradveis 
e assucarados. 

Bebe-se o sueco como emolliente, nas 
affees da garganta e do peito. 

mastruo. Lepidium sadvum, Linn. 

Fam. das Cruciferas. As descripes 
vulgares e botnicas esclarecero bem a 
confuso que existe entre as duas 
plantas Mastruo e Mentruz. 

Na Europa cultiva-se uma planta, cujo 
nome em Portugal Mastruo.^ Leindi- 
^im. sativum, Linn. 

Fazem muito uso d'ella, porque goza 
da propriedade acre e picante; serve 
de adubo nas saladas, e mesmo come- 
se independente d'isso. 

Possue virtudes antiscorbuticas. 

No norte do Brasil, porm, chama-se 
Mastruo a Herva de Santa Maria do 
Eio de Janeiro (Chenopodim ambrosi- 
oides). 

IVIastruo da Aitierca . Sene- 
biera pinnatifida, D. C. Lepidium ame- 
7'icamim., Vell. Far4. idem. Esta plan- 
ta herbcea, de nome Mastruo, da Eu- 
ropa, mas tambm vegeta na America. 

E' uma planta de folhas recortadas. 

Flores brancas, pequenas, tendo por 
fructo uma vagem pequenina e acha- 
tada. 

mastruo do Brasil. Senebi- 
era incisa., Wild. Fam. idem. Tem 
as folhas repartidas em trs e quato 
lacineas. 

Mastruo de Bueuos Ayres. 
Lepidium bonariense., Linn. Fani. idem. 

Tem as folhas multifldas, pinnadas 
e ciliadas, de pontos mui diminutos. 

O caule glabro. 
Silicula orbicular. 



:$os 



MAT 



MAT 



HIufH lojie. l''specie de mandioca. 
Tem a raiz quasi toda fora da terra , 
e o caule roixo. 

Hlala loitc 1)1* va. Paulinia 
conimunis. Fam. das Sapindaceas. Esta 
planta trepadeira vegeta em qualquer 
lugar : nos quintaes, beiras de estradas 
e capoeiras ; semelhante a de Per- 
nambuco, mas as folhas diferem, em 
que no tem uma espcie de expan- 
so membranosa, que no peciolo une 
uma outra ; e o fructo menor. 

No to desenvolvido ; a semente 
a parte comestvel entre ns. 

As vergonteas so frgeis, no se 
prestam para amarrar. 

Floresce em Maro, Abril e Maio. 

Mata foBiie, le Per uaiitb isco. 

Paulinia, edilis. Fam. idem. Do 
este nome em Pernambuco a uma planta 
trepadeira, que tem as vergonteas re- 
guadas. 

As folhas compostas, de cr verde 
viva, lustrosas, ovaes e oblongas. 

Tem gavinhas. 

As flores, em espigas, so brancas, 
pequenas, e tem algum aroma. 

O fructo, em cacho, pyriforme 
e vermelho rubro, sem brilho e trigo- 
no ; abre-se em trs valvas ; a parte 
vermelha interessa o pericarpo da fructa 
por dentro, que coriaceo. 

Tem trs lojas, nas quaes encerra 
cada um, um caroo oval, compri- 
mido, com dois teros cobertos de uma 
substancia furfuracea, branca, que co- 
mem, ficando n um tero do caroo, 
q,ue preto, e um tanto viscoso den- 
tro. 

Presta-se, como Cii^., para amarrar 
se com elle as cercas ; de alguma 
consistncia. 

Mata-Mata. Lecytliis idatimon , 
Auhl. Fam. das Myrtaceas. Planta 
do Par, de casca lisa. 

Folhas midas. 

Flores, em cachos, e grandes, so 
amarellas. 

O fructo como uma capsula, semi- 



lenhosa, achatada, oval, com quatro 
lojas dentro ; contendo as sementes. 

Propriedades medicas. Acascad'esta 
trepadeira empregada na phtysica pul- 
monar e na asthma, na dose de 16 
grammas para 500 grammas d'agua, 
trs vezes por dia. 

Hlata iio. Clusia insignis Fam. 
das Clusiaceas. E' uma planta trepa- 
deira do Brasil, e um sip que se en- 
rosca nas arvores das maltas. 

niata-pasto le PernaBii3)uco. 

