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Full text of "Glossário luso-asiático"

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' ^A.-UD.-A.N INSTITUTE 



; o. / 



GLOSSÁRIO 
IA SO- A SIÁTICO 






ACADEMIA LMò í:vh:.x\li^ó i>E LISBOA 



(iLOSSAUlO 



LUSO-ASIÁTICO 



Monsenhor SEBASTIÃO RODOLFO DALGADO 

PrafcMor 4» flMcnio m VwetíàUe àe Letni 
da UBiTmidade ie LiabM 



VOLUME I 




COIMnUA 

1MFKEN8A DA UNIVFJtôlDADE 
1919 



610430 

^^ 7, ^Y 



6lc LVtvv7c«/iwi;;K? Sc^fiâot 



Abalizado filólogo, etnólogo e arqueólogo 



Stn k:fcmHnfic <Se muita cott>tòcu»çâc, 
mpnizoòc e aiahòãc 



'Ú>c<Uca 



& an4òu 



PRKFÍrT< 



tFoi de pouca dura a dominação dos portugueses no Oriente ; aca- 
bon-se com a rapidez com que se adquiriu. Já nEo tremula o pendão 
das quinas r do Hugli, ha cidade de Bombaim, no Malabar, 

na costa de '> .. ..............1, em Ceihlo, Malaca e Ormuz. Do iip-"<'^ -m- 

pArio qn^ «Tgufra, como por encanto, o esforçado braço de 

Albuquerque terribil, Castro forte, 

80 restam uns pequenos retalhos, que vicissitudes políticas farUo talvez 
passar para outras naçOes. 

^ nem por isso ficará de todo olvidado o glorioso nome da 

" ^~ ' ' as portas do Oriente, foi a primeira a 

i-'Ute. conquistando terras para o rei e 
ganhando almas para Cristo. 

«As colossais fortalezas com que se depara a cada passo, e que são 
-< na Africa; o padroado ec! ' que. se bem que 

i cobre uma vasta área; e o> .., .. .us poi '■■<">'«<«s que 

por toda a índia, atestam eloquentemente u sua \ . lumi- 

nosa, quo, embora efémera em várias partes, exerceu todavia poderosa 
Í!iflut'*i.i ,• (i. i\<.ii V "vtígios duradouros por todo o Oriente. 

^Mi- 'Io do tempo, e, ainda mais d»' a, 

.1 ;u ( à.» lio- Ào as fortalezas, e dissiparflo os 

restos do poderio temporal. O padroado, coartando-se ainda mais, 

desapan»cerá por fim sob o coDJnqto do várias circunstftncias. Os mes* 

' ' iK passario, por > " ou social, p<' '" ^ns 

.ões, e, como vi ..._.. ,..,...% olhos em L ., . e 

CeiUo, os Correias ser&o Carrie, os Coutos serio Coat, e os Soares 
e Oomes sorflo Swarees e Gomeessc. 

11 dAo se romjwrUo por > m 

.. 1 . .. ...,;•'"'• "ío se apagará to' 

;i (-(UKinistu dos ioses, que se dibi 



vm PREFACIO 

posteriores, pela sua acçflo civilizadora toda especial e pela sua politic, 
altamento igualitária o fusionista. 

«A iníiuêucia que a língua lusitana exerceu no Oriente zombará certa- 
mente da acçllo corrosiva do tempo o dos esforços dos homens, e será 
um monumento vivo o perene da dominação e civilização portuguesas. 
«È quando porventura, pelo perpassar de sóculos, o português nHo 
fôr falado na pátria do Valmíqni e Viassa, contudo os vocábulos da bela 
língua de Camões, adoptados o naturalizados nos idiomas indígenas, nâo 
perecerão jamais, mas perdurarão juntamente com os mesmos idiomas». 
Assim escrevia eu em 1900 na introdução ao Dialecto Indo-português 
de Ceilão; o já havia uma dezena de anos que começara a estudar, com 
maiores ou menores intervalos, a influência da língua portuguesa na 
Ásia meridional, sob o duplo aspecto dos seus crioulos e dos vocabulá- 
rios indígenas, bem como a reinfluência nela exercida pelos idiomas ver- 
náculos. 

E desde então tenho prosseguido na labuta, com mais ou menos 
actividade, mas sempre com o mesmo ardente zelo e irremitente entu- 
siasmo, derivados primariamente da entranhada dedicação a Portugal e 
do empenho pela sua glória. 

Os resultados não terão, quiçá, correspondido à aspiração e à expec- 
tativa ; mas creio que não será descabido mencioná-los, para justa, em- 
bora modesta, satisfação : Dialecto Indo-português de Ceilão, — de Goa, 
— de Damão, — do Norte, — de Negapatão ; Influência do Vocabidário 
Português em línguas asiáticas ; Contribuições para a lexicologia luso- 
-oriental; Gonçalves Viana e a lexicologia portuguesa de origem asiático- 
-africana, o o Glossário Luso-asiático, de que sai agora o primeiro 
volume. 

Qual seja o valor real desta última publicação os competentes o 
dirão, e também aA^aliarão a soma de trabalho que tem acarretado, 
assim na perlustração da nossa vastíssima literatura oriental, como na 
investigação etimológica de tantas centenas de vocábulos, perteifcentes 
a tantas e tão desvairadas línguas. Por mim, posso afirmar que, a des- 
peito de toda a boa vontade e diligência, nâo é completa ou perfeita ; 
nem isso seria de esperar em semelhantes assuntos. 

O meu projecto inicial era tratar da nossa inteira lexicologia colonial, 
asiática e africana ; e, neste sentido, tinha principiado a coligir aponta- 
mentos e a coordenar o trabalho. Considerando porém, por nm lado, 
que se antolhavam muitas dificuldades etimológicas com respeito aos 
idiomas da África Oriental, e por outro, que a obra assumiria, à vista 
do pleno traçado, grandes dimensões, achei prudente circunscrever-me 
somente à Ásia, para que o barco não naufragasse no meio da derrota. 
E por muito ditoso me darei se a Providência me prolongar a vida até 



PREFACIO IX 

levar ao cabo o presente ompreeadiraonto, assim limitado, atentos os 
embaraços de elaboração e de impress&o, mormente nos tempos anormais 
que s. 

A , :ual (da qual esperam os optimistas quo ponha a huma- 
nidade na posso do eldorado) tem entravado a comunicaçilo com certos 
países, dificultado a aquisição de livros estrangeiros, e tornado demo- 
rada e irro^ular a corrospondCncia postal, particularmente com a índia. 

A Academia das Seiências levou a sua benovolôncia ao extremo de 
dispensar o respectivo parecer para o Glossário, reputan<lo-o comple- 
mento da Influência. O Dr. David Lopes teve a amabilidade do lhe 
tecer antecipado elogio numa das sessões e de me subministrar muitos 

' - i mentos com relação ao árabe. A Dirocçílo da Sociedade do 
" 'a, abrindo excepção por motivos especiais, pormitiu-me consulta 

domiciliária dos livros da sua rica biblioteca. O Sr. Inspector das 
Bibliotecas Eruditas facilitou-me a leitura de algumas oJ)ras da Biblio- 
teca Nacional. O vSr. Director da Faculdade de Letras requisitou, a 
meu podido, várias espécies da referida Biblioteca. O Sr. J. A. Dias 
Coelho, habilíssimo chefe do quadro do revisto da Imprensa Nacional, 
também agora se prontificou a rever as provas mais de uma vez. O 
Sr. Cândido Augusto Nazaré, ilustrado director da tipografia, envidou 
toda a sua diligencia para que a improssilo fOsse possivelmente rápida 
e esmerada. Amigos o homens do letras da índia obsequiaram-me com 
a soa valiosa colaboração nas consultas que lhes fiz, tais como : os 
Srs. Amâncio Gracias, alto funcionário da fazenda pública ; António 
'' <> Moniz, magistrado em Damfto; Cristóvão Pinto, antigo depu- 

, l.rnesto Fernandes, oficial da alfândega de Nova Goa; Dr. José 
Maria da Costa Alvares ; Padre Ludovico FerrSo, missionário do Pa- 
droado ; P. E. Pieris, juiz do Jafna e autor da erudita história da domi- 
nação portuguesa em CeilSo, o qual, som relaçOos pessoais, pós à minha 
disposição a sua cooperação no tocante às línguas sin ' tamul. 

A «'stos e todos os mais que de qualquer modo ni« , ain o sou 

auxílio deixo aqui consignado o meu inolvidável reconhecimento. 

I i'ut.í.<i V. .,,.., .1.,,. A., f<UK 

S. R DALOADO. 



INTRODUÇÃO 



I. — Influência do Oriente em Portugal 

A influôncia de Portugal no Oriente, conquanto muitos escritores 

«'gt^ • '— ins nacionais se limitem a encarar a sua dominaçSo 

coh alto e de poucos resultados benéficos, apresenta-se- 

•008, qoaodo detidamente perscrutada, com uma feição e um cunho 
to<l' 'lar, e ai- o simpática — influôncia que outras 

uai; ,„, , !•' se ropu: :adas e liberais, nrto lograram at»'« o 

dia do hoje atingir com toda a orientaçfto moderna *. 

Um facto da actualidade e do palpável evidOncia, que só por si 

roj- • * padrão glorioso e um aferidor seguro dessa relação entre 

os re» e os conquistjidos, é o reconhecimento legal e efec- 
tivo da igualdade política e social, sem nenhuma restrição, de todos os 
coloniais— lieos ou africanos — com os eu- 
ropeus— ~íii .,- 'í*' \'''iria>< fiil/inla»; k>^t r-ain'iMrsm 

vastas, ricas e ilustradas ^. 

Na concepção geral dos portugueses, o no seu consequente proceder, 
as suas co? ' 'o são d-: ' - - ' ' os de exploração: pelo 

contrário. .- .os de I is, para sua glorificação, 

em diforontes climas, com raças, cores, castas, usos e costumes dissi- 
mP 11, mas nem por isso menos port .le alma e coração, 

s. !. , .rem a sorte do outras colónias nta.., .,.,.. >rento8. É tambOm 

jM)r i'»t'' motivo que um portuguOs, nascido na índia ou na Africa de 
pais europeus, não so peja de chamar-so Índio ou africano. 

Sr-m !' ' ?tranlieza ou aHgurar-so um facto insuliuiu »' 



A iiifluênviR 'Ía no Ar. ma rSrça 

íiiila 

;ij». — Hcyliger.1, trace* Hf I pp. tí e H 

• • , '*'""" "■'*" ^'•'■.••'.' ....».• p lo tolcrantt .. ^ - -.-... 

diu sun ^ c nSo podintn coiuiderar de*- 

lal» puro Mtigtt» ariano». — 



XII INTEODUgAO 

rocento. iutuito primordial, o móvel absorvente doB primeiros desco- 
bridores e conquistadores era dilatar os confins tomporais e espirituais 
do reino, o vincular o Ocidente o o Oriento com os suaves laços de amor '. 

Eis uma prova de subido valor, que é ao mesmo tempo um corolá- 
rio : o rei do Portugal nao se dedignava do ser tratado pelos rajás ami- 
gos do ^íalabar como seu ?Vwd!o — tratamento de que ôles, ajusto título, 
mais se ufanavam, o que nenhum soberano de outra naçSo se dignou ou 
mereceu receber do qualquer potentado da Ásia ou da Africa até o 
presente, vivendo nós, aliás, em uma ópoca em que tanto se preconiza 
a liberdade, a igualdade e a fraternidade do género humano ^. * 

E nfto consta quo algum vice-rei ou governador estrangeiro tenha 
jamais chamado minha filha a uma indígena, como o grande Afonso do 
Albuquerque chamava indistintamente às naturais de Goa qii" ""^ -in- 
vertiam e casavam com os seus soldados o marinheiros '. 

Estes e outros factores análogos da política colonial demonstram 
exuberantemente que, se os portugueses sabiam fazor-se temer dos ini- 
migos e tratá-los com dureza, também possuíam o condão de ganhar os 
ânimos, associando-se sem reserva e até identificando-se com os indíge- 
nas, mormente se já pertenciam à mesma fó o eram pelo mesmo facto 
irmàos *. 

É precisamente esse íntimo e assíduo convívio que chamava a aten- 
ção dos estrangeiros, naturalmente mais exclusivistas. «Os Portugueses, 



* «A tenção principal que elRey dom Manuel seu senhor tiuera neste descobri- 
mento, fora desejar a communicação dos Reys Gentios daquellas partes. Porque me- 
diante ella e o commercio que he hum vso que procedeo das necessidades dos homens, 
e fica hum vinculo de amizade pêra se communicarem hus com os outros : resultaria 
desta communicação o amor, e este amor daria, as orelhas facilmente aos naturais 
a que a fê de Christo fosse por elles acceptada». — João de Barros, Déc. I, ix, 5. 

* «Pedindolhe [o rei de Cochim a Afonso e Francisco de Albuquerque] que por 
seruiço d'elRey de Portugal seu irmão, pois elle tao lealmente defendia suas 
cousas té offerecer a vida por ellas e perder todo o seu estado : consultassem entre si 
como ali ficasse algum delles com mães gente do que ficaua ordenada à feitoria». — 
«Pois não tinha por trabalho os perigos que passaua em defender aquelle seu reyno, 
que era d'elRey de Portugal seu irmão». — Déc. I, vii, 3 e 7. 

3 «Conteutauase com o dote que lhe AfFon.so d'Alboquerque daua, e mimos que 
lhe fazia, chamando a estes taes esposos ^renroí, e às molheres filhas». — Déc. II, 
V, U. 

»E já a este tempo haveria em Goa quatrocentos e cincoenta casados, todos 
i- ri idos delRey, e da Rainha, e dos Senhores de Portugal, e eram tantos os homens 
que queriam casar, que se nào podia Afonso Dalboquerque valer com os requeri- 
mentos, e elle não daua licença senão a homens honrados». — Comnientarioê, iii, 
cap. 2. 

* «A qual obra [reversão de Frei António do Loureiro ao cativeiro do rei de 
Cambaia] acreditou tanto nossas cousas, que não tardou muito vermos quanto apro- 
veitou com elles, hauendo sermos homens que tínhamos duas partes : hua pêra muito 
temor, e outra pêra grandemente amar : por mal, sermos mui esquiuos vingadores de 
oíFensas : e por bem, em extremo fiéis na amizade, e cumpridores da nossa palaura». 
— Déc. II, vil, 3. 



INTRODUÇÃO xr.: 

escrevia Pyrard de Lavai om 1615, tiram um espantoso lucro em toda 
a p • com 08 naturais, que 

os ;í. ^ ^... w...v,3 08 seus raarinhoir"« " 

pilotos HJk) ímilos, ou gentios ou mouros». Viagemy i, p. 368. 

que dessa expansibílidiulo social e intimidade igualitária, a 

da 
parte dos portugueses nos povos asiático*; d, reversamente, influência 
los, uflo menos poderosa, dos orientais no» filhos de 
. ...,.^... V, , ... seu intermédio, no resto da Europa. 

A primeira está expendida e exemplificada em outra obra. Para 
delinear a segunda, socorrer-me hei das autorizadas e eloquentes pala- 
\Tas de Cor. '' V ' 

lO que < , se passou no domínio da sciencia, da arte, 

da industria e da economia politica ; as profundas modificações que a 
partir d'essa epocha solemne revolucionaram as relações coramerciaos 
ontre o ^•'••"nt.. ^ o Occidonte. . . constituiria assumpto n!lo de uma sim- 
ples (•(. ;, mas de muitas, as quaes ainda assim haviam de ser 
iii>-ii!!iriente8 para tfto complexa exposiç? 

" ' ' !iica sem par na nisiuna ae iv >s, 

imp ^ .) ama revolucfio profunda era ton as 

que com a geografia se relacionam. A ethnologia teve entflo noticia de 
nov os, para preencher o quadro das suas classificações 

incoin 1- ia:-. •'■ ""e'^istiea só se tornou possivel como disciplina de m>'- 
thodo riy<»roso, depois que esteve do posse do enorme material que 
conhecimento de tantas sciencias, até então ignoradas, lho forneceu. 

outi - : . _ . , Lfa 

fauna, outra flora, outros céus, outras terras e outros mares, ofierece- 
ram novos • rvaçáo n'um campo novo, inexplorado at<^ 

alii. F ron>iiMu..iui-:^. . .n.i.»: a nova botânica, a nova zoologia, a nova 
anthropologia, a nova goographia, a nova ethnologia assentes na base 
definitiva, que lhes fornecoa o critério comparati\ 

' ' ' ' ■!'• mais Cl • 8- 

sa\..... . .... , . , .m na sua ^^-^ - -- . , - :> o 

curiosidades da Ásia. mas também viuham providos de novas ideas. 
variali-s > c O aventuras; vinham tr.r 

in.-i.ln<, ,^,■ ui "II .:......;..... ... ••.•...;! ite do^ i|u.- 

ii.iM M;; 1 pai», h i pela sua 

lii.: . 



' ill r. 'I tlinnnn <m 



XIV INTRODUÇÃO 

lares o oxcôntricos, e às vezes os ridiculizassem, do mesmo modo que 
eles o faziam na índia aos reinóis recenchegados. E por isso que Fran- 
cisco llodriguoB Lobo escrevia em 1619, referindo-se aos hidiáticos: 
«NSo sabem dar hum passo sem palanquins, bajús, catanas, bois, larins 
e bazarucos ; e outras palavras, que deixam em jejum o entendimento 
dos ouvintes, sem por isso os seus ficarem melhor acreditados» *. 

Mas, evidentemente, não mereciam censura; nao era por afectação 
calculada, era por mera espontaneidade, proveniente da prolongada 
prática, que se sorviam na sua conversação de termos peregrinos. Não 
levavam, de certo, às costas, à maneira do caracol, como nos atesta 
Tomás Ribeiro (nas Jornadas) que o fazem os ingleses, a sua casa, o 
sou home: adaptavam-se ao ambiente em que viviam; faziam-se índios 
com os índios, chineses com os chineses, japões com os japões, naires 
com os naires, brâmanes com os brâmanes. Praticavam a seu modo o 
que S. Francisco Xavier exercitava, à imitação de S. Paulo: Omnibus 
omnia f actus sum. 

11.— Influência de idiomas asiáticos na língua portuguesa 

O Conde Angelo de Gubernatis, transviado pelo patriotismo desre- 
grado e pelo pouco conhecimento da literatura portuguesa, abalançou-se 
a exarar, referindo-se aos seus patrícios, esta afirmação paradoxal» : 
«Mas ao menos esta parte exterior da sua vida [dos brâmanes] os nos- 
sos viajantes, recordando-se de ser povo de artistas, quiseram todos, 
dum modo ou doutro, representar ; pelo contrário, mais grosseiros o 
mais ávidos que os nossos, os portugueses, à excepção de pouquíssimos, 
gozaram-se *sibaríticamente da índia e a depredaram;, sem ver, sem in- 
vestigai' mais longe» ^. 

Não podia haver apreciação flagrantemente mais injusta e dispara- 
tada. Aqueles que ao Conde se afiguraram «pouquíssimos» constituem 
uma legião, como demonstra a bibliografia desta obra, além de muitos 
livros inacessíveis ; o a índia depredada ainda hoje se recorda com gra- 
tidão e saíidade dos benefícios materiais e espirituais que deveu à acção 
civilizadora dos portugueses sibaHticos ^. 



1 Corte na Aldeã, Dial. ix. 

2 Storia dei Viaggiatori Itáliani, p. 321. 

3 «Pelo que respeita à influência da colonização portuguesa sobre os costumes 
dos habitadores indígenas, bastará dizer que desde o princípio os missionários por- 
tugueses pregaram o cristianismo e fundaram escolas cristãs. . . Inútil é acrescentar 
que a obra dos missionários introduzia ao mesmo tempo os primeiros elementos da 
civilização europeia e as ideas dos conquistadores, emquauto os costumes começa- 
vam a abrandar-se sob o influxo do cristianismo». — Heyligcrs, op., cit., p. 12. 

«Os liolandeses e os seus feitos cessaram de ser lembrados pelos siugaleses da 
fegiâo baixa ; mas os chefes do sul e do oeste perpetuam com orgulho o honorífico 



INTRODUÇÃO XV 

E, com todo o seu putriotísmo e erndiçflo, não poderia o oriontalistn 
os um viajantt' nacional — seja Marco Polo, Conti, 

\ ... ,.. ^.... ussetti ou Valle — que tivesse vivido em contacto mais 

intimo e dirocto com todas as camadas de homens c conhecido melhor a 
organização social e politica, as religiões, as tradições, a psicologia e os 
' ' 'i índia, entendida no sentido mais lato, do qu»» Duarte Bar- 

i da Orta, Diogo do Couto, Gaspar Correia, Fernão Men- 
des, Gaspar da Craz, Jacinto do Deus, Francisco de Sousa e tantos 
outros. Jofio de Barros, sentado na Casa da índia, em Lisboa, sabia 
do O.i^r.t.. ^> euj particular da índia, muito niíiis, nomeadivmonte com 
rolii ogratia e à história antiga, do que muitíssimos viajantes de 

nomeada, antigos o moderno- 

Os /.* ' ' '■ ' <. as i.cíidas, a Chronica dos Ueis de bis- 

naga, a / , , oquios, Os Lusíadas, as Cartas de Japão, o 

Vergel das Plantas, o Oriente Conquistado, a Conquista de Ceylão, a 
Xoticia Summaria da Cochinchina, etc., sSo monumentos imorredouros 
de fino . -' '^» > de observação, de ávida curiosidade de saber, de pa- 
ciente ii. .lo, de exame maduro e imparcial, de estudo bem dige- 
rido, de inlbrmaçOes pormenorizadas e em primeira mâo, de tilo subido 
valor, íj '' principalmente aproveitado os viajantes estran- 
geiros, < ^ jres, e doles nfto podem prescindir, segundo o 
I . /o dos orientalistas despreocupados e conscienciosos, os que tratarem 
devidamente da índia, da Indo-China e do e-xtremo Oriente*. As suas 



título de dom qoe lhes foi concedido pelos primeiros con(]uistadores, e ainda ante- 
f>dein ao« seu£ antigos patronímicos os sonoros nomes ciistilos dos portugueses». — 
Sir .' '" '" ♦, Ceylon. 

.rca de cartinhas por oníde simsynam os meninos, e pa- 
Irecercm estamdo u arca e orde- 
, , , j . ,o8 a ler e esprever, e avcrá na 
cscolla perto de cem moçoe, e aam deles Hlhoa de panicaees, e d omeens bonrrados; 
sào muito agudos c toiri: - ' i que lhe emsynam e cm pouco tcDjpo, e sam todos 
c-ristSo«a. — Afoimn di? . me. Cartou, i. p 44 

doutrinar nas cousas 
't' : ria, VIM, cap. 5Í03. 

18 populações catbolicaa, que ainda por li estSo, c-m terras onde ha longos 
r'iemoe o dominio, e ainda unem á veneraçio pela sna crença o respeito 
' do nosso paiz, provam quilo fundu haviam puiit-tradu a palavra o u itifluio 



-K. 



:i8 cbronicas que tiot forào 
ioM de i'entco) foi por esta maneira». Uòc. II, ti, 2. — «E segundo oe 

I .. L ;»yf<* di/'tn 'dr quem ««>* ' * ttta rtlaçâo)». Déc. II, vi, 4.— «"- '" 

tTH'i ■ A. ím. - , I .ii>. 1,4 cm siia- •» per uoniu antigo lho cham&o S« : 

'l.i-< ^ cm tua propria lingua ondt o vimoê*. Die HI, it, 

1 1 

' «NAo é, talvez, ex que para o estudante da história do < 

Ciiiquisfn M.> KeruAo «it .^,., ...,..j , <,-imouto sobrelevada em valor p«la grauUt ..>- 
iii< a MiiL.il' >.i, o A/(t/uitrafwa». — P. E. Pieris, Introduction ao livro Ccmifuista dt 



XVI « INTRODUÇÃO 

traduções, a sua inclusão em colecções especiais, as constantes e elogio- 
sas referôncias comprovam-no de sobra *. 

Nenhum botânico podo versar a flora oriental sem ter à vista a ina- 
preciável obra do nosso- Orta, como se colige de Cristóvão da Costa, 
Bóncio, Piso, Rheede, Rúnfio ^. A Dócada V é um tratado dos princi- 
pais sistemas religiosos da índia, escrito com tanta minudência, clareza 
o precisilo, que qualquer indianista dos nossos tempos se nílo dedigaaria 
de o subscrever. É Diogo do Couto quem nos ensina, confirmado no 
século passado por CaldwoU, que o «venerável» pariá Valuvar compôs 
1:330 aforismos poético-religiosos, e quais são os assuntos de que tra- 
tam. É tambOm êle o primeiro orientalista que identificou, como reco- 
nhece Ynlo, a lenda cristã de Barlaam e Josaphat com a de Buda, do 
que agora outros reclamam a honra, por nós nâo curarmos pugnar por 
nossas lídimas glórias ^. 

Factos desta ordem são infalíveis indicadores da familiaridade dos 
portugueses, em geral, com os povos, línguas, literaturas e lendas do 
Oriente. D. João de Castro *, Fernão Mendes, Lopo de Sousa Coutinho, 
António Galvão, Diogo do Couto, João Ribeiro, Gabriel Rebelo, eram 
tão bons escritores como valorosos soldados ; sabiam empanhar com igual 
habilidade a pena e a espada. O próprio grão Épico, com o «braço às 
armas feito», tinha a «mente às musas dada», como demonstrou mais de 
uma vtíz na índia. Os mesmos negociantes, a pedido de João de Barros e 
outros sequiosos do orientalismo, consigníivam nos seus cadernos, em- 
bora em linguagem tosca, informações históricas, descrições de vários 
géneros e impressões pessoais, tão interessantes e valiosas, que reconhe- 
cem agora os ingleses que o livro editado pelo Dr. David Lopes é indis- 



i Cumpre notar que se uão pretende com isto contestar ou depreciar o grande 
merecimento de vários viajantes estrangeiros. Os italianos, em particular, atenta a 
sua curiosidade e ilustração, se se achassem nas circunstâncias dos portugueses, 
fariam, de certo, outro tanto ou talvez mais. Tratamos, porem, de factos incontro- 
vertíveis e de documentos históricos — «E Josepe [cristão de S. Tomé] foi ter a 
Roma e a Veneza, e do que lá disse da sua christandade e costumes, ós Italianos que 
nisto são mães curiosos que nós, fizerão hu summario que está incorporado em hu 
volume latino intitulado Nouns Orhis». Déc. I, v, 8. — Também, se não fossem os ita- 
lianos, perderíamos alguns dos nossos manuscritos, que só conhecemos por suas tra- 
duções. Vid. Collecção de Noticias para a historia e geographia das Nações Ultra- 
marinas. 

* «Garcia da Orta é talvez o primeiro europeu que examinou e descreveu cri- 
ticamente laca na índia, e dá as propriedades e os usos assim da matéria corante 
como da resina com tal minuciosidade, que se pode citar o passo como da pena dum 
escritor do século xx em lugar do do xvi» — Watt, The Commercial Products, 
p. 1054. 

í Vid. o artigo ágama na presente obra. 

* «Alleyxos de carvalho me dixe de parte de vosa s. que lhe mãdase allyxandrc 
em parsyo, la lhe mando haindaque has escreturas destes mouros teuhoas por menos 
autentes que as nosas». — Fida de D. João de Castro, edição de Fr. Francisco de 
S. Luís. 



INTRODUÇÃO 

peusável a quem queira tratar do extinto reino de Bisnaga, que rcpro- 
sontou am papel tAo importante na história de índia *. 

!* ' * ' - i: -r> ^ j^j índia — assunto muiiu uiumíiuu — era 

.- a estudá-las e rebatô-las, visto que, doutro 

modo, não haveria verdadeira evaugolizaç&o nem conversões aos milha- 
r •>. E que os nossos evangelizadores as perscriftavam, consta das 
Curtas do S. Francisco Xavier, das Cartas de Japão, das Relações An- 
nuaes, da Noticia do Gentilismo, e áo tantas outras obras impressas que 
conhecemos, alôm das que ficaram, por nossa incúria, em manuscrito, 
' '" ■ '' iiicisco Negrfto, Padre Manuol Barradas, Padre Fer- 

Confrontem-se os antigos indiam'stas nacionais com os estrangeiros 

los XVI o xvii, e depreendor-so há claramente quo os nosaos os 

am totó coelo pela cópia de vocábulos vernáculos, pela exactidão 

iriçOes e pela precisão d<' definições, o que os outros hauriram 

os seus conhecimentos imediatamente das fontes portuguesas, e ropro- 

' - 08 termos peregrinos com idênticas formas, que dopois foram 

ias por ortografias peculiares. 

Fenómeno bem explicável. Pouco depois da chegada dos portugue- 

•i sua fala, modificada o simplificada, tornou-se /ííi^íMa /mnca 

.... úrio de comunicação entre os europeus e os naturais, entre 

o8 europeus de diversas nacionalidades e entre os próprios indígenas de 
ontes idiomas; e fraccionou-se rapidamente em numerosos crioulos, 
■ * ^ s fora do domínio portuguOs ; o que se nilo deu, pelo 
. amplitude, com nenhuma língua das nações que poste- 
riormente figuraram no teatro político do Oriente '. 



' Vid. Chrouieu do9 JieU de fíitnagá; Sewell, A Forgotten Empire. 

• «Quanto k genealogia de Brainá e doutros idvlos fabulosos dos índios, e ao que 

* ■ ' ' ' -ia, remeto o leitor aos livros do Padre Frei Francisco Ne- 

lU X da Crónica das cousas feitas pela sua Ordem na India, 

i.-... O r '^a 

.1 em poiíi ia 

Tio e das cousas dos gentios indianos, c mostra que faia com bom tuudamento». 

tr'> '! -Il.i Valle, Viuggi, carta de 22 de Março de 1G23. 

portuRuôs é mais ou monos entendido por todas as classes na ilha de 



nd. Vid. LftcUccto Intio I polo autor. 

-i. ~' i.ir, vos direi o que mu ;i. . .... — , ........v.^ ao seu princlpe 

erdeiro (de Nixnmojiál, que ent4>nce8 era bom* m de 30 annot, muito forçoso, bem 



* >rta, i ol. xxzvi. 

Perguntava um padre português, em ltí€3, a uns missionários franceses que de 
Surrate pretendiam ir para a China: «Mas em passando de Surrato em que Ungoa 
se bio VV. S8. de explicar? Na PorttÊffueãa, ^ue he a mais tamierealf nio ; porqne a 



xviii INTRODUÇÃO 

As dições vernáculas, iuseridas no português oriental e importadas 
em larga escala pelos seus crioulos, deviam naturalmente transmitir-se, 
se bem que em menor número, ao português continental e nele oncorpo- 
rar-so para sempre, enriquecendo assim consideravelmente o seu voca* 
bulário o testemunhando a repercussão da influôncia asiática, aere pe- 
rennius *. 

III. — Influência de idiomas asiáticos em outras línguas europeias 

Logo que os portugueses iniciaram as suas conquistas no Oriente, 
acompanharam-nos muitos indivíduos doutras nações, principalmente da 
Itália, como artilheiros, comerciantes, viajantes e aventureiros, alguns 
dos quais desertaram o combateram contra os seus protectores, como 
em Calecut; 

Nas obras que escreveram ou que trasladaram dos originais portu- 
gueses, de que se apropriaram, reproduziram, de ordinário, os vocábulos 
asiáticos na forma e no sentido em que os conquistadores comummente 
os empregavam, como se ve nos livros de Empoli, Sassetti, Balbi, Lin- 
schoten, Beaulieu, Pyrard, Tavornier, etc. Alguns chegaram até a copiar 
os erros tipográficos dos nossos autores ^. Quando se desviaram das 
fontes, erraram amiúde na feição vocabular ou na significação, como 
Barthema e Carletti. Vid. ágama e corja no Glossário ^. 

Quando os holandeses, os ingleses, os franceses e os dinamarqueses 
seguii'am na esteira dos portugueses, e se apoderaram de vários retalhos 
e estabeleceram feitorias, adoptaram o mesmo processo de se servir, 
mais ou menos fielmente, dos termos orientais, tais quais tinham passado 



nâo sabem, nem aprendem. A Latina e a Franceza totalmente se ignora pelos natu- 
rais». — P. Manuel Godinho, Relação, p. 45. 

1 «De todo este tracto e communicação com tantos príncipes africanos e orien- 
taes, antigos e modernos, continuado por longos séculos dentro e fora da Peninsula, 
necessariamente haviam de vir, e eíFectivamente vierào, aos idiomas das Hespanhas, 
e em particular ao portuguez, muitos vocábulos, frases, formas e idiotismos das lín- 
guas daquelles povos, assim como nos vierão usos, costumes e praticas, que ainda 
entre nós se conservâo». — Cardeal Saraiva, Glossário. 

' Por exemplo: a 1." edição dos Colóquios (de Garcia de Orta) tem eZevt poí 
eZenz como nome malabárico de lanha (q. v). Linschoten, em 1Õ89, e Rúnfio, em 1690, 
transcrevem elexi no mesmo sentido, mas o segundo conjuntamente com lenni. Dellon 
(1670), porem, substitui-o por elenir, propriamente ilanlr. 

3 „A palavra chakka da língua do Malabar foi invariavelmente transcrita Jaco 
em português. Escritores italianos reproduziram-na por:' c.iake (MarignoUi, séc. xiv), 
cat-iii, ciccara (Conti, 1444), ciaccara (Barthema, 1510), giava (Sassetti, 1586J, ^tacca 
(Fr. Vincenzo Maria, 1655), ciaca (Fra Paoliuo, 1786). 

O Padre Charlevoix conhecia sem dúvida as Cartas de Japão dos nossos missio- 
nários ; mas, por seguir. o Padre Crasset, estropeia muitos vocábulos japoneses, como: 
iambus por iamabuxis, xenxus por jenxus, xodocins por jodoxus, conikus por conixtis. 



INTKOUUÇÀO nx 

pelo cadinho portuguCs, o que ouviam do viva voz ou lioin nos livros, 
como 80 podo verilicar nos seus autores e no decurso d{>8te Glossário ^ 

Os • ros quo vinham a I^isboa, qne ora oiitHo um ompório 

oriental. , . oT OU examinar produtos ou animais asiáticos (africanos 

• ' r ' i 'iros), levavam consigo, como ora de esporar, nomos qne aqui 
vogavam e transmitiam uos seus patrícios'. 

No decurso do tempo, alguns dCstes vocábulos. in..i> \ in;^;ui/ado8, 
foram acomodados à índole e à ortografia da respectiva língua e à 
etimologia popular ; e por isso ficaram enormemente desfigurados, a 
ponto de se lhes náo conhecer a verdadeira dorivaçJlo ou de se dar 
incorrecta. Assim temos: bois d'aigle o eagle-wood por /;au de ágiiila; 
liJte-de-mer e beech-de-mer por bicho do mar; bayadere por bailadeira; 

itrós por alcatraz; cutter por catur; coí por catre; rwacrec por maca- 
itu; viort-dechien por mordexim ; pant^que por pataca; mangouste por 
inangng; hrvf por boi (tporta-sombreiro») ; main por mão («pOso in- 
diano i) 

^' . que tintiam sido outrora daqui exportadas, ou tinham 

cá SI ....as portugueses, foram modernamente importadas no país, 

por escritores eruditos e dicionaristas solícitos, com trajos exóticos e 
burlescos, tais como : aligator por lagarto ou lagarto de água ; babouches 
por ; '^ . que, foneticamente, só existe em francOs (os ingle- 

ses [ lentemente) por formão; litcki por lichia ou lechia; 

rajah por rajá ou raja ; schah por xá ; shogun por xogum ♦. 

Nfto sendo as palavras, que os estrangeiros adoptaram por via do 



' "Li Ití dos n"- ludianog, SC bem que 

Bcjain por. a fontcB ' um intcrniódio por- 

tuguês». — Yuie, A Gioêsary, p. xv. 

' «Veneza e Genoa passaram desde ciit;'. ■ ... .,. ^,.4; ,-.. , * uiqimnto Lisboa, 

tomando-lhet o lagas, so tomou a primeira cidade comercial do mundo, onde aibiiam 

" ■ f^ nier- 
'l>. cit, 

tucnmcniaflo nos respectivos vocábulos. 

* «A velha orto^rapbia portugueza dos nomes oricutacíi era sonicamentc muito 

<x. ta. Xá e ." "" ' iana c arábica, como Xer- 

r >r m>5 <\A ' o«*-rioí<, pnr/'m, que a sua 

-, tanto pelo 

mcuto de incerteza na leitur.^ - Fi calho, Col 

I' • • 

.• 1- ia, 

'^, 

"• 

Hãu Oases, M portugueses ou franceses ou germânicos, e se nio se extasiariam melhor 

-- '' ' — V ■ ' representa, na língun original, uma í<'' '•-■ -ija 

com a du nosso x iniciul ; mas o c 'S 

oácuUlinlas ^lòt^> opU/u pv>r sU, que é fouema inglês, sem valor em portu^^iu:». 



XX INTRODUÇÃO 

português, moros sons sem sentido, mas representativos de ideas e desi- 
gnativos de objectos, ó evidente que deveram o seu conhecimento pri- 
mordial a Portugal e às suas colónias, e indirectamente se sujeitaram á 
influência de línguas asiáticas. 

Vái-ios desses vocábulos sRo derivados pelos lexicógraíbs estrangei- 
ros imediatamente do português. Há, porém, muitos cuja etimologia vRo 
buscar directamente ao Oriente, em desacordo com o testemunho da 
história, legítimo aferidor de etimologias. O presente trabalho, restrin- 
gindo-se, de ordinário, ao inglês e ao francês, indica as formas que os 
vocábulos de origem asiática, recebidos, em regra, pelo canal português, 
assumiram nessas línguas *. 

Mas não somente para as línguas vivas da Europa e para o latim 
moderno, mas também para a própria nomenclatura scientífica, princi- 
palmente botânica, transitaram com o cunho português numerosos ter- 
mos orientais ou de significação oriental, tais como : Lacerta aligator 
= lagarto, «jacaré, caimão» ; Herpestes mungos = mangus , «icnêumon da 
índia meridional»; Abada = bada, «rinoceronte da Indo-China e Malá- 
sia»; Áreca catechu = areca {cate e cáckii), v arequeir nv ', Pijier betei = bé- 
tele; Mangifera indica = manga, «mangueira»; Cocus nucifera = coco, 
«coqueiro»; Psidium pyriferum=pêra, «goiabeira» 2. 



IV. — Nomes portugueses dados a objectos orientais 

Quando Vasco da Gama e os seus companheiros e sucessores trans- 
puseram o cabo Nam, passaram o Bojador e penetraram no mar tene- 
broso, viram uma quantidade de avos e peixes quo nunca tinham visto, 
e não sabiam como lhes chamariam, Kecorrendo então às analogias e às 
suas observações pessoais, deram-lhes (como Adão no Éden) nomes que 
julgaram mais apropriados, e que posteriormente foram adoptados pelos 
mareantes doutras nações. E assim surgiram alcatrazes, antenais, man- 
gas -de-veludo, feijòes-f vades, rabos-de- junco, rabos- forcados, pintados, 
brigadeiros, almas-do-mestre ; peixe bonito, voador, albacora, serra, pâm- 
pano, madama, etc. 



1 As abcmações e a aualogla mostrarão que outros idiomas europeus, se possuem 
tais palavras, deverão admitir idêntica procedência, particularmente o holandês. 
«Logo que Portugal, e sobretudo Lisboa, se tornou o empório central dos produtos 
da índia, os negociantes holandeses começaram e mantiveram com essa capital um 
comércio muito activo e sempre em incremento, de sorte que era por seu intermédio 
que se fazia a venda destas mercadorias nos outros países da Europa«. — Hejli- 
gers, op. cit., p. ò. 

* Semelhantemente, muitos nomes geográficos denunciam o crisol português, 
como : Ceilão, Calecut, Goa, Bombaim, Bengala, Cochinchina, Barmâ {Biiinâma, que 
é sua corrução), Japão. Outros vogam traduzidos, como : Cabo de Boa Esperança 
=^ Cape of Good Hope, ou simplesmente Cape; Costa da Pescaria = jPísAery Coast. 



INTRODUÇÃO xxi 

E quando nport«rnm h índia, acharam-se em nra país totalmente 

costouie», religiões diyersas; flora, faana, 
. . ' >. pesos o medida- 

iL-. í. ..- ir o registar na- 

teiros e memorandos. 

Do uns poucos já conheciam os nomes, transmitidos pelos árabes (ou 

~ rianos) e correntes na Europa ou somente na península 

. por exemplo : a?íi7, arroz, açúcar, alcajif or, laranja y 
limão, gengibre, canela, cravo. Mas que fariam com os outros ? 

A analofria \ a voz prestar-lhes o seu valioso auxílio: um 

fruto, que se as.v va a um papflo, foi chamado coco, e a árvore 

que o produzia teve o nomo genérico do palmeira ; um fruto saboroso, 
(jue tinha uns longes de figo, denominou-so fgo da índia; um outro, 

• - ■ ' 1 da América e parecido com a pOra, designou-se por pêra, 

ais da sua naturalidade era goiaba ; a curcuma, quo tinha 

vis.i'» i ' açafrão, ficou sendo açajrão da terra; a insígnia do hindu roge- 

' o, que se podia ' por linha on linhas ; qaem 

., ,... enos e dos noóíit ia bem o nome áo pai dos 

<»*> ,• am metal, que era como cobre, mas branco, podia sem impro- 
pr,. ir i' donominar-se cobre branco. 

.\ ' =so, a flora possuía várias esp» ci'> ijii>- unhara propriedades 

caril' is o conspícuas, das quais tiraram olas os seus nomes: uma 

an'ore, cujas floros se murchavam durante o dia, denominou-se árvore 

utra, que deitava dos ramos raízes compridas, nomeou-se ari'ore 

u .<; outra, de folhas muito amargas mas medicinais, foi conhecida 

por amargoseira ; uma flor, que servia para engraxar o calçado, cha- 
mou-se flor de sapato; outra, que desabrochava à hora da merenda, teve 

' "^ ' ■' ■ — <^a ; uma fruta, que era como uma estrela, desi- 

'/a ; outro fruto, que servia para contas do ro- 
.-ário, alcouhon-se fruta de conta. Identicamente, pau-de-cobra, pau-rosa, 

' . . ^ produto também snbministrava nome porfn- 

^\i<'-s : iii'irmrlo de fíenffala, fava de Malaca, amendoeira da índia, 

./.' ('I:i,:'i. /; / 'ui, ãveUl do índia, mal de Ormuz {•fí\án&*), mal 

'/' : 

' nalógico e atributivo se seguiu, pdsto que em 

menor escala, na fauna : cobra de capelo, cobra alcatifa, cobra cuspi- 

fh'>r<t. rnlrtt de ratou; bicho de palmeira, bicho de mar, lagart 

I'l'ls.HUru duillinicO, pássaro do ",,/ iw! r,' mni-r i,.>; r,' iifdr.i I 

d' rn, peixe pâmpano. 

Outras palavras portuguesas adquiriram na índia signiticaçTies espe- 
ciais, como: c€uta, na accpçfto de tclasse social do regime bramAnico» ; 



^ Pau»/erro é traduçlo do maiaio kájfu bin 



XXII INTRODUÇÃO 

sombreiro por «guarda-sol grande» ; pano pintado por «chita»; bailadeira 
omnlher quo dança por proíissílo»; bacia, «prato que se tange com uma 
baqueta; espada preta, «íilfange tiraorense» ; mouro, «maometano» ; co- 
munidade de aldeia, «peculiares associações agrícolas»; lavrador de pal- 
meiras, 9 indivíduo que extrai seiva delas» *. 



V. - Carácter sematológíco e morfológico 
dos vocábulos adoptados 

Nao tendo os portugueses na sua língua palavras para designar 
objectos desconhecidos, nem bastando o processo de analogia, de deno- 
tação característica e de procedência geográfica, foi necessário adoptarem 
os nomos correntes na respectiva localidade, que primeiramente foi o 
Malabar ^. E o nome que foi uma vez adoptado aplicou-se, era regra, ao 
idêntico ou semelhante objecto doutras regiões, ainda que estas possuís- 
sem seus termos vernáculos. Assim, encontramos pagode, andor, p>alan- 
quim, bétele, caixa, manga, chuname, nSo somente na índia, mas igual- 
mente na Indo-China, na' Malásia, na China, no JapUo. <P 

Os referidos termos peregrinos podem agrupar-se, para maior cla- 
reza, em certas classes principais : 

I. Nomes de objectos inanimados, tais como : a) os de tecidos, que 
sâo numerosíssimos e, loxicológicamente, difíceis ; b) de embarcações de 
diversas regiões, os quais também não são poucos, e alguns deles obso- 
letos nas próprias localidades ; c) de moedas, pesos e medidas, em parte 
antiquados e de procedência incerta ; d) alguns de metais e pedras pre- 
ciosas ^ ; e) uns poucos de vestuários * ; f) muitos de drogas medicinais 
e industriais ; g) alguns de instrumentos músicos ^ ; h) uns poucos de 
documentos ^ ; i) de louça ^ ; j) de artigos culinários *. 

II. Alguns da fauna da Ásia meridional, cemo : abada, ganda, ema, 
nilgau, chitela, bibió, manduco, talagóia, mangus, nore, martinlio ; — e 
copiosíssimos do reino vegetal e dos seus produtos ^. 

m. Alguns nomes de geografia física : canie, patana, atol, cantor. 



^ Vid. também boiada, brinco, cangalha, cartaz, caseiro, carruagem, descendente, 
dobrado, enganchado, enrolado, fama, fechado, vigiador. 

* oChamamoslhe betre, porque a primeira terra dos Portuguezes conhecida foi o 
Malavar. . . Todos os nomes que virdes, que Ham sain portugueses, sam malavares ; 
assi como betre, chuna, que he cal, maynato, que be lavador de roupa, patamar, que 
he caminheiro, e outros muytos». — Garcia da Orta, Colóquio de Betre. 

3 Calaim, tutenaga, tambaca ; babagore, jagonça, manica, perose. 

* Cabaia, baju, quimâo, camarabando, dotim, chole, papuses, patola. 

* Habana, murdangn, baba, gumata, xinga, goto. 
6 Chapa, cartaz, formão, potto, goguensi, goxuim, 
"^ Pires, bule, chávena, baião, anehão. 

* Canja, caril, apa,foguéu, bringe, balchão, papar im, bibica chau-chau. 

9 Só com relaçSo ao coqueiro, temos os seguintes : ala, churta, ide, murindo, sura, 



INTRODUÇÃO 

coêana, horwh, culna ; — uns poucos do geografia política : cai;abè, pra- 
gana, p" a, corla, fu, cheu. 

IV ., ..uenos nioteorológicos : monqão, tufão, macaráu, 

êamatra, vara, elefante, terral; — e de doonoas : morrlexim, héri-béri, pa- 
nicale, naru. 

V. Nomes (le raslas : hramcmr.i, i fmronus, Huuron, udiri'n, iiunuas, 
ehaliáê, poleàs, pariá* ; — de dignidades : samorim, rajá, xá, paxá, mo- 
deliar, bendará, mandarim, aitau, dairi, cubo, Jacata, tono; — de profis- 
sões tí II v, chatins, banianes ; Jiaiques, lascarins, sipais, 
aravhes , ... ,...,.zes, cules, bole. 

VI. Nomes de religiões, com sufixos portugueses : bramanismo, hin- 
duUmo, biLditmOy jainismo, xintoismo, lamaismo, tauismo ; — de seus deu- 
ses: Brama, Vixnu, Xiva, Ganes, Cali, Amida, Xaca, Camis; — do seus 
templos: pagodes, varelas, terás, dágabas, mias; — de seus ministros e 
religiosos : gurus, botos, saniassis, jogues, faquires, bonzos, bicos, tala- 

rolins, Jotoqués, icoxus; — do suas festividades, cerimónias 
c ,.,,.., Ao culto: sigmó, dosseró, calo, 'firnJi >>ii-<í h,,,n tirin, lu-ng. 
sado, tulossi, suriapano, olli, morchéis. 

VH. Uma grande quantidade de termos técnicos das associações 
- '^.^ aldeanas de Goa, muitos dos quais silo do uso restrito em por- 

V6-se da sucinta enumeração que as palavras recebidas designam, 
! iide, objectos materiais, e sfto todas substantivos. Mas 

„.., ,:.vo. 
ins destes vocábulos, porOm, transportados para a Europa, nllo 
conservaram a sua significação originária, ou tiveram outra acessória, 
como: ehatim, veniaga, pagode, corja, caurim, bailéu, amouco, sumbaia, 
canja. 

O» portugueses, todavia, não se contentaram com os tormos impor- 
tados ; formaram dr-les muitos derivados : substantivos, adjectivos e ver- 
bos íotiio. por <'x<'inplo : chatinar, chatinagem, guazilado, nuindarinadOy 
inttifliniii' t' . nii'li h Uado, tanadaria, gancaria, ganrarial, bonzeria, bon- 
.:<'/./ nagodento, mutrado, fotewlo, enjangado, embangueado (de bangue), 
' ' ' ' mpolear, encachar, engunar, eu- 

ro. 
Derivados botAnicos s&o sem conto : manga > mangueira, manguei- 
'■■(i, urecnl ; raju'^ cajueiro, rajual ; jaca^jaqueira^ 

. . , ^ ualniar, tuil mt-i m ,,itl niéiv.il fnií iiiiii-.>!fn ■ }„i nJiii ^ 

hnal ; pateca > [Mitecal. 



<i^a,ffmm,fttuueo, cajtUó, dobrado, jagra, tenga, lanha, 9600 bárico, manaar», 
/trcot, cAirda, eaim, aUnga, terlo^ leriura, manducar, kívnidor, 
/ , etc. 
> I r>i ao qactn, entro «>« Icxicógrafbs, os regintn mais, com loogM explioa- 

çòes. l'. rxit«tM utu ^IdSMirin eipucial 



XXIV INTRODUÇÃO 

VI. — Valor lexicológico dos vocábulos importados 

I. Quanto ao tempo, convêm dÍ8criminar os termos orientais em 
antigos ou obsoletos, e modernos e contínuos. 

As palavras vivem na linguagem falada eraquanto designam objectos 
que actualmente existem ; so estes desaparecem, são mortas, ou históri- 
cas, 86 constam de algum documento. Ora, desde os nossos descobri- 
mentos e conquistas ató hoje se tem operado, no Oriente da influôncia 
portuguesa, variadas o profundas mudanças em diversos sentidos : so- 
ciais, políticas, administrativas, fiscais, industriais, comerciais, monetá- 
rias, navais, etc. E nestas vicissitudes sucumbiram e afloraram nume- 
rosos vocábulos. 

Conquanto sejam correntes na região da sua origem, se cessaram as 
relações desta com Portugal (como aconteceu com o JapRo, Maluco, 
Ormuz), só podem ser conhecidos pela nossa antiga literatura oriental, 
verdadeiramente nacional ; ou pela moderna, escassa e pouco lida, a 
qual por vezes o^ apresenta com feição tão exótica e estrangeirada que 
mal se podem identificar, como: kouli ou cooli (= cule), schah (=xá), 
kimono (=quimão), litcM (=lichia), pwnA'aA (= pancá), suitee {=sfxú), 
haschich (= haxixe), bangaloivs, hengaloios, bungaloivs (= bangalós). 

Os termos modernos nâo entraram no continente com novos objec- 
tos, mas geralmente pelos livros de funcionários e viajantes ; não os 
conhece, por isso, o povo. Alguns devem a sua introdução à literatura 
francesa e inglesa, principalmente periódica. 

II. Quanto ao lugar, uns são comuns à metrópole e às colónias, 
assim no sentido como na forma vocabular ; outros somente na forma 
(como corja, chatim, canja, veniaga) ; outros são comuns às colónias 
asiáticas e africanas orientais (como achar, canudo, jagra, machila, sa- 
raça) ; outros são regionais, os quais pertencem ao respectivo crioulo, 
como se verá no Glossário. 

Os produtos, os artefactos, as drogas e outros artigos, que em tanta 
quantidade e diversidade entravam em cada monção no Tejo e se espa- 
lhavam pelo país inteiro, vinham ordinariamente acompanhados dos seus 
nomes vernáculos, que corriam de boca em boca por todo o povo. 
Assim se introduziram na fala comum abada, andor, bengala, biombo, 
bule, chá, chávena, charão, catana, catre, caurim, chita, coco, jangada, 
pires. 

Os indiáticos falavam constantemente, conforme o testemunho de 
Francisco Rodrigues, nos bois, larins, bazarucos, e outras cousas por 
eles vistas mas não importadas. Tais palavras, porém, não se propaga- 
vam, por lhes falecer o substracto. 

Mas dado o ensejo, também diriam, com ares de superior competên- 
cia : «Aquele comerciante é agudo e subtil como um chatim da índia : 
homem de tretas, sem consciência, sem Deus». Ou: «Que cor/a de roupa 



INTRODUÇÃO xxv 

to compraste! Aquilo nfto vale um caurim; ta foste logrado». Ou: fCui- 
dado com aquela snjt^íto ! Está feito como um amoueo do Malabar ; não 
- '■- 1 . . --. ...-..,, Qjj . .Qhj que folguedo 

:ia: tal algiizarra, tal bam- 

bochatai. Dôsto modo a gente aprenderia a empregar figuradamente 

•ressOes o outras semelhantes, como «a^ema, sumbaia, veniaga, 

Muitíssimos vocábulos nRo tiveram, contudo, ocasião de vir para a 
Europa; mas tambtan nilo permaneceram na sua restrita pátria, esten- 
dernin-so. miTcO dos portugueses, por toda a zona da nossa actividade 
na Ásia e iiw nix Africa e na America •. 

llouve outros que somente eram correntes na área da sua lingua, 
porque os olij ctos .jn-' <U'si^'n;!vam nílo eram conhecidos fora do país, 

como os aoiUtS dv iXTtuS ÍUUcionáriox nc-i^ <!.« v.'<tM:'irio i.ni.irí.i^ Mtii- 

mais, árvores e seus produtos, etc 

III. Quanto ao ttso, uns sSo vulgares o outros literários ou erudi- 
tos. Vulr^ares ou vivo» denomino os termos que sSo ou foram de facto 
usados pelos portugueses ou seus descendentes em qualquer parte do 
Oriente on em detenuinada localidade. Os literários sáo os que figuram 
nos livros dr.»s nossos orientalistas e que, por sua natureza, náo seriam 
..Tiir,i.Mr;i(ios na lin;j;uagem falada. 

iOs tratadistas da índia, da Pérsia, da China, do JapSo, e dou- 
tros países, 08 quais descrevem as religiões, as instituições políticas e 
ha, a flora, a fauna ; e tudo isso com os seus nomos ver- 
los nos livros ou dos especialistas*. Tais termos ocor- 
rem unicamente no autor ou nos autores que tratam do mesmo assunto, 
o às vezes nos lugares onde se náo praticava a língua portuguesa. 



Vil. —Tratamento fonológico, morfológico, sematológico 
e etimológico dos vocábulos importados 

Na adopçfto das palavras orientais, os portugueses antigos tiveram 
em vista dois [ ^ de alto- valor glotolúgico : representar 

.te o seu som e i>.^,, :..... -.o, quanto o alfabeto nacional, sem novas 

letras ou sinais diacriticos, e as informações cuidadosamente colhidas, na 
falta de conhecimento pessoal, o comportavam ; e ao mesmo tempo dar- 
lhes uma feiçilo pr- ' * • • • • « '• * lo. 

O que 08 nosso> lis 



' <"iiroo: bate, $ttrn, jagrtt, raMr», ftila. gutlHn, tJfiixa, atfr, $ombrriro, titfptate. 

'. mo'jnri' 

- uUlO «io Ur, . .. , . .".. .-.., ^ 

par da Crus, Jaciuto (Ih Deu«, Frrniu de <. rfulas, Fedro 1 

(M autorM da Noticia da CothmcJitHa o dan ^-Atciat >i,j <,,n(t(iêmo, «te 



xxvi INTRODUÇÃO 

filólogos, consideram, consciente ou inconscientemente, como defeito, 
proferindo sem discernimento formas estrangeiras e grotescas, é na rea- 
lidade uma virtude, engendrada pelo purismo da lingua portuguesa e 
pelo verdadeiro nacionalismo *. Um termo peregrino não pode encorpo- 
rar-se em uma língua sem se despir do seu carácter heterogéneo, do 
mesmo modo que um estrangeiro nâo pode naturalizar-se sem se sujeitar 
ás leis do país. Se as palavras de origem latina fossem escritas e pro- 
feridas como na sua fonte, teríamos latim, mas não português. A filo- 
logia superficial encontraria, sem dúvida, mais facilidade na inves- 
tigação etimológica, mas a língua perderia muito do cunho evolutivo, 
seria indefinida'. 

A justa combinação, porém, de ambos os princípios fundamentais 
acarretavam-lhes algumas vezes sérias dificuldades de carácter fonoló- 
gico. Sabiam muito bom os nossos escritores que diversas línguas ver- 
náculas, mormente as monossilábicas, tinham mais fonemas, sons aspi- 
rados, letras dobradas sonantes, tons ou modulações de voz ; os quais 
nao podiam, em, geral, enunciar e reproduzir na escrita, e se o pudessem, 
nao seriam entendidos. Nilo ignoravam, por exemplo, que os persas 
diziam e escreviam khcm'. <jComo o pronunciariam e transcreveriam? 
A par de algumas variantes {chan, han, kan, can, cam), prevaleceu a 
forma cão — Idalcão, Rumecão, Cedecão ^. Garcia da Orta, Diogo do 
Couto, Frei Jacinto de Deus explicam o motivo, se bem que tenham a 
forma corrente por corrução do protótipo. Os dois primeiros conheciam 
que morxi transliterava exactamente o concani modxi; nao puderam, 
contudo, reagir contra mordexim, forma menos etimológica, mas, em 
compensação, mais portuguesa. Fernão Mendes ouvira, mais o melhor 
do que os viajantes modernos, os japoneses dizerem kimonó ; como po- 
rém nílo escrevia para japõefe, mas para portugueses, e não queria passar 
por tolo (que o tachariam de mentiroso, já o provia), ortografou quimão; 



1 «Orta dá estes nomes [asiáticos] como os pôde apanhar de ouvido, e nas irre- 
gulares transcrições do seu tempo, quer dizer com muita incorrecção». Conde de 
Ficalho. — Bem entendido o sistema de transcrição, embora «m tanto inconsistente, 
e tida em conta a oscilação da ortografia antiga, as incorrecções não são tantas e 
tamanhas como se afiguram à primeira vista. Orta reproduziu as palavras como vul- 
garmente se enunciavam ou como se deviam proferir em português ; mas sabia notar 
leves variantes fonéticas : «Todos lhe chamam afiom, scilicet, os Mouros, donde os 
tomaram os Gentios, e nós corrompidamente lhe chamamos am^^am». Col. xli. — Nem 
todos os vocábulos persas e árabes são pronunciados nas línguas da índia da mesma 
maneira que no solo da sua naturalidade. 

2 Assim lunch, pronunciado à inglesa, não será nunca português, se não escre- 
vermos lanche; e sport será sempre inglês, se não ortografarmos, como proferimos, 
esporte ; tvuriste só será português tornando-se turista, como o é em castelhano. 

* «Hospedados los dos europeos en la tienda dei Khan (se pronuncia Jan) ójefe 
dei aduar, esperaron la celebracion de la ceremonia». — Alfredo Opisso, El Asia 
Mtisulmana, p. 27. 



INTKODUÇÀO xiTu 

o quimâo 6 a verdadeira reprosentaçilo nacional do kimonó, qn«, por 
mais quo so repita, Bera sempre vocábulo estran^oiro •. 

joii lOS 

estab<'lecer as soguintos regras: 

I. O i final na?alizou-9C. Ex.: m. '«M/Zm, lango- 
tim, biffarim^. Houve tanibôm nas :. ;Jor do muitas pala- 
vras. Ex.: palantpiim, bonzo, biombo, nnfiào. Excep<;âo : o t final de 
poucas vozes tomou / de encosto : caril, candi\, sandil, cauril, cacheri\. 

II. A ' '■ ' '* ãl (nff. ani\ om\ on', un') convi^rton-so em 
noutra dit<': _ «u//ão, 'ão, /brwao, ffudsio, balao, vancdio. 
O mesmo se deu com au, ao ou at? final. Ex.': aitfio, /ao, bat'S.0, g^O, 
pardiO, ajifísio. ^".ão. 

III. As cousoantos w. ...... ....<^...> as que a fonologia portuguesa 

admite, tiveram e ou o do encosto. Ex.: hate, cato, ou cate, chito, cá- 
telt, late, moto. Em vocábulos malaios cai normalmente o q final, que 

''" ' ^' ' !dn, calamhâ, champada, bento, pucho. Tam- 

I\'. As consoantes dobradas tornaram-se singulares. Ex.: chaiim, 
béXune, buú areca, aca ou acca. 

V. As i .......... ..^piradas mudaram-se em inaspiradas. Ex.: born- 

gue, bate, Oande, tandini, aúar, gará. O h inicial e medial suprimiu-se 
em regra, e o final, sempre. Ex.: {h)indu, (h)azar, {h)ucá, {h)amal; 
' ■' haihaVJ'' ' ' ' •• - \.jangá^ ' ih. 

• o A ii:. , ^ s), que ; . f. 

Ex.: facharão, faxí, fanjo, figuri, fotoqué; fão. 

VI. As cacuniinais ten tomaram-so, normalmonto. dentais. Ex.: 
chita, moXo] utv"r\" ^ ■•'■>'"" '-"•n'""' V "^ '■'■'■' ■>" '■'•"" -•'■'" -" .•/./#., 
Gate ou Oatte 

\'\l. () d e o l cacuminais tiveram trOs tratamentos : a) do r portu- 
puí^s, !• ' ' r r ■ r ' r' ' h^ d q l 

outro : purvém ou pudvém, morexim ou mordexim ; gueri oa 
j, !,:■>•. o d, antecedido de nasal, ó sempre dental: canúU, cand^, 



* U mesmo proceMo de dar feiçlo portuguesa foi acgui<io no continente coin 

r. -^pfito aos vocábnloo ■■r-*—- V • -'■ ••" -•--.*•■■■■ ■' • ..i..-.. .-.>..»•,...,.■. .1.. 

i|'i.i'' j 1'T língua. 

1 ( >toal peUge- 

iiili..i< ." ■ ■!.!■ •• o «om reprcien- 

UiU.í. U lM«MH'^^. j.;.. - itooilcnte fooAçio. 

E o que e&pliea a gen' certos vocÃbult^ que figuram nesta obra. 

* Op «uropvus prcXtrcm r , ' > luuie» propendi oi a ccnseryar o mu origiliAriu. 



XXVIII INTRODUÇÃO 

VIII. Cha inicial do vocábulos mala])í'irico8 trnnsmuda-so por vezes 
omja. Ex.: \à.ngada, jaoa, ja//m; também \mc(lo. Chi passa a cha. 
Ex.: C\i2ithn, chdireta, charuío (por intermédio do inglês cheroot). 

IX. Recorreu-se amiúde ao suarabacti ou anaptixe de a, e, o, u, 
para substituir o a surdo (quasi mudo) dos idiomas áricos. Ex. : pa<a- 
mar, hattdicar, mordexim, canQquim, mandQvim, manducar. 

X. O a breve medial do concani e marata, que se avizinha mais do 
nosso o breve aberto, transcreveu- se por essa vogal, em conformidade 
com a })rolaç?lo. Ex.: jQno (cone. Jan), moto (cone. math), hòio (cone. 
hhaf), formcío (persa farman, pron. 2^horman no Concão). 

XI. O i e u átonos, seguidos de vogal, ortografam-se e e o, som 
mudança fonética. Ex. :• haneane por baniane, pareá por pariá, chdleá 
por chaliá; bedoim por heduim, catoalia por catualia, goazil (p. us.) 
por guazil. Item u átono preconsonântico : poleá por puliá, modeliar 
por miideliar. 

XII. Identicamente, escreve-se algumas vezes qu o gu por c e g, 
antes de a o o. Ex.: areq[u)a, jaq{ti]a, coq{u)o, mang(u)a, adig{u)ar. 

XIII. Ocorre amiúde nos escritores antigos g por gu, eh por c ou 
h'h, qh por kh, i por j oj por i, s por ss ou ç, u por íj o vice-versa. 
Ex.: qerindão, qémio, inQe, frange ; chorombim (= curumbim), laschari 
(= lascari), machie (= maquie) ; chan, chanchana (= khankhana), cheripo 
(=kherÍ2)0) ; qhatri (^khatri), (\hoxteÍ7^a; laca, \agra, brin\e, doiuco 
= dójlco; agomja = agomia, channju = chanoiu, xaja = xaia; jousis, ca- 
Sapo, basim, damasim, lammane. 

Dao-se várias outras modificações fonéticas, principalmente nas lín- 
guas monossilábicas (que exprimem por frases uma idea simples) ; as 
quais se não podem reduzir a regras gerais, mas que se podem exami- 
nar no corpo do Glossário. 

Convém aqui notar que em algumas edições antigas se suprime a 
cedilha inicial, e algumas palavras vem erradas, por falta de revisão 
cuidada ou falha na cópia. Ex.: Camorivi, Candil, Carapo, Caleti; ata- 
baqiie por atalaque, arimono por norimono, gorsa por gorca, catopa -por 
catapa. 

Em conclusão, podo-se afirmar que houve desde o princípio duas 
correntes: uma erudita, que tendia a guardar a forma típica; outra 
popular, que acomodava as palavras exóticas à índole do idioma pró- 
prio. A primeira circunscreveu-se à investigação etimológica e à termi- 
nologia scientifica ; a segunda, oscilante às vezes, generalizou-se, encor- 
porou-se na língua e produziu algumas variantes, como em cátele o 
bétele. 

Com relação à morfologia, cumpre encarar o género e o número que 
os portugueses deram aos termos de origem asiática, quando os oncor- 
poraram na língua. 

Quanto ao género, a regra que seguiram não foi a de conservar o 



INTHOBUVAO XXII 

ori^^inárío (à oxcopçílo do noutro, que nfto podiam representar), mas a 
de adaptar o vocábulo à gramática nacional. 

1. Consoante esta norma, silo femininos todos os nwin, :^ ^^u^.■ i. uui- 
nam em -a álono. Ex.: a chita (neut.), a ^(/ri^a (masc), a a/a/t^a (nout.), 
a bichara (masc). Exceptuam-se os nomes que denotam o sexo. Ex.: o 
cornara, O ImiKt, O hmnlara, Ojacata, O chua, O halala, O ijanida. 

2. Há muitos substantivos, terminados em a, que sáo indiferente- 
mente masculinos ou femininos. Ex.: o mantra, a mantra; o purana, a 
purana ; O xastra, a xoêtra ; O linga, a linya ; o dacma, a dacma ; O 
jangada (nnin«-gunrda), a jangada ^. Mas O Veda, o gotra. 

3. O» nomes de qualquer outra terminação consideram-so masculi- 
nos. Ex.: o bate (ueut.), O cate (masc), o babaré (masc), ojambulão 

' irai (fera.), O caril (fem.), O cati (fem.), O fenim (fem.), 

u , O ineru (neut.). Exceptuam-se: a funé, a I'mxp. ^ilaulé 

(embarcações) ; a bicuni, a apõ (designações de mulliere:- 

4. Uns poucos substantivos tem um e outro género. Ex.: o cassabé, 
a caêêobé; a mangoHtno (ant.), O jnangostão ; O alitl (ant.), a alia, con- 
formo o soxo ; 08 zaiôii, 38 zaiòs (como em concani) ; o adia, a adia. 

Alguns nomes designativos do sexo tem femininos irregulares. 
Ex.: o fará-, a ,0 chardó, a chardina; O dessai, Sidessaina (do 

cone. deêu(/in). i v ... : cafre, cajra; brâmine, brámina. 

Quanto ao número, igualmente se seguiu a morfoloÊria portuguesa. 
Mas há algumas particularidades a notar : 

1. Um ou outro ' ' líivo tem duas loniuis iio juuiai, (•(huo: hh- 
rião"^ duriõej/, ou </" outo) ; mangostão > mangostòes, ou mangos- 
tdes (Orta, Erédia) ; diuti> diutis, ou diutiÒH (do cone). 

2. Vários nomes concanis, nfto perfeitamente aportuguesados, tomam 
no plural portuguôs a forma do plural indígena. Ex. : bendó, bendé.t 
^'bendú, hrwli'H; ãmbãdó, ãmbãdé = anibaddó, amhaddés, ou, melhor, 
ambaró, ambaréê ; gãvdô, gãrdéê «= gaudó, gaudés; dãlêm, dãUth -■ dalém, 
dilinê ; dãCi, dãlif/ò — dali, daliòa. 

3. Alguns 8ul>stantivos se empregam, em um e outro número, na 
forma do plural vernáculo, juntando-se-lhe no plural o sufixo -h. Iíx.: 

ranã, canranãs; karãò, ' "I, ca- 

■• ,•.,.■'... • ..'^...jHth ^ champim, charn/»'"-' — n"- 

gonfí, angtinâê; hardó, hanU ^ a rare {Orin)- 

i Alguns nomes não se usam no singular, e o seu plural ó for- 
' ase vernácula: íôy, rôyo •» rrtiO«; chiròuti, çhirliulit/õ -^ 



' lato é : houve duas corrcnttts di . Uma ciiigiu-ao à i 
^(i('«a; a outrn guioií-sc pulo g«''nrro dt. .■^^ incluindo o tieutru i. ^ . 

* Estes subsltiiitivo» »^^) comummenti' u.HMdos no plaral; uias ein português nio 
poderiam considerar-sc como tais sem o safixo distintivo. 



5. Ocorre plural do plural do alguns vocábulos, como: boiá, hoiás, 
hoiazes; gará, garás, (jarazes; cancana, cancanas, cancanases (JMmXgííw). 

Quanto a sematologia, era natural quo os portugueses empregassem, 
em regra, os vocábulos no mosmo sentido que os indígenas lhes atri-v 
buíam. As deíiniçõos e as descrições que os autores dão, uma e mais 
vezes, sao, de ordinário, correctas e cabais. Se erram algumas vezes, 
ó por deficiência da informação nas cousas que lhe nllo caíam debaixo 
da vista. 

Houve, sem dúvida, no lapso do tempo, modificações de certos signi- 
ficados primordiais, simultâneas ou sucessivas. Os portugueses altera- 
ram ou ampliaram as atribuições de certos funcionários e oficiais ; mu- 
daram o valor e a matéria de diversas m*oedas ; e introdn/Ir.-nn nutras 
modificações, conservando porém os nomes vernáculos. 

Os autores, não tratando do assunto ex professo (como fez António 
Nunes com moedas, pesos e medidas da Ásia o da Africa Oriental), 
tomam as dições nas mesmas acepções que vogavam na sua época e no 
seu sítio, não podendo, por conseguinte, haver acordo entre todos. Tam- 
bém não dão sempre uma definição compreensiva de todos os casos, 
mas restritiva à matéria que versam. Por exemplo, Fernão Mendes 
atribui à altírna ora uma côr, ora outra ; em uns passos a faz capa dos 
religiosos budistas, em outros, a dos cortesãos do Japão. Figuram umas 
poucas palavras cujo sentido se não completa ou se não determina sem 
outra palavra, subentendida, como caril, que os europeus entendem por 
«arroz, molho e acepipes». No português indiano se diz arroz-carU, 
como em concani. Idêntico facto se deu com opala, que é de origem 
sânscrita, mas por si somente significa «pedra». Também os franceses 
e 08 ingleses dizem cobra em lugar de cohra de capelo. Cf. bengala, 
rota, guno, lascar, leros. 

Figuram vários vocábulos peregrinos em certos livros ou cartas sem 
nenhuma explicação. Os autores julgaram escusado interpretá-los, por 
serem conhecidos dos leitores. 

Pelo que respeita à etimologia, raros são os escritores que, como 
Garcia da Orta, João de Barros, Diogo do Couto, Fr. Jacinto de Deus, 
indicam o étimo exacto. Contentam-se, pela maior parte, com reproduzir 
fielmente a palavra, até com a sua prosódia, que, normalmente, era 
dispensável (como lanchara, patola, pataca, ballâtes, balâlas, dissâva, 
lacsamána), e com indicar o berço ou a pátria. Alguns nem mencionam 
a naturalidade, ou se limitam a declarar «como eles dizem» ou «como 
eles chamam»; o que não implica necessariamente que o termo é cor- 
rente na região de que se trata; vale por «como se diz» (on dit, em 
francês). Outros, como Fernão Mendes Pinto e os missionários, levam 
consigo na bagagem vocábulos de diferentes procedências para toda a 
parte aonde vão. 



INTKODLVAO xxxi 

Isso nflo q (!<>:<> dizor quo raaitos dos nossos indianistas nflo conhe- 
ciam a ■ ' m-na porfoitamento, porque a 

ouviam -_— :. J . . u apurado. Mas iião a podiam 

reproduzir com exactidão pela fonética portuguesa, nem tinham por 
con- socorror-se de ortografias exóticas, que o leitor ordinário 

^"^ ria. 

iito, convõm observar que nos séculos xvi e xvii eram mais 
conhecidos o estavam mais vulgarizados em Portugal do que nos nossos 
tempos ' quo depois caíram em desuso, tais 

como, cc .... ., res e dicionaristas antigos : achar, 

babariy late, baju, catana, caurim (no sentido próprio), bento, guingão, 
canequim, cotonia, cheila, cacha, etc. Os indianistas, aos quais seme- 
lhantes • • ' ^ eram de uso quotidiano, podiam, portanto, disponsar-se 

de os ih r ou do apontar a sua procedência. 



VIII. — Lexícologia luso asiática nos dicionários portugueses 

Atontas as multíplices dificuldades, do fácil intuiçSo, nflo ó de admi- 

~ " ' • •■ ' -• — * — -ito às terras com que man- 

icionais, religiosas e comer- 
ciais, nfto tenha até hoje tido o merecido tratamento nos nossos dicio- 
o nos mais copiosos e modernos. As deficiõncias e 
- -■.- — . liversas espécies. 

I. £m primeiro lugar, há omissilo de centenas de vocábulos, anti- 
gos e actuais, que figuram nos livros e nos periódicos continentais e 
coloniais, como mostra a pr -' 'tra *. 

Bento IVr.'ira. liliitiau. rial, e Morais registam numerosíssi- 
mos vocábulos asiáticos e africanos, muitos dos quais não foram insertos 
nos did' mais compreensivos dos últimos tempos, j)ôsto que in- 
cluam I...... ..os modernos. Não se sabe bem o motivo: se por não 

terem sido notados, so por nfto so acharem justificados, ou se para não 
avolumarem. Em todo caso, é uma falta grave'. 



' Tail »ão, tótoentc d* letra a, o« segointc* : abeari, abolim, achim, açoca, cular, 

a-id'- '■ ■ ■ -- ■ -T. ájfua de }— >' ----- -'- ,i/«nj^, orna- 

uã anehaci, iwa, anjpirft, 

/a, 

. . . . A 

eaurora, avaeart, uvtl^ Avrtta, avildar, c outros, que turio dado* uo 

• Oiuit«m-se, r ' '• ■■ ■•■• • ' 

formão, de tAut* : 

.t<: 

.■•■ * 
corrente na ladin u» «rniiiio do i-iâo d<* 

U...,.\ i;..l.,,. 1 M. 1..-.I,. .la¥Og« 



ixxii INTRODUÇÃO 

Sao registados truncados alguns vocábulos, como : hessi por cáiu- 
-héasi; billis por belichaparo ; adào })or á7'vore da fruta de Adão. 

II. Em segundo lugar, os Icxicógrafos modernos inserem uma quan- 
tidade de termos supérfluos e descabidos, principalmente botânicos, de- 
rivados das línguas das nossas colónias, o até das estrangeiras, somente 
porque os mencionou algum autor, scientífico por erudição ou por igno- 
rância, quando há em português os seus correspondentes, muito usados 
e expressivos. Se fôssemos recolher todos os nomos que os naturais 
da,o à sua íiora e fauna, ou que figuram nas obras botânicas de Garcia 
da Orta, Rheede, Rúnfio, Lopes Mendes, Watt. . . teríamos uma espécie 
de calepino multilingiiístico, e nRo um dicionário da língua portuguesa. 

Nota-se, além disso, redundância de variantes — às vezes meia dúzia 
— dum mesmo vocábulo, sem se discernir se com efeito estiveram em 
uso tais formas, ou provieram de erros do imprensa, dos copistas ou de 
algum autor pouco cuidadoso, ou se são devidos à diversidade da orto- 
grafia antiga *. 

Variantes fonéticas de muitas palavras foram convertidas em vocá- 
bulos semanticamente independentes, como : babaré, babaréu e babaiés 
(evidentemente erro tipográfico); aleia («elefante sem dentes») e aliás 
(«fêmea de elefante»).; Z^<b^o («certa embarcação da costa do Monomo- 
tapa») e lúzio («espécie de embarcação da índia») ; gorgoli («vaso com 
água, em que se imerge o tubo do cachimbo para esfriar o fumo») e 
gurguri («espécie de narguilhé, usado pelos baneanes e mouros da Africa 
Oriental»); majigu ou mangus («animal carnívoro de Ceilão»), manguço 
ou mangusto («animal mamífero e carnívoro da Ásia e da Africa»), wfm- 
goose («espécie de raposa de Moçambique») e mongu («sub-gónero de 
mamíferos quadrúmanos do género máki»); boi/ («criado, serviçal») e 
bóya («portador de machila»)^. 

III. Por um motivo ou outro, figuram nos dicionários vários vocá- 
bulos foneticamente mal representados. Temos, por exemplo, bringe, 
bringue e brinie como três dições diferentes, quando na realidade não há 
senão bringe. A falta de cedilha em Çandil (vid. sadi)^ em um passo de 
João de Barros, produziu um novo termo, designativo duma moeda de 
Ormuz. Por ocorrer no Vergel de Fr. Jacinto de Deus arimono por 
norimono, Bluteau incluíu-o no seu Vocabulário, e os dicionaristas pos- 
teriores, sem mais investigação, • foram-no copiando com o epíteto de 



na índia; caçanar ou catanar, «sacerdote dos cristãos siríacos do Malabar», dos ouais 
tanto falam os nossos indianistas. 

' Jacra,jacre, jogara, jagra, xàgara, lagra (faltou lagra, uauu ^jur x r. ouíw dos 
Santos) ; mangu, mangus, manguço, mangusto, mongu, mongoose, babália, babaliá, babol, 
babul; mordexi, mordexim, mordicim, morexim ; goderim, godorim, godrim, goirim ; cole 
cólí, cooli, culi (faltou cuk; que é mais autorizado). 

2 Também: baty, balim e bantim; canje e canja; feez efen; b/garimebiguairim] 
garajau e gorjau; guazil e gozil. 



INTRODUÇAo xixm 

antigo. Por ter algumas vezes, nos livros antigos, u o som de «, ins- 
creveu-se calvete «m lagar de caluete. A troca tipográfica do uma letra 

oc.s^: ; í; a \ ^ Vi^&o do goling por goting*. 

São ta froqíiontos os erros prosódico», como: lanchara (lan- 

chara, l daimio (daímeóy Cartas de Jajião), arimono, badúr, 

ábadaf betély mirza, cotónia, sanscrito, aarangúi, agár-agár, bàdi, aba- 
riaré, pattern, chudéne, chalé, láule, Jâu ' "n, ambáro (=ambaró), 
couces, cér i= It'll, fedi'a ou fedeia ( 7'í'í/aí anácara, poli 

i-páli). 

Ilá certas palavras, de tal modo desfiguradas, que se nSo podem 
identificar com segurança, por deficiência do significado, como: baty 
(•antiga embaroaçfto indiana»), talvez por bantini; ifol (larvoreta da 
índia Portuguesa»), talvez por tefol ou tirfol; lassacuane por /<M«a- 
mari' ' ' '^'lios \tOT fanões; nanchni, cuma 

das : ,, 

Figuram, alôm disso, várias formas estrangeiradas, como : babirusa 
(wm babirussa), litchi (^^lichia), firman ('^Jotnnão), kouca (=^ucá), rack 
[^araca, urraca), derviche {» daruès), haschiche {= haxixe), cachoobong 
(— cacfiubâo), muUah («»» mula), iman (= tmamo), harém («= arame ou ha- 
rão), cash {^caxa ou caixa). 

Por fim, levam o qualificativo do antigos inúmeros vocábulos, que 
nunca foram usados em Portugal, e nunca cessaram de ser usados nas 
colónias, onde se originaram ; somente porque foram lidos em algum 
livro antigo, sem mais averiguação. Como, por exemplo, xendim, mai- 
nato, macuá, bandel, nele, langotim. 

IV. TambOra nâo faltam algumas incorrecçOes morfológicas, como: 
plural pelo singular : argarises por argaris, caladaris por caladari, cur- 
ca9, ro' s ' s z ■ ' ''5 .isculino pelo r ' ^imai^ 
nata^ ^ , - ^ ■ abariaré ; ; ^ o polo 
substantivo : jacatá. 

V. Quanto à sematologia, us inexactidòis silo por centenas e de 

.te, consignam-se vocábulos com a doclaraçfio de csigni- 
ficaç&o incerta», como andone, bringe, lágima, loia, carajá, passeivâo*. 

A V ' ' ' rto, a in ' ' • dicio- 

nnrista i . - ute da : tal ou 



' visim t«mos ,1 ', (/ por bangaçal, babaié* por bcíbar^4, cktmpo por chiripo, 

'uneão, êondrá por j( ' " r,i por ^'<i jT^o, 
If por mandacar, w .u»»ol»,jogw> 

]■'■: ' tce por guerh(, juncu) por /'cindo, cangur por canga, chamuHÒo pOr ekn 

na<'iv-. • ■• ''■' ' ""' •■'•.i^."'-'i rtiiKi.' 11.11 tu/ii//^ },.i'.ii II, ir },ttilíni niliHtfJn fiof »UIII- 

•o/« naja por 

Mr.; '»• 

joio), laerc, pucho, roçamitii. i-')i. 

o 



xixiv INTRODUÇÃO 

de nao saber depreender o sentido do contexto. Somente as autorida- 
des, quando passara ordens aos subordinados, como os governadores, 
08 feitores, os vedores, nflo interpretam os termos vernáculos que em- 
pregam, por ser inteiramente desnecessário no caso. Pela mesma razão, 
nâo se explicam as pautas aduaneiras. Mas raro 6 o historiador nacional 
que se sirva duma dição peregrina sem indicar mais duma vez o seu 
significado. Acontece, porôm, que certas palavras ocorrem amiúde numa 
mesma obra ; seria então descabido que fossem explicadas em cada 
passo. E o que é algumas vezes obscuro em um autor fica elucidado 
por outros *. 

Um grande número de definições sEo demais genéricas e vagas, as 
quais, por isso, não permitem identificar o significado : «uma árvore da 
índiap ; «um animal da Ásia»; «uma embarcação oriental» ; «um tecido 
que vinha da índia». 

Não liá dúvida que em certas circunstâncias não se pode bem pre- 
cisar ou caracterizar o vocábulo, particularmente com relação a tecidos 
o embarcações antigas. 3.fas muitas vezes a indecisão procede da falta 
de estudo das fontes legítimas. Não é difícil designar o nome botânico 
recorrendo aos livros da especialidade, ou declarar algumas proprieda- 
des características com o auxílio dos autores. Que o vocábulo designa 
«árvore» ou «animal», o próprio contexto do livro o indica; e o dicio- 
narista,. dizendo o mesmo, nada adianta. 

Abundam definições, em especial nos dicionários modernos, que 
são totalmente erradas ou disparatadas. O cego tradicionalismo tem bas- 
tante prejudicado os dicionaristas dos nossos tempos, mais pressurosos, 
assim como a falta da devida orientação induzira em muitas inexactidões 
os antigos^. 



* Eis uma prova : Lê-se na Chronica de D. João III, por Francisco de Andrada 
(i, cap. 40, 1.' ed.), gutedras de cairo. Morais regista gidedras de Coiro e pregunta o 
que significa. Vieira inscreve gntedra e declara que é de «significação incerta» : 
Outro dicionarista nicdtino consigna ^rwíedra como termo antigo e inédito e reputa-o 
sinónimo de polaina. Gaspar Correia, a quem de perto segue Francisco de Andrada, 
Diogo do Couto e outros indianistas lêem gvndra. Gntedra é, portanto, erro tipográ- 
fico. Vid. Candura. 

E outra: Morais insere muxara e limita-se a citar um passo da Déc. IX. Vieira 
diz-nos : «Significação incerta; talvez asylo, abrigo». Outro lexicógrafo afirma que é 
«agasalho, asilo». Mas Simão Botelho interpreta muxara por «tença», e António Bo- 
carro por «soldo» ; e tal é o sentido do termo em árabe, «salário, ordenado». 

2 Eis uma amostra do pano: adão (fruta de Adão) é «árvore da índia Portu- 
guesa»; bandel (porto) é «bairro destinado à habitação dos estrangeiros»; ^^rwião (ar- 
mazém) é «casa tóriea, na índia Portuguesa» ; jagra (açúcar da seiva de palmeira) 
é «açúcar feito do coco, na Ásia»; necodà (arrais) 6 «chefe militar na índia: reimão 
(tigre de Malaca) é «animal que não tem habitação certa» ; talagóia (iguana) é 
«peixe de Dio»; vangana (arrozal regadio) é «planta da índia»; amholim (tecido) é 
«árvore da índia»; baé (senhora) é «mulher cristã de canarim» ; covid (côvado) é «me- 
dida chinesa»; jacatá (rei feudal, no Japão) é «o mesmo que japonês^:, mundaçó 



AlCJunS \ < 'I .1 iiiiiut», III it'll tiiinii ii' iiiMi ' 111'-:» iiii ai^iiiin iHj<iu, SaO I6lt08 

sinónimos, como : Jaca, tfruto do jaqueira ou arvoro de pâo, também 
chamada doriâo»; olla (folha do palmeira), to mesmo que ollaria» (fá- 
brica «1«> loi' ' rro) ; cachari (pilau), to niosmo qoe caril*. 

Certos \ sflo de tal modo definidos, quo so nflo dá indício 

da sua origí^m asiútira, corao:/tt«<? (japonês), tpoquena ombarcaçAo do 
remos» \jangá (malaio), tospécie de embarcação chata, que serve prin- 

■•■'••* -■' • — ■ ortar madeiras»; guimjao (malaio), «tecido fino 

' de sOda»; í<'o/;í6o (japonês), «tapume ou tabique 
móvel. . .» ; .baju (malaio), •casaquinho curto semelhante à roupinha da 
Beira Alta»; ou: «si' chama assim, na provím-ia do Alinho, às roupinhas 
usadas pelas mulla'res»;/orwd!o (persa), «escritura ou carta rial». 

Várias definiç5<>s sâo demasiado restritas, e por isso não abrangem 
todos os significados. Um dicionário diz, referindo-se a Fernão Men- 
des, quo altirna é «nome Índico de uma vestidura sacerdotal da Ásia, a 
qual ó do côr verde e tambôm serve de insígnia declasse». Mas o autor 
narra em outro lagar (cap. 164) : «Havia huma grande soma de Sacer- 
dotes [i " ' listiis] com habir- " ■< e suas altimas de damasco 

roxo*. ' ..:. . _-.;a que a/f<nia é ., do vestidura sacerdotal no 

Oriente». Mas o autor da Peregrinarão tambCm alude à altirna do in- 
trodutor da cOrte de Calaminha o às dos cortesflos do rei de Bungo, no 

I... jt,, 

, lito aos nomos de árvoi --striçílo geográfica provêm dos 

escritores que delas trataram com relaç.=lo a certa zona ; o que nfto quere 
uilo soja mais ampla, ou que a espécie e o seu nomo 
:-- s». 



lie ca- 

. . . »»'e dá 

o nome de djfrílo*; faiuM ifanòt», moeda) é «quiUte»; gued^e (cimento) é «madeira 

fnrtp, i'~- '" - -■■ '■ - ' ' ' '• ' • ' ' ' que 80 mete na Uka 

'iii.'ii'i\' va por cada caaahabi- 

-iir 

tu- 

gneaa; cobrador de rendas, ua Índia*; jono (rédito da mesma) é «terreno forciro, 

•'titrf 'X •-"- •• ■ '••':-• «• -■■■• : »•"— -.:..».. .i-. -nciro) é '<^ - quc 

• 1. : : : morado é 

' i 

Malabar, da raça mui itándegn) r> -«certo direito 

i dicionartata loo qoe havia &o(<m em Satari, e loi^t definiu o termo : «Mrvl- 

'rua 
a» 

.■MI. ■ . . ■ O 

diauati, 



XXXVI , INTRODUÇÃO 

VI. So a fonoloíçia o a sematologia do vocabnlário luso-asiático dei- 
xam tanto a desojar, bom se podo calcular a sorte da sua etimologia. 
E é fácil de explicar : os escritores nHo indicam muitas vozes o berço 
dos vocábulos e, em gerixl, o seu étimo exacto ; os lexicógrafos nílo tem 
conhocimento cabal da nossa literatura colonial e nenhum das línguas 
asiáticas, e, para nilo serem taxados do plagiários ou por se julgarem 
mais sabedores, coartam, ostondom oa alteram os significados dados 
pelos antecessores, mais lidos nas fontes, o assim ocasionam grande de- 
trimento às derivações. 

Em 1.° lugar, há numerosos vocábulos cuja pátria se náo aponta 
absolutamente, ou se designa sob as rubricas «termo asiático», ou «orien- 
tal», ou «indiano» ; como so a Ásia, o Oriente o a índia tivessem uma 
língua só ou meia dúzia, e nfío, centenas dolas. Assim, por desconheci- 
mento da história filológica, passam por europeus termos como andor, 
bailéu, biombo, cassa, catre, jangada, mavaréu, veniaga. Fnné ò «pequena 
embarcação asiática», quando na realidade é «japonesa». G^awtfro é termo 
da «marinha asiática», quando de facto é da «macaísta ou chinesa». 
Xendini é termo asiático», mas nflo o conhecem sonão os concanis e os 
mar atas. 

Em 2." lugar, atribuom-so derivações latinas ou gregas a muitas pa- 
lavras orientais, como se efectivamente tivessem existido na língua tais 
étimos, ou fossem formadas pelos portugueses na localidade com ele- 
mentos europeus. Assim : tufão (árabe ou chinês) vem do gr. tuphon 
(ou antes typhon) ; basim (propriamente bassim ou bacim, do bengali, 
«tecido de algodão de Bengala»), do baixo gr. hombaxion, de bombax; 
veniaga (malaio), do veniagar e este do lat. venum agere (como se ve- 
niagar n3,o fosso derivado do veniaga) ; babaiés (isto é, babares, do con- 
cani), do gr. babazo ; biombo (japonês), do lat. bis-umbo; aripar (malaiala), 
do lat. ripa; datura (sânsc), do lat. datura; lintea («tecido chinês»), do 
lat. linteiaf; manucódio (malaio), do lat. manus -\- cauda (quanto pode 
a etimologia sónica!); nacibo («fado, sina», do árabe), por nascibo, de 
nascer?; bailéu (mal.), de bailar f; batuque (cafreal), do rad. de bater?. 

Em 3.° lugar, derivam-se certos vocábulos, designativos (pelo menos 
originariamente) de objectos asiáticos, doutras línguas europeias, impli- 
cando-se desta maneira que os portugueses os receberam desses idiomas 
«não lhes deram; como: cassa (mal.), do fr. casse; saraça (mal.), do 
cast, zaraza; gudào (mal.), do ingl. go-doum,' bule (mal.), do ingl. bowl; 
jangá (mal.), do cast, jangua ; babaréu (cone), do fr. bavarderie; bões 
(cone.) do ingl. bound; macaréu (guzarate), do fr. macrée; catre (<cá- 
tere<Ccátele, malaiala), do cast, catre; bringe (persa), do germânico, por 
intermédio do brinde (!) ; catana (jap.), do italiano. E para remate, filia-se 
cairo (dravídico) em Cairo, cidade do Egipto ! *. 



^ «En etimologias ay poquissima seguridad, y han hecho dezir muchos disparates 
a hombips doctos». — Faria e Sousa, lAisiada-s ' " ' de Camoens, tom. ii, col. 93. 



INTRODUVAO xxxvu 

asorem-se nos dicionários etimolópricos, sob ama só 

'I, palav aSj atribuindu- 

- .. - .. . V, ... ,>.w v,.._ ... orraila. -^--.i.. . ..<..., .. ,i,...iicaç;lo indiana) 

encabo^-a-se no balão ouropoa ; caixa (moeda asiática) acasala-so com 

eaúeay do lat. capsa ; calão (bilha, na índia) emparoliia-so com calão, 

i'), para so or' ' ' - • uliano) mete-so 

maiius; vai : l) pr«nde-80 ao 

Ut. txtra; chalé (alcaçaria) une-se com chaU, do fr. chalet. 

^ r, manda-so às vezos comparar, para vocábulos porta- 

jjuralelas estrangeiras ; náo se sabe cora certeza o mo- 
;• mera erudiçáo, se para sugerir influôncia estrangeira, ou 
para insinuar, ao contrário, a nacional, mais conforme à verdade. 

'' * ito que os nossos escritores modernos, e particularmente 

08 i tenham sempre em vista que era terminologia antiga da 

Asia meridional nós somos mestres, não discípulos ; exportadores, nfio 
importadores. É ^ov isso que os estrangeiros que pretendem tratar, 
com sciôncia e consciência, de semelhantes assuntos, recorrem, de pre- 
ferencia, às fontes portuguesas: tais como Yule, Burnell, Whitworth, 
Wilson, Watt, Dovic, Bóncio, Piso, Rheede, Rúnfio. 

Na \ ' ' ;, que tem qu(5 fazer chita (neo-árico) com o fr. chite, 
funce (j ^ 1 o fr. fonce, macart^u, (guz.) com o fr. macréef Que ne- 

cessidade há de comparar o cast, charol, para se preferir charão a xa- 
rão, 80 todos os nossos oriefltalistas antigos ortografam, charão, e se 
charol ó, com muita probabilidade, uma variante de charão > charon > 
cfuxrolf Porque ó que se manda comparar murza, que nílo existe, com 
o persa mirza, que também nJo existe senSo na forma riiirzã, ou mirzã, 
e ó o étimo? Que comparação pode haver entre águila (raalaiala), que 
ó apau», e águia, que é «ave»? A mesma que entre um Ovo e um 
espdto *. 

Em 6.° lugar, aponta-se erradamente uma língua oriental ou ameri- 
cana como fonte do vocábulo português, por desconhecimento da sua 
história; como: abada (mal.) do árabe ãbida; ema (mal.) do árabe 
neâma ; andor (malaiala) do persa handul ; catre (malaiala) do porsa 
katel ; A ' ' ' ' " ' ' my nâo 

existe ; ^ , ^ , ■ ; rota 

(mal.) do concani ; peru (ave) «de origem dravidica (talvez do tamul)» ; 
curumhlm í-- nu- iii tiiuita) identiticado com o tupi curamí, com os signi- 

♦' ' lho, uioluque». 

r, os ótimos indicados sAo, do ordinário, incorrectos on 
incort08 na sua forma, n&o se sabendo se n^presentam a fonaçAn origi- 
n.'iria <Mi .1 . ' ' * Nilo Sc ' * ia 

IH-"! ,'■'.>.:■ lar as a. . uo 

^ Ou estraug«irM «í quo confutidiram a noflM átfttUa (Mm lat ttquiln, » trnnslti- 



xxxviii INTRODUÇÃO 

passou na soa transiçJlo ; o quo nRo é de soraonos importlncia em glo- 
tologia. Por exemplo: atahay por atalik (vid. atahaque) * ', charada por 
tçarodó (vid. charodú) ; airjiun por ajíun; ariKjiir. por '(inuj: cliil por chhif ; 
pula por phul (vid. /w/a) ; rontó por roniô. 

Em 8." lugar, desloca-so o significado do divorsos tormos, especial- 
mente de flora o fauna, duma regia.0 para outra ; o que obscurece a sua 
verdadeira pátria e entrava a investigarão da sua origem. E verdade 
que os portugueses uniram a índia, a Africa e a América na sua acção 
civilizadora, e transportaram plantas, animais, trajos o iguarias duma 
parte ])ara outra, ou os seus nomos para os aplicar a olncctos simi- 
lares. Mas o etimologista tem de saber filiá-los. 

So longana ó aplanta sapindácea do Brasil» (';como se pode esperar 
que provenha do cliinOs lonrj-ien f Se benteca é aárvore da Gniné^ ^ como 
se filiará o nomo no malaiala bendi/ckn, «teca branca»? Se pangolim 6 
«mamífero africano» ^ quem irá buscar a sua origem à Malásia? Se 
mongoose è «es})ócie de raposa de Moçambique» ^^ como se há-de ligar 
ao mangus («icnéumon») indiano, domais a mais aparecendo trajado tao 
estravagantomente ? Se mogarim é nome brasileiro de «uma espécie de 
rosa branca, muito aromática» ^ que tem que fazer com o concani mo- 
gar'im e sânsc. mudgara ? Se alná é usado no norte do Brasil, deve ser 
uma especialidade local, e não prendor-se ao árabe al-haluã, que deu 
«alfóloa» no português continental, e outra forma o outro significado no 
asiático. Se arache é epitetado «termo africano» ^ quem pode adivinhar 
que se liga ao singalês ãrachchi, e Nigomho, a que se aludo na abonaçRo, 
é uma província de Ceilão ? 

Se os portugueses levaram da América o ananás, o caju, a goiaba, 
a papaia, a ata, a aaiona, o tabaco, que se vulgarizaram e em parte se 
tornaram espontâneos, não é nas línguas da índia que se há-de procurar 
a origem dos seus nomes, recebidos juntamente com as plantas. Pare- 
Ihamente, não se há-de indagar em tupi ou guarani a etimologia de ha- 
nana, de mogarim, de café, de manga, de ema, de haju, áe jangada, se 
bem que* tenham sua vivenda ou estejam em uso no Brasil^. 

Parece-me que se pode concluir do que fica exposto que a lexicolo- 
gia colonial, tal qual figura nos nossos dicionários mais copiosos e eti- 
mológicos, precisa dum grande varejo, e que a causa fundamental, e ao 
mesmo tempo principal, da maior parte dos defeitos e imperfeições está 
no desconhecimento ou no desprezo das legítimas fontes de estudo, e na 
etimologia empírica, que se estriba inteiramente na horaofonia — critério 



1 A etimologia demonstra que atahaque. eme eu iiHo encoiMtrpi em neuluiin escri- 
tor, está por atalaque. 

2 «A descrição de Phikenet, que a [juia^ laemuica cmn ii América, ueve rejei- 
tar-se como um dos muitos enigmas da literatura de juta, se não se aceitar como 
mais uma das muitas provas da estreita associação da índia e da América realizada 
pelos espanhóis e pelo» portugueses». — Watt, The Commercial Products, p. 411. 



IMKUUL', A"' XXZIZ 

pouco soj^uro e aada scientifico, como está do sobra demonstrado pela 

"• ' ■ ■ --va*. 

reconhecer, com o sisudo Bluteau, que cde toda a 
emproza literária a mais molesta, e embaraçada ho a de hum Vocabulá- 
rio»). ^"^ as faltas o as incorre cçòes 

(como 6-. I ^i"! '!'< """ «" 'i^'> ii'Mfis- 

Biitam e perpetuem. 

IX. — Fontes e dificuldades de estudo 

K óbvio que a cortidílo e os primeiros traços bio;^ráfif03 dos vocá- 
bulos orientais ó no Oriente que, em regra, se devem buscar. Mas, para 
isso, importa primeiro averiguar se de íaeto o termo ó oriental e a que 
regifto do Oriente pertence, e qual foi a derrota que seguiu na sua via- 
gens '^ u 

tanto, que se me afigura indispensável ao estudo da 
lexicologia asiática — e o mesmo se dirá da africana > — ó percorrer com 
paciência as obras de todos os nossos escritores, e as principais dos es- 
trari ' •''"e quo com reconhecida competência trataram das cousas da 
Ai-'.. onal, e colhOr aí os vocábulos exóticos cora a sua definição 

ou descrição e com a sua pátria ou derivaçil<*. 

I' ' " ■ '' ■ " ' ' • coiu mais 

fid» . ^ . "'s malaias 

e japonesas, cujos fonemas pouco ou nada diferem dos portugueses, mas 
os complii'ados alfabetos indianos e as locuçftes dos idiomas monossilá- 
bicos. Alôm disto, interpretam uma e mais vezes as expressóes pere- 
grinas que empregam, e indicam amiúde o seu berço e às vezes a sua 
etimologia. 

'• - ■ ' ■ ■ - ' ' ' ,> o 

eHti^ _ \ . , - jile- 

mento há dificuldades momentosas a superar, as quais demandam muita 
])«'! na invr- i 'nto adequado, pelo menos nos 

SiíUô ... '•■■^ - '"1' ""ias — tarefa árdua que 

senão, iraçflo dos competentes, 

nem sempre íácil de alcanç 

nil ^ , ^ . ' J^' 

ras veses revista pelos aut< ipresenta todos correctamonto orto- 

grafulos, ou por Ci i»iii, ou por ! ■ 's compositores, oa 



' ^ \ elymrtlojfid * nmii ^«^iitnciíi on nnU*» ri^mn àm JM*inncia histórica ; quRod o 
(ti' .'.e« chcgHr a iimí« do 

TC 



XV INTRODUÇÃO 

A falta de uma codilha (Candil), o a de ama vírgula entro duas pala- 
vras (lacre [,]pucho), ou a notaçtlo do i por^' (brinie), ou de ge \)0T (/ue 
(inge, frange), etc., ocasionaram a inserção nos dicionários de vocábulos 
que jamais existiram. O próprio Gonçalves Viana, filólogo tão atilado, 
incluiu nas suas Apostilas, pelo que leu nas correspondências da índia 
publicadas em diários do Lisboa, como vocábulos novos : hompim por 
bongiii, mosteiro por norteiro, naixó por voixó, nandrenine por nanche- 
nim, tio-lio por lio-lio ', 

É de suma conveniência, portanto, o conhecimento das ortografias 
antigas, o confronto de textos paralelos e o auxílio da etimologia, para 
se apurar a forma vocabular e a ortografia correctas e relegar as 
erradas *. 

Ocorre uma quantidade de termos nas pautas aduaneiras aim-;l^ e 
nos sistemas tributários, os quais não se interpretam por serem então 
assaz sabidos no local. Outros há — como coco, areca, hétele, caixa, 
catana, cule, pagode, almadia, parau, jjangaio, manga — que são ambu- 
latórios em toda a periferia da influência portuguesa na Ásia, na Africa 
e até na América. Muitos dos referentes a tecidos e embarcações — 
como bengala, serampuri, hertangil, bofetá; sanguicel, catur, cotacoulão 
— são antiquados ou geográficos, os quais não vem nos dicionários 
vernáculos manuais, compostos ordinariamente para uso de escolas ou 
de missionários, e comummente deficientes. Por último, a identificação 
das dições da China e da Indo-China oferecem maiores obstáculos, atenta 
a índole das suas línguas, e a incorrecção das reedições, que, preten- 
dendo emendar o texto da primordial, por vezes o corrompem '. 



* Lê -se na Década I, ix, 3, da edição de 1628 : «Viue todo o gentio debaixo de 
palmares e areaes que he a fazenda de que viuem». Não duvido que mais de um leitor 
desprevenido tenha julgado que João de Harros escreveu um despropósito, ou que 
eom efeito os gentios do Malabar vivem debaixo dos areais, que fazem parte da sua 
fazenda. Ponha-se porém areca/s em lugar de areais, e tudo se explica perfeitamente. 
Mas 08 tipógrafos conheciam melhor areais que arecais, e julgaram que deviam cor- 
rigir o original. E há numerosos exemplos semelhantes. 

' E a inobservância destes preceitos que tem muito prejudicado os dicionaristas 
modernos, que puseram a sua principal mira em recolher dições ou formas inéditas, 
mas com pouco critério. 

^ Na primeira edição da Peregrinação lemos sempre, uma dúzia de vezes, bada 
ou badus; mas em algumas edições posteriores (por exemplo, na de 1725) substitui-se 
bada por abada, como mais correcto ! Mas a forma abada, que é protética, não vigo- 
rava no tempo de Fernão Mendes, e bem sabia êle que o seu étimo era o malaio 
bada[q\. 

«A monosylaba po (assim nos mais) do onze modos faz onze palavras, que signi- 
ficam ouzo cousas diversas, e é cousa admirável que cada monosylaba, sem alteração 
alguma material, é nome, pronome, substantivo, adverbio, participio, e verbo. . . a 
diversidade porém para significar tantas cousas vem tomada de a pronunciar com 
voz, toada, acento plano, carregado, depresso, levantado ou circumflexo, da voz espi- 
rada ou não espirada [com relação ao chinês]». — Fr. Jacinto de Deus, Vergel (ed. 
de Macau), p. 98. 



INTRODUÇÃO XI t 

Sucede tambôm, nfto raro, quo um dado vocábulo, peregrino om 

ias da mesma 

: _ -„ .,. , ...... , ..io 80 podendo 

precisar, sem demorada pesquisa, de qual doles proveio para a nossa 
língua *. Pode ij^ualmonto acontecer que o que se afigura como étimo 
tenha n- — ^' lide por ótimo a palavra cuja oriír " iTocura, sendo 

facto, <•' nto comprovatio om outra obra \i •() que os por- 

tugueses transportaram diversos termos indígenas duma terra para ou- 
tra. - completamente naturalizados *. 

I . .» linha de conta que vários nomes de dignitários, 

em! ., pesos o medidas de certas regiões nilo pertencem às suas 

resjH'ctiva» línguas, como se poderia inferir dos nossos historiadores, 

1 ' 1 -1* c 1 - ,. . I' - -jto duvidoso se os termos bale 

(ár. uãztr), dados como títulos 
de autoridades, vogavam com efeito na língua indígena do Malabar, ou 

- pelas colónias estrangeiras, ou somente foram 

: ... , — n'ueses por intérpretes árabes e judeus. Quem 

hesitaria em supor que mandarim, nSo provindo do nosso verbo mandar, 
deve ser palavra chinesa? Todavia, a história mostra que os portugueses 

o rr- ' - - ' - ir , tantos outros termos concernentes à 

Chi itulos dravídicos passaram para Pegu e 

para a ^lai crioulo do Macau recebeu um considerável número 

das suas diçòes peculiares, nEo da China, mas de Malaca. Em Timor 
são correntes várias expressões privativas do português de Goa '. 

É claro que o cometimento é laborioso e inçado de estorvos ; mas 
deve-se admitir que é o único processo racional e frutífero. Os lexicó- 
:--'"- - r • • 1 rj^Q^ aprr -' - ' "rio 

lUais 0.\n ;àO 

da sua pátria, ^ilerece especial mençAo Rafael Bluteau, que nfio somente 

ira oriental, entJlo existente e 

,v. ..; termos ali correntes, e manteve 

aqui, em Lisboa e nos arredores, relações, a que alude algumas vezes, 
com os indiá ticos, assim para melhor se inteirar da lexicologia, como 

Vocabulário. 



» l',t ou 

outra, »< . lò- 

rica, o vocábulo típico nio é nu fonética e » -nte idêntico em 

(,,f«,., ..- ,,i; .. ._ ..'..: I...:., ,|,,^,, ,,,„,. j, (o o tnCínv •''■-• 

1 •■ iU 



XLII JA i JÍUJ^UUAO 



X. — Organização do Glossário 

O método quo a(io])tei aa organização do presente Glossário foi o 
seguinto : 

1. Transcnm ])riiiiciru da Injlutintu m) Vocabulário Portuyuês os 
vocábulos quo, por motivos ospociais, tinham sido aí incluídos. 

2. Percorri dopois, uma ou mais vozes, toda a nossa literatura orien- 
tal, antiga e moderna, a que })udo ter acesso, atento o meu estado vale- 
tudinário ; colegi em verbetes do cada vocábulo um ou dois (excepcional- 
mente mais) passos do cada obra em que figuravain, verdadeira ou 
presumidamente, palavras asiáticas (e ao princípio também africanas), o 
assim consegui recolher em primeira mâo um enorme cabedal vocabular. 

Identicamente procedi com respeito às obras dos viajantes, missio- 
nários e tratadistas estrangeiros do maior nomeada: italianos, franceses, 
ingleses, espanhóis, holandeses, latinos. 

3. Passei em seguida a examinar a correcçHo das poucas etimolo- 
gias que eram assinadas por certos escritores, e a investigar as outras, 
assim pelo conhecimento pessoal de algumas línguas, como pelo auxílio 
de dicionários, mais de um do cada uma, e dos glossários, particular- 
mente do do Yule & Burnell. Se o significado se apresentava claro e 
preciso, era alguma língua europeia que mo servia de chav^e. Se o sen- 
tido era obscuro ou extensivo e a forma fácil, como acontecia em ma- 
laio e japonês, recorria imediatamente à língua do berço. 

4. Perlustrei também, quanto vinha ao meu propósito, os dicioná- 
rios nacionais, antigos e modernos mais autorizados e copiosos, bem 
como alguns estrangeiros. Ncão descurei revistas e jornais indianos, 
onde poderia fazer qualquer colheita, nem as correspondências que do 
Oriente vinham para os diários de Lisboa. 

5. Os vocábulos que, em consequência dêsto processo, mo pareceu 
possuírem elementos seguros e suficientes para sua inscriçílo, passei a 
limpo, em separado, com margem para serem aperfeiçoados. Os outros 
ficaram de remissa para ulteriores indagações de significado ou de deri- 
vação. 

6. As repetidas pesquisas foram sucessivamente apurando uma 
considerável quantidade. As consultas aos competentes em casos parti- 
culares, e as listas enviadas a amigos e literatos obsequiosos deram 
algum resultado ou me puseram na pista. O número dos vocábulos 
refractários tornou-se assim muito reduzido. 

Explicado sucintamente o processo de elaboração do Glossário, come- 
çado há meia dúzia de anos, com labor incessante e com os materiais e 
com a preparação derivada do anterior trabalho, eis o seu resultado e a 
sua justificação: 

Foram pescados no mai-e magnum da literatura portuguesa oriental 
milhares de vocábulos, um grande número dos quais não foram até hoje 



INTEODUÇAO 

rGgÍ8t;idos nos dicionários, e qao^ por om motivo ou outro, tom direito 
at' ', E foram i !onte abonados com :<■ 

da 811U a ou do > da sua naturalidade. 

Incluíram-se na obra vozes de origem arábica, quo ponotraram na 
1 da ind; ' ' " • '-,>c- 

: ... . , _ -^ .rem na i .^ . . . , . r- 

monte por outra via. e das quais há tratados proficient(38, nacionais e 
ost; ;ziram-80, com a respectiva ressalva, as quo adquiri- 

ram -ii, :.,,:,., ,,u acepçílo, ou se tornaram m oito vulgarizadas. Algu- 
mas entraram só com o intuito de se lhes apontar a origem sfinscrita. 
Por idêntico motivo foram incluídorx*ortos termos do gíria portuguesa. 

I'' ■■ ' ■ ' -^ nos (li ■ ' ■ M-ao do aasiáti- 

cu?*^ , ;daafou. , ., . , squo puderam 

ser idtMitiíicados e elucidados ou corrigidos. Os outros, cuja procedên- 
cia, forma ou significação nJo era clara ou segura, foram omitidos. 

F ■' •• ■ lalmente muitas das palavras que figuram em alguns 

dos s como usadas pelos indígenas, e nSo pelos portu- 

gueses. For exemplo : Orta refere (Col. de Beire) que o rei Nizamoxá 

o pa- 
r- -- j- „. . . .„..; ....... . ^.:^^és ter- 
mos n.1o so podem considerar portugueses, nem ciri (êireh), que ôle nos 
diz ser nome malaio de betre. Usou-so neste assunto de certa latitude, 

•■ " ■ ■• ' * ~" ■■ '*; a divisória*. 

os e 08 dos povos deles 
derivados, se nflo ofereciam algum iaterêssc espocíal. Tais vocábulos, 

idos, dariam por si só 

: , — «... ^ s silo explicados pelos 

nossos iudianistas, registados por Blutean. e tratJidos com vasta eriídi- 
çflo por Yule«& BnrnoU ao mu Glossári' 

llect''" - - '* ia etimolo^^ia e no cm s- 

tico, a ' is, qu»'. ou devido k iia 



ntftrador (Ic \ quore diser «preparador c 



fill' 



ipos do dia em que os 

ni: li: . 11 rezam a« , fi"r, hácrr, vtatfarrb e êob, qyte 

' M, »ò p4ii\,... .,„.. ... i. ..,.■>« o« emprega pnra explicar m 

V 6 tuntê : «Ditem Oê ParceoA que tree vex<'it bn»tn faxer ora- 

" rh,r 

em ai todoias pa' 

, I- i 13,. ,1.. ...V . . U 

Hl ■ itra antoa «le laii^ar na oauia, • que ulia- 

BiAo Aiti 



XLiv INTKUDuyAO 

OU a Orro de cópia ou de composição, ora obscura ou inexacta ; como : 
Çalete por colete, catapa por catopa, gorca por gorsa, guémio por 
gémio. 

Fixou-se com o conjunto das citações, e tambôm com a intervenção 
da etimologia, a variante fonética mais usnal ou mais correcta, pondo 
de parto as incorrectas, que, aliás, vão indicadas nas mesmas citações. 

Com idônticos recursos se determinou a prosódia e a morfologia de 
várias dições, erradamente representadas nos dicionários, com acentua- 
ção, género e número. 

Com os esclarecimentos fornecidos pelos materiais e pela proveniên- 
cia, formou-se um conceito cabal dos vocábulos, e deu-se uma definição 
possivelmente precisa. Se alguns tecidos e embarcações nâo foram con- 
venientemente caracterizados, foi porque faltaram elementos necessários, 
e nâo por descuido *. Na colisão, preferiu-se uma definição extensiva à 
restritiva, e a designação genérica, nos pesos e medidas variáveis, à 
específica e exclusiva. 

Procurou-se, em regra, evitar longas descrições, enumeração de di- 
versos usos e produtos industriais, e noções históricas dos objectos desi- 
gnados, assim para se não estender o trabalho, primariamente lexicoló- 
gico, já de si volumoso, como para se não privarem as abonações do 
seu interesse, visto que isto se havia de fazer, em grande parte, com o 
sou auxílio e detrimento ^. 

Quando porém houve razão de particular importância, desenvolve- 
rani-se largamente as questões de sematologia, de etimologia, de evolu- 
ção formativa ou de trausmisssão de vocábulos, a fim de se esclarecer 
a matéria complicada ou restabelecer a verdade deturpada'. 

Pôs-se muita diligência em investigar e apurar, à vista da documen- 
tação histórica e prefixação do berço, a etimologia scientífica de cada 
vocábulo, atentas as vantagens práticas na determinação fonética e se- 
mântica *. 

E patente que em semelhantes assuntos nem sempre se pode esperar 
uma derivação corta e incontestável, por vários motivos : obscuridade ou 
indefinidade do significado no texto, indeterminação do berço do rocá- 
bulo, falta de base ou ligação histórica, similaridade de som ou de sen- 



* Algumas definições, desumidas do contexto, nem sempre claro, ou da etimolo- 
gia, nem sempre certa, são susceptíveis de emenda. 

2 Em certas definições e indicações de propriedades e efeitos preferi as dos au- 
tores mais competentes às que eu poderia formular. 

* Vid. abada, amoiico, andor, aznlaque, baju, batnbu, bandel, bramanismo, budismo, 
canga, canja, cátele, catur, casta, caurim, charão, chatim, coco, cor in. cuIp. dóaico, gen- 
gibre, guingão, jangada, macaréu, machíla, pagode, palanquim. 

* «Canons for etymology. 1. Before attempting an etymology, a.secriauí the earl- 
iest form and use of the word ; and observe chronology. 2. Observe history and 
geograjdiy : borrowings are due to actual contact». — Skeat, An Etymological 
Dictionary. 



INTRODUÇÃO XLT 

tido tio palnvTft» diferentes. Tevo-se porém o cuidado de declarar se a 
proreníência «ra somente provável ou duvidosa oa incerta. Por estos 

''fou, merco de novos elementos, algu- 

Jalgou-se, do ordinário, supérfluo explicar a derivaçfto ou a compo- 
sivfto do étimo, expor os seus divtTsos sentidos, ou apontar todas as 
liii;;uas indígenas em que se encontrava um dado vocábulo, quando disto 
nio redundava nonhunia vantagem real. Indicou-se, todavia, o sentido 
literal, Be diferia do dos nossos autores. 

Quando v;"lo conjuntas duas liuguas {peraa-ár. ou árabe-persa) a pri- 
meira denota o étimo e a segunda a origem remota. O mesmo se en- 
tende, algumas vezes, por cone. -mar. ou mar.-conc, mas, em geral, que 
a diçJlo se encontra em ambos os idiomas. Se silo mencionadas paralela- 
mente duas ou mais línguas, é por se nâo poder discernir de qual delas 
proveio o termo. Quando ó indicado o étimo do étimo, nâo se deve 
concluir que o primeiro tem sempre o mesmo sentido, principalmente 
com relaçílo ao sAnscnto. A notaçJlo genérica «neo-árico» ou «draví- 
dico» quere dizer que a dição se encontra em quasi toda a família lin- 
guistica. O étimo sAnscrito de algumas palavras introduzidas em por- 
tuguês não implica que foram imediatamente recebidas daquela língua, 
mas que é corrente ipsis Uteris et sermi em toda a ^roa da influência 
bramAnica *. 

Tomou-se por norma n&o inserir nenhum vocábulo que nilo fosse 
escudado por alguma abonaçAo. pelo menos • ira. E era natural 

que assim se fizesse, visto o trabalho todo \> .- na literatura. Se 

alguns termos sfto arrevesados ou estranhos, o nílo propriamente adap- 
tados pelo autor, sirva o Glonsário de comentário para êlo e de esclare- 

'^ " " * -a o seu leitor. 

t. à primeira vista, excessiva tanta abonaçAo de cada vocá- 
bulo, pois que 08 glossaristas se contentam ordinariamente com poucas 
. Mas a verdade é que se não pode cabalmente conhecer a 
^ ^ ^Táfica e etimológica, os motivos da adopç.lo, a evoluçflo foné- 
tica e semântica, o aso no espaço e no tempo, e outras particularidades 
dos vocábulos, sem copiosa documentação histórica o scicntifica, que 
constitui a sua biografia '. 



t «As derivaçOei doa DOtne< sSo más de acertar nas próprias rcgidesoode naee- 
moa, onde tabeinos Umbem as lingoas : que fari ($ir) nas estranhas onde escaM*- 
mente sabemos htun vocábulo, quanto maia a derívaçlo dcUe". — Garcia da Orta, 

Col. LVItl. 

'* os nos- 'i»a se informs i^temaa 

^«'li; ^ na zona : radoa desse tj - Kmpre» 

gam, por issn, oa tcnnoa sAnscritos na mesma forma quo 6 usada nas Unguas da fa- 
niílin dravtdii- por exemplo: Budào por Hutia («» Buddha), K<wU« por Veda, 

;iU;4tam primAriamento « uso do termo, e só secundAríamcnte a 



txvi , INTRODUÇÃO 

Duas sao as ordens cronológicas de abonaçõos : uma portuguesa, 
que abrange as obras originais ou traduzidas ; a segunda encerra indis- 
tintamente 08 livros escritos em qualquer língua estrangeira, ainda que 
alguns autores sejam portugueses. Julgou-se conveniente copiar as cita- 
ções tais quais se acham nas suas fontes, guardando-se até a mesma 
ortografia antiga *. 

As abonaí;ões estrangeiras tem mais do uma utilidade : consignam 
certos» termos que se nao depararam na literatura nacional impressa ; 
corroboram ou desenvolvem as nacionais ; denotam a importância, a ne- 
cessidade ou a conveniência dos respectivos vocábulos ; declaram ou 
insinuam a fonte donde os receberam ; patenteiam a superioridade dos 
nossos escritores no sou tratamento ; mostram a evolução fonética e 
semântica por que certas palavras orientais passaram na respectiva 
língua antes de assumir a actual forma ou significação. É inegável que 
tudo isso é de subido valor para a filologia e para a influência por- 
tuguesa. 

Aconteceu porém mais de uma vez que, não tendo tomado aponta- 
mento de palavras asiáticas que figuravam em livros estrangeiros, por 
nao as ter encontrado nos nacionais, quando depois se me depararam já 
não podia tornar a lê-los. O mesmo se deu com alguma dição, que me 
nao pareceu suficientemente aportuguesada, mas que vi posteriormente 
mencionada por outros escritores ou registada nos dicionários. 

Prosseguindo na leitura da literatura nacional e estrangeira, concer- 
nente h lexicologia colonial, colhi novos vocábulos ou novas abonações 
de particular merecimento, os quais se nao puderam intercalar no corpo 
da obra, por estar já impressa a parte correspondente. Ficam, portanto, 
reservados para o Suplemento, juntamente com os termos obscuros ou de 
somenos importância. Notar-se hao aí quaisquer incorrecções de monta 
que haja no Glossário e se conheçam até então ^. 



importância do autor. As citações dos periódicos visam principalniente à actuali- 
dade e à popularidade do vocábulo. 

1 E bem possível que algumas citações niío se conformem totalmente com os 
originais, devido a reiteradas cópias e à ausência do texto no acto de revisão. Algu- 
mas das abonações seguem a cronologiív dos sucessos, como as de Fernão Mendes 
Pinto e Gaspar Correia. Foram encurtados os títulos compridos de certas obras cita- 
das, 03 quais se podem ver na Bibliografia. Quanto aos autores, foram ordinaria- 
mente dados os nomes primeiro e último ; com relação a certos, preferiram-se os dois 
últimos apelidos, pelos quais são mais conhecidos. 

2 Identicamente procederam Yule & Burnell no seu monumental Glossário, que 
me serviu de modelo e de que muito me utilizei. Em português nào há nenhuma 
obra semelhíiute. O Glossário do Cardeal Saraiva, além de ser muito limitado, pouco 
valor scientífico tem quanto à lexicologia asiática. (Vid. Gonçalves Viana e alcxico- 
logia portuguesa de origem asiáiico-africana, pelo autor). Gonçalves Viana incluiu, 
nas suas Apostilai e Palestras Filolnjicas, grande número de termos coloniais, não 
registados nos dicionários portugueses, apontou os étimos de muitos, e emendou a 
prosódia, a scmatologia e a etimologia de vários outros. Cândido de Figueiredo 



INTRODUÇÃO itTir 

XI. — Noções das línguas orientais e da sua influência 
na portuguesa 

Na Introdoçflo ji Influência do Vocabulário Português traton-se lar- 
gamente das línguas da Ásia meridional na generalidade e sucintamente 
de cada ama delas em particular, bem como dos motivos especiais por 
que a língua portuguesa exerceu nelas a sua iníluOncia directa ou indi- 
recta. TambGm foi apenso um mapa lingúístico-goográfico. 

Para so nilo repetir o que já está desenvolvido, direi aqui tilo somente 
o qno do piTto ^ ' «na com o prosente trabalho. 

As línguas :i. ^ que subrainistraram termos à portuguesa sJlo : 

1 >a família árica, ramo indo-árico : concani, marata, guzarate, 
iitndustani, bengali o singulPs. — Ramo eránico : persa moderno. 

2. Família drav'f'' nlaiala, tamul, canarês, túln o telúgn. 

3. Da família ii.. -a, ramo tibeto-birniânico : birmanês e tibe- 
tano. — Hamo mon khmer : cambojano. — Ramo siamo-chinês : siamõs, 
anamita, tonquin&s. 

4. Da família nialaiopolinósí-i • tn.-ilí.in ÍMv.nr« toti, n (ril/.i; — as 
doas últimas sfto línguas de Tim< 

5. Da família semítica: árabe oriental. 

6. ChinPs. 

7. J;i{K)nê8. 

8. Línguas da Africa Oriental, restritamente ♦. 

A ca entre o número dos idiomas asiáticos, que roco- 

bera:.. , ^ , . tuguesas, e o dos que deram, explica-se pela influôn- 

cia mediata qoe a nossa língua exerceu em muitos dCles, como panjabi, 
sindi, nepali, assamos; sundanês, madures, macaçarôs, nicobarês. Era 

natural que os ' -' loses tomassem certo ' '' * to dos 

povos rom qiii< ' i, como molucanos, > ; mas 

como tais palavras se encontram em malaio, o Oste era língua franca 

é de presumir que dfde se servissem nas suas relaçOoe 

Eni , -, é proporcionalmente recíproca a inflnôncia. Quanto 

mais influiu a língua ])ort«igue8a no vocabulário duma dada língua asiá- 

a fl- 

■ • :i\ 

oa Norto, no Onzarate, em CoilAo, no Arquipélago Malaio e, religiosa* 
meute, no JnpfVo; do que dflo testemunho os vocabulários dos respectivos 



B''im .'int ir, 

tua!" 

n.i India c cuU tnomlêticia 
nXo 6 notória, como machtUi, pangaio, hattiqme, mantió, cchtthm 



XLvai INTRODUÇÃO 

idiomas. Inversamente, também é dOsses idiomas que lho proveio maior 
8oma de vocábulos. 

Goa, Damão, Dio, Macau o Timor, por sorem as actuais colónias 
portuguesas no Oriento, a influência das suas línguas indígenas ou dos 
seus crioulos ó contínua o ininterrupta ; a das outras regiões ó unica- 
mente histórica, excepto a zona do Padroado Português, onde o clero 
nacional continua a entremear na sua linguagem falada e na sua cor- 
respondência diçõos vernáculas. 

O persa esteve em grande voga na índia no período da dominação 
maometana : ora a língua da corte o dos tribunais, oficial e literária. Os 
tratados dos portugueses com os potentados muçulmanos eram exarados 
em português e em persa*. Numerosos termos persianos, em particular 
administrativos, infiltraram-se "necessariamente nos idiomas vernáculos, 
inclusive dravídicos, e em indo-inglês. Era, portanto, natural que mui- 
tíssimos vocábulos dessa procedência se introduzissem directa ou indi- 
rectamente na língua portuguesa. Mas nâo^Lhe comunicou senão pou- 
quíssimos, posto que seia de supor que mais alguns vogassem em certas 
partes, como em Ormuz, Congo, Comerão. 

O árabe ó a língua sagrada dos islamitas da índia, onde há escolas 
para seu ensino. Os portugueses estiveram em contacto com os árabes 
em algumas regiões ; a sua língua era ao princípio o meio de comunica- 
ção daqueles com os indígenas da índia. O persa moderno está exten- 
samente eivado de vocábulos árabes, não há nenhuma palavra dessa 
origem que não tenha ou não possa ter cabimento no seu vocabulário. 
Explica-se, portanto, analogamente, a introdução, mediata ou imediata, 
no português oriental de várias dições da língua semítica. Mas não 
houve troca documentada. 

A civilização chinesa impressionou vivamente os portugueses por sua 
novidade e singularidade. Os nossos escritores, como Fernão Mendes, 
Castanheda, Barros, Orta, Frei Gaspar, Padre Lucena, Padre Semedo, 
Frei Jacinto, tecem grandes elogios à sua administração pública, letras, 
artes, indústria, flora 2. A descrição destas, com menção de nomes ver- 



1 • Concluídos estes capítulos se passarão dous estromentos em Parseo e Portu- 
guês, hum para darem ao Embaixador, e outro pêra ficar em estado. . . Deste jura- 
mento se fizerão dous autos em Parseo e Português». — Diogo do Couto, Déc. V, i, 9. 

2 «Hum escrauo Chij que comprei pêra interpretação destas cousas sabia tam- 
bém leer e escreuer nossa linguagem, e era grande contador de algarismos». — 
Déo. I, IX, 2. 

«São os Chins homens muy sutis em comprar e vender, e em officios mecânicos; 
6 em letras não dam vantagem a alguns outros, porque tem leis escritas, conformes 
ao direito comum, e outras muito justas. . . damse lá gráos e muytas honrras aos 
letrados, e elles sam os que governão o rei e a terra. Nas pinturas que fazem vem 
pintadas cátedras, e homens que estão lendo, e ouvintes que estão ouvindo ; quanto 
mais que, pêra vos convencer seu gram saber, abasta que a arte de emprimir sempre 
foi lá usada, e nam ha em memoria de homens acerca deles, quem a enventou». — 
Garcia da Orta, Col. xvii. 



JNTUODUVAO uix 

nácolos, importou p.i. ssa lingua nma notável quantidade^ de ter- 

mos chineses. A nossa colónia de Macau tambôm concorrea bastante 

'■ -!.. por ^ ' ' • .^ 

como p' 
portuguesas recebeu ; como : padre, papa, mista, leilão, pipa, 
e, talvez, pdo c dado. 
. .. ....v...uente, as línguas da Indo-China dera... ,......- v. .^ » vuiitin- 

■'-•, polo menos literariamente, do que receberam da portuguesa, a 
ir pelos seus dicionários '. 

' ' ' " ' loio (ie li\T0s, novas; 

V lá pelos autores ant .. 

mas não tantas quantas os desconhecedores da nossa literatura oriental 
V O principal órgilo transmissor é o inglôs, nio como se pro- 



X I ] . ^ Alfabetos e transcrições * 

£ a^ra ponto aBSt>nto entre os sanscritólogos, após as investigações 

do Dr. BQhler, que a escrita era conhecida na índia no 

^ -^ de Cristo, posto que nâo fosse então, nem muito tempo 

ia para fins literários. É de origem semítica do tipo 

t enicio, semelhante ao da estala moabita, introduzida por mercadores por 

Os ni " 'OS documentos que possuímos sâo 

. , -íi do inij , . Açoca (século in aiitrs tie rr!sf(»V 

que já apresentam numerosos cambiantes gráficos 

lo, a sistematização e a íidaptaçflo dos caracteres 8»"mi- 

I . :,,!,, ^rico deram em resultado, no 8i''culo v da era 

ido pelo nome do 6rã/(//íí («relativo a Brahmái), 

o qual i>ode considerar- se como o verdadeiro alfabeto nacional da Índia. 



7ari («urbano») oa devanãf/arl («da cidade de Deus»), no 

' )s os m "s lit»»rários da língua 



,....s,. ., 



1'ara me restringir às línguas que figuram no presente trabalho, se- 

i Entre m eríâtÍA« ««UiTain em uAo outrora muitos termo* poriufrueaet, e é po*> 

.i«i, JA eram coi Nia XYi e ivii. 

- Li-> " '-- ''—\ immgatoi. 

pijama {j U^»,/i9'«' 

* Vid. Lijiucnctu, j;p. UiXl'ULlMi. 

o 



L . INTRODUÇÃO 

gaora o alfabeto devanagárico, alôm do sâascrito, o hiudi, © hindastani 
(conjuntamente com o árabe-persiano), o marata, o concani (em parte) 
e o guzarate, com pequenas variantes. O bengali, o singalôs, o telúgu, 
o canarôs com o túlu, c o inalaiula tom próprios, que diferem do deva- 
nágari grálicamente, e nâo fonética ou metodicamente. Muitos dOstes 
idiomas, porôm, nao usara no vocabulário vernáculo de todos os fonemas 
do devanágari, e algumas há que tem um ou outro fonema especial ou 
fonemas e letras a mais. 

Entre as línguas dravídicas só o alfabeto do tamul difere considera- 
velmente do nagárico, assim por falta de muitas letras, como pelo acres- 
centamento de algumas consoantes, e mais polo om])rôgo de certas con- 
soantes para representar dois ou três fonemas. 

Serve-se do alfabeto árabe-persiano, alôm do hindustani, o malaio *. 
O birmanês, o tibetano, o cambojano, o javanês, tem alfabetos pe- 
culiares, derivados primitivamente do Índico, mas ao presente muito 
modificados. 

O chinês, o anamita e tonquinês e o japonês empregam idiógrafos 
chineses. A vista das diíiculdados que oferece o conhecimento desses 
caracteres, os missionários católicos do Anão inventaram um esmerado 
sistema de transcrição em alfabeto romano, denominado quôc ngu, para 
representar fielmente todos os sons e tonalidades do idioma. Este sis- 
tema é igualmente seguido pelos filólogos e, segundo Lajonquière, pelos 
próprios indígenas da Cochinchiua 2. 

O chinês não tem um sistema de transcrição comummente seguido 
pelos sinólogos. Além disso, um mesmo idiógrafo é diferentemente 
enunciado conforme as províncias e conforme a linguagem é mandarina 
ou vulgar. Não há, portanto, perfeita uniformidade na reprodução das 
dições chinesas em alfabeto romano. No Glossário tem-se seguido, em 
regra, o dialecto de Pequim, que representa a língua literária, e o de 
Cantão, mais conhecido dos nossos escritores. 

O Congresso dos Orientalistas, realizado em Genebra em 1894, adop- 
tou, quanto ao devanágari, um sistema uniforme de transcrição, que 
desde então tem sido geralmente seguido pelos sanscritólogos. O mesmo 
pode e convêm aproveitar-se para a transcrição dos outros alfabetos que 
tem idêntica origem, com notação peculiar, facilmente inteligível, das 
letras privativas. Importa, portanto, conhecer a transcrição dos alfa- 
betos devanagárico, tamul e árabe-persiano. 



1 O baixo malaio, mais dilatado, escreve-se comummente em caracteres romanos. 
* Por falta de tipos especiais omito ura ou outro sinal diacrítico nos étimos 
dessa origem. 



Vogais : 



INTRODUV'AO 



Transcrição do alfabeto devanagárico 



7 f, ^ at, vi Oy it au. 



Guturais: 


Wi ka 


Í5r kha 


ÍT ga 


^ gha 


T tia 


Palatais: 


^ ca 


^ cha 


!T Jíí 


^ JAa 


õí fia 


Cacumioais: 


7 ta 


T flni 


1 da 


Ç dAa 


nr na 


Dentais : 


ri r.. 


j, 


\ da 


^ íZAa 


•T na 


Labiais : 


^ pa 


'K phn 


^ 6a 


H 6Ãa 


T ma 


Seraivogais: 


^ >/': 


4 


Fr /a 


^ va 




Sibilantes • 


^ ça (palatal), ^ sa 


(cacuminal), H ga (dental). 


Aspirante: 


^ ha-, 


anusuara * m; 

OBSERVAÇÕES 


visarga 

1 


: A. 





I. .1 soa como a vogal neutra ou o a pequeno. Em conoani o em 
bengali aproxima-se do ô breve aberto. A, i, u, r, /, silo breves («- ã, », 
ú, r, /); õ, i, u, f sâo longos. As vogais r, f, l s.lo privativas de 
. — •;. ..!..,. -." — "fitos. E e O sSo ditongos em sânscrito (originariamente 

• tais, longos e fechados (— í, ô). 

I I . Nas línguas dravídicas e em algumas das neo-áricas « e o s&o 
breves e longos. O ' '" " igo (— íp), breve e 

lougo, muito palatiz:. , : in « e í ou, melhor, 

em f« o «. O concaní tem eco abertos e fechados ; diatingo*o8, se 

irio, por é e 6, quando abertos e tónicos, e por # e ô, sendo 
iii<i:i. As línguas dravídicas finalizam muitas palavras um u muito 
. vo, de apoio, o qual se costuma notar por '/ ou u. Os gramá- 
ticos d&o-lhe, conforme CaldwoU, um quarto da quantidade de vogal 
longa. 

III. Muitas das línguas neo-árícas nfio pronunciam o a brove final 
•> fr {iirtitemente nem o medial, posto que escrovam a consoante inteira 
(s. Ill .1 vir'!,:,'i <u:iu) se o tivesse inerente. Assim, oscrove-se (l*l rânia, 
mat» lê-se ram'. N« htes casos, omito o a na transcriçSo. 

IV. Os idiomas dravidicos e muitos dos neo-áricos tem o fonema, 
bem como a letra "30 la cacuminal, que em sAnscrito somente figura na 
aecrita v/'idica. 

V. O concani, o marata e o telúgu t(*m duas letras com dois fone- 
mas cada amo, sem distiuç&o gráfica : o normal (antes de e, t o y) ck 
explosivo (como o italiano c autes de c o «) ,e tç ou U, quasi eqiivalente 



Lii , INTRODUÇÃO 

ao do zz om italiano ; j oxploBivo (como em inp;lCs) e 2 (ou dz) *. Dis- 
tingo-os na transcrição. 

VI. Por motivos ponderosos o especiais, faço as seguintes altera- 
ções na transcrição acima dada: eh, chh por c, eh; x (palatal) por ç 
(excepto om sfinscrito) e por s (excepto em sânscrito). 

VII. Em todas as línguas áricas o acento recai na última sílaba, 
se fôr longa, ou na penúltima, longa ou breve, se a última fôr breve. 
Em singulOs porOm o acento podo protrair-se à antepenúltima, ainda que 
seja breve, como annàsiya, «ananás»*. 



Transcrição do alfabeto tamui 



M' 


a 


a 


e 









k 





t 


çO 


l 


s 


ã 


a 


ê 









n 





n 




611 


V 


ã 


i 


9 












eh 


ú 


P 





l (ou Z) 


^ 


l 


9 


Õ 






é 


ri 





m 




ar 


l 


Q- 


u 


S 


ai 


(ou 


ei) 





t 


UJ 


y 


P 


V 


PCYT 


u 


9íYr 


au 









n 


• 


r 





n 



Letras para fonemas sânscritos: ^ sh, q\) s, 6d h, o°o h. 

OBSERVAÇÕES 

I. Este alfabeto dravídico é também silábico ; o ponto ou o círculo 
por cima da consoante, equivalente ao sânscrito virãma, indica a ausência 
do a breve inerente. 

II. Çk tamul nilo tem fonemas aspirados, nem letras especiais para 
consoantes brandas ; um mesmo carácter servo para representar ambos 
os fonemas. 

III. K, eh, t, t, p, sendo mediais e simples, isto é, não geminados, 
soam g,j (pouco usado em palavras vernáculas), d, d, h. Ch inicial, e 
mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em a? ou o sânscrito 
ç ou ^; e também se emprega para representar a sibilante dental 8. 
Transcrevo ch, j e s, mas nao x, que nâo é vulgar. O d intervocálico 
do tamul e do malaiala é muito brando, como o th inglês em than, that. 
Nao o distingo do d simples, nem o faz Caldwell. Em vocábulos pere- 
grinos figuram sonoras iniciais. 



' Beames denomina ta e dz «palatais não- assimiladas «. 

* As palavras esdrúxulas singalesas tem o acento na 4.' sílaba, incluindo o sufixo 
(separável) -ya ou -va: kámaraya = câmara, púhiruva = púcaro, viduruva = vidro. 
' Vid. Caldwell, op. cit.; Percival, Tamil-English Dictionary. 



INTRODUÇÃO MU 

I\'. A regra tamálica de sonoras mediais é ignalmento observada 
no malaiala, mas com letras distintas, excepto A* medial, que sOa^ muito 
fraco, quasi como A, e transcreve-so por um sinal especial, que ou 
omito. 

As consoantes peculiares sao /, r, n. A primeira, que existo 
ate no mal.iiala, cpronuncia-se diferentemente em diferentes d ia- 
;..iw... , diz Caldwell. Conforme Osto autor, o seu som normal asseme- 
Iha-se ao do r inglCs em farm, mais líquido e pospalatal. Segundo Per- 
cival, é uma mistura de r, / e do francas J. O telúgo substitui-o por d 
caturainal, e o canar* ' iiminal. 

VI. Or duro, I ' usado em tamnl-malaiala, tem o som 
médio entre as cacuminais d e h como no inglês crack. 

VII. O n, última letra do alfabeto, nao se diferença foneticamente 
de u dental ; nâo tem, por isso, notação discriminativa. 

VIII. Algumas das vogais tem cambiantes particulares ante certas 
consoantes, que acho desnecessário descrever. O ditongo ai é de pouca 
ocorrôncia, e pronuneia-se comummente ei. 

IX. As línguas dravidicas nâo possuem palavras de sílaba tónica, 
com a elevação da voz ; enunciam-se na mesma toada, distinguindo-se 
sílabas lonj:^as, breves e brevíssimas. Mas do ordinário profere-se com 
mais ênfase a primeira sílaba, qn ' '■ •' ^vnse do vocábulo. 



Transcrição do alfabeto árabe persa-híndustaní 

•te.) 



^ eh 


j 


dh 


er *'' 


t 3^ 


( 


m 


ZJ 






J^ ' 


^ f 





n 


z'' 






u- ^^^ 


ó ^ 


9 


// 


z • 






^ t 


^<' k 


J 


V (tr) 


J '/ 


1 


zh 

OKSI- 1 


kVACnKS 









I. Muaa.s das U-tras dada» ttiu diversas fornias, quando i: 
mediais e fínais. NAo as reproduzo por nflo intiuínnn na transr:... 

II. As letras th, h, f, » (^), f, z, ', q, são peculiares ao árabe. Kh, 
dh, z, fjhy silo comuns ao árabe e ao persa. A letra th 6 piK;uliar ao 
persa. P, rh "lO comun? ■ r^a e ao hindustani. As cacuminais 
^ d, r, silo s ao hii 



' Vid. Doucao ForU'ii, A Oranmuur <^ iMe Himhutaai ija»gw»gf; David Lopea. 
Tmtoê df Aljamim Portuguria. 



nv INTRODUÇÃO 

III. Algumas das letras arábicas tem som diferente em persa e hin- 
dustaui, como: th = 8; dh = z; ç? = hindust. z; t, 2 = hindQSt. t, z. 

IV. O referido Congresso dos Oriuntalistas tambôm fixou a transcri- 
ção do alfabeto arábico, que ou sigo, proferindo as variantes optativas. 
Mas substituo d por z, para e%'itar a confusão com o á do hindustani, e 
w por V, ou u, para manter a harmonia com a transcrição do alfabeto 
devanagáiico *. 

V. Sendo alguns étimos arábicos reproduzidos das transcrições an- 
tigas, devem naturalmente diferir às vezes da transcrição aprovada. 
Também as vogais breves árabe-persianas, bem como as semivogais v e 
y, sao amiúde proferidas diversamente em diferentes regiões, e por con- 
seguinte, diversamente transcritas. 

VI. O malaio nflo emprega no vocabulário vernáculo as seguintes 
letras arábicas : th, li, kh, z, sh, s, d, U z, ', gh, f; e tem a mais as 
seguintes : eh, ng, p, g, tI ou n?/. 

Vn. Os autores holandeses, conformando-se com a índole da sua 
língua, transcrevem por tj, dj, nj, as letras eh, j, n do malaio e das 
outras línguas do Arquipélago, as quais se pronunciam exactamente 
como em dovanágari. 



1 Na transcrição portuguesa, v ou lo é tradicioiíalmeute representado por u, de 
que mais se aproxima, e sh por x, que lhe corresponde. O sh doutras línguas tem 
igualmente o mesmo valor. 



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jap 


japonês 


ant 


antigo 




jav 


javanês 


fir 


árabe 




lat. 


latim 


Ueuj;. 


bengali 




Lib. 


Lih^ 


birin. 


bimiauês 




lit. 


!ite 


IM. S G. L. 


IíoIHíth da 


Sociedade de 


loc. eit. 






Geografia 


de Lisboa 


m. 


masculino 




botânico 




mais us. 


mais usado 


hr...- 


brasileiro 




mal. 


malaio 


cauib. 


cam'' 




mar. 


inarata 


can. 


canai 




Nat. 


Naturali* 


«•a>t 


castelhano 




op. rit. 


optrt citato 


chtu. 


chioê« 




P. 


Padre 


CkroH. 


Chrotdea 




P 


página 


r( 


l'"nfer 




pi. 


plural 


r,.i 


• oluna 




port. 


português 


• ■'■iir 


coucaoi 




pron. 


prunuucia-se 




corruçâo 




!i lis 


IK>ncfi usadu 




desusado 






quod vide: 


I'tai 


Dial 




8. 


substantivo 


Diee. 


Di, 




, sApsc. 


Sanscrit' > 


D*K. 


Do. 




segs 


seguintes 


fIravM. 


dra\i_;.. 




siaiii. 


siamês 




cdiflo 




sing 
Siippl. 


singalês 

singular 
Supp!enieut4) 


>ii; 


>iK*>rtitiamcnte 


S. V. 


«1//» IWf 


\\ 


t"..li- 




tibrt. 


tibetano 


t T ! • M n 1 


francês 






verbo transitivo 


ÍÍ' 


grego 






Vid< 


giu 


(Tiizaratc 






frrniê 




'11 

lli 




• 


íikIíos <J 

* «'stú r> 


/^,,, 


íhttUm 






náríos 


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lilrm 




». 


indica a . <|<i>>.ii' i»^.. 




indo-francéa 






forma ou do sentido 


iiiU" iiJ^ 


> -inglês 




< 


indica o •' ' 


ingi 


,.•* 




> 


indica a p 



GLOSSÁRIO 
LUSO-ASI-A.TICO 



ABAT 4 (s. m.). É o nome que os 
adoptaram nas Filipinas 



Lin a outras línguas europeias, 

.... designar uma espécie do bana- 

•ira. Musa textiltH, Neos, e a sua 

" i-se o t* r 'to de Dili, 

: no m\ iio de Bor- 

.... ■■iOm conhecida por 

' de Manila», encontra-»e 

- parte.s ' ^' 'Asia, e ató 

>. Os \i(n. introduzi- 

i;i em 185<) uu norte da penin- 

. ulcânica de Celebes. Pigafetta 

'■ ! faz-lhe alus&o sem a nomear, 

' ■" ' ' '' '» modo de 

- das suas 

o Das 

'^' •'^- 
•rtaçâo. 



J. — .E «■- 

S. <■ usitri 

y. e Jianf 
'iialva, e 

8. . . A import. 



ia 



UUt 



M fiia- 

iT». — 

se dedirnn ]«• 

•- •-'•- .!« 

lie 

^ê 
II- 
.: ti- 
lt I-W- 



1860. — «Here the roots of the broad- 
leafed wild plaintain (Musa tfxtilis) pe- 
netrate the soil amoDg the broken rocks». 
— Emerson Teunent, Ceylon, i, p. 88. 

1886. — «L'abaoa, on chanvre de Ma- 
nille, ♦■■■"'•>;♦ viie très-belle matière blan- 
che, - ; brillante; le filament de 
jute I... .....^.le à fniviilior». — Littré, 

Suppí^mfut. 

ABADA, BADA (auiis correcto, mas 
auti«iuado ; s. f.). Kiuoeeroute ; ponta 
dOsse animal, da qual se fabricam 
diversos artefactos. Do mal. bãdaq, 
com eliminaçilo do q, quasi impercep- 
tível, e prótese de a. Castelhano 
bada, ingl. e fr. abada. 

Dois termos peregrinos emprega- 
ram os nossos escritores antigos, 
que trataram das cousas do Oriente, 
I ' ' .r um paquiderme, des- 

r .'lo na Europa: bada ou 

ahada e ganda. O segundo teve uso 
muito restrito e duraçfto breve. O 
primeiro, porôm, expandiu-se aotá- 

' ' . e 

.s, 
mt;uu8 nas ubra:» du seus via- 
j.-..: 3 e homens de sciCncia. 

Tem-se ultimamente sascitado nu- 

lo dife- 

sema- 
tulogia, li :o- 

logia da j , ou 

nftú apareceriam oa facilmente se 
p ' ■• nm se fossem consultada* 
ins fofit»»s do estudo, que 

/, ^ ' íl- 

tal. 

Priíu. II .uu- ui- . i. wi-».' duWdado 
do si^rniHcado do vocábulo. Mas os 

„ ■ • • • - ru- 

ía- 



ABADA, BADA 



ABADA, BADA 



imel Godinho de Eródia, Faria y 
Sousa e outros, dizem uurmimemente 
que abada 6 sinónimo de «rinoce- 
ronte». O mesmo declaram autores 
estrangeiros, como Linschoten, Car- 
lotti, Cocks, 13óncio. Estflo de acordo 
lexicògrafos nacionais, como Agosti- 
tinho Barbosa, Bento Pereira, Mo- 
rais, Constâncio, Adolfo Coelho, João 
de Deus, Cândido de Figueiredo (na 
1.* ediçclo *), e os dicionários da Aca- 
demia e Contemporâneo, llafael Blu- 
teau, a quem seguem Vieira e La- 
cerda, é o primeiro, que eu saiba, a 
contestar a identidade e a latinizar 
a palavra portuguesa «por nflo haver 
nome próprio latino». Diz êle que 
abada ó «fera da Africa nas terras 
de Benguella ou nas terras de So- 
fala». 

Tem-se também opinado que abada 
6 tam somente o nome da «fêmea do 
rinoceronte». Tal restrição, porem, 
é inadmissível: os nossos historiado- 
res nâo a autorizam, nem os dicio- 
naristas a consignam. Entre as au- 
toridades estrangeiras, citadas no 
Glossário Anglo-Indiano, não se vêem 
mais que duas que limitem o sentido 
à fêmea, por confusão do género 
gramatical com o sexo: Barker em 
Í58õ e um dicionário castelhano de 
1726. 

Em segundo lugar, tem-se preten- 
dido masculinizar o vocábulo, à imi- 
tação dos franceses, porque, dizen- 
do-se «a abada», se excluiria o ma- 
cho. Como se não houvesse outros 
termos análogos, tais como girafa, 
zebra, pantera, gazela, águia, lontra, 
foca, baleia, abelha, mosca; ou como 
86 a gramática portuguesa permi- 
tisse que os nomes de animais ter- 
minados em -a fossem masculinos ! 

Em terceiro lugar, não falta quem 
considere esdrúxula a palavra, acen- 
tuando abada, não sei com que fun- 
damento : se em coerência com a ori- 
gem, que o não justifica ; se em dis- 
criminação de abada (derivado de 
aba), que o não exige. 

1 Mas na 2.» diz que abada é «fêmea do 
rhinoceronte; pachiderme análogo áquelle». 



Também aparece a dição escrita 
abbada, i)or mero capricho, creio eu, 
ou talvez por atracção de abbade, 
com que não tem nenhuma relação. 

Em quarto lugar, tem-se sugerido 
como étimo mais provável a voz ár. 
ãblda (feminino), que significa: con- 
forme Belot, «besta ruiva»; conforme 
Lane, «animal silvestre»; conforme 
Kasimirski, «animal que se tornou 
bravo, espantadiço, e que facilmente 
se escapa». Não é pois o nome do 
rinoceronte, mas de uma alimária 
indeterminada pela espécie. O nome 
próprio árabe-persa do rinoceronte ó 
karkaddan *. Além disso, a palavra 
abada não era certamente conhecida 
em Portugal antes do descobrimento 
da índia, e os nossos indianistas in- 
dicam claramente a sua pátria. 

Contra a derivação malaia se tem 
levantado algumas dificuldades. Afir- 
ma-se que bUdaq é o nome privativo 
do rinoceronte de Samatra. Mas tal 
asserção ó desmentida pelos lexicò- 
grafos. Wilkinson atesta que bãdaq 
é «nome genérico tio rinoceronte e 
do tapir», e declara que bãdaq Jièm- 
pit ou bãdaq kèrbau é a designação 
do «rinoceronte de Samatra». Swet- 
tenham interpreta o ingl. rhinoceros 
pelo mal. bcidak, sem nenhuma res- 
trição. Outros ramos da família lin- 
guística empregam o termo no mesmo 
sentido, tais como: javanês (loarak), 
achinês, bata, sundanês, daiaque (bã- 
dak), búgui e macaçarês (bãdu). 

Objecta- se que a consoante final 
do étimo não aparece em abada. Mas 
também, não aparece em pucho do 
mal. púchuq, em calamba ou calambá 
do mal. kalámbaq. 

Alega-se, finalmente, que o a ini- 
cial de abada não é representado no 
vocábulo da origem. Mas a normal 
e primitiva forma portuguesa é bada, 
empregada por Fernão Pinto (doze 

* «Le même pays nourrit le bochan mar- 
que autrement appelé kerkedenn. Cet ani- 
mal a une seule corne au milieu du front... 
Le kerkedann est inférieur par sa gros- 
seur à I'elephant, et sa couleur tire vers 
le noir», — Soleimão (851), ajmd Heinaud, 
JRelations des Voyages, i, p. 28. 



An.MíA, J$AJ >A 



8 



▲BADA, BADA 



vezes I, Gaspar da Cruz, Lacena, 
.loAo <lo8 Santos, FernJo Guerreiro, 
S.'issrtti e outros. O a é acrescOncia 

f*ul>s.-(j'. ■ 'o do 

n-i::,.,,.. -_ .o, à 

. de que há numerosos exem- 

, . - língua, como abentenina, ada- 

gttf atambor, álacre* alantema, ala- 

' ■'• da 
. na 
de 11'S) substitui-se-ihe aòarfa, como 
mais corrocta! E alligator {iMcerta 
alligator, Linn.) é corruçJlo inglesa 
do port, lagarto, usado outrora por 
«crocodilo». 

\^Ai. — «Onde ha outros maytos aoi* 

; ■ ' iiiiiyto peyores ainda qae aves, como 

i f.iutes. badas, liões». — «Donde 

l.i:t.i i lartirJlo com oitenta mil ba- 

das '. - AjH.sestea sacerdotes mais atráa 

hiirii p»quen ■ ' • ' -rio quarenta carros 

lu duas bad -^ ida carro». — Fer- 
nV. Pinto, /V .app.il.lOTe 131. 

! ''■' i arias qne chamam 

ri.i 1 • ^';i- • „Jus, daB quaes os ma- 

t li •- '-•■'■■ aa testa sem ponta, he 

r i:il' . r rinis 9,T\.c\ malhados de 

- i j- . i . ■ - - . t m8 todos, ou- 

' ■ : . ia virtude, se 

1' I irreimas: e depois de 

A ; .; t i;."i 11.1 itra alimária mayor». — 

1 1 •' i-par da Cruz, Tractado da China, 

l.'>'.' .1' ' ,7.em 

.■3 c liulii vem 
:a oi de Aba- 
da . — 1'. Monclaio, in Boi. S. 
^. 17. 

1 " .'{■-" ' ' la do rio, 

• i! i qne pelo 
""- '■ -■ ' . --rbadé, 

• iam pfla 
Maiiií» 1 Ij Lafii".->", V/l'/, (rayico- 
IT, p. 71. 

.T?.-T-.-..r..,,t... ,.„ Badas».— 

IV 1. . . ;, ■ ■ IS. 

! ' ' :....'..-, badas, bufaros, 

\ • - ■*». — Fr. João dos Santos, 

/.'/<■ j 1 1 " ' -!^l/, I. II. .lit. 

It'll I. _,( t , q„e gjy J^g 

Abadas '. ~ i .^. Hemardiuo, 

/'|r,. r íri.<, p. 7U. 

!' !'. —«Tomou o camínlin prra Odi\, 

ll, rrort.- i|.. !■ 



Badaa. 

'lO ( imrr' 



tigres arymoi». — Manuel Q. de Erédia, 
Declararam de Malaca, fl. 10. 

•E uella se criSo grandes elepbantes, 
rioocerotes ou badaa». — W , fl. rií>. 

1613. — «Sf) faltam na : 
ledes, unças e abadas». — i 
radas. Hist, tragico-maritima, ii, p. to7. 

1650. — O beijoim amendoado desce pelo 
rio abaixo do reino de Lao.s, como as jioh- 
ta.i de abadas*. — P. António F. Cardim, 
liatalhas, p. 257. 

1679. — ti A vista de animaes ferozes, 
Tigres, Elefantes, Badas, e Bufaros, cau- 
sava terror, e espanto». — Fr. Jacinto de 
Deus, Vergel, p. 279. 

1684. — -SapSo, Cayolac, Marfim, pon- 
tas de Abada, e Cânfora de Sião». — P. 
FemSo de Queiroz, Hitt. de Pedro de Basto, 
p. III. 

1880. — «Os productos que constituem 
principalmente o commercio de importação 
d'aquella província [Moçambique] sao : 
maríim, pontas de abada, cera, gergelim, 
caoutchuc, etc.».— Boi. S. G. L., tir, p. 444. 

1579. — oOra ci fem Lisboa] si trova la 
Bada, altriínenti Banda [talvez Ganda] 
dagli antichi detta Kinoceronte, ancora 
che in Persia ella ritiene il nome antico*. 

— F. Sassetti, UUere, p. 122. 

1585. — «Ay en ella muchos Elefantes 
y Abadas, que son vnos animales de 
grandeza de dos grandes toros, y tieneu 
sobre cl oxico, vn cuerno pequeíio : de los 
quales vi yo vno en Lisboa, que esta agora 
en Madrid donde lo van a ver por cosa muy 
estraõa, y nunca vista en nueatra Europa*. 

— Fr. Joan G. de Mendoça, Hist, de la 
China, p. 356. 

1689. — «En ce mesme pays [Bengala] 
se trouve le K -. et il en a grana 

nombre, il e«t it>8 Pnrtagais Aba- 

da. Sa come, sa eh a ir, -■ 
et le reste du corps, sc 
et pourtant est en gra- ontro iis 

ludiensv. — Linschote; p. 30. 

1592. — «Now this Auutn is a beast 
which hath one home only in her forehead, 

and is thought to ' ■■ ♦' ■• • ' ■ >'•■• 

and is highly esti ' 

these parts as a \u ... .... 

agaimit poyson». — Barker, i 

1606. — «Ove portauo le - luxie 

per vendere a' í'in«-8Í, parti 'o .. 

moiti comi delia Bada, ' . noce- 

roQto». — Carl«'tti. iV<i</. 

1611. — «Bada, miimal fiTociisimO. dc- 
cho per otro 
En uuestr<>9 
pe II, qi: 
qtjf» pnr • 



Bada 

mn* pr 



t{.ida, 

\ .. 

• los 



Bada 



1618. — «E OS mftttos prodoy riu.<i;(Ki- 

madeira, oade se criio elepoaotes, bodas, j sertoe y lufares uiuy rrni>'U>«,y »i>iuarjo>*, 



ABÁSSI 



ABCARl 



— Covarrúvias, Tcaoro de la Lengua Cas- 
tellana. 

1620. — «... nornbre de Tigres, qnel- 
qucs Adybadas, ou Kinoceros, Buities 
Sauvages, Porc-Espys, Civettes» (em Sa- 
matra). — GíMicral Heaiilieu, 3/t'níoíre, p. 97. 

1631. — «De Abada, sive Rbinocerotc-». 

— Bontius, 2Iist. Nattiralis, p. 50. 

1666. — «Y delos era parte un Rinoce- 
rot, ó Abada [ganda dos outros escrito- 
res]; que despuéá se perdiò en el Mediter- 
râneo, embiaudole eIRey D. Mauuel ai Papa 
con otras cosas raras de la índia». — Faria 
y Sousa, Asia Portuguesa, i, p. 167. 

1675. — «Mil cânones tirados de mil 
juntas de bueyes: y de Abadas; y otras 
tantas do bufanos cargados de municio- 
nes». — Jd., Ill, p. 422. s 

1608. — «Hum c(3po de Abada guarne- 
cido de pedraria». Fr. António de Gouveia, 
lídaçam da Persia^ fl. 177. 

1611. — «O seu tributo era um vaso de 
abada». — In Dice, da Academia. 

1618. — «A Cbina brought me a present 
of a cup of a abado (or black unecoms 
home) with sugar cakes». — Cocks, in 
Glossary. 

1674. — «I saw an Unicorn's Horn, not 
that of the Rhinoceros, of which Cups are 
made and profered for Sale here, and are 
relied on to discover Poyson, if poured into 
them». — Fryer, East India, r, p. 291. 

ABARIARI. Espécie de tafecira ou 
chita indiana. Parece que é o mes- 
mo que auhrah, mencionado numa 
tarifa inglesa de Bengala. É incerta 
a etimologia ; conjecturo, porém, que 
o vocábulo é adjectivo, como cacebi 
(q. V.), a qualificar tafecira, e que 
se prende ao persa abri (de abr, 
sânsc. abhra, «nuvem»), «undulante, 
variegado». Ambar'i, derivado do 
ár. âmbar, quere dizer, nas línguas 
asiáticas, «perfumado com âmbar», 
e anibara é, em sânscrito, «firma- 
mento, roupa». 

1525. — oTafecyra abaryary caceby 
vali a corja vymte e sete tamgas e mêa». 
— Lembranças das cousas da índia, p. 50. 

ABAS. Peso que serve no Oriente 
para a avaKaçao de pérolas. Tira 
a origem do nome de um xá da Pér- 
sia. Não encontrei o termo nos nos- 
sos escritores. Vid. abassL 

^ 1676. — «Dans tou»-les lieux d'Orient 
ou se fait la pêche de perles, on ne parle 
que d'abas, et un abas fait sept octa- 
ves de carato. — Tavernier, Voyages, i, 
p. 328. 



do valor do uns trezentos réis, que 
corria na Pérsia. Fora mandada 
cunhar pelo Xá Abbas II, de quem 
tira o nomo, em cOrca do 16(X). 

1630. — «Desfazendo o concerto cobrei 
o meu dinheiro, que vinha a ser cincoenta 
abássis, moeda da terra, que na nossa 
fariam nove mil reis». — P. Manuel Go- 
dinho, Relação, p. 127. 

1697. — «Correrão muytoe a offerecer, 
quem quinhentos Abacís, quem mil, quem 
quatro mil, e alguns com todos os seus ca- 
bedaes. Abaci grande he moeda da prata, 
que vale duzentos e quarenta reis. Ha 
outros Abacís pequenos, que valem cento 
e vinte reis». — P. Francisco de Sousa, 
Oriente Coiiquistado, I, v, 1. 

1<j30. — «The Abassee is in our mo- 
ney sixteene pence». — Herbert, in Glos- 
sary, s. V. gosbeck. 

1666. — «Le Garde prend pour son droit 
de chaque passager, un abassy qui vaut 
dix-huit sols». — Thevenot, Voyages, iii, 
p. 3. 

«Les abassys qu'on apporte de Per- 
se, ne passent que par dix-neuf^ec/ms, qui 
sont environ séze sols et demia.—Jd., p. 55. 

1673. — «They [gente de Calecut] have 
yet a correspondence with Persia, as may 
appear by their Absees, a Sixteen pen- 
ny piece of Silver, current among them». 
— Fryer, East India, t, p. 143. 

1676. — «Deux Mamoudis font un Abas- 
sl. La reale ou I'ecu de France vaut 
trois abassis et un Chayet». — Taver- 
nier, Voyages, i, p. 167. 

* ABCÁRI, s. m. (hindust. -persa ab- 
kcirl «negócio do águas (ardentes), 
destilaria») *. Este vocábulo entrou 
em indo-português em consequência 
do tratado anglo-português de 1878, 
que introduziu nas nossas possessões 
o sistema tributário de destilação e 
venda de espíritos indígenas, vigente 
na índia Britânica, a que os ingle- 
ses chamam abkary. Cessando o tra- 
tado, continua o regime, mas modifi- 
cado conforme as exigências locais. 

18h6. — «A fiscalisação das rendas do 
sal e abkari é regulada actualmente pelo 
tratado auglo-portuguez de 26 de dezembro 
de 1878». — Lopes Mendes, A índia Por- 
tugueza, i, p. 138. 

1900: 

«Maldiçoado, maldiçoado «bkHry, 
Privou todos do nosso cajurin. 

Canção de Damão, apud A. F. Moniz, 
Hi^t. de Damão, i, p. 267. 



ABASSI. Era uma moeda de prata \ conViLl'a protdia°i's?e.r^'''' "''"""^ 



\ IM.'('I.'ÍÍ A \}l K 



ABOTJM 



1S'.'2. -- 'I : .iWkarl, ou 

il>i -«vstrma in : ilo con- 

sumo s'llir ftt{iiiilHOsa8tt. — 

("rÍ!it<'.v;"íi -. p. 41. 

ol)Karl para 
in o im- 
]■• - iiii'i». — «ji'sc 1 iiiiifiro, JitU. 

.V. <i /., XN. p. 141. 

' "' ' ^'iriu.itro n- — •■• que cons- 

ih.ilho (' ás qua- 

t, ,. ,,. , . -ii' _ ...lailo : ca- 

niiiili" li' a lifr.i adua- 

li'ir.i 1 .1.,^.. ^...,. ji do abkary 

•z e o monopólio do sal, que com- 

> aeu fabrico».— F. X. r ernan- 

xjii, p. 170. 

— «De todas as industrias exis- 

tfiitfs ii.i lol'iiia a <|iie constitue ubere do 

Kst.i<l<i, (■ a <!<• abKary, lavra do coqueiro 

:'i rax. — Manuel F. Viegas, tfrúi., xztii, 

J. ;.;i. 

1911.— '0 contos de 

rois, dos ' ntam o pro- 

.lu< f.p i\n abkary •. — J. E. L'astcl Branco, 

'?\ii. — •Mt'zes volvidos ia a Londres 

■ plenipotenciário do ministério das 

' ' rrum accordo com 

a questão do ab- 

Kary — " anuiu ua India». — A Naçâo^ 

de 1 í de Março 

1!^79. — u Natives who have exjiressed 
ti r riewB are, we believe, unanimous 
HI a^cribinpr the increase of drinking to 
our abkapy system». — Yule, in Glossary. 

ABECEDARIA. O Sr. Cânilido do 
I ,_Mitii '«lo regista vocábulo com 
a: ta^'fio do im'-dito e defino-o: 
«I'lantu indiana, a quo so atribuo 
a propriodado do desonvolvtT a lin- 
s o facilitar-lhos a 
liiintio (juoui <lou tal 
IK' ao i>piUtnthes armella, Linn., 
i: ii;_'ona da índia in8ular. Outros 
I " iM'8 portuguoso» sflo «agriilo do 
I'ard» e «janil)U)» *. 

l..'..'i _ „T ut;„.. A H C Daria a sub- 

iixta Malaicc <Iici po- 

/. iiKi, I tiiiji (iicitur 

l.io- 

■ rig, 

m ac ginbrum ndtjuirant lin- 

m in Hneui capitula vol rndicu- 

. vel rum Finanga ma.sticandas 

l)'*nt, ut .Arahimn litrrav facilias 

ac 

jue 

t.i ^uam Ò pruuuuciautur. llauc ub rem 

* «Ma-itigam-sc as flórea como remédio 
contra a d.'.r .ti- .1. nf.-^ N'.. Isini um-m 
agriio mesmo 

cru». D (. ; 



ipsi uonien Abeoedaria iuipi>sui, quum 
et qtiitlam Malaicc oani quixjue vocaut 
Daun murit, h. e. Ilerba discipulorum». — 
Herbarium Anttjoinmse, xi, cap. 35. 

«Tabula... Abecedariam exliibet, 
quae sine dubio celebcrriuiae Acmellae 
Zeylanensium .species, ui eadem forte sit 
planta». — Iffitl. 

«Abecedaria (Bot.). Nom vulgaire 
aux Indes Oricntales du Spilanthes Acmel- 
la, Linn., plante de la famille de Cômpo- 
8«'e8, appell/'C «'galemcnt Cresson de I lie 
de Fiuuci , Ilerhe de Malacca». — T.a (Iraii- 
de Encyclopidie. 

* ABED ALE. E nome genérico do 
religioso muçulmano; faquir. Do ár. 
abdãl, que Littró deriva de abd, «ser- 
vo», e AUah, ■■T^'"><'. = servo de 
Deus. 

134t) — «Ali tive conhecimento do Vi- 
sir Abdallah haver casado com Gadeja, 
Soltana das ilhas» (Maldivas). — Ben-Ba- 
tuta. Viagens, p. 323. 

1615. — Ha entre elles [maometanos ma- 
labares] gente, a que chamam Abedal- 
les, que tom feito voto de pobreza, e que 
também andam em peregrinação pelo mun- 
do». — l*yrard de Lavai, Viagem, i, p. 287. 

«Os gentios também tem destes Aba- 
dai I es, que sào como eremitas, e chamam- 
se JiHjiies (q. v.)». — Id., i, p. 288. 

18'.t7 — nlíeconhecel-o-hia como um 
Abedade, ou santo musulmano, dos que 
fazem voto de pobreza e pennanecem á 
porta da.s mesquitas, recebendo a.s esmolas 
dos devotos». — Lopes de Mendonça, 0$ 
Orphnos de Calecut, p. 96. 

1611. — «Abdala, vale siervo de Dios, 
és Arábigo corrompido d«'l Hebreo, en cuya 
lengua tíebed vale servus, famulus, minis- 
ter. . . y El Deu.s, juntos estos dos vocá- 
bulos, con alguna corrupcion, formaron los 
Arábigos el nombre de Abdala». — Co- 
varruvia.s, Tesoro de la I.euqihi L\istrUana. 

1695 — oAbdal, /" ' de 

V Amour dr l)iru,i\\ú fai: Ura- 

ordinaircs. . . II y a plusifiirc» <1 Kntluisias- 
tes parmi les MahonictnnH, et j>armi les 
Indifus, I«'.s«|uel« tou.-*, m do 

discernement, sont rci n" h* 

menu ncuple». — Hcruelot, ih'jdntficque 
(Jrirutale. 

• ABOLIM (cone. nbi>nm, pi.). K o 
nonu" (IMO 80 dá em Cíoa h flor, muito 
estimada, de Crosmndra undulaefo- 
lia, Salisb. V > om 
quo a.H mulii ça. 

1908. — «Como cm Lahann, como na ín- 
dia H- '' ' ■ '■-•" '' • ■'■■••■ lor»' 

ama: ■ ,ii. ^i m^ ia-. 

Acai.:.... . ■ iiiiiA 

Astorccm >llm daei 

(rriíinldn'. > i .inii- 



ABUNHADO 



ACA 



pi'cios). — Alberto de Castro, Flores de co- 
ral, p. 253. 

ABRAEMO. Era uina moeda estran- 
geira, que antigamente corria em Goa 
e valia 420 réis. É claramente deri- 
vado do nome próprio ár. Ibrahim = 
Abrílo. 

1554. — oE veuezeanos, soltanis e 
abraemos valem 7 tamgas, que são 420 
reis». — António Nunes, Lyvro dos pesos, 
p. 32. 

ABUNHADO (abunhaçao; abunha- 
dio; abunhar), s. o adj. «Trabalha- 
dor indiano, que, nascido em terras 
do um senhorio, ó obrigado a viver 
o trabalhar nollas». C. de Figueire- 
do. Acresconte-se : e nao pode ser 
expulso sem culpa. 

Os colonos tem na índia vários 
nomes e diversas obrigações confor- 
mo as regiões. Em Goa chamam-se 
manducares (q. v.) e em Damão ma- 
chins. Em Baçaim prevaleceu ou- 
trora o nome de abunkado, de que 
se derivam ahunhadio, abunliar e 
abunhaçao. Em indo-inglês sao co- 
nhecidos por ri/ots, e tem código 
especial, que regula os seus deveres 
e direitos. 

O ahunhadio corresponde, na sua 
essência, ao colonato do direito ro- 
mano, pelo qual certos homens, cuja 
situação legal era intermediária en- 
tre a liberdade e a escravidão, se 
obrigavam à cultura de certo ter- 
reno, que não podiam abandonar por 
seu arbítrio o de quo não podiam 
ser privados contra sua vontade. 
Vid. La Grande Encyclopédie *. 

O étimo da palavra deve ser o 
-persa, bunt/ãd, «alicerce, fundamento, 
fundo» (adoptado em hindustani, ma- 
rata, guzarate e coneani) como em 
Goa mujid, «fundo, capital», deu 
mundkãr, aportuguesado em man- 
ducar. Bunyãdi thalkari, em ma- 
rata, significa «proprietário originá- 
rio». 

1611. — «Nem se lhes faça outra avexa- 
ção alguma á dita gente mesquinha e 



* Parece que o ahunhadio se asseme- 
lha, na sua condição, ao antigo malado por- 
tuguês. 



abunhada ...os homens que estiverem 
fora do dito Cassahé, que forem abunha- 
d08 ...os ditos capitães, ouvidores e mais 
officiaes, a quem for requerido pelo dito 
Padre Procurador, ou útil senhorio, lhes 
facão entregar conforme ao costume de 
abunhaçao». — Alvará do vice-rei, in 
Archive, VI, p. 864. 

1701. — «Os foreiroB eâo todos chris- 
tãos, e todos tem conveniência em que os 
seus abunhados tãobcm o sejão». — 
Ibid., Suppl., II, p. 172. 

1718. — «lovadio as Aldeãs da jurisdi- 
ção de Damão, e levou prizioneiros os 
Chenimbins [curumbins], e Abunhados, 
que as cultivavão, e com elles os gados». — 
D. José Barbosa, Epitome da Vida, p. 18. 

1726. — «Abunhado. Termo da índia 
Portuguesa, na província do Norte, de que 
Baçaim he a capital, he aquelle, que, nas- 
cido nas terras de qualquer senhorio, tem 
de ajudar a sua cultura, por meio de certa 
porção delia, com que o Abunhado se 
sustenta : são castigados como desertores, 
se abandonam a Aldêa em que nasceram, 
e o senhor obriga por justiça á restituição 
do seu abunhado, mas não o pode ven- 
der, nem castigar, e assim não os compre- 
hende a vileza do captiveiro». — Bluteau, 
Swppkmento. 

1728. — «Deve-se ordenar aos foreiros 
de Baçaim e Damão que cada hum faça 
huma torre ou casa forte na sua aldeã ; e 
que de seus abunhados sejão ao menos 
vinte que tenhão ai-mas de fogoo. — O 
Chronista de Tissuary, i, p. 52. 

1850. — «Em Damão, em vista da res- 
posta do Desembargador Procurador da 
Coroa e Fazenda... na qual declarava 
que em Damão não existiam abunhados 
ou servos Ascripticios, por tanto não de- 
viam ser consentidos, foram declarados 
livres do serviço que prestavam». — F. N. 
Xavier, O Gabinete Litterario, iv, p. 28. 

1871. — «Abunhar, v. a. e n. ant. Vi- 
ver com parcimonia, parcamente, como 
abunhado, da porção da terra que tem 
para sua sustentação». — Dice, de Domin- 
gos Vieira. 

ACA (acca ou hacca). É a porção 
da renda ou da colheita, devida ao 
funcionário hereditário do distrito ou 
da aldeia, na índia. Do marata-conc. 
hakka <éir. haqq, «direito». 

Tem-se empregado o termo com 
certa latitude, como sinónimo de 
«pensão ou paga hereditária», con- 
forme se vô das abonações. 

Filipe Néri Xavier descreve nos 
seguintes termos as acas que vigo- 
ravam, e ainda hoje vigoram em 
parte, nas Novas Conquistas de Goa: 
a Acca ou hacca (Tença ou Soldo). 



ACA 



AÇADACAN 



lo do8 

:^o, 68- 
'liêf e mais ofii- 

i 1 - ;ii iH's, j>ara sustento da 
^'.'iit.' arip.a la. A concessSo era so- 
bro 08 foros das AldOas, ou sobre 
08 direitos das Alfandegas». — O 
Gab. LitterariOy IV, p. 30. 

1764. — •Aoca, quer dizer, soldo ou 

.,..,.... _ /•// 7 , .U liaiKÍ^s ' '. ?I8. 

lo-8»' dl! •••a 

:1 Acc;i 'es- 

1 ao 

t :í. .'. 'lice, 

p. 11. 

1844. — «Os Sar-Dessaifl oio sSo obri- 

i. í ! 9, por po8suir«"ui Inamas, que são 
iMtirainentebeus particulares, e patriíno- 
iii.it >, a prcstart-in serviço, como silo pela ] 
jK.--..- de Accas, que percebem da Fa- 
zendas. — Ibid., p. 41. j 
lK4f>. — «Kâo ha Dessae ou Sar-Dessae [ 
1 Ilacca ou .\cca ; esta ^ da essen- 
-^saiaiío: •• quer dizer, tença. sol- 
' ' ' 'i do 
ii'-as 
i .■^rir-i »<>r;u' pt-ms >er- 
• ha de fazer». — An- 

liafn Tiiiirjinni'i'. |i. J47. 

1886. — « . . • titulo de pençáo alimenti- 

..:.. I...I..,; 1.. .1.. ..,,.. ..,.».... r......!.;-!!., (>«)m 



•■} "• 



I «'ndes, A índia Portugueza^ ii, 

-«1 — «Em lugar <i ;irem aa 

L-és como reiír ou sala- 

ji-naa como hakas ou direi- | 

todas as coudivflr.s». — Antó- 

I.; <ie Ax«v«do, A» CommuHidadtê de Goa, 

,,,,; __ \ .... ... 

ÍICCílS, 

os 
iea, 
/. , jucjí du tal, 111 l> 

AC A DAR. K o «merccoario dos an- 

a tença 
A F. N. 

XaviíT. 



ri (-8, 



COd.i' 



pa- 

A cida- 

• uaricB». — C'-'WCtxt!" «Ir iUxn- 



Ar 



dií Tai 
• 'u Hao- 

lares, c 

,,.. ._»,)XO 

:a o 

cau- 



tos, seguado os sei:- 'riam ter 

pr(Bnptos para o ■•. — Çol- 

Ueçào de fiandoi, ii, [>, i i" 

• AÇADACAN, açadecão,acedecan, 
açedecãO- ('ar^o corrcspoiuK'nte ao 
de condestabre do reino. O vocá- 
bulo ó do persa, asadkhãn, composto 
do ár. asad, «tigre», e do turco- persa 
khãn, «] '. Os nossos india- 

nistas < ;ii-no com ref«>rOncia 

a um dignitário de Idalcão, que re- 
sidia ordinariamente em Pondá, nas 
Novas Conquistas. 

1532. — «O Acedeoão homem de 
grande estado, assy como em Portugal he 
marquez, e por sua dinidade nenhuma 
cousa o Idalcão pode determinar, nem fa- 
zer cousa do estado do reyno sem o Ace- 
decAo nom dar voz, que he o principal do 
conselho». — Gaspar Correia, Lenda», lu, 
p. 463. 

1Õ35. — «O Ydalcâo não entrou nella 
[batalha], mas sempre esteve na goarda de 
Sefallarym, que agora se chama Açada- 
cAo, que he senhor de Billgão». — Chro- 
nica de Bisnaga, p. 38. 

1538. — «Desta poderosa Armada era o 
Haxá avisado todos os dias por cartas de 
IlidalcSo, e do ^'amorim Rey de Calecut 
por Inezemaluco e pelo AcedecAO. — 
Fernão Piut<>, Peregrinação, cap. 12. 

1554. — "No qual entra o dinheiro que 
foy do AçadecAo*. — Simão Botelho, 
Tombo, p. 40. 

1555. — «E vindo ter a esta cidade por 
fallecer o AcedeoAo, pessoa y- ■■■'■•■"] 
neste negocio, e no reino, não j' 

ver effeito». — Archive Portugnêo-k-. .*, 

fase. V, p. 267. 

i".'>é; _ „ \a nrogente er^ '«^•>>''1''1<^ com 
com Aci n vi- 

,: . '. -I...!. I 'ou- 

tinh". Hist. (/ . p. bíj. 

ir» 70. - - 1.1 . <» testamento, 

A. ,1 '«'chan [=Ara- 

idor, 1'iivo vm 

todos muita itidiuaçã»*. — Ji'.u' lic 15;irr"S, 

IVc. IV, VII, 'i «O cnr- ( Açade- 

ohan < 

Condest,, 
no Keiuu dt ! 
assenta A in . 

o» «••ulKirc'i» lari'" de i 

lf.8'.» : 

•'iit»m oAo (inp«<lir» 
! 1, • <iur» auvrra 

V<.... ...... ■■ A.rJrci* fr»* ' '■• ""hm 

(^a« «u» tonn i» (Jo* •>•• 

FrMiciavo <i< '> Prtméào 

C*rto 4» Z>iN, M -" 

l^i. — «Vagando o .nr : Acco- 
decan do reino (qae 

rcsi). iili" ao do Coude.' 



AÇAFRÃO DA ÍNDIA 



8 



ACHAR 



deu [o Idalcão] a elle». — Diogo do Couto, 
Dóc. IV, VII, 6. 

«... lhe daria logo na mão setecentos 
mil pagodes de ouro, e o titulo de Acce- 
decan». — Id., VII, n, 7. 

1G13. — «Este Acedecãohe senhor do 
todas as terras que estão desta serra para 
o mar, que são muytaa, e de grandes ren- 
dimentos». ■ — Francisco de Andrada, Chro- 
nica de D. João III^ iii, fl. 12. 

AÇAFRÃO DA ÍNDIA. AÇAFRÃO DA 
TERRA. CROCO INDIANO. GENGIBRE 
DE DOURAR. Sao outros tantos no- 
mes portugueses do Curcuma longa, 
Linn. Na índia diz-se simplesmente 
açafrão. Tem muitos usos, especial- 
mente como condimento o matéria 
corante. 

1516. — «... tamarinhoB, açaf ram 
indyo, cera, fero, açuquar, muyto aros, e 
quoquos» (cocos). — Duarte Barbosa, Li- 
vro (2.* ed.), p. 271. 

1554. — «O baar de açafrão da Im- 
dla he em tudo como o da pimenta quanto 
ao peso». — António Nunes, Lyvro dos pe- 
sos, p. 18. 

1554. — tlmge [= ingo, q. v.], açafrão 
da terrai alhos e cebolas sequas). — Si- 
mão Botelho, Tombo, p. 59. 

1563. — «Entanto traze um pouco de 
açaf ram da terra •. — Garcia da Orta, 

Col. XVIII. 

1578. — «El Açafram de las índias 

(tenido de algunos autores por el Curcu- 
mani o Meimiran ..) es vna medicina muy 
vsual en las índias, assi para tenir, como 
para enfermidades de los ojos, e para la 
sarna». — Cristóvão da Costa, Tractado, 
p. 257. 

1693. — «Nomen generale harum trium 
Bpecierum Latinum est Curcuma et Crocus 
Indicus, juxta Portugallicum SafFrân de 
terra, h. e. Crocus terrestris •; sic quoque 
in cunctis aliis Indicis Unguis nomen obti- 
nuit a luteo suo colore». — Rumphius, 
Herb. Amboinensc, viu, cap. 16. 

1770. — «Le safFran dMnde que les 
médecius appelknt Carcumaest une plante 
dont les feuilles ressemblent à celles de 
I'ellebore blanc... Sa racine quiestamère, 
et qu'on a lougtemps regaidée comme ape- 
ritive étoit employee autrefois jjour la gué- 
rison de la jaunisse. Les tndiens s'en ser- 
vent pour teindre en jaune, et elle entre 
dans I'assaisonnemeut de presque tous 
leurs mets». — líaynal, Histoire, p. 305. 

1786. — aMagjiel in lingua Malabarica, 
Açafrão Indico in Portoghese, Zaffrano 
Malabarico, Curcuma in lingua Samscrit». 
— Fra Paolino, Viaggio, p. 361. 



ACEAI. Antigo poso de Lara, oquí- 
valonte a dez maticais. Do persa 
shãJu (que signitica propriamente 
«rial, rógio»), com prótese de a. 
Shãhi é tambôm uma moeda de co- 
bre da Pérsia, que valia uns dez réis. 

Dez matyquaes fazem hum 
- Lembranças das Cousas da In- 



1525.- 
aoeay»- - 

dia, p. 52. 



' Ô autor interpreta mal a palavra por- 
tuguesa terra, que eitá por «paia». 



ACHAR (s. m.). É o nome que se 
dá à conserva de vários frutos e raí- 
zes em vinagre ou em salmoira (in- 
glCs pickles), em ásio-português, 
indo-iuglês, indo-francOs {achar ou 
achais) e em muitas línguas india- 
nas. O vocábulo é do origem persa, 
achar, provavelmente encontrado 
pelos portugueses no malaio e intro- 
duzido em outras línguas indianas, 
directa ou indirectamente. Conforme 
o Conde de Ficallio, o termo é co- 
nhecido em cozinhas de Portugal, e 
segundo Rafael Blutoau, era antes 
muito usado '. 

Yule & Burnell acham muito pro- 
vável prender-se o persa achar ao 
lat. acetaria, empregado por Plínio 
(xix, 19). Bluteau traduz achar por 
acetaria, fundado na mesma autori- 
dade. 

1563. — «Fazem delle [anacardo] quan- 
do he verde, conserva em sal pêra comer 
(a que chamão qua achar) e vende-se na 
praça como azeitonas acerca de nós». — 
Garcia da Orta, Col. v. 

<fE também as [caraiidas] lançam em 
vinagre e azeite, a que chamam acliar». 
— Id., Col. XIII. 

1577. — «Alguma pimenta em acliar, 
alguns panos de fraudes ou godomecim, ou 
alcatifa». — P. Luís Fróis, Cartas de Ja- 
pão., I, fl. 397. 

1712. — «Por esta palavra achar en- 
tendem os Portuguezes humas raizes ou 
frutos, como pepinos, sinouras, etc., que 
postos de molho em vinagre, se comem 
crus e despertão appetite. Também se fa- 
zem vários manjares em Achar, v. g. Me- 
xilhocns em Achar». — Bluteau, Vocabu- 
lário. 

1736. — «Não usem nas suas comidas de 
arroz cozido sem sal, misturando-lhe de- 
pois o sal por modo de achar como coa- 



' «Cabeça de porco d^ achar ; que esteve 
de conserva em achar, ou na conserva de 
vinagre, sal, etc.». Morais (1811). 



ACIIKM 



A PA I.I 



-t'rvp [o btlimbtml 

'■■■' » Kuropa, 

r C. da 



lit» 
las 
in- 
-n- 
V». 



l'"'!. .1» ~ r< hen to8 novos de bamba 
.? !,i-. '!:; I conserva, achar, 
> ;;i;,i i;.i Iii ;ia». — José Pinhei- 
ro. ISU. ií>'. U J.., XX, p. 33. 

1908. — «Achar, acepipe de caril, con- 

:i agua salgada*. — Alberto de 

ores de coral, p. 138. 

ioi"^ — «Del cia ' ' '(n- 

serva de aj-uear. y • vi- 

: ". ."'0 y sal, para cuiufr < a iju»' ♦•iinr* iKimau 

ah an». — CristovSo da Costa, Tractado, 



^'i 



1598. — «Sur ces navires d'Armada, ga- 
r..c f.ii t aia^^oaax de guerre on donne à 
■ z cuit avcc de I'eau et du 
..'-, de I'eau ií^.iki- riu iiõissmi 
achar ou fn/ 
■ 1 et vinaigre, i 
- que Ton vend i Paris chez les dro- 
-t«'S». — Linsciíutrn, Jlutnire, p. 113. 
I'tJl. — «Quod gt'iuid cdiditurae com- 
:ii nomine Achar ludi vuc;iiit«. — Bon- 



tii- //' 



Xaturalis, p. 23. 
- " . . . bases «int 
Achar <! 



eelebris istins 
e in Eu- 
'iir pala- 
)iief cum 
-KO ylro- 



«Thej Tmalheres da India! sing, 

■ ■' us, 
,ir» 

■ IH liifiii |D. — r rv< 1, r.<i>: imitdf 

• Hae nti"— >•■ '^ro crudae co- 
nÍ!<i a 'IS, qui cum 

ir tanqiiaii. ..., mi ad Oryzauí 

— Kuniphius, líerb. Amijoinmse, 

-•Dal midollo dfir albero [i-o- 
«•Itii.i >i f;i laciara, d' '■. di-/- 



II iii,i>ii' i<i-'A«jnt;tii '-^'iiii'in'- 

haja e »p ' > «ia balança»». — Carta 

r^yiay iu i- . . ... J.idia, i, p. 2yõ. 

• AÇOCA. Arvoro Saraca Indica, 
Linn. Silo lindas as suas flores, que 
oní portup:uí^8 se chamam «flores do 
diabo», nao sei ])or qye motivo, tal- 
vez por serem oferecidas aos ídolos; 
e rija a sua madeira. Do cone. ãxokj 
sansc. oçokQf literalmente «sem dor». 

1898: 

•Como a langainea flor de SMka desbotada. 
Erma do aroma jk, fiqaei desamparada*. 

Lopes de Mendonça, À. de Albuquerque, p. 40. 

1912. — «Na ethymologia sanskrita Asok 
significa «livre ou isento de dôr». — Cae- 
tano Glacias, Mora Sagrada, p. 45. 

AÇÚCAR. A fonte primordial do 
vocál)iilo t' o sânsc. çarkarã, «areia 
grossa, saibro, cascalho». Os idio- 
mas neo-áricos fizeram dfde xãkar^ 
sãkar^ itãkhar; o o malaiala trans- 
formoa-o em chakkara, que deu o 
indo-portuguOs Ja^rf/ kj. v.). As for- 
mas prácritas j)roduzirani shakarem 
persa, sakku)' e sakkaron em grego, 
e mrrharum em latim ; e sukkar ou 
an-sukkar em Árabe, origem imediata 
da palavra nas línguas europeias. 
V. GlonMiry e Devic. 

Tambí^m cande ou càndi (em açú- 
car cande) é do sÃnsc. khauda, por 
intermódio do ])ersa-ár. qand. 

seil 1 in aruu- 

dinil _ ...,Jocandi- 

dum: dentibus fragile*. — Plintus, Nat. 
Jlitturia, XII, cap. 8. 

1898. — «liut th<! Arabii- word may be 
"if Arvaii .'liL'iii ff Sk Ih.uul to cut or 

a piece; 
It, An 
Ktyut. Dictinrtmry, Supp 

ATI MT •" 



ACHARÃO. \ (Itnrdo 
. ACHFIM ' ' ■ • 

;.' i-»e que df era [ 
■ ta ao n<>ni«» giij. 



iça clmit'sa. 
q. v. Jul- 
•> ante» 
.. . Ach^'" 



' <>m que o vocábulo nflo tem nenhu 

lOlo - .'il .11 e me praz qne do 



emoliente. «.Morlío medetur »a<'n>, ai 
HuccuH cum momeuto piperis biba- 
turn. Rhoede. Do cone. ãdãTi. 

1879. — «Adali, M. /. Em BoUnie», 

li1itiit:t i!;k r:iijiilia (Imm v< rliiii.l.^. :i ritlr I. in- 



ADÁO, ADDÁO 



10 



ADEM 



antídoto contra a mordedura da cobra de 
capelloo. — Domingos Vieira, Diocionario. 

ADAMANES (s. m. pi.). Atabales 
usados na índia. Do persa damãma. 

1633. — «Ao nascer e pôr do Sol se to- 
cam todos os dias na fortaleza [de Surrate] 
os adamanes, que são uma casta de 
atabales, os quaes na guerra servem de 
tambores aos Mouros». — P. Manuel Godi- 
nho, líelação^ p. 31. 

* ADAR. Local destinado-ao viveiro 
ou sementeira de bate ou arroz em 
Damíío. Do guzarate-sânsc. adhãra. 

1901. — «O tradicional candó ou poda, 
feita pelos colonos para obterem a cinza 
que serve de estrume aos adares ou se- 
menteiras, tem concorrido muito para o de- 
jjloravel estado do arvoredo e principal- 
mente das tecas». — José Pinheiro, Boi. S. 
G. L.f XX, p. 30. 

ADATIS (s. m). «Musselina da ín- 
dia». O. de Figueiredo. Littró tam- 
bém diz o mesmo. Yule & Burnell 
atestam que adãti é tecido de Ben- 
gala e supõem que o vocábulo pro- 
veio do hindust. adha, «meia lar- 
gura». Adatis deve ter originaria- 
mente sido plural, sendo depois consi- 
derado singular, do mesmo modo que 
aconteceu com argaris. 

* ADÁO, ADDÁO. A palavra provêm 
do cone. ãdãv, que, em geral, designa 
«esgrima», e, em particular^ uma fes- 
tividade religioso-civil, que se cele- 
bra nas Ilhas de Goa com o simula- 
cro de esgrima, por ocasião da no- 
vidade de arroz. As letras dobradas 
dôste vocábulo e doutros análogos, 
nâo perfeitamente aportuguesados, 
denotam a consoante cacuminal da 
origem e a sua fonação peculiar. 
Cf. hattcar e hôtto. 

1850. — «Addau. He a folia que acom- 
panha os conductores de bate novo que da 
Aldeã Taleigão levam para a Sé Prima- 
cial, em 24 de Agosto, pelo privilegio que 
tem para esse nm : For(al), cap. 44. — 
Tombo Geral, p. 10». — F. N. Xavier, O 
Gab. Litterarío, iv, p. 38. 

1886. — «E o adáo ou festividade da co- 
lheita do arroz, que tem logar todos os an- 
nos no dia 24 de agosto». — Lopes Men- 
des, A índia Portiigueza, p. 45. 

J908. — «Na epocha da colheita faz-se 
a festa Adáo, que tem logar a 24 de 
agosto, em que entram guerreiros e baila- 



deiras». — Ilipácio de Brion, A índia Por- 
tugueza, p. 19. 

1915. — «Trata-se da festa de benisi- 
mento da espiga nova em Taleigão, com 
o conhecido addáo ■ . E finalmente a 24 
é a oferta ao Cabido na Sé e em Pangim 
ao governador geral e ao arcebispo-patriar- 
ca, acompanhada do tradicional addáo, 
ruidosa folia com um tanto de marcial, que 
já tem decaido bastante do seu antigo apa- 
rato». — Ismael Gracias, A índia, p. 170. 

ADAU. O vocábulo deriva do cone. 
ãdãv (sánsc. ãdãna), que significa 
«ganiio, lucro, receita». Bluteau re- 
gista-o, no Suplemento do seu dicio- 
nário, mas dá-lhe um significado 
muito restrito, que deve ter encon- 
trado em algum escritor, se o não 
recebeu, como parece mais provável, 
directamente da índia, assim como 
vários outros referentes às comuni- 
dades agrícolas. A palavra não está 
em uso no português de Goa. 

1727.— «Adão. Termo dos Portuguezes 
da índia. São as contas geraes do proveito 
liquido, que fica aos Gancares [accionistas 
das comunidades], pagos os foros, contri- 
buições Reaes, e mais despezas, e he o que 
se reparte». Bluteau. 

ADEM. Parece que as palavras 
adem e pato não tinham antigamente 
em português os sentidos em que 
actualmente são tomadas. Pato, de 
origem arábica (bat) significa «gan- 
so» em ásio português e em várias 
línguas indígenas em que se intro- 
duziu (vid. Influência), emquanto 
adem, ou ade, do.lat. anas, ó sinó- 
nimo de «pato» em geral; e nesta 
acepção ó empregado o termo por 
nossos indianistas. 

1569. — «Agasalham dous ou três mil 
adens, mais ou menos segundo he ha era- 
barcaçam; algtias d'estas são de senorios 
e andam nellas seus criados: apacentam 
estas adens da maneira seguinte». — 
Fr. Gaspar da Cruz, Tractado da China. 

1755. — «São os Chinas aíFectivos nas 
criaçõens de gados, não só vacum e Enfa- 
ras, mas de Cabras, Ovelhas, Gallinhas, 
Capoens, Ades, e porcos . . O modo de 
tirar e criar as Ades he mui celebre». — 
In Ta-ssi-yang-kuó, 11, 111, 3. 

1902. — «O adem é também chamado 
pato real em portuguez. Mas convém notar 
que em macaista se designa por ade quasi 
todos os palmipedes que tanto abundam 
na China, isto é, nào só o pato domestico, 
como o pato bravo, o ganso, etc.». — Ibid. 



ADIBE, ADIVE 



11 



ADIGAR, DIGAP 



AT lA. O Ar. hadyia signi- 

t .. :j feito ao superior ou 

-ire que ensinou o alcorflo». 

\ > iiiuio introdu/.iu-se no hindustani, 

• !• quo o tomou linrros, í» no malnio, 

■••■■■•■ '■-■■■ ■ ■ ^' ''"s, gra- 

: ■• : '= '■ ••■■"■• '-■■'■■-;j:o, se- 

^'iiiulo o BOQ costume, na sua pere- 
griuaçAo para várias partos. 

1530.- r " 

odiá ou 

cap. 19. 

1541 — «r.h»^ mnnfl'^u hnr"-' ^Hl<5t. que 

vali.t ■'.■i.:.-i,; -^ r'';.-,.,^-, lhe 

que ciitrr ' •■ Ti ir;i., ^:.iva 

para ii3<i — Id., cap. 64. 

l.'»ri<>. uer entre si huma 

f) ill le peças ricas que 

— Id., cap. 183. 
1 u logo de maudar à el 

K< i a> cartas quo lavava, 

(■<>!:. ha- 

ul. "i' h^ iites 

se Uui c.- iii*j liiui anti- 

go..— J(. IV, p. 3r)5. 

1>27 — ■Odia. asiático: si- 

Mi tier» n preHfiif»' • leoe aos Reis 

1 .-e lhes vai fal- 

adiá. Os bárbaros 

.< ou 

ira- 

U"uri>.s iiriciita<'á iiif ciiain.io xa- 

. çaffucUe**. — Cardeal Saraiva, 



ADIBE. ADIVE (ár. addhib). É o 

nn'8mo qu»í charal íq. vM, Caniê au- 

' ' ' '> já era co- 

, ites da via- 

:.'• 111 de Vasco da <iama, e<^comum- 

' ■ -isado na índia Portuguesa. 

.* andam om handos, uivam 



l'./-se que seguem a pista do tigre 

'■ ' presa, a fim de lhe apanhar 

-i. O adibe representa na fa- 

u papel da rapusa 

l.')l<i — aT>4ipni« d«» morUt itiramno com 

. be 

1 ■\<' \\" !■ «pi.ir, I- iiiy iio co- 
^ adlbes*. — l)uart« Dar. 

11' -l'> . adibes, inouaa, rapo- 
'•.-". — lemio Pinto, Partgrima- 
73 
_ it.wi... ».rr.v..- v-#of, adiues, 



lobos e porcos». — Castanheda, Historia, 
iti, cap. 147. 

15G3. — aMtslhor he ser adibe solto, 
que galgo preso em trela d'ouro». — Gas- 
par Correia, Lmda$, i, p. 279. 

1602. — «... dando a comer meu san- 
gue aos tubarões no mar, aos adlbea no 
reino de Fez, e as gralhas da índia». — 
Diogo do Couto, D^c. IV, vt, 7. 

1613. — «SSo muytos elephantes, badas, 
ii.t.ic fvrr..j p cobras fjrandes, e muyta 
^ e adibes». — Manuel de 
... — , ., .uraçam de Malaca, fl. 18. 

1615. — «Toda terra fdo Malabar] é 
também cheia de raiM'~,i- íadibes) que 
de noite att^ vem ;i pa- 

teos das casas, e . — . — 

Pyrard de Lavai, Viavem, i, p. o3y. 

1712. — «Em Goa chamão Adibe ou 
Adive á Raposa, ou (como querem outros) 
a huma espécie de lobo que frequenta 
aquelas partes». — Bluteau. 

1842. — «Os mattos sâo habitados por 
tigres, búfalos bravos, macacos, adibes, 
raposas, veados». — Annaea maritimos, 
p. 270. 

1700. — «Le jonr suivant ils furent fort 
Burpris, lorsque voulant prendre ce corps 

{>our le porter à I'Eglise, ils trouverent que 
es Adibes, qui sout une espece de re- 
nards, I'avoient dévoré, et qu'il n'en res- 
toit que la carcasse» (na índia). — Ltttrcê 
Edifiantts, v, p. 32. 

1782. — «Adive, espèce de Renard dea 
Indes, connu vulgaircment sous le nom de 
Chien marron». — Sonnerat, Voyages, ti, 
p. 260. 

1786. — «L'Adibe, Curukm in lingo* 
Malabar... è una specie di volpi, o cani 
selvatici. Tutto il Malabar è ripieno di 
questi animali. Non si può sepelire un 
morto fuori di Chiesa. (juesti animali lo 
distcrrano, laccrauo e divorauo». — Fra 
Paolino, Viag(jit\ p. 156. 

1829. — «I giaccali e adivi non son 
molto dissimili da qu'^stft rn»?;a di caui. 
Essi escono nella ' hi e 

n'avirinano in grai abi- 

i '\\ <iual- 
./ Oubor- 

ADIGAR, DIGAR. K do tnmnl- 
•malaial. adhiyãri, sânso. « 

«aquele que possui autoridadt . 

nistrador, director». No sul da índia 
era, o ainda lioj' 
tos, o titulo do < 

parece que em certas ri-giòt?» desi- 
gnava outras autoridades, como mi- 
nistro, governador de distrito, ma- 
gisti ' 'f. Km (/VilJlo adikãr 

ou "rn o título do* dois 

primt-ii 
Mu. \ • 



ADOLIM 



12 



AFONSA 



pregada por Gaspar Correia e Fran- 
cisco do Andrada. V. Glossary. 

1507. — «Auia de entregar os arrene- 
gados que la estauão, e outros se pêra la 
fogisscm, e o Digar de Chaul ficaua fia- 
dor per ysso». — Gaspar Correia, Ijendaa, 
I, p. 744. 

1519. — «Tolheo as nauegações, e nom 
lhe daua licença seuào com lhe darem 
muyto dinheiro, que lhe dauãoosdigares 
[de ComorimJ, que são senhores dos luga- 
res, e pagão muyta renda ao senhor da 
terra, que he ElRey de Bisnaga». — /(/., ii, 
p. 568. 

1534. — «Foy falar com o adigar, e 
em segredo lhe disse qut; se nom fiasse do 
ladrão». — Id., iii, p. 555. 

1554. — Com o adiguar corymale, ca- 
tinenbiar, e com todos pulas., mares e Re- 
gedores da dita terra [Coulão] concerta- 
ram estes capítulos». — Simão Botelho, 
Tombo, p. 36. 

«Esta dita ola é fFeita pelos escrivães do 
Reey grande e asynada por eles, e pelo 
adiguar da terra que aquy estaa, e pe- 
soa do Reey grande», /d., p. 38. 

1616. — «Desembarcaram em Veadala 
[Ceilãoj com seguro dos Adigar es, que 
são os principaes da terra«. — Diogo do 
Couto, Déc, X, III, 13. 

1613. — «O Manoel de Frias que o 
gouernador mandou, por capitão e feitor 
de Choromandel . . . arrendou a pescaria 
aos Digares por preço de mile quinhen- 
tos cruzados. . . O digar de Dabul tendo 
noticia disto buscou maneiras com que 
mandou dar auiso has suas fustas*. — Fran- 
cisco de Andrada, Chron. de D. João Hl, i, 
fls. 54 e 55 

1685. — «Os Modeliares, Apuames, Adi- 
gares, e outros grandes entre elles, ves- 
tem camisa e gibão, que os de casta baixa 
não podem trazer». — João Ribeiro, Fata- 
lidade histórica, i, p. 16. 

1544. — «Fac te comem et humanum 
cúm isti Genti praebeas, turn praesertim 
Magistratibus eorum et Praefectis Pago- 
rum, quos Adigar es vocant».— S. F. Xa- 
vier, Lib. I, epist. 26. 

1582. — «E questo Capitano è da loro 
chiamato Adicariu. — G. Balbi, Viaggio, 
fl. 87. 

1786. — «Molti Adhigári o ministri 
d'un distretto». — Fra Paolino, Viaggio, 
p. 337. 

1803. — «'The highest officers of state 
are the Adigares or Prime Ministers. 
They are two in number». — Percival's 
Ceylon, in Glossary. 

1861. — «... may have been but the con- 
summation of a revenge provoked by the 
discovery of the treason concocted by the 
Adigar in confederaucy with the repre- 
sentative of the British Crown». — Ten- 
nenty Ceylon, i, p. xxxviii. 

* ADOLIM. Medida de capacidade, 



equivalente a duas ceiras (q. v.), ao 
norte de Goa. Do mar. adhoU, que 
deriva do sânsc. ardha, «meio». 

1727. — «A Aldeã Vadalla e suas Pa- 
carias., lyary e Gouvary tem de torrão 75 
muras, 4 paras e 4 adolins de hatte, e 
algumas palmeiras bravas ... A Aldeã Ma- 
tunguem tem de torrão 75 muras, 4 paras 
e três adolins de batte». — Arch. Port.- 
Oriental, Suppl., ii, p. 289. 

ADUFA. Emprega- se o termo em 
indo-portuguôs por «resguardo de 
janelas», feito ordinariamente de con- 
chas semi-transparentes do marisco 
bhing, em lugar de vidraça. V. ca- 
repo. Também se diz adufo em Goa. 
Adufaria é o «conjunto de adufas. 

1915. — «A oleação da gradaria, adu- 
faria e portas foi renovada duas vezes». 
— Ultimo Relatório da egreja de Assagâo 
(em Goa), p. 25. 

ADVIPATEL. Contribuição que se 
pagava nas Novas Conquistas de Goa 
pelo pasto consumido pelo gado fo- 
rasteiro. Do concani-mar. ãdvipatti. 

1886. — «Os rendeiros e seus agentes, 
encarregados de cobrança das rendas de- 
nominadas advipatel, ou de pasto consu- 
mido pelo gado dos balagateiros e outros, 
também afugentavam os negociantes de 
fora da provincia». — Lopes Mendes, A Ín- 
dia Porttigueza, ii, p. 15. 

* AFONSA (indo-ingl. afoos). É o 
nome duma variedade de manga de 
enxerto, em Goa. As mangas da ín- 
dia Portuguesa são consideradas as 
melhores, e a afonsa ocupa entre 
estas o primeiro lugar *. A enxertia 
foi introduzida pelos portugueses e 
muito aperfeiçoada pelos frades. As 
variedades de árvores enxertadas e 
seus frutos distinguem-se em geral 
por nomes portugueses, às vezes fe- 
minizados por causa da concordân- 
cia. 

Outras variedades com denomina- 
ções portuguesas, que existem na 
índia, sao : Bispa, Carreira, Colaça, 
Costa, D. Bernardo, D. Filipe, Dou- 



* 1829. — «Goa è rinomata per le sue 
belle e saporose manghe, d'una fragranza 
delicatissima». — Lazzaro Papi, apud Gu- 
bernatis, Storia, p. 280. 



AGA 



18 



ÁGAMA 



i. Fernandina, Ferrfto, Bem- 
'-^ Mal-ouruda, Xialag;e8ta, . 
ite, Papel, Papel branco, I 
• " ' < • !.i, Sal- 
latiiia, I 
iemada, Xavier, etc. 

1782. — «Devem ser aiiu j'osias a t<>daa 
ootras a affonsa, e carreira assim branca 

'■ - 1 .. : - -.. r n fgj.. 

:;i, mon- 
i, secre- 
a para 

......... .iveis de 

lies, e que lhe bSo infe- 

, <M(ir;i. hiifara, gorge, chu- 

iiiente da Kessur- 

vêm as mangas, a que 

1 j)rnnunciauo a tere- 

• . ii . ; .jue dizem ser su- 

I go, e taes sio as 

1 as lie Goa». — Adolfo Loareiro, 

'. I, p. 149. 

— «La qualité des fruits varie 

selon la variété des arbres, tels 

ingue Affonsa, la Femandhia, 

. la 0>ilara, la Carreira, la Mon- 

i'i, la man." , etc. Beaucoup de 

' igais et aiment mieux la 

:.:_;• jue la in' uifur pêche». — Cristó- 

\V I'::'', Let Ittdty'fure df I'ltide Fortu- 

: .p. 2Ò. 

•16. — «The old man was like a per- 

-'■■ ■ Alfnn^f> •■ ' -not a trace 

omp4Jsition». 

— J ,. ... . , . ............ ....UÇ0. 

AGÁ. Senhor, chefe; oficial mili- 
tar na Turquia. Do turco agkã, de 
origem mong^'jlica. 

1552 — «Mandou a hum Turco capitio 
de PondA. ' ' '.' ' - ío Haga». — 
(aat.inh. p. 104. 

\')>VA, jM iiicipal de Ma- 

li .1). A H ,.qa .Mahauícd, Tar 

' - ,,,,;c seu». — João de 

, 9. 

ilcliau dera a elle So- 

.> iiiiio Agè a<{iiL*llas terras de arreuda- 
iii. lit'.,. — /./ . IV, p 419. 

!■'.■)..' l ■ \ ' .: " OS 

Mzta 
A .liut, pro- 

ses « li- 
- Kr. Luís Ut) SuuAa, An^acê de 
íl p. W). 
.■,•.,,. ..II " licn- 

X..-Í ■!■■,■• ■ »ilo 

jã da 
air 

, lírhtrilO do 

i Milícia Tur- 
be nos cxcr- 



Esta p:i 

lior, e a«- 



mesiin) uiiui 



■ r dizer 
.IO Agá, 

'o. Aos 

- a<>B Ba- 
— Bluteau, 



l,vjo. — .... !'■ ' '- - ' ^ -■ ida), 
kaikamant (tei.i ^i# e 

aghas (subali-in'-' i-um •• :•• m in-^i.ucçSo 
nulitar)u. — Olivfira Mascarenhas, Atra- 
vez dos mares., p. 24. 

Ití95. — «Aiudi lAga dea Jaunissaires 
chez lea Turcs est leur Colonel ; et le Capi 
Aga est le Capitaiue de la porte du Ser- 
rau». — Herbeíot, Biblwtheque OrieiUaU. 

Agá. nMot qui en ture oriental signifie 
priuiitiveuicnte frère ainé, qni en suite a 
eté employe en ture ottoman daus le sens 
de chef, maitre, seigneur et qui parfois ré- 

foud même simplement à notre monsieur. 
1 se donne comme titrc eu Turquie auz 
officiers et à certains t" ires civi- 

les». — La Grande Ene 

1915. — «An Aga might be one occu- 
pying a confidential position in the Sul- 
tan's seraglio or merely retired official, an 
army officer, or a big landowner». — Tit- 
•BUs, de 10 de Abril, 

♦ ÁGAMA (8. m.). É palavra sâns- 
crita, que literalmente quere dizer 
«chogada, vinda», e quo no sentido 
trauslato se emprega por «conheci- 
mento, livro sagrado ou religioso», e 
restritamente por t tratados misticos 
e mágicos». 

O termo • 
brâmanes, i' . 

designar as suas escrituras canóni- 
cas. 

O Conde Ângelo de Gubernatis, 
na *- 

(P- • 

patrícios pouco souberam da sabedo- 
ria bramftnica, porque somente viam 
a sua pantomima, acrescenta: «Mas 
ao ! r da sua 

vida rdando- 

se de ser povo de artista», quiseram 
todos, dum modo ou doutro, repre- 
sentar ; pelo contrário, mais grossei- 
ros e mais ávidos que os nossos, os 
portugueses, à excepção d»» pouquís- 
simos, gozaram-se si bar ' ' ' tia 
índia o a depreilaram, ^ -^^^m 
procurar mais longe» ! 

Isso só se exi '" " ' 
causada p»»lo p> 
invade 
Se o < , . • 



AGAMA 



14 



AGAMA 



mente as obras de Duarte Barbosa, 
Castanheda, JoJlo de Barros, Garcia 
da Orta, Gaspar Correia, Feruilo 
Pinto, Diogo do Couto, Camões, e de 
dezenas doutros, facilmente se con- 
venceria de que n?lo eram pouquís- 
simos, mas numerosos, os escrito- 
res portugueses que devassaram o 
Oriente e forneceram h Europa, pela 
maior parte em primeira mâo, in- 
formações copiosas, minuciosas e 
exactas, em presença das quais as 
dos seus nacionais ficam a perder de 
vista, nao obstante os seus mereci- 
mentos reconhecidos. 

Se percorresse, por exemplo, a 
Década V, veria que o seu erudito 
autor expende pormenorizadamente, 
com admirável clareza e precisão, os 
principais sistemas religiosos da ín- 
dia, e revela factos que só moder- 
namente chamaram a atençílo dos 
orientalistas. É êle quem nos ensina, 
confirmado por Caldwell, que o «vene- 
rável» pariá Valuvar compôs 1:330 
aforismos poético-religiosos, e quais 
silo os assuntos de que tratam. E 
também ele quem primeiro identifi- 
cou, como reconhece Yule, a lenda 
cristã de Barlaam e Josaphat com 
a de Buda, do que outros agora re- 
clamam a glória ^ 

Além disto, os italianos que foram 
para a índia depois dos portugue- 
ses, e muitos com o seu auxílio e 
protecção, não hauriram os seus co- 
nhecimentos das fontes orginárias, 
receberam-nos, na generalidade, dos 
portugueses, assim como outros via- 
jantes estrangeiros, que se não pe- 
jam de o confessar. E quando pre- 
tendem ser originais, cometem mui- 
tos erros crassos. Barthema, por 
exemplo, que esteve no Malabar em 
1510, diz que há ali «outro fruto 
que se chama Amba, e o seu pé se 
chama mangar). Isso ó um dispa- 
rate. Manga é forma portuguesa 

* «Professor Muller attibutes the first 
recognition of identity of the two stories 
to M. Laboulaye in 1839. But in fact I find 
that the historian de Couto has made the 
discovery long before». Marco Polo, ii, 

p. ao8. 



do dravidico mãn-kãy, fruto (mã-ma- 
rani, árvore), e amba é nome iudo- 
-árico da árvore e do fruto. Sassetti 
(1584), que Gubernatis parece supor 
ser o j)rimeiro a descrever a cólera 
indiana (quando já o tinham feito, 
com mais proficiência, Gaspar Cor- 
reia era 1543 e Garcia da Orta em 
1563), aponta como uma das causas 
do mal «moita carne di porco», sendo 
notório que os hindus e os muçulma- 
nos detestam o porco. E Carletti 
(1599) observa que «se encontra ai 
uma erva própria para o remédio 
dele, chamada, com o mesmo nome, 
mordescimi) . Aqui há dois erros. 
Primeiro, não se conhece nenhuma 
erva eficaz para a cura de cólera ; 
se houvesse, não causaria a epide- 
mia tanta devastação. Segundo, qual- 
quer erva que se aplique não se pode 
chamar simplesmente mordexim, mas 
«erva de mordexim», do mesmo mo- 
do que se não diz cobra, mas «pau 
de cobra». 

O próprio Gubernatis, com todos 
os seus conhecimentos do orientalis- 
mo, mostra saber muito menos das 
línguas orientais do que os nossos 
historiadores dos séculos xvi o xvii. 
A prova está no capítulo quinto do 
seu livro, onde fervilham desconcha- 
vos linguísticos. Eis alguns exem- 
plos, para pano de amostra : Prende 
o dravídico-malaio parau ow. paro 
(embarcação) ao sânsc. para, que 
significa «a outra banda, o lado 
oposto»! Liga o malaio-javanes^'wnco 
(embarcação) ao verbo sânsc. gam, 
«ir», pelo seu derivado (?) «Jan^a?a 
che vale rápido, veloce», — significa- 
dos que nenhum dicionário consigna 
e que fee não podem aplicar aos na- 
vios chineses. Pigafetta refere que 
o palácio do imperador da China tem 
sete muros com uma porta cada um, 
e que a cada porta está um guarda, 
satuhoram, tendo o primeiro um 
grande azorrague, satubagan ; e o 
sábio orientalista rectifica os termos 
peregrinos pelos sânscritos Çatáhd- 
rana e Çatabkãgana, sem indicar os 
seus significados. Ora em sânscrito, 
cata ó «cem» e harana é «apreensão, 



ÂÕ.iT?.AnATí 



1^ 



AoruEs 



iititlo do composto 

«o que leva ou ar- 

rebatA cemt; çatahhãga, e nfto cata- 

^' T, que não existe, signitica 

ua parte». Ma» os vocábulos 

- " ' m Fer- 

: :• i ' ulio de 

Krt'dia, se vivessem : êátu, cum>, 

horan por ôrang, c homem»; cf. órang- 

-útan = liomem do mato ; bagan, por 

h(i//<ni. "látego»: sátu-onmg = \im 

lioni.ui. ,'<,itu-báJiaji = um açoite. A 

SHXta porta está um leio, de nome 

mfnJiorhnnn, que o ilustre sauscritó- 

It.L'o r»L'iiii<iuz a Çatahariman, que 

" possui cem cavalos 

;o em malaio sátu- 

-hdrniKin quere dizer ium tigre ou 

leopardo». A sétima estSo dois ele- 

taiitt'8 brancos, que se chamam Ga- 

locução que o Conde nào 

lo padrão sânscrito, se está 

<i''\ iii.unente ortografada, se designa 

machos ou fômeas e se brancos ou 

corpulentos ; mas qualquer dicioná- 

' io diz que gája-putek 6 «ele- 

aaco». 

161?. — «Est^s lirroB sSo repartidos por 

<.■■'.]' naes 

i-j ' aSo 

r--, ;t-t : i:^ ,.■. jiurtcá, e eates em 

• •itia- .■■.;i'' .nt.i • í;;i,,s j>or esta maneira. 

>• !- rá, que «Io oa cor- 

I > - .lo puraná, que sSo 

•■ oito chamadod Aga- 

articulos». — Diogo do 

• . .. ,,. J. 

A gama. Mot saii-scrit si^nifiaDt «ap- 



Kn- 
cydopédif 

AGARA (s. iii.). iMndfir.i <la China 
e il<> .lapao, tumbOm conhecida por 

/ / '>a de cheiro», C. de Figueire- 
A'K K o mesmo que dguila (q. v.). 
I'> sftnsc. nquru ou a</an< > neo- 
-i; 1.) M. malainl. 

'/ / / 1.: .. . ^... . , o acento 
] I • ilominante deve rocair na segunda 
vi' ' ■ -'ineira, conforme 

AGAFx AG\ 



do que act • se fazem na 

Euro[)a di\' -ndicaçòes indus- 

triaos». C. de Figueiredo. 

Assim a prosódia como a definiçAo 
sflo inexactas. O malaio ágar-ágar 6 
o nome da al«ra marinha Sphcrococ- 
cuê lirhenoldfH, de que se prepara 
geleia suculenta, que os chineses em- 
pregam na sua sojta de ninho de pás- 
saro. «Usa-se também como cola e 
aplica-se à sOda e ao p-r " i os 
tornar transparentes». O An- 

glo- Indiano. 

A6ATI. Arvore Sesbania grandi- 
Jiora, Pers. «Cultivada especialmente 
pelos hindus ; tem flores brancas ou 
da côr de rosa, Comem-se as flores 
e as vagens como hortaliça». D. G. 
Dalgado, Mora. É do malaiala, mas 
não O encontro nos dicionários ; em 
concani ó ãgãjcfó. Kúnfío diz: «Ma- 
labarice Abatjr». 

1770. — «On la [bétde] cultive comme la 
vigne, et on lai donne, pour la soutenir, un 
petit arbre, appellé Agati, sur lequel ellc 
se plait sing^lièremeutu. — Rejnal, Hit- 
toirtfp. 168. 

17%. — «L'albero Jfèro o Maagneira^ 
I'albero di Tamarindi, I'Agati, il le^no 
nero..<». — Fra Paoliuo, Vioggio, p. 3bO. 

AGERU. E vocábulo recolhido por 
Domingos Vieira com o sentido de 
«nome dado pelos l)rahmane8 ao he- 
liotropio indico». Procede do cone. 
ãjeru. «Attribnem-se ás folhas tenras 
a propriedade de sarar os carbúncu- 
lo?, leicenços, bolhas, etc.». 1). G. 
'o, Flora. 

• AiiERES. Duarte Barbosa men- 
ciona agereM como o nome de uma 
das castas do Malabar ; mas nflo 
está correcta a trnns«'ri<;Ao do ina- 
laial. (1. 
étimo c -^ 

alguns outros ofício» designailos por 
outro vocábulo janto a ãxõr'' 



1616. — . 


If • 


baixa tainb< 


•I 


Agrr-f-^ 




cai; 




C H 

1 - 




1 


^.: .. 



nUl, 
aga- 

.McodoDça, (/« urphàot de CaU- 

;17. 



AGOMIA 



16 



AGREM 



* AGI. Romeiro de Meca. Do persa 
Aãy7<ár. hãjj. Gozavam tais ro- 
meiros de muita consideração entre 
os seus correligionários. 

1552. — «Peytou a liuin capado que 
auia nome Agehabedela, grande pri- 
uado dei rey». — Castanheda, Historia^ 
VIII, cap. 67. 

1615. — «Os que já foram á Arabia e 
visitaram o sepulchre de Mafoma na Meca, 
são mui respeitados e honrados de toda a 
gente [das Maldivas], sejam elles de qual- 
quer qualidade, pobres ou ricos, e ha entre 
elles muitos que são pobres. São chamadoe 
Agy, e para serem conhecidos e differen- 
çados dos outros, trazem todos roupões de 
algodão mui alvos, com contas na mão, sem 
cruz». — Pyrard de Lavai, Viagem, i, p. 147. 

1G63. — «Os que visitam esta sua santa 
cidade e casa de Meca antepõem em seus 
nomes este de Agi, e por elle são conheci- 
dos o invejados; como agora, se um se cha- 
mava d'antes Mamudxá, depois se nomeia 
Agi Mamudxáw. — P. Manuel Godinho, 
Mdação, p. 70. 

oA confirmação que trazem aquelles bár- 
baros para crermos esta comniunicaçao da 
sua alagôa, é fundada em certa historia 
de um ag( ou romeiro de Meca». — /d., 
p 186. 

1840 — «Hag-ge he huma dignidade 
privativa dos que vão à peregrinação de 
Mecca, o qual nome significa peregrino». 
— Moura, em Ben-Batuta, i, p. 6. 

1631. — «Nam qui banc peregrinatio- 
nem semel absoluerint, deiuceps Hoggei, 
id est, Sancti appellanturo. — De Império 
Magni Mogolis, p. 113. 

1674. — «And hardly restrained from 
running a Muck (which is to kill whoever 
they meet, till they be slain themselves) 
especially if they have been at Hodge, 
a Pilarinage to Mecca, and thence to Jud- 
dah». — Fryer, East India, i, p. 230. 

AGOMIA, gomia. «Arma curva, 
usada no Malabar ; faca de ponta re- 
curvada, que usam em Portugal al- 
guns trabalhadores do campo». C. 
de Figueiredo. «Faca curva de que 
usão os Mouros». Morais. «Arma de 
Mouros. He uma faca, que de ordi- 
nário he torta para dentro ; aqui lhe 
chamão alguns faca de fouce». Blu- 
teau. «Arma oífensiva dos Mouros, 
e Naires do Malabar, como huma 
faca;, e de ordinário com volta para 
dentro». Dice, da Academia. 

A arma, como se vê, não é pecu- 
liar do Malabar, e era conhecida dos 
portugueses, que nâo explicam o 
termo, antes de lá chegarem, como 



consta do Roteiro. V. Dozy, s. v. 
gumia. 

Atribuem-se ao vocábulo dois éti- 
mos árabes : kommiija, conforme Do- 
zy, de komm, «manga de vestido» , por 
se trazer o punhal na manga ; ejan- 
bii/a, conforme o capitão Burton [Ca- 
mões, Commentary), de janh, «lado, 
por se trazer no cinto. V. Glossai-y. 

1498. — «E elles andavam ao longo da 
praia com tavollachinhas azagaias ago- 
mjas e arcos e fundas com que nos tira- 
vam as pedras*». — Roteiro de Vasco da 
Gama, p. 37. 

1542. — «Com os braços arregaçados, e 
huma gomia tinta no sangue do mesmo 
moço na mão». — Fernão Pinto, Peregrina- 
ção, cap. 136. 

1552. — «Não fez mais que dar-lhe com 
uma agomia pelo bucho de hum braço». 

— João de Barros, Déc. I, vjii, 8. 

1552. — «Pelejão com agomías, lan- 
ças e zagunchos« (em Narsiuga). — Casta- 
nheda, Historia, ii, cap. 16. 

oE deulhe a sua agomia, e seu escudo 
que lho leuasse». — Id., vm, cap. 142. 

1557. — «Deixando na praia muitas es- 
padas guarnecidas de ouro, e prata, e ago- 
mias, e vestidos de brocado. — Commen- 
tarios, 1, cap. 31. 

1566. — «Todos com terçados cingidos, 
punhados (sicj e agomias» (em Quíloa). 

— Damião de Góis, (Jhron. de D. Manuel /, 
I, cap. 57. 

«Dandolhe huma agomiada por hum 
braço». — Id., cap. 13. 
1898. — 

((Vasilhas de ouro em pó, jarrões e agoniiai, 
Qaalro enormes leões de ouro e pedrarias». 
Lopes de Mendonça, A. de Albuquerque, p. 54« 

# AGRA (singalês-sânsc. ãkara, 
«mina» ). Davam os portugueses este 
nome, durante a sua dominação em 
Ceilão, às minas de Sofragâo, e o de 
vidana das agras ao capataz dos ho- 
mens que extraíam a pedraria. O 
vocábulo não aparece no Glossário 
oficial de Ceilão. 

1685. — «Da pedraria se nâo valião, e 
assim se achão somente vinte e cinco jpa- 
ravenias em Sofregão dos que o officio era 
de a tirarem, e o fazião quinze dias no 
anno, tendo hum capataz, a quem chamão 
Vidana das agras... Tanto que S. Ma- 
gestade foi Senhor de Ceilão, não faltou 
portuguez, que quiz ser Vidana das 
agras». João Ribeiro, Fatalidade histó- 
rica, 1, cap. 10. 

AGREM. Este termo ocorre muitas 
vezes na Peregrinação de Fernão 



ÂGUILA, AQUILA 



ÁGUILA, XqUILA 



Pinto, no sentido de «púlpito doi» l»n- 
. O sen 
, rum, do 
t OQ ãgára, crasu, quartot, que 
. na composiçilo de várias locu- 
L-onio stguiulo elemento. 

1544. — «Foj nrc«*s3ario mudar o 
aarcm. uai «r.i <> ini!iiit<->. n.ira huin ter- 

127. 
■ : auma de na- 
yàu... aubio iiuin agrerrif que era o púl- 
pito-. — Cap. l(ií*. 

AGUADOR. Km ásio-portuguOs 

ia, gomil». 

que se dá 

na» aiiandtgas de Goa à «água de 

'■■< 's». I Ainda hoje vem com ôase 

• nos manifestos das embarca- 

' um obsequioso inlbr- 

iin. pamilru, tú\u pan - 

!Íru, tum.panmrain, malaial.y>aniMír. 

1788. — «Cada cai^u de agua de pe- 
ru, duas taufías «• tiiuta rt-is». — Cdlec- 
' " /('«, I, p. H. 

uj li.A, ÀQUILA (pau de—). É 

' pau, usado como incenso, de Aqui- 

...:.. »...// .;^„^ Roxb., OU do .4/oí- 

ichum, Loureiro, indí- 

•hina. Kra muito 

i na Kuropa. V. 

•• de Ficalho, Col. xxx, Bluteau 

ni- 

s chama A águila «pau cliei- 

' a i>or 

Orta 

i-ihe um colóquio muito era- 

sob o título de /■ •' q. V.). 

.118 escritores po s ror- 



'8 08 nomes da substância, 

'■ " "■■"' ' ^' . aloén 



'ruj que deu gahúint ou 

.. . . ... ......aio *. 

1515. — «Sio inercadorct; traaem aqui 
aguiila levam daqujr* (Malaca). — 



^, tem 

I.:. .1,.. 



! Rui de Brito, in Carias de A. de Albu- 
ijucrque, iii, ». 218. 

lôítj. — «'lambem nase [em Champa, 
costa da Cocliinchina] inuyto Jenho aloea, 
({ue hos índios ctiamaom Aguila calam- 
bua». — Duarte liarbosa, Livro, p. 381. 

153Í). — «Trouxe hum rico presente de 
paos de Aguila, e calambaa, e sinco quin- 
taes d<! bíiijoiui de boiiina.s, c hua carta ea- 
crita em folha de palmeira*. — Fernio 
Pinto, 1'eregrinarno, cap. 13. 

15f)2. — •.\s aruores sam grandes, e co- 
uío sam velhas cortamnas e tirãolhe hole- 
gno aloes, que he ho seu am«'go, o cerne, 
e ho de fora se chama aguila». — Casta- 
nheda, Historia, m, cap. (53. 

1554. — «Cânfora, aguila, mirabulanos 
sequos*. — Simão Hotelho, Tmubo, p. 49. 

15<i3. — «Páos daguila, o sândalo 
moydo desfeito em agoa rosada». — Gas- 
par Correia, l^wlns, ui, p. 714. 

1563. — ftTom [Saniatraj as de sandaio 
branco, aguiia,'bciJoim, e as que dão a 
cânfora, como as da ilha Hurneo». — JoSo 
de IJarros, Dec. Ill, v, 1. 

15G3. — «Em Ceilão ha hum pao que 
cheira (ao qtial nós chamamos aguíla 
brat'a) ; e cheira asi como entre nós chei- 
ram muytos paoa; e j;i este pao foy por 
mercadoria a IJengaia, e chamavamlhe 
aguila //r,í»v7ii.— í;^' ■-> i ■ ' >rta, Col. xxx. 

J.'ií)G. — «IluMia^ leiradesan- 

dalo, Aaquiia, c d .... ,....s cheirosos». 
— Damião de Góis, Chronica de D. Ma- 
ntifl, 11, cap <■>. 

1572 : 



• Ei« corre 4> • .<7.i<i . 
Cuj» inHtA be du ><> 



' • ' " 'hama, 

t , X. 1». 

1577. — «A costa de .Malaca, onde se 
acha a estimada Aguila, e prezado Ca- 
lambû. — Primor e lí/iririi, fl. 10<!. 

1601. — «Ilumas coutas daguillé com 
crus e estreujos douro, em quatro myll 
réis». — Tomás l'ire.s, Mater lars, iu liol. 
í>. G. L., XVI, p. 715. 

lOOU. — • Infinita aguila brava mui 

■ dl! tão oxcellente cheiro, que parece 

.1». — Fr. .lojo dos Santos, Ethiopia 

Or it nt ai, I, I». 179. 

1613. — «De arvores aromáticos 
rifero» he a Aguila, arvore 
d.' foihn* rof)!'. de Olvvrirn: . 



ilacjii.ll.i e.i-i.i I 
tada |>or tempo 



«lo 3 1 



ditta arv<' 

raçam de .1. . 

h>.'K>. — •ii» na 

nr, I . ./.i/)<li>. (JUC 



p odo- 

'ssa 
iie- 

" a 

.lem 
, -ur- 
de 
i '. ,'o 
I- 
i da 
/ hcla- 

oj pau 
areca, 



- I*. António F. Uardim, liata- 



^ut, uâu aubsiste » dúvida 



(^. — «I'rodujiein a aguiUa cheirosa, 



Al EU 



IS 



AITAU, AITAO 



o estimado sândalo, e precioso calainba». 
— Fr. Jacinto de Deus, Vergel^ p. 264. 

545. — "Les insulairos traittent avec 
Ics Cliinoi» dc8 soyes, de bois d'Aloe, 
d'Aquila, de Clou de Girofle, de bois de 
Giroíle, de bois de Saudale et d'autres 
Marcbandises». — Cosmas ludopleustes, 
in lielaiions, i, p. 20. 

1549. — «Illi Ídolo suo freti, quod in 
puppi cereis cx odoriíeris e.x Aquilano 
ligno incensis suniniè venerabaiitnr". — S. 
F. Xavier, Lib. iii, Epist. 18. 

1583. — Questo fcalauibuco] è difFerente 
dal legno aloe, che quà domandauo paio 
d'aguila, secondo il piú e 'I nicno». — F. 
Sassetti, Lettere, p. 2Ul. 

1585. — «TaiJíbien los Japonês lleuan a 
vender alli suaplata... los de la laua y 
Pegu, il paio dei Aguila». — Fr. Joan G. 
de Mendoça, Hist, de la China, p. 363. 

1589. — nLe bois appellé^^aZo d'AguIia 
y [Champa] abonde, comme aussi le bois 
odoriferaut de calamba». — Liuschoten, 
Histoire, p. 39. 

«Le bois d' Aloe qu'on ajípcUe es Inde 
Calamba ou Falo d'Aguiiia, se trouve 
principalement en Malacca, Sumatra, Cam- 
baia et Siam et lieux voisins». — Td., p. 123. 
1770. — «Du bois d'aigie, qui est 
plus ou moins parfait, selon qu'il est plus 
ou moins résineux», — Raynal, Histoire, ii, 
p. 41. 

1786. — «Certi legni preciosi, come il 
Sândalo, VAghil o Icguo di Aquila, Varasu, 
il legno di cânfora, ridotti in pezzi lunghi 
un palmo si niettono in una fossa quadran- 
gulare». — Fra Paolino, Viaggio, p. 202. 

1854. — «.The eagte-wood, a tree 
yielding uggur oil, is also much sought for 
its fragrant wood, which is carried to Sil- 
het, where it is broken and distilled». — 
Hooker, in Glossary. 

1875. — «The fragrant wood called 
«aloes» in Proverbs, vii, 17, etc., was the 
Aquillaria Agallocha, the Hebrew word 
for which, ahalini or ahaloth, is evidently 
derived rather from the Tamil-Malayâlam 
form of the wood, aghil^ than from the 
Sanskrit agaru, though both are ultima- 
tely identical». — Caldwell, Camparative 
Grammar, p. 92. 

* ÂIER. Padre, mestre. Do tam. 
aiyar, plural de aiyan. Aiyar é tra- 
tamento honorífico dos brâmanes em 
Madrasta. 

1608. — «Sua habitação [do P. Roberto 
de NobiliJ he em hum bairro de gente nobre, 
e pêra conciliar maior respeito, nunca sae 
de casa, nem se deixa ver, nem fallar de 
toda a pessoa, nem em qualquer tempo, 
senam depois de ir lâ duas vezes, ou três 
rogando ao topaz [intérprete, mordomo] 
que o deixe fallar com o Aier, que quer 
dizer senor». — P. Fernão Guerreiro, Be- 
Id^am, fl. 84. 



«A isto respondeo Aiep, ou padre, que 
ha dous modos de viuer». — Id., fl. 96 v. 

AITAU, AITÃO (mais us.). É o tí- 
tulo do almirante chinOs. O seu tri- 
bunal tinha jurisdição sobre a gente 
do mar e sôl>re os estranp^eiros. Do 
chin, hae-tao, «chefe do mar». 

1534. — «Estes perguntarão outro tanto 
a oytão que teem carrego do mar e dos 
estrangeiros». — Cristóvão Vieira, apud 
Ferguson, Letters, p. 80. 

1.542. — «Tinha apelado para o tribunal 
do Aytau da Batampina na Cidade de 
Pequim que era o supremo Almirante so- 
bre 08 trinta e dous Almirantes. . . o qual 
Almirante por jurisdição particular tinha 
alçada sobre toda a gente forasteira, e 
mareante que vinha de fora». — Fernão 
Pinto, Peregrinação, cap. 85. 

«Estes nove estrangeiros sejão remetti- 
dos por appelação ao tribunal do Aytau 
dos Aytaus na Cidade de Pequim». — 
lã., p. 86. 

«Mandou logo um Aytâo, que he como 
Almirante entre nós, com hua Armada de 
trezentos juncos, e oytenta vancòcs de re- 
mo». — Id., cap. 221. 

1555. — «Outro Aytam que rege as 
cousas da guerra». — Carta doP. Belchior 
Nunes, apud Cristóvão Aires, Fei-não Men- 
des Pinto, p. 86. 

1555. — «Outro por nome Aytam, que 
rege as cousas do mar». — Cartas de Ja- 
pão, I, fl. 35. 

1569. — «Outra dignidade abaixo desta 
fde j4/icAaci] he ha do capitam moor, a quem 
chamara em ha sua lingua Aitão. A este 
Aítâo compete mandar que se faça pres- 
tes ha gente de guerra, e todo o que for 
necessário de nauios, mantimentos e todos 
os mais aparelhos». — Fr. Gaspar da Cruz, 
Tractado da China, cap. 16. 

1583. — «Acontecendo neste tempo de 
perder o oflicio o dito Tutão areceiando 
que não folgaria o seguinte Tutão delles 
estarem naquella cidade, os mandou fora 
encomendando-os ao Aitâo de Cantão com 
huma sua chapa». — P. Sabatino de Urcis, 
P. Mat hens lUcci, p. 15. 

1635. — «Eu Aitão tenho sabido por 
informações que os portugueses tem eahido 
em muitas culpas, por não obedecerem ás 
justiças dos chinas». — António Bocarro, 
Déc. XIII, p. 724. 

1668. — «E os mandou para Cantão, com 
ordem aos AitâOS, que são Veadores da 
fazenda». — Fr. Jacinto de Deus, Vergel 
de plantas, p. 117. 

1701. — « Aytão he o juiz dos estran- 
geiros». — P. Francisco de Sousa, Oriente 
Conquistado, II, iv, 1. 

1585. — «El sesto es el Aytão que es 
proueedor general, y presidente de consejo 
de guerra, a quien toca a hazer gente 
quando ay necessidad, preuenir nauiofl, 



ALAHVK 



IO 



ALARVE 



,;i4t;in«*nt^>«, V municiono» pêra las arma- 

• ^ ■ \ Ac 

s- 

Mci.i, y 

111 <f. li'" .M'MKllic.l, lll.-dOl tU (/« Ml 

. |i. 76. 

.1 ^i»o.^ , ,, 1 .n delia 

!'• I'ar- 

iie i ío- 

pcuetrino uolla 
.i...^P. MafTri. 

•; htorie, p, 2.i" 

ALÀCAR. V. lái-ar. 
ALAQUECA.LAQUECA. Nomeorien- 
il da corualina, variodade de calce- 
. Do ár. aVaqlqa. 

'.. — .Ah\ p r:i vcmder as mercado- 
r alaqueqas c anill, 
' naos'i. — A de Albu- 
. 1, p 1*GG. 

! 1)1*111 liiirar que chatnaoni 

Ak húa pedra dala- 

.1 pedra bramjua lei- 

Diiarte Barbosa, Li- 



\i\o fino 
51. 

.;ii;tM, ala- 
. — Fernão 



ciquequas 

.. — Ijn. 
l.il... I I.:-.'. 

>|Ueca, rri^ta-. i"': 
j'liiii. l^errijriíi i ' km. 

I.,p3. — u(] i. contas de ala- 

• '(uas». — i.«y/' («■' ■<' Ilalthazar Jorge, 
S. G. L, IV, p. ijyo. 

■ n I- i.' '••■'■-' flala- 

os 

, '. .-..U- 

. Ill, <;ij). UM 

Al aqueça »e vende por conto 
-António Nunes, Lyvro do$pe- 

. de nÓ4 
\ ai hum 

l* UMMI- 

icia da 

\L1V. 

A virtude atribuída ú laquooa 
' . era muito «abida». 



nós cora as significações de rústico, 
bruto ; e assim dizemos : córae como 
hum alar rev. Fr. .loílo de Sousa. 
V. heduim. 

H98. — «Vj neste canijnho pcra o Cairo 
mujtae vezes os salteam ladrões que ba 
nnquella terra os quaes .som alarves e 
outros»». — lioteiro de Vasco da (i^ima, p. 89. 

l.')i;j. — «He, ao derodor da dieta ylha, 
muytofl alarues, que se chamam Macha- 
iiianyr, que uou sam mouros, nem judeus, 
iM-m cristaãos, nem sam sobj^eitos a nyn- 
gem, sahio por hum pedaeode pam que lhe 
dam, byram cstroyr a ea.sa de Mequa, se 
necessário for». — In Cartas de A. de Al- 
buquerque, IH, p. 368. 

151G. — "Pelo certam dela hc tudo abi- 
tado dalarues». — Duarte Barbosa, Li- 
vro, p. 2M. 

1520. — aFez logosobr'isso ajuntamento 
com os Alcaides, e pricipaes do seu Kegno 
e com o9 Alarves, e Èn.\onvios, e Colo- 
to3 seus Coinarípiaãos». — Rui de Pina, 
Chi-on. de D. João //, p. 97. 

J5U. — «Na terra não ha cidades, nem 

fíouoaçÕes; mas viuem no campo em tendi- 
hões, a modo dalarues». — D. Joào de 
Castro, Jtotein} do Mar lioxo, p. 74. 

1552. — «Com o qual fundamento en- 
trado nesta enseada acodirão logo ft ribeira 
do mar hús pouens de Mouros a que elles 
cliainão Baduijs : cuja vida he pastorar o 
gado e andar no campo a modo que dize- 
it iiidào os Alarues». — Joào de 

, I>éc. I, VII, 2. 
i.i.M. — «De Judá até Otor vivem mui- 
tas cabildaíi d<- Alarves. Otor lie huma 
cidade de Cliristãos; de Aeintura, e dali 
até Suez pelo Sertão tudo .são Alarves, 
que vivem naquelles desertos». — Commeu' 
tarioê, IV, cap. 17. 

1627. — Na qual estii huma grande ca- 
I va, euSohamourf», alarve, ou outra qual- 

3uer pessoa, que ouze a entrar dentro». — 
oão Vfascarenhas, llist. tragioo-maritima, 
VII, p. 43. 
I IG.tô — «Partidos elles veio o sol sa- 
' hiiidn. p de entre os matos ajuntaram-se 
alarves, que vie- 
utos, o (pie nos pos 
iado». - José de (Tabreira, 




.IIX 
• •11 ^ f .iii'i Hl iiiiiM <• cu 

'•». - Linschotcn, Hit- 
I.V.m;. — <>I,;i|>i>l. Ill apud eosduni quoque 

mriiiKr^.-ri ' iiii <'i '/i' vi II II I iimiilti 



ALARVL. 11. l'o ar. 

ulanib ou labe*. «A 

palavra Alarve be muitu usada eutre 



IGliJ. .1 
que habitâo •> 
ena c arábios, 
ao loiígr» do 
alarves. 
%>>!< n<>H I 



< as 

tur- 
irro 
i, e 
sen- 
rto 



— P. Manuel 



1 . .'■*)" "«r.iriu de 

huu.H , i p.i--.ir.\i> j'jiraa 

ooita de Berbòris, e por iaeo cuiu mau prç* 



ALBETOÇA, 



ALÇA 



priedade os CastcUianos lhe chainuo Ala- 
rabes. Os Alarves da costa do Berbéria 
andão sempre lio campo, scin outro domi- 
cilio, que o das suas tendas, que levão de 
huma parte para a outra, buscando pasto 
para si, e para o seu gado». — Blutoau, 
vocabulário. 

ALBACORA, Albecora. É o nome 
do j)eixtí ThinmiH (tl/iacora, Lowe. 
O Sr. Cândido de Figueiredo dá du- 
bitativamente por étimo o ár. al- 
-hacor. ]\Ias liozy declara que n^o 
encontrou a palavra com este sentido 
em nenhum dicionário árabe *. Alguns 
escritores derivam o vocábulo de alva 
cõr. 

1563. — «... leuando o piloto por popa 
do nauio húa linha com seu anzolo pcra 
tomar os peixes, a que os mareantes cha- 
mão Albecóras, que são do tamanho e 
feição do Atu, veyo cair no anzolo bu des- 
tes peixes Agulha». — João de Barros, 
Déc. III, III, 1. 

1Õ69. — «Chaniâo a estes peixes Albe- 
córas {albecora piseis) peixe velocíssimo 
e tanto que por mais enfunada que vá 
huma nao cora todas as velas, a vai se- 
guindo e isto quasi toda a carreira, salvo 
110 Cabo de Boa Esperança». — P. Mon- 
claio, in Boi. S. G. L., iv, p. 495. 

1882. — «A agulha, alvacora, arenque, 
badejo» (peixes de Cabo Verde). — Ibid., 
IH, p. 98. 

1579. — «These (flying fishes) have two 
enemies, the one in the sea, the other 
in the aire. In the sea the fish which is 
called Albacore, as big as a salmon». — 
■Letters from Goa, by T. Steven, in Glos- 
sary. 

J582. — «Pigliavisi un'altra sorte di 
pesce che domaudano albucore, detta 
-Pelcunns sarda ; questa è migliore, con tutto 
che alida». — F. Sassetti, Lettere, p. 174. 

1620. — »... ayant remarque plusieurs 
fois les Bonitos et Albacores s'y debat- 
tre grandement».— General Beaulieu, Mc- 
•moire du Voyage, p. 5. 
: 1673. — «Of these sort we saw good 
.store flying from Bonitos and Albecores, 
who were hunting them». — Fryer, East 
India, I, p. 36. 

- 1750.— «L'Albacore est à peu prés 
de la même espèce que le Bonite, quoique 
plus gi-and. On en prend qui pesent depuis 
«0 jusqu'a 90 livres. Ce sont aussi les Por- 
tugais qui I'ont nommé Albacore, à 
cause de sa blaucheur». — Grose, Voyage. 

ALBETOÇA. «Certa embarcação 
indiana», diz o Diccionario da Aca- 

i Crooke (em Fryer) pretende que o ár. 
ál-bukr, «camelo novo, vitela», a que prende 
"P port, bácoro, seja o étimo. 



deniia. Mas os nossos indianistas em- 
pregam o termo como muito conhe- 
cido, sem nenhuma explicação; nem 
as línguas indianas conhecem nenhu- 
ma embarcação com tal nome, que 
parece ser de origem arábica, pro- 
vavelmente al-botsa, conforme opina 
Kngelmann. Pelo contrário, em Por- 
tugal havia barcos denominados alhe- 
toças. «Apeados todos, diz Francisco 
de Andrada (Chron. de D. João III, 
fl. 119 v) no caiz [em Lisboa] El- 
Rey tomou a princesa polia mão, e 
assy a leuou ató a meter na alhe- 
toça, e dentro nella lhe beijou ella a 
mílo». 

1520. — «E ao passar do Tejo ouve logo 
hu singular recebimento d'albetocas, 
barcas, bateis, e outros navios muitos que 
pêra a dieta passagem foram ali vyndos, 
toldados, e concertados com muita perfei- 
çam e riqueza». — Rui de Pina, Chron, de 
D. João IT, p. 130. 

1530. — «Em Cochym Antonio de Sal- 
danha fez carauellas nouas e duas albe- 
toças pêra cada huma tirar hum basilisco 
por proa e oito peças grossas jiolas bandas 
e por popa». — Gaspar Correia, Lendas, 
III, p. 335. 

1542. — «Mandaua a Cochym dar pressa 
que se acabasse hum galeão, e quatro ca- 
rauellas que se la fazião, que começara 
dom Estevão, e mandara fazer muy fortes, 
como albetoças, que se podião remar, e 
cada huma podia tirar por proa hum basi- 
lisco, e seis peças grossas polas bandas». 
— Id., IV, p. 243. 

1552. — «Guardauão aquele rio em duaa 
galeotasehua albetoça». — Castanheda, 
Historia, viu, cap. 158. 

1556. — «As pessoas que haviam d'es- 
tar em os bateis, de mantas e atbetoças, 
e outros navios». — Lopo de Sousa Couti- 
nho, Ilist. do cerco de Diu, p. 23. 

1589 : 

«Nada Antonio de Sá trns estas tarda 
Que huma grande albctofn vay mandando». 
F. de Andrada, O Primeiro Cerco de 
Diu, II, 28. 

ALÇA. Emprega-se esta palavra na 
índia no sentido peculiar de «lucro 
proveniente de subarrendamento, e 
da venda de objectos miúdos das co- 
munidades agrícolas. 

1771, — « . . abolindo-se inteiramente 

a indecorosa negociação, que até agora se 

fez, sob o bárbaro nome de Alças do bate 

de — Dastam — comprando-se debaixo desta 

I denominação o arroz por menos dos pobres 

j para depois ser vendido por mais em nome 



ALrATDE 



21 



ALCATÍÍAZ 



«ic i'l.iiiitai, in 



. N. 
V, p. 1 13. 

lf-.iiTt:l do 



reudamento». — 

p. 1. 
js. . i casta da 
ie viuvas e or- 
iiiirji». — ijij», Jacui t Unlet, p. 48. 

ALCAÇUZ INDIANO, ALCAÇUZ DA 

AMÉRICA, ALCAÇUZ SILVESTRE, JE 

QDIRITI. - ií 

Abrus />/•' , , '11 

'íil/I nas línguas indianas. V. fruta 

nta. 

•^ — "As f^'Ihas ínhptn a alcaçuz; a 

ti< caa.sar iu- 

fl i na pclle ou 

li tiatal.v G. Dalgado, Flora, 

ALCAIDE. CapitAo de fortaleza. 

nJe do mar, ca- 
ào porto. Aicaidaria, oilcio de 
. .uár*. Termos lavados de Portugal 
ira a índia. Do ár. cd-kãid. 

1507, — «Por alcayde Kuy do Brito, 



••s- 
ii.toi do 









■!a«. — A. ae ai- 
n<>>!f»a9 de bem 






alcaide- 






-> »-argo da 








>. aloaydaria, e 
-am dada« a ▼©- 








.IrcAíCu 








• 1 

delia 

1 . V- 


1 • 


lU 


fiior 


-- f.— .í-.- ni- 



!o do mar e o escri- 

..-V. ...1 .. ...^.... i.^.M A «lie bu'-" ■■•• — 4'- 
vará do vice rei, í6iá , p. S44. 

ALCATRAZ. Os is 

nilo I'lajH'v'^ain o ^ lo 

ordinário de «palicano», mas sim co- 
mo sinónimo de manr/as-de-veludo, 
Diomedia exulaiu de Linneu, qne se 
encontra nas parajcens do mar da 
Africa Oriental. Os ingleses e os 
franceses corromperam a palavra em 
nlfuitros ou albatross, que ó também 
ir'L'istado por alguns dicionários por- 
tugueses — albatroz. V. antenal. 

1541. — «Eate dia polia menbaa vimos 
bauns passarng, aqui chauiadoã rabot de 
junco, e á tardr Alcatrazes». — D. JoSo 
de Castro, Rotrl ' r fíoxo, p. 8. 

1.">Í)5. — «P' \ ' • pedaço de terra 

muitos pássaros bruinos c-om pontas das 
azas pretas, a que chamam alcatrazes». 
— Manuel Rangel, Utêt. tragico-marUinui, 

II, p. 14. 

19G1. «H. 'II muitos mais de 

cadavoz; !<■ juncos, muitos 

rabisforcailíi, c ulj^'uu- ;,'rajaos, e infinitos 
alcatrazes». — Henrique Dias, U>id., 

III, p. r>4. 

1585. — «Tinham vi.sto uns pássaros, a 
qi- — ' ' ■ '. im alcatrazes, 
<■ > junto da terra, 

oii.j.- |...>>,i!ii i.w.' i 1' uíiíllO». — Ibid., IV, 

17. 

1712. — «Alcatraz Pa.ssaro de mar. 
He mayor que Gaivota ; anda com ellas. 
Tem algumas pt-nua-s parda'* V'li 
muitos na viagem da Índia, q': 
u.i \ f>rr.i Alcatrazus. 



II -se 
'le- 
i.lO 

i.-is 
\n 



oa term». — liiut«'au, l 



l**.-]? 



itraz 



• O albatroz 



iuglex 
> -» ai- 



'rteitUU^ 111, 



■ia- 

lOS 

ior 

de 12 

«The 8th December wo an- 

II 1.1 ....I .. .11... I (/..../.-....crt^ 

od 

... I ia- 
AIca- 

„ ivv the 

I tlio Mmo aame». — HnwkiuK, 

7- 



ALCORÃO 



22 



AIXOKAO 



1589. — «Nous. . . vismes de rechef I'eau 
verte, et quelquenombre d'oisoaux appoUez 
Alcatrases, et beaucoup de Loups de 
nier, certains iudiccs de la Coste d'Afri- 
que». — Liuschoteu, llistoire, p. 166. 

1620. — «... comine aiissi de.s oiseaux 
que les Portugais aj)pellent Alcatras ou 
Margants, qui ont Ic corps blaiic et lo bout 
des aisles noires sculement». — General 
Beaulieu, Mánoire, p. 6. 

1G73. — «We met with three feathered 
Harbingers of the Cape, as Pintado Birds, 
Mangofaleudos \Man(jas-de-veludo\ Albe- 
trosses; the lirst remarkable for their 
painted Sports of black and white; the 
last in that they have great Bodies, yet 
not proportionate to their Wings, which 
mete out twice their length». — Fryer, 
East India, r, p. õl. 

17Ó0. — «Les Albatrosses sont de la 
grosseur d'un Autriche, quoiqu'ils n'ayant 
pas d'autre resscmblance avec cet animal. 
Les Portugais Icur donnerent en conse- 
quence le nom d'Alcatraz, d'ou par cor- 
ruption on les appelle Albatrosses». — 
Grose, Voyayc, j). 16. 

1754. — An Albatrose, a sea-fowel 
was iihot off the Cape of Good Hope, which 
measured 17 1/2 feet from wing to wing». 
— Ives, in Glossary. 

ALCISTA. K aquele que percebe rtZ- 
ças. 

1909. — «Estes syndicateiros em Goa 
são cenhecidos dos colonos pelo nome de 
aicistas, era virtude de se denoming^- 
alça a ditferença entre a renda que pagam 
e a que recebem». — Manuel Ferreira Vie- 
gas, in Boi. S. G. Z/., xxxii, p. 427. 

1916. — «... pondo-se assim em mere- 
cido relevo mais por esta forma de parasi- 
tismo social a acrescentar ao dos alcistas 
e outros que medram desde longe enxer- 
tados nas gãocarias». — Ileraldo, de 4 de 
Abril. 

ALCORÃO. Em duas acepções se 
toma o vocábulo: «livro sagrado dos 
maometanos», geralmente chamado 
moçafo pelos escritores antigos ; e 
«torro donde os almoadens chamam 
os muçulmanos à oração, minarete». 
Do ár. al-qofan, no primeiro sen- 
tido ; o segundo é por extensão, 
«lia duas maneyras de Alchorao; 
Ima delias significa summa, ou copia 
de preceytos, e mandamentos, o este 
lie o que tem nas suas Mesquitas es- 
cripto na lingoa Arábica. A segunda 
maneyra de Alchorao lie o que res- 
ponde entre elles a torre de sinos: e 
este modo de fallar não he tão pró- 
prio, mas secundário». Fr. Gaspar 



de S. Bernardino (1609), Itinerário 
da índia, p. 216, 

1516. — «Estes Mouros [de Quíloa] fa- 
laom arauya e tem a ceita do Alcoram, 
crêem muito cm Mafamedc». — Duarte Bar- 
bosa, lAvro, p. 238. 

1552. — «Foy a mayor injuria e offensa 
que se podia fazer a hum mouro, por lhe 
ser tão defeso em seu alcorão come- 
rem j)orco8». — Castanheda, Historia, viii, 
cap. 19. 

1554 — «Estes mouros pregão continua- 
mente o alcorão de Mafoma». — Carta 
de Fernão Pinto, aptid Cristóvão Aires, i, 
p. 65. 

1557. — «Dissessem ao Key, que ele, e 
Cogeatar, e liexnordim, c todos os Gover- 
nadores da Cidade jurassem no seu Alco- 
rão de terem e manterem tudo aquillo 
que tinham assinado». — Comment anos, i, 
cap. 36. 

15G3. — "E lhe começou a rezar as ora- 
ções de Mafamede e de seu alcorão... 
Com o qual modo foy correndo as terras, e 
chamava ao alcorão, e fazia todos os 
modos de caciz santo». — Gaspar Correia, 
Lendas, 11, p. 348. 

1572: 

«Gregos, Thraces, Ai-menios, Georgiano.<!, 
Bradando-vos estão, que o povo bruto 
Lhe obriga os caros fiUios ao.s profanos 
Preceitos do Alcorào (duro tributo!)'!. 

Camões, Limiadas, vii, 13. 

1608. — «Destes [Mulas] tem alguns a 
cargo o serviço delia [m-esquitaj, e o bra- 
darem o Alcoram de dia e de noite con- 
forme suas horas». — Fr. António de Gou- 
veia, Hdaçam da Persia, fl. 38. 

1G13. — «Raramente se occupão nos es- 
crittos de Alcorões salvo algum Mída 
ou Cnsis de Arabia». — Manuel G. de Eré- 
dia, Dcclaraçam de Malaca, fl. 39. 

1627. — «Estes Cádis são homens ve- 
lhos, ricos e lidos no Alcorão». — José 
Mascarenhas, Hist, trágico -mar itima, viu, 
p. 79. 

1529. — «Derribava as mesquitas, e al- 
corões: fazia delias estrebarias para o 
seu exercito». — António Tenreiro, Itine- 
rário, cap. 5. 

1552. — «E sem nenhua vergonha lhe 
cometeo que fizessem chamar no alcorão 
de Diu por rey de Cambaya ao Turco». — 
Castanheda, Historia, viii, cap. 194. 

1554. — «E que nos allcorões o cha- 
massem nome de Rey do guzerate, asy co- 
mo se chamaua o sultão hadur em seu tem- 
po». — Simão Botelho, Tombo, p. 225. 
I 1.557. — «E no alcorão da mesquita 
1 mandou arvorar huma bandeira e pôr dez 
homens para vigiarem dali o campo». — 
Coinmentarios, i, cap. 21. 
1 1563. — «E ainda sobre esta matiuada 
j de bacias, este Mouro que estaua por ata- 
I laya ua torre, a que elles chamão Alço- 



ALDEANO 



AI.KIA 



rAO, feitooainril. Iirri'loii n]r,i >fft- 

t il '•<, niatalosi i rot^ Deo. Ill, 



, e u t'lifs alcorões 



; I li c . . a T 



,11 ♦,..•,-,. olt- 



il'> Alcor 



Vu- 



if'sda Persia altas 
1 alcorões, ijue 

tort'S das 8Ínos. 
qut; 8c' .vens. A 

■3 s-riiif^ (r A nn din 



nSIrt p^re»»^»e a fjue p«la- 



: , r'.'uud 

are te- 

M.Ia 



ALDAVANE, Aldravane (gaz. Aai- 

K árvore in- 

. 1 : // wa cordifolia , 

!io Ó ttsodo em DamAo. 

^/. 

i;jr. »\»9&, aldra- 
Mendes, A India 



aldravane, •-!«:-. 

>. Itnl. S a. /.,., XXIX, I» 



■ termo Ó corrente 

......■- .>«ul)!(tAntivo e como 

íivo, por «oldoílo». A» alileias j tàry 



indianas si.» v. ...... .i- i. ;_.!. ....i^ ,-,,1 

Portufral, e oripináriameiíte eram or- 
"lo de « de 

rvam ai, -tos. 

'oaldeano. 

— «Os foroiroa ma 
iplo do dito abu.so i 

Saccadores Aideancs uo 
■.. — F. N. Xavirr (filho), 

*.'(/. n> i> ,.t. j). XXXVI. 

I 1872. — Os escrivães aldeanos formu- 
lem as relações i: entreguem aos sacadores 
para estes fazerem a arrecadação». — Id., 
p. íhí. 

19(M5. — «Devemos todavia conjecturar 
qiio niio ('• aldeanos castfU''";-""" pois 
ainda é usaiio na índia por' tbr- 

ina aldeano. al)Mii.i.l;i nor ' l{o- 

ludo 

"(."um aji Aldeanos «ia Ca- 

mará», ' Aideanas». — 

Gonçalves Viana, Apuslila*, i, p. 3. 

liM5. — «Km agcsto nma série de actos 

eram projectados e levados a cabo, taes 

<>nmn handitismos, descontentamento de 

■ s aideanoa »• estudantes». — O 

. (Ití 2.") tio N'>\triihro 

1:*Hj — «Para lembr ■ ma entre 

muitas, o desatino que afastar, 

issarem <>s fundos d;i5 ;• > lo- 

aldeanas para con um 

ij.iino agrícola pouco accessivci ao povo». 

— Id., de 14 de Fevereiro. 

ALEGRETE. Kste termo, qne no 
t.! quer dizfT ucanteiro de 
. ua índia Portuguesa ae em- 
prega para designar o «vaso de barro 
em que se cultivam Horesi. 

* ALEJA. K espécie de tafetá lig- 
tra<lo, às v- i de al- 

godílo. mais da ín- 

dia. Os nossos escritores antigos nfto 
o mencionam, pelo menos sol) esta 
designa<.'ao ; mas referem -se-llio via- 
jantes il: ' íne 
Ynle, <• aa- 
tem Inileja, que deve ter sido 
....j.orittdo. 

tsv^ — «Alejat, \2coriaâ c 15 peças» 
:<-ga de Uoa). — Ánnaea íiarUi' 

•I, thoir 
i Utaê 

''k ill- 

u,: 

1712. — .Vn Allejah petticoat striped 
with grcoo au gold aud white». — In Gioe- 



V 



ALTA 



24 



ALIA 



# ALENGA. Caldeira em roda de 
árvore, ou cova grande para se plan- 
tar o coqueirinho, E termo muito 
usado era Goa, e derivado do cone. 
alem . 

XVI n. — «Então se abrem alengas 
de sufficicnte altura, em que os taes cocos 
86 semeiem... No fundo das alengas se 
lance sal misturado com cinza em siifli- 
ciente quantidade». — Arte palmar ica, i, 
p. 14G. 

1782. — «E melhor cinzal-o [o palmar] 
uo tempo de entrar o inverno e cobrir ou- 
tra vez as alengas da mesma terra». — 
Fr. C. da líessurrcií-ão, Tratado, ii, p. 285. 

«Fazendo-llie uma pequena alenga 
para que a agua da chuva o não espalhe». 
— Id., p. 286. 

1852. — aAlltm ou Alenga — Excava- 
ção, cova de redor do pé de palmeira para 
regar, e estrumar». — F. N. Xavier, Bos- 
quejo histórico, IV, p. 1. 

1886. — «E ainda hoje, em relação á 
agricultura, se expõem á sua immediata 
acção as raizes das palmeiras, abrindo-lhes 
em roda as alengas ou caldeiras». — Lo- 
pes Mendes, A índia Porlitgiieza, i, p. 35. 

* ALGODOEIRO DO MATO. É o mes- 
mo que paiiheira. 

ALGUAZIL, A palavra arábica al- 
-uazh' {vizir em tnrco) deu em portu- 
guês três formas: aguazil, «antigo 
empregado administrativo e judicial; 
oficial de diligências»; alguazil e gua- 
zil (sem o artigo), «governador» . Os 
nossos indianistas empregam-na no 
último sentido, e preferem a forma 
guazil (q. v.). Aiguazilado é o cargo 
de alguazil. 

1510. — «Tem continoa guerra estes 
alguazis huns com os outros e tomam os 
lugares huns ós outros». — A. de Albuquer- 
que, Cartas, i, p. 22. 

1512. — «Fycou lhe hum filho moço he 
começou entender primeiro em seu aigua- 
zilado». — LI, p. 85 

«A mim me pareceo voso seruiço fazer 
com el Rey de cananor que todavia tlrase 
este seu alguazil de cananor e posese 
outro». — Id., p. 85. 

1557. — «Grande senhor e Capitão en- 
tre todos os Alguazis, e Capitães». — 
Commetdarios, i, cap. 60. 

«E que o faria Alguazil mór, e Ca- 
pitão de toda a gente da terra». — Ibid., 
11, cap. 22. 

ALIA. E uma peculiaridade singu- 
lar dos elefantes de Ceilão, já no- 
tada pelo Padre Manuel Barradas em 
1613, «que nenhuma fêmea tem den- 



tes, e dos machos os menos sH.© os 
que os tem» *. Km singalês há muitos 
nomes para o elefante: o que não 
tem denies é alii/ã, mais usado, has- 
tiyã, gajendrayã; e o de dentes ó co- 
nhecido por (Ptã\ a fêmea chama-se 
a'tiinn ou hastinní. 
• Os portugueses, que já conheciam 
na índia o animal com dentes e lhe 
davam o nome europeu com o seu 
género próprio, ouvindo que os indí- 
genas chamavam coinmumente aliyã 
ao seu paquiderme, entenderam que 
tal era a denominação especifica de 
«todo o elefante sem dente, quer soja 
macho quer fêmea», como declara o 
aludido autor, que emprega o vocá- 
bulo como masculino e feminino, con- 
forme o sexo. 

Os outros escritores, porém, con- 
sideram o nome como feminino e si- 
nónimo de «elefanta». Várias seriam 
as razões da restrição do sentido: a 
terminação feminina de alia, o facto 
de nenhuma elefanta de Ceilão ter 
dentes e a existência do termo ele- 
fante para designar o macho. 

1609. — «... dous dentes que lhe saem 
fora seys, ou sete palmos, os quaes nam 
muda em toda a vida, nem os tem as aliás, 
ou fêmeas, mas só os Elephantes machos». 
— Fr. Gaspar de S. Bernardino, Itinerário 
da índia, p. 163. 

1613. — «Em logar de azemolas se ser- 
vem alli [em Ceilão] dealéas». — P.Ma- 
nuel Barradas, in Ilíst. traqico-maritima, 
11, p. 79. 

«E muitas vezes se espantaram os pa- 
dres de ver o que nesta parte fazem os 
aléas mansos e de carga, já acostumados 
a andar entre gente» ^. — Id., p. 81, 

1615. — «Os vidanás das aliás com que 
os [elefantes] caçam, serão postos pelo ca- 
pitão geral, visto serem necessárias para 
os serviços dos arraiaes; e o capitão geral 
dará ordem ao vidaná, para acudir com as 
aliás de caca necessárias para a dos ele- 



1 Emerson Tennent (1860) corrobora 
plenamente a asserção do nosso escritor : 
o It is a curious fact that, whilst in India 
and Africa both sexes have tusks... not 
one elephant in a hundred is found with 
tusks in Ceylon, and the few that possess 
them are exclusively males». — Ceylon, ii, 
p. 263. 

^ Em ambas as edições o vocábulo ocorre 
invariavelmente acentuado aVea e aléa; 
mas suponho que o autor escreveria aleá. 



At^tApat? 



ALMADTA 



J3 auiAusar" ~ ifQC. aa 



;'J. 

I lias, e todas 
;</., p 70S. 

I I .', iin. ritilin 



.'7. — "Fnrnntriímns nmn alia on ele- 
- de cem ti- 

•rruhnr-'. — 



', clúuuuiti' alias, i\ic >,ciiiu 
• — V Cavdini, Hilttione 



ALJÔFAR, aljofre ( nome colectivo). 
Parolas miúdas. Do ár. al-jauhar. O 
termo era conhecido muito antes do 

■ os 

uo menciona um documento de 
. em qoe o'*^-— "'.''• orixa 
ico sontido. 

1-4D7. — «A» mor* atloria» eia»» canella 
• crsvo f aljôfar c ouro». — lioteiro de 
'. ,..G. • 

aljôfar, e p«ro|aí, que me 

l.T, 

as 

I r.iiiii.-r" tie Auijoida, 



iT nr 



i'l> .lll«/i»". .-\. 'II- .\1HU 

I, p. 1\ 

1'.lé-. „ .V 1...,., c. 



■ va- 
ra 

juii ijiii-, C-iíi tUMf 



li,ni, — .. j rwu.i <• iros r).i{(ir.-( doiiro 
cada huin om tros grãos d'aljofre». — 
'" 'is i'ires, Aíaífriaes, ia Jiol. S. G. Z.., 
. 7 lá. 

Í..13. — -O '• ''- '■- •■■■'- ■"■:-. do 

mar. . . siio p» • • »», 

— P. Manuel li -, >,..,-' "ia- 

ritima, ii, p. 1'3. 

1('iS5. — Os i|i"' i'liiiiinilo iior iniiulo. vâo 

indo as }>■ i ' "f- 

II. •. . . O : nO- 

: O primeiro lie o melhor; a eete 
cíllofar de primeira joeira». — 
João Kibeiro, Fatalidade hUtorica, i, 
cap. 22. 

1H83. — «... sendo também muito pro- 
c»ira<la3 «•< jifdrnn dr Jua e os <tího« de gato, 
''(•m como as pero- 
nas, que denomi- 
u;iui aljôfares, c quu são muito vulga- 
res» (em Ceilão). — Adolfo Loureiro, ^o 
Oriente, i, p. 236. 

1G75. — «The Lusitanians call it AIJo- 
faí*", which iu Arable sounds as much as 
Jnlfar, tlie Port in Sinu Pérsico where the 
most excellent Pearls are caught*. — 
Fryer, Kast India, ii, p. 3«:4. 

ALMADIA (fr. almadle). Embarca- 
ção nionúxila, pequena, estreita e 
comprida ; canoa. Do árabe africano 
al-'mattta, «jangada». Paroce que o 
termo vogava na Africa austral (on- 
de está em uso em landim) ao tempo 
dos descobrimentos portugueses, 
sendo depois levado para a índia, 
ondo penetrou no malaiala. Agosti- 
nho Barbosa, porOm, diz, no seu di- 
cionário portugn»"s-latino (IGll), que 
as talmadum sflo embarcações de 
pouca fabrica, que se usflo ua índia». 



14i:,. _.Temli 
madias <\>- Ihum 



ai- 



i — «F.lii (^.Ihf ân feiM trnfo entii ejis.l 



'ivietra, cjài». 20. 
14^7. — nfc Cita jente folg.nva muito 



Cn to 



Privietra, cjài». 20. 
- «K c«( 

■ e nos traziam .'<o.'« mu 

.in eui almadias •!*'<' *'' 

vio Vieira, amtd Ferguson, iMter,, 1 — i*"/<<>o de Va»ci> da <■ 

I l.SíHl. — ail Rei mai 



«...ar 

fiit' 'eonr/*, d. 

de Ci'iLu>». — Juiio da liar- . -^ '" 

t 1 

- - , T^ ' nini 



"in apa- 
i-ora 



■ art.'. .. 
1;>7.' 



■tt''ir< ". IS i-.ii 



'Hê Doe. da Torre 



e cocoí». — iotne Lupct, Aaiiyuvi'. 
7. 



ALMADIA 



2n 



AfMADlA 



1507. — «Ho3 zambucos todos se per- 
deram com toda a jente e todas as al ma- 
dias alagiiadas, e o mar era coalhado 
d omens afogados e rnolheres e miniiios». 
— A. de Albuquerque, Cartas, i, p. 3. 

151G. — «Ila liuu lugar que chauiaora 
Angoya, que be por bonde se bos Mouros 
seruem com muytas ai madias de trazer 
os panos, e outras mercadorias». — Duarte 
Barbosa, Livro, p. '23»3. 

1531. — «De cada bum bomem que fôr 
em ai mad ia e cotia por este rio [Man- 
dovij acima levará o escrivão bum leaU. — 
Afonso Mexia, Precalços dos ojfficiae^ do 
Mandnvim. 

1553. — «Os negros deste terra [Cabo 
Verde]... vierão a elle em suas alma- 
dias com mão armada e tenção de fazer 
algum dano se pudessem». — João de Bar- 
ros, Déc. I, I, 15. 

155G. — «Antonio da Silveira mandou 
luna al madia, e em elladois bomens para 
que os trouxessem». — Lopo de Sousa Cou- 
tinbo, Jlist. do cerco de Diu, p. 197. 

1557. — «Fora ter a bum porto da liba 
de S. Lourenço, e em surgindo viei'am duas 
almadias com alguns negros a bordo da 
náo». — Commentarios, i, cap. 9. 

1563. — «Muyto proveito acbamos nelle 
[óleo de côcoj para o espasmo, ou dores de 
junturas, antiguas, scilicet, metendo o pa- 
ciente em buma almadia pequena, mais 
que de comprimento de bomem, ou em bu- 
ma gamella grande; e nelle quente deixão 
dormir e estar o paciente, c milagrosa- 
mente aproveita». — Garcia da Orta, 
Col. XVI. 

1567. — «Nesta paragem tomou em híia 
almadia alguns negros que consigo trou- 
xe, e que foram os primeiros mouros que 
vieram a Portugal». — Damião de Gois, 
Chron. de D. João, p. 21. 

1572: 

«As embarcações eram na maneira 
Mui velozes, estreitas, e compridas: 
As volas, com quo vem, eram do esteira 
D'umas folhas de palma bem tecidas». 
Camões, Lusiadom, \, 40. 
«Uns vão nns almH<lini« carregadas, 
Um corta o mar a nado diligente». 

id., I, 92. 

1609. — «Muitas embarcações a que cba- 
mam almadias» (em Sofala). — Fr. João 
dos Santos, Ethiopia Oriental, i, p. 115. 

«N'este bosque achámos muitos cafres 
cortando alguns paus grossos para fazerem 
d'elles embarcações, como fazem ordina- 
riamente, inteiras de imi só pau cavado 
por dentro... cbamam-se estas embarca- 
ções almadias». — Id., p. 163. 

1613. — «Chegou bum tone (que por ou- 
tro nome se chama almadia)». — Fran- 
cisco de Andrada, Chron. de D. João III, 
IV, fl. 83. 

1615. — «O rei lhe enviou grande copia 
de almadias ou bateis carregados de 
viveres». — Pyrard de Lavai, Viagem, i, 
p. 316. 



1635. — «E como entram pelo rio, des- 
carregam em outras embarcações ligeiras 
c muito CDUipridas, a que chamam alma- 
dias [em Manamotapa], e cm cada uma se 
recolhem vinte até vinte e cinco fardos de 
roupa, de vinte e cinco corjas cada nm'>. 

— António Bocarro, Déc. XIII, p. 534. 
1697. — «Píncbêram a caracora de agua, 

e a Hzerão virar, se bem que a não mete- 
rão no fundo, porque era da formadas al- 
madias da índia, e canoas do Brazil, que 
depois de cbeyas de agua virão, e nadão». 

— P. Francisco de Sousa, Oriente Conquis- 
tado, I, III, 2. 

1712. — «Almadia (Termo da índia). 
Embarcação pequena de que usão os cana- 
rins nos rios». — Bluteau, Vocabulário. 

1895. — Almadias, embarcações miú- 
das e monoxilas». — Lopes de Mendonça, 
Os Orphãos de Calecut, p. 103. 

1898. — «Compravam aos egypcios dif- 
ferentes objectos que estes removeram 
para alli nas suas ligeiras almadias». — 

— Oliveira Mascarenhas, Atravez dos ma- 
res, p. 29. 

1444. — «E fanno d'esse battelli piccoli 
al modo di almadie per jjescare». — Ni- 
colo di Conti, apud Ramúsio, i, fl. 339. 

1582. — «Fabricano alcune barcbe [em 
CocbimJ, daloro cbiamate Almadie tutte 
di un pezzo, lequali usanno caricbe cou 
buomini, e roba di questa città fino in Goa». 

— G. Balbi, Viaggio, fl. 74 v. 

1589. — «Se confiant à leur dexterité à 
nager ils s'aventurent sur la riviere en des 
Almadies qui sont barquettes faites 
d'une seule piece de bois creuse au milieu, 
si petite qu'à peine peuvent elles conte- 
nir un homme». — Linscboten, Histoire, 
p 77. 

XVII. — «Un' almadia (certa sorte di 
barche simili alie feluche di Napoli, piíi 
basse e piú luugbe, annate di molti remia. 

— P. Vincenzo Maria, apud Guberuatis, 
Storia, p. 248. 

1625. — «Lo pregai; cbe mi mandasse 
da Damàu vna barca di quelle leggieris- 
sine, cbe cbiamano Almadie, cbe per la 
loro velocità non temono tanto de i Cor- 
sari». — Pietro delia Valle, Viaggio, iii, 
p. 93. 

1653. — «De Cbaul m'embarquai sur 
une almadie». — Le Gouz de la Boulaye, 
Voyages. 

1666. — «On pourait y aller par mer en 
viugtquatre heures, sur une Almadie, qui 
est une espece de Brigantin, dont les Por- 
tugais se servent pour trafiquer le long 
de la cote». — Tbevenot, Voyages, in, p. 38. 

1676. — «Particulièrement depuis Da- 
man jusqu'a Rajapour, la plupart dc voya- 
geurs font le chemin par mer, et prenant 
uu Almadier qui est une barque arame, 
ils vont terre à terre jusques à Goa». — 
Tavernier, Vayages, in, p. 148. 

«Les Indiens de la cote da Malabar ap- 
pellant almadie uu uavire d'une carêne 



AI.OKS 



A! ' "-^ 



tar 

culeralnrta<l! <i<iú, oieu- 

ser». — /.ti ' 

ALMÍSCAR. É sabido que o <^tímo 
de O ár. a/-///íVA*. ^fas o 

;/«.v _ -;i mujfhk (sânsc. 7;»/.>f- 

Jta, testículo), represei! trt< lo pelo lat. 

muêcii.f. •'' '-^ ;-......Lv >-.,. q t., ,..■,. 

nimo. 

orca- 
III ou- 
m. liar, almíscar, (> pérolas». — 

A" ■''■ r. A. Vatiral, cap. it. 

\b\6 — «Lfuaiia aiai-ar <■ inaifiin e ar- 
r z r almisquyry '• n!-:rMa pt«lraiia». — 
. 1, p. \2b. 
■re ff ncha em 
h," stem 

d< ; jiiaes 

na !iuas uasi- 

da tos ; e de- 

p<)i.< |iu' saciíi iiiaiiiiro:*, (.•..111 lia materia, 
coiiit'llies. . . e aly lhe cortaom dere<lor 
aq:. ' * ' M-yxaiidoas 

9)' </aimÍ8- 

quc- (*'.-, ' i — i>níirte IJar- 

b"8a, í.i' r<' 

poií-clanas. s- 

quere, e i 

que llie vt-i 

.■.u:.'ll:i e í4 '■-- , --. L _ : .a, 

I, p. Mi. 

• Aimiaoar, âmbar, bejoim, 
lila»- — Diogo do Couto, Dia- 

■ r,v '>7. 

iá tinha pn.sto em 
r, almíscar e pe- 
di — Job»' de Cabreira^ 
Jli . X, p. 40. 

ALOÉS. iO aloes, como todos sa- 

l»»'iu. <• <• <\icro concreto de diversas 
t*sp<'rits dii ;: -uen) Al^>^ da familia 
das Liliareae. . . Os o < no- 

me», prego aloés o lai. , pa- 

!•'<• •Ill derivar do svriaco altaiy». 
Comi .1' F " '• 1. II. O mais 
tstiuial ' / itorá. O lenho 

tihjrs .Ml .1 .,,,>■''/ i ,. tem nenhuma 
rolai,'.!'» <i>iii . -'.: 'ii'irii. V. erva 
babosa . 



hl 



- "Aloes li.kii' •11) a \ 

\'l«'?n «Mil í 'nriihiva 



D elle Ismça no fogim bfli pooi 
•iivcm h «abor, ruby- 



nloes, 

Uétim. d<: l . 101. 

15r)2. — . • sansriip de dragSo, 

de que ha muito na i ' i lio Aloes 

que se i-hnma çaotri lar <> nome 

(lesta ilha <>iide seapanliu". — t astauheda, 
Historia, 11, caj». 39. 

1553. — «l'or«'m asnatu: 
per si dá, sSo maceiras d'.. 

raa, dragoeiro», de que coiii. m irni 
f^iie de dragão, e dã o melhor aloe < 
sabe, donde geralmente todo por ra/..M- -.•■ 
nome da ilha se chama âSocotoríno». — Jo5o 
de Barros, Déc. II, i, 2. 

15^. — «De aloes ha poucas cousas 
qne dizer que sejiio uotavoi-;. . fa/ se do 
sumo de huma herva dep' ■. e he 

chamada em Portuguez  >yi, da 

qual herva ay muita quantidade em Cam- 
bava e em Bengala e em nmitas outras 
partes, mas a de Çocofora he muito maia 
louvada. . . e por isso o chamam aloes ço- 
cntrino». — Garcia da Orta, Col ii. 

1572: 

tVorAs defronto estar <lo Roxo eaireito 
SocotorA co'o amaro aloe famosa». 

CamSes, Lutiadat, x, 137. 

C. 70. — «Aloe sevllae similitudinem 
habet maioiibus et | is foliis ex 

obliquo striata... L.i ;ia ex índia 

afíertur... Usos in multis et principalis 
alvum solvere; cnm poeue sit sola medica- 
mcntorum, quae id per se prestato. — Pli- 
nius, Nat. Historia, xxvii, cap. 5. 

1554. — «Nasce ru detta isola | Socotorá] 
eccellente aloe chiamato çocotrino». — 
Nicolo de Conti, ajnn^ Rainúsio, i, fi 

IGOl. — «Vulgarcm aloên spoM 
venientem obsetvare memini i: li 

Vlyssiponensis mtiris areis, qii . i^ 

est ad proximum templum in iK-, mi .-ii- 
tunio. — Clusius, Itariornm Plant, llintoria^ 

p. CLIX. 

ALPAM. «Desipnac.'ilo vulgar do 
uma planta malahárica (Jhagantia 
WaUicfiit) que se considera elHcaz 
contra as úlctiras e mordeduras de 
cobras». C. de Fi: ' lo 

é do malaiala, • •, 

usado tambt^m em concani, aZ/xlm, 
ao Indo de pahinarã. D. G. Dn' " ' ' 
regista «Iruta trilha» como nom 
tu;.'ii''s. Hora o \lres. 

17h»;. _ -^i M..i..i.^.: .1 I. r..,i;..„ 

Alpam, • 

!'ara ii mo. 

: A 1'auliuo, yiaffi/Í0, p. ITU. 

ALTIRNA. Vem o v- i 

guns «lii-ionArios cn-v -> 

de «espécie de v« 

..,, M,..'..Mf.... \ W 



ALTIRNA 



28 



AMAÇAll 



aduzera sn,o do ForaSo Mendes Piato, 
que emprega o tormo com referOucia 
à capa que traçam ou sobraçam os 
religiosos budistas (que, em rigor, 
nao silo sacerdotes, visto que nào há 
sacerdócio sem sacrifício) da Oliiiin 
o Indo-Cliiua. 

O vestuário do indo-ária coui|n'i -.^^ 
desde os tempos primitivos de duas 
peças : uma, de que se cingem da 
cintura para baixo, e a outra, quo é 
uma espécie de toga ou cabaia, que 
às vezes se substitui, por causa do 
calor ou para maior comodidade, por 
um chalo leve, que se traz a tira- 
colo. A primeira nomeia-se em sâns- 
crito antarlt/a, «veste interior», e a 
segunda, uttartya, «veste superior 
ou exterior». O pAli, língua sagrada 
dos budistas do Sul, tem ambas as 
dições (antanyam, uttar'iyam), com 
os mesmos sentidos ; e os seus reli- 
giosos trazem em geral ambas as 
peças, sendo a superior, amarela, em 
volta do busto. Vestem, alem disso, 
às vozes uma camisola. O conjunto 
das três peças tem o nome técnico 
de tichivaram, isto é, «três trapos». 

Na Indo-Cliina, China e Japào o 
budismo ortodoxo, que foi sempre 
oportunista, passou por grandes mo- 
dificações, e é natural que as diver- 
sas categorias dos religiosos se dis- 
tingam, como observam alguns dos 
nossos escritores, pelo seu trajo, par- 
ticularmente pelas suas capas. 

Não se pode bem precisar de que 
idioma apanhou Fernão Mendes o 
termo ; creio porém que esse se deve 
ligar próxima ou remotamente ao 
páU uttari//am, sendo muitos termos 
litúrgicos correntes em todas as lín- 
guas. Note-se, contudo, que o sin- 
galês tem talani, «espécie de tecido 
fabricado do casca de árvores» 
(Cloughi. 

1543. — «... a fora outra muy grande 
copia de Daroezes [religiosos budistas de 
Pequim] que servem de fora, que não estão 
atados ao voto de profissão, como os de 
denti'0, os quaes por insignia do sacerdócio 
andão vestidos com suasaltirnas verdes 
sobraçadas, que são como entre nós as es- 
teias, e as cabeças rapadas e contas ao 
pescoço por onde rezão; mas não pedem 



esmola, porque tem próprio de que se sus- 
tentão». — Peregrinação, cap. 110. 

inití. — «Ilavia [num pagode de Cala- 
miuhà, no interior da Indo-China] liíia 
grande soma de Sacerdotes com hábitos 
pardos, e suas altirnas do damasco roxo, 
sobraçadas, como jil disse algumas vezes, 
a modo de estôlas, os quaes por serem mais 
sábios que todos os outros das vinte e qua- 
tro seitas deste Império, trazem huma 
certa divisa de cordões amíirellos, com que 
andão cingidos». — hl., cap. 164. 

ALUA, alvá (s. m.). O ár. al-haluã 
ou al-halãua transmudou-se em «al- 
féloa» no português continental e em 
alua ou alvá no oriental. Na índia 
designa «doce feito de leite, açúcar, 
amêndoas pisadas e manteiga», e em 
Goa, «doce de côcc ralado, jagra, 
castanhas de caju e gergelim» *. 

1.520, — «E nestas jUias de Adu, e Coay- 
du, e nas outras d arredor, que ssaão sete* 
patajias, naão fazem nada por arroz ; e com 
peixe, jagra, e atuas da terra sse man- 
tém» (nas Maldivas). — Alguns Doe. da 
Torre do Tombo, p. .õ50. 

1727. — «Aloâ. Doce mais commum de 
todo o Oriente \ compõem se de farinha de 
arroz, manteiga, e jagra, que he o assucar 
da palmeira. Os Portuguezes da Asia o es- 
timão tanto como os Orientaes. Alguns es- 
crevem e pronuncião Alua». — Bluteau, 
Siipjdemento. 

1880. — nQuerê manda um pôco de alua 
mas nora pôde, paciência». — Dialecto de 
Macau, in Boi. S. G. L., ii, p. 1G9. 

1899. — «D'entre os citados doces india- 
nos distingue-se a alua (na índia diz-se 
aiuáj muito usado em todo o Oriente como 
um verdadeiro confortativo para as pessoas 
fracas. A mais afamada é a de Mascate, 
que se exporta em tigelinhas de barro, em- 
quanto a de Macau é feita na forma de ti- 
jolos rectauguleres». — Ta-ssiyaiig-kuó, de 
Dezembro. 

AMÂÇAR. No sentido peculiar da 
índia, amaçar ó o que no continente 
se diz «fazer maçagens» ; e ama- 
çador é «maçagista». As maça- 
gens são muito usadas, e antiquís- 
simas no Oriente ; no Japão há 
maçagistas cegos, de um e outro 
sexo, que se apregoam de manha 
pelas ruas. 

1866. — «Os conductores do palanquim, 



' Conforme Cândido de Figueiredo, abiá 
é «bebida, us. ao N. do Brasil, e formada 
por um cozimento fermentado de arroz e 
algumas gotas de limào/). 



AMAI. 



AMAKGUStlKA 



an 



(1. 

(H.1 ij.. 
Ap'>t. 



r»Tif>t 



I iic lituãuntau IhíicWf de 



« AMACATA. É denominaçAo de 
iVeirA liudista no Japflo, conforme 
S. Fraucisí-o Xavier. Do jaj). ama, 
«frtirat, e kata, «pessoa, individuo». 

ir>41'. — •Tem dentro cinco Collegios 
priíK-ipaes e tnAÍs de dtizeutas casas de 

l?i,Ti • J .■ rJ.is outros 0"'i.i' tr ,ili-« fui.' lli.' 

ti xu. e (if 

I atau. — > j. -\ ., '. 

M. 

•iem generis feminarnin, 

Juas Hamacutas Dominant». — Jd., 
,ib. Ill, C|)ist 18. 

AMAL (liiudustani-ár. hamid). Con- 
ílutor de j>al;in(iiiim ; carregador, 
O9 palanquins silo transportados no 
Mil da índia por hoís ou boiás, no 
uur ■ '••• ' X. 

li, 

que oâ nu^hoã ebcrituietj não uieacio 
nam. 

IT)*?*' - .0= amaes, que pSí^ firnrrcta- 



111 ftirvu' > 111.11' ili.ts 
• if'- amaes, a-iim 



— «Ao 3B<Èhanâar, pcra as terrado» 



ati 



de Jaraz ou hamal 

pie)». — nirist<'\ n • i*i! ' 

jfcnrs de VIi _'. 

19ir,._ , sdoGuza- 

'lave failcii iu tlie t'^timation of the 

I ;ii)d do Tiiejiia! diitieo — such as 

o...kii.^ Ha- 

nnals 

fiew, de Abnl. 

• AMANÃO. K medida de capaci- 
dade em Ceilão, equivalente a seis 
alqueires. Do sing, amuna. 

1611. — «Faz-se cada hum anno para 
eirey sete, oito mil amanóea de areca, 

alie vem a montar quinze c vinte mil par- 
aos». — Doe. da Indin, 11, 82. 

ir.i4. — «podem ir ao"" """1 "',L. oog 

ug nas mesmas aid' 

■ In-lhes d'ellaa hu;.. .. ie 

8t • mais ou menos, c r 

ei . merecer, com sua li' ^ le 

more». — Jldd., iii, p. 62. 

163b. — «Com a obrigaçSo de pagar ca- 
da anno de páreas quatro elephatites de 
cinco covados ca<la num, mil amanões 
de areca, e duzentos fjart* de canella». — 
António Bocarro, Déc. xiii, p. 709. 

1685. — «O principal género he aréca, 
que vai bem em toda a índia, e cada hum 
paga conforme está lanyado no 1 
quem a dous amanoes. irou, ou 
cada ai ' 

tia*. - 
I, cap. ii. 

IyTO. — «De I'areque, que la Compagnie 
achete, h raison de ri- - *■ -■■• ''nmmo- 
nan, et qu'rlle v<'n(l 
les lieux-mèmes. . .». — .1,., .,«1. u.,- 
p. 167. 

• AM AN ATA (niarata-eonc. amanãt), 
Verha de receita ou despesa eventual, 
que nilo entra na conta regular. 

17'.>2 — «O rendimento, (|ue a Fazenda 



i'rti \ . — F. L. Gome», 0$ UraAa; 



ai Fiuenda». — Loii. dr tían- 
AMARGOSEIRA. ARVORE AMAR- 



-Kii 
Hamals 



l;tu». - u .iill.Mir-*, I» 



ou margottier. Diz-se tambCm 



.v.). (. 

.••ses da _ 
; ,l j't*a ou martfom a bals:i; 
Foral d»ê tuoé r .Momvtxiica cAorouí/cT. T 



AMBALÓ, AMBARÓ 



30 



ÂMBAR 



admittida officialmente na Pharma- 
copêa da índia, sendo chamada nas 
pliarmacias manjosa (a casca cortex 
margosae), o quo claramonte se de- 
riva da palavra portiigueza amar- 
gosa». Conde de Ficalho, nos Coló- 
quios de Garcia da Orta, xl. 

1695. — «Latino Amara Indica, Malaice 
Papari, Portugallice Mârgosa, <iiiasi 
Amargosa, h. e. Amaritics, ob saporem 
omnium partium amaram». — Rumphius, 
Herb. Amboinense, ix, cap. 56. 

1782. — «lis lavent le malade avec de 
I'eau froide, ensuite ila le frottcnt rude- 
ment avec de la feuille de Margosier, 
et appliqueut sur les escorcluues de feuil- 
les du même arbre». — Sonnerat, Voyages, 
1, p. 118. 

1786. — «... nel quale vi devon essere 
alcune foglie di Vepa o di Amargo- 
seina». — Fra Paolino, Viaggio, p. 189. 

183-1:. — «Adjacent to the Church stand 
a number of tamarind and margosa 
trees». — Chitty, Ceylon Gazetteer, in Glos- 
sary. 

1912. — «General wiew of Temple and 
grounds with worshippers preparing for 
ceremony of circumambulating the temple 
in their dress of margosa leaves'^. — 
The Times of India, de 11 de Dezembro. 

AMBALÓ, AMBARÓ (pi. -és). É o no- 
me de fruto e árvore Spondias man- 
gifera, Willd. Do concani ãmbãdó, ár- 
vore e fruto; ciinhãdé, plural; malaial. 
amhalam. Comem-se os frutos madu- 
ros ; e dos verdes se faz conserva em 
açúcar, em água e sal, e também hal- 
chão (q. V.). Denominam-se por ve- 
zes catonas, não sei por que motivo. 

1563. — «Não he fruta de que se usa na 
mezinha, mas he boa pêra temperar os co- 
meres cora azeda, fazendoos mais apetito- 
sos ; em madura cheira bem, e com ser 
madura retém em si o azedo mais apeti- 
toso, chamam-se âmbares, e tem uma 
amêndoa cartilaginosa». — Garcia da Orta, 
Col. VII. 

1782. — «As melhores forquilhas são as 
de ambareira, que além do fim para 
que se põem, dão também fructo de muita 
serventia». — Fr, C. da Ressurreição, Tra- 
tado, II, p. 286. 

1846. — tf-AnvaUs, Ambaddés [Corá 
no Brazil)». — F. N. Xavier, O Gabinete 
Litterario, i, p. 249. 

1873. — «O amballó {Spondias lutea) 
em malabar ambaliam é, como fica dito, 
da mesma familia da mangueira, mas de 
género ou subfamilia differente e visinha». 
— B F. da Costa, Manual do agricultor, 
ir, p. 141. 

1578, — «El aibol que da el fructo (11a- 



raado Âmbares) es grande y gruesso». 
— Cristóvão da Costa, Tractado, p. 293. 

1586. — «I Temerindi, I'Ambale, e 
mille altri frutti-j. — F. Sasseti, Lettere, 
p. 270. 

ÂMBAR, ambre (aat.), alambre 
(ant.). Substância sólida, geralmente 
de côr parda e de cheiro semelhante 
ao do almíscar. O termo ó anterior 
aos descobrimentos. Duarte Barbosa 
o Castanheda descrevem três espécies 
de âmbar, produzido nas ilhas Mal- 
div^as. Do ár. anhar ou al-anbar. 

1500. — «Habitão nella mercadores ricos 
que commerce ão em ouro, prata, âmbar, 
almíscar, e pérolas». — Navegação de P. 
A. Cabral, cap. 5. 

1516. — «Acha-se também aquy [nas 
Maldivas] muyto ambre em grandes pe- 
daços, dele branquo, e dele pardo, e outro 
preto». — Duarte Barbosa, Livro, p. 352. 

1548. — «Ramal de contas de alam- 
bres». — Espolio de Baltazar Jorge, in 
Boi. S. G. L., IV, p. 290. 

1548. — «Hum pouco d'ambre aval- 
liado em trezentos réys». — Tomás Pires, 
ibid., XVI, p. 706. 