Cssia sericea.1 Swarl. Cssia dormi- 
cus., Linn. Fam. das Leguminosas. 
Esta planta indgena tem este nome em 
Pernambuco e Alagoas. 

E' herbcea, de folhas compostas de 
cr verde clara, obovaes e sem brilho. 

As flores amarellas, em cachinhos 
como as do Fedegoso, do geral das pro- 
vncias ; tem aroma agradvel. 

Apresenta por^ fructos umas vagens 
estreitas, lisas, semi-quadradas, par- 
das, curvas, de quasi 2 centmetros 
de comprimento. 

As folhas murcham ao pr do sol, e 
abate-se o seu vigor, para activar-se no 
dia seguinte ao nascer do sol. 

Propriedades medicas. Esta planta 
possue muitas virtudes. 

O cosimento das folhas, ou mesmo o 
sueco, empregado contra as febres 
malignas, pleurizes, etc. 

O cosimento da raiz, para combater 
as dores em qualquer parte do corpo 
e as de dentes. 

A tintura e o vinagre d' esta planta 
fazem desapparecer os dartros, mas 
sempre preciso algum outro remdio 
interno (Fig. 26.) 

lia ta ^sasto vei*aiieIlfto. Cs- 
sia stipidata Fam. das Leguminosas. 
Esta espcie de 3Iata imsto., conhecida 
nas Alagoas por este epitheto de ver- 
melho, to bem chamada Feijo bra- 
vo. 
E' mui semelhante ao precedente; 



MAT 



MAT 



3t9 



(liffere, porm, por ter o caule coberto 
de pellos ; por ter as flores como que 
Tinidas por pares de um modo particu- 
lar, e pela vagem chata, com as se- 
mentes quasi redondas. 

No se conhece prstimo d'elle seno 
o de prejudicar as lavouras. 

Hlatarana ou Hlatatarana. 

Kcewp feria longi falia Red. e Sil. Fam. 
das Amomaceas. E' uma herva inte- 
ressante, originaria da America e da 
ndia, a qual, tendo este nome em Per- 
nambuco, nas Alagoas conhecida por 
Matatarana. 

Tem folhas ovaes, oblongas, verdes 
por cima e roixeadas por baixo, um 
pouco enroladas sobre si. 

As flores do em um pendo erecto, 
envoltas em umas bracteas , raiadas 
de vermelho. 

Elias so brancas, e tem ptalas es- 
treitas e purpurinas. 

O fructo uma capsula. 

A raiz composta de uma quanti- 
dade de tubrculos rolios, oblongos, 
de 10 15 milimetros de comprimento. 
Tem um pericarpo foliaceo, branco, sec- 
co e fino, formando anneis sobrepos- 
tos. 

O corpo da raiz uma massa branca, 
dura, succulenta e doce ; extrahe-se 
d'ella vima fcula excellente, que tem 
muito emprego. 

Come-se de toda a maneira. 

A planta floresce em Maio e Junho. 

lUatRtalia. V. Sambacuim. 

Mate. Ilex paraffuayensis , Zam- 
lert. Fam. das lUcineas. Herva 
oriunda do Paraguay e do Brasil. 
Tem as folhas allongadas e denteadas. 

Flores midas, em cachos. 

Esta planta constitua o grande com- 
mercio do chmae do Paraguay. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
milia composta de arbustos de folhas 
alternas, ou algumas vezes oppostas. 

De flores axillares, dispostas em ci- 
mos. 



O clice, ligeiramente tubuloso na 
base, off'erece um limbo de 4 ou 5 
divises estendidas, imbricadas depoi.s 
de sua preflorao. 

A corolla se compe de 4 a 5 pta- 
las planas, ligeiramente carnosas, sem 
unguiculos inseridos sob o disco. 

Os estames, alternos com as ptalas, 
so inseridos na borda do disco, ou na 
sua face superior. 

O disco perigynico e parietal, cir- 
cumdando o ovrio. 

Este livre ; tem 3 ou 4 lojas, con- 
tendo cada d'ellas um ou mais vulos, 
ligados por um podosperma filiforme, 
no angulo interno de cada loja, e as- 
cendente. 

O fructo, que algumas vezes uma 
drupa secca, mais geralmente uma 
capsula de 3 ou 4 lojas, abrindo-se em 
3 ou 4 valvas, das quaes cada uma 
traz um septo no meio da face interna. 