1552. — «Estas aues se ameíjoão em 
huas rochas questão nas mesmas ilhas ao 
longo do mar, e ali deitão híi esterco que 
he ho âmbar: e he de três qualidades, 
ho primeyro he branco e este he muyto 
fino . . . e vai mais que todos porque se 
acha pouco e com muyto mór trabalho que 
os outros dous que sam pardo e preto, que 
se fazem de branco». — Castanheda, His- 
toria, IV, cap. 35. 

1557. — «Mandou-lhe Afonso Dalbo- 
querque, depois de serem na náo perguntar 
por ambre (porque nesta ilha [de Be- 
dalcuria] ha muito)». — Comirientarios, i, 
cap. 53. 

1563. — «No cabo da qual ilha contra o 
Leste, descobrio o porto, a que os natu- 
raes chamão Bemaro, onde fez resgate de 
muita quantidade de ambre». — João de 
Barros, Déc. III, i, 1. 

1563. — «E mandou pêra a Rainha hum 
pedaço d'ambre do tamanho de meo coua- 
do e grossura de hum homem pela cinta, 
metido em prata». — Gaspar Correia, Len- 
das, I, p. 132. 

1563. — «Âmbar dizem os arábios, e 
ambarum os Latinos, por o costume da va- 
riação latina e uso, e as outras nações e 
lingoas, quantas eu sei, todas a chamam 
assi, ou varião pouco». — Garcia da Orta, 
Col. III. — «O ambre de que falia Orta é 
j o âmbar cinzento, uma concreção intestinal 
do cachelote [Physeter macrocephalus»). — 
Ficalho. 

1567. — «Grande trato Dambar, que 
se acha no mar». — Damião de Góis, Chron. 
de D. Manuel, iv, cap. 27. 



AMiiii 



ni 



AMBULÍA 



■■■- '">•*, e 

.< eata 

. — l-'i. Jouo Uo6 ijautos, 

I, p. KS7. 

mm. — «U tjuf iH'lla h.i pela praia do 

mar... sâo pen-In?, nli-fnr, coral preto, 

alambre, que Is do qual eu vi 

alpuu. e se uie i am o que era, 

11. Ill ua mio o Umi.ira. ncui com o pé lhe 

t cara». — P. Manuel Harradas, Uist. tra- 

'/i'. iiiritiina, ii, p. 93. 

!:;;•-. — aHanuo aucora molto ambra- 
ca. ,1; il-' 1' ' ' ttano, et il mare lo 

t"a iij.'li'' <» lo raccolgono». — 

Mari .. \\'\^>. uy,.,(i híuiiÚbÍO, II, fl. 57. 

AMBARRAJA fs. m.). Personagem 
da corte na Malásia. Do mal. haniba- 
-r~tja, «servidor do rei». 

1539. — n Acompanhado de may tos Ou- 
rnh'iloes e Amboprajas, que he a raais 
imlir.' gente da corte». — Fernão Pluto, 
1\ v'/r' nação, cap. 15. 

].'•■; — «No trabalho das quaes obras 
'1 Affonso d'Alboqucrque de 
i * .J pouo de Malaca chamada 

Amijarages, que quer dizer escrauoe 
i • .[:■ : f-omo na verdade o erSo d'elRey 
I . !! .!i ' 'ar raySo de manti- 

! ■ : • ros, Dec. II, VI, 6. 

1.'. ' ante para espiarem 

. ; ,: A do8 mais esforça- 

di}» ambarrcijcis >. — /d, cap. 174. 

ÂMBETI (s. m.). É vocábulo reco- 
lhido por Domingos Vieira cora o si- 
lo de «nome in' ' o de 
.s plantas cujas j co 

mem » . 

Em concaiU ãmheti é, segundo 
D. G. Dalgado, o nome duma planta 
lifrái- 'a >' '■ ' '', Linn., 

a ', : . ' , .o se de- 

li 1 a «janil)eiro do mato». «E fo- 
lii.s lontusis cataplasma contícitur, 
qaod caititi raso in febribus contiuuis 



•ijii-xL. ... , .-j)as de farinha de 
nachinim, cozidas em água e aze- 
das, i! - '-' ,j,^^ çn^ pQjj. 

cani («' . e pelo mes- 

mo Dc: iiii no portuguOs 

locai. 1, ' <I" 11 rt.is cl.is- 

s 's pobres da Indi. 



AMBÓ. «Arvore da índia portu- 
guesa». C de Figueiredo. E o nome 
indo-árico (sânsc. amra, mar. amhã, 
cone. ãmbô^ que ó oótimo)' 
j e mauyueira, que silo de or. 
! vidica. NSo é usado pelos nossos es- 
I cri tores. X<1o é claro se Diogo do 
Couto se refere a esta fruta ou a ou- 
tra qualquer. 

133.1. — «Quando a Alamba amadurece 
na estaçSo do outono, faz-se o seu fruto 
amarelo, o qual comem como a maçã, cor- 
tando-a al.'uns com a faca, e outros chu- 
pando-a muito bem, cuja doçura tem 
misturado algum azedo. — Beu-Batuta, 
Viagem, ii, p. 22. 

1614. — . «Todo o mato [de Amboíno] he 
de arvores de fruitas... ambos fermo- 
zissimoB, de grandes, e saborozos». — 
Déc. VIII, 1, 2o. 

1886. — «A mangueira, mangifera indica, 
de Linneu, ou ambó, como se denomina 
em concany, é a rainha das arvores fructi- 
feras». — Lop< s Mendes, A índia Portu- 
gutza, I, p. 170. 

1444. — • Anchora si troua [no Malabar] 
vn' altro frutto, che si domanda Ambat 
molto verde, simile alia noce, maggior 
però dei pérsico : la sua scorza è amara^ 
ma quel de dentro ha sapor di mele». — 
Nicoio di Conti, apitd Ramúsio, i, fl. 341, 

1510. — È quiui vn'altro frutto che si 
chiaina Amba, il pit^de suo si chiama 
maugait. — Barthema, ihid., fl. 161. 

1578. — nLlamase este fructo en Cana- 
rin, Ambo; cin parsio, y Turco. Aiuhat>. 
— C'ris(<)vão (la Costa. Tractado, p. 311). 

1623. — «.('loò Ambe, ò come altroue 
dicono, Manghc-. - Pi. tm delia Valle, 
Viaggi, iii, p. 31. 

AM60LIM. K 

dado, na Índia 
persa amaru. 

1615. — «Com iiiuita> i,i/.iiuias, mantei- 
gas, conrama», v ambolins» ' — Diogo 
do Couto, Déc. Vlll, I, 11. 

AM6ULIA. Conforme Domingos 
Vieira, «geuero de plantas ar»' 
cas da índia ; ó emprogada ei 
cocçfto contra as fobres». Sc 
mesmo quo o cone. ãinhun. t^ 

a planta à família das mci i- 

neaê — Limuophiht ijratioloúien, Hr., 
Columnea fniUamira, Uoxb. — In de- 
cocto data antifebrilis ost, iu lacte 



U'CKU) (u" M-d.i l>or- 
Do mar. ambaru, 



ó 



1'. 1::^. 






I'' 1 

do «ai V uri: da ludiu*. 



cita ^8 te mosmo 
•alavra o fignifioadlQ 



AMIDA 



d2 



AMIDA 



acido vertigines sedat». Ilheede, Ilor- 
tun Jllalahurirus. 

# AMEIXA DA ÍNDIA. Y.janqoma. 

# AMENDOEIRA DA ÍNDIA. K com- 
bretiicea Termimtlia caiappa, Linn., 
originária da Malásia. «Oome-se a 
amOndoa, que tern gOsto agradável. 
O fruto d'esta e da 7'. chebula for- 
mam OS myrabolanos de commercio». 
D. Gr. Dalgado, Flora. 

1881 . — «Sob este nome cultivam iia ilha 
do S. Thiago e na de S. Thome, esta co- 
nhecida arvore, originaria da India». — 
Conde de Ficalho, Jhl. S. G. L., n, p. 70i). 

1908. — «... de amendoeiras da 
India». — Alberto de Castro, Flores de 
coral, p 249. 

# AMIDA. O termo é japonês, de- 
rivado do sânsc. amita, «ilimitado, 
infinito», por via do páli (aviito), ou, 
como querem outros com mais ra- 
zão, de amitãbka «infinitamente es- 
plendoroso». Toma-se por epíteto 
do Buda ou por personificação do 
paraíso; mas o povo considera Amida 
como divindade. Os nossos escrito- 
res atribuem-llie o género feminino. 
Vid. Xaca o Fotoqué. 

1541. — «... conforme ao quarto pre- 
ceito da deosa Amida, que foy a primeira 
de quem estes cegos [chineses] tomarão 
suas superstições, e suas erronias». — Fer- 
não Pinto, Peregrinação, cap. 112. 

1549. — «E que por este pouco que os 
nossos olhos nos mostravão delle, se julga- 
ria ser elle o verdadeiro Deos, e não Xaca, 
nem Amida, nem Gizom, nem Camom, 
que não forão mais que homens muyto ri- 
cos, como as suas escrituras coutavão dei- 
tes». — Id., cap. 212. 

«Foy necessário para se ellas reduzirem 
á perfeição do seu primeiro ser, nacer 
Amida de todas ellas, a qual tinhão que 
nacera oitocentas vezes, para dar ser per- 
feito a oitocentas espécies de cousas que 
•avia no mundo». — Id., cap. 213. 

1551. — «outros adorão outro idolo, que 
se chama Amida : huns o pintão como ho- 
mem, e outros como molher». — P. Cosme 
de Torre, Cartas de Japão, i, fl. 17 v. 

1608. — Nella habita hum Bonzo com 
alguns discípulos, tido, e estimado dos 
ignorantes por grande santo, e aiuda por 
Amida viuo, e como a tal o veneram». — 
P. Fernão Guerreiro, Belaçam, fl. 126. 

1650. — N'aquelle paço se não adorava 
o pagode Amida, senão o verdadeiro Se- 
nhor do céu e da terra». — P. António Car- 
dim, Batalhas, p. 27. 

1694. — «Como as seitas, e deoses do 



Oriente crão tantos, Camis, Fotoquès, Xa- 
càs, Ammidas, e muytos outros, para 
que o nome do verdadeiro Deos se não 
equivocasse com o dos falsos, ainda que 
Xavier pregasse em diftcrentes línguas, 
sempre o nomeava na língua Portugueza». 

— P. A. Vieira, Xavier Dormindo, p. 395. 
1697. — «Quem adora o Sol, e a Lua, 

quem vários animaes, especialmente os lo- 
bos, quem alguns dos Camis, antigas di- 
vindades do Japão, quem os Fotoquès, ído- 
los transplantados da China, dos quaes os 
principaes forão Amida e Xaca». — P. 
Francisco de Sousa, Oriente Conquistado, i, 
IV, 1. 

1701. — «Ambas se pretendem salvar 
pelos merecimentos de Amida, que foi , 
o principal objecto das pregações de Xaca, 
a quem «ttribuio propriedades, e honras 
divinas, fazendo principio, donde sahírâo 
todas as criaturas, e fim em que todas se 
hão de resolver, dizendo que este era o 
verdadeyro santo Fotoque, que estava em 
todas as cousas, dando-lhe ser e vida, e 
que devia ser adorado de todos os homens». 

— Id., u, IV, 2. 

1559. — «Príncipes sectarum auctotes 
(ut ostendimus) Xaca et Amida nume- 
rantur: Bonzii ac Bouziae cinerei coloris, 
et maxima populi pars Amidam; relíqui 
tametsi Amidam non aspernantur, tamen 
Xacam praecipuè colunt». — S. F. Xavier, 
Lib. IV, Ei)íst. 2. 

1588. — nPredicano alia plebe douersi 
supplicheuolmeute adorare alcuni antichí 
giuutatori, Amida, e Xaca». — P. Maffei, 
jLe Islorie, p. 490. 

1675. — «Su mayor Paraíso es el de Xa- 
ca, particular Autor de los Fotoquès; aun 
que el mismo diò el primer lugar a Amin- 
da otro Filosofo, de cuya virtude para 
llevar las almas a la gloria, escríbiò inu- 
merables libros». — Faria y Sousa, Asia 
Portuguesa, ii, p. 764. 

1754. — "On va même indiíFéremment 
de toutes les Sectes aux Temples d'Aml- 
da, qui est la principale Idole des Foto- 
ques«. — P. de Charlevoix, Hist. duJapon, 
I, p. 185. 

1770. — «Mais les Boubsdoistes [budis- 
tas] adorent de plus un Am ida, espéce 
de médiateur entre Dieu et les hommes. 
lis adorent d'autres divinités mediatrices 
entre les hommes et Amida». — Raynal, 
Ilistoire, I, p. 103. 

1786. — «Ammettono per primo loro dio 
Budha, Shakya, Gódama, o Amida, che 
son tutti epíteti Samscrdamíci dei dio Mer- 
cúrio». — Fra Paoliuo, Viaggio, p. 231. 

1844. — «lis [as Tantras] renferment 
d'abord le Buddhísme, et j'oserais presque 
dire, tous les Buddhísmes representes cna- 
cun par leurs symboles les plus respectés: 
savoir, le Buddhísme primitif par le nom 
de Cak^'amuni 5 celui des Buddhas celestes 
par le nom d'Amitabha". — Burnouf, 
Introduction à VHist. du Buddhisme, p. 545. 



AMOUCO 



33 



AMOUCO 



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( ublnirti, lidiyii/it in Ju- 



>Amitâbha. 


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ii |»iiu»ij>e. 
n-iii a lor- 



lia emtr. 



"«I. — «Nu ts iiijio de Mocamiia Mt-na- 
un, , . litih;i hum s«>n [•! v\ ;niii (jue 

. e que 
ar í» ae- 



i« u i>t rr III 



,p.4. 



de íúriíi »• ro, quo se 

mina, de Oi.i...., .., por jura- 
> o foui certas ceriíiióiiías, a 

' vida, 

íl J»U8- 

... Fi- 

.-' ,-. mguOs 

01 obcecado, que 



Ma ilidia i'' i |>or 

Y) KC •utendc ho; vt'cado 

.lo, o qaul pratica dos- 



aujuur 



to Amida m | ano sorte de rage ou de folie furíease, 
t 011 troQVe des exemples dans 

> los pays ma lais». 
Na história da humanidade rio 

sflo raros os eventos do um Indiví- 
duo ou grupo de indivíduos, pundo- 
' is, 80 resolver a 
mais arrojadas 
e lemcrárius, uoia o intuito de so con- 
seguir a satisfaçilo da grave ofensa 
particular ou a reparação da honra 
nacional ultrajada. Rasgos tais tem 
por inc<^ntivo o espírito de revindita 
e o sentimento de represália, ladeado 
de zêlo^ amiúde indiscreto. 

Na Ásia meridion;d, contudo, onde 
há sempre acentuada pr ~ • a 

extremos, de que a índia ; co- 

piosos exemplos, a prática foi fre- 
quente e muito caracterizada, menos 
justificada nas suas causas motivas 
e mais desastrada nas suas conse- 
quências, E por isso que desde o 
princípio a estranha usança atraiu 
a atenção dos escritores nacionais e 
estrangeiros, que, referindo-se à In- 
:' idia e ao Malabar, a pintam com 

> vivas. 
Cumpre, porOm, r duas 

espécies de amoucos < > : uns, 

que movidos do espírito de vingança, 

' ' ' 'sesperadamente todo o mal 

m nos seus inimigos, como 

-^, que. sem serem 

, idos de furor, real 

ou Hctício, matara os inculpados ou 

inocentes, como no arquipélago ma- 

laio. 

Os nossos ' . m 

as diversas aíi 

amoucoê no Malabar, e que sflo mais 
ou menos justificadas e plausíveis. 
Mas nAo é fácil assinar a razilo de 

.a, 

ire- 

I quentemente aparecera amotiro» sem 

motivo conhoi-ido ou racional. Wal- 

1 ter Skeat (na. 2.* ediçflo do (íloênário) 

.la 
: ta- 
il de cometer o suicídio cora bra- 
• iMMv I-... ■..,,!. — q,,,. Q amouco 

IS, mulheres e 
l aw j dii bua íamilia; o ^uo 



•M;:ne 



AMOUCO 



34 



AMOUCO 



somente pode st^r o efoito da aberra- 
çflo mental, ou do fanatismo, no sen- 
tido de ir bem aeompanliado para a 
outra vida. Há alguns escritores que 
atribuem 6ste fenómeno ao abuso do 
ópio. 

Quanto à etimologia, o vocábulo 
provêm do mal. ãmoq, que Crawfurd 
{Malay Dictionary) regista como 
amuk e considera primordialmente 
javanês. Significa «arremetida fu- 
riosa, homem ])ossuído de fúria». 
Emproga-se, porém, ordinariamente 
coiXLOVQTho^mengãmoq, «investir com 
furor». 

Yule & Burnell supõem, todavia, 
quo ó à índia continental, e especial- 
mente ao Malabar, que se dove atri- 
buir a origem do amouquismo, outrora 
ali frequento, e do seu nome ; e su- 
gerem o malaial. amar-kkan, «guer- 
reiro», do amar, «combate, guerra». 
Reconhecem, contudo, quo há di- 
vergência fonética entre amouco e 
amarkkan, e pode-so acrescentar que 
também os significados não sáo bem 
idênticos. Além disto, a costumeira 
de Calecut, que alegam, nRo so ins- 
pirava na vindictividade, nom proce- 
dia da fúria ; era simplesnionte um 
lance arrojado para se ganhar um 
trono. 

O Conde de Gubernatis, por seu 
lado, tem por certo que a palavra 
amouco procede do sânsc. aniokya, 
«o que se nâo pode soltar, indissolú- 
vel», visto que o amouco se ligava 
por um voto ou juramento, que tinha 
de cumprir a todo o custo *. O vocá- 
bulo sânscrito, porém, não está em 
uso na língua do Malabar. Demais, 
sabemos de Castanheda que o termo 
corrente na região era ckaver. 

Nâo quero com isto dizer que se 
não possa genealógicamente relacio- 
nar amouco com amokya. Mas a sua 
procedência não seria imediata, nem 
se realizaria na índia própria, onde 
nenhum idioma moderno o emprega, 



1 «Amocco, certamente dalla voce in- 
diana amokya ossia quegli che nou si puô 
sciogUere che anche i poeti vedici hanuo 
già adoperata». Storia, p. 211. 



mas sim em Java. O sflnscrito amo- 
kya, «insolúvel», passando à língua 
vernácula, reduzir-so-ia a ãmoq, por 
motivo do dissilabismo da família 
lingiiística malaia, e seria, na sua 
evolução semântica, empregado no 
sentido tócnico. V. Contribuições pa- 
ra a lexiologia. 

15J6. — «Se algum destes Jãos adoece 
de qualquer doença, promete ha ho seu 
Deps que dandolbe saúde dela, tomaraa 
outra mais honrada morte por seu serviço; 
depois que he sam toma húa adargua na 
mam, de huas colubrinas que haantre eles 
mnyto boas, e saindo has praças e ruas 
mata quantos acha, homens e mulheres, e 
meninos, e ha ninguém perdoa; a estes 
chamaom eles Guaniçoa, e como ho vem 
logo bradaom as gentes, dizendo Guanicio, 
Guanicio, porque se guardem, e has frechas 
e lançadas ho mataom» '. — Duarte Bar- 
bosa, Livro, p. 373. 

«Estes Nay res quando asentaom uiuen- 
da com Elliey, ou outra qualquer pesoa de 
que hamde receber soldo, prometem de 
morerem por ela, e esta ley he antre eles 
guardada dos mais, alguus ho nom cum- 
prem, mas he isto de geral obrigaçam : asy 
que se em algua guera mataom seu Rey 
ou Senhor, se se eles achaom presentes, 
fazem o que podem até morte ; e se se nom 
achaom ahy, ainda que uenhaom de casa, 
uem busquar aquela pesoa que ho matou, 
ou Rey que ho mandou matar, e ahy por 
mais que sejaom hos contrários, cada lum 
sem tornar atras faz tanto até que ho ma- 
taom: se algua pesoa se teme, toma destes 
Nayres huu ou dous, ou aqueles que se 
atreuem ha manter, ha que dá hfia certa 
contia pequena, pêra que ho guardem : 
ninguém por amor deles lhe ousa fazer mal, 
por que eles e toda sua linhagem vingaom 
ha injuria que ha ho tal fose feita, ainda 
que seja contra Rey». — Id., p. 328. 

1540. — «Incitando [a rainha de Aru] 
os seus a se fazerem Amoucos, e tra- 
zendo-lhes á memoria com muytas lagri- 
mas a obrigação que para isso tinhão». — 
Fernão Pinto, Peregrinação , cap. 27. — «O 
Jorge Mendes foy o primeiro que subiu 
pelas escadas, acompanhado de dous dos 
nossos, que como Amoucos, hião deter- 
minados a morrerem ou a fazerem cousa 
com que se sinalassem». Cap. 119. — «Com 



* Guaniço ou, antes, ganiço, é do mal. 
ganas, que significa «mata-homens». A tra- 
dução inglesa de H. Stanley, citada por 
Yule & Burnell, substitui giianiços, guani- 
cio por Amouco, e estes concluem daqui 
«que a palavra amuk devia ser comum- 
mente usada nos países malaios antes de 
lá chegarem os portugueses, cerca de 
1511». 



AMMÔUCO 



85 



AMOUCO 



qnj^fs palavrn*. *» mo^trns dr> rtmor rln ' ppflrm da vida, rapando as barhns de híla 

.1. que he o sinal do hof •■ r- 

a morrer, a que 



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. c-hainn o vulgar da 
Aiiiouv^ute ". V ap. 174. 
>I. — «... licaudo 08 Nayrcs de Co- 



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" "■* ^ . '1- 


p. 




1, e inorr. >, 
.1 i.\arà<> cri , . , . .. , ,i- 


b. 




«? das caberás. E a estes 


ta 




liiiírua .Malabar Chauer, 


qw. 




.'.er mortos, e geral- 


Ill' 




i Ilidia Amoucos, 






s outros homens, 






morrer, e por 


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t;ttrra quer«i dizer eiu ma- 




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morrer», e chiii-urracan, 






morrer em combate», 



. — uDizi;1y que os nossos andauão 

> da fúria d»* vinf,'a»H'a. o<mo os 

Amoucos d<' M ■ .s 

•âo lioiiK-ns (jiK "a 

lia'j .iiitc si uào 

iito que fi({Ufni 

I>*H". I, vil, 

i a morrer, 



cha- 

.... A 



V a fé 

V., 1.-} 

> a.<si como home II 
amoucoB, mi.' i 



>!í a morrer, a que vi. .lo 

Amoucos: e juittos todos dilo uatjuelle 
luirar onde lhe fizerJo a afronta, e des- 
1 e abrazSo... Km outro negocio se 
estes homens amouoos, que he 
.; 1 guerra lhe in ' T* y, 

( ; 08 seus criail e 

t ■>' d'elle tem tenras, ".-i.mki'Ios, 

'• logo se fazem amoucos, e se 

(l. ;■ i,,i.i.».» a morrer em vingança do seu 
Rey-. — 7rf., IV, Tir, 14. 

1603. — «Amouoos entre Malavares 
sam homens que jurão de morrer na em- 
presa que tomão, o que fazem sem falta 
aigua, ainda que seja meterem-se dous en- 
tre mil, e assim sam muy temidos por onde 
quer que v3o, por irem com esta brutali- 
dade como furiosos, e sem siso, matando os 
que aehão dos inimigos sem consideração, 
escolha, ou raziío». — Fr. António de Groa- 
veia. Jornada do Arcebispo, fl. 28. 

1611. — «Que quer dizer amoucos? .. 
Homens que se determinam a morrer com 
matarem a todos os que jiuderem, como se 
co.^tumam nas partes de .Malaca, que cha- 
mam amoucos, pela linguagem da terra». 

— Diogo do Couto, Dial. do Soldado port, 
jrratii», p. !♦. 

17JI. — NSo podendo elles ver com 
seus olhos tâo grande lastima, se fizeram 
Amoucos, como eostumào, quando sede- 
liberào a morrer, ou vencer, e sahirSo ou- 
tra vez ao ( ' " "la 
a j)rimeyra 

— P. Francitn-o <u' r>oii»a. ijrirnie Lonuuif 
todo, II, III, 1. 

188.'). — Mas aquelle gentio, cego e 
amouco, vinha cravar-sc ou era reta- 
lhado pelo f ' • - ' ■ --n/os»». — Bu- 
lhão Pato, / ;, p 242. 

1ÍM2 — ■....., ,.. .x. ,.i ,,,iitar loas aoa 

amoucos d'elie!^, r^ue nós, jA a encane- 

■•■•r ,st, !,,,,< ir.Mit,, <ii,.w,.4tos a deixarmo- 

' lunduns». — A 

'> — "Neir Índia iuteriore vi sono 

le verso Icnt l flim roíiflin' dei inoiíilo, 



)I 



.ião». — (.tiiapar < .'fleiH, Liit)l>ia, I, 

- • . . . dizentto Amouool Amou- 
e> nuer dizer homem danado que 
ta., _ Id , II. p 'JMíV 



crndeli, clie alcun' aitra nazioue... 1 
Zíire lui nomo riirimio per t^ÍMiíeo, 
questo |K)rtano 
tori elie non hai 



.stra.le . 
che po- 



1 ■ • - 1 '•' • ». - - — :'.-i<í 

o» cerimouiat, como homens quo te de«- | di Couti, apud Uubernatis, StoHa, p. 170.< 



AMOUCO 



36 



ANA 



1582. — «Vi sono alcuni, i quali essendo 
detti Amocchi i quali [sic] sono una 
sorte di f^'cnte, clic sono cliiainati Chiaui, 
& non aono di quei Goutili di S. Thoniè mà 
delia costa delia Chiaua [Java] clie stiifi 
di uiucr si mettono con una lor arma in 
mano, laqualc chaniano disse in strada; 
& amazzano quanti ne capitano frà le ma- 
ni, fino che sono ancora esai amazzati«. — 
G. Balbi, Viag</in, fl. 90. 

1584. — «La forza loro consiste iu una 
manicra di soldati che domandano amuc- 
chl, che sono obbligati a niorire à volontà 
dei loro re, e rimangono in questo obbligo 
tutti quelli soldati che iu una guerra per- 
dono il lor rc e il lor gene i ale, de' quali 
si serve il re poi ne' casi urgenti, mandan- 
doue, hora uno sciame, hora im altro, con- 
forme alia necesBitàu. — F. Sassetti, Let- 
tp.re, p. 224. 

1588 — Tutta la moltitudine de' Nairi 
fiiorisce uello studio dell' arte militare, ma 
la principal Iode f 'attribuisce a vn cert' or- 
dine di soldati, che si chiamano Amocí... 
e li l?è sono stimati piu, ò meno potenti 
secondo che hanno maggior, o minor nu- 
mero d'Amoci». — P. Maft'ei, Le Istorie, 
p 47. 

1676. — «Derrière ccs palissades s'etoit 
cache un coquin de Bantamois qui étoit 
revenu de la Mecque et joiioit à Mocca, 
c'est-a-dire en leur langage, que quelqu'un 
de la canaille des Mahometans qui est de 
retour de la Mecque, s'avise de prendre 
son crie [cris] eu main qui est une forme 
de poignard . . . il court par les rues et tue 
tous ceux qu'il rencontre qui ne sent point 
de la loi de Mahomet jusqu'a ce qu'on tue 
lui-même». — Tavernier, Voyages, iv^p. 267. 

1782. — «Les Malais naturellement fé- 
roces aiment beaucoup I'opium; cette bois- 
son les rend furieux ; quand ils enont pris 
une certaine quantité ils ne counaissent 
plus de t'reiu et se vouent à la mort; c'est 
une espèce de maladie qu'on pourrait ap- 
peller rage. lis courrent les rues un crit 
dans main, en criant amoc, ce qui vaut dire 
en Malais, je mets tout à mort: dans cet 
état, les yeux pleins de feu leur sortent de 
la tête, leur bouche écume, ils agitent 
leurs deux bras et tuent tout ce qu'ils trou- 
vent sur leur passage». — Sonnerat, Voya- 
ges, ir, p. 101. 

1786. — "Questi miserabili ebrj di opio 
sciolto negli acidi, chiamansi amocchi, 
e sogliono esser o Nairi, od alcuni Muha- 
medaui, i quali espongono la lor vita per 
la persona del lie, del Padrone, del tem- 
plo, del partito clie presero in una lite, o 
per pura vendetta che vogliono fare di 
qualche ultraggio ricevuto... Gli am- 
mochi non distingono I'amico dall' iuimi- 
co, e tagliano in pezzi quel che incon- 
trano. La miglior maniera di difendersi 
dagli ammochi è di gittare polvere ed 
arena in loro occhi». — Fra Paolino, Viag- 
ffio, p, 352. 



1875. — «Such also was a cuBtom [de 
morrer com o chefe] among the Spanish 
Iberians, and the na4ne of these Amuki 
signified «sprinkled for sacrifice» . . . The 
same practice was common in Japan, when 
the friends and vassals who Mere under 
the vow committed hara kiri at the death 
of their patrono. — Yule, Marco Polo, ii, 
p. 332. 

AMOUCADO (pouco usado;. Feito 
am ou CO. 

1626. — «Outros dizem que se entaipou, 
e como hum Brazil emperrado e amou- 
caâo se deixou estar um dia, e outro dia, 
e muitos dias, sem comer, nem beber cousa 
alguma desta vida». — P. Manuel de Men- 
donça, Sermòes. 

AMRITA. «A ambrósia da immor- 
talidadcí, na mythologia bralimâni- 
ca». C. àQ Fi{2;ucirodo. Em sânscrito, 
amrta, si<íniíica: como adjectivo, 
«náo-morto» {a, «não» -f mrUx, «mor- 
to» = gr. am(b)rotos), «imortal» : co- 
mo substantivo masculino, «cnto 
imortal, deus»; como su])Stantivo 
feminino (amrtã), «bebida alcoólica» ; 
como substantivo neutro, «néctar da 
imortalidade, am})rósia». Os deuses 
acharam-na, conforme a mitologia, 
entre outras preciosidades, quande 
revolveram o oceano *. 

1886. — «Sustenta uma amphora con- 
tendo amerute ou licor da immortali- 
dade». — Lopes Mendes, A índia Fortu- 
gueza, it, p. 68. 

1912. - «Crêem os indus que, quando 
Amrita (ambrosia) foi da terra levada 
pelos deuses para céus, caivam sobre esta 
arvore [amargoseiraj umas suas gottas». — 
Caetano Gracias, Flora Sagrada, p. 28. 

1782. — «Amourtam, liqueur qui pro- 
curoit rimmortalité». — Sonnerat, Voya- 
ges, ir, p. 279. 

ANÁ OU anná (hindust. ãnã ou 
ãnaJi, mar. ãnã, cone. ãtió). IS^ome 
que^ se dá às vezes à actual tanga 
da índia Portuguesa, equivalente à 
IG." parte de rupia. «Não havendo 
moeda do um cmna, é somente di- 
nheiro de contagem». Yulo & Bur- 
nell. 

1891. — «Ora applicada a estas 280:000 



1 «Alimento dos deoses, na mythologia 
da índia ; corresponde a ambrosia dos 
gregos. Usado na linguagem poética». Do- 
mingos Vieira. 



ANArAUDO 



ANANAS 



.». — Christóvâo 



Pintí), 



1^ st<»u desejo do possuir 

ui:i Ic ciinclla mif h'Vava- 

^, hiivia- 
> annas 
.'>. — Oliveira Masc:ireDha.4, AtrU' 
I ret, I». 54. 
liHj;;. - -Fni tributada desde 1827 a 10 
annas poi" ^allào». — Ernesto Fernan- 
des, Hegititen do »al, iti liol. S. O. L., xxiii, 
!> -JW. 

1!mh; — «lV»r fim se contenta com unia 
III' dia <!•' seid anás a cada um». — Hipá- 
cio de Itrion, Duu« mil U-ffuaif, p. 124. 

1910. — <Os quaes eram pagi>s a dois 
ann. por dia. — António F. 

Ml ' 'não, III, p. 1<6. 

l;'ii iieço da exploraeilo se 

deverá •• r o preço de 7 annás 

por iiiftr.i eimiio'» — J. E. Castel Branco, 
// / N. Ir. L., sxix, p. 311. 

!' \ ta.xa para a lavra ser/i in- 

ii-" a toda a arvore, um anná 

diantada por cada nioz,e(pii- 

nipia aunualu. — O Ultra- 

. . _. , Outubro. 

AN ACARA. «Espoei»» de tambor 

M-la cavalhiria no Orionto». 

'>8 Viíúra. O étimo ó o ár. 

ra, admitido om porsa, sendo, 

; • anatara a acoutuaçilo cor- 

< n3o anâcara, romo f'le os- 

ei'rVf. 

ANACARDO. K o noinr do fruto »> 

da ár\'oro ISemecarpus anacardium, 

Ijion. f. Diz-8t> tmnbOm bilfó o fava 

de Malaca. Em concaiii bibó (" a ár- 

von' c hlbat o 8<«u fruto. Emprcfjja- 

-R(» o sumo do fruto om marcar a 

sendo por isso a arvoro de- 

' I l..~ i :. ' < s marking- 

' 1 .1/. consiTva 

. tm, 
i.i. »lia- 
ftiva (If 
■ ■'••\<ire 

iiOS- 

i.ivan 

, ! (|ua ha, ipic vieram primeiro d*- Ma- 

,.i.. I'lTiiur >'• <\'í !if>t;i^ tfri'.'ii dei- 

.4, e 



O Sr, .To"o Tãrdoso Jánior confunde 
I o caju, Anacardium 

">8, II, p. 19. 



com sal (..lia V. -.,,,, i ,.i -ju. li. 
I acfiur) e veiidese na praça eoiiH' 

áeerea de nós; e quando he a. . ., ,....■. 

I delle em modo de cáustico para as alpor- 

I (>as: e toda a índia também nsa dellc pêra 

pôr sinal no.s pano» misturado com cal».— 

Ciarcia da Urta, Col. v. 

1878. — «O anacardo faz-.se uma ar- 
vore alta e direita. . . A não ser para mar- 
car a roupa, não sei que mais algum uso 
se faça desta arvore. Mas infelizmente des- 
prezaodo-8e este nogso produeto natural 
nós mesmos consumimos o nitrato, porque 
no commercio não encontramos o bihón. — 
B. F. «la Costa, Munuttl dt> nf/riculfor, ii, 
p. lõO. 

ANAFIL ullo huma , .si. , ., .lo 
trombeta íguíil e diroita mas som 
voltas, <lo «[uo usavio os Míturos». 
Bliitean. Do ár. an-naflr, em turco 
ajjapn. 

1587. — «Vinham tangendo huús ana- 
fJ8, que elles traziam dizendonos que fos- 
semos pêra deutrou. — Roteiro de Vasco da 
Gama, p. 24. 

1516. — «Ucm acompanhado de muytos 
grandes Senhores que todos trazem con- 
sygf» Na;/res com muytos atambores gran- 
des e jiequenos, trombetas ha maneira 
danafis, e ti-autas». — Duarte Barbosa, 
JJtrro, p. HG. 

1529. — «Trazião consigo trombetas, 
anafil es, atabales, grandes, e pequenos». 
— António Tenreiro, /f/níra ri/K, cap 17. 

1557. — «As gritas dos Mouros, e oa 
tangeres dos atabaques, e anafis eram 
tantos (pie não avia homens, que se enten- 
dessem hum com outro». — CommentarioSf 
I, cap 2H. 

1572: 

•Com toncHB nii rHl)o<;<a, e navegando, 
AdhHii aunoroaoa vAo tocando*. 

CamOea, Lutiado 
1589 : 

• A* lunti poios nres já «'estendem, 
O ••mm, o o cunbfto oa are* fendem*. 

f ranciaco de Andrada, O Prbntint 
Cerco de Diu, %, (fl. 06 »). 

Kil 1. - «AAafil, género de trom]ieta 
igual, e direeha sin bueltas, de que usa- 
vaii los M III de metal como las do- 

mas, y I.i |»Iatatt. — Covarruvias, 

Teaiirii ih /.< i.injiia Cattelltana. 

ANANÁS. Fruto, e planta (tambiMu 
dita anananeiro), Ananag êativa, 
Einn. O n()me o a planta sAo ame- 
rii-aiioH, introdu/i<los p»»loH jnirtu- 
gueses na Asia, (>nd«« a planta osíA 
p»«rfoitameate naturalizada. Do pe- 
ruano nanaê, secundo CAndido de 
' •'do, ou do br;i ' 
IS, conforme Vui 



ANANAS 



S8 



AvrífAfT 



Wobster, no seu (licioiu'irio in}i;l0s, 
deriva o vocábulo do nialaio : una- 
nas, arias, 7ianas, nina.s. 

15G3. — «Aveis de escrever desta frutM, 
que cliamam ananaz, porque certo que 
he rey das plantas nu sabor, e muyto mais 
no cheiro». — Garcia da Orta, Col. i viii. 

1596. — «No ultimo e supremo lugar de 
todas aa frutas quero pôr os ananazes, 
que pelas índias [ocidíintais] chamam /»"- 
nhãs, com mais acertado nome que nós, 
pela muita semelhança exterior que tem». 
— P. Gaspar Afonso, Hist, tragico-mariti- 
ma, VI, p. 51. 

1616. — «Todo o paiz é coberto de ar- 
vores de fructo, laranjas doces e azedas. . . 
romans, cocos, ananazes, e outras fruc- 
tas da índia». — Pyrard de Lavai, Viagem, 
II, p. 125. 

172Õ. — «Do alto da serra correm varias 
fontes e ribeiras, que continuão todo o ve- 
rão, de cujas aguas se valem para nas 
quebradas da serra semearem também 
figueiras, ananazes, etc.». — O Chron. 
de Tissuary, iv, p G3. 

1782. — «O ananaz, figueira, pimen- 
teira, jíimbo, jaqueira, mangueira, e outras 
innumeraveis espécies de ditierentes plan- 
tas». — Fr. C. da Ressurreição, Tratado, 
11, p. 315. 

1578. — «Este peregrino pomo [ananás] 
(cujo origen dizen, ser en el Brasil, de donde 
llevaron los primeros a las índias Ocei- 
dentales). . . Los primeros destes fructos, 
que se dierou en las índias, valieron (ai 
menos precio) a diez ducados cada vno : e 
agora (no porque mengoassen en su olor, y 
sabor, sino por la mucha abundância, que 
por todas aquellas partes ay delias) valeu 
lo mas caros a dos reales». — Cristóvão da 
Costa, Tractado, p. 250. 

1583. — «L'ananas mi pare a me Ia 
piu gustosa frutta che cisia... Questa 
pianta è qui [Cochira] forastiera venuta 
dal Verzino [Brasil], e condottaci iu Porto- 
gallo non vi visse». — F. Sassetti, Lettere, 
p. 223. 

1588. — «Ma di tutte queste sorti di 
piante si dà il primo luogo u quella che il 
volgo chiama Ananaze» (no Brasil). — 
P. Maffei, Le Istarie, p. 61. 

1658. — (iNana Brasilianis; Ananás, 
Lusitanis. . . Eoque magis quod à fide di- 
gnis senibus Incolis testatum est, primum 
hunc fructum ex his Piovinciis ad Pe- 
ruviam, inde ad índias Orientales de- 
latum fuisse». — Piso, Indiae Utriusque, 
p. 194. 

1676. — Le Tonquiu a aussi quantité 
d'ananas et d'oranges». — Tavernier, 
Voyages, v, p. 222. 

1786. — «L' Áspide è amante degli ana- 
nas per cagion deli' odore grato che esa- 
lano, e quindi i giardini dove crescono 
molti Ananas, hanno molte serpi». — 
Fra Paoliuo, Vicíygio, p. 179. 



ANÁRICO (adj.). Ulotoló}^icumente, 
('• o (jun não pertence k laraília lin- 
guística áricu ou indo-europeia. Etno- 
lógicamento, é o que não pertence 
ao i)ovo árico ou, mais restritamente, 
ao povo indo-árico. Do sfmsc, anã- 
rya. O prefixo negativo an- nSo é 
privativo do grego, como supõem 
alguns lexicfigraíbs ; é proto-árico, 
representado })or an- em sânscrito e 
grogo (sendo a- forma abreviada 
antes de consoante), in- em latim, 
un em germânico. V. árico. 

1897. — «Pertencem também a esta di- 
visão dos flexivos os idiomas chamsidos ha- 
míticos, 08 denominados semíticos, e, ao 
que parece, os idiomas eaucásicos, mesmo 
os anáricos, isto é, não aparentados com 
os fali ados por povos áricos ou indo-euro- 
peus». — Gonçalves Viana, Mappa dialec- 
tologico, p. 7. 

*ANCHACI. Juiz provincial na 
China. Do chinês án-cha-sz'^ 

1534. — «Estes dous mandaris que per- 
guntarão hum era o cfiãcy outro o an- 
chaçy que eram os may ores de Cantão». — 
Cristóvão Vieira, apud Donald Ferguson, 
Letters, p. 80. 

1536. — «E farse ão tres cartas ao çeuy 
pacliency anchaçy». — Vasco Calvo, ihid., 
p. 100.' 

1540. — «Esta noyva, segundo depois se 
soube, era filha do Anchací de Colem, 
que he como Corregedor entre nós». — 
Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 47. 

«Passando este mes e meyo o Anchaci 
do Feyto, que era hum dos Juizes, perante 
os quaes isto corria ordinariamente, julgou 
a requerimento do Procurador da Justiça». 
— Id., cap. 85. 

1552. — «Ha outros officios menores que 
estes, que se chamão pwcÃa/ícis, amecha- 
cis, toeis, itaos, pios». — Castanheda, His- 
toria, IV, cap. 27. 

1555. — «E tem hum que he chamado 
en casi que tem cargo da justiça do cri- 
me que he como capitão da cidade». — P. 
Belchior Nunes, apud Cristóvão Aires, F. 
M. Pinto, p. 86. 

1569. — «Outra dignidade abaixo desta 
[de tutão] he ha justiça mor que na sua 
lingua chamam Anchasl. E iuda que ha 
outros muitos oficiaes de justiça, este he 
sobre todos, e por elle são distribuídos os 
despachos aos outros». — Fr. Gaspar da 
Cruz, Tractado da China, cap. 16. 

1611. — «Como fez com o Pu-Chin-Si 
{\iá. ponchaci) e Ngan-Cha-Si de Can- 
tão, 5landarins dos grandes na província 
de Cantão». — P. Sabatino de Ursis, P. 
Matheus llicci, p. 57. 

1585. — «El quinto es Anchasi, que es 



ANTOHA íHINA 



39 



ANDOR 



\o l:l iu>: iiiiiii». 

G. de ^ de la 

lita poi lAnoaslo, il 

..- 'li.- -i'l i,,i .i.ffi, 



iuiportansa*. •— 

.0. 



'SCHACILADO. É o termo qne 
• para designar 

1640. — «Por aquelle rio iâo para diver- 

lo« Anchacilados, e smho- 

He Iniptrio.. — Prreyriuaçào, 

■ I quÍDto frio] por uome Lensacotay, 

....,.,.>,i,. .. í.i.ii, ião de todos os Chins, 

> Anchacilado de 

. I'lulrioge- 
r , Anchaci- 

lados de iotuarcas*. — Ibid., cap. 113. ■ 

"•"HAO. 1'sa ' ■ i»ortu- 

.'ito luií' iii, an- 

') por thoiào poijueiio, rompo- 

. Do chiuOs cantoiíciíse ham, 

j»a», e cliòum, amaina». O ma- 

1. icm anchong. 

] --0 — ..Eu iii III III. IA ilii> amchôm di 

1 jtoi. .>. 'r y. , w, p i»>y. 

o — 'Amchom, uma espécie de 
■'•niíochinez)». — Ta- 

• ANCORA CHINA. Chama-so assim 

ia d(» 
^f ser- 
t'ln d© semelhantes ãJM.-ora». 

•« . . »e assentou que na pri- 
'mí»So de honi vento, mlJxwfi»'- 



TOM de 
.1^, ■■*ta- 



• I^ naui de 

■ I í-.f.. ':, 



fer cunimun cm 
d'un }>"'- 'l'"- ■ 



aer». — Lcttrts 
1782.— «Le. 



• . — Marco Polo, 

•>■• "'•"' ."^■.•.í de 
nt 
nt 

T. 

aU- 

• íer, parce qne, 
■ ujettes & se faus- 
. XIV, p. 12. 

aux ou $ommt$ 



aoDt des niacbint-e éuunues... Leors an- 
crex sent de bois, leurs voiles de nattcs, et 
leurs cables de rotina». — Sonnerat, Voya- 
yes, II, p. 27. 

ANDONE. Domingos Vieira ins- 
creve o vocábulo da segninto ma- 
neira : tAnt. (Segundo Moraes, tal- 
vez corrupção <le Brandone ou Bran- 
dão (!). Na ^ na, os 
andones ropi' ; o visí- 
vel (1). Palavra oriental, de signilica- 
çào incerta (!), e completamente obli- 
terada». O que Morais diz (na 2.' ed.) 
é: Andones, s. m. pi. «poserão na 
rua sobre arvores muitos andones 
accegos^. Cart, do Japão». O passo 
citado está assim concebido: «Por 
toda a rua larga, que vae até a cruz, 
puseram os ]»(Htii;ruezes arvores mui 
altas «Ic liutna })arte. e da outra, o 
n'elles muitas lanternas e andones 
accesos». Tom. i, fl. 117. 

Bastava dizer simplesmente, por 
significado : Lâmpada. Do jap. an- 
don. 

ANDOR. «Espécie de andas portá- 
teis, sobre que vflo homens ou ima- 
gens de divindades na Asia, ou de 
Christo, ou ^ r'atholi- 

cos, nas pro, . «Pa- 

diola ornamentada, em que se levam 

' L'ens nas proci'^ '=-"«= • ' ""♦ "' i:»"!'-'' 

s». C. de F; 

Us povos do 11, 

por luxo ou por u- 

íos de diver> ios 

aoH ombros ou .. < ,- . '>* 

a ^8se fím destinados, a c»' 



ir 
• •«- 
de 
do 

•0- 

xuaia económico, uuus ftCj^uro« 



is ou por sen'm as i 
.. .uodo muradas,^ que n» 
i'ode atravessar. E um m 
ào — já mencionado n 



ANDOK 



40 



ANDOR 



mais senhoril e mais a<lai)tado ao 
clima e ao solo. Os mais luxuosos e 
confortáveis oram o apanágio dos 
reis e das altas personaj^ens, e o seu 
uso era determinado por leis espe- 
ciais, civis e eclesiásticas, e sujeito 
a várias restrições. 

Os nomes que tais transportes 
tem em português, recebidos das 
línguas indígenas, silo andor, palan- 
quim, machila, doltm, catre, cadeiri- 
nha. 

O mais antigo destes veículos, co- 
nhecido no Malabar, é o andor, já 
mencionado pelo seu nome em 1500, 
e depois largamente descrito j)elos 
cronistas. Era uma espécie de ma- 
chila ou maca, com o fundo acol- 
choado, pendurada em um grosso 
varal, ordinariamente de bambu es- 
piniioso, e conduzida aos ombros por 
dois ou quatro carregadores. Da cana 
pendia de um lado e do outro um 
pano, que resguardava do sol e da 
chuva, mas que se disjjensava quando 
ia ao lado o boi com o «sombreiro 
de pó alto». 

Mas os andores de todos os luga- 
res e de todos os tempos nSo seriam 
do mesmo feitio, como o não eram os 
palanquins, considerados superiores, 
nem teriam, na boca dos portugue- 
ses, o mesmo nomo om toda a parte. 
Actualmente são pouco usados na 
índia Portuguesa, pelo menos com a 
mesma denominação. 

llá outros andores, em forma de 
padiola, como os da Europa, em que 
são levadas não somente imagens dos 
deuses ou santos, mas também ho- 
mens, posto que raramente, por ve- 
neração ou exibição. 

Quanto à origem do vocábulo an- 
dor, que existe unicamente em por- 
tuguês, há divergência entre os lexi- 
cógrafos. Uns não lha conhecem, 
outros, mais modernos, como o Dic- 
cionario Contemporâneo, derivam-no 
do verbo andar ; outros, como Pr. 
João de Sousa e o Diccionario da 
Academia, da voz pórsica andul ou, 
antes, handiíl *. 



* Domingos Vieira deriva andor de an- 



Primeiramente, o termo andor não 
é coevo de andas. Os escritores qui- 
nhentistas, como Duarte Barbosa, 
Castanheda, João do Barros, Gas- 
par Correia, Damião de Góis, tem- 
no por estranho, e explicam-no, em 
geral, por meio de «andas». Diz o 
Roteiro de Vasco da Gama (p. 34) : 
«Alj trouxeram ao capitam mor Imas 
andas domeès em que os honrrados 
costumam em aquella terra dandar, 
e alguns mercadores se as querem 
ter i)agam por elle a elrey certa 
cousa». Também, nenhum dos auto- 
res alegados em abonação é anterior 
à época das conquistas asiáticas. 

As mais antigas menções da pala- 
vra são de um piloto português, que 
descreve a Navegação de Pedro Al- 
vares Cabral em 1500, cujo teor so- 
mente- conhecemos pela tradução ita- 
liana da colecção de Ramúsio, e de 
João de Empoli, que narra em carta 
a um italiana a sua Viagem ás Índias 
Orientaes em 1503. Refere- se o pri- 
meiro ao veículo do samorim e o se- 
gundo ao do rei de Coulão, e ambos 
os consideram «uma espécie de an- 
dor». Julgo porém que isso não im- 
plica que os preditos transportes 
eram uma espécie de outros conhe- 
cidos na Europa com o mesmo nome. 

Empoli fez várias viagens ao 
Oriento até 1517, quando morreu em 
Cantão, e não se sabe o ano em que 
escreveu a sua carta. Não havendo 
em italiano a voz andor, nem sendo 
de presumir que a ouvisse em PorT 
tugal, é natural que aludisse a ou- 
tros andores comuns do ^Malabar, 
que amiúde teria ^nsto. 

O mesmo se deve entender da dis- 
tinção feita pelo piloto português, 
que esteve três meses em Calecut e 
se inteirou com muita discrição dos 
usos e costumes do país. 

Para se admitir a derivação do 
persa, não basta que haja andúl 
nessa L'ngua, convêm saber a época 

dul na acepção de «carruagem portátil», e 
omite a etimologia na de «cbarola». Cân- 
dido de Figueiredo tira-o, dubitativamente 
ua 1.^ edição, de andar e andnl, e na 2.* do 
cone. andor. 



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filpam e>crit<>r o ompreçra é como 



lo em iraíluçAo íranccsa 

w.u Aiif^ln- Indiano) vem 

lio e explicado o termo: 

(\uh Serandib 

iix qui so por- 

^'nt à la íaçoii <l('s róis, se font por- 

>• -l.nv handoul {handuli qui est 

íi uno litière. soutenue sur 



• indiano e o des- 

. .. s dias viorilo raj)a- 

!a casa de Almapduma Jahan 

A^^ ' íjuo he a liteira om que 

> as niulÍR-res, e om 

imhrm os liomtMTB, que 

a huma cadeirinha de 

:í508, cojo tecto ho de tranças de 

' '' f sobre a qual ha 

... de cana india- 

.a, n qual liteira conduzem 

ns, quatro por cada vez, 

ido outros quatro». I lagem, 

II. ['. j'lJ. 

Sii ik ••ípe^r. no w»n dicioníírio hin- 

', nflo 

-j .sànsc. 

■la, «reil r<;o baloiçante 



i do atraC' 

">r. Cf. an- 

:ol do antigo anzoto, mogor de mo* 

■ ' E quo o vocábulo é vernáculo, 

inuis <lo8 j)aralolos : r-od/Scrn f7w- 

■- e túlu " !:18 

sing, aiii , ^ an- 

juim candiano», conforme Clough ; 

ta (" sufixo soparAvol»), cone. ãndòl 

ou ãndôr, hindust. hamlolã, bí*ng. 

■lis 
la, 
que, por outra corrente o no sentido 
primário de «redoiça», dou o hin- 
dust. hindolã, mar. hindolã ou hin- 
dnlã, guz. hindolò, cone. hindulò ou 
hindló ». 

Conclui-se, portanto, que o andor 
veio directamente da índia para Por- 
tugal, onde se restringiu na sua si- 
o. Nilo há motivo para so 
110 caso, a hipótese de dois 
vocábulos etimologicamente distintos. 
Jerónimo Cardoso (1503) dá um 
só significado de andor — sella ges- 
tatoria, ao passo que Bento Pereira 
consigna /"pz-cíí/í/oí e ifella gentaton'a ; 
o que implicaria que nem no sentido 
de «charola» estava andor vulgari- 
zado no continente na primeira me- 
tade do século XVI. 



■ ou ht. 
<»« l»*vn' 



iil.uii* 



>> jiur- 

O VPÍ- 



^ i<» que «^ 
Uive buscar aorigr-m iW andor, viíto 

♦?!. .... .« - palavras anda, de 

com a sua pAfriíi. 

ui sua p:, 



de 


ir)00.— «Havia 
andop, em <> < 


1" 


.f,«1 1>1M,,., 

•la- 


citiaoriile costnuiiiv 
est»' andor li 
tatneiitf rif. s 
de r. A. ( 


.te: 

lli- 

/ ào 

•"• ^- . 

:i vai nn hnm andor 


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a npnhnni outro 

13. 












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.'... .1. >..,.. .,f. 


derirar o tiTtno |v>rta- 
•'•■ ■'■•»»• andul ovk antkr^ 






>r Mr conoeciao 



OUlft. 



ANDOR 



42 



ANDOU 



de Einpoli, Viagem, cap. 9. — É claro que 
alude ao andor religioso. 

1505. — '<I1 Re se fa portare in vna 
]^arra quale chiainano Andora portata 
da hoiniui». — Carta de D. Mauuel ao rei 
de Custeia, in Glossary. 

1513. — «El Rey do pejiu leua gramde 
couteintamento de vosa amizade, quer vosos 
tratos e vosa jeinte e vDsa ajuda; em seu 
reyuo recebe vosa jemte que vay de ma- 
laca, aão trazido.s em andor cubertos de 
panos d ouro e da lhes grandes dadiuas». 
— Afonso de Albuquerque, Cartas, i, 
p. 138. 

1516. — «Sae elRey [do Malabar] em 
huii andor, que leuaraom (sic) dous ho- 
meins com suas almofadas de seda em que 
vay encostado; e lio andor lie de pano de 
seda pendurado em liua cana de imiyta jie- 
draria, tam grosa como lifiu brayo de huu 
gordo homem, com huas uoltas que de seu 
nacimento ilie afeiçoam pêra aquilo, a qual 
cana dous homeins leuaom ha hos hombros 
de que vay ho dito andor pendurado.;. — 
Duarte Barbosa, Livro (2.' ed.), p. 320. 

1525. — «Não poderá ninguém trazer 
tocha, andor, sombreiro, sem nossa licen- 
ça ou do nosso Governador». — Foral de 
D. João III, in Archivo, v, p. 132. 

1525. — «Todos os capitães deste reyno 
se servem de andores e palanques, que 
são como andas, as quaees trazem homeès 
as costas, os quaees não podem andar nellcs, 
convem^a saber, nos andores se são [tal- 
vez se não ) homeès de cavalleiros pêra cima, 
e nos palanques capitães e pessoas princi- 
paes, e ha sempre na corte onde elrey está 
vinte mil andores e palanques». — Chro- 
nica de Bisnaga, p. 74. 

«E estas raolheres [do reij não são vis- 
tas por homem nenhuu. . . e quando quer 
que camynhão vão os andores em que 
ellas vão cerrados e sellados, de maneira 
que vistas nào podem ser». — Ibid., p. 90. 
1547 — «O novo Roolim [chefe dos bu- 
distas de Pegu] foy levado daqui deste lu- 
gar em hum riquíssimo andor de ouro e 
pedraria, que oito principaes senhores do 
reyno levavão aos hombros». — Fernão 
Pinto, Peregrinação, cap. 169. 

1552. — «Vindo o recado do Çamorij que 
fosse, sahio Vasco da Gama com doze pes- 
soas em terra, onde o recebeo hum homem 
nobre, a que elles chamão Catual, acom- 
panhado de duzentos homens a pé . . . e 
outros de o trazer aos hombros em hum 
andor, porque em toda aquella terra Ma- 
labar nào se seruem de bestas, hum dos 
quaes andores foi também apresentado 
a Vasco da Gama pêra ir nelle». — João 
de BarroSj Déc. I, iv, 8. 

«El-Rey [de Cananor] vinha em hum 
andor dos que elles vsào, às costas de 
certos homens muy bem vestidos a seu 
modo com panos de seda. — Id., I, v, 4. 

1552. — «Depiúá de recebido [Vasco da 
Gama] foi tomado em hum andor. . . por- 



que naquella terra nSo se costuma andar a 
cavallo, e andão nestes andores, que 
Bsm como leytos dandas, senão que sam 
descobertos, e quasi rasos, tão baixas tem 
as goardas». — Castanheda, Historia, iv, 
cap. 16. 

1557. — «Levaram Timoja em hum an- 
dor por toda a cidade [de Goa] com mui- 
tas festas». — Commentarios, ii, cap. 23. 

1563. — «Veo á feitoria em hum andor, 
que homens trazião ao hombro, que são 
humas canas voltadas pêra cima e arcadas, 
e delias pendurados liuns panos largos de 
meia braça e de comprido braça e meia, e 
nos cabos paos que sosteem o pano pendu- 
rado na cana; e encima deste pano hum 
colchão de sua grandura, tudo isto feito de 
panos de seda e fio d'ouro, com muitos la- 
uores e franjas e borlas, e a cana, os cabos 
guarnecidos de prata tudo muito loução, e 
de tanta riqueza, como som os senhores 
que nelles andão, que vão assestados sobre 
este colchão, e se querem, deitados em al- 
mofadas, e de quantas gentilezas querem. 
O Catual veo assi em hum destes ando- 
res». — Gaspar Correia, Lendas, i, p. 102, 

"ElRey vinha assentado em hum an- 
dor... . e o pano em que vinha assentado 
laurado de fio d'ouro com muytas franjas e 
borlas pendentes, e da compridão de huma 
braça, e meia de largura, postos os cabos 
em nuns paos de marfim que o fazem estar 
aberto, pendurado era huma cana da gros- 
sura de hum homem, que no meio faz 
huma volta arcada, que nam toca em quem 
vay assentado; e almofadas de seda feitas 
da feição e largura do pano«. — Id., i, 
p. 171. 

«1566. — «Na mesma hora, que Vasco da 
Gama desembarcou, ho fez ho Catual tomar 
em hum andor, que sam a modo de andas 
descobertas, que levão quatro homens aos 
hombros por estado, estes sam tão destros 
neste officio que ho que vai no andor, 
posto que elles vão ás vezes correndo, 
quasi não sente que o movem, a par dos 
quaes vai outro homem com hum Sombreiro 
desparavel, posto em huma haste comprida 
pêra lhe tomar o sol e a chuva». — Da- 
mião de Góis, Chron. de D. Manuel, r, 
cap. 39. 

1565. — «As três horas depois do meio 
dia me sahi com todos os christâos e com 
o Secretario de Mioxindono, e sua gente 
metido em hu andorzinho pequeno» — 
P. Luís Fróis, Cartas de Japão, i, fl. 192. 

1572: 

«Mas um tiro que cora zunido voa. 
De sangue o tingirá no andor sublime». 
Camões, Luniadas, x, 17. 

1574. — «Mando a todos os panditos [mé- 
dicos] e phisicos gentios que não andem 
por esta cidade e arrabaldes delia a ca- 
vallo nem em andores epalanquins». — 
Alvará do governador da índia, de 15 de 
Dezembro. 

1577. — «Trazem sombreiros de pé, an- 



ANDOR 



43 



AVVÍA<) 



dores, palauquiaâ». — Primor f Honra, 



mesmo carro com estes | ) 



111. 



a). 



1855. — «Os andores sSo hoje rftros e 



uso he ) 
'S, c aos 1 



iilOu. 



los 
,.'io 

til- 
de 
11 i.n,.i'> de 
F. íi. Xa- 

1 ".ri 



o leuão ang 

— , ^..... , _ 3>. — Fr. An- 

tÓBio de UoaveÍH, Jornada do Arcebispo, 

fl. 12fi. 

,;i _ „ . fui-' lo 

andores « II) . 'te 

rm Poiti. .Ld(!Íriisu. — 

r de S, li ', Itinerário, 

■'Tam diant" qnatro tm einco 

I lideres -» (ido- 

<) — P. \ ragico- 

'«la, ii, ;.'. I'.'i . 

.') — aS*') indo subindo a serra de 



ii'> andor <iu\<- ia (wi- 
•> Bocarro, Déc. XIII, 

O. — «O megrao empreenderam Do- 

U.r.r... A.. <,>.,- ,. ♦•..•, .1.. .,,..-» 



1' '! j • III (■ ^tpiidf mio) aqaelle 

andor, tSo 

lii- tão j)<>uco 

.iuciiico ile Melo, Apologo» 



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Este an- 



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itjuiu Fuiu, Trattado* 

■.).o 
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■■a. 



i weligiosoH 



1S84. — «Era uma outra ]• 
já andava na rua, e na qual c 
grande andor, com muito» > 
rados, ostcutaodo-se na part 
inuigem da divindade hindu . 
dor era levado por muitos homens, com 
lanternas, queimando fogos de Bengala e 
fazendo uma vozeria infernal". — Adolfo 
Loureiro, No Oriente, ii, p. 229 

1623. — «Qiieste Reti son diflferenti da 
i Palaneliini e da gli Andor: perche in 
que|)f> dalla cauna, che si porta in spalla, 
] Hir, nou reti, ma bare li guisa di 

1 , doue vn' huomo assiso con le 

strde, ò por dir meglio, mezzo col- 
'•' i suoi cossini và molto commoda- 
iiiiiitt;. E sono auco i Palachini, e gli An- 
dor diftVrenti fra di loro, perche ne gli 
Andor la cauna con che si porta, cume 
anche nelle reti, c dritta; ma ne i Palan- 

■•'■••• '■*"■ •■■•■ '^dità di chi và dentro... 

iruata in alto». — Pie- 
... . .... > -Í.V.V'» "'» P- í«^- 

17»3U. — «Uf the same niture as palan- 
keens, but of a different name, are what 
they call andolas . these are much 
cheaper, and le»s ostocmcdu. — Grose, in 
GUtsary * 

ANFIÃO. K o mesmo í\u(' ojiio, 
produto de Papaver somniferum, 
Linii. «O amfiam he o que chama- 
mos oj)io)). Garcia da Orta, Col. viii. 
«Anjiam. Assim chamão na índia ao 
Opiot. Bluteau. 1' ' ; ' rro- 
gos o nomo de nu »*, 

quo os latinos, coiuo i \ e- 

ram opion, e do qno l - ;/,(»- 

ram qfiun [ou afyunj. De qfiun os 
•iijçuozos da Índia derivaram 
'. o d#»poÍ8 por uma altero<;flo 
Mirnl aujiami}. Conde de 
XL. 

I&18. —«Mando to« também hum mouro 

" ' ' ! nfyam e .% manoira 

. ) yam ii'uu lie oiitra 



^ - -■ í" .......^^ .,. rii. ...«,*... 

cotturoaae a comer, oa reis, e seuhore» em 



^ V uutraji libunaeOfii em valanuuim. 



ANFIAO 



44 



ANGELIM 



cantidade de avellâ; a gente baixa come 
menos, porque custa caro... — Tomé PireB, 
ajitiã Cardinal Saraiva, vi, p. 420. 

ir)l(j. — ciUeiíios por exjiericncia no an- 
flam que a nioor parte dos Mouros e lu- 
dio.s comem, que se ho Icyxaseiu de comer 
uior(!riaom, e se ho comesem hos que nun- 
qua ho comêraom moreriaom também». — 
Duarte Barbosa, JÀvro ('2" ed.), p. 281. 

«Também leuaom anflam a que nós 
chamamos opeo». — Id., j). 375. 

1554. — «E a Renda de anfíflo e bari- 
gue e sabão». — Simão Botelho, Tombo 
da Índia, p. 53. 

15(j3. — «O amftam he copio . Dixe- 
ramos que dfstas durmideiras se fazia o 
amflam, dando cutiladas nas durmideiras 
por onde corria o amfiam». — Garcia da 
Orta, ViA. XL 

1557. — «Levam esta roupa de Cambaia, 
e Anfião, sândalos, e agoa rosada». — 
Comnieutarios, i, cap. 14. 

15G3 — «Somente cadahum tomaua hum 
grão de Anfiâo tamanho como hum gruo 
de pimenta, o qual acertou de leuar no 
sevo hum Mouro (jue ali ia, por ser entre 
elíes tão costumado o vso daquella mezinha 
que nào sabem andar sem ella». — João de 
Barros, Déc. Ill, v, 3. 

« . . o que lhe causava o Anfiam que 
tomava (que he o oi»io), com que os Índios 
se embebedão». — Jd., Déc. IV, ix, 6. 

1615. — «Accrescente-se que a maior 
parte mascam ópio [nas Maldivas] ou aiTI- 
phião, como ll»e elles chamam^ que os 
embriaga e adormece». — Pyrard de La- 
vai, Viagem, i, p. 168. 

1616. — "Foi tomar todos os portos por- 
que lhe não entrasse arroz, nem AnflôO». 

— Diogo do Couto, Déc VII, n, 11. 
1701. — oVirão muytos campos de pa- 
poulas, de cujo çurao se faz o anfião tão 
celebre em todo o Oriente, i)elas muytas 
forças, que põem : mas quem se costuma a 
elle, o não deve deyxar sub pena de morte». 

— P. Francisco de Sousa, Oriente Conquis- 
tado, II, 1, 2. 

1825. — «O anfião era de Malwa: o 
director abriu o preço : 1 :000 rupias a cai- 
xau. — José luácio de Andrade, Cartas, i, 
p. 96. 

1841. — «Os acontecimentos extraordi- 
nários que têm tido logar na China, por 
causa do commercio do Ópio ou Anfíâo, 
são hoje já demasiado conhecidos». — An- 
naes Maritimos, p. 300 

1586. — «La seconda è I'anile, o vero 
indico; la terza è Tanfione, cioê, I'oppio, 
con quale si sostentano». — F. Sassetli, 
apud Gubernatis. Stoiia, p. 225. 

1598. — «Amfíon, so called by the 
Portingales, is by Arabians, Mores, and 
Indians called Affion, in latine Opio or 
Opium . The Indians use much to eat 
Amfíon». — Linschoten, in Glossary. 

1631. — «Affion, ac quibusdam Ann- 
phion, Arabibus, et ludis, Opium Grse- 



corum eet'). — Bon tins, iíísíoría Naturalis, 
p. 42. 

1676. — «On seme princ5j)alement quan- 
tité de pavots dont on tire TOpium ou 
rAphion, comme I'appellent les Turcs». 
— Tavernier, Voyages, i, p. 120. 

*ANGANA (s. m., pi. anganana). 
Eirn oil ])átio defronte da casa na 
índia. Do cone. cingan {\A. ãyiganã), 
sânsc. angaua. 

173fi. — «Mandámos ao.s ditos naíuraes 
da índia, e também a todos os moradores 
nos sobre ditos districtos ainda portugue- 
zes, que não tenham nos quintaes das suas 
casas, nem nos anganans, nem em seus 
palmares e fazendas, a planta chamada 
Tidnssi •, e cm qualquer parte donde a hou- 
ver, a arranquem logo». — Edital da In- 
quisição de Goa, apud Lopes Mendes, A 
Índia Portugueza, i, p. 158. 

ANGELIM (indo-ingl. angely-wood). 
Nome português de Artocarpus hir- 
suta, Lamk. E árvore de madeira 
muito valiosa e largamente utilizada 
no Malabar. Do tam. afíjili, malaial. 
aniiili ou ãyini. Diz-se também ja- 
queira brava. 

1514. — «Entregues a martim fernandez 
mestre da nao belem cemto e trynta seys 
couados de tauoado danrigeiim». — In 
Cartas de A. de Albuquerque, vi, p. 219. 

1541. — «Pinhaes, arvores de ange- 
llm, como na índia, para se poderem fa- 
zer infinidade de navios». — Fernão Pinto, 
Peregrinação, cap. 53. 

«Nas partes altas [de Siamej tem arvo- 
redos espessos de muyta madeira de An- 
gel im, de que se podem fazer milhares de 
navios de toda a sorte». — Id., cap. 189. 

1563. — «São de tauoado dangelim, 
pao muy forte». — Gaspar Correia, Leií- 
das, 1, p. 405. 

1635. — «Engenhamos uma das taboas 
do fundo de um caixão de angelim». — 
José Cabreira, Hist, tragico-maritima, x, 
p. 45. 

1701. — "Nos matos de Cochim andava 
o Irmão Gaspar Paes cortando madeira de 
Angelim, muito estimada pela sua notá- 
vel largura, e incorruptibilidade». — P. 
Francisco de Sousa, Oriente Conquistado, 
II, I, 1. 

1767. — «Ha nesta Ilha [de Larantuca 
na Oceania] muita madeira, ainda que ne- 
nhuma de Tequa, nem Angelim». — 
Fr. Lucas de Santa Catarina, Hist, de 
S. Domingos, iv, p. 6f>9. 

1782. — "A 8.» é a planta chamada 



^ Ttãossi é objecto de culto entre oa 
bindus. 



ANIL 



IS, f 11' • - 

C. da 1. 



iiaiij CI tii;^^ 'y *• 

>>, Tratado, n, 



>. » aPAtrpon6s«o, anqeli ou ja- 

i.riv-.,, _ T,,j.ea Menoeii, A Judia 

. liii.';ir>> liuinldoi, J 
d« loe 

■*, :IT». — 

p, 342. 
Cncbin un 
'n fait 

Mt 

u 

-cur dccclarbrcu. — 

. p. 106. 

lui -'- - >-'ii luuchos l4>s bueijuee de 

vano, Hrasil, y AngeHfti". — Faria y 

- usa, Atia Portuguesa, in, p. 432. 

• ANGRACÀ (s. m.). É uma espó- 
ití do blusa ou cabaia de alpodão, 

'S tra- 

usa. É 

<í de chogó, q. v. Do 

-i-ui.i.âwst. angrãk/iã {cone. tÍ7Í- 

(5), de (iiig. «cor|>0)>, e rãkhf 



•^ cores por 
anaracás 



P l«l 

^- .f> Tpstnariri dns xavram ou 



'< Mcmlc», <1 Jn- 

■i ricos) 

ft)». — 
marM. 



ANIL. 5>ii]>!«tAiicia que 

t/.ul, «'XT anileira - Imiino- 

' • -/«/, i.iiju. '. ANILA B ódar 

il. F,m uma listn d»' morfa- 



: «auil, ftiiil uuit roini, 

•m pói. V. (> ' ' '• 'iê Ti»- 

/, 1, p. 158. O II raco- 

ilitHÚdo por «anil nadador <. 



ill ot ad)'! 
li» 1'out trauaui» 



yj ciiiiio «' o ar. nu im , jM>r ui-mi, 
on annlr contoruit? Dozy, do perfa 
7}7/, sAnsc. nl/i de 7u/a, «azul». "^ 
digo. 

1514. — «Tanto (i rhei^oa hijè 

d amt.i ■ 'iiho 

de c;. - e 

trazt-r >< aniii ♦• atdi^i'/'^ihiji (jm- vss.i al- 
teza niaukda levar» — A. de Albuquerqae, 
Carlat, iv, p. IhiK 

1516. — «Aufiain, Anil fino de taboleta, 
e outro mai.s bayxo Anil nadadtjr, 
inuyto bom, per faruzola fananu 30». — 
Duarte Barbosa, Livr", p. "WS. 

1554. — «') anil se p»'za por màos da 
tara, e venl' -'• i" r f;ii'! i.-. e cada fardo 
tem -10 II ' ' mea, Lyvro 

do» petos, i< 

lf>63. — nAnil não iie simple medicinal, 
senani mercadoria Saliei que o anil be 
assim chamado dos Arábios e Turcos, e de 
todaâ as lingoas, e someute o Guzarate, 
que be oude se faz, o chama yali, e (X)rém 
já ap^ra o cltauia nU. He herva que se se- 
i: rcce com a que nós ehamainoe 

( unt. — Garcia da Orta. Tol. vii. 

iiiOi). — «As molhares [do.'- ^ - de 

8. ToméJ sào por estremo hoi im 

li ■ ' >-8- 
1 .iiO 
anil. nie eo- 
bveiii le Gou- 
veia, ,/.'//- f.c. .... .-...- '..-y..-. .:. .... < 

1614. — « . . irem dar os trabalhadores 

vns fardos de anIU. — Dioju^o do 

. Déc. Yll, vnr, 1. 

., ].; — .,11 AniK i.or (.litro nome /n^i- 
go, » Ko de Cam- 

baia • , Lavai, Via- 

gem, ii, p >it>4. 

1652. — "Dei xâo paf.'sar por estima^-à' 
de anll| o pacote. . de 6a- 

tarea; e rint?ín p.)r < il. qnc 

vem ' 
P. Al 

10ii3. -M.. s- 

sf»m «9 terrft!» ■ ; . es 

> algo- 
.-aa». — 
1". Manu'-l Li"<liiiii. 

ir>84. - nO Anil. 



'o. 



1701. — «Ac minas mai« rendosa* d« 

...1 — . .•:,> .. «.»»!, , erva de aufíAo, e 

r Francisco 

>M,/,, II I. I. 

aa 

■>»o 
te; 

•II- 
'ic anil /. 

Vtl 



ANJUAO 



4tí 



ANONA 



transporte par tons les ondroits du monde» 
— LiuBchoten, Histoire, p. 20. 

1G31. — Secondo Ánnii, quod vulgo 
glostmn vocant, tiiictuiae species toti Eu- 
ropae jam notissima et usitatissima». — 
Dt Império Magni Mogoli», p. 5)9 . 

1(563. — «.. comme aussi dans I'achat 
de I'anll ou indigo qui se recueille tout 
autour d'Agrau. — Beruier, Voyages, ii, 
p. 77. 

* ANISTA. A palavra chinesa háng 
ou sháng significa «negociante ou 
mercador» ; mas os estrangeiros in- 
terpretam-na por «comerciante que 
era antigamente intermediário oficial 
entre os negociantes europeus e chi- 
neses». Anista ó formação portu- 
guesa de /iáw^, adoptada pelos estran- 
geiros. 

1825. — «Era 1813 mandou o governo 
chinez vigorar a lei concernente aos anis- 
tas, a tini de cohibir o contrabando feito 
pelos iuglezes». — José Inácio de Andrade, 
Cartas, p. 147. 

«O governo para não tratar dii'ecta- 
mente com os estrangeiros, nomeou certo 
numero de negociantes probos, e abasta- 
dos a quem chamou Anlstas, para nego- 
ciarem com os estrangeiros». — Id., p. 164. 

1870. — Estipulou se, afora outros arti- 
gos. . a suppressão dos cong-hang ou 
sociedades dos anistas». — In Ta-ssi- 
yang-kiió, i, p 24. 

1898. — «Depois da guerra entre a Chi- 
na, Inglaterra e França foi abolida a ins- 
tituição dos Hongs, ou agentes oficiaes, 
negociantes intennediarios entre os nego- 
ciantes europeus e chinezes». — Joaquim 
C. Crespo, Cousas da China., p. 15. 

1782. — «Les Annístessont des riches 
négocians associes au uombre de sept ; ils 
ont le privilege exclusive du commerce de 
Canton, et vendent aux autres la permis- 
sion de faire le commerce soit en gros, soit 
en détailn. — Sonnerat, Voyages., ii, p. 10. 

* ANJIRA. E termo usado nas pau- 
tas aduaneiras da nossa índia, no 
sentido de «figo j)assado)), que se 
importa em grande quantidade da 
Pérsia. Não se lhe chamou/'^o, por- 
que ^^o é ali sinónimo do «banana». 
Do cone. anftr, persa anjlr, sánsc. au- 
fira. 

1788. — «Por cada carga de Anjíras, 
huma tanga dous reis e meio». — CoUec^ào 
de Bandos, i, p. 54. 

* ANJUÃO. É o fruto da árvore 
que produz a assa-fétida (q. v.). Do 
ár. anjudan. 



1515. — «E 72 quintaes, 2 arrobas, 24 
arrates de amgyam». — Doe. da Torre 
do Tombo, a2)U'l AmÃiicio Graciaa, Subsí- 
dios, p. 16. 

1554. — «Anjuâo, pucho, mirra, en- 
censo, anil. . .». — Simão Botelho, Tombo 
da India, p. 49. 

1563. — «E como a qualquer arábio lhe 
mostraes esta goma, dos índios chamado 
imgu ou imgara, por o mesmo nome a no- 
meão que vos disse [alfiht ou antil\\ e a 
arvore de que se tira ou mana se chama 
anjuden, e outros o nomeão angeidam». 

— Garcia da Orta, Col. vii. 

1832. — "Por carga de anjuão (folhas 
de) O : 2 : 02 I». — Collecçào de Bandos, i, 
p. 133. 

* ANNAVI. Catequista em Ceilão. 
Do tamul-malaial. annãvi, «mestre, 
pedagogo». Quasi todas as igrejas da 
ilha tem seus annavis nas capelas 
filiais. 

1707. — «Mas também os ermidarios 
Annavés, que são os que ensiuão, e fa- 
zem os exercícios das ermidas, declaram 
espontaneamente os seus ministérios». — 
P. Manuel de Miranda, in O Chron. de 
Tissuary, iii, p. 206. 

ANON A . Fr uto de A N O N E I R K— Ano- 
na reticulata, Linn. Na Madeira cha- 
ma-se-lhe nona. O primeiro indianista 
que menciona anona é o P. Vincenzo 
Maria, cuja obra foi publicada em 
1672. O P. Gaspar Afonso (1596) 
diz que em S. Domingos lhe chamam 
coração «pela semelhança que tem 
com um coraçílo em tudo, por fora, 
e muito mais por dentro, na brancura 
e candura da massa, como Nosso 
Senhor quer os humanos». {Iliat. 
tragico-maritíma, vi, p. 49). Cf. o 
nome inglês bullock's heart, a par de 
soursop. Quanto à pátria e à etimo- 
logia do vocábulo, vid. ata. 

1782. — «Vê-se outra quasi similhante 
á precedente [aleira] no fructo com o no- 
me de anoneira; é elle maior, mais 
agreste, menos saboroso, mais áspero seu 
âmago, e tirando para o encarnado sua 
casca exterior». — Fr. C. da Ressurreição, 
Tratado, ii, p. 338. 

1873. — «A fructa é exteriormente ao 
principio verde e quando madura de côr 
roxa castanha, de pelle lisa, trazendo pin- 
tadas areolas polygonaes . . . Ao paladar 
não se encontra a sensação tão suave e lú- 
brica como a da ata, mas um tanto fariná- 
cea, sem comtudo deixar de sev agradável». 

— B. F da Costa, Manual do agricultor, il, 
p. 164. 



APA 



47 



A T' \ 



. 1 de 
luhe- 



•^ tutnam OS ftottot cultivar. . . 
anoneira(ano- 

[K's McDiles, Â 

ÂNTENAL (s. m., derivado de an- 
tena). É sinónimo de alcatraz ou 
/ ' 'udo i Di '■ rulans, 

1 iá e Viti: le o si- 

de «ave mantiiua», e Josó 

. >ijuete, no seu Diccionario 

f^ortuguez-francez, traduz antenal 
jtor tantóual, albatros: oiseau de 
mer». VC-se das abouaçôes que o 
termo era muito conhecido outrora. 

IMl. — oVii " ' lOíco muitos An- 

te naes, e out >a, a que chamão 

liurflhoêu — III iirK^ue Dias, Hitt. trágico- 
mnritima, i, p. 3% 

l'«u«3 — < ' • ^ ante- 

na! ipl < c )nah- 

'■ ■ ' ' --rcs 

■'9, 

K .;la 

;■ .. .^ ... .V ... , C O 

, nem negar u. — 

'] beau- 

< - oisous, 

lit Antenaies». 

].. 166. 

ANYALLÔ (pi. anvalléê). É o nome 
qut' 96 dá na índia ao mira" 
Cmhlico íq. V.) fruto de </ 
Faz-se nt har do fructo; a casca e 
t fructo siio nd«<*' '""••"♦••" - -^"ro- 
veitam contra a > w- 

tr-ria... D. <J. I» 

CUflC. ãi'i>r ' ". ; 

an'ore. 



la!' apas e dos 
' ' , p 53. 
•> pilo a 
L..>.^.a Ja Orta, 



ICI- 

an- 



APA. B"li» circiii.ir >• cliato de vA- 

•'•< ♦'Spécitjs do lanuha n.lt< fermeu* 

. como de arroz, trigo, nacAinrm, 

' > que na índia Portu 

! (i]**i ^ »»«*«do f»ín II 



■ la. itin'"rt'i, \ 

1554. - «E 
queijos». — Siiii.i" i»"ir 

J563. — «Alguns a ci 
que chamão apaa». — 

Ool. VII. 

1572. — «O ramo das apas, e foaueoê, 
que seraa livre». — Archive Fort. -Orien- 
tal, II, p. 197. 

1GI6. — «Fazem farinha de um pio de 
uma arvore, a que chamam sagú, da qual 
farinha todos aquelles povos fazem bollos 
e apas». — Pyrard de Lavai, Violem, i, 
p. 670. 

1687. — aNos dias de grande solemni- 
dadc mandava o Santo fazer algumas 
apaSi isto he, bolos a modo dos beipus do 
Brasil». — P. Francisco de Sousa, Oriente 
Conquistado^ I? iv, 1. 

«Apas Bolos C' rinha de 

arroz e azeite de c . todos os 

Orientaes». — Bluteau, VocalnLario. 

1842. — «Um boUo, a que chamam apai 
feito de farinha de arroz, qn- le- 

vam em marcha, os (aipais) por 

3 e mais dia.s, sem uecessui.uu- (U> al- 
gum outro alimento». — Annae* Mariiimoê, 
p. 19«. 

1850. — «Esta sorte de apas |de que 
f ■' ' M'''»>au] se chamam nc--* ■ *•' ♦"-' <po- 
leoa: pois aã apaS : nt« 

V... assadas». — F. N. \., ,.^., ^ Ga- 
binete Littemrío, iv, p. 160. 

1866. — «Qi!:>-'.i.' ■' .::.v.v '-•♦.5 para fa- 
zer uma jornu' r apas 

ciriMihir.-^ de I . "> "ioli- 

lus), do um pa. roe 

•a (le iiin cari . — F. 

tmanfg, p. 231. 
T (lia uma apa, pe- 
queiiu pà' das fon- 

te»». — '!• It, p. 19. 

1886. — «(.'out u caril u^-a ari 

ou apa mui delgada feita >. ^ de 

■ — Lopes Mendes, A h*dia Por- 
p 54 
•lum ' apas, qae ^ uma 

espécie <i d»( arroz ou trigo, 

t«in que cuuier para vários dias». — /</., ii, 
p. 138 

1898 —«Apa, bolo .! Toi, 

trigo, tinrliini, í^tc , oiu • co- 

sido a de barro». 

— I > WII. 

n«- 

•os. 



CO appam. Em landim c^ 

".giiima cpAo*. 

1562. — k£ Msi totnoa com hum íarA> 



harina, 
" -..mo 
^ ai- 



1. 



'.'1' 



APTA 



48 



ARA 



alie volte è condito con zucchero o con 
nitíloM. — Fia Paolino, Viaygio^ p. 138. 

APSARÁ. «Nympha do céu ou do 
pariííso dos índios». C. de Figuei- 
redo. A palavra sânsc. apsaras (no- 
minativo apsarã) é composta de cr/>, 
«iigua» (cf. lat. aqn(í) e de sara., 
«movente». O Ramáyana atribui a 
sua denominação ao facto de terem 
saído da água, quando os deuses ba- 
teram ou remexeram o oceano. 

li) 12. — «... espclhando-sp no sagrado 
Ganges e no poético leito de Golcouda en- 
tre mágicos jjerfume s de komalas e moga- 
rins e meigos cânticos das lindas Apsá- 
ras». — Caetano Giacias, Flora Sagrada, 

p. lU. 

11)16. — «Também teve igual imposto, 
de cujo pj oduto o bramanismo com as suas 
ca&tas, as suas apsarás, o cortejo luzido 
de toda a plêiade dos que intervinham nos 
qeus complicados ritos, se alimentava ex- 
clusivamente». — Heraldo, de 14 de Abiil. 

1786. — «Mando una Apsarastri, cioè 
una Ninfa, accioccliè colle sue lusinghe 
distonasse I'auimo di Vishvamitra dalla 
conteniplazione». — Fra Paolino, Viaggio, 
p 811. 

APO (s. f. ). Eraprega-se este termo 
nu Macau para designar a mulher 
cliinesa da classe baixa. Em chinês 
yó 2)ô quere dizer «mulher velha». 

1667. — «Sucedeo porem, que indo ves- 
pora da Paschoa 9 de Abril hualorchaem 
q'liiaoduas apôs hu soldado ou cryado da 
terra e dous remadores; estando para des- 
embarcar em terra; de cima da terra tira- 
rão frechas e espingardas; e hu pelouro 
deu nil soldado, matou-o; e como as duas 
apôs estavão já em terra, vieram os sol- 
dadoa-^liinas, cortarão-lhe as cabeças; os 
dous remadores remarão e trouxerão a lor- 
cha ao meyo do Rio; de onde vierão para 
Macâo sem as apôs». — In Ta-ssi yang- 
-kuó, de Dezembro de 1899. 

«Só pôde intra na classe de apô. — 
Dialecto de Macau, ibul. 

APTA (s. m.), APTEIRA. São os 
nomos de Bauhínia racemosa, Lamk. 
Fazem-se «canudos» ou cigarros com 
suas folhas, que d<ão um gosto espe- 
cial ao tabaco. Do mar. apta, ãptó 
em concani. 

1872 — «Vê-se outra com o nome de 
ametá laptá], a qual produz umas folhas 
encarnadas... de suas folhas se servem 
para fumar na falta de figueira [bananei- 
ra]». — Fr. C. da Resurreiyão, Tratado, ii, 
p. 347* 



1886. — «Aptelra ou apta... & de 
madeira nmi ibrte, mas de inferiores di- 
men.sões. — Lopes Mendes, A Índia Por- 
tugueza, ii, p. 248. 

1910. — «SentavH-se no chão eemi-nú e 
obsequiava todos, que para ali iam obter 
justiça para as suas petições vérbaes, com 
tabaco e folhas de apteira». — António 
F. Moniz, Ilist. de Damão, ui, p. 199. 

1912. — «A casca de Apta é muito 
adstringente e usa-se nas diarrheas e dy- 
senterias chrunicas». — Caetano Gracias, 
Flora Sagrada, p. 52. 

' * APTAGUIR. Sombreiro ornumea- 
tado, debaixo do qual andaiu altos 
personagens nas procissões. É uma 
espécie do pálio dos hindus. Do con- 
cani-mar. ãptãgir, persa ãftãbylr, 
«quita- sol». 

1874. — «Em volta do pai lio eatreita- 
vam-se os Choiiris e mortcheis ... o pen- 
dão, aftaguip ou suriapana». — Tomás 
Ribeiro, Jornadas, ii, p. 138. 

1674. — « . . and Oftagary (a Screen 
of Silver and Velvet with Sarcenet Bor- 
ders) to keep off the Suu«. — Fryer, East 
India, II, p. 36. 

* APUAME (sing, appuhãmi). Tra- 
tamento honorífico, dado a um fun- 
cionário superior de Ceilão. 

168Õ. — «Assentarão fosse hum Apua- 
me do Imperador, e delle bem visto, por 
ser homem de prendas, e qualidades entre 
elles, discreto e grande amigo nosso». — 
João Ribeiro, Fatalidade histórica, i, cap. b 

«Os rnodeliares, Apuames, Adigares, 
e outros grandes entre elles, vestem ca- 
misa e gibão, que os de casta baixa não 
podem trazer». — Id., cap. 16. 

ÁQUILA. V. ágiiila. 

ARÀ (s. m.). Medida de capaci- 
dade para secos em Damão, equiva- 
lente a duas mãos. Do beng. ãdJiã. 

1516. — Leuaom no ja'-roz] depois de 
debulhado e limpo, metido em fardos de 
propia palha dele, todos saom de hua me- 
dida, ara, cada huu quatro alqueires e 
meio, e uai cada huu cento e sincoenta, e 
duzentos rs. segundo a calidadc do aros». 
— Duarte Barbosa, Livro, p. 299. 

1777. — «A dez rupias o Ara do bate 
Dangui». — Apud A. F. Moniz, Hist, de 
Da7não, i, p. 155. 

1886. — «/\rá, que se divide em 30 pa- 
ras (q. v.). E medida ideal e unidade prin- 
cipal». — Lopes Mendes, A índia Fortu- 
gueza, ii, p. 255. 

1901. — «Sendo no mercado de Damão, 
por exemplo, o preço medio de cada ará 
i de género da qualidade superior de 25 ru- 
j pias». — Boi. S. G. L., p. 35. 



AliACA 



AKACA 



ARACA, ARRACA, ORRACA. UR- 
RACA. O vocáltulo ár. 'arati slgni- 
pn'>[»rinn)»Mitt? «transpirarão» ; 
•m o termo para in- 
. lO ou seiva «la tama- 
•' ii;i» e, depois, «bebida ospirituosa, 
- ■* í -riladof. Os nossos escri- 
111 por nrraca o «ospí- 
iti ; . ! ; A fornia 

:;t ;h te na índia 

do cone. urãk, corruçâo 
Os ingleses dizem arrack 
11 ' / '. e os franceses, araque ou 
. \ . Dozy. Cf. fenim, xarào e 
■ ' . 

1 '>14. — «Trexe fardos d arroz e duas 
::i *I OPPaqua ' ">«demaateí- 



.•11^ <■><[•[■ 
urracOf 

■> 'iiraq • 



!'• 



A. dl 
ÍL'0. 
• Reçeby d'aluaro lopez. 



Cartas, ir, 

trinta para» 

• -^, e 



.... .^ :. ..-y de 

'8, orracas, arn./.fs. ear- 
-. — Carta régia, \u Arc/iivo 
II, p. 1'^. 

:i Til iiil.-i das orraquas, 

. da íjual ha y Ires 

liu" hc asy como 

rraqua -^a cozida hila 

'('i(* hl" i;i8 e três ve- 

- forte (jue OPraqua». — 

. Trmih.;, p. r»0. 

1 e me praz fazer- 

!o por fstn faf'o p 



tcrrai de liayaiui". — Ar- 



meiraâ. 



q u íi 



\ mill' III ^i.i ; •■ qiianui» 

lie oppaqua». — Gar- 

VI. 

iiii meu feitor nam com- 

salitrc, breu, OPPa- 

. uenhua cousa». — Ar- 

m lhe pedio A Kei, que 

ir .1 rtiiil:i lii i-:i!*.i il:i> 



nho, qu< orpaqua, mais forte, e 

que repr. ..m o iiusso vinho de vuaa, 

mas corta miiyto, mais que a sura». — 
Kr. António de Gouveia, Jornada tio Ârce- 
biapo, fi, 03. 

Ití09. — «O segando vinho se faz eetil- 
laudo esta sura azeda em um engenho a 
modo de lambique, a que chamam bati, e 
todo o licor que d'alli sahe cstillado (• o 
segundo vinho, a que chamam uppaca». 
— Fr. João dos Santos, Ethiopia Oriental, 
I, p. 296. 

1615. — «O outro viulio, que é branco, 
e a que chamam Oppaca nâo vale mais 
de dez bazarucot, e é ordinariamente usado 
pela gente de baixa condição«. — Pyrard 
de Lavai, Viagem, ii, p.Gl. 

1634. - «A renda das uppacas em mil 
patacôes». — António Bocarro, Livro, in 
O C/t ron islã, iv, p. 33. 

17'J8 — «Os que se costnmâo a usar de 
UPPaca, a preferem ao vinho da Europa, 
porém se lhes vem a faltar inchào e mor- 
rem». — Bluteau, Supplemento. 

174;"». — «Sobre elle beben ' ' i ses] 
o seu cha ou uppaca, ma.- r ne- 

nhum princijiio a usão para siinjih's be- 
bida». — In Ta-gsi-yamj-kuó. II, iv, 5. 

1829. — Mas nunca omittem o seu caril 
e bebem UPPaca». — Cottineau de Klo- 
giien, liotiqut^jo historiai df Gi>a, p. 162. 

1H42. — «Da sura dcstillada sahc a iir- 
paca, espécie de aguardente, que em mais 
subido gráo .-^e cliama Fenimn. — Annae» 
MarHiiims. p. 268. 

1843. «Distilado tira-se-lhe um licor, ou 
aguardente, a que chamam appaca«. — O 
Panorama, p. 312. 

1915. — «Ordenareis ao rendeiro da UP- 
Paca que accrescentc 10 reis era cada 
canada do dito género que vender». — In 
O Oriente Purtvguez, xn, p. 39. 

191f> — «O direito de distillaçâo. . será 
'■> imperial de espirito... do infe- 
1 (uppaca>ó «/i tiMiiá*». — O Ul- 

iiaiuar, de 21 de Agosto. 

1514 — «Mitto ad vot impetratam à 

lavi ut a 
.• doinen- 

t.iiifij, Orro. ... '• II 

edicta sanc< i 

gitant...». — > i . .\;i\ ti»). 

1578. — «Desta» p;i doa 



^ ■ • ■'■' ' " •>•" -^ •"^- 

" ' , . «rpaca». — Christóvilo da Costa, 
1 •■V.iliii a Ciinãda df UPPaCBi ..„ ^ p li)0 



que 



i= 



I Orraea è mera variante ortográfica de 
urraea. 
4 



n.^ V, p. bi. 

1 II • [suuio «m sura] ,'], , 

w dupvi», u íaxciu outro género de vt> 



1589. — «La deuxii'me 

SP fuít df <Tttf liiiiii-iir Si 

Vr.i .1 



iisohoten, 



16ol. — -1 
militum, et : 
taudo Àpaooo *uu viuu adu<»tu ludicO| 



ARACHE 



50 



ARAME 



haec ulcera cacoiithia, et mali moris, et 
saepe insanabilia efficiuntur». — Bontius, 
Hist. Naturalig, p. 119. 

1G31. — <» . . . et Oracca quae ignis vi 
ex ilia sura per Alcnibycum extrjuiitur ; 
haec vehementissima est, verum ad robur 
illius enervandum, solent uvas passas ei 
miseere, atque ita suaviorem et blandio- 
reni efiicere». — Di Império Magni Mogo- 
lis, p. 98. 

1666. — «lis gardaient lour arec ou 
eau-de-vie de sucre noir dont ils étaient 
très-friands». — Bernier, Voyages, i, p. 188. 

1690. — «Pluriina itaque liujus liquoris 
copia in Amboiiia nou liauritur, sed majore 
cum reditu Siuensibus venditur, qui ex 
illo Areccam, seu spiritum Vini Indicum 
couficiunt». — Rumphius, Herbarium Am- 
hoinensc, i, cap. 3. 

1750. — «lis ne trovent pas le vin as- 
sez fort pour erx, et ne boivent d'eau-de- 
-vie d'Arrack, que lorsqu'elle a etc dis- 
tillée par trois fois». — Grose, Voyage, 
p. 244. 

1770. — L'arrack est une cau-de vie 
faite avec du ris, du sirop, du sucre et du 
vin de cocotier, qu'on laisse feimenter en- 
semble, et qu'ensuite on distile». — Ray- 
nal, Histoire, i, p. 199. 

1786. — «Cousagravasi il vino di coco 
dagl' Indiani chiamati Tagaram od Alpa- 
ca». — Fra Paoliuo, Viaggio, p. 136. 

1791. — «II fit signe à sa femme, qui 
apporta sur la uatte deux tasses de coco 
ct une grande calabasse pleiue de punch 
qu'elle avait prepare pendant le souper, 
avec de I'eau, de I'aprack, du jus de ci- 
tron, et du jus de canne de sucre». — Ber- 
nardiu de Saint-Pierre, La Chaumiere In- 
dienne. 

1800. — «I don't imagine that the Goa 
arrack is of so good quality as that 
made at Batavia or Colombo». — The Jour- 
nal B. B. R. A. S., xni, p. 115. 

1825. — «Les premieres castes des sou- 
dras, sans même en excepter les femmes et 
les enfans boivent publiquement de I'ar- 
rack, I'eau de-vie du pays, et de toddy ou 
jus de palmier». — P. Dubois, Moeurs des 
peuples de I'Inde, i, p. 169. 

1860. — «In the later times has been 
added the privilege of distilling arrack 
from the juice of the coco-nut palm». — 
Tennent, Ceylon, ii, p. 16. 

ARACHE. Capitão de exército in- 
dígena em Ceilão *. Corresponde ao 
naique da India meridional. Do sing. 
ãrachchi ^. 



1 «An office in the native militia of the 
rank of sergeant». Clough. 

2 Domingos Vieira diz ser «termo afri- 
cano» e abona com um passo de Portugal 
líestaurado : «Hum dos capitães da gente 
preta de ISigombo a que chamam Ara- 



1603. — «As aldeãs mais pequenas se 
darão e repartirão pelos Modeliares, Ara- 
ches, capitães, e outra gente da milicia». 
— llegimento do rei, in Archivo, vi, p. 805 

1616. — «Em breve espaço lhe matou 
mais de duzentos, em que entrarão os prin- 
cipaes Modeliares, e Araches». — Diogo 
do Couto, Déc. VII, ix, 6. 

1635. — «Pagando a cada, lascarim um 
larim, e aos araches, que são os capi- 
tães, dous, com que nenhum ficou que não 
apparecesse». — António Bocarro, Déc. 
XIII, p. 276. 

1685. — «O Modeliar assim como teve a 
ordem, logo mandou avisar a gente que 
havia de levar em sua companhia, fazendo 
eleição principalmente de três Araches 
seus confidentes, e mal affectos ao Prin- 
cipe, por favorecer tanto aos Portugue- 
zes». — João Ribeiro, Fatalidade histórica, 
II, cap. 9. 

1707. — «Mandou com ordens secretas 
ajuntar três ranchos de lascares, Ara- 
ches, e capitães, e outra gente da mili- 
cia». — P. Manuel de Miranda, in O Chro- 
nista de Tissuary, iii, p. 162. 

1675. — «Poniendose Manuel Mexia en 
una emboscada, salió delia a dar sobre un 
Arache bien acompanado (tà valiente 
que en el cerco proximo nos havia cortado 
29 cabeças)». — Faria y Sousa, Asia Portu- 
guesa, m, p. 52. 

# ARADO. Nome do uma medida 
agrária de Damão. O seu étimo é o 
hindust. harãtar, «campo que um 
arado pode lavrar em um dia». 

1886. — Os terrenos são medidos por 
arados e por unddós. Entende-se por 
arado 5 vigas de terreno, tendo cada viga 
20 bambus quadrados de 4 covados cada 
um». — Lopes Mendes, A índia Portugueza, 
II, p. 244. 

* ARAME, harão. É o que actual- 
mente dizemos harém : aposento ocu- 
pado pelas mulheres muçulmanas, 
zenana, gineceu. Do ár. haram, ha- 
rim, «sagrado». 

1552. — «E estas [mulheres] com suas 
tendas logo junto das do Xeque Ismael. A 
este aposento chamâo arame: e he muy 
suntuoso e rico». — Castanheda, Historia, 
in, cap. 145. 

1603. — -(E nos meteo no arame, que 
he a casa de suas molheres cousa não acos- 
tumada, nem feita até então a pessoa al- 
guma». — Fr. António de Gouveia, Jor- 
nada do Arcebispo, fl. 155. 

1608. — «Os paços onde o Xá tem suas 
molheres, a que chamão Arame (que em 

ches». Negombo é uma província de Cei- 
lão e a «gente preta» são os singaleses ou 
chingalás, conforme os antigos escritores. 



\ p( í »T t\r 



AUECA 



Parsio qnfr il... . •. 

<'(lViici (jllc li<' sern hi\ - 

uciu 
áCUS 

u:.. r.T ^llas iiioiinTosj». — 

III.- • rsia, fl, Gl V. 

Itti — "n.Mii tile a quer de inais extcu- 
ç5o, que a do HarAo <ui Sorrallio». — Joa- 
quim (' Soarrs, Doc. Coinprobatiros, p. 21. 

isjl — «As que pertencem aos abasta- 
<1.">. \;\> •■' • ■■ ''•■-♦fzade férreos harens, 
<i"-^ 'pi; a é permittido lançar a 

vistiiu. . ..^ .....icio de Andrade, Cartas, 
p. 18. 

1623. — «Volse condurla nel suo Ha- 
vàm^ Ò Gynaeceo; e tenerla quasi ap- 
preaso di se, come vna delle altre Concu- 
bine». — Pietro della Valle, Viaggio, in, 
p. 40. 

I'i'.') I. .pjiartement des fenimea 

ill'/ ii - Ui iriit.iiix s'appelle aussi Ha- 
rám; et le quartier ou elles logent dana 
loí voyages, et dans ics campemeuts. porte 
;'i->i le même noui. Lorsque le Harám 
111 íiche, il est fort dangereux à ccux qui 
II. .-I'uf pas de service, de se pré.senter sur 
■,;i 1. iiti)). — Herbelot, BtblioUitque Orien- 
tal':. 

«ARCO. Na sua acepção peculiar, 
arco ó uina moeda anliga da íudia, 
mais conhecida polo nome de roda, 
q. V. 

1616. — «Abaixo desta moeda [lazartico] 

' • ' '703 de cobre sem cunho 

i.im Apco, e aâo mister 
....... wv..- , ,,.,,.. t iita para uma tanga». — 

Pyrard de Lavai, Viagem, 11, p. 56. 

*ARCf nz. reii/ilo). Pequena 

e leve ( ,; m com duas rodas e 

quatro i)ilares, que sustentam o tol- 
do, pintada de encarnado e amarelo, 
e tirada por um ou dois bois ligeiros. 
Usa-se em Bombaim e no Guzarate. 



lt'r/í 



«>?eiam tambom [em 

a modo d«' caches; 
ciiv..olln8, tiradiís por 
\»<>\é d(! boas corc.-4, cn- 

.•,,.,. -.Lr,,) ..í ,1,. Kj-onze 

^ibo 



qimai tutte sono 

i di >rtn. di cfilor 



111 ill. -li.u, con ti< 

III I i il l.i, quanti.) i. 

dí.no». — Pietro dcUu Xaile, Vtugyio, lu, 

p. 16. 

• ARDA. E mirabólano qaól)alo, 
fruto de lermiiuilia chebula, Betz. 



Do mar. hardã, cone. hardò, pi. har- 
dé, sânsc. hur'italii. Servo para fazer 
tinta e curtir coiros ; contêm grando 
quantidade de tanino. O termo ó 
usado no português de Goa conforme 
o tipo concani. Garcia da Orta em- 
prega-o no plural e na forma urare. 

15G3. — «A primeira [espécie de mira- 
bólanos] cliamam arare (e isto no povo, 
porque os fi.>ic<..-i lhe chamam aritiqui) e 
estes sam redondos e purgam a cólera». — 

Col. XXXVII. 

1842.— «Arda, 200 ditas» (sacas).— 
Annaeit Maritimus, p. 362. 

1909. — « Terminalia chebula, myrahO' 
lano quebidico, hoddé, tem 30 [nomes] e 
assim outras». — O Oriente Portuguez, n. 
p. 372. 

1631. — nAb hac província agnomen 
acccpit species mirabolanorum quae otHci- 
nÍ8 Kehnli dicuntur: Árabes et Persae 
hunc fructum vocant Alilah, et ludi cor- 
rupte Arare» (!).'— Z>e h^n,,,-:,, Mn.nà 
Mogolis, p. 63. 

ARECA (malaial. adekka ou (ujak- 
kti, talvez do can. (ojíki ou adi/cê). È 
o fruto de AREQUEIRA, Areca cate- 
chu, Linn. Indo-ingl. areca-nut, mais 
usado betel-nut; indo-fr. arec, are- 
que, aréquier. A areca é um dos in- 
gredientes do afamado masticatório 
oriental, de que tanto falam os nos- 
sos indianistas e os estr. ' ■-. 
Atribuem se-lhe muitas proj .s 

higiénicas. V. bétele. A a7-eca era 
antigamente conhecida dos europeus 
pelo nome de avelã indica ou da ín- 
dia, que depois foi suplantado pela 
denominação portuguesa. 

1510. — «... tãdbem que mandassem 
nãos a charaniandell e a malaqua, pêra 
trazerem chjm {'í) e harequa» — Carta 
do rei de ('oi-him, iu Cartau de A. de Al- 
buquerque, IV, p. 43. 

l.Ol.'J. — «Ob VO80S oficiaes nam tratam 
eles arecaSf nem arroíes, nem cocos». — 
//,•■,/ , 1, i;::t 

liua fruyta tamanha co- 

- , miaom Areoa, e coinem- 

na com o betelo». — Duarte Harbosa, Li- 
vro, p. 347. 

1525. — «I'm outro t i 

areca, da feieào de li , . Mij 

muito dura, o faz muito bom bafo». — ' 
Chronica de Itisnaga, p. S5. 

l.''»31. — «Do candil iUi arcc . 
venha para di^ntro on vá ii.irn ! i 

»ó vez :>• IcvarA 

Afonao , recalrog .. 

Mancioivi. 



ARECA 



52 



ARECA 



1534. — «Tem este Aynão muitos sen- 
deyros tem qunquos [cocos | e areqa que 
não tom toda a terra da China». — Cristó- 
vão Vieira, apud Ferguson, Letters, p. 79. 

1563. — «Porém estos tinlião outra dilie- 
rença, cá erão de lias paos, a que clia- 
mão areca tão direitos, compridos e del- 
gados, como pinheiros». — João de Barros, 
Déc. III, II, 8. 

15G3. — '<E outras coisas, que chamão 
areca, cortada mcuda, que he do tama- 
nho de huma castanha». — Gaspar Cor- 
reia, Lendas, i, p. 17. 

1563. — «No Malavar lhe chamam j?ac/ 
e os Naires (que sam os cavalleiros) are- 
ca, he donde os PortuT;uczes tomaram o 
nome». — Garcia da (írta, Col. xxii. 

1566. — «Com esta folha [bétele] usâo 
hum pomo tamanho quomo nozes cortado 
em pedaços, a que chamão arequa, que 
dão humas palmeiras delgadinhas, altas, e 
muito limpas». — Damião de Góis, Chron. 
de D. Manuel, i, cap. 41. 

1577. — «As honras mais geraes e cos- 
tumadas são darem os senhores ás pessoas 
que querem honrar betle, areca, com sua 
mão». — Primor e Honra, fl 8. 

1616. — «Ha também alli certas arvores 
do género das palmeiras, que dão a areca, 
que se mastiga com obetel«. — Pyrard de 
Lavai, Viagem, ii, p. 124. 

1617. — «Costumam trazer o Bethle, 
que he hua folha como de hera, cujo sumo 
de qualidade he quente musturado com 
certo frutto chamado areca, que tem o 
sabor da maçã de cypreste, temperado 
com pouca cal de ostras amassada com 
agua rosada». — Conquista de Pegu, cap. 13. 

1520. — «Queste genti masticano quasi 
sempre vn frutto che chiamano Areca, il 
quale è alia similitudine d'vn pêro». — Pi- 
gafetta, apud Ramúsio, i, fl. 358. 

1578. — «Este arbol (el quale en el Ma- 
labar, en donde ay Ia mayor abundância 
delias, se llama ^?ac, y a su fructo, que es 
el que se vsa en medicina Areca)...». 
Cristóvão da Costa, Tractado, p. 94. 

1584. — «Mangiando questi ad ogni ora 
quella foglia di erba tanto eccellente, che 
domaudano betle, che è astringente e dis- 
seccativa in gran maniera, con quel frutto 
che domaudano areca, che anticamente 
chiamavasi avellnna indica». — F. Sassetti, 
a2nid Gubernatis, Storia, p. 191. 

1586. — «Their friends come and bring 
gifts, cocos, figges arrecaes and other 
fruits». — Fitch, in Glost<ary. 

1598. — «lis oignent leur teste et leur 
front de Sandal, pour sentir bon, et man- 
gent continuellement des facilles de Bet- 
tele avec de la chaux et certaine herbe 
nommée Arecqua». — Linschoten, His- 
toire, p. 64. 

1623. — «Qui chiamano Fatifd, e in al- 
tri luoghi Areca: frutto secchissimo, che 
dentro par quaei tutto legno; e per esser 
di natura stringente, I'hanuo per buono à 



fortificare i denti». — Pietro della Valle, 
Viaggio, in, p. 29. 

1652. — «Au Touquiu toute la conver- 
sation commence par la, et on ii'entre point 
en matière que Ton n'ayt donné et receu 
de r Areca». — Relation de la Chine, p. 18. 

1676. — oElle piloit des feiiilles de be- 
tle, parmi lesqucUes elle m61oit de noix 
d'Areque avec la semence de perle que 
Ton avoit fait dissoudre». — Tavernier, 
Voyages, iv, p. 260. 

1G90. — «Ubique, ubi lingua Portugal- 
lica est in usu, vocatur aequo vii'idis ac 
siccata nux Arequa seu Areca, et ar- 
bor Arequera». — Rumphius, Herbarium 
Ambninense, i. cap. 5. 

1770. — «L'areque, qui croit sur une 
espèce de palmier, est un fruit qui u'est 
pas rare, dans le plupart des contrées de 
I'Asie, et qui est très-commum à Ceylan: 
il est ovaire, et ressemble assez à la date, 
s'il u'etoit pas plus serre par les deux 
bouts». — Raynal, Histoire, i, p. 167. 

1786. — «Son assai ricchi e comercianti 
con pepe, con cardamomo, con Pacca od 
Areca, che è una noce Indica, la quale 
serve di cibo agl'Indiani». — Fra Paolino, 
Viaggio, p. 76, 

«Areca couferma i denti, corrobora le 
gengive, ferma lo sputo di sangue, il vo- 
mito, e il scioglimento de ventre». — Id., 
p. 358. 

1569. — «Aqui [em Zanzibar] vi a pri- 
meira vez as arequeiras arvores na In- 
dia tão frescas e estimadas pello fruito 
que se come com o Betele. . . São da fei- 
ção de palmeiras ainda que mais frescas». 
— P. Monclaio, in Bol. S. G. L., iv, p. 599. 

1886. — «0 porte d'este vegetal \are- 
queira] é de uma elegância encantadora. 
As folhas reunidas em numero de seia a 
sete, guarnecidas do lado do peciolo cora- 
mum de foliolos estreitos e dobrados na 
extremidade, são de côr verde-cscura e do 
comprimento de 2 a 3 metros. O sendy, ou 
o ramo superior, constituo o elegante ca- 
pitel d'esta vistosa columua natural, cujas 
virentes folhas, em forma de ramalhete, 
coroam magest'^samente o espique de mad- 
dy» (nome concani da arvore). — Lopes 
Mendes, A índia Portugueza, i, p. 235. 

ARECAL. Plíiiitaçcão ou mata de ai'e- 
qiieiras. 

1536. — "Por respeito destes are- 
quaes e palmares he a milhor cousa que 
ha na terra da China». — Vasco Calvo, 
apud Ferguson, Letters, p. 96. 

1552. — «Quasi por este modo viue todo 
o gentio debaixo dos palmares e arecaes 
que he a sua fazenda de que viuem». — 
João de Barros, Déc. I, ix, 3. 

156(i. — «Ha cidade de Melinde jaz de 
longo da praia cm hum campo raso cercada 
de i^almares e arequaes». — Damião de 
Góis, Chron. de D. Manuel, i, cap. 38. 

1609. — «Cercados de arecaes, e ou- 



A REPA 



AR KL 



tio I 



u'>s >an- 

<•< areoais, 
ais». — Diopo 

> oasis no deserto, assim 

<^nl ii:ir.i :i1>ii".i i''>iitr:i 



1». — F. L. Gomes, 



cri' 
a.-i 

O ni 
a I 
ih ; 

L--(,> — • Lma i\e areq/ieiras 

«'> c!::i: : ! Ia oiu n> cirecal, e em 

coi, . — li. F. tia Costa, Manned 

do M, p VJO. 

r.Hj'. — I >.-'acani-6e os apecaes, 

qu-' -' '• ■ ■• -ri ninÍ3 1>oiiitas e agra- 

ui vôr-se. Er- 

•zpnas de me- 

iinos, 

-de 

lír:uii, IJit IS iíi! i'ju'is, p 'jh. 

1911. — «O arecal one no concelho de 
" >• '• iidimeuto liquido de 200 ru- 

ire. . .» J. E. Castel Branco, 
III /' •' .> '. L.y XXIX, p. 2Í<9. 

Arequeira. Alôm da significação 

própria e primária, a palavra are- 

tptt'ini famlM'm <•■ finprega para de- 
sI;.Miitr iiiii.t .•>|.,'.ie de aeçòes das 
comunidadf-s agrícolas em certas al- 
deias de Goa. 



Al: 

.iis 

f.-l 



I'^SO — •Aoiòf.=? das rnminimidades das 

ijuacs se 

■;.-it. Ma.'» 



., Ta n> fila, A/e- 

-F.N. Xa 

.. /, IV, p. 35. 
f/àiirarfg crearam 
>. arequelras e 
"S do ac^'oes, eiijo 

I ", — Ix>pes Mendes, A 

. p. i:>3. 



r.'i') 
pit.'il r<- 
arequeu'ci 

4 de Abril. 



ru(/i'/. ^^l■ 



Festa da arequeira. Kntende-se 

por »'^ta I<»iu(;;\t) a l'»*stividado liiiidu 
que se c<'lfl»ra no e(|uinóxio venial 
sol) o iKUii.' dr fi'illi, e na qual se 
arvora uma arffjin'ira, <-omo os cris- 
Uos o fa/em na snix fairut ii\. v.), e 
se brinca uni carnaval desbragado, 
sendo por isso proibida pelns auto* 
ri.!-r^ -.- 



arcMjuoir.-i 



f'-^«*tft de 

Aso 



lu67. — " Ni; 111 1 .11 ,11 ' a.> 1 '■- : .1 ■> ' I III- .1 

tumãi) aos pagodes . com<» a festa 
Arequeira, nem a.>; í- ^ ■' <\. v.>. 
1'rimeiro Concilio d»; <• iv, p. 

1101.— «A •■■ '■""•■■' ■■<'■"" 

comprida, o 
leve, e d.- i 
caí, fru 
miolo III 

vel ao gosto. A festa se faz (i 
Abre-se hiia cova, na qual o ^ 
Uramanç lança dinhevro, arcran, v ll« 
e sândalo, e os devotos arvoriio hua a 

aueyra dizendo em altas vozes. 
Ui, isto he, entrudo, entrudo». — P. 1 
cisco de Sousa, Oritnte Conqitislado^ II, 



da 

13. 



reá, 
re 



'»-• 



» AREL. Chefe dos pescadores, pi- 
loto ou capitílo do porto no Mala- 
bar. Do malaíal. arayal. Conto iam- 
bôm emprega a forma ariole. O arei 
era às vezes homem poderoso. 

1510. — "Mando que dees ao Arell 
dos mucuaaa oyto quintaes e hunia arr<jba 
de cobre em paguarnento de huma bom- 
barda e três camarás de metall». — A. do 
Albuquerque, Cartas, iv, p. 270. 

1514 — Nos espreuemos a Antonio 
Reall, arei de Cochim, encomendando-lhe 
que trabalhe de meter em costume que os 
chrístãos da lerra, e asy gentios naueguem 
em nossas naaos e nauios». — Carta régia^ 
ibid f III, p. 231. 

1515. — «No que me vos alteza cspreue 
sobre o acrescentamento do soldo de 
arell, eu o pus naquele quando se tornou 

christào . . c ele serve bem e t •■:• • 

jente e mando na terra, porque t 
macuas, pescadores e marinheií. .- • 
(jueiros, tudo he debaixo de sua jurii 
e mando; e ainda me parece oif 
trazi^r todolos arés seus pareir 

de caiicut e o de porca e o de c. _ :, 

a serem christuosu. — A. de Albuquerque, 
ibid , 1, p. 270. 

l.*J28. — «E o arei com annaila de to- 
itrf (\\w trazia, gente d'espingardas e fro- 
i pelo mar/>. — Gaspar Cor- 
. Ill, p. 279. 

1.a'>2. — "E tendo esta gcnt»' 
darem nn fortaleza hum Arei - 
uii! de 1'ortii: 

tor . 7. ♦>ntrnii 

lezuii. l.i ' 

l.'ifiO - «r 



dr < • 

o ' 




cio (Ir Arei 
dro. — Cint 
IG03. — .N 
«eu modo, c< 


1 'III If 

ni,p.21l. 


...i„ A~-l-! 


i .ii-ii..' - <'.i 




i'> de Gouveia, 



Itíl.H. - . ! 

1,.. ,, „;i,,t,. 



AIÍELHANA 



M 



ARIA 



nauios e os deita fora». — Francisco de 
Andrnda, Chron. de I). João Hl, i, fl. 30 v. 

1G15. — «Ha no caminho os estados de 
hum rei, que se chama Ariol». — Pyrard 
de Lavai, Viaffem, i, p. 293. 

161G. — oAo que se fizeram muitas fes- 
tas, e foi a lingua fiel dellea D. 1'edro 
Real, Arei Mór de Cochim». — Diogo do 
Couto, Dóc. X, V, 1. 

«Mandou dous Capitães Malavarcs,bons 
Cavalleiros, pêra irem assistir o Aríole, 

?[ue fica da outra parte do rio, fronteiro á 
ortaleza. . . E os repartio pelos Arioles 
e ííaires destes rios pêra lhes queimarem 
todos os Paraos que uelles houver». — Id., 
XII, IV, 5. 

1701. — «Arei nas terras de Cochim e 
Porca, vai o mesmo que cabeça de algum 
povo: e na costa de Travancor dizem ^ra- 
ze?», e corresiiondc entre U(3s, não a Conde, 
senão aos (luadrilheyros do lugar». — P. 
Francisco de tíousa, Oriente Conquistado, 
II, I, 1. 

1894. — «A proa do batel capitaina o 
arei de Cochim, cujos pannos alvejavam 
abaixo do tronco indeciso de contornos, 
escuro como a noite, dirigia a navegação, 
evitando os baixos, aproveitando as cor- 
rentes, assigualando os sitios perigosos». 
— Lopes de Mendonça, Os Orphãos de Ca- 
lecut, p. 133. 

1588. — «II Signore dei liiogo, che nella 
lor fauella è nouiato Arei, haueua ragu- 
nato quiui molto richezze». — P. Maffei, 
Le Istorie, p. 3G3 

1590. — "Inter hos Arei erat (nomen 
est optimatium his locis)». — Litterae S. J., 
p. 904. 

ARELHANA. Os lexicógrafos re- 
gistam o vocal) ulo como antigo e do 
procedtMicia asiática, e atribuem-lhe 
dois significados principais: «cordão 
de prata on do oiro quo se punha à 
roda do cliapóo como ornato ; espé- 
cie de cinturão asiático onde se traz 
o dinheiro ou se enfiam as adagas» 
(Dice. Contemp:). Bluteau descreve-o 
largamente, segando o seu costume. 
A palavra provêm do malaial. ara- 
rlriana (leia-se aranhanna), «cadeia 
de ouro ou de prata que se traz em 
volta da cintura» (Stolz); cinturão, 
cinto. E o mesmo que muiíz em con- 
cani. 

1513. — «Mando que pagues a duarte 
barbosa vinte e três pardaos e meo por 
huua arelhana e quatro perlas que com- 
prou pelo dito dinheiro. . Arylhana de 
pedraria que eu aquy comprey j^era man- 
dar a el Rey. — A. de Albuquerque, Car- 
tas, v, pp. 474-475. 

1514. — «Trazião nas mãos bacias de 



prata d'agoa mãos, e, em cyma cada um 
sua peça, que erão duas manilhas dos pés 
e duas dos braços, e huma arelhana com 
huma joya para o pescoço, e hum fio de 
perolasu. — Gaspar Correia, Ijcndas, ii, 
p. 377. 

1536. — «Os [naires] que são riqos tra- 
zem no pescoço arelhanas d'ouro, e ar- 
recadas nas orelhas». — Id., m, p, 765. 

1012. — «O Camareiro mór tirou huma 
arelhana de ouro que valeria quinhen- 
tos cruzados, e Ih'a deuu. — Diogo do 
Couto, Déc. VI, X, 11. 

1727. — «Arelhana de ouro, ou prata. 
He a modo de hum cordão de muitos fios, 
com cadea sem fuzis, e com muitas voltas, 
com que se faz hum trancelim para o cha- 
peo, e no fim tem seus extremos do mesmo 
metal. Também arelhana de ouro, ou 
prata, de que usão os Príncipes Gentios 
na índia, e os seus vassallos, serve de cin- 
gidouro, sobre o longhim, que lie o primeiro 
pano immediato á carne, nas pontas tem 
dous canudos, chamados Muges, em que 
metem seu dinheiro, ou diamantes, e hum 
no outro se tarraxa ás avessas, segundo o 
costume da índia». — Bluteau, Supple- 
mento. 

ARGALA. «Espécie de cegonha da 
índia». C. de Figueiredo. E o Lejj- 
toptilus argala de Linneu. Os ingle- 
ses chamam-lhe comummente adju- 
tant. O termo provêm do hindust. 
haãgílã, que literalmente quero di- 
zer «traga-ossos». V. Glossary. 

1823. — «... swarmed with gigantic 
birds, the hurgila, from «hur», a bone, 
and «gilana», to swallow, larger than the 
largest turkey, and twice as tall as the he- 
ron». — Heber, Narrative, i, p. 55. 

ARGARIS, ARGARISIS. Aparecem 
estes vocábulos na lista do panos des- 
pachados na alfândega de Goa em 
1G30 para Portugal, publicada por 
Cunha Eivara no Chronista de íis- 
suary (i, p. 157). Parece que estSo 
por argasis e argasises, e provêm 
do hindust. -persa gazi, «estofo ordi- 
nário de algodão», com o artigo 
árabe ai-. Primitivamente, argaris 
seria plural de argari, considerado 
depois singular. Cf. boiazes. 

1727. — «Arganízes. Pano de algodão 
estreito, e grosso, fabricado na índia, de 
dous palmos de largo, de cor azul, e branco, 
servia para o reyno de Angola». — Blu- 
teau, Sypplemento . 

ÁRIA. Em sânscrito a palavra 
ãrya, como substantivo, é designa- 



ARIA 



C6 



AKIA 



ilo étnicA das trOs primeiras classos 



J* e do- i» ou 

.is;, ahoi.^ .. - ...,...- laJos. 

Como adjectivo, ãrya («=árico) 

'■ Vitivo aos árias», e 

h. oa«»tH, ao nome, 
à ea-^ _'nifica «no- 

'>rt?, • - ' ■ , *• 

Goorrr.^ficaraente, Art/ãvarta, no- 
lerno, é o «país dos 
o Iliináiai.i ãt»' o Vín- 

N I ] 1 1 1 í 1 - 

C!|>i" jrática: 

.'slico ^zoiuie), 

I, Erãni, Iran. 

Na sua inscriçílo tumular (58() antes 

'! ''-■">), Dário ehama-se *Ariya, 

tra — Arya, doscendente de 

]\ conforme o testemunho de 

1 ', «os medos eram antiga- 
mente chamados Arias por todos os 
povos». V. Macdonell (Index), Glos- 
ttiirif « Tm Grande. Enctfclopédie. 

t afini- 

,; ,::'**ft. do 

sân. sento e persa antigo com o grego, 

latim e outras líiiíruas europeias ovi- 

dcnriíMi (i-sii'- 1<>L'(» a ri'M"»ssitindo do 



j^naçSo de «família indo-enropeia», 
!idendo-se por hido-europen a 
ia proto-árica, já extinta sem 
iai»uument08, de que derivam as 
actuais, e restringindo-se o termo 
árico ao indo-erâneo. V. Brugmami 
o Meillet. Note- se, porGm, que o no- 
me proposto parece excluir o erâneo 
ou o persa e que árico é mais sim- 
ples, sendo por isso i:>r' foridn dof al- 
guns filólogos. 

Os ingleses ailui'iai.iuj, i<>ii><».iiiU' 
a índole da sua lingua, a forma 
•« 6 os franceses a aryen, como 
-tantivo e adjectivo. Os alemães 
dizem Arier ca Arianer (subst.) e 
arisch (adj.). Em portuguCs, as for- 
mas legítimas sSo ária como substan- 
tivo masculino e árico como adjectivo. 
Ariano denuncia influência estran- 
geira ; mas, como adjectivo, pode 
passar. 

Foi corrente por longo período a 
teoria da unidade étnica dos povos 
que falam línguas áricas, inferida 
como corolário da comunidade gloto- 
16gica. Muir arvorava-a em axioma 
na sua primeira edição {Original 
^ Texts), moditioando-a pos- 
: ate no sentido de mera pre- 

sunção, em deferência aos antropó- 
logos. 



1 1 1 1 1 1; u I ■ /. I • - 



. • , I 1866. -«*»>!. ..._ 

aventurou em pnncipios do século pre uVate iK)nto muito t. 

' ■ ■ ■' •■//(•«; outros pro- ' <■ ' '■ '•" ' '-^ 

>a, e alguns a 



' ill- 

.• ó 

de 
rar 



!<• aryano* 

a (Li Ur ta r y * 



Adolfo l*ictet (Leê Uri- 

- 1^'>í>). que 

do vo- 



p. I6y. 

IS-s 
hin.l 
.i.i 1 



< .1, 
Abi. 



.O-i Apwa^ tv 



tau «• eihnologos (1< 
Is aryas». - 
. \>. 37. 



i> (ís Aryaa 



•IrtS 



Vi f<>>Miii1iiiri.i ,1,1 Tiiiill,<iii<i !> tt:i1uvrn 



arloa «!«> k' 



iiiKi 1iii;;ua «la fainiiia 
•• rniuo hiu- 

.Ift 



qualiti' li Arya 

iin-' .Ii' ])!n> li.\iit< 



iiltsl. du iSuiidJtuiité^ p. ,1'JO. 



cm 
>'» Aryas u-»- 

ikuu> w di llui.iua.. — /./ . i». H»'J. 

IK^a — «As raf.as •listiit<ta« da Intlia 
ftio a nogr:\, % atuarulU, tourauiaua o a 



ARIA 



56 



ARI MONO 



anyana». — Adolfo Loureiro, No Oriente, 

I, p. ir)2. 

1884. — «Cinco séculos autos da nossa 
era, quando o buddhisnio ganhou prodo- 
niinio sobro a religião degenerada dos 
aryas, lienares tornou-se sob o nome de 
Varauasi, por ter sorvido de theatro às 
primeiras praticas de liuddha. . .». — Id., 

II, p. 21)5. 

1897. — «Famila Arica: liuguas árl- 
cas, japMticas, iiido'eurojyeiaa, iiido-geriuá- 
nicas, i ndo-célticas . . . As linguas áricas 
são quasi todas cultas». — Gonçalves Via- 
na, Classificação summaria das línguas, 
p.8. 

1898. — «Dizem conspícuos autores que, 
ahi j)elo século xv, anteriormente á era 
christã, os aryas entraram no Hindustao, 
oceupando priuioiramente o reino de Di- 
Ihy». — Oliveira Mascarenhas, Atravez dos 
mares, p. 8G. 

1ÍK)0. — «Em épocha muito anterior ao 
alvorecer da história existia em região 
ignorada da Asia ou da Europa um povo, 
conhecido hoje pela denominação de povo 
ariano ou povo dosarias». — António 
de Y nsvoncclos^Grammática Hintórica, p. 9. 

1902. — «Foi apenas a nau que nos le- 
vou, aos portuguezes de Malaca, a descer- 
mos á condição de degenerados, polluindo 
o nosso sangue aryano, esquecendo as 
nossas tradições europeias. — Oliveira Mar- 
tins, Portugal ?ios mares, p. 225. 

1902. — Dirigia-se mais ás massas ary- 
anas, e era escrito em línguas d'elles». — 
2'a-ssi-i/ang-kuó, II, iii, 5. 

1903. — «Já existia [o sati] pelo noroeste 
da índia ao tempo da invasão de Alexan- 
dre Magno, mais de três séculos antes de 
Christo, e foi tomado a outros povos, pois 
não era dos Aryas vedioos». — Ibid., II, 
IV, 5. 

1906. — «Já 03 velhos brahmanes de 
pelle branca e crauco luzidio, descenden- 
tes directos dos povos aryanos, rece- 
biam como hoje as offertas, que os crentes 
traziam a Vichuú ou a Sivah». — Hipácio 
de Brion, Duas mil léguas, p. 104. 

1915. — «A immensidade do Himalaya 
despertou os primitivos árias, a saírem 
do planalto de Pamir e das raizes do Hiu- 
ducush, a se emigrarem e se domiciliarem 
no oeste e sul». — Benedito Gomes, Afonso 
d' Albuquerque, p. 18. 

ARIANIZAR (v. tr.). Submeter u 
civilização árica. Diz- se particular- 
mente das raças anáricas da índia 
com relação à influência dos indo- 
árias. Neste sentido também se diz 
bramanizar. 

^ 1900. — "Assim se arlanizaram atra- 
vés dos séculos as vastíssimas regiões aci- 
ma indicadas». — António de Vasconcelos, 
op. cit.,-p. 10. 

1916. — «Eram uma poderosa tribu in- 



dígena dos drávídas c em tanta maneira 
preponderante e arianizada». — Ilcral- 
do, de 10 de Setembro. 

1858. — «Thus all India was brought 
under the sway physical or intellectual 
and moral of the alien race ; it was thou- 
roughly Aryanized». — Whitney, in 
Glossary. 

AR1ANIZAÇÃ0, Eoduçilo à civiliza- 
çfio indo-árica. 

1875. — *The lock at the back of the 
head, corresponding to the tail of the Chi- 
nese, seems to h.ave been considered as a 
sign of Aryanlsation, or submission to 
Ar\'an customs, and admission within the 
pale of the Aryan protection». — Caldwell, 
Comparatire Grammar, p. 115. 

1916. —The flesh and blood of the po- 
pulation was almost renewed, and social 
transformation as epoch-making as the first 
Aryanlsation itself» — The Modem Be- 
rietv, de Março. 

Com OS vocábulos ai'ia, árico e 
ariano se formam alguns compostos, 
como proto-ária, proto-árico, pre- 
-árico. PROTO-ÂRIAS sSo os primei- 
ros ou primitivos ái^ias, quando vi- 
viam em um núcleo comum, onde 
quer que este se loc<alize. Assim se 
diz : o estado da civilização dos proto- 
-árias ; a religião dos proto-árias. 

PROTO-ARIO ou PROTO-ARIANO 
(subst.). Lingua-mae dos dialectos 
áricos ou arianos ou indo-ouropeus. 
(Adj.). Relativo ao proto-árico ou à 
época em que ôste era L'ngua viva. 

PRE-ÂRICO (adj.). Anterior ao pe- 
ríodo árico : como raça pve-árica, ci- 
vilização ])re-árica. 

1878. — «Que todos provêem de um 
idioma proto-árico, é indubitável... 
Como se foram separando as linguas desen- 
volvidas dessa proto-árica?». — Vas- 
concelos Abreu, Importância, p. 32. 

1903. — «Poder-se há, talvez, em ciên- 
cia, considerar que todas essas línguas são 
dialectos de língua commum, a que chama- 
mos proto-ário; mas nada sabemos dela 
senão por conjecturas e síntese científica». 
Id., Curso integral, p. 10. 

1875. — «Tra le vocali dblle lingua 
protoariana eravi pure la sonante na- 
sale». — Oreste Nasari, Elementi di Gram- 
matica Sanscrita, p. 5. 

ARIMONO. É registada a palavra 
nos dicionários como antiquada e 
cora o significado «cadeirinha, pe- 
queno- vehiculo, fechado e portátil» 
(Vieira). Morais e Vieira acentuam 



ARM ATUIU A 



67 



ARROZ 



arimono. Pareço quo aritnono está 

• ' • • uií^s norimono (q. v.). Só- 

1 uin escritor encontrei o 

e 08 lexicógrafos nJlo ci- 

< >. 

166& — «Em huad arimono* (qae 



— II .> .11 ui in 111- 1 'iii-i, I ' ;"'/' ! . 11. 111;;. 

ARIPO. Joeirnmento das areias da 

raia, onde foram enterradas as os- 

- '■•—.1 apanhar pérolas e aljôfar, 

I. Evidentemente, o vocá- 

como 

; pro- 
<lo nialaial. arippu, fjoeira, ba- 
ui- •. O principal lugar onde se 
iatica este processo tambOm se de- 
nomina Ari/XK ARIPAR, V. int., e 
âBlPEIRO i^ào derivados portugueses. 

1618. — •Fomos Bahir destes matos janto 

" ""■" ' ^r'--'-, ^''|ue caminhamos 

e as cu» que an- 

■ ■ Atreito (los 1'ara- 

■1 faziT as pescarias 

>..- P. .Mamu'1 Har- 

laritima, n, p. 94. 

ii:irtos muita gente 

o que cavando, 

lii'II:i iirsinr o 

ai .1(1 

I>. M- 

U'. < > ijiif jiliguei e ouvi dizer, 
\nii\ aripando ncutas praias 
iite duas luil pessoas». — Id., 



duríuor the prooress 



• I v. ir li Iht'iii 



"1 Arlpo». — 

• ARMATÓRIA DAS IGREJAS. PAL 

MA DA IGREJA. Silo nonx's do unia 

■rvoro da Índia — Cycas eirvinalis, 

un. «Dá-8«i-lhe o nome do palma 

i cgreja pela razSo de suas folha» 



• .Ap<»«nr ffVnti paíirra err 



' uiiugui Viena. 



serem usadas nas egrejas no do- 
n ' V .. D. G. Dalgado. 

I .;ima ai-nnitoria j>or 

servirem as lólhafi para adornar as 
igrejas. 

tfiíK). — «ín Horto Malab . . . describitar 

''ina, ^H])OiH'U^'ihns Soterttijoe 
is Armatoira seu Pal- 
ma d'igrcsia». — linmphiua, Herbarium 
Ainholiome, I, cap. 20. 

ARMEZIM. «lie hum tafetá ligeiro, 
que vem de Bengala ; ha Arraozim 
lisos, e outros de varias cores. Na 
Pauta dos Portos secos, e molhados 
se faz menvflo deste pano». Bluteau, 
SxtppL — «Tafetá ligeiro, que vinha 
de Bengala e de lá trouxe o no- 
me». Cardeal Saraiva. Concluir-se-ia 
daqui quo a pátria da fazenda 6 Ben- 
gala e que o seu nome provOm da 
língua vernácula. 

Mas o indo-inglês tem armoseen 
e armosine, que Yule diz ser uma 
espécie de sCda que nAo pode definir. 
Na segunda ediçilo, porCun, se de- 
fine: tSOda encorpada, quasi inva- 
riavelmente preta. É usada para 
fitas de chapéu e bandas nos fune- 
rais pelos que nJlo sAo da família do 
defunto». Também se sugere aí que 
a derivaçilo é de Ormuz. 

NAo deve fazer dificuldade .i v..- 
ferença da vogal inicial, pois que 
Camfles chama i\ cidade Armusa (x, 
113) e S. Francisco Xavit-r, Armu- 
zia (lib. I, carta xiri). *Annu:ntim 
autem est insula inter ostium sinus 
Persici)). .len'mimo Osório, De liehus, 
II, p. 108. Na C// ■ • ■ ",a 

(l.').^,')) também aj :;i : 

«El rev todobts anos merca treze 
mill cavallos d'Armuz e da terra» 
(p. 69). — tTrelado do comtrato .• 
«onçerto quo o ulor Dom 

Duarte de Moru" oiii td rf»v 

d Arnntz ^ 
Doc. (fit . , , . . . 

Vth< cianibcllotti, ormlalnl, 

I. ric a<j isetta*. — G. Uaibi, Viaggio, 

ARROZ. .\ palavra portuguesa ar- 
iOZy (íryza notira^ Linn . <l*íriva do 
Ar. ar-ruzz, que presuiuivelmente se 
liga ao tarn. ariMi (an* em malaialai. 



ARROZ 



58 



ARROZ 



«arroz descascado», da raiz ari, 
«limpar ou separar». Mas o gr. oryza, 
do que procedera o ital. riso, fr. riz 
e iugl. rice, prende-se imediata- 
mente, conforme Yule, ao sânsc. 
vrlhi. V. Glossary. 

Constituindo o arroz a base da 
alimentaçflo dos povos da índia me- 
ridional, numerosos silo os termos 
vernáculos que lhe dizora respeito, 
alguns dos quais entraram no portu- 
guês luso-oriental. As suas varieda- 
des contam-se por centenas : segundo 
Lopes Mendes {A índia Portugueza, 
I, p. 50), as mais cultivadas om Goa 
silo vinte sois, a sabei", asgó, as fjuy, 
babry, belló, beily, bilare, calaqui, 
calló ou cavaco, caró-asgó, caró- 
quendaló, calassó, carguntó, cotom- 
barsal, dangó, dongorem, dovem-bim, 
dovi-patny, girisal, normaré, concho- 
ró, conchory, savó-quendaló, sirtô, 
sirty, suncoly e tambri-patny. 

Os nossos escritores antigos men- 
cionam particularmente quatro va- 
riedades do arroz ; chambaçal, gira- 
çal, pacharil e pulot, que vou espe- 
cificar separadamente. 

L — ARROZ CHAMBAÇAL*. O vocá- 
bulo é híbrido, composto do dravi- 
dico chambã (chambã-nellu, malaiala- 
-tamul) e do neo-árico sãl (concani- 
-marata), do sânsc. çãli, «arroz» em 
geral. Etimologicamente, chambã é 
«arroz do superior qualidade, com 
grãos brancos e bem cheirosos, se- 
meado em Julho, transplantado em 
Outubro e ceifado em Fevereiro». 
H. H. Wilson, Glossary. Os nossos 
indianistas, porém, reputam-no infe- 
rior às outras variedades ; o que se 
podo explicar ou por deslocação do 
nome ou por superioridade regional, 
tendo cada região qualidades supe- 
riores e inferiores. 

1509. — «Meyo para d aroz chambaçal 
em cada huum mes». — Alvará do vice-rei 
in Alguns Doe. da Torre do Tombo, p. 206. 

1510. — «Darros chanboçall três 
mil e cento e cinquo páreas» [ = paraas]. 
— In Cartas de A. de Albuquerque, p. Ib. 



í Chambaçal também se dizia outrora de 
uma espécie de^aca, q. v. 



1554. — «ElRey de Baticalaa he obri- 
guado paj^uar de páreas a Elltey uo.so se- 
nhor dons mill fardos d'arroz chanba- 
çal cada ano». — SimSo Botelho, Tombo, 
p. 243. 

15G3. — «Mandou grande avondança de 
cousas de refresco para toda 'armada, e 
dous mil fardos de arros châobaçal, e 
mil f/iraçal, e duzentos fardos d'acuquar». 

— Gaspar Correia, Lendas, i, p. (i\)4. 
1585. — «Quinze fardos de arroz geri- 

çal para os enfermos, e doze candins de 
arroz chambaçal, para os servidores, 
se os já não tiver comprado do arroz, que 
vem de Bengala». — Archivo Port.-Orien- 
tal, V, p. 1022. 

1G13. — «Em BaticaU fez o feitor Diogo 
Cerveira também muyto arroz giraçal e 
chambaçal, enfardelado, muyto açúcar, 
e ferro». — Francisco de Andrada, Chron. 
de D. João IH, ii, íl. 81. 

1589. — «Le meilleur riz appellé Gira- 
sal est de plus haut prix que celuy qu'ils 
appellent Chambasal, et y a encore 
d'autres sortes de Riz de moindre valeur». 

— Linschoten, Histoire, p. 73. 

1711. — «On cueille icy [MaduréJ diver- 
sos especes de ris; le meilleur est celai 
qu'on nomme Chámba et Pijanam; le 
premier croist et meurit dans I'espace de 
sept móis». — Lettres Edifiantes, xm, p. 5. 

II. — ARROZ GIRAÇAL. É palavra 
concani-marata, jiresal (Jirãsanna- 
nelii em canarôs) composta áejirém, 
«cominhos», e sãl, «arroz» = arroz 
cominho, isto ó, arroz^ que se asse- 
melha a cominhos. E muito fino, 
branco, perfumado e saboroso ; os 
nossos autores consideram-no de pri- 
meira qualidade. Escreve-se também 
giriçal e geriçal. . 

1510. — «E cada dose dias lhe dareis 
oito paras d aroz geraceil». — A. de Al- 
buquerque, Cartas, ii, p. 85. 

1516. — «Cadano daa esta terá duas no- 
uidades: ho primeiro he giracai, e he 
milhor, ho segundo he chamado acal ^, ha 
ho outro chamaom quanagas, ho outro pa- 
cliary, e cada huu tem muyto diferente 
preço». — Duarte Barbosa, Livro (2.» ed.), 

p. -^ye. 

1563. — «O Rey lhe mandou de presente 



' Acal — se não está por açaí, como gi- 
racai está por giraçal — significaria «in- 
tempestivo», isto é, arroz produzido fora 
da estação pluviosa: sânsc. akãla, neo-árico 
akãl. Se é açaí, seria talvez arroz para cuja 
cultura não é necessário pagar mais con- 
tribuição, em interpretação do hindust. 
asal-beriz, «contribuição ou foro originá- 
rio», 



ARROZ 



59 



ARROZ 



! fartfos rf'arrA* giraçal, e cem far- 
'• aspar Correia, 



ia- 

i: 



mi; 
d. 

811 

G 

nh 

ta- 

l> 



'— «SaxneSo mnito arroz, e hSa 
' ' Glraçal, o me- 

ulia, df que sv 
jMiu- w iiit». — Diogo do 
V, IX, 2. 

^' ^ • ' ■'•■ rírmz de qno ha 

r he o gipiçal 



ItKJò. — «A i^ 

n- tiiil.i dia e •. 
\ iitónio 



_'iioz três galli- 

y eriçai em aiías- 

tiocarro, Déc. Xlll, 



— «Giraçal. He o nome da me- 

-fix (!.^ n-r :■; df toda a C-osta da 



d:. 

nará-. — lilutiuu, ->. 



l'P 



•ia nas várzeas 
-a Costa do Ca- 
mento. 



TTT— ARROZ PACHARIL. Outra va- 
3 de arroz tino, raas inferior 
;n ' !a por alguns 

et icia ao Mala- 

bar. i:/mpregava-8e o termo algumas 
vezes ou em algumas regiões para 
denotar o arroz giraçal, como se de- 
pr • • • , do Rm 

T.i > que em 

caai 86 chama, jiresãi ou sãl traduz- 

se no I""-»" """'M local por pacharil, 

não e- !í voga a voz qiraeal. 

L. ........ 

Tl; 

cora razão, pois nào é conht'cido 
•>"'■'•' na lingua vornAcula. O ar- 
do na índia por refogado 



»; é quasi semj)re par/iarii. 
c ...nto h origem do vociihulo nJIo 
pode assinar com segurança, por 



ite d»'> U malninla 

'"•'' qur , ser o ótimo, 

r carroz mal cozido». É 



1512. — «E caidam os dansd-^rcs das 

cousaí" >-rviço, p< pagar 

r>9 mr»' á vossa - arroz 

' ' .' uam por i he 

to». — Afonso . .e, 

I, p. 55. 

: <;ehi de aluaro lopez almaxarife doe 

m;tt:im'nt<>8 de cochym trinta ; ' i»z 

paohari e três fardas daroz e 

.seiscJ'tos eoquos». — Ibid , v, p. -uo. 

1727. — «Pacharil. Nome que se di 

ua India Oriental ao arroz, que se vende 

I com a casca, todo o arroz, que se come e 

' uave^ra no Norte de Goa, se chama Arroz 

. Pacharil, dirterente do cozido, ou Geri- 

• "' -'le se gasta uo Sul. O Pacharil be 

branco, menos sadio, mas niaisgos- 

•lue ,o Gtriçal. — Bluteau, iSupple- 

; mfntii. — É confusa a descrição e errada 

a distinção. 

1842. — «Arroz pacharil, 3.658 sac- 
casD. — Annaes Maritlmog, p. 362. 
1 1912. — «Serviam-se de arroz pacha- 
j rll, caril de gallinha, peixe frito e acepi- 
' pes». — O Ultramar, de 8 de Agosto. 

1695. — Sesta species est fíra$ Dyha- 
tan, Portugallice Ârroê Patsjari, etijus 
granum minimum est, coctiumjue gratum 
spirat odorem, estque pingue, et visco- 
sum». — Rumphius, Herbarium Amboiuenêe, 
VIII, cap. 30. 

IV. — ARROZ PULOT. i> r>|M-cie de 
arroz da ludia insular, muito gluti- 
noso. Do mal. púlot ou puliit. Tam- 
liOm se escreve pulo ou pulu. 

l.')63. — «Do arroz que comemos, vos 
quero dizer que vem da Java a Malaca 
hum arroz que chauiauí pulot, o qual co- 
zi " '-• com o baft'o da aguoa, 
ai ús mslos e he tam húmido 

' -ua». — 

• java- 

111'/. (M ari'iz -• ^.<ir/, ir;ii. tli 

D 'ou trás linguas do Are le 

fíde ter da«lo este pulol» . — < unar de 
icalho. 
1613. — 'V .V..1..-.. Mutro género de 
arros azeyt Pu loth, de «jue 

hn l.r.. ■.. .1. ... . • , ,.,. 

t.. 6 

uA . . . .i .^....„.ii». 

— .Manuel (y. de Krédia^ Oteiaraçam <k 

M.lJnra. fl 10 

ir 

.1 r-i-- iz !>'.) 1 1 > F. 

Cardint, liataUia», p. 227. 

IHW riN?!'. h:\ «mi l.i-'hon n Qproz 
pi.i.i 



i<*a Latine 



ÁRVORE DA FRUTA DO PÃO 60 



ARVORE DE GRALHA 



ARROZCARIL. Quere dizer «arroz 
e caril», isto é, refeiçíto completa 
do índio, constante do arroz, caril e 
acopipes. A loeuçílo é ainda hoje cor- 
rente na índia Portuguesa, o inter- 
preta a do concani sãt-kodJã. V. caril. 

1577. — «O seu comer he como de gente 
barbara: os Mouros he tudo bringe: e os 
Gentios arros caril, não lia cutre elles 
potageus, nem as delicadezas de nossos 
manjares». — Primor e. Honra, fl. 9 v. 

«. . . duas panelas cm que lhe fazem 
arros caril, o qual comem em folhas de 
figueira [bananeira] que são os bacios da 
terra». — Ibid., fl. 14 u. 

1915. — «Ainda tem íi]gm\s laques de 
rupias, 6 terra de arroz e caril e de 
bailadeiras». — O Ultramar, Dezembro 13. 

191G. — «Para mim quinze pardaos e 
arroz caril basta, e meus pacs deixa- 
ram-me o sufficieute». — Ibid., Julho 24:. 

ÁRVORE DA FRUTA DO PÃO. É 

Artocarpiis incisa, Linn. A árvore 
ó indígena das Ilhas do Pacífico, 
onde a fruta serve em lugar de pao. 
Em francos arhre^ a pain, em inglês 
bread-fruit tree. É tambôm cultivada 
em Cabo Verde. Vid. Boi S. G. L., 
III, p. 651. 

1838. — «Esta arvore [do pão], cujo 
fructo é tão útil, senão absolutamente ne- 
cessário aos habitantes de muitas ilhas dos 
mares do Sul, foi pa'incipalmente preconi- 
sada como producção das ilhas de Sand- 
wich». — O Panorama, de 17 de Fevereiro. 

1883. — «Ha uma grande abundância 
em Bancau, Bucole e nas outras jurisdic- 
ções arvores que 'produzem a fructa do 
pâo, que é de grande alimento para estes 
1)0V()S». — José Vaquinhas, Timor, in Boi. 
S. G. L., IV, p. 312. 

1884. — «... junto do qual está uma ai'- 
vore immensa, de cujo fructo um javauez 
me dil um exem})lar. Julgo ser a celebre 
arvore chamada do pão». — Adolfo Lou- 
reiro, No Oriente, n, p. 174. 

1886. — Costumam os botlos cultivar. . . 
arvore do pâo [artocarpns incisa), la- 
raugeira, roniãseira. . .». — Lopes Mendes, 
A índia Portiu/ueza, i, p. 237. 

1902. — «O dr. Gomes da Silva divide 
assim as fructas do sul da China; . . .Fecu- 
lentas ou polposas: banana, castanha, 
f ructa-pào». — Ta-ssi-yang-kuó, II, iii, 3. 

1908. — «Arvore da fruta de pâo... 
Esta bella arvore produz uma fruta oval, 
muito parecida com a nossa jaca, embora 
de dimen.sões menores, e a qual quando 
torrada dá farinha de que se faz pão na 
Oceania, donde lhe veio o nome portuguez». 
— O Oriente Portuguez, v, p. 308. 



1916. — oÉ a arvore de pflo, ,Arlo- 
carpus incifia, irmã da jaqueira. . . E uma 
arvore ornamental e o seu fructo dá um 
jantar completo, frugal está claro, desde 
a sopa até á sobremesa-'. — O Ultramar, de 
28 de Setembro. 

ÁRVORE DA RASPA, raspadeira, 
folhas da raspa. E por estes nomes 
conhecida na índia a urticácea/'Yc«« 
aspérrima, Roxb., e a razão é que 
as suas folhas sorvem para raspar e 
polir a madeira em lugar da lixa. 
«Radix cum aceto e nuce Indica con- 
fecto coutusa, et mane jejuno von- 
triculo assumpta viscerum ardorem 
compescit». Rheede. 

ÁRVORE DE CATO. É o nome que 
os portugueses deram à Acacia su- 
ma, Kurz, ou Mimosa suma, Roxb., 
por se fazer dela o cato, q. v. É 
tambôm conhecida por «pau ferro». 

ÁRVORE DE GRALHA; ÁRVORE DE 
RAÍZES ; FIGUEIRA DE BENGALA ou 
DA ÍNDIA. São denominações verná- 
culas de Fictis Beiujalensis, Linn., 
ou, com mais propriedade, Ficus In- 
dica, Roxb. Uiz-se igualmente em 
Goa vodo ou ollo, do cone. vad, 
sânsc. vaia. Os ingleses chamam-lhe 
banyan-tree, e os franceses arhre de 
banians. E uma das árvores sagra- 
das da índia. 

Esta gigantesca ai\uif irm a pe- 
culiaridade de lançar dos seus ramos 
raízes compridas, que penetram no 
solo e com o tempo formam novos 
troncos grossos. As gralhas acoi- 
tam-se de preferência na sua basta 
ramagem e alimeutam-se dos seus 
frutos, que silo como figos miúdos. 
Daqui provêm os seus nomes por- 
tugueses *. 

1569. — «Aqui [em Cambo, perto de Me- 
linde] foi a primeira vez que vi buas ar- 
vores que ha muytas na índia (ficus ethio- 
pica similis iíidicis) as quaes do alto lanção 
raizes para o cluTo e assim multiplicão 
mujto e he muyto para ver huas jái>re8a8 
e outras começarem a prender e outras 
descendo para baixo». — P. Monclaio, in 
Boi. S. G. L., IV, p. 501. 



1 Há outra fruta de gralha, que é o pro- 
duto de Melasfoma malabathricum. Viil. D. 
G. Dalgado, Flora, p. 76, 



ARVORE DE GRALHA 



Gl 



ARVORE DOS SOMimEIRC^ 



ah.M.i.,.,, ; . 

tu. 

q. 

nU'! ':•■ I... 

ir.:..» 

que na lii>i 

potiros. — i; 

ta, X, ^. lUl. 

arvores 

001» que - 
> oiitrn*» r: 



a, X, p. 



Maldtva grande 

. i, a quo os i)or- 

igueira da India, 

;i h. _'iiiiraii. — l*y- 
.0. 

ilfjmis figos, 
■n du gralha, mas 
Kl' i o, lílii t. traj ico - 



de gralha 

'. terra, 
pron- 



res dos 



g 



;■ " t!"iK-" il"inic |ii 0- 

<' gralha, i)<ir({iip na 

i fruto, que por den- 

r í>> figo na côr, e na 

;rHuiiiirii it"> mnrtiiili08«. — l*. Fraucisco 

ie Sousa, Oriente ('Diiijiiiafailo. II, i, :?. 

1717 . i.'.,t,,. ,.^ ,. .,;^ arvores que ali 

lias, a que elia- 

.1..' lie pay.s arvo- 

■s; por costumarem 

. .i.-ll.'.s ns ..MIS Pa- 
rt, que 

íy, p. rJ. 

^e outra admirável com o 
nume de arvore de gralha; costumam 

planta! :i vm i)n!niari « ininiaiuente humi- 
d' iidim» — Fr. C. 

d II, p. 340. 

' — "Ad'nam o Oilih). (jue n<'>8 cha- 
arvore de gralha, '^>!ir<- n rpial 



. >. — «D- iid«i complcta- 

este 8er\ ikiÍízub fixas) as 

arvores do gralha que os Gentios pe- 

Iftf» •ill- . , , 1, riilo arrn?tqii''ni, V. S.* 

'••3 1108 
in». — 



re d 



i. 30. 



ido [A'ixnu] com 
■"'bre huma follia 
e gralha)».— F. N. 

u, p. H'2. 

lao a canna 

o do gralha (<>//<') 

, que chegam a vir 

F. da CoaUí, Manual 



'■'- I ,.......,«■ 

llipÃciu do Hrion, Duas 



bre Dommé Arvore de Rays, e'est k 
dire arbre de ra.in.s 1, .m, 1 .^t merveil- 
leux à voir». — 1 '>ire. p. 105. 

líjHi). — «On I , , HfT. et ar- 

bre <ie$ lianiaus. et arbre de raolnes, 
h cause de Ia facilitt^ que ses branches, 
qui portent des grands fíiamens, ont à 
pren(Jre racine, et par eon.sequant à re- 
produire d'autres brauches». — Thevenot, 
\'o>iíi<ics, III, p. 7G. 

1G7'1 — «We pitched our Tent under a 

Tree, that besides its Leafs, the Hranches 

'■< own Ki'ots, therefore called by the 

,:ili>, Arbor de Rais». — Fryer, 

l\ast India, i, p. 2G5. 

1G7G. — «Les Persans Tappellent Lul, 
les Portugais Arber de Reys {ancore 
de raizes], et les Francois I'^lr^re de lia- 

rti irce quo le.-i Hanianes, out fait 

1' lis une Pagode avec uu Cara- 

•uipagné de plusieurs petita 
S( " 
(jes. II, p. 433. 



c tangs pour se laver. — Tavern 



furs p( 
uier, V'( 



oya- 



180i>. — «Their gn'atest cnneniy (i. e. 
of buildings) is the Uanyci' Trr,,, — Lord 
Valentia, iu Glossary. 

ÁRVORE DO PAGODE. L o nome 
portujíiK-s tio pimpolo (q. v.), ou Fi- 
CU8 reliijiosa, Liiin. A árvore é sa- 
grada para os liiiuius, que, ])or isso, 
a plantam ao pó dos pagodos. Os 
franceses cbamam-llie fgnier des pa- 
godes. 

1883. — «As arvores de pagode 

(yícM* indica) a (iu»í os inglezes chamam 
banian tree, formam um grande macissode 
verdura, com a» tolhas verdenegras e lus- 
trosas, e multiplicam os seus troncos pelas 
riii/.w fiiií. lançam dos ramos superiores, 
f s vezes um fixsciculo lie colum- 

n, .> ii:i>i ciitli.ilraf.'. i'i i|]iic:is. so- 

I. i:l8 

«i. ite, 

I, p. )i2ò. — O autor taz contusão com S 
árvore de gndha. 

1H84. — nObserva-se em Samara uma 
grande arvoro do pagode conhecida 
por /' KMict) bran- 

co)». ; , in llol. S. 

G. /.., IV, jt. !>.'>. 

Arvore dos sombreiros ou pal- 
meira DAS vassouras. K Cori/pha 

.1.^ o 

guarda-cliuvas dns lolha.*», e coutas 
do rosário, das sementes- T") r:, 
Dalgado, Flora, p. 198. 



1'tiuiui», 
«Lludv proUuil uu certain sr- 



Iu^h11i!< Ai 
cata»- I{ 
I, cap 7. 



ASAS DE PEIXE 



62 



ASSANE 



Arvore triste, é Nycuinthes 

arhor trigtis, Linn., tnmbOm conhe- 
cida por «árvore da noite» e parizá- 
taco. Garcia da Orta trata no Coló- 
quio VI «do arvore triste», e explica 
o motivo do nome: «Dizom que esta 
arvore foi filha de hum homem, 
grande senhor, chamado Parizataco ; 
e que se namorou do sol, o qual a 
leixou, depois de ter com ella coii- 
versaçílo, por amor doutra ; e oil a se 
matou, o iby queimada (como nesta 
terra se costuma) e da cinza se ge- 
rou esta arv^ore, as flores da qual 
avorrecem o sol, quo em sua pre- 
sença nao parecem». 

15G3. — «E também me lembra que o 
arvore triste, que estilam a agoa delle 
molhando os panos nella, he boa pêra os 
olhos». — Id., Col. de beire. 

1609. — «Tem muitas arvores tris- 
tes, que todas as noites verão c inverno 
carregam de flor branca, ao modo de flor 
de jasmim, que cheira suavissimamente, e 
quando sae o sol, lhe cae toda, e tornando 
a noite lhe nasce outra de novo». — 
Fr. João dos Santos, Ethiopia Oriental, ii, 
p. 271. 

1G16. — «A arvore que se dá nas índias 
Orieutaes, e chamam Triste, é assim 
chamada porque não floresce senão de 
noite». — Pyrard de Lavai, Viagem, ii, 
p. 3tíõ. 

1Õ78. — «Llamase este arbol, en Cana- 
rin, Parizataco: en Malay o Singadi : ylos 
Portugueses Arbol Triste». — Cristó- 
vão da Costa, Tractado, p. 220. 

1598. — «L'arbre qu'on appelle Triste 
d'autant qu'elle ne fleurit que de nuict 
tout le long d'aunee, peut estre mis en- 
tre les miracles». — Linschoten, Uistoire, 
p. 107. 

1631. — «Quod haec arbuscula noctu 
flores expandat, iude eam Lusitani Ar- 
vore da Notte vocant». — Bontius, i//s<. 
Naturalis, \). 49. 

1673. — «... a Tree called Arbor 
tristis, which withers in the Day, and 
blossoms in the Night». — Fryer, East In- 
dia, I, p. 116. 

ASAS DE PEIXE. São as barbata- 
nas de tubarão e de peixe viola, que 
constituem um importante artigo de 
comércio indiano com a China, onde 
sâo muito estimadas. 

1774. — «As azas de tubarão, e os ces- 
tos de galinhas de fora, e da Província, que 
passarem pelo dito caminho para Salcete, 
toca o seu direito de Alfandega ao dito 
caminho de Guddy». — Colkcção de Ban- 
dos, I, p. 22. 



1840. — «Exceptuam-se as barbatanas 
(vulgarmente chamadas azas) de tubarão, 
viola, buxos de peixes estrangeiros». — 
Ibid., p. 192. 

1843. — «Barca Marquez de Hastings, 
procedente de Bombaim, conduzindo : 
1.287 |;zco« de algodão; 140 de azas de 
peixe». — Annaes Maritimos (parte ofli- 
cial), p. 30. 

«146 picos de azas de viola e tubarão». 
Ibid,, p. 37. 

1884. — (í^eguiu-se uma fabrica de aza 
de peixe. E asquerosa e de cheiro nau- 
seabundo. Consiste na preparação de bar- 
batanas de tubarão, que é acepipe muito 
estimado na China». — Adolfo Loureiro, 
No Oriente, ii, p. 116. 

1886. — «Os homens empregam-se em 
pescar ao anzol tubarões e peixe viola, e 
em colher. . . ninhos de andorinhas do mar, 
que exportam para a China, onde são muito 
apreciados, bem como as azas daquelles 
peixes». — Lopes Mendes, Â índia Pariu- 
gueza, ii, p. 216. 

1900. — «Aza de peixe. . . As quaes 
azas não passam de barbatanas de tuba- 
rão, iguaria muito apreciada pelos chins 
e que é importada em grande quantidade 
de Java, Singapura, Piuão, Bombaim e 
Golfo Pérsico. Os clúns de Macau comem 
em grande quantidade d'esta iguaria, que 
é também reexportada para os portos pró- 
ximos da província de Cantão E uma sub- 
stancia gorda e cartilaginosa, considerada 
pelos gastrononios como estimulante c tó- 
nica». — Ta-ssi-yaug-kuó, de Abril. 

1909. — «Renda de buchos e azas de 
peixe. Foi creada em 1842». — Amâncio 
Uracias, Subsidias, p. 152. 

ASSA-FÉTIDA. Goma resinosa de 
Ferula Joetida e F. alliacea, Boiss. 
Os nossos escritores antigos cha- 
mam-lhe ingo (q. v.). A assa-fétida 
entra como condimento em várias 
comidas indianas. V. anjuão. 

1563. — «Saibamos do que se chama 
Altiht e anjuden, assa-fetida, doce e 
odorata. . . Pois sabey que a cousa mais 
nsada que ha em toda a índia e per toda- 
Ims partes delia he esta assa fétida, 
assi pêra mezinhas como pêra cozinha. — 
Garcia da Orta, Col. vii 

1510. — «Turbitti, galanga, spico nardo 
assa fétida, e lacca». — Barthema, apud 
Eamúsio, i, fl. 157. 

ASSANE, assono. Lopes Mendes 
menciona estes termos, que repre- 
sentam o cone. axon (sânsc. asanà), 
designativo de três espécies de árvo- 
res de madeira : ãxaii ou pãle-ãxan, 
«tanoma quino, mareta branca» {Pto- 
carpus marsupium, Roxb.) ; ãxan ou 



ATA 



6d 



ATA 



mãrfiy «mnreta» {Terminaiia tomen- 

'■ - ■ " '' • ' ~- teãxan, «benteca» 



assono 

'iiveira 

~«). — «As i'ssrln;i;i^ ":ii- 

>S<-i : asson '1' a), 

iluyuaa, II, 



\trtu.a «iiiracào, 
i.. - Jd., p. 247. 



• ASSUAI. «Ileroe, valentão, va- 

' • . Os in(lif:en«i8 dSo este nome 

( U8 comjianheiros de guerra quo 

i tem cortado varias cabeças dos 

limigos» Katael das Dores. Do teto 

iMuáin, adjectivo. 

!"-' " '.cm (!<• adonio a<'8 valen- 

\^-- ■ Assoáes, quando se oc- 

rasu. — Annate Mari- 
P 181. 

i os valenides, 

iiado.oassuaes, 

iJo 

as 



lllli.l <lir<iliii 



íiA "II i-iiiau. — 



J< uliEi), Timor, iu liol. S. G. L., 

'S. — aNem semprA o qac feria oa 

.,.,, ;,,;,,.;.r,. u,.. ,i..,.,.„a ^ cabeça. 

• lo um 

,1 se dii 

i lun valen- 

. i, FU>re» de 

rol, p. 154. 

ATA. Fruto de ATEIRA — Anona 

»(piamojta, Linn. DA-í»»*-!he tnnihf-ni 

• nome de Iruta do < A ata 

"1 .1 íorma ovóide glu intei- 

ute hranea, contendo uns bagos 
■ * s de um. * 

!'» 11?!! «: 

rdo Frau- 

-, ' ■•-- -■ . ')' 

£ muito intricada a questão da 
' •• ' • ' '.; e de 



Nas esculturas de Bharhut, nas 
talhas de Mutlira e nas pinturas mu- 
rais de Ajanta representa-se uma 

HUB 

(Junningham ideutiíica-a com Anona 
squamosa, filia o seu nome indiano 
at ou ãtã no sânsc. ãtrapya, e man- 
tém que 08 portugueses, introduzin- 
do-a na índia, nílo fizeram mais que 
levar carvflo para Newcastle. 

Max Mailer, porOm, põe em dú- 
vida a existência do vocábulo ãtra- 
pya no sânscrito verdadeiro ; e Yule 
& Burnell sugerem que so tOm in- 
ventado nomes sânscritos para mui- 
tos objectos só conhecidos nos últi- 
mos séculos. Fundados na autoridade 
do botfinico holandês Rhi'ode * e em 
um vocabulário de Manila, presumem 
estes autores que a ata e o seu nome 
foram ])ara a índia do México por 
via das Filipinas, emquanto a anona 
e o seu nome foram de T' ola 

por via do Cabo de Boa i ;a. 

V. Glossary, s. v. mstard ajjjfle. 

Cumpre contudo notar que se a 
Ano7ia squamosa entrou pelas Fili- 
-^, não levou consigo o nome de 
. porque as línguas malaias lho 
nào dflo tal nome, mas o de nona, e 
bom pode ser que ate ou atie do vo- 
cabulário de Manila seja de introdu- 
<;* l-rna. A planta ó também 

i do Brasil, onde se chama 

igualmente ata ou ateira. 

1745. — «Das que há na Asia o ou pro- 
vei na America, adondo hho iniiyto maia 
'^ •' Atn*;, '' ■ ■ ' a.i, Jambos*. — In 



tra 



■•<' no pau oa- 
nteira, cujo 

•is- 

. . ... ! lea- 



is Conde). TTw- 

ía». — F. N. Xavier, O OlH 



I, n 249. 



l^•a. — -A ateira (Anona êquamoM) 
porque pro<lu£ um fructo, <{ue dá ans UTt» 
de jaca, leva em algomaa paragena da coHa 



'. como aconteceu com o ci^n 

a goiaba. 



I >ii é«to botânico qui« no Malabar «e 

cliauia à» Tcxcs à ata mu jaca de 

Manila», o à aoona y" i, «jaca 
portuguesa*. 



ATABALE 



64 



ATABAQUE 



de Malabar os nomes de manil-jaca e ma- 
nil-p<mnt)8, parecendo importação de Ma- 
nila; faz 8C uma arvore de mediana esta- 
tura, nãr) passando de 5 a 5 ^ metros de 
altura. E sylvestre e brava em Jamaica». 
— H. F. da Costa, Manual do agricultor, ii, 
p. 1;.7. 

1672. — «The plant of the Atta in 4 
or f) years comes to its greatest size». — 
P. Vinceuzo Maria, in Glossary. 

1713. — «Nous avons aussi, mais seulc- 
mcnt dans nos jardins, quelquea ates et 
quelques goyaves» (em Madure). — Ldtres 
Edifiantes, xii, p. 87. 

ATABALE (niiiis us. no plural). 
Tambor oriontal, timbale. Do ár. 
aijhi. termo ora conhocido em Por- 
tugal antes do descobrimento da 
índia. ATABALEIRO, tocador de ata- 
balo. ATABALINflO, tamboril. ATA- 
BALINHEIRO, o que toca atabalinlio. 

1445. — «Huns sao atabales Mouris- 
cos, os outros huma espécie de violetas 
daquellas que nós tocamos com arco». — 
Luís de Cadamosto, Navegação Primeira, 
cap. G8. 

lõOO. — «Os Mouros principiarão a ar- 
rombar as paredes da casa, de modo que 
no espaço de meia hora a deitarão toda 
por terra, ao som de trombetas e ata- 
bafes». — Navegação de P. A. Cabral, 
cap. 17. 

1Õ13. — «E, se tangiam os atabalies 
em ha terra firme, ouuem nos na ilha». — 
In Cartas de A de Albuquerque, iii, p. 368. 
1520. — «Tinha quatro cadafalsos en- 
vestidos na parede, dous de cada banda 
para manistreos, e lut mui grande aa mão 
direita da entrada jiera bastordas, c ata- 
bales». — Rui de Fina, Chronica de 
D.João II, )). 118. 

1511. — «N'esta lantcaa se embarcou 
António de Faria, e chegando ao caiz com 
grande estrondo de trombetas, chararael- 
las, atabalies, pifares, atambores. . .». — 
Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 68. 

1552. — «Cessou o estrondo das trombe- 
tas e atabaies e começarão entrar na 
pratica, depois que se tractarão as corte- 
sias, e ceremonias da primeira visita». — 
João de Barros, Dóc. I, v, 3. 

1552. — E chegados a ela tangerão as 
trombetas de gouernador, e os seus ata- 
baies». — Castanheda, Historia, iii, c. 26. 
1557. — «Mandou logo trazer a bandeira 
real, e as trombetas, e atabaies, e ajun- 
tou toda a gente da Armada». — Commen- 
tarioi, II, cap. 25. 

1565. — «Tamjem ate anoitecer huns 
atabaies como os das nossas canas». — 
Itinerário do Mestre Afonso, in Ânnaes Ma- 
ritimos, IV, p. 53. 

1585. — «Tangem se entretanto muitos 
9tabales, e tudo o que se hade oíferecer 



á noiva se lança primeiro ao pescoço doa 
tangedores». — Manuel G. Cardoso, liist. 
trágico -mar itiina, iv, p. 53. 

1608. — «Antes delia ouue muitas ma- 
neiras de fogos no adro da igreja, que de 
muito longe se viam com grande estrondo 
de atambores, e atabaies (jue em terra 
dos Christãos se não pudera fazer mais 
compridamente». — P. Fernão Guerreiro, 
Itelaçam, fl. 7. 

1612. — «Começarão os estromentos bel- 
licos de tambores, pifaros, trombetas e 
atabaies». — Diogo do Couto, Vida de 
De Paido, p. 45. 

«Com grandes gritos, vozearias, taba- 
linhos, trombetas c outros estromentos». 
- /(/., p. 74. 

1515. — «Pagues a Jerónimo e a Diogo 
e a Rodrigo todos três atabaleiros, o 
iriãtimento que lhe for devido». — A. de 
Albuquerque, Cartas, vi, p. 48. 

1.553. — «Aos atabaleiros, que estão 
no paço, outro tanto». — João de Barros, 
Déc. 11, X, 7. 

1554. — «...todos cheos databaley- 
ros com 03 atabalies polias bordas dos 
cadafalsos da parte de fora». — Garcia de 
Resende, Chron. de D. João 11, fl. 81. 

1634. — «Anda com toda a dita gente da 
fortaleza huma trombeta, e três ataba- 
leiros». — António Bocarro, Livro, in O 
Chron. de Tissuary, iii, p. 223. 

1685. — «Os que se seguem são casta 
mais baixa: atabalinheiros vão á guer- 
ra para os tocar, e se recolhem com a sua 
companhia». — João Ribeiro, Fatalidade 
histórica, i, cap. 10. 

ATABAQUE. Tamboril oriental. 
Parece que o étimo ó o persa tahlak, 
com a protético, que também pode 
estar polo artigo árabe ai. ATABA- 
QUE IRO, tangedor de atahaque. 

1515. — Per este vos mando que des ao 
ojar (V) por nome tijava duas /a razoZas de 
cobre pêra fazerem huum atabaque». — 
A. de Albuquerque, Cartas, iv, p. 245. 

1512. — «Per este vos mando que des 
a dezoito halagates e a seis atabaquel- 
ros que handam com Lourenço Preguo em 
guarda da Ilha de goa a cada huu huu par- 
dao». — Id., V, p. 244. 

1525. — «Vem muytas molheres tam- 
gendo muytas trombetas, e atabaques, 
charamellas, e não como as nossas». — 
Chronica de Bisnaga, p. 108. 

1552. — «... acompanhado com grande 
numero de vassallos, estrondo de bozinas, 
atabaques e outros tangeres a seu modo 
por festa» (no Congo). — João de Barros, 
Déc. L h 9- 

1554. — «. . . e com muytos instrumentos 
de marfim, e atabaques, e outros estro- 
mentos cantando iodos muytos louuores dei 
Rey de Portugal». — Garcia de Resende, 
Chronica de D. João II, fl. 103. 



ATALAIA 



G5 



ATALAIA 



ir»f)7 — «Oa ?rit4>a (\nm Ifoumg, t* os tun- 

ti ''■•'' . " ' • ..- 

t. ii- 

eap. 28. 

'•'"» -«E . ,^ ata- 

inhos. < lea do 

'. 1. Muiu laii», iti Din. .>. (t. Lé., 

... /.). _ -í >■> ...,i., ■....., .>.. ,„.;f.. t., ,.,»„.„. 
lhe hú atat !ii 

Í?ÍV. r^:i> , ... .IS 

'que e 

- , .1, (.'ruz, 



queCf torinmi'is d* 

crrnri'lf hnrri^:í. •■ a; 



!«>8. ou ataba- 
s occoí de 
1 boca, onde 

— Fr. Luís de 

nfjftx. ti, p 415. 

■'S 



Lio» lie ii -•>. 

.1, Os Or}- a- 

'■ y -^ 

ATABAQUC. liegistam alguns di- 
mários o vocábulo como tormo 

'ii- 

t^ 

' por Domingos 

. ••■i (t .•ii< 1 tu ti >f u í»in 



• ATALÁ (s. m.). Setim indiano, 

', . - ..rpado do que o ordinário. 

muito asado om indo-por- 

' 'hi8 ò cor- 



Kiicarlatfl de Damasco, alca- 
' ■ ' . ' — Joaquim 

1.. 440. 



AM.ãr.l. 



on do aviso», c Embarcação, de que 
usam na índia, que ho barco do re- 
mo, e muito lepoiro». Viterbo. 

Nilo ó fácil discernir se os portu- 
guosos estondí-nun, por analogia, o 
t»'rmo quo recoberum dos árabes 
[at-tula'a), ou se adoptaram algum 
vernáculo. Pelo modo como os nos- 
sos escritores o interpretam e cir- 
cunscrevem a Diu e ao Canará, pa- 
rece que ó do origem indígena. Kâo 
so conhece, porém, actualmente ne- 
nhuma embarcação indiana com se- 
melhante nome e significado, a nSo 
ser atãti, derivado do sânso. aftãla 
ou attrt{i{kã)y que quero dizer tan- 
dar superior de casa, tOrre ou posto 
de observação», e é usado em gu- 
zarate, marata e hiudustani. £ muito 
natural que o barco de vigia tivesse 
um lugar alto, destinado a ôsse 
fím. 

1512. — «Iliam se laançar ao monte dely 
e quall quer atalaya ou parao que vinha 
de goa pêra cananor, pegavam logo com 
elles». — A. de Albuqu(>rque, Cartas, i, 
p. 44. 

• Fazia saber que se fazyam allj quinie 
nãos como as no.sas, afora outros navyos de 
rrcmo que se chamam a/a^a^u. — lbíd.,ui, 
p. lí>9. 

1514. — «Chegaram quatro ataiayas 
»1' ' lá a goa, as quaes vinham a çur- 
r. -CA de diogo fernaudoa'». — Id., 

I, i, .,.,^ 

1516. — »Tem muytos uauios de remos 
muy concertado.^ c apontados, soma deles 
muy pequenos e Iip*"iros em estremo, ha 

'■ ' ataiayas» (em Diu).— 

/yi'Ti), p. 275. 

, vir •]<<!- ntnlpln^ ni]g 

S, 

j .. i». 

— Castanheda, Htttnria, i, cap. 26. 

«Metidos no porto vararílo a nao em 
terra e salvnranse em dua.s ataiayas». — 
lã , iti, Tip A 1 

15.. is 

tyrf • j.re 

«, que 

.1! con- 

■ >; iljua». — 



.Au 21u. — T;ivuri. /c*, v, 

ATALAIA. Al^m dos siguiHcados. 



•iro do remos, que sorvia do vigia j J^nda», i, p.' ôíifií 



■ IM Ir.: 'iiS 

I' ataiayas, is 

art<'iii:iri;i airaiicoiiu — ('i>miiif!iii.irfis, I, 

cap. 34. 

'•■'-•' r....: ■• ♦•....;.i^o, 

' ■>yn» 



6B 



ATAPATO 



# ATALAQUE. Clieí»; distrital em 

algumas partes da Insulíndia. Do 

raal. ata8-lãki, «homem principal, 
maioral». 

1(532. — «Os que em Solor são Sangue 
de Pates (q. v.), chamao pelas outras Ilhas 
Atalaque». — Fr. Luís de Sousa, Hist, 
de S. r)omingos, iii, p. 281. 

«Santa Luzia, na povoação Sicca, onde 
era Atabaque D. Cosmo, muito bom 
Cbristão». — Id., p. 287. 

1767. — «Ha em cada povoação hum 
maioral, a que chamão Âtacabel ou Ata- 
laque, a que se sogeitam, no governo, e 
castigo, e o seguem como a seu Capitão». 
— Fr. Lucas de Santa Catarina, ibid., iv, 
p. 658. 

*ATOL. Grupo circular de ilhas 
baixas de coral, também circulares, 
que circunscrevem uma laguna, e de 
que se observam espécimes nas ilhas 
Maldivas ^. Foi Darwin o primeiro 
que tornou sciontííico o vocábulo, 
que na língua vernácula se pronun- 
cia atoJu e que Yule julga derivado 
da preposição singalesa atui (etul), 
«dentro de». Os nossos escritores 
charaam-lhe patana, q. v. 

J615. — «São divididas [as ilhas de Mal- 
diva] em treze provincias, a quo chamam 
Atol Ions, que é uma divisão natural, se- 
gundo a situação dos logares, de forma que 
cada Atol Ion é separado dos outros, e 
contem em si uma grande multidão de 
ilhotas». — Pyrard de Lavai, Viagem, i, 
p. 8.5. 

1858. — «Atol Ion. Assim se chamara os 
pequenos grupos de ilhas, ou subdivisões 
do grande archipelago de Maldiva». — Cu- 
nha Eivara, ihid., p. 82. 

1880. — «Occasionalraente eram arre- 
messados fcôcosj ás praias em ditferentes 
regiões na extensa corda de innumeras 
ilhas baixas e atolls, conhecidas com o 
nome de Maldivas». — Conde de Ficalho, 
Flora dos Lusiadas, p. 86. 

1842. — «I have invariably used in this 
volume the term atoll, which is the name 
given to these circular groups of coral 
islets by the inhabitants in the Indian 
Ocean, and is svTionymous with lagoon 
islands. — Darwin, in Glossary. 



* «As quaes iilias são huma das cousas 
admiráveis do mundo, comprehendendo 
cousa de duas mil ilhas, das quaes cem, 
ou perto disso, são juntas, e esféricas como 
o circulo, e tem huma entrada como a 
porta, pela qual somente entrão os na- 
vios». — Ben-Batuta (1343), Viagens, ii, 
p. 264. 



ATAWBOR, tambor. K outro nome 
de hétele. somente usado pelos nos- 
sos primeiros indianistas. Do ár. at- 
-tainhul < persa tambíil < sfinsc. tãni- 
bula, corrente em idiomas neo-áricos •, 

1326. — «Depois trazem o tambul que 
elles tem em grande estimação, e com que 
obsequeão os que os vem visitar; e quando 
o Soltão o dá a algum, equivale a hum do- 
nativo de ouro, e a huma pelliça». — Ben- 
Batuta, Viagens, i, p. 113. 

1498. — «Na qual talha lançava bagaço 
de huas ervas que os homens desta terra 
comem pel) a calma, a qual erva chamam 
atambor». — lioteiro de Vasco da Gama, 
p. 59. 

1502. — «Tinha á roda da cabeça huma 
grande toalha de seda á Mourisca, e a 
boca chea de atambor que não cessava 
de mastigar». — Tomé Lopes, Navegação 
(2.' ed.), p. 172. 

1505. — «Aqui [em Quíloa) se cria tam- 
bor, que tem a folha como a era, e criamse 
como ervilhas, todas tem páos ao pé». — 
In Boi. S. G. L., XVII, p. 358. 

1563. — «Somente sabei, que Avecina 
chama ao betre tembul, e parece ser vo- 
cábulo hum pouco corrupto, porque todos 
lhe chamão tambul e não íem6wZ.>. — Gar- 
cia da Orta, Colóquio de beire. 

1298. — «Di continuo portano in bocca 
vna foglia chiamata Tembul per certo 
habito et delettatione, et vannola masti- 
cando, et sputano la spuma, che la fa». — 
Marco Polo, apud Ramúsio, ii, fl. 56. 

1510. — «E mangia ancora certe foglie 
d'herbe lequali sono come foglie de melan- 
gole, che alcuni chiimano tambor». — 
Barthema, ibid., i, fl. 157. 

1588. — «Quiui era presente vn vecchio, 
che teneua iu mano vn piatto d' oro, eutroui 
foglie dei Betele Malabarico, onero dei 
Tambul Arábico, le quali foglie li prin- 
cipi Indiani masticano, perche fanno buon 
íiato, leuano la sete, e nettano lapituita». 
— P. Maffei, Le Istorie, p. 53. 

*ATAPALA (sing, attã-pãla). É a 
guarda dum dignitário em Ceilão. 

1635. — «Logo acudiu a sua atapala, 

que são os da guarda do dissava». — An- 
tónio Bocarro, Déc. xiii, p. 407. 

* ATAPATO (sing, atapattu). Nome 
do capitão da guarda do rei de Cei- 
lão. 



1 Os nossos antigos escritores dizem 
muitas vezes atambor por tambor. «O Hei 
manda tanger seu atambor, que sendo 
ouuido de qualquer parte que seja logo 
todos se afastão». — Gaspar Correia, Len- 
das, III, p. 765. 



ATI A 



6" 



AVACAKI 



)>'■]>' - Sn dinntoira o sou ataoato. ' Cvavr^.->., ,'• raract-Tísfl 



(litTo 



do tipo 



J., 

d 




at 


:ii:r au curpu da 
s». — Diogo do 


Pi. 


ra em chogaudo i ponte, 

" : "^ ' r do Ata- 



i [de Cândia] tinha mau- 

■■■ ■•• — ■' » ns 

r 

— 1 1 ,-> ia 

— Joào Kibeiro, Fatalidade 
. .., cap. 1. 

ATIÀ (8. m.). Moeda portuguesa 
re on tutanaga, que corria an- 
Diu (' cujo peso e valor va- 
io as emissões. Valia 
' os, e 1 baza- 

lário a 2 róis 
iu liiivia meios atlá)t e 
/*. A primeira emissão 
ó de 1704 e a última de 
»i. 1 iuiia no anverso as armas do 
]nn e no vnrso a cruz de Cristo 

da moeda ó evi- 
origem indiana, como 

i> uouuas moeJaH ; mas nílo 
■rn a palavra ♦•iii nt-nlnnn di- 



-m sido at4^ boje 



, como outras tinbam javali 

•a*. Cf.'"- ■ • ' " r. 

• O que • 



oomo adjectivo, «eletuntino». 

■'•■ — «O «>tM*lid<> de 
\é em ttxloi* oitati.i 



I. in IíqL iV. <r. />., xviM, p. 17«j. 

V — "A rnoed.id'^ tnf-^nntrri nqui rem 

• tinha o baza- 

fin Diu • ' iiaga». 

— .Vutóuiw F. Mouiz, lliéí. dt hoíiião, iii, 

p. 318. 

♦ AURORA. ROSA DE S. FRANCIS- 
CO, ROSA DA CHINA. INÇO TE 
AMANTE. SiVo outros tai -s 
por que é conhecida a malvácoa IH- 
bUcus mutabilis, Linn. O primeiro 
provCm do tempo em que desabrocha 
a flor ; o segundo devf» tor sido dado 
por algum franciscano que tivesse 
trazido a planta da China, sua pá- 
tria, e o quarto indica a peculiari- 
dade de mudar a côr, passando de 
branca, que é pola manhã, para en- 
carnada k tarde. 

AUSSARI. Morais inscrevo (e Do- 
mingos Vieira ropste) o vocábulo do 
seguinte modo: «T. da Asia. Prazo 
que se deixa nas G anilarias [ganca- 
rias] para depois d'elle se começar 
a executar e praticar alguma lei. in- 
novaçâo, etc.». 

Em concani avusar (sânsc. ..... 

sara) quere dizer «tempo oportuno, 

<»| ^ " ' 'avra pertence 

;' lia das coniu- 

s agnn^la?* »lv Goa, como tan- 

itras com signiticaçào técnica. 

Nào creio, porOra, que se use no por- 

"s local, que substitui muitas 

por outras puram»'nto portu- 

:ido cm seguida para o 

-, .io «comunidad(>» por 

(/amaria f c ausento» por nemo, «es« 

crivio») por xeitm/. 

• AVACARI. f Jail 1,1 tui wi ui lueU- 

ciona uma |)lanta com ôste nome e 



d' 



ticu-a com a fli{ 

..II j r iiiV.1i.li. , . . 



■le 

,oÍ 

o qH<» seja esto 

...... :..i...... A.i^. 

,i* 

iS 

!-> 
!e 

lU 

W.á A., 



AVAiNlA 



68 



AN 



meliácea sub-arl)nstiva, muito comum 
cm (jroac nO]\Ialabar. E acrescenta: 
((As raizos desta planta tCem sido 
ultimamente! muito (exportadas de 
Savaiitvadi para a Allomariha, onde 
Silo usadas nas broncliites e dysen- 
terias». 

Quanto à etimologia, parcce-me 
que o vocábulo so liga ao cone. oii- 
kãrl, no sentido de planta emética», 
do onk, ((V(')mito», assim denominada 
pelos médicos indígenas com referên- 
cia aos seus efeitos. 

Í563. — «Ha também nesta ilha luima 
arvore pequena, e porem de maior canti- 
dade que estoutra frutice ; tem as folhas e 
u flor como murta, e dá a fruta como mur- 
tinhos, e do mesmo sabor, mais estiticos, 
e chamão esta herva avacari». — Garcia 
da Orta, Col. xxviii. 

lyOl). — «Por exemplo a citada n%r&ja- 
wla alata, chamada por Garcia da Orta 
avacari, de mncaré que significa nau- 
seas, se em))rega aqui na dysenteria». — 
O Oriente Portvguez, vi, p. 377. 

AVANIA. ((Vexaçclo, que os turcos, 
faziam aos cliristílos ; affronta pú- 
blica (Gr. moderno abania)». C. de 
F'igueiredo. Devic acha difícil a eti- 
mologia desta palavra, que primiti- 
vamente níío significava, segundo 
C4e, ((desprezo», que é o sentido do 
ár. hauãn, que também se aponta 
por étimo, mas simplesmente tributo, 
multa, soma apagar, direito de pas- 
sagem. Presume ôste etimologista 
que o «fr. avante, port, avania, ital. 
avonia, baixo grego, abania, corres- 
ponde a um termo do Levante aivãnl, 
que não está nos dicionários, e que 
parece ligar-se ao velho termo de 
que veio o latino angaria, «serviço 
forçado {corvée))^. 

16(i3. — «Temia o que depois succedeu, 
segundo de lá escreveram, que os turcos 
de Alepo mandassem em minha busca, ou 
o vice-bachá de Alexandria me fizesse al- 
guma avania, quer dizer em lingua turca, 
vexação e tirannia». — P. Manuel Godi- 
nho, lielação, p. 230. 

1.^80. — « ■ . . esser buona cosa à i mer- 
canti, che arriuano in qnesta città di dar 
in gola ai Sangiaccn di Giuba, & suoi Emin-, 
perche s(mo facili à lasciarsi persuadere 
le uanie, che quei Mori leuano à i pas- 
saggieri». — G. Balbi, Viaggio. fl. 17 v. 

162Õ. — «Alcuni dissero ciò non conuc- 
jiire per le auanie de' Turchi, che erano 



airiiora piú che, mai exorbitanti» — Pietro 
delia Valle, Viaggi, iii, j). 417. 

2G66. — « . . . ni en un mot personne à 
qui un paysan, artisan on marchand se 
pui.see plaindre dans les avanies et ty- 
rannies qii'ils leur font tròs-souvent«. — 
Bernier, Voyages, i, p. 313. 

1G()(). — «Et alors outre qu'ils seroient 
exposez à des coups de baton, on leur fe- 
rait encore une grosse avante, et on en 
a fait à quelques-uns de plus de diz mil 
livres». — Thcvenot, Voyages, iii, p. 5. 

I(j99. — í-ll leur faut neanmoins d'assez 
grands fonds pour pouvoir entretenir leurs 
Catechistes, et subvenir à une infinite de 
frais et d'avanles,qu'on leur fait» (em 
Madur(3). — Lettres Edifiantes, i, p. 18. 

AVATAR. Encarnação dos deuses 
hindus, e em particular as do Vixnu. 
Ivopes Mendes descreve largamente 
os dez avatares de Vixnu ' e dá 
suas estampas. Emprega-se o termo 
em português metaforicamente por 
«transformação». Do sânsc. avatãra, 
literalmente «descida», subentenden- 
do-so «do céu h terra». 

1837. — «Cada uma destas incarnações, 
ou avatares, como clles lhe chamam, ge- 
rou uma diferente deidade, que tem culto 
particular». — O Panorama, de 8 de Julho. 

1850. — «Contam- se vinte e quatro En- 
carnações de Vissunú, sob a denominação 
de Autar». — F. N. Xavier, O Gabinete 
Litterario, r, p. 39. 

1886. — «Na Harypurana, terceira parte 
da Fíirana emanada do Vedão [Veda], 
vem descritas as dez encarnações de Vish- 
nu chamadas Avatars, (jué os chitaris 
[pintores] representam muitas vezes a ca- 
pricho, e quasi sempre incorrectamente». 

— Lopes Mendes, A índia Portugueza, ii, 
p. 72. 

1906. — «Vichnú acha-se representado 
em todas as suas manifestações ou avata- 
res dezenas de vezes repetidas». — Hipá- 
cio de Brion, Duas Mil Léguas, p. 39. 

18 sO. — «Parece condemnado a identi- 
ficar-se com alguma das encarnações (a va- 
táras) de Vishnu ou com o lingam». — 
António de Almeida Azevedo, As Commu- 
nidades de Goa, p. 44. 

1904. — «... por tal forma actuaram na 
sensibilidade do nosso singular Fernão 
Mendes que determinaram o seu novo 
avatar no sentido da exaltação mystica». 

— Cristóvão Aires, F. M. Pinto, p. 11. 
1912. — o Robespierre, Marat, Saint Just, 

Carrier, Fouché, Tallian, ha mais de um 
século (iestroncados e em pó ou, pelo me- 
nos, em pó ainda mexem, sob avatarS 
tragicamente caricaturaes». — O Dia, de 
31 de Dezembro. 
! 1916. — «Esta consciência de existen- 
i cias anteriores, vaga lembrança de varies 



AVi:.L 



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avataras, 



M- 


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tie Nuitaia*, 


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1» 87. 
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ilU«. — 

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IlUl^ (IMIIIIMII 1 III .11 11.11 I' 11 

' — Thfí Ilinduatau lievieic, 



AVEL. aveia távila. . Arroz 

i. mal cozido o torrado e 

' '. Do draWdioo aval ; 

imbOni </ríV (pfiau em 

Kr.'i muito usado como 

'O uas nossas armadas da 

reio que o arroz de que 

„ .1 11 = - oneses 

feito. 

•ccssus lie o jire- 

, r : o mais simples 

barato é macorá-lo em água quente 

acompanhá-lo do peixe sOco ou 

itro ní^r-pipt^; o mais complicado 

!')Com 

- ordi- 

á-lo de água ejuntar- 

do) depal- 



1 ■>'> \ «Ra Renda das pessoas que fa- 
'iião trea/edeat*. 
p. lá*». 
^ •' auiia, que hc arroz 

(iasjiar Correia, Lrnda», 

i. — «MaudSn faxcr a tal ro^atiiiii 

'■ * ■' ■• nvlla e vinho, 

I davila ( 



1619. — nO^ ' 'a paga 

cada hú de di.-^ ^ ' quatro 

Icucsv. — Uegimenio de Nano Va» Castelo 
Branco. 

1852. — «Avel — Arroz, que depois de 
mal cozido se enxuga ao lume, e «<* hite 
ua çral, ou Vana de uiadeira». 
Xavier, Dotqufjo Ilintorico, ix, p ^ 

IbíW. — «... vSo, aeompaiii ; i- 

gadorea de arma branca, e c- t-s 

á "' -r no altar thi Si- em 

^ : Ilida ao governaflor e 

• > arn^z novo e avel, 
e torrado ooiii as.sn- 
*.i:'i — i-"j>f,i .Mi-iides, A índia Portu- 
yucza, I, p. 46. 

1804. — •' ..:... ,o um banquete, 

regado pc! ada dos coco», e 

acuinpanii.i.. ,. ... ,.a do arroz secco, 

chamada Avel, saborosa como a man- 
dioca». — Lopes de Mendonça, O» Orphàoê 
de Calecut, p. lí»2. 

1578. — o. . . y con el açúcar de Ia misma 
Palma, llamado lagra y cou Auila, que 
es hrfha de arroz, cozido oii agua, y des- 
1 '•> y muv ai Solu. — 

( ia Costa, j p 1'>- 

llkJô. — Portauaiio le lui ile 

sopra le spalle, o nelle mauiclo ..c- 

coiii di riso inezzo arrostito (chc il vulgo 
cliiama auelai». — 1*. Maffei, A« htaritíy 
p. 5.02. 

1711. — «Pour moi je crus que je deveis 
m'abstenir ' ]ii ris ordinaire, et me 

contenter d'un peu de lait et de 

q'^ ' i'Avel (c'est du ris 

r • pili'v) ("est ainsi qne 

Vi« t III 11^ u'liini^ I rui tens aux Indus quand 
ils soiit prisonniersa. — l^ttres Kdifiantcs, 
XI, p. «38. 

• AVEL. hsiL' itTino, i ' .m 
Goa, iiflo tem, salvo a \ i.i, 

nenhuma relação com on: te, 

poi.s vem do cone. ãvel c ,. . .^...i o 
«óleo de cOco fresco eescoliiido, ex- 
traído por um p!< ' lue 
iiAo o de lançar, - li- 
ciii.dmente». (fania da Urla dos- 
- lu lua- \ creve-o, mas nAo com muita ^<•rr^'4•- 



. p *vi. 

nwnlin 



..S.I.. 



pu 1 A Usbureiii». — 
Vi. nt 1 



jçAo: uDuas maneiras ha de 
'lura he feito d- 
• outro <la qu»> 

|Uo he os ' -i ; ei tísltí 

jue se faz «i , irescos he 

j feito pisando o coquo o deitando-lhe 

*■ i a corpulência, 

«• p»M* «'ima a 

':i; 

\a 
|ue pur^a lubriticando ou fazendo 

Urani ' : ' • lamosqnrt- 



AVESTA 



70 



AVILDAR 



evacuar as tripas e o estômago so- 
mente ; e purga muito bera, sem ne- 
nhum perigo, nem damno. E muytos 
a misturam com oxpresam de tama- 
rinlios ; e por exjieriencia achei ser 
muito boa. E se Avicena entende 
deste óleo, que he bom nutrimento, 
diz vordado». 

O Conde de Ficalho comenta : 
«Nas propriedades medicinaes do 
óleo, Orta distingue o óleo dos cocos 
frescos do óleo de copra, louvando 
muito o primeiro como uma excel- 
lente «mezinha purgativa», que elle 
receitava varias vezes. Na.o propria- 
mente o óleo, mas o sueco espre- 
mido da amêndoa pisada ou raspada 
— o que se approxima da preparaçflo 
indicada — tem sido recommendado 
como fortificante, aperiente, e em 
certos casos activamente purgativo». 

A «espressilo da amêndoa pisada 
ou raspada» denoraina-se «leite de 
coco», que ninguém conhece na ín- 
dia por «activamente purgativo». 
Orta fala de duas espécies de óleo 
de coco quanto à matéria, processos 
e usos. 

# AVELÃ DA ÍNDIA. E o nome an- 
tigo da areca, dado por analogia, co- 
mo ^^o à «banana», j9e/'rt à «goiaba». 

1516. — «Verde [bótelej he sustancial, 
com avelana India, ou areca, e com a 
call». — Tfimé Pires, Carta a elrey, apud 
Cardeal Saraiva, vi, p. 42r). 

IfjGS. — «Do que chamamos em Portu- 
gal avelam da India falemos, pois me 
dixestes no hrtre que he muyto usada 
acerca de todos». — Garcia da Orta, 
Col. XX. 

1578. — «Llaman los Arábios, Faufd... 
y los Portugueses Auelan da India, 
y Areca». — Cristóvão da Costa, Tracta- 
do, p. 94. 

1585. — «... con quel frutto che doman- 
dano areca che anticaamente chiamavasi 
avellana Indica» —F. Sassetti, Lettere, 
p. 239. 

AVESTA (s. m.). Nomo dos livros 
sagrados dos antigos persas e actuais 
parses, atril)uídos a Zoroastro e co- 
mummente conhecidos dos europeus 
por «Zend-avesta» (q. v.). Do ant. 
persa abasta, avistãlc em páhlavi, 
que signilica «lei». 



#AVÉSTICO. Referente à língua ou 
à doutrina do Avesta. Como subs- 
tantivo, designa o idioma do Avesta. 

1878. — «. . . deram nascimento ao grande 
império persa, á. religião de Zoroastro, á 
antiga lingua persa, em que foi escripto o 
Avesta c se denomina o antigo baktrio, 
ou mais vulgarmente o zende». — Vascon- 
celos Abreu, Investigações, p. 25. 

«Em alguns textos avesticos lê-se 
também iudra». — Id., p. 40. 

1903. — «O estudo do Avestá, o dos 
cuneiformes, o do budismo e páli, o do 
sánscrito, prosseguem ainda hoje por im- 
pulso dado por esse gónio privilegiado». — 
Id., Curso hdexfral, p. 22. 

1903. — «Etimologicamente, porém, Arya 
era o nome do povo que habitava entre 
a índia e Persia, do paiz Airya, occupado 
pelos adoradores de Ormuz... como é 
chamado Airyanen vaézzíS, .4r/anMm semen, 
no Avasta ou Avesta». — In Ta-ssi- 
-yang-kuó, II, iv, 5. 

1912. — «Tiele sugeitou á severa critica 
a excêntrica theoria de Darmesteter, e 
chegou a concluir que o Avesta data de 
800 a 1000 annos antes da era christã». — 
O Oriente Poríugiies, ix, p. 176. 

c. 1030. — «He saya that he has endea- 
voured to correct his account by means 
of the Abasta, which is the religious 
code (of the Zoroastrians)». — AI-Biruni, 
in Glossary. 

1884. — «And this religion, that is, all 
the books of Avesta and Zend, written 
with gold ink upon prepared cow-skins, 
was deposited in the archives of Stakhar 
(Istakhar or Persopolis) of Papak». — 
Dosanibhai Framji, ibid. 

1885. — «Avesta- . . Reunion des trois 
premiers livres du Zendavesla; ces trois 
premiers livres sout le Vendidad, le Yaçna, 
et le Vispered». — Littré. 

1914. — «Indra who is the principal 
God of the Indian pantheon is rejiresented 
as a fiend in the Avesta». — Dalai, A 
History of India, i, p. 24. 

# AVILDAR, ãbãldar. persa ha- 
vãldãr significa literalmente «ocu- 
pador de cargo de confiança» ; os 
maratas deram-lhe o sentido de «co- 
mandante de fortaleza ou governador 
de praça forte». No exército indí- 
gena da índia Britânica havildar 
(do hindust. havildar) corresponde 
a «sargento». Nas duas últimas abo- 
naçòes avildar é «autoridade fiscal». 

1631. — «Só escrevi ao Avildar deste 
Conquão, que é o capitão de Pondá . . . Tor- 
nei a escrever a este Avildar e Capitão 
que eu não avia de romper a guerra». — 
O Chronista de Tissuary, i, p. 91. 



AZ AU AIA 



71 



AZ, AU A IA 



.:a, 



Ai., 



— CufiUiO tiu (iuatll;^ Vuiu dl 



1» 1 1. - «C'listifiiiii K 
dna Avildares unaiKi" 



■aa- 

i> (jiic iiuin 

'., e 08 ditos 

ic huus 

liizenda 

11.., !>.•?•. — Mar- 

';ào de liando», i, 



r 



1813. — «Estes fi'iros continuaram a se- 

rníii ri ri ••iiíliil. ,•; HiTiiifi' :i .Imif i il:i Ka- 

por 
/\ ^ ! ; : ■ , . , se 

oontri- 
I . ^ s Mari- 

timof, p. I. 

I»i7i. — tiSfotfiars or Centurions, Subi- 
dart, Havaldars, civil Governors, Ge- 
ii.-i;il3 ..I h"i-lif i".- 1". -)i 'p-ip. — Frver, Easl 
India, II, |>. 4 

AXERI, xeri lui.u- cwi:,. i.>;. An- 

t.pa moeda do prata de Diu, do va- 

!<) réis on 12 pero(jÍ8 ou 

t' x. Provável monte do persa 

êheri, derivado do êher «leão», que 

'tindustani também se aplica ao 

.•t. A moeda teria numa face a 
o ou de tigre, donde 
nome. V. atiá. 

16M. — •'íO fMpa» d*>stai! se faz huuin 
axery, 'i rata que ora 

iDfrc. 1 ■ tiolioxery 

lios das 
'TO do» 

AZAGAIA (fr. aumgaye, ingl. a««a- 
'/at, aMseijais, zagaia. Lança curta. 



se formam os derivados azatjaia<ia e 
(izagaiar. 

lllfí - ..í*rir.i nffrn.lnr f.--!!! quaiitidadr 



l.'»!»;. — "Trazem tambrm nas mãoe 
azagaias; e niuyt. > ar.im.s r- frr-chas 
mcSa»». — Duarte 1 ' 

l.ViO -«... ac , 

••<. <li.|l<'s com aiLo-. e tict-lias, e outioá 
azagayas, e eseu(l<>.s». — Kui de 
l*iua, Chroii. de Jt. João II, jt. \'.i. 

Ibil. — «Eutre elles [abexins] nam ha 
outro género de annas, que Azagayas, 
nas quaes trazem afigurada a lantM t<iin 
que nosso senhor Jesu Christo foi ferido». 
— D. .JoSo de Castro, Roteiro do Mar lioxo, 
p. 75. 

15Õ4. — • Vimos sahir de um mato para 

onde estávamos um ajun*- • ]<' cafres, 

que traziam entre si a ■•■ i nu, com 

um molho de zagaias h- . oi.,.. i segundo 
seu costum»;).». — Manuel Perestrelo, Hi«t. 
Trayiro-marititna. i, p 88. 

I.ÕÕ7. — «Achou ainda muitos mouros 
com azagaias, e ada<^as que esperaram, 
e troiLxe-os todos á espada». — Commenta- 
rios, I, cap 10. 

lf)Gl. — "Furam de cima feridos de tan- 
tas azagaiadas e frexas, que foi neces- 
sário remarem atrás». — Henrique Dias, 
Hi»t. Tragicn-maritima. iii, p. 1(.>0. 

15tíy. — «O que mais pode e mais tem 
acaba tudo com Principes a quem peitâo, 
e cll' ' azagayap e mafar como 

lhe \ .ide». — 1'. Monclaio, in liol. 

S. G. L., IV, p. 543. 

1572: 

tlfat os Moaroc que «ndnvam pela praia, 

Pi>r lho flpfpHflcr a «irTin despíri la, 

Ou 

(^amftea, LiuiatUu, i, 88. 

1Ó77. — «Todos foram mortos ás aza- 
gayadas». — I*rinujr e Ifnnm. fl. 22 f 

liiW. — «As ináigni.)- ii>it3o[de 

Massapa]. e da sua j .A uma 

azagaia ' ;»-to, uçi s>de 

uma vai lis ou m*-' una 

■'•>. — ir .ici.io dos 

d, I, p. VM'>. 

M.i... --...À i.i.ir.i . 1. '■ nzagaya 

tem IO pahno.s lif cfin c* usâo 

■•■.■• to dentas lan^-as d« u. .....< .--..«. — M«- 

G. de Er«''«lia, I)ecluraç(tm<le Malaca, 

«i'.irn armas usam só dardos, a 
.un azagayas, que elles atiram 
'ramentco. — Pyrard de Lavai, 
' , '. p -n. 

1622. — «Depois toiios os «-af 
P«nvo.T;.T'i jiintoji nos vieram com 

undo a rft:iL:u:n°«la com mui- 
azagaiadas < ■ J. F. de 
IX, p 61 
••m innv 



train atirar rooi h&aa 



19, .lU.- ti 
moor» 



tpii' nas oil 



:\ paiwagflim, 

uM'.s i-iu nil"' w achou fe-t 



AZEBRE 



72 



AZULACRE 



sempre, o que se deve a bom soldado, sa- 
bia desta com duas zagaiadas perigo- 
sas». — Bernardo Feio, Jíifl. Troyico-ma- 
ritima, x, p. 137. 

16G7. — «Por ciitre os paus espingar- 
deão, freclião ou azagaiâo muito a seu 
salvo aos que prctondeui cliegar».— P. Ma- 
nuel Barreto, Aloçatiibif/ue e Madagascar, 
in Boi. S. G. L., IV, p. .'JH. 

1620. — «lis out pour vne Assagaye 
et vn are assez foible, avec la trousse». — 
Géuéral Beaulieu, Mémoircs, p. 8. 

167G. — oils ont pour armes, Pare et la 
flécbe, le mousquct et la pique, et une za- 

Saye qui est un baton de cinq ou six pieds 
e long ferre au bout qu'ils lauceut avec 
adresse contre I'ennemi». — Tavernier, 
Voyages, iv, p. 204. 

1898. — "Assagai- • • A word (like/c- 
tish) introduced into Africa by the Portu- 
guese». — Skeat, An Etymol. Dictionary. 

AZAR. Moeda do Ormuz, do valor 
de 150 róis. Do persa hazãr, «mil», 
pois o azar representa mil dinares. 
V. laque e sadi. 

1515. — «Dees a quatro molheres que 
oje se fizeram xpaãs [cristãs] huu pano a 
cada bua pintado e hun azar a cada huua 
delas». — Afonso de Albuquerque, Cartas, 
VI p. 279. 

1553. — «Hiimxarafij vai da nossa moeda 
trezentos reaes, e dous azares vai hum 
xarafij». — João de Barros, Dec. II, x, 7. 

1554. — «Tem cada pardao destes 2 aza- 
res, e cada azar JO çadis, cada çadim 
100 dinares». — António Nunes, Lyvro dos 
pesos, p. 25. 

1554. — «Per dous mil e cincoenta nove 
leques, catorze azares, seis çadis». — 
Simão Betelho, Tombo, p. 87. 

«Ao sacador mouro dous leques, e ses- 
senta azares mais por causa das quebras 
das moedas». — Id., p. 103. 

1517. — «Le monete di Ormuz sono sa- 
raffi, & mezzo saraffi d'oro, i quali chia- 
mano azar». — Corsali, ap?íd Ramúsio, i, 
fl. 188. 

1580. — «Una lecca sono Asari 100... 
Asar uno poi fa sadini diedi». — G. Balbi, 
Viaggio, fl. 51 v. 

AZEBRE, azevre, zevre. É o mes- 
mo que aloés. Do ár. as-sehar. Cf. o 
esp. acibar. 

1541. — «A terra [de Socotorá] natural- 
mente he prove, e nella nam achão outras 
mercadorias que azeure e sangue de 
dragão». — D. João de Castro, Hoteiro do 
Mar Roxo, p. 18. 

1554. — «O haar de azeure çacatorino 
he como o de beijoim». — António Nunes, 
Lyvro dos pesos, p. 8. 

15G3. — «Digo que o aloes ou aloa é la- 
tino e grego, e os Arábios o chamão cebar, 
e 08 Guzarates e Decanis areá, e os Cana- 



rins fque são os moradores desta fralda do 
mar) o chamão cafecomer, e os Castellianos 
acihar, e os Portuguezes azevre ; faz-se 
do çumo de huma herva depois de seco, e 
é chamada em portuguez herva- babosa». 
— Garcia da Orta, Col. ii. — Em concani 
kãnttelcumvar, planta; sabar, azevre. 

1G03. — «Junto da praya ha poços, de 
que bebem os Arábios, que perto delia tem 
suas pouoações, dão muito azeure, ou 
aloes, e he o melhor que se sabe, por onde 
he muito nomeado oSocotorino». — Fr. An- 
tónio de Gouveia, Jornada do Arcebisjw, 
fl. 135. 

1(509. — «Cria-se também grande abun- 
dância de herva babosa, da qual se colhe 
muito aloó, a que nesta costa chamam aze- 
vre». — Fr. João dos ÍSantos, Ethiojjia 
Oriental, i, p. 450. 

1G09. — «Também nasce aqui a erua 
Aloés ou Baboza, a quem outros chamão 
Azeure Sacatorino, da qual a experiên- 
cia tem mostrado seu preço, e valor» — 
Fr. Gaspar de S. Bernardino, Itinerário, 
p. 100. 

1616. — «Couramas, e ambolins, sangue 
de Dragão, zeure, e outras couzas». — 
Diogo do Couto, Déc. VIII, i, 11. 

1G54. — «Untão-lhe atetacomazebre, 
e logo que lhe toca o beyço da criatura, e 
gosta o sabor amargoso, já toma antojo ao 
leyte». — D. Francisco de Melo, Apologos 
Dialogues, p. 37. 

AZEITE DE PAU. É por este no- 
me conhecido em Macau o óleo de 
amendoim, Arachis hypogoea, Linn. 

1670. — «O demais era muita farinha, 
açúcar, azeite de pao, e ordinário». — 
Ta-ssi-yavg-kuó, 1, ii, 11, — «Os inglezes 
chamam também a esse óleo Wood oil, á 
nossa moda. Sendo o óleo ou azeite extra- 
hido do amendoim, não sei o motivo porque 
se lhe chamou azeite de pau». — Nota 
do editor. 

AZULACRE. Damião de Góis em- 
prega o termo no seguinte passo : 
«Depois deste veo hum embaixador 
dei Key de Campar, que fora genro 
dei Rey de Malaca, e outro de hum 
dos Reis da ilha de Çamatra mais 
vizinlio áquella cidade com recado a 
Afonso Dalbuquerqne, quomo o que- 
ria visitar em pessoa, e fazersse vas- 
sallo dei Rey de Portugal, pêra o 
que deu seguro, com que se logo 
veo a Malaca, onde se lhe fez grande 
recebimento. Ho qual depôs de terem 
assentadas pazes, deu a Afonso Dal- 
buquerque oito fardos do leniio aloes, 
e aguila, e dous fardos dazulacre». 
Chronica de D. Manuel, iii, cap. 19. 



AZULAí^líK 



73 



«ABA 



— Note-se qno nflo eram dois cmbni- 

^ uni só (lo 

Samatra. 

(^iie vem a ser azulacreJ Se a 

nnlavra ó composta de azul o lacre, 

orno parece, siírniHcaria literalmente 



tal substância é produto da re- 

illiM ií)'.>, iiiMiiiviiMlrniMitt- (Ih 



ra at-riara (\\w c, 

", o mesmo que 

. Mas o citado lexicóíçrafo nflo 

^.~ta o vocábulo na sua 2.* edição 

ia 1813 (depois da qual não houve 

•utra do próprio autor), nem se faz 

ni! em Samatra, nem o cronista 

■ia o seu nome. Vejamos, 

. o que dizem os nnfn.s Ms- 

itriadores a ôste respeito 

Fernflo Lopes de CastamuMia, a 

iiiem <r»^rn1nHMite sef^ue de perto 

arra assim o lacto: 

-.. ^on ao gouernador 

■Jeiro dei rey de Campar 

u pequeno reyno na ponta 

'• ilha de çamatra defronte 

a, nflo ha nele se nflo ma- 

iredos (jue dflo lenho aloes, 

que na índia ehamflo calambuco. . . 

„i ..^,y ^ Malaca. . . e ele lhe dou 

te porn el rey de Portuf^al 

- e apuila, 

'orui. III. 

ap. iSii. 

•lOflO d»- I »;ii I "i> I fjfi (- ; niMucv (ii* 

'nnipar, cujo Keyno ho nn ilhn í 'n- 
i. . . mandou hum y 
so d*AllM)(|uerqu(5 ■: 
irdos do lonho aloe, o de hâa massa 
'ii espécie de lacre que entro olles 
•^rue do renu'z. Dizendo que aijuoUa 
ra a fruita da sua terra< ! I, 

i. 7. 

mos ao que <]|x o tilho do 

lor de Mala<a : c Mandou 

> nmparl hum mensa^^oiro a 



' íifío. e douH de huma ma 
.« -o faz do saiifi^ue do drafr'^"" 
Tve de veniíz pêra cousas pin 
mandou-lho dizer, quo aquelia era 



a fruta que se colhia na soa terra». 
Coiin -f, jii, caj). 37. 

() 1 . . . Líora a ( í aspar Correia : 

«O rey de Campar era casado com 
huma íillia do Rey do ^íalaca. . . e se 
veo ao rio do Muar que he perto de 
^' 'íca, e d'ahy mandou hum messi- 
) ao Oouernador com presente 
de f/oíM fardos de calamhuqo, cousa 
de muyto i)reço, cousa que em todas 
as partes de Malaca se nom acharia 
outra tal». Lendas, ii, p. 2()4. 

Conclui- se daqui que o autor da 
Oirovica forjou a locuoflo aztdacre 
para abranger o lacre de Castanheda 
e a massa de verniz de Barros e para 
designar, talvez, o «charão». 



(«BÃBÂ, IU. 1\ .|..« .... i........... do 

forma cónica, usado em Timor». C. 
de Figucirt'do. É do teto h('d>a. 

* BABÁ (s. m.). No indo-portuguôs 
gáurio ' é o tratamento do carinho 
a um rapaz, como tambCm em con- 
cani entre os cristflos do (íoa. Mas 
nas línguas neo-áricas hãhã designa 
primariamente «pai», <'omo em persa 
e turco, ]»ô8to que se aplique ocasio- 
nalmente aos meninos. V. bai. 

1345. — «NSo foi o pieu desejo, desdo 
que cheguei a esta illm f Ceilão) seuSo vi- 
sitar o v»Mipravol p«'> (If Adão, a que elle^ 
n i' .', 1 llanah» "' 

'1. 
l;)it> — «i>. Mouros que iir ii;i 

pcfíuada de n Adan», ha que 

' ' Acianibaba». — Duarte 

!.'.>.; r.^ui liTia pedrada dhomeni, que 
dizem os niouroH (ju»* hr do iio.sso padre 
A.'- '•■tnit.. Baba AdSo«. 

< í. II, i-ap. 22. 

; •,.. -, l ;,rs na N .f..liri iiiii nrior 

Mirrai da sua onleui, a ■ m 

\)a\)fi. mil' iiiii r iIiTicr. 1> "ii 

1 

iMit». — «... IH" If traílaiit pas iixiiiin 
qiir i]r baba et dr bnhnqy, >\>- JH'rr, de 

t.» - n. i.p. 35. 

'Baba l fattier, 



(iáu tlu Um Mtfíi diaviiiica 



BABARE 



74 



BABUCHE 



but is often used by elders as a term of 
endearment». — The Modern Jievietc, de 
Abril. 

* 6ABAG0RE. E o nome hindustani 
(Bãbu(jfiun) da calcedónia de Cam- 
baia. 

1516. — «Aqiiy achaom também grande 
soma de babagoure, que nós cljamamos 
calsadonia, que saom liPias pedras de híias 
areias pardas e branquas que eles fazem 
muyto redondas, e furadas trazemuas lios 
Mouros nos braços. .. saom pedras de pouca 
ualia porque lia hy muytas». — Duarte 
Barbusa, Livro, p. 279. 

BABARÉ, babaréu (p. us.) *. É ter- 
mo corrente em iiido^portugiiês, don- 
de passou para a Africa Oriental., 
por «rebate, alarme», equivalente à 
cucuíada do ^lalabar, de que tanto 
falam os nossos cronistas. Dar ba- 
haré 6 «dar rebate, pedir socorro» 2. 
E costume em várias partes da ín- 
dia, quando uma pessoa se acha em 
perigo, gritar em voz contínua, ba- 
tendo ao mesmo tempo na boca cora 
' a palma da mHo direita. A ôste 
grito se chama bób em concani e boimb 
em marata. A exclamação que de 
ordinário se repete é bãbã-rê! em 
concani, bãp-rê ! em hindustani : vo- 
cative de bãb (q. v.) ou hãj) «pai». 
Babaré corresponde, portanto, às 
frases portuguesas: «aqui del-rei !», 
«ó da guarda!». Em indo-inglês diz- 
se bobbery-bob. No sentido figurado, 
babaré é «alarido, gritaria». Com- 
forme Bluteau, o termo era usado 
no seu tempo em Portugal. 

1608. — «Hua vez veio aqui a fazer mil 
babares, e lan^'ando tantas pragas ao 
íilho, como se o não fora ja seu». — P. Fer- 
não Guerreiro, lielaçam, fl. 104 v. 



1 Morais considera babaré e babaréu vo- 
cábulos diferentes, e Vieira liga babaréu ao 
francês ta L-ardej-iV. Bluteau reputa os, com 
razão, sinónimos. 

2 Morais regista, com o sentido de «dar 
rebate de ladrões na vizinhança», a lo- 
cução tocar babaré, que eu nunca ouvi na 
índia, mas pode ser qne algum escritor 
a tenha impropriamente empregado. E 
Vieira diz que babaré é «nome indiano de 
um instrumento próprio para tocar a re- 
bate» ! O que se toca frequentemente nos 
meloais e nos canaviais é o búzio (cor?io'), 
como sinal de vigia c para afugentar os 
adibes, mas não se chama babaré. 



1G13. — «E assim um destes dias ama- 
nhecemos entre babaies (sic) e vozes de 
gente, e de atabaliuhos, que de todas as 
partes soavam, e se viam á muita pressa 
chamar a gente para a guerra». — P. Ma- 
nuel Barradas, Hist. Tragico-maritima, ii, 
p. 114 3. 

1697. — «O sino com que toeão [os ca- 
narinsj a rebate he bater com a mão na 
boca, fazendo certo estrondo, a que os Por- 
tuguezes chamão babaré. Babaré he 
palavra composta de Babn, que significa 
menino, e de Arc, adverbio de chamar ; e 
como 03 soldados Portuguezes, que muitas 
vezes experimontão esta fúria Canarina, 
lhes ouvem repetir esta palavra, com que 
se appelidão huns aos outros para acodi- 
rem todos à pendência, por isso lhe cha- 
marão babará». — P. Francisco de Sousa, 
Oriente. Conquistado, II, i, 1. 

1727. — «Babaré, ou Babareo he 
palavra de Goa, e suas vizinhanças, e vai 
o mesmo que gritar à que dei Key. . . Nos 
meloaes são contínuos os Babares, os 
quaes se tocào (como elles dizem) da mes- 
ma sorte, que em Portugal se dá uma vaya, 
surriada, ou matraca, e daquella origem 
veyo a ser em Portugal applicado o Ba- 
bará em sentido semelhante ao da índia, 
mas entre nós he termo baixo». — Bluteau, 
Supplemcnto . 

1886. — «As mulheres da casa e da vi- 
zinhança, que são convidadas para fazer 
babará — carpir — estão lamentando em 
altos gritos o passamento». — Lopes Men- 
des, A índia Fortugueza, p. 265. 

1913. — «Babaré, m. (des.). Alarme, 
rebate, aviso de que há ladrões na vizi- 
nhança. Barulho de grande chusma de 
pretos, bem ou mal intencionados, na 
Africa portuguesa». — Cândido de Figuei- 
redo, 2.» edição. 

BABIRUSSA. É um animal singular 
que se encontra em Celebes e algu- 
mas outras partes do arquipélago 
malaio, o qual pertence ao género de 
javali, mas tem pontas como o veado 
— Sus bahirussa, Linn., Babirussa 
alfurus, Cuvier. A palavra é com- 
posta de duas malaias, bâbi, «porco», 
e riLsa, «veado». 

1658. — «Quadrupes hoc inusitatae figu- 
rão monstruosis bestiis asciúbunt Indi, 
quod adversae speciei animalibus, Porco 
scilicet et Cervo, pronatum putent. . . ita 
lit primo intuitu quator cornibus juxta se 
positis videatur armatum hoc animal Ba- 
by-Rou8sa». — Piso, em apêndice a Bón- 
cio. 

BABUCHE. V. papus. 

3 Domingos Vieira cita este passo e de- 
riva babaiés do grego babazo ! 



BACAL 



75 



BAÍJIA 



BABUL. I. " nome de Acacia ara- | 
' ' "' ' ' ' !ii-iuar. j 

/.Tiim-i 
la «árvore tU* «ioma da j 

1 aadeira ó torto; a casca I 

Ó adstriii*;oiite». D. G. Dalgado, 
Mora. 

lv>fl — «Bahut (11 halnUa. . . é arvore 

na«ce e se 

I'ladp. seu 

como cxcellente com ■ 

.13 .1 vnprir, p as 8uas 

It. desde 

• ii;ào plu- 

ao gatl.) lanigerc 

t\e^,AIndiaPor- 

.u, II, p. 20U. 

': '12. — «f'omn l«»nha /' nm combustível 

' babul' — 

'./'f. p. 41. 

-iBablia... 

1 • ili qiit.stn i 

' .spolue- 

ana se- 

!• _'ue, 

in- 

!»e- 

'iia 

:.. Ma- 

r/li;inliiiff'! (in'on y 

on 

de 

.'bn- Baboul, pour y don- 

ct:; et en suite on lea dis- 

I'uoeijiblc». — Theveuot, Voyage», ui^ 

r •'>■ 

• BACAL (dosus.). Negociante do 

' '. ten <'(;o 

iiueiros ;i m- 

ii<m, undo havi:i portas da 

^;numinadni} dos bacais, e foi 

r ' l>ido do9 mouros. Suhstituíram- 

'"•8, CO- 

ist.-Ar. 






'I'M! a 
tn 



Correia, Ltndoê, ii, p. 94. — E assim mais 
vexo.i. 

1900. — «A buccal of this place told 
me he would let me have 500 bags to-mor- 
rowu. — Wellington, iu Glotsary. 

BACAR. «Arin.nzem, de ]>ano8, na 
Ilidia ])ortU}íuf'sa. (Talv(>z por Orro 
de cópia, do escrita ou de coinposi- 
ç«1o, por barar ou bazar}». C. de Fi- 
{•uein'do. liacar nSo tem nada que 
fazer com o hazar ; (>, áo liiiidust. ba- 
khãr {vakhãr om marata e guzarato), 
«armazfim, celeiro». Os nossos escri- 
tores nílo empref;am baztir por «ar- 
mazOm» mas por «mercado, praça». 
Para «armazCnn» temos gudao, ban- 
(joqal, pataia. 

BACARÉU, macaréu. Nome de uma 
IXMlueaa es[)écie de veado — Cervu- 
luK aureus, conforme Jerdon, Cer- 
vuH Muntjak, couforme Molesworth. 
Em indo-in^lOs cliama-se barking- 
-deer e no de Bombaim, baikree. O 
seu étimo parece ser o marata-conc. 
b/tevkretii ; mas Yule indica o ^uz. 
bekrl, que nSo vejo nos dicionários. 
A palavra é onomatopaica. 

16G3. — «Nos matos [de Damilo] ha in- 
finita catM (]<'. IclircH, coreis, tnrrua, veados, 
javalis, bacareos, ^^u/.cia.^, pavdes, ro- 
ías». — P. Manuel Godinho, Relação, p. It». 

IGS."). — «Muita caí-a, javalis, veados, 
meHu, gazelas, corças, macareos, porco 
espinho» (em Ceililo). — .li>à,) Kibfiro, Fa- 
talidade. Histórica, I, cap. VJ. 

1(>88. — «Nestes montes [da China] pas- 
tilo muitas corças, macareos, e vcatlosu. 
— Fr. Jacinto do Deus. I'-ryc/, p. "JSl. 

Bachá V. bajrá. 

♦ BACHAO. É o fruto do Mi 
foetidii, espécie d(» ninn.i,'n. 
laca. Do mal. bãcJioi 

achoés, 

Mu- 

nii< I if. dl- I'.ri'di.i, I hci'ir<i,ii<) ilr Malaca, 
ti, 10. 

BACIA. Xuma das suas acepçOes, 
peculiar ao Oriente, Ooncalvos Viana 
[ApoHtila») define o vocAl»ulo : «<prato 



luais nsado. 

ibciLu iiutu pv;i|Uouu |M>«li^uu. — Citupar j lõ<l<). - 



Mesto 

.. V ^, 

'{UaI iicumpaub-ula il<- 



badagAs 



76 



BAGAITA 



infinidade de sinos, bacias, tambores, 
búzios, e sestros, fes liiun tào desacostu- 
mado estrondo, que aterra tremia debaixo 
dos pés». — Fernão Pinto, Peregrinação, 
caj». Kil. 

1553. — «Mandou /lac/!n>«a«(t [almirante 
malaio] tanger todolos seus sinos, que são 
de metal ao modo de bacias grandes, e 
delles tacs, que o sou tom (juaivlo são mui- 
tos em bua frota se ouue no mar liúa le- 
guoa». — João do Barros, Dec. II, ix, 2. 

IHSO. — «Obedecem [os habitantes de 
Hainão] ao sinal, panando ou marchando 
ao som da bacia». — António F. Cardim, 
Batalhas, p. 229. 

1900. — «Em macaista chama-se á bá- 
tega bacia e ao tocar bátega bater-bacia». 
— Ta-»si-yang-ktió, I, ii, 11. 

Bada. V. abada. 

*BADAGÀS, badegás. É o antigo 
nome do povo de Bisnaga. O vocá- 
bulo ó corruçao do tam. vaãar/ar 
(canarês badaga), que literalmente 
significa aliabitanto do Norte». A 
língua badaga dos nossos escritores 
ó o telúgu. Os badagás faziam fre- 
quentes incursões no sul da índia 
6 maltratavam em especial os cris- 
tãos, 

1687. — «Agradecido o Rey Xaga Rajâ 
ao bom seruiço que lhe fizerão os Bada- 
gaz, gente sempre estimada, por ualente, 
e rebelada a.o Nayque de Madure...». — 
P. Fernão de Queiroz, Conquista de Ceylão, 
p. 41. 

1691. — «Entrarão por essa parte subi- 
tamente com poderoso, e furioso exercito 
os Badagás, gente barbara por natureza, 
fera, e cruel por costume, e por trato, e 
por exercicio da mesma vida, a qual sus- 
tentão de saltear, roubar, e matar». — P. 
A. Vieira, Xavier Dormindo, p. 299. 

1697. — «Descerão neste tempo os Ba- 
degás, gentios por seyta, soldados por 
exercicio, e por desatfeyção inimigos ca- 
pitães da Fé de (jhristo, do Sertão de Bis- 
naga sobre os (Jhristãos da Pescaria». — 
P. Francisco de Sousa, Oriente Conquistado, 
I, It, 1. 

1721. — «Acharão Bracmanes daquellas 
terras aos quaes fallou nas suas lingoas 
Tamul e Badagá o Padre André Freytas». 
— Fernão de Brito, Hist, do Ven. João de 
Brito, p. 34. 

1514. — «Ego ad Comorinum Promonto- 
rium contendo, eòque naviculas deduco xx 
cibariis onustas, ut miseris illis subveniam 
Neophytis, qui Badagarum acerrimo- 
rum Christiani uominis hostium terrore 
perculsi, reliclis vicis, in desertas insulas 
se abdideruut». — S. Francisco Xavier, 
Lib. I, epist. 6. 

«Profectus itinere terrestri ad Promou- 



torium, ut inviscrem míseros illoe Chris- 
tianos qui .superfiierunt latrocinio et cru- 
delitati Badegarum». — Id., epist. 18. 

l.OSy. — «Ricorsero a' piíi vjcini populi 
di Narsinga, nomati Badagi, e si lamen- 
tarano con loro dclie ingiurie riceuute da' 
Portoghesi». — P. .Maffei, Le Istorie, p. 579. 

17()0. — «i'ette Villc, qui termine le 
Royaume de Travancor du côté du Sud, 
u'est pas plus à convert que le reste du 
pays lies courses des Badages, qui vicn- 
nent presque tous lea ans au Royaume de 
Madure faire le dégast dans les terres du 
Roi de Travancor». — /,-■"»•"- /'-/•/.>.,/...• 
v, p. 38. 

«BÀDÍ, m. Pequeno punhal dos 
indígenas de Java». — C. de Figuei- 
redo. Conforme o mal. bádeq, «pe- 
quena faca», a grafia correcta seria 
bdde. 

BADULAM. Domingos Vieira re- 
gista o vocábulo com o sentido de 
«arbusto de Ceylao». Parece que é 
o mesmo que o sing. bhaduvaUJ, que 
designa duas plantas — Jasminum 
sambac, Ait. (mogarim), e Gaertne- 
ria racemosa, lioxb., que em portu- 
guês se chama, conforme D. G. Dal- 
gado, Do7n Jorge. 

«BADHAMÚ, s. m. Em Botânica, 
espécie de milho miúdo, que se dá 
era Ceylão». Domingos Vieira. O ter- 
mo singalês correspondente 6 bada- 
-iringu. 

Baé. V. bai. 

*BAGA. E uma ('ml)arcaç{lo pe- 
quena do Arquipélago Malaio. Do 
mal. bãgan, «barco de passagem». 

1616. — «Acharam uma embarcação pe- 
quena, a que chamam baga, quasi ala- 
gada, e dentro nella um homem». — Diogo 
do Couto, Vida de D. Paulo, p. 94. 

* BAGAITA. A palavra deriva do 
mar. bãgcãt, que vem do persa bã- 
ghãt, e significa «horta, pomar». 

1832. — «Foros de Bagaitas (Várzeas) 
100 xerafins». — CoUecção de Bandos, i, 
p. 131. 

1843. — «Para este se encabeçar do ren- 
dimento das Bagaitas daquella Provín- 
cia, pagando desde logo no The.wuro a 
quantia de três mil e duzentos xeratíns». 
— Ibid., II, p. 17. 

1853 — «A Fazenda possue mais na 
provinda de Peruem os bens denominados 
Bagaitas, que são prédios, que sendo fo- 
reiros aos antigos dominantes, ou a senho- 



lUiiinAMO 



77 



BAG UE 



do 



província pan o 



NÇARINS. Figura a palavra 
•ias de .loflo de Barros co- 

' •! do (fuzarate. 

aros (q. v.), de 

rta. Os hufjan- 

•s amliulantes, 

cam em cereais e gado ; mas 

•m ojainismo, comendo 

>• e peixe. Podem con- 

'ues no sentiílo 

:•» que o étimo 

vocábulo, hindust. banjãrl, se 

— ' on òa/íí/, doade 






• 1" -ite iieino de Guzai 

terra, a 

tfs: hS» 

cuuiftn carne e 

' s que nSo comem 

coUoa «jue ú^ttàiit: Váti*", — Díc. IV, T, 1. 

* BAGATA (s. m.). É o homem que 
tiMii trato eoni o demónio na índia. 
' cone. bhagata; 

to, cultor». 

1701. — «Excepto a de invocarem o de- 

io de bagatas, e fciticei- 

y'or^-0/l>H^^/, Suppi., n, 

11'' 

Bagata, qne C. de Figueiredo re- 
i com at! ii' termo de gí- 

1 i.i o com o :-i„ii.ii. iido de (ibruxa- 
ria», dove ter a mesma origem. 

• BA GERI. K nome neo-árico (W/rT) 

indiano — Panicum 



i- 12 — «BagerI, 30 eandU*. — An- 
• > consta defcene- 



gnavA os «direitos de nbjflctn« miá- 

Ma- 

lOS 

prácritos), «hortaliça», e do árabe 
bãb^ «imposto». O niarata tem, neste 
sentido, bhãjtdajit, composto de bhãjl 
e do persa dast^ «mAo>. 



1771 - 
inados — l 



fi;. 



1)08 

V...- , , mel, 

— Mar(juê8 de Pombal, in 
' , ; .. liando», r, p. 10. 

I7t<u. — «A rendu (!<• Bagibabo, quer 
dizer de lenha, eatí>, d-- ]>:isto do gado, e 
ferro, etc.«. — Ihid., i, p. '1T,\ 

1837. — «O r. iid.iro do Bagibabo por 
si ou por seus doa será obrigado 

a aferir em t' iles diaS'». — Ibid., 

p 161. 

1841. — «Mas 8Ó sim os Passos (ou Por- 

ms) e as muitas alcavallas, ou direitos 

>s a qiip «•Arrcsp<tnde o nome de — 

\ 'D (■ coustituiam na reali- 

-o». — Ihid., p. 208. 

Ibi'J. "1 'am "s [direi- 

tos] das extin' Bagibabo». 

— Annats Moi mw 

1843. — oN' -isivel bem definir 

o qii' - '■ • . meudos 

do bi i (juc em 

algu.u..^ i'-'- •••"" 
p. 132. 

18Õ2. — <4 Bagibabo 
posto de multas, <1 
valas». — F. N. X.i\ .. ., 
doa Commimidades, iv, p. 2. 

• BAGO. V ' vra, sem nt-iihu- 

ma espiH'iti' uere dizer, na 

índia Portuguesa, o «gomo de jaca» 
ou, antes, «osaeopolposoqueenvolve 
o caroíM)». Tambôm Oste se diz sim- 
plesmente «castanha". 

mT;{ — ..A fnitri ■ 



. — Ibid., 



_ H. 



«vom- 
ica- 

rico 



niii svco 



CUBI 





io.% 




1 . da 


II, 1» 


I4S. 


^ tente 


« dura, 


. tuteiroa • 


podem 



isao, de 
que se 
Ju»ó K. 



• BAGUC. bagueação Kstas pala- 



vras 0«<' 
contra- 1 
<io coii 

(luf se j 



> da inglesa u d 

. BAGIBABO 1 termo adiiaDoiro 
da índia Portuguesa, o qual deti- | euviudu pui«t Poi U^ 



"< em um 
m (íon. 



:<sa. Os 

■ i.om 

.. ó 

j LhrO' 



nAIIADUK 



78 



li AH AR 



iii.^Ki tic- ./ Í.N.XM//7/. vol. II. Nt'ste sen- 
tido Ó actuulmento corrente na índia 
o termo mistigiiidade., derivado do 
antigo portuguôs mltttu-o, na acepçflo 
de «misto». liens de mistigiddade 
silo os que pertencem em comum a 
dois ou mais proprietários ou herdei- 
ros. 

Bague ó do cone. hhãg (stâusc. 
hhãga) que quere dizer «participação 
na propriedade ou no negócio co- 
mum». Bagueação ó a «distribuição 
pelos interessados do que ó comum». 

1G04. — «19 a. cjuc visto a companhia 
uilo tirar á cidade de Macáo os deus ter- 
ços da carga das barcas qne fossem a Ti- 
mor a saccar sândalo, que era o que se ha- 
via de repartir por bagueação entre os 
pobres, ficaria na escolha da cidade de 
Macáo o largarem á companhiíf o sândalo 
dos ditos dous terços pelo preço que na 
chegada corresse em Macáo, para ficar 
todo estancado na mào da companhia ; pois 
não era em prejuizo dos moradores ; ou 
a companhia se obrigaria a levar dos. ditos 
moradores o seu dinlieiro, repartido na 
forma da bagueação a responder para 
Timor com o jiremio do risco, por que até 
agora o costumavão dar . . . 

«20.* que querendo os moradores de 
Macáo entrar nesta companhia, o poderão 
fazer no tempo limitado nestas condições, 
e os que tiverem porção nesta companhia, 
nào entrarão nos dous terços da baguea- 
ção das viagens para Timor, que ficarão 
para os pobres ; e entrando no bague por 
si, ou com nome alheio, perderião a porção 
que no dito bague metessem, ametade 
para quem denunciasse, e a metade para 
a fazenda da companhia». — O Chronista 
de Tissuary, n, p. 126. 

1852. — Bago. — Parceria, sociedade». 
— F. N. Xavier, Bosquejo Histórico das 
Communidadts, iv, p. 2, 

«BAGUIÁ (sing, hãgiyã). Partidá- 
rio, fautor, em Ceilão. 

1685. — «Bágueás são como entre nós 
os partidários, que o Rei de ordinário man- 
dava que viessem ás nossas terras a matar 
algum Portugutíz que achassem na sua al- 
deia, ou soldado que hia, e vinha dos ar- 
raiaes ; e os religiosos, que estavão admi- 
nistrando os sacramentos á christandade 
que havia nas suas terras, e muitos perde- 
rão a vida neste ministério». — João Ri- 
beiro, Fatalidade Histórica, ii, cap. 19. 

BAHADUR, hhádur, bádur. É o 
título que alguns reis muçulmanos 
da índia tomavam para si e também 
conferiam a seus súbditos conspícuos, 



com o sentido de «herói, valentes. 
É do hindustani-persa bahãdur, de 
origem mongólica. Os nossos escri- 
tores menciouam-no em especial com 
relação a um soberano de Caml)aia. 
Ilá na índia inglesa uma ordem mi- 
litar para os indígenas com o título 
de hahidur. V. Glossário Anglo- 
- Indian o. 

1345. — «Tendo-lhe chegado a noticia, 
que Almalek Maçaud o visitara na sua pri- 
são antes da sua morte, o matou também, 
assim como a Almalek- Bahadar, que era 
hum dos valorosos, honrados e e-xcellen- 
tes». — Bcu-Batuta, Viagens, ii, p. 322. 

1554r. — «Embaixador d'elRey bador, 
Rey de Cainbaya». — Simão Botelho, Tom- 
bo, p. 134. 

1556. — «Reinando em Cambaia Sultão 
Badur, rei muito poderoso e rico...». — 
Lopo de Sousa Coutinho, Hist, do Cerco de 
Diu, p. 19. 

15G3. — «Eu conheci o irmão dclrey 
Dely, na corte de Sultão Bhadur, rey de 
Cambaya». — Garcia da Orta, CoU. x. 

1589 : 

uCambaya, Keyno grande e populoso, 
Nas partes d'Oriente situado, 
Em riquezas e em armas poderoso, 
Foy de Sultão Baadur senhoreado». 

Francisco de Andrada, O Primeiro 
Cerco de Diu, l, 7. 

1850. — «A investidura de Rajá Baha- 
dar consistia em conceder, poi um For- 
mão Imperial, sendo da 1.* ordem, alem do 
JSicco (sello) o uzo de Estandarte de Pião». 
— F. N. Xavier, CoUecção de Bandos, apên- 
dice II, p. 64. 

1905. — «O titulo de Raja Bahadar 
com a sua investidura foi concedido ao go- 
vernador e capitão geral deste Estado, 
Francisco da Cunha e Menezes, por Grão 
Mogol, Xá Alama, por seu formão de 10 de 
outubro de 1791». — Ernesto Fernandes, 
índia Portiigueza, p. 157. 

BAHAR, baar, bar. Peso indiano, 
generalizado pelos árabes, o qual 
varia, conforme as regiões, e as mer- 
cadorias (vid. picota), de 141 a 330 
quilogramas. Do cir. bahãr, que pro- 
vêm do neo-árico bhãr, sansc. bhãra *. 
V. a erudita nota preliminar de Fél- 
ner nos Subsidias, pp. vi-vii. 

1054. — «De todo o metal quer seja 
ouro e prata da,rá de cada bhar, que im- 
porta trinta e quatro 7nâos e meia e algu- 



1 Em sânscrito: 1 bhãra = 2:000 palas 
de ouro, 1 pala ^^ 4 karxas, 1 karxa=18 
mãxas, 1 mãxa 
grãos. 



10 yunjas, 1 gunja = 1 -| 



BAHAU 



70 



HAÍ 



..tA tuvtt», nm qnjirto He mSo*. — Plaea de 

.•Seaeromc- 

ro 

'.XI". — ii'H' irij cir I uix'c «Kt itiiiiiilf 

-v.:.> »;..! u.;.i..,i.. ......to 

:l- I 

,.. >. -^ . , ..rt> 

ly. 

Kinte lhe deu licença 

i»e» de caiiella, aiic elle 

( 'Mcbiniu. — Tome Lopes, 

- que pêra o bár de 

- c trinta arráteis dn 

1 lanciaco de Almeida, 

1 LeiuLu, 1. p líUl. 

1512 — "A -i'v!;! dofl chia» vali afaçola 

t' nuimzc curza- 

a, lie h(i bahar 

— A. de Albuquer- 



faes». — Duarte Bar- 

;imbos pazes entre sy 

.,..»• o Achem desse logo 

!)ares de ouro que fazem 

ínf,-nu,< ii.ii cruzados». 

ip. 13. 
lia despeza 
^>ahares <le 
'" qiiiiitaes". 
III, cap. 04. 

bnni qno fie lenhorCapI- ' 
■ n páreas dos di- | 
'Mires do cairo de 
baap-. — Archivo Port.- 

(■_»'; 

" • i-S 



.'{. — «El Rey do Parem lhe daria a 
• bahar <h- qua- 
.Joà<» de Barros, 
11, 

I > bar (que s&o quatro qutn« 
— Guicta d'Orta, Coll. xi.ix. — «O 
u> pcrV> do Boitccutofl arráteis*. — 
II. 

>. — «Faz cada bahar três (|uiutae0, 

r I..U .. ^cxoito arrutei» uc dooso 

de Uóis, Vhron. de D. Ma- 

1677. — «Mandou premente sete baroa 
<é\t. vliif,- ,. (iiuto* quiiitacs». 

■ '\ 
,,»,, ...:m.,I,,ii t.nra 



T602. - «O bar 
lintiies c m<'i<>> 
k. IV, III, 1. 



lip de cinco 

ild Couto. 



«Avia nnti(ramentc homens tSo ricos, 
'I ' ivâo por barea de j)a^od««, 

■ (|uintaes o bar». — hl., 
l><i-. V ili. 1. .<!. 

1609. — «Cem bares <lo marfim, que 
tem cada um rlt-zaseis arrobas».— Fr. Joio 
do.s Santos, Ethiopia Oriental, i, p. 308. 

IG13. — «... dando hum pano azul de 
(\'íiiil)aya que valia hinn cruzado por hum 
bar de cravo que tinha quatro quin- 
taesu. — Francisco de Andrada, i^hron. de 
I). João II í, I, fl. 27. 

16.')2. — «Vinlianos de Madure o Salitre 
trazido por particulares a duas patacas o 
bar, que sSo dezaseis arrobasu. — p. A. 
Vieira, Arte de Furtar, p 39. 

1687. — «K nos dentes não se igualSo 
com 05 [elefantes] africanos ; em que jA 
se achou dente de meyo bar. que são dous 
quintaesu. — P. Fernão de Queiroz, Con- 
qiiista dl' ('ei/lào. \). 0(5. 

1697. — «Cada bar ordinário passa de 
cinco (juiutaes dos nos.sos, deduzida a pa- 
lavra de liaros, vocábulo Grego, que signi- 
fica carga (!)». — 1* Francisco de Sousa, 
Oriente Conquistaò^, I, ui, 1. 

1883. — «Bar ou bahar é um peso 
oriental: p<ide ter lõO kilos ou apenas 6, 
ou ainda menos ; 50U bares de pimenta 
são 2:000 (juintacs, diz um chronista; o 
bar de ouro, diz Fernão Meodes. vale 
40Í000 reis». — Gabriel Pereira, Boi. S. 
G. L., IV, p. 288. 

1578. — «... y la [cânfora] de la China 
se vende por Bares (que tiene el Bar a 
ciTca de sey.scieiíta» libras)». — Cristóvão 
da Costa, 'Jracíafh», p 250. 

1580. — «I quali Bar, si grandi, come 
piccoli sono frassole 20, & ogni fra.<»sola è 
man { = mâo) dii-ci, chc sariano rnani 200 
il Bar... l'i sono Bari di moiti pesi e 
con moita difterenza». — G. Baibi, Vioggio, 
fl 51. 

1.^)87. — «In queir isola Zeilan si vende 

ni.. Rnr> ,1.11 1 .,11 fínii cancila, che sono 

ic, a sei e sette para- 

h .. ' reali I'uno». — F. Sas- 

setti, /.títere, .Í^B. 

l.'.hD „I..- Rhnrn <1i- Tulvr.- se vend 

II con- 
t! , . lie Por- 

tugal». — Linschotcn, Uittoirt^ ItiO. 

6AÍ. Do mesmo modo quo babá 
|)ura o menino, bui ò o tratamento 
(I<< carinho na índia rortU};uef(a para 

' < da 

; OU 

/ r ó voeativd da UM-snia pa- 

1 .il.i8 o tratametiti. n .o .• jm'cu- 

liar tis cristfts, com" «.• Blu- 

tivtu, <* r»'p«'t»'m «' * ' )g; 

corrrsjudiil'' :io h . He 
ou ao ingl. mi9êf com a lUivreuvA tio 



BAILADEIRA 



80 



BAILADEIRA 



que se dá tumhôin às imillicres ca- 
sadas novas. 

1727. — «Baê, com hum acento. Ile o 
nome, que se dá na índia ás mulheres dos 
Canaring Christãos, e por elle se distin- 
guem das Gentias». —Bluteau, Supple- 
mento. , 

187i. — «E um poeta apaixonado por 
alguma bahé de olhos pretos c panno 
paló ou biijúo. — Tomás Ribeiro, Jorna- 
das, II, p. 93 

«Seriam d'esta aldeia, bahy, um gentio 
e uma gentia que ha três dias foram mor- 
tos pelas feras alem no valle dos cajuei- 
ros V». — Id., p. 281. 

EAICURÍ. Enfeito iju.- a» iuulliores 
hindus trazem nos cotovelos. Do 
cone. bãykhuri, quo no plural ó bày- 
kliuvyô. 

1874. — «Em volta do cotovelo baicu- 
rÓ8 ou vonças de ouro pulido». — Tomás 
Ribeiro, Jornadas, ii, p. 104. 

BAILADEIRA (balhadeira, p. us.). 

E a mulher que na índia dança por 
profissão. Vive geralmente ao pé do 
pagode o exerce a prostituição. O 
célebre chinês Iliuon Thsang, pere- 
grino budista do século vii, faz men- 
çflo de bailadeiras que cantavam 
constantemente num pagode de Mul- 
tane. Os franceses e os ingleses trans- 
formaram bailadeira em bayadere, 
que alguns portugueses empregam 
por nrto conhecerem na língua ver- 
nácula termo equivalente ! Em indo- 
-inglGs usa-se mais dancing-girl, ou 
nautch-girl, que também significa o 
mesmo. Em concani chamam-lhe ka- 
lãvant owkalvant, «artista». V. Gon- 
çalves Viana, Palestras. 

1525. — «Quando quer que vera a festa 
de quoalquer destes pagodes trazem luís 
carros triuufaes que amdão sobre suas ro- 
das, onde amdão bailhadeyras t outras 
niolheres com tamgeres ao i)agode, o ydol- 
lo». — Chronica de Bisnaga, p. 100. 

1526. — aOs liayladores e Bayladei- 
ras que vierem festejar á Aldôa, hirão 
primeiro festejar a casa do principal Gan- 
car». — Foral de D. João III, in Archivo, 
v, p. 132. 

1561. — «Tangendo bacias e sestros se- 
gundo seus costumes, e diante bailadei- 
ras, e chocarreiros». — «Vinhào ao ter- 
reiro muytas molheres bailadeiras, com 
seus tangeres, que a ysso ganhão sua vida». 
— Gaspar Correia, Lendas, ii, pp. 77 e 363. 
.1577. — «As balhadeiras, em que 



está toda a felicidade dus iníieis destas 
partes são libertas de tudas as tyranias e 
vitupérios acima ditos; são molheres pu- 
blicas que por dinheiro se não nogão a nin- 
guém, as quaes audào bem ataviadas e 
acompanhadas; chamào lhe balhadei- 
ras, por que balhão, cantão, tangem, volv 
teão, muito bem ao seu modo». — Primor e 
Honra, fl. 9. 

1585. — «Nem haverá nos ditos caza- 
mentos bailadeiras, autos de Pagodes, 
cantigas suas, e couzas semelhantes», — 
Terceiro Concilio de Goa, iu Archivo, iv, 
p. 139. 

1603. — «No segundo sobrado hiâo mui- 
tas molheres, das que chamão bailadei- 
ras dos Pagodes, que todas são publicas, 
deshonestas, e ganhão com suas torpezas 
pêra o Pagode, as quaes hião dansando e 
cantando, e bailando». — ¥r. António de 
Gouveia, Jornada do Arcebispo, fl. 39. 

1613. — «E nesta [procissão] que aqui 
estivemos sahio a procissão com muitas e 
grandes luminárias diante atravessadas 
em táboas ; nào poucas bailadeiras (que 
os Pagodes para este eftcito sustentão) e 
vários tangeres». — P. Manuel liarradas, 
Hist. Tragico-mar itima, u, p. 107. 

1697. — «Bayladeiras se chamão na 
índia as mulheres publicas, que habitâo 
nos pagodes ; por que todas baylão, e can- 
tão. .. Recolhiàose também neste pagode 
as viuvai?, que se não atrevião a queymar 
vivas com os maridos como costumam al- 
guns destes bárbaros». — P. Francisco de 
íáousa, Oriente Conquistado, II, i, 1. 

1709. — «Para poderem celebrar os seus 
casamentos com assistência dos seus Bot- 
tos e balhadeiras, mas a portas fecha- 
das, e í^em assistência dos Chri.stãos». — 
Carta régia, in Archivo, Suppl. ii, p. 217. 

1729. — «Me pareceo ordenarvos expul- 
seis logo da Ilha de Santo Estevão a estas 
balhadeiras, e faoaes observar a ley de 
20 de Outubro de 1700». — Carta régia, 
ibid., p. 312. 

1825. — «As bailadeiras são dança- 
rinas da segunda ordem ; recebem egual 
educação; mas não ficam sendo propria- 
dade dos pagodes» [como as devadassis, 
q. V.]. — José Inácio de Andrade, Cartas, 
r, p. 48. 

1850. — «Bailadeiras. Dançarinas 
dos Pagodes ; mulheres publicas». — F. N. 
Xavier, O Gabinete Litterario, iv, p. 219. 

1866. — «A baiadeira dança na praça 
publica, canta no pagode, e prostitue-se 
em casa». — Francisco Luís Gomes, Os Bra- 
hamanes, p. 184, 

1877. — «As bailadeiras formam na 
índia uma instituição monstruosa, anómala, 
aos olhos dos christãos. Como as sacerdo- 
tizas de Vesta, ellas alimentam no templo 
o fogo sagrado, e, como as bacchantes das 
saturnaes, são votadas aos prazeres lasci- 
vos dos seus voluptuosos senhores». — To- 
más Ribeiro, Jornadas, ii, p. 102. 



BAINHA 



^1 



BAJU 



!Kv<4 



-^ '■.■»« 

Adt'ltu Lourciru, ^>t' tJrtrntt. 






II abbeys in 

- •" whom 

: their 



re 

. I oO 



R cTt*' <! >iin*" Indiane delia 

•Ill- 
it! 



1676. — «lis n'earcnt \^va plútôt tfjucbé 

. _..... ......I .. .-..:. . •■■•-; Tautre, 

it {ilua 
"■■"•■ — x..,^, ....,, ,.y..ye4, HI, 

> 

,il ~ uj] V nvíiíf I Snriifi- iin finfrc 



MH 
1 t u- 
g.ii- . — i..>;. 1... /'/ . •■. II, |). lb. 

IT"*-' - • • - li-niinf^ par SPS 



p. lU. 

Ill*' trfuip« d»» jwnn^n 



lu- 



't. — «Le» PortiiRaiji tlf-tif^naient les 

.1.. ri...t.. 1.. f.. '......; I.. 



rtt et avee U* 



• BAINHA, banha. É o nome de 
alto funcioitário de estado em 
tá e IVgu. Do hirmaiiA» ba-yin, 
pnlavrn tem duas li<;<>e8 nos 

)S808 escritures. V. clw 

1546. — «Era Capttio hum 

' Rey por uomc Mooipi>ca8»vr, Balnhaa 



da Cidade de Mf leytav no R^vtía do Gha- 
leu... Estava • ' '"lo, 

com apparato I. ly- 

tos si'iiliort'S, rjiiinzo 

Bainhaas, < s, e oa- 

yores, o 
o Finto, 

16IG. -- «Veiidobu o pescador tSo pros- 
pero e obedecido, tomou o titulo de Ba- 
nha, que quer dizer Goueruador». — Diogo 
do Cnuto. 

ItilT. — «Ahi fem Pegu] ficarão seia 
Banhas (que s&o os senhores Titulares 
lias partes)». — Conquitta de Ptgu, 
I II. 
«Ao Banha Dala (que era maior se- 
nhor de 1'egu)». — Ibid., cap. iv. 

«Em brovos dias vierâo : cia 

quinze Bainhas, os quae^ -áe- 

mos) são senhores litulareb». — Ibid.^ 
cap. xii. 

163.'>. — nSahiu o Banha com muitos 

carros de fogo, c seiscentos rodelieiros pe- 

lue trazia, para abrasarem a tran- 

.1 e a egreja». — António Bocarro, 

Dt.c. XIII, p. I2y. 

1883. — «Vinha para fazer as pazes en- 

f • Banha, regulo de 

) ntc haviam che- 

- i>iiiiião Pato, 1'ortugue- 

2H-1 

!.'-->.. tece chiamar a se i suoi 

Bagnià & i Sanini ai Decagini suo, che 

■ ..,.,,.. veniuano, cosi ad uno gli facessero 

r in prigione». — Q. Balbi, Viaggio, 

«Dopo andorno i Bagiá ('tV), che sono 
quegli che noi diciumo Duchi». — /d,, 
á.119. 

1f>75 — nAl BaAa, que pidia premio 
ada en la Fortaleza, 
os». — Farin y Sousa, 
A»iu l't>i(iígu'iiu, lii, p. 238. 

• BAINHEIRO. K uraa a.>..., da 

familia das nnacardiácfaa — Odina, 

' .b. U I!' lA» 

urigem . se 

ter usado ita índia a madeira desta 

árvore para baiuiias. 

BAJU. O voeál)ulo pertence ao 
'•'•xico do português foutinentol. O 
Sr. Cândido de 1': -•; •• -|o regista-o 
como tormo de M com o sen- 

'' ' ■ fite 

I iraneo diz que <se chama 

■ """iiicia <lo Minho, áa 

I s pelas mulheres». 

• o 

do 

Minho era mui usado o bajú, roupa 



IJAJU 



R'_> 



hA.W 



ciirta quo vestiTio as mulheres, e lho 
chegava ató á cintura com pequenas 
abas. Hoje lhe chamão rotipinJiasv. 
Fr. JoUo de Sousa deriva baju do 
árabe badjú e define -o «certa espécie 
do roupão de que as inulheres muito 
usavao, e de que algumas ainda 
usâo nas nossas Províncias, aondo 
lhe da,o este nome»; e abona-o com 
Damiilo do Góis : «El Roy do Cali- 
cut estava vestido cora um BaJu 
branco do seda e ouro, sentado em 
um Cateh). Morais, que lhe attribui 
a mesma origem, diz que é «vestido, 
que cobro o corpo, de mangas cur- 
tas e fralda até o joelho : na Asia 
trazem-no homens e mulheres ; no 
Brazil só estas, e algumas aí lhe 
chamam bajór). Vieira regista ambas 
as formas, bajó e bajú, abona-as com 
Castanheda *, e observa que o termo 
é «usado" nos Cantos populares do 
Archipefago Açoriano». Bluteau tem 
baju por «palavra da índia», e dá- 
Ihe o significado de «camisa de meio 
corpo de Escumilha, ou Beatilha, de 
que usão as Senhoras». 

Os autores„da Chronica de Bisnaga 
(1035) escrevem bajuri e notam «que 
são como camisas e a fralda». No 
português de Goa emprega-se o ter- 
mo especialmente na frase pano-baju, 
designativa de certa espécie do trajo 
feminino, em distinção áQ pano-paló, 
outro tnijo puramente indígena'. 

Os dicionários de árabe e de persa 
que consultei não registam badju ou 
bazu com o significado de «roupão, 
jaqueta», ou cousa parecida. O Pa- 



1 «Tinha [el-rei de Ceilão] vestido um 
bajo [nào bajó] de seda, que he hua ves- 
tidura de feição de jaqueta çarrada». — 
«Elles [os reis das ilhas de Maluco] ... se 
vestem ao modo Malayo e os bajus são de 
seda rica com botões douro». 

2 nNos trajos das mulheres christàs de 
Damão e Diu se eucoutra a palavra, e até 
em Goa, com a forma de sarass, designan- 
do, salvo o erro, o pano-baju das brámines 
ealsetanas christãs». — Alberto de Castro, 
Flores de Coral, p. 192. — Em Macau diz-se 
«saia e báju» : «Baju. — Casaco de forma 
especial que usavam antigamente as mu- 
lheres de Macau e ainda hoje usam as da 
classe baixa». — Ta-ssi-yang-kuó, de De- 
zembro de 1899. 



dre Favre diz que em persa 6 (.^bazu 
nom d'un vétomont pour se bagnei- 
et qui s'attache à la ceinture». H. 
N. van d>)r Tuuk opina que o persa 
bãju, «braço» (sânsc. bãhu) ó o éti- 
mo do vocábulo malaio, por isso que 
originariamente bãJú não ora outra 
cousa senão een kleedimjstuk met 
armen, «uma peça -'^ '""tido com 
braços», mangas ! 

Yulo & Burnell tem por certo 
quo o étimo do ingl. badjo ou bajoo, 
«jaqueta malaia», 6 o mal. bãju^ e 
os autores que citam parece que o 
confirmam plenamente *. O termo en- 
contra-se nos principais idiomas da 
Malásia, como javanês, bataque, 
daiaque, macaçarCs e búgui. 

É, portanto, daquela região que 
08 portugueses introduziram o trajo 
e o nome na índia e os trouxeram 
para a Europa. 

1515. — «Vos mãdo que des a estes oyto 
jaós carpinteiros dei Rey noso senhor a 
cada huu duas camisas e dous pares de ce- 
roulas dos panos das ilhas a cada huu seu 
baju hamarello«. — Afonso de Albuquer- 
que, Cartas, vi, p. 229. 

1551. — «Estes reys de Malabar... ás 
vezes se vestem de huus roupas curtas que 
chamão bájus de seda ou brocado». — 
Castanheda, Historia, i, cap. 14. 

1557. — «Os homens deste Keyno [de 
Menambaco era Samatra] são muito bem 
dispostos, e alvos, andam sempre bem tra- 
tados, vestidos em seus bajus de seda-. — 
Commentarios, m, cap. 37. 

1613. — «E o corpo de boa estatura, 
cuberto de baju fino ou camisa curta do 
cassa, e cingido por la cinta com pano de 
Choromandel, com volta que descobre a 
perna direita». — Manuel G. de Erédia, 
Declaraçam de Malaca, fl. 20. 

1616. — «As mulheres |em Goa] ficam 
com as suas roupinhas ou bajús, mais ra- 
ras e finas que o mais delicado crepe de 
câ». — Pyrard de Lavai, Viagem, ii, p. 96. 

1619. — «Não sabendo dar hum passo 
sem palanquins, bajús, catanas, bois, la- 
rins, e hazarucos ; e outras palavras, que 
deixão em jejum o entendimento doa ou- 



' «Over this they wear the ladjoo, 

which resembles a morning gown, open at 

the neck, but fastened close at the wrist^ 

and halfway up the arm». Marsden. 

«They wear above it a short-sleevec 

j jacket, the baju, beautifully made, ani 

I often very tastefully decorated in finfl 

j needlework» — Bird. 



BALAGATE 



83 



BALAGATEIRO 



pnr i«5<o 03 sent ficarem melhor 
' Itodrigues LÔ- 



■tu". - Juãu 
t, cap. 16. 
va 

ijâ- 
11- 

<i<- pan(>-ba|ú 

11, — w rWT'i'.a e quintal), 

diZlT o UlO.NUlO». — F. N. 

"'''• Littmirio, i, p. 1^1 
de festa trazem 

li ml nil Ulli;i tira 

\ is nif- 

III bajú 

pauno, o (juai vi stnn i*fiiij>rt.' com a 

I i>ara f<»ra». — Jos«' Vaqiiiuiias, 

L-, IV, p. 478. 

.<E~tnti« :\ In mai«on cHes [aa 

-te 

ise 

t Baiu 

!e reate 

•a deux 

v*. p. G3. 

-et 

tia- 

•, O'H- D""''!!!?! de 

lU Beaulieu, Mi- 



«leiro, nioiito». V. Garcia da Orta, 
Coll. X. 

ir)_x> —«('a Ba- 

lagatcs, Bal<' '. '"u- 

uiilliasu. — Fr. NivoUu do Ulivcira, G'ran- 
dtrotr de Lishoa, fl 13 

1667. — -.. 
e outros, podr^ 
tsi-yang hnK dr i'c\ 



1727. — Baiagate 
gate Zagari, são 1 
biancoí e azuis, n 



<• baiagate 

-« — In Ta- 

r.. .!.• lyoo. 

Zalinn, e Bala- 
is da India 
iros, que se 
' Tia Costa 



...tra- 
- e cin- 

Í. VIII. 



«... et les déponillerent de 

.1.. „.,/....>♦ ..r. i.,;^^..,.f r,m hom- 

:. ct aux 

.>«t line 



tiee ÍJi("lã<' fil.l 



:■,< B.i'.ljiis 



J,,,.. _ 

nunt Atiiit^iitcimt, I, cap. t. 

BÂLA6ATE. BALAGATINUO. 1'' 

tean «11/ qn-' iKilit'inte €lie o IK- 
(!<• u!ii:: ' castas, i 

11. r ■■. ...... ..... , ., .Ti'i, n. 

.». vocábulo 



van duzc; 
coeuta a^.. 
cap. 123. 

«BALAGATEIRO. balgateiro. E o 
nomo que se dá ao luibitante de Goa 
que comerceia com o Baiagate, que 
tica a este de Goa. Este comércio se 
fa/.ia em grande escala por meio do 
boiadas ; mas agora está muito redu- 
zido, por várias causas. 

1776. — «A roupa, e mais cousas, que 

Íiereni pelo ciininlio de 1'odrem, e Supem 
razidas pel-.s Balgateiro9, ou merca- 
dores de fóra. ' lo Torofo 
deVirnoy». — ,i, p. 21. 
1842. — <.Mer\ud":,á ;iuclaiudo os cha- 
mados balaqateiros, ou homcus que 
IS do Halagate)». — Annate 
.,j, p. 146. 
1>,>M, _ .M- ' ' - ntes, 
encarreirados de- 

balagateiroa e ou- 

ittavaiii os nej^ociautes 
i;i». — l.#«.)pes Mendes, ii 

I 1 - i jA 

.i.i , «u- 

ten- 



17 



• vaU»r. - 
do p«'r- 



iiiiniro, «»'(. 

K.l. 



cacima», o neo-árico ghãf, «destUa- 1 L., xxnt, p. 2^4. 



BALAIS 



84 



BALANÇO 



1915. _«... os brâmanes cristãos de 
Bardes negociantes de panos, conhecidos 
em Salcôte per hardescares balagatei- 
ros». - Tleraldo, de 23 de Dezembro. 

♦ BALALA, belala (mais correcto). 
É indivíduo da casta agrícola na 
índia meridional. Do tam. velalãr. 

1602. — «A coarta casta he a dos Ba- 
latas que são os lavradores. Estes são 
tão estimados, que podem os Keys casar 
com suas filhas . . e estes também jepar- 
tem em duas partes, a que chanião Va- 
langa [tamul-malaial. vakmlcail, e Elange 
[leia se elangne; tamul-malaial. idankai]: 
que quer dizer os da mão direita, e os da 
esquerda». — Diogo do Couto, Déc. V, 
VI, 4. 

1608. — «Outro Belala mestre com ex- 
traordinário feruor, veio pedir que o ensi- 
nassem». — P.Fernão Guerreiro, iíeíaçam, 
fl. 87 V. 

1687. — «He gente pobríssima [a de Ja- 
fanapatàol, e por extremo fraca, porque 
são Balalaz de diuersa casta dos Chin- 
galaz; e a origem dizem ser de Bramenes 
da terra firme, gente que nunca se deu 
bem com as armas; porque nunca as pro- 
fessarão». — P. Fernão de Queiroz, Con- 
quista de Ceylào, p. 38. 

«Não se mande pilar o arroz a Belâ- 
las, nem a gente honrada, por lhes ter 
dado grande opressão este nouo costume «. 

— Id., p. 898, 

I860. — «A Ve Hale of the first class 
would shrink from the communication with 
a Veil ale of a lower order, with as much 
sensitiveness as he would avoid contact 
with a washer or a Chalia». — Emerson 
Tenuent, Ceylon, ii, p. 158. 

BALAIS, balax. É o nome antigo 
duma espécie de rubi ou, antes, 
de espinela côr de rosa. O termo é 
asiático, como indicam vários escri- 
tores, corrução, conforme Yule, «de 
Balakhslã, forma popular de Bada- 
klisln, pois que estes rubis vinham 
das célebres ntinas situadas no Oxo 
snperior, em um dos distritos sujei- 
tos a Badakhshan». V. Glossário 
Anglo indiano . 

1.516. — «Os Balaches são outra es- 
pécie de Rubis mas não tão duros ; a sua 
côr he rosada, e alguns quasi brancos nas- 
cem em Balassia (que lie hum Reyno da 
terra firme, além de Pegu e de Bengala)». 

— Duarte Barbosa, Livro (2.* ed.), p. 378. 
1552. — «Nace também nesta ilha (de 

Ceilão] muyta pedraria, assi como rubis 
muyto finos, vermelhos e brancos, balais, 
jacintos, çafiras». — Castanheda, Historia, 
II, cap. 22. 

1566. — «Ha muita pedraria s. rubins, 



balais, jacintos, çafiras». — Damião de 
Góis, Chronica do D. Manuel, ii, cap. 11. 

1563. — «Ha outra espécie que chamam 
baiax, que he algum tanto roxa, este 
he de menos preço». — Garcia da Orta, 
Col. xLiv. — «Barbosa também as [cores] 
di.stingue, dando sobre a sua procedência 
algumas noticias interessantes, indicando 
a origem do nome balax ou haluss». — 
Conde de Ficalho. 

1763. — «Balax. Pedra preciosa, que é 
espécie de rubi, tem maior grandeza, e de 
côr de rosa». — José Monteiro de Carvalho, 
citado na Revista Lusitana, viu, p. 297. 

1298. — «Quiui [em Balaxiam] si trouano 
quelle pietre pretiose, che si chiamano 
Balassi, molto belli, et di gran ualuta, 
et nascono ne' monti grandi». — Marco 
Polo, in Ramúsio, ii, fl. lU. 

1589. — «Autres sont nommez Ballax 
qui sont de moindre prix, de coulenr in- 
carnat». — Linschoten, Histoire, p. 139. 

1614. — «E frà le gioie, ve n'erano an- 
che molte che noi altri stimiamo poço, co- 
me Turchine, Ba I asei, Smeraldi». — Pie- 
tro delia Valle, Viaggio, i, p. 87. 

1616. — «lis auoient des rubis bailais, 
des émerauds, et autres pierreries à ven- 
dre». — Thomas Row, Relations, p. 16. 

1596. — «... viles pyropos, Hiacinthos, 
Spinellos, Balasios, Granates, et Robas-" 
SOS venundantes». — India Orierdalis, in, 
p. 98. 

* BALANÇAS. É uma t-^prLitj de 
caranguejo do Malaca. Do mal. ha- 
langkas. 

1613. — «E se acha hua espécie de can- 
grejo não visto no mundo, porque he can- 
grejo com rabo de comprimento de hum 
palmo chamado balances, e tem hua cu- 
berta em forma lunar onde naquelle con- 
uexo tem os olhos, e por baixo no concavo 
tem cinco pés de cangrejo, e o ventre re- 
cheado de granos de ovas de que fazem 
iguaryas». — Manuel G. de Erédia, Decla- 
raçam de Malaca, fl. 33. 

1902. — «Convém notar entre 09 crus- 
táceos o grande Limulus designado pelos 
macaistas com o nome de balancaz (do 
creoulo malaio-portuguez hlancas e do 
malaio blangkas)y>. — Ta-ssi-yang-kuó, II, 
m, 3. 

BALANÇO. Embarcação malaia de 
dois mastros. Provavelmente do mal. 
balang, que normalmente devia dar 
balão, q. v. 

1552. — «Foy em hum balance que se 
rema de pangaio, e por isso não levam 
mais que hum soo remeiro». — Castanheda, 
Historia, v, cap. 35. 

1602. — «Metendose cada hum em seu 
balanço, com dez ou doze homens cada 
hum, tomarão o remo em punho, e forão 



balAo 



85 



uai.au 



f>aMar 
>ar(i«£ 
> CoaM^ Dec Iv, n, 



BALÃO 



/-: 



O de remos, <le í)aso monòxila, íre- 
,^ : ■ ♦ " -rite mencionada pelos nos- 

à 



•res com rela<,"i\o à índia e 



liamoDto o vocábulo, que empregam 
em toda a zona da sua intensa in- 
floí^ncia, e que aparece em diversas 
li: ■ • • ■ • 

a . 

rmédio. 

O conci.... . >-, ,...w..i.. i. .IX .... 
fyãnv, que Yule sup^ere por ótimo, 

^. - . . "• 

origem na Jnjiuènda, mas (jue agora 

•aspeito imj)ortado) ; o bengali, baii- 

lia (usado principalmente em Chati- 

g.' ' ' ' ' /. cujo signifi- 

r ao do balão; 

'O. Acho muito provável 

.. o .V i\'0 de baldo seja o Malabar 

o verdadeiro étimo o tamul-ma- 

Li ' t"ita do tronco 

d ti) ; e tal é o 

to fundamental da palavra. E 

♦•1 que 08 malaios recebessem 

7 directamente dos indígenas do 

B . " ' ' ' 'os 

p. .U 

d, nomes do outras embarca- 
Esteudea-se depois o termo a 



taiua, I 

-Jii e Sui.... 

de luxo, cujo uso nilo era per- 

• vÔ 

.1- 

versa» parles 

, :; de modestos 

< )S, ás vezos com acres- 

^ <lo ambos os 

iro, rotim on 



(em Malaca). — Gaspar Correia, Lendas, 

III. p. ('21. 

:\ cinco lanch ze 

,5, .1) buscar». — !'• . lo, 

. («a«'ã<>. cap. 15. 

>_'. — «Ií»!VOU quantas manrhuaa e 

balões avia cm M nio 

boas almadiasu. — i ia, 

Vil, cap. í>i<. 

I 155;i. — «Mas ainda com balões que 

(rarosestei- 
cidadc*. — 

.Pm;;. il.' I. 11. IX. O. 

I 1570.— Simão Sodré com outo 

' balões (4"i >•> ' ii'is barcos leues)». — 
Jd., Dóc. IV, IX, 12. 

' '•^" nO baífiO que no tt----^ '■>if a 
andava arrendada. '"B 

• trazer da puuta . ar 

Iro, mando que o : «r 

.. ^ ,.trio". — ProvUão do ^ . -..>r, 

I in Archivo, v, p. 11G9. 

1(300. — «Ilua grande quantidade de 
baloens, que sã-^ embarcaçoeus peque- 
j nas». — P. João Lucena, Historia, v, cap. 7. 
1G13. — «E pêra <> serviço de pescbarya 
e trattode r>osus'ri dn bailees e namban- 
gues, com rem" - de mão a força 

de braço:^. nnii' _ roa com armonia 

de vó:' io".. — Manuel G. de Eré- 

dia. / de Malaca, fl. 26. 

161G. — u Encarregou a João Pereira, 
que com alguns batt'-is pavezados, man- 
cliua^, e balões com que deo bua madru- 

ffada naquellas maquhias e com muito ua- 
or, e trabalbo de todos queimaram tudo». 
— Diogo do Couto, Déc. IX, cap. 27. 

«Neat« tempo da terra para a Annada 
BalAea, Cal'luxe» crncar vimoti. 

Meneses, Malaca Cxtnquiátada, m, M. 

1635.— »C\ X, se me- 

teu n'um baláo — An- 

tónio Hocarro, 1).:, AlH, p, KA», 

1635. — «Desembarcando os que esta- 
vam na na- ' * « ra 
baião, c< : ti- 

* ■>>. — Jii>,c (!!• t ;ioifir;i, jii»i iiuijiCO- 

ma, X, p. 38. 

7 ^;- I- — v"^ *' ' ■ ""(a 

•, 

., d- 

< • do Sousa, Oriente 

' ''õeS| i-'tto he, 



barg;i 

IT 
bem 1' 

andores, e baiu< 
do vicp-rei, ill 

1,S62. — «O 1 
tafic". porem -^ 



I'.i.. 

ijalões, • 

pelo no ver u que achavio» j disp 



BALCHAO 



86 



BAMBU 



casa, e governada por uma espécie de es- 
parella. Porque lhe chamam balão não sei 
eu, nem ninguém m'o soube dizer». — lu 
Ta-sai-yang-íxiió, de Otitubro dn 181)0. 

1582. — «Dopo mczo giorno ci trouammo 
sul porta di Cochi done ne vennero apresso 
alcune barche da loro dctte balloni, le- 
quali sono fatte di [)ozzo di legno intiero». 
— G. Balbi, Viaygio, fi. 74. 

1673. — «The President commanded his 
own Ba loon (a liarge of State of Two 
and Twenty Oars) to attend me». — Fryer, 
East India, i, p. 182. 

1860. — «The ballams are usually 
hollowed out of the trunk of the Angdy or 
Angelica tree... These canoes are gene- 
rally brought from the coast of India, 
chiefly from Mangalore and Calicut». — 
Emor.son Tenncut, Ceylon, ii, p. 549. 

Balon. Bateau de plaisance de Surate, 
três élevó et à forme arrondie. Cest aussi 
le nom que Ton donne aux pirogues de 
Siam qui sont três longues et três étroi- 
tes». — La Grande Encyclopedic. 

#BALATE. — O vocábulo provêm 
do m.il. htílati, que quere dizer «es- 
trangeiro». Mas Barros dá-lhe o si- 
gnificado do «escravo», isto é, es- 
cravo estrangeiro. 

1563. — «E quanto aos que se chamauào 
criados d'el Rey per este vocábulo Amba- 
rages, e assi aos escrauos do mesmo Rey, 
que de Malaca, comprados por dinheiro, a 
que elles chamão Ballátes, viuerião de- 
baixo da obrigação de serviço, e liberdade 
que tinhão em poder delle». — João de 
Barros, Déc. III, i, 9. 

* BALCHÃO. E termo do indo-por- 
tuguês, derivado do mal. nhalãchan, 
o qual passou ao indo-inglês sob as 
formas de halachong e blachong. 
Designa um acepipe, composto de 
camarão picado e fermentado, de 
bilimbins; ou âmbares (qq. vv.), e de 
especiarias picantes. Marsden cha- 
ma- lho «espécie de caviar», e Craw- 
furd identilica-o com o r/arum ro- 
mano. V. Glossário Anglo-indiano. 
Por balckão também se entende a 
própria conserva de camarão. 

1873. — «Além d'isso servem [os bilim- 
binsj para a preparação de acepipes (bal- 
chão) apetitosos». — Bernardo da Costa, 
Manual do Agricíãtor, ii. p. 216. 

1896. — «Balchão de bilimbins, mas 
com moderação, disse o doutor com cm- 
phase». — Gip, Jacob e Dulce, p. 110. 

1900 — «O ballchâo de Macau ó muito 
empregado como ten>pero para certos gui- 
sados ou acepipes. E uma massa ou an- 
tes molho composto de camarões muito 



pequenos, pisados e misturados com sal, 
aguardente, pimenta, malagueta, etc., e 
conservado crú. Quando se emprega nos 
guisados é que se frege uma pequena por- 
ção, que se mistura com o refogado, etc. 
Is'a India usa-se d'osse baixâo para pre- 
parar o balxão de mangas, o de bilimbis, de 
tomatc-o. — Ta-88i-yang-kuô, de Fevereiro. 

BALE. Este termo ocorre no Ro- 
teiro de Vasco da Gama ])or «go- 
vernador» . — E do malaial. bãli<^{xv. 
vali. 

1498. — «E mandou [o rei de Calecut] 
hum homem que se chama Bale, o qual 
he como alquaide». — lioteiro, p. 54. 

1886. — «It stands properly for a go- 
vernor of the highest class in the Turkish 
system, superior to a Pasha. Thus, to 
the common people of Egypt, the Khedive 
is still a Wrdi». — Glossary. 

BALI. V. páli. 

6ALÓ. E registado o vocábulo em 
um dicionário com o significado de 
«árvore da índia Portuguesa». E o 
nome concani (bãló^ ou bãvó) de «ca- 
nafístula», q. v. 

1563. — «O arvore delia chamão nesta 
terra canarim bahó». — Garcia da Orta, 
Col. XIV. 

BAMBU^ (às vezes bambum, bam- 
buns, na índia). E o nome de várias 
espécies de Dambusa : Bambusa vul- 
garis ^ Schrad. ; B. arundinacea , 
Willd.; B. stricta, Eoxb.; B. arundo, 
Dalz. & Gibs. — Bambu macho é o 
bambu maciço, sem furo no meio; 
usa-se também como sinónimo de 
bambu espinhoso de que se fazem 
varais de macliilas e palanquins. 
Bambu ó igualmente uma medida 
linear, equivalente a 18 palmos ou 
9 mãos (q. v.) na índia, por se em- 
pregar comummente o bambu para a 
medição. Com relação à China, os 
nossos escritores por bambu enten- 
dem também o «açoite de bambu». 
Os primeiros portugueses, no começo 
do século XVI, designaram, como 
observa o Conde de Ficalho, o bambu 
pelo nome genérico de «cana» ou 
«cana da índia». O bambu tem largo 
uso e innúmeras applicações na 
índia e particularmente no estremo 
Oriente ; depois do coqueiro, ó a 
planta do mais utilidade. O nome 



TU MTU' 



ST 



It \ M I : 



euro- 

frnii- 



itjii. — •■ 



Cês, ba 

A oiij 
obscura. 



Marsdeii n-L'ista-o eorao 



calo da costa oci<lental do Samatra. 
Wilson tem-no por caiiarOs, e como 
tal o coiisipua Keeve, mas os nomes 

ii< i i- ^ ' ' ru (túiu bidurtO e 
,' . ; • que o ótimo mais 

i [• . i'[ ê o marata ?a7/;íZ»í7 i*anihCm 
em gazarate). n'""" <"*"•'"*''•" ►■ ^ m'- 
gar da planta. 

A for Ocorre aos 

nossos is, seria en- 

Tà'. fálmente U8a<la no ConcSo, como 
supòfia Yule & Burnell e declara 
Linschoten, e o actual concani mãn 

(.•ilo ; ou 

ia boca 

Ju- jMir' '. inversamente, 5ow- 

Uii.ii -• .....ilacJlo de Mombaim, 

(.[!!, I ít:.' rafaram Duarte Barbosa, 

Si :. 11 r ' '' ' . Orta : ver- 

!: ' o de Mmn- 

d»*usa Munii>á». V. Gérson 

...iia, The Origin of Bombay. 

I . — Bambu, planta. 

! ' li'ias CAuaa que ha na India, 

i ; I grosa.s como laia perua de 

— Daarte Barbosa, Livro 

i rns, que 

n bam- 
buzes al- 

. L^vuiiLa, llUt. Trágico- 
25 
l'-l Bambus • sSo 

11)1 tr:i ^ .1'. i. 1 , ta», 



i| grande 



á... (1 
Uambú». ~ i .■ 
!>. 17G. 

H>32. — «F..V . 
diante mais 
de h II mas 
bambusi qm-ju' 
near e fortes j)ara 



■oinliritc (Tcrnl tr:l7i'Tiiío 



"io leves de nie- 
r». — Fr. Luís 



de Sousa, Anuaes dr h. João IIÍ, p. 105. 

1635. — "Houve que por lanças e bam- 
bus, e pela mesma parede ]ior uào leva- 
rem cordas, foram subindo pelos muros*. 
— António Bocarro, Déc. iin, p. 20i». 
l(yTit) — «Chamaram os padres a <»stas 
, pela pouca cu 
I de canna ^- 
iibuS". — P. António i. Lar- 

;:: >-. p. 6.S. 



lu^4. — «> 
esquecido já 



le furor, e rayva, 

(jue representava, 

'la índia, ameaçava, 

um bambu u mataria». 

— 11 i,i..i. «1. iw^iíeiroz, IJ int. de Pedro de 

Basto, p. 155. 

1701. — «Ordenou os meninos e as mu- 
lheres em dua-i fileiras dyante da p<' t.i 
com seu> hamhú* ir»nnhos ni-; mana, 
isto he, t "lan- 

cisco df , , - , II, 

IT, 1. 

174.3 

mui' 

e ei 

tini.~i 

que sr iiHu podeui in-iu c.scai.'ir, nem bater 

em brecha He caii:! bambu hiinin viva 

seiH' 

dá : 

tiro dii luuaijuctc, otr\ St I- 

dados». — D. .lose liar da 
Vida, pp. 21 e 23. 

17*<2. — «Hn trwi e!«p*»ri«»<» de bam- 



■São os bambus ]nnn.'l>i c.iii:if( 

. e muito 



11, 1- r.u. 
i como o can- 



: rei- 



D. Jiȋo III, IT, II. 94. 



árabes, de diffe* 

• ' • prc- 
iiam- 

car- 



bambú 



am o» Índios oode ua«co, matnttk». 



BAMBU 



88 



BAMBU 



apas para se alimentarem, e dizem ser ex- 
tremamente nutritiva". — Lopes Mendes, 
A Ilidia Portiiijtieza, ii, p. 142. 

1B'j8. — «O bambu, que depois do ar- 
roz é para os chinczes o producto mais 
precioso do reino vegetal. . .». — Joaquim 
C. Calado, Covins da China, p. 180. 

1900. — «Não ha i)lanta na China, que 
tenha tantas a])plica^'õc3 como as diversas 
qualidades do bambu, cvija cultura tanto 
os chins como os japonezosteem desenvol- 
vido e melliorado . . A meza, as cadeiras, 
08 biombos e os armários são feitos de 
tronco ou hastes de bambu; de bambu 
sSo os pausinhos com que comem, e de 
libras de bambu é o cesto que contém o 
arroz e o envolucro do bule de chá, e a 
«steira do chão e o sloi'c das janellas... 
Com lenha de bambu foi cozinhada a co- 
mida, e para dizer tudo, até de bambu é 
o papel do guardanapo em que o china se 
limpa». — Ta-ssi-yaug-kuó, do Abril. 

1585. — «Dove se ha da tirare la cor- 
tina, rizzano certi pezzi di canne che e' 
chiamano bambu, addoppiatti gli uni e gli 
altri». — F. Sassetti, Ldíere, p. 148. 

1586. — «Ali these houses are made of 
canes, which they call Bambos, and bee 
covered with Strawe». — Fitch, in Glos- 
sary. 

1589. — «S'ils ne le veulent pas tuer, ils 
le font inhumainomeut battre dos et ven- 
tre par leurs serviteurs à grands coups de 
Bambus, qui est un roseau fort espais» 
(em Goa). — Linschoten, Histoire, p. 60. 

*En la coste de Malabar notamment en 
Choromandel croist une espece de roseau 
d'extreme grosseur, par los Indiens ap- 
pellé Mambu, et par les I'ortugais Bam- 
bu, dans loquei il y a certaine moelle ou 
matiere telle qu'on void es plumes que les 
Indiens nommont Saccar Mamhu, c'est à 
dire Sucre de Mambu laquelle est fort 
propre à I'usage de la medecine, et est fort 
recherchée des Árabes, Perses, et Mores 
qui I'appellent Tahaxir». — Id., p. 10. 

1640. — «Lo más común, y más usado 
[papel] en Ias impressiones es de un arbol 
(que en la índia Uamau Bambu, y CM 
los Chinas) pisado, y ai íin obrado como 
el nuestro». — P. Semedo, Império de la 
China, p. 36. 

1653. — «Un esclave porte le parasol ou 
ãombrero comme rappellent les Portugais, 
lequel est três grand et emmanché à un 
bambou, qui sert dans les rencnutres à 
maltraiter les eunemis». — Le Gouz de la 
Boullaye, Voyages. 

1658. — «Inter tot variae figurae, et 
magnitudinis Aruudinetes in iucultis In- 
diarum regionibus luxuriantes, duae dan- 
tur species Mambu, Lusitanis corrupto 
Bambu.. .». — Piso, Mantissa Aroinatica, 
p. 185. 

1674. — «Bamboos are so general, 
that by the way of Excellency they call all 
Sticks and Canes Bamboos; the Woods 



are over-grown with them; for which rea- 
son often impassable». — Fryer, East In- 
dia, II, p. 74. 

1676. — «Une sorte de canne nommée 
Bamboue que Ton plie de bonne heure 
pour lui faire prendre au milieu la forme 
d'un arc, soutiont la converte du Pallan- 
quin». — Tavernier, Voyages, iii, p. 37. 

16ÍK). — «Ex rcctis ejus [arundinis] sti- 
pitibus tectorum ligna, et ex crassissimis 
aedium poste-: fabricantur et sepos, quae 
vehem(!ntissimos edunt ictus et sonitua, 
quum incêndio comburuntur, quando no- 
tum ejus nomen Bambu facile exaudi- 
tur(!)'). — Rumphius, Herbarium Amboi- 
nense, vi, cap. 7. 

1782. «Le bambou est une espèce de 
roseau, qui jjousse une multitude de ra- 
meaux, d'un bois noueux, très-dure et 
croux en-dedans, reconvert d'un induit qui 
ressomble au plus beau vernis». — Sonne- 
rat, Voyages, i, p. 33. 

1875. — «Of all the fibres yielding plants 
known to botanical science, there is not 
one so well calculated to meet the press- 
ing requirements of the paper trade as 
Bamboo, both as regards facility and 
economy of production, as well as the 
quantity of paper-stock which can be ma- 
nufactured therefrom». — Routledge, em 
Watt, The Commercial Products, p. 109. 

II. — Bambu, medida. 

1553. — «Tomou [o tanador morj huma 
canna de quinze palmos por elle medidos, 
que são três varas portuguezas de cinquo 
palmos cada vara, e ordenou e mandou que 
com a dita canna se medissem todalas as 
terras da dita Aldeã». — Archivo Port.- 
Oriental, iii, p. 253. 

s. XVIII. — «Quanto á distancia, que os 
naturaes absolutamente dizem que deve 
ter da distancia ou comprimento de um 
bambu, isto é, nove mãos em quadro». — 
Arte Palmarica, i, p. 151. 

1842. — o A medição de terras nos títu- 
los e documentos do dominio d'elles vem 
expressada por bambus». — Annae» Ma- 
rítimos, p. 280. 

1873. — «E se a esta circumstancia 
reuno a de que o bambu da medição dos 
palmares (ou cova) é de 18 mãos, ainda 
mais se me fortalece a opinião». — Ber- 
nardo da Costa, Manual do Agricultor, ii, 
p.ll. 

1886. — «O bambu, vara ou canna, 
nesta ilha correspondo a 10 mãos de ex- 
tensão, sendo cada mão igual a 0"',44». — 
Lopes Mendes, A índia Portugueza, i, 
p. 191. 

1915. — «De sorte que o nosso clássico 
bambu de palmar, de 18 mãos ou 9 jar- 
das é espaço minimo». — O Ultramar, áe, 
28 de Outubro. 

«Bambou. Mesure de longueur ou de 
capacite en usage aux Indes et à Mada- 
gascar. Comme mesure de longueur, le 



BAKíBU 



BANANA 



bambou égale va P.^pa 3-,395ÍU 
Orandt Encyclopl' 

III. — Bambu, ;ii;»nir. 

V.m — Bambu <9 el açote... Snn 
, ■? de Bieto pnl- 



eii 
j-eso 
a\ i . . r. Scuicdu, i;/ij_'triy at ia Lnina. 
j.p. IJ'- 127. 

BAIBUAL. Bosque de bambus. 

"a oavema, 

3 bam- 

buaes M • l '-> '->' i-r.-.na, ZXc/a- 

r,!-//. .í^ M O' ■■■■ fl. 31. 

'i,.;:i. — «c'(.rn;i '• -so bambual, 

.• .i;i . Mtra vm iiii' ivel mato». — 

Di..-.. a<. (V,ntM. I . V I. ^ III, 7. 

l,;;.:, _ .. i; ,,:--;, \ :i ;.!.• O trahalho do 

■ i v.iK't-r.jdaf-"'''-'"'". que 

lambuaesfor' uiui 

,-,,.,, , ,, • ■'■ -.-"í esji.;...- ::ata- 

Y. > -' . .'1-i que tem maia rea- 

ptlt I t' 'i , .-..». — AutúuioBo- 

carr... 1>.'>- mw, ;.. Vi. 

ir,-4 _ .. I iili.ló armado cilada em hum 
bambual '^ ■ !' FornSodeQuei- 

— «A fstf Bambual sorvirâo 

pl.ar o~ i- !• hra»l«>á Bambuaes 
^l > Cauara, 

,,, MS, P fH>: 



d«*». — i>. Jv>»c liarboia, hpitomc da \ nta, 
p 22 

BAMBU EIRA. LC se a palavra em 

V. '' ■■>s si- 

g, .hu.. 

• planta que produz bambus», «cad.i 
um dos rebentos que nascem da 
mesma raiz de bambu». Nfto consta 
, , ' ' ' iripro- 

Pa- 
,quo 

. . apli- 

1 como correspondente 
1 grupo ou pe- 
^.. IIA híim- 



«BAME. Antigo teHdo da fndia, 
que nJo se sabe de 

V ..t-i .'ue nilo vem d^- ^ i 

L^ia, parece- me que se liga ao 



o desde a piMita du u 

;i mioatéadodaoutr .. 

horizontalmente», isto é, 3i mOos. A 
' i teria tal largura, o o soa 
M'ria completado pelo» inHiL'''- 
nas por outra palavra, de- 
do tpano ou rouD.-iB. coium ^ 
vastr, lugo< 

1615. — «Mauiaztíó grandes c pequenos, 
bames, espicéa. . . •. — Doe. da índia, iii, 
p. 355 

1«17. — «Doctins bons, mantazes gran- 
des, bames, espicea. . ». — Carta Régia, 
ibid., IV, p. 11. 

BANACA (s. m.). Nada menos de 
quatro vezes figura a palavra em um 
s6 lugar (que tambOm ocorre em ou- 
tr; - da obra do Padre F<' 

dt ' ^ , com o sentido de « • 

vâo» do capitão geral de Ceilão. 
Parece que, por erro do autor, está 
]»or canara (q. v.), que significa o 
>. O singalôs não possui vo- 
> semelhante. 

Itis". — "Os seua Escrinie». a qne cha- 
uião Banâca», 4 8ua íronii 
zeuibargadored da Illia.. 
queria dar, ou ti: 

informana; niaii'; . -^J 

falasse com o bi. u . . . 

E com ser este dar, o 

'" ' " . > oaii Cl ' ' "'le 

•ido... 1' a 

{ , ■"••■reiíd . .| .• ^ O 

(11 IS Ban&ca». — tnn- 



qu. 



-..'.». 



«O meauio ao Banfioa <1<) Geral, bas- 
tando lhe um ••'■in .l>.;i> .^r liar'.i. i u es- 
cri\iles». - 'O 

diante do (•' . . '* 

banácas*. — id., pp. bob e yw. 

BANANA. Fruto da BA'-' ^• 
— Mit;f(i siifiifutmn e M. f»' <', 

Linu. InglCs banana^; francês 6a- 



dos a grande distAncia uns dos 

-sivamente deitem 

.>« íjnf» oHtAo do- 



se denoDi; 



fain, 'i liU.tmo, 

... . ,,>.* ou 

'.i8 
J. 

\ a. Q. L, XV, p. HiX 



BANANA 



90 



BANANA 



•nane, hananier. BANANAL ó a plan- 
tação do bananeiras. 

O nome portugiiOs do fruto, mais 
antigo, o mais vulgarizado na Ásia, 
6 «íigo da índia» (q. v.), queposte- 
riormonte íbi suplantado em Portu- 
gal pelo de «banana». Garcia da 
Orta atribui-llio origem africana 
(Coll. XXLI) : «Tambom ha estes íi- 
guos em Guiné, chamamlho bana- 
nas». E o Condo de Ficallio comenta: 
«É possivel que tenha razHo ; a pa- 
lavra nilo é seguramente asiática, e 
também nRo parece ser amoricanai». 
Os nossos escritores, referindo-se à 
África ocidental o à America empre- 
gam geralmente a voz banana. No 
Brasil também voga o mesmo termo. 
Mas Yule cita a autoridade do aba- 
lisado arabista Eobertson Smith, quo 
nota nao so })odor considerar como 
acidental a coincidência deste nome e 
do árabe banana, «dedo», e que, alem 
da denominação literária mauz, podia 
o fruto ser popularmente conhecido 
em alguma parto como «dedo» ; e 
ncrescenta que é possível qne os 
árabes levassem o fruto e o nome 
para a África ocidental. Não é po- 
rem de crer que o vocábulo transi- 
tasse da Arábia para lá sem deixar 
vestígios nos idiomas da costa orien- 
tal. 

1575. — «La da terra se trazem algu- 
mas vjezes Bananas e outras {sic) que 
chamão figos do Congo que fazem adoecer 
especialmente aos que vera de novo e aos 
outros ajudào hum pouco». — Garcia Si- 
mões, in liol. S. G. L., IV, p. 342. 

1576. — "Porém a commua e generalis- 
sima [fruta] de todo o anno e em grande 
abundância, não só por estas índias, mas 
também pela nossa, por todo o Guiné e 
Brazil, por onde ba, e nós vimos mais cas- 
tas e melhores que estas, e a que chamam 
plátanos, e na nossa índia, figos, e no Bra- 
zil bananas». — P. Gaspar Afonso, Hist. 
Tragico-maritima, vi, p. 50. 

1583. — "Não ha nesta terra fruta mais 
que bananas, micefos e baá de que fa- 
zem azeite». — Baltasar Afonso, Boi. S. G 
L., IV, p. 376. 

1585. — «Tem [Angola] muytos rios, 
fontes, palmares e bananaes, que he a 
melhor fruta da terra». — P. Diogo da 
Costa, ibid., IV, p. 37G. 