As sementes, algumas vezes cobertas 
por um arillo carnoso, contm um en- 
dosperma carnoso, no qual existe um 
embryo axilo e homotropo. 

Mate ou Congonha do cam- 
po. Luxemhirgia polyandria, St. Hil. 
Fam. ds Trankeniaceas . Esta planta 
de Minas. 

E' um arbustosinho de folhas alter- 
nas, estreitas, oblongas. 

Flores em cachos, um tanto grandes, 
amarellas. 

Tem por fructo uma capsula de trs 
ngulos , contendo muitas sementinhas 
membranosas dentro. 

E' usada como ch, e tambm reco- 
nhecida por Mate. 

ninte-nie embora. E' uma gra- 
minea empregada no Norte. 

Matliias. Cacalia ptica. Fam. das 
Compostas. E' um arbusto que tem este 
nome em Pernambuco ; em Alagoas o 
de Cipo Mathias e Estanca sangue., e em 
Sergipe o de Assa peixe. 

E' indigena, e cresce at a altura de 
3 a quatro metros. 

Tem o caule alongado, anguloso e 



310 



MEC 



MEI 



fraco nas pontas dos ramos ; forma 
soqueira. 

As folhas, ovaes, so meio speras, e 
as flores, em cachos, de cr roixa, com 
aroma suave. 

Os fructinhos so como pequenas pe- 
vides pardas. 

Esta planta conhecida em muitos 
lugares do interior por Mangerimo das 
moas. 

Torna-se muito importante pelas vir- 
tudes medicas que tem. 

O sueco de suas folhas e flores, di- 
zem que tira belides ; o cosimento d'el- 
las utilssimo nas grandes fluxes, 
mesmo n'aquellas que tm affectado os 
pulmes, nas tosses, etc. 

E' applicada a beberagem da raiz para 
estancar as hemorrhagias, d'onde lhe 
vem o nome que nas Alagoas lhe do 
de Tr amanhem : estanca sangue. 

Matoinlio. y. Mutamla. 

niaturl. E' a fructa do Cajueiro 
no estado primitivo. 

niaxixenlio. Arvore agreste do 
Brasil, conhecida por este nome em 
Alagoas e Pernambuco. 

Suas folhas so midas. 

D poucos fructos, que so ovides, 
cheios de protuberncias semelhana 
do Maxixe, e divididos por dentro em 
duas cavidades, com uma semente cada 
uma. 

Hlayacs. Xiris americana Aiihl. 
Fam. das Restiaceas. E' uma herva que 
vegeta na Cayenna e em terrenos do 
Brasil. 

Tem caule allongado, em que florece. 

Folhas estreitinhas e longas. 

Flores em grupos redondos no caule, 
e fructo em capsula. 

Esta planta, em infuso no vinagre 
ou leo, bom remdio para certas af- 
feces da pelle. 

MepIiocain. V. Jaticuc, Jetuc. 

MeeaBOii^*o. Convovulos mechoa- 



cana, Linn. Fam. das Convolvulaceas . 
O mechoao uma planta da America 
meridional. 

E' trepadeira, de caules flexveis e 
angulosos. 

As folhas, cordiformes, e alternas. 

As flores brancas ou roixas, com pe- 
dnculos longos. 

A raiz uma tubera carnosa, que 
tem um sueco leitoso, que j foi muito 
empregado em medicina debaixo do 
nome de Mechoacan. 

Hledicneiro. Jatropha ofjlcinalis. 
Fam. dos Ewphorbiaceas. E' um ar- 
busto leitoso semelhante aos nossos 
Pinhoeiros., especialmente na structura 
da flor e do fructo. 

E' muito empregado e elogiado nas 
molstias syphiliticas. 

Hleinenclro iiegrro. Hyosciamus 
niger, Linn. Farii. das Solaneas. Esta 
planta extica, natural da Europa, cul- 
tiva-se no Brasil. 

Tem o caule grosso, com folhas lar- 
gas, compridas, fendidas e lanuginosas. 

As flores so semelhantes s da Ro- 
meira., afuniladas, amarellas, raiadas de 
vermelho, com as sementes parecidas 
com as da Papoula. 