1615. — -Ha bananas, a que os Por- 
tuguezes chiamam na \uá\9i figos e nas Mal- 



divas Quellas». — Pyrard de Lavai, Fta- 
gem, i, p. 103. 

1607. — "Lançavâo as cascas dos figos 
Indices ou bananas Brazilicas». — P, 
Francisco de Sousa, Oriente Conquistado, 
I, III, 2. 

1727. — «Banana so chama por des- 
prezo o frouxo, e para pouco». — Bluteau, 
Suj)plemento. 

1745. — «Das que há na Asia e eu pro- 
vei na America adoude são muito mais 
gostozas, tem [a China] bastantes: Coquei- 
ros, Jacas, Mangas, Atas, Goyabas, figos 
a que lá cliamão Bananas, Papayas que 
lá se dizem Mamoeus». — In Ta-aai-yang- 
-kuó, II, III, 3. 

1593. — «As arvores cortao-nas cada 
três annos para melhor frutificarem, e creio 
eu que estas são as bananeyras do 
nosso São Thomé». — Fr. Pantaleào de 
Aveiro, Itinerário, p. 59 

1782. — A figueira da terra, ou por ou- 
tro termo bananeira». — Fr. Clemente 
da Uessurreiyão, IVatado, ii, p. 345. 

1873. — «A bananeira (Musa) tam- 
bém, e mais geralmente chamada na índia 
figueira, em Malabar bala, e em concani 
quelli, 6 uma arvore monocolytidonia da 
familia das Musaceas». — Bernardo da 
Costa, Manual do Agricultor, ii, p. 209. 

1911. — «Onde se encontram numerosos 
e bons exemplares de mangueiras, cajuei- 
ros, brindoeiros, goiabeiras, larangeiras, 
bananeiras»... «O bananal que. 
chega a dar o Jucro de 2:500 rupias por 
hectare». — José Emílio Castel Branco, 
Boi. S. G. L., XXIX, p. 358. 

1589. — «... tels que sont les Citrons, 
Limons et Oranges agredouces, et des 
Bananes qu'aucuns estiment estre ces 
fruicts que les Egj-ptiens et Syriens ap- 
pellent Muse qui sont figues de bon ali- 
ment». — Linschoten, Histoire, p. 199. 

1585. — «In Guinea vocantur Bana- 
nas, reliquae minores ac vulgatior spe- 
cies Bacovos » . — Eumphius, Herbarium 
Amboinense, viii, cap. 1. — Este autor men- 
ciona, entre as variedades malaias, ^marj^ 
salpicado e pissang soldado. Pisang 
é «banana» em malaio. 

1606. — «Quamplurimae mulieres inue- 
niuntur, Betelle, Areccam, Melones aquá- 
ticos et Vannanas vendentes». — índia 
Orientalis, iii, p. 98. 

1652. — «Au Bresil ils appellent Ba- 
nanas, en Sirie et à Damas ils I'appel- 
lent Musa». — Relation de la Chine, p. 20. 
1710. — «Les principaux fruits de ce 
País sont la Mangue, qui est une espece 
de Pavie ; la Bangne, qui rcssemble à la 
Figue». — Lettres Edifiantcs, x, p. 399. 

1786. — «II riso cotto si mette sopra una 
foglia larga di fico banano, che serve 
di piatto». — Fra Paolino, Viaggio, p. 113. 

BANAZA. Conforme Fernão IVÍen- 
des Pinto, é um quadrúpede extra- 



BANDARIU 



91 



BANDEL 



ordinário .í». ralãniinhflo, no interior 

ti, I ' me foi possível 

er a que língua 

.V. Uouçalves 

Viana, ApondUut, i, p. 147. 



1" 



iTf< ciir- 
e OB pés 



de huDi 



"lia tem 

s, e 

dos 

j.er- 

\ õão 

• a àO passos : os 

({ue se chamavSo 

banazas>. — t'trtyrinacao, cap. 166. 

• BAN" " ' ""*" ' ' uma árvore de Ma- 
laca — t m atrocarpus. Do 
mal. bingkuaitg. 

im3 ~ ui\ imI ,r, bancalé, dringo. . . 

p 'it'i-, !i;\ i! . '.'iveis ravzes de que se 

io». — Manuel 
.\íalaca,&.31. 

Bancão. V. vancào. 

P ' ' 



1 1 ricaçilo indiana». — O. de Figuei- 
redo. 
Nflo encontrei nenhuma abonaçio 



dhuii, .j 
*ári o . 1 



do Hindustani bãn- 
— V. (7Jo*- 



• BANDAR (SI ira). Título 

'i • f>riiuij>o «ju (U. .11..-/ .lo nobre em 
< • ililo. Os nossos eticritores prefe- 
r. ! . r, confor- 



1564. — «E a earuqna e einffuouty, que 
sSo huns direitos que se arrecadão do 
guado, e dos bandarys qtif> tirão çura«. 

— Simio Botelho, Torr 

1632. — «Ficou em ., que o§ 

Gentios erSo da casta Bandarim*. — > 

Fr. Luís de Sousa, Hint. de. S. I tomingoê, 

"Tl. 

— Estando eu assistente neste 

'nua uir a elle todas aa 

> tirar o siiinmo, a que 

1.1. .^ui.i, u.i- jialmoiras da nngsa horta, 

' |iient a tira se uninoa Bandartm, ou 

Suilro». — Fr. Jacinto de Deus, Vergd^ 

P- ^•^- -.. . . ,. 

1(',^7 — cSaO 08 qUP Iw.m ,, luMir ou 

sur leiras (a 

nari ^sic, por A 

Bandarisi». — P. Fernão de «Queiroz, 
ConqiiK^ta (Jf, Ceylãfí. p. 16. 

Ií28. — «Servem também ["em Chaul] 
234 bandarinSi soldado» que merecem 
muito pelo bom serviço que fazem, e pelo 
muito valor». — O Cnronista de TUstiary, 
i,p. 35. 

1850. — «Bandary: Homem que tira 
siir.i ás i)altneirasu. — F. N. Xavier, O Ga- 
iiitctt' l.i'ltrario, iv, p. 22-3. 

lí<í<6. — «A eit " ;■ sura é feita 
por um individuo ' : ' bandary». 

— Lopes Mendes, A imita Fortuguexa, i, 
p. 186. 

1890 —«.. i»ode talvez -> 

nos bhandaris, embora c 

lida 

A.., , ..o c-.„ ;. 11. 

1916. — « . e tuem 

n niii.1 ..vf.Mi.;,. , .._. ... ^ -rior, 

bandaris <• n - so 

, . : iui siíio as fuiuiad ra> das 

< da maior parte das aldeias de 
, ir, nome antigo desta terra». — 
Heraido, de 4 dt- AWril 

1673 — Of Badarines (that Innkt 
after tli- t" Cocoe) with ' i 

other \N' '*).. — Fryer,/. 

I, p 171. 

1760. — «There is also on the island 
kept up a sort of militia cotnpoa<>d i>f the 
land-tillnrH, ami bandarees, whon*» liv- 



l»i87. — «Ficou i)or curador e defensor 

1.'... !.• .. p:^«._^~^ . ..-.- 1 . I 



.. . .c ('andea 

< ' ' iiindar, com UU,UUU hoin«^SB. 

- / 

BANDARIM. Indivíduo da cnsta 

tr;iir .su ■ '.a. Do 

uuirata-oouc. bhandUn. 



BANDEL I indo-ingl. bunder). Pdrto, 

; sítio ]■ dura 

' por ui . ou 

ca«lii do esiraugoiros. I>i» p«•^^a txtn- 

dar, «porto, cai»», adoj)tail<' ixlos 

idiomas modonioa da India. 

Nos |>ortos ' * . qu«" <raiu 

»Mnj>óri«>s de »■' li.nvia qnar- 

.rados, i 
, , .., para :i 
porária uu permanente dos negocian* 



BANDEL 



92 



BANDEL 



tes estrangeiros de cada nacionali- 
dade ou religião, a iiin do que 
seguissem seui estorvo os seus usos 
e costumes e praticassem o sou culto. 
Cada grupo tinha de ordinário soo 
chefe, coniiecido geralmente por xa- 
handar (q. v.), que era ao mesmo 
tempo seu representante perante a 
autoridade da terra, e mantinha a 
ordem e dirimia pequenos litígios 
entro os seus. Assim temos nhandel 
dos portugueses», «.handel dos que- 
lins», (ibandei dos guzarates». 

Outros portos, que n3,o -tinham 
tanta importância e onde nílo havia 
colónias distintas, eram especificados 
pelo nome do sítio, como abandel de 
Comorílo», nhandel de Chatigão», ou 
Porto Grande, ahandel de Ugolim» 
(situado na margem direita do riò 
Hugli) ou rorto Pequeno. 

Neste último Bandel se tinha es- 
tabelecido no sóculo XVI uma feitoria 
com numerosa colónia portuguesa, 
que exercia largo tráfico, e se tinha 
construído a primeira igreja católica 
de Bengala. A colónia passou por 
muitas vicissitudes ; mas ainda hoje 
subsiste o nome Bandel, como pró- 
prio da localidade, e bem assim al- 
guns dos muitos privilégios e isen- 
ções, concedidos pelo Grilo Mogol 
Xá Jehan (em atenção à santidade 
de Fr. João da Cruz, comprovada 
por milagres) e a majestosa igreja 
com o anexo mosteiro dos antigos 
agostinianos, onde reside presente- 
mente o superior das missões portu- 
guesas. Durante o ano o em parti- 
cular por ocasião das festividades 
concorrem muitos católicos o ató 
protestantes e hindus, por ser o san- 
tuário da maior devoção e de mais 
recordações históricas. Quando ou 
era vigário geral de Bengala, ia lá 
muitas vezes de Calcutá, onde mo- 
rava, pelo caminho de ferro *. 

1529. — «. . que se chama Bandel, 
que em nossa lingoa quer dizer porto». — 
António Tenreiro, Itinerário, cap. 2. 



' V. O Chronista de 7'issiiary, i, pp. 60- 
61 ; Historical Facts relating to the Âgusti- 
nian Convent of Bandell. Calcutta, 1899. 



1541. — «N'este porto do Bandel to- 

mSo piloto as naos dos mouros quando vão 
pelo Estreito dentro». — Gaspar Correia, 
Lendas, iv, p. 168. 

1554. — «Ao homem que tem cuidado de 
ir aos bandeys da banda d'alem [em Or- 
muz] a ver as íTazenuas que vem nas caffi- 
las...». — Simão Botelho, Tombo, p. 104. 

1563. — «K por quanto ao Bandel de 
Angon que he hum porto da terra firme da 
Persia, onde vem ter todalas cáfilas do in- 
terior dos seus Keyno.s, era vindo hum Ca- 
jjitão». — João de Barros, Déc. III, ui, 9. 

1565. — «Parti dormuz em liHa terrada 
hna sexta feira xxv de Junho para o ban- 
del gombruc chamado assim em lingua 
parsia e turquesea que quer dizer alfan- 
dega ou lugar honde se pagão direitos». — 
Itinerário do Mestre Aftbnso, in Aimaea 
Marítimos, (1844), p. 217. 

1577. — «Chegado ao bandel de Ma- 
çulepatão, foy levado á cidade do GoUe- 
condá e do bandel até onde elliey está 
morrerão quatro asnos». — Primor e Honra, 
fl. 2'7. 

1589. — «... darlhe e a doarlhe ame- 
tade de toda a parte, que lhe a elle cabe 
aver erdar por morte do dito seu pay Xe- 
que Raxete no rendimento do bandel de 
Ma.'icate, e direitos delle pêra sempre». — 
Archivo Port.-Oriental, v, p. 1247. 

1(>V2. — «Fera se ir a Cosmim, que he o 
Bandel, onde o navio do trato ja era 
chegado». — Diogo do Couto, Déc. VII, 

«Forão até o Bandel, que era perto 
da barra, e derão em dous navios de alto 
bordo». — Id., iii, 14. 

1635. — «Para o que o mandaria por ou 
no bandel de Comorão, ou na fortaleza 
de Ormuz». — António Bocarro, Déc. XIII, 
p. 33. 

«O padre João Gomes, vigário do ban- 
del dos portuguezes. . .». — Id., p. 519. 

1663. — «Na terra firme da Persia ap- 
parecia o Comorão, em cujo bandel tive- 
mos já um porto, que no anno de 1602 se 
defendeu de quinze mil persianos, e hoje 
está presidiado por elles». — P. Manuel 
Godinho, lielação, p. 80. 

1674. — «We fortify our Houses, have 
Bunders or Docks for our vessels, to 
which belong Yards for Seamen, Soldiers, 
and Stores». — Fryer, East India, i, p. 289. 

1676. — «Nous lui demandâmes une 
mule et de I'argent autant qu'il étoit be- 
soin pour sé rendre au Bander, et se 
mettre sur les premiers vaisseaux qui par- 
tiroient pour Surate». — Tavernier, Voya- 
ges, III, p. 183. 

Bandel de Ugulim. 

1674. — «Mas ainda se conhecem nelle 
[Mogor] desejos de nos fazer guerra, como 
já poz em etfeito na povoação do Golym, 
que em Bengala tiuhão os Portuguezes, a 
qual mandou destruir e assolar ha três an- 



BANDIM »8 BANEANES 

Q()f na ..'1 ]^ !• ' 1»v4ndo OS one forSo ' 8pl!íi> ri'i-'u^TiiT'is, alJoãs, oâ n^arwu, jodoc, 
capt. 'c tern, poito •: ha faxend»». 

bem : l»- 

— A >a- 

■*fUi * iiAí^à^-. — Ula- 

•735 
;ma 

I'roti»Soi o« 

diSo a>>;-- ^ 

. laniar a Jo j><:>rt" «1" ti 



jtM que o imperador 
Igreja do Bandel de 



-. — /i»- 

.. ^ — -. ..^AS, apud 

.0 Azevedo, As (Jommtatudadts de 



18UU. — «Em Mai^o e • ~ al- 

ii hi- liA var^eas possaidas j' ntes 

' andys, ou lueio*, como 
— Id, p. 88. 

p BANDO. Morais e Vieira registam 

o termo como asiático e com o signi- 

,. , ,1 - />, ,^ '--.do de tvalado H- ■-'"■'a». De 

:o, o concani tem > sânsc. 

• ' ' ' ' bandha. • ; mas 

vai aio é a' portu- 

C- i V.. gaês local. 

1635— .Joio LeiUo, que hs * BANDRASTAL. Quarteirio habi- 

,, js. I \)v> bhattdtituiUtai, «bairro 



!•;.««." — "O ?;\!-L'.i't.i in.ii >r. OS D^ffil- ,},i 



...á». 



:'.;34. — «Kende o Bandarestar do 

^^•^ I Sangens em cada anuo coni'nne o arren- 

-»cl Frr- ,iauuiit.> uur «^stA :";:■. sç^sonta i)ardáo8». 

' B.: rp, ia O CkromUta 

i de 

vem 

.'.'. lit Uiar o au- 

itr*» tanto *>m ««tm* pêra «eu» ,nma #*(ra. das 

,-.. . . V -,■ ■• •, \ e Ca- •- : 

j • conaer- 

!•• ' BandiqaP- m te cobravam direitot 

ra'.i, ■ ■ í: • - • Mj o« 

■ " -u M 

i<-a<> das 
i impoato 

-'>:ii u»> «-ffr »• ii<'in« - de Oail* 

ui-aatal*— Conde d> (d. zvi, 

BANEANES, baniaSM. Kigorosa- 

• > t'Tuio licsi^n.i, em especial 
111 .i beat de rait qae ato ^; *^'^ jaiaas «lo («azarate ou 



BAN MM 



BANEANES 



94 



BANEANES 



Cambaia qoe exercem a mercancia *. 
Mas 03 europeus aplicam-no muitas 
vezes, por am])liaçilo, a qualquer co- 
merciante hindu, cio mesmo modo 
que chatim ao dos países dravídicos. 
Antigos viajantes entenderam por 
hanianes os sectários da religião 
hindu ou bramfmica. 

As características maia notáveis 
dos jainas silo o seu tacto comercial 
e o seu exagerado amor a toda a 
sorte de animais. Os mais puritanos 
coam a água que bebem, sopram o 
chão que pisam, e cobrem a face 
com uma rede, para nSo ingerir, 
molestar ou aspirar algum animál- 
culo. Mas nem por isso sâo mais 
virtuosos ■^. 

Os nossos indianistas, excepto 
Orta, dizem que «todos os baneanes 
seguem a doutrina de Pythagoras» 
(Bluteau), quando a verdade ó que 
Pitágoras hauriu da índia grande 
parte da sua doutrina. Y. Leopold 
Scliroeder, Pythagoras und die In- 
der ; Richard Garbe, The Philosophy 
of Ancient India. 

Em sfinscrito, vanij é «mercador» 
e vanlg-Jitna «homem de negócio» ; 
em guzarate, vãniyo, sing., e vãniyãn, 
pi. (quo parece ser o étimo imediato), 
«negociante, negociantes». Outras 
línguas áricas, tais como marata e 
concani, tem vãni. 

1516. — oHa neste regno [de Guzarate] 
outra sorte de Gentios, que chamam Brâ- 
manes [leia-se Baneanes], e saom muy 
grandes mercadores e tratantes ; uiuem 
entre os Mouros, com que fazem todo seu 
trato, estes nunca comem carne, nem pes- 
cado, nem nenhna cousa que mora [morra], 
nem rnataom, nem menos querem uer ma- 
tar, por asy lho defender sua idolatria». — 
Duarte Barbosa, Livro, p. 267. 

1552. — «Entre os quaes vierão certos 



1 «Os Guzarates são. . . grandes merca- 
dores e naturaes de huma Provincia cha- 
mada Cambaya... Estes Guzarates nào 
comem cousa alguma que padeça morte, 
nem igualmente pão». — Navegação de P. 
A. Cabral, cap. xiv. 

2 «Por outra parte saom grandisimos 
onzeiros, e falsificadores de pesos e medi- 
das, e doutras muytas mercadorias e moe- 
das, e muy grandes mentirosos». — Duarte 
Barbosa, p. 268. 



homens' a que chamão Baneanes, do 

mesmo Gentio do reyno de Cambaia : gente 
tão religiosa na secta de Pythagoras, que 
até immundicia que crião em si nàomatão, 
nem comem cousa viua», — João de Bar- 
ros, Dí-c. I, IV, 6. 

«Surat era prouida de gente fraca, a 
a que cbamào Baneanes, hom(^s dados a 
officios mechanicos, principalmente a arte 
de tecer panos de algodão». — Id., IV, 
IV, 8. 

1552. — «Ha outros gentios a que cha- 
mão Baneanes, que não comem cousa 
nenhna que padeça morte, e tem por ley 
de a não matar, nem ver quando a matão, 
e 08 pobres lhes leuão aues vi nas e dizem- 
Ihes que as querem matar, e eles as com- 
prão por mais do que valem porque as não 
matem, e depois soltão». — Castanheda, 
Historia, iii, cap. 130. 

1563. — «Se são ricos comem muyto delia 
[de assa-fétida], como são os Baneanes, 
e todo o gentio de Cambaya». — Garcia da 
Orta, Col. vu. 

«O demónio pôs certa superstição em 
as molheres e filhas dos Baneanes, que 
são os que vivem segundo o costume pita- 
górico, e he que quando morre algum pa- 
rente, quebram as molheres todas as ma- 
nilhas que tem nos braços, as quaes são 
vinte ao menos». — Id., Col. xxii. 

1566. — «A hi [em Narsinga] outros ho- 
mens, que tem por sanctos, a que chamam 
Baneanes». — Damião de Góis, Vhron. 
de D. Manuel, r, cap. 6. 

1567. — «Costumão em alguns lugares 
desta Provincia os infiéis Baneanes em 
observância da sua falsa religião, em a 
qual tem por grande peccado matar cousa 
viva peitar aos pescadores, carniceiros, e 
caçadores gentios, que não cacem, nem pes- 
quem, nem matem animaes em os dias das 
suas festas». — Primeiro Concilio de Goa, 
in Archivo, iv, p. 58. 

1602. — «Os Baneanes são todos da- 
dos á mercancia, em que também precede- 
rão a todos, por sua grande abelidade, e 
agudeza». — Diogo do Couto, Déc. IV, 
1,7. 

1609. — «Os moços christãos da índia, 
particulannente os de Diu, armam aos pás- 
saros, e tomam algum vivo, vão-se aos bra- 
menes ou baneanes gentios, dizendo que 
lhe comprem aquelle pássaro vivo». — 
Fr. João dos Santos, Ethiopia Oriental, ii, 
p. 311. 

1632. — «Surat povoado de gente vil, e 
fraca, que cliamão banian es, tecedores, 
polia mór parte, de panos de algodão». — 
Fr. Luís de Sousa, Annaes de D. João III, 
p. 299. 

1552. — «Haverá em Cochim, e seu dis- 
tricto, mais de cincoeuta mil mercadores 
entre Christãos, e Banianes de bom 
trato». — P. António Vieira, Arte de furtar, 
p. 436. ' 

1701. — «Ha outros géneros de gentios, 



BANEANF.S 



95 



BANG AÇA L 



ft qnp rhRmi<» Baneanes, '>!» que Dioeo- 

•• jwr ttla 
viva». — 
i'. 1 dt' bousa, Vrtcnte Conquis- 

tai! 

ip-., -- „( »s Br ; " r ; - s n to- 

das as classed (1 Ba- 

neíT- -- nt«'.s 

do ralo, 

. ... .1 en- 
i. a fim d«> 

... o Andrade, 

í ar (as. i, p. 20. 

IhS'] — «Os hnnianf^s, (iiic Drofcs^ain 
a iiia.xiina (.'.: 

cor l--.~:l ^ :! ■ . 

uiíi -na para iroui todo» ob seres 

;>! .\dolfo Loureiro, No Orientr, 

' baniane é, em fegra, sor- 
úiii.., iNíiuiito e de niA fé». — Oliveira 
Ma.xiaifnhas, Atravez dos Mares, p. 111. 

IHJl — "Os banianes de Din, que 
exclusivamente í^e d»'iii<nm no conimercio 
em Africa. . i .sos agen- 

tes de vend;- ■>. — José 

riiihfiro, Jioi. ò. U. /. , -xx, [<. -U3. 

144.'). — «Euui vua sorte di sacerdoti 

cliianiuti Bancam (sic) questi si coute- 

teutaii" dvna sola donna, la quale per 

' ' '■ ' ' -. di brucciarsi col marito 

'<■». — Nicolo di Couti, 

] I1U9 hominum, quod 

v.^ r. ili Baneanes 

aj; — Jeróoimo Osório, De Jie- 

bu... .,,.._' 

l.x-^ 1 i •« K>s Qentilicos, princi- 

jialiii-nti- ]■ - il'- (■aiiilia\a. v l"- PitiiLfori- 
ros Baneanes I 

y ri.i:;.ii ordinal i:.' . 

Cocta. 'irn't'i'l-'. \< .>-l. 

1'-' M; nil Baniane fort ruíé 
I ■" ! '-ns est fine et 

ca dent*. — Lin- 

1' '-^ i uour of the Towne 

' t < :- .1 Bannyan, and <>ne of 

til t people ihiit obiifvue the 

Iaíw ot !'_) tíiaj^oraíi». — June», in Glos- 
sary. 

\h]C) — «Ces Ili "V ' idiis 

<i . -fi!!,'- |>our lest \ Ba- 

nliiii ' s " ition 

li' - ieur 



It, 



A 



■rrnnti, qualli 



> • ' 


' '«y;/' 


■,»: .In 

r 


I»..,*., 



'^ BagnanI, 

lie, con ij. — 
(I)». — Fr. Viuccnzo Maria, Viaç- 

1' Ud ríebe banyane, oo mar- 



chand gentile, grand usurier, comme ils 

sont plupart». — Hernier, Voyatje, i, p. 222. 

1666 — «La Tribu de cen Banians, 

est la '1 ' ' entre les Cas- 

tes, Tn Gentils... lis 

Soli* ' iriiaiiu- i-i, ". oiirtiers». — Tbe- 

vt I i, HI, p. 165. 

loio -^ mLcs Banians sont pour le 
néjroce pire mille fois que les Juifs, et plus 
.syavants qu'eux en tfiutes sortes de ruses 
de malice quand ils sc vculrnt venger». — 
Taveruier, Vi'i'.nn» m, p. 116. 

oLa troi.-i .' est celle dc Ba- 

nianes, qui . - - lit tous an trafic, et 
dont les una sont ijherafs, c'est-a-dire 
Chaugeurs ou lianquiers, et les autres 
Courtiers, pour I'entremise desquels les 
Marcliands vendent et achetent». — irf., iv, 
p. 107. 

1770. — «Elles étoient la plupart cntre 
les mains des Banians, Caste Indieiine, 
vouée uuiquenient au commerce. lis se diá- 
tinguoient par Iff'irauchiae avee laquelle 
ils traitoieutu. — Kaynal, Uistoire, ii, p. 15. 

1776. — « .. molti Gentili Canarini, 
chiamati Baniani c Cetti., mercanti as- 
tuti, diligenti, laboriosi, sobrj, frugali, ric- 
chi». — Fra Paoliuo, Viaggio, p. 79. 

«Toutesfois, à cause préci.^óment de la 
grande habilito des Banians dans les 
afiaires, on a donné par extension ce nom 
aux marcliands indiens qu'on rencontre 
dans les marches et les l"-" '-^ ■••Mitres 
trafiquauts de I'Asie et de . . Ou 

Ics designe sous le uom u " — 

Im Grande Encycloptdie. 

BANGAÇAL (indo-ingl. Uinksladl'. 
Arin;i/X'm indiano, yuddo. Ao pres- 
sente oíiiprega-se o vocábulo em Goa 
3uá8Í exclusivamente por «estância 
e madeiras», como observam Klo- 
guen e-Cunlia Rivara, abaixo. 

Indicam-se vários i'timos ; o mais 
provável 6 o sánsc. bfiatufaçãlã, polo 
canarOs bhanilxãle ; malaiala pomli- 
xãla, «arma/Om». Em concani díz-se 
actualnu'iit«« bhaúgxãl ; se < <» 

quo tal palavra era usada i > 

(ia conquista, seria o étimo imediato 
do termo portuguôs. Tambõm o ma- 
rata tem hJmníjml, mas com o sen- 
tido d. • • 
worth , 
V. OloBêário Anglo-indtano. 

i&ao.--..T • 

tar terra í- 



Tittnbo, p. 452 

1624 — «Daqui er^ diante m dIo srro- 
eadt^ pcra nós a« rendas da prsçs ds dits 



BANQAÇAL 



96 



BANGUE 



cidade dos bacacés, que sSó os que ven- 
dem mel azeite iiiíinteijEía, bctre especia- 
i-ias, e panos, porque aquelles que aa ditas 
cousas vends em ditos bacacés, quere- 
mos que livremente as vendão». — Carta 
Ht'ffia, in Archivo, iv, p. 43. — «Parece que 
deve ser bacaçáes, ou bancaçáes, ou hanya- 
çaes, que significava naquelle t(!mpo qual- 
quer lugar de venda; e hoje mais estricta- 
mente estancia de madeira». — Cunha Ri- 
vara. 

1553. — «Ninguém se mouesse nem bo- 
lisse com os seus bagançaes ', que são 
como lógeas ao longo da ribeira, onde ti- 
nhílo recolhido mercadorias». — João de 
Barros, Déc. II, iii, 4. 

1563. — «ricando grande despojo nos 
bengaçaes, que erão fardos d'arros, e 
d'aeuquar, e ferro». — Gaspar Correia, 
Lendas, i, p. 620. 

15'J2. — "Sem primeiro ir ao sorgidouro 
e luguar di>s Portuguezes que esta de ri- 
beiro da dcinarcação té á fortaleza, onde 
poderão fazer seus bengaçaes, e vende- 
rem suas fazendas e mercancias». — Carta 
Jiégia, in Archivo, iii, p. 363. 

1609. — «Ao longo da praia d'esta ci- 
dade [de Goa] estão as alfandegas, e logo 
abaixo uns formosos armazéns de manti- 
mentos, a que na índia chamam banga- 
çal, que respondem ao Terreiro do Trigo». 
— Fr. João dos Santos, Ethiopia Oriental, 
M, p. 273. 

1615. — «Quando pois era chegado al- 
gum navio ou algum mercador á sua ilha, 
elle lhe mandava dar um bangaçal, ou 
armazém para metter sua fazenda». — Py- 
rard de Lavai, Viagem, i, p. 234. 

1635. — «Mandei também fazer uma 
casa, a que chamávamos bangaçal, que 
é nome da índia, aonde se recolhe o man- 
timento». — José de Cabreira, Hist. Trá- 
gico -marilima, X, p. 45. 

1687. — «Os priucipaes erão os Dissâvas 
Portuguezes; que de mais tinhão banga- 
Çães, ou feyras publicas, aonde vendião 
pelo mayor preço, e por estanque». — P. 
Fernão de Queiroz, Conquista de Ceylão, 
p. 604. 

1829. — «Havia um grande Bazar, e o 
Bangaçal, ou estancia de madeiras na 
sua área que hoje occupa a Igreja e o Con- 
vento de S. Caetano». — Cottineau de Klo- 
guen, Bosquejo Histórico de Goa, p. 21. 

1673. — «Their Bank Soils, or Custom- 
House Keys, where they land, are two».— 
Fryer, East India, i, p. 80. 

1878. — «Bangaçal formerly meant a 
place of sale or store, but it is now res- 
tricted to a place where only timber is 
sold». — José Nicolau da Fonseca, Sketch 
of Goa, ^. 191. 



* Alguns dicionaristas, fundados neste 
passo, inserem bayançal e omitem banga- 
çal, quando é historicamente manifesto 
que Barros deslocou a nasal. 



BANGALÓ. Dá-se este nome na 
índia à casa grande e abarracada ou 
à casa campestre. O termo ó neo- 
-árico, baiif/alã ou banglã: hangló 
em coucani, bungalow em inglOs. 

186G. — «O bangaló visto de perto 
dava idéa do luxo oriental e estylo leve e 
gracioso da architectura indiana». — Fran- 
cisco Luís Gomes, Os Brahamanes, p. 15. 

1882. — «Eísta chácara fez-me recordar 
com saudades os bangalós da índia, on- 
de passei os melhores dias da minha vida». 
— Lopes Mendes, Bui. S. G. Z,., xii, p. 251. 

1883. — «No meio de jardins e de par- 
ques os seductores bangalows, que são 
os palácios campestres indianos». — Adolfo 
Loureiro, No Oriente,., i, p. 139. 

1886. — «Os bangalós, officinas ru- 
raes, e os viveiros pertencem ás planta- 
ções . . . ». — Lopes Mendes, A Índia Portu- 
gueza, ii, p. 38. 

1898. — «Na cidade nova, abundam os 
bungalows, de bom gosto, espaçosos e 
confortáveis». — Oliveira Mascarenhas, 
Atravez dos Mares, p. 29. 

1906. — «Todos os bengalows, quer 
os particulares, quer aquelles onde se ins- 
tallam as lojas e armazéns, são isolados no 
meio de grandes jardins, fechados por mu- 
ros ou grades». — Hipácio de Brion, Duas 
mil léguas, p. 31. 

BANGUE s. m. Folhas secas e 
hastes tenras de cânhamo (Canabis 
sativa, Linn.), que se fumam ou co- 
mem, e tem a vii'tude de embebe- 
dar, como o ópio. Indo-inglês e indo- 
-írancês bang, bangue. Do neo-áricc 
bhãrig, Scinsc. bhangã. O vocábulo 
iutroduziu-se nas línguas da Africa 
austral. O uso de bangue ó antiquís- 
simo na íudia. 

1554. — «E a Renda de anfião e ban- 
gue, e sabão». — Simão Botelho, Tombo, 
p. 53. 

1557. — «Aforo enfatiota para sempre 
as rendas das orracas, azeite, bangue, e 
anfião de Tanná das minhas terras de Ba- 
çaim». — Archivo Port.-Oriental, v, p. 306. 

1563. — «Agora vos satisfarei com di- 
zervos que cousa he o bangue, scilicet, 
a arvore e a semente. . . Faz-se do pó 
destas folhas pisadas, e ás vezes da se- 
mente ; e alguns lhe lanção areca verde ; 
porque embebeda e faz estar fora de si». — 
Garcia da Orta, Col. viii. 

1609. — «Em toda esta cafraria se cria 
uma certa herva que os cafres semeiam, a 
que chamam bangue, a qual é da pro- 
pria feição do coentro espigado. . . Muitos 
cafres ha que com este bangue se sus- 
tentam muitos dias sem comer outra cousa, 
mas se comem muito junto, embebedam-se 



BAN'IAKA 



BANTIM 



'^m ellc do tal modo, como se bebcMeni 
'». — JoSo doa Santos, Ethiopia 



Hf» 



1 \r. 



<•« vida» a Álvaro 
:<•, H» reiulas, de 

, b;u;ai o sarragnn (Ieia-8<! 

Carta AVy/u, in iJoc. da 



• (. — «Oa banhanecas [iia Africa oci- 
• |U«' •'■ •'M'clleutc, 
>. pangue, que 

!uz iMiia 
(lora». 

i..,v..i.ti .. .i<.;^ .,ri,.-. /f.ng 
:fiang, <> i. ..•! 

'JUC 60 t. : 1.., ;;.io 

ID, Duat mil Leguna ho Uinduttãv, 

Bangue una 

:iiy ordinária en- 

itra diver»o8 ert'ectos, 

n para se oinidar de 

lir sin penHaniicuto : 

- doruiieudo en varie- 

ues: otros para 

> truhaucs: otroa 

*?s«. — Cristóvão 

' I. 

' ■ "<Mi ■■ ..'ut es 

les de« .If ]icc de 

,un r,( > K-iiiJicr, pill vcrizóes, 

I'Arecqui'. poor enyvrer 

ir> oeusM. — Liuacboteu, His- 

"••■•'•'■'•■"■=•':, which 

t< liig (the 

. V .-,; li. Uipju. — 

lUH- :»iifri> ..firte 

c, 

le 

HI 

: ■•r- 
:'• rrsinotiK Kiihstanro 



uuil a 
d I'ro- 

I. — «Wifu. wiffl, bavo Tou oaten 

■■r 
7 dt* Janeiro. 

BANQUEIRO. Homem habituado ao 

itniif 

'"kb Manumnínpji bangiioiro! 



j tuguês; banyan em indo-iufílôs. O 

! vocábulo df8Í{;nava originúríauiente 

o justillio dos IxtJilane» (q. v.). VA.ju- 

tlia em in<lo-j»ortugiiôs por «casaco». 

A palavra ♦'• de iiijporta<;ao moderna. 

]H44>. — «Espécie df baniana ou cutSo 
justo ao corpo». — Filipe Nrri Xavier, O 
iiabinctr LUterario. 

11)15. — nTanjbôuí usam aqui chamar 
baniana á cami.sula, termo que dSu veio 
ainda registado nos dicionários». — lle- 
raUio, de 51 de juuhi). 

• BANTA. Bioco ou sendal com 
que as mulheres muçulmanas cobrem 
o rosto, ou tao somente uma parte, 
dos oliios [tara hnixo. Do i)ers{i band, 
sâusc. band It < 

16G3. — «O rosto na<) descobrem nunca 
fora de casa, trazendo coberto com um 
sendal, ou gnarda-cara de sedas de cavallo, 
a <pie chaniam bantá». — P. Manuel Go- 
dinho, Jielaçãn da 1'trsia, j). 85. 

1G70. — »Portauo il volto sempre co- 
perto de vna maschera tessuta di peli sot- 
tilissimi di Canallo, che a loro non diâi- 
culta il vedere, & a gl'altri impedisce il 
conoscerle». — Fr. Vincenzo Maria, Viag- 
gii>. p. 50. 

BANTIM. Bergantim, brigue, es- 
p»'cialníi'nte nii Malásia. Do mal. ban- 
tiHíj, «emban-açrin mercante de dois 
mastros». 

1G02. — "Mandarão com muita pressa 
negociar alguns Bantis, v três Bateis 
das naoa». — Diogo do (.outo, Déc. IV, 

VIII, 11. 

• Despedio hum bantim muito ligeiro». 
— W.. VI, v, 1. 

1G13. — «Kl. 'de 

outras embarc:i m- 

■' ■ hnntis , .11- jnnu imu 2 

ii'l G. de Erédia, 
..■.^..■., il 2G. 

1629. — "E com outros tre» ou quatro 
navios «|uc havia cm Malaca, •• ■•"•■' ■'•' ja- 
léas e bantins, <|itc alli í<c .m 

urmaru. — In O ( hmuiata di i „ ,. i, 
p.7. 

16S5. — «Quatro i;al.o(us dr coberta, 
um <-alamutc, (I -, e seis 

bantins» —A c. zm, 

p. 85. 

• Um aanguicul, cinco bantin«,(iMnja- 
lia... Ajuntando uma armatiii <>• 
tn^ do chatiii- c bantin* c : .ir<. 

to para qualquer uca^siilui*. 



\iituui" li<'ijirto, íi 

tim 

• BANIANA. Camisola cm Asio-poi 

7 



n.in- 



lUNUA 



08 



BARCA DE OURO 



BANTINEIRO. Dono ou tripulante 
do òaritwi. . 

1616. — «1>. António lhos perguntou se 
virSo Pedro Velho, que era lium homem da 
terra, bantineiro de Malaca, havido por 
oavalleiro». — Diogo do Couto. Vida de 
1). J'avlo, p, 102. 

«Tomado D. Autonio d'isto, falou- se 
com os bantineiros de Malaca, e convo- 
cou soldados .seus amigos por toda a ar- 
mada». — Id., p. 134. 

#bAnua, bénua (s. m. c ].). O 
vocábulo é malaio, bánua ou bá- 
iimm ; significa própriamonto «país, 
iTgiSlo», a oranfj-banua, «aborígene», 
com referências às tribos selvagens 
da península malaia. «E por isso que 
Benuas tem sido empregado poios 
europeus como nome próprio daque- 
las tribos». Glossário Anglo-índiano. 
O nosso Erédia atribui-Uies proprie- 
dades maravilhosas, que teria ou- 
vido, em pequeno, ao pbvo do Ma- 
laca. 

1613. — «Em as mattas daquellè sertão 
habitão Banuâs, gente agreste como 
aquelles satyros de Pliuio, lib. 1, cap. 2. 
E estes Ba nu as, ade vinhos como outros 
de Thuscia, habitão no monte Gunoledam». 
— Manuel Gr. de Erédia, iJeclaraçam de 
Malaca, fl. 11. 

«Affinnão estar naquelle monte de Gu- 
noledam certa cavidade, como aquellas 
covas pitias e sibbillas, onde aquellas ba- 
nuâs sylvestres aprendem as artes magi- 
cas, e tem trato com o demónio. .. E os 
banuas sylvestres da mesma maneira, e 
com a mesma arte e palavras, de homens 
se transformão em tigres e lagartos ou co- 
cordillos, e era outros animaes e aves e 
peixes, alem de ser adevinhos . . . E a este 
propósito farei menção do primeiro Bispo 
de Malaca... querendo evitar o grande 
dano que fazião aquelles banuas sylves- 
tres do sertão em se transfigurar de ho- 
mes em tigres arymos, que de noy te vinhào 
ao povoado de Malaca, mattar meninos e 
mulheres... solemnemente escomungou 
aquelles tigres arymos e daquellè ponto 
de escomuuhào, imnca mais tygres entra- 
rão nas povoações». — Id., fl. 32. 

1902. — «Já disse com melancholia que 
ainda hoje ha portuguezes em Malaca, mas 
que esses portuguezes sàocomoosorang- 
-benuasu. — Oliveira Martins, Fortxigal 
"nos mares, p. 225. 

1520. — «Fu referito per cosa vera, che 

alia ripa d'vn fiume habitauano huomini 

pajfjosi, et alti di statura, et valenti nel 

cal ^ cjbattere con archi, et spade di legno 

que Bd^ ^" palmo, et come amazzano gli 

'^ni gli mangiauauo súbito il cuore 



crudo, con sueco di naranzi et limoni : 
questi huomini pelosi si chiamano Be- 
nuian». — Pigafetta, ajíwrZ Ramúsio, i, 
fl. .'{64. 

BANZÉ. «Esta palavra de jíria, 
que querc! dizer «folgança, funçflo» o 
tambcm «desordem, tumulto», pode 
ser o japonês banzai «viva!», como 
me sugere Z. Consigliori Pedroso». 
Gonçalves Viana (Apostilas). O mes- 
mo filólogo diz nas Palestras : «De 
todos estes mesmos [vocábulos japo- 
neses] os únicos que ficaram verda- 
deiramente portugueses são biombo, 
bonzo, catana e banzé, se na reali- 
dade representa o japonês banzai I 
«viva!». 

A expressão japonesa banzai si- 
gnifica literalmente «dez mil anos», 
e usa-se na saiidaçao ao Micado ou 
imperador. Mas quem a teria trans- 
mitido à gíria portuguesa o por que 
motivo? Os nossos escritores nâo a 
mencionam. 

1897. — «Aproveitam-se avidamente os 
mínimos pretextos, aqui nas cidades como 
alem nas aldeias, para pomposas glorifica- 
ções ; e o grito — banzai! — freme entre a 
turba. De banzé vem por certo este grito, 
ou dele deriva o termo portuguez ; mas 
aqui com uma significação respeitosa, im- 
ponente, de commemoração festiva». — 
Venceslau Morais, Dai-Nippon, p. 202. 

BARATA. Como termo oriental, 
quere dizer «letra sacada sobre o 
tesouro, ou ordem de pagamento 
passada à fazenda pública». Do 
persa-turco barãt. 

1554. — «Da qual divida se ffez barata, 
que he a obrigação do dito Rey [de Or- 
muz] assinada com sua chapa» (q. v.). — 
Simão Botelho, Tombo, p. 86. 

1666. — «Plusieurssont écrivains, sous- 
(k-rivaius et appliqueurs de cachets sur les 
bar attes ou papiei-s pour recevoir de I'ar- 
gent, sur quoi ils savent bien griveler pour 
dépêcher les barattes». — Bernier, Voya- 
ges, í, p. 298. 

* BARCA DE OURO. Nomo de barra 
de ouro, de forma de barca, que 
outrora corria como moeda no co- 
mércio do extremo Oriente. Holan- 
dês Goldschuyt, inglês shoe of gold. 
Os nossos escritores chamam-lhe co- 
mummente pão de ouro (q. v.) ; tam- 
bém dizem ouro de pão, para denotar 



IIAKOAXIM 



BAKU <) 



«n]>f»rí<»r qaalidado do motal. Ort 
' ' à l»arr.i de |>rata. 

.! linvi-i !'"-nêdetánj,... 

Barcas '!>' da China que | 



Ir- 



tv, p. 'J;6Ò. 



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id. 
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J. u... 

Mdrot, 

d.: 

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.J. 


""> as mercadorias quo 

, de prata, •• bal- 

■i i soda solta c te- 

<0l. XII. — aAl- 

Ta . . e algtima 
• deve ter aqui 
r... — Conde de 

í»? ChinoÍF transportcnt 


cida«. - 

gam a i 

n 


i\- 




, i'- ^•' 


'teauxii;;' 

■)-■ l.-.s 1 r 




!>;»« aiJi. thiuois 
'. — Taví-rnier, 



e^ depois avaliada em 40 r<^Í8». 
loasàrio AAfjlo-ii)diauo ((\.\.). I'ma 

vàiíj^a branca ou de prata t--' "• 

tro fxtrganiníi, O vocábulo n 
nas (O ' ' ' ■ ~ (Io liua, 

com 1. iita parte 

de tatiga ou acçfto». Em concani 
'liz-se, por contracção, bãrnl. 

IM*?. — «Recebeo francisco corninell 

1 .. <|iiiiiÍR'uto8 (> dt>zoito par- 

barganis <l<>ti{i lt>ac-8». — Io 

I'j A. de ' lue, v, p. 29b. 

' — «Per . ilitos Gauncarts 

' sfiilior de- 

i^arganis a 

1 H03 Mouros». 

V, p. 7r». 



<.iii,i lítiuo 



a. 



! a 



\prHlM, brichi. :\/.ag.ii,i m- 1 

.a comprida e tina ; virote, } 
rdo ptfqueno. Do hindust. hítrchki. 



:i-si roíi 
íiv» Fort 

.....1. — «De 
vara hum barganym ou a .- 
acostuijiadau. — Aforipo Mexia 
dof ti[}icia*'« <i() Mandiiitii. 

lô.')4. — «Sào de 4 bapganis a tanea, 
e de 24 leaes bargany». — António Na- 
nes, Lyvro dou l\'/i<>8, p. 31. 

1554. — «A Kazan de quatro bargua* 
nis a tanga [branci'. •■ \Iiit.- (iii.iti..T,:i,«s 
o barganim, 
zarui-os». — Sim 

lõõT. — «Que a uiutrda 
hum bar gani, que era n 
T<" ;tva cada Iiutn dou6 viuteu^». — 

(.' n, 11, cap. 25. 

10(hÍ. — «lluuia moeda <le prata boa, a 

3ue chainavSo barganym, de valor de 
oue vinténs».— Gaspar Correia, />eru/a«, 
II, p. 76. 

1802. — «Bargani. Quarta parte de 
tao^a oa Ttiticó > acção)». — F. N. Xavier. 
" -h H.st d 
-'. — «In <i 



Barchim, 



(Ir arrf»- 



Li. 



t ' I jonin, n<>u «■ stampata». — U. Haibi, 
, ■, ti 71, V 

* BARICO. Rmprega-80 ^f»te adjec- 
vo 1'ouí I ,1 a dua^ 

fruta» jaca. C- 

muito mais do<'u que oi ordíná- 

lios; conie-so crn, e ii.l ~" 

OQtroii uftON. .Inrn hái 



uu^u^u de u>jiào, . provOni o ^cu nome em cx)nc. 

panas f *j:^< • • i «i..-. 

BARGANIM (biiidust. harakunl). ! dad<> d<< i 



:upu da ocopaçAo portuguesa do •sumarento». V.yara. 



JiARLAQlJE 



100 



lUSTAO 



ct'mu) (' <» nialaiul. v.arakka, 
«l)om, doce»; em túlu harika, «duro 
(fruto)». Barkó em cone, barkã em 
mar., quere dizer, com relação à jaca, 
«mole, flácido, isto é, o mesmo que 
g eriçai. 

1886. — «.Móvcm é o côco barico ou 
doce, isto é, o côco perfeito, mas destituído 
de substancia oleosa ; e por isso constitue 
ura alimento gostoso e salubre». — Lopes 
Mendes, A Índia Poriíujueza, i, p. 174. 

XVIII. — «As jaquciras devem ser de 
boa casta, e d'eatas, dizem alguns, qite me- 
lhores são as bar iças do que as geriçaes. 
Outros seguem a opinião contraria. Mas o 
certo é que hão jacas baricas que exce- 
dem ás geriçaes, e hào geriçaes, que exce- 
dem muito ás banlcas». — Arte Palmarica, 
I, p. 159. 

1782. — «O que quer fazer o planta- 
mento d'esta arvore, ou seja das baricas, 
ou gerissaes, ou carnudas, deve procurar a 
semente da melhor qualidade, doçura e 
grandeza». — Fr. Clemente da Ressurrei- 
ção, Tratado, ir, p. 300. 

1873. — «A [jaca] barica é consistente 
e dura; seus bagos se separam inteiros e 
podem ser cortados •, a gerissal é molle e os 
bagos tão brandos e sumarentos, que não 
se prestam ao corte e mettem-se inteiros 
na bocoa». — Bernardo da Costa, Manual 
do Agricultor, ii, p. 148. 

1612. — «Le fruit [jacaj est encore meil- 
leur que nos melons, la poulpe ou chair 
qui est la plus dure passe pour la meil- 
leure ; les Portugais I'appellent Cocobarca». 
— Relation dc la Chine, p. 22. 

1658. — «Questa è gustosissima, di sa- 
pore di latte, alquanto piu dolce, anzi 
quando sii di cocho Barca (specie parti- 
colare) sembra vna massa di zuccharo, e 
latte, cundensata». — Fr. Vincenzo Maria, 
Viaggio, p. 359. 

«La prima detta Giacha Barcha, che 
è Iq migliore, piii dureuole, di maggior 
prezzo, di pasta piu soda, e gustosa. L'al- 
tra Giacha, Pappa, ò Girasole, la quale per 
essere piu commune, troppo molle, quasi 
disfatta, onde a' forastieri causa nausea, e 
abborrimento, è di molto minor stima». — 
Id., p. 381. 

*BARLAQUE (s. m.). vocábulo é 
o mesmo que o malaio bêrlãki, com- 
posto de lãki, «marido», e de bèr, 
prefixo verbal. Berlãki é, portanto, 
«tomar marido, casar-se uma mu- 
lher», íío português de Timor, po- 
rém, emprega-so barlaque como 
substantivo, no sentido do «compra 
de mulher segundo o rito gentílico» ; 
e forma-se o verbo harlaquear-se^ 
«comprar mulher». 



1884. — «Barlaque. K o casamento 
gcutilico que consiste em ligar-se um ra- 
paz a uma rapariga; muitas vezes é o ra- 
paz obrigado a casar com uma rapariga do 
certa e determinada família; o que geral- 
mente acont(^ce com os régulos que pre- 
tendem barlaquear-se». —José Vaqui- 
nhas, Timor, iu liol. S. G. L., iv, p. 584. 

1884. — «O barlaque é a compra de 
mulher, que vale tanto mais quanto maior 
for a jerarchia a que pertence. Se for chris- 
tão, casa-sc com uma e barlaqueia-se 
com quatro». — Jacinto Pereira de Castro, 
Annaes do Conselho Ultramarino, \). 11. 

1908. — «No português de Timor: Bar- 
laque, casamento gentílico. Barla- 
queado, casado, dc Berláki, tomar mu- 
lher». — Alberto de Castro, Flores de Coral, 
p. 139. 

BASIM. o termo figura, sem abo- 
nação, nos dicionários portugueses, 
desde o de Morais, com o significado 
de «lençaria de algodão Bengaleza». 
O de Vieira deriva-o do francês ba- 
sin e o de Cândido de Figuoiredo do 
baixo grego bombaxion, de bombax ! 
O nome do tecido de Bengala ó na 
sua pátria que se deve naturalmente 
buscar. E o bengali tem bãsi, «cui- 
dadosamente lavado (aplicado a pa- 
nos que são bem lavados com sabão)» . 
Biiojendra Ghosal. Bãsi deriva-se do 
bãsa, sânsc. vasa, que quere dizer 
«roupa, vestido». Basim designaria 
originariamente «tecido de algodão 
lavado», em distinção do cru. E a 
exacta ortografia seria, por conse- 
guinte, bassim ou bacim. 

# BASTÃO. Designava-se por este 
nome no Oriente o fuste ou pecíolo 
do cravo, q. v. 

1535. — oE deixou cargo ao seu escrauo 
que alimpasse o crauo e vendesse o bas- 
tão a troqo de cotonias». — Gaspar Cor- 
reia, Lendas, iii, p. 663. 

1554. — «O baar de bastão do crauo 
asy mesmo é em tudo ho do beijoim, car- 
damomo, e cubebas». — António Nunes, 
Lyvro dos Pesos, p. 7. 

1563. — «Ruano. E o que os Castelha- 
nos chamão /?/s<e, e os Portuguezes bas- 
tam donde he ? — Orta. Sam os páos donde 
estes cravos pendem, como as flores pen- 
dem dos páos meudos». — Garcia da Orta, 
Col. XXV. 

1589, — «Quant aux moindres [cravos] 
parmi lesquellcs il y a quelque poussiere 
et ordure, appellez Baston, on en vend 
le hare sept ou huit Caixas». — Liuscho- 
ten, Histoire, p. 35. 



IH] 



ruiiHiUC 

] lit, et hi 

Kl |itiig.tiit«'iituiii Lusitani 

H ;wi;, 1 rates Sagtlgruns solent 

.lit». — i*Uo, Mantiééa Aromática, 

♦ BASTÃO ' também ama medida 

' '' ' ' . o l.M-ino .! - • ■■ ' 

XVI. — «Eiu estas ilhas «!(> Dyve fazem 

■ ,ii: vli'ò> Tini.iH.'i .!.■ :il. --Milão, e assim finos 
bastões a pei;a, 

:■]■■ r..;M >,'íla. . . 

Baston i-aM mhu taz '-n: • ' alquei- 

i« .-. K um baston i". ■ "-aes de 

— In Boi. »> 111. pp. 350 

BASTARDO (s. m.)- Moeda do ca- 
uu ostanlio, mandada cunhar | 
lalaoa por Afonso de Alhuqut-r- i 

;rou duas sortes: a liua i 
'. e a outra que continha I 
■ •<, chamou soldo c a outra de 1 
bastardos». — JoSo de Bar- j 
'í<. i ''•('. ií, VI, 6 I 

Í557. — «K outras [moedas] que pesa- j 
\ani dez snMos, puzeram nome bastar- 
dos» — <J >hi limitar iog, iii, cap. 3"J. 

BASTIÃO. K o nome da moeda de ! 

}>rata, do valor do 3<X) réis, qne j 

I). Luís de Ataíde mandon cunhar i 

m Goa com a otígie de S. Sebastião, j 

1618. — «Xerafiin. a que por outro no- i 
lie chamào Bastiões, sãohumas moedas ' 
' ' 13 na índia por mandado dos Vice- i 
tem de valia cada huma «iellas j 
— Manuel fiarbosa. iii Archivo 
ilal V, p. 328 
.■ — «Dom Luis de Athaide some ; 
afterward.s, not content with the 

'■'••icy, sent into circulation 

coin, valued at about 

'....1 .-..n.-d bastião, after 

iire»3 it bore». — 

K Shrl.h nlTrn,, 



JiA'I'A. Ka(.'ãn, cuijictlona.s ; j^i'aU- 

ticarilo, j)roj)ina. Do liindust. UkiUi, 

'ihatha ou bliãtã, adoptado em ma- 

■' • {hhatUi, bludã) o t»m indo-lnglôs 

'). O termo portu{;ui>8 corres- 

, usado pelos escritoros an- j 

■mautimi'iitn 1 . \'. Infhihi- 

l<ulo uma vez (p. 233): «E para dous | 
f'irazes (q. v ), dous pardaos a am- j 



bos por més, quatro tamguas para 
htttan. O eilitor (R(jdrigo Fólner) 
nota que «pareço quo devo ser t ba- 
te» . isto é, arroz com casca». Mas 
tal uilo O, como se deprc-nde do con- 
texto e da verba que segue : cE ao 
condestabre trynta e oyto mil e no- 
vecentos e vinto reis por ano, em 
que entra mantimento». E om outra 
parte (p. 237;: «Vj a seys obreiros 
fterreiros que soruem na fl'erraria, a 
dous pardaos por mOs, e seu manti- 
mento d'arroz, pexe, lenha, pela ma- 
neira acima». Demais, os farazes, de 
que fala Simão liotelho, nào pode- 
riam, por vários motivos, praticar 
j)or si o longo processo, seguido om 
Goa, de reduzir o arroz cora casca, 
a arroz limpro, pronto para cozer. 

1736. — «Le Nabab me fit saluer à son 
tour, et m'envoya le Battiam: c'est la 
uourriture de chaque jour, qui consiste eu 
luie mesure de ris, une demi-mesure d'uue. 
sorte de pois du Pays, du beurre, et qua- 
tre pieces de monnoye de cuivre faisant 
la valeur d'uu sol, pour acheter du poivre, 
du sei, et du bois». — Ijcttres Édijiantat, 
XXIV, p. 219. 

«BATA, f. (gir.). Map. (Or. ind.). 
O. de Figueiredo. Se com efeito o 
termo é do origem indiana, o seu éti- 
mo deve sor o neo-árico hãt < sânsc. 
hasta, «mao». O malaio tom hatang 
no sentido de «mao. cabo de instru- 
mento». 

* BATALÓ p. ill.;, lliiulu puiuHn» 
por couK'r com pessoa de diferente 
casta, ou cousas proibidas. Do cone. 
bãtló, pretérito perfeito do bãtunfc, 
mar. bãtuetn, que vem do hiudust. 
battã, «troca». V. castas. 

If)fi7. — «Os gentios se distinguem por 
í^es e ca.stas de maior ou menor di- 

. lade, e tem por mais baixr.s ns Chris- 
tãos, e guardam tam super-' iite, 

que nenhum da ca-nta mai.s .i . co- 

mer ou beber com os da maia baixa, logo 
perde sua casta, e premineucias dcUa. . . e 
a este que nasi comco chamílo cm sua lin- 
goa Batalo |leia-se batahi], a saber ho- 
mem coustituiflo fi>ra da casta», — Primeiro 
Concilio de Goa, in Archivo, iv, p. 8. 

BATÃO. E sinónimo indiano do 
ágio; biitta em indo-inglês. A pala- 
vra deriva do hindust. battau (tam- 
bém baftâ ou bãttâ), do qual provém 



BATCAR 



102 



BATE 



o mar ata vatuv o o concani vãfãv. 
O termo mais usado, nojite sentido, 
pelos nossos infli.inlKt.is i'> surraja- 
gem (q. v.). 

1554. — «E aliem diso tem batâo, qne 

he çarrafagem ou caibo, qnc uão Iic certa». 
— Aut<')nio Nunes, Lyvro dos Pesos, p. 38. 
«Alem diso tem seu batão, que he çar- 
rafagem ou caibo, Beguudo tempo». — /cí., 
p. 40. 

♦ BATCAR (battcar), batcará {hatt- 
cará). Proprietário de j)rédip rústico, 
especialmente de palmar. É usado o 
termo em Goa. , Do cone. hhãtkãr, 
derivado de bhãt, «palmar». Cf. òa- 
thiás e vid. manducar. 

1852. — «Bathacaro. — Senhor, pro- 
prietário, douo de Batha ou Palmar». — 
F. N. Xaviei', Bosquejo Histórico, iv, p. 2. 

1872. — «O solo plantado de coqueiros 
recebe o seu nome de ijalraar {batt) e o 
cultivador ou dono, o do palmareiro (batt- 
tsar)». — Bernardo da Costa, Manual do 
Agricultor, i, p. 140. 

1886. — «Todas as partes de que se com- 
põe o coqueiro são igualmente de reconhe- 
cida utilidade ; e por isso os battacapes, 
ou palmareiros, na sua linguagem meta- 
phorica appellidam esta arvore o Patxyà- 
ruqhá — rei das arvores». — Lopes Men- 
des, A índia Porlugueza, i, p. 171. 

1890. — «Nas Novas Conquistas é cos- 
tume, pela festa de Ganesh, levarem os ar- 
rendatários ao battcar (proprietário) um 
cacho de bananas, de arecas ou outros 
fi'uctos conforme a producção do prédio 
arrendado». — Antfinio de Almeida Aze- 
vedo, As Comiaunidades de Goa, p. 94. 

1909. — No arrendamento de proprie- 
dade particular desapparecem o alcista, o 
saucar e o colono, para darem logar ao 
batcará e ao mandcam. — Manuel F. 
Viegas, Boi. S. G. L., xxvii, p. 427. 

1010. — «Aqui sob a denominação de 
saneares, que segundo os documentos offi- 
ciaes, desappareceram da scena das suas 
depredações; mas ha-os ainda nesta vasta 
província de Goa sob o nome de battca- 
res». — António F. Moniz, Historia de 
Damão, m, p. 301. 

1912. — «Mas quando amanhã tiver de 
a semear como várzea do seu batcará, 
ainda mais fugirá de ser seu manducar». — 
O Ultramar, de 7 de Novembro. 

191(3. — «... que lhes dê a impressão 
ou a ilusão gozosa de pequeno battcar 
(de munddcar que daqui havia saidoj». — 
Heraldo, de 4 de Abril. 

1878. — «The bátkará is the very type 
of a Groa country gentleman, simple in his 
tastes, but of cultivated mind». — J. N. da 
Fonseca, Sketch of Goa, p. 16. 



*BATCARISMO. Sistema agrícola 
do batcares e manducares ou de pro- 
prietários e colonos ; a qualidade de 
hatcar ; sua prepotência. 

1916. — «Não sendo possível restaurar 
já o battcarismo, nem o gauncarismo, 
que fazia a distribuição equitativa das 
várzeas da aldeia pelos respectivos colo- 
nos, cumpre atender a outra maneira de 
restabelecer ou criar o credito agrícola 
local». — Heraldo, de 4 de Abril. 

BATE (concani-mar. hhãt). Arroz 
em casca ou em erva. O termo é 
corrente em indo-português e no por- 
tugur3s de Goa. Arroz, por si só, 
quere dizer «o descascado ou cozido» . * 
As línguas vernáculas também pos- 
suem nomes distintos. V. arroz. 

1531. — «Somente levará o Tanadar de 
cada candil de bate meo leal». — Afonso 
Mexia, Precalços dos offiviaes do Mandoim. 

1554. — «O mura de batee tem três 
candis, que he arroz com casca». — Antó- 
nio Nunes, Lyvro dos Pesos, p. 40. 

1563. — «Por razão do qual, que elles 
chamão bate, se chama o Keyno Bateca- 
lou, que interpretão o Reyno do arroz». — 
João de Barros, Dée. Ill, ii, 1. 

1574. — «... que jiassa tirar em bate, 
que he arroz com casca, daquella Forta- 
leza, e da de Baçaim, e Chaul pêra as ter- 
ras de Cambava, o que seus Capitães virem 
que he necessário». — Apud Diogo do 
Couto, Doe. IX, cap. 28. 

1634. — «O deposito que tem de manti- 
mentos, são vinte e seis muras de bate, 
cada mura tem três candis de Goa, e o 
bate he arrôs dentro na casca, em que 
nasce, que o faz durar muito tempo», — 
António Bocarro, Livro, iv, p. 224. 

1(587. — «A Vidâna de Vintena, sem 
corrupção, Vitienu, cuja versão he. Terra 
que tem muito bate ; ou arroz com casca, 
ocupa 27 legoas em circumferencia».— P. 
Fernão de Queiroz, Conquista de Ceylão, 
p. 48. 

«E tendo junto muyto bate (assim cha- 
mão em Goa ao arros com casca, e no Sul 
se chame nele) não se contentando com o 
que buscauão . . . ». — Id., p. 396. 

1760. — «Obrigou a sup. [licante] fazer 
provimento na dita Praça de trinta cumbos 
de bate em cada ano». — Documento pu- 
blicado no Heraldo, de 1 de Dezembro de 
191Õ. 

1777. — - «A dez rupias o Ará de bate 
Dangue e a oito rupias o bate caráy>. — 
A2)ud António Francisco Moniz, Historia 
de Damão, i, p. 155. 

1912. — «N'esse quarto frequentes ve- 
zes se rocolhia batte na época da co- 
lheita». — O Ultramar, de 28 de Julho. 

1589. — «Quand il [arroz] est encore en 



1". \ ri(; \ 



1 íí:\ 



u \i Tt : \ 



. p. 73. 

itH.i - n . . ilo for .1 

Fish called />' teoftlie 

]' rt, >\ (I'l ,i\ •• •■1! I [Miii ami Batty, 

sortf "f Ik'ut', am! tlio Wine <tt" 

lut * i.i>>e, called TodJyu.— V ' ' 

India, I, p. 173. 

BÁTEGA (bátíca). Na acepção de 
abiK ' .tal", o termo ó obsoleto 
no i' V, mas vigora no Oriente, 

e em ásio-portugu»*'» com o sentido 
adicional de «bandeja» e nas formas 
de bática e báíic. Os nossos escritores 
i I -no às vezes ; o que 
i no seu tempo, não 
ura muito eoniiecido on que tinha 
adquirido novos signlíicados. Dá-se 
geralmente por étimo o ár. hãtya; 
/y observa que a inserçílo de 
i liar e a etimologia está longe 

de ser certa. Seria conveniente saber 
se a palavra era conhecida em Por- 
tugal antes do descobrimento da ín- 
dia. Viter])o menciona, como uns dos 
étimos possíveis, abatica, que na 
índia he o nome, que se dá á bacia». 
— V. Fr. Joào de Sousa. 

♦ BATEGADA emprega-su vm a<)i> 
sentidos: por «bátega cheia», e por 
«pancada na bátfgu cora uma va- 
queta, a modo de badalada, como 
sinal ou como salva». V. bacia. 

1525. — «Trazem uae mão» hHas báte- 
gas d oaro do tamanho de huu baril d au- 
g<i;i as mãos». — Chronica de fíitnaffa, 

p. U»9. 

1535. — «Tanto que entrou honde elle 
estava, lho apre.nentou húa bátega douro, 
<• II. lia l.\av:i hna adaga cheia de peço- 
nha...— If>i,l.. ). 10 

»As qua«.'."4 vem em hfia.-* bá- 

tegas ([Ui- - d ouro». — Jbid., 

p. 70 

1540. — '•) Bateqas I Diu, 2 doira- 
das. 1 Bátega )• com 12 
bátegas pe(jii>-ria- .>. a^uida 
tí-rra». — E8pt>I{o dt ilaltUa.ar J<^rge, in 
Hol. S. O. L . IV. p. 2<»0 



I), 



hHri a'. •>'!• 



'.; 



o diante 
i.H redon- 

i IS, f biiUi lia.-, nnivlas v 
1 bátegas ■!<• prata». 

C.i; I.::,i.. .1, 14»;. 

l.'j.M N ,u iiSo ha 

dinlifiri. aiiii.i iluilii, r o ii< i|Ui- .se usa c 
pratic.i III- .Ic bátegas, t>a(.'i.>á e outras 
couí«ab de serviço, que sio du huum metal 



itónio Xi . 
*•...., j,. .•5^, 

c. lúíjO. — «Vâo diante moças que lhe 
Itvãn a espada e o betch' om bátegas, e 
tini"! sulirc o ourou. — (jalíiii'1 lífhêlo, /«- 
' ' ■ '.7j» de MaJuco, j». lâã. 

lhe trazem dez baty- 

gds, u.iiias de latão rasas... e 

el> ue está em outras bátegas». 

— Li...,..i. - ireia, Lendas, iii, p. 71.>. 
1613. — «Bátegas <le latào, que s5o 

bacias, cheyas de arroz cozido». — Fran- 
cisco de Audrada, Chron, de D. J(jão III, 
iit, cap. 24. 

«Acharão muytos ídolos douro, e de 
prata grandes e pequenos, caudieiros, bá- 
tegas, campainhas, e outras cousas de 
serviço do pajíode». — Id., iv, fl. 101 v. 

1615. — >. De bordo dos navios com tam- 
bores, batigas, e caldeiras, fizeram tão 
grande bulha, que os afuguentaram». — 
Pyrard de Lavai, Viagem, i, p. •272. 

1617. — «... apresentar huuia salva de 
ouro, a que os naturaes chamam bátega, 
na qual os Reys, do Oriente costumam 
trazer o Bethle». — Conquista de Peyu, 
cap. XIII. 

1650. — «Vigia toda a noute com bá- 
tega e soldados». — António F. Cardim, 
Batalhas, p. 22í>. 

1668. — «Mezes ha que não vem a Ma- 
cao Mandaris j)or terra com os seus cori- 
bantes das bateqas... Veyo da Caza 
branca por terra hii Tagim de nove bats- 
gadas lá pola tarde ás sinco horas á porta 
ua Cidade junto á nossa Igreja». — In TVi- 
s8Í-yaitg-knó, I, ii, 12. 

1727. — «Batica. He o nome que na 
índia se dá à Bacia. Huma batica de 
prata, de cobre, etc.». — Bluteau, Supple- 
mcnio. 

1745. — «24 tambores ou baticas de 
cobre que acompanlulo estas trombetas». 

— In Ta-sst-yaiig-ktió, de Julho de 1900. 
«Lanção todos [os patinhos] a pasto por 

humas taboas, donde ao ]>or do sol e tocada 
em cada embarcação huma batiga, ao 
som delia se recolhem». — Ibid., II, ni, 3. 

1882. — «Avultam as variadas espécies 
de bandejas usadas no paiz TSiame], e cai- 
xas para bethel; bátegas, bules, etc». — 
Henrique Frostes, in liol. iS. ( • 

p. 39'J. 

1883. — «A grande bátega, ou (,fi- 
íam, pende de um lado do tectu. eniquaiito 
do outro está situada uma sÍ! \.loift) 
Loureiro, Xo_ Oriente, i. p. •'• 

ItSht;. — «Á frente .!• 
locam-se os ca<;adores < 
xiiiffa {(\. V ), bátegas <>'■ «.i-n, . ■(.- ,• 

atabaqucf*, e fazendo uma gritaria infer- 
nal.. — Lope-^^ ^' '■ ' ' '■ ' '" •' - 

gncza, p. 51. 



• «Fuxilcira», diz C'aíilauLcda,iii,c.ip. » J. 



BATI 



104 



BAVINA 



1907. — «Sobre uma cadeira, ao lado da 
cova, tuna imagem de 8. JoãOj e perto uma 
botica, ou bacia de metal, para recolher 
08 donativos». — O Oriente Porhiguez, iv, 
p. 90. 

1008. — («Leva o resto do preço n'uma 
batiga de latão ou cobre». — Alocrto de 
Castro, Flores de Coral, p. 17tí. 

*BATEGARIA. Multidão de bátegas. 

15G9. — «Vsam de infinidade de vasi- 
lhas de latão : e da China se enche toda a 
Jaca e Siani destas vasilhas a que na ín- 
dia chamam Bategaria, e sam em cada 
espécie miiy perfeitas». — Fr. Gaspar da 
Cruz, Tractado da China, cap. 11. 

«BATHIÁS, m. pi. Negociantes in- 
dianos estabelecidos na Africa orien- 
tal. Assim escrevem geógraphos, 
sem explicarem o emprego, talvez 
arbitrário, de h em lai palavra». As- 
sim aparece o vocábulo inscrito na 
1." edição do dicionário de Cândido 
de Figueiredo, sendo eliminado da 
2.* Explica-se o emprego do h pela 
intenção de representar o t cacumi- 
nal do guz. hhãtiyo, mar. hhãtyã, 
nome duma casta mercantil guza- 
rate. Outros autores dobram as le- 
tras em idênticos casos — sistema 
geralmente seguido, por conveniên- 
cia tipográfica, desde os antigos mis- 
sionários e de que ocorrem numero- 
sos exemplos na presente obra. Os 
que ouvem tais fonemas cacuminais 
(í, ã, n, l) julgam que os não devem 
confundir cora os seus res])ectivos 
dentais portugueses. 

* BATI (s. m.). Alambique indiano. 
Do cone. bhãtfK^hmãnst. hliattl. E 
pouco usado. 

1554. — «Butiquas a'orraqua e cura e 
dos bates do xarao». — Simão Botelho, 
Tombo, p. 54. 

1609. — «O segundo vinho se faz esti- 
lando esta sura azeda em um engenho a 
modo de lambique, a que chamam bati». — 
Fr. João dos Santos, Ethiopia Oriental, i, 
p. 296. 

1852. — «Batty. — Alambique, ordina- 
riamente é de barro». — Filipe Néri Xa- 
vier, Bosquejo Histórico, iv, p. 2. 

BATI. E também o nome de «sa- 
pal» em Goa, mas pouco usado. Do 
cone. hJiãfi. 

1727. — «Bati. Palavra da índia. He o 



sapal, que ee cria no rio extravasado da 
Várzea». — l?luteau, Supplemenlo. 

BATUQUE. «Dansa especial entre 
08 negros de Angola; acto de batu- 
car, de martelar, de fazer l)ulha. (Do 
rad. de bater f)^. C. de Figueiredo. 
O vocábulo não deriva de bater^ ó 
de origem africana, provávelmento do 
landim batclnupie, «tambor, baile», 
nem é privativo de Angola ; na Africa 
Oriental também liá batuque. Na ín- 
dia, batuque é sinónimo do vernáculo 
gumate (q. v.), instrumento que de 
ordinário acompanha o canto e a 
dança popular, conhecidos por ???(m- 
i/d.'BATUCAR é tocar o gumate. BA- 
TUCADA ó toque de gumate. 

1877. — «Em todas as raças se encon- 
tram instrumentos unisioos, marimbas, gai- 
tas de canna, batuques, etc.». — Caldas 
Xavier, Boi. S. G. L., ii, p. 83. 

1882. — «Um tambor ou batuque em 
tom grave era tangido á mão pela mais 
velha do rancho». — Henry 0'Neil, A/r. 
Or. Portuffueza, ibid., in, p. 208. 

1882. — «Acompanhadas por todas ves- 
tidas de gala, tocando batuque e dau- 
sando». — José Vaquinhas, Timor, ibid., iv, 
p. 483. 

1883. — «AqueUa gente, com a mira na 
pequena paga, entregava-se com ardor ao 
trabalho, fazendo grande algazarra e ba- 
tendo com as raspadeiras no costado de 
ferro do vapor, como acompanhamento de 
batuque aos cantos uacionaes, que en- 
toavam os que nadavam em volta do va- 
por». — Adolfo Loureiro, No Oriente, i, 
p. 114. 

1896. — «Preparação já elle tinha feito 
ás 4 horas da tarde ao som do batuque 
e tambores dos brincom» (em Goa). — Gip, 
Jacob e Dulce, p. 87. 

1904. — «Em occasiões festivas ao velho 
batuque substituiu a musica, os vinhos 
generosos occuparam o logar da aguar- 
dente nativa, os doces de assucar affronta- 
ram os da jagra». — Ernesto Fernandes, 
Regimen do sal, etc., in Boi. S. G. L., xxir, 
p.387. , 

1907. — «Consiste na queda de indivi- 
duos que, a som da batucada, deitam- se 
na terra, como se fossem mortos, e a som 
da 2.* batucada Icvantam-se todos ao 
mesmo tempo». — O Oriente Portnguez. iv, 
p. 89. 

1908. -^ «Mas estruge o batuque, á 
airosa moda serpentina de Cailaco, mal 
imitada comtudo». — Alberto de Castro, 
Flores de Coral, p. 221. 

«Vêem batuques festejar a pessoa do 
Emboóte (Governador)». — Id., jj. 223. 

BAVINA. Mulher que se dedica ao 



I'vAXA 



KV» 



li AX A 



pervioo . 

nos. l)u I 

i'niuMi e bailadetra. 



india- I como o Baxá 
\* ,7.. 



l-^-M 



to: e o da Pales- 
tina, que coi;. DiuytA parte da 
I».— Fr. WutaÍL'ãi> do Aveiro, /dnr- 



B.'ivf nns 



á caaias». — LolUcrni 



Baxas ãv ll.Unloi.iii 
Iirt- ri iiiriiii:*.... — Yr A; 



. i-ia, 
101. 
uarta.4, cinenentA 

Slil- 



im 

. ..i m- 

?». — I ..opes 



-, t.- Ill 111, 
Baxá oit 
^ litTiiardino, mn' v<trf>. ji -«'"^ 

hill. — «Hnni inprcador Monro levava 

■■■- >'•■■■ ' '■• ■' ' - ' -fáa. 

tVz 
■<■ ■ . -.w ..._w : J...... ...-, Ba- 

ches Ml». — Uiofro do Couto, hial. 

.1. V ,M-,v, ,. ^:i. 

t) foi o desconten- 

, bachá de Cambaya 

tinha com o Vice-Hei da India». — Pyrard 
de Laval, Viagtynt, n. n Jl'i. 

1627— «Tabaco ' oral daquella 

esquadra. tant<» qu' ucou, fui logo 

tra d^r conta .lu Baxá uu Kci, que tudo é 

,ro, niesma v<*usa [em Argel] da preza que tra- 

Wua da Aldeia, e ás írrri- i zia». — J. C. Mascarenhad, IlUt. Tragico- 

■'■•. — Auu'tuio de Almeida j ruaritima, viii, j> 1.3 

Aiif vedo, ^4 C'ommi(ni<ia(/e« de Ooo, p. 85. 1634. — «K* Baxá, 

DAvi iS r »i • /If- ' n"^ ®»t* P**r "^ — An- 

BAXA. lu a forma arábica {haí<l , iJocarro, Licru, iu c ( hrouitta <l 

iIh fxi.ri'i, q, V. riovernador ou . •'i^'y, m, p 124. 

.<5 (^ título bono- i'i52. — «O Enipcrador dos Turcos tem 

, . j hmna pelo.sia coberta c<>u> hum sendal 

■ j vcrdf. por onde vê, e Olive til ' "OS 

iiii- 

.,. ,^ |)0r Oover- i *^<^ ' -ino». — i'. Ant.iuo > it-ira, 

i». — Antt'inio Trnreiro, Itinera- j .^r/' . p. 259 

17. — «TotnarSo quatrocentos mil cm- I ^ ficasse com ellc »i ha- 

..^ . ^ ...1.11 Í. 

— P. Manuel Go- 



■ j vcrdf. por onue ve, e oiive tn 

1.^29.— «He senhoreada pelogrSoTur- j Bachás tu/.m, e dizem, qi i 

' <'IIe tern hnm Báxá |M)r Gover- i ^<^ ' -lho». — 1*. Ant.iuo > ici 



••'•'•I '•■ hax?S 



ia». — Kemio Pinto, Pertyrinwulo, \ 



\. 



tV un aitro 
a I -i; / . . — o l^ilhl. 
«H«> Turco den a capitania moor i Itiôe. — «li Bos^.; 
'itH- iii.iii.liiiia aa India ao Co- j g^uemo di .|i. 'li 
"•■^ ró». — i'astanlie- — i" *■• ^'^' 



:ino 
I ul 



•t. 



IfiTn 



n. 



«t de ' 
dc l.n V 



iJcc III, ÍV.:/. , nio. ul. 

-Vfl-'V q»ie qner dixor Conselheiro, he ' deri'nt,(i»m <i 
I k do Duque, e Baxia 
i. n«'r. IV. V. ir: 



•in- 
itt li^urti i:h4tr^e>". 
• V 12. 



•SCnn>ta lo^n o Va\l qi 



1688.— «A hSa fnz Baxá«, fiie h« di- 



• BAXADO. Offcio on iiirisdioilo (!.■ 



ucv.< <i;i.i I fuin -la» »■ lii'vijofl. 



p IM, 



BAZAR 



lOG 



BAZAR 



BAZAR. No Oriente, ó mercado em 
geral e às vezes feira. Dtl persa hã- 
zãr, «mercado })ermaneiite ou rua de 
lojas». As outras acepções ])ortu- 
guesas, consignadas nos dicionários, 
silo modernas, algumas das quais 
provieram doutras línguas euro- 
peias *. 

Os lexicógrafos derivam bazaj' ime- 
diatamente do árabe. Mas vô-se das 
abonações que a palavra era desco- 
iiliecida ])ara os nossos indianistas, 
que explicam o seu sentido, mas 
muito vulgarizada na índia. Se efec- 
tivamente os mouros a introduziram 
na península, o que não consta, de- 
via estar esquecida no seu tempo. E 
ó improvável que a importassem, se 
a sua acepção primária é, como di- 
zem os dicionários, «mercado orien- 
tal» '^. Convêm saber que muitos dos 
termos persas, o ató árabes, entra- 
ram em português nos sóculos xvi 
e XVII por via da índia, onde o persa 
era a língua da corte e oficial dos 
reis muçulmanos, que nessa exara- 
vam os seus tratados com as au- 
toridades portuguesas. V. Influên- 
cia, p. LXix, e Contribuições. 

1514. — «E que o que daly por diante 
fizesse união nos bazares ou tirasse san- 
gue a qualquer pessoa, fosse morto a açoi- 
tes o mesmo dia». — Fernão Pinto, Pere- 
grinação, cap. 115. 

«El Rey se recolheo, e os Bazares se 
levantarão, e todas as janellas e portas 
das casas se fecharão». — M., cap. 167. 

1554. — oA Renda do bazar, que he 



1 «A palavra propagou-se para o Oci- 
dente em árabe e turco, e, com sentidos 
especiaes, em línguas europeias, e para o 
Oriente na índia, onde foi geralmente 
adoptada nos idiomas vernáculos». Glos- 
sary. 

«No litoral do Algarve chamam bazar 
a uma disposição de estacaria ligada por 
varas transversaes, formando corredores 
extensos em que se seca a mo.xama, ou 
tiras de atum de revés. Dizem bazar, ou 
bazar de moxama». Revista Lusitana, xviii, 
p. 74. 

* Bento Pereira (1674) i-egista tão so- 
mente bazar de peixe e explica que é «rua 
onde se vende» ; o que é evidentemente 
alusão ao «Bazar de peixe» ou de «Santa 
Catarina» da cidade de Goa, frequente- 
mente mencionado pelos nossos cronistas. 



das boticas onde se vendem as cousa-s por 
miúdo». — Simão Botelho, Tombo, p. 124. 

1556. — «Estão em hum alto á maneira 
da fortalc7,a, junto do bazar, que he a 
praça». — Lopo de Sousa Coutinho, Hist, 
do Cerco de l)iu, p. 112. 

ir>6.'5. — «Então o arménio mandou hum 
seu criado com elle, que mandou ptílo ba- 
zar, que he a praça». — Gaspar Correia, 
Lendas, i, p. 823. — «As miudezas de ba- 
zar do comer se comparavão por huma 
moeda d'estanho, a que chamão calaym». 

— Id., II, p. 256. 

1563. — «Bazar quer dizer luguar don- 
de se vendem as cousas». — Garcia da 
Orta, Gol. XLV. — «Estando huma tarde no 
bazar (a que nós chamamos praça ou 
feira). . .». — /d , liv. 

1558. — f-No Bazar [de Mombaça], id 
est, na praça, corre huma moeda de prata». 

— P. Monclaio, in Boi. S. G. L., iv, p. 500. 
1613. — «O menos que cada sabbado se 

vende no bazar [de Ceilão] são cem par- 
dáos de aljôfar». — P. Manuel Barradas, 
Hist. Tragicn-maritima, ii, p. 85. 

1615. — «Junto a este arraial esteve 
hum mercado, ou bazar, como lhe cha- 
mam na índia». — Diogo do Couto, Déc. XI, 
X, 32. 

1615. — «Os seus mercados, a que elles 
chamam Bazar [no Malabar] são tão 
cheios durante o dia inteiro de toda a sorte 
de povo, que mal se pode passar». — Py- 
rard de Lavai, Viagem, i. p. 340. 

1651. — «Fabricou a Cidade no Bazar 
de Santa Catharina, hum espaçoso cães, 
cujo material cobrião varias alcatifas». — 
Jacinto F. de Andrada, Vida., p. 324. 

1687. — «A mayor parte dos outros mo- 
radores são mercadores Mouros, e Parauaz 
da Costa da índia, que para uenderem suas 
mercadorias, tem ali hila grande rua, que 
lhes serue de feyra, ou uazar, como cá 
dizem».— P. Fernão de Queiroz, Conquista 
de Ceylão, p. 47. 

1701. — «Advertirão na falta de algúa 
gente de serviço, que tinha ido ao bazar, 
isto he, feira estável, comprar arroz para 
comer». — P. Francisco de Sousa, Oriente 
Conquistado, II, i, 2. 

1712. — «Bazar. Na índia, e em outras 
terras do Oriente, e particularmente na 
Persia he huma espécie de ríia comprida, 
larga, e abobedada, em que se ajuntão os 
homens de negocio, ou he a praça, e caba- 
nas, em que se vende hortaliça, peixe e 
outros mantimentos. — Bluteau. 

1883. — «Depois do almoço desci ao ba- 
açar do hotel, que occupa o rez-do-chão. 
É um grande armazém de fato, roupa 
branca, mobilia, objectos de escriptorio, 
malas e petrechos de viagem». — Adolfo 
Loureiro, No Oriente, r, p. 148. 

1578. — «... por quanto la placa entre 
aquella gente (principalmente dei Mala- 
bar) se llama Bazar». — Cristóvão da 
Costa, Tractado, p. 153. 



BAZAR 



107 



BAZAK 



15.%. — »IA Mnrono foA oaurins] per 

■ te cose solainente, 

bazarro». — F. 

^raya, vt litngatn 
.\' cid^ui-, i<i est, furuin ruruiu 
. — /"■ ln\i>frio Magni Mttgoliê, 

1638. — «We came into n Bussar, or 
rv t'lir.. MivL.f place». — \V. liurtou, ill 



Bazzarri, 

ri!f ia \ ::l !■■ 



mmdosi d'ordiiiario li 
come aiii'o 

iiitA aflul.ifi. 



1Ó4««1. — ...^ ff Cfc uoiiibre iii- 

rr'"vnMf '!''• ■ 'S rrí^ns de bazar 

l>our la 
i paix et 
áiiUà 1.1 gucrrcu. — licruicr, \'ot/affes, i, 
l». ft8. 

IGfiii. — «Le» Bazards oi» Marcli»'>s 
Boot dans une grande rui- ({ui est an pied 
de la uiontagnc». — Theveuot, Voyages, 
iti, p Ib. 

lt)76. — «II V a (I*>s Bazara on Halles 
pour 1«*8 niarciiatidi-ics tini sont hien bâ- 
tis". — Taveruier, loya^/es, i, p. T'' 

II. Por bazar tarahOm semi'imui 
no M.ahibar, pelo menos entre os 

~ de S. Tomé, uma ]• 
,, , em oposiçAo aos In^ , . 

onde nflo havia mercado. Diogo áo 
Couto toraa-o por sinónimo de «ci- 
dade)), talvez no sontido de empó- 
rio. 



• • Ill'TlilloS ll<> ( '')1!' 




li ri» 


tà..s .i.. Bazar, • 




, ,... u lo. 


v;u;í" ;i Fi.'r.-i.' 


- IV. .\i.t^. 


1!- de Gou- 


v.-Íh ./ .■•■: .' 1 


■,;, , , .; 


.' i '. • 



da 



ciò facesse, per mozzo dei Pároco, e d'ottn 

Mnjhtli : dopp í; ' ' ' ! 

Bazzarro 

ISptdi: >oiii\ p. .(- 

«Bazzarro. Villagio, doae sia Mer- 
cai») nf' Kcgui <ie' Malauari». — Id. 

BAZAR, bezar, bezoar, ou pedra 
bazar, pedra de bazar. A palavra 

per^a pãf/zahr ou pãzafir, de f[ue os 
.•'irnlies ti/erani, por ialta de/y no seo 

il)eto, bddizahr ou bãzalir, signi- 
:.j:i «o que expele veneno, antídoto». 
Apropriou-se, porOra, o termo às 
conoreçóes calcáreas que se formam 
em várias partos do corpo de certos 
quadrúp<»des e a que se atribuíam 
propriedades antidotais. Mas apedra 
bazar, a que se referem com tanto 
encarecimento os nossos indianístas 
e que é actualmente conhecida por 
bezoar oriental, 6 a que se encontra 
no estômago de Capra leyagrus, ha- 
bitante de Lara, província da Pér- 
sia. 

A forma que de ordinário ocorre 
nos escritores antigos é bazar ou be- 
zar, que ou teria provindo, como 
insinuam Orta, Costa e Linschoten, 
da influencia de bazar, «mercado», 
por se achar à venda, ou (ia variante 
arái)ica, vulgarizada pelo comércio 
oriental, o que é mais provável. 
Foram os portugueses que divulga- 
ram a pedra e o seu nome na Eu- 
ropa. Skeat deriva o ingl. bezoar do 
antigo franc, besoar, moderno ò^- 
zoard, e Brachet tira Oste do portu- 
guês. V. J)ozy e Glossary. 



Bazar 



ni pwra u.i" liirein os Cllristào^ 



bucho de li'' 



/ / . ti 



r.i. 



Uoa UiatoA, |H)r» i» iiAUÚJÍikS». — I p4 



I nii:i'l;(. 

.. — Al. 



— «D*' niodo qilf • ■ 

........^ , .■■ '• • Pnr-^r* 

itra iMirtc». — Diogo d»- 

■ -.'i«í., ^ - ■-■ 

1<>6U. — «Unareca fix ii primo luogo, che ! toi que pareciam ondeui<)uiuliado««.— Ma- 



liA/Ali 



108 



1$ AZ Ali 



uuel Pcrestrelo, Hist. Trayico-fnarilima, i, 
j). 118. 

1ÕG3. — «A segunda casca dollc [do cô- 
»•(> das Maldivas] lie nmyto mais cflicaz 
contra a ])eçohha, qtic a pedra Besoar, 
que vem dafjuoUas partes oiieiítacs. que 
se cria no biiclio de lina alimária, a que os 
Parseos chanião Pascan. — João de Bar- 
ros, Díc. III, iir, 7. 

1563. — «Muito me maravilho não me 
))erguntardes polia pedra bezar, pois 
lie tauí louvada de todos os Arábios, o com 
muita rezam». — Garcia da Orta, Col. xlv. 

1601.— "Huma pedra de vazar, em 
quoatro mill réys». — Tomás Pires, Boi. S. 
O. L., XVI, p. V>\. 

1Õ65. — «Amim deume a vida todo este 
tempo hua pequena de pedra bazar que 
leuaua de cada dia bebia hua pequena des- 
feita em hua ])0uea dagoa». — Itinerário 
de Mestre Afonso, in Annaes Marítimos 
(1845), p. 29. 

1609. — «Na Cidade Coraçone onde se 
vendem as melhores lhe chamam pedra 
Pazar do animal Pazfio, e dizem os Per- 
sianos que este he seu verdadeyro nome, 
que na sua lingoa significa Raynha contra 
veneno: e com muyta razão, porque de to- 
das as contrapeçonhas que das parteb 
Orientaes temos, de nenhuma a experiên- 
cia dá mais verdadeyro testemunho que 
delia, cuja virtude he potentissima, e ver- 
dadeyro antidoto contra todos os males, e 
enfermidades da vida... Este nome Pa- 
zar he o seu próprio, e o de Bazar im- 
próprio, e corrupto». — Fr. Gaspar de 
S. Bernardino, Itinerário da índia. p. 167. 

1614. — «Pelas duas pedras bazares 
orientaes que pezarão quoarenta grãos em 
mill rs». — Tomás Pires, Zoo. c/<., p. 724. 

1613. — «Badas, tigres arymos, antas e 
grandes cabras e bojiôs de pedra ba- 
zar». — Manuel G. de Erédia, Declara- 
çam de Mafaca, 1. 10. 

1635. — «Também já tinha posto em 
terra toda a i)edraria, âmbar, almiscar, e 
pedras bazares». — José de Cabreira, 
Ilist. Trayico-maritima, x, p. 40. 

1650. — «E eram ervas babosas as quaes 
causaram taes agonias, que a não alivia- 
rem os que as comeram com bazares, e 
vomitar, morreram por ser peçonha». — 
Bernardo Feio, ihid., p. 106. 

1652. — «E se não tiverem pedra de 
baazar, que pevides de cidra tanto mon- 
tão». — P. António Vieira, Arte de Fvrtar, 
p.22. 

1687. — «Na [Ilha] das Vacas hâ hfías ca- 
bras, que degoladas no mez de Julho, tra- 
zem nos buchos excelentes pedras ba- 
zares». — P. Fernão de Queiroz, Co?i- 
qui-vta de Ceylão, p. 4o. 

1694. — «Ao menos llie rogavam qíie le- 
vasse 03 Bazares, os Unicórnios, as pe- 
dras de Porco Espim, e os outros defensi- 
vos mais finos, e aprovados». '— P. António 
Vieira, Xarier Dormindo, p. 182. 



1839. — «Ao bezoartico, assim chamado 
vulgarmente na Europa, deram os nossos 
antigos escriptores o nome d(! pedra ba- 
zar. Ainda nos lembra o tempo em que os 
rapazes, passando pelas boticas, pergunta- 
vam se nella havia pedra bazar». — O 
Panorama, n." 1 12. 

1578. — «Dela qual \pie.dra BezaJiar'l 
aftirmam una et uiua voce... que es ei 
mas vniversal y potentissimo antidoto con- 
tra todos los venenos... Llamase esta pie- 
dra propriamente entre los Parsios, Ára- 
bes, y Coraçones Pazar: tonian el nonibre 
dei animal en que se engendra, el qual se 
llama Pazan. Otros llaman a esta piedra 
Dtlzahr, otros mas corrompidamente le 
llauian Bezar : y el vulgo dela índia, y 
muchos Portugueses . . . corrompcndole de 
todo el nombre le llaman piedra dei 
Bazar». — Cristóvão da Costa, Ti-actado, 
p. 153. 

1580. — «Sono stato molte settimaue 
senza rispondere alia lettera di V. S., as- 
pettaudo di averle mandato la pieira 
Bazar». — F. Sassetti, Lettere, p. 128. 

1589. — «Es Indes elle estnommée Pe- 
dra do Bazar, c'est-à-dire du marche, 
car Bazar en langue Indienne siguifie 
marche». — Linschoteu, Histoire, p. 140. 

1611. — «Bezar, piedra que se cria en 
las entranas, e cn las agellas de cierta Ca- 
bra monteza en las índias, la quale vale 
contra todo veneno, y enfermidad de ta- 
bardillo, y qualquier otra maligna, y pe- 
çoíiosa». — Covarrúvias, Tesoro de la Len- 
gua Castellana. 

1631. — «... ut magnus Xaabes, Impe- 
ratorum Persarum ultinms, mortuus anno 
1628, inibi vigiles locaverit, ut omnes istos 
lapides Bazahar qui certum poudus ex- 
cederent, sibi viudicaret». — Bontius, Hist. 
Nafuralis, p. 47. 

1681. — «Lapides Bezaares : gossi- 
pini panni omnis generis». — JJe Império 
Magni Mogolis, p 89. 

1658. — «Prima di partire, mi regalo di 
due Bazuari bellissimi». — Fr. Ain- 
cenzo Maria, Viaggio, p. 135. 

1665. — «The King of Bantam sends K. 
James 1 two beazar stones». — Sains- 
bury, in Glossary. 

1676. — «Le Besoar vient d'une Pro- 
vince du Royaume de Golconda tirant au 
Nord-Est. II se trouve parmi la fiente qui 
est dans la pause des chevres qui broutent 
un arbisseau, dont j'ai oublié le nom». — 
Tavernier, Voyages, iv, p. 78. 

1786. — «... capre silvestri, che por- 
tano il Bezoar». — Fra Paolino, Viaggio, 
p. 36. 

1870. — «La langue portugaise nous a 
fourni quelques mots relatifs aux moeurs 
de ITnde et de la Chine [bézoard, haya- 
dere, mandarin, caste, fetiche). — Brachet, 
«Diction, étymologiqtie, p. lvi. 

1908. — «Bezoar. — This is the pad- 
'^ahr or pazahr of the early Persian writ- 



nA7.A!M^•0 



BA7ARttíV> 



'I'" 



t, The Cominereial 

BAZAREIRO. Mercador de baaar» 

(} t.riiM» • . . .'ute na índia Portu- 



l<SõO. — «Bazareiros do bazar de 

'i:n». — CoUccçào dt liando^, i, 



hazsu». — Lopea tleutles, A índia l'i 
yneza, ii, j>. 15. 

BAZARUCO. Antiga moeda miúda 
il;i ímliri Portuguesa, de valor va- 
riável e de diversos metais, como 
coUre, estanho, chumbo e tutanaga. 
Os httziiru'ds (|ii>' Afonso de Albu- 
(jU'Tijiie lu.iinlou cuuliar em Goa 
l')10; e qae também se chamavam 
liaU (q. V.) valiam dois réis. Na gí- 
ria portuguesa, hazaruco é sinónimo 
de 

() rrente em Goa 

quando os portugu«?8es a coníjuis- 
t;iram, mas a sua etimologia nilo é 
assaz clara. Uns o derivam de bãzãr- 
' ' ) ; mas nílo 

nomo *. Ou- 
tros o tiram do catizi: lu-ruka, 
«riH>fd;i baixa», e i. ...... .a conlir- 

iii.K.-.u'. .1 frase «vílem assem» deHo- 
' * '" r o nome 





o. Ou- 




iino 




.. ^àWX 


^0», 


quo se 


im^^Ule 


«ui<> 


., por 


S«T !■ 



budgrook. 



sem se prender ao persa 
í't portu- 
j, s. V. 



15.')4. — «Vinto e quatro Icaca o harga 
iiiiii. úii(> são vinte e quatro bazarucos». 
llotolho. Tmniit>, 4tJ 
• r — «E any ha bazarucos 'lã 
terra [emChaul|. > 
de 60 reis». — Ain 
Peso*, p. 30. 

15«Í3. — «Ilutna moeda de cobre, n qn*» 
cliatnão bazapuqos. . . I>c ca- 
ruqo fez quatro moedas, a que 

1'jita, e uos bazarucos puõ nume 
>■•. — Gaspar Correia, I,en<lnii. w. p. 76. 
«Mandou o (Touernadnr t, Iiyin 

se fízefiseni bazaruqos c a, e 

'•orrer a cinqoeuta Dazaruqos 
.lu. — /d., IV, p. òòl. 
i;)^_'. — «Mando em nome do dito se- 
nhor que da publicai-ào deste em diante 
corrio 03 bazarucos de cobre e de ca- 
laim li rezão de setenta o cinco a tanga 
soDieute». — Alvarádo vice-rei, iu Archive, 
Suppl. II, p. 713. 

Ibuy. — «Na ribeira d'el Key se batem 
tanib* III bazarucos de «.-obre, e de esta- 

iiliii tMMi. a que cli:ii"-i"i ■i.'.iiiii. .iiif s.lií 

' V8 jrroBi- 
•' m». — .)('., - ^ 

Oriental, ii, p. 275. 

1011. — «Vai o cobre a quarenta xera- 

tíutt o quintal : batem o.s bazarucos a 

razão de sessenta, e setenta» — I)i<tgo do 

Couto, Dial, dl) SfildmUt Prdtico, p. \'.iS. 

^*^\(^. — «A primeira 'inoetJ«i de fí«»a] 

■ Basaruoos, <l"~ 

.setenta e cincc 
T.lll^^t. Ua outro.s Basarucos vciiius 
que nsín nece.ssarios cento e eineoc-nta para 
Pyrard de Lavai, l^iagetn^ ii, 

ii<r.', N " ' ' ' ~".'í 

ÍtalatKiuiiii. 
>azarucos u-muij^u... i-.- 

Ik», f^iirtv n't 

ir.r.i , 1.,-,., ,,, I , ,1.. 



• I valor. 

ii'-<tal em mkh.ií.i, ' 

:i, e hudrur «^ «di- , 
ubeiro «Ut geial» aO indo-portUguOs { aiu Vieira, .^ 

' 171? -i-. 



]<.\rrí{.-i,- hiijii Til liãtioô i*m 



bazarucos í.i**i 



,1 nu riihhã. i-in iiiarafa. e o noiuc 



termo também vug 



íiÉDA 



ilA 



I'.KDA 



e prata». — F. N. Xavier, l) Cabimte Lit- 
tvrario. iv, p. 228. 

líUU. — «Cliamava-se bazaruco toda 
a moeda do calaini, o entre o povo, (• syuo- 
niino do, dinheiro — Num tem Jiazarac. — 
O cambio ou dinheiro nieudo passava por 
esta dcnoniinaoão». — António Francisco 
Moniz, Historia de Jiamão^ m, p 318. 

1582. — «Tali uionetc sono cliiamate 
Basarucohi, «lei quali 18 fauno vnven- 
tinno di cattiva moueta». — G. Balbi, 
Viaggio, fl. 69 v. 

1584. — «Costa una frutta di quests duo 
basal ucchi, ehe sono uno di questi ven- 
tini". — F. Sassetti, Letterc, p. 230. 

lãSít. — «.. . et à chacun payent deux 
Bazanucs de la valeur d'uu double liard 
au profit du Capitaine et de I'ecrivain». — 
Linschoten, llistoire, p. 56. 

1(;73. _ .()f Copper, a Buserook,^ 20 
of which make a Fanan». — Fryer, East 
India, I, p. 139. 

*BAZARUCADA. Porção de haza- 
riLCOs. 

1781. — «Cobrar os foros destas Aldeãs 
por oito soluções recebendo no seu paga- 
mento a quarta parte em bazarucada». 
— CoUecção de Bandos, i, p. 26. 

1844. -^ «Mandou o Vice-líei Conde da 
Ega para occorrer á grande falta que ha- 
via da moeda provincial d'onro, prata e 
bazarucada, cunhar 40 mil xerafins de 
bronze com a mistura d'uma parte de tu- 
tanaga». — Annaes Maritimos, p. 57. 

1910. — «Na monção do anuo 1781 veio 
pela primeira vez remetida de Goa baza- 
rucada em cobre de tangas e meias tan- 
gas». — A. F. Moniz, loc. cit., iii. p. 321. 

* BAZEMAL (ant.). Figura o vocá- 
bulo tròs vezos no Tombo da índia, 
sem nenhuma explicação. O seu edi- 
tor, Rodrigo Félner, dá-lhe dubita- 
tivamente o significado de «certo di- 
reito ou rendimento». Se o seu étimo 
ó, como suponho, hãjhmãl (mar. hãjh^ 
«colheita ou novidade de frutos e flo- 
res», e ár. mcd, «mercadoria, fazen- 
da»), hazemal designaria «direitos de 
flores, frutos, e outros objectos se- 
melhantes». 

1554. — «Do bazemall do dito taná 
[Taná, terra próxima de Bombaim], que 
andava apartado, e agora anda com o man- 
dovim [alfândega] de baçaim». . . «E o man- 
vira do dito tanua com o bazemall»... 
«E o mandovim e bazemall do dito tauaa 
66 arrecadou por elRey nosso senhor». — 
Simão Botelho, Tombo, pp. 139, 142 e 144. 

BEDA (s. m.). Bluteau inscreve o 
vocábulo do seguinte modo (Supple- 
mento) : «Isome, que em Goa se dá 



áquclles, que ou nao servira© nunca 
em guerra, ou depois de algum em- 
prego Civil, cuidarflo só em gover- 
nar o estado nas suas conversações ; 
e sem que so saiba a origem, sao 
todos elles chamados Bedas, por ven- 
tura por allusílo irrisória ao Ven[erá- 
vel] Beda, Escritor famoso». 

O termo nao ó actualmente usado 
na índia, nem o encontrei nos escri- 
tores antigos. Em todo caso, a sua 
origem deve ser indiana, llá muitas 
palavras concíini-maratas, fonetica- 
mente similares, mas nenimma com 
o sentido indicado, que nSo é muito 
preciso, tais como : hhed, «tímido, 
cobarde» ; ved, «parvo, estúpido» ; 
bedô {bedã), «rípio», que podia ser 
empregado no sentido figurado. Mas 
julgo que o verdadeiro étimo é o 
canarês vê/] a, nome duma casta ín- 
fima, que vive de caça, e cujos mem- 
bros eram muitas vezes empregados 
como soldados, que pouco valeriam 
em comparação com os portugueses. 

ConvOm igualmente notar que em 
Ceilão há uma gente selvagem, su- 
posta descendente dos aborígenes e 
conhecida pelo nome de bedas ou ved- 
das, sing, vedda. «Das terras do 
Vani, que são do Reino de Jafana- 
patão, para as de Trequimalé estão 
dous rios, que dividem humas das 
outras, estão dez legoas de costa, e 
pouco mais de oito pela terra dentro: 
estão despovoadas, cobertas de mato 
fechado : nellas vive uma casta de 
gente, a que chamâo Bédas: são na 
cor quasi como nós, e alguns ruivos, 
bem assombrados ; a lingua nenhum 
Ciiingalá, ou outra nação da índia 
a entende, somente huns com outros 
se communicão». — João Ribeiro, 
Fatalidade Histórica, cap. 24 *. 



' «Faltando-lhes em largo tempo a po- 
licia da Corte, e comunicação das gentes, 
entre aquellas Serranias, se fizerão de t"do 
bárbaros, seluaticos, e são os Bedas, que 
uai tanto como brutos». — P. Fernão de 
Queiroz, Conquista de Ceylão, p. 13. 

Les Bedas établis à la partis septeu- 
trionale de I'isle et dans le pays moina 
abondant, sont partagés en tribus qui se 
regardent comme une seule famille». — 
Kaynal, llistoire, i, p. 67, 



nrr. \T?TM 



111 



liiíGAtííM 



I fit i «Qa« kúm«M eram estes Unto 

* - - •- -rines «e 

Dixe- 
•■ -"'fn 



liadoil. .111 1>m:;i Arabio, significa ho- 

: estes 



i>, 



lilio.-, Autliores : 
Badoies. iik>- 



_ mil (.'uin-riio 

inuii n: " '■- qUP 

para Mo ::i»' 

juúoins a tia^...>... <. ..w4va 
por terra». — Garcia da 

uõri naturjur!» di - se 

;-< IHliinB, ,itr.' }j<' :ilim 

iiie viue 
Ip (iou- 

laente à 

.sHar- 

iiuduls». 

i- r. Àgo«tiuiiu de 8auU Maria, llutoria. 



Baduinl l". Mallei, /^citffy- 



. a d<} tra- 
balho tumpulboriu foiu salário ou 
sem Ale. «Proliibo aos ditos Com- 
mandantes para que mais as- [or- 
({♦Mis] passom, excepto o único caso 
ilti Begarins j»ara transp<írt«ís. para 
serv; ' ^ ''<'>• 

çâo (í- - i»a 

índia Portuguesa com o novo sea- 
tido. 

151-. ..; ^ 

taua sobre bcuastary pêra comer o9 by- 
garys e <>utra gcute». — Affontío de Albu- 
(juerqiu', ('artag, v, p. 2G7. 

1, ',■_)(•) -- n. Canrarfs desta Ilha de 

Ljudos pt-li'd moradores 

. begarins, que sSo 

ibadores, á sua ciiata cada aao para 

ir os murna o i-hiijias iln« ('nva<í desta 

rvi- 
, _ .inas 
veieb subievcuí». — Furai de D. Joio III, 
in ArcJtivo, v, p. 120. 

ir»r)2 — «Acertarslo hum dia sessenta 
Bigairins de irem da parte de Como- 
rim para a fortaleza c.i ' de con- 

chas de ostras e de It fazerem 

cal». — Castauheda, Hint'i-ia, \. »ap. 38. 

1554. — «E a quatro beiguaryns, 
que seruemM" s portugueses. . .». 

— Simão Rit. •, p 47. 

I5«í3. — o. i . .w.,,,,,.idores, a que elles 
cliatnão biguarins» — Gaspar Correia, 
Leiíflan. ii, p. lf>7. 

I(;i4. — «Krilo vii* coitados, conardes, e 
biguarins, de <|iif if.'< r.iziàn routa al- 
gna» — Diogo do i \'I. ii, p. 1. 

17.12. — *.'ii. .' begarins 

hoy» e oii' pa- 

gar&o na , ^ p«r 

cabeça» — .isento do Cou»«lhu da fazenda 
do 0..a 



li. q.'t'lns 

•HH- 

— reiro ufnii » ;tin-, • "»yy. 
T>- 1.. .1,,..,.,,., ;i vA;,.',... 

ta..-.Kr. VinceuzoMaria, Viag- | ^' , .-ralineiite porém u««-»e de 

BEGARIM bigarim <'m<»nAP nando), ^*- 

í 

--••• j '•■ ■ - 1 — 

< persa begãr^ «trabalho íor* I «•«, /A^w/wr/o da» /'oMfMòM i*ortmfuaMê, 

». A palavra perdeu a sua «i- P í^^ _ ^ 

^ ' " "" ii:ir:» L'.tlili.i: 




Ui'^iit'iv 



1l-> 



BKI.K)T\Í 



jx'H Mmules, A índia Portugue.za. n, p. 27. 

ISXXi — nMsil correspondia ás liniiiildfis 
saudações quo mouros, cherul>ÍK [curum- 
l)iiis] ou begarins nu; dirigiam». — Hi- 
píu.io de 15rion, Duas mil Icgtias. p. 14. 

IGÍO. — «Chi uoii puol andar a piedi, si 
fà portare in certe reti nell' ostrouiità le- 
gate ad vua caua luolte grossa. Ogn' vno 
Icua quattro, ò sei liuomini, detti Bega- 
rlní, secoudo la maggior, ò minor como- 
ditíi de' Viandanti, acciò lo portino». — 
Fr. Vincenzo Maria, Viaggio, p. 126. 

1G7Õ. — «I took a I'ilgrimage, with one 
other of the Factors, Four Peons, and Two 
Biggereens, or Porters only». — Fryer, 
East India, ii, p. 30. 

1800. — «The bygary system is not 
bearable : it must he abolished entirely». 
— Wellington, in iSlonsary. 

lt)lG. — «The evils of the Begar sys- 
tem, encouraged by Europeans from igno- 
rance or indolence are graphically des- 
cribed». — The Modern Heview, da Maio. 

BEGUE, beque. Título honorífico 
eutre os maometanos, correspondente 
a «dom» ou «senhor», posposto ao 
nome próprio. O termo é persa-tureo 
beg, originariamente turqnestano. 
Crooke deriva-o do antigo persa baga 
o relaciona-o com o sâusc. bhaga, 
«senhor». 

1513. — «I)«>jn-iiun-() em II' arrecadar OS 
seis centos pardaos de cojibequy que 
devia a el Rey». — Aftbnso de Albuquer- 
que, Cartas, v, p. 48. 

1520. — «Nós, O çamorym, rrei de Cale- 
cute, ftazemos saber a vossa alteza, como 
fyzemos paz com lio voso capytam mor 
affonso d albuquerque, e com coje byquym 
voso serujdor, o qual coje byquym vay 
aguora pêra lia». — Ihid., iv, p. 31. 

1552. — «Na frontaria do arrayal esta- 
uão dons soidiores principais, hum se cha- 
maua Indobeque que era Mogor, outro 
Estacolim, Grego de nação». — Castanheda, 
Historia, viii, cap. 85. 

1563 (1500). — «Hum destes Mouros 
tinha hum irmão chamado Cogebequi, 
homem nmyto principal. . . Este Cogebe- 
qui era como^ cabeça mór antre os Mouros 
naturaes da terra». — Gaspar Correia, Len- 
das, I, p. 189. 

1571. — «Bec responde à dignidade de 
Conde». — João de Barros, Déc. IV, iv, 16. 

1608. — «E dos que neste ministério 
seruiam ao Xá era hum, e nam menos prin- 
cipal este chamado Assadbegue». — Fr. 
António de Gouveia, Helaeam da Persia, 
fl. 55 V. 

«O Capitão Murad begue ajuntou três 
mil Curdes entre vassalos e parentes». — 
Zd., 1|. 81. 

1718. — «Chegou a Goa em huma náo 



Ulaudeza Thomas Beg, I'.inhaixador d'el- 
-Rey da J'er.sia Chà Hassein». — D. Josó 
Barbosa, Epitome da Vida, p. 23. 

158íí. — "... hauendo prima in quello 
giorno preso una nostra conserua di cui 
era patrone Chogia Bichii»- — G. Balbi, 
Viaygio, fl. 5 v. 

1615. — «Non v<4euano che intrassemo 
seuza licenza del Beig, ò Goueruatore, 
e Capitano». — Pietro dellaValle, Viaggi, 
I, p. 116. 

1675. — «The Warrior blustering in 
the Title of Begue, and the Gown-man 
priding himself in the courteous Name of 
Mij-za». — Fryer, East India, ui, p. 116. 

1695. — «Begh, que Ton ecrit aussi 
Bek, et que Ton prononce souveut Bey, est 
un mot Turc, qui signifie proprement Sei- 
gneur: mais on I'applique en-^articulier à 
un Seigneur de haniere, que Ton appelle 
aussi dans la memo langue Saugiakbeghi». 
— Herbelot, Bibl/otheque Orientale. 

* 6EGUME. Senhora maometana ; 
princesa, infanta. Do persa begam, 
iemiuino de beg oii begue, q. v. O 
termo é usado na índia Inglesa. 

1608. — «A todas [as mulheres do Xá] 
preside húa a que chamam Begunii que 
lie tanto como Iffante». — António de Gou- 
veia, lielaçam da Persia, fl. 44 v. 

«Tem o Xá muyto grande sugeiçam a 
esta Zeina Begúm sua Tia». — M, ti. 114. 

1916. — «Mas o nome de Razia Begum 
eleva-se mais alto do que o Kutub-Minar, 
na admiração e veneração dos povos». — 
Ileraldo, de 9 de Abril. 

1631. — «Nisi soror Sha-Tamae, Be- 
gen Sultana, exulis Regis miserta. . .». — 
De Império Magni Mogolis, p. 177. 

1653. — «Begun, Reine, ou espouse 
du Schali». — Le Gouz de la Bouilaye, 
Voyages. 

1666. — «Des deux filies, Tainée s'appe- 
lait Begum-Saheb, c-est-à-dire la prin- 
cesse maitresse». — Bernier, Voyages, i, 
p. 5. 

1824. — «The Kheláts which they got 
in return, werç only tit for May-day, and 
made up [I fancy] from the cast-off finery 
of the Begum». — Rehev, Narrative, i, 
p. 453. 

BEIJOIM, benjoim (mais correcto, 
mas menos usado). Incenso tirado de 
Stirax benzoin, Dryander. «G. da 
Orta, diz D. G. Dalgado (Claesifi- 
cação Bota7iica), foi o primeiro euro- 
peu que escreveu com precisão sobre 
a origem desta droga». Distingue o 
nosso botânico três espécies de ben- 
joim: amendoado, pj'eto e de boni- 
nas; as quais são actualmente co- 
nhecidas pelos nomes da sua i^roce- 



nKI.IOIM 



nrrriÁMK 



' <S o Ar. 
<* Java». Kr. benjoi», ingl. benja- 

li». 

1850 — «ChesrAnin^ depAi"? d«» vinte e 

jitu'ij — iJ.ju-Kiituta, > luyciin, 

obeljolm 

-tn., _ A-,,- 

"• — «. . inbar. beljoim, 

-' '^Ao aki.... — l^uvtyação de P. A. 
15. 

O . r'lv. P ,> beijoimo troca- 
. posto que iiilo 
1 - liie Lopea, Aai-e- 
oap. 20. 

• — •... quintaes de cobre, duas 
/<• .raçolasj de beljoy, sois pecas 

<i -»■ — lu Cartas de A. de Albu- 

• i' mayto boõ beijoim, que 
Ii' :.iruore, a que os Mouros cha- 

in "«». — Duarte Harbusa, Livro, 

.TroaxR hu rico presente de 

1 ' ' ' 'I'xia e cinco quintaes 

«'■ í«». — Fernão finto, 

;. ló. 

uro, prata, beijoim, que 

res». — Castanheda, Uit- 

\ 



; — «A rr.nl^ \ imlM v.l .1.. todftS, 

') tem 

> Diais 

tanti. h»' .iT nii- 

benjuy, , r.-to, na 

te he ite menos 

i ilha do Çama- 

vos; a Cííte 

i^-j ' '■'■ e vai dez 

c^mu c«U>utrov. — Garcia da 

X. 

«E muyto beijoim om ^ran- 
"let». — Gaspar t'orroia, Lrmias, i, 

^. — «O ebeirosf» beijoim, a qae os 
. . "; -belJoIm 

, i».i m, 

^. — "Ha nesta ilha do Samatra, em 

iM,,-.r... .I..II. beijoim muito l>om, 
■> de Góis, Chrxm. de 

boijoim, 

{'ijnUj^Dial. 

p y? 

>lm i.K ••< i!f, como as 
• alU, 
Dáse 



tra» — 

í 



lao 
to, 

/.08 

•m 

Diin na 



in.H' - - ».\> (lru_;,i^ j 

noa Laos sJlo - muito be n^ 
que é leite de certas i 
niiiit<> altas, cujas folhas . 
■' '- ■!'• laraiigeira, nem ii.< i n. 

•' — António F. Cardim, fíatalhas, 
r - ;•/• 

16;'*2. — «Bem pode elle [dinheiro] sa- 
hir da mais iminiind.-t cloaca, respira nelle 
bemjoim de Ikíhihus; aitula que venha 
entre on-xofrc, ha-lhes de cheirara âmbar, 
algalia, e almiscar». — P. António Vieira^ 
Arte de Furtar, p. 264. 

1695. — ". . . nem Âmbar, nem Almis- 
car, ou Bejuim de bottinas, mas em huma 
Navota de ouro o Incenso da Arabia». — 
Id., Xavier Dormindo, p. 27. 

1510. — «Vna spetiaria picna di mus- 
chio, e benzui, e d'altri odori suavissimi». 
— liarthema, apud Ramúsio, i, fl. 151. 

1582. — «Quiui dentro si negotiano 
grandissimi trafichi di Muschio, Belzuin, 
i gioie diuerse». — G. Baibi, Viaqqio, 

1Õ8D. — «Ce pays [Siame] produit force 
Benioin qu'on envoye à Malaca, et dela 
en divers autre-s endroits . — Liuschoten, 
Hintoire, p. 32. 

BEIRAJfE. Antigo pano fino do 
nlgodtlo, de várias cores, fabricado na 
índia. Do persa bairam, bairnnã. Es- 
teve muito om voga nos séculos xvi 
e XVII. Bluteau tanibOm regista bei- 
raminho. Afonso de Albuquerque 
menciona beirames de romã. 

1510. — «Recebi. . . dezaseys cutonyas 
brancas e oyto tafociras listradas de sedob 
c oyto camisas do tatcciras e onzo camisas 
brancas do beiramos». — In Cartas de 
Afonso do Albuquerque, vi, [i. 412. 

1511. — «K mais lhe entregares [entre- 
gareis] treze belramees deromãu.—ld., 
v, p. 153. 

nUi'cobc tristà (ic gaa. . . mais treze 
beiramos </' líomà curados». — Ibid. 

15K^. — «Toiíiou duas nana de chaull 
carregados do beirames, «* húua de ur- 
muz de cavalos «> aljôfar». — /</., i, p. 166. 

1516. — «Do ('haul o Dabul lho trazem 
iiiii\ ta soma lii- boiramos e boatilhas». 

l>iiiirtc Harliosa, I.nni, p. 275. 

')Otrames ho .- os 

I i terra, c «cu : \' 

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!•'>- e gtoi- 



BEIRAME 



lit 



BELARBEGIIE 



liada cm trezentos reys-. — Toma? Pires, 
Ma(criaP8, etc., in Bol. vi, 

p. 70.'). 

1552. — <<Hu pano tilo compriJu como 
hu beirame, em que estauão pintadas 
todas aa suas batalhas». — Castanheda, 
Historia, iii, cap. 62. 

1553. — («Cada hum segundo 8e atreuia 
assim tomaua jÍs costas o fardo de seda, de 
beirames, áo. patólas até irem dar com 
a prata e Cruz». — João de Barros, D6c. II, 
IV, 1. 

1554. — «E para seis beirames para 
seys sobrepelizes. . .». — Simão Botelho, 
Tombo, p. 129. 

1563 (1498).— oE o vedor da fazenda ao 
outro dia veo ao Capitão mór e lhe trouxe 
vinte peças de pano branco muito fino com 
chapas d'ouro, a que elles chamão bei- 
rames». — Gaspar Correia, Ijtndas, i, 
p. 100. 

1602. — «Os Guzarates são todos dados 
á mercancia, cm que se estremarão de to- 
dos os do Oriente, cujas louçainhas ja em 
temjio dos Romanos erão miiito (s'.iiuadas, 
as quaes hião ter a elles por via do mar 
roxo, como se vê em Arriano autor grego 
no tratado que fez sobre aquella uauega- 
ção, na qual nomea muitas e diversas sor- 
tes de roupas, como são ganisse, monoche, 
sagmatogeiíp, milochine, que diz serem muito 
finas e de algodão : pello que a nós parece 
que erão os canequins, hofetàs, beirames, 
sahagaqis, e outros». — Diogo do Couto, 
Dec. IV, I, 7. 

1630. — «Estavam tão abertas as costu- 
ras da nao, que em mui pequeno espaço 
levava a nao meio beírame, e em partes 
duas meadas de fiado de algodão». — Hist. 
Tragico-maritima, ix, p. 116. 

1727. — ' Beiraminhos. Pano de Al- 
godão, de três palmos de largo, que vem 
da índia, e serve para roupa branca ; del- 
les ha mais íinos, e mais grossos». — Blu- 
teau, Sujyplemento. 

1894. — «Dois pannos de beírame, de 
uma pureza alviniteute, onde realçavam 
as largas chapas de ouro». — Lopes de 
Mendonça, Os Orphõos de Calecut, p. 41. 

1908. — «Tecido svntigo da índia, hoje 
mal identificado. . . E o conhecido mote da 
redondilha do Camões : 

Coifa de beirame 
Namorou Joane». 

Alberto de Cnsfro, Flores de 
Coral, p. 133. 

1510. — «Bairami, Namone, Lizari, 
Ciantari, Doazar, et Sinabaffi». — Barthe- 
ma, ajnid Ramúsio, i, fl. 165. 

1589. — «... des Beyramenes de 
couleur rouge grands et petits qu'on peut 
comparer aux fines toiles de Cauibray». — 
Linschoten, Histoiíe. p. 36. 

1750. — «La Compagnie anglaise y en- 
voie beaueoup d"étofí"es, et surtout des Bi- 
rampauts et Chdlots pour la Guinée». 
-*- Grose, Voyage. 



BEIRO (teto bélru). Canoa monó- 
xila de Timor. «Este pequeno barco 
único de coustrucçao indígena é feito 
do tronco do uma árvore, o qual se 
mantém sobro as aguas por seus 
braços de bambu». Rafael das Do- 
res. 

1843. — olla outras embarcações mais 
pequenas a que chamam beiros, que são 
uma espécie de canoas feitas de um só pau 
escavado, sobre as quaes nas extremida- 
des do seu comprimento atravessam dois 
bambus, ou quaesquer varas de madeira 
leve». — Ânnaes Marítimos (parte oficial), 
p. 141. 

1908. — «Corridas de cavallos timores, 
regatas de beiros, exercícios de natação 
dos estudantes, combate de gallos, cheio de 
gloria e sangue, dividem o dia». — Alberto 
de Castro, Flores de Coral, p. 218. 

* BÊL (hot.). V. cirifoJe e marme- 
leira da índia. 

1912. — nComo agente therapeutico, o 
bêl e sobre tudo o seu fructo, ninguém 
melhor tem conhecido e mais apreciado do 
que os Índios». — Caetano Gracias, Flora 
Sagrada, p. 24. 

1908. — «It is ali but universally known 
by its Sanskrit name bilva, a vrord which 
appears in some form, such as bel or hael, 
in most modern languages. The fruit is 
generally called sriphal». — Watt, The 
Commercial Products, p. 26. 

*BELADI. V. gengibre. 

# BELARBEGUE. Begiie superior, 
cliefe dos begucs (q. v.). A palavra 
é turca, heglar-beg, «begue dos be- 
gues». 

1,593. — «A outros [faz o Grão Turco] 
Berlebis, Chauses, cabdis [cadis], que 
são como Corregedores, e justiças mores 
das Cidades». — Fr. Pantalcão de Aveiro, 
Itinerário, p. 13. 

1609. — «O principal he este Alauerde- 
han, de quem o Xà mais se fia, e a quem 
tem feito Belarbegue, que quer dizer 
cabeça de todos os grandes^. — Fr. Antó- 
nio de Gouveia, Belaçavi da Pei'sia, fl. 27. 

«Todos deram mostras de grande con- 
tentamento, e alegria pela resolução que 
Xâ tinha tomado em particular Alauerde- 
hau Soltam de Xiraz, como general, e Be- 
larbel, que era de todo o Reyno da Per- 
sia». — Id., fl. 114 V. 

1670. — «A questi Sangiacchi presie- 
dono diecinoue Bassa, ò Begilerbel». 
— Fr. Vincenzo Maria, Viaggio, p. 39. 

1695. — «Beghiler Beghi, ou Bey- 
ler Bey. Cest chez lesTurcs le Gouver- 
ueur d'une Province de I'Empire Othoman, 
et on lui donne ce titre, à cause qu'il com- 



líKIJrilF.fAI.! 



IK' 



nEN'DARA 



<'U bei- 
. ince».— 

/■•• '• •*'•••« 

BELÉRICO adj.). V. mlrabólano. 
1X> ár. 6Wi/<r; < persa betileh. 

. «BELIís. III). M!,- ■.•renda; 

saoriíici»» liindii. !)■■ .ila veli, 

s&nâc. bali, corrente nos prácritos. 






íca- 



.■'■•/ vm. 
1. archa- 

• -o, o 

CS- 

..i ter 

P. Fernão 



. - , . . _ Jão,p. 121. 

« BELI. Soldado indígena em Cam- 
liaia. Do í,'uzarate beã, «camarada, 
ajudante». Os lexicógralos, a come- 
çar por Bento Pereira, registam be- 
lis. (ípppsoa ladina*, dorivado do 
íírah" /////.v. Mas nílo t*» nesse sentido 
• ju»' a diçflo é empregada na abona- 
•.•à". 

1535. «Mostron fcfnnde niagua de o nSo 

"■ ■ - 8oUia<li»s da 

:ii belis, que, 

'«•.1 (.') iicii.i 111.- j.oderiam levar 
— AnUínio ÍJocarro, Déc. xiii, 

. BELICH APARO. Vdichchappadu, 

•lii , quere dizer torácuio 

■ ' - ■ , mat* na abonaçSo abaixo 

86 o termo por «sacerdote 

"••era da 



l60.').-*Beliohaparo lie o qaetcm o 

:.>...!. A ! ^ . .\_- . II- 



— o Ohrouialade TíMuary, 

• K;ii-li of tin-.-.»' sliiiiM'n ha.H All 
Volichaoad. ..'í.l,.-,! (.. if 



;• fit mia j 
, muyto 
.1 i'-". f se faz 
que cortâo coni'i : 

^ , pao».— P. Feruâo ., -.i^,^,- 

n»z, Conquiêía de Ce;/lão, p. 120. 

RENDARA, bendará. Viador d.* fa- 
/>^mia ; governador do estado, era 
Malaca. Do mal. béndãhara, c tesou- 
reiro», jav. Ãeíí(/ara <sílnsc. bhan- 
(lãri. Os portugueses conservaram 
', com algumas restrições dos 

1510. — oTftn dado o mando e governa- 
fam a Bendara, seu tio, e este Bon- 
dara, tem tomado j)oss(' de tudo». — Al- 
giins Doe. da T<>rre do Tuinbo, p. 221, 

1.^9. — «Bendara de Malaca, que he 
supremo no mando, na honra, e na justiça 
dos Mouros». — «Aonde o Bendara, Go- 
vernador do Reyno, me estava esperando». 
— Fernão Pinto, Pertgrinaçào, capp. 14 
e 15. 

1552. — «Fizerão os cliine aaber a che- 
gada do capitão mor a elrey de Malaca, e 
a 8CU tio o regedor, que na lingoa mala^'a 
se chama bendara» — Castanheda, UU- 
toria, II, cap. 113. 

1553. — «Perguntou que gente era, e 
donde vinha, e que mercadoria traziSo, e 
isto da parte do Bendara, gov(>rnador 
da cidade». — João de Barros, Déc. II, 
IV, 3. 

1.057. - «Chegada esta nova a Malaca, 
o Bendará, (|ne governava o Reyno pelo 
Key, qae era .seu .-«obrinho. . .». ^ «Havia 
em Malaca einco di;,'nidade8 principaes:. . . 
a segunda de Bendará, i<t" ^"^ V.-ador 
da fazenda, e governava o !> ve- 

zi's Bendará tem estes <i ~, de 

q. v.) e de Bendará».— 
. Ill, capp. 10 c 18. 

i:>úê 0''>1<J) — 'O bendara d«; Ma- 

lara, qiip ora o ro^rcilor ipic in.indava tudo, 

l>or- 

.1o e 

''■6 ()ue titiii.lo tVilo, ouu< rào 

.ir Corroía, l.^vfa». n, p IG;!. 

(•on- 

tiuti na- 

• •» e 
ará 



.(;).i(l 



lELICHECAU (malaial. cedi-tik- 
i). Pederneira de fuzil, no Ma- 



i 

Mgii 



Id , n. j> 25.'J. 



IHl » ilU'lI l'.'' IMIilIl- 



inam Bendara-. — i le Ui>ís, 

Chron .Ir n Vpu,,'. : 

I sta 

rid:i xrUí 

Caria iiryia, ttt Arv^tvOf 



RENDO 



I1fi 



BENGALA 



itiOj. «... <JIU' llf Jiniici;i(^-iin nn> ii.iiti- 

ra(5S, de que liC! governador o Tvnieyàíi^ e 
o Bendará de todos os Chilis [Icia-se 
quilis], que são mercadores de toda ucjindla 
eosta de Choromandelu. — Diogo do Couto, 
Déc. IV, II, 2. 

1C13. — «Afonso de Alboquerque. . . logo 
começou a engrandecer a ("hristandade, e 
favorecer a todos aquelles que se querião 
baptizar e ser do grémio da Egreja como 
foi aquellc Bendara leal com sua famí- 
lia, que permanece até o presente sua caza 
com muyta fidelidade e Christandjide, e o 
dito cargo nestes tempos, seu neto D. Fer- 
nando leal». — Manuel G. de Erédia, De- 
claraçam de Malaca, fl. 42. 

1634: 

«O principal .sogeito no governo 

De Mahomet, e privança, era o B«ndárk, 

Magistraiio supremo...». 

Francisco de Meneses, Malaca 
Conquistada, ill, 6. 

1571. — <<Hi vero uon oratione tantúm, 
sed muneribus etiam Regis patruum. penes 
quem erat totius regni modeiatio (Ben- 
daram appellabant eum, qui muuus id 
gerebat) corruperunt». — Jerónimo Osório, 
De Rehus, ii, p. 439. 

1878. — «Le roi Iskender-Chah avait 
un bendahari (majordome) nonimé Sang 
Radjouna Tapa». — Marcel Devic, Legen- 
des de VÂrchipel Indien, p. 118. 

BENDI. «Arvore indiana (thespe- 
sia populnea)». C. de Figueiredo. 
E o nome concani {bhendl) do que 
em português é conhecido por «pau- 
-rosa», q. v. 

1846. — nBenteca; Elu (Páo de cadeira); 
Bendy (Páo de rosa)». — F. N. Xavier, 
O Gabinete lAtterario, i, p. 256. 

*BENDÓ (pi. lendés). É o nome 
que em indo-portuguOs se dá ao 
fruto e à planta Hibiscus esculentus, 
Linn. Usa-se mais quiabo^ de origem 
africana, quimbundo kilôbu. Do cone. 
hhenãó (pi. bhenãé), mar. bhendã. E 
uma das hortaliças mais saudáveis 
e estimadas ; come-se de diversos 
modos. Os que aparecem nas praças 
de Lisboa são muito pequenos. 

1615. — «Dão-se aos doentes excellentes 
caldos feitos de diversas sortes de carnes 
cosidas com Bendés, que é um fructo 
refrigerante, do tamanho dos nossos pepi- 
nos». — Pyrard de Lavai, Viagem, ii, p. 8. 

1846. — «Abóboras da terra, Bendés 
(quiabos). Mostarda». — F. N. Xavier, O 
Gabinete Litterario, i, p. 249. 

1886. — «Cultivam as seguintes plantas 
hortícolas: kiabos ou bendés {hibiscus es- 
çulentue), gonçalinho [cucumis acutangula)». 



— iiO|,i;> Mendes, A Judia Porlugueza, i, 
p. 238. 

1813. — «The banda (Hibiscus escu- 
lentus) is a nutritious vegetable». — For- 
bes, in Glossary. 

BENGALA. Bastão de cana de 
Bengala — Arundinaria Wightiana, 
Nees ; qualquer pequeno bastão ; 
(aut.) insígnia militar. Do nome geo- 
gráfico Bengala. 

O termo indiano, designativo de 
objecto comum, que mais vulgarizado 
está no português continental é sem 
dúvida bengala no sentido de «bastão, 
bordão». Dizia-se a princípio «cana 
de Bengala» e denotava uma espécie 
de cana ou bambu maciço muito 
apreciado no Oriente e na Europa, 
diferente da Cana Indica, Linn., 
«erva conteira» em português, de 
cujas sementes se fazem contas de 
rosários. 

Com o correr do tempo supri- 
miu-se a palavra cana, e o nome da 
pátria representou o do produto, co- 
mo aconteceu com várias outras de- 
nominações, especialmente de tecidos, 
como cambraia, holanda, saragoça, 
damasco, casimira; e por fim aca- 
bou por abranger no seu conceito 
qualquer pau que se traz na mão 
para apoio ou ostentação, como o 
francês canne e o inglês walking- 
stick. Idêntica evolução se deu na 
índia com respeito à rota, q. v. ^ 

O uso de bengala como pau de 
apoio parece que começou era Por- 
tugal ou foi generalizado pelas ve- 
lhas, conforme o testemunho de Lin- 
schoten (p. 30): «Semblablement y 
croissent des roseaux, appellez par 
les Portugais Cannes de Bengale, 
solides par dedans, non guere moins 
gros que les roseaux d'Espagne 
ployables comme I'Osiere ou les 
branches de Saulx en leur verdeur, 
marbrez et bigarres de diverses 
couleurs comme au pinceau. lis ser- 
vent de bastons aux vioilles de Por- 
tugal». 



1 Gonçalves Viana [Apostilai) presume 
que pengalim {pingalim) é deminutivo de 
bengala, com mudança da letra inicial. 



BESGALA 



BENGALINA 



1 -.')•. 



a - 
qal. 



1. ■)-.'- I' 

Bengala • 

parrt Tr:i-, t. 



'la (11 In'I a P- rlmral, e direi 

te Ben- 

tc iia ca- 

Apud Jofto dc 

1 ',...■: ■ ■ ' r J com o 

ana de 

lliar 

a no 

cliim). — 



i.H,' ..1 ''1' 

oana de Bengala 



bua 
. de 



f'lir ' ' — KtTiian rmiM, J'cre- 

1. *■ 11. . -prllio r hua cana de 

Bengala. >■ i^'n^i .•..''' 'i- i-a.'. - — I*. 

I. 111:. Pr.'i-. '.•■■■ / ■ ■ . I, il :.'.V.I. 

1»'1J N ina de Ben- 
gala Com i|u^ 1 OS inai'iuhei- 
roto. — \)'\<>ix>> >i« ■. VII, VII, 2. 

IGlfi — ..Ha r 15. iiL-al 1^ ca- 

na'i '!•• ■■ii! ; ., iia e 

la _ -- 1 uJo 

•ircunfe- 
.1 porosas, 

■ i 1 1- . ■.• que se unom 
:- ' ! r, e coin tiido 

II jtaia bordões dc 

hater em quem se 

ida arranca as 

corpo aonde 

liam p-jr mais delgadas 

II la aparência, e natu- 

iina- 

'oio, 

' : ••111 toda 

. . -Py- 

• ■• ■■•"'_;• ' '",7"". 1, i' *< •. 

1»;;, ! — «Um dos «iflíciaes enfadado pe- 

;: u db uma bengala para os fazer rcti- 

rar». — p. Cardim, Hitit. T)'<ufico-niaritima, 

^, i- i«r). 

1'.'-' — ^«CAin cinco mil cruzados se 

■ • • 'i ■ 1 -•■■< : tos- 

i em 



a I 

ra; 



íar, p. 01. 

ITl'.' — ,f^on/ifiln (' 



/■■i-r- 

■«- Indi... ^ 
mo nome. 
I I'sa o 
I curta e 

:ii''l' (Lia 



'1' 1 
lys 

•mo 

l^ó^ -- ..I 
gala (•'" 1, • 


uuia 
gai 

>SCf>. 


l«uc«ta 


pei{U« 

lias 

1,.,, 


1 

de 

.• . 




coii' 

gai.. 


a» 

.. Ml 


Ben 






1898 - «> 
mna das ber 
Tunoa conu). 







havíamos cointnud.. i-m Cé-vlâo 4. — Oliveira 
^fa8carenll:l^ p 51. 

IG;>5. n \ _ _ r ,ribus vo- 

catur Ariimlo Indira íarcta, Nastos et 
Canna d'Bengala, qna.- imprópria pe- 
nitus sunt noniiua». — 
rium Amhoineiitf, vii, . 
certjimente o último noiíte, 
ao Valamu» rotang, «junco *.: 
pertence à família das pálmeoii. 

BENGALA. É tambf-m on 
se (lavji luiti^anieiito a iini t- » 

que ora importado dc liongahi. Os 
tliirioiíArios modernos nSo consignam 
esta acepção da palavra, quo já era 
conhocida em Espanha no tempo dos 
mouros e «'» roí^istada por Dozy : «Al- 
bengala (étotie de lin très-tin doht 
los Mauros d'Espagne ornaient leurs 
turbans) semble Otre forme du nom 
propro Benr/ale, car c'est dans cette 
province quo Ton fabricait la mous- 
selino la plus fine que Ton connaissa 
dans rinde». 

{r>(i1. — «Coifas dc Lisboa, banga*as, 
■< de chamalote-». — Jorge F. de 
'los, Eufroitina. act. in. 

1G2'). — n e infinidade de caixfles 

cheos de roupa de to*la a sorte, a saber, 
Cassas, Ca^-has, Bengala?, Balagates». 
— Fr. Nicolau de Oliveira, (irandezat de 
LUhoa, fl. U. 

IHll. — «Bengala es vn cierto género 
de velo mui .! ' ' ' ' varrúvias, Te- 

toro de la L> i 

1096. — .1 • Pingai» 
and stain'd ( Ín- 
dia GfKKls d<( .... V ,..íUof 

Norwich stuíFs*. — Daveoant, in Gto$- 
»ary. 

BENGAIEIRO. Fabricante, vende- 

!')r (\^ bengalas, con- 

, ..«Vís modernas. Mas 

antigamente tinha outro signiticado : 

«O que vendo lençarius de 1* ' 

o outras m»»rondori.is. qu^ ■ 



o por wpropola lintoarius»» — fan- 

.ji.'iro. 

• BENGALINA. I'lanla ,.iif.-l.í.'.'-"«. 

—- Arnh//>/nl Wil/cslotut, << 



Nfto se saht» o motivo por que é cha 



BENTO 



118 



BKKI-IJERI 



mada bcngalina em Goa ; seria tal- 
vez levada de Bengala. 

1873: 

«NtiB paisagens divinas, 
cm miragens feitíceirus 
eu via sempre palmeiras 
e campos e benirHlinaK». 

TomAs Ribeiro, A Indiana, p. 49. 

1874. — «Aiuda hoje, quando o portu- 
guez visita estas montuosas paragens, es- 
tas brenhas adustas, pergunta. . . ás folhas 
vermelhas das bengatinas se não guai-- 
dam ou nào retratam o sangue do conde 
d'Alva». — Id., Jornadas, ii, p. 203, 

Beniaga. V. veniaga. 

BENTECA. É o^ nome duma árvore 
de madeira da índia — Lagerstroe- 
mia parvijiora, Roxb. Ingl. benteak, 
(cone. nãijó), e L. lanceolata, Wall. 
Entende-se, porem, comummente em 
Goa por benteca a Briedelia retusa, 
Spreng. (phãtarphod em concani). 
Do malaiaía vendikku ou bendikku, 
lit. «teca branca». 

1782. — "Da mesma qualidade e serven- 
tia são as plantas chamadas marêta e ben- 
teca; é preciso couduzil-as para este paiz 
[GoaJ na forma de teca da terra firme«.— 
Fr. Clemente da Ressurreição, Tratado, ii, 
p. 326. 

1846. — "Benteca; Elu (Páo de ca- 
deira) ; Bendy (Páo de rosa)». — F. N. Xa- 
vier, O Gabinete Litter ario, i,*p. 250. 

1898. — «As essências que ahi se encon- 
tram sâo a mareta, nano ou benteca, 
comhió, santonon. — Oliveira Mascarenhas, 
Atravez dos Mares, p. 180. 

BENTO (ant.). Grande escritório 
ou pequeno contador oriental. Do 
mal. bentog. Cf. bada de bãdaq, pu- 
cho de puchoq. 

1616. — «Mas entre outras cousas gran- 
de numero de pequenos armários de todos 
os feitios, feitos ao modo dos de Alemanha, 
e são a cousa mais linda e mais bem aca- 
bada que ver-se pode, porque são todos de 
madeira exquisita, mosqueada, e marche- 
tada de marfim, madre-perola, e pedras 
preciosas. Em vez de ferro põem-lhe ouro. 
A isto chamam os Portuguezes Escritórios 
da China». — Pyrard de Lavai, Viagem, ii, 
p. 154. 

1687. — «Nem em Ceylao avia risco, de 
que este ceuo da cobiça corrompesse a in- 
■ tegridade da justiça: assim por se uão 
agradecer, ja como data, mas como diuida, 
como porque os sagoates de Ceylâo, mais 
seruiâo, jiara a despenca, ou rouparia, do 
que pêra os bentoz». — P. Fernão de 
Queiroz, Conquista de Ceylão, p. 80. 

«Foy se embarcar a Cochim, e em ues- 



peraa da partida, uão tendo já cm casa 
mais que huiu bento de seus papeys, uio 
arder na nao em lula hora quanto da ín- 
dia leuaua». — Id., p. 266, 

1697. — «Abrindo diante delle hum 
bento (assim chamamos na índia os es- 
critórios grandes) o convidara a tomar húa 
Cruz, que nclle estava, prophetizando-lhe 
grandes fortunas». — P. Francisco de Sousa, 
Oriente Conquistado, I, iii, 2. 

1727. — «Bento. Vid. Vento.. . Diz-se 
de huns contadores pequenos, que vem da 
índia». — liluteau, Supplemcnto. 

«Vento. Peça movei, que vem da ín- 
dia, acharoada, como hum Escritoriuho, 
com huma só porta». — Id. 

BÊR, bôr (s. m.). Zizi/pkus Jujuba, 
Lamk. Indo-ingl. ber-tree. Em indo- 
-port. denominam-se maçãs os frutos 
e maceira a árvore. Do cone. bór, 
«fruto», bôr, «árvore» ; liindust. ber 
ou bir ; sânsc. badara. Tamhôm se 
chama jííytí&a e maceira da Índia. 

1563. — «Ber, que são as maçaãa que 
cá usamos». — Garcia da Orta, Col. v. 

1846. — «Peras (goiaba), Borans (ma- 
çans), caju, Jambolans». — F. N. Xavier, 
O Gabinete Litterario, i, p. 248. 

1904. — «Flora damaneuse : Limoeiro, 
macieira, mangueira...». — A. F. Moniz, 
Hist, de Damão, ir, p. 177. 

1578. — «Este arbol, se llama en Cana- 
rin bor : en Decaniu Ber: y en Malayo 
Vidaras. . Destas Maçanas son mayores, 
y mejores las de Malaca, que las dei Mala- 
bar, y a todas exccden, las dei Balagate». 

— Cristóvão da Costa, Tractado, p. 111. 
1623. — «... ma qui lo chiamomo Ber». 

— Pietro delia Valle, Viaggi, lu, p. 28. 
1908. — «The grafted ber is called 

poyndi'K —Watt, The Commercial Products, 
p. 1143. 

* BERBAIA (s. m.). Indivíduo duma 
das castas baixas de Ceilão, cujo 
ofício ó tanger o bombo e os ataba- 
les. Do sing, bevavãyã, 

1687. — «Os Berbayas são tecelões, e 
os que tocão ataliales, que em Ceilão fazem 
hum som muito belicozo. Rei)artem-se i)e- 
las quatro Dissâuas, e que he tão bayxa 
casta entre eles, que nem os Pachas po- 
dem comer em suas casas». — P, Fernão 
de Queiroz, Conquista de Ceylão, p. 16. 

BÉRI-BÉRI, s. m. «(Termo da ín- 
dia). Huma Paralysia bastarda, ou 
entorpecimento, com qu© fica o corpo 
como tolhido». Blutoau. Teem-se 
apontadO' várias etimologias do vo- 
cábulo, sendo a mais aceita a do 
sing, beri (propriamente bceri), «de- 



BKRI BKRI 



ní> 



HKRir/) 



111.. ; ' ' '>'i'''i;i 1 .1 li I !■. i III' 

\' r.u . ! . M > u <Io«!ii;a prt^valerr 

iuaiu al 

; e o nm- 
laio teni a voz hiH-biri para a de- 
notar. E hem possível quo o torrno 
teiiha passatlo. como diversos t)Utro8, 

se é ((Tie 

ia ilha o 
euipi. u'aiu neste sentido, o que nllo 
cohíita dos lexicóí^ralbs, mas .íoao 
Riboiro parece indicar. Ceylon (rlos- 
S'lr ocábulo sem apontar 

a o: 

ini3 — .E as vezfs o [vinho de Hipa\ 

cie fogo, como agua ar- 

ontra o frio de bere- 

bere .\l,inu«l G. de En'dia, iJedara- 

^am <!■ Mal ara, i\. 19. 

It.lt; — «A nossa ;íeiit(' Ilia adoecendo 
il.i .l.i.-iKTi f]no iJkuii;!-. bepebepo — que 
hf i " i. e pernaft, de que 

• 111 rem». — Diogo do 

C'.ur I '-c \ iti, i, •_'.> 

It)^ l — «... inconveniente que mais se 

' Ma- 



i.m;. .. . . 

«Kstado actual 







— I . r '■! ii;i"> 'u. 




^ de 


Ijí^m 


Viuciroí, 


III 




dt Itasto, p. 28t>. 










i na Ilha ao« !' 


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. . a! 






'do bor 


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1 << 













Abrii. 

ItíSl. — «Penetrabilis i»iaeterea huiii.-i 
acri.-4 natura, niiscrahilcm illam para! 
spccicm producit, (lu.if Beribéri! Hi 
thod. inca med. Iiuíica nomiuatur». — iiou- 
tius, Jlisl. Natitralis, p. 4 

1650. — «Les Barbirs sont une 
espèce de paralisic. qui attaquc prii; 
lemcnt 1 'cns, et Icurs ôte li 

deleur>; . — Grose, Voyage, \> 



Divisa ou insígnia de 



♦ BEftlDO 

superioridade ou do excelênci.n 
forma de bracelete ou cadeia, u- 
na índia. Do mar, bind <s&nsc. bi- 
ruda. 

1552. — «E ofltcs dcsafi.-c i. .n i... 
lugar entre os otliciacs híis com outi- 
bre quem sabe niclln>r o seu oHicio, v ...>... 
entre pca.soa.s sobre qualquer manha das 
que o.s homens sahem, porque tamheiíi dn 
que .sabe melhor traz a mesma cadeia. 
se chama ber id». — Castanheda, JJ. 
ria, II, cap. 16. 

BERILO. «Esta palavra é talvez 
muito antiga importação da índia 
para o Ocidente, tendo-se suposto 
t' a sua origem era o sânsc. vai- 
'ifu; prácrito velUriya, donde o 
persa billaur, o grego Béryllos*. 
Glossário Anglo-iudiano. 

vocábnlo ocorro na Versfio doe 
Setenta, em Ptolomeu e Plínio. Qn.in 
primeiro propôs a derivaç<^o do sãii>- 
crito foi o orientalista alemílo We- 
ber {Omnia, p. 320). Max Mailer, 
sera a contestar, observa (Selected 

V. 1881, II, p. 3r>2Kiu. 
<!• de origem arábica, 
fcristai» e nilo podia fAcil mente pas- 
sar ao Jfr'"/'» 'Ml! t'lo r.'liiiit-i •iMfi.riii. 

dade. 

15(>.'i. — «Na India ha beriio, quo hn 

}|BÍ como cristal, c »> ha cm : ' ' ■ 

y<»«i, de que faici-m jarra.-* • 

'■' muyto detttc berllo ent > ..... 

1 tavati, V cm I'cpu». — (iarria da < ' ' 

'. I. XLÍII. 

16*J9. — -liiiu« Ihc chai 
roca. . . .«iitr.i- birillos ; 



Fr. Agostiuliu de banta MariOf aiittorvi, 
p. Iti. 



BERTANGI 



120 



BESPIÇA 



c. 70. — «Eaiidem multis natnram, aut 
certo similem habere beryl li vidcntur, in 
India origineui habentes: raj'o alibi re- 
perti. . . l*r()l)atissiini sunt ex iis, qui viri- 
ditatein puri maris iinitantur». — Plinius, 
Natm-alis Historia, lib. xxxvii, cap. 5. 

1589. — «11 y a en jdnsicurs endroits 
des Indes certain mat(nial scmlilable & 
Crystal de montagne, maia (jui ne pent 
estre appídló Crystal, car il n'y a point en 
tout Levant. On le nomine Beryls, il ne 
differe gueres du Crystal». — Linschoten, 
Histoire, p. 138. 

177G. — '.Tdlomeu già aveva osservato, 
che a Pugnatil a tempo suo si ritrovanoli 
Berllli», — Fra Paolino, Viagyio, p. 77. 

BERTANGI, bertangil, bretangil. 

Sao nomes dum tecido de algodão 
(azul, preto, vermelho), qne antiga- 
mente se exportava de Cambaia para 
a África Oriental, e também aí se 
fabricava em algumas localidades. 
Por mais que trabalhei, nSo pude 
saber a origem do vocábulo, nem 
mesmo se 6 asiático ou africano. 

1512. — «. . de caoutos, de tagadis, de 
bretamglS'). — In Cartas de A. de Al- 
buquerque, V, p. 248. 

1514. — «Per este vos mando que des 
[deis] a tomas queimado home de mjnha 
goarda quatro mil reacs e dous bertã- 
gys». — Id., VI, p. 49. 

1635. — «E deixou cargo ao seu escrauo 
que alimpasse o crauo e vendesse o bastão 
a troqo de cotonias e bertangys verme- 
lho, e roupa fina» (em Chaul). — Gaspar 
Correia, Lendas, in, p. 663. 

1546. — «Colcha de tafesira de Cam- 
baya forrada de bretangll vermelho». — 
Espolio de Balthazar Jorge, in Boi. S. G. 
L., IV, p. 290. 

1563. — «Daua muita quantidade de 
ouro a troco de híis pannos de Cambaya da 
sorte que elle ali trouxera: que erão ves- 
picias, mantazes, e bertangijs azues, e 
vermelhos». — João de Barros, Déc. Ill, 
III, 3. 

1569. — «Afora este [traio] ha outrode 
roupa preta, Bertangil, matares [man- 
tazes], tafeeiras [tafeciras] que também 
com as contas de mistura fazem grosso 
resgate». — P. Monclaio, liol. S. G. L.,j\, 
p. 5i8. 

1585. — «Entretanto se amortalha o de- 
functo, quasi ao nosso modo, em um ber- 
tangil ar.ul, cingido por muitas partes 
cora tiras do mesmo bertangil». — Ma- 
nuel Godinho Cardoso, Hist. Tragico- 
maritima, ir, p. 52. 

1601 . — « Bertangins azues e de mais 
cores, hão de ter sete covados de comprido, 
e cinco sexmas de larguo». — Carta de lei, 
in Archivo, vi, p. 744. 

1609. — «Dentro em Sofala dão doze 



[galinhas] por um bertangé preto, que 
ali vale o mais dois tostões». — Fr. João 
dos Santos, Ethiopia Oriental, i, p. 52. 

«O defunto [macua] se amortalha quasi 
ao nosso modo envolto em um bertangi 
preto, e atado com muitas tiras do mesmo 
bertangi». — Id., p. 255. 

1611. — «Mandou Nuno Velho soltar ura 
dos negros, para que se fosse á sua caza, e 
desse no\ as dos outros, e com uma tira de 
Bretangil vermelho, e um jjedaço de 
cobre se nouve o cafre por satisfeito da 
prisão». — João Baptista Lavauha, Hist. 
Tragico-maritima, v, p. 77. 

1612. — «A oitava duvida, sobre os mil 
quinhentos cincoenta e três xerafins, hua 
tanga e quarenta réis, que se liquidou va- 
lerem as noventa e cinco corjas de ber- 
tangis». — Carta líégia, in Documentos 
da índia, ii, p. 27 v. 

1622. — «Eseoou-lhe aonde tinha afe- 
rida, e untando-lhe com uma pouca gor- 
dura de vaca lha atou com um pedaço de 
bertangil». — Francisco Vaz de Almada, 
Hist. Tragico-maritima, ix, p. 67. 

1712. — «Bertangil, ou Bertangi, 
ou Bretangil. Panno de Algodão que os 
Cafres tecem. Ha grandes, e pequenos, 
azues e pretos». — Bluteau. 

EESPIÇA, bispiça, vespiça, espicé. 

Diferentemente ortografado, figura o 
termo nos nossos indianistas antigos, 
com o sentido de o tecido de algodão 
grosseiro, pano cru». Não estou 
certo da sua etimologia; é possível 
que seja composto do sânsc. reçaou 
vesa (hindust.-conc. bkes), «vestuá- 
rio», e vasa, apeça de vestuário». A 
fazenda servia de saiote ou dotim, 
q. v. 

1510. — «Sesêta panos bepiças pêra 
cobertores das camas dos doentes do es- 
pritall» (de Cananor). — In Cartas de A. 
de Albuquerque, vi, p. 398. 

1512. — «... e aos piães a cada hu seu 
pano de bispiça de que lhe faço mercê». 
— Id., V, p. 176. 

oAsy vos mando que lhe pageys quorèta 
bispiças a três fanoes bispiça que lhe 
mãdei tomar pêra dar aos catares e pagar- 
Ihes estas bespiças e cotonias pelos pre- 
ços de ca ou õ dinheiro». — Id., p. 192. 

1513. — «Por este vos mando que des a 
manoell de sampaio dez vespiças de que 
faço mercê ê nome de sualteza aos negros 
que trabalham è pangim». — Id., v, p. 377. 

1563. — «Dana muita quantidade de ouro 
a troco de huus pannos de Cambaya da ^ 
sorte que elle ali trouxera : que erão ves- 
piças, mantazes, e bertangijs azues, e 
vermelhos». — João de Barros, Déc. líl, 
m, 3. 

1617. — « . . . bames, espicés, chandés 



HETAL 



121 



BETELE 



>\>' Vardrtrá, arftnflfirAs*. — Carta Jiétfia, 
■ I. Ill, p. 355. 

tis, maiitazes f^ran- 

(i<'s. [>;lIl(<■^*. espicés, L-liaml'' 
Jlfid, IV. p. 11. 

' ' palavra aparece no 

w.. bandido de tigueirodo, 

com o 8Íj;nificado de «grande Ar\'ore 
U'l' ! das Malucas, quo dá bOa 

in;. ;a eonstru(;(^*'s». Tanibcm 

Devic re^'ista o vocábulo. Não sei 
pòrOni se algum nosso escritor o em- 
pregou jamais, liéni ó simplesmente 
«icno» em nialaio, e kãyubési é 
«pau ferro», e é assim que os nos- 
sos indianistas disseram. 

• BESTEIRO. Ocorre mais de uma 
v.v. o vocábulo na obra do Padre 
Fernílo á(^ Queiroz, com relaçílo a 
Jafanapatão, no sentido de «embar- 
cação pequena e ligeira». Qual será 
o luntivo da denoniinaçflo? Talvez a 
ariali»;.'ia com besta na forma ou na 
rapidez. O barco de\na ser peculiar 
da região. 

1687. — «A toda a pressa mandou re- 
cado ao Caí*.s, íjne st' metesse gente no 
besteyro da Ijrrcja (emb.ircação pe- 
quena e Jigejra), com mais duas mau- 
cliuas' — Conquista de Ceylào. p. .^)13. 

'. PaitiM I , 1,1 «staa ordens de Columbo, 
(!.'_' 1 ;t .M 111 i:, armou quatro [embarca- 
'. -■ - iiiiiii besteypOf c outras pcra sua 
. 1 —Ibi4, Tito 

" ' fazer na prava hí5a barraca, 

• ■m os companheyros, e o bes- 

toyeo j>i . /.i á sua cabeceyra, eom a cliaue 

do cadeado em sua mão». — lòid., p. r)41. 

«D I)ioi,'o Coutinho, que de Malaca 

viera a NefxapatSo, carregou ali quatro 

h^i-tAun^s i sua custa, com que soccor- 

.. - Id., p. 702 

-m Valauê r]oiis besteyros; 
u, coui liuni Saufjuicrl . em 
'm bestaypos ; «mu .bifaiiHpat.1o 

dnus >: com doiis besteyros; 

em Tu ; ■• dous beste vros; em 

! 'ite-caloii quHtroa. — Jd., p. tíM. 

• BETAL. K ama divindade liindu, 
iposta p<»rsoniHca';.T'> d«» fVixna, 
mito v< rit'rnda p i- 
' s do ConcAo. li , . 1 lu 
II, como Pría|)o da mitologio greco- 

*■ . Os seus ministros sfto da 
sudrn. Do cone. hefãl, mar. 



l.ij.i — "ii'ia iliiM iiiiiii'."» II. i «I'l.iiii- iiit 

imda do tiorte tem trcs pagode» muy fer- 



I mosos, o qual húu 8« chama VitollS"- — 

Chronica d' " ' *^. 

I 1(J14. — " i 'los se chamava 

j Vithelá (iniiiai ; p iii is braços, e huma 
s/i cabeça. »■ está airima'io a dous idolos 
! jMtiueiios (|ue tem a cada parte». — Diogo 
I do Couto, l>éc. VII, III. 12. 
I 1GH7. — "Ouu(! hum Fagnde de menor 
nome e veneração que o do Mature, dedi- 
cado ao seu Deos Perumal Betai ; í|ue 
conforme crem, e relatfio da aua vida em 
I tudo foi semelhante a Priajio. Os (icntioa 
I de Concão de Goa lhe chamào Betâlu c 
sua escultura he a mais torpe, que se pode 
I representar aos olhos humanos, digna só 
I de ser rcuerenciada por brutos, que t»in a 
I iiensualidade por bem auenturança». — P. 
I FernSo de Queiroz, Conquista de Cey/âo, 
p. 33. 

18íK). — «Nos pagodes em que os gurmta, 
' ministros de castas inferiores, se tem man- 
; tido contra os brahmanes, e pertencom- 
I lhes todos os de Vetai, depois de invoca- 
I ções solemnes, o deus entra lhes no corpo, 
que se contorce em movimentas epilépti- 
cos, ao som de uma musica infernal e falia 
j pela bocca d'elles». — António de Almeida 
! Azevedo, As Communidadrs de. Goa, p. 33. 

BÉTELE, bétel, betle. bétere, be- 
I tre. K o nome da fôlba de Piper betle, 
Linn. Por betle tambOm se entendo 
' o afamado mesticatório da índia e 
I da Indo-China, por constituir o seu 
! invólucro em forma de canudo e o 
seu ingrediente principal, sondo os 
outros a areca, o cato, a cal de os- 
tras e, às vezes, substâncias aromá- 
ticas. Atribuem-se-lhe muitas pro- 
priedades benéficas, o mascara-nu, 
como na Europa se faz com o tabaco, 
liomens e mulberes, especialmente 
depois das refei<;íies ; o <'• de civili- 
dade oferecC-lo aos visitantes. O seu 
oferecimento e aceitação é sinal d(« 
amizade o do acordo ou pacto. V. 
ntftmbor. 

O étimo de bétele é o malaiala r<'/- 
tila, composto de verti, «simples», e 
Ua, cfOlha», isío é, fOlha por antono- 
másia. As línguas neo-aricas tam- 
bém Ibe cbamam /aí//, «fôlba», dnnd<' 
o indo-inglés patrn, e á plant 
-r<*/. «tre])adeira de fOlba». ' 
porOm, pãn ò igualmente o nome d(» 
tabaco, como em Goa, distingue-se 
ii?n objecto do outro, quando é n« - 
lio, com as lotMK.'^'s 11' 
pãn, flfòlbas tb- i-oiucr». < 
chem-pãn, «fOlhn tie fumar» 



BETELE 



122 



BETELE 



landim tamlx'-"" ^.' ': i^- 

«tabaco». 

As formas UctcLc c bcLcre são as 
mais antigas ; betle o hetre silo as 
suas contivicçõcs, sondo hetle nK»der- 
namentc niais usado ua India. Bonto 
Pereira tam])óm regista béter. O vo- 
cábulo catre passou igualmente por 
idC'utico processo ^ 

IftOO. — «Tanto homcus como mulheres 
trazem todo o dia na boca hiima folha de 
betele, (luc tem a prcpriadade de a fa- 
zer vermelha, e os dentes negros : os que 
não fazem isto sào homens de baixa extrac- 
ção. Quando algum morre, os que devem 
trazer luto tingem os dentes de preto, e 
não comem desta folha durante alguns me- 
zes». — Navegação de P. A. Cabral, cap. 12. 

1502. — «É porque era costume quando 
se acertauão o.s j)reços das compras e ven- 
das, dar-se betei le aos mercadores, e elle 
o não tiidia, em lugar de betere, jjera 
todos 08 que aly cstauão presentes lhe 
mandou dar mil cruzados meudos em ouro». 
— Gaspar Correia, Lendas, i, p. 314. 

1513. — «Que hão de saber estes taes 
do negocio da india enearrados em cochim 
e em eananor, cheos de betele, de negras 
e a destro e sestro V». — Afonso de Albu- 
querque, Cartas, i, p. 408. 

1516. — "Ha ho qual betele nós cha- 
mamos folio índio, que tem a folha como 
tanchage« 2. — Duarte Barbosa, Livro, 
p. 286. 

1516. — «i'olio índio he o betelle. O 
milhor de qá he do reyno de Goa. . . Ver- 
de, he substanciall, com avelaua índia, ou 
areca, e com a call . . • Faz grandemente 
digerir, conforta o cérebro, arreiga os den- 
tes, que os homêes de qá, que ho comem 
saara de oytenta anos, e tem todos os 
dentes gerallmente sem lhe falecer al- 
gum». — Tomé Pires, Carta a elrey, apud 
Cardeal Saraiva, vi, p. 425. , 

1525.— "Este betre he híla erva que 
tem a folha como a folha de pimenta, ou a 
era da nossa terra, esta folha comem sem- 
pre». — Chronica de Bisnaga, p. 85. 

1526. — «Qualquer peão que for com re- 
cado que com[)rir a nosso serviço e arre- 
cadação de nossas rendas, dar-lhe-hão cada 
dia que lá estiver sem o despacharem, 
duas medidas de arroz para seu comer e 
hum real para betre«. — Foral de 
D. João III, in Archiro, v, p. 130. 



• «A forma het{e)re explica-se perfeita- 
mente. Suprimido que seja o e da segunda 
sílaba de bétde, resulta betle. e ti è grupo 
de sons intolerável em português». — Gon- 
çalves Viana, Apostilas. 

2 Yule nota: « Folium indicum of drug- 
gists is, however, not òeíeí, but the wild 
cassia». 



1536. — "0 Key do Repelim ostana em 
suas casas com sua gente, e fazia zomba- 
ria de os nossos auerem de chegar a suas 
casas, porque elle tinha dado o betele a 
todos 08 seus, que era o sinal de todos 
morrerem ante ellc". — Gaspar Coireia, 
Lendas, iii, p. 76H. 

1546. — «... o betere, que são hiujias 
folhas de tanchagem, (jue elles costumam 
comer continuamente, jtorque lhes faz bom 
bafo, e purga as humidadcs do estômago». 

— Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 177. 
1552. — «Tinha na mão iium prato d'ouro 

com folhas de betelle que elles vsão re- 
moer, para lhes confortar o estômago». — 
João de Barros, Déc. I, iv, 8. 

1550. — "Aqui [em Zanzibar] vi a pri- 
meira vez as arequeiras arvores na índia 
tão frescas e estimadas pello fructo que se 
come com o betele o qual ia trepando 
por ellas ao modo de eras». — P. Monclaio, 
in Boi. S. G. L., IV, p. 499. 

1563. — "O nome em malaA'ar he betre, 
e em decamim j-iam [aliás jiaw'] ; cem ma- 
laio ciri". — Garcia da Orta, Col. do 
betre. 

1566. — "Ho qual betelle he huma fo- 
lha tamanha, quorno de tanchagem, e quasi 
da mesma feição, cresce como a era ape- 
guada as arvores, ou em latadas». — Da- 
mião de Góis, Chron. de D. Manuel, i, 
cap. 41. 

1572: 

«Bem junto deHe um velbo reverente, 
Co'os giolhos no cbilo, de quando em quando 
Lhe dava verde folha de herva ardente 
Que a seu costume estava ruminante». 

Camões, Liutíada», vn, 58. 

1577. — «Quando o Rey, ou senhor quer 
restituir a honra a algum dos flagellados, 
dalhe betie, pano, cabaya, ou touca». — 
Primor e Honra, fl. 8 u. 

1585. — «E ey por bem e mando que lhe 
sejâo pagos seus ordenados pela renda de 
betre desa cidade de Goa». — Carta Bé- 
gia., in Archivo, iir, p. 36. 

1602. — «Mas achasse [acha-ae] que foi 
sempre tão continuada dos estrangeiros, 
que andaua entre elles por adajo, vamonos 
recrear ás frescas sombras de Goa, e a 
gostar da doçura do seu betre». — Diogo 
do Couto, Déc. IV, X, 4. 

HJ13. — «Povoado de Monancabos do 
tratto de betre, planta aromática pêra 
mastigar com mistura de cal, e areca pêra 
conservação do estômago». — Manuel G. 
de Erédia, Declaraçam de Malaca, i\. 10. 

1616. — «Usam também dia e noite mas- 
car Betei como fazem todos os índios». 

— Pyrard de Lavai, Viagem, u, p. 96. 

1617. — «Costumão trazer o Bettele, 
que he hua folha como de hera, cujo sumo 
de qualidade he quente». — Conquista de 
Pegu, cap. 13. 

1635. — «E lhes offerecem logo sacrifí- 
cio de betre e areca».- — António Bo- 
carro, Déc. xiii, p. 151. 



TM Tl! I 



19ÍÍ 



III Tl- 1 i- 



as ' .•/ 
tV.lha ,i. 



]' 


II' 


II. 




r-.i. V 



147. 

:• -:» ■• hr#(~'(~ 



as». — P. Manuel Godiuho, 
Betie }iii:n:t folL 



re- 

.«■ da Guarda, Vida df 

• Alwiima Tareca) se consooK 

■ '> Betele, 

'<> (jiif fazem 
o8 gen- 

• he 

Ac 



Un^nl .. h"ttf> 






- tlil UUl V 

;a Costa, .lx_ 

a ilcíi-aiicar um 



i e betIe, 

a de maxima 

loiiias iíibtitru, Jornadas, ii, 

do betIe, a 



■Lit-. — Lupfíi Mcttdcá, 
fi. f.. 143 



las- 

V.. è 

' «i- 

II .».)■->. 

1578. — «El quale fbétclel es aromático, 

'■■' '■ •■••:-■ •'•■• ■ • -■ -í.»o- 

de 

I. . . -. — V ....i-....>da 

181». 

t ... . .ff! lii.uifi li donti n«ri 

uo, il fhc -sto bettre 

i';u tf . . Qua nr>n 

ti, e tutta questa 

II r<> quando fa- 

von- li bettre-. 

l.">ò'j. — nljt-s K-tiilli'3 de Bettela ou 

Betra ^ont fnrt cominunes entre les lu- 

■nt toutiuuelkmentu. — 

r", p. 109. 

\K)'1'Ò. — uSmi di una pianta qui cLia- 
mata Pan, ma in nitri ln<>^hi d'liuiia Be- 
tIe. Le (ji. tto'1 

giorno di j»er 

tratf' • ]..r 'K-iitia» — iR-tr-xiella 

Vali Hl. p. 28. 

lòoi — < rraeter hi>c peculiare habemus 
nobile medicamentam, «juod conficitur ex 
Arecoa et Betele, et calce viva ex os- 
trearum conchyliis u.sta. qwxl masticando 

.,if,i;t >,,, ,\ capite elicit, eair ".'» in 

e.st, conHumit, et nc 

..., 1. caput impleat, nuÁ. ;..rrhi 

nascuntur». — Houtius, Hist. Naturalit, 
p. 28 ». 

1644. — «I Portogliesi cliiamano questo 
tVuttt) Ârfea, e nou si man;;ia .«solo, ma 
s'inuolta in certe foglie di BetIe, assai 
in tutta 1'lTidia nati^u. — I'. António l*ar- 
dim, . p. 50. 

!• i le piaute, che dagl' In- 

ite in» macgior stima, e dei 

quali nioTto «i preggiano, 

^ Betei ■ re per la cui 

ii>ni* si !•' n tniit» dili- 

^'cuza, i-lie la <lal 

tooco d«*lli aiii tra 



• 111" — < »ii - 
dtjê Marte, 



VJ06. — «Quando um europeu visita um 



'io de lirion, A índia 1' 



,is|.,. -ir > iiicfii;'.(i .4iar;.i, i iifjijK', 

■ ■■'• -P-t(n' - •■■ ]uet 

de 
de 
i la 

, i,,! 

•' et agT' 
, , . Ití. 
••>tj. ~ «Poor ane «ente teiitlie d«- Bo- 



160. 

1520. — ..i:t I. t 



i-.'!i.i!i.' a arrr» ! in 



•ae, ceii 



BETUNE 



124 



BI BI 



tie (lérohée, ils font mourir un homnic» 
(no Malabar). — Thevcuot, Voyayes, iii, 
p '2G7. 

1G74 — «Betéle os una planta cuj-as 
liojas j)ulv(írizaclas yon cal y areca, niaz- 
can y chiii>an Io» Índios para coiiacrvar los 
dientes, tortalecer lo estômago, y induzir 
la Vonus humana». — Faria y Sousa, Asia 
Portuffuesa, ii, p. 080. 

ll!7(). — /«Le Nabab témoigna que notre 
compliment ne lui avoit pas d(''j)lu, et ajiros 
qu'il nous eut fait presenter le Betié 
nous ))rimc8 conge de lui et rentrâmcs 
dans la Vilie». — Tavernier, Voyages, m, 
p. 248. 

1770. — «Le betel est une plante qui 
lanipe et qui grimpe comme le lierre.-- 
On ne peut pas se separer avcc bienséance 
pour quelque tema, sans se donner mutuel- 
lenient du betel dans une bourse: c'est 
un present de raniitié qui soulage I'ab- 
sence. Personne n'oserait parler à son su- 
périeur, sans avoir la bouclie parfumée de 
betel». — liaynal, Histuire, i, p. IfiS. 

1782. — «Le Betel est la feuille d'une 
plante du genre du poivre: on la place au 
pied d'un arbro, sur lequel il grimpe; la 
i'euille ressemble à cello du poivrier. On 
la prepare avec de la noix d'Areque et un 
peu de chaux brulée, faite de coquillages». 
— Sonnerat, Voyages^ i, p. 48. 

1786. — «Sono assai richi e commer- 
cianti con pepe, con cardamomo, con Pacca 
od Areca, cho è una noce Indica, la quale 
serve di cibo agi' Indiani col Bettila, fo- 
glio aromático». — Fra Paolino, Viaqgio, 
p. 76. 

1860. — «In the chewing of the areca 
nut with its accompaniments of lime and 
betel, the native of Ceylon is uncons- 
ciously applying a specific to correct the 
defective qualities of his daily food. . . In 
Ceylon, its use is mentioned as early as 
the fifth century before Christ when «be- 
tel leaves» formed the present by a prin- 
cess to her lover». — Emerson Tennent, 
Ceylon, i, pp. 139 e 438. 

1908. — «The name Betel or Betle is 
Malayan [sic) in origin and simply means 
«a leaf», and came to English through the 
Portuguese Betre». — Watt, The Com- 
mercial Products, p. 83. 

BETRAL. Plantação de hétele. 

1604. — «Bosques serrados de arecais, 
betrals, jaqueirais». — Diogo do Couto, 
Déc. V, vi", 4. 

* BÉTUNE (malaial. vettuvan). No- 
mo duma casta baixa do Malabar, 
que se ocupa em fabricar sal e em 
cultivar arroz. 

1516. — «Ha nesta terá de Malabar 
outra ley dos Gentios mais baixa ha que 
chamaom Betunes cujo oficio he fazer 



sal, e semear aros, nem uivem de outra 
cousa». — Duarte Barbosa, Livro, p. 337. 
1894. — «Tinham que tornear o arrozal 
miasmatico, do meio do qual um misero 
betune, ocupado na plantação, erguia a 
cabeça bronzeada e tonsa, com um gesto 
de espanto». — Lopes de Mendonça, Os 
Orphàos de Calecut, p. 191. 

Bezoar. V. hazar. 

BÍA, BIBLÁ. vSíío os nomes que, 
conforme Lopes Mendes, se dao em 
Damão a uma árvore de madeira 
{Pterocarpus marsupium, Roxb.), 
que em concani se chama ãsan ou 
pãle-ãsan (vid. assane), e em porlu- 
guês, segundo D. G. Dalgado, ta- 
noma quino ou quino de Amboina. 
Biá é do guz. hiyo, e hihlà do ma- 
rata-guz. biblã. 

1886. — «Biá ou biblá... arvore de 
grandes dimensões, servindo a madeira 
para construcção dos madeiramentos das 
casas, mas pouco apreciada por ser acces- 
sivcl á humidade'). — A índia Portuguesa, 
11, p. 249. 

1898. — «A madeira é jfòrte e durável. 
A casca é adstringente. El d'esta arvore 
que se extrahe o kino no Canará». — D. 
G. Dalgado, Flora, p. 57. 

1886. — «Pterocarpus marsupium, blo 
or bib la. This tree is found only in large 
forest tracts. To get at the leaves, an ex- 
cellent fodder, professional cattle breeders 
often do great damage to the trees. Its 
timber is valuable for building purposes, 
being second only to teak». — Bombay Ga- 
zetteer, Botanical vol., p. 394. 

«BIBAS. Usa-se o termo em Ma- 
cau, para designar as «nêsperas». 

1902. — «0 dr. Gomes da Silva divide 
as fructas do sul da China:... «Astrin- 
gentes : marmello, bibas, vompite, guya- 
va» . . . Segundo Debeaux, o nome de bl- 
bass, dado pelos europeus, vem do chincz 
Pi-po, pelo qual é conhecida a nespera, 
alem da designação mais vulgar de tsen- 
pi-tzen. — Ta-ssi-yang-kuó, II, iii, 3. 

* BIBI (hindustani-persa hxbi). Se- 
nhora, princesa muçulmana, 

1330. — «A significação de Bibí he en- 
tro elles a forra». — Ben-Batuta, Viagens, 
I, p. 343. 

1563. — «... e outro menor por nome 
Melique Abrahemo, de outra sua mollier 
Chan de biby, irmãa de Nizamaluco». — 
João de Barros, Déc. IV, vn, 2. 

1612. — «Recolheo no- seu navio o Cid 
Ali, e a Bebi (sic) com a sua fazenda. . . 
e ao Cid e Bebi mandou agazalhar e cor- 
roo com elles muito bem. . . e a Bebi foi 



BlÇÁ 



BICARNASINGA 



presa pela Iu<| 








.HO 


' :ilOS». — Uf%'' 


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1 <»uu> 


ͻfC. 


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a siiià ..'. i . ■. ■■ M. 


>i>'<i 


. í.l, T . 


.1.1- 



ham conto de ouro. 



Trinta mil bíçaft, 

■ Mr.i 



Uierfs Bybla» — Pyrard de Lavai, Via- 

ileí vovent volon- 

Vi.rr,- .ll.^lui 
.1- 

i. fi.lji ^, ■■■é- 

cbaxte». — Lettrt* áUiijiantet, axT, p. 470. 

BIBIÓ OU tigre bibió. É o non 

qn*» •<»' <\:\ ♦"!! ( Joa à pantora, tira , 
corruçilo de bibló, 
, . , - - tigre que toin pin- 
tas SíMuelhautes ao bíbó ou anacardo. 
T ' se diz om concani hibtô, 
outro nome do anacardo. 

1874— «Viam passar as chitelltu, oame- 

ri/. .. :à< rll.f.,'-í« • i,,-,< . r. : -i r. I ni •! t,i r,g SeUS 

' biósK a 
- - - '. í... ..:>>, Jor- 

nadas, n, (> 277 

1«!MK ^ ,.ri)i •!■• I! - Í!Í foi victiinaduas 
. uma d'ellas, de 
percorrido pelos ' 
— Uiiveira Mascarenhas, 
' «*, p. 40. 

iVoa. Tanho imen*» f-.ramr 
d« ««flittir * antA l.i: 
•o kiklé, marú ou cl. 

O InMÍUulu, Vol. I IX, n."8. 

lí*16 — "Hn pnr:ro8 dias, por um caça- 

oma Forzento I'oi ca- 

.0 que no dia autece- 

..i Lizerron. — O Ultramar, 

Bibo \ . niacardo. 

Anarardoácoa I/olir/arua 
'-, Hook. «Muito com mum ua | 
"01 d08 vallados. O snrco oleoso | 
icto |K>de Rer aprovt !* ' ih 
/... I). (». Dal-ado. 1 ,i 

vocA- 
itivu de òibúf |M)r ser O 
, 4Uono. 

BMJA. PA«io n^nâo nn índia merí- 

i, do ordi- 

, .. í s;a»- Os in- 

ses chamam-Iho viss. O t^timo é 
tara. vi»eij om 1 ' * ' 

1646. — -Qae lho , 

'lo] trinta tnil biças de prata, que era 



i 



1 .Kl_' - ■ .M-.IC ■ se 

lauta uiocda, e corr jas 

velh.is de que se .>.! m.i • izi- 

l«'ir.'», por poso se compra tu ho 

l'"-'" ■■ ■"■ •■'■una bica '[•>' I..- .i.>u8 

t»MM cem miticaes». — 
'- .. -. -ia. V, oaj». 11. 

1.Ó4. — "U baar d>> Vo'^nu tem 120 bl- 
ças, cada bica pt-sa 40 . m.ms . —Antó- 
nio Nunes, J.yxTn ihs P 

IR.r. - ..E i.:ira '.. I. -l.a.k-láj 

ie- 

i)i<,<.<s de 

oufM, que cada bica tt-m doiã arraieis 

e mais doa no8«i08u — António Bocarro, 

Déc. XIII, p. 130. 

1582. — «Ogni biza fa mezzo dacato». 
— G. Haibi, ViaggÍ4>, fl. lOG v. 

1776. — «Una Bisa jx-sa trenta quattro 
oncie di nostro peso». — Fra Paolino, 
Viaygio, p. 53. 

i^55. — "The King last year purchased 
800,000 visa of lead at five tikais for 100 
viSS". — In GlDêsary. 

• BICARNASINGA . Comandante 
geral do exí^rcito dos reis de Ceilão. 
Do sing. lUcramasitU/io, (juo litoral- 
mente quere dizer em sànscrito tleílo 
de valor 



1616.— i> ' 
(iie por sua 
Bicarnaainga 

D.V VIII. I. .{. 
U\3ò. " • 



' campo dtí Raju, 

11 lhe chaniavão 

Diogo do Couto, 



'' te »er bicanaainga, 

que é caj' d'elrei de Camlia-. — 

ÁntiMiio 1). . ... .. . ,)<'c.xi- •■ '-i 

KJ.S7. — "Não 8f satisfa o cargo 

•!•• Bicarna Singa, q.. ,.. ...hm pre- 

1) casar de imui» c<>m a Irmil do Key 
uc» — l'. Fernil.. do Queiroz, Con- 
quiiita (/« ( 'fi/làv. p. '.iH3. 

"Kiitri" mifr.i \. . 11.» ra Columbo, e em 
• s. (• tanta.s pri>e- 

ilo de Bicarna 
Singa». — /«i., p. J^ò. 

"••s Principfs fia'Jn? rm 8ua.s prnmes- 

tcs 

(-i ' .'Pna 

9ínga« •{ nto 

ri>m.. Goi.i a». 

— Id , p. ÍM 

11)18. — ti... the oTflatAr portion of 
whioh war - • • ; r,,f. 

roa who w ,,|. 

êinhn- — 1 I I .. : 1.- ' 

"Bicarnaainga .\ ie 

«■•••••■'- " •■ in- 

I) .Id 

í'<i- 
ho 

I Id., p. 661 



HICHO DO MAU 



126 



BICO 



* BICHARA. Consulta, confcrOncia; 
iiit.rrogatório. Sânsc. vicJíãra, prác. 
vic/nlr, Inchara. 

1540. — «Se ajuntarão todos em liuma 
consulta, a que elles chaniílo bichara». 
— Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 52. 

«BICHO. F'igura o termo na lite- 
ratura luso-indiana com o signiticado 
de «criado de pouca idade», como a 
palavra bo// em indo-inglOs. Linscho- 
tcn (1589) intercala algumas estam- 
píis coloridas na sua interessante 
obra, com legendas portuguesas, en- 
tre as quais aparece a de bicho, que 
figura como pagem, no cortejo do 
fidalgo a cavalo ou em palanquim. 

1629. — «Declaro que um bicho por 
nome Manuel que serve na Igreja aos pa- 
dres que serva oito annos, e depois lhe dei 
a sua liberdade». — In O Oriente Portu- 
gucz, V, p. 27. 

1764 — "Paguei huma tanga quinze 
reis, a quatro bichos (rapazes, termo an- 
tigo damanense) meyo dia para alimpar as 
ruas e deitarem fora o eujow. — Ihid., p. 99. 

* BICHO DE PALMEIRAS. É o que se 

cliama no ])ortuguOs de Goa «liarda», 
e tschãiú em concani — Sciurus pal- 
juarum. 

1589. — «Par ces mesmes arbres cou- 
rent certaines bestiolettes qu'ils nomment 
Bichos de Paimeíras, cest à dire 
bestioles de la Palme, semblables à des 
furets, ayant la queue comme celle de 1'es- 
curien, le poil tacheté, lesqucUes on re- 
cherche pour plaisir et passetemps». — 
Linschoten, Hiatoire, p. 86. 

1658. — «L'lndia non abonda d'alcun 
aniniale piíi dei Palmerino ■ ■ ■ Chiamasi 
perciò Pahncrini, perche nelle Palme hà 
il nido, I'origiue, I'abitatione, ed il pascolo, 
nutrendosi delle foglie piíi tenere, e delli 
fiori delle medcsime». — Fr. Vincenzo Ma- 
ria, Viaggio, p. 413. 

1674. — «Squirrels delicately streaked 
White and Black, run about the House, and 
on top of Terraces '. — Fryer, East India, 
r, p. 291. — Nota do editor: "The pretty 
palm, or common striped squirrel». 

1690. — «Tertio. Auimalculum quoddam 
forma Sciuri, malaice T^ipe [tupaij, Portu- 
gallis Bicho de Palmeira». — Rum- 
phius, Herbarium Amboinense, i, cap. 2. 

1823. — «The Indian squirrel, which 
abounds in the park, is smaller than ours, 
more of an ash colour, with two black and 
white streaks down its back; and not only 
lives in trees, but in the thatch of hou- 
ses». — Heber, Narrative, i, p. 74. 

* BICHO DO MAR. É o nome que os 



portugueses deram à holothuria e 
que 08 franceses e os ingleses cor- 
romperam em biche-de-iiier e bech- 
-de-mer. Pesca-se principalmente nos 
mares da OcoAnia, e exporta-se, soco 
e fumado, para a Cliina, onde ó re- 
putado afrodisíaco e empregado na 
composição de muitos guisados e pe- 
tiscos. 

1840. — «Fornecem as suas praias gran- 
de abundância e variedade de bicho do 
mar, que secco compram os Chinas por 
bom preço para as suas iguarias». — Ân- 
naes Maritimos, p. 40. 

1881. — «A pesca é fácil [em Timor] 
quando espraia a maré, e apanham o bi- 
cho do mar nas restingas e donde ha 
pedras». — José Vaquinhas, Timor, in Boi. 
S. G. L., II, p. 740. 

1898. — «Bicho do mar. Holuthuria, 
nome que os jiortuguezes deram e pelo 
qual é conhecido, se bem que alguns escri- 
tores inglezes lhe chamem «sea slugs». — 
Joaquim Calado Cres[>o, Cousas da China, 
p. 232. 

1900. — «Bicho do mar. E uma es- 
pécie de Holothuria, chamada pelos ma- 
laios Tripang, pelos chinezes (pelas suas 
qualidades aphrodisiacas) hai-san, oxthoi- 
san, conforme os dialectos, e significa ^'Íh- 
-seng do mar, nome que os portuguezes pri- 
mitivamente lhe deram. E do feitio d'uma 
enguia grossa, cujo comprimento chega a 
dez pollegadas inglezas e a largura a duas; 
excedendo muitas vezes estas dimensões». 

— Ta-ssi-yang-kuó, de Abril. 

1860. — « . . . the preparation of the ho- 
luthuria, which are found on the coral po- 
lypi, and are captured to be dried in the 
sun, and exported to China under the name 
0Í tepang [trepang] and bicho de mar». 

— Emerson Tenneut, Ceylon, ii, p. 5770. 
1908. — «Bêche-de-mer. . . These 

edible sea-slugs are found on the coast of 
the Mediterranean, the Eastern Archipe- 
lago, Australia, Mauritius, Ceylon and 
Zanzibar, whence they are occasionally 
brought to Bombay for re-export to China». 

— Watt, The Commercial Products, p. 122. 
1914. — «Other exports are rattans and 

Crurgan oil, trepang bech-de-mer, tor- 
toise shells and edible birds' nests». — 
The Modern Review, de Junho. 

BICO. Religioso budista, que vive 
de esmolas. Do páli bhikku < sânsc. 
bliiksu; em siamês 7>í/iA7/m^ *. V. ta- 
lapão. 

* Domingos Vieira diz que bicar é «nome 
dado aos penitentes indianos, que vivem 
uús, e não cortam o cabello nem as bar- 
bas». Nas linguas indianas bikhãr ou 6i- 
khãrl é simplesmente «mendigo». 



BIGA 



12' 



BILlMbIM 



1M5.--1) 



acerdotp»] miivtos 



1620. — «Ouvera um formam do Im|»c- 

rador Mo-.^i i i.. "«-i' Vi^-c i- »••■- 

rt'no, o <i 



rnáo l^itito, t*er«grina- 



Ullli'. 

Si.*.. 
I 



i:» pt>r t' 



.1 ■[Uv » III 

BIcos 



I remos 

roL^ras : 



« hai 

nil»' 
I'P 



. . V, VÍ, 1. 

is another marvel per- 

Bacsi, of whom I have 

a? kiiuvviug 8<> many eu- 

iti;.. iit^ There are some among 

V Bacsi who are allowed by thfir 

to take wift s». — Marco Polo, i, 

l'J2 e I'l'.i - > Bakhshi, is t;<n"rally 



l^>i. 1. 



shus 

J hi i 



bleu n is 



d 



BIGA, viga (liindtist. b'tghã<. 
ISC. viyra/ia). Afedida ""••■•> da 
dia, do variiivfl exton- or- 

me as regiOi's. 



\ nil'. iA(./., i>. ;,t;,. j 

IT^-i* Bhikshu, ossia mendicanti, 1 

olimosine». — Fra Paolino, I 



pa- 
en 

- ou 
r,nlk- 
•uenan. 



• BICUNI Proira budista. 

iJo pall bliikUhuiii sAnsc. bhikfuui. i 



asbl 

iiiii" » i.ii 1. .ii/-.' Ill que lhe 

». — I*. Luf» Fróis, Cartas 

■)', 

'â'> itiDstciroa de mon- 



1 e», i''>n 
in, tan I 

•dloj»». — Fiirm y 
II, p 767. 
Biconis oil P' 

Inir ont d< nn 
narlevoix, Jiiat. du 



Uiga» 
de chàow. — U iihronitta de '4'Í9*uary, i, 
pp. 60 e 61. 

188ti. — «... tendo ca<Ia viga 20 bam- 
bus quadrados de 4 covados cada um». — 
Lopes Mendes, A índia Portuyueza, 11, 
p. 244. 

lt<lK). — «N'essa aldeia as rondas cou.<?- 
tituem um fundo, de que se tira a contri- 
buição, e o resto divide-se ]" ires, 
I'omo diríamos em (íoa, «m <• os 
seu.s quinliíie.s por " ' ;.ia ou da 
bigha, unidade •! icolas de 
extensão». — .\ * AinuHia Azevedo, 
As Communiil t, p. 124. 

1900. — ai'ii;, i-M .,f chot] '- viga 

de terra de várzea com as r. - ter- 

■■■' ■''' ' 'S». — Ant<nji.. i- . .Muuiz, 

. I, p. 168. 

. _ ^ ii.>,uíil rfiit for rice-land 

in Heugal. . . is two rupics a begahi or 
about twelve or fifteen shilliuL's an acre». 
— Heber, Narrativey i, p. 88. 

BILIUBIM {IJunhce em indo-iiigl.). 
Fruto de biilmbelro — Averrhoa bi- 
limbi, Linn. Do inal. balhnbing. Usa- 
-80 o fruto na índia ])ara caril, achar^ 
balchõo e compota. V. carambola. 

1563. — nChamase em canarim e cm de ■ 
canim camariz ', e, em malaio, balimba». — 
Garcia da Orta, Col. xii. 

1782. — <'Vê-se outra com o nome de 
bimbiieiPO, que ordinariamente se dis- 
I»õe c encontra na.s horta.'» jior causa do geti 
fructo acido, sucoso, c^^vordcado, entrar na 
compoíiiçio; supre e excede o limão neste 
minÍ8t«-rio, pois não (u\ ndnba, mas elle 
'■rve de !■ " i ; i^ual- 

■ve para • •> a ^íinja 

ti:i r.iir 'jia, e para . — 

Fr. Clemente da li -, 11, 

'Tendtiliim, Bllimblns, Melio, 

:.....,,.,,„ ,. — F. N Xavier, U GabinHe Lit- 
íerarin, 1, p. 24i». 

is7 •. ..( I hilifVfUiivi .'■ . — fl 1 . •■ »•'■•> 



itr* 



do A<frirtiifnr, 11, p. 2lii. 

1U(.>2 - "Aciíl.nn: laranj.-i, tangerina. 



actii. 

(i'm i>u i/imi/ii*ti. 



BINGiW 



128 



BIOMBO 



Hmno, tamarindo, carambola, bilimbím». 
— Ta-8íà-ijang-kuó, II, m, .'i. , 

lí)31. — "Eodciii modo iiicolac condiunt 
radices reoeutosZiíiziboriB, Galaiijíao, cum 
fnutibiis Manga, Caraml)ola, Biliing- 
bing, Curcuma». — Bontius, llist. Natu- 
raliti, p 9. 

1(558. — «La pianta dei Bilimbio è ar- 
bore di mediocre grandezza, molto curiosa, 
c vaga alia vista, per onde nei Giardiui 
riesce gioutamente d'vtilita, ed ornamen- 
to». — Fr. Vinccnzo Maria, Viaggio, p. 37. 

1<K)8. — «The fruits of the Bilimbi 
ripen about the middle of sunnncr and are 
used in pickles and curries. The flowers 
also are sometimes preserved». — Watt, 
The Commercial Products, p. 98. 



*BILVA (bot.). 
cirifole. Do sâusc. 



E o mesmo 
hilva. 



que 



1912. — «A importante efticacia de bil- 
va na dysenteria ch'-ouica e diarrhea é bem 
conhecida». — Caetano Gracias, Flora /Sa- 
grada, p. 25. 

* BIMO, bímão. Seguro de merca- 
dorias exportadas ou importadas, 
dado pelos capitalistas de Diu; aposta 
que se fazia acerca do dia da che- 
gada das embarcações, do tempo de- 
corrido na viagem, da espécie da 
carga, etc. Do guz. vimo ou vima, 
«seguro». 

1747. — «O dolo que em Diu se praticou 
muitas vezes no uzo dos seguros que ali 
chanião Bimos, foi neste auno mais evi- 
dente na desordenada viagem de uu\a,pala 
carregada para Meca- . . e representaudo- 
me o dito Castelão que de se não haverem 
estabelecido penas aos transgressores da 
lei de 1G88 que deu forma aos ditos Bi- 
mos, procedia ser frequente a transgres- 
são, me pareceu conveniente mandar for- 
mar e publicar o alvará que faço presente 
a V. Magestade». — In O Oriente Portu- 
guez. x[, p. 53. 

1904. — nO jogo era também conhecido 
pela denominação de renda de bimo por 
isso que a pedra de bimão, eminência so- 
bre a qual se construirá uma torre, cha- 
mada a torre de apostas, era em Diu o 
sitio onde estas se etfectuavam e onde se 
vigiava o apparecimeuto de navios... De- 
terminou em portaria n.° 16 de 24 de abril 
de 1856 que fossem abolidas as apostas em 
]>iu». — Jljid., pp. 404 e 406. 

«Ficou sendo conhecida como Torre de 
Vymã, palavra que o barbarismo corrom- 
peu em Bimá, Bimão, e Bimhão'.r>. — 
Ibid, p. 627. 

BINGA (sing. hJiinga). É o mesmo 
que ceilaniíe ou variedade azul de 
espinela, que se encontra em Ceilão. 



1613. — «... nas serras cristal, ouro, 
ferro e binga, que é uma piçarra, que de- 
pois de cozida se desfaz em tezes finas, 
como de cabellos alvos e transparentes, 
como de vidro, de que se uza muito nos se- 
pulchros». — P. Manuel Barradas, Hist. 
Tragico-maritimU, n, p. 25. 

BIOMBO. E bem conhecido o seu 
significado — tal)ique móvel, formado 
do caxilhos, ligado por dobradiças. 
Mas nem todos sabem a origem da 
palavra ; os lexicógrafos ignoram-na 
ou hesitam, havendo quem admita a 
hipótese da transição do termo por- 
tuguês para o Oriente. 

Não pode, porém, haver nenhuma 
dúvida, à vista dos testemunhos 
abaixo aduzidos, que o étimo ó o 
jap. hyôhu ou hióbu. Os nossos japo- 
nistas do século xvi escrevem uni- 
formemente bebbu o explicam o seu 
sentido ; somente pelo meado do sé- 
culo seguinte o fora do Japão ocorre 
a variante biombo, o que indica que 
a nasalização se operou dentro do 
português, como em palanquim de 
pãlki, V. Contribuições. 

1569. — «Sem mais apelação, nem agrauo 
se derribassem logo todos os zaxiquis, e 
camarás ricas deste mosteiro, e da mesma 
maneira que estauão com todos os beò- 
bus (que são huns panos pintados que se 
dobrão) e painéis requissimos se tornassem 
a armar, e fazer na fortaleza para o Ciihó- 
cama». — P. Luís Fróis, Cartas de Japão, 
i, fl. 259. 

«Neste primeiro andar da sala estauão 
alguns quinze ou vinte laxequis com todos 
03 beòbus (qae são huns panos cosidos 
em ouro) com todos os fechos e crauações 
de ouro puro». — Id., i, fl. 272 v. 

1582. — «Huns dos fauores que digo foi 
que tendo o Nobunânga feito huns panos 
darmar da maneira que os senhores Japões 
usão, e são eutre elles de grande estima, 
os quaes chamão beòbus, que auia hum 
anno que os mandara fazer pelo mais in- 
signe pintor que auia em Japào, e nelles 
mandou pintar esta cidade nova com a 
fortaleza. . . O 2)adre lhe mandou dizer 
quanto lhe contentarão os beÒbus, do 
que Nabunânga ficou muito contente». — 
P. Gaspar Coelho, ibid., n, fl. 39. 

1585. — «Estavão ricamente ornadas 
conforme a tapeçaria de Japão, que he de 
Beòbus dourados, com historias antigas 
destes reinos e da China». — P. Luís Fróis, 
ibid., II, fl. 164. 

j 1608. — «Algus Bíobos da China, e Ja- 
pão que foram os primeiros que tinhão en- 

I trado na Persia, e como taes muyto esti- 



BIRÓ 



129 



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Biombos recamados de figu- 
hÍ9t4^rica.s>' 
te.s, 1U. S. 

. J... IV, p. J^^. 

1KH7 — «nizfinnn biombo, que vem 

ifz com 
le Mo- 

' aconteceu ao vocá- 

' ' ' ' oubiónibu». 

. p. Itíl. 

u-B»riK>s igiial- 

M s : «biombo» 

>>.... Ih' Unioa 

• firar.'un verda- 

-*" biombo, 

'.ule ri'- 

-Id, 

'squc vemos pto- 

^bos e otros adornos 

^iu duda ay los uitU 

: re el art»* favo- 

.1 la Nntiiraleza'». 

I «iu, JiHjM rtu iU la China, p. 6. 

P!f CO ' » ■ -.-o a palnvra nn obra 

ule F.rédiaíH.úO): 

.(I, liia.^a.i, nos »' «aiid.-ilo, f* a 

bírCO, ^ outras fsi><'iiaria9». 

fto 86 sabo claramente u que quer 

er;.o mal. bim'- - • • > - t;..... 

o nome de anx 

BIRÔ. aforai» diz, e Vieira repro- 
'!ii/. que ó termo da Asia e que 8Í- 
^';ti!icA «bocado que se toma ua bocA 
9 



i 



(iu ....... ,...., , .... ,.v;i- exemplo 

«hum biró de betle». Xao se em- 
pit'^'a om nenhuma p ' \siatal 
vocábulo no sentido <i- ;<> «bo- 

cado». Ví(fó é, em (Oiuani, o invó- 
lucro composto de algumas folhas de 
bótele, contendo areca, cato, cravo, 
oardaiuonio, etc., o qual constitui o 
(•«•Irhre uiasticatório indiano. Biró, 
quo /» a notação portuguesa da refe- 
rida diçílo, nao pode ter outro signi- 
ficado. O cone. vid~i («cigarro em 
i do canudo»), dí»minutivo de 
, que se traduz de ordinário por 
«canudo», também se diz ocasional- 
mente bidíH. V. viddó. 

A ortografia exacta é viro: cNâo 
repartam pelas pessoas que assisti- 
rem em casa do noivo ou da noiva 
virÓS de bétele e areca». Decreto àa. 
Inquisição (1736), in O Oriente Por- 
tuguez, IV, p. 234. Diz-se porém 
bidò em guzarate. 

1727. — «Byrô. Vai o mesmo, que bo- 
cado na Uugua, ijiu! fallão as Portugueras 
da índia, e a$HÍiii a (piantidade de Betle e 
areca, que de eada vez se mete na boca, se 
chama hum Biró dr IletU, e e.sta mesma 
por\*ão SC vende por uni bazaruco». — Blu- 
teau, Sujtjdvtitrnto. 

1898. — «Diatribuidos ramos e biddás 
(pequenos embrulhos com aieeat a todos os 
conviva», .segue-ee a ceremonia nupcial». 
— Oliveira .Mascarenhas, Atrairz dot Ma- 
reê,p. 118. 

iy08 — «Many other names were appro- 
priated to the nut or to fi " ' ' pa- 
ration of leaf, nut, linu- :i y to 
be chewn. This wa» lirsi n» sij^n.iUu Ura 
(rira) I'iti in Sanskrit». — Watt, The Com- 
mercial Products, p. 83. 

• BISÃO. Dá-se na India Oste no- 
me de origem latina ao grande boi 
silvestre — (juvaetts gaurus, Jerdon, 
ou lion fjauni», Blanford. Em indo- 
-ingl. biHon. 

1782. — • f ■ i.r.i.,;.! 'n.tri o*i unc ei- 

p^ee de I" ir de ri- 

d4-aux, p<'! ' ( à deux 

rmicx. I't tr.iiiK' par (ic imiii :i ii.ii|i (c'est 
l<> Bison blaiH- ({«' liutVniii. — Soiuivrat, 
Voyagrt, i, p. 32. 

IfiY?] — iTh<' likp Terror U rr.ncelved 

. cut 
Indui, I, p. UI — NuU. Ho prubably 
mean« lios Gaurut, the Gaur. the BIson 
or Indian Bison >>( Kurupean sporti* 
meu». 



BISCOHTíA 



130 



niSTE 



1908. — «The (iavr or Inãiq Bison of 
the hill foiets of the Indian Peninsula. 
Assam, Buiniii and the Malay Peninsula, 
ascending to altitudes of about (),0()(> foot». 
— Watt, The Cf>nimercial Frodnctx, j). 733. 

*BISCOBRA (hindust. biskhoprã, 
«concha de veneno»). E nra grande 
lagarto da India, rei)utado muito pe- 
çonhento. J. L. Kiplin dá-lhe o no- 
me scientífico de Varanus dracaena. 
O termo está admitido em inglês. 
V. Glossário Anglo-indiano, 2.^ edi- 
ção. 

1883. — «But of all the things on earth 
that bite or sting, the palm belongs to the 
biscobra, a creature whose very name 
seems to indicate that it is twice as bad 
as cobra. Though known by the terror of 
its name to natives and Eui'opeans alike, 
it has never been described in the Pro- 
ceedings of any learned Society, nor has it 
yet received a scientific name».— In Glos- 
sary. 

*BISMELA. E a expressão empre- 
gada por Gaspar Correia, no sen- 
tido de «cerimónia que fazem os mu- 
çulmanos ao matar um animal para 
comer», do mesmo modo que os 
cristãos abençoam a sua comida. O 
sou editor nota : «Nos Diccionarios 
não se encontra esta palavra. Nem 
tampouco em Castanheda, que no 
Liv. VIII, C. Liv, menciona o facto, 
nem em Andrada, que o repetiu, 
supprimindo-a» . 

Em árabe, hismillãh quere dizer 
«em nome de Deas»; é a invocação 
geralmente usada pelos maometanos 
ao principiarem qualquer acto. Bis- 
mil significa «sacrificado». 

1330. — «Tendo-o visto comer daquelas 
aves, e extranhando-lhe o seu procedi- 
mento, encheo-se de excessivo pejo, e me 
disse : eu pensava, que elles as tinhâo de- 
gollado». — Ben-Batuta, Viagens, i, p. 338. 

1536. — «O Kao ao outro dia, por man- 
dado d'ElRey, mandou ao capitão da for- 
taleza corenta galinhas com as cabeças 
cortadas, dizendo que forão mortas pêra 
ElRey cear hontem que chegara, e nom se 
fez d'ellas comer pêra ElRey porque forão 
mortas á maneira dos portugueses, sem o 
bysmela, que lhe nom íizerão, que he cos- 
tume dos mouros». — Lendas, iii, p. 74G 

1687. — c<E ouue casado, que a petição 
deste Mouro mandou hum cafre seu para 
lhe matar a vaca, com suas ceremonias». — 
P. Fernão de Queiroz, Conquista de CeyJão, 
|,.607. 



1(173. — «After which Torture they as 
slowly cut their Throats, till they Wave 
finished a short Litany, which is the 
Priest's Office, if at hand ; otherwise the 
Good Man of the House says Grace». — 
Fryer, Kasl India, i, p. 68. — Nota: «No 
animal, except fisli and locusts, is lawful 
food unless it is slaughtered, according to 
the Muhammedau law, by drawing the 
knife across the throat, and cutting the 
windpipe, the carotid arteries, and the 
gullet, with the words bi'smi 'iltahi, Al- 
lãJiu akhar, «In the name of God ; God is 
great». 

1824. — «As I mount my new elephant, 
the same sort of aèclamation of uBismillah! 
Ullah Achar! Ullah Kureeu!» was made 
by the attendants, as I have heard by the 
Nawab's of Dacca's arrival and departure». 

— Heber, Narrative, i, p. 316. 

* BISSA (propriamente bixa). Raiz 
venenosa de Aconitura ferox, Wal- 
lich. Do liindust. bish < sânsc. visha, 
«veneno». 

1563. — «Dizem que o espique he sus- 
peitoso na India porque delle se faz huma 
poçam ou composição venenosa chamada 
pisso, o qual pisso dizem que mata não tâo 
somente per dentro, senam applicí^do por 
fora». — Garcia da Orta, Col. l. — «E muito 
conhecida na índia uma droga extrema- 
mente venenosa, chamada hish, do sans- 
krito visha, da qual parece que Christovão 
da Costa fallou, dando-lhe o nome de bisa». 

— Conde de Picalho. 

1554. — «Entre les singularités que le 
consul de Florentins me montra, me feist 
gouster vne racine que les Árabes nom- 
ment Bisch: laquelle me causa si grande 
chaleur en Ia bouche, qui me dura deux 
iours, qu'il me sembloit y auoir du feu». — 
Pierre Belon, in Glossary. 

1578. — a . . . Sândalos blancos y Atin- 
car, y rayz de Bisa (que es vna rayz, que 
viene de las sierras de Bengala y Patane) 
y de las bojas de Bangue (que es vna yerua 
como lino canamó)». — Cristóvão da Costa, 
Tractado, p. 90. 

■ 18Õ5. — «Bish . ' Poison in general, 
but usually applied to a root used someti- 
mes in medicine {aconitum ferox)» . •^Wil- 
son, Glossary. 

1908. — «These roots are in India traded 
in under the name «Nepal Aconite», 
bish, bikh, etc.».— Watt, The Commer- 
cial Products, p. 20. 

BISTE. «Antiga moeda persa, de 
prata. (T. persa)». C. de Figueiredo. 
Em persa bisfi 6 derivado de bist, 
«vinte», e quere dizer «vintena de 
dinares». Não dei fé do terrno nos 
nossos indianistas ; mas ocorre em 
autores estrangeiros. Herbert (in 



B0CAS8IM 



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Ghmmirij ,1a a UUteC o V;lK'. . _! 

Fryer (in, p. 153) do- 

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4 (iOitS. 

- fa/.om 1 xti't. I III bittte 
.. 00 réis. 

!♦??<>. — «Le double vaut onze dmirr:?. 
'»:■ simpirs oa les deux 
Bisti Tontf-s ces 

(1 a!^. ;.; .-..lit !..|,,j, - _ ],. bisti «jili 

fSt fli ..V.l'i'-.- ]'o>,',l>/fs, I, 

n ir.T 

• BIVA ,.,..,.. . '....,; 

(le qaatro cordas. 

^''" . it'pre- 

' wd''. — \ cuoc'slau Jc Moraitj, />ai- 
H, p. lU. 

• BÓ (jap. bo). Presbitério ou pe- 
Hirdo i'onvtnto de budistas japone- 
sa. 

1634. — «Havintres mil Bo ou mostei- 

•• Nabu- 
ifia da 

/,-/.. .•./ „,,j,f,. <tj,,i<i i,iiMi.\;ici Aires, F. 
\f. Pinto e o Japão, p. 143. 

BOBINI. Blateau regista o vocá- 
'^ <uino nome duma ave do mar da 
1. E o mesmo que Grose deno- 
em ins- 
ípido». .' 
rei o termo nos nossos escritores. 

1727 — «Bobinís I':. mar da 

lixli.i. t.l -II! j.!c9 O tH<. se dei- 

ir com a mào». - lílulcau, 6'wp- 

' ■ n--'hv • ».n 

■ •■•8, 
iifiii .-*•■ ix'ulier 
u, ils se lai.ssent 

' !'^r 

ni 



17. 
Two Jãriír MnTí". wlil.li the 
'' ne 

■ r. 
^a<ru/*tv, I, p. . 

BOCASSIM, bocaxim. 
irl.'it.iv.i. l)uiiiin;.'os \'it'li 

Io no baixu lat. boccaetnui^ l 
,,. ^^caci, mas observa que* se I 
\k de origem oriental. Parece qoe 



de roupa ou saco em que so en- 
trouxa». Mas Gaspar Correia re- 
iVro-se-lli»' como termo conhecido; 
talvez- o conlieccsse s«'»monte na ín- 
dia durante a sua longa estada. Em 
indo-ingI»»s toma a palavra a forma 
' <hmp, e em marata-concani, 
• m. 

1346. — «Tendo vindo depois hum doê 
mancebos com huma baqxa, que he o len- 
ço, tomoii-a o (litf) aubstitiito na suamJo... 
' i.ja baqxa tirou três f'/ .i de 

jjura, outra de seda, e e a 

• ..•;i.t de dcda». — Bea-Batuta, t 'agent, 
n, p. 338. 

151Õ. — n . . . e hna vestimenta de cetim 
verde com seuastro.s de damasco vermelho 
cò sii:.Iii;) o todoB .seus coDiprimeutos e toda 
• h' rt'trod branco e vermelho for- 
bocasim vermelhou. — lu Car- 
tas de A. de Albuquerque, iv, p 255. 

1536. — «Os mais d'elles [naire-s] nom 
tem mais que seus panos encachadoe, 
branqos, vermelhos, amarellog, que sâo tào 
tezos como bocasym, que leuão derrador 
de sy e nas cabeças». — Lendas, iii, p. 765. 

1652.— «yue fardos de telas finas, e bro- 
cados de três altos corrão praça do booa- 
Ohim, e calhamaço, não o crerá sensto 

Íuem o vio». — P. António Vieira, Arte de 
'urtar, p. 449. 
16í)5. — «Chamando hum criado, lhe 
mandou trouxesse o seu Boxá [— bocsá] 
(he um lenço forte, e quadrado, que tem 
t fita larga. Aqui metem o 
' do fato, e o amarrão de 
mu hum fardinho bem feito e 
i ro)i». — Cosme da Guarda, Vida 

u. .v.«:,y, p. 112. 

1675. — «... has hia Golden Headed 

Colmit Iwliii.,) ).;<.. , Miificontly carried, 

^vitli cli Bug Shoes 

or r. /■,,,' / ,,/;, ... 

p. l.i. 

• BODIAME. K u iiuiut^ búdico da 
tigueira r'Jigiosa ou pimpolo (q. v»), 
que 08 budistas veneram por crer 

■ o seu fundador alcançou o su- 

110 conhecimento quando estava 

beiítiido A sombra do uma delias. Do 

sing, bõdhil^iiu. acusntivu «Ii- hniUti 

<páli hod hl. 

muitau 

'•'■til c»»- 

'|ue 
. ■ ^, iitftjí 

tiurtin» — .)«.i"i.. KàlMiirt», yutaltiittdt Histó- 
rica, », «'np ir» 

!•.- ylo 

por I. lu-* 



130FETA 



m 



noi 



gar deputado, com brevidade, ç debaixo de 
hum Budiâme, aruoi-e, que adorão, lhes 
falou deste modo». — P. Feruão de Quei- 
roz, Conquista de Ceylão, p. 2G9. 

BOÊM. Bluteau tem a seguinto ins- 
crição (no Supplemento, em 1727) : 
«Boens. Palavra da índia. Sâo as 
balizas das várzeas, que se poem 
para a divisão da terra repartida». 
Informam-me de Goa [que, feita a 
divisão das várzeas em glebas entre 
vários cultivadores, se colocam duas 
balizas nos dois extremos e no inter- 
valo se fincam pequenos paus de es- 
paço a espaço, para servirem de linha 
demarcatória, e que Osses paus se 
denominam em concani hoylm, plural 
de boyém. Mas onde foi que o insigne 
lexicógrafo pescou o vocábulo ? Pre- 
sumo que o alcançou por informação 
particular. 

BOFETÁ (s. m.). Antigo tecido de 
algodão («muito fino e muito tapa- 
do», conforme Bluteau), fabricado 
principalmente em Baroche, índia. 
Do persa hãfta (part, pass.), «teci- 
do». «Nada 6 mais difícil, observam 
com razão Yule & Burnell, do que 
achar aplicações inteligíveis da dis- 
tinção entre as numerosas varieda- 
des de algodão, outrora exportadas 
da índia para a Europa, ainda com 
ipaior variedade de nomes». 

. 1601. — «Bofetás [hão de] ter vinte 
covaados de cumprido, e hum covado de 
largura». — Carta de lei, in Archivo, iv, 
p. 743. 

1602. — «Canequis, bof etás, beyrames, 
sobagagis, e outras». — Diogo do Couto, 
Déc. IV, I, 7. 

«Tecelões das mais finas roupas que se 
sabem no mundo, que são os bofetás de 
Baroche tão estimados». — Jd., VI, iv, 7. 

1611. — «... hum godrim de seda, huns 
bofetás e sucissesv. — Carta Régia, in 
Doc. da India, it, p. 39. 

1635. — «E outras miudezas de bofe- 
tás, e semelhantes cousas». — António 
Bocarro, Déc. xni, p. 357. 

1663. — "E ainda pai-a as demais partes 
do mundo se trazem as finas baetilhas, 
rengos, bofetás, enrolados, e cachas». — 
P. Manuel Godinho, Eelação, p. 56. 

1589. — «On y fait [em Cambaia] beau- 
coup d'ouvrages de coton de diverses sor- 
tes et de divers noms, conime caunequins, 
Boffetas, larins . . . ». — Linschoten, His- 
PoirCyj). 19. 



1637. — oLas mercadorias que llevan 
allá son sal amoníaco, azul íino, bofetás, 
alfombras, passa de ubás, cuchillos, e otras 
minudencias». — P. Semedo, Império de la 
China, p 18. 

1666. — «C'est ou Ton fabrique ces Toi- 
les de Coton appellees Baftas, dout il se 
fait un si grand debit dans les Indes». — 
Thevenot, Voyages, n\, p. 18. 

1670. — «Boffetas, ou pieces de toile 
qui se font aux environs de Surate, comme à 
Bronta, Baroche, líenusaiú et autres lieux 
sont de 21 Cobits, étant crus, et étant 
lave, de 20 Cobits». — Tavernier, Voyages, 
V, p. 200. 

1707. — «The Baroache Baftas are 
famous throughout all India, the country 
producing the best Cotton in the World». 
— A Hamilton, in Glossary. 

1770. — «Les toiles blanches de Brozia 
ei connues sous le nom de bafFetas. Com- 
me elles sont d'une finesse extreme, elles 
servent pour le cafetun d'ete des Turcs et 
des Persans».— Raynal, Ilistoire, ii, p. 230. 

Bogarim. V. Mogarim. 

BOÍ (ant.), boiá. vocábulo hoi ou 
hoy, de origem indiana, acha- se em- 
pregado pelos antigos portugueses 
no sentido genérico de «homem que 
exerce misteres baixos», como car- 
regador, aguadeiro, e no especial de 
«portador de palanquim e de som- 
breiro». ISesta acepção, que unica- 
mente voga hoje em dia, usa-se na. 
índia hoiá (não hóia, que não existe), 
que em concani é forma temática, 
representada pelo vocative hhôyã, 
sondo hhôi o nominativo. Cf. hatcará 
de batcar, «senhorio». /?oi só vigora 
actualmente em posposição ao nome 
próprio, como «Joaquim hõi, Diogo 
hôi». V. aniale e cule. 

O étimo da palavra é, conforme a 
história, o cone. bliôi, que também 
se encontra em outras línguas neo- 
-áricas, como marata, guzarate, hin- 
dustaui, oria. As línguas dravídicas 
tem igualmente hõvi ou hôyi, que 
parece ligar-se a hhôi e designa uma 
casta de «porta-palanquins e ao 
mesmo tempo pescadores». As pro- 
fissões convertem-se geralmente em 
castas na índia *. V. Glossário Anglo- 
indiano. 



i'Tem-se pretendido relacionar etimo- 
logicamente o indo-inglês hoy, «fâmulo», 
com o inglês boy, «rapaz». Sabe-se porém 



BOI 



133 



Acerca da prosódia portuguesa 
ti«^ hot, h& divergOnein eutre os lexi- 
c";,'! ,ifos. RlutHAU i Voiabnlario) e 
Hotliutt • Porfufjaífi- 

■fninriiis; ,i / ; Cíiadido dt* 

Figueiredo e Cíonçalvea Viana (Pà- 
letras) preferem bói, para se diferen- 
çar dí» M/. taninial»; em um e outro 
oa- '>nbo. A meu ver, 

a \ jia é òôf, em con- 

eordAncif com a etimoloíjria e com a 



I 



proiiuncíaçilo indo-portuguesa. Os 
vocábulos indianos bhòi e bô//i ou 
bôvi sflo dissilAbicos ; a grafia bó?/ e 
bóyes, que ocorre no Tombo da ín- 
dia j indica presumivelmente o mes- 
mo, e nflo que o o 6 aberto. 

Ocorre algumas vezes, moderna- 
mente, boiazes como plural da pala- 
vra, mas (jue na realidade é o plu- 
rnl do plural boiàs, como poses, que 
tambOm se ouvo ocasionalmente em 
Goa, é plural de jn'ts. Mas é corru- 
tela intolerável. 

Na j)rovíncia de Salcete havia uma 
comunidade ou associação denomi- 
nada dos bois, que tinha o exclusivo 
de vender o peixe nas praças e pelas 
:il(l"i.is: «A Communidade dos bois 
se lit Ne considerar extincta desde a 
data do despacho da Junta de 11 de 
Janeiro de 1843, e por isso se dei- 
xou de arrecadar desde esta data os 
respectivos foros ; conseguint(Mnente 
he livre a todos a vendagem do peixe, 
e nestes termos se oílicie ao admi- 
nistrador do Concelho de Salcete». 
Archive Port.-Orievtal, Suppl. 11, 
p. '2M 



est 


boys que carregào pedra 


«r:'. 


'■• '•.inibaya». — Afonso 


.1.. 


'«, V, p. 122. 




' . ic, (illc iiii'Jlo dp 


'"•i 


bOOis 


f >)' ■ 


'•> t<Mn 


.'lias .1.1, ,. 


itro como eirey». — 


' hrojiii •! (/' / 


i. 90. 


1530 — aHúaM Huo í>atlbadpirafl c outrfla 



'ria qne os ínglesvH coiu)-! Mram n 
cmprcjíRr o vocábulo, no 
nn IMnl.ihar r iio ("niicào, <. 

'DO ia purtUKiu;t>H, «■ dr|HiÍB o 
iiu, pela aiialof^ia quo tinha 
in a palavra da «ua HDgnn 



hSo bois que trazem aa mulheres d elrcy 
as costaa». — Ihvl., p. 70. 

1551. — n . . . cuberto.H com sombreirr-s 
de pé que lhe também leuJo homens qu<! 
'•hamSo boys». — Castanheda, Historia, 
cap. IG. 

1554. — «liuni bói de .'Sombreiro, dous 
maynatos, sey.s bóyes d'ajL;tioa, que todos 
.leruem o gouernadoru. — Similo Botelho, 
Tombo, p. í»7. 

l.')(>3. — «E ha houif's que levao este 
sombreiro de tomar o sol t2o deatro.s one 
ainda que o senhor vá trotando: não lhe 
ha de tocar o sol em todo o corpo, e a estes 
taes homís chamão na índia boy». — João 
de Barres, Déc. III, x, 9. 

li) 14. — «Tomou a largar os sombreiros 
altos cora a condição que os trouxessem 
escravos próprios, cativas, por torrarem as 
despesas dos que os trazem, que são Gen- 
tios, comummente chamâo bois de Som- 
breiro». — Diogo do Couto, Dóc. VII, i, 
12. 

l')16. — n . . . carregadores, e mariolas, 
que lá se chamam Boye, c'est à dire 
liceuf (!), e servem para levar fjualquer 
fardo pesado que é mister». — Pyrard de 
Lavai, Viagem, ii, p. 38. 

1619. — «NSo sabem dar hum passo sem 
palanquins, bajús, catanas, boiS| larins». 

— Franci.sco Rodrigues Lobo, Corte na Al- 
deã, Dial. iT. 

1G34. — «Hum tocheiro, hum boy do 
sombreiro, um naique» (homem de recados). 

— António Bocarro, Livro, in O Chroniata 
de Titisuary. 

1687. — «A todos sem distinção os faziSo 
acarretar -andores, e palanquins, o majs 
bayxo oficio, que no Sul pertence aos que 
chamão Cnles, e em Goa aos Farazes, e 
boySu. — P. Fernão de Queiroz, Conquista 
de Cnjlân, p. 84õ. 

HÍ88. — «... dt^sse muitos recados a 
Fernão Filho e jio seu boy de sombreiro 
(que assim chamão a quem o leva, para 
impedir os rayos e furor do Sol, que não 
otfendam a seu amo)u. — Fr. Jacinto de 
Deus, Vergrl, p. 111. 

1712 — «Bôy, ou Bôi. Palavra da ín- 
dia. He o nome (jue se dá ao criado que 
leva o chapeo de sol». — Bluteau '. 

1728. — «Bois. Na índia Portueurs.i, 
são os que earretant os andores, ei 
cete ha também aldeã delles, que i 
foros do peixe que vende, com; 
peBCa<lores das praia»». — Id , > 

1715. — «Nenhuns BoyS cli 
retém andores e sombreiros li 
ainda que sejam rendeiros d;u >: 
reaes». — Carta lUgia, in v4rcAíyo, .^ 
II, p. 8 



\ iana observa (iue Rhiteau 
denota com o aoonto ci 
abertos, e eoni o acouto ^ 
f fechados. 



BOI 



134 



BOIAO 



1710. — «Neiu os que são boys, quo he 
o mesmo que acarretadores, podem ser ou- 
rives, nem estes ferreiros». — Carla do 
vice- rei, ibid., p. 10. 

1700. — «Cento e trinta e três [tungasj 
brancas, um barganim e oito ieaes qnc pa- 
gam os bois que são os que carretam pa- 
lanquins e andores». — Documento publi- 
cado no Heraldo, de 1 de Dezembro de 
1915. 

1778. — «Boyes de palanquim, Kákíír». 
— Gramática Jndostana, p. 86. 

1828. — «Vigário de S. Lourenço de Li- 
nhares para 4 boyazes do Santíssimo 330 
xerafàns». — Joaíjuim Soares, I)vc. Com- 
yrohativos, p. 353. 

1842. — «Boiazes, que são conducto- 
res das machilas, cadeirinhas, Dolys». — 
Annaes Maritirnns, p. 112. 

1846. — «Os Boiás (Carretadores de 
machilas á cabeça). . . Os Farazes (Carre- 
tadores de machilas aos hombros)». — 
F. N. Xavier, O Gabinete Litterorio, i, 
p. 150. 

1862. — «Os Portuguezes diziam antiga- 
mente com os naturaes Boy, tomando o 
nominativo, mas hoje tem prevalecido en- 
tre elles o caso obliquo, e declinando a seu 
modo dizem em todos os casos do Singular, 
Boyá, e em todos os casos do Plural, 
Boyás». — Cunha Rivara, em Pyrard. 

1874. — «Miiuitos depois desembarcáva- 
mos sobre um tapete de relva, aonde nos 
esperavam machillas e boíás». — Tomis 
Ribeiro, Jornadas, ii, p. 34. 

1880. — «Boiás ou boiazes — Ho- 
mens que se occupani em conduzir gente 
nas machilas, em numero de 4, á cabeça ou 
aos hombros». — Lopes Mendes, A índia 
Portugneza, i, p. 60. 

1901. — «O transporte de pessoas fazia- 
sf em machilas levadas aos hombros de 
boiás». — José Pinheiro, Boi. S. G. L., 
XX, p. 7. 

1909. — «Cada um dos atrumbins, bega- 
rins, boiás e outros d'esta ordem, também 
(devia pagar) •/? xerafim». — Amâncio Gra- 
cias. Subsidias, p. 135. 

1653. — «S'il se met en palanquin, il se 
fait porter par 4 ou 6 noirs de la terre 
libres ou esclaves, qu'ou appelle boias 
ou boeufs (!)». — Le Gouz de la Boullaye, 
Voi/ages. 

1073. — «Ambling after these a great 
pace, the Palankeen- Boys support them ; 
four of them, two at eacli end of a Bam- 
bu». — Fryer, East India, i, p. 97. 

1782. — «II est traverse par un bambou 
arque dans milieu, qui tient au palanquin, 
et sur les bouts duquel se mettent cinq à 
six porteurs qu'on appelle Boués». — 
Sonnerat, VoT/ages., i, p. 33. 

1786. — «Questa lettiga è portata sopra 
uno stagno da 6 uoniiui, che si chiamano 
Kidi, cioê, facchini di giornata, e dagl" In- 
glesi ed altri Europei Boy, vocábulo, 



che non a niente da fare colla lingua In- 
diana!!)». — Fra Paolino, Viar/gio, p. 43. 

1810 — "The palankeen bearers are 
called Bhois; and are remarkable for 
strengtli and swiftness». — Maria Gra- 
ham, in Glossary. 

1878. — «These are carried by four men, 
calh'd boias, belonging either to the Ma- 
hár, Kunhi or Si'ulra class». — J. N. da 
Fonseca, /Sketch of Goa, p 34. 

1825. — «Instead of «Koce hue», who Is 
there.-' their way of calling a servant is 
boy, a corruption, 1 believe, of «bhaee», 
brother». — Ilebfir, Narratit'e,\i, p. 97.* 

«BOIADA. Os dicionários dílo ao 
vocábulo o significado de «manada 
de bois» . Na índia, ])orCui, por boiada 
so entendo «recua de bois, que trans- 
portam carga era costais». 

1510. — «Trazem estes suas iiicrcacidrias 
em nuiy grandes recouas de bois mansos, 
com snas albardas, como castelhanas, e em 
cima huas sacas compridas atrâuesadas, 
sobre que caregaom suas mercadorias». — 
Duarte Barbosa, Livro, p. 284. 

1085. — «O Rei de Cândia, como tinha 
guerra comnosco, e só deste género neces- 
sitava, daqui com facilidade se provia 
mandando de Dezembro até Abril boia- 
das de cinco e seis mil bois, e bufaros, 
que vinhão carregados, e para sua guaida 
alguma gente de guerra». — João Ribeiro, 
Fatalidade Histórica, i, cap. 22. 

1687. — «Vão ali buscar sal, com boya- 
das, e cáfilas de gente. Quando as terras 
estavão por nós, arrecadaua se de cada 
carga de boy, seys bazarucns, e duas medi- 
das de arroz». — P. Fernão de Queiroz, 
Conquista de Ceylão, p. 50. 

1747. — «Franqueada a passagem come- 
çarão a concorrer em grande numero as 
boyadas, de que resultou aumento á fa- 
zenda real, e mais provimento aos habitan- 
tes do Estado». — Mouterroio Mascare- 
nhas, Epanaphora Indica, iv, p. 34. 

1749. — «Deixou guarnecidos os dous 
castellos de Asservem e Zarbem, que fran- 
queam o commercio das boiadas pela 
parte dos "Gates». — Apud Eduardo Bal- 
semão, Os Portvguezes no Oriente, iii, 
p. 149. 

1774. — «A roupa, e mais cousas, que 
vierem das Boiadas, e nas cabeças dos 
Begarins da Província de Salcete, Pondá, 
e Zambaulim, e forem para fora, o seu di- 
reito toca ao Coito do dito caminho». — 
Collecção de Bandos, x, p. 20. 

BOIÃO. Vaso cilíndrico de barro 
vidrado. O Dice. Contemporâneo e o 
de Cândido de Figueiredo derivam 
botão de «bojo». Gonçalves Viana 
(Palestras), fundado em um passo 
do Diogo do Couto, citado por Mo- 



noj A( 



135 



HOM 



giuáii . », p^TtlMUMMlteOU 

ao inaluio but/oin/, «jarro, ran^irilo, 
Mllm», ou a alfíuma das línguas mo- 
nos^ !. bicas (la Indo-Ohina. E Jeró- 
nimo Cardoso nflo o regista no sou 
dicionário. Os nossos indianistas, })0- 
rOm, iWlo o tem por novo o pere- 
grino, oenipregam-no em um sentido 
amplo, por «bilha, jarro, panola, chá- 
vena». Muita» das línguas indianas 
usam o vocábulo sob diversas for- 
mas, mas nílo como vernáculo. V. 
fvfi. (h, ]'tcab. Portugnêx. 

i;, jK _ ,Sí'tins. damascos, e três bo- 
yões ar». — Fernão 

rint-, I 

«... snic" boyocs glandes de almís- 
car, que mandou retollicr». — Id., cap. 65. 

15^81. — «FaztMii pouca contadas nossas 
joy as, e pedraria, e por uma panela, ou 
boyâo de barro ]>ara u.so do seu chá, se 
f..i tVvta por algum insigne official antipo, 
dãiàn iMuitos mil cruzados, sendo a nosso 
reapeyto cousas de riso, e de nenhum va- 
lor . El Hey de Buugo me mostrou hum 
boyflo nuii pi't|ueuo de barro. . . o qual 
fl!'- me-mo .oiiiiMOu por nove mil taeisde 
prata, nu-' >.u> ].. rto de quatorze mil cru- 
zail'r.. f iia v.Miiade eu não dera por elle 
tr, . 1 . i>». — P. Valignauo, in Oriente Con- 
<l'n.-t,i^n, II, IV, 2. 

1.(1.,. _ nlluin bcyam da índia e hua 
j.allaiiu'ana grand.- »• Ima talha grande to- 
do da Indiau. — Tomá.s Pires, J/a/eriac», 
in Hot >S. G. L., XVI, p. 729. 

l(;it; — «NSo comiam se não de vinte e 
(jiiatrn tin vinte e quatro horas huma pouca 
dl' taiija, que se cosinhava em hum boyâO 
d.' l'<';.'iiM. — Diogo do Couto, Déc. X, III, 
l.) ■ , 

ji;.;:, - «Mando-lbe cozer arroz, c um 
pouu' de melaço, que se achou no fundo de 
um boyâo». — José de Cabreira, llint. 
r ' T. X, p. 49. 

tambf pegado fogo no 
,11 :. . .ih' cm lavarcda : traba- 



l),,Mi ..■ - II, 111 _'f.n»'ia trazendo os ni(><;(>!<, 

(• latViV- ■!■ í>r»yÃOQ i|c agU.1 Vcpcti- 

il.iiii. li'. , , .1 da banda de 

. iti.a, lu -'- - ., •'. I, II, 12. 

• BOJÁO (sAnsc. bhoja). K o título 
(juo antigauMjnto tomavam alguns 
r.-^'nlos de HtMigala. Ait<uet/a /irá- 
hnniwt indica o HigniHcado du título, 
^'n/.i.|or, (b'siViitador», que »«• po- 
(li.i ;.|iHcar a todos os reis. liliojn c 

1 «Km um boiAo de i*egu se cosiuhaTa 

o arru/.u. 



laiiiOriii "> ii"iin' Miiiii J'.»,.-. X ....> 

heus habitantes. Os nossos escrito- 
res roferem-se à confederaçfto de 
do/e hojòes. 

1G12. — «O Mogor mandou hum seu ca- 
pitilo com grande exercito a líengala e 
tomou t'»(lo Siripur junto a Sundiva, omle 
se fortitícou c lhe deram obediência os 
doze Boiões». — Carta do rei, in Doc. da 
India, II, p. 226. 

163Õ. — « . . . se veiu Philippe de Hrito 
para a índia, dizendo a eirey de Arracào 
que vinha buscar gente para o fazer im- 
perador de todo Hengela, e dos Bojões, 
que eram doze senhores cada um de suas 
terras, ma.s unidos contra o rei Mogor, e o 
Mogo, e os mais seus inimigos». — António 
Hocarro, Déc. xin, p. 131. 

«Já neste tempo o Mogor tinha vencido 
os doze bujões do liengala, que são se- 
nhores d(í todas' terras do baixo que rega 
o Ganges». — Td , p 440. 

1«)14 .—«Hence all kings of living crea- 
tures in the southern regions are inaugu- 
rated for the enjoyment of pleasures and 
called BhoJa, i. e. the enjoyer» (in .4íía- 
reya lirTihmana). — Dalai, Hist, of India, i, 
p.'252. 

* BOLUCHE. Castaniieda emprega 
termo a respeito dos guzaratos da 
ilha do Bete, que preteriram morrer 
combatendo a entregar-se a Nuno da 
Cunha, e aos quais Joílo de Barros 
chama amoucos (q. v. ). Em árabe val- 
lãj 6, conforme Kazimirski, «aquele 
que entra, que penetra frequente- 
mente no interior e acometo com re- 
8olu(^1o, com coragem», isto ó, ho- 
mem corajoso e resoluto ; o vulújf 
que p.i'vv. ^..r <. .'.t;.,i<> designa o 
acto. 

1552. — "Os mouros como estauRo deter- 
minados de morrerem antes oue se entre- 
garem, fizerão setecentos deles os cerci- 
Ihos como clérigos, que assi ho costumSo 
(juando se determinào de morrer: e estos 
SC chamío boluches, gente de feito». — 
Histitria, viii, cap. .'50. 

«BOM (s. m.). Festa de lanterna>s 
no .lai)Ao em honra dos antepassa- 
dos. Do jap. hon. O cambojano tam- 
bôm usa bítii no sentido •^«•lal de 
«festa», como hon nat 

VMú. — «Outra f<;sta tem a "lo 

Bom, a «jual fazem ás alni., u.i 

-i passados, cada aiiih« pelo mes do 

\ ■ .. ;i 1.' ,!ia'- lia I'M •!■!!''. Cn.la Imin 



BO^^DARA 



136 



BONDUQUE 



terias que cada hum pode». — Cartas de 
Japão, t, fl. 92. 

1P04. — «Seguidamente, de 13 a 15 (tam- 
bém pelo antigo calendário) foi a festa dos 
mortos, chamada Bom». — Venceslau de 
Morais, Cartas do Japão, ii, p. 170. 

* BOMBAISTA (s. m.). Indivíduo de 
Goa, quo grangoia a sua vida em 
Bombaim. O termo ó muito usado na 
índia Portuguesa. 

1912. — «Egual tratamento teve tam- 
bém um cozinheiro de Loutolim, bom- 
baista de barbas sujas». — O Ultramar, 
de 15 de Julho. 

BOMBILIM. (cone. bombJl). Pequeno 
peixe, ])arecido com pescadinha, 
muito abundante em Bombaim, Da- 
mão e várias outras partes. Sendo 
seed, exporta-se para a Europa e 
acha-se "k venda em Lisboa. Os in- 
gleses chamam-lhe bummelo, e o seu 
nome scientiíico é Harpodon nehe- 
reus (do beng. nehare), Buch. Ha- 
milton. 

1727. — «Bambolim também he o no- 
me de hum peixe muito sadio da índia». — 
Bluteau, Sujrplemento. 

1900. — «Talvez para provar iii situ os 
tradicionaes bombilins». — Ismael Gra- 
cias, in Prólogo k Historia de Damão (A. 
F. Moniz) I, p. III. 

1673. — «... a great Fishing Town, pe- 
culiarly notable for a Fish called Bum- 
belo, the Sustenance of the Poorer sort, 
who live on them and Batty». — Fryer, 
East India, i, p. 173. 

1825. — «The sea abounds in excellent 
fish. The bumbelow, very much resem- 
bling an eel in shape, is considered one of 
the best, and great quantities are annually 
dried for the Calcutta market». — Em He- 
ber, Narrative, ii, p. 165. 

# BONCHORONE (s. m.). Pastagem 
em um oiteiro ou lugar inculto, na 
India. Do cone, vantsai-an, mar. van- 
charaiu sânsc. vanacharana. 

1832.— «Bonchoron (Pasto de Gado) 
de Bufala parida, a 1:4:15, e 1 .xerafim de 
Vacca». — Collecção de Batidos, i, p. 132. 

1841. — «A pensão chamada Zacal jSu- 
pari se deve considerar extincta até ulte- 
rior determinação de Sua Magestade, e 
para sempre o imposto de Bochoron». 
— Ibid., p. 206. 

BONDARA. «Árvore de DaniRo (la- 
gerstroemia microcarpá), o mesmo j 
que a benteca da Guiné». O. de Fi- j 
gueiredo. A palavra benteca ^vovêm. j 



do malaiala bendikku, literalmente 
uteca branca», o emprega-se na ín- 
dia para designar mais de uma ár- 
vore de madeira. Bondara ou bon- 
dará 6 o nome guzarate [bandara ou 
bandarã) de L. lanceolata, Wall., ou 
microcarpá, Wight, o de L. parvl- 
fiara, Roxb. 

1908. — «It [bondaríi] is of considerable 
economic importance since the timber is 
in demand for general purposes such as 
house-posts, beams rafters, door and win- 
dow frames, agricultural implements, carts 
and boats». — Watt, The Commercial Pro- 
ducts, ]). 701. 

%BONDI (s. m.). Carroça com- 
prida,' em que se acarreta feno ou 
folhas para o gado em Goa. Do con- 
cani-mar. bandl. 

1 776. — «Pasto de Gado que vier de fora 
do Estado, que vulgarmente se chama 
Bondy». — Collecção de Bandos, i, ]}. 17. 

BONDUQUE. «Planta leguminosa, 
também conhecida por olho de gato. 
(Fr. bonduc)». C. de Figueiredo. De- 
vic tem a seguinte inscrição: «Bon- 
duc. Plante exotique aussi nommée 
oiíl-de-chat ou (juilandine. C'est 
I'arabe bondouq, qui parait d'origine 
indienne. On le trouve en malais». 
Os dicionários malaios que possuo 
não o registam; nem eu conheço a 
planta e o seu nome botânico. Na 
flora de Portugal, olho de gato é, 
conforme Pereira Coutinho, o nome 
vulgar de Anchusa seinpervirens, 
Linn., da família das boragináceas. 

Em hindustani banduq é «espin- 
garda», do ár. bonduq, que origina- 
riamente designava, na sua forma 
plural banãdiq, «avelãs», porás re- 
ceberem os árabes de Veneza, pas- 
sando-se em seguida a designar «as 
balas» de espingarda, o depois a 
mesma arma. 

Em inglês, por bonduc-nut se en- 
tende a Caesalpínia bonducella, Fle- 
ming, «silva da praia» em português, 
gãjri em concani. «A semente é tó- 
nica e antiperiódica». D. G. Dalgado. 
Se por analogia da bala com a noz 
se ampliou o significado, o termo 
não ó de origem indiana. V. Glos- 
sary^ s. V. bundook. 



noxito 



131 



HOXITO 



!•/ :. _ «Bondoo 

t'oniluc I '■ i.v. ii, 4T •■ 
Turc, «' 
mots -i 

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Bonduo et 

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P. Ferniode Quei- 



I A 1 
lol. 



, de pierre. ou de plomb, de 

fi«^rt ii'iir tirer de I'arc, de 

•u! ;i feu». — Herbe- 

lie. 

BONGDl. Está modernamonte em 
uso na India Portuguesa Oste termo 
para designar o indivíduo quo faz os 
despejos o outros serN'icos iTaixos, e 
quo pertence a uni-t '-'^t.. ..i.;.M«t . 
Do hiudust. hhanifi. 

1807 — «Os parias ou hompins [f>ic), 
que fa/.f»m os despojos e outros misteres 
idi'iitii "8, caota completamento separada 
df r<HÍasi». — O Século, de 21 de Outubro. 

liMfi. — «O cjae significa «pomada de 
Canil >ri'iu»ey — rerguníe ao seu bongui». 

— lieraldo, de 1 de Agosto. 

1917. — • . . . como qaem diz a um bon- 
gui (o termo é deles) «toma conta daquilo». 

— .1 Terra, de 27 de Janeiro. 

BONITO. Espócio do atum — Thyn- 

nus pelanufs, Day, da família scom- 

brida. A primeira vista, parece que 

' port, bonito, como 

1 Imite; mas Fr. Joílo 

de iSousa deriva-o do Ar. bainito^ o 

Skeat do ár. bai/nis, observando que 

a consoante final í^ a quarta letra do 

, que os árabes pronutíciam 

iugl. tJi em bot/i. Littré ti 

Adolfo ('o«'llio dflo por étimo o baixo 

lat. boniton. Do/y n^o o menciona, e 

os nossos indianistis nJVo o explicam. 

<"> ' • na ín- 

ite: 



I das .suas 
Francez, 
acha um 

1 1 1 *[ M b O - 



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par 



<>r sua pescaria de Bo- 
porque ha grande car- 
• ■ para muitas partes». 
19 

peixe «eocn. que 

' ■•■. de pei- 

I. porque 

Ua«- 



d<mrado«, xarcos. ... — 
roz, Conquista de ' ■ > '■ 

1712. — «Na I 
»^i'ía:en8 escreve I.. . 

<■ entre os dons '1 
, :xe, a que os I'ortu 
nito, que he hum tios 
que o mar pode dAr. M 
dores, e tem azas semelhantes às de mor- 
cego. Porem nXo se podem valer dollas, 
senão quando sSo húmidas, e he a < 
porque muitas vezes mergulhSo. No ; 
so parecem com arenques. As aves os per- 
seguem no ar, e elles perseguem no mar as 
aves, quando a elle se acolhem». — Blu- 
tean. 

1740. — «Os bonitos são grossos cotno 
o atum, e sem escama ; a pelle he verde, e 
tâo liza, como o vidro; a cabeça aguda, e 
nilo tem espinhas, mais que a do meyo, co- 
mo o salmão: quando cozidos, equivoca o 
seu sabor, e cor com a de vitela, c he o 
mayor regalo dos navegantes». — P. Craa- 
set, Hist, da Igreja do Japão, n, p. 177. 

1882. — «A agulha, alvacora, arenque, 
badajo, barbo, bentelha, bexugo, bica, bi- 
cuda, bodião, bonito» (peixes de Cabo 
Verde). — liol. H. G. L., iii, p. 98. 

19lK). — «Também exportam [as Maldi- 
vas] peixe salgado (bonitos, escreve He- 
clus)». — Gabriel Pereira, ibid., xvii, p. ','A6 

1916. — «No San Miguel vicranj 13 pas- 
sageiros. . . A carga consta de algum •- ' 
e varias mercadorias [)ara Lisboa, e a 
caixotes de peixe bonito que deviau. ;. . 
de8embarca<lo tia Madeira». — O Século, 
de Dezembro. 

1520. — «Fu veduta vna piacceuole cac- 
eia di pesce, delle quali ne erano tre sorti, 
lunghi vn braccio, cioè orati. abacore, et 
bonito». — Pigafetta, apud Hamúsio, i, 
fl. 305. 

15>^2. — "Sonvi una sorte clie doman- 
dano Bonitti, detti Pdamis vera seu 
Thunnu» AiLitralis dal Rondelezio». — F. 
Sassetti, I.ettrrf. p 174. 

1()15. — «Bonitões and albicores aro 
in colour, shape, and taste much alike to 
Mackerils, but grow to be very large». — 
Terry in Glosaai-y. 

Ifi20. — »C'est un noissou fort vi- 
roidc, I'ayaut veu eslancer sur quel 
Bonites, qui se sauvaient sur n 
uauire». — (iénóral Iteaulieu, Mémvire.s, 
p 5 

KkU. -- nljuoniam pisces Bonitac . 
oati l.<usitaiiis. Iiuc (|ii<>riiii)' ad uxi' 




— i 



»>I|||IIS, //' 



• ••■■, ■■■■■' 1", ■. ...■■-. liOlii- -lint m-m-rn 

saras-. — Fr. .Io5<i dgs Sauttis, p. 72." 

'Orirnf,,/ J. 82H. UUli. - nO( thftso flort we ■" • ' 

liii*» II a ter tamanhfx coino store Myng from Bonetos ami 

konltos ia««. — Pyrard dc La- : who were hunting them». Vs. , 

val, \'i'i:/'i>i. i, !• >>. . India, p. 86. 

Kl.sT _ ,. » j„.,^o he muyto e bom: Un- i 1760. — «Nous ^tions environ k 80 ãé- 
guados, salmoiietcs, curviuaa, bonitas, ; grés de latitude, lonquc nous prtinct pin- 



1J( >NZU 



!.'> 



BONZO 



sicurs puissons npprllrs Bonites. 11» 

sont. (le lii graiuk'ur diiii Saiimoii, mais 
l>liis ('-pais. Ce sont les l*ortug:us qui les 
nut ainsi iiommós, Bonito signiiiant dans 
Icur langage quejque chos« d'excellaut». 

— Grose, Voyage, p. 7. 

1782. — i-Et voiit à Aclifni traiter des 
bonites sah'ics fort comumus dans cett€ 
contróe» (Maldivas). — Souuerat, Voyages, 
II, p. 92. 

1916. - «Probably a bonito (a fish ot 
the mackrel family) at its best could move 
for some distance at forty miles an hour». 

— Tit-Bits, dc 5 de Fevereiro. 

BONVORO. Insecto quo perfura ár- 
vores, ospocialmeuto paii'i.'iivi^ n-i 
índia. Do cone, bhonvar. 

1886. — «Alóm dessas doenriis (jnc ;n-u- 
mettem as palmeiras pela raiz, estão ellas 
ainda sujeitas a outras produzidas no stipe, 
e sSo os ferimentos, as contusões e a per- 
furação longitudinal feita pela larva, de- 
nominada pelos indígenas rantó, e pelo in- 
secto chamado bomôro [leia-se bonvÔ7-o], 
que fere tanto o stipe da palmeira, como 
as suas spadices. . . Será o coleóptero Lo- 
richtas Bh/nocdroa, que sob o nome vulgar 
faz na índia Portugueza iguaes estragos 
áquelles que faz no Coromandel?». — Lo- 
pes Mendes, A índia Portugueza, p. 184. 

BONZO. Nome do religioso budista 
no Japão e na China. Francês e ingl. 
banze. Os nossos missionários do 
Japão extendem a denominação aos 
sacerdotes do xintoismo, que propria- 
mente se chamam canuxis, q. v. BON- 
ZARIA é a «colectividade de bonzos». 
S. Francisco Xavier também se re- 
fere a BÓNZIAS (em Macau bonzas) 
«freiras budistas». BONZEIRO é «ami- 
go dos bonzos». 

O vocábulo é de origem japónica, 
bózu, correspondente ao chinês fa7i- 
-seng, «pessoa religiosa», ow fã-sze, 
«mestre da lei» *. E possível que 



1 «De lá (do Japão) troussemos os se- 
seguintes nomes: «biombo» [bióbuouhióm- 
òm), «bonzo» (bónzu ou bónyu)». Gonçalves 
Viana, Palestras. — Julga este filólogo que 
bonzo e biombo provêm imediatamente das 
formas dialectais bónzu e biómbu. Mas não 
consta que existam em japonês semelhan- 
tcri formas, e a nasal jjodia desenvolver se 
ua boca dos portugueses, como aconteceu, 
sem dúvida, com biombo, q. v. Quanto a 
bonzo, o Padre Luís Fróis, muito compe- 
tente no assunto, escreve mais de uma vez 
Bonzos, e para que não houvesse ambigui- 
dade com respeito a u por n, ortografa em 
;um passo Bôzos. V. infra. 



bónzu se relaciono com o sánsc. van- 
dija, «venerável», aplicado ao cloro 
de Buda, em nepali bandhya, e em 
tibetano bandhe ou bands. O jap. 
bonsõ quere dizer «religioso ordiná- 
rio ou ignoraí^te. Os antigos escrito- 
res chamam talapòes aos bonzos de 
Brama (Birmânia), de Sião e de 
Pegu. Fernão Pinto menciona rolins, 
(jrepos, menifjrepos v, talegrepos como 
vários graus dos religiosos. 

1545. — «Os Bonzos (que são os seus 
sacerdotes) nos faz ião bom agasalho, por- 
que toda esta gente do Japão he natural- 
mente muyto inclinada, e eonversavel». — 
Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 134. 

1554. — «Todo o trabalho que os padres 
e irmãos tiuerem, ha de vir por parte dos 
sacerdotes desta terra (que em liugoa de 
Japão chamão Bonzos)». — Cartas de 
Japão, I, fl. 25. ^ 

1578. — «Para se tratar da conversão 
dos Japões, assim Bonzos, como seculares, 
e dos mais estados das gentes destas par- 
tes, se requereria como de necessidade 
absoluta tratarse primeiro do clima da 
terra,» etc. — P. Luís Fróis, apnd Cristó- 
vão* Aires, Fernão Atendes Pinto e o Japão, 
p. 107. 

«Por esta causa aborrecem aos Bôzos 
\Douzo8, p. 113 et alibi] desta terra posto 
que exteriormente llie facão muita honra». 
— Id., p. 114. 

1584. — «Esteve o Padre deste modo 
cm Xan Kim seis ânuos, o qual por andar 
em abito de bonzo, que são os sacerdotes 
dos ídolos da China, gente mui baixa e 
vil...». — P. Sabatino de Ursis, P. Matheus 
Bicci, p. 20. 

XVI. — «Estes japões tem duas manei- 
ras de casas de deuoção e estas casas tem 
padres que vyuem dentro e cada huu tem 
sua cela onde dorme e tem seus lyuros e 
chaiiião lhe bonzes». — Manuscrito pu- 
blicado no Instituto, vol. liv, p. 60. 

1600. — «Nam lhe dando pêra isso os 
seus Bonzos (que sam ein Japam os mi- 
nistros dos Ídolos) . . . ». — P. Lucena, His- 
toria da Vida, v, cap. 19. 

1614. — «Elles [imperadores do JapãoJ 
confirmão os seus Bonzos, que são os 
mestres da sua religião. . . Cada rito des- 
tes tem seus pregadores, e defensores, a 
que chamão Bonzos, e trazem sinaes das 
suas opiniões, para serem conhecidos». — 
Diogo do Couto, Déc. viu, 12. 

1668. — «Dizem entrou também h5 Ve- 
lho grande Bonzeiro avô do Eey que go- 
verna : e foi com os demais comprehendi- 
dos no crime de Rebelião». — In Ta-ssi- 
yang-kuó, I, ii, 12. 

1687. — «Nenhôa guerra nos fazem es- 
tes Bonzos [da China], porque não são 
aqui estimados, como no Japão, nem são 



l{<>N/,<» 



liOKNIM 



mas ponto de-^nroaivol, e bayxn, { 
uh'x graiio so faz Bonzo». — F. 
'• (Queiroz, f^ontpiista de Cvylào, 

li'.M ~ «0 mexiuo passou no JapSo. | 



- i*. Autonio Vieirft, Aarter | 

lit' - <.08 S:ii-.rii<>te9 do JnpSo sei 

.11', Bonzos: >■-:■■ iK.mi- In- idinmum 



I .,, ,u. — l\ Crasucl, Uitt. da Igreja do Ja- 

y. ' . I,p. «I. 

ISj.) - I, |i;,iiito O império, iia parte 
.In -.n!. ; i I _i t.. ]...!• bonxos, cahiudos- 
.t parto do norte, nas mãos 
■ não nuMios subtnottida a 
Icioi. — Jo^tí luá- 
., p. 202. 
1^41 - «U.-, bonzos são os \y< 
poita do F<> f'M/t'!;i ciiio os ind-' 

íhs paia iiití- 
' t caridade». 
— U r>Vf raim, p. l-jl. 

1874. — «Os templos de Shiba haviam 
ulto do r>i " 
I con tf a ' 
bunzus «f'<s toram sub.>tirui<i'is ji.iMS 

bonzos '//..'ÓAo. — I*edr<» G. .Mesiúer, O 

) ~ templos em que se pratica 

■ ■ ,.■ . cli.TTr '■■> -' '• '• "-■ -■" 

bonzos, 



•luiUIlliltl > 

lí>lí' 



lUC aut pi.-ril»ll. 



p. 121. 
aiihi de- 

t ill Ja- 
■tutur si 

\ o.sci . . 



ib-'.). — -I'. 



in .Ih|i<.iií;i Bonziorum 



\ i \ ilKll 

- Bon- 
' Bon- 

nia mui- 

' I iitti • illO 

Rnnr!. . ,... , ai 

ui Japâo).— 1'. MaflToi, 



(eorres|K>udeu estos a Arcebispos y Obi^- 

pos) a (]»•" '■ ■ ' • ' P^-rcrla» - 

Faria y ^ m, p. 770. 

ItíTíí. , ■■- • 

ronnó par los Bonzes, qui í!'>ut 
it I.-; I'fiK il.> III loi, il ue iant p. . .,.. .. 
lartó de la Lune». ^— Taver- 
.. ., . V, p. i. 

1754. — «Nous les [canuxisj von 
sonvent. . . prendre tons indirt'iron,' ; ; 
sous lo noin gc^neriqiie de Bonzes la ilt'-- 
fonso d(;s C'amia ot des FotoqucK contre los 
Cbrótioijs». — P. de Charlevoix, Hist, dit 
.JajM)n, I, p. 201. 

«Ia's Talapoin.s dc Siam, les Lamas do. 
Tartaric, et ce que les Europóeus appel- 
lent Bonzes à la Chine ct au .lapon, sout 
les siuccsst'ura des Disoiplos de X'lca». — 
Id.y p. 2iy. — Nota : — «On ne sçait pas 
I'origine de ce nom, dont il paroit los I'or- 
tugais .se sont servis los preuiicrs". 

1770. — «On no pormet pas aux Bon- 
zes I da CliinaJ de fonder sur les dognios 
lie lours .ifctt's les devoirs dc la morale, ot 
j)ar ofinsoquont d'en '!■ — • i* ., , 

ual, Histoire, 1, p. 95. 

«BORA (iiiarata hhaiCi, m.t, boro 
(couc. hhavò). Medida áy^ capacidade 
para secos, equivalente a quatro con- 
dis. Tamb»^m se emprega o vocábulo 
como sliiúniiuo de «carga». 

17H0. — «Abatida a parte pertencente 
.líi ( 'ii] ti v.iilnr. 1)11 Siirio. so fobrava a ra- 
1 Boró ou Borá 
, ' , lUimlog, I, p 272. 

17t«íS. — «Por cada bora de 8al, que 
for carregado nos Hoys. . . meio xeratim». 
— «i*or cada boró de liatte. que for com- 
prado polo .Mercador de fora de Província, 
meio xerafim». — Ibíd , pp. 44 e 46. 

• BORDONEL ^ji^Tsa bãrbardãr). Al- 
mocr«'vo, na IVMsia. 

152!}. — «E logo o «eguinte dia alutrnov 
. liuru bopdonel cliamado i > 
o pela nossa aliuinTovf. qui 
caminho». — Aiit<'tnio 'reuroini. rim-r-ni , 
cap 34. 

BORNIM. Mod ida do capacidade em 

Caiiaiinr. no l^Ialabar. I)o malaiala 
bhavani, «grande vasoi. 

1554. — «K hum bornym, que Ih- n»o- 
dtda de (• " .... I V 

tóuio Nu; 

1511. 
gill d«- ' 

■,:iiit I iiL < . . . , 

Vfi>n»o do 



Bonzii vo- 

Ml, p. ".).'». 

ucu Timdo9 \ 



toiga, Jini; 



qunti ' 

ii.il .!. 



b jc.ys 



1 JUSTE AR 



140 



iJUTlCA 



# BORODO (concani-marata harad). 
Terreno alto o pedregoso, que só 
servo para semear leí^umes, no Con- 
cho. 

1780. — «Uas rMiiici.i.<;ii.i.- il<» Borod, 
que quer dizer o terreno de semear legu- 
mes. .». — Collecção de liandos, r, p. 272. 

1890. — «Em todas as coinmuuidades os 
visiulios levam o gado para os outeiros du- 
rante as chuvas, e depois das colheitas 
para as várzeas, mas os outeiros susceptí- 
veis de cultura, bharoda, também se ar- 
rendam por licitação. A cultura de bha- 
roda é um afolhamento de 3 a 6 annos 
ficando a terra outros tantos annos de pou- 
sio». — António de Almeida Azevedo, As 
Communidades de Goa, p. 97. 

1905. — «... os [terrenos] da cultura de 
legumes denominados bOPOdas». — Er- 
nesto Fernandes, Índia 1'oríugueza, p. 103. 

BOSTEAR, V. t. É muito usado 
Oste verbo na índia Portuguesa, no 
sentido de «barrar com bosta, em- 
bostar». Narra Diogo do Couto 
(Déc. V, VI, 4) que, indo de Goa 
para Chaul por terra, com dois ou 
três companheiros, os brâmanes, em 
cujas varandas se agasalliavam, «de- 
pois que nos yamos faziíío muy gran- 
des purificaçnens, lauandosso com 
muitas cerimonias, e emhostando as 
varandas, como se foraàios feridos 
de algum mal contagioso» *. Até se 
chama hosteadeira à mulher que hos- 
teia, assim como se diz piladeira a 
quo pila o bate ou arroz. Entre os 
cristãos é simples acto económico de 
limpeza do chão ; mas entre os hin- 
dus tem signilicaçao litúrgica, sendo 
a vaca e as suas excreções consi- 
deradas sagradas. 

1687. — «O pauimento bosteado; e 
este he o leyto, e colchão de toda a gente 
ordinária; e os mais ricos hua esteyra, ou 
manta de burel». — P. Fernão de Queiroz, 
Conquista de Ceylão, p. 65. 

1736. — «Nos dias dos partos de suas 
mulheres, nem antes, nem depois d'elles 
com respeito aos mesmos partos, se não 
bosteie o logar da casa, em que o parto 
tiver sido ou houver de ser. . . Que mor- 
rendo alguma pessoa, se não bosteie o 
logar ou casa em que uiorrern. — Edital 
da Inquisição de Goa, apvd Lopes Mendes, 
A Lídia Portugueza, i, p. 256. 



^ «Manchão os seus aposentos e as suas 
paredes com as suas bostas». — Ben-Ba- 
tuta (1334), Viagens, ii, p. 66. 



BOTICA. Na acepção de «loja, 
mercearia», ó termo antiquado em 
Portugal, mas corrente ua Ásia 
Portuguesa. BOTIQUEIRO é «lojista, 
merceeiro»; botic/ceer ewi indo-inglOs, 
agora o])8oleto. 

1516. — «Também a gente da terra fa- 
zião boticas, em que vendião cousaB de 
comer muy abastadamente». — Gaspar 
Correia, Lendas, i, p. 624. 

1534. — «Onde a gente da terra acodio 
com cousas de comer a vender, em que se 
fez bazar, e botiqueiros canarys, e 
começou a creeer pouoação». — Id., iii, 
p. 586. 

1554. — «E a Kenda d'outras buticas, 
onde se vendem sedas, chamalotes, panos 
de portuga!, porcelana e outras miudeza»». 
— Simão Botelho, Tombo, p. 51. 

1559. — «E vos mando que faeaes aven- 
cas com todos os botiqueiros e pessoas 
que quizerem ter boticas, e vender as 
cousas pertencentes á dita renda».. — Pro- 
visão de D. Constatitino, in Archive, v, 
p. 420. 

1567. — «Não entrarão nestes rpis bu- 
tiqueiros da^ minhas rendas, nem fisi- 
quos». — Carta de lei do vice-rei D. Antão 
de Noronha, ibid., iv, p. 69. 

1567. — «Os botiqueiros não tenham 
as buticas apertas nos dias de festa, 
senão depois da missa da terça». — Decreto 
do concíUo de Goa. 

1619. — «Cada Butiqueiro paga da 
sua Botica doze barganins brancos e oito 
leaes de direitos». — Regimento de N. V. 
Castello Branco. 

1630. — «Darão licença pello modo nella 
declai'ado pêra ficarem nesta cidade. . . os 
botiqueiros, que lhes parecerem neces- 
sários, com alguns servidores». — Archive 
Port. -Oriental., v," p. 1396. 

1645. — • «Hum Soldado dos nossos Cas- 
telhanos querendo comprar de hum China 
butiqueiro, sobre o preço se descompo- 
zerão». — Apud Fr. Jacinto de Deus, Fer- 
irei, p. 143. 

1697. — «Fecharão as logeas, ou, como 
dizem na índia, boticas das sedas, e 
mantimentos». — P. Francisco de Sousa, 
Oriente Conquistado, I, i, 2. 

1699. — «Temo.s alimpado as ruas, reco- 
lhido os pobres, visitado os Boticários, e 
examinado suas mezinhas, castigado aos 
Butiqueiros, e emendado a falta do 
pezo do i)ão». — Fr. Agostinho de Santa 
Maria, Historia, p. 207. 

1727. — «Butiqueiro. Em Goa, e ou- 
tras Cidades da índia Oriental, Buti- 
queiro he tendeiro porque os Portugue- 
zes da índia chanião Butica à loja, ou 
tenda. Em Goa, Butiqueiros vendem 
toda a casta de comestíveis, e também me- 
zinhas, tabaco, etc.», — Bluteau, iSupple- 
menio: 



WYTO 



iVH'Oll 



1ãS7._.F*ço »Hl>or aos Botlquefros. I 1727. — «Bottos- 'IVrino da India. S3o 

■^r^ . oou(r..e^ • ' ' ■ '• .... -^......i:.....- n., 

-i . u — ( 



«Botiqueiros «m homoti- 

' ■ ■ w .Viiritimog (18-tó), p. 11.-. 
'botica: l>i/-M' •III ;.'t'ral de 

, . em quu esteja t'azouda a 

\. 11 !. r . 1 N. Xarier, O Uabinete LitU- 



I, pagará 1:3:00». — CoUecçào de 

I, p. 10. 

- ■.!> T' i ■ :: -'t.l.s boticas, 



i^' 



i 
V"- 



.\ ■ <Ji\'..:- . I, j. .>lo. 

!''!J — .l;iiuli(in foi levado preso urn 
i ' iro por nome Ixmnddò». — O Ul- 

12 de Fevereiro. 

ii'i.j — «... e al).'uns 1 " de 

Salcêtc, botiqueiros, p ■ ou 

ijurcfii'S.. — Heraido, de i;.> m- i'lzem- 

BOTO. bôtto (pi. botos, bóttos). Sa- 
certlotr- hindu. Do cone. bhat < sánsc. 
hhafta, «brâmane letrado» *. Con- 
' < os l)ríii: iam cri- 

da ca- rdotal, 

iit lu todos estão hal)ilitados a exer- 
cer o ministério. 

1587 — «K-rrPMfo qup no rio d<> Bar- 



Boto, át-uhur deliu». - 
11 ArrhivOf i, p. 91. 

nesta Cidade pellos 

Oca muit4>8 gentios, 

iiisj Jogtiiê, pregadore» da 

- Cjuarto Concilio de Goa, 

• Botos be huma casta de 

1 .,.,.., ..v,...ii..,.,.;., emiio a 

' vitas, à 



^ •. — 1'. Francisco de 

nKt-nl,. I. ,. 2. . 

i i<i< í mar 

l;. . ■ . . II" ■ -trU- 

rouê, BottOSf vli .". — .4rcAitv>, 
p \^(> 



f ,, Botto U".-- ^.•a^a- 
.i-<erv>ir na.H «iia^ ttrrnn 
:itius.. — Ibid., p. 27 



' A geminação de t representa, como 
em outros casos, o ( cacuniiual <I" •'•«i"". 
proferido nurmaluieote na India. 



plemento. 

1747. — «Rernlli.rarii s.' .is fiuna.-». que 
entraram no i feito 

nellas mais li" , ^r al- 

iL^um Gado, e prisionar dons Botos, ou 
Sacerdotes gentios, que foram achados em 
hum Pagode». — Monterroio Mascarenhas, 
JtJpatiapfiora Indica, iv, p. 81. 

1842. — "Estes por^m o.stentam que da 
sua ciasse eram os bottos, ou ministros 
da sua religião». — Annaet Maritimoê, 
p. 431. 

1849. — «Ordeno ao mesmo Boto ou 
aos Mazaiies do mesmo Pagode, que nSo 
mais repitam procedimento tão vergonhoso, 
que devo cohibir»». — ColUcçâo de liando», 
u, p. 203. 

1850. — «Botos. São Padres entre os 
Gentios, e Servidores dos Pagodesu. — F. 
N. Xavier, O Ciabinete Litttrario, iv, p. 260. 

1874. — «Um botto (sacerdote) se na- 
morou d'uma lianes, moca viuva de notá- 
vel formosura, e a levou de casa dos seus». 
— Tomás Ribeiro, Jornadas, ii, p. 21. 

1886. — «... seguidamente o botto ou 
sacerdote gentio, que leva um curo». — Lo- 
pes Mendes, A índia Porttiffueza, i, p. 53. 
1890. — O bhoto molhou as flores, col- 
locoo-as em linha, e revelou que se calússe 
primeiro a segunda flor da terceira co- 
iiuuua a alevautina era a mulher de Vi- 
chnu» — Antiiuio de Almeida Azevedo, i4s 
Commuuidadeg de (íon, p .^M. 

1893. — «Houve lar- 
o nosso arcebispo [D. i 
foi de parcer que de neuJuunii torto se lhes 
devia permittir aquella linha, tofise ou não 
' (le nobreza, ij - 

- botos eoni : 
i' Casimiro tie Na/.ait tn, Mi- 
fancu. in liol. S. G. L., xii,p. 492. 
1 ■' . quando tentam de 

pra' 1 outros crimes con- 

• '■ buius ' '1^)0. — Oliveira 

iha.H, Ati lire», p. 155. 

..;,,_ «O ill,;,..,,,.. ..,,rt pre-/-'" '"T 

um bhatta <ie Hengula, e d<'i 
primeiro i»ela índia nieridional». ... -. 
•yaug-km, II, 111, 6. 

1^12. — « provar ao nn-snio tempo 
que esse não «th bÔtto i brahma- 

IH'... n /A,.,,'"'", .!,. I 



i an • :> all 

I \V..i , • hl- 
dia, ii, p. lul. 

j «BOTOR. -«X' í»* de 

' fíírinljííH (ju»' Sf . .1*. 
Do muiaio-jav. bvlor. 



liOUNSUiy» 



14: 



noxÁ 



1(">U{. — «Outro gonero de granos bot- 
tôrcs, favas, e legiuiHíS cozidos o tcnipe- 
radiis a seu modo (.om quo o vulgo ao, ali- 
iiK'uta». — Manuel Gr. do Ei(''dia, I teclar a- 
r 1111 (ir. Malaca^ W. 1!>. 

* 60UÇ0. Corjtoraçflo ou ^rupo de 
ciiltivadoros dos campos da coniu- 
niilade agrícola de Goa. Do coiicaui- 
iiiar. bhuãs, que })ropriamento signi- 
lica «iriiião, parente próximo». 

1825. — «Todos cultivadores formavam 
lUTia corporação, como já disse, chamada 
bouço, e esta fazia todas as despezas 
jirecisas para a conservação dos camjios». 

— informação do Tauadav-mór das Ilhas, 
a2)ud António de Almeida Azevedo, As 
Commimidadcs de Goa, p. 89. « 

1852. — «Bouço — associação forçada 
de arrendatários ou colonos duma casana, 
sujeita às disposições que regulam as com- 
niuuidades; compete-lhe conservar, repa- 
rar e vigiar os valiados, portaes e represas 
da casana, perceber a receita e pagar a 
despesa que houver». — F. N.Xavier, Bos- 
qnrjo Histórico (2.* ed.), iri, p. 51. 

ISfiõ. — oV. s.' se serviu de escrever- 
me, incluindo uma co])ia da denominada 
resposta do bouço da communidade da 
aldêa de Neurá o grande... ordenou que o 
bouço ordenasse seus empregados, como 
lhe convier». — F. N. Xavier (filho), Col- 
lecção de Leis, p. 2. 

1857. — «Em regra os arrematadores 
das várzeas das communidades são mem- 
bros do bouço e os colonos seus represen- 
tantes». — . Id., p. 28. 

1880. — «... cumprindo ao governador 
geral em conselho fixar... a escriptura- 
ção, contabilidade e systema de arrecada- 
ção da receita, as obrigações dos bouçoS'). 

— Decreto, apud Eduardo Balsemão, Os 
Porlvyuezes no Oriente, a, p. 208. 

1915. — «Um antigo costume, que ainda 
subsiste em algumas povoações rurais, é o 
mandarem os bouços (associações de la- 
vradores) celebrar no dia 24 missas reza- 
das ou cantadas em louvor do santo «. — 
Ismael Gracias, A índia, p. 167. 

* BOUNSULÓ (cone. Bhomsló, mar. 
Bhoslã ou Bhomslã). Apelido de Si- 
vaji, fundador do império mtirata, 
usado também por outros dominan- 
tes da mesma raça *. Os nossos escri- 
tores empregam-no em particular 
com respeito aos régulos de Savant- 
vadi (e sua gente de armas), que 
mais de uma vez invadiram o terri- 
tório português, e dos quaes passa- 

1 «The name is derived from the village 
Bhosawat near the Bhosa fort, in Bom- 
ba^'». — Crook, em Fryer, ii, p. 60. 



ram algumas teri;i« ii,'ii;i ,» iM.<cn 
estado da índia. 

1728.— «0 lugar em qu(t se faz este 
lavatório he de Naroá, terra de Sar-Des- 
say Fondu Saunto Bou nsu ló». — Ca)7a 
do vic<!-rei, in Archivo, Su])pl. ii, p. 12í{. 

1741.^ — «Todas as communidades das 
Aldeãs da Província de Jiardez se tem ha- 
vido nesta guerra dos Bounsuiós, que 
em invasões consecutivas a destruirão. . . ». 

— Ibid., p. 461. 

1741. — «O mesmo rio lhes facilitava 
os soccorros, que lhes podião introduzir os 
Bounsuiós». — D. José Barbosa, Epi- 
tome da Vida, p. 78. 

^ 1744. — «A força do pirata Augriá vos 
não deve dar menos cuidado do que as 
dos Bounsuiós e Marattas, porque unido 
com os Melondins, e também com os mes- 
mos Marattas e Bounsuiós, que uns e 
outros tem já bastante numero de galeo- 
tos e algumas palias, infestão continua- 
mente toda aquella costa». — O Chronista 
de Tissnary, ii, p. 184. 

1745. — «Sendo antigo dicterio entre os 
Portuguczes, que bastava hum para dez 
Bonsulós, elle o converteu hyperbolica- 
monte, dizendo, que bastava hum Bon- 
suló, para cem Portuguczes». — Monter- 
roio Mascarenhas, Epanaphora Indica, ii, 
p. 9. 

1795. — «Para o bom êxito da guerra 
contra o Bounsuló, manda que se diga 
nas missas a oração pro tempore beUi». — 
P. Casimiro de Nazareth, Mitras Lusita- 
nas, XV, p. 468. 

1845. — «Eram vassallos do Boun- 
suló, dominante de ura pequeno territó- 
rio, confinante com os nossos estados, a 
Norte e a Leste delles». — Annaes Mariti- 
mos, p. 251. 

1849. — «Elle [rio] vem da província de 
Ussapá, nos domínios do Bounsuló». — 
Joaquim Soares, Bosquejo das Possessões 
Porttiguczas, i, p. 17. 

1850. — «Bounsuló. He appellido de 
Quemá Sauuto, 1.» Dominante de Pragana 
Cudale ou Saunto-Varim. . . origem dos 
Dominantes Bounsuiós». — F. N. Xa- 
vier, O Gabinete Litterario, iv, p 260. 

1874 : 

^ «Nobre orgulho dos maratlias, 
tentação dos BuuiisiiIóm!» 

Tomás Ribeiro, Jornadas, ii,^. 08. 

1886. — «A província de Peruem, ou- 
tr'ora dominada por Bounsuló, foi sub- 
meítída ás armas portuguezas em 1788». 

— Lopes Mendes, A índia Portugueza, i, 
p. 224. 

1890. — «As repetidas invasões mara- 
thas e as inquietações dos Bonsulós, 
dessais de Savant-vadi, bem depressa o 
demonstraram ». — António de Almeida 
Azevedo, As Communidades de Goa, p. 4. 

BOXÁ. «Pequena mala, usada en- 



IlIÍAF/llACA 



M!ÍAÍÍ>ÍA 



( '. .!•• 1 _ ftocangíi 

BRABAR. Mi 1.1.1 natural do 
^' ' ,i»ar. Dij malaial.i vyiipãri<C 
•■•. Vjfupãrl. V. chatim. 

1516. — «Ha tambeDi neste regno de 

^'■■' ' 'utra loy de gente [caata] que 

Br abar es que saom mercado- 

• '"• - ■' ■ '"•'■;», e asy ho 

iifçeiras hmi- 

......i». — Duarte 

(2* rd.), !>. yâ2. 
i>r>abares, que são os 
"lies do Malabar». — 
Of Orpfulos dr ('ale 

itt, j). yii. 

BRACALáU. i:.iiijtre;,'a bornào ^íen- 

l»« I 'ill to o termo com relaçáo a 

O! e à Cliiiía. iio sentido de «alto 

tiiriot, talvtv. «ministro ou con- 

•iro de ostadof. Conjecturo que 

••^to do siara. boromo, «pre- 

rial » , i* fcruino, ■ ministro » . 

\ ver Autos, farças, jogos, 

!:.!os, que 

Bra- 

1 !t M ) ■ ■. . '1 ' >ii i •• u ~ . ■ 'i e 

■re8, <• t'.',; t'r- 

-f " rica .WH ».i.. dar 

sv (ua China). — 

lanto o Rey [de SiameJ 
•iiiiios «<'>in«Mití>, orde- 
Bracalões do 
i; nu iiiTiv t<i.-,.sf tu- 

tora». — Jbid., cap. 164. 

• ' ^ baçaraga. A jul- 

-iadt's íjue dois etj- 

les nmionnis atribuem à árvore 

seu fruto, paret-e (juc se trata 

líftM (q, V.) on Antiaris toxica- 

se vO nas lín- 

III nome qu»í »e 

- rnelhe ao portugut^s ; o comum 

suufti; Watt menciona outm 

• ktintxit, alli, jazútjri, amu,' 

. *i\ . 1 lo 

e usa-K' i e 

i; l'a/(Mn-8e saccos de casca 

ia casca coin > se 

ra pn 
as». I). ' 
. Lisboa, l geful Plants, p. Í2i^ 

• Ha ncKt.l ttTfíi 'I)«'lil li 
ii;i cuja raiit cbau)a4>iu Braechi< 



1 que ii <- 

I :iril.il'i 



i 



ha propia rnis ou outra 
çonna». — Duarte Harli ■ 
p. 311. 
1554 : 



'• -r- '■•• ' 

lia lru\ t:i de^ta 

I, ,,. U;,'.,/, ,» tem 

hu 

•ma 

■ •rte pe-' 

2.'ed.K 



• No reyno de Deli hn 

uru w 

J" 
n 

qt 



}ie fracto mai eotiniado 

com que se a peçonha açude*. 

Á margem: «Ha rnis se éhaiua Ba(arafaa, o 
ha fruota mirabexi'. 

Qiirciii do Rísende, HUctllanea, fl. 150. 

BRAHMA, Brahmá. Na teologia 
indo-árica os dois termos são muito 
distintos, sendo o primeiro neutro e 
o segundo masculino, Brahma ou 
Brahman é nos hinos rigvédicos o 
nomo da «fórmula sagrada, da ora- 
ção omnipotente», que produzia o 
efeito ex opere operate e dominava 
03 próprios elementos. Paulatina- 
mente a oraç.lo foi-se apoteosando, 
e Brahma tornou-se, na época rigo- 
rosamente brahmanica, o Supremo 
S^'r impessoal, a Única Realidade, o 
Universo, de que a alma individual 
é uma parcela, uma fagulha, sendo 
o r»^sto mera ilusílo — inãyã *. 

A ahsorçfto em Brahman 6 a su- 
prema aspiraçílo heatítíoa do filósofo 
ortodoxo, e o nielo <le a alcançar ó 
a couvicçílo íntima e inabalável da 
identidade da alma própria com a 
alma uuiversal, Atman, por meio de 
constante e profunda contemplaçilo : 
tad team tw/ ^ tu és aqujlo. «Om 
est son nom mysti<iue, tad sa dési- 
"M.ttiou pbilosophí(|ue, «af son appli- 
'Q pratique». Sylvaiu Lé\*i, Im 
f 1 1 ande Ene ' '■>•. 

Brahi.ui (: vo masculino de 

brahman) ó o primoiro niembro <la 
Irimurti (q. v.), ou trindade hiudu, 
O deus criador, a hipóstaso ou per- 



Kui b 



!.• ãUr '1 



BRAHMA 



144 



BRAHMA 



soiilticaçjlo (lo 7?ra7í?nan ^impessoal. 
O seu uome nao ocorre nos Vedas, 
onde o criador é conhecido por Pra- 
jãpati, «senhor das criaturas», ou 
])or llimiiyogarhlia, «ôvo de ouro». 
O culto de Braluníi nílo ó popular 
na índia, e raro ó o tenii)lo que 
lhe soja exclusivameute dedicado *. 
V. Dow son, A Classical Dictionary 
e La Grande Encyclopédie^. 

1G12. — «O quinto que gouerua a terra, 
Brahemá, e sua uiolher, Exarasuadi 
[Sarasvatí]. Estes ciuco dizem que gouer- 
nào toda a cousa <;riada: mas aos três 
delles adorão como deoses, que são Bra- 
hemá, Bisnú, e Eudra, què são os regen- 
tes da terra, agoa, e fogo: porque vm 
cria, outro augnieuta, e outro consume, e 
porque são a causa da geração, criação, e 
corrupsão de tudo». — Diogo do Couto, 
Dec. V, VI, 4. 

1687. — «E estes mesmos [Brahma, Vi- 
xnu e Xiva] confessando que forãoliomeus, 
dizem, que nem cada hum deles, nem todos 
três juntos são Deos; mas que este se cha- 
ma Paramã Bruma; e alem deste, que 
liâ 330 milhões de Deoses». — P. Fernão 
de Queiroz, Conquista de Ceylào, p. 62. 

1837. — «Ha ahi duas seitas priucijjaes : 
a de Brama, e deBudda: segundo a pri- 
meira, existem três intelligeucias — a crea- 
dora, a conservadora, e a destructora — 
que reveste de corpo, dando-lhe os nomes 
de Brame, Visnu e Siva. — O Pano- 
rama, de 8 de Julho. 

1874. — «Brahma, tu creaste a minha 
casta d'um hálito da tua bocca sacrosanta». 
— Tomás Ribeiro, Jornadas, ii, p. 3Q5. 

1883. — «A Alma-Universal ou Atman 
é Brahma ou Brahman (n., th[ema] 
Brahman, e em com[posiçãoj ou no nom. 
Brahmaj». — Vasconcelos Abreu, Ckresto- 
mathia, p. 382. 

1886. — «Os brahmanes derivados da 
cabeça de Brahma, symbolo da íciencia, 
são considerados superiores a todos os de- 
mais homens, e destinados ao sacerdócio, 

1 «Em toda a índia ha muitos templos 
alevantados a todos os idolos como já dis- 
semos, someute ao Brahema não ha vm só: 
sendo ao que elles atribuem o gouerno da 
terra, e isto he por que lhe tem elles vsur- 
pado o seu lugar e honra, porque dizem 
que descendem delle«. — Diogo do Couto, 
Déc. V, VI, 4. 

2 O Padre Fernão de Queiroz distingue 
Bruma e Brama, mas sem clara idea da 
diferença : «Quanto mais, que nas Pura- 
nas, mais lhe chamão Bruma., que Brama, 
e assim falão os Bramenes mais apurados; 
e se quer que seja o mesmo Bramadeu, 
tudo reduz a principies alheos de toda a 
uerdade», — Conquista de Ccylão, p. 131. 



ao estudo e ao ensino». — Lopes Mendes, 
A índia Poriugueza, ii, p. 36. 

190(). — «Et c'est une preuve terrible 
que d'entrevoir, même de bièn loin et de 
bien ba.s, Brahm I'absolu qui reside au 
fond de Tabíme obscur; le dieu sans rap- 
port concevable avec I'univers manifeste*, 
Brahm, resscntiellement ineffable, Celui 
qui est au dolíi de toute pensée, dont rien 
ue peut étre dit, et qui ne s'expresse que 
par le silence». — Pierre Loti, L'Inde, 
p. 456. 

BRAHAMANAS (sAnsc. hrUhmana) 
s. m. pi. S?to rituais védicos, verda- 
deiras enciclopédias religiosas e os 
primeiros espécimes de prosa da fa- 
mília indo-europeia. Tiram o seu 
nome de hrahman, «palavra sagra- 
da», na sua acepção primitiva, e tem 
por objectivo ensinar a aplicação das 
fórmulas védicas, mantras, às ceri- 
mónias do sacrifício. Cada um dos 
quatro Vedas tem um ou mais Brá- 
hmanas. 

1883. — «... e a litteratura critica 
d'estes Vedas (os Bráhmanas, as Upa- 
nixadas, os /iS'ú<í-as)».— Vasconcelos Abreu, 
Chrestomathia, p. 200. 

BRÂHMANE, brácmane ou brágmane 
(ant.), brâmane ou brâmene (mais 
usado), brâmíne, brame, m. e f. (tam- 
bém brâmana ou brâmina). Individuo 
da casta sacerdotal hindu ; sacerdote 
brahmfinico. Nesta última acepção 
usa-so comumente em Goa a palavra 
boto. Do sânsc. brãhniana. O c e g 
de brácmane e brágmane são em sub- 
stituição do h de bráhmane. Os auto- 
res gregos e latinos escrevem o vo- 
cábulo com eh ou c. Os franceses 
chamam hracmanes aos brâmanes 
antigos, mencionados pelos autores 
clássicos, e brames aos modernos. 

O Padre Fernáo de QueiroE faz 
análoga distinção : «Tanto que dis- 
tinguir Brâmanes de Bragmânes, eui- 
tará todas estas confusões, e enten- 
derá, que Majestanes [Megásthenes], 
Estrabo, e S. Jerónimo, falão de 
Bragmânes, e não de Brâmanes, e 
que Damião de Gois se equiuocou 
por mal informado». Conquista de 
Ceylâo, p.l34. 

Raros eram os reis da índia per- 
tencentes à casta dos brâmanes ; 
^as quasi todos os soberanos oB 



liHAUXfA 



1 IT) 



BRAIIMA 



titih.w.. 



1"" 



i iM 1 1 v':^ 



ii.>tro8. V. castas, boto c guru. 

1338. — «V'i a mulker de hum cafre dos 

I *' ' "T'Ta e niontada, a m 

a, e OS cafres. in<l 
-ps, ♦• tr< r ' • 
ates, «I'l^ 

.- — Ik'U lJal..>... , ...v".o. ... 



,(►0 — „n T?..; fiin .1,1 




"Uteres, e ! 
por dez ' 
Ui umanes». I 
- A .1 < ai.ral, cap. 13. 

1 3ramlnes i.'io como 

• nr r. I, > hoDiens 

ri i nil cargo I 

dar csniolasa. — 
p. Wl. I 

''■■•'< 1 daalem, , 

. ! ;. . - r> : j.or mos- I 

tr:4 ilf ÍIX rei c .layumius; e cles eram j 
bramenas» — AUaro Vaz, in Cartas de 
A. de Albiujuerque. ni, p. 264. 

I.T<'6 — *Ort brahmanea s5o couio 

' . vida e por sua santidade 

mulher del rei, e por isso 

nuo seu sobrinho mais 

■saber o filho ser de rei 

. ijtunrnaiit;" — lu fíol. H. G. L., XTII, 

p 'AiWt. 

''"' - "E me mandava mnitas vezes 

- meos bramenes e uujiin, no 

,. ...juo». — Carla d'» rei de Cochim, 

in < artoM de A. de Albuquerque, iv, 

p -U 

l.il". — «Aípiv ha outra ley cie Gentios, 
I ;"iii Bramenes, inif i'litrc (des 



'<: bramint) iii<>r li-uu ustM 
/■i «ora hun coco e arros C 
li— íloresl», — (JhroHÍca de Itisnnga, 
106. 

•Sempn* n inil 

tbramenes, — 

1' id I. '•:;;**). p. t.í*. 

- «Os Gancarfã po<ler2n dar chãoH 



í«;in»r. :iii laragmune !■ 
ivio, e ao [torttuo. »• :»<( r. 
ai de D. Juio III, in Art-m'", >, 




dores de sua gentilidade». — Lei de D. Se- 
bajitiSo, iu Archivo, v, p. 38i>. 

l.")63. — «A j)ortH <-staua hum seo brâ- 
mane, que são como geos clérigos». — 
Ga.-ipar ('nrr.iii. T.imla», i, p. 88. 

látiíj os quaes os Brâma- 

nes -à' > por {çera(;ão, t- delles 

itadá de main nobreu, e ou- 
-». — Damião de Gói.s, Chro- 
uku .ie. li. Manuel, i, cap. 42. 

1572 : 

• RritM«a#i inin os sens religiosos 
Nome nntigo, o de granfle preminencia: 
Observam os preceitos tio fumosos 
Dhum que primeiro pos nome á ciência». 
Camdes, Lutiadat, vu, 10. 

1577 — «... iuda que antre Gentios ha 
Bragmanes, que he sua gente uubre, e 
uutra." maneiras de Religioso» a que se tem 
respeito conio nós temos aos nossos Pa- 
dres». — Primor t Honra, fl. 8. 

IGOÍí. — "Em todas as terras da índia 
habitam muitas castas e nações de gen- 
tios; entre os quaes os brâmanes sto 
mais honradog. e nvllior ír«>i)te. jtorfpie s5o 
como sa»' . dedicados ao 

serviç/> (I loâo de Sousa, 

Ethiopia ijritur'K, n, j). m^). 

• Sabida a sua tenção pelo bramane- 
mor do pagode, que reside n'elle como 
bispo entre os gentios. . .». — Id., p. 309. 

1612. — "A segunda casta he dos Brag- 
manes, ainda que elles querem preceder 
aos f.'.fi,... ..,*[ pelo' sacerdócio, comopel- 
laá 1 re o que antre elles ha tan- 

tas (,.. ., que antre os nossos doutores, 

.sobre (jual precede se as armas, se as le- 
tras. . . E porque tem feito crer aos sim- 
ples, que (pie(n adora a vm Bagmane, 
o faz ao Brahemó, lhes vierão a ter ta- 
manha veneração, como ao mesmo idoloo. 

— Diogo fio Couto, D«^c. V, VI, 4. 

«Os Brâmanes de Goa tomarão à sua 
conta fazei '•rii liinna i^iiti'. que foi limadas 
mais ferir -• di-llas tomou 

o nome, < Bramana». 

— M, VII, ii, 1 

• . . . acompanhado de seus Regedores, 
Caimae». e /'anu arii, e apar delli 
os Bragmanes, que ^lin ott im 

i-u. — y./, D.C. VII, X, t» 

■Os Brâmanes i«ão uma raça 

H mai.> i ' ' da e 

i.i de toilii > de 

Ilirí t* iiin.t iii.»i> iiiii;ii>9]i 

■. anciã <la .sua lei-. — 1'yrard 



it;i7 



• ntra em casa 
^ Sacerdotes». 



riti. II. p p 

l.'.'T 



Ú*)é' 



J55y 



ÍV 



I Bragmanr; 

Bramcnos >3" tmns .1.., ..-t. > . n 



a brâmanes, prega- j de Çrylão. p 



II "i nnci-rJo ot 

to- 

. to- 

i ex- 

itru 



imAiwiA 



146 



BRAHMA 



1695. — «Nuo matar vaca, he de cinco 
preceitos que tem, o terceiro, sendo o pri- 
meiro e segundo não matar Ôracmane 
(são 08 seus padres) nem mulher". — Cos- 
me da Guarda, Vida de Seragi/y j). 104. 

1697. — «Os Brâmanes sam os mais 
nobres de todos, e tem por officio, segundo 
a disposição das suas leys antigas, dar, e 
pedir esmola, aprender, e ensinar a ley, 
fazer o sacrifício, o assistir a elle, e em 
huma palavra, vem a ser como os Levitas 
entre as Tribus de Israel». — P. Francisco 
de Sousa, Oriente Conquistado, I, i, 1. 

1699. — "Somente se haviao recebido 
quatro molheres Bramenas para Con- 
versas, que lie a casta mais nobre, que ha 
entre os naturaes da índia». — Fr, Agos- 
tinho de Santa Maria, Historia, p. 225. 

1721. — «Estimauão aos Bracmanes 
pela Casta mais nobre, e pelos homens 
mais letrados, que ha, nem pôde hauer no 
mundo, e que só elles podem ensinar a ley, 
e o caminho do Ceo, e da salvação». — Fer- 
não de Brito, Hist, do Ven. João de Brito, 
p. 30. 

1746. — «Concede a conservação de seus 
pagodes, bottos, bragmanes, e seus ri- 
tos e costumes». — Apud Júlio Biker, Col- 
lecção de Tratados, vi, p. 267. 

1750. — «Falleceu Xáu Rajá o anno pas- 
sado ; Nana que, pelo seu poder, podia su- 
bir ao throno, oppunha-se a isto ser da 
Casta Bragmane, que, segundo o seu 
rito, o exclue desta alta prerogativa». — 
Jbid., p. 307. 

1843. — "Os bracmanes, ou bra- 
mas, reconhecem um Deus Supremo, e 
adoram muitos deuses da segunda ordem». 
— José Inácio de Andrade, Cartas, i, p. 31. 

1866. — «Os brahamanes são uma 
dynastia e uma casta. Brahma é o sol, e os 
brahamanes os seus raios. Os braha- 
manes sahirão da bocca de Deus, como 
o mais puro dos seus verbos, e os sudras 
nasceram dos seus pés, como o mais vil 
pó». — Francisco L. Gomes, Os Brahama- 
nes, p. 23. 

1883. — "O Samorim revogara a sen- 
tença a rogos do seu bramane-mór e 
do seu vedor da Fazenda». — Bulhão Pato, 
Portvguezes na índia, p. 21. 

1878. — «O Yajiirveda (Taittiriya-sãohitá) 
diz positivamente que os brahmanes 
são os deuses visiveis na terra. E o Chata- 
patha-Bráhmana diz que ha duas espécies 
de deuses, os deuses e os brahmanes. 
Mais tarde o brahmane é dotado do po- 
der de fazer cair do alto sólio aos deuses, 
mesmo ao maior dos deuses, Indra'). — 
Vasconcellos Abreu, Investigações, p. 37. 

181Õ. — «Desiguam-se com relação a 
castas, em brâmanes (chamando-se a 
mulher em português, brâmina)». — He- 
raldo, de 14 de Novembro. 

1916. — «O culto védico é naturalista e 
paLfiarcal ; mais tarde as familias onde 
WBie completo se mantinha o conhecimento 



das fornias rituaes, vem a dar origem á 
casta sacerdotal, — os brahmanes». — 
A Ordem, de 14 de Março. 

A. C. 335. — «Nearco fala assim dos so- 
fistas: os Brachmanes vivem nas ci- 
dades, e acompanham o.s reis e são seus 
conselheiros •, outros porém contemplam o 
que pertence à natureza» . — Estrabão, xv. 

A. C. 330. — «Aristóbulo diz que viu em 
Táxila dois sofistas, ambos Brachma- 
nes, o mais velho rapado, o mais novo 
com cabeleira». — Id. 

A. C. 300. — «Faz [Megástenes] tam- 
bém outra divisão dos filósofos, distinguin- 
do-os em dois géneros, um dos quais se 
chama Brachmanes e o outro Garmanes 
[Sarmanes], sendo superiores os Brach- 
manes aos outros, por serem as suas or- 
denações mais,consentílneas». — Id. 

c. 200. — «E verdade que os Brach- 
manes não comem nenhum animal, nem 
bebem vinho. . . Desprezam a morte, e não 
apreciam a vida; crêem porém que há re- 
generação» (transmigração). — Clemente 
Alexandrino, StrZmatun, lib. 3. 

IV. — <'Brachmani a nonnullis G^^- 
nosophistae, a quibusdam Philosophi, seu 
Sapientes Indorum appellantnr. Habitant 
juxta Gangem, fluvium totius Indiae maxi- 
mum». — Santo Ambrósio, Tractatus Brach- 
manorum. 

IV. — «Com quanto a nação doa índios 
esteja dividida em muitas partes, há entre 
eles uma espécie de sábios, que os gregos 
costumam nomear gymnosofistas. Ha duas 
classes deles: uma dos Brachmanes e 
outra dos Samaneus. Os Brachmanes 
admitem tal sabedoria divina por sucessão 
da linha, do mesmo modo que o sacerdó- 
cio». — Porfírio, De Abstinentia, lib. 4. 

545. — «Les Philosophes Indiens qu'on 
appelle Brachmanes, dizent que si Ton 
tiroit un cordeau depuis Tsin iusques en 
Grece, il passeroit iustement par le mi- 
lieu du monde». — Cosmas Indicopleustes, 
Belations, t, p. 22. 

1298. — «Et essendovi in questo coifo 
pesei grandi chVccideriano i piscatori [de 
pérolas I, però i mercanti conducon' alcuni 
Incantatori d'vna sorte di Bramini, quali 
per arte diabólica sanno constringere, et 
stupefare i pesei». — Marco Polo, apud 
Ramúsio, ii, fl. 53. 

1444. — «In questa isola [Ceilão] è vn 
lago, in mezzo del quale è posta vna città 
regale, che circonda tre miglia, che non 
se governa da altri, se non da certe genti, 
che discendono dalla stirpe di Bramani, 
i quali sono reputati per i piu sauij che 
altre persoue, percio che non attendono ad 
altro tutto il tempo delia lor vita che agli 
studij delia philosophia, et son molto de- 
diti air astrologia, et alia vita civile». — 
Nicolo di Conti, ihid., i, íl. 339. 

1544.* — oGens est in his locis ex nu- 
mero Ethnicorum, quam illi Brachma- 
nes vocant. Hi Deoram cultum ac super- 



BHAHMA 



BRAHMA 



di Graci.i li Brahmani di>ir Indie, si 
III»; iH'l Mondo, cbe 
iiti li |)iu dotti, e 
iii'>r:iii di'ii iMii'iiir j )i ({ticHti lu; parla 
Kiisebio, Santo Agostinlio, I'linio, Stra- 
iMino. niolti altri Scritori sacri, e profani, 
ci-ltibrando con particolarc stinia Ic niolte 
(>s8)<.rtiaMZo morali, nolle quali, guidati da 
8ol ]inn(i natiiralc si esercitarono.— Fr. Vin- 
cenzo Maria, Vlnijgin, p. 2G8. 

1G73. — «At the Head were tlie Brach- 
mines, tlie ancient GymnosophÍ8t« ; out 
of whom branched their Priests, Physi- 
cians, and their learned Men». — Fryer, 
Kast India, i, p. 82. 

1676. — «La premiere Caste est celle 
des Bramins, qui .>;ont lea successeur» 
des anriiMLs Brachmanes, ou Philoso- 
phes dos Indcs, qui s'etudioient particu- 
lièrement íi TAstrologie-. — Tavernier, 
Vo}/n<fe8, IV, p. U)t>. 

1G85. oBrachiTianae. Xon Philo- 
sophorum rnodo generis, ot sectae nomen 
id fuit, sed et goutis ditt'nsi.ssimae». — 
Joannes Harduinus, em Plínio, vi, 21. 

lOyõ. — aliarahemah: les Brachma- 
nes, premiere Tribu des ludiens, de la- 
qiielle sont tons les gens qui se mêlentde 
la Philosophie et de la Keligion... Les 
Mahometans mottent le.s Brachmanes 
dans le 3.» étage de I'Enfer». — Herbelot, 
Bibliothlqtic Orientate. 

169ÍÍ. — «I'S jOs misãionários do Madure] 
se qiialifieut Brames, c'est-á-dire, Doc- 
teurs vonus du Nord pour^enseiguer la Loi 
du vrai Dieuu. — Lettres Edifiante$, i, p. 17. 