Ha trs espcies : 

A primeira, de semente negra em- 
pregada em medicina ; venenosa. 

A segunda, de semente vermelha e de 
flores amarellas. 

A terceira, finalmente, de flores e se- 
mentes brancas e oleosas. 

Propriedades medicas. A raiz 
empregada em grande numero de mo- 
lstias : nas tosses, coqueluche, asthma 
etc. 

Internamente, na dose de 5 centigram- 
mas a 3 decigrammas. 

Externamente, em fomentaes, cata- 
plasmas, pommada, etc 

Hler de preto. Guateria sca- 
riosa. Fam. das Anonaceas. E' um 
arbusto, que nas Alagoas tem este nome, 
de ramos que pouco engrossam. 



MEL 



MEL 



311 



Casca escura. 

Folhas oblongas, ovaes, escuras e 
speras. 

Flores grandes, apegadas ao caule 
cr de barro amarello esverdinliado, 
com as ptalas carnosas, como estrel- 
las bordadas, e um cone no centro. 

D fructos reunidos em grande nu- 
mero, maneira de bilros ; so capsulas 
ovides, pediceladas, com um caroo 
preto e lustroso interiormente. 

nieladiilia falsa. Ruellia ver- 
tici/lora. Fam. das Lahiadas . Esta 
espcie cresce pelas bordas das estra- 
das, quintaes, etc. 

E' assim conhecida em Pernambuco. 

Cresce at a altura de 1 metro pouco 
mais ou menos. 

E' esgalhada, de caule e ramos qua- 
drangulares. 

Folhas pequenas, crespas e oppostas, 
com pllos, que na extremidade tem 
uma glndula viscosa, como gotta de 
orvalho. 

As flores so como pequenas ang- 
licas, curvadas, e de cor roixa. 

O fructinho uma capsula diminuta, 
que se abre em quatro seces, espa- 
lhando muitas sementes miudissimas. 

nielatliiilaa vertlatleia-a. Ste- 
modia viscosa. Fam. das Lahiadas. 
Planta conhecida em Pernambuco por 
este nome, no Par e Maranho por Pa- 
racary^ So Pedro co e Hortel brava, e 
na lingua tupy por Boia-ca; alastra for- 
mando touceira, mas ergue seus ramos 
at a altura de O centmetros pouco 
mais ou menos. 

O caule quadrangular. 

As folhas oppostas, dispostas em 
cruz, estreitas, com as bordas recor- 
tadas, approximadas ao caule e de cr 
verde amarellada, dotadas de certa 
viscosidade, por meio da qual podem 
prender pequenos insectos. 

As flores so isoladas e pequenas, 
de cr roixa purprea. 

O fructo uma capsulasinha oval, que 
se abre em duas valvas, deixando 
sahir muitas sementinhas de dentro. 



Algumas pessoas espalham os ramos 
d'esta planta pela casa, ou a varrem 
com elles, para afugentar as pulgas - 

Propriedades medicas. muito 
usada contra mordeduras de cobras, e 
picadas de insectos. 

Applica-se externamente a tinctura, 
em algodo ou fios embebidos, sobre a 
ferida ou picada, e internamente di- 
luda em agua fria ou mesmo pura. 

Para as crianas bastar uma co- 
Iherinha, das de ch, misturada com 
igual quantidade d'agua, de quinze era 
quinze minutos; e para os adultos, dar- 
se-ha uma colher, das de sopa, da 
mesma fi*ma e com o mesmo espao 
de tempo. 

Tambm sua applicao tem sido 
coroada de felizes successos no tra- 
tamento da asthma, catarrhos asthma- 
ticos e tosses nervosas rebeldes, nas 
mesmas doses. 

Hlelanilio. Drymis Winteri. Mart. 

Fam. das Magnoliaceas. Bonita ar- 
vore da America, com folhas alternas, 
ovaes e obtusas. 

Flores sobre pednculos compridos, 
solitrias ou reunidas em pencas, e 
pequeninas. 

O fructo uma baga globulosa, pe- 
quena, glabra, e do tamanho de uma 
ervilha. 

Propriedades medicas. A casca do 
Melambo applicada contra as febres, 
e til nas dysenterias e atonia in- 
testinal. 

"Andonard a aconselha na febre ama- 
rella. 

contra-indicado quando ha irri- 
tao franca. 