1770. — «Le souverain (de Calecut] qui 
lut doune aujourd'hui les lois est Brame. 
Cost presquo le soul trone de I'lnde occupé 
par cette prouiioro do Castes . . Presque 
partout les Brames d.'i.()Mt:uro.'4 de la 
litti'raturo ainsi que d' i du pays 

sont employes par les 1\' , mio minis* 

trcs ou comme sécretairesv. — Rayoal, 
Uiatoire, i, p. 303. 

1776. — «Ce peuple fortune, dit la rela- 
tion, a conserve la beaut»^ du corps si van- 
tee dans le.s anciens Bracmanes, et 
toute la bonté de Tamo, purrto, pieté, 
équit'', rógidaritt^ amour de tous les d«- 
voir'<» — f.fftres Chinoieegf p. 55. 

1 ~^: Ton en croit les ii 

et 1- us. rindo fitt If» b' 

toiitia le» rrligiuns, et I' Brach- 

manes on fiiront b-s li '. — Sou- 

ncrat, Vnyayes, i, p. 192. 

17KÍÍ — .. II iiio/zo millioDc che non mau- 
: ' Malal»ar]. sono i Brah* 
'ti cd i altri (if\<>ti. aKHoluti 
"'I' : I'll a;^ rn I, flio vivono «li )• 
' **•• d'erbaggi». — Kra Paolino, i 
bum (iji. -,,... — i/r i»«^»rn.. wiyf.i MiHfo- «Brahmans. Mombr»' •)<■ \ 

li$, y. 118. . I Cerdotab' «lu/ lo» Hindu» A 
l»;.'>ô. «Muricron ncrufl -'-»,» ..i: i ... i f^^-i :.. 

lissimas Brámanas, y 

Faria y 8ousã, ..-(«la /'(»r<»/yi<. ........ j. .•. ».,.i. .,.-...... ,....■., .-.,. ... 

16&b.— «k^ino da primi «ecoli dclla legge ; ei's hymDCS ; toutcfois I'omplol de la formar 



-titionem tttentnr, templa eorum colunt, 
■" lit. Nihil illis perver- 
-». — S. Francisco Xa- 
I, 14. 

these is ther a peo- 

.1 manes, whicho (as 

>• wrote unt'i .\loxan- 

, .... .. , ..<• and .<«implc lifo, led 

Mitli no likerous Iu.-<tos of other mounos 
vanities». — \V. Wakoman, in Glns»ary. 

157h — «Kl qual bano os de procepto a 

!■- Braqmanes, y Baneanes, y a todo 

in dia comcn sin lauar 

rpo primoro». — Cris- 

da < osta, Jraclado, p. 206. 

'•2. — «In quosta citta jC<>cliimj sono 

aKiiiii BraminI, i quali sono à modo 

n -tri i br" ^aoordoti, o hanno autorità dí 

:ite tutte Ic doune». — G. 

rt 137. 

1j>.ò. — u Ira tutti i piú vaglti sono una 

razza ohe doniandano Brameni, de' 

/.iouo Plinio, cho, trattando 

: oricntali. dice: amito ami- 

Bracmanes: i (piali 

r.'putati i i>iu nobili e 

.lori •■ 1 piii inlelligonti di tutti gli 

. — F. Sassetti, apud Gubernatis, 

>í"f ia, p. 189. 

J585. — «Estaen el [pagodej vn sacer- 

! * do los Ídolos a quien Uanian en su 

ia Brama, que es como vn summo 

' !la tierra». — Fr. Joan 

'. de la China, p. 370 

. , ti, i curatori delle cose 

:i> r. !■ t ,-uiio Brachmani danti- 

1I1.-MU1.Í urigiuL-, c uome». P. Maffei, Le 

liti rie, p. 48. 

l.'>89 — «Entru les Indiens Payens les 
Bramenes sout estimes los plus honno- 
i;tl)lo8 df Ti.:i« et i] n"y a qu'eui à quilos 
\{><\:s d" 'Uts et offices». — Lin- 

scliot.ii, /. . ,•. 73. 

1610. «La otra casta lianuin. Aquien 
1.,- r..rtii _'iiv>.-s !• anii.i ilfzliiio-. Brama- 



tniejantesu. — Pe- 
1 . p. 97 

l«)J.i. — "l jmi >tiiii.iti, ' !imi 

frà i Brahmani, ' p' r r. - 94)- 

, e 

lan- 

liiautano 

/i, III, 61. 

Itj.il /, . ijll":: 1,11-lUUll et UOB- 

tri viilu'" \<H .iiit Brâmanes, in tomplis 



BRAHMA 



148 



BRAHMA 



tiou patronymique brâhmanaa traliit revo- 
lution qui s'accomplit. Lc fanieux hymne 
du Poui'oucha-sukta (Rig-Veaa, z, UO», un 
des plus rnodernes de la collectiou, expri- 
me dt\ià I'orgneil de la nouvelle caste». — 
Sylvaiu Levy, La Grande E/icycloj)édíe.- 

1823. - «The Brahmin anuounced 
himself to us as the Padre of the village, 
a name which they have originally learnt 
from the Portuguese, but which is now 
applied to religious persous of all des- 
criptions, all over India, even in the most 
remote situations, and where no European 
penetrates once in a century». — Heber, 
Narrative, i, p. 48. 

1825. — «Dans les langues savantes, on 
les nomme hrahmanahas et hrahmalias, d'ou 
est venu sans doute le nom de bracma- 
nes qui leur est donné dans les auteurs 
latins». — P. Dubois, Mceurs, i, p. 124. 

BRAHMÂNICO. Relativo aos bráli- 
manes ou ao l)ra]imanismo. Religião 
brahmânica, sistemas hrahmunicos, 
civilização brahmânica. 

1883. — «Diplomacia brahmânica». — 
Vasconcelos Abreu, Chrestomathia, p. 66. 

BRAHMANISMO. Define-se diversa- 
mente o termo ; diz-se comummente 
que é «a religião de Brama ou dos 
bráhmanes». Os bráhmaues tiveram 
várias religiões sucessivas, e Brahma 
ó termo ambíguo. Brahmá, como 
deus pessoal, nunca teve extenso 
culto nem grande mitologia. Brahma, 
como alma universal e ser absoluto, 
não foi objecto de culto, mas sim do 
teosoíismo dos sábios hindus (que 
não eram exclusivamente bráhma- 
nes) do período que medeia entre o 
vedismo e o hinduísmo actual, isto é, 
o período da literatura denominada 
dos Brãhmanas. E é neste sentido 
estrito que na história das religiões 
da índia se entende o brahmanismo 
— religião de Brahman, fundada nos 
Brãhmanas, q. v. Tarabôm se podia 
chamar brahmismo tal religião, e 
brahmistas os seus sectários, que 
ainda hoje não faltam nas classes 
ilustradas e ortodoxas da índia. Te- 
mos até uma associação denominada 
Brahma-samaj . 

Brahmanismo é, como bem diz 
Sylvain Levi, «sobretudo um tipo 
social, uma constituição caracteri- 
zada pela supremacia da classe sa- 
cerdotal dos bráhmanes, e por uma 



regulamentação minuciosa da vida 
social, confundida era todos os seus 
actos com os deveres religiosos». 
La Grande Encyclopédie. V. hiíi- 
duismo. 

1687. — «O Bramanismo com os An- 
tropomorfitas, nunca chegou a conhecer 
ente espiritual, nem passou do conheci- 
mento do corporeo). — P. í"eruão de Quei- 
roz, Conquisffi de Ceylao, p. 127. 

1837. — «E o priíicipal dogma do brah- 
manismo a perpetua transmigração das 
almas d'uns para outros corpos». — O Pa- 
norama, de 14 de Outubro. 

1886. — «A religião dos primitivos ha- 
bitantes de Goa... era o brahmanismo 
pui o, que, com o dominio musuhiiano, per- 
deu a sua inicial pureza». — Lopes Alen- 
des, A índia Portvgveza, ii, p. 93. 

1878. — «As missões religiosas na índia 
são, porém, úteis, quando o espirito que ahi 
as leve tiver por nm, não impor uma reli- 
gião, mas extirpar todos os absurdos que 
o brahmanismo ali tem arraigado». — 
Vasconcellos Abreu, Investigações, p. 12. 

1906. — «O brahmanismo é muito 
subtil ipara ser atacado de frente, com o 
brahmane não se discute, porque elle 
aceita todos os factos e todas as razões, 
absorvendo tudo nos abismos da sua cren- 
ça, de onde é impossível affastal-o». — Hi- 
pácio de Brion, Duas mil léguas, p. 124. 

1907. — «O neo-brahmanismo fen- 
deu e alteou um pouco d'uma das cellas de 
Arvalem, primeira da direita, para repre- 
sentar o Yôni, e ergueu um lingam de pe- 
dra em uma das outras cellas». — O Oriente 
Portvguez, iv, p. 23. 

19Í5. — «O brahmanismo de M.inu 
é um credo religioso avariado pelos sacer- 
dotes da época postvedica». — Benedito 
Gomes, Afonso d'Albuquerque, p. 56. 

1916. — «A India. . . também teve igual 
imposto, de cujo produto o bramanis- 
mo, com as suas castas sacerdotais, as 
suas apsarás, o cortejo luzido de toda a 
plêiade dos que intervinham nos seus com» 
plicados ritos, se alimentava exclusiva- 
mente». — Heraldo, de 14 de Abril. 

1900. — «Sur leurs modestes tables, sent 
ouverts des livres sauscrits renfermant lea 
arcanes de ce brahmanisme, qui ade- 
vancé de plusieurs millénaires notre phi- 
losophic et nos religious. Dans ces livres 
insondables, les penseurs de vieux ages 
qui voyaient infiniment plus loin que les 
hommes de nos races et de nos tenips, ont 
déposé le summum de la Connaissance». — 
Pierre Loti, L'Inde, p. 409. 

BRAHMANIZAR. Sujeitar à civiliza- 
ção brahmânica, reduzir à influência 
dos bráhmanes. 

1883. — «Os uaturaes do paiz tinham 
sido já mais ou menos brahmaniza- 



MA 



ii.t 



BRASir. 



dos». — Vaaconcelos Abreu, Chrestoma- 
thia, p. 25K 

BRA LA. É o mesmo que varela (q. 
V.) ou papoílo búdico. O termo (> 
usado i)or Fe nulo Mendes com refe- 
rência a re^u e concorda melhor 
com o étimo, mal. harhala, jav. hra- 
ha la. 

1545. — «Dos pãfs de prata que tam- 
bém vira 11.1 hralla de Quiay Adocaa 
Deos doá tr ^abia a quantidade 

ct-rtau. — i*f , . ', cap. 14S. 

'.('ill todas as varellas, pagodes, e 
brallas de toda a cidade». — It>id., 

ca;. l.M. 

! ! ■ — «Mandou fazer por todo o povo 
nu. s festas, c nas brallas de 

sui is seitas sacrifícios d»' fumos 

che^ Tm*' to - . — 76 líi. , cap. 1 ti T 

BRAMA. É tambOm o iionie que os 
iu»v-'<>- escritores antigos dao ao país 
que aííora nomeamos Birmânia, e os 
ingloses conhecem por Burma e os 
franceses por Darmanie ou Birma- 
nie. Abrange sob a denominação, 
como em casos análogos, o povo e o 
seu soberano. O vocál)ulo provôm do 
nome vernáculo da naçilo, maran-mã, 
que vulgarmente se pronuncia bam- 
-mã. A forma correcta seria, por- 
tanto, Bamá ou Barmá; mas os 
Portugueses jA conheciam antes a 
palavra hrnmenei* e. ])rnv .'iv^'lriuMitH, 
Brama. 

15Hi. — «Passando o regno de Bengala, 
li:i ho longo da «-.-fi .iii.tra ho sul, estaa 
outro regno de (i u! ehaniaom de 

Berma, e lio K uiohohe... No 

{irM|iii.. certam dc.^te regno de Berma 
. ' i ifro ri LM Hl também de Gentios». — 
Livro, p. 364. 
Ill vida nos perderianios, 
e sfiiam s ' . Amiada, que o Iley 

do Brama • K continuey com 

1 i cerco por esjiaço de 

(|i iuc foi o tempo que 

I -r ,. \ Brama .^jul iiirii.s se deteve». — 
111,,... 1'iiif'., /'■)'./>•/ /(<i/>7<(, cap. 148. 

ttE ' Brames liaiiuar- 

da a I»' coiitru ii.>.^. iiicyo.s 

an '.' dalli fora com 

a^ io nosso». — Id., 



• <>4 Lho*, «m t«rra « nnm«ro potente*, 
Ara*, flr»Mát, poi* «erran tAo oompnd»t«. 
C»inAe«, LiuiatloM,. x, 19^. 

1614 — «Andava naquelle tempo o 
Brame Key de Pogú «juntando ham 



muyto grosso exercito para ir contra o Rov 
de Arracilow. — Diogo do Couto, Déc. I V, 
1,3. 

1617. — «Era. . este tyranno Brama 
de naçílo, e cuydando que os Pegiis com 
ódio que lhe tinhSo, e por escusarem o 
próprio perigo, consentirão na morte de 
seu amado filho, ajuntou dos seus Bra- 
mas hum exercit /'...,..• í- .1. /', .. 
cap. 11. 

* BRANDE /ingl. hrnndy). É usado 
o termo na índia Portuguesa como 
sinónimo de conJiaqite. 

1905. — «Raramente conhecia antes do 
tratado de 26 de dezembro de 1878 os 
brandes e wiskys ou os vinhos espumo- 
sos e licorosos». — F. X. Fernandes, Índia 
Portugiieza, p. 18. 

1ÍH>8. — «To a small e-xtent wines and 
brandy are reproduced in Kashmir, but 
the bulk of the vintage beverages are im- 
ported». — Watt, Tht Commercial Productt, 
p. 14.3. 

BRASIL, pau brasil. Madeira de 
Caesalpinia- sappan, Linn., e outras 
espécies de Caesalpinia. Vê-se dos 
nossos escritores que o nome brasil 
era conliecido em Portugal antes do 
descobrimento dh índia e do Brasil, 
onde sui)lantou o nome de «Santa 
Cruz». Prosume-se que deriva de 
brasa, com reforCncia h sua côr. O 
italiano tem verzino. V. sapão, Ja- 
pão*. 

1498. — «Nesta terra ha muito brasyll, 
o quall faz muyto fino vermelho tanto co- 
mo grãa«. — Hoteiro de Vasco da Gama, 
p. 110, 

1500. — «... cravo da índia, canella, 
páo brazil, sândalo, laca». — N(y;egação 
de r. A. Cabral, caj). 15. 

1.')0l'. — «I*or hum pezo de pedra hume 
refinado, lhe dariãodous de páo Brazil». 
— 'l'nm<'' I..opes. Naveynrài', cap. -O 

\í){\S. — «Nos achamos muiUi engolfados 
na altura da terra de Vera Cruz ou Ura- 
zil. . . da qual se tir.i ^'ramie quantidade 
de canafistula, e de páo Brazil». — Joilo 
Em]H>li, Viagem, cap. 1. 

1516. — «■ . aguiia, sândalo, brazyl, 
miramuhiiios» — Duarte Barbosa, Livro, 
p. 261 

1545. — "Ha muytas minas de prata, 
pérolas, âmbar, incen.so, e s«'da, pao pr«>to, 



« «r o 

seu II '• 

(]■ uiiilaya de ..>(i/-/.'u;í, que hoje 

ti, .;ii»ercio». ^ (^>ndc de Ficalho, 

Flora Uvt Lwiada$, p. \i'2. 



BRASIL 



150 



BRINCO 



brasil, aguila brava, e niiiyto breu». — 
Fcrnào Piuto, Peregrinação, cap. 143. 

15G3. — «O mantimento cia terra [Bra- 
sil] era milbo, e o nauio carregado d' s 
paus vermelhos aparados, que erão muy 
pezados, a que chanião brasil por sua 
vermelhidão ser lina como brasa». — Gas- 
par Correia, Lendas, i, p. 152. 

15(53. — «O brasíi he mais doce, e mais 
tinge, e o sândalo nem lie doce, nem tinge». 

— Garcia da Orta, Coll. xi.ix. — «Madeira 
empregada na tinturaria, e conhecida no 
commercio europeu, desde os antigos tem- 
pos da idade media, pelos nomes de bra- 
zil, bre.sil, cm italiano verzino, os quaes se 
julgam derivados de brasa ou braise, pela 
cor vermelha da madeira». — Conde de 
Ficalho. 

1572: 

«Mns ca, onde mais se alarga, ali tereis 
F'arte também ko jmo vermelho nota; 
De Sancta Cruz o nome lhe poreis». 

Camões, Lusíadas, x, 140. 

1610. — «E se podem alli também ajun- 
tar roupas finas de Bengala, benjoim, al- 
míscar, pedraria, lacre, pau do Brazil». 

— Carta Héyia, iu Documentos da Índia, i, 
p. 352. 

1613. — «Estaua húa grossa taboa de 
madeira vermelha como brasil ou sândalo 
vermelho». — Francisco de Andrade, Chro- 
nica de D. João III, i, fl. 32. 

1650. — "Ha na ilha [de HainãoJ pau 
preto, Japão, que é o brazil». — António 
F. Cardim, Batalhas, p. 228. 

1685. — «Também em toda a Ilha [de 
Ceilão] ha muita copia de páo brazil, 
que na índia chamão Sapão aonde tem 
grande valor». — João Ribeiro, Fatalidade 
Histórica, p. 6. 

1510. — «Molto sândalo, assai verzino, 
bombagio». — Barthema, apud Ramúsio, i, 
fl. 166. 

1520. — «Questa terra dei Verzino [Bra- 
sil] è graudissima. . . et c abboudantissima 
di ogni cosa». — Pigafetta, ibid., i, fl. 353. 

c. 1620. — «... beaucoup d'acier, et 
d'vn bois qui sert pour teindrc en rouge, 
qu'ils nomment dans le Pays Sapan, et qui 
est le mesme que nostre bois de Bre- 
sil». — Methold, in Belatioiis, i, p. 12. 

1588. — «Ma poi dal Brasile, che è 
legno rosso che se porta quindi per tingere 
i panni, gli fu posto sopra nome di Brasi- 
lia». — P. Maft'ei, Le htorie. p. 59. 

1644. — «V'e anche il legno brasile 
il meglio di tutta la India». — P. Cardim, 
Relatione delta Prov del Giappone, p. 143. 

1747. — «... avec le bois de Sapan qui 
est.absolument le même que ce que nous 
appellons en France bois de Bresii». 
— Ijcttres Edifiantes, xxviir, p. 423. 

1908. — «The Sappan- or Bakam-wood 
or Sampfeu-wood, sometimes also called 
Brazilian-wood of the word Brazilian 
being derived fron braise (red coals) and 
this originally unconnected with tlie coun- 



try of that iiaiiuf. — Watt, The Commer- 
cial Products, p. 194. 

*BREDO MAMA. Caparidea Cleone 
viscosa, }j\nn. «0 succo da planta 
misturado com o óleo de coco usa-se 
contra a otorrhaea. A planta cozida 
perde a sua acidez o come-se como 
hortaliça». D. G. Dajgado, Flora. 

1695. — «Malaiense et Javanicum La- 
gansa et Colagansa, vulgo Sajor Mamma, 
Portugallece Bredo Mamma, quod de- 
notat hcrbam lactariam». — líumphius, 
Herbarium Amboinense, viii, cap. 66. 

BRICHE. V. barchím. 

# BRIGALIM (ant.). E o mesmo que 
dotim ou pudvêm (pano em que se 
envolvem os hindus da cintura para 
baixo), com a extremidade externa 
de tecido superior. Do mar. varghaclt, 
«dobra superior de pano». 

1511. — «Mando que deis a benogi ir- 
mão de nangi e a demogi seu filho lui bri- 
gai im a cada hu fino de preço cruzado e 
hua tafecira de algodão a hú seu criado». 
— In Cartas de Af'^nso de Albuquerque, 
VI, p. 438. 

* BRINCO. Emprega-se o termo em 
Goa na acepção peculiar de «cegada 
ou grupo de palhaços, que cantam, 
tocam, bailam e esgrimem por oca- 
sião do carnaval ou no cortejo civico 
de grande regosijo». Também se diz, 
para melhor caracterização, brinco 
popular. E mera tradução do vocá- 
bulo cone. khêl. Gonçalves Viana, 
todavia, julga que brinco, nesta acep- 
ção, conserva o significado de verbo 
brincar, que «entre o povo no con- 
tinente, era usado no sentido de 
«bailar». 

1874.— «Em Raia encontrámos os brin- 
cos, danças do paiz, em que o caprichoso 
e pittoresco dos trajos e a arrogância fe- 
bril dos meneios parecia accender-se e to- 
mar formas phautasticas quando o som dos 
chingas (vid. xinga] levantava e prolon- 
gava ou trinava os gritos selvagens da sua 
melodia apocripha, ou, quando menos, ana- 
chrouica». — Tomás Ribeiro, Jornadas, ii, 
p. 37. 

1896. — «Preparação já elle tinha feito 
ás 4 da tarde ao som do batuque e tambo- 
res dos brincos». — Gip, Jacob e Dulce, 
p. 87. * 

1912. — «Com grande algazarra feita 
pelo brinco de curumbins que os cer- 
cava». — O Ultramar, de 28 de Julho. 



lUíTVDAn 



i:»i 



TiRINHK 



I'.'l.). — «(• gnij!u, a <[nr ae rofcn» o via- 
j.iiit'-. t"'>i, Bi-ni íiiivi(i:i, um brlnco /"7'«- 
-:o vêm em préstitos 
;>»". — Ismael («ra- 



hr. 
iini 
cias, -1 iii'i 



V 



1580. — ..li y a .•uc-nr 
c-omrne Brindoins, Piui 
Maii^ii»taii8 et autre»». — Liii.-sciiunii, jua- 
toirt, p. 98. 

lGo8. — «11 Brindone di Goa è frutto 
neir apparenza diuerso dal Carcapuli. . . 
per esserc tutto sferico, piii pieciolo, di 
colore quasi azzurro, misturato oii rosso, 
poço però sii diflerentia nelle (jualità, & al- 
tre couditioni, seruendo perTiattesse ope- 
rationi; solo pare, che sij piíi gradito, per 
secundavam a ovação com todo o : essere piú temperato dal dolce, oude è t«- 
«. — O Ultramar, de 24 de Ja- nuto per pià salutifero, rinfrescativo, e che 

I risueglia piú soauemeute I'appetito». — 
Fr. Vincenzo Maria, Viaggin, p. 377. 



lí)l<>. — "ruía v«z ua capital, o ar. Ro- 
1^,,,, 1. '• . , quç ja ,1p automóvel foi, A 
]M lara Municipal, aclamado fre- 

II. • por grande massa tie caval- 

Iti' lutea e populares, em i]uanto 

brincos c uma banda de 



neiro. 



Numerosos brincos ptrpula- 

VI .^ .1 e três bandas de musica se 

eiii^ _ 111 no colossal cortejo... — Ue- 

raldo, de oO de Jancirn. 

BRINDÃO. Fruto de bhndoeiro, — 
Garri nia purpurea, Uuxl). I)u cone. 
bhirând, arvoro, bhiraitd, fruto, 6///- 
randãm^ pi. Também om marata. 
Erra, portanto, o Conde de Ficalho, 
quantlo diz: aEste nome [hrindào] 
parectí ter sido inventado pelos por- 
tuguezes, tanto pela Bua fornia, co- 
mo pelo facto de unicamente ser co- 
nhecido em Goa». Os portugueses 
nAo invfntnvam nomes de objectos 
indígenas: ioloptavam os vernáculos 
OQ empregavam, por analogia, os 
usados no continente. 

O brindoeiro é uma belíssima ár- 
vore, e o seu fruto tem vários usos, 
(Itscritos abaixo. 

lâttíJ. — «Chama-se nesta terras brin- 
dões; e por fora c vermelha algum t<into, 



BRINGE (s. m.): Carne, especial- 
mente de galinha, cozida com arroz, 
que ó o manjar predilecto dos jjer- 
^as e muçulmanos da índia. E o 
mesmo que^^w/a», vocábulo presen- 
temente mais conhecido. Em Goa, 
bringe ou brinhe (também usado em 
concani), é actualmente reputado 
termo português o empregado para 
designar «arroz preparado com ca- 
mariío oiT amêijoas », pois n?lo so cos- 
tuma cozer carne com arroz. Do 
persa brinj ou birinj, «arroz». 

Os dicionários de Domingos Vieira 
e de Cândido de Figueiredo registam 
brhigue com o sentido «certo manjar 
delicado» e «antigo manjar oriental», 
e brinie, «carne cozida com arroz». 
Evidentemente, não silo dois vocá- 
bulos, e ambas as formas sflo incor- 
rectas. Brinie, que foi primeiro inse- 
rido por Bento Pereira («caro cocta 



ma» por dentro ten» hum tão tino vermelho ' . . , , j- •! 

que parece sangue. - Garcia da Orta, ^'i»" '•^''^-m), deve ler-se som duvida 
Coll. X I brinje, e bringue, abonado com Jorge 

1782. — <<<) brindoeiro n3o(ieixa de j Perreira de Vasconcelos (Aulegra- 
■er de utilidade e lucro em uma faz<'nda... \ nhia) é Crro. 

das cas- \'^ 



o fructíj tod<» é proveitoso, porque 



1577. — «O seu comer he comt» de gente 



cas se faz Bolãm {a. v.) ao sol para tem- 
pero, n do sum»! u'ellas um bom xarope j barbara: os Mouros he tudo brinqe: os 



.r<|. li, e do.s caroços excellente azeite, 
Miiii : . SCO o medicinal». — Fr. (himeute 
iirreiçSo, Tratado, ii, p 2^.'{. 



Gentios arros carilu. 
fl. y r. 

1<j14. — «MandAra 



Primor e llonra, 

ejça<>, i r«faí/o, II, p 'j^.í. ihi*. — «.^lanuara uma Escrava de 

•<Ha ainda o brindAO, que D. Filipa huina galinha com bringo a hum 
eerv». para ci-mer, e do caroyo «e fóruia i soldado com que andava, e onde l>av) 
nma massa «.Irisa hnn para luzes, c outros | galinha, e este arroz havia de havei : 
Annum ." , p. 269. | Diogo do ( ^outo, D(^c. IX, .'l. 

— «Os ji fí" aliuiidaiit»'- | lG»).'l. — >.|Vixe comem f(»« persas] rara- 

plaiitailo^ 1 -, j mento, e nunca sopas: o seu comer r car- 

neiro assado, brlnges de galinha, perdi- 
zes, vacca o cabrito cozido, cora ai 
manteiga». - F. Manuel Go<linhi>, /•' 



i!K, 



ii\t ali 
;irv'T' 

ros 

nu 

nu ( — ".N>i" J>■l^^alu 'I' 
da iM)lpa da man^a bem 

polpa de t;i: I I lo 



qiU' s.- la.: 
UUrutuar, *u- 



:, Ma- 

. feitíi 
<>u da 

ii. -iiiM processo 
O 



P 



do brindAo 



.U,ril. 



»f>. 

190^ 
Persia 
dern • 
. Watt, j 



but como from the old 



nrcííO DE PETXE 



ir)2 



IU'T)T)1[A 



♦ BROQUEM. (íovcriiador japonês. 
Buraku, <Mn jaiionOs, niiere dizor 
«provineia». 

1540. — «O Broquem, capitão da 
guarda do paço o estava esperando a pé 
acompanliado de nmyta pente nobre». — 
Fernão 1'into, Feregrinacao, cap. 130. 

«Fomos levados á Cidade de Pongor [em 
Léquios], o apresentado,'! ao Broquem 
da Justiça, Governador do líeyno". — Jd., 

cap. jyy. 

oEsta nobre mulher disse-o a bua sua 
sobrinha filha do Broquem Governador 
da Cidade». — hi., cap. 130. 

BUA (s. 111.). Antigo título do rei 
do Aname. Do anain. vua. V. chua. 

1650. — «Usurpou o governo universal 
do reino ao bua ou rei». —- António F. 
Cardim, Batalhas, p. 68. 

«Um dia nos mandou chamar o buá, 
por íavorcoidos de chua». — Id., p. 83. 
V. pp. 85, 86 e 87. 

1727. — «Bua. He o titulo dos Reys do 
Tonquini, os quaes pouco mais tem que o 
nome, porque o mando todo he do Choua. . . 
Finalmente para o Bua he to^o o esplen- 
dor da Coroa, e para Choua o maqejo do 
governo». Bluteau, Supplemcnto. 

1644. — «Questo Capitano assai scaltro 
impadrouisse dei liegno, restando il pró- 
prio Rè solamente col, Bua, ò Dignità Re- 
gia senza poter comandare co.«a alcuna, e 
le successioni deli' uno e deli' altro sono 
deir istessa maniera conforme ai costume 
dei Giappoue con il Xogun, e Dairi ha- 
vendo solamente vno il Nome setiza la po- 
tenza, e I'altro la potenza senza il nome». 
— P. Cardim, Belatione delia Prov. del 
Giappone, p. 53. 

1676. — «11 y a encore deux Róis au Ton- 
quin, dont le premier n'en guere que le 
nom et est appellé Bua, et le second nom- 
mé Chova en a presque toute autorité, dis- 
posant à son gré de toutes choses, tandis 
que I'autre demeure enferme dans sou Pa- 
lais comme un esclave, et sans en sortir 
qu'à de certains jours». — Tavernier, Voya- 
ges, V, p. 263. 

*BUBO. xirmadilha para apanhar 
peixe, feita dv^ bambu o rota, oin Ti- 
mor. Do mal. húhu. 

1843. — «Alguns indígenas, que se oc- 
cupam na pesca, usam para isso de linhas 
com anzoes, tarrafas, e de covas, a que 
chamam búbus». — Annacs Maritimos 
(parte official), p. 218. 

* BUCHO DE PEIXE. «É o estômago 
do tubarão, estendido e secco ao sol 
e fumado, adquirindo então um as- 
pecto exquisito o rígido, e de côr 
amarellada. E importado dos mares 



da Uc(vinia e do Uullo Pérsico. Tem 
um asj)ecto cartilaginoso. Consome- 
so grande quantidade d'esta iguaria 
em Maeau e na provincia de Cantão, 
apezar de ser considerado um artigo 
de luxo nas mezas chinezas» (la-ssi- 
-yany-knó, de Abril de 19Ó0). Tam- 
bém se exporta da nossa índia, so- 
bretudo de Damão e Dio. 

1840. — «Exceptuam-se as barbatanas 
(vulgarmente chamadas azas) de tubarão, 
violas, e buxo de peixe estrangeiros, 
que continuarão a pagar os direitos de 
consumo». — Collecção de Bandos, i, p. 192. 

1842. — «Bucho de peixe, 3 ditas» 
(mãos), — Annacs Maritimos, p. 360. 

1843. — «140^r j)?cos] de aza de peixe; 
94 de bucho de peixe». — /6irf. (parte 
oficial), p. 30. 

1909. — «Renda de buchos e azas de 
peixe. Foi creada em 1842». — Amâncio 
Gracias, Svhsidios, p. 152. 

BUDDHA, Buda, Budão, Budo, Bu 
duçó. Buddha é participio do preté- 
rito do verbo sânsc. ÔMrf/t; significa, 
no sentido próprio, «despertado, 
acordado», e no figurado, «esclare- 
cido, iluminado». Como substantivo, 
huddha é «um homem letrado, um 
sábio», e conforme a doutrina búdi- 
ca, «o ente que, não somente obteve 
a suprema sabedoria, o conhecimento 
perfeito, a sciência inteira, e por 
consequência a libertação final, mas 
que além disto está em condição de 
encaminhar para ela os outros, em 
uma palavra, o libertador». L. Feer 
(La Grande Enajclopédie). 

Apropriou-se o nome, por exce- 
lência, como fundador duma religião, 
a Siddartha, da família dos Gáuta- 
mas, que eram da linha rial dos Xá- 
quias, tribo dos Rajputos, estabele- 
cidos umas trinta milhas ao norte 
de Benares. Pregou a sua doutrina 
por quarenta anos, viveu oitenta e 
entrou no Nirvana em Mágadha, pá- 
tria do budismo, com muita proba- 
bilidade, em 480 ou, antes, entre 482 
e 472 antes de Cristo. 

O nome de Buda tem muitas va- 
riantes, conforme as regiões : Budu 
em Ceilão {Bodu, diz João Ribeiro), 
Buddham em dravídico {Budão, diz 
Diogo do Couto), Butsu no Japão 



m'nniiA 



1&3 



lU 1 'I >iiA 



(onde 6 mais conhecido por Xará (q. 
V.), a que om cltinOs corresponde 
Fu-ttu. V. bamo e lama. É, alOm 

disso, noiíM :id(» pelo patronímico 
''If' • / , elo nacional Xáqnia 

<.'>k' I .:. !:iiente com o adianta- 
nifutu lie i:.u:ii, «uscota», e u8 ve/A'S 
com o de simha, «leflo». Os brâma- 
ne» fizeram de Buda a nona encar- 
naç^ do seu deus Vixnu. 

1563 — «E desta opiniSo gentia vierâo 
,19 n.,^^. -. iliaMiir a este monte Pico dt' 
Ad.-f : :•. I ;• riiid por uonie próprio cha- 
mâo Budo* .lofto de Barros, Déc. III, 
II, l._ 

1577. — "Nosta terra |Pepu] fiíerSo es- 
creaer em lintroaceni Purtuirues oa mila- 



"s !as crustas de 

'|u< . .>i.,..,i .. .«,c,'u Babilou». — 

/Yi • r ^ Hotira, rt. y? V. 

]t,' ' - ,.r.,r que diaem que andando 
I'"; [lartes aquelle santo seu, a 

pi BudAo ■ — aA este Prin- 

i\\'V II' i; t ,' -, ;;~ i i^twriadorcs por uuiitos 
ii"!!!'-: " -•■ i [ij.ri'i era Drama Rajo 
■ --- Difir-n'1 l,''i,ri), O por que foi conhecido 
dt'ii<ii> <iut' " li\tM-âo por sancto, he oBu- 
dâo, que quer dizer sábio». — Diogo do 
Couto, I>«'c V, V, 9 e VI, 2. 

!•>-, _ , v, i,vf todos estes |idoIos] tem 
liiuií. ;i ji- 111 t.iz-in muita veneracSo, a que 
chauiào Bodú: a figura deste ne de ho- 
mem. <• a t"Hz»»m Tnuit/> crran.le, por repre- 

sauto. . . Este 
Ifeo, que es- 
liiiu ,aL' <. .jiiã"] fa/.. 
— João Ribeiro, / 
/; -' iP 14. 

l''-< 1' ■'• Rey, dizem, foy o pri- 

uiv\r<<. <| . M . hcu a ley de Buddum, 
ou Buddu 1* Fernào d»- (Queiroz, 

C'.v'.i.s'' '>■ ' ■'■ ■■ 10. 

• I I '•onfutidirão, a Ve- 

. Budhúm, /'(>('. ou 

P!»tei* U'lnir.s tem em 

•■•■'■* rem diuersas». 

cotuu oplniilo 
' Buddu d«- 

' _ , MUI Fni^ culiio 

• u* .iui. . .».— /'/.. 1» y4. 

1 ^ seita de Boudha voga na 

ilh.i de t rilao, no rt>iii<> ili- !'egú, no dt- 
s-V-, cw . . Boudha cIml""! ;» pcr^i-tilir 

luer 

— Jtjsc iuácio de Autiiad»', ( art'i 
p. 87. 

l^pr, — «Og g<^t •iiintn «|Ur ao 

i(j;ii r.t n jogar aoi Budha, que | 

signitica encoberto <.u \ i.sUnu invisivei. . . 



Referem tamlieni os : 

zes que Budha «'ra i 

rajali». — I..ot>«s Mendes, A Judia 1'oríu- 

guexa, ii, p. 79. 

falar-vos d;i 

— a religião 'Ic Buda — , á 4u;il uinlm- 
ma, na historia da evoluçSo mental, hA 
que .se > ^"* > ;ihe no ft 

vos coii ' Buda .<=' 

Veda e H ti! ma; como «Ma 

ravilha tauí' into de sans<-; 

gia». — Vascoin ciMn Abreu, Curao lutryi ai. 
p. 22. 

1805. — «N'um do8 corredores lateraes, 
dentro d'uni recinto envidraçado, dorme o 
grande Boudha, d'una cinco ou mai- • 
tros de comprido, deitado, dieforme, 
8Ó peça de pedra, e pintado de ama.. ..■■, 
vermelho e azul». — Conde de Arnoso, Jbr- 
iniíJns itelo Mfnído, p. 64. 

— "Budda cujo verdadeiro nome 
• - Mtmi, aj>pareceu cinco séculos an • 
tes da nossa era, pregando a sua admirá- 
vel dotitrina, ensinando aos povos o valor 
da caridade e de esperança». — Hipácio 
de Brion, Duat mil léguas, p. 93. 

c. 200. — oHá entre os índios os que 
obedecem aos mandamentos de Bout ta, 
que eles honram como um Deus por causa 
da santidade da sua vida». — Clemente 
Alexandrino, íitrT.matZn, lib. i. 

c. 400.— «Aj)ud Gymnosophistas Indiae 
q^uasi per manus hujus opinionis aucto- 
ntas traditur, quod Buddam principem 
dogmatis eornui, e latere suo virgo ciit - 
raret». — 8. Jerónimo, Adversiis Jovinta- 
num, lib. i. 

IfiTtí. — «La seconde secte vient d'un 
certain Solitaire nommé Chacabout, • 
suivi de la plus grande partie du 

' ' '" iiim]. II lenr a en- 

des ames ; il faut ({ 
.-«viii. ui> iMiM-rvent dir commandfin'iis 
que ce Chaca/jout leur a laissé». — Taver- 
nier, Voyagm, v, p. 290. 

1754. — <<("cux-là ont étí instruits jtar 
les Docteurs menu's de la Loi du Bt!*^*"^ 
(ou nomme ainsi la Religion des /" 
dtt nom de liuds, ou B"Hhí^, .nil 
deceux, qui les Bralnn 

— P. de Charlevoix, L . ... ,, 
p. 2l;{. 

1770. — «lis rCliiin'nl'm' lionor.iit pnr- 

ticuli»*rfuit'nt (i.n id or- 

dre un Buddou, , ar la 

terre i>our se reudre n iitr-- l>icu 

et leR hnti)iiM\4 I.<'8 iii> Buddou 
>"nt d< '08 fort iniporlans à Cey- 
laii" , p *\7, 
\1XÚ. - .. 

Budha, > ' 

> tulti epàlfli í>HUi.tcriliiuitct d' 
icurio» — Frji Pnoliii". \'><iffffio,\> 
1HJ5 "(^Ui>l<nn -^ i;'^ iiKxli ii.-N 

ont huppi's<' i|iii la ri'li,.'i'<ii Uc Boud ou 
Bouddha tut aucieuncmcnt celle d« toutc 



BUDDHA 



154 



BUDDHA 



rinde en-deçà ot au-delà da Ganges». — 
P. Dubois, Ma'urs, i, p. 13G. 

BUDISMO. Conjunto da doutrina 
onsinada pelo Buda Gautama. — BÚ- 
DICO. Relativo a liuda ou ao budis- 
mo.— BUDISTA. Soctário do budismo. 
— BUDÍSTICO. Relativo aos budistas. 
Os autores gregos e latinos coniie- 
cem os budistas por samanes ou sa- 
maneiis, V. xamane. 

Diz-se geralmente que o budismo 
é «religião íilosóíica de Buda». Mas 
o verdadeiro budismo, sendo avesso 
à pura especulação, tem pouco de 
filosólico *. E quanto à religião, al- 
guns orientalistas lhe contestam Osse 
título, como a palavrão comummente 
entendida, por nSo admitir Deus nem 
alma. Afirmam até, com visos de 
verdade, que Buda não intentou 
fundar uma religião ou uma igreja, 
mas instituir uma ordem monástica, 
que, sem se importar com o dogma- 
tismo, procurasse ganhar a salvação 
ou, rigorosamente, isenção do renas- 
cimento, pelo caminho de perfeição 
que ensinava. É certo porém que se 
a sua doutrina se não recomenda 
pela sua parte teórica, tem grande 
merecimento pela sua sublime mo- 
ral, que se aproxima notavelmente 
da do cristianismo, sem embargo de 
não admitir sanção externa. 

Para explicar satisfatoriamente a 
analogia, não falta quem reconheça, 
sem nenhum fundamento histórico, a 
influencia directa do budismo sobre 
a religião cristã, somente pela razão 
da sua prioridade. Ora, está averi- 
guado que a moral ensinada por Xa- 
quiamuni era conhecida e ])règa(la, 
na sua maioria, pelos sábios indianos 
que o precederam ; e, por outro lado, 
é sabido que o decálogo cristão é o 
mesmo que foi proclamado no monte 
Sinai, sendo neste sentido anterior 
aos ensinamentos de Buda. 

Mas em que consiste a essência do 
budismo? Em quatro nobres virtu- 
des : existência da dôr: existir é so- 



1 «As for his metaphysics, it is pre- 
emineutly uegative». — Barth, Religions 
of India, p. 1 10. 



frer; causa da dor: esta causa é o 
desejo, que aumenta com o gozo; 
supressão da dor: esta supressão se 
obtêm pela supressão do desejo; o 
caminho que conduz a essa supres- 
são. Este caminho ó octóplice. O fim 
é Nirvana, isto ó, total cessação da 
existência, como flui dos princípios, 
ou isenção de renascimento, como 
admite a generalidade dos sectários. 
Buda não definiu este ponto, limi- 
tou- se a evitar com os seus manda- 
mentos a transmigração, que era um 
postulado da teologia e filosofia indo- 
árica, visto que a vida neste mundo 
ó um flial. 

Os livros sagrados do budismo 
tem o nome de 'J'ripitaka {Tipitaka 
em páli), «três cabazes», por constar 
de três colecções. Estes escritos tem 
sido conservados em redacções rela- 
tivamente originais, mas nenhuma 
delas, conforme Barth, no dialecto 
mágadhi, língua primitiva da igreja: 
uma em páli e outra em sânscrito. 
Segundo a redacção que adopta e a 
língua que considera sagrada, a po- 
pulação búdica distingue-se em me- 
ridional e setentrional. Ao budismo 
do Sul pertencem Ceilão, Birmânia 
{Brama dos nossos historiadores), 
Pegu, Siame, ao passo que Nepal, o 
Tibete, a China, o Japão, o Aname, 
Camboja, Java e Samatra são ou 
foram relacionados com o budismo 
do Norte. Vid. Emile Burnouf, Intro- 
duction à Vllistoire du Buddhisme 
Indien; Bartti, Religions of India. 

1837. — «O brahmanismo tem tido seus 
scismas: os mais consideráveis são o bud- 
disino, e depois delle as seitas da mão 
direita e da i.aão esquerda». — O Panora- 
ma, de 1-4 de, Outubro. 

1873. — «É certo que quando os padres 
[protestantes] em Ceilão quizeram ensinar 
o christiauismo áquelles povos, religião que 
haviam acceitado de nós, substituindíí o 
budismo, cujo berço parece ter sido alli, 
tiveram de dar-]hes livros escriptos e im- 
pressos na lingua que elles chamam porto- 
gueza». — Tomás Eibeiro, Jornadas, i, 
p. 388. 

1874. — «E iim dos factos mais extra- 
ordinários que nos apresenta a Asia, essa 
semelhança e quasi identidade que existe 
entre as ceremonias do culto budhista e 
as do culto catholico. Não ha duvida que 



BUDDUA 



15Õ 



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budhismo 



rpjpitar 



p. 11 



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typobuddhico 

1. um dos ' ' > 

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. Juii;i.nio, V , .- 

^.tas». — Vasconcelos Abreu, 

> as crenças arrai- 

:') foram profunda- 

-io buddhismo. Hiul- 

. (-]}:•' cri-' n iiina escola 
d<i que o 

.1. U n-i 1 
pHra a» 

vista u bcui il.i humaiii- 
1. a indulgência c a do- 
çura». — Ad'jllu Loureiro, No Oritnte, ii, 
p 237 

l'^'*'. — «O buddhltmo inr. 

;i.iu,t. nlo. ijUe at|ui S»* >ihrS»TV:i 



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.'iciia clirialiloa-. — A ()rdci*tf Ue 14 


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la Ma«carenhaii, Atravtt 
• (> Buddhismo e o chriittia- 

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>• not 8o ~ 
r of the 1 
. never ' 
ilher do i 
over the ruuii 
i. with much > 
dity^. — Lui Ilcbtr, .Varraíít*, ii, p. I'JU. 
1844. — »IjH eroyance à laíiu*»lle on a 
donné ]• Buddhlsme >' 

lui de .•« 'ir, est uii f;\ii 

inent iiidi» n » est dans I'lnde iju 
pris naiâsance; c'est dans ce pays ti 
s'est d.'v ' ■ • • " •' - ■ 
plus df 
•'•■•'■■■ . J. .. 

laiij^uajre 
,.,..,>... .._, L , .id Bud- 
dhism or the Buddha-cult in subs* 

tiuiCãu. — Tf'f Ui lid list II II I'pi-ifiir. (If 

Junho. 

BUFARA im;u> u>a.ln;. bufaro. Us 
nossos antigos iiulianistas i'nii»regnin 
estiis formas, abrangendo, no plural, 
em qualquer delas a osptVie, por 
bnfala e búfalo, som explicação como 
se íbram já conhecidos '. Ocorre tam- 
bOm búfano. Os lexicógralos nllo re- 
gistam o feminino búfala, usado na 
índia, como se o termo fOra unifor- 
mo. Yule atribui o inglGs búfalo ao 
portuguOs e Skeat ao castell 
Cita Oste etimologista o lat. /' 
Iks, usado por Fortunato, forma se- 
cundária de buhalus, gr. bóubolos. 
V. GloMsárío Anglo-indiano. 

1516. — «Saom os arqiios de pão > 
nizados, e de corno de bufaro».— 1' 
i, Livro, p. 261. 

— «Tamoeni ha muito eado, bu- 
faras, vncas, (• boi~,e outro çadonieudo». 
— Cfirotiica lie Itisnagn, p í*V. 

1529 — «Vivem v 
terra que disse, por t 
t:w, e criaríles de \: 
faros». — António I 
cap. .v.». 

1554. — « . Elefantes, Badns, leAes, 
, bufaros». — Femio Pinto, /Vre- 

., (up n 

'■ ' itro bufa- 



1554. 



t, p. lio 



■ N. 



tr<nix«T;uti 



«h;ivcu. í»'ju l'u^ A^", tli'jei h'jiv uicu ^ gUtaui aóuicutc a toruia '.mjurv 



HLJ.Hl'LO 



lõtí 



lUJLE 



«Desembaraçados desta p:eiite, tornamos 
a seguir nossa jornada por uma charneca 
abaixo, na qual vimos andar grande bando 
de bufanos mecenos (r"), zeuras e cavai- 
los». — /c/., p. 117. 

15B9. — «Hai innumeraveis Alifantes e 
muitas Bufaras, de que eu vi por aquella 
terra nniita soma delias brauas». — Fr. Gas- 
par da Cruz, Tractado da China, cap. 3. 

1585. — «('açam algumas vezes, e to- 
mam bufaras, merus, gazellas». — Ma- 
nuel Cardoso, Hist. Trayico-maritima, iv, 
p. 50. j 

1609. — Ha muitos bufaros mui bra- 
vos, em cujos cornos morrem ordinaria- 
mente 08 caçadores desta terra [Sofala], 
porque sSo mui ciosos das fêmeas e dos 
filhos». — Fr. João dos Santos, Ethiopia 
Oriental, i, p. 124. 

1612. — «Matào vacas, bufaras, con- 
tras aliniaria.s que comem tão mal assa- 
das, que o sangue lhes corre pellas ilhar- 
gas das bocas». — Diogo do Couto, Déc. V, 
1,13. 

1085. — «He toda a ilha abundante de 
mantimentos, e gados, vacum, bufaros, 
cabras, carneiros, porcos». — João Ribeiro, 
Fatalidade Histórica, i, cap. 19. 

1(587. — nliecolheo 30 candiz de arroz, 
de que se pudera aproueytar, e de outras 
muytas rezes, uacas, e bufaras daquel- 
las serras pêra dentro». — P. Fernão de 
Queiroz, Conquista de Ceylão, p. 643. 

1745. — «... uzando para outras semen- 
teiras [na China] de Bufaras e de Bois 
que são muyto corpulentos». — In Ta-ssi- 
-yangluó, II, iii, 3. 

1806. — «EUe nos offereceu dois quiça- 
pos [cestos] de milho miúdo e trinta postas 
de carne de bufra seca». — Ajiud Júlio 
Biker, Collecção de Tratados, x, p. 212. 

» BUFRA. (persa ur^a). Baliza no 
rio Eufrates. 

1663. — «Entre uma e outra ilha desem- 
boca o rio Eufrates, a que chamam de 
Baçorá, no qual só ba fundo para naus. 
Para melhor o conhecerem tem suas bali- 
sas, a que chamam bufras». — P. Manuel 
Godinho, Belaçlio, p. 119. 

BUGDI, s. m. (pi. biifjdiós). Arre- 
cada com que se enfeita a raulher 
hindu no Maharaxtra e no Concão. 
Do marata-conc. bugdi, pi. hugdi/õ. 

1784. — «A seu prazer, tem umas que 
têm enfeitada toda a circumferencia das 
orelhas de bugdíós com cachos da aljô- 
fares». — Tomás Eibeiro, Jornadas, ii, 
p. 104. 

«Tens cadáveres, em vez de bugdios, 
um cin^to em que pendem, lividas, as mãos 
dos teus inimigos». — Id., p. 305. 

*BULBULO, burbulo (em indo-inglOs 
bulbul). Pássaro canoro da índia — 



Lanin.^boulboul, T.ath., Jxos Jocosns. 
Ilá muitas variedades. Do p''r«'i ^"'Z- 
bul, «rouxinol». 

1842. — «Os martinhos e bulebules 
sào mui domésticos, e em grande numero». 
— Armaes Maritiinos, p. 271. 

1846. — «Pitoly ou liuchundy (Borbu- 
los, ba as de quatro qualidades, denomi- 
nadas Portuguez, Negro, Roxo, e Branco)». 
— F. N. Xavier, O Gabinete Litterario, i, 
p 252. 

1873. — «Emquanto o bulbulo e o do- 
meuico (moddvoni) trinam seus chilros agu- 
dos e graciosos». — Bernardo da Costa, Ma- 
nual do Ayricidtor, ii, p. 191. 

1658. — «II Bulebuli cosi detto per 
ragione dei canto, con il quale vu fischio 
sonoro, graue, e soaue, pare, che sempre 
replicbi queste due silabe». — Fr. Vincenzo 
Maria, Viaggio, p. 432. 

1782. — «Cet oiseau se trouve aux cotes 
de Malabar et de Coromandel, ou I'appelle 
Boulboul».— Sonnerat, Voyages, u, p. 189. 

1784. — «AVe are literally lulled to sleep 
by Persian nightingales and cease to won- 
der that the Bulbul with a thousand 
tales makes such a figure in Persian poe- 
try». — Sir W. Jones, in Glossary. 

1860. — «This propensity, and the ordi- 
nary character of its notes, render it im- 
possible that the Bulbul of India can be 
identical with the Bulbul of Iran, the 
«Bird of a Thousand Songs», of which the 
poets say that its delicate passion for the 
rose gives a plaintive character to its 
notes». — Emerson Tennent, Ceylon, i, 
p. 169. 

1914. — «Our common Bulbul {Mol- 
pastos hoemorrhoiis) and all our Barbets 
are fruit eaters». — Drieberg, Year Book 
of the C. A. 8., p. 64. 

BULE. — Vaso para serviço de 
chá. Bluteau define-o: «Frascheto de 
louça da Índia, agudinho para cima». 
Não está bem assente a etimologia 
do vocábulo. Câudido de Figueiredo 
aponta o ingl. bowl, que se não em- 
prega neste sentido, mas sim tea-pot. 
Gonçalves Viana atribui-o, creio que 
com mais razão, ao mal. buli, «fras- 
co». Swottenham dá ao buli os signi- 
ficados de «vaso, tinteiro», e Wil- 
kinson os do «pequeno frasco ou 
garrafa». Favre define-o: «Une pe- 
tite bouteille avec un cou long et 
étroit, et un gros ventre». Rigg de- 
clara que búli-búli, era sindanês, 
quere dizer «taça com tampa (a co- 
vered cup) ordinariamente usada 
para guardar óleo». Parece-me que 



BUN'GUIO 



a significação mais antiga do portu- 
• • ' ' .> Bluttjau e Do- 

I ninho lio lou<;a 
lia íiiilia, do gargalo ostroito»; o que 
coiicoiila com o do mal. buli, o do 
cone. 6í7/, «frasquinho do louça para 
laju^». É sabido que no extremo 
( )riiMit«* se nílo faz uso de biilej por 
í<.' .!. itnr o chá na chávena {chavan) 
.' a a^'ua da chaleira. 

1756. — «('ni bule <le ptnlra branca. 
1> 'á bules <'';iii:iIt:ido9» (presente do iui- 
|.. -:»«lor ilii Cliiiia). — Apuil Júlio Hik«r, 
( '!.,:'» de Trat'ulot, vii, pp. 100 e 101. 

l>sj - ..Bules, líoiões e tigelas com 
cobortui ! ~ variadas forniaa c tama- 

nho». . iiania ein Siain o coUec- 

ciouar bules, «"iiio era tantas outras 
p«rf»^9 Be ciillofcionam estampilha», mono- 
> etc.". — Henrique Prestes, IM. 
IV, p. .T.H). 

1-,., — oOá chiuezeé> não tem bule* 
na^ \ i itas, mas sim algumas foHia.s de idiA 
!)• ti: i> (1m i-lirivua, na qual se deita agua 
.1 f. !\. r. . • tapa com uma tampa de 

l..uya« — .J".i ■•• '■ <"•■"-!"■, Cnnsrt^ lia 
China, p. 'JOV 

• BULIBULIÀO. Direitos de alfân- 
dega, que se cobravam em Malaca e 
que vâo abaixo especificados. Pareço 
que o «''timo ó o mal. belt, «com- 
pra», r»MÍa|>licado. Búli-bOli significa 

l.').'.l — ..1»»' qualquer naiiiu qii<' vmna 

.-..m lia/.eudas ao dito porto, tomaua o Key 

.1.1 t 1 loarta parte da íVazcnda por 

.■}.t II», que o que ualia dez na 

■ -mroyto. P' t.4irii" "'■■""• :i 

.1, que a»HÍ t< I 



!-• VI- 



..l: 



\>, 10f>. 

— «A estes costumes chaiiiSo na 
i ii/oa bulibullâo. que se forio arre- 
I A.i..i..|.i por conta (IMn-y Pi-^,'o do 
r.>uto, I>éc. V, IX. .'! 

• BÚNGUIO. Ouvidor p-rai ni» .ia- 
pllo. coiilurm»' Hocarro. Mas b:nnff/i~, 
em japoii.'s, quert5 dizer •! 

do tr.il''"i'ii> (111 iiclii-lt' (1 



o bunguio, que é 

_' ral, uma \vi certa 
cou»ià aobjiàpòca ilv Naugava'iu^i chrisUlvs, 



responderam elles que para afazerem fal- 
lariam comos padre.s. De que o bunguio 
tomou grande paixão». — Déc. XIII, p. 7ltí. 

1749. — «O Bongio, «lue be como 
Regedor das Justiyas, pronunciou a sen- 
tença de morte contra os dous prezos». — 
1*. Crasset, iJitt. da Igreja do Japão, iif, 
p. 321. 

lt)44. — «Gl'Interpreti i : i.n.. 

dei tutto il Gouernatorc, '. ; • 

do|in furono inuiate altre bairiir ,ii m.i.: 
gior grande/za, piene di Bunghi ( ■■»! 
cbiamano li Miuistri dello Xoia)». — P. 
Cardira, lietaticme delia Proc. dd Giappane, 
p. 24. 

♦ BURLADORA (des.;. ;. ;iume 
quo os portugueses davam burlesca- 
mente à datura ou dutrô (q. v.), em 
alusilo aos seus efeitos nos homens. 

1578. — «Llamase esta planta. . . en Ca- 
narin hatyro: los Portugueses, Datura, j 
la Burladora» — Cristóvão da Costa, 
Tracdtdú, p. 87. 

16.'{H. — «L'herbe nommée Duiroa est 
par autres ajjpellée Tahda, par d'autres 
Itiitura, eu Espagnol Burladora». — 
Paludanus, apud Linsclioteu, llistoire. 

18H);— «Datura was also often given as 
a practical joke, wliencc the Portuguese 
called it Burladora (Joker)»». — (í/o*- 
tary. 

BURNUS. Em indo-portuguôs, bem 
como em concani e marata, quere 
dizer «colcha de feltro». Etimologi- 
camente, 6 o mesmo quo o continen- 
tal albornós. Do ár. bmnus, a manto 
com capuz». O termo foi empregado 
por Camilo Castelo Branco {Noites, 
V, p. .35) : «Knvolvia-se n'um cafran 
(híc) ou burnus, uma espiVúe de far-' 
rapo de panuo, que lhe cingia o 
tronco, deixando solta a cabeça». 

1833. — n Deixavam fluctuar á merco do, 
vento a.s largas vesU-s, ou os fartos bur- 
nÚ8, e olhavam, talvez com mácua. as 
horda.-4 com (jue o Oecidente \ ' 
os dias invadindo as terra.s outi 
mittidas As raças indoniaveis e iumiu iMin 
doOricuteu. -Adolt'o Loureiro, No OrietUe, 
I, p. 81. 

• BUS ,- sem pi.; de> 

sAnsc. btut qtiore dizor tgrança oa 
' ■■ -vidura de cereais, farelo, re- 
: inaH a sua forma neo-árica 

: ■ ■ • ' "III 

,;.■■ li 

conietílíveii» ora geral». 

1810. — «Qeucros Bhúa que s&o: iiu(0| 



CAliAlA 



158 



CABAIA 



Nachinem, Orió, Piicol, Sanvó e Choiiulós». 
— Pauta Aduaneira de Goa. 

1824. — «Direitos de Bhus e sal jtcla 
inediçào 20 rupias». — Ajmã Júlio Biker, 
Collecção de Tratados, xii, p. 3G. 

* BUTICA. Nao se ox})lica no texto 
o sentido especial em que o vocábulo 
ó empregado, mas dopreende-so do 
contexto que denota alguma espécie 
de pórolas, diferente de aljôfar. O 
ár. bãtin, tambGm usado em persa, 
significa «interior, inferior», e era 
acepção técnica designa «pérolas de 
mediana grandeza», isto é, da se- 
gunda Joeira, sendo três o número 
delas. ^. Mas teria com efeito o autor 
ortografado butlca, ou haverá vicia- 
ção da palavra na cópia ou na im- 
prensa, devida a outro termo liomó- 
fono, botica, «loja», muito usada no 
Oriente ? 

16G3. — «As fazendas propriamente da 
terra são muitas caixas de marmellada, 
muita tâmara e a maior parte de aljôfar e 
butica que se pesca em Bahrem pelos 
Arábios de Catifa e Baeorá». — P. Manuel 
Godinho, Relação, p. 119. 

1901. — «... who proceeds to sort them 
by the manupulation of a triple set of 
brass sieves, pierced with holes of differ- 
ent diameter. The pearls that are unable 
to pa.ss through the largest sieve are call- 
ed «lias», the residue of" the second sieve 
are « Batin», while the resulting contents of 
the third sieve are known as «Dzel». — 
Journal of the Society of Arts, em The Tra- 
vels of Pedro Teixeira, p. 176. 



O 

CABAIA. Roupão ou túnica, quo os 
orientais ricos usam geralmente. 
Yule &. Burnell presumem que o 
termo era conhecido dos portugueses 
antes do descobrimento da índia. 
Mas muitos dos nossos antigos his- 
toriadores descrevem^ o objecto e re- 
putam-no oriental. É certo, porém, 
que os portugueses comunicaram o 
vocábulo a alguns idiomas indianos. 
V. Injl. do Vocab. Port. A cabaia 
dos cristãos de Goa é talar e feita 
de cliita ou chêla; a dos hindus, que 
tem vários nomes vernáculos, é me- 
nos comprida e de mangas estreitas, 
e a sua fazenda é musselina ou pano 



])atente; a dos chineses é de seda. 
Na índia insular ó uma espécie do 
penteador; trazom-no homens e mu- 
lheres náo indígenas. O étimo é o ár. 
qabã (que na Berbéria parece assu- 
mir a forma qabãya, vid. Dozy), 
adoptado em persa. Afonso de Albu- 
querque emprega a forma caba [Car- 
tas, VI, p. 292) : «E Ima caba feita 
de cotonya de seda». 

1516. — «Aaidaom estes Mouros Dormus 
bom vestidos de hílas camisas imiy aluas 
dalgodam delguadas e compridas. — «Duar- 
te Barbosa, Livro, p. 261. 

1525. — «Não falião hus com os outros, 
nem comem betre diante d elle [rei], e me- 
tem as mãos nas mangas das cabayas, 
e põem os olhos no chão». — Chronica de 
Bisnaga, p. 92. 

1526. — «Se os Gancares lançarem pe- 
didos joelas Aldeãs para ca bay a ou pacho- 
ris, ou quaesquer benesses...». — Foral 
de D. João III, in Archivo, v, p. 130. 

1538. — «Leuaua hua cabaya muyto 
rica para Ilidalcão, a qual elle não quisera 
acceitar, por não ficar vassalo do Turco, 
visto não ser costume entre os Mouros 
mandarense estas cabayas, senão do se- 
nhor ao vassalo». — Fernão Pinto, Per egri- 
nação, cap. 8. , 

1545. — o El Rey d'Ormuz se me enviou 
agravar que meus capitães e officiaes da 
dita cidade o obrigavão a lhe dar cabayas 
assim quando chegavão ao dito Reino, co- 
mo pelas festas do anno». — Carta Régia, 
in Archivo, v, p. 186. 

1551. — «Víraua vestida hua cabaya 
de pano dalgodão branco, que he hãa rou- 
pa apertada no corpo». — Castanheda, 
Historia, x, cap. 16. 

1553. — «Hua vestidura, ' a que elles 
chamão cabaya, que comumête os Mou- 
ros vsão naquellas partes, comprida de 
mangas, cingida e aberta por diante com 
hua aba sobre outra, a modo do trajo dos 
Venezeanos». — João de Barros, Déc. II, 
IV, 2. 

1563. — «Também lhe deu huma ca- 
baya de pano de seda, que ElRey despio 
e lha deu. . . Cabaya he seu vestido co- 
mo a nós he o pelote». — Gaspar Correia, 
Lendas, i, p. 14. 

«Trouxerão a ElRey huma rica ca- 
baya, que elle com sua mão deitou ao 
Gouernador, que he a mor honra que lhe 
podia fazer segundo seus costumes». — Id., 
ni, p. 620. 

1572: 

«Luzem de fína purpura as cabniag, 
Lustram os panos de tecida seda, 

Cabaia de damasco rico e dino 
Da Tiria cor, entre eles estimada». 

Camões, Lusíadas, ii, í8e95. 



CABAIA 



15'.» 



CABAL 



TT: paTfi'ndnlhe que o satia- 

oní lhe de graude, Ca- 

. .. touca. r.nu. — Primor e 



ti 



■ h 






indo 








tUera 
)'-.',-tndo 


rak«}ak 






k». 




Prfaieiro 




CíJCO de Lli^, 


XV, 


.ti. 75 1). 



1003 — 



Trstidf^ fill tonra <" Cft- 



b. 



Autuuiií de tiuuveia, 
o. fl. 24. 
;j. — aU úit; rey de Onnuz me es- 
1 (antlípni, pidindo mandasse se lhe 
" > que de I ' ■ 
ii>s reya >'■ 

, sempre ao rey, cora 
. abaici, M'i> mil cruzados naal- 
- rarla h''ji<i, iu l>oc. da In- 
iiíi, II, i>. JtjO. 

1615. — «Aquella opa ou roupeta a que 

" 1 '•inuêa ou Cabala é de 

mui fino e branco, e 

...lios»». — Pyrard de La- 

frt, I, p. 314. 
. - « . . . dando-lhe graças Aas mor- 
r.s (\\u' nos fazia, porque nos mau'i 
nahnyas '\v ••••i t./.i.i para \< 

», — P. Aotúuiu F. 

ii.i <lt' .sen? vcstidoa é 
cabayas t:<Miipruiase 

• ie pouca fralda, ciugi- 

• Mma meia touca». — 






.ichando 

' -'dio 

iiiiaya i>iaiica 
.1. e lauradu, 



{Bmian. qo« o meamo ftnperador f^Iogoll lhe 
h, : ' Milio Biker, Colleeçio de 

i>--<. _ -■ l' - ' rnbala 

usarão o^ de 

- ■ liulia? u'- líiiji"" — ..'....,...... • . Soa- 

!io»quejo das PosêtMÒea Portuguaoê, i, 
j.. õW. 

1832. — «Estando sentadas á mesa sete 
pessoas, rodeavam -ua quat4:>rze servidores, 
vestidos de cabaias d<> sotim preto la- 
vr 1.1(1 Tendo ua cabfça barretes de abas 
■;. da mesma côr dos vestidos, 
inles borlas escarlates». — José 
1 Inácio de Andrade, Cartas, ii, p. 130. 
j 1S4'). — «E o geral, especialmente os 
' .' vcstfui de bum chambre, que 

ia cabaia ou tunica, branca ou 
,:i e outra cousa equivale a 
■'. — F. N. Xavier, O Gabi- 
, neU Littcruriu, i. p. 101. 
I 1908.— «A Kabaia é uma espécie de 
I penteador de cambraia e rendas» ína Ma- 
lásia). — Alberto O. de Castro, Florta de 
Coral, p. 145. 

851. — «Les Chinoi», en costume et dans 
une < ' '^ publique, resseuibicnt anx 

Arai' rtent le caba et la eelutu- 

re». — >uifiiiiio, apud Reinaud, líelations, 
1, p. 60. 

1589. — «Quand ils [brâmanes «.-rtcnt 
ils sout quelques foia vestus d'ui; 
saye de toile de coton, qu'ils ;., , 
Cabaia qui leur va depuis la teste jus- 
(jues aux talons». — Linschoteu, llistoire, 
p 73. 

1G44. — «II vesti to è corto sino à mesza 
gamba con vna Cabala, ch'è vna sorte di 
veste come sottaua larga, & aperta diuansi 
con le maniche larghe«. — 1*. Cardiui, ife- 
lationf dtUa Pror. dei Giny/ponfi, j>. BI. 

KJtiC). — B. . ét ces riclies turbans et 
cabaiea, ou vestes en broderie». — Ber- 
nier, V<>ya(fc«, i, p. 938. 

1fi»y> — «r»'? Cabas snnt fait.^ commu- 



Antóuio Vieira, Xavier iJot' 



17l"i - "O gentio «em n» 
• <-;«hnva, -ii]i III. Ill 



i|ue 

!>■ a 



gr:i 

vcriiitT, t '>', 
1700 —Í\ 



i.i cttbayt» oa 
ou jupou" — Ta- 

i;{8. 

i oabaja bianca, 

I -^'ru cuutu usauo 

Careri, apud 



.ptemenio II, p. 64. 

172'*. <.flê r. nnmr- dr tunica, nn mn- ' i^j,''~' r,r.T~\ iT% 'tii-' T 




1913. -«Cabaya, a \^ 



ot ludi.i 

CABAL í». m.). Em maUio, kãltal 



Bcuijaiaj inuna n.va cabaya c m.i./insí- \ valuerabiluiudo, impi'Dflrabiiiaaaea^ 



(\\1ULA 



MM) 



('AnisnViín 



came». Mas os iicssos cronistas en- 
tfiideiii por cabal «luua alimária, (1(^ 
.lava e Siame, a cujos ossos se atri- 
buía a virtudo de vedar ou reter o 
sangue», h de presumir que tenha 
havido equívoco, tomando-se a pro- 
priedade pelo animal, que teria outro 
nome, o que parece ser o pangolim, 
chamado kahalluvã em singalôs. 

1553. — «Esi>antados os nossos de tão 
nona cousa, souberam dos Mouros que ali 
tomarão, que aquelle osso era de liua ali- 
mária que auia ua Jaulia, a que elles cha- 
maram Cabal: cousa mui estimada entre 
08 priucipes daquellas i)artes, o qual tinlia 
a virtude de reter o sangue da maneira 
que elles virão». — João de Barros, Déc. II, 
VI, 2. 

1557. — «A manilha era hum osso de 
umas alimárias, que elles chamavam Ca- 
bais, que se creavam nas serras do Reyno 
de Sião, e a pessoa que trazia aquelle osso, 
tocando-lhe ua carne, não lhe podia sahir 
sangue, por mais feridas que lhe dessem, 
em quanto o tinha». — Coimnentarios, in^ 
cap. 15. 

1G34: 

«No mais inculto da fragosa serra 
Da .Tava animal fero, e raro habita, 
Que virtude nurn osso tanto encerra, 
Que remora do sangue, o da agua imita. 

A esquerda costa do animal precioso, 
Abrindo-o vivo, lhe arran quei do peito: 
Delia a manilha fiz, que o valoroso 
Braço rodea, e tem o sangue estreito». 

F. de Menese.s, Malaca ConquU- 
tada, iv, 42-43. 

CABILA, cabilda (ar. kahllã). «Po- 
vo de liuma Provinçia, ou tribu go- 
vernada por hum chefe». Fr. Jofto 
de Sousa. Parece que a definição de 
Bluteau é mais precisa: «Ajunta- 
mento de gente Mourisca, antiga, e 
aparentada, que vive no mesmo lu- 
gar». Também ocorre o termo no 
sentido figurado, que nao aparece 
nos dicionários, por «magote, ban- 
da, troço». 

1513. — «A terra (je estaa frouteyra de 
Dalaca, he hua cabila de mouros sojeita 
ao preste johan». — A. de Albuquerque, 
Cartas, i, p. 225. 

«Daly atá Suez tudo sam cabi|as 
d alarues». — Jd., p. 228. 

1541. — «Eutre os Badoiea nom ha rei, 
ou grande senhor; mas vivem em cabil- 
das: nos seus campos nom consentem al- 
gum lugar, nem elles tem morada certa-.. 
^- D. João de Castro, Roteiro do Mar Ro- 
xo, p, 235. 

1557. — «De Judá até Otor vivem ca- 



bildas de Alarves». — Lummeniarios, iv, 
cap. 7. 

1553. — O qual Rey por nome Atjoat 
era daquella antiga liniiageni de Bemg- 
bras hua das notáveis oabildas dos Mou- 
ros Arábios». — João de Barros, Déc. II, 
n, 2. 

1612. — «Estava por capitão Coze Za- 
nede, cabeça de todos os Amadizes, que 
he huma Cabilda quo vive no Magostão». 
— Diogo do Couto, Déc. X, ii, 11. 

1635. — «Podia haver oocasião de inten- 
tar contra a fortaleza de Soar, particular- 
mente com a ajuda de um xeq^ie. chamado 
Amer, cabeça de uma cabilda». — Antó- 
nio Bocarro, Déc. XÍII, p. 642. 

1663. — «Nem todos assistem nas cida- 
des, senão em cabiidas nos campos e des- 
povoados: e anda nesta Arabia certa ca- 
bilda de alarves, a que chamão Benge- 
bra, a qual é das mais poderosas de toda 
a ilha». — P. Manuel Godinho, Relação, 
p. 69. 

1687. «Na Arabia marítima accrescerão 
dous Reys, com o nome de Iman; depois 
que deyxarão o gouerno de Cabiidas; 
como sucedeo na Mauritania, depois que 
entrarão os Xarifes». — P. Fernão de Quei- 
roz, Conquista de Ceylão, p. 237. 

1880. — Talvez nos camj)Os de Ceuta e 
Tetuão, onde os árabes e kabiias usam 
muito fazel-as» (as queimadas). — Conde 
de Ficalho, Flora dos Lusíadas, p. 22. 

1610. — «They are divided into what 
they call tayffas, the Arabs cabiley, and 
Ave cabilda, and the Tartars orda, all 
meaning «a tribe». — Pedro Teixeira, 2'he 
Travels, p. 94. 

1548. — «Ordenou que não fosse a gente 
toda junta, mas que fosse repartida em 
cabiidas, para que assim caminhassem 
mais sem suspeita». — Fernão Pinto, Fere- 
grinaçào, cap. 196. 

1603. — «Por persuasam de hum cassa- 
nar. . . se apartarão do Arcebispo, e fize- 
rão hua cabilda, do que se forão dar 
nouas ao Arcebispo». — Fr. António d^ 
Gouveia, Jornada, i. 38. 

1614. — «E todos os mais [grandes de 
Cambaia] andavão como em cabiidas, 
comendo, e senhoreando as terras que 
achavão sem cabeça». — Diogo do Couto, 
Déc. VII, X, 8. 

1632 — «Entrou na Egreja huma Ca- 
bilda de Gentios, que trazia hum moço de 
idade de dez annos, alejado de nascimento 
do pé direito». — Fr. Luís de Sousa, Hist, 
de S. Domingos, iii, p. 371. 

CABISONDO. Somente sei de Fer- 
não Pinto, que emprega,© termo com 
relação à Indo-Cliina e em três sen- 
tidos : «bonzo de categoria elevada», 
«funcionário superior de alfândega» 
e «nau principal ou capitânia». Em 



CAÇa.Nak 



161 



(JAVANAR 



tonqninOs caí é tcabo», binh, ctro- 
j)a», o x/n, «rezar». Cabisondo, co- 
mo composto dessas vozes, signifi- 

1 rigor «chefe dos fieis oa 

Mas também há song, que 

quere dizer «rio»; substituindo-se 

xin por song^ cabizondo seria «chefe 

OQ autoridade do rio», e cabizonda, 

içílo principal ou barco em 

' cabizondo». 

I — 1541. — aNinguem era digno de ver 

certf>8 bonzMS (juc . uàoCa- 

h:/ )ndo», t\\\f .s:"i'i (if ■; . e graos 

'" ' que os entro.-, cnu > Cardials 

— Perrf/rinação, cap. 111. 

■ * ' 's que se 



] •■ Cabizondo» ae cepa 

" 1- . v.-Ja a terra fírnie». — Ibid , 

ap. 112 

• Os geu8 [dos religioaos budistas! mavo- 
aes, a (jue por grão supremo chaniào Ca- 
bizondo* dSo coubecem mulheres, se- 
griínlo deles se presume». — Cap. llõ. 

1''18. — «... lhe pôs este grepo Cabi- 
lo na cabefa hua rica coroa douro e 
ia a moiln (\r- mitra com a qual en- 
I 'eguj com grandissimo 
- Cap. 196. 
II — -t) N<tiií.ii«'l com todos os mais 
Capisondoa de Alfandega [do Aoameju. 
- Cap. 49. j 

in. — «A cinza delle foi metida em j 
e a embarcaram em ' 
'■ dizia a cabizonda, 
i quarenta serooa es- 
I ■,()$». — Cap 184. 

• CA6RAJ0IA (sing, kafjaragot/ã). 
i . o mesmo que talagoia (q. v.), ou 
juana. 

1687. — «... cheirando neste aporto a 

' . cama- 

1'. F»'r- 

,1,. ,, ,^.,,, .,,,,.-._ . ■■■■., -lí w < 'yi"''.p. 484. 

HAÇANAR, ca8tanar, catanar. Sa- 
te dos cristáos do S. Tomo na 



ia. U liTmu, qu« nào 
• ) nos dicionários mo- 
<>u-se do malaiala Aaffa- 
\kar, 
II, que 
ivrn kttttdiiniit ><|.i oiiiiiiM^t.i, 
' BUgiTem Fr. \ iiavn/o Alaria 
' La Croze, do sirfaco tjcutU (-■ ca- 
bia) e do malaiala nãf/ar (<^ nairo). 
II 



1599. — «E logo foi eleito de commum 
consentimento Jacob, Sacerdote Cassa- 
nar da Egreja de Pallurty». — Sínodo de 
Diamper, in Archivo Fort. -Oriental, ir, 
p. 2í>a 

1603. — «CbamSo os christSos de Sam 
Thomó Caçanares a seus Sacerdotes». 

— Fr. Antonio de Gouveia, Jornada do Ar- 
cebispo, ti. 280. 

1(J03. — «E por providencia do nosso 
senhor porque foi o mesmo caminho, que 
levou a Cacenar, aue mandou o senhor 
bispo o anno passado... Onde achei o 
mesmo Chatim que fora com o Caoenar». 

— In O Chrouiaía de Tissuary, iij, p. 186. 
16 10. — «... com todos seus sacerdotes 

(a que elles cbamão Cassanares)». — 
Diogo do Couto, Déc. VII, viu, 2. 

1631. — «Os oasanares, e vigairos 
que nelles estiverem terão a mesma juris- 
>i.i", e dalli \ tbção sobre seus cristãos que os padres 



portuguezes nas outras igrt^jas». — Âpud 
Júlio Hiker, Collecção de Tratados i, p. 284. 

1684 — «Teve recado de hum Cassa- 
nar (assim chamão os cristãos de S. Tomé 
aos seus Parochos, e Sacerdotes) que o 
certificava, de como hum paro [embarca- 
ção] chapara junto a Chituâr*. — P. Fer- 
nSo de Queiroz, Ilisl. de Pedro de Basto, 
p. 173. 

1699. — «De humas era lançado fora, 
de outras mal recebido, em outra.s amea- 
çado, tudo por ordem dos Cassanares 
(assim ehamão aos seus Sacerdotes aquel- 
les Christàosju. — Fr. Agostinho de Santa 
Maria, Historia, p. 24. 

1701. — «Cantarão os nossos as vesporas 
ao rito Latino e depois de ní^s começàrSo 
o.s Cassanares, ou, como se diz melhor, 
Catanares, ai< suas eui lingua Suriaua». 
— 1*. Francisco de Sousa, Orintte Conquis- 
tado, II, I, 2. 

1893. — «Passando para Angamale que 
era a residência do arcebispo dos christaos 
de S. Tliomé, corrigiu algUns livros dos 
oathanares, e queimou outros pelos jul- 
gar pouco orthodoxos». — P. Casimiro de 
Nazareth, Mitras Lusitanas, in liol. S. O. 
L., XII, p. 463. 

1690. — «Audiuntur instruunturque man- 
cipia, propter huniilitatem atijue inopiam 
contcmpta a Parochis, qui Cassanairi 
vocantur». — Litterae k. J . p. Hf<4. 

I''>.'>5. — «11 buon Cassanara (cosi 
uno li Kcelesiastici) cominei»") à do- 
uarsi un poço». — Fr. Vincenxo .Ma- 
na, Vinygio, p. 133. 

«Tutti se cbinmono CassanarI, nome 
preso dali' Ar.ibico, che vuol dir« Coãiê 
Nair, cioè Sacerdote do' Nalri. — Id., 
p. 155 

IHfíO. Cassanare. Sacerdote Cbrís- 
, ... — Mgr. Sebaítiani, 

1711. ..I..I L.liirgie d<'s 1 \f.i- 

labars appelli/. Caçanares <u 

cette langue [siriacaj. Ces Coçanaroa 



caçapo 



162 



CAÇARA 



sont les Curez des differeirtes Paroiases 
establies dans ces montagnes, ou il y a 
plus de cent mille Chrestieus, dont quel- 
ques-uns sout encore Schismatiques». — 
Lettres Édijiantes, xjt, p. 383. 

1724. — «11 so trouve parmi eux plu- 
sieurs Caçanares, c'est le nom qu'ils 
douueut à leurs Prètes... Cest nu nom 
compose dtí deux Languea Syriaque et 
Malabare. II siguifie un Prêtre Noble, ou 
Naire». — La Croze, Hist, du Christiauia- 
me, p. 54. 

1786. — «Stava meço Ciandi Cassa- 
nar di Callurcadà, curato dl quella Chiesa 
de' Cristiaui di S. Tommaso». — Fra Pao- 
lino, Viaggio, p. 129. 

CAÇANEIRA, CATATIARA. Mulher 
de caçanar. 

1599. — «Como as molheres do.s Sacer- 
dotes, a que cliamão Catatlaras, ou Ca- 
çaneiras, nào só por isto tinhão o me- 
lhor lugar no povo e na Egreja -.». — 
Sínodo de Diamper, iu Archivo, iv, p. 434. 

1603. — «As mulheres a que elles cha- 
mâo Catatlaras, ou Cassaneiras, são 
por isso mais honradas que as outras». — 
Fr. António de Gouveia,, Jornada, fl. 59. 

«Mas nem com ver isto com seus olhos, 
quis desistir de dizer que era sua molher, 
nem deixar de se tratar como tal, nem ti- 
rar o sinal de catiara, e molher de sacer- 
dote, que he hua cruz ao pescoço». — Id., 
fl. 79 V. 

1616. — «Estas suas mulheres se cha- 
majn Catatlaras, ou Cassaneiras, 
que quer dizer mulheres de Caasanares, 
que são os Sacerdotes, c assim por isso 
eram as mais honradas». — Diogo do Couto, 
Déc. XII, III, 6. 

CACER (s. m.). Antigo direito adua- 
neiro sobre o bétele seco, em Ba- 
çaim. Do mar. Jcãsri, «fruto secado 
em talhadas». 

1554. — aPatiager e cacer, que he a 
renda de betei que vay para fora de Ba- 
çaim e Agiiacim, que sempre auda junto». 
— Simão Botelho, Tombo, p. 158. 

*CACANHÚQUI (jap. kakanyoki). 
Amplexo geral entre os cristãos do 
Japão. 

1565. — «Dom Bertolameu os convidou 
ja hua vez por via do cateringoto em que 
lhe deu o cacanhuqui e diz que o a de 
fazer cada mea hua vez e pedio perdão aos 
Christãos de o não poder fazer mais por 
sua pobreza».— P. Belchior de Figueiredo, 
Cartas de Japão, i, fl. 204. 

CAÇAPO (ár. qasãh). Carniceiro, 
magarefe ; peça de artilharia. O ter- 
jno é usado em várias línguas da 



índia. Blutoau e Morais escrevem 
casapo, h imitação de Couto ; mas a 
etimologia indica como este o leria. 

1612. — «A principal forão nove peças 
grossas, em que entrava huma que os nos- 
sos chamauão o Casapo grande, e elles 
Samacasapo, que na sua lingua quer di- 
zer, com el carniceiro ; porque os carnicei- 
ros que cortâo as vacas lhe chamão Ca- 
sapo- . ■ Trazia outra peça que os nossos 
chamavão o Casapo _pegMeno». — Diogo do 
Couto, D(^c. VIII, 9, 33. 

«... tendo contra si aquelles Casapos 
arruinadores de tudo, que não davão que 
não levassem tudo apoz si». — Ibid., cap. 34, 
et passim,. 

1630. — «Ficarão todos os pescadores, e 
08 que athé agora forão regatões de peixe, 
galinhas, e qualquer outro mantimento, e 
os cassasses e marchantes». — Archivo 
Port.-Orimtal. v, p. 1397. 

1727. — «Casapo. He o nome de cer- 
tas peças de artelharia na índia». — Blu- 
teau, Supplemento. 

CAÇARA, cacera, cachara. Planta 
ciporácoa — /Scirpus Kysooi', Roxb., 
que dá tubérculos comestíveis. Do 
concani-mar. kacliar. Os ingleses 
chamam-lhe caltrop ou ícater chest- 
nuts. 

1333. — «Outra das suas frutas he a que 
elles chamão Cacírá, ao pé da qual ca- 
vão a terra, que hc excessivamente doce, 
e se assemelha á castanha». — Ben-Batuta, 
Viagens, ii, p. 23. 

1563. — «Não he senam huma fruita que 
nace na vasa debaixo da terra. . . e depois 
de seca a vasa sae fora, como as tubaras. . . 
Chamase caceras». — Garcia da Orta, 
Col. XI.— «O "Caceras» de Orta deve 
ser o Scirpus Kysoor, Roxb ... O Scirpus 
Kysoor, commum na zona occidental da 
índia, .vivendo nas terras alagadiças e mar- 
gens dos tanques, tem o nome vulgar de 
kachara ou kachera muitíssimo similhante 
a cacera». — Conde de Ficalho. 

1634. — "As fruitas são quasi todas as 
que se dão na índia, e em particular mui- 
tas mangas e caçaras, que são como cas- 
tanhas». — António Bocarro, Livro das 
Plantas das Fortalezas. 

1810. — aGidgul, galhos, cachar, pe- 
dra liume».— Joaquim C. Soares, Doe. 
Comprobativos, p. 434. 

1900. — «Caçaras são batatas saboro- 
sas que se encontram nos tanques em toda 
a costa do Guzarathc». — António F. Mo- 
niz, Hist, de Damão, i, p. 76. 

1908. — «... but enumerates the follow- 
ing spieces of Scirpus as aâ"ording edible 
products: (a) the bulbs of S. grossus, the 
kysoor or kachara, and (b) the seeds of 
S. maritimiis». — Watt, The Commercial 
Products, p. 466. 



I 



CACKIU 



tní? 



CACHA 



CACATU. cacatua, catatua [m:\\. 
htk'ituraK I''<.|«.mIi' tie papagnio (\n 
íauieuté branco 
- .- -■ -- ■^• 

1727. — «Catatúa Pasaarn. que se 

'i'3 : 
iro 
^^ It. nil. i d" uico 
vm o faz ser da 
- 1 ti lido con ti- 
que tomou 

— ... ■ ,,,■ nto. 

ii>. — nA> - )9, que ha de co- 

,r.í:i< ,! ,. i.,.|o maior vo- 

lte por uma 
.0 a ave ou 
-;iz, e que na 
• .1 graça». — 



Ultra cacatuas que 

s brancos maiores que os 

:t5. com uma espécie de 

tinao amarellas côr de 

— Âunae» Mtiriiimoe 

«K de neve no resplandecente 

V 'lo das cacatuas sulphu- 

' dtí Castro, Flores de Co- 

La terza fespécie de papa- 

' ' * audi come galliue 
I dire pregiati ; 
altri». — Nicolo 
, fl. 341. 



olii 



l. — . 



• l'<irdauvee». — Lin- 
. , H7. 
Oaccatua ê parimente \c- 

111. ni\ Oiii iitale, e dfUa 
' ato da Por- 



iir.iiiv»», (HTivado <io ár. kasb, que 
siu'iiitica «arte, protíssào, comércio». 
>[oles worth, no sou dicionário 
ata, tambOin lhe atribui o signi- 
ticndo de ciio de prata muito fino». 
Cacebí dove, portanto, ser «o que 
tt-m tio de prata iio seu tecido». Ou- 
tras acepções de kasb'i nflo tem apli- 
cação uo caso, a nâo ser «artístico». 

1525. — «Tafecyra abaryary caceby 
vali a corja vynte e sete tamgas e mêa». 
— Lembranças das Cousas da índia, p. 50. 

CACHA (dravíd. kackcha). Pano 
cru. «Na Índia so dá este nome a 
huns panos de alfçodâo ordinário que 
se fazem no Ãlalabar». Bluteaa, 
Supplemento *. V. encachar. 

1511. — «Por este tos mando que dea... 
duas caxas de canbaia dez tafeciras dal- 
guotiá e nove serafis hem dinheiroa. — 
Afonso de Albuquerque, Cartas, vi, p. 428. 

1513. — «Quatro beyrames e duas ca- 
chas, sete cotonias dalgodâo». — Id., it, 
p. 107. 

1514. — «Vos mando que des antonio e 
a gaspar e a belchior francisco e a Joane 
e aluaro... a cada búu húa cacha e duas 
eeroullas ou pano pêra ellas». — Jd., ti, 
p. 156. 

1546. — n2 colchas, sendo uma de ca- 
cha». — Espolio de Jorge Balthazar, in 
Hoi. S. G.L., IV, p. 2ÍK). 

15í)9. — «E as8Í o tirar himi fio com su- 
persti^'So qiiaudo se cortuo as cachas, 
ou outros panos». — Sínodo de Diamper, 
in Archivo, iv, p. 489. 

1611.— oNfio sendo o menor [embaraço] 

D Isabel e sua filha D. Luiza, as quaes 

traziam os escravos do capitão mór As eos- 

' <u cachas concertadas ao modo do 

do Hr!i/il, quo em Cuama chamam 

iras». — IJist. Tragico-maritima, y, 



kl. Viuctiuo Mi^íi4^ , "''^^- — •K '^•"'^* l'*""* *? '' '^«' 

I do unindo se trazcin a.<i tin ;is, 

"<, bofftá», enrolados, cac nu», <)ei- 

•». — P. Manuel U<»dinlio, Jírloção, 

16H4. - «Faltou bum anno na Rouparia 
do Collegio de Cochiin, em que assistia o 
Irmio Pedro de liasto, roupa branca ; por 



: u,-rc Milk V,- 

i;ih, Cockatu' , 

'Ui líiuitam». — Fryer, Au«í India, i, 

■' -r- ka- 

..,s _^0 

I Min 
iit i>t' 

■ . ... ,M. w..^ .» ,...■.....-.... nj.tícies». 
Watt, The Commercial Products, p. 188. 

'I. Vem o vocábulo num di- 

.11, ,. u;>M.;i;,.ado de «espó- 

> o dÍ7. i}!ual- 



.\..l'^Um.A^:„ 4..,./. 



io» 

.•o- 

Ml- 

-soa 



ludiciuu di«tiuuiuieul« a pútris 



cachahi 



164 



CACHEMIRA 



nâo chegarem cachas da costa da Pes- 
caria, de que aquella oficina se costumava 
prover». — P. Fernão de Queiroz, Hist, de 
Pedro de Basto, p. 545. 

1687. — «Pagasse quatro lans, ou húa 
cacha que os valesse, por cada amanão, 
aos donos das hortas, e arecaes». — Id., 
Conquista de Ceylão, p. 848. 

Ití97. — «Ordenaram huma embayxada 
ao mesmo Capitão de Cochim com hum sa- 
guate de oyto pérolas de preço, com vinte 
mW fannens, e algnas cachas de estima». 
— P. Francisco de Sousa, Oriente Con- 
quistado, I, ir, 1. 

1727. — «That Country (Tegnapatan) 
produces Pepper, and coarse ClotH called 
catch as». — Hamilton, in Glossary. 

% CACHÃO. Conforme Diogo do 
Conto, é o vento noroeste; conforme, 
João Ribeiro o Fernão de Queiroz, 
ó suão, e conforme o ótimo tara. ka- 
chckãn, ó sudoeste. E o vento que 
sopra entre a índia e Ceilão e difi- 
culta a navegação. 

1614. — «De Tutocorim foi atravessando 
a Ceilão com bom tempo; e sendo já á 
vista daquella Costa, lhe deo hum tempo- 
ral, a que os naturaes ahi chamam Ca- 
cham, que é vento Norte, que alli fica 
sendo travessão ; e he tão perigoso, que de 
maravilha escapa o navio, que toma no 
mar». — Diogo do Couto, Déc. X, v, 9. 

«Começou a ventar o Noroeste, que alli 
chamam cachão, que he travessão, e na- 
quella Costa venta os mais dos dias». — 
Id., Déc. X, X, 8. 

1685. — «Os ventos geraes, que todo o 
anno cursão [em Ceilão], he o Norte, e o 
Sul, e chamão áquelle vara e a este ca- 
chão, e ambos formão na Ilha dous in- 
vernos, e dous verões». — João Ribeiro, 
Fatalidade Histórica, ui, cap. 8. 

1687. — «... deuendo partir de Goa 
antes de acabar a monção da Vara da 
parte do Norte, que cursa por todo Março; 
primeiro que começasse a do Cachão da 
parte do Sul nos primeyros de Abril». — 
P. Fp.rnão de Queiroz, Conquista de Ceylão, 
p. 797. 

CACHARI. Aparece o vocábulo em 
alguns dicionários como sinónimo de 
«caril»; mas não é tal. Em concani, 
marata e hindustani, khichadl implica 
o conceito de farragom, mixórdia, 
tendo por elemento principal algum 
legume seco *. O cachari comum 



1 «Here is a great Plenty of what they 
call Ketch ery, a Mixture of all toge- 
ther, of Refuse of Rough, Yellow and Une- 
qual, which they sell by Bushels to the 
Russians». — Fryer, East India, ii, p. 361. 



faz-se cozendo o arroz em água ou 
manteiga com alguma espécie de 
feijão ou lentilha descascada e par- 
tida ; é a ôste que se referem as abo- 
naçOes. Em Goa prepara-se khichaãi 
doce com trigo, legume seco, sumo 
de coco e jagra. 

1333. — «Outra o Almanjo [= muwcfo], 
que com o arroz o comem com manteiga, 
a que chamão Coxr i do que almoção todos 
os dias, que he entre elles como as papas 
no paiz da Mauritania'^. — Ben-Batuta, 
Viagens, ii, p. 24. 

1695. — «Nesta [prisão] morrerão mui- 
tos [ingleses], porque em barriga ingleza 
agua' sobre cacherim de lentilhas he 
prognostico de morte». -^ Cosme da Guar- 
da, Vida de Sei-agy, p. 31. 

1760. — «E aos almoços huma vez se lhe 
[aos soldados] dará atolla, e outras ca- 
cherll com salgado e achares». — Ápud 
Júlio Biker, Collecção de Tratados, vii, 
p. 185. — «CacherM, arros e grão cozido 
com manteiga». — Nota. 

1631. — «Unde jugiter famelicum ven- 
trem familiari explent victu, quem vocant 
KItsery, componitur è pisis et pauxillo 
oryzae, haec ita mixta cum aqua foco ad- 
movent, et tantisper relinquunt, donec le- 
gumina et far humorem omnem ebiberint». 
— De Império Magni Mogolis, p. 121. 

1655. — «Li Guzaratti gustano certa 
specie di cibo, qual chiamano Chicciri, 
composto de riso, e piselli piccioli, negri, 
pestati, quali condiscono com' ogn' altra 
cosa con oppio» (!). — Fr. Vincenzo Maria, 
Viaggio, p. 261. 

1666. — «II répondit sans hésiter, du 
kichery, qui est un melange de legu- 
mes, le manger ordinaire du menu peu- 
ple». — Bernier, Voyages, i, p. 208. 

1673. — «The Diet of this Sort of 
People admits not of great Variety, their 
delightfullest Food being only Cutcher- 
ry, a sort of Pulse and Rice mixed toge- 
ther, and boiled in Butter, with which 
they grow fat». — Fryer, East India, i, 
p. 94. 

1750. — «Les trois plus conununs dans 
riude sont le Curri.i le Kitcheri et le 
Pilau... Le kitcheri est un ris étuvé 
avec une certaine legume appellee Dholl, 
qu'ils regardent comme très-saine et nour- 
rissante». — Grose, Voyage, p. 243. 

CACHEMIRA, casimira. Tecido de 
la fina e macia de cabras de Tibete, 
o qual se fabrica na índia, princi- 
palmente na província dé Caxemira, 
vale do Himalaia ocidental, de que 
tira o nome, que agora se dá às 
imitações de outras procedências. 
Y. chalé. 



CACHOXDE 



165 



CACIZ 



• CACHIL. Titulo dos príncipes 
lias .Afniucas. Do mal. kaychlU. 

1" D. \i.'T.. .!(• dar obediência ao 

- que ali ya, por- 
ia oatro tanto como 
ao de 1 idoreu. — (.astanheda, Historia, vi, 
cap. 6G. 

«Cachil Rad-' h « L'n. niador de Ti- 
dore, quo era niuyto <v-.í"(.ryado, e sabido 
na guerra não estaua na cidade». — Id., 
vui, cap. 5. 

1. '>•■)■; — «Entre os do Maluco lia hnm 
prcniiui' de honra que lie Cachil, como 
entre nos Dom, e dizem Cachll Da- 
rtH^>. Cachil Vaiduau. — João de Harros, 
Déc III, V, 6. 

1097 — «Fomentavão eate ódio os prin- 
Caohis (titulo de mayor nobreza, 
■ lei». — P.Francisco de Sousa, 
-^.1,111,1. 
1 n la Fortaleza de Ter- 

ii;it- ..i> iMMi.i.tt, con sospcclia de ve- 
il, ii", li.ii ' jM^r industria de Cachil de 
\ .- . , ■ ' ; )go de que le dura.sse inàs la 
:: que tenia del Key no». — 
í .i, Asia Portugv'^" ■ " 264 

Cacho. V. cato. 

CACHONDÉ, cachundé (s. m.). Bo- 

•>, aroca. açúcar o outros 

- que so usa na índia o 

na Malásia para perfumar a boca. A 

palavra é composta de duas malaias, 

kãrhu, «cato», e ondeh*, bolo. 

1619. — «De cada candil de oaohundy 

eo r,n,T.jr^ de dirpit'>.'? meio pagode». — lie- 

Vedor Nuno Vaz. 

. . ._ - nCachondé. He huma compo- 

sii^lo de almiscar, e âmbar, com o sumo de 

ti' ; ums (].• liiim.i ;ir\ oil' il.i Inrlia, chamada 

' ;'>nsa, e ae faz 

... , .' una grSosi- 

iiii -. que se trazem na boca, e são bons 

ji:i':i ó bafo, f f.-.taiiinr"" - I'lntoau. 

;T"' i grandes 

'L hundé e 

... ■-( loK.d tlt' píiatllhas de 

Mn '■ cachundé »• brancas» 

\ . ''. 

! • PA qn'i>Ues [damas de Goa] 

ir (le la Hcttele et 
iie est pour catre 
nr»', (iiimne aussi 'i 
_'eut beaucoup d'f 
t, et Uí^ent df 
Cachundé 

-; poll I li 1 1 1- iiiii- 

>!•. — Linschoten, 
ii. .--. |. "1 .\ ; » do Dr. 1'aludano : 
«La Cachundé a nion opinion i-st faite 
d'uue cípcce de Gallia Muocata avfc iu» 
de RegalÍMe. Les gasteaux en sont noirs, 



marques de devera characters, ainers au 

i>r,nii..r goust mais aprés fort doux. IU 

:it le coeur et font avoir três bonne 

17»)b. — To these three articles (betel, 
areca, and chunam) is often added for lu- 
xury what they call oachoonda, a Ja- 
pan-oarth, which from perfumes and other 
mixtures, chiefly manufactured at Goa, re- 
cf.ives such improvement as to be sold to 
advantage when re-imported to Japan». — 
Grose, in Glossary. 

aCACHOOBONG (s. m.). Estramo- 
nio de Sumatra». Domingos Vieira. 
O mal. kachuhong é o nome da da- 
tura (q. V.), e a sua correcta trans- 
crição em portuguôs deve ser cachu- 
bão. Cf. gudão do mal. godong oa 
gudong. 

CACIUBi) . Esta palavra de origem 
africana — quimbundo kixima — em- 
pregase na índia Portuguesa no 
sentido de «mangra ou neblina», que 
costuma aparecer na estaçào dos ter- 
rais (q. V.), isto é, em Dezembro e 
.Janeiro, e cresta a inflorescência das 
árvores, especialmente de cajueiros, 
mangueiras, e figueiras. Na África 
e no continente tem o vocábulo mais 
significações. O termo correspon- 
dente em coucani é pãlvi. 

1916. — «Pelo aspecto de mangueiras 
que quasi em toda a parte apparecem flo- 
rescidas, espera-se boa producçâo de man- 
gas, este anno, caso não haja damno pela 
cacimba». — O Ultramar, de 28 de Ja- 
neiro. 

1917. — «As mangas começarão a vir 
ao mercado, produto das mangueiras felizes 
que sejam mais tamporan.-; e ttMiham esca- 
padí» H calcinação du cacimba». — O Ul- 
tramar, de 13 de Abril. 

CACIZ. Sacerdote inuçulinano. Km 
árai)0 a palavra qaals, de origem 
siríai-a, significa propriamente, se- 
gundo Dozy, bem como o persa kas- 
chléh, «sacerdote cristílo»; mas os 
nossos indianistas nllo a empregam 
muito neste sentido. 

(1497). — «Mandou ElRey o Mouro e 
I elle o seu Caciz, homem velho de 
fa authoridado, que era o seu princi- 

ji.ii sacerdote da .sua Mesquita». — Gaspar 

Correia, Jjenda$, i, p. 49. 

1529. — «. . . se foy que!*'"- •■■^ »">.»;»'« 

do mie mandara faxer ai> 

oaclz mór de todas as terr.u. . 

— Id., III, p. 366. 



CACIZ 



166 



CAÇUTO 



1535. — «Tanto que a carta foy lida ao 
ydalcão, mandou chamar os seus cacizes 
e homeCs de conselho». — Chronica de Bis- 
naga, p. i!5. 

1537. — «O Caciz Moulana q ja ahi era 
chegado cõ mais outros dez ou doze seus 
inferiores tambom Cacizes da maldita 
seita, requei'eo ao Herodim Sopo Capitão 
da cidade, que nos mandasse de esmola á 
casa de Meca». — Fernão Pinto, Peregri- 
nação, cap. 6. 

1552. — «Hum mouro branco que era 
oaciz dos mouros, que em nossa lingua 
quer dizer clérigo». — Castanheda, Histo- 
ria, cap. 7. 

«Achou culpado na morte da jjorca a 
Cachil Vaydia tio dei rey, e caciz mór 
que entre elles he como entre nós ho Papa». 

— Id., VIII, cap. 19. 

1552. — «Là teve modo que se meterão 
08 seus cacizes entre elles com que se 
concertarão que causou partirse logo An- 
tonio de Saldanha e Ruy Lourenço com 
elle». — João de Barros, Déc. I, vii, 4. 

■ 1557. — «Tinham também por si os Ca- 
cizes que lhe faziam grandes pregações, 
dizendo que os Portuguezes eram arrene- 
gados e ladrões». — Commeniarios, iii, 
cap. 16. 

1566. — «... matarem um mouro ca- 
ciz- . • estando em oração na camará da 
galé em que vinha, ávido entrelles por ho- 
mem sancto». — Damião de Góis, Chron. 
de D. Manuel, ii, cap. 25. 

1567. — «A todos os infiéis que tem por 
oficio sustentar suas falsas religiões, como 
são cacizes dos mouros, e os pregadores 
dos gentios». — Primeiro Concílio de Goa, 
in Archivo, iv, p. 11. 

1589: 

«Estas bapdeyras tam diíFerenciadas 
Das outras na materia, e no ornamento. 
Dizem que do Cnclz forio mandadas 
Que lá em Medina tem assento». 

Francisco de Andrada, O Primeiro 
Cerco d» Diu, xix. 

1602. — «Hum Vaydua muito parente 
de Daroes, e douto na. lei de Mofamede, 
principal cassis e Sacerdote entre elles». 

— Diogo do Couto, Déc. IV, vii, 7. 

1603. — «... sabendo que os chamava 
para fazerem o que quizessem os Caci- 
zes frangija, que tinha consigo, que assim 
chamão aos Portuguezes, e ainda a todas 
as nações da Europa em todo o Oriente». 

— António de Gouveia, Jornada, fl. 32. 
1609. — «Atado [Fr. Nicolau do RosárioJ 

de pés e mãos a um pau o assetiaram e 
acabaram de matar cruelmente ás frecha- 
das por ser religioso a que elles chamão 
Caciz». — Fr. João dos Santos, Ethiopia 
Oriental, ii, p. 135. 

1609. — «Kespoudeo em alta voz : Cas- 
sis Frangi, que quer dizer, são sacerdo- 
tes dos christãos». — Fr. Gaspar de S. Ber- 
nardino, Itinerário, p. 59. 

«£ depois os daua a quatro Cacises, 



que seruião como de Desembargadores, 
homens velhos e veneráveis em suas pes- 
soas». — Id., p. 156. 

1632. — oE era tradição de seus ante- 
passados, que dous Cacizes da Franquia 
(tal nome dão aos Sacerdotes Christãos) 
vindo áquelle lugar em tempo, que era no- 
bre cidade. . . forào mandados matar polo 
Rey delia». — Fr. Luís de Sousa, Hist, de 
í). Domingos, iii, p. 246. 

1687. — «Já lhe chamauão, aldeã dos 
Mouros; com seu Cassís, que os ensi- 
naua, e hia propagando sua Seyta nos 
Chingalaz». — P. Fernão de Queiroz, Con- 
quista de Ceylão, p. 606. 

1749. — «Mas os Caziques (assim são 
chamados naquelle povo os ministros da ley 
de Mafoma) fizérão requerimento ao Rey, 
para que o mancebo fosse restituído». — 
P. Crasset, Hist, da Egreja do Japão, ii, 
p. 152. 

1785. — «Desta Cidade e povoação fo- 
ram lançados fora os Portuguezes por in- 
dustria dos Cacizes ou Padres Mouros». 
— Apud Júlio Biker, CoUecção de Tratados, 
xii, p. 18. 

1885. — «O cacice dorme, havemos de 
voltar aqui amanhã muito cedo para dar- 
Ihc novos parabéns c receber algum sa- 
guate». — P. Vítor Courtois, Boi. S. G. L., 
v, p. 504. 

1905. — «Kasi é derivado do árabe 
Kashih ou Kasis, significando = um «pres- 
bytero», = — «um padre» — christão. Os 
escritores europeus empregam o termo 
jiara designar um sacerdote mahometano, 
e os mussulmanos i)ara significar um secer- 
dote pagão, isto é, não mahometano». — 
Herculano de Moura, O Oriente Portuguez, 
II, p. 504. 

1542. — «Extitit Saracenus Caciz, idem 
ac Magister Mahometicae disciplinae, eru- 
ditus imi^rimis... Suns cuique viço Ca- 
ciz est instar Parochi; Cacizes, autem 
nihilo magis, quam alii, scribendi legen- 
dive periti». — S. Francisco Xavier, Epist., 
lib. I, 10. 

1588. — «Di piu perche i Cacizl (con 
questo nomine se chiamano i saceridoti 
delia superstizione Mahomettana). . .». — 
P. Maífei, Le Istorie, p. 570. 

1670. — «Chiamano i Sacerdoti ordina- 
rij Casls, ò con altro nome Schierifi, 
quali come anche i Vescoui, non si distin- 
guono neir habito da simplici Secolari, si 
non per ragione dei Turbante piu grande». 
Fr. Vincenzo Maria, Viaggio, p. 58. 

1875. — «Every village [de Socotorá] had 
its minister, whom they called Kashfs 
(Ar. for a Christian Presbyter), to whom 
they paid tithe». — Yule, Marco Polo, ii, 
p. 399. 

* CAÇUTO. Nome dum estofo in- 
diauo, que ocorro, como tantos ou- 
tros, nas Cartas de Afonso de Al- 
buquerque, sem nenhuns elementos 



CADEIRINHA 



167 



lADI 



t!u(ii!,\tivo8 da natureza o da pátria 
da ía/fiida. Se a palavra 6 abrevia- 
gílo do neo-árico kalasiit (do sAdsc. 
klla. 'ipn-to >. osõfrd, alinha»), dovo- 
nn»s tnt-nd. r - iin; icoido preto ou em 
quo predomina a cOr preta». O persa 
kãlu quero dizer «roupa preta», mas 
8Ó por si nfto pode ser étimo de ca- 
çuto. 

lóli. — «... de caçutot, de tagadia, 
d.' Kirtangis, de çerqueres, de panoa de 
caiiiliaia». — In Cartas, v, p. 248. 

Davcrâo todos pauos de caçutos, de 
ycrijutrcs, de tagadisu. — Ibid., p. 25'2. 

• Laucees em despcssa ao feitor cin- 
quonta ])aDOs de cauibaya nove teadas e 
qu.-itro caçutos e quatro tafeciras dalgo- 
uão duan carqucras quatro inStrizes». — 
Ibid., p 26^ 

CADEIRINHA. Desi-^^na aomaunente 
era Goa amachila ou liteira com dois 
as'^t^ntos a modo de cadeiras, em 
aiiibos 08 extremos, na qual se faz 
transportar unia ou duas pessoas e 
que ó conduzida à cabeça por qua- 
tro homens. As cadeirinhas da China 
sSo de outra espécie. V. Andor, do- 
lÍ7n, machila, palanquim *. 

1825. — «Kien-Long sahiu detraz do 
iinui colliua, sobre uma cadeirinha des- 



lácio de Andrade, 



(•■ I't'ita, conduzida por de^esei.s otHciaes 
iiiilitares». — José Ins 
Cartai, i, p. 146. 

1842. — «Machilas, dolya, e cadeiri- 
nhas •>*»!VHfn om VP7! df* carriiaçtiii, para 

t de UI13 
Mariti- 
mus, p. 4 Jl. 

1880. — «Depois é alguma aristocrática 

cadeirinha de .Mandarim, que koulin 

■ liif-i' vi'stidoB d'azul, de rabicho solto^ 

' ' * I'jante para os 

■ lo» — Eça de 
Qiiiii"'/., I / .1/ .t.t. 

1883. — »l': que se preza, tem, 

V " sua cu.iv^ié inha, com oh seus 

unifonuisadosu. — Adolfo Ivf)u- 
r ., rir,,.,,/, , ,, :<i2. 

1 Mw feita.s de bam- 

I iiitci ;i-\ III i>s:m ftn- 

nhas, I < . 

' /■(• / <lr I : vor- 

simpltís 

' — ('<ill(i«! 

tie AiU'v, ./ ) . Mi(u<in,Yt. 107, 

l^'.'i^ 'I' lucnas (itstanoias 



' 17;>3 — "Ltvavilu a S. Kx.* oito Ca- 
deiraa C'liina.s vestidos, uniformcmonto de 
seda». — F. Nowieliio, Jíelaçào da Jornada, 



faz-sc uso de cadeirinha, (ii> que ha duas 
variedades: a «da montanba», iimito leve. . 
A cadeirinha fechada ou de visitas, é 
uma espécie de guarita quadrada». — Joa- 
quim Calado Crespo, Cousas da China, 
p. 30. 

«CADELARI, s. m. (Palavra asiá- 
tica), rianta do Malabar da família 
dos amarantos». Domingos Vieira. A 
palavra vem mencionada por Rheede 
como nome malaiala de Achirauthea 
áspera, Linn. «Radia cathaftica est», 
diz 6le; «trita et butyro decocta 
dysenteriae medetur; decoctum ex 
illa praeparatum stomachum confor- 
tat, flatus dissipat, flegmata corri- 
git, cálculos vesicae infringit». — 
«Podem-se comer as folhas como 
hortaliça; sendo frescas, attribuem- 
se-lhes propriedades diuréticas». D. 
G. Dalgado, Flora. 

CADI. (ár. gãdl). Juiz, entre os 
maometanos. Confunde -se às ve- 
zes, quanto ao significado, com caciz. 
Xa índia também se diz cagi. O cadi 
julga todas as causas de direito civil, 
criminal e religioso, com apelação 
para o mufti. 

1329. — nO Cady julga o que pertence 
aos negócios de justiça, e os outros negó- 
cios os mais do conselho, que sSo os Viai- 
res e Amires». — Ben- Batuta, Viagetis, r, 
p. 322. 

1553. — «Os quaes embaixadores vinhfio 
em nome do CadiJ do Cairo, que naquelle 
tempo representava em dignidade do pon- 
tificado dos Mouros o que erão os Califas 
da Arabia, que já ii3o auiSo». — João de 
Barros, Déc. II, viii, 6. 

153*J. — «Se o portuges for culpado o 
ouuidor dos portugeses o julgarii c se o 
mouro for culpado o cady da justiça mam- 
dará nele». — Apnd .lúlio Biker, CoUecção 
de Tratados, i, p. SC). 

1557. — «Este Cadi do Cairo he huma 
pessoa principal qut; ali está couio Cacíz 
maior de Meca, e c<mHrnui o GrSo SoIdSo 
do Cairo quando o elegem». — Commenta- 
rioê, IV, cap. 16, 

1593. — «A outros [faz o Gr5o Turco] 
Kerlcbis, Chauses, Caodis, que sHo como 
Corregedores, e justiya.s mores das Cida- 
des». — Fr. PantaleSo de Aveiro, Itinerá- 
rio, p. 13. 

1G09. — «Na qunl ilha \ár TanA, nn ín- 
dia! r,' ta\,i i: 

cujo governador eutrn» i lu \\u\ utoiíio vha- 
mado Meliiitie, c cassii» nuiior otitro clui- 
mado Cadi, o qual era como bispo dos 



CàDI 



168 



CAFATAR 



mouros». — Fr. JoSo dos Santos, Ethiopia 
Oriental, ii, p. 78. 

1(512. — «Disto tudo SC passarão instru- 
mentos em lingoa Persa, assinados por Mir 
Mahamude, e pelo Cadi, lingoa, e mais 

Êessoas principais». — Diogo do Couto, 
►éc. V, I, 12. 

161Õ. — «Avisaram o povo da parte do 
Pandiane, a que os Arábios chamam Ca- 
dy». — Pyrard de Lavai, Viagem, i, p. 124. 

1627. — «Ha também para o governo da 
terra dous juizes, a que chamam Cádis, 
um é justiça para os mouros, c outro para 
os turcos» (em Argel). — Joslo C. Masca- 
renhas, Hist. Tragico-maritima, viii, p. 79. 

1750. — «Apresentou a parte testemu- 
nhas, que forão preguntadas de tal sorte 
em favor dos presos, que a alguns mandou 
arrancar as barbas por falsarios : entre ci- 
las achou este castigo hum cazi da aldeã». 
— O Chronista de Tissiiary, ii, p. 64. 

1765. — «Ao Cagy de Pondá das suas 
propriedades que estão encorporadas na 
Fazenda Real. . . ». — Joaquim Soares, Doe. 
Comprobativos, p. 132. 

1580. — «Per suo gouerno haueua un 
Sangiaco Turco, e un Cadi, & è ripiena 
di molti huomini timorati».- Gasjiar Balbi, 
Viaggio, fl. 8. 

1610. — «There is a kadi with civil and 
criminal jurigliction. The kadI of our time 
was said, by both Moors and Christians, to 
be not only an accomplished natural phi- 
losopher, but a most upright judge». — Pe- 
dro Teixeira, The Travels, p. 116. 

1615. — «I Cadi sono Giudici, dei quali 
ue ne è vno in ogni Città, huomini dotti in 
legge non solo humana, ma anche diuina ; 
e spetta a lore tutta quella giurisdittione, 
che frà noi a i Giudici, ò a i Prelati in Ro- 
ma».— -Pietra della Valle, Viaggi, i, p. 152. 

1616. — «Le Cadi en luge fait empri- 
Bonner ceux qui doiuent, lorsqu'ils se sont 
obliges par écrit». — Terry, Voyage, p. 27. 

1620. — oLeur Cady ou Euesque avoit 
predit ce tremblement il y a quatre ou 
cinq jours, et qu'il viendroit sur la pleine 
Lune, comme de fait il y est survenu». — 
General Beaulieu, Mémoires, p. 57. 

1663. — «II asrfiste régulièrement une 
fois {lar semaine accompagné de ses deux 
premiers Itadis on chefs de justice». — 
Bernier, Voyages, ii, p. 37. 

1666. — «II y a à Sourat. . . un Cady 
qui est établi pour les Loix, à qui on a re- 
cours en cas de contestation». — Thevenot, 
Voyages, iir, p. 56. 

1673. — «As for their Law-disputes, 
they are soon ended; the Governor hear- 
ing, and the Cadi or Judge determining 
every morning». — Fryer, East India, i, 
p. 93. 

1676. — «Les Cadis sont au dessous 
des MoUahs et doivent avoir conuaissance 
des loix et de coutumes dupais». — Taver- 
nier. Voyages, II, vi, p. 40. 

1770. — «Les affaires civiles étoiení du 



ressort du Cadi». — Raynal, Hiaioire, ii, 
p. 70. 

CADUCA (cone, kaduk). Brinco de 
orelha da mulher liindu, no Conc3,o 
e Malabar. 

1874. — «... outras com carabans ou 
cravos engastados de rubis e pérolas, ou- 
tras com pingentes de ouro e caducas». 
— Tomás Ribeiro, Jornadas, ii, p. 104. 

1786. — «Le giqje che prende la sposa 
dopo che è vestita sono... Cadacam, 
una senaniglia d'oro dal gomito in giíi». — 
Fra Paolino, Viaggio, p. 206. 

CAFARRO. Portagem na Palestina. 
CAFARREIRO. Cobrador da porta- 
gem. Do ár. khafra, «protecção». 

1Õ29. — "Achamos huma casa, ou choça 
feyta de madeyra, cuberta de rama de pal- 
meyras : em que estauão Mouros que arre- 
cadão tributo de todo o judeo, e Christão 
que por alli passa: que elles chamão Ga- 
far («/c), que valerá de cada cabeça este 
tributo vinte, e quatro, ou vinte, e cinco 
reis». — António Tenreiro, Itinerário, c. 46. 

1593. — «... por me dizerem os almo- 
creves, que havíamos de passar por hum 
lugar, donde se pagava cafarro, que he 
hum direyto como portagem em Portugal, 
e alcavala em Castella». — «... passado 
aquelle tão áspero encontro ficando os ca- 
farreiros feridos, e sem cafarro». — 
Fr. Pautaleão de Aveiro, Itinerário, pp. 434 
e 435. 

1615. — «Haueuamo di piu due, ò tre di 
loro, che chiamano Cafari ò guide : huo- 
mini tra la uatione di rispetto, che mos- 
trano, e assecurano la strada». — Pietro 
della Valle, Viaggi, i, p. 276. 

1660. — «Cafar. Gabella, Dogana, ô 
datio de' soli Christiani». — Mgr. Sebas- 
tiaui, Seconda Spedizione, p. 148. 

CAFATAR. Feiticeiro asiático, que 
se supunha matar homens só com a 
vista e devorar-lhes in visivelmente 
os corações. Fr. José de Monra de- 
clara não conhecer palavra arábica 
com semelhante sentido. O termo 
aparece empregado na zona da in- 
fluência da língua pérsica. E de pre- 
sumir que o seu étimo seja o persa 
kaftãr, que significa «hiena», mas 
que podia designar metaforicamente 
indivíduos tão ferinos. 

• 1343. — «Ha delleh [doa jogues] quem 
olha para hum homem, o qual por causa 
da sua vista cahe morto. O vulgo diz : 
quando he morto pela vista, e se divide 
pelo peito, e se achava sem coração que 
elle o comera. A maior parte destes feiti- 
ceiros são mulheres, e o que faz isto, cha- 



CAFE 



169 



(Afila 



la-sr Kaftan». — Ben-Batuta, Viagens, 



itor. 

. .. pitr inuy 

certa, haver entre aqii- - 'S Imm 

gt'iiero ilo L'<nf>- a qiu' ' cafata- 

r©9, qu' sens inimigos com o» 

olli' - ! i de notar, que eonfes- 

Cafatares qut doscjaudo 
I '1.' iiio(l<> alguns I'hristjlos, 

uuiir.i (. 1 ' ituar«. — Fr. António 

de G-iiv." . w/i Ha Persia, fl. 130. 

CAFÉ, Cafm Arainca, I.inn. Dá- 
o o ár. qa- 
signiticava 
uvinbo», e qne dopois foi apropriado 
;'i «infusão de cafó», sendo bnnn o 
nom« do fruto. É todavia provável 
étimo seja o nome 
; ', na Abissínia, pri- 
a vivenda da planta. O eonheci- 
iiituio ç o uso do café propagaram- 
s»^ u Europa por via da Turíiuia, que 
uma casa de café em Côns- 
cia em 1554 e que emprega 
o vocábulo kaphe. V. Glossário An- 
;' Indiano e Influência do ]''ocabu- 
> Português. 

1663. — « . . . a semente do oaoe, que 
di7rm ser a mesma que a do chocolate, a 
ijiil se bebe por toda a Turquia, e Mou- 

, , ,h.,...,j ,1.. ♦■■■rada, moidn " ■•' '^'t Pm 
iiho aos I Kts, 

. .... -..;.iiji de coui .: doa 

--». — P. Manuel Godinho, tíela- 

\ t ' '■ - "Vinlia de Moca no mar Koxu 
' ' ■ de caffé». — D. .loio Barbosa, 

/ 1 Vida, p 69. 

ll.i "Utra p'aiita, que podia 

•iieiitn ao 

" café, 



utu da lic;i.^uri-uiyíl>>, Tratado, n, 

iiiuy 

.;i V 



s latii.i iii<-,('-.c III . 
». — Fedro Teixeii 



'lio 

i*e$. 



1>>14. — «Chi la vuol piú dolicata, in- 

aior., Iri •,..t,,..r.. ,i. ! f^st,V\tin tt.. 



■\ I 



rofani, e riesce ali* hora di sabor quentia- 



aimo, é co«a di aostanza». — Pietro delia 
Valle, Viaggi, i, p. 99. 

1GÍ6 — «Ceux-Ià se seruent d'vne li- 

■"•';r qui est • ''•- ^«i"" r,,,'..lln i.'.-,f plai- 

iboire. i Ca- 

i.ua, et est i.í.:. - - -. que 

lon fait bflillir dana de I'eau».— Terry, lit- 
latiim. 

ÍGÓ5. — «In vece di quello sorbiscono 
ol Caffè, acqua bollente nera, cotta con 
la poluere di certo faue brugiate, che ven- 
gono dair Arabia Felice, cosa molto salu- 
tifcra, che risneglia dal .sonno, & asciuça 
li catarri».— Fr. Vincenzo Maria, Viaggio, 
p. TtO. 

1G66.— «Toute la Turquie gen/'ralemcnt 
a besoin de cauvé qui lui vient de THye- 
man ou Arabic hcureuse, étant la boisson 
ordinaire des Turcs». — Bernier, Voyages, 
p 31. 

1676. — «Le Caffé ne croit ni en Perse 
ni aux ludes; neaninoins pui.isque quelques 
vaiaseaux Indiens .se chargent à leur re- 
tour de la Mecque, je lui donnerai place 
ici entre nos drcgues». — Tavaniier, Voya' 
ges, III. p. 376. 

1770. _ «Lo caffier vient oriçinaire- 
ment de la haute Ethiopie. ou il a été 
connu de tems immemorial, oú il est en- 
core cultive avec succès». — Raynal, HiS' 
toire, I, p. 280. 

1786. — -Le piante dei Caffé pigliano 
uei giardini e' nei boechi» (do Malabar). — 
Fra Paolino, Viaggio, p. 116. 

«CAFETAN, m. Túnica del)ruada 
do pelles, usada no Oriente, e que o 
sultáo da Turquia offereco como des- 
tincçao. (Fr. cafetwi)». C. de Figuei- 
redo. O fr. cafetan vem do turco 
qaftan, que deriva do persa khaftãn, 
«camisola, roupSo», o qual pároco 
ser o étimo do mal. kutong, do qual 
procede o indo-port. coUlo, q. v. Os 
nossos indianistas ciiamani cabaia & 
semelhante veste. V. Moura em ca- 
fatar. 

1770. — oLea toiles blanches do Brozia 
[Barochej si connue.<» «ou» le iiom •'•• /•■"''- 
tas. Couuiie ellea sont d'une fi 
trfiine, ellesserventpourk* oafetii;! . 
des Turcs et des Persan»».— Kayual, Uts- 
toire, II, p. 23. 

1824 — «Tlieir dress was aloo comple- 
tely Taifiir. l.ULTc b.Hits with thrir tr.iw- 
. caftan «^ 

..ttle boiíii' i 

with black shi-i'p's nkin*. — Heber, Nar- 
rative, I, p 403 

CAFILA (ár. kãfila). Caravana on 
comboio de viajante» ou in 
re» ; íant.) navios de i-urga 
de conserva. O Cardeal Saraiva di»- 



CÁFILA 



170 



CAFRE 



tmgQO os dois vocábulos do seguinte 
modO: «Parece que caravana se re- 
fere directamente á multidão de pes- 
soas, que viajam em conserva para 
mutua defesa ; e cafla á ínultidílo de 
animais do carga, conduzidas por 
homens, que tom esse oficio, ou em- 
prego». Mas ambos os termos signi- 
ficam o mesmo, e a diferença con- 
siste nas suas procedências, sondo 
cáfila árabe e caravana (q. v.) persa. 

vocábulo cáfila ora conhecido em 
Portugal antes do sóculo xvi. 

1513. — aEm a dieta ylha de Canaquen, 
he gramde o trato com a terra firme, que 
vam caflilas a terra de hum rrey, que ae 
chama Hajaya, o qual compra todas as 
mercadoryas que os mouros lhe leuão». — 
In Cartas de A. de Albuquerque, iii, p. 368. 

1552. — «E estes leuão e trazem suas 
mercadorias em cáfilas de bois que 
carregão como azemolas, e em asuos, e 
em carretas», — Castanheda, Historia, ii, 
cap. 35. 

1563. — «Passarão a Turquia e se forão 
a Alexandria em modo de mercadores, em 
cuja companhia se meterão, servindo-os 
por soldados, com os quaes nas cáfilas 
passarão a Meca». — Gaspar Correia, Len- 
das, I, p. 6. 

1567. — «Acharam rasto de camellos, e 
caminhos trilhados, que davam sinal de 
seguida de cáfilas, ou recouas». — Da- 
mião de Góis, Chron. de D. Manuel, p. 18. 

1593. — «Depois que com a caftia, ou 
caravana nos ajuntámos, a qual hia tão de 
espaço, que os Turcos de cavallo, matarão 
duas, ou três perdizes». — Fr. Pantaleão 
de Aveiro, Itinerário, p. 431. 

1614. — lílegeu a Pedro da Silva de 
Menezes com sete navios para levar ás cá- 
filas, o qual partio entrada de Janeiro, e 
íby visitando a costa do Canará, deixando 
por aquelles portos os navios de cáfila 
pêra carregarem de arroz». — Diogo do 
.Couto, Déc. VIII, I, 1. 

1624. — «Alguns dias estivemos espe- 
rando com determinação de passar na pri- 
meira cáfila, porem neste meo tempo, 
tivemos avisos e sinais manifestos, que o 
Rajà de Su-anagar nos mandaua represar». 
— António de Andrade, Novo Descobrimento 
do Grão Catkayo, fi. 7 v. 

1635. — Mandava o visorei dom Henri- 
que de Azevedo estas quatro embarcações 
para trazer uma cáfila dos mantimentos». 
— António Bocarro, Déc. xiii. 

1663. — «Desta cidade para a de Alepo 
vão cada anno duas caravanas ou cafi- 

1 as».— P. Manuel Godinho, Relação, p. 163. 

1728. — «Não cuidão senão de levarem 
e trazerem as cáfilas daquelle verão». — 
Árchivo Port. -Oriental, Suppl. ii, p. 358. 



1616. — «Este trafico é tal que duas ou 
três vezes no anno vem trezentos ou qua- 
trocentos navios juntos em conserva, a qual 
chamam cáfilas de Cambaya, e se podem 
comparar com as caravanas de Alepo» . — 
Pyrard de Lavai, Viagem, ii, p. 215. 

«Era b tempo em que a grande frota, a 
que chamam. cáfila, hia de Surrate e Cam- 
baya para Goa». — Id., p. 233. 

1589. — «Or la cause de oeste grande 
frequence de Marchands à Ormuz est telle: 
Tons les ans il y a deux troupes qui font 
le chemin de terre. On les appelle Caffl- 
les ou Caravanes». — Linschoten, Histoire, 
p. 15. 

1617. — «On m'ecriuit qu'il n'estoit point 
venu d'lndigo à cause que la Caravane ou 



Caphlla de Goa auoit manque de venir 
cette année». — Thomas Row, in Relations, 
I, p. 55. 

1623. — «Doveuano essere, ò di Porto- 
ghesi, Ò di Mercanti Indiani, di qualche 
Cáfila, come chiamano, cioè raunauza di 
vascelli, che facilmente veniua da Cam- 
baia, Ô altronde, per andare a Goa, ò in 
altro porto di la intorno». — Pietro della 
Valle, Viaggi, iii, p. 14. 

1660. — «Cafila. Truppa di Passaggieri, 
Ò Flotta di Barche». — Mgi'. Sebastiani, 
Seconda Spedizione, p. 148 

1675. — «Mientres la Cafila se detuvo 
en Cambaj'a, passo el a visitar la Forta- 
leza de Diuu. — Faria y Sousa, Asia Por- 
ttiguesa, iir, p. 274. 

CAFRE, s. m. e f. (também cafra, 
registado por Bento Pereira). Preto, 
negro. Kãfir (pi. kofra), em árabe, 
significa «infiel, incrédulo», e designa 
qualquer indivíduo que n^o professa 
o islamismo *. Aplicado, entre ou- 
tros, aos pagãos da Africa Oriental, 
os portugueses adoptaram-no, res- 
tringindo a sua significação, e trans- 
mitiram-no às outras nações euro- 
peias *. 

1516. — « Jas huG muy grande regno de 
Benemetapa que he Gentio, ha que os 
Mouros chamam Cafres». — Duarte Bar- 
bosa, Livro, p. 234. 

1534. — «Não ficarão mais que quatro 
homens portugueses, hum cafre os quaes 



^ «Que se lembrasse que aquelles Pa- 
dres eram dos principaes inimigos da sua 
ley, mestres dos Cafâres, (assi chamão 
aos Christãos, que quer dizer gente sem 
ley». — Fr. António de Gouveia, Relação 
da Persia, fl. 216 v. 

2 «Applied by the Arabs to pagan ne- 
groes, adopted by the Portuguese, and from 
them by our countrymen». — Crooke, em 
Fryer, i, p. 62. 



< .\ 1 i > I , 



171 



• Av i.r. 



-CriítóvSo Vieira, 
p 03 



— *U pruut'iro lu^' i 

> nom*" do dito rei • .: 

cbaniam cafries 
fi r.. V, p M7. 



to- 

: é 



1." 1_ 
cafres» 

'i: 



;■■ ar- 
no8 

Cafres 

I (lue %aj do >i»iin(i'' para 
— D. João de Castro, lio- 
'• - ■ '-3. 

arados, de cabellu 
t"«.;.- , ,,, f,renhas a modo de 
— FernSo Pinto, Pfret/rinação, 



— "E por outro nome commum 

•liain'i Cafpp», Mil.' iiuer diaer 

ào a todo 

Cafres 

hi» . de nós mui recebido pelos 

mil' ■•■■^^ f|u>- temos desta pente». 

— .]"À- .\.- i; I, VIII, 3. 

1 '■.'-— «x im nove cafres 

em um outeiro, t. alli estariam duas horas, 
sem tPT'-m r.enhTima fala comnosco». — 
//! ' • I, p. 25. 

1 Ilha aly hnm gentio 

na» i-..; ia tt-rra, ijvi!- conhecia de muitas 
vi .:■ i'le rinha a Moçambique e possuia 
em sua casa um moç.» que falaua muito 
bem a linpua dos Cafres, que eram os 
nat ir.i' t» da terra» — Gaspar Correia, 
/.^' • ' , r, p. t>6. 
1Ò72: 

• Verio ot Cafres aipero* • &Taros 
~ ir á linda dnma seaa Teitidoa». 
Cam&e», Lutiodat, y, 47. 





1.'. 

er 
11. 

sfr 

1 


dizer 

os !■ • 


I»;." 


Ml • - 


N' rosque sós ellei 

- '.-: outras nações, 

Mafaiiieile sSo 


Of 


1., , 

iiiti 


as 


qu 
fl. 

Cl 


cafres, que 
— 1'ritnor e Honra, 

rinha, fil; 
Iva. que .: 

-r r .ii^íio 






p. 97. 

n.;n:t tir i.iliu-, 6 lan- 

■'. - Dioijo do Couto, 


h- 


■m aquel- 
lamam cl- 
dizer co- 
da Guiné sSo 



.•\r.;.- 



(Ih 



riTtn 



— Fr. Agostinho de Santa Maria, Historia, 
p. 3:>9. 

172G. — «MandarA idpn restituir todos 

os cafres e cafras, e mais cativos de 

'••rrasu. — Audré Ribeiro Coutinho, 

p. an. 

lí>by. — «A que habitaram es- 

tes paizes I uío o nonif ãc ca- 

fres, derivail" 
qual oa mouros ♦•- 
sigilaram aos prim-Mi 
turaes do paiz, por i. 
rào». — A. P. Paiva t- t tii;i, dui . o. ^r. L., 

IX, p. 352. 

1686. — »La cau.«a è perche sono alia 
fine Negri e Cafri, che vuol dire uonaui 
senza ragione». — F. Sassetti, Leiterc, 
p. 277. 

1589. — oCeux qui avoi'^nt fr.ifrn.' torre 
furent accueillis d'autres'' s 

tombez es mains de Caffrc ^^ . 
pouillirent». — Linschoten, Histoirf, p. lõl. 

1596. — «Caphres nobLs visis passim 
suocensis iguibus muitos pro more fumos 
excitabant». — índia Orientalia, iii, p. 126. 

1614. — «That kuave Simon the Caf- 
fro, not what the writer took him for — he 
is a kuave, and better lost than found». 

— Saiiisbury, in Ghsêary. 

1652. — «Ces Caff res, car c'est 
qu'on appelle les habitans de cette j 
du iiionde» (Moçambique). — Relations d>: 
la Chine, p. 28. 

1658. — «Vn Caualiero di <" 
disse, che pochi giorni prima t: 
caceia, con quattro de' suoi oanari 
iSchiaui Africani) s'incoutro d'vcciderne 
uno [gibóiaj, lungo cinq — • -quepassi». 

— Fr. Vincenzo Mari. p. 416. 
16«;0. - aCafre. liu.,,,.. ... .--■ ■'• ^^ - 

zabico, Sofala, & altre Prouini 

— Mtrr. Sebastiaui, Stconda ^^ 

p. HM 

1676 — «iCes Cafres, « ">f «1.!* nou- 
ples noirs qui Tieftuent d 
droits de rAfrinlH- — T:iv 
III, p. 160. 

CAFRARIA. i':us iiaiHtauo pur ca- 
fres ; multidílo di} cafres. 

1611. — «Pudcrilo penetrar ease coracJo 
da Cafraria até a outra parte de An- 
gola». — Diogo do Couto, Piai. do Hotdailo 
Pratico, p. 8. 

1682. — «... situados na Kthinpja, que 
cooimummente chamamos Cafraria» — 
Fr. Luís de Sousa, Hiêt. de &'. iJomittgoê, 
m. It 3tjr? 

de mil tniicafrí de 
;-■ toda a cafraria». 

— iieniardo Feio, Hist. Trágico- marit ima, 

X. r ii»9 



pr'\.1 bem. e > 
com mais trabalh 



.it^' huiLalilci><- 



V, p. ac. 



CAIMAL 



172 



CAIMAL 



1782. — «A batata ingleza,'de que^já 
fallci, a qual e a farinha de páo podiam 
dar sustento para a innumeravel cafra- 
rla» (em Goa). — Fr. Clemente da Res- 
surreição, Tratado, ii, p. 365. 

IGIO. — «En la Cafraria, o tierra de 
los negros hazia la parte de Álosambique, 
se haze vino de mijo, que dizen Iluyenbe, 
o, Pembe». — Pedro Teixeh-a, líelaciones, 
p. 17. 

CAFREAL. Relativo aos cafres. 

1831. — «Mandou o dito Tenente Coro- 
nel a Cuamne Atutume, ou solicitador, que 
assistio em todos os actos da dita negocia- 
ção, relatasse officialmente segundo o es- 
tylo cafreal tudo que se tratou». — Apud 
Júlio Biker, Collecção de Tratados, iii, 
p. 80. 

* CAFRINHO. V. munda. 

* caída (ant.). Emolumento, di- 
reito, na índia Portuguesa. Do ár. 
qada, «regra, lei», admitido em hin- 
dustani o outras línguas áricas. 

1546. — «O alcaide do mar me dizem 
que leva mais das suas caidas do que 
tem por ordenança, das tarradas que hali 
vem de lenha». — D.João de Castro, in 
Archivo, V, p. 192. 

1593. — «Não levará mais lag imas nem 
caidas nem percalços que os não tem». 

— Francisco Pais, Regimento de Percalços. 
1620. — «... et pour les droits des Otíi- 

ciers de I'Alfandegue qu'ils appellent 
Cayda, nouuellement impose à raison de 
diz pour cent de droits du Roy» (em 
Achem). — General Beaulieu, Mémoires, 
p. 70. 

1590. — «Gli Hebrei, poi i Armeni, i 
Mori oltre gli undeci, per cento, pagano 
un'altro datio, che chiamano Caida, ch'è 
di tre altri per cento». — G. Balbi, Viag- 
gio, fl. 52 V. 

CAIMAL (caímão, p. us.; malaiala 
kaimal). Kaire principal, o senhor de 
muitas terras e vassalos», conforme 
os nossos cronistas. As vezes é sim- 
ples tratamento, dado por classes in- 
feriores a qualquer naire ou indiví- 
duo da casta militar no Malabar ^. 

1504. — «Mandou lia abaixo aaquele 
lugar a que chamam o palinhar, huum cay- 
maj seu, com obra de iiic [300] homens». 

— Álvaro Vaz, in Cartas de A. de Albu- 
querque, III, p. 262. 

1512. — «Porem se me V. A. segurar 



• A title of rank amongst theNairs, and 
used by the inferior classes when address- 
ing them, as My lord, and the like». — 
Wilson. 



dos arrufos del rrey de cochim e de cana- 
nor, OS quaees nam qerem ver esta paz 
[com o saniorim|, porque ficam caimaees 
de todo». — A. de Albuquerque, Carias, i, 
p. 79. 

1516. — «Loguo certos condes, ha que 
clles chamaom Cahimal, com ho que ha 
de ser príncipe, e com os outros erdeiros 
fazem juramento ha ho dito Rey . . . Nestes 
treze dias [de luto] em que estaom espe- 
rando por esta ceremonia, governa o regno 
hum Cahimal, que he como escripuam 
moor dele, ho qual cargo e dinidade he seu 
de juro». — Duarte Barbosa, Livro, p. 313. 

1552. — «Mas ainda se lhe rebellarão 
muitos caimaes que entre elles são pes- 
soas notáveis como acerca de nós senhores 
de terras de titulo». — João de Barros, 
Déc. I, VII, 7. 

1552. — «Mandoulhe cometer pelo Cay- 
mal de Paluarte seu vedor da fazenda». 

— Castanheda, Histeria, m, cap. .38. 
1557. — «Cumpria muito. . . ^espejar-se 

a Ilha de Cochym dalguns Caimaes (que 
são senhores principais do Reyno) que o 
Çamorim nella tinha com gente para a de- 
fender». — Commentarios, i, cap. 1. 

1563. — «Estes Caimaes são senhores 
de terras e muytos vassalos, e nome de 
Caimaes são nomes de Condes». — Gas- 
par Correia, Ijendas, i, p. 214. 

1566. — «Estes [naires] por lei do Re- 
gno não podem casar, com tudo hos Cai- 
maes que são senhores ho podem fazer». 

— Damião de Góis, Chron. de D. Manuel, 
I, cap. 42. 

1603. — «Chamão os Malauares Cai- 
maes a senhores grandes de vassallos, 
isentos em seus gouernos como Reys, mas 
os mais tem consideraçam e liança, e certo 
modo de vassallagem com alguns dos Reys 
grandes, que elles estão obrigados a lhe 
acodir e os defender, e os Caimaes aju- 
darem os Reys em suas guerras». — Fr. An- 
tónio de Gouveia, Jornada, fl. 270. 

1613. — «Neste districto que digo, ha 
cincoenta e nove senhores absolutos, entre 
Reis e Caimaes». — P. Manuel Barra- 
das, Hist. Tragico-maritima, ii, p. 122. 

1614. — «Abalou de sua casa com qua- 
renta mil Naires, que também se estende- 
rão em fileiras, por cujo meyo elle foy pas- 
sando acompanhado de seus Regedores, 
Caimaes, e Penicaes, e apar delles vi- 
nhão os Bragmanes, que são os ministros 
de suas seitas». — Diogo do Couto, Déc. VII, 
X, 9. 

1632. — «... depois que se comprarão 
a elRey de Cochim e aos Caymais do 
Vaipim, e a outros possuidores as partes 
que nella tinhão». — Fr. Luís de Sousa, 
Hist, de S. Domingos, iii, p. 360. 

1634: 

»Tal resistida a Lusitana gente 
Rompe com faria, Naires derrubando, 
A quem tomando daqueUa ilha as portas, 
FicarUo seus Caimai» prezes e mortos». 

Meneses, Malaca Çonquutada, vi, 10. 



CAIHO 



178 



CAIRO 



ir,07. - «TralKilliãrSu altruns dos mais 

^' sonhoreB 

IV Fran- 

ciico dr ^ ' 'i 2. 

1571 ilum 

poruentuiii ..-,1, civiía^Utí, quua illi oal- 
maes app*-llaut, Gamae obviam pro- 
diere». — Jerónimo Osório, De Rebuê, i, 
P 119. 

l'>7?^ — « . . . diziendo me que supiesse, 
(lut ;i.jUfl Gentilico era adeuiuo de vn ca- 
jiit.iii !•• aqaella tierra, a que elles llamau 
Caymal». — Cristóvão da Costa, Tracta- 

ir>--^ — ^ «Questi [samorim] hà quattro 

■ >: i;!]i ii hn-miiii ncl suo regno, ijatrapi, 
.• M _n '\. . h \ .rarmente chianiano Cal- 
mali r .M.i:í'i. /'• htorie, p. 47. 

l»;(,r,. V;i--" '[<■ ^il\ .ira se oposo con 
iii'uh' niiiuio ai turtir ilc l>i3 bárbaros, lia- 
ziiii.l . il»'xar la vida a dos de hos de mais 
cu. i,r.i. y a que por sus cargos llaman 
Caymalles». — iariae Sousa, .ána Por- 
tiíii>j<\-a, I, p VT^. 

* CAIQUIÓ (jap. kaihfõ). Supremo 
juiz japouGs. 

15r>í«.— «o Caiquiò, que be como ouui- 
dor girai do Miáco, tiulia já por rool ás 
portai colchões de palha».— P. Luís Fróis, 
Cartas de Japão, i, fl. 259 v. 

CAIRO. Mtsocarpo ou fil)ra de 
casca de cuco, corda dessa fibra. 
Do malaiala-tam. kayiirii «corda». 
O tr-rino passou para outras línguas 
eurt.ji.ias : i:i^'l, coir, franc, caire. 

O ' ;iiro era ! i to usado nas 

iioHsas antigas > para cabos 

<■ I ai i!! -em, e os nossos historia- 
'!( "im a sua superioridade, 

i,r da sua Hlasticidadi? e in- 

corrut. i. O maior 

cetitrí» , _ codor para as 

anil i las eram as ilhas Maldivas. 
'I ,i'i,1m in no Malabar há muitas fá- 
luií M^ ' .: iidn oxportaçao para 
Bouibaiui. 

■ . ^.i- ... ilason 



muito, a» ron- 



cl, , 
fl!.- 

but. , -, :-- --^^ 

depois as mulheres, c delias tabricfto cor- 



das para a cosedura dos navios, e as Irans- 
portilo para a índia, China e Arabia feliz, 
que sio melhores do que o cauamo». — Ben- 
Batuta, Viagens, p. 2<0. 

15()2. — «Hião de huma ilha para Cana- 
nor, a tomar carga segundo disserSo, e le- 
vavâo Cairo e inhame». — Tomé Lopes, 
Navegação, cap. 7. 

15Í)y. — «Temor cordoaria com todos os 
seus petrechos, e oalpo enfabastança». — 
Carta de D. Franci.'jco de Almeiaa, in 
Lendas, i, p. 915. 

1512, — nXau ousava ho feitor de cana- 
uor mandar cairo nem mantimentos em 
pagueres e paraos a cochim, que loguo não 
fo.s3em tomadas». — Afonso ae Albuípier- 
que, Cartas, i, p. 4-4. 

1516. — «Damlho ha troquo de cairo, 
que he hum fio para fazer calabres e cor- 
doalha, que se faz de casquas de quoquosv. 

— Duarte Barbosa, Lirro, p. 29õ. 

1520. — «As tVeitorias seeriam fartas, e 
Vosa Alteza servjdo, porque ssempre tyve 
deposyto mill barres de cairo nas jlhas». 

— Alguns Doe. da Torre do Tombo, p. 451. 
1545. — a . . . e ao pescoço huma corda 

de oayro muito velha para assi com ella 
se eutregar a el Key». — Fernão Pinto, 
Peregrinação, cap. 150. 

1552. — "Ha muytas palmeiras [nas 
Maldivas] que dâo coquos de cujas cascas 
se faz ho cayrO| que he boa mercadoria 
para toda a índia, em que fazem dela a 
cordoalha que se nella gasta, assim pêra 
uaos e uauios como pêra outras cousas». 

— Castanheda, Historia, iv, cap. 35. 
1Ó63. — «Scruera-se mais deste cairo 

em lugar de pregadura, porque como tem 
esta virtude de reuerdecer, e engrossar no 
mar, cosem com elles o tauoado do costado 
das nãos, e tem-as por mais seguros». — 
Jo5u de Barros, Déc. Ill, m, 7. 

«Da primeira casca que o [coco] . 
SC faz o cairo, que di.-^semos ser t:'t. 
mum e necessário para a nau 
todo aquelle Uriente, depois qu 
macilo e fíHo, à maneira de linhu r<wiiiiiiiu>>i. 
—Id., ibid. 

1563. — «A primeira he muito lanugi- 
nosa e desta se faz cairo, que a.ssi ae 
chamado dos Malavares e de uoa». — Gar* 
cia da Orta, Col. xvi. 

l.'^^GS. — «FizerSo amarras de cairo, 
que he tio que os da terra fazem das cas- 
cas qu<' <>■* '■••'■II» tem por cima, (jue he em 
tanta a iitie eui tuda a índia se 

num st 1 . . . utru tio nas enxárcias, c 
amarras, quo sio brandas e dlo do si, pelo 



' A trailui.-ãõ di> fSlr.iísArin Antrlo-indianr» tava persuadido, que o Âmbar era certa 
tni i cheirosa; e segundo Uigeo he o 

qu .uto de hum .inimnl mnnfimo: r 

liJo assim como hv • 
<]\7. no texto? hl 
tu i nenhum ^rro; l.ilt.ai ^ inicial Jo 

;i :. uu texto ou ua traduyilu. 



CAIRO 



174 



CAITOCA 



que 3iio de melhor tença que os nossos ca- 
brcs, e com a agoa do mar são mais for- 
tes». — Gaspar Correia, Laidas, i, p. 61. 

15(56. — «Grande trato dJi cordoalha, a 
que chamam cairo, feitas das cascas dos 
cocos, fructo que dão as palmeiras». — Da- 
mião de Góis, Chron. de D. Manuel, iv, 
cap. 27. 

1603, — «Do cayro que cerca o coco 
entre a priraeyra casca que he branda, e a 
segunda que he muito dura se faz toda a 
sorte de cordoalha». — Fr. António de 
Gouveia, Jornada, fl. 62 v. 

1609. — «Das cascas de fora destes co- 
cos, a que chamam cairo, se fazem cor- 
das. . . e d'estes fios fazem todo o género 
de cordas, que servem na índia, as quaes 
bSo muito fortes, chamam-lhes cordas de 
cairo*.— Fr. João dos Santos, Ethiopia 
Oriental, i, p. 299. 

1613. — «O bispo de Cochim me escre- 
veu que, tendo elle edificado quasi de novo 
o hoaj)ital d'aquella cidade, e o viso-rey 
Ayres de Saldanha applicado a elle os ter- 
ços do cairo que el-rey das Ilhas [Maldi- 
vas] me paga de parea». . . ». — Carla Ré- 
gia, iu Documentos da Índia, ii, p. 363. 

1615. — «Kecebeudo em troca da sua 
fazenda cocos, e cordas de fios de coco a 
que chamam cairo». — Pyrard de Lavai, 
Viagem, i, p. 238. 

1094. — «A cama em que se encostava, 
tra hum catre precintado de cordas de 
cairo; que são os entre costos do coco». 
— P. António Vieira, Xavier Dormindo, 
p. 101. 

1697. — «Havia mais Imm catre percin- 
tado do cayro, isto he, de cordas tecidas 
da estopa das cascas dos cocos mollifica- 
das em agua, e depois batidas ao maço». — 
P. Francisco de Sousa, Oriente Conquista- 
do, I, III, 1. 

1578. — «A este Tomento llaman los 
Nayres Cayro, dei qual se siruen mucho 
en aquellas partes». — Cristóvão da Costa, 
Tractado, p. 103. 

1589. — «11 ne s'y [nas Maldivasl trouve 
rieu de singulier sinon des noix d'Inde 
qu'ils appellent Cocos et I'escorce des noix 
qu'ils appellent cairos, dont ils font des 
chables, comme par deçà on les font de 
chanvre». — Linschoteu, Histoire, p. 25. 

1620. — «Les planches de ces petits 
bastimens estoient consuês les vnes aux 
autres avec du Cairo». — Methold, i?eZa- 
tions, I, p. 12. 

1652. — Et cette poulpe ou chair qu'elle 
enferme, se. change en vn tissu, que les 
Portugais appellent Cairo». — Relations 
de la Chine, p. 18. 

1673. — «They [em SurrateJ have not 
only the Cair-yarn made of the Cocoe 
for cordage, but good Flax and Hemp». — 
Fryer, East India, i, p. 302. 

1658. — «Questa serue primeiramente 
di legna, e mantiene longo tempo il fuoco, 
perche arde come vn miccio ; aià posta à 



marcire sotto I'acqua si sfila in stoppa, 
che chiamano Cairo, con quale formano 
le corde, uon solo d'vso ordinário, mà an- 
cora ue tuorciono gomene inolto grosse per 
le prouisione de' Vascelli, non meno forti 
che le nostre, benchè piú dilHcili da ma- 
ueggiare». — Fr. Vinceuzo Maria, Viaggio, 
p. 359. 

1770. — oLe kaire est I'ecorce, du co- 
cotier, dont on fait dea cables qui servent 
à la navigation dans I'lnde. NuUe part 11 
n'est aussi beau, aussi abondant qu'aux 
Maldives». — Raynal, Histoire, i, p. 299. 

1823. — «... which consists of cowries, 
dried fish, coco-nut oil, and the coir or 
twine made from the fibres of the same 
useful tree». — Heber, Narrative, i, p. 42. 

1908. — «The word coir did not come 
into the English language until the 
eighteenth century It is doubtless an An- 
glicised version through Portuguese word 
cairo of the Malayal verb káyáru = to be 
twisted». — Watt, The Commercial Pro- 
ducts, p. 355 

« CAITOCA (cone, kãytak). Mos- 
quete raiado, comprido e com vareta 
de forro, usado pelos maratas das 
Novas Conquistas. Tem anéis no 
cano indicando o número de homens 
ou feras mortas, como testemunho 
da valentia do seu possuidor. O vo- 
cábulo nao aparece nos dicionários 
maratas. V. zuranti. 

1726. — «Forão para outro [lugar] mais 
coberto na margem do rio dar algumas 
descargas de caytocas sobre os baloens 
dos particulares». — André Ribeiro Couti- 
nho, Relação, p. 6. 

1711. — «Deu o Forte a primeira des- 
carga das suas caitocas, que são humas 
espingardas mais compridas do que as nos- 
sas, com varetas de ferro para meterem a 
bala com força, e se lhes dá fogo não com 
pederneira, mas com morrão». — D. José 
Barbosa, Epitome da Vida, p. 78. 

1752. — «E assim consegui desembarcar 
as tropas sem mais opposição, que a de 
algiins tiros de caitoca entre os nossos 
sipais, e os dos inimigos». — -ápud Eduardo 
Balsemão, Oa Porluguezes no Oriente, iii, 
p. 178. 

1842.— Usam [os sipais] de caitocas, 
terçados, e punhaes». — Annaes Mariti- 
mos, p. 198. 

1863. — «Já hoje centenas de naturaes, 
que viviam do iuranty e da caitoca (ar- 
mas de fogoj, se occupam no serviço de 
rendeiros». — Lopes Mendes, apud Oliveira 
Mascarenhas, Atravez dos Mares, p. 198. 

1886. — «Ás armas de que fazem uso 
são a tarvar ou espada, o zuranty, cai- 
toca, tubaca e honduc, armas de fogo fa- 
bricadas no paiz». :— Lopes Mendes, A ín- 
dia Portegueza, ii, p. 138, 



TATXA 



175 



TA IX A 



IT'J'i. — «Mas Kotno os poitugiu'sea guar- 
■ iavà cs tiros para occasiSo segura, eii»- 
]!. _i' ;T(> 1103 priineyros toda a artilharia, 
t- caytocaria, com que lhe tízerão, nào 
aó huina grande mortandade, mas o pro- 
pósito de toda a desistência». — André 
'^ ' íiuho, Jielação, p. 30. 

— «Alguma gente do inimigo se 
ji •■; 111 defensa, disputando com fogo de 
caitocar la a marcha e entrada delle». — 
ApuU Júlio Biker, Collf.C(;no de Tratados, 
VIU, p. 172. 

♦ CAIULAQUE (s. m.). Myristka 
iiiers, couíorme Crawiurd. A sua 
madeira é verraellia e usa-se por in- 
censo. Exporta-se grande quantidade 
da Malásia para a China. Do mal. 
kát/it, «árvore», e la/ca, relacionado 
com lacre, designação ospecííica. 

1&69. — «E estando ea cm Cantam se 
fez hn [leitoj muito rico lavrado de mar- 
fim e ae hú pao cheiroso, que chamam 
CayolaQ, e de sândalo». — f>. Gaspar da 
Cruz, Tratado da China, cap. 11. 

lt;^4 — «.Marfim, Cayolac, Tafuci, 
I5cyi'ini, !■ I li iiiihd df < 'aml)ojau. — P. Fer- 
não de Qm-iroz, Iliêt. de Pedro de Basto, 

II, V. 

CAIXA (mais usado), caxa, caxe. 
Nomo de uma moeda do cobro de 
pequeníssimo valor, corrente outrora 
na índia austral. Os portugueses 
aplicaram-no à moeda miúda de ou- 
tius j. algos, como Malásia, China e 
Japão. Conformo António Nunes, 
nma caixa de Maluco vale ,^- do rial 
e a do Sunda f . Diogo do Couto tam- 
bém menciona caixas de ouro com 
r<-1a<ri'. a \f iliK-0. O étimo é O draví- 
dico /,'(.s/í, (i.iivado do Bftnsc. karsa, 
«pOso de prata ou ouro». Indo-ingl. 
cnith, indo-fr. cacfie. V. Glossary, 

1610. — «Ora nom nos tomando na terra 
OH cruzados ora nom nos dando Horinr, oa- 
xas, i;\ nunca as \\y pode auer, non noa 
])• ar ju.stiçau. — In Cartas do A. 

(li (|u»«, IV, p. &8, 

Ifjll. «Item: de oaxas da moeda da 
terra, do cobre, que vieram fiútas de I*or- 
Xnç:\\. <> ca nam valem nada, hum quintal, 
tit -i arrobai, e (|uiiize arrates». — ibid., iii, 

p. L'.-. 

ir>-J'J. — «Os quaes saquos [de pimenta] 
bâu do ser dos acostumados ua terra, que 



;jcentas ca 
xas da Java, que fazem os ditos mill sa 



Itf'iS, — «... arcabuz mi Kaitoca chi- | pesa ca<la sjkiuo (icz imn 
neza, ainda usado em parte do exercito 
cbinou. — Ta-ssi-yang-kut), p. 582. 

♦ CAI TO CARI A. Multidilo do caito- 
eas, mosqnetaria, espingardaria. 



os dit 

Íuos cento e sesenta haarts». — Âlgunt 
)oc. da Torre do Tombo, p. 461. 

1532. — «... e venderem os portugue- 
ses muitas roupas e mercadorias que leva- 
vam a caixas moeda da terra» (em Sunda, 
na Malú.sia). —Apud Júlio Biker, Cnllecção 
de Tratados, i, p. .õ5. 

1541. — oÁ entrada desta porta estavão 
doze homens com alabardas, e dous escri- 
vães assentados a huma mcuza que escre- 
vião todo o generó de pessoa aos quaes se 
davão duas caixas, que são três reis da 
nossa moeda«. — Fernão Pinto, Peregrina- 
ção, cap. 109. 

1552. — «Fez seu caminho para a ilha 
de Horneo, que assi leuaua por regimento 
de Nuno da Cunha para tomar has cai- 
xas, que sam hum género de moeda que 
serue em Malucou. — Castanheda, Histo- 
ria, vni, cap. 21. 

1554. — «E se faz conta de 1000 caixas 
hum pavdao, de 300 reis o pardao. . . E na 
terra [Maluco] ha alguas caixas que vem 
de Jaoa, que são de cobre, majores que 
ceitis, furadas pelo meio». — António Nu- 
nes, Lyvro dos Pesos, p. 41. 

1557. — «A qual moeda mandou lavrar 
tanto que chegou a Malaca, e poz-lhe no- 
me Caixes, que são como os nossos cei- 
tis, e cento delles valiam hum Calaim, e 
cada calaim valia por lei posta onze reis, 
e quatro ceitis». — Commentarios, iii, c. 17. 

1561. — «... cada bum da húa caxa, 
moeda que vai dous ifs.u, — Cartas de Ja- 
pão, I, fl. 780. 

1563. — «Hfia moeda de cobre do tama- 
nho dos nossos ceitijs. . á qual moeda el- 
Ics chamam caixas, de que mil duzentas 
fazem ora em nossos tempos bum cruzado 
em valia». — João de Barros, Déc. Ill, 
v,5. 

1563. — «Rapão a cabeça por buma só 
moeda de cobre a que chamão caixa». — 
Gaspar Correia, Lendas, iv, p. iiOl. 

1565. — «Ao que faz as exéquias com a 
tocha dão cinco, ou dez, ou vinte cruzados, 
e a cada Bonzo, ou cruzado em prata, ou 
oaxas que ha nesta terra a maneira de 
ceitis furados, maa eento valem passauto 
de hum t»)8tJlo». — Cartas de Japão, i, 
fl. 17G 

1566. — «Vez moeda nova destanho. . . 
a que pôs nome dinheiros, de que bum valia 
dous caxes, que era a moeda que ent£o 
corria na terra..— Damião de Góis, Chron. 
de D. Manuel, iii, cap. 17. 

1577. — nTroiixcmos de presente vinte 
mil caixas, que não moedas de cobre que 
correm pela feira ' ' ' i-a 

cruxadosu. — r,i 

1569. — .IIuui CM/ .li- 

xas, que sÂo moeda ta 

tem cem caixas» — « ■ i..,.j..„ .... < .a», 
IVatado da China, cap. 11. 

1593. — n])c cada navio que sae dcsto 



CAIXA 



176 



CAJU 



porto despachado da alfandega ou mando- 
vini tem hú oaxi de pilotaria e chapa que 
se põe». — Francisco Pais, 'Regimento de 
Percalços. 

IGOO. — «Pediam [no Japão] cem mil 
caixas, que montam seiscentos cruzados 
da nossa moeda». — P. João Lucena, His- 
toria, VIII, cap. 24. 

1602. — «Em todas aquellas partes [da 
Malásia] não corria outra moeda se não 
cruzados e caixas (que he moeda de co- 
bre nieuda, como os nossos reaes, de que 
trezentos e sessenta fazem hum cruzado)». 
— Diogo do Couto, Déc. IV, viir, 12. 

«Chegou huma costa de sagu biscoutado, 
que i)arecia hum ladrilho de tijolo, a valer 
huma caixa de ouro, que era mais de 
hum cruzado». — Id., Dóc. VIII, i, 29. 

1745. — «E contam [os chine.'ies] outro 
dinheiro imaginário, pois não existe, a que 
chamâo caixa, dando-lhe o valor de um 
real completo». — In Ta-ssi-ya7ig-kuó,ll, 
IV, 5. 

1813. — i<A cacha é a única moeda 
effectiva, que existe no império [chinês] : 
he composta de seis partes de cobre, e 
quatro de estanho». — José Inácio de An- 
drade, Cartas, ii, p. 11. 

1891. — «A caixa era uma moeda ínfi- 
ma, de cobre, e que os nossos escriptores 
dizem vir de Java, mas que é provavel- 
mente de origem chineza». — Conde de 
Ficalho, Col. xxt. 

1895. — «Cada condorim [tem] dez ca- 
chas. Cada cacha devia corresponder a 
uma sapeca, mas não corresponde exacta- 
mente». — Conde de Arnoso, Jornadas pelo 
Mundo, p. 339. 

1900. — «O tael. . . é dividido (em peso) 
em 10 mazes; o maz em 10 condorins e o 
condorim em 10 caixas, que, em moeda, 
corresponde ás sapecas». — Ta-ssi-yang- 
-Icuó. 

1510. — «Ha dioneta di rame detta cas: 
e sedeci di queste valeno per vn fanam, 
che venirà vn cas ad esser circa vn quat- 
trino d'ltalia». — Barthema, opwá Ramú- 
sio, I, fl. 159. 

1582. — «Dieci di essi danari [dinheiro] 
fanno vna cazza- • • Detta è vna moneta 
di stagno . . . e due di esse cazze fanno 
vn calim pur di stagno». — G. Balbi, Viag- 
gio, fl. 131 V. , 

1589. — «A Sinda il n'y a autre sorte 
de monnoye que de Caixas de cuiure, de 
la grandeur des deutes de Hollande, mais 
plus menues, percées au milieu pour y faire 
passer une cordolette et y ioindre deux 
cents ou mille, afin de faire un neste cou- 
te». — Linschoten, Histoire, p. 35. 

1600. — «Those [coins] of Lead are 
called caxas, whereof 1600 make one 
jnas». — John Davis, in Glossary. 

1606. — «Pro singulis Regalibus Caxas 
3500 recepimus, vt minoris monetae nulla 
nobis post penúria esset'». — India Orien- 
talis, III, p. 79. 



1640. — «Les cassies à la vérité ont 
este autrefois de difterente valeurdans les 
Provinces differentes; mais I'Empereur les 
a fait refondre et a fait faire vne nou- 
velle monnoye de cassies de cuiure qui 
courrcnt partout». — Relation du Japon, 
p. 28. 

1754. — nCasie ou Cassie, petite 
monnoye du Japon, qui vaut commune- 
ment un peu plus qu'un de nos deniers». — 
P. de Charlevoix, Histoire du Japon, i, 
p. 35. 

1782. — «lis [chineses] n'ont qu'une seule 
monnoie de mauvais cuivre, qu'on appelle 
Cacha; elle oííre un trou carré dans le 
milieu, qui sert à I'enfiler». — Sounerat, 
Voyages, ii, p. 36. 

1786. — «Kaicia è un peso di quattro 
Kalangia«. — Fra Pàolino, Vtaggio, p. 51. 

1824. — «There have been undoubtedly 
more words brought into our language, 
from the East than I use to suspect. Cash, 
which here means snail money, is one of 
these». — Heber, Narrative, i,'p. 77. 

1825. — «La perte n'en sera pas consi- 
derable, pour deux caches (deux liards) je 
pourrai m'en procurer un autre». — P. Du- 
bois, Moeurs, i, p. 400. 

1914. — «In China, the only Coins in use a 
British, Hong Kong, or Mexican silver dol- 
lar, and a native coin called cash (made 
of copper, irOn and tin, about 25 of which 
are only worth a pennv». — Driebe.rg, Year 
Booh of the C. A. S., p". 21. 

CAJEPUTE (s. m.). Aparece o ter- 
mo em íilguiis dicionários como nome 
duma árvore das Malucas e do óleo 
que se extrai das suas folhas. JVIas 
o étimo mal. káyu-pútíh significa 
simplesmente «pau branco» ; e o óleo 
é destilado das folhas de seis dife- 
rentes árvores, principalmente de 
MalaUíica leucadendron, Linn., que 
habita em quasi toda a Malásia. Yule 
entende por cajeput «óleo essencial 
fragrante, produzido especialmente 
em Celebes e na vizinha ilha de 
Bouro». Emprega-se externamente 
e, nos casos de cólera, também in- 
ternamente. 

CAJU. Fruto de CAJUEIRO, Anacar- 
dium Occidentale, Linn., segundo 
Maont, originário das Antilhas, in- 
troduzido na índia pelos portugueses 
e hoje perfeitamente naturalizado. 
CAJUAL, mata de cajueiros. O Conde 
de Ficalho observa que Garcia da 
Or ta não faz menção da árvore, por- 
que não era então cultivada em Goa, 
mas menciona-a no Malabar o bota- 



CAJC 



177 



CAJU 



nico Cristóvão da Costa. O vocábulo 
ó brasileiro, acaju em tupi. 

O i'HJueiro é, das plantas introdu- 

los portugueses, a da maior 

e da maior receita pública. 

<^uanto aos usos e aplicações, vid. 

Bernardo Frauciseo da '" * . ti, 

p. 137. 

745. — «Tanibem semcão [os cbine- 

": ia scvaua, que ou 

\larmellos, CaJÚS, 

aar iiif servem para íaze- 

;is bebidas». — lu Ta-ssi- 

■í. //''. i_i, rii, 3. 

■ ""2. — E o eafueiro da sua natureza 
te, e por isso attrahe a si toda a bu- 
le : é fazeuda de muita utilidade, nSo 
.'•>8to do seu fruoto ; mas também 
aento, que dá o excellente vinho, 
. ..c se estilla, e até lucro do seu ca- 
— Fr. Clemente da Ressurreição, 
X u.aíio, II, p. 310. 

1842. — «U gergelim de que se extrahe 
.izeite; e o vinho que se faz do cajú». — 
Annae$ Marítimos, p. 269. 

1873. — «Estas plantações chamam-se 

'aes, e ahi nâo se encontram em re- 

luesquer outras espécies». — Bernardo 

ia Custa, Manual do Agricultor, i, p. 173. 

1873. — «São várzeas, terrenos de legu- 

luarinhas, palmares e cajuaes (onde 

>i». — F. N. Xavier (filho), Collecção 

!•: Leis, p. 171. 

1873: 

K; *remo« no bosqae sombroso-. 
V ...:.tu ciOBc'ro espesso !i. 

TomÃs Ribeiro, A Indiana, p. 59. 

1*^77 — "Unia das priucipaes industrias ; 

iites da villa [de Inhambanc] é i 

7o de aguardente de cauna e de ' 

tem enorme consuutó nas terras ; 

— Caldas Xavier, liol. S. G. L., \ 

.i, y. -ibõ. 

1885 — o'> cajueiro, <> cajazeíro, a , 
;iie.. — A F. No- 
■né, ibid., V, p. 408. ! 
líiòtí — "Com relay ão aos cajueiros 
■ítú raJiMilado qnc o sumo dos cajús 
-' produz annual- : 
imperiaes, dos , 
gados na diatil- < 
A índia Porlu- 
1 i 

i eÍPO também fornece uma goma 
' te, de que so fazem as ma- 
[odcria substituir a gomma 

- ... u, p 140. 

" 'ii. — «E «'Htc lançamento, além de 

V"- ■> coqueiro e cajuri, aggravou 

cajuaes A pro<hicçào mé- 

: if".: cajú, ante- .!.> Tl if-!. lo, 

• galo»-» : de 

, .1.- - - Cri to 

KMtudo», pp. 42 e 47i 

ii 



li*04.— oCaroccs de oajú, a mão V? tan- 
ga».— Ernesto F ernaudi'8, 7í<ymen do Sal, 
etc., liol. ò'. G. L., xxiii p. 284. 

1909. — «Dada a sua grande força de 
vegetação, o cajueiro é das arvores que 
também só vecm o seu i>roprietario de anno 
em anno». — Manuel F. Vargas, ibid., xztii, 
p. 430. 

1911. — «Onde se encontram numerosos 
e bons exemplares de mangueiras, cajuei- 
ro», e brindoeiros .— J. E. Castel Branco, 
ihid., XXIX, p. 358. 

1578. — «Da este arbol vn fructollama- 
do Caiu vulgarmente : el qual por ser 
muy estomacal, y sabroso e» vle todos los 
que veeu muy estimado. . . Es este fructo 
tenido en mucha cuenta, e no se halla en 
todas las partes, y eu la Ciudad Sancta 
Cruz de Cochin lo ay en muchos jardins y 
huertas». — Cristóvão da Costa, Tractado, 
p. 324. 

1588. — «Vi [no BrasilJ sono ancora 
certe pere nomate Caius salvatiche molto 
sugose, e sane, le quali nel cuore delia 
state si mangiano con gran gusto, e nella 
piú bassa parte delia pêra spunta vna 
certa faua, che hà la buccia amarissima, 
ma'1 midollo è molto dolce, se si arrostisce, 
e la pêra hà forza di rinfrescare, e la faua 
di riscaldare». — P. Maffei, Lt Istorie, 
p. 61. 

1585. — «I Cagiu o Lagiu, e Tama- 
rindi, I'Ambale, e mille altri frutti». — F. 
Sassetti, Lettere, p. 270. 

1623. — «Gustauo, dico, la Papaia, il 
CasCi, 6 CagiCi, il Giambò ò lambò, la 
Mauga, ouero Amba, e li Ananas». — Pie- 
tro delia Valle, Viaggio, iii, p. 103. 

1652. — nLe Kia-giu, ou Kagiu, ne 
croit point dans la Chine, mais bien dans 
les pays qui autrefois en depcndoient». — 
Relation de la Chine, p. 20. 

H>58. — «Omnibus fructibus poma sil- 
vAtria, Acaju dicta, praeferuut, quod 
egvegie succosa siut, et ad victuni aeque 
ac potum sufficiant». — G. Piso, Indiae 
Ulriugque, p. 12. 

1658. — «Porfettionato, che questo è, 
spunta il Cagiu, che in pochissimi gior- 
ni tanto s'augmenta, e cresce, che gion- 
gc alia grandezza, e forma d>u pero 
ordinário, e quasi súbito è maturo. Lc sue 
qualità sono excessivamente oalde, perciò 
prima di maugiarlo, lo pongouo spartito in 
pezzetti neir acqua, con che temprata la 
forza dei sugo, misturando di quando in 
quando con il oibo, riesce i>rofiteuole, e dà 
aiuto alia digestione». — I* r. Viucenzo Ma- 
ria, Viaggio, p. 379. 

1754. — «... le méme qui s'appellc Ka- 
jou au Hréail, qui est de la grandeur d'un 
Grenadier». — P. Charlevoix, IIi*t. du Ja- 
pan, I, p. 193. 

ptos, — »Ca«hew-nut« are imported 
into Uondiay from Goa in vcrv consider- 
iible quanti'lit s . \\ ,fi / A, V ,„,.,„ ,,;.// 
I'roduttv, p. (il 



CAJURl 



178 



CALADARÍ 



* CAJULÓ. Aguardente do palmei- 
ra, duas vezes destilada, mais fraca 
do quo fenim, três vozes dostilado, 
e mais Ibrte do que urraca, aura uma 
vez destilada. E muito usado em 
Goa. Do cone. kãzuló, que })rópria- 
mente significa «pirilampo». 

1886. — «O finim é o espirito alcoólico 
do coqueiro, o cajuló a aguardente ou 
primeiro producto da destilação da sura, e 
a urraca é uma porção de cajuló mistu- 
rado com agua, e serve de bebida ordinária 
á classe dos jornaleiros». — Lopes Mendes, 
A índia Porhigneza, p. 187. 

1P05. — «Aguardente fraca (urraca, va- 
Hum e dobrado, a que se chama cajuló) 
de sura d'essas arvores». — Ernesto Fer- 
nandes, fíol. S. G. L., xxrii, p. 222. 

CAJURI. K uma espécie de pal- 
meira. — -Phoenix silvestris, Dalz. 
& Gibs. Faz-se vinho da seiva da 
árvore. Do marata-guz. khajun, 
sânsc. Jcarjura, «tâmara». 

1613. — «Ha cm Ceilão toda a sorte de 
palmeiras... as brancas de Tresolius, as 
cajurins, uipeiras». — P. Manuel Barra- 
das, Hist. Tragico-maritima, u, p. 84. 

1663. — oAs fazendas constam de vár- 
zeas de arroz e muitos cajurís, que são 
como estas palmeiras de Portugal, mas 
mais baixas, de que se tira um licor para 
fazer vinho». — P. Manuel Godinho, Rela- 
ção, p. 12. 

1782. — «Vê-se outra, a que no Norte 
dão o nome de caju ri, e de que tiram 
excelleute bebida por incisão, nutritiva, 
fresca, e que desembaraça as fezes». — 
Fr. Clemente da Ressurreição, Tratado, ii, 
p. 340. 

1873. — «Um cajuri visto de longe pa- 
rece uma cabelleira elegante muito fri- 
sada- . . O fructo é como a tâmara, uma 
baga ovada de côr alaranjada, andando por 
metade do volume da tâmara e nascendo 
em abundantes cachos». — Bernardo da 
Costa, Mayiual do Agricultor, ii, p. 233. 

1900. — «Pagam por cem cajuris seis 
rupias e um quarto». — António F. Moniz, 
Historia de Damão, i, jí. 202. 

1892. — «O [numero] dos cajuris la- 
vrados em Damão antes do Tratado era de 
163:876».— Cristóvlo Pinto, Estudos, p. 43. 

1905. — «... obrigando-se a vender os 
vinhos nativos do cajuri (urraca. valium 
e dobrado) unicns espécies de distilação 
então conhecidos» (em Damão), — Ernesto 
Fernandes, Regimen do sal, in Boi. S. G. 
L., XXIII, p. 220. 

1905. — «O cajuri é uma outra arvore 

que tem especial consagração e alta cota- 

,Ção por todo oGuzarate, que é sua pátria. 

Como a palmeira em Goa, o cajuri é con- 



siderado divindade tutelar do campo >. — 
Id., India Porliigueza, p. 248. 

1911. — n. . . valor do imposto de lavra 
de cajuris para extracção de sura (seiva), 
cuja fermentação dá também uma bebida 
íílcoolica». — J. E. Castel Branco, in Boi. 
S. G. L., XXIX, p. 382. 

1666. — «Le Targ fsura] est une liqueur 
dont 1'on boit avec plaisir dans les Indes. 
On la tire de deux sortes des Palmiers, à 
savoir de celui qu'on appelle Cadjiour, 
et de celui qui porte le Cocos». — Thevc- 
not, Voi/ayes, iii, p. 50. 

* CALABA. Espócie do arma de 
arremesso da Malásia, à maneira de 
fisga. A descrição de Diogo do Couto 
quadra à que Castanheda íaz com 
respeito à tarrana de Maluco. Do 
mal. kalehet ou kalepet^ «torcedura, 
volta». 

1614. — «Alguns dos Jaós peleijavam 
com humas armas, a que chamam Cala- 
bas, que são á maneira das fisgas, que 
temhumaarpoeira de pouco mais de braça 
e meia com o cabo, e lhe andava prezo no 
braço; e assim como atiram, se acertam o 
inimigo o fisgam, e alando pela arpoeira, 
o levam a si e o matam». — Déc. X, ui, 7. 

* CALACHURRO. Punhal singalês. 
Parece que a palavra é composta de 
kãla, «morte», e churi, «faca», isto 
é, «faca de matar». No singalês 
moderno usa- se kirichchya, que é o 
mesmo que cris. 

1635. — «Indo um negro fugindo o foi 
seguindo um lascarim nosso, e alcançan- 
do-o por detraz Ihedeu com ocalichur- 
ro (que são umas facas largas e curtas, 
mas pouco encurvadas) no pescoço uma 
cutilada». — António Bocarro, D*éc. xiii, 
p. 419. 

1685. — «Trazem traçados de dous pal- 
mos e meio a que chamão Calachurro». 
— João Ribeiro, Fatalidade Histórica, i, 
cap. 16. 

1687. — «Estando preuenido com valos, 
duas pessas, e algus mosquetes, de que 
tinhão menos uso, que do arco, frecha, e 
calacliurro». — P.Fernão de Queiroz, 
Concpiista de Ceylão, p. 317. 

«Aonde não labora o mosquete, obra o 
calachurro». — Id., p. 851. 

CALADARÍ (s. m.). Pano de algo- 
dão com listas pretas' e encarnadas^ 
procedente da índia, e particular- 
mente de Bengala. Do beng. kãla- 
dhãr~i, «o que tem borda preta». Ca- 
ladáris, escrito pelos lexicógrafos, é 
errado quanto à acentuação e quanto 



CAL MM 



ITÍt 



(Aí. AIM 



'.'{lo, que ó a do plural. O 
_. s t»^in carridarry. 

CALADIGÀO. Casa de audiòDcia em 
•quim, conforme Fernão Pinto, 
reio que ])rovêm do chin. ' '• ' ^t'- 
I'ng, «supremo tribunal- . 

1540. — nKfKlcaiido a Unlos nove nimia 
rrrnte do ferro niuyto comprida, nos le- 
ão Caiadigâo^ (]ue era a casa de 
lia, e aoiidt! se fazia a execução dos 
ideceutesu.— Peregrinação, cap. 103. 

CALÂIH (indo-fr. calin, indo-ingl. 
ilati). Estanho oriontul. O ótimo é 
ár. qalal, adopta«lo pelas línguas 
alianas, o qual se prende provável- 
.'^nte ao mui. kãlang. Alguns escri- 
•res árabes derivam o vocábulo dum 
iirar chamado Qalah ou Qaleh, que 
r situado na costa de Ma- 
malaio \agri Kãlang, «Gl- 
ide de Estanho», é o nome antigo 
• estado de Salangor. V. Glossary. 
' ArquiptMago Malaio era celebrado 
■la sua produ(.\"ío de estanho*. 
Calaim é também o nome que os 
nossos escritores dSo a uma moeda 
!•• Malaca. — «... somente [moeda] 
' estanho pelo auor muito e fino 
le se achaua na propria terra», 
iirros, Déc. 11, vi, 6. 

1664. — «O baar de calaim he em tudo 

lio da canella». — Áutóuio Nuucs, 

•lo8 Pesos, p. 0. 

i.i.>i. — «... uom paj;uarem 08 dereitos 

porceJana, caiaym, e outraa ffazeií- 

- SiniSo Botelho, Tomho, p. 17. 

~. — aMaudo que não deis licença a 

1 pessoa de qualquer qualidade e 

4o que seja para cjue jios.sa laurar 

partes nioeda de cobre nem de ca- 

— Carta Jíéfia, iu Archivo, iii, 

;. — «Coberto.s de pasta de chumbo, 
• '^y^i 9"^ 1"' estanho, que auia muj to 
l:ide... As meude/.a» «le bazar de 
se comprauílo por huma moeda de 
■>, a que chamauâo caiaym». — 
t Correia, LciidaH, ii, pp. •J;j2 e 2ôG. 
lói;{. — «... a troco <le mettaes e ca- 
irn i\nr a mesma terra prcnluz»» — Ma- 
Erédia, Declaraçatn de Malaca, 

1 nPrezSo maito o estanho, ou 



''>13. — "Melncha non ha nulla salvo 
itia di sta^iio tauto btiona (pianto 6 
1 di Lmiúra ■— Ajtitd Cíiibcrnalis, 
■ ítria, p. 374. 



Calaim, c vai autre elleâ [madaga.sca- 
reutíc-sj tanto como prata, para jovaa daa 
mulheres». — Diogo do Couto, Dec. VII, 
IV, 5. 

1G15. — «Ha também grande diversi- 
dade de moedas no cunho e letreiro, uSo 
somente de ouro ou prata, mas também de 
outro metal chamado Calaim, que é 
branco como estanho, mas niais duro, mais 
puro, e mais bello, e que é muito presado 
nas índias». — Pyrard de Lava}, Viagem, 
1, p. 193. 

«Nestas galé.s ha quantidade de vasos 
para beber df> feitio de garrafões de vidro, 
mas feito.-í de Calains, que é um metal 
branco como estanho, porém mais duro». — 
Id., I, p. 376. 

16'29. — .E ainda ElRey de Perá deu 
algum calaim com que em grande parte 
se íicudio aos gastos da armada». — O Chro- 
nista de Tisstiary, i, p. 8. 

1H35. — «No reino de Perá estavam trea 
naus de Guzarate, e tinham feito três mil 
bares de calaim». — António Bocarro, 
Déc. m, p. 101. 

1650. — «Tem muitas minas, donde ti- 
ram ferro, chumbo e calaim». — P. An- 
tónio F. Cardim, Batalhas, p. 253. 

1745. — «Também se acham [minas] de 
í>8tauho a que neste paiz chamâo Ca- 
laim». — In Ta-8si-yang-kuó, II, iii, 3. 

1812. — «Prohibe armação nas egrejas 
de papel e calaim, exceptuando o tecto». 

— P. (.'asimiro de Nazareth, Mitra» Lusi- 
trtnas, in ííol. S. G. L., xv, p. 581. 

1191». — ••Kaieh est le centre du com- 
merce de I'Aloe.s, du camphre, du sandalc, 
de I'ivoire, du plomb aicaly, del'ebanc». 

— Abu-Zeyd, apud Keinaud, fídations, i, 
p. 95. 

1582. — «Nasce assai calaim in lingua 
loro, ma in nostra lingua si chiania Caiaia». 

— G. Balbi, Viaggio, H. 125. 

1770. — «... couvre encore sous une 
légere superlicie dcs mines d'or, de cui- 
vre, d'aiman, de fer, de plond), et de ca- 
lin, cet étain si rcchercht\ dans toute 
TAsie». — Kaynal, Hisioire, ii, j». .'ÍO. 

1782. — «11 a trouvé que le calin étoit 
de retain ordinaire. C'es mines de la pres- 
qu'ile Malaise sont riches». — Souuerat, 
Voyage, u, p. 101. 

1510. — «E nos mandou dar húa casa c 
dez mjll cahahyns em panos de Cam- 
baia rotos, dos que trouvemos nas nãos, 
dizendo nos que a<{uylo era para comer- 
mos o tratarmos» (em Malaca). — Algum 
Doe. da Torre do Tomlo, p. 222. 

1512. — «... e trinta e seis quintaes c 
meo de estanho «'tn caialz». — Afonso de 
Albuquer<{ue, Cartas, v, p. 193., 

1515. — "Asy com achaijnes de humas 
cortinas dolrey dȒ bintam que uabia honde 
Gstaiinm, que xnliam doze mill calais» — 
Pedro de Faria, Jljid., iii, p. 119. 

ICin Malaca num te tax ncultun cuuti^ 



CAUMI/ 



LSI I 



CALAMUA 



Iior orUKKinH, iii<iii Horulln, Hitutini por OM- 
• It». — Jhid,, I., liift. 

1667. -~ nCiidn oalalm valia por M 
poHtrt <>«K0 roÍH, r (puitio ri'iti«", ~ (Um- 
tiif'nlitrio», III, (Mip 17. 

l(»()l>, — oTmiiiIx»!!» »'< mo<Ml« »'orr«tnto en- 
liuilio, n qiitt cliaiiiaui onlolm». ~ Ki'. JoRo 
dtm SnntoH. l''lliii>i<i.i Oiinitu!. i. p 1*.»^. 
18UH: 

• n«i Mnlni'tt »llii \liili<., ., , lit 

('mIhIhii Ii'u» ooiiiMiiio <> III» •'•<« iitnltiio A oiittn». 
l,o|iiiii (III Mttiiiloii^H, .4. (<i) .ill^UMUtr^iue, |i. i(6, 

CALAJAU (b. na.)' Vi»ui n pnluvrji 
rt^K'f*''"''^ ''"' '">^ (li(MíMu\ri(>, (Milhuln 
n.'i (»l>rn do I<o|t(>« M«*n«h»N, (juo n 
moiicionn ooino wiiuSjumo dt) vas0ró 
{{[. V.) ou atniiulo,' luas pilo t^ unadn 
ojn ooncntii nom om maratn. l\nlo 

HOr (|U0 tivi'SSt» (^lo OUN'illo di/tM' al- 

guOiu nas Novaw Ooiuiuiislnf*, oiu ulu- 
HÍto {\h rollm» da tVrvoi'i», kaUl-jha^, 
(\\u^ v\\\ iiiarata í\wyo dizor «i^rvoro 
pi'ota». 

IS8(l. — « KiMvlvAH» pol«« mm dii«CM»fto«, 
o pola utUitlrtdo quo «o tira da sua niiHoa- 
\'i\{\ 0111 graiuios po\'a.s para lua^tio^ do ua* 
viof*, viga,"* luowtraN, varai» «lo lamir, jirou- 
uo)*, ooluiunas, prauohòoj», v\\\^ om trouoon 
jLtroMsoN <lo onlAjnr. tntrto, <ui o<i«f»NÍ 
(fttriolmos uux voiuioa), /<i<ji#f»r«i (artoowr^ 

puii lutof-'iiriiri'i^i. I /■.■,/:•.! I'.'i finiiirtíi. 
♦ CALALA t^p*iiij;\ Á»i/u/u). Tooido 

m'OSSril'*» d<' (N'!ln<>, HMO Sl^r\t^ di> 

tapoto. 

HIH7. — «Nou» aljiuiu uMoAo, «l«Mpml- 
(pior oaVuiaiio «pio M(>ja, voiida inav» quo 
ao Souhorio, arooa, piiiioulu, HapiKo, nora, 
guUulia.>«, uuuitov)ia, o OAlAlaa» V. Kor- 
«rt»» do Vjuoivoa, ( \'M(/«»V/ti ih ( V*/Mi«». p 800, 

«Toda a avora d»< tuias» torras, piinoutu, 
Naplto oora, inarfuu, oalAlliti o qualquor 
oiida voidaga, trarào a uo,s.<<o!( portos , . . n» 
OAlnlfia Hua«< a AiWm o luovo; A!< g<H)9i!i<\.<), 
a larim», Iti, p, ÍH>. 

CALALUZ. Poqut^ua o li^foirft imu* 
bar»'av:ft»> d«> rtMuos. usada antiga- 
m«M»lo i»a India insular. 1\> n^alaio^ 
•javftUi'*» kiUiihi* 0» /ctfiitH»*. 



' 'I'lliii Wold ruMlli.'i (o li«i >i>ii\(U lUMU 

/♦>f/»"f*, «lo gH> right tliroujil» auv tiling», and 
thu.'t tlio Utoral trauolatiou >\òuld ho »tlvo 
throadorv». tho ri^toroiioo boiug, a» iu tlio 
oa«o ol" most ot" Malay boat uaiuo», to tlio 
«pooial tiguro ho«*l tVt^ui widoli tlio boat 

Nxaj* i«uppo!<od t>> dill\i> ifs \\li.»l.' ilnua, 



lO'Jft. ~ «(.Quatro laiioliaran grAudoH « 
tioiH qualaluxe* o luaiKdiuaH quo mo ro- 
mani iiiiivtou. LrmhrdttCitH, p. K 

ir>.'lfi. nTraxia graiido armada do oa- 
laluzoa quo tiidino «liia.s aiidaiiiiiH do rt«- 
iiioH, liuiiH do imlo oittroM oomn «li< luiitUH, 
may lijj[oiroH do volii o voiiio, ipio H«*m vimr 
oorrlflo para triVs como para diaiilo».' — 
Oatipar Corroia, I.ctnlait, iii, p, iiJJl 

lM\y «A ma) or parto sAo laiicliarttti, 
o galootari do romo, ooiii algiiiiN Calaiu- 
saa da ,laoau, - - IVruHo Tiiito, I'no/riim- 
V<1(». oap, i!(J. * 

UiA'J, — «Auír bom oom oalaluzoa, 
lamdiaraN (> iiiaiioliuas o alguns dourado» 
lutH proas o popa«u, Castanhoda, Uinto- 
t'/ei, V, cap. JU), 

o, ir>(i(), - nlln. outr.iN :i lui» oliamllo 
Oainluzoa, quo diirorom Noinonto na toi- 
\'^o di< popa i< pn>au. - IJabriol liobAlo, 
li{/'ov»mi^i){> f/r MuiuviK p, 17(>, 

\b{\l\. ~ ■ «O qual om mm urmada do luu- 
oliilras, o oalaluzea, quo si\o imuios do 
romo, HO vovó motor om o rio d© Mu«r», — 
JoAo d« líarros. \)i\\ 111, i, l». 

ir»i>(), - «Doixaiido lo /^i«'(»i' do Cliati- 
g!to| oiiioo navios quo «diamam oalaluzos, 
oom OH (piais s«> roformou maid a iVota dos 
I'ovtU|íUosos»."-l>amiAo do Hóis, ('hivnicii 
ih /), j\f«iN«f/, IV, oap lí7, 

KiOá, - «Quatro lauohrt.ras, oiiioo oala- 
luzoa, o dous bargautiuaw. — Diogti do 
Couto, DiV, IV, u, ú. 

«Oousfnvw do troi^outas vtMas, om quo 
ontrava ooisa do oitouta juiiooí* graúdos »U> 
tiimaiilio do uosshs uAos do at«^ qiiatrooou- 
ta.N touoladas, o as mais omluuvaoiNos oa- 
latuzoa».— /•/, 1>«V. IX, oaj). 'Jí. 

l(>l.'l, «Kmbaroado oom algí^s oompa- 
ulioiros om hum onlalua ou ombanavSo 
«lo it>mo proviílo do uooossario» ■- Mamul 
(í. do hr«\dÍH, i>^''liUHi<m< ^'i.'>nM, 

H, M. 

U>34 : 

>Vlo qii» !<ii^rrA«N tMmb«m vinhA «coanKdo 
|i(i i\uu\itr^>« t^iitiilii««>ii...». 

FVíUIOÍ«CO ()« M«>H»Kt»«, .V«l(«ir<' 

( Vh4mM«M««, III, t^. 

lf)80, - «Diodo quíato çavlco a Odounlo 
1'olio oou tjuattro lauoiHvo, « oiuquo Ca 
ialuzio (auu>uduo stmo i)0»d di iiauili 
lotfglovi ipiasi dolla medo.siiua gramloí ííi^^ 
— P MatlVi, /f htone. p. im, 

CALAMBA, calambá, calambac, ca 
lumbuCO. K i» nomo lualcvio, Lihim- 
/)ti(/ ^^n^a^^ hi'ijiui kiíi\mhâ) <h\ supe- 
i'iv>r qualidade do {Ufuih (n. v.V 
adoptadi» p<dt>s nossos indinuistAS *. 
líoni^alvos» Viana Umu por t duvidoso 

J^^^ ,■. > / 1 ; ■ /i I .•, 1 ,íii .•,> 1 .7 11)7)1/ .}n ,• ,'osi 



' Vulo ootdootura quo o nwuo volo owr, 

o ol^^jOOtO do rhttUlp», vM-ntulo .i^tiOo or,' 

dutor n^ liulo-tldwft- 



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CALAMO AROMÁTICO 



18-J 



CALANDAR 



re negri lo cavano e lo stimano eccessiva- 
mcnte, come e' merita».— 'F. Sassetti, 
Letlere, p. 201. 

lf)8lt. — «En ces lieux croist le hois de 
Calamba odoriferant et pit'oiciix, leqnel 
estaut bon est autant estime (jii'or ou ar- 
gent». — Linsclioteu, Uistoire, p. 38. 

1596. — n Aramata aiitem haec fere sunt. . . 
Ampiun, Fagara, Calamba, Garro, San- 
talum». — India Oricntalis, ui, p. 9!). 

1()10. — «Llaman los Árabes y Pérsios 
ai aguila o lenno aloes, Vd, y a la Ca- 
lamba, Kalumbuck». — Pedro Tei- 
xeira, Heliicioiies, p. 111. 

c. 1640. — « . . . de la porcelaine, du 
canfre, du borax, du calambac, des dens 
d'Elephant». — lidation du Japan, p. 26. 

1618. — «We opened the II chistes 
which came from Syam with callam- 
back and silk, and void it out». — Cocks, 
in Glossary. 

1770. — «Les morceaux [de aguila] qui 
coutienneut le plus de cette resine sent 
commuuément tires du coeur de I'arbre, ou 
de la racine. On les nomme calambac, 
et ils sont toujours veudus au pris de I'or 
aux Chinois, qui les regardent corame le 
premier des cordiaux» . — Raynal, Histoire. 

CÁLAMO AROMÁTICO. É o nome 
qae so dá ao Acoi'us calamus, Linn, 
(sânsc. vachã, cone, vaikhand). Tani- 
bôm se diz cana cheirosa, e dringo. 
«E um pxcellente amargo, aromático 
o estimulante ; muito usado na me- 
dicina domestica». D. G. Dalgado, 
Flora. 

1516. — «Zodoaria, calamo aromá- 
tico, cassia linea em Malabar muito em 
Maugalor, e em outras partes». — Tomé 
Pires, aptid Cardeal Saraiva, vi, p. 426. 

1563. — «O que lá em Portugal se usa 
em as boticas por calamo aromático, e 
que na índia he mezinha mais usada, assim 
nos homens como uas molheres, como nos 
cavalos pêra suas doenças». — Garcia da 
Orta, Col. xí. 

c. 70. — «Calamus quoque odora- 
tus in Arabia nasceus, communis ludis 
atque Syriae est». — Plinius, Xaturalis 
Historia, ii, 48. 

545. — «... en rapportant la plus part 
des Aromes, I'Encens, la Canelle, le Ca- 
lamus et beaucoup d'autres». — Cosmas 
ludicopleustes, líelations, i, p. 23. 

1515. — «Et in le dette parti si trova 
Zenzeri : pevcre : et Calam! Aroma 
ticl». — Apud Gubernatis, Storia, p. 390. 

1596. — «Aromata autem haec sunt. . . 
Nardus, luncus odoratus, Calamus Aro- 
matícus, Cliinae radix». — India Orien- 
tal/ s, IH. p. 09. 

1631. — «Per totam Indiam vix pisces 
coquuutur, aut carnes, quin fasculus ca- 
lam! Aromatic!, aut luuci odorati, iis 



Injiciatnr, ad gratum saporem, ac ventri- 
culi non levem corroborationem». — Bon- 
tius, Jlint. Natiiralis. p. 10. 

1786. — «II Calamo Aromático è 

una erba in jjagiia, silve.stre, e campestre, 
non palustre». — Fra PmuIího, Viaf/r/io, 
p. 361. 

CALAMUTE (colemute, culimute). 

l'j uma pequena enibarca(;Ao do ^la- 
la])ár, que tira o seu nome de um 
porto da mesma costa, mencionado 
pelos nossos cronistas. «E sabendo 
Martim afonso que em Colemute so 
fazia semi)re grande armada contra 
os nossos, determinou de ho des- 
truyr». Castanheda, Historia, viii, 
cap. 140. Cf. cotacoulão e sarif/uicel. 

1537. — «E foy seu caminho, e porque 
sabia que em Culimute sempre se fazião 
bons pardos e catnres para os armadores 
malauares, determinou dar hum salto em 
terra, e andou que anoiteceo antes que 
fosse visto dos culymuies». — Gaspar Cor- 
reia, Lendas, iii, p. 712. 

1592. — «Nenhum nauio ligeiro asy d'es- 
porão como calamutes, e cotacoullões, e 
sanguiceres naueguem nem possTio naue- 
gar do norte para o sul nem do sul para o 
norte sem expressa licença do nosso Viso 
Rey que ora he na índia». — Carta de hi, 
in Archivo, in, p. 365. 

1597. — «Mandou á costa do Norte ou- 
tra armada de oito fustas e quatro cala- 
mutes». — Ihid., i, parte ii, p. 51. 

1614. — «Levou comsigo outros dous 
que eram calamutes». — Diogo do Couto, 
Déc. X, I, 8. 

1635 — «Qrfatro galeotas de coberta, 
um calamute, dois bateis' dos galeões». 
— António Bocarro, Déc. XIII, p. 95. 

«Constava de septe galeotas, um cala- 
mute . . . ». — Id., p. 101. 

1678. — «Os calamutes que houver 
de vir para esta cidade . . . trarão cartaz 
do «feitor, o qual pagarão na forma do es- 
tilo e costume, e vindo sem o dito cartaz, 
serão os ditos calamutes tomados por 
perdidos». — Apud Júlio Biker, CwWecçào 
de Tratados, iv, p. 208. 

CALANDAR, calendar (mais cor- ' 
rente). Monge maometano, que às 
vezes anda peregrinando ; faquir. 
«Homem desprezador do mundo, que 
vive de esmolas, e veste somente 
roupa de laã». Fr. João de Moura. 
Os nossos escritores comparam-no 
slo jogue indiano. Do i»ersa qalandar, 
marata-hindust. IcfdinJãr. 

1325. — «Ha a Zauia fermidajjje Xeque 
Jaraalo Addiu, exemplar dos confrades, 



i ■ \ t \ V I 1 \ I ' 



CAI.AV) 



.mandares, quo s't'.-.- 
- f as s ItraiicclliHs".— 
p. 21. 



^alandar, despe- 



IV, "v, i. ' 
. rPiitfs iiestus 
calendares». — 

I ima mé- 

•:• • J _ ; I st-nani 

que OS ( • 1 jo- 

- ;i i|iif nam 

calendared vii. 

tie percgiiu», a vjue elles 
< ndar, t- ai*si andSo muitoa 
auu-.».. — l.iii'g" >1" (""Ut'', D.H- IV, Í, 7. 
«Calendar 'que iu- o mcriino que pe- 

reiiriti'io — Id., VIII. II, 1. 

"]>■„:; _ bOs oalendares vestem tu- 
ias i' curtas, som mangas, 
iitras lie sedas de cavallo... 
[lequeuas 
!io, Rela- 
.;<„,, p .1..). 

1712. — nCalandares, ou Calenda- 
' ' ~. ou lie- 
:<<i certo 
• ; I. r,-i"- lontiuua- 
80111 de frauta, o 
. .i. Ml-», e de noite andava 
;ca«. — Bluteau. 

'• ■' ■ •■ •■•.esta 

por 
piúoè ■^a. .. - '^>- ...... .> que 

viios y «lUtro» van peregri- 

i.,,l.r..i,..M,f.. ,i.. litriosina y 

[lor onde 

bien mi- 

tia vida, 

lies ituti- 

' 1 xci ra, Jirlacionft, 



V a lit.» J 
taU. 



,uel- 
t da- 

iirriK-iot, ííiriii->r/f'nw Orien- 



V >• s 



It) I' ■ 

gente, V 



tri- 

rum 



Ifaherem cuni 
lit I Kalande 



kSp hl7.r. C. 



d.. 1 



a, I, p. aCK). 

^ • . hAti» par uu Mahometan 
Calendar lui y est <mi- 

t< II' I.I s Calen- 

dar 



• CALANGO (tamul-malaiala ^'tVari- 
'/Í/ 1, liaiz tuborosa de palmeira brava 
(Borassus fabeUifonnis) tenra, a 
qual se come no sul da India e par- 
ticularmonte.no norte de Ceililo. 

16y7. — • . semeão os caroços, a que 
chamíiO pana gay 08, e depois que cri So rai- 
zes, que uonieão por esta palavra, Ca- 
lango, ou as coHieiu verdes, ou secas, fa- 
zendo delias farinha, de que se sustentão». 
— F. Femào de (Queiroz, Conquista de Cey- 
lâo, p. 40. 

1UI4. — «Lift palmyra kilangu (i.e., 
germinated seedlings)». — Drieberg. Year 
liook of the C A. a, p. S3. 

CALANJA. Peso de joalheiro na 
índia meridional, equivalente a 20 
viangeUns. Do malaiala katancha 
(tarn, kalaiichu). 

1.^51. — «De cospidouros douro dous pe- 
daços da dita ley que pesarS mill cemt 
eorenta çymquo calanjas». — O lu- 
taria do Theaouro d<> Jiei i!» '' '" 

1554. — «Hua calanja 
lius, cada maugelim i^ grao^ m h i r- . n i nn 
português d'ouru pesa 8 calanjas, 'J man- 
gelins». — António Nunes, Li/vru do$ Pe- 
sos, p. 35. 

15«;3._.A [pt^n^l- •'" ..»--H.. iiVinrrJos 
de trigo, »juc sam iha- 

mau> calanja, va: „ . .. , a».— 

(iareia da Orta, <V>I. xxxr. 

Mli'y. — «Kalangia è un peso di un- 
deci pnnani e un quarto di Coecino . 
Kaicia è un peso di quattr<> Kalangia». 
— Pra Paolino, Viaggi 

CALAO. () vocábulo Uosigna, em 

indo-jtortu^urs, a bilha ile barro ou 

cobre, com capacidade mais oa me- 

■ «H de um almude, usada para á^ua, 

como medida, para vinho •' az«Mtc. 

uCalílo do 

iquido». 1 

idio do htiHino I'rinKtrio. Procede 
<■•• tamul lualaiala kahtm, sing, ka- 
Utya. Correspondo no significado ao 
cone. kalsò, do sAnsc. kala< 



•..\. Ill' .1111 liii 



CALÃO 



184 



CALARIAO 



— In Cartas de A, do Albuquerque, ví, 
p. 31>r). 

15'21. — «Deutro na feitoria se nsim 
achara nada, somente hum oalAo que ally 
trazia, que mostrou na mSo que todos lhe 
fossem testemunhas ; com que o mouro deu 
no esporão da fusta e o quebrou». — Gasf- 
par Correia, Lendas, ii, p. 040. 

1538. — «As mulheres trazião as panei- 
las e oallões que tinhão e as enchião de 
pólvora». — Id , iv, p. 47. 

1525. — «Muitos calõees de manteiga 
e mel'). — Chronica de Bisnaga, p. 93. 

«Acabando estas três voltas quebra o 
calãao, que he bua panela. . . E toma 
hum calâao d azeite na cabeça e bota-se 
no foguo». — Jbid., (1035), pp. 7(5 e 77. 

1551. — «De calõis douro hGa peça de 
ley biij l mates que pesou seteçemtas e 
dez calanjasn. — O Inventario do Thesouro 
do Bei de Cei/lão, p. 21. 

1526. — «Aquv se fazião muitas despe- 
sas em calões de barro mal cozido para 
cozinharem nos navios e fustas e paráos de 
remo». — Afonso Mexia, in Archivo, v, 
p. 10(5. 

1552. — «Depois hiudo os nossos por 
ella [águaj acharão os cal Iões que são 
huns vasos de barro em que os da terra a 
trazião, todos quebrados». — João de Bar- 
ros, Déc. I, v, 3. 

1585. — «A agoa que os enfermos ouve- 
rem de beber, seja sempre da fonte de 
Banganim, trazida em calões». — Archivo, 
V, p! 1036. 

1609. — «Com elle e cinco Mouros mais 
doHOs da terrada, e com tantos outros cân- 
taros, a que elles chamão calões, parti- 
mos para a fortaleza». — ^ Fr. Gaspar de 
S. Bernardino, Itinerário, p. 106. 

1609. — «O terceiro juramento é de me- 
nos perigo, mas não de menos admiração : 
chamam-lhe os cafres [de Sofalal jura- 
mento de calão, que é uma panella mui 
grande cheia de agua quente, que leva 
um almude». — Vr. João dos Santos, Ethio- 
pia Oriental, i, p. 78. 

1613. — «Conforme o recebimento do 
caminho foi o da povoação, também real ; 
isto era, ter cada casa á sua porta um ca- 
lão, que é como quarta, mas redondo, 
cheio de agua, coberto com um panno 
branco, e em cima uma mecha aceza». — 
P. Manuel Barradas, Hist. Trágico -mariti- 
ma, p. 89. 

1614. — «Forão dar em huns calloens 
de pólvora (que são tamanhos como gran- 
des cântaros) que elles tinhão dentro». — 
Diogo do Couto, Déc. VII, 14. 

XVÍII. — «Xo primeiro dia em que as 
["palmeirinhí..s] transplanto, mando lançar 
a cada uma três calões de agua em di- 
versos tempos». — Arte Palmarica, i, p. 149. 
1782. — «Mas é preciso botar-lhe quatro 
ou cinco calões de agua». — Fr. Cle- 
mente da Ressurreição, Tratado, n, p. 286. 

1852. — «Calão — Vaso de barro como 



cântaro. Medida molhada, ou do líquidos e 
tem 6 canadas de ordinário». — F. N. Xa- 
vier, Bosquejo Histórico, iv, p. 3. 

1872. — «A rega, tão necessária ás ten- 
ras plantas no clinia ardente da índia, 6 
feita a calões (grandes bilhas)». — Ber- 
nardo da Costa, Manual do Agricultor, i, 
p. 176. 

1901. — «Em Goa, pode-se dizer, não ha 
nenhum dos maravilhosos engenhos, como 
moinhos, noras, etc., destinados á rega dos 
campos, que em hortas se faz com peque- 
nos calões (vasos) á custa de extraordi- 
nária somma de trabalho e paciência». — 
José Pinheiro, liol. S. G. L., xx, p. 106. 

1906. — «Seguiam-se os serventes le- 
vando os presentes da noiva, que eram 5 
ou 6 calões (ou vasos de cobre mais ou 
menos cinzelados e outros artigos, que se 
destinam a usos domésticos». — Hipácio de 
Brion, Duas mil léguas, p. 208. 

1911. — «Em geral o liquido fertilisante 
é extraido dos poços por meio de calões 
ou grandes vasilhas de barro». — J. E. 
Gastei Branco, Boi. S. G. L., xxix, p. 320. 

1578. — «... y en estas puutas corta- 
das atan vnas ollas anchas, y de pequenas 
bocas, llamadas Caloins: y alli está la 
Palma distilando esta que llaman Sura». 
— Christóvão da Costa, Tractado, p. 100. 

CAL APITA. Domingos Vieira in- 
sere, sem abonação, o vocábulo com 
anotação de inédito, bem como Cân- 
dido de Figueiredo, com o signifi- 
cado de «concreção pétrea que apa- 
rece algumas v^ezes no interior dos 
cocos, e de que os habitantes das 
Molucas fazem fetiches muito cele- 
bres entre elles». Também Devic 
regista calapite com o mesmo sen- 
tido, e acrescenta que «a palavra vem 
de kalapa, nome malaio e javanês 
do coco». 

Não há dúvida acerca do étimo do 
tema. Mas quem é que formou o 
derivado? As referidas línguas não 
o conhecem ; expressam a «concre- 
ção esponjosa formada pela coagu- 
lação da água de cocos velhos», por 
kalapa lãdeh ou nyur lãdeh. Lãdeh, 
por dãdeh, quere dizer propriamente 
«coalhada». Nos nossos escritores 
não me lembra tê-lo encontrado ; na 
índia Portuguesa dizem murindo, 
como em coiicani. 

* CALARIAO. O Padre Fernão de 
Queiroz emprega o vocábulo para 
qualificar uma espécie de fanão (q. 
V. I. a que attribui o valor de uma 



(ALI 



l■^:. 



TALIANA 



Parece que ó corruçSo 

! chocarão (q. v.), o c«»r- 

> tain. chakkarappaiid/Hf 

''s|M . !♦« de moeda i'unhada com ura 

rirculo, s?ndo o -— ■ • •' - h/. ♦•.., 

nõest. Porei vai. 

1687. — •Do porto de Columbo. 2000 fa- 
nòea calariões, que entSo ualiSo hua 
tanga». — Conquista de Ceylào, p. 254. 

* CAL£M. Fernão Mendes Pinto nilo 
declara a quo fera chinesa se refere 
por ôsse termo peregrino. Se quis 

íIh^Ílti;!!' ■■' 1'*iIh' . coriíu me parece, 
o t.-r;i,(' r..;-;-. >!■<<;. ,i'..;'' é c/iói-lang. 

1.>43. — • . . . em que havia mnytos ti- 
las, liSes. calens, onças». — Pe- 
lo, cap. 73. 

• CALETI. Assim escrito, figura o 
vocábulo na obra de Duarte Bar- 
bosa; mas o étimo — malainla c/i(7- 

'''//""'. '■ ■ ■' ' '-'ju, «tecelAoi 

— iiidi'ja ii:i;a:i.-ur tjue O autor de- 
veria escrever çaleti, que pola nova 
ortnr""'^ - ntaria i^orsalêti, 

<• ' ivíduo da casta 

<1" ;ir». A tradução 

•:a-: - í. TambOra a pa- 

lavra mainato (lavadeiro) é derivado 
do feminino do nome malabárico. 

1.'' — -Tia (>titr:i l-v mais baixa que 
. ^t n Cale- 

tls f-m imtro 

"iiain em 

<ie seda; 

heíro, de 

. — Livro, 

M caletia que tecem o algo- 
— Lopes de lleudoitça, Os 
ilerut, p 1%, 



a do Brahmá e Lacxmi 
\ IX nu. 

1874. — «Tu, Kaiy (iivm.i. . 
(grande drusl tu, ruja linirua •'• 



a de 



I'omas Ki beiro, Jor- 



peiídem, lividas, 
e um collar <1«' . 
para mim, K 
nadas, ii, p •■ ■ 

1883. — «Hesitei em eutregar-me nas 
mãos d'aquelle indio, que podia ser sectá- 
rio da deusa Kali». — Adolfo Loureiro, 
No Oriente, i, p. 138. 

1886. — «Estando um dia Parcoti, es- 
posa de Shiva ou Mahés, a banhar-.se, ti- 
vera a veleidade de fazer uma figura de 
barro amassado com agua de banho, que se 
animara ao contacto do seu hálito*. — Lo- 
pes Mendes, A índia Portugueza, i, p. 56. 

líKMj. — «No dia seguinte começava em 
Maissur a grande festa do Dassará, a mais 
rica e brilhante que se faz na índia, em 
honra de Darga [L)urga\ uma das formas 
de Kali, mulher de Sivah». — Hipácio de 
Brion, Duas piil léguas, p. 33. 

1912. — bE consagrada esta arvore a 
Kali, ou Parrot i, a consorte de Siva». 
— Caetano Gracia^, Flura Sagrada, p. 71. 

1915. — «Os abominavei^« sectários da 
deusa Kali não eram, p"'- ■•»"■'■■ maia 
cruéis e ferozes do que es- falas 

mansas*. — Urrulih-) lie 14 . .'....'. 

177ti. — <• I \i\ uomi, come Par- 

vadi, Kàli, I í»i». — Fra Paolino, 

Viar/gio, p. 79. 

Kali (proprement Kãli, la Noire). — Ce 
nom qui designe dans les Vedas Tune de 
sept )riii:r'io> ]o VAç^ni, est deveuue dans 
le - ;t3 I'un des noms de 

D*-. I. sons í«n forme fa- 

rouche wc. Kali 

vent n\ ■ . autre f . 

la !■ \ Fauchc, La Uraiide 

Eu 



CALI (sAnsc. Kãtl}. É a deusa CALIANA (porsa qah't/un, «tubo de 



.irMÍf deusa», e 

í' títulos, indica- 

• seu duplo carácter, benigno 

. tais como: f/w/í, tluz»; 

br.nnca»; Pãn-atl, «monta- 

i do monto : lilntvnnl, 

libava i«'jot<to de Xivaj; 

<»;Durgâ, «inacessível»; 

. ' terrível». Teol' ' * 

/• a Jtacti ou « : 

>i lie Xiva, assim como »Sarut>vati 



e, segund») o seu costume, descreve-o 
minuciosamente: «He o instrumento 
de que se servem os Persas, e Mo- 
goros para fun 
cujo uso ó t.lo . 
em todos os Orientaes. A ( 
composta de huma garrafa dt . ...;.... 
oa vidro chovo de a;;oa, e da boca 
' ' ' t«ntra p« u 

lio S;? j 
liuma cousa de íúruia de hum pertti- 



rAr.icó 



18fi 



OALMFJ.AS 



mador de ouin, |)i<it.i, ou <ir cudicj 
lia qual se meto o tabaco iiuiito hein 
picado, e huma l)raza dó lume, o 
hum pouco mais abaixo ha luim bu- 
raco, de donde sahe hum canudo de 
canna comprido, ou de couro muito 
bem cozido, e ás vezes bordado de 
ouro, o seda, pelo qual se chupa o 
íumo de huma grande distancia, para 
que tendo menos força, se possa es- 
tar continuamente neste exercício, 
sem damno do saúde. 

1675. — «. . . \\ith their Servants bear- 
ing after them their Col ions, or Glass 
Vessels, out of which thoy snioak Tobacco, 
by a long Keed, or Caue, fixed into Gold- 
en, or Silver, or Brass Heads, with their 
Magnificent Appendices, carried stately 
behind them». — Fryer, East India, iir, 
p. 259. 

1825. — «The Kawul kept his seat, called 
for his kalean, or Persian pipe, smoked 
some whiffs, then began talking again«.' — 
Jlebcr, Narrative, ii, p. 70. 

CALIANCHI-POTTI (cone, l-al^an- 
cln-patft). Corrente do botões de 
ouro, quo serve de enfeite para a 
cabeça da mulher hindu. 

1874. — "Luzem-lhe nas infloradas ca- 
beças os lavrados chonáracôres, finos ca- 
lianchi-pottís e curtarens, cada qual a 
seu prazer» . — Tomás Ribeiro, Jornadas, 
II, p. 104. 

CALICANTI. Nome duma árvore 
de madeira de Damão — Acacia sun- 
dra, D. C. E uma das árvores de 
que se faz cato. Do guz. kcãlhcmãl. 

1886. — «Calycanty {acacia sundra) 
ou lalker, muito similhante ao ker na folha 
e flor, distingue-se apenas d'esta i^elfjs 
fendas do invólucro cortical do tronco. E, 
com tudo, de muito menor duração e dimen- 
sões, sendo em geral tortuoso». — Lopes 
Mendes, A índia Portugueza, ii, p. 248. 

1898. — «Produzem pau rosa, teca, ma- 
retha, sissó, calícanti». — Oliveira Mas- 
carenhas, Âtravez dos Mares, p. 59. 

1901. — «As essências florestaes que 
predominam e em algumas mattas e cam- 
pos abundam são : toca, sadra ou mareta, 
ker ou pau ferro, kaiícanty, babalia. — 
José Pinheiro, Boi. 6. G. L., x.\, p. 32. 

1911. — «A teca, a mareta, o jambo- 
leiro, o pau preto, o sissó, a kaiícantiz, 
o aldravane». — J. E. Castel Branco, ihid., 
XXIX, p. 389. 

* CALICO. Nao vem este termo 
nos dicionários portugueses, mas é 



tivo de «tecido branco de algodão». 
Provêm imediatamente do fr. calicot, 
ingl. calico, mas. procedo do nome 
geográfico Calecut ou Calicut. Os 
nossos escritores antigos chamam-Dio 
cotonia. Fryer declara abaixo o mo- 
tivo da denominação. Os portugue- 
ses nao empregaram a palavra nesta 
acepção, por nílo exportarem de Ca- 
lecut a fazenda, que aí se nao fabri- 
cava, e por terem animosidade com 
o samorim. 

1884. — «Do Malabar transportavam 
preciosas especiarias c o tecido que foi co- 
nhecido pelo nome de callcut». — Adolfo 
Loureiro, No Oriente, ii, p. 226. 

1611. — «Calicud, vna cierta tela del- 
gada, que traeu de la índia de Portugal, y 
tomo el nombre de la Província donde se 
labra, llainada Calicud». — Covarruvias. 
Tesoro de la Lengua Castellana. 

1613. — «lis changent Icur bestail et 
leurs fruits centre des Callicoos et au- 
tres sortes de toiles et étoffes de coton 
dont ils font leurs habits». — Thomas Row, 
in Relations, i, p. 3. 

1673. — «... having an accomplishment 
in the Art of Staining Calicuts here ^ 
beyond any other place in the East In- 
dies». — Fryer, East India, i, p. 90. 

«Calicut for Spice, Amber greez Gra- 
nats, opiums, with Salt Peter, and no 
Cloath, though it gave the name of Call- 
cut to all in India, it being the first 
Port from whence they were known to be 
brought into Europe». — Id., i, p. 221. 

1880. — «They ware a shirt (kulmiak) 
made of calico, sometimes white and so- 
metimes red; their drawers (schtaun) are 
worn very wide, and are made likewise ot 
calico, or occasionally of silk». — Ho- 
worth, History of the Mongols, ir, p. 23. 

^CALMELAS, camelmas (s. m. sing. 
pL). Peixe bonito (q. v.) que, sen- . 
do curado, constitui o principal ali- 
mento e objecto de exportação das 
ilhas Maldivas, onde se chama kalu- 
-hili-mas = preto-bonito-peixe. A frase 
é diferentemente transcrita. 

1343. — «A comida dos habitantes del- 
ias he hum peixe, semelhante ao Albirun, 
a que elles chamao Calbo-Almace, cuja 
carne he vermelha, e não tem gordura». — 
Ben-Batuta, Viagens, ii, p. 265. 

XVI. — »0 algodão não nasce ahi se não 
mui pouco e todo vem de Cambaya, o qual 
resgatam por peixes chamados camel- 
mas [à margem— Calmelas, peixe, não 
se acha em outro lugar]. Calmelmas é 
um peixe de que aproveitam as mios da 



CAl.Lu-GONDi» 



1^7 



< Al.l KTK 



calmclaS' 



maneira, 
ii)ii>8 muu- 
ii- em on fro 

III /;.'/. s. (■ 



1' ;■. .■, que assnn se ai>;i- 

I hi, t'Ute em sua lingua 
Coboiiy masse, i<to é, peixe negro, por 
que t<'ii«i n.s»iui é. t'oeem este peixe em 

1,' 

p' ■ r .i/.'in II' 

li. entre si. i 

M I . - .... 1 1. Ml.., unde esta i.w.- n,,. ■ ,,,...10 
jir. ;it,i(la . . que se apanlia no mar 
alto I ha inn-. «p romo já disse, Cambolly 
masse, ist. •'■. peixe uegro«. — Pyrard 
(!.■ l.;i\ ,!. T ■ ■• !,.< I. 1)1.. 1(;3 .■ IT)? 

11 con 
lie las 
1- .i~ !• N : . a, y paresce cam»' (if va<-a 
(oc-ina.hi. li. i.inio entre ellos Comala- 
masa (que es bueiia Azeytuna a los beue- 
dorc^i T desta Mezcda no solo come la 

' ! ' ■ -a^ mas tambien I08 Portu- 

1 t'lvao da Costa, Traclado, 

I have seen Comelamash 

(ior tliat i.'. their name after tlicy arc dried) 
sell at Atcheeu». — A. Hamilton, mGlosB- 
ary 

1 77' I Le ])oisson appellé dans le pays 
complemasse rM srrhr au soleil. On le 
sab- «Ml It- ].l<)iiLr»aiit lians I'ean dc la mer 

II plu»ieur8 reprises». — Kaynal, Jlistoire, 
r, p. 3()0. 

• CALÔ (cone. kãló). Nomo duma 
tt'stividado hindu cm Goa. 

iRKft. — ..V:iK r,.,fiv;,iu,b'> iTntilicas do 

Calo, I'm \ . em Arva- 

b'lii. fazem , 'luram três 

— Jjopes Mendes, ..4 India Portu- 

r.. I. 17 

1 rcj)r<v-<Mi- 

tda Calo, 

till Hiitiualmente em 

M N'li <la Indiri Portu- 

■ iiibro, 
llrali 
mú, Ví.hJíhú I il'i ^ijjautc buucai>âuru. — 

w,pH 

' I . — «... I 1 

s e.ntranli 
do Cal» 



(lo. É Ehretia laevrx, Koxb. «Co- 
..èO-8« ás vo7.('8 fructo, posto qu(» 
tiao seja gostoso; a madeira é util». 

- D. G. Dal{?nd(>, Flora. Do cone. 
/:~iló-gonfió. 

CALOIRO. Monge grego, da ordem 

de S. Basílio. Do grego / " <, 
que literalmente quere dl/ ui 

velho». Domingos Vieira deriva desta 
palavra a outra homófona, que em 
português designa «noviço ou estu- 
dante de diseiplin 
e de que outros !• 
dicam a etimologia. 

15H4. — <>A estes [reli;.': " unSoos 

Gregos Caloiros, que t dizer, 

como bons, e virtuosos".— ir. I'antaleao 
de Aveiro, llinerario, p. 447, 

1604. — aTl.e other [igreja] is Greek, 
served by a Caloyro, or mouk of the 
Greek Church» (em Alepo). — Pedro Tei- 
xeira, The Travels, p. 131. 

1G14. — «... habitate uon piu dalle Ar- 
pie, come vn tempo, ma soloda cinquanta, 
o 60 Caloierl Greci, che in vn bel mo- 
nastero. . . meuano sequestrati dal Mondo, 
in quel luogo solitário, vna vita inocente». 

— Pietro della Valle, Viaggi, 1, p. *). 

CALUETE (s. m.). Pau para em- 
palar; suplício do empalamento, na 
India dravidiea. O étimo imediato 
devo ser o tamul-malaiala kaluclrri 
(leia-se kaluvltti), «merecedor do 
empalamento, empalando» de kalu, 
«pau de suplício», e hn-lrru, Tom- 
palar» '. 

A palavra aparece ortograíiu;,. .. 
luete o caloete, nllo havendo, por- 
tanto, dúvida acOrca do valor do u 
antigo, nem justilicaçfio da forma 
ralvete, dada j>or alguns dicionários. 
Duarte Barbosa e Tomo Lopes con- 
tentam-80 com descrever o suplício, 
sem indicar o seu nomo. Fernilo 
I*iuto omproga-o íbra da índia. 

1&02. - «Apena» ohegHrflo foram em- 

■■■•■•■'■ • : ' ■-■■ :•■•■• Ks- 



I I ••■■• ;.• -^S'' 

ira cima os encravanlo na terra, ttcaudo 



<ti*. de 4 de Jaoeiro 

• ÇALÓ GONDÓii» .|M'(|u«>naárvoi 

' lia portugu«'^.i . ' ' ' '" ' 



•utf udiuil'.' pura rr \ . 'jiiuatTt 



CALUETE 



188 



CAMALASSANA 



altos do chiio cousa do huma lança, e com ' 
(18 braços e pernas abertas, ataílos a qua- 
tro páos, não podendo correr para baixo 
porque havia uma travessa que os embara- j 
cava». — Tomé ]jOI)í'S, Navegarão, cap. 18. | 

151G. — Confessando elos o furto, ou ! 
achando-o em flagrante delito, sendo Gen- 
tio levamno ha huu lugar honde executaom 
ha justiça, honde estaom huua p aos altos 
muytos agudos, e hila taVjoa pequena, por 
honde passaom aquela ponta, e aly lhe 
cortam a cabeça com húa espada; e entam 
ho espetaom pelo meio das espáduas 
naquele pao que lhe sae na boqua do estô- 
mago mais de huu covado fora, ha cabeça 
lhe metem no outro pao». — Duarte Bar- 
bosa, Livro, (2." ed.), p. 321. 

(1504). — «E o havia de espetar em um 
caluete, que havia de mandar fazer, com 
que havia de mandar espetar quantos Mou- 
ros e gentios achasse em falsidade, (^om 
que se sayo muyto merencório, e mandou 
logo armar nyiytos caluetes, e hum mais 
alto que todos, dizendo que era para o Ça- 
morim». — Gaspar Correia, Lendas, i, p. 476. 

1525. — «Logo mcteo os officiaes, e cer- 
quou a Ribeira de longo para a ponta que 
se chama do Caluete». ~ Id., p. 930. 

1535. — «Os fidalgos que são tredores 
mandão os espetar em huu espeto de pao 
pella barriga vivos». — Chronica de Bis- 
naga, p. 71. 

1545. — «Mandou espetar em calce- 
tes todos os nobres que tomarão vivos». 
— Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 155. 

154(j. — «O moço foy espetado vivo em 
um caloete de arrezoada grossura, que 
lhe meterão pelo sesso e lhe sahio pelo 
toutiço). — Id., cap. 177. 

«Huns espetarão vivos em caloetes, 
e outros queimarão nas mesmas embarca- 
ções». — Id., cap. 179. 

1603. — «E estranhou a Raynha muito 
o caso, e polios contratos lhe mandou en- 
tregar o feiticeiro que o castigassem, e 
posesscm no caloete, que he hum pao 
muyto agudo e fixado no chão forte, em 
que os espetão com grandíssimo tormento, 
e aly se ficão consumindo os corpos, cas- 
tigo que pêra os Malavares serve, como 
entre nós a forca de que não vsão. Mas o 
Arcebispo não consentio que posessem o 
feiticeyro no caloete». — Fr. António de 
Gouveia, Jornada, fl. 48 v. 

«Se hum Key mandar por no calcete, 
que he o género de morte dos condena- 
dos. . .n. — Id., fl. 63. 

1685. — Esta cidade [de Cochim] tem 
lium bairro, que chamão o Calcete, aonde 
algum tempo residião mulheres do mundo, 
e hoje por nossos peccados toda está feita 
hum Calcete». — João Ribeiro, Fatali- 
dade Histórica, iii, cap. 3. 

1510. — «Cerca la justitia che si vsa fra 
costoro è, che se vuo amazza vn' altro à 
tradimento, il Re fa pigliar vn paio lungo 
quattro passi ben apuntato, e appresso la 



cima due palmi fa metterc due bastoni in 
croce nel detto paio, e poi fa niettere il 
detto legno in mezzo delia schiena di mal- 
fattore, e passali il corpo, e viene a gia- 
cere sopra quella croce, e in tal modo si 
muore, e questo martírio lo chiamano vn- 
caluer». — liarthema, aptid Kamúsio, i, 
fl. 161. 

CALUMBA (indo-inglGs Calumha 
root). Planta menispermácea — Jateo- 
rhiza palmata, Miers, originária da 
Africa Oriental, cuja raiz é expor- 
tada para a índia, por se considerar 
muito medicinal. O termo kaluviba 
voga nas línguas indígenas de Que- 
limane. 

1883. — «... e da apanha da borracha, 
da urzella e da raiz de Calumba, resul- 
tam as cinco sextas partes da exjiortação 
da província». — O'Neill, I)a Agricidtura, 
etc., in Boi . S. G. L., iv, p. 17. 

«Calumba {Menispermum palmalum). 
— Esta planta medicinal, de cujas raizes 
se extrahe um tónico e antiseptico, é indí- 
gena do solo de Moçambique, d'onde se 
diz provir-lhe o nome vulgar que tem. (>8 
indígenas vem vendel-a a diíFerentes pon- 
tos da costa». — Id., p. 23. 

1786. — «Calumba, radice gíalla, ec- 
cellehte remédio contro la fcbbre terzana, 
li dolori di stomaco, contro íl veleno, faci- 
lita li mesi ed il parto». — Fra Paolíno, 
Viaggio, p. 363. 

# CAMADENU (s. f.). Conforme a 
mitologia bramânica, ó uma vaca ce- 
leste, que satisfaz todos os desejos ; 
equivale à cornucopia da mitologia 
greco-romana. Do sRnsc. kãmadhenu, 
lit. o vaca leiteira do desejos». 

1817. — «Em seguida Narana mostrou- 
me as santas conquistas de Vishnu. . . Ca- 
madenu, a vaca de cara humana e com 
asas». — Ileraldo, de 8 de Maio. 

«CAMALASSANA (f.). Flôr indiana, 
aquática e gigântea, de pedúnculo 
encarnado (nimphea albaj». C. de 
Figueiredo. O vocábulo foi colhido 
na obra de Lopes Mendes que não 
se exprime, neste passo, cop a de- 
vida correcção. Em sânscrito, kamala 
é «nelumbo», e ãsana é «sede, assen- 
to»; e o composto kamalãsana quere 
dizer «aquele cujo assento é o ne- 
lumbo», ou «o assentado sobre o ne- 
lumbo»: epíteto de Brahmá. Neste 
caso^ a prosódia portuguesa requere 
que a palavra seja esdrúxula — ca- 
malássana. 



TAMA RAMA N'HO 



AMARA GERAL 



11. > 

[lint'fia; 



\'/ I'/ifiaea lotus. 



igòlíao» em port. 



Linn., 

rtu- 

xãlak, 



Willd., 

k'cufturi xã/ak oni cone. ; Xelumbium 
specioMum, Willd., «nelumbo» oni 
tort.. / u cone. Vid. 1). G. 



1); 



cone, 
p. 5. 



1^86 — «Está [BrahoiA] scutado sobre a 
Camalassana >>ii Hor ilc cainal, tauibcui 

U'l.'Ili-.lii.l pfl".s ilirii;.TIliiS cll lis t ão8 dc GoU 



(/■ 



■i^ 



< ptHluiicuiit encarnado 
Vishnu. Esta flor 6 a 
(la tamilia das ^ympheaceaa 
Serve de throne a Brahmá; 
rus ou o sol, a (luoui os egyp- 
aui». — A India Portitgutza, 



'\1 — 



espclhaudo-se no sagrado 
(;,ii: , - •• ?(o pAt*tico It'ito do Golconda en- 
'i. ■'..:. - I • .r iiifs de kamalas e nio- 
_'.i;.i.- Lu' tuu" Gracias, Flora Sagra- 

<l.i. !■ 111. 

;. ',- —«La sua [de Braniá] habitatione 
no sii in vu mare di latte. sopra 
, ãii<;ili- a quelli ehe nascono 
Camalla». — Fr. Viu- 
ve». i>. 3(»õ. 

CAMARABANDO. Cinto Ao seda que 
ti i/,»Mn 08 niu«;ulnianos orientais ; 
íaixu. Do persa kamar-band, riiipiv- 
gado pelos idiomas indianos. 

em eami.sas 
i'l.i i-i?], e cingindo 

li ii;, car 'i(Jo lie seda amarela, e 

ji • I t tlVHiro o fx'draria». — 

<;.. Ht, 

lor a Goa 
,.",> |).iii..^ rieo.s da 
camarabandos, 
c ^da». — Caiitanhedn, i/w- 
7. 
- . Ihe pedirão «'iii' 

, t' camarabandoa. *- hull ; 

■ !lM||i«", 111 

1 . , in - (Hii- 

\' ti: (;<iniar<il).indOS. 

1'!:, ';■'• ■••• riiii^li 4iiii". — ' .'f(.(,it mi'.*/ ••>*, IV, 
1 - . _..|.' r...v fi...l.,.t,. f,.iwi- .. C«- 

miirnbiindDs 



lil^. . K .'(r()iiui:irili:ii)do o Govcma- 
d<ir at»* à por ■i<isf, lhe ofl'e- 

receu hiuna > <■ cabarban- 

do, tudo muy rico, e de grande valor, c 
preço». — Jo5o Tavares Guerreiro, Jorna- 
<{a, p. lib. 

17*27. — «They have also a fine Tor- 
band, embroidered Shoes, and a I)aggt*rof 
Value, stuck into a tine Cummerband». 

— A. Hamilton, in Glataary. 

1824. — «He had a very filthy turbau 
round his head, with a cock's feather in 
it; two satchels flung over his broad shoul- 
ders, — the remains of a cummerbund, 
which has been scarlet». — Hcb<*r, Narra- 
tive, p. I"i3. 

«CÂMARA GERAL. Dnva-se oa- 
trora Cste nome à assembleia dos 
representantes das yancarias ou co- 
munidades ajrricolas de Goa: t câ- 
mara ííeral das Ilhas», «câmara ge- 
ral de Bardes». Posteriormente eram 
conhecidas por «câmaras ajrrárias». 
Agora estão extinta- 

IGlb. — «Maudey pa.s.-^ar jirns isãn a ]ie- 

tição da camará geral das terras de 
Salcete dessa Ilha sobre se não vende- 
rem pelos gaucares das aldeias as tangas 
de cunto para fora da terra». — Curta do 
rei, in Archive, v, p. 1387. 

165Õ. — • . . . pedindome confirmação do ■ 
assento, que os gancares mores da ca- 
ntara geral dessa ilha fizerSo no anno 
GU4 sobre as vendas das ditas gaucarias». 

— Id., ibid., p 1380. 

1710. — «Visto a Hepreseiitat ' 
havia feito a Camará Gerai 
de Hardez, em razão <le que jMjs.-^uiudu as 
Communidades das Aldeãs da sua jurisdi- 
ção alguns bens. . ■■. — Id., ibid., Suppl. ii, 

p. G. 

I71.'t. — «Nós os gauc.ares-móres da Ca- 
mará Geral da ilha de Goa, t°a/.cuios 
iiresente a V. Magestade. . .». — Apud F. 
N. Xavier, O (iahincte I.ittcrario. v, parte ii, 

V 8*- 

1741. — «Ajustou que hb ditaa vargiaa 
|>r,ssuiria o Estado a !■• -^ '' *' • 
tia cie que ficava <le\ 

à camará geral «it i,.».... , ., - .t, 

,lúlio liiker, CoUecção de Tratadot, ti, 
p. 2:Ui 

18;VJ, ~ «Camará geral ou agi . i 

li.-iitii.";,, .Ir (":.,n. i: rs . l,'il..s .!.■ . • 



.E ti 



' tvrivi*, IV, p. Ó. 
VIM camarabando, l**'.'! ..('a<la uma das .Mdfnií nn rom- 



I \\ *. h. 

' metido em vm ca- 
marabando, cum que ya cingidoM. ~/d., , iiu^.ta liiir:'!.!, camará gorai 
V, 1, '.t I Ne«ta camará discutiam ec c d' 



CAMUAIATE 



190 



CAMHOLTM 



OS interesses do povo». — Tomás Ribeiro, j 
Jornadas, ir, p. 15. , I 

1885. — «Provavelmente tambcin il sua | 
iiifluoiH'ia e iniciativa .se deve a fonnayão 
das camarás geraes, uma em cada 
provincia, con.stituidas ])or deputayõcs das 
comunas, e tendo por objecto a promoçjlo 
dos interesses doestas, o julgamento de 
certos casos crimes, e, talvez, a organisa- 
cão lie meios da defeza em conmium contra 
o ataque dos inimigos». — Teixeira Gui- 
marães, Comniunidadeii Indianas, p. 14. 

1901. — «As gãoearias eram represen- 
tadas em cada proviucia para a resolução 
de negócios conmiuns, por Camarás 
Agrarias, que reuniam ;is attribuições 
administrativas as de julgar causas crimes 
nas .suas respectivas províncias». — José 
Pinheiro, Boi. S. G. L., xx, p. 92. 

1901. — «A gerência dos negócios ge- 
raes de todas as conununidades de aldeia 
de cada província estava ao cargo da Ca- 
mará geral agraria». — Cristóvão Pinto, 
ibid., p, 249. 

# C AM ARB ACUTE (persca kamar- 
haft). Cingidoiro, faixa, entre os per- 
sas. V. camar abando. 

1575. — «Vos mando que des. . . bua 
touca e bu camarbacute de pano baixo». 
— A. de Albuquerque, Cartas, vi, p. 363. 

* CAMAVISDAR. Era marata, ka- 
mãvlsdãr quere dizer propriamente 
«cobrador das rendas públicas do 
distrito» ; mas omprega-se também 
por «administrador, gestor» de qual- 
quer estabelecimento. 

1738. — «Todo o individuo que deman- 
dar outro para juramento no pagode (pe- 
rante a divindade), assim o deverá par- 
ticipar... ao respectivo camavisdar 
(administrador do pagode)». — In O Oriente 
Pariuyuez, ii, p. 272. 

CAMBAIATE (adj.). Fabricado em 
Cambaiate. CJiader camhaiate, tecido 
de algodão, procedente da cidade 
marítima de Cambaia, conhecida dos 
maometanos por Kãnbãyat, corrução, 
segundo o coronel Tod, do primitivo 
nome In'ndu Khambavatl, «cidade do 
colunas». Os portugueses estenderam 
o nome de Cambaia ao reino do Gu- 
zarate, onde está situada, e por Cam- 
baiate entenderam o porto de Cam- 
baia *. 



1 "Vem ter a cidade de Camhayate (co- 
tovello do mar da enseada)». — Garcia da 
' Orta, Col. xvii, 



1525.— «De chader cambaiate 2000 fe- 
deas». — Lrinhranças, p. 56. 

* CAMBELÃO, cão. Estalagem, ca- 
ravanserai na Pórsiá e Palestina. O 
cão é do persa khãn, «estalagem»; 
não pude bem ideutificar o belão, 
que pode significar «alto, elevado», 
se provém do buland, 

. 1593. — «Para a senhora Turca tinlião 
muy bem concertado o cambelão do lu- 
gar, o qual era muyto grande, c beni mu- 
rado». — Fr. Pantaleão de Aveiro, Itinerá- 
rio, p. 437. 

«Vimos estar ao longo do rio Jordão 
sentadas a.s tendas dos senliores Turcos, e 
o cáo muy concertado para a Turca». — 
Jd., p. 453. 

«Este câo, em que ná Cidade do Da- 
masco descansamos, era como huns paços 
reaes, com muyta quantidade de casas, e 
aposentos, todos muyto bem forrados, c fe- 
chados com suas chaves mouriscas». — Id., 
p. 468. 

• 1615. — «La sera andammo a dormir 
sopra '1 fiume in vn chan ouero Casa di 
alloggiamento publico, che si chiama Mur- 
seijèb; fabricate per commodità de' pas- 
saggieri». — Pietro delia Valle, Viaggi, i, 
p. 499. 

1888. — «Its citizens, as well as the 
peasants from the country round, had taken 
refuge in a khan in the middle of the 
town, where they were all slaughtered». 
— Howorth, History of the Mongols, li, 
p. 20. 

CAMBOLIM. Manta de la, do ordi- 
nário parda, muito usada na índia 
o na Pérsia. Do cone. kãmblém 
(pi. kamblwijy kãmbal < sânsc. kam- 
bala. 

1514. — «Comprou seseuta cambalis 
e custaram doze pardaoa». — In Cartas de 
A. de Albuquerque, ir, p. 144. 

1516. — «Na illia de Çacotorá que atras 
dise fazem huus panos de lãa como ordens, 
{sic) que chamaoin cambolins, que uaiem 
muyto». — Duarte Barbosa, Livro, (2.* ed.), 
p. 264. 

1541. — «Os homens [de Socotorá] andão 
uuus e somente cobrem as partes vergo- 
nhosas com huns panos, que chamão Cam- 
bolis, dos quaes fazem na ilha grande can- 
tidade». — D. João de Castro, Eoteiro do 
Mar Iloxo, p. 17. 

1563. — «Assentado em huns bailéus so- 
bre hum camboiym preto, segundo o 
costume do seu estado». — Gaspar Correia, 
Lendas, iii, p. 714. 

1603. — «Ahdão cuberto.s com huns pa- 
nos, que chamão CambolIns de Iam de 
cabra, pretos de dous palmos de largura, e 
seis de comprido» — Fr. António de Gou- 
veia, Jornada, fl. 135. 



'i.lM 



l.'i 



i'A.Ml 



liiimCambolim 

fr;r.'ia " i-nlii-l.'n p 



."io liuns cam- 
bolins ■!'• iiraiifii, c prrto, que 

fHZ<'iii, lia 1:1 (ias cabras». — 

Fr. Gaapni at* o. Bernardino, Itinerário, 
p. 90. 

li'jf, — «Fabri' lie quantidade 

• s ou aH>' que os Indio.s 

tii.iiiiaiii Mon.-^'-i»-. V (>.- i 'irtuguozes CaiYI- 

bolins df Onmiz»». — Fvrard de Laval, 

\'ta<^eiii. II, j>. 20 J. 

1615>. — aDe cada corgia [^^ coria] de 

cambollns ri^nl hii oambolim de 

irntn do Vi'dor N. V. (.'as- 

1G24 — «Qualquer de nús, leuaria hum 
cambolim para so cobrir». — António de 

A ; : , .^^otv) Descobrimento do Gram Ca~ 

— «E por conclusSo tomua d'elles 
1 i icire ura oambolim de vinte 

) iaos de valia» — António Bocarro, 
1' x.n, p. 464. 

!' ' - «MaB o povo se veste ordiuaria- 
1 rniYiholim, que he certo pano 
camelo». — P. Manuel 
' • ■ . ' p. G8. ' 

'•'''^ ' ; >n-se hum pobre vestido 

' ~ '' iiiit' ~ !■ IP iicl, a (pie na India cha- 

iii I'i cambolim, de que usam 03 Capu- 

! . ~ Fr. Jacinto de Deus, Vermel de 

• ■ . 1» õy. 

i ' ■" "-E sem mais bagagem que as 

'•: ■ a mbolympera vestido, e ca- 

' / '/«. ou Tutrix de trigo quasi 

iu aucla accA d«; arros ; andSo 

lias em campanha». — P. Fernão 

'If t^iitiroz, Conquista de C'eylan, p, 74. 

1727. — "Cambolim Espécie de dro- 

> ias partes da 

> t:lo macios, e 

fnr, estes 

i acamur- 

< •iitins priii- 

camboiins 

' • del- 

In- 

.-.n .,.,.-. ,1, ,,.;, (i»fn- 
iÍH gente humildcu. 

';a con que ae (jup- 
•< re, era un Cam- 

bolln, , panlaoH. I'm par- 

'i \ I Cambolin c» 

II vez de 
s» — Fa- 

.-«, .rrl«*</ / '. Ill, p. 272. 

i"~'' -"Lemalli 1 IrinMrn pntir 

-' ' "iiv 1 ir (iirimc ^u< iiiii' .i.i' 
' ' un camblly "m m— i •!■ 

1 l.t llioi- 

. Mifurti. 



nÁMI (mais us. no plurnl). jap. 
,..iini Ó nomt» das diviiulados da 
religião xintó, homens ilustres deifi- 
cados, eujo número se eleva a oito 
1 milÍKVs. Observa llef)l)iirii que ^esta 
palavra 6 agora usada pelos cristãos 
I como a única japonesa equivalente a 
j «Deus». Mas os nossos antigos mis- 
í sionários • nflo a empregavam, de 
oerto; pref^'riam a j)alavra j)ortu- 
I guesa y>e«/í, como afirma o Padre 
António Vieira a respeito de S. Fran- 
cisco Xavier. V. fotoqué. 

ir)62. — (líTa duas maneiras de ídolos, 
huns se chamilo Cámmis, que >" 
Reys do Japão, outros cliaulão Fot' 
que vierão da China». — fartas de Jaimu, 

I, fl. 99. 

1572. — «Ha muitas seitas entre os gen- 
tios, a mais antiga he doa Cómis, que 
quer dizer dos senhores, e reis antigos, a 
que elles fazem templos, e adorão como 
quenelles ouuesse alguma santidade». — 
V. Gaspar Vilela, HÀd., fl. 328 r. 

1585. — «A 8(>i;un(hi maneira de ídolos 
se chamào Cámis, os quaes dizem ser 
tantos, como as areias (io rio gauges, e 
antes que passassem a Japão as sobreditas 
seitas dos Fotoqués, já se adorauào em es- 
tas ilhas os Cámis, os quaes confessão 
que são homens mortaea, que nacerão nes- 
tes mesmos reinos; huns filhos de reis, e 
outros Cnngués. e fidalgos nuii nobres, dos 
quaes huns pela e.xcellencia de suas artes; 
outros por ser insignes em arte militar, 
e ter obrado em sua vida factos heróicos, 
e cousas exquisitas: depois de mortiís lhe 
atribuirão esta dignidade, e preeminência 
de Camis, e são difercntÍ8.simos em tudo 
de Fotoqui's, assi em o culto, templos, o 
lionzos, como em tudo o de mais. A estes 
Câmis j)C(ltnj iuuncdiatamente todos os 
bens natur«(^8, sauile, vida preli>n>fada, ri- 
quezas, filhos, vitorias cont 

gos. e entre toda esta intii c.i 

mia, ha hi trcs que sào ...- .■.,,,.■, íii..t.. i; 
mais venerandosM. — P. Luís Fróis, ibid., 

II, fl. 155. 

1588. — «I'ois o» Camia não foriio ou- 
tra cousa senão os mesmos senhores .la- 
p(Va que por suas grandezas, e vifori.i-i 
vierão a S(>r adorado»* porCàmis e íil'"' i 
os hciiliiiis (Ir Japão, prt'tfiidcni laml • 
quanto podem de se lazer Càmis i ' u: ■ 
fizcrão os outro»». — p. Gaspar Coelho, 
ihid. ri. y.vs. 

1588 — «A <|uurta cousa que parece 
lirntfiidc. conforiiH' aM.^ i|ii<' muitos ciiíd.oi, 
s de ter 1 

tua (pu? r- I 

maneira Im/at-^u Cami, v ser 
,i., poiín». _ Jd., ibid . fl. 259 r 
''^'" tauibeui induzido pclof 



CAMl 



19á 



CAMOTIM 



lionzos c cuidar que fazia nisso seruiço aos I 
Camijs c Fotoques de que lic muito i 
deuota se mandou queixar rfo Cubo». — 
P. Feruão Guerreiro, Belaçam, fl. 110 v. 

1012. — «E também alguns naturaes 
que elles veuerãó por santos, a que clia- 
mào Camis, Hzerão outi*as» (seitas). — 
Diogo do Couto, Déc. V, vni, Í2. 

XVII. — «Foy tão notável [o espanto e 
horrorj que concí^beram quasi todos os 
idolatras dando inteyro credito á commu- 
nicação dos Bonzos, que como se já come- 
çassem a experimentar e a sentir os rigo- 
res do açoute, não mostravão outro cuidado 
que o de aplacar a ira dos Camis e Fo- 
toques». — Apíid Cristóvão Aires, Fernão 
Mendes Pinto e o Japão, p. 9(j. 

1634. — «Tem elles por suas historias 
duas series de génios ou espiritos que cha- 
niâo Cannes*}. — Ihid., p. 126. 

1694. — «Abominando e chamando dia- 
bólica a Divindade dos Camis; e Foto- 
quez, e dos outros monstros, que adoravão 
por deoses». — P. António Vieira, Xavier 
Dormindo, p. 379. 

1697. — «Governava-se seiscentos e ses- 
senta annos antes da vida de Christo por 
hum só Emperador, e senhor natural des- 
cendente dos Camis seus primeyros Reys, 
e progenitores, e adorados por Semideoses, 
por serem da prosápia do Sol». — P. Fran- 
cisco de Sousa, Oriente Conquistado, I, 
IV, 1. 

1874. — «Emquanto à religião, o povo 
limitava-se a adorar certos animaes, as 
montanhas, as arvores, e os seus chefes de 
ti-ibus (análogos aos senhores feudaes da 
antiga Europa) que se chamavam liamis 
ou filhos de kamis, e considerava o im- 
perador como divindade superior descen- 
dente de Tendjiu, o sol». — Pedro G. Mes- 
nier, O Japão, p. 10. 

1588. — «Hauno dipoi altri Dei, quasi 
del secondo grado donatori delia sanita, 
de' figliuoli de' danari, e di quelle cose, 
che si appartegouo ai corpo, e questi chia- 
mano Camis, che furono già Re, ò figli- 
uoli di Re, ò che per alcuno ritrouamento, 
ò altra segnalata pruoua hanno conseguito 
la gloria di falsa diuinità. — P. MaíFei, Le 
Istorie, p. 491. 

1674. — «La uíás antiga y propria ea 
de Deoses, a que llaman Camis; y estos 
fuevou Reys y Príncipes antiguos y Per- 
sonajes que con singularidad eran utiles a 
lo publico». — Faria e Sousa, Ásia Portu- 
guesa, II, p. 763. 

1754. — cLe terme de Cami est fort 
equivoque dans la Langue Japonnaise; 
car quelques fois il ne signifie, que Che- 
valier, et quelques fois il signifie beaucoup 
plus ; on I'ajoute même aux noms des Fem- 
mes, aussi-bien qu'a ceux des Hommes. 
Enfiu, c'est le nom générique de tons les 
anciens Dieux du Pays : mais alors il ne 
s'ecrit pas de même, que quaud c'est un 
titrç d'houneur, il n'y a que la prononcia- 



tion de sepiblable». — P. de Charlevoix, 
Uistoirt du Japan, i, p. 144. 

« . . les Camis, qui sont en même 
temps regardez comme les premiers Dieux 
et les premiers Souveraius du Japon». — 
Id., p. 163. 

1770. — I'Celle [a religião xintò\ recon- 
noit un être supreme, rinuiiortalitt'! de Tame, 
et ellerend un culte à une multitude de 
dieux, de saints ou de Camis, c'est-;i- 
dire, aux ames de grands hommes qui ont 
servi et illustré la patrie». — Raynel, //I's- 
toire, I, p. 1(^2. 

1894. — «For the maintenance of the 
Shinto temples and shrines, which are said 
to number in all about 98,000, and to be 
dedicated to no less than 3,000 difterent 
Genii, or Kami». — G. i^ohholá^ Religion 
in Japon, p. 22. 

* CAMINHÃO. Goma ou resiaa de 
benjoim. Do mal. kamiiían. 

1613. — «Espesso arvoredo de aguila, 
calamba, beijoim, caminhan». — Manuel 
G. de Erédia, Declaraçam de Malaca, fl. 10, 

* CAMOTIM (cone. kãmati). Inspec- 
tor dos campos, agrimensor. Usa-se 
o termo particularmente com relação 
às communidades agrícolas. Há fa- 
mílias em Goa com a alcunha de 
cainotins, pois o ofício, como outros 
de igual natureza, era hereditário. 

1687. — "E tomando pêra si este naçi- 
mento dizem expressamente que são o 
mesmo Deos Bruma ; de cujos hombros en- 
sinão nacerão os Rajus ;i e das coyxas os 
Camotis; e ultimamente dos pés os 
Xutres». — P. Fernão de Queiroz, Con- 
quista de Ceylão, p. 62 1. 

1720 — «Por sua letra e sinal poderia 
mostrar a V. S.* a falsidade com que cri- 
minou a esse camotim, não sendo só elle 
o que concorreu para a sua ruina». — Apud 
Júlio Biker, Collecção de Tratados, iii, 
p. 200. 

1727. — «Camotim. Na índia Portu- 
gueza, he o que tem debaixo da sua admi- 
nistração a Várzea, e o cuidado de a man- 
dar avalladar, e applicarihe o necessário». 

— Bluteau, Supplemento. 

1746. — «E foi traduzido da lingua Por- 
tugueza na dos mesmos Desso^ys por Bo- 
gana Camotim, interprete do Estado». 

— Monterroio Mascarenhas, Epanaphora 
Indica, u, p. 65. 

1852. — «Camoty inspector dos cam- 
pos, nas Ilhas especialmente do serviço 
de vallados, portaes e semelhantes». — 
F. N. Xavier, Bosquejo Histórico, (2.» ed.), 
iti, p. 53. 



' O autor faz confusão com cornai/, 
quanto ao significado. 



AN, LAO 



1" •' 1' ;\ 1 .Jr Ic\ar a i-tlcito a 

1). 111. :..;! >1 camotins que lhe orde- 
nai a». F. >». Xavier (tilho;, CoUecção de 
/ ' tf. p. 2. 

"O eâcrivil ' . ' ca- 

motins a r> - ou 

íiibrtudeirt»» mu> -n ti.ir.inM" ;i.> mítíOíS 
I'l. cada hum delles tiverem». — irf., 

lí)07. — • . • . nomear entre os sete che- 

f. < il 1 TU. 1 <>'<icamoty, edar-Ihe a posse 

ias cazíinas da Ilha». — O 

jhtZ. IV, J>. 88. 

• CAIÚPILÃO. Alfange timorense. 
Do mal. kampilan, 

1843. — «Campilões são uns alfanjes 

curtos p ?rm ; '.tita, (jue quando tem cer- 

. que 03 indígenas apre - 

nome de espada preta, 

;eui por 10 pardáos». — Annate 

- (parte official), p. 190. 

CAN, CÃO. Corruçao do turco- 

;. r^.i i:!,'rn. «príncipe, senhor». A 

j :i!a\ ru ucurre posposta a vários no- 

Mi -s próprios de muçulmanos, como 

" . Cedecào, Mamiide Cão. O 

(tivo can-can quere dizer 

s príncipes». Grào Cão 

..- - ...- --.„ento quo se dava ao rei 

da Tartária. O titulo está prosente- 

ment'> :nuito '!• ; r. xiado na índia, 

1512. — cE Rruztalcâo pelejou com 

r* :'-r>câo, que cstaua nas ilhas, eo 

1». — Afonso de Albuquerque, 

. p. 42. 

1.'» il — «Ao que El-Rey lhe dea seus 

• '■ •■ !he deu o nome de Côo, 

le dotn. r d'aliy avante 
• ^...ccAo». — Gaspar Cor- 

:i, p. 417. 

senhor hum nian«;ebo mouro 

laz e pur diiii<lailc cAO| e 

todo Cadauazcâo, e era 

' rey de Bengala».— Castanheda, 

'. II. c;iii. TH. 
' cAo também mandou 

u''';ii itns terras». — Ijurcia 

•I- K- - ' fl. 153. 

1 ' ' ' "í ru'erca dos Mo- 

■oT rey, tam- 
:íi hatn, e nós 
oam, c por 
i < »rta, Col. X. 
-Khan, Akl 
i..r <!•• < 



ji-uo s^ii^j it't i'tnarni. a., \«-zes 
Qrattde Câo». — Conde de Fi 



11 



1Ú70. — «O Chan ' 

Rei Uadur ao Kumi, h»- . 
da<le tomada dos Tártaro.-,, c ijuc cutrc os 
Guzarates, e outros I'ovos do Oriente se 
ooatuma dar por estado, ou merecimento 
de pessoa, que denota entre elles hua di- 
gui'' ' em Espanha a de Duque». 

— 1 .rros, D.'c. IV, iv, 16. 

"t .111 .1 i-.tlavra do Canoanà (que era 
o principal Senhor de Guzarate em sangue, 
e renda, à que el Rey tinha grande res- 

Eeito e o mesmo Mclique) se tornou». — Id., 
>éc IV, V, 15. 

1602. — «O Papa Innocencio quarto 
mandou por Embaixadores ao grâo CAo 
senhor do Cathayo, que era Cnristâo». — 
Diogo do Couto, Déc. IV, x, 1. 

«Este, Han, he titulo entre os Tártaros, 
e delles correo por todos os reinos do 
Oriente, e he a cousa de que se os gran- 
des mais honrão que todas. E como apro- 
nunciaçào com que elles nomeão não cabe 
na nossa, porque o fazem na garganta, e 
com hua aspiração que não se Ines entende 
mais que aquelía, an, vierâo a lhe chamar 
oan, e ainda se corompeo mais, porq^uc 
vulgarmente lhe chamâo CAo». — Id., 
Déc. V, X, 1. 

■ E pêra mais o obrigar, lhe deo o titulo 
de Chanchana [leia-se can-cana'\, que 
he como Condestabre do Reyno, o qual na 
sua lingua quer dizer Senhor dos Senho- 
res». — Id., Dóc. X, IV, í>. 

1634.— «O grAo-cAo Rey dos Tárta- 
ros dominando a China mandou sobre o 
Japão ma exercito de 200 mil infantes, e 

3uatro mil vellas». .— ///«<. da Igreja do 
apãu, apud Cristóvão Aires, F. M. Pinto 
e o' Japão, p. 152. 

1663. — «Xo tempo que por alli passei 
era governador do Congo um filho do Kan 
de Lava, que corresponde no titulo a du- 
oue em Ilespanhau. — P. Manuel Godinho, 
kdação, p. 104. 

1697. — «Can he indicativo de nobreza, 
como entre nós o Dom, e A'a da dignidade, 
e assim ora dhtemos Idalcão, ora Jdaixá». 

— P. F. de Sousa, OrinUe Conquistado, I, 
t,2. 

1727. — aKam, ou Cham, ou Chan, 
Na lingua Turca, e Persiana, vai o mes- 
mo, (pie Grande, e 1'oderoso Senhor. To- 
mão este titulo os Reys da Tartária, par- 
ticularmente o mais poderoso delles, e 
chamão-lhe o Crào liam da Tartária. 
TandMMH nr» Persia se dsí o titulo de Kam 
ao» ' da Corte, e a<is Governado- 

reti inciasu. — Uluteau, Supple^ 

mento. 

1769. — aSendo morto na batalha de 

luir pcli» Franceees o Nababo Ana- 
10 Kan de Areata». — O ('hmnittade 
í mauari/, i, p. 324. 

1825. — «S Iai5» rrcebeu, nn Pale.xtina 
-lor do QrA-Kan, 
ii- Andrade, Varta», 
I, p. i.>o. 



CAN, CAO 



194 



CANACAPOLE 



851. — «En deçà de la Chine sont le 
pays des Tagazgaz, peuple de race turke, 
ct le khakan du Tibet». — Apnd Reiuaud, 
Relations, i, p. (50. 

1292. — «... Al gran Can, cli'e 11 
maggior Re di tutti i Tartar!, quale sta 
iiei confini della terra fra Guco et Le- 
vante». —■ Marco Polo, ap?/fi Raumsio, ii, 
rt. 2. 

XIV. — «A Sancto Papa Benedicto dno- 
decimo cum aliis missus fni cum apostoli- 
cis Uteris et donis nuncius et legatus ad 
Kaam, summum omnium Thartarorum im- 
peratoremu. — Mariguolli, apud Guberna- 
tis, Storia, p. 142. 

1444». — Piu oltre di questa prouincia 
di Maugi, se ne trona vn'altra che è la 
miglior di tutte altre del mondo nominata 
il Cataio, il siguor della quale si fa chia- 
mare il gran Cane, che nella sua lingua 
vuol dire imperatore». — Nicolo di Couti, 
apvd Ramiisio, i, fl. 340. 

1(J02. — «Y de [cousas de] guerras a los 
grandes y Virreys de las ciudades, que 
liamau Cahni, y Calmes, y aunque estos 
sou estados hereditários y proprietários, 
los quitan y ponem en criados de los 
Reyes». — D. Juan de Persia, Relaciones, 
fl. 10 r. 

1610. — «Los de Tatar, a que dezimos 
Tártaros: llaman al Rey Hhakhoji y 
Khan». — Pedro Teixeira, Relaciones. 
p. 192. 

1616. — «Son frère ainé y auoit mal 
reiissi, et Chancann le plus grand Ca- 
pitaine de I'Empire n'y auoit pas este plus 
heureux». — Thomas Row, in Relations, 
p. 28. 

1616. — «Le Can est le 'premier tiltre 
d'honneur. Mirza suit apres; puis Umbra, 
et Haddee, qui signifie vn simple Cavalier 
ou Soldat». — Terry, Voyage, p. 17. 

1631. — «Chanis vel Hanis (aspira- 
tione forti) appellatio per quam usitata 
Persis et Tartaris est, apud quos reges 
et príncipes etiam miuorum gentium di- 
cuntur». — De Império Mayni Mogolis^ 
p. 171. 

«Abdul tamen Rachiem his rebus gestis 
nomen Chan Channae, et quiuque mil- 
lium equitnm praefecturam meruit». — 
Ibid.,]). 195. 

1658. — «Tutto el Regno [da Pérsia] è 
repartito à diuersi Kam, che vuol dire 
Prencipi, ò Signori di prouincie». — Pr. Vin- 
cenzo Maria, Viaggio, p. 112. 

1660. — «Seppe lo Sciabandar, ch'era 
pure Gouernatore del Luogo, e figlio del 
Kam di Lara (cioè del Vicerè di quel 
Regno) il mil) arriuo». — Mgr. Sebastiani, 
Seeonda Spedizione, p. 127. 

1675. — «This City has Caesar for its 
principal Patron; under him the Cann, 
who is President of the Province, or 
County-Sheriff». — Fryer, East India, in, 
p 22. 

1845. — «Chaque groupe de khails [sub- 



tribo no Afgiio] ou chaque khail indepen- 
dent, ou menie chaque division, qui a par 
chef un khan, est designe par le motou- 
louss». — .lancigny, Inde, p. 39. 

1875. — «Qaán, again, appears to be a 
form of Khágán, the Khúganos of the By- 
santine historians, and was the peculiar 
title of the supreme sovereign of the Mo- 
gols... When the value ot Khan had 
sunk, a new form, Khán-khánán, was 
devised at the court of Delhi, and applied 
to one of the high officers of state». — 
Yule, Marco Polo, i, p. 9. 

1876. — «Everywhere in Mongol history 
we find evidence of their presence, the 
titles Khahan, Khan, Bigui, or Beg, 
Terkhan, etc., are common to both races, 
while the same names occur among Mon- 
gol and Turkish chiefs». — Howorth, His- 
tory of the Mongols, i, p. 31. 

«Kaan is a contraction for Khakan, a 
title which Ogotai and his successor bore 
to distinguish them from the rulers of the 
three branches of the house of Jinjis». — 
Id, p. 116. 

* CANACA, canacar. É o mesmo 
que canacápole, miis sem o prefixo 
honorífico. Êigorosamento, kanakkar 
é em tamul o plural do kanakkan. 
Os ccmacas formara uma casta do 
Malabar, conforme Duarte Barbosa. 

1516. — «Ha outra ley nesta terra de 
gente mays baixa, ha que chamão Cana- 
quaç, que tem por oficio fazerem adar- 
guas, e sombreiros; estes aprendem letras 
pêra astrologia, saom grandes astrólogos». 
— Duarte Barbosa, Livro, p. 335. 

1894. — « . . . canasas que fazem adar- 
gas e sombreiros». — Lopes de Mendonça, 
Os Orphãos de Calecid, p. 196. 

1544. — «Id me docuit Primarius qui- 
dam Canacar* benevolus Christianis ter- 
ram istam incolentibus». — S. Francisco 
Xavier, Epist., lib. i, 19. 

CANACÁPOLE (tam. kanakkajnllei). 
Escrivão, contador ; gerente, admi- 
nistrador, no sul da índia. Os nos- 
sos missionários dão o nome tam- 
bém ao catequista e procurador dos 
cristãos. 

1577. — «Veyo hum que seruia de es- 
criuão, e disse que era pobre canaqua- 
polle que não tinha que dar, mas que 
buscaria quatorze ou quinze fanões». — 
Primor e Honra, fl. 94. 

1585. — «Em S. Thomé, e outras partes 
de Malavar os Portuguezes, e outros chris- 
tãos tem muita e estreita conversação, e 
familiaridade em suas casas com os Cana- 
capoles, ou escrivães infiéis por respeito 



ANAFÍSTLLA 



. — Ttíctíiro CoDcílio U« 
!V j> 1.15 



iCíipoies, • 

■■». — (juai t» 



Ce II cílio 



a retne<]io desta falta o qufí 

•'^"•noles cm lingua niala- 

o nu"^iin> que i'rocu- 

-■ j.iiitual, e temporal da 

'". — P. Joio Luceua, Iliatoria, ii, 
:0 

«Farei» a dita dcilaração pelo 

,].■. n. 1. > Canaoapoles das 

'laes, ou por testeniu- 

do rei, in Archho, vi, 

r.iitnir^.t canscapo- 
■ t<xias 39 c; rorhis, e al- 

aciidam ao Vf i. ._ .juda, quaudo 

chamados». — Uocumentos da Índia, 

ào esta petiçào, pro- 

_' Patangatiiis de toda 

i, iimn Jopaz Mõr dos sete lugares, 

Canacapuli Môr, c 45 mays dos 

s lugares e naçào». — 

loz, Hi«t. de Pedro de 

. p. 'J\. 

~7. — «fhcpmi esta carta á costa da 

.'ia de outra para os 

a qual se leu pelos 

anacapoles '. — Id., 

p. 81«. 

■ ■.iilc nu- disse o sachristào, 

canacapule, que muytos 

o«. — /(/., p. 825. 

1 a residência dos que 

~ ' Canaca- 

I)rociirado- 

' "ii vida, 

1 Fé os 

o:ii!ti.-;ivâo em 

i;ivão a bem mor- 

■ < -tm o caracter do 

'^er um Christàou. — 

,...- /,.-„,;.,./,. .. .j-.s. 



. isto he, hui nr, 

r, de virtude i- . — 

<-o dc Sousa, OriaUt Conguiê- 

11- 

: iti 

>i, quiis liic Ca- 

. — S. Francisco 

■ ' Canacapulam qui 

cuuiuui^i cdi:>ccud.i 
"iviicuu in quolla vclotta ripc- 



iii-.ij so.-lu iche in quella linprua si nomi- 

i)rtt:<> Canacopolt) di ogni numero di 

:. Iiuomini eccelleiíti di bontà, e 

". — P. .Maftei, Lr Istorie, p. 469. 

CANA CHEIROSA. V . cáktmo aro- 

nim icn. 

CANA DA ÍNDIA. V. bambu e erva 
canteira. 

1831. — «Deu se-lhe huma cabaia, e 
barrete de panno encarnado, hum panno, 
hum len^-o, também encarnado, huma rota 
da canna da India com castão de prata, 
tudo remettido de Moçambique". — Apud 
Júlio Biker, Collecção de Tra(ad(^, xii, 
p. 8õ. 

CANA DE BENGALA. V. bengala. 

CANAFÍSTULA. É o mesmo que 
Cassia jÍKtula do Linneu. — «A ar- 
vore pode ser facilmente conhecida 
pelas suas flores amarellas, e muito 
compridas e cylindricas vagens». — 
D. G. Dulgado (Classificação Botâ- 
nica, p. 8). Daqui vem o seu nome. 
A polpa do fruto tem propriedades 
purgativas. 

1Õ03. — "Partindo delia navegamos tanto 
que nos achámo."! muito engolfados na al- 
tura da terra de Vera Cruz ou Brazil. . . 
da qual se tira grande quantidade de oa- 
nafistula e de páo Brazil». — João Em- 
poli, Viaffem, cap. i. 

4509. — «... E hua arroba lie quatro 
avatcs dc canaflstulla». — In Cartas de 
A. de Albuquer(iiu', iv, p. 198. 

lôlG. — «A cana flstola nace na serra 
que divide o Malabar dc Narsinga em todo 
o lugar». — Toma» Pires, Carta a elrey, 
apud Cardeal Saraiva, vi, p. 420. 

1516. — «... mirainulanos, tamarinos, 
oanafístula, e toda a sorte de pedra- 
ria»». — Duarte Barbosa, Z.,úto, (2.» ed.), 
p. .339. 

1540. — «... pedra hume, oana fis- 
tula, tamarinho, cardamomo». — Fernão 
i'intt), peregrinai;'}!}, cap. 41. 

l.õG.'J — «Acoiitcoc que purgam com 
iuiina onya de canaflstola á» vezes mais 
que com triuta grào» dc escamoueaw. — 
Garcia da Orta, Col. »iv. 

156»;. — «Nace lullas [ilhas de Java] 
nimenta, cauella, oanafístula, e cube- 
Iias». - Damião de Góis, Chronica de 
h. Mauutl, III, cap. 41. 

15%. — «(.'om H» frutas p. 'lom 

entrar as cana? fístulas uaa 

:an- 
no- 
- i'. C«;i=par Altuiau, Uut. 'Jra- 
tmn, VI, p 2. 

\\^^J\^ _ «Ha DctU terra muita canil- 



CANANGA 



196 



CAN ARES 



fistula pelas matas». — Fr. João dos 
Sautos, Ethiopia Oiiental, i, p. J80. 

1613. — «No sertão se achão alguns 
arvores de canella, canaflstola, Tama- 
rindo». — Manuel G. de Erédia, Declara- 
çam de Malaca, fl. 16. 

1616.— «A arvore de Canaflstula é 
semelhante á pereira, mas tem a folha mais 
comprida, e dá uma flor amarella de bom 
cheiro». — Pyrard de Lavai, Viagem, ii, 
p. 365. 

1782. — oVê-se outra que produz a Ca- 
naflstula; mereceria pois a vossa atten- 
ção por ter extração e serventia nas boti- 
cas sua producção». — Fr. Clemente da 
Ressurreição, Tratado, ii, p. 34. 

1891. — «A cannafistula, isto é, a 
polpa do fructo — que Or ta chama «cana» 
— era principalmente usada na índia, co- 
mo um purgante leve». — Conde de Fica- 
Iho, Col. XIV. 

1578.— cEn cayendo la flor, nasce la 
verde canaflstola, la qual esta de vn 
verde muy hermoso, teíiida en quanto es 
verde, y en madurando se bueluc en breue 
termino negra». — Cristóvão da Costa, 
Tractado, p. 129. 

1631. — «Si alvus solito astrictior fue- 
rit, eam commode solvemus praeatantissi- 
mis nascentibus laxativis, Tliamarindis ni- 
mirum, et medulla Casçiae fistulae». — 
Bontius, Hist. Naturalis, p. 13. 

1658. — «La Cassia, chiamata da Por- 
tughesi Cannafistula, da gl'Indiani 
Bhaua nasce iu piante assai grandi». — 
Fr. Vincenzo Maria, Viaggio, p. 388. 
■ 1674. — «I travelled to the Tops of the 
Hills for the Cassia fistula Tree». — 
Fryer, East India, ii, p. 74. 

1786. — « . . . il sândalo, la cassia fis- 
tula I'albero della cassia purgante». — 
Fra Paolino, Viaggio, p. 115. 

* CANAIATE (propriamente cania- 
ne, do malaiala kaniyãn, sendo ka- 
nayãtti feminino). Feiticeiro do Ma- 
labar. V. canonlane. 

1563 (1498).— «Nesta terra da índia 
tisão muito de feiticeiros e adevinhadores, 
e mormente nesta costa da índia, que se 
chama terra do Malabar, e chamão a es- 
tes adevinhadores canayates». — Gaspar 
Correia, landas, i, p. 69. 

1600. — «Como se poderá auer peor 
ventura, quando algua ouuera, que sogei- 
tarem os pays a criaçam, e vida dos pró- 
prios filhos, ao que acerta de vir à boca 
á um Caneane, criando somente aquel- 
les, que lhe elle quer fazer bem apertados, 
ou engeitando todos os que acerta de dizer 
que naceram em má hora». — P. João Lu- 
cena, Historia, vi, cap 6. 

CANANGA. «Xoin d'un arbre à 
ílcurs odoriférants (?íi;ariaj». Favre. 



Do mal. ka7ianga<its\\yez do sânsc. 
kanaka, Cananga odorata dos botâ- 
nicos. Os dicionários registam ca- 
nango. 

1882. — «As essências de mogarinhos 
[mogarins], champak, canduanga, la- 
ranja, rosa, cravo e outras». — Henriques 
Prostes, Boi. 6'. G. L., iv, p. 392. 

1908. — «Agua de kananga é o nome 
da essência no mercado da ínsulindia, e 
cananga em português de Dilly, o da 
arvore». — Alberto de Castro, Flores de 
Coral, p. 215. 

1690. — «Hujus arboris [canangae] pau- 
cae partes sunt in usu, exceptis ejus nu- 
cleis seu ossiculis, quae mulierculae conte- 
runt ad unguentum odoratum seu Boborri, 
quo inter lavandum corpus inungunt, ut 
bonuin ipsi concilient odorem». — Rum- 
phius, Herbarium Âmhoinense, iii, cap. 10. 

1908. — «Cocoanut oil has thus been 
found in cananga, citronella and palraa- 
rosa oils». — Watt, The Commercial Pro- 
ducts, p. 360. 

CANARÈS (s. e adj.). É claro que 
o termo designa a língua falada no 
Canará. Mas a própria palavra Ca- 
riará tem passado por modificação 
geográfica : o sânsc. Karnãta ou 
Karnãtaka, corrompido em Kannãda 
(= Kanara), era o nome duma vasta 
região no planalto dos Gates, conhe- 
cida dos nossos historiadores princi- 
palmente com relação ao reino de 
Bisnaga ou Narsinga, e abrangida 
actualmente por Maiçor e pelos dis- 
tritos ocidentais de Hidrabad ^ A sua 
deslocação, para denotar a costa oci- 
dental entre Goa e o monte Deli, foi 
feita pelos portugueses e outros eu- 
ropeus, devido a ter estado essa re- 
gião por muitos séculos sujeita aos 
reis canareses. V. Influência, p. L. 

Por lingua canarim ou canarina 
entendiam também os portugueses a 
que é actualmente conhecida por con- 
cani, pela mesma razão por que aos 
naturais de Goa chamavam cana- 



1 «A terceira [província de Narsinga] 
se chama Canara, também no sertão».— 
Castanheda, Historia, cap. 16. 

«'Aqui se enxerga lá do mar nndoso 
Hum monte alto que corre longtircente, 
Servindo ao Malabar de forte muro, 
Com que do Cannrá vive seguro. 

Da terra os natnraes lhe chamam Gatt»,- 
Camões^ LusiaJas, yií, 1 e 22. 



CANÁRIA 



197 



CANARIM 



rins (q. v.), sendo na realidade con- 
canis. 



1552 
râ» — 



1. Ur Cana- 
i, II, cap. 22. 
.. Canarâ sc- 
f^iiii'l» -íi.i-: I ?t've principio quasi 

TIO- ' •'-" vinte da uossa 

Kt 'me he Charnà 

r/iJ. ,. , . , ,- :n oorrupçSo se 

veyo a cliamar Canarà». — Diogo do 
Couto, Dóc. VI, V, 5. 

K).)! — «Fiz aoima tresladar de lingoa 
e letra canará, em que está, bem e fiel- 
mentf'.. — Apud Júlio Biker, CoUecçâo de 
Trutad-s. I, p. 276. 

1G^7 - V"'"' f "•" Mi-sionario no Mo- 
gol, .ifvi' aprtu'i'i- a lin^'oado ludu-stan, e 
a Persiana, que se fala na Corte. Nas ter- 
ras dt"> X'^rte, a Maraatta; nas de Goa, a 
Canarina, nas do Canará, e Mayaur, o idio- 
ma Canarâ'>. — P. Fernão de Queiroz, 
r.-,M,. ;,-../„ <;. ■ ■' ..91. 

1»; .:. ^ Chariiáiacà (Cb- 

nará > mu .siem] 'nada 

eu brev; tuvo Prii rano 

aâta los aiMiá i;;'A> de la Krparacu'u hu- 
mana». — Faria e Sousa, Asia Poittiyueea, 
p. 180 ' 

1 >>>»;. — «Gradually and owing probably 
til 1 ' ••''ioation at Goa, where the na- 
ti\ -Kin the first to have been 

kut'.^ .. >•■ -..V Portuguese as Canarije, » the 
name bocainc appropriated to the low 
country between Goa and Malabar. • And 
this term, in the old Portuguese works, 
mean.s the K<ntkani people and language of 
G'lao — Gloitar^. 

* CANÁRIA (bot.). Canarium com- 
mune. É iodigena das illias Molucas. 
Extrai-se óleo do seu fruto para 
usos domésticos. Do mal. kanãri 

1552. — «E estes saem do mar para o 
mato a comer hwa fruita que ha na terra 

3ue se chama Canária e hc como amen- 
oas e assi tem a casca». — Castanheda, 
HiBtoria,yi, cap. 11. 



in, 



•Ha em bastantes logaree da 

Timor] umas grandes arvores de- 

'■<.- '■■'■ canária, igualmente sil- 

■ - produzem uma fructa 

iH da Kur< ; 

Antaeê 

o pau rnsa, palavan 
ranarla, estre 

has, Timnr, ii 

r •'" 

.«»: amêndoa., canária, 
.líO, cuco». — Taui-yang- 



CANARIM (subst. e adj. uniforme *). 
Km rigor, canarim éo ' ' '^ •' 
Canará». Mas os porti- 
princípio aplicaram erróiifauuMite a 
denominação ao povo de Goa<, que, 
geograficamente, é concani, etnica- 
mente, é indo-Aria e, g]< ' 
mente, 6 indo-europeu. As > 
canarins se entendem somente os 
gentios ou somente os cristãos indí- 
genas, e amiúde, modernamente, se 
emprega o termo com sentido de- 
preciativo. Com muita probabilidade, 
esta designação o a sujeição política 
ocasionaram, na boca dos europeus, 
a deslocação do nome Canará {Kan- 
7iaç?a em vernáculo, Karnãtaem sâns- 
erito) dos Gates para o território da 
costa entre Goa e o monte Deli, isto 
é, entre o ConcSo e o Malabar. 

1512. — «Feitor desta fortaleza de goa 
ho capitam mor e etc. per este vos mando 
que dees amtonio home canarim cristão 
duas cotonias e três panos de cambaya de 
que em nome de sualteza lhe faço mercê 
por se tornar cristSou. — Afonso de Albu- 
querque, Cartas, v, p. 175. 

I5I5. — «Per este vos mando que pages 
manuel de lacerda natural da terra casado 
e morador nesta cidade de goa cõ molher 
outrosy natural da terra seis mil reaes d 
dinheiro... por qanto he oanari e he 
b? qe receba fauor e gasalhado. — Jd., 
V, p. 266. 

«Asy da nosa gente, como malavares, 
canarins de Goa e gente da terra».—- 
Id., I, p 377. 

1552. — «A todo o maritimo que 01 :. 
tramos até a serra Gate que vae ao 

da costa com que fa:- ' " " ' 

treita faixa de terra, < 

e aos pouos propriameiíi- - ■ / -. , ■ .-v 

3ue 08 nossos lhe chamão Canarijs). — 
oSo de Barros, I)t'>e. I, ix, 1. 
1562. — aEsta ilha a que nós chan 
Goa, chamão 'ot« canarins, que ::-i 
gentio» naturae» da terra Tiçoary». — Cm- 
taiiliiiia, llittnria, in, eap. 8. 
— «Os Canarins, qti 
-ta terra de (íoa. ■»>. — ' a 

Urta, í'ol. siv. 
IT1HO : 



ill, 3 
H 



riitii íiiHiilririiin 



..•oh 






naaríi, « Mnlntiaros hiAo 

, .lull, ii.il tiiii.*'.--!!! loí qnriri; .rirt'Iij': 



Ctrto at Oím, I, 4t. 



lum 4mboincH9t!t iii, cap. i 



* Mm ocorre em etoritoros antigos a 
aae «língua canarina». 



CANARIM 



198 



CANCHI 



1694. — «E 08 filhos que llic vierSo de 
lonsfo, são os CanaPins, os Decanis, os 
Malabares, os Chingalàs, os Bengalas, os 
Peguz». — P. António Vieira, Xavier Dor- 
mindo, p. 152. 

1616. — «... que no-la [relação] man- 
dou de lá o padre lielchior da Sylva, sa- 
cerdote theologo pregador, Canarim de 
nação, naseido ein Goa». — Diogo do Couto, 
Déc. VII, I, 8. 

1616. — «Todo o trafico ordinário a re- 
talho é alli [cm Goa] feito por Bauianes, 
Canarins, e outros estrangeiros, assim 
gentios como mahometanos, e raras vezes 
pelos Portuguçzes, Mestiços, ou índios 
christãos da terra». — Pyrard de liaval, 
Viagem, ii, p. 154. 

1697. — "São os Canarins, que assim 
se chamão os uaturaes, destas terras, insi- 
gnes neste jogo, e estas são as armas ordi- 
nárias com que se defendem das violên- 
cias dos estraugeyros nas suas aldeãs».' — 
P. Francisco de Sousa, Oriente. Conquis- 
tado, II, 1, 1. 

1842. — "Pode fazer duvida a denomi- 
nação Canarins dada aos Christãos na- 
tivos de Goa; mas se se attender que o 
Canará foi christianisado dez annos antes 
de Goa (!), e que muitos dos nativos 
daquelle paiz acudiram a este, talvez os 
Goanos Christãos quizessem antes deno- 
minar-se Canarins do que Concanós ; e 
ou que os gentios, conservando este appe- 
lido, dessem o outro aos ueófitos' . — A71- 
naes Marítimos, p. 103. 

1852. — "Do Canará vem o Canarim, 
e com quanto os habitantes de Goa nada 
tivessem de communi com aquelle Reino, 
aquelle appelido foi-lhes applicado, bem 
ou mal, como patronímico, em alluzão ao 
Reino donde vieram; por isso nada teria 
de ignominoso, se porventura não fosse 
empregado em forma de desprezo, que me- 
recesse de ser tratado por Leis de injuria 
punivelo. — F. N. Xavier, Bosquejo Histó- 
rico, m, p. 6. 

1858. — «A palavra Canarim está 
tomada hoje como termo oftensivo, mas sem 
razão, por que nada mais significa do que 
natural do Canará, e o território de Goa 
era antes da conquista portugueza in- 
cluido no Canará. Donde vem que nos pri- 
meiros tempos chamávamos Canarins 
indistinctamente a gentios e a christãos, 
como ainda faz o auctor; posto que agora 
quasi exclusivamente se applicasse o nome 
aos christãos naturaes». — Cunha Rivera, 
apnd Pyrard, 11, p. 31. 

1874. — «Um rei do Canará, gentio, con- 
quistou ou antes tomou posse do rico i)aiz 
inerme; d'ahi veio aos habitantes, com 
pouca propriedade, a denominação de ca- 
narins». — Tomás Ribeiro, Jon?af/tís, 11, 
p. 16. 

1582. — «In questa Isola fde Goa] sono 
alcuni habitanti detti Canaríní, i quali 
adorano una statua uuda di pietra, che la 



tengono per loro ídolo». — G. Balbi, Viag- 
gio, fi. 68. 

1676. — «Pour ce qui est des procés on 
n'en voit jamais la fin, ils passent parles 
mains des Canarins qui sont gens du 
pais qui font le metier de soliciteurs et de 
Procureurs, et il n'v a point de gens plus 
rusez et plus subtils». — Tavcrnier, ni, 
Voyages, p. 159. 

CANCANÃ (cone. kãnkan, pi. kãnk- 
nãm, sânsc. < kankana). Munilha 
de massa vidrada, que usam em 
i grande número as índias solteiras e 
I casadas e que se quebram à, morte 
do marido, em sinal de viuvez. Há 
igualmente cancanãs de ouro e ou- 
tros metais, com que se adornam até 
os homens e que sao às vezes con- 
cedidas por autoridades em prémio 
de actos valorosos. 

1727. — «Cancanãs. Bracelete. To- 
das as mulheres índias trazem cinco, seis, 
emaisbracelletes, ou Cancanases [plu- 
ral do plural] em cada braço; as Mogolas 
usão de Cancanases de marfim, que 
quebrão com qualquer cólera, ou pesar, 
que tenhão, jiara melhor mostrar a sua 
dor». — Bluteau, Supplemento. 

1874. — «... e nos 2)ulsos uma arcaria 
enfeitada de ganttés, cancanás, e pul- 
seiras de coral com rosas de ouro». — To- 
más Ribeiro, Jornadas, 11, p. 104. 

1886. — «Rapam a cabeça: quebram as 
cancanãs, bracelletes.». ^ — Lopes Men- 
des, A India Portugueza, i, p. 268. 

1898. — «. .-. nos torneados pulsos, vis- 
tosas arcarias de cancanás c gantes». 

— Oliveira Mascarenhas, Atravez dos Ma- 
res, p. 203. 

190.").— «Cancanâ-^/<aro (potassa usa- 
da na fabricação de manilhas de massa) a 
pardau 8 réis». — Ernesto Fernandes, Re- 
gimen do sal, no Boi. /S. G. L., xxiii, p. 384. 

1906 — «Nos braços enfiam uma série 
de kankanas, manilhas de vidro, que to- 
mam o nome de patleu quando de ouro» — 
Hipácio de Brion, Duas mil léguas, p. 23. 

1916. — «. . com o respectivo cortejo 
de cancannãs e custosos penduricalhos». 

— Heraldo, de 9 de Novembro. 

1825. — «Les époux ayant pris jjlace sur 
Testrade, et le san-calpa termine, on passe 
à la cérémonie importante appclée kan- 
kana. A cet eâ"et, on se procure deux mor- 
ceaux de safran, ou curcuma, autour de;3- 
quels on attache un fil double . . . L'epoux, 
prenant alors un de ces rnorceaux de sa- 
fran, Tattache au poignet gauche de 
repouse, qui, à sou tour, lui attache I'au- 
tre morceau au poignet droit». — P. Du- 
bois, Moeurs, i, p. 308. 

CiiNCHI (s. m.). Ocorre a palavra 



CA .ND I 



199 



LANDIL 



eiu alguns dicionários portugueses 
com o signitícado de «árvore japo- 
nesa, cuja casca serve, corao o i)a- | 
pel, para nela se escrever». — Os' 
dicionários japonês -s n-gistani kaii- '. 
chi com os signiticados o astúcia, ma- 
nha»; mas kanchiku ó «uma ospócie 
do bambu»; náo sei porôm se a sua 
casca serve de papel. 

CANDE. Desfiladeiro nos Uatos, e 
no «Norte», isto ('', em Damílo e ou- 
tras praças. Do mar. khãnd e sÃnsc. 
khamia. 

1687. — «O nome deste Keyno [de Cân- 
dia som corrupção he Candi hiirc, que 
utiti>l'> diz: As serras la de sima; porque 
fsla jialaura, Candi, tàubeni em outras 
liui,'uas do Indiistan .significa, caminho, ou 
VIU lia estreyta entre serras». — P. Fer- 
1)1 :]•• (jueiroz, Conquista de Ceylâo,]}.A^. 
— «Roccbeo Sua P^xcelleneia a no- 
oreta de que Nagobba Sauuto es- 
111 hum cande (ou (ie.sliladeyro)». — 
Aii .1 Hibeiro Carvaliiu, Iit/a<;ào, p. 7. 

llul. — nOutrosim se .issenta, que o ca- 
minho do Cande de Teliery será franca- 
mente continuado aos Maratas». — Ajivd 
Júlio Biker, ColUtu^ão de Tratados, vi, 
p. 17G. 

171.') " «Esta [serrania dos Gates] pelo 
asncro, »• rscabrozo dos seus penhascos, 
pelo intriíK-ailo dos seus impenetráveis 
bosqui-s. ilitlliiilta a communicaçam de Ba- 
laLcatc ( ■ III I 'is terras, que tição para a 
parte di: (ii-a, i' si'. s« tem praticado, algu- 
mas estreitas vinilas, a que ehanião Cân- 
dia, p'l '- ■"' ' - pude pa.ssar somente hum 
boy ca- > traz de outro, ou hum ho- 

mí-iii .•^' -. , , 111 o cavallopela redia«. — 
Moiit' rroio Mascarenhas, Epanaphora In- 

'!■■ I . : I. II. T). 

lo a hiuis desfiladeiros, a que 
trrra d.\ o nome de Candi, o | 
a da aspereza do mato 

ij I ido». — /rf., p. 47. 

Ib^'"^. — .. L!5Ui> Llropasj ainda nã>> bas- 
tava© para Í!ni>»'dir cm altriiiiM cendes 
(ou df-' It' 

<Mitra\ : s 

df ip.- . ' hroniala de Tit- 

liar :. I. ii 

il> (>>ii candet) que 

til .1 1 dito forte ,s(í devem 

cegar, iiii\aniio irrscer nellcs o mat 
Ibid, J). •)5. 

CANDI iM.lj 

lGh7 - «Nas partes do Norte, em Cam- 
Ijaya, líi hl'-'iI i. <• Kina, o purilieilo com 
limo, I candii como ehris- 

t«l, e II r Fernão r|e Quei- 

rós, Conquiêta de ( rylào, p. 9*J1 



CANDIL, candím (pi. candis, can- 
(linn). Como metiida de capacidade, 
vale 20 euros ou alqueires; como 
j)éso, corresponde a 20 í/ído."» ou uns 
ÕCK) arráteis. Do miiv. khaud'i; khãndi 
em concani, kamli em tamul e ma- 
laiala. 

O i tónico final das palavras in- 
dianas nasaliza-se normalmente na 
sua passagem para portuguOs, como 
lascar im, palanquim, Pangim, Co- 
chim. Mas às vezes encosta-se a um 
í, como candii, caril, sadiL Gonçal- 
ves Viana, porOm, entende que o l 
se originou do i)lural, — candis, ca- 
ris, por analogia com funis, de fu- 
nil, e outros vocábulos semelhantes. 
Mas caril usa-se geralmente no sin- 
gular. Tarabôm om concani, mercel 
está por «merco», o em muitas lín- 
guas neo-áricas mastul é «masto», 
forma antiga de mastro. 

Rafael Blutoau e vários diciona- 
ristas modernos consignam outro si- 
gnificado de candii, o de «antiga 
moeda de Ormuz», e abonam com 
João de Barros. 2íunca existiu tal 
moeda; o quo há é <;arf/', çadim, on 
çadil ou (jandil, com omissáo tipo- 
gráfica de cedilha do Ç maiúsculo 
em alguns escritores antigos, como 
tambOm aconteceu algumas vezes 
com Çaniorim. V. sadi. 

1511. — «Nove pardaos do arroz gira- 
call e d<»uá camdys de màtega». — Afonso 
de Albuquerque, Cartas, v. p. lõl. 

1515. — «... a razam de hú oAdy jior 
dia a cada hú». — Id., vi. p. 28(). 

151G. — «Tem out r ; maiores que 
chamaom candii, qi [uatroquin- 

taes pouco mais ou nnim.-^ >. i;undt)ho8 lu- 
gareau. — Duarte Barbosa, Livro, (2.* ed.), 
p. 2S'J. 

1531. — «Levará o Tanadar de cada 
oandil de bate meio feal».— \i....... \],,- 

xia, FrecalriiH d/Ki ojUriaen do 1 

15.'}8. — «K llic mandou tie j :uil 

vaqas. . . e quatro eentoa oandis de trigo 
mil' ii:i.,sãii de eemmoyos». — Gai»i>ar Cor- 
/«, IV, p. 25. 

••Teria de peso seis mil oan- 
dins, que da iio.ssa conta .Hão vinte e qua- 
tro mil (juintacHu. — Fernãn IMnto, Prrr- 
1 griudção, cap. l.">8. 

1554— .0 candii 
mãos, cada m.~ • — Aiilouio 

' NuneH, Lyvro n i 

I 1669> ■— •CÍU4U0 iml oandia darroz de 



CANDIL 



200 



CANDURA 



carrogaoilo para provimento dos almazcns 
e ariniulas de sua Alteza». — Arvhivo Port.- 
Orieninl, v, p. 400. 

15()í). — «E o candil darroz, que sohia 
vai ler a trcs pardáos, se nSo acliaua agora 
por seis c sete patacões». — Ibid., n, p. 178. 

IGOI, — «Nos almazens de cada forta- 
leza dous mil can diz do arroz, para es- 
tarem em deposito». — Diogo do ('outo, 
Déc. VI, IX, IG. 

IGll. — «Havia muitos chatins, que são 
mercadores que falavào por candiz de 
pagodes de ouro, que he lunua uioeda como 
tremoços. .. e o candil he hum quartei- 
rão de trigo desta tcrríi». — Id., Dial. do 
Soldado Pratico, p. 15G. 

IGIG. — «Affirmam os Talapòes anti- 
gos daquelle Keyno, que se lançarão n\- 
quelles alicerces seiscentos candis de 
ouro, que pela nossa conta sam duzentos 
moios de ouro, porque cada candil tem 
vinte alqueires». — Id., Déc. XII, v, 4. 

1632. — «Responde hum Candil a 
quasi trinta alqueires da medida de Por- 
tugal». — Fr. Luís de Sousa, Hist. deS. Do- 
mincfos, III, p. 369. 

1G3Í. — «A dita armada é de fustas ou 
navios de remo de porte cada hum de oi- 
tenta candis, e cada candil de 20 mãos. 
que são como alqueires de Portugal». — 
António Bocarro, lÃvro., iii, p. 75. 

1791. — «Queira V. Ex.» mandar cá 
f):000 homens, ;'0 candins de pólvora, e 
25 candins de chumbo». — A2)ud Júlio 
Biker, Collecçào de Tratados, ix, p. 1791. 

1840. — "Todo o Tabaco importado pa- 
gará nas Alfandegas do Estado o Direito 
único de oitenta xeraíins por candil de 
dezeseis arrobas». — Collecçào de Batidos, 
I, p. 189. 

' 1883. — «Candil pode ser peso (460 
kilos) ou medida de capacidade (280 li- 
tros)». — Gabriel Pereira, Jíol. S. G. L., 
IV, p. 288. 

1915. — «Eu tive a fortuna de colher 34 
candins, dez candins mais de que o 
anno passado». — O Ultramar, de 21 de 
Outubro. 

1578. — «Es tanta la cantidad [de ca- 
nafístula] en Cambaya (de donde es la me- 
jor) que dan vn candil (que es quinien- 
tas y veinte y dos libras) por vna moneda 
que vale tresientos y sessenta marauedis». 

— Cristóvão da Costa, Tractado, p. 129. 
1582. — «In Goa sono due sorti di Can- 
dil i, cioè uno di rnaii 16, e uno di man 20». 

— G Balbi, Viaggio, fl. G8 v. 

1589. — «On n'y pent avoir vne Can- 
dile de Riz qui contient quatorze mesure 
de deçà pour la valeur de diz ou quinze 
sols-». — Linschoten, Histoirt, p. 30. 

1618. — «The Candee at this place 
[Batecala] containeth neere 500 pounds». 

— \V. Hore, in Glossary. 

1G66. — «II y a à Sourate comme ail- 
leurs diverses sortes di poids et de mesu- 
res. Celle qu'on appelle Candy, vaut 



vingt mans». — Tlievcnot, Voyages, in, 
p. 53. 

# CANDÓ (guz. kãndho). Corte de 
ramos de árvores para queimada, 
em Damão. V. cumerim e chobinó. 

19{)1. — «'0 tradicional candó ou poda, 
feita pelos colonos para obterem a cinza 
que serve de estrume aos adares ou semen- 
teiras, tem concorrido muito para o deplo- 
rável estado do arvoredo, e principalmente 
das tecas». — José Pinheiro, Boi. S. G. L., 
XX, p. 30. 

1916. — «O problema de kandó (que é 
uma poda barbara nas arvores em Nagar 
Avely, e dos cnmerins (queimada de terras 
com folhagem) nas Novas Conquistas sem- 
pre ai está irresolvido». — O Heraldo, de 
30 de Março. 

CANDUM. «Termo da India portu- 
gueza. Ruptura no vallado ou dique». 
Domingos Vieira. De facto, cm con- 
cani e marata khãud (j)l. /ihãndãm), 
derivado do sânso. khanda, quero 
dizer «rotura»; e vê-se da abonação 
que o termo ó corrente no portn- 
guGs de Goa. 

1917, — «A precipitação da chuva aos 
cântaros, umas boas polegadas em poucos 
minutos, está produzindo canduns em 
todas as bordas e taludes. . . Pois impedir 
esse curso é em geral fazer que a água 
irrompa por mais quatro lugares e cause 
mais quatro canduns»». — O Ultramar, 
de 18 de Junho. 

CANDURA, cundura, gandra, gun- 
dara, gundra. O vocábulo, diversa- 
mente grafado, designa uma «em- 
barcação pequena das Maldivas ex- 
clusivamente construída e aparelhada 
com a madeira e p