A dose de l grammas em infuso. 

MeBancia. Cuciirhita cilndhs, Linn. 

Cucurbita anguria, Duches. Fam. 
das Cucurbitaceas . ura fructo to 
geralmente conhecido e estimado, que 
em quasi todo o mundo o cultivam. 

Seu nome entre ns Melancia., e 
na Europa Melo d'agua ou Pasteque. 



319 



MEL 



MEL 



Sua ptria no est bem determi- 
nada, mas julp-a-se ser a ndia. 

No meio dia da Europa cultiva-se 
em abundncia, com muito trabalho, 
bem como ns o temos ; pois ella exige 
algum cuidado, mximo na Europa 
por lhe ser cxtranho o clima. 

A Melancia um fructo proveniente 
de uma planta herbcea, rasteira, cu- 
jos ramos se alastram, e so silcados 
de regos. 

As folhas, alternas, com peciolos um 
tanto longos, so palmadas, e divididas 
em diversos lobos ; e todas estas 
partes so cobertas de pellos speros, 
que espinham. 

As flores so pequenas, amarellas, 
como rosinhas, umas estreis, outras 
trazendo o rudimento do futuro 
fructo. 

Este cresce at diversos tamanhos 
de 25 a 75 centmetros; liso, de 
forma oblonga ou redonda, apresen- 
tando s vezes um pequeno collo. 

O pericarpo liso, e mesmo lus- 
troso, de verde e branco, de verde 
marchetado, e de verde puro ; fino 
e coriaceo. 

Liga-se internamente a uma subs- 
tancia branca esverdinhada, aquosa, 
frouxa e espessa ; esta continua-se 
com a verdadeira polpa do fructo, 
que enche todo o seu interior. 

E' uma substancia anloga, porm 
mais desenvolvida e aquosa, doce , 
vermelha ou cr de rosa, alojando, 
em muitos pontos, sementes ovaes, 
comprimidas, pretas, e, em outra 
espcies, vermelhas, em lojas es- 
peciaes (pevides). 

Esta semente revestida por um 
perisperma crneo, encerrando uma 
amndoa com a mesma forma, branca, 
e da qual se faz orchata nas phar- 
macias e confeitarias. 

A melancia refrigerante, agradvel, 
e estando sazonada nada tem de ma- 
liciosa ; mas preciso no comel-a 
estando-se cansado, e o corpo muito 
quente, suado, visto como o resfriamento 
que ella produz pode trazer graves 
consequncias. 



Ha uma espcie que em Pernam- 
buco chamam Melancia da ndia ; tem 
a polpa branca, c s vezes a semente 
tambm. 

No Brasil, e principalmente nos ser- 
tes, onde apparecem as melhores 
melancias. 

Tambm se desenvolvem muito em 
certas localidades das provncias ; em 
Pernambuco, nas Curcuranas e na ilha 
de Itamarac, onde quasi todos os 
fructos so bons. 

No Cear crescem muito, mas no 
se come porque amargam. 

Itleinnria Ic colr. Cticumis 
chelonianus. Fam. das Cticurbitaceas. 
Herva agreste, que tem este nome nas 
Alagoas. 

E' uma plantinha delicada, que alas- 
tra, e se enrosca sobre as outras 
plantas, com rgos prprios para 
esse fim, de caule finssimo. 

Folhas pequenas, e de cinco pontas. 

Tem as florinhas amarellas, e os 
fructinhos semelhana de pequenos 
pepinos. 

So de 10 a 15 milmetros de com- 
primento, cylindricos, com trs lojas 
cheias de sementes, brancas e chatas, 
sendo a massa interna esverdinhada 
e aquosa. 

Do -se clysteres do cozimento das 
folhas d'esta herva nos ataques he- 
morrhoidaes, e nos catarrhos intes- 
tinaes. 

IMelaiivia prain. Solanum 
arrebenta, Vell. Solanum agrarium, Fl. 
Flum. Fam. das Solanaceas. E' um 
fructinho, que tem este nome em Per- 
nambuco ; na Bahia chamam-n'a Baba., 
no Rio de Janeiro, S. Taulo e Minas 
Arrebenta cavallo, e em Alagoas Mid- 
golla. 

Provem de uma herva, que ergue seus 
ramos at 50 centmetros. 

O